sexta-feira, maio 31, 2013

Leitor-colaborador questiona local de uma das desapropriações para estação do aeromóvel em Campos

Os leitores do blog, sempre muito atentos, seguem identificando problemas e questionamentos relacionados às políticas públicas e aos interesses do cidadão.

Depois do questionamento do processo de limpeza dos canais, exposto na nota abaixo, outro colaborador questionou em nota abaixo (veja aqui) em que o blog trouxe a lista da desapropriação de nove áreas urbanas, dentro do projeto de estações para o aeromóvel, a ser construído e instalado no município de Campos dizendo:

"Estranho, muito estranho, pelo menos prá mim, esta área de frente para a RJ 216 e fundos para a Av. Tarcisio Miranda (Penha/Pq. Bela Vista) é a mesma área de um galpão cheio de materiais de campanha e carros da campanha do pessoal do grupo da prefeita. Nós sempre soubemos que aquela área pertence ao marido da prefeita. Desapropriar logo esta área??????? Estranho!!!!!!!"

O blog abre espaço para os gestores se manifestarem. 

PS.: Atualizado às 22:50 e 22: 54: O blog abaixo detalha a área questionada pelo leitor e dá detalhes sobre as demais oito áreas que constam do Decreto Nº 114/2013. Como pode ser intuído estas nove áreas devem se referir a sete de um total já comentado de dez estações:

1) A área que o leitor questiona a desapropriação é uma área de 10.025,67 m² situado
no bairro da Penha, medindo 108,40m de frente para RJ- 216 e Fundos com 90,15 m para a Avenida Tarcísio Miranda.

2) Pelas informações divulgadas até agora estão estimando as desapropriações em cerca de R$ 60 milhões. O traçado teria cerca de 11 quilômetros e também 11 estações e seria usado com 11 trens. Se estes números se confirmarem até parece um número cabalístico;

3) Se forem 11 estações mesmo, é provável que outras áreas tenham ainda que ser desapropriadas para dar conta das citadas onze estações. Como já foi dito pelo Gustavo em comentário abaixo o trajeto previsto seria de forma resumida, toda a avenida 28 de Março (da Penha até avenida Alberto Torres de onde seguiria pela linha férrea da RFFSA (hoje FCA), atravessando o Rio Paraíba do Sul e continuando pela linha do trem até a avenida Carmem Carneiro e Hipólito Sardinha no mesmo roteiro usado de quando as pontes caíram (em 2006) e foram usados trens de passageiros em estações provisórias de lonas ao longo do trajeto.

4) Pelo Decreto Municipal Nº 114/2013 (veja na nota abaixo), as áreas das estações até agora seriam:
a) Duas em Guarus (uma de 1.950 m² e outra de 1.920 m²), uma na avenida Carmem Carneiro, na altura da Padaria Nogueira e outra na mesma avenida na altura do Parque Niterói;

b) Uma na avenida 28 de março, na altura da avenida Apolo (do Salesiano) de 1.292 m²);

c) Uma na área do terreno da antiga Vasa (de propriedade do SuperBom), em frente ao shopping avenida 28 de março de 3.180 m²;

d) Duas na altura do Flamboyant II, avenida Tarcisio Miranda esquina com avenida Ermito Pinto Pessanha (junto Trator Suprema) - uma de 2.763 m² e outra de 3.857 m²;

e) Duas na esquina da avenida Tarcisio Miranda com avenida Arthur Bernardes (que liga ao Alphaville e à UENF) com 2.091 m² e outra de 516 m²;

f) Uma na Penha de frente para a Campos-Farol e fundos para a avenida Tarcisio Miranda com 10.025 m².

Limpeza dos canais e sujeira na praia do Farol

Um colaborador atento do blog enviou ontem à noite o seu questionamento sobre o processo de manutenção dos canais da Baixada sem os devidos cuidados:

“Caro Roberto,
Hoje passei pelo Farol de São Tomé, e, havia muita vegetação flutuando na agua. A dita vegetação procede da lagoa Feia e estava entalando o Flecha na ponte do Goti em Retiro, até aí tudo bem. Eu penso que não seja correto soltar vegetação rio abaixo da forma com está acontecendo, e seria bom se soubéssemos se não há no contrato emergencial que é o caso, uma cláusula em que é necessário o embarque, transporte e descarga em bota fora próprio, se não houver é muito estranho, pois o rio fica limpo e a orla suja por demais?

O fato que gera despesa para a PMCG, pois quem limpa a praia é o município, e quem limpa e controla os rios, lagos e canais é o INEA.
Abraços!”

Desapropriação de áreas para estações do aeromóvel em Campos

Foi publicado no Diário Oficial de Campos, da última quarta-feira, dia 29 de maio de 2013, o decreto Nº 114/2013 desapropriando, nove áreas, previstas para abrigarem estações do aeromóvel em Campos.

No mesmo número do Diário Oficial do município está publicada a lei municipal Nº 8.354 que autorizou a PMCG a contratar financiamento junto à CEF para execução do referido projeto, como parte do Programa de Infraestrutura de Transporte e Mobilidade Urbana (Pró-Transporte) do governo federal que o blog também publica abaixo:



A licença do Inea para a Ponte SFI-SJB no Diário Oficial


Conforme o blog informou ontem aqui, a Secretaria Estadual de Obras (Seobras) recebeu do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) a Licença Prévia e de Instalação (LPI) Nº IN 023210 para as obras da ponte SJB-SF. Veja abaixo a cópia do DOE de 3 de junho, já disponibilizado na internet. também como já informamos, agora, falta o TCE-RJ, liberar o edital de construção para que a concorrência pública seja feita. A expectativa do governo estadual é que a concorrência possa sair ainda em junho e o inicio das obras acontecer até setembro com o prazo de um ano de conclusão. Repetimos: a conferir!


Ricardo Amorim Fernandes: obrigado pela sua amizade e que o seu canto embale a sua travessia!

Pelo Facebook destes tempos modernos compartilhei mensagem com o amigo comum Dr. Luiz Alberto Mussa, o nosso Luizinho, sobre a notícia da passagem do nosso Ricardo Amorim:

“Luisinho, nosso amigo Ricardo sempre nos fará lembrar dos ótimos momentos convividos juntos. Sempre alegre e disposto a regar as amizades. Que Rose e os seus filhos enfrentem este momento com a coragem e a esperança que Ricardo sempre norteou sua passagem entre nós. Que o seu canto embale a sua travessia".

Luisinho respondeu:

“Nosso amigo seguiu antes de nós. Seu sorriso, sua simpatia, aquele jeito gostoso de chamar a gente, de lembrar canções, de dedilhar como ninguém o violão, de cuidar da família, dos amigos, da poesia... Que Deus abençoe sua família e receba seu coração de menino em toda sua glória. Que assim seja.”

Eu conheci Ricardo quando éramos crianças, na Escola Jesus Cristo. Eu mais tímido, ele sempre mais conversador, afetuoso e construtor de fáceis e profundas amizades. Depois fomos estudar fora e nossos encontros passaram ser acompanhados das músicas de Chico, Tom e outros. Mais adiante, ambos recém-casados, compartilhamos muitas noites em sua agradibilíssima Cantina do Amorim, ainda na Rua do Ouvidor. Excelente comida, boas conversas e ótima música, sempre com o seu violão mais valioso que os pratos e as pratas do comércio, agora o seu ganha-pão.

Com esta trágica notícia, não há como não recordar das crenças que comungamos e mais que tudo, no valor que insistíamos incansavelmente em celebrar à amizade.

Não consigo lembrar de Ricardo sem que seja pelo canto e pelo sorriso amigo. Assim, guardo a imagem e o som de ouvi-lo cantando, murmurando a canção “Morro velho”, lá no singelo palco, à meia luz de sua aconchegante cantina (do primeiro e segundo momento), com o olhar emocionado do nosso velho camarada.

Ouça Milton e relembre Ricardo:



E ainda para embalar a sua (que em breve será nossa) travessia, assim como ele insistia e nos brindava sempre com mais uma canção, ouçamos em prece, novamente Milton Nascimento:

“Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção

O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.”



Obrigado pela sua amizade e siga em Paz!

quinta-feira, maio 30, 2013

Ponte SJB - SFI: Inea libera licença

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) emitiu a Licença Prévia e de Instalação (LPI) Nº IN 023210, com validade até 23 de maio de 2015, para as obras da ponte SJB-SFI, conforme aviso do DER-RJ publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) conforme imagem abaixo:

Agora, falta ainda o TCE-RJ, que se reúne toda quinta-feira, liberar o edital de construção da Ponte SJB-SFI. Desta forma, a Secretaria Estadual de Obras (Seobras/DER) poderá realizar a concorrência pública. A expectativa do governo estadual é que a concorrência possa sair ainda em junho e o inicio das obras acontecer até setembro com o prazo de um ano de conclusão. A conferir!

Revista Espaço & Economia

Foi lançada recentemente, sob a direção dos professores e pesquisadores, Floriano Godinho de Oliveira, Guilherme Ribeiro, Leandro Dias de Oliveira e Désirée Guichard Freire, a revista "Espaço & Economia".

Dando razão ao seu título, em diversos sentidos, a publicação trata-se de mais um espaço para aprofundamento e debates que ampliam as discussões trazidas pelo Núcleo de Pesquisas Espaços & Economia, o NuPPE.

Confira aqui os dois primeiros números desta revista digital. Assim seus autores a apresentam:

"Espaço & Economia: Revista Brasileira de Geografia Econômica, periódico que temos a honra de apresentar ao público nacional e internacional no âmbito da plataforma Revues.org, tem como intuito divulgar e fortalecer pesquisas dedicadas às relações entre espaço e economia. Decerto, a tarefa não é das mais fáceis. Todavia, o momento histórico em que vivemos marca uma série de transições, dentre as quais a reestruturação capitalista assume lugar de destaque. Por conseguinte, novas dinâmicas espaciais entram em cena, reproduzindo e expressando o período de globalização que caracteriza o mundo contemporâneo."

Leia o texto de apresentação na íntegra aqui. Economia & Poder agindo sobre o Espaço é mais que um tema, uma forma de abordagem de muitos problemas que vivemos no presente. E nesta linha, a publicação poderá ajudar a estudiosos (pesquisadores ou não) a se aprofundar em análises interessantes.

quarta-feira, maio 29, 2013

Novas informações sobre o Complexo do Açu

1) A empresa paulista ICEC, especializada em montagens industriais, demitiu nesta quarta-feira, mais uma leva enorme de trabalhadores. As informações que o blog teve acesso é que a empresa desmobilizou todo o seu aparato de materiais no canteiro de obras do Complexo do Açu e está desativando seu alojamento em Água Preta praticamente definindo sua saída das atividades no Açu;

2) A ICEC é apenas uma das 47 empresas contratadas diretamente pela OSX para execução de atividades no estaleiro da OSX no Complexo do Açu;

3) Ainda, segundo informações obtidas pelo blog, os poucos trabalhadores em atividades no estaleiro foram dispensados de suas atividades neste feriadão (feriado + recesso) só devendo retornar às atividades, na próxima segunda-feira, 3 de junho;

4) Até a interrupção das atividades de implantação do Complexo do Açu, um total de 172 empresas estavam trabalhando em suas obras. Um quantitativo de 47 empresas eram contratadas diretamente pela OSX, enquanto 125 empresas eram terceirizadas.

5) Pela conta acima, considerando o universo de 252 autuações feitas pelo Ministério do Trabalho, em fiscalização exercida por oito auditores ficais vindos de Brasília, mais dois auditores-fiscais, da Sub-Delegacia do Trabalho de Campos, pode-se afirmar que houve 1,5 autuação por cada empresa fiscalizada no ambiente das obras do Complexo do Açu. A conta mostra que há muitos problemas a serem sanados e
evidencia a necessidade de controle por parte do Sindicato e da sociedade.

6) Eike não é mais o acionista majoritário da MPX. Nesta quarte-feira, Eike vendeu 24,5% do capital social da MPX lucrando R$ 1,45 bilhão. Com isso a empresa alemã E.On. passou a ter 36,2% do capital da MPX. Eike agora tem apenas 28,97%, passando a ser acionista minoritário de sua ex-empresa de energia,  a MPX. Segundo analistas, o quadro confirma a posição do Banco BTG Pactual que passou a orientar as ações do grupo EBX sugerindo que o grupo deveria reduzir a participação acionária em suas empresas.

Valorização imobiliária no Brasil só perde para Hong Kong e Emirados Árabes

O dado que mostra a sobrevalorização imobiliária no país, já comentada neste espaço, de 13,7%, só perde para Hong Kong que alta de 23,6% e Emirados Árabes Unidos (entenda Dubai) com 19%.


Na pesquisa "Global House Price Index" da consultoria britânica, Knight Frank, divulgada pelo Valor Online e que abrange 52 países do Reino Unido à Indonésia, a média global os preços dos imóveis cresceram 4,3% para este mesmo período.

Os números mostram mais uma vez como os países chamados emergentes viraram um atrativo, agora, em outra área, além da indústria automobilística, citada em nota abaixo.

PS.: Atualizado às 16:58: A mesma matéria de um caderno especial do Valor diz que o ciclo de valorização imobiliária no Brasil começou em meados de 2005, atingiu seu pico entre meados de 2009 e início de 2011, e neste 1 ano e meio do "auge" o preço das casas e apartamentos aumentou a taxas anuais de 20%.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central aponta a valorização, mas descarta a hipótese de bolha, afirmando que esta valorização "foi um movimento normal do mercado, um reflexo direto da correção de valores considerados defasados há pelo menos duas décadas. Um ajuste histórico dos preços". A cidade de maior valorização imobiliária detectada pelo índice FipeZap é o Rio de Janeiro.

LLX informa sobre licença Terminal de Multicargas

O blog reproduz abaixo release recebido da Assessoria de Imprensa da LLX informando sobre recebimento da Licença de Instalação (LI) para o T-MULT (Terminal de Multicargas, granéis e contêineres) a ser localizado junto ao TX-2 do Porto do Açu. A confirmação desta licença para o TX-2, mostra que o TX-1 ficou mesmo apenas para exportação de minério de ferro e movimentação de petróleo:


"LLX recebe Licença de Instalação para terminal portuário no TX2"
 
"A LLX divulgou hoje (29) comunicado ao mercado informando que o INEA (Instituto Estadual do Ambiente) concedeu Licença de Instalação para a construção do T-MULT, terminal portuário para movimentação de diversos tipos de cargas.
 
Localizado no TX2, o T-MULT poderá movimentar cargas geral e de projetos, granéis líquidos e sólidos e produtos do agronegócio, entre outros.
 
“A concessão dessa licença de instalação é um marco no desenvolvimento do T-MULT, um terminal portuário próprio para a movimentação de diversos tipos de cargas. A presença de um terminal da LLX no TX2 consolida as vantagens competitivas do Superporto do Açu para empresas que precisam de área e querem se beneficiar da integração com um porto. O T-MULT é sem dúvida um grande atrativo para a ampliação da nossa carteira de clientes”, comentou Marcus Berto, Diretor Presidente da LLX.
 
O TX2 é um terminal onshore composto por um canal de 6,5km de extensão e 300m de largura, com 13 km de cais e profundidade que varia entre 18,5m e 10m."

Indústria automobilística no mundo

Os estudiosos do tema dizem que o centro de gravidade da produção automobilística já mudou para os mercados chamados de emergentes. A China hoje produz 19 milhões de veículos, contra 10 milhões dos EUA e um pouco menos da produção combinada da Alemanha, Franca e Reino Unido.

A Ford anunciou fechamento de fábricas na Austrália, Bélgica e Reino Unido e abertura na Índia, Tailândia e Rússia e quatro novas unidades na China em sociedade com parceiro local.

A GM e VW também avançam na China e fecham fábricas na Europa. A reorganização da indústria automobilística segue assim para a Ásia. Os EUA, depois Europa e Japão por um século comandaram a produção de carros no mundo.

Os chamados mercados emergentes China, Rússia e Brasil acabaram por se mostrar um mercado mais atraente pela oporunidade de rápido crescimento.

Isto gerou a mudança dos centros de produção de automóveis, em contraponto à Europa e Japão que se tornaram menos competitivos aos olhos das montadoras, por conta dos seus custos.

No Brasil, a Fiat está se instalando em Pernambuco, próximo ao porto de Suape. A Nissan no polo automotivo do Sul Fluminense. A Hyundai em Piracicaba. A Honda fala em criar nova fábrica por conta do limite da capacidade instalada de sua fábrica também na cidade do interior paulista de Sumaré, de olho no que se estima de mercado brasileiro de 5 milhões de carros até o ano de 2020.

A mudança dos centros de produção de automóveis pelo mundo ajuda a explicar a demanda pela ampliação de portos nos continentes dos países emergentes. O fenômeno ocorre não apenas pelas fábricas de veículos, mas também por toda a cadeia produtiva de automóveis. Ainda no limiar deste novo século, as montadoras representam uma das cadeias produtivas que possui maior capacidade de arrasto no segmento industrial.

O outro problema que já começa a preocupar o segmento automobilístico é o envelhecimento da população que consome menos carros. Além disso, há também o menor interesse dos jovens dos tempos atuais pelo carro, quando comparado a um período não tão distante, em que o automóvel era disparado, o maior sonho de consumo da juventude.

PS.: Atualizado às 11:50 para mais uma última observação que entendo que não deveria deixar de ser feita sobre este assunto:
A matriz rodoviarista e o desprezo pelo transporte público é um problema não apenas ambiental, mas, de modelo de cidade e de vida. A imposição deste modelo aos países emergentes e, em especial, ao Brasil, pode ir se transformando num "buraco negro" (sem trocadilhos). Em 2009, com quase 3 milhões carros produzidos no país, o setor já possuía aproximadamente 20% do PIB nacional. Em troca dos empregos e de toda esta economia de arraste, as cidades grandes e média parece que vão ficando inviáveis.

PS.: Atualizado às 16:28: A Fiat, segundo anunciou o presidente de seu conselho, John Elkann, num fórum na França, deve vender pela primeira vez mais veículos este ano na América Latina do que na Europa.

terça-feira, maio 28, 2013

"Brasil e México: dois modelos em disputa"

Para quem gosta de acompanhar o debate sobre discussão macroeconômica e regional da América Latina vale ler o artigo do Marcelo Zero, publicado no blog do Rodrigo Vianna que você pode ler na íntegra aqui. O texto ajuda a desmanchar teses dos liberais de alguns que circulam por este espaço do blog tentando arrebanhar incautos com números pífios e argumentos rasos. Confiram:

Abaixo os dois primeiros parágrafos do texto:

"Brasil e México: dois modelos em disputa"
"Os conservadores brasileiros têm um novo fetiche: a Aliança do Pacífico. Trata-se um novo bloco econômico comercial que pretende agregar, numa área de livre comércio, Chile, Peru, Colômbia, México e Costa Rica.

Conforme as notícias que lemos na grande imprensa, a Aliança do Pacífico foi criada para servir de contrapeso ao Mercosul, um bloco de economias “estatizadas” e “pouco dinâmicas”, que rejeitam as benesses do livre-comércio. Ainda de acordo com nossos determinados paleoliberais, que persistem em suas crenças panglossianas mesmo após a crise do capitalismo desregulado, o futuro pertence à Aliança, ao passo que ao Mercosul caberia o atraso, a estagnação e o isolamento.

Bom, em primeiro lugar, é preciso observar que qualquer bloco econômico da América do Sul ou da América Latina que não inclua o Brasil não terá maior relevância regional. O Brasil é a sexta economia mundial e o Mercosul, em seu conjunto, já representa a quarta economia mundial, à frente de gigantes como Alemanha e Japão. Em contrapartida, o México, a grande economia da Aliança do Pacífico, é a décima quarta economia do mundo (dados de 2011) e a Aliança como um todo representaria a novena economia do planeta. Ademais, nenhum país da Aliança chega perto do peso demográfico, geográfico e geopolítico que o Brasil tem hoje no mundo."

Leia o artigo na íntegra aqui.

Governo Federal inclui tratamento domiciliar do câncer como obrigação dos Planos de Saúde

O tratamento do câncer em casa, com o uso de 36 medicamentos orais, foi incluindo entre os procedimentos obrigatórios que devem ser ofertados pelos planos de saúde. A medida, anunciada nesta terça-feira (28), em Brasília, passará por consulta pública e receberá contribuições entre 7 de junho e 7 de julho. O grupo de medicamentos compõe lista de 80 procedimentos que serão ofertados a partir de janeiro de 2014. Outros 30 ainda terão o uso ampliado.

Passa a ser também a obrigação dos planos de saúde a comunicação aos seus segurados sobre a disponibilidade dos medicamentos e procedimentos, sendo que os remédios orais serão administrados na residência do paciente. Atualmente, os planos de saúde só são obrigados a realizar o tratamento em hospitais e unidades de saúde. Atualmente, as pessoas com câncer precisam recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou ao Poder Judiciário para receber tratamento em casa.

Para o ministro Alexandre Padilha “não é correto esses medicamentos não serem cobertos pelos planos de saúde. A ANS fez um debate detalhado e tem o poder de estabelecer regras para as operadoras. É responsabilidade do ministério e da ANS reforçar o monitoramento e garantir o direito do cidadão”.

Os segurados pelos planos podem recorrer aos Procons e à Agência Nacional de Saúde (ANS) para reclamar sobre o desobedecimento a estas determinações. O telefone gratuito para este contato é: 0800-701-9656. Clique aqui e leia mais sobre a ampliação do rol de procedimentos no Portal da Saúde. Outros detalhes podem ser obtidos na apresentação abaixo com 16 slides: 

Decisão do TRF ratifica decisão da Justiça Federal em Campos sobre atuação do Ibama e proibição de supressão de restinga nas obras do Complexo do Açu

A decisão do Tribunal Federal do Rio de Janeiro da 2ª Região foi comentada nesta manhã pelo professor Marcos Pedlovski aqui em seu blog.

Com a decisão do desembargador Guilherme Couto de Castro no Agravo de Instrumento peticionado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis - Ibama, o órgão terá que realizar auditoria ambiental nas obras do Porto do Açu, conforme decisão do Juiz Federal da 1ª Instância em Campos dos Goytacazes.

Na prática, a decisão do TRJF, recusa a solicitação judicial do Ibama e determina suas obrigações e responsabilidades com o licenciamento ambiental no Complexo do Açu.

Confira abaixo a sentença na íntegra:




MPT-RJ esclarece sua posição sobre audiência

O blog recebeu da Assessoria de Imprensa do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro uma solicitação de revisão da interpretação dada, sobre a posição do órgão, na fala do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campos (STINCONCIMO), José Eulálio, publicado ontem, aqui, por este blog, a respeito da Audiência Pública realizada ontem na sede do órgão no município de Campos dos Goytacazes.

Diz a Assessoria do MPT-RJ:
"Estas informações, a seguir, publicada em seu blog no dia de ontem, estão em falta com a verdade. Houve um equívoco na interpretação do sr. Eulálio. O MPT não possui este entendimento.

Como esta investigação ainda está em início de análise, o MPT não pode considerar as demissões como "arbitrárias". Portanto, solicitamos uma retificação nesta informação, por haver um equívoco nesta divulgação.

No mais, estamos às ordens."


O blog reafirma que reproduziu a fala do presidente do sindicato ao final da reunião. Se ela não é confirmada pelo entendimento do MPT-RJ, é bom que o MPT-RJ tenha se manifestado. Melhor ainda é que o Ministério Público do Trabalho possa divulgar mais informações sobre a investigação em curso.

O blog também julga indispensável que o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) possa dar divulgação ao relatório da auditoria feita nas mais de 150 empresas que atuam nas obras do Complexo do Açu, que resultaram em mais de duas centenas de autuações.

Diante do quadro de autuações, demissões, contratações sem trabalho, irregularidades nas condições de trabalho e pagamentos é indispensável que as autoridades possam detalhar à sociedade tudo o que estão apurando.

PS.: Atualização às 18:56: O blog recebeu release da Assessoria de Imprensa do MPT-RJ detalhando sobre a questão da audiência pública de ontem e também sobre posição e procedimentos. O blog aguarda a conclusão da ata solicitada:

"MPT-RJ abre representação para apurar informações sobre demissões em massa no Porto Açu"
"O Ministério Público do Trabalho, através da Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Campos dos Goytacazes, determinou a instauração de representação, para apurar a possível falta de negociação coletiva prévia às dispensas em massa noticiadas por empresas que operam no Porto Açu. A determinação foi tomada diante das informações prestadas pelo sindicato profissional e dos documentos apresentados.

Em reunião, ocorrida nesta segunda feira (27/05), na sede da PTM, à qual compareceram representantes do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Campos, Norte e Noroeste, foram coletadas informações a respeito destas dispensas em massa.

O objetivo da reunião foi identificar as empresas envolvidas no processo de dispensa em massa, o quantitativo de empregados dispensados, a existência de negociação coletiva prévia às dispensas, bem como as medidas já adotadas pelo sindicato."

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região
Ministério Público do Trabalho – RJ.

Rio das Ostras: Jazz & Blues

A cidade de Rio das Ostras vem consolidando ano a ano sua marca ligada à música e ao jazz. Este ano com uma programação diversificada, em 29 shows gratuitos, o evento faz um mix entre o jazz e o blues e entre a nova e a velha geração, em apresentações de talentos nacionais e internacionais nas praias de Costazul e Tartaruga, na Lagoa de Iriry e nas praças São Pedro e José Pereira Câmara.

O evento será aberto amanhã, véspera do feriado, no palco principal, no dia 29, às 20h, com a Orquestra Kuarup, da Fundação Rio das Ostras de Cultura, formada por músicos locais, sob a regência do maestro Nando Carneiro.


A programação tem outras atrações como: Stanley Clarke Band, Scott Henderson Trio, Lucky Peterson e Tamara Peterson, Vernon Reid & Masque com Maya Azucena, Christian Scott, Will Calhoun Ensemble com Donald Harrison, Victor Wooten Band, John Primer & The Real Deal Blues Band, Léo Gandelman com Charlie Hunter, Byu Synthesis, Arthur Maia, Diego Figueiredo, Tributo a Celso Blues Boy, Lancaster, Fernando Vidal Trio, Mauro Hector, Gean Pierre, Vagner Faria, Orleans Street Jazz Band e Monte Alegre Hot Jazz Band.

A programação por dia e horário está no folder ao lado.

Abaixo, o blog publica uma imagem de um dos dias do Festival de Jazz & Blues, do ano passado, no palco da praia da Tartaruga na foto de Cesar Fernandes do ArtPhot.
PS.: Com informações da Assessoria.


Kingfish cancela contrato com a OSX

A Kingfish do Brasil uma das três empresas que tinham contrato com o estaleiro OSX que não a OGX, do mesmo grupo EBX, cancelou contrato para a construção de 11 navios-tanque.

O contrato havia sido firmado em março de 2012, num negócio de US$ 732 milhões, com prazo de entrega que era prevista para 2017.

A OSX retirou do ar todas as informações que estavam em seu site destinada a investidores, no qual constava a carteira de pedidos à empresa, mas, o blog, buscou em seus arquivos, localizou a mesma e expõe abaixo.

O projeto do Instituto Tecnológico Naval foi desativado junto com as obras e até estagiários e aprendizes foram dispensados.

As encomendas da OGX foram todas prorrogadas por conta dos baixos resultados que estão sendo obtidos na produção iniciada na Bacia de Campos.

Interessante ainda é observar que ninguém fala e nem investiga sobre a posição da Hyundai (Hyundai Industries Co. Ltd.) que teria 10% de participação no estaleiro segundo a própria OSX. O que pensa a coreana Hyundai, uma doas maiores corporações do mundo, inclusive na produção de navios como sua conterrânea, Samsung.



















PS.: Atualizado às 20:22: Veja abaixo matéria do Valor Online, às 15:06, sobre a busca que a Kingfish faz de novo estaleiro para dar conta da encomenda que antes estava na OSX do Açu:



Kingfish busca novo estaleiro para substituir 



OSX

Por Marta Nogueira | Valor
RIO - A inglesa Kingfish negocia a construção de 11 navios-tanque com um estaleiro brasileiro. A negociação começou depois que a OSX, empresa do Grupo EBX, de Eike Batista, cancelou o contrato que tinha com a companhia desde março de 2012, para a construção desses navios. O contrato, de R$ 732 milhões, foi retirado da carteira da OSX com a reformulação do plano de negócios da empresa.
Representante da Kingfish que preferiu não ser identificado informou que a negociação com o novo estaleiro ainda está em curso e, quando for fechada, será anunciada. Segundo ele, “a relação entre a OSX e a Kingfish ainda permanece muito próxima e ambas as partes ainda estão comprometidas a trabalhar juntas no futuro”.
A construção dos 11 navios-tanque será para atender ao Programa EBN (Empresas Brasileiras de Navegação), da Petrobras, que prevê o afretamento de 39 navios construídos no país, por um período de 15 anos. Os navios serão utilizados para o transporte de petróleo, gás e derivados. O programa tem como um dos principais objetivos atender à demanda de transporte na cabotagem brasileira.
O programa é dividido em duas partes. Na primeira, estão previstos o afretamento de 19 navios, dos quais três serão construídos pela Kingfish e devem ser entregues até o fim de 2015. Já na segunda fase, estão previstos 20 navios, dos quais oito serão fornecidos pela inglesa. Os navios da segunda fase devem ser entregues até 2017.
“A Kingfish vai construir seus navios no Brasil, agora estamos negociando com um estaleiro alternat ivo para dar inicio ao processo de construção”, disse a fonte. “A Kingfish está comprometida com o programa EBN da Petrobras”.
A fonte ressaltou que, como a primeira fase prevê a entrega dos navios até o fim de 2015, não há ainda “nenhum atraso” e, portanto, não houve necessidade de negociação de novos prazos com a Petrobras.
A companhia não descarta a possibilidade da OSX vir a construir algum dos 11 navios no futuro. “No momento, entendemos que há uma reestruturação em curso dentro de uma parte das empresas do grupo X, há uma necessidade de reorganizar várias partes do grupo”, disse a fonte.

Contorno de Niterói na chegada da BR-101 à Ponte Rio-Niterói

A inclusão da duplicação (das duas vias) do acesso da BR-101 ao centro de Niterói, mesmo necessária, só foi incluído na última hora, no pacote da concessão dos 320 quilômetros da rodovia no trecho entre a Ponte Rio-Niterói até à divisão com o Espírito Santo. O fato encareceu a conta da duplicação e dos pedágios.

Só há cerca de dois meses as obras forma iniciadas. O atraso se deu em função da definição do projeto executivo ter demorado, por conta da negociação do projeto. O pré-projeto previa o uso das áreas dos estaleiros que acompanha a pista pelo lado da Baía de Guanabara.

Só que com o aumento das atividades  destes estaleiros, por conta das encomendas de embarcações para exploração do pré-sal, a reivindicação dos estaleiros foi aceita e a ampliação das pistas trocou de lado.

Assim, as obras terão que eliminar morros e ainda cortar parte de um cemitério que existe naquela região.

Por conta disto, o licenciamento ambiental e os procedimentos de remoção de parte do cemitério atrasou o início das obras que prevê um ano e meio de obras. Fala-se ainda no pouco interesse da concessionária Autopista Fluminense em acelerar o processo.

Com o início dos serviços, agora, uma das pistas na direção Niterói-Campos, está tendo o fluxo interrompido nos finais de semana e nos momentos de menor trânsito.

Abaixo dois registros feitos pela blog dos serviços inciados:

Contorno de Niterói na BR-101 - Ampliação das pistas

segunda-feira, maio 27, 2013

O puxadinho do Shopping Avenida em Campos

Há cerca de um ano, as ferragens da estrutura que seriam para salas de cinema, no terraço/estacionamento, do Shopping Avenida, na 28 de março estão instaladas.

Nada indica que as obras estão prosseguindo. Na verdade trata-se daquilo que nas cidades passamos a conhecer como puxadinhos.

Menos vagas de estacionamento e mais clientes e um aspecto horrível. O fato parece vir reforçar a preferência popular na disputa entre shoppings e comerciantes, mesmo em área afastada do eixo central da cidade.

Melhor seria que o município tivesse áreas livres para lazer gratuito da população.

A alternativa de um parque para a cidade com boas alternativas de localização vai sendo empurrada para diante.

Os shoppings agradecem pela colaboração que o poder público concede aos desejos do ambiente comercial que se transforma em alternativa quase única de lazer.

Cinema é arte e cultura, mas, também mercadoria, mas, o público deve ter opções em que o mercado seja alternativa e não opção única, como já reclamamos aqui referindo à shoppinização da vida, reproduzindo um artigo do Luiz Fernando Janot. Com ou sem puxadinhos!

PS.: Atualização às 10:48: Na ausência de um parque, um leitor-colaborador com preocupação coletiva faz uma sugestão:
"Professor Roberto Moraes, sempre quando passo na Avenida Arthur Bernardes, na altura da beira valão até o trevo com a BR-101, no final de semana observo muitas crianças e jovens com ou sem seus pais, andando de bicicleta, soltando pipa... Como acontece hoje no Rio de Janeiro, no aterro do flamengo, nossa prefeitura podia durante o domingo fechar a avenida Arthur Bernardes na altura supracitada para o lazer, visto que não há um grande movimento de carros neste dia. Não sei para quem, nem como levar esta proposta para avaliação e aprovação dos nossos governantes. O que acha? Abraço e parabéns pelo blog."

Ministério Público do Trabalho convoca audiência sobre as demissões na OSX e empresas no Açu

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campos (STICC), José Eulálio foi convocado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), junto com representantes de empresas que atuam (atuavam) nas obras do Complexo do Açu, para uma audiência pública em Campos.

A audiência começou às 16 horas, na sede do MPT, em Campos.

Espera-se que o MPT possa esclarecer a estranheza das contratações sem trabalho, a falta de pagamentos e o não cumprimento dos direitos trabalhistas previstos na CLT, entre estes: o limite de horas-extra, segurança do trabalho, alojamento e alimentação adequada e dispensa acompanhada do sindicato dos trabalhadores da categoria.

O STICC reclama que até agora não teve acesso ao relatório das inspeções de Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) que autuou 25 das 150 empresas que atuam nas obras do Complexo do Açu. José Eulálio questiona o direito dos representantes dos trabalhadores e não apenas dos representantes das empresas, de ter acesso às irregularidades apontadas pelos auditores fiscais no relatório.

Dentro de instantes daremos mais informações sobre os resultados da reunião.

PS.: Atualizado às 18:58: Acabou há instantes a audiência do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil com os procuradores do Ministério Público do Trabalho. A reunião foi apenas com os representantes dos trabalhadores. O MPT quis saber de sua posição das provas que dispõe, além daquelas que tem sido divulgadas publicamente, especialmente, aqui por este blog. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, José Eulálio, apresentou diversos documentos, reclamou das empresas que não permitiram ao sindicato acompanhar todo este processo e mais uma vez reivindicou o direito ao acesso ao relatório da vistoria do MTE sobre as empresas que atuam nas obras do Complexo do Açu. Ainda segundo Eulálio, a Acciona já demitiu cerca de 600 trabalhadores e teria assumido a responsabilidade de só dispensar 40 a cada 15 dias, além de garantir a assistência de saúde e cesta básica, por sessenta dias, a todos os demitidos. Segundo Eulálio, o MPT considera as demissões das empresas, inclusive as sub-contratadas, como arbitrárias e que concorda com a avaliação feita por este blog de que tenha havido um total de dispensa da ordem de 4 mil trabalhadores. Nesta linha, o MPT estaria disposto, ainda esta semana, a acionar a Justiça questionando a legalidade deste processo. O blog voltará a tratar da questão.

O drama dos caminhoneiros com a interrupção das obras do estaleiro da OSX no Açu

A empresa OSX afirma que houve uma redução do ritmo, porém, as informações vindas do Açu indicam praticamente uma paralisação. A maioria das 150 empresas, muitas de pequeno porte e quarteirizadas (terceirizações das terceirizadas) já retirou seus equipamentos do canteiro de obras. Outras já se retiraram da região deixando para trás um rastro de compromissos não cumpridos.

Pequenos restaurantes das localidades que circundam o empreendimento forneciam alimentação para estas pequenas empresas e para outras maiores em complemento de jornadas extras com pagamento a futuro.

Depois da crise iniciada há quase um mês na OSX e suas contratadas, as pessoas que são os contatos dos comerciantes foram demitidos, entregaram imóveis alugados e deixaram a região. Conclusão: pequenos comerciantes estão pendurados com créditos na dezena, quase centena de milhares de reais. Pior que isto, sem receita e sem movimento estão demitindo e sem condições de se manter em funcionamento, na expectativa de uma possível reversão do quadro.

Apesar desta nota iniciar com a descrição da situação dos donos de comércio de alimentação do interior de SJB, a postagem aqui visa a chamar a atenção para o grave problema vivido pelos caminhoneiros que atendiam a LLX/OSX, com transportes de pedras das pedreiras em Campos, para o empreendimento do Açu.

Segundo apurou o blog cerca de 120 caminhoneiros estariam com dívidas e desesperados com a interrupção dos serviços de frente de uma hora para outra.

Cerca de dois meses antes da suspensão do transporte de pedras, os proprietários de deste caminhões tipo caçamba foram informados que a contratante estava exigindo caminhões com até dois anos de vida e uso, para se manterem no serviço.

Caminhões novos e de gente de fora já tendia a exigência, logo eles teriam que se enquadrar ou perderiam o serviço. Eles se mexeram e fizeram a troca de seus caminhões. Venderam os mais velhos, por R$ 80 mil a R$ 100 mil e adquiriram novos caminhões com preços entre R$ 190 mil a R$ 220 mil.

Assim, passaram a assumir uma dívidas que variam de R$ 100 mil a R$ 140 mil que exige um desembolso de R$ 4 mil a R$ 5 mil que era sustentada com um faturamento de R$ 8 a 12 mil por mês quando estavam realizando o transporte de pedras para a construção do Porto do Açu.

Com a interrupção deste frete (informada aqui pelo blog no dia 17 de abril) eles apavoraram. Não tinham garantias, a não ser do veículo. A informação inicial era que a situação era provisória. Depois de duas semanas, eles sem serviço e sem receita começaram a buscar alternativas.

Hoje, os caminhoneiros da região, muitos oriundos do trabalho de frente de tijolos de Campos para o Rio e Espírito Santo, passaram a oferecer seus serviços fora daqui. Uns foram para o trabalho provisório de construção de aterro e terraplanagem para o encontro da Juventude na zona Oeste do Rio, outros  foram para as obras de porto na Baía de Sepetiba (da Marinha e ironicamente do Porto Sudeste, também do Eike) e para outras obras do Rio.

O faturamento é menor porque chegam em grande quantidade e desesperados. Assim, o frete cai de preço. Além disso, têm gastos com moradia e alimentação bem superior aos daqui. Desta forma estão em grupos de cinco alugando pequenas casas e trabalhando para pagar as dívidas e evitar a perda do caminhão que tenderá a ser vendido a preço menores e atraentes para os grandes do setor.

Esta história, somada à outra dos proprietários de pequenos restaurantes na região do Açu, serve para reforçar a compreensão do fenômeno da ocupação da região, da implantação de um grande empreendimento e das dinâmicas econômicas que elas suscitam em sua construção, interrupção, ou em mudanças drásticas de etapa ou estratégia como é o caso atual.

Não querer observar estas consequências é assumir uma viseira limitadora.

domingo, maio 26, 2013

Carta Aberta questiona financiamento da CEF à construção de nova usina nuclear em Angra dos Reis

Atendendo solicitação do físico Heitor Scalambrini Costa da Universidade Federal de Pernambuco, o blog
publica abaixo, a Carta Aberta ao Presidente da Caixa Econômica Federal que foi subscrita pelos participantes do Seminário "Por uma Nova Política Energética no Brasil", realizado em Brasília, nos dias 23 e 24 de maio último:

"Carta Aberta ao Presidente da Caixa Econômica Federal"
Brasília, 24 de maio de 2013

"Senhor Presidente,
As pessoas e organizações que subscrevem a presente tiveram ciência, pelos jornais, de que os responsáveis pelo Programa Nuclear Brasileiro estão em entendimento com a Caixa Econômica Federal para que esta conceda, à empresa encarregada da construção da Usina Nuclear conhecida como Angra III, um empréstimo que permita completar essa construção, uma vez que até agora a solicitação feita no mesmo sentido junto a bancos europeus não obteve resposta.

Segundo o que chegou ao nosso conhecimento, a demora dos bancos europeus para atender a esse pedido de financiamento seria devido a insuficiências nas informações apresentadas pelas autoridades brasileiras quanto às condições de segurança da nova usina de Angra. Como estas condições se tornaram mais exigentes após o acidente nuclear ocorrido em março de 2011 em Fukushima, no Japão, esses bancos e a Agência alemã Euler Hermes, que daria o seguro ao empréstimo, teriam solicitado mais informações sobre condições de segurança em Angra.

É do conhecimento geral que há riscos específicos em Angra, ligados ao histórico de deslizamentos de terra na região, e que as condições de evacuação da população em caso de acidente são extremamente precárias. Por outro lado, a informação difundida a evacuação cobriria apenas um raio de 5 quilômetros em torno das usinas, quando a 15 quilômetros delas se situa a cidade de Angra dos Reis, com mais de 170.000 habitantes, e quando o raio adotado em Fukushima foi de 30 quilômetros.

É grave no entanto uma questão sobre a qual a maioria dos cidadãos brasileiros não tem informação: o projeto de construção das 3 usinas de Angra teria adotado as normas de segurança usuais na década de 70, mas a partir do acidente ocorrido no final dessa década, em 1979, em Three Miles Island, nos Estados Unidos, essas normas foram revistas. A revisão levou em conta a possibilidade real de acidentes severos, por falhas humanas, de projeto ou dos equipamentos, que podem levar à explosão dos reatores e à destruição dos edifícios de contenção dentro dos quais eles se encontram, propagando elementos radioativos no meio-ambiente.

Sabe-se que as nuvens radioativas que podem se formar com tais explosões se espalham ao sabor do vento, como ocorreu em Chernobyl, na então União Soviética, em 1986, atingindo todos os países da Europa. No nosso caso, elas atingiriam de imediato São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades brasileiras, situadas a menos de 200 quilômetros das usinas.

As novas normas de segurança adotadas em 1985 pelos Estados Unidos, depois do acidente de Three Miles Island, implicaram na obrigatoriedade de construção de maiores e mais sólidos edifícios de contenção da propagação da radioatividade, já que os acidentes são sempre possíveis. Por essa razão o governo norte-americano exigiu, em 1988, que todas as suas usinas nucleares fizessem reformas modificando seus projetos originais, para passarem a contar com os novos edifícios de contenção necessários.

Posteriormente, em 2004, a própria Agencia Internacional de Energia Atômica expediu sua norma NS–G-1.10, que trata do projeto desse Edifício de Contenção, para prevenir os efeitos nefastos de fusões totais do núcleo do reator.

Ora, Sr. Presidente, pela informação que dispomos, não se tomou nenhuma providência no Brasil para que se obedecesse a essas normas internacionais, como ocorreu nos Estados Unidos, e nossas usinas continuaram a funcionar – ou, no caso de Angra III, esta continuou a ser construída - com projetos feitos antes do acidente de Three Miles Island. Segundo a informação existente, inclusive a própria Comissão Nacional de Energia Nuclear licenciou Angra III em 2010, seis anos depois da expedição das novas normas pela AIEA, sem que estas tivessem sido levadas em conta, isto é, considerando os projetos originais dessa usina. .

Se tais dados forem verdadeiros, assim como os relativos ao problema da insuficiência do plano de evacuação de Angra e dos riscos de deslizes de terra na região, não será de estranhar que as autoridades brasileiras não tenham podido responder adequadamente à solicitação de informações dos bancos europeus e da companhia de seguros Hermes.

Mas nos preocupa, senhor Presidente, que a Caixa Econômica Federal possa se dispor a substituir bancos que não estão querendo financiar um determinado empreendimento porque este estaria contrariando normas de segurança internacionais. Seria a nosso ver algo extremamente grave, desde um ponto de vista de responsabilidade social de uma empresa do governo, o que não escapará da atenção dos cidadãos e cidadãs brasileiros, se tais dados forem confirmados e difundidos.

Diante disso, com base na Lei de Acesso à Informação, no. 12.527, de 18 de novembro de 2011, estamos vindo à sua presença para lhe solicitar as seguintes informações:

1. Existem efetivamente negociações em curso para que a Caixa Econômica Federal financie o término da construção de Angra III, pelo fato deste financiamento não ter sido obtido na Europa?

2. A Caixa tem conhecimento da existência de revisões dos projetos iniciais de Angra III tendo em vista as normas NS–G-1.10 da AIEA - Agencia Internacional de Energia Atômica, editadas em 2004?

3. A Caixa conhece essas normas? E, se existir efetivamente um pedido de financiamento de Angra III à Caixa, estão contempladas as necessidades de recursos decorrentes de obras exigidas por essas normas da AIEA?

4. A Caixa tem conhecimento de um pedido de informações feito por bancos europeus e pela Agencia de Seguros Hermes, da Alemanha, quanto às condições de segurança de Angra III, e do teor desse pedido?

5. A Caixa tem conhecimento da resposta dada pelas autoridades brasileiras a esse pedido de informações, e da condução das negociações das autoridades brasileiras com bancos europeus para financiar Angra III?

6. Se forem confirmadas as informações acima quanto ao descumprimento de normas da AIEA pelas autoridades brasileiras, a Caixa considera que pode ignorar esse descumprimento e financiar Angra III sem que as normas sejam cumpridas?

7. A Lei que instituiu a Caixa Econômica Federal a autoriza a fazer empréstimos para empresas que constroem ou operam usinas nucleares para a produção de energia elétrica?

Esperando merecer de V.Excia. a atenção exigida pela gravidade da questão abordada, aguardamos sua resposta, nos termos da Lei 12.527, subscrevendo-nos atenciosamente.

(Seguem-se os nomes de 42 cidadãos e cidadãs – integrantes de 36 entidades da sociedade civil brasileira – que participaram em Brasília, nos dias 23 e 24 de maio de 2013, de Seminário por uma Nova Política Energética no Brasil)."

Ainda sobre o mercado imobiliário em Campos

Alguns comentários nas notas anteriores ao assunto vem aprofundando o tema. O blog destacou dois deles para esta nota. Eles se desdobram da nota original (veja aqui e aqui):

"Boa tarde Professor Roberto, não poderia deixar de mostrar a nova classe de sem teto que havia surgido em nossa Cidade " Campos dos Goytacazes". Chove no molhado a tese de que o povo estava comprando para fins de moradia, quando na realidade estavam comprando para fins de locação. Neste sentido, como a Prefeitura de nossa Cidade, não dá uma casa para aqueles que ganham 2 salários mínimos, pior para os que ganham até 4 mil reais, tendo em vista o fato notório que uma pessoa com uma renda dessa não colocaria jamais o seu filho em quaisquer escolas do sistema municipal de ensino. Vamos as contas:
Uma família formada por 04 pessoas.
1- Despesa escolar = R$ 800,00/mês
2- Despesas médicas = R$ 550,00/mês
3- Alimentação = 800,00 / mês
4- Transporte e combustível = R$ 350,00
5- Luz e água = R$ 200,00
Não preciso nem continuar a conta.

Qual imóvel essa família vai conseguir adquirir em nossa Cidade?
Porque a Prefeitura de campos não cria uma linha de subsídio para essas famílias?
Os imóveis vendidos em Campos são literalmente um Golpe contra o trabalhador, uma vez que ao contactar os corretores eles falam do Minha Casa Minha Vida, como se uma família com uma renda dessas pudesse adquirir uma casa de R$ 200 mil, cujo o terreno é menor que o de muitas casas da Prefeitura de Campos que sai ao custo de R$ 100 mil. Em fim, para adquirir uma casa dessas a família terá que apanhar empréstimo, vender o carro para tentar chegar ao patamar que a Caixa Econômica vai financiar para ele. Isso é um absurdo, pois se o Banco do Governo avalia o imóvel em R$ 110 mil, como os inúmeros construtores conseguem fechar esses financiamentos junto ao Banco.
O certo é Polícia Federal neles.
Não quero pedir benção para políticos. "


"O anonimo das 5:15 tem razão. Como um jovem que está se formando e iniciando a carreira profissional, constituindo família... consegue adquirir um imóvel em campos? São impraticáveis os preços dos imóveis, qualquer casinha com um terreno de (5x20) abaixo do padrão da lei de uso e do solo custa 150 mil reais. A única saída é financiar pela caixa, que no somatório final do financiamento tem juros exorbitantes! Professor, o senhor poderia fazer um post sobre essa questão e principalmente sobre a jogada das construtoras e corretores em campos: estão financiando imóveis pela caixa com terreno abaixo da metragem mínima estabelecia pela lei de uso e ocupação do solo do município. É só olhar nos classificados. Praticamente todos os imóveis construídos não atendem aos padrões mínimos da lei. Os engenheiros e arquitetos da prefeitura e da caixa estão fazendo vista grossa com relação a isso! Virou uma máfia na cidade! Na verdade, pode-se dizer que há um cartel no setor imobiliário de campos. Isso é caso de polícia!"


PS.: Atualizado às 20:48: Para acrescentar mais um comentário sobre o assunto:
"Continuando o meu comentário anterior, nota-se que esse cartel de construtoras, imobiliárias e corretores vem cada vez mais irradiando a especulação para as áreas periféricas. É só observar os preços proibitivos no classificados e acima do valor de mercado em bairros muito distantes da área central, como o Vivenda dos Coqueiros, o Parque Tropical e o Parque Baronesa. Bairros que estão em média há 7 km da área central da cidade, e pode observar: praticamente todos os imóveis anunciados não cumprem os requisitos mínimos da lei de uso e ocupação de solo do município. Os terrenos em que são construídas as residências parecem corredores (5x20) (5x23)... As casas são geminadas... A lei diz que a metragem mínima do lote é 7x20. Cadê a fiscalização? Cadê a fiscalização? Ou será que tem fiscalização e tem rolado vista grossa e algumas notas cinquentinhas por tras dessa putaria? Está evidente a irregularidade nos classificados dos jornais. É evidente o inflacionamento e o cartel na cidade. O adensamento populacional é agravante nesses bairros. Os preços são proibitivos. Como comprar uma casa nessas condições?A unica saída é o financiamento perpetuo da caixa. É só comparar os preços dos imóveis com São Francisco do Itabapoana... É visível o cartel..."

Camisas do Neymar no Barcelona

Ouvi hoje no rádio um comentário sobre as cifras que envolvem a transferência do Neymar para o Barcelona são enormes, como tudo que envolve atualmente o evento futebol, em todo o mundo.

Como o Brasil é o país que possui a maior concentração de torcedores de futebol do mundo, o fato de Neymar estar até hoje num clube brasileiro, com a rivalidade os torcedores do Flamengo, Corinthians, Internacional, Cruzeiro, etc., mesmo apreciando o craque, jamais usariam a camisa sete do Santos.

O mesmo não acontecerá com a camisa do já muito comemorado Barcelona com Messi & cia. ltda. O mesmo efeito já foi visto quando Ronaldo estava no Barcelona e confirma o interesse a participação das gigantes do marketing esportivo mundial na transferência do Neymar.

Alternativa contra a 1001 Problemas no trajeto Campos-Rio?

O blog recebeu de um colaborador o comentário abaixo. Solicito que outros possam atestar ou não esta nova realidade, de quebra do monopólio no destino Campos-Rio-Campos:

"Gostaria que divulgasse que agora nós clientes não estamos mais nas mãos da 1001 no que se refere aos preços abusivos no trecho CAMPOS X RIO X CAMPOS, isto mesmo, a VIAÇÃO ITAPEMRIM está vendendo passagens no Shopping Estrada para o Rio de Janeiro por apenas R$ 50,00 e chegando no Rio pode comprar o retorno também RIO X CAMPOS por apenas R$ 50,00 e ainda podemos escolher qual horário e tipo de ônibus, GOLDEM, LEITO E CLIMM com ar isto mesmo, tudo por R$ 50,00.
Viajei neste final de semana e paguei apenas R$ 50,00 podem ligar no guichê da Itapemirim em Campos ou no RIO que irão confirmar022-2733-3911.
Por favor divulguem temos que acabar com este monopólio."


PS.: Atualizado às 17:40: Em contato com a Itapemirim, o blogueiro confirmou a informação, o valor é de R$ 52, mas, não há venda antecipada, já que a passagem é com ônibus e trânsito, vindo de Cachoeiro, Guarapari, etc.. Segundo a atendente, há outros horários, além de 9 horas. Ela também confirmou que a retomada (autorização) da venda da passagem na rodoviária aconteceu desde sexta-feira.

MTE faz 254 autuações nas obras do Complexo do Açu

Como o blog informou aqui no no dia 15 de maio, o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) realizou vistoria nas obras do Complexo do Açu com auditores fiscais de Campos, Rio de Janeiro e Brasília.

Depois de dez dias, o MTE divulgou um relatório com 254 autuações, em 25 empresas de um universo contabilizado de 150 que atuam (atuavam) no Complexo do Açu. Os problemas são pagamento de salários e benefícios, falta de segurança do trabalho, excesso de jornada, condições de alojamentos, etc.

A InterTv fez ontem matéria sobre o assunto:

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sábado, maio 25, 2013

Reclamação contra a RJ-216

Um leitor-colaborador do blog postou, agora há pouco, um comentário numa nota antiga sobre a BR-101 reclamando da rodovia estadual Campos-Farol. Como os colaboradore(a)s têm sempre vez e voz abaixo está a legítima reclamação:

"O blog poderia comentar também o abandono da RJ-216 entre Campos e Farol de São Tome. O revestimento asfáltico até que não esta tão ruim, mas a sinalização horizontal e vertical é deficiente. Lombadas fora da especificação, placas ilegíveis, falta de olhos de gato. Sem contar o numero de motos, veículos e bicicletas sem placas e sucateadas que circulam e cruzam a estrada. O trecho urbano de Goytacazes é um lixo. O tráfego é intenso e a rodovia merece um upgrade."

"É preciso revolucionar as cidades"

Aproveitando o tempo mais disponível no final de semana, o blog sugere a entrevista abaixo extraída do Le Monde Diplomatique Brasil, em sua última edição. Ela foi feita com o geógrafo David Harvey. É sempre interessante ver a lúcida opinião deste que mais que urbanização, fala de poder, política, etc. Confira:


"É preciso revolucionar as cidades"
"E não tem problema se as revoluções forem pequenas. O geógrafo David Harvey, principal teórico do direito à cidade, mostra que estudar Marx ainda faz sentido e provoca as “vizinhanças” a se transformarem no centro dos movimentos políticos, que devem evitar o “fetiche da horizontalidade”
Por André Deak, Lucas Pretti

Desde A urbanização do capital, de 1985, até o brilhante Rebel cities (Penguin, 2012, sem tradução no Brasil), passando por dezenas de livros sobre marxismo, David Harvey encara as grandes cidades como o amálgama social que produz e produzirá o novo. Não há nada mais fervilhante, diz ele, do que as “zonas de aculturação”, bairros em que o abandono do Estado se mistura a populações imigrantes, artistas e jovens profissionais liberais. Alguma semelhança com o movimento cultural que ocupou as ruas do Baixo Centro de São Paulo em abril com atividades culturais gratuitas e autogestionadas?

Geógrafo de 77 anos, professor emérito da City University of New York (Cuny), ele esteve no Brasil para o debate de lançamento de seu novo livro, Para entender O capital(Boitempo, 2013), em que disseca a obra-prima de Marx e se propõe a criar um “guia de leitura” para quem pretende mergulhar pela primeira vez naquele oceano. Na verdade, ele é mais apaixonado do que isso. “Todas as pessoas precisam ler um livro chamado O capital.”

DIPLOMATIQUE– O Brasil vem se preparando para realizar a Copa e a Olimpíada. E a preparação para esses eventos tem provocado remoções de pessoas e injustiças econômicas, entre vários outros absurdos. O que devemos fazer?

DAVID HARVEY – As pessoas deveriam estar atentas desde o primeiro momento quando alguém diz: “Teremos Jogos Olímpicos aqui”. Em geral, interesses comerciais e financeiros do Estado o farão remover pessoas e trabalhar na “revitalização” de locais. Eu acho que, antes mesmo de um anúncio como esse ocorrer, as pessoas deveriam estar preparadas para dizer: “Não quero que isso aconteça no meu país”. Um exemplo interessante foi a tentativa de levar os Jogos Olímpicos a Nova York. A população não concordou. Quando toda a propaganda em torno do grande evento começou, os nova-iorquinos já estavam preparados para dizer: “Não queremos”.

DIPLOMATIQUE– Não sei se isso é possível entre os brasileiros hoje. A maioria está empolgada. A propaganda oficial é muito grande, todos amam futebol e as pessoas sentem que querem a Copa, querem a Olimpíada.

HARVEY – Sim, isso é difícil. A vantagem de Nova York é que há o encontro das Nações Unidas. Todos os anos, por uma semana em outubro, todo o lado leste da cidade é completamente fechado. Você não pode se movimentar, e todos ficam de saco cheio. Aí, quando alguém fala em Jogos Olímpicos, as pessoas já rechaçam.

Quando a cidade-sede da Copa ou da Olimpíada já está escolhida, deve-se trabalhar muito para minimizar as consequências ruins. Mas é quase impossível, não dá para pensar em algo revolucionário.

A maioria das cidades que já receberam Copa ou Olimpíada perdeu muito dinheiro. Se você analisar as condições financeiras da Grécia hoje, boa parte dos problemas remonta aos Jogos Olímpicos, quando gastaram uma quantia enorme de dinheiro para construir coisas completamente inúteis. Houve apenas um projeto muito útil, a construção de um novo sistema de metrô, cujos benefícios são permanentes. O que se vê normalmente é violência de Estado, sem qualquer compensação. Vocês devem lutar por benefícios definitivos, mas sabendo que é impossível parar os Jogos.

DIPLOMATIQUE– O Brasil agora está sob holofotes em todo o mundo. E você já esteve na maioria dos países da América Latina. Há novos modelos de organização ocorrendo nesta parte do mundo?

HARVEY – Uma coisa consistente que já existe por toda a América do Sul é um tipo de rejeição às políticas neoliberais em suas formas puras. Isso não quer dizer que todos sejam anticapitalistas, mas há um antagonismo contra as estruturas da globalização: Banco Mundial, FMI e as políticas austeras que estão dominando a Europa.

Há também uma série de experimentações políticas ocorrendo, mas que tipo de políticas econômicas vai funcionar? Há diferenças entre o que Chávez fez na Venezuela, Morales na Bolívia, Correa no Equador, mas em geral a América Latina é hoje um lugar onde os movimentos sociais são ativos e muitas pessoas da esquerda sabem que esta é uma parte muito interessante do mundo hoje. Estou certo de que, já que não há como romper com o capitalismo, há um novo tipo de capitalismo que vem sendo construído.

Em O capital, Marx mostra isso claramente. Quando qualquer pessoa chega e diz: “A solução para a pobreza é mais desenvolvimento capitalista”, você deve dizer imediatamente: “Não! O capitalismo criaessa pobreza”. Acontece o mesmo com o meio ambiente. Quando alguém diz que o capitalismo pode ser sustentável para o planeta, Marx faz um bom trabalho ao mostrar a tendência eterna de o capitalismo destruir a principal fonte de recursos: a terra. Marx admirava de diversas formas as consequências positivas do desenvolvimento capitalista, mas dizia que precisamos ter controle e criar uma alternativa ao “lado negro”.

DIPLOMATIQUE− Vê-se cada vez mais no mundo, e em São Paulo também, a proliferação de hubsque pretendem ser lugares de liberdade e criatividade em vez do controle de horas. Isso é uma alternativa ao capitalismo tradicional?

HARVEY – A mudança tecnológica está criando um sentimento de redundância. O que devemos fazer em um mundo em que os trabalhadores são redundantes? Temos taxas de desemprego em crescimento em todo o mundo, e o tipo de emprego que ainda existe não está satisfazendo o trabalhador criativo. Portanto, vemos pessoas por toda parte tentando ter um estilo de vida diferente, criando sistemas alternativos de produção, economias solidárias e outras coisas do tipo. Porque, afinal, é a vida deles que está em jogo.

DIPLOMATIQUE– Cooperação em vez de competição...

HARVEY – Sim. Há diversos grupos espalhados pelo mundo tentando fazer algo, de formas bem diferentes, mas usualmente em escalas pequenas. Essas pequenas iniciativas devem ser reprodutíveis para se transformar em um movimento de massa ou precisam permanecer pequenas? É uma das grandes questões sem resposta.

DIPLOMATIQUE– Essa reorganização do espaço de trabalho pode ser considerada anticapitalista de alguma forma?

HARVEY – Pode ser parte de uma tentativa anticapitalista. Mas veja o que acontece, por exemplo, nas fábricas recuperadas na Argentina. Elas existem como ilhas dentro de um oceano capitalista, mas no fim se transformam em um centro de autoexploração por causa das pressões comerciais, financeiras etc.

Por um lado se diz que a passagem para o socialismo necessita de autogestão e trabalhadores associados no controle da produção, mas isso não sobrevive sem uma reconfiguração radical dos papéis do dinheiro, do sistema financeiro, dos mercados. Se esses elementos não mudarem, você ainda estará na prisão do capitalismo. Por outro lado, tomar a fábrica é um primeiro passo – e isso é bom. Então vem a questão: quais são o segundo, o terceiro, o quarto passos desse movimento?

DIPLOMATIQUE– Para além dos trabalhadores criativos, existe uma massa imensa de trabalhadores tradicionais, e ainda há os sindicatos, que não conseguem dialogar com os trabalhadores e não têm a importância que já tiveram. Como os trabalhadores devem se organizar nestes novos tempos?

HARVEY – Não acho que os sindicatos de trabalhadores estejam completamente mortos. Há partes do mundo em que eles ainda são significantes e muito fortes. A dificuldade dos sindicatos sempre foi conseguir benefícios para seus membros e, em sua maioria, nunca se viram como movimentos trabalhistas de vanguarda. Alguns partidos políticos fetichizaram o trabalhador da fábrica como a pessoa que iria liderar a revolução – e sempre achei que havia algo errado nessa formulação. É por isso que, no Rebel cities, eu digo que é preciso redefinir o proletariado de hoje para incluir todas as pessoas que produzem e reproduzem a vida urbana – e que, portanto, revolucionar a cidade é tão importante quanto revolucionar o local de trabalho.

Quando você analisa a Comuna de Paris e os movimentos revolucionários de 1848, há evidências históricas de que eles tinham como propósito recapturar a vida urbana para a massa da população. Esses movimentos urbanos não foram levados a sério por muitos setores da esquerda, mas deveriam. Há 34 anos eu tento, sem muito sucesso, persuadir meus colegas marxistas a levar a urbanização a sério. As pessoas nas ruas, como vimos nas revoltas do Cairo, tomando conta de regiões simbólicas das cidades, são uma força política muito significante, mesmo quando as revoluções não são exatamente anticapitalistas. Precisamos encarar as cidades como centros de legitimação política e potenciais para revoluções e transformações. Daí a necessidade de redefinir teoricamente o que são movimentos de massa ou revolucionários.

DIPLOMATIQUE– Unindo suas ideias, podemos dizer que esses trabalhadores devem então fazer coisas em pequena escala?

HARVEY – Sim. Gramsci tem uma formulação interessante sobre isso, quando escreveu sobre a organização dos trabalhadores. Ele disse que, claro, é preciso se organizar em torno das fábricas (não exatamente em sindicatos, mas em conselhos fabris), mas é preciso também organizar as vizinhanças. Porque nos bairros estão as condições como um todo da vida da classe trabalhadora. Neles estão os garis, os taxistas, os garotos de recado e tantos outros que precisam ser integrados nos movimentos políticos – e essa ideia de organizar a vizinhança está passando a ser central nos processos políticos de hoje. Gramsci via muitas vantagens na união da organização das fábricas e das vizinhanças, principalmente porque, naquela época, isso significava dar poder às mulheres, já que nas fábricas a imensa maioria dos trabalhadores era formada por homens. Isso é muito interessante. Se você analisar a estrutura dos sindicatos tradicionais, a liderança é toda masculina. Ao contrário, boa parte das lideranças comunitárias é ocupada por mulheres. Essa discrepância de gêneros tem sido uma barreira muito grande para a organização anticapitalista.

DIPLOMATIQUE– James Carville e Stan Greenberg, no livro It’s the middle class, stupid!, sustentam que, hoje, um tema só adquire potencial revolucionário quando ganha a paixão e a revolta da classe média. Qual é sua opinião sobre isso?

HARVEY – Nos Estados Unidos há uma tendência em dizer que a grande maioria do país é de classe média – mas na verdade é classe trabalhadora. Acho que existe de fato uma classe média significativa – formada por advogados, juízes, diretores de corporações e outros profissionais desse tipo –, mas muito menor do que se imagina. Em pesquisas de autoidentificação, cerca de 60% a 70% dos norte-americanos se colocam como parte da classe média. No entanto, se você faz a pergunta de outra forma, com enunciados mais sofisticados, a mesma proporção se considera classe trabalhadora. Eles trabalham, têm determinadas condições no emprego, um chefe que decide coisas, gastam xhoras por dia trabalhando etc.

DIPLOMATIQUE– O Le Monde Diplomatique Brasil, em janeiro, comparou os movimentos Tea Party e Ocupar Wall Street. O primeiro conseguiu eleger representantes no Congresso, enquanto o Ocupar não tinha esse propósito. Você acha que movimentos como esses deveriam tentar a via política tradicional?

HARVEY – Em primeiro lugar, é muito importante ressaltar que o Tea Party recebeu financiamento alto de bancos, grandes corporações etc. Já o Ocupar não teve nenhum apoio parecido. É verdade que o objetivo do Ocupar não era lutar pelo poder político – nem mesmo influenciá-lo. Mas aí é que está: influenciou. Eles ocuparam um papel muito importante na reeleição de Obama porque mudaram a pauta. Antes dos movimentos Ocupar, ninguém nos Estados Unidos estava falando sobre igualdade social. Quando eles vieram com o argumento do 1% versus99%, trouxeram a discussão sobre desigualdade – e também a necessidade de um presidente que falasse sobre isso.

DIPLOMATIQUE– Mas eles deveriam tentar espaço no Congresso?

HARVEY – Acho que não, na verdade.

DIPLOMATIQUE– Deveriam reivindicar algo específico?

HARVEY – Eles fazem pedidos: queremos democracia real, igualdade social, diminuir ogap entre os 99% e o 1%... É interessante observar que o poder político não reagiu com violência da polícia ou do Exército contra o Tea Party, mas sim contra o Ocupar. Todos em Wall Street sabem que fazem coisas ilegais todos os dias e que deveriam estar na cadeia. Eles sabem disso! Por isso ficaram aterrorizados, principalmente se Obama se elegesse e houvesse um movimento popular como na Islândia, em que os banqueiros foram todos presos. Então veio o Furacão Sandy, e a maioria das pessoas no Ocupar se organizou num processo de comunicação muito eficiente, levando comida, produtos de primeira necessidade etc. Aí o Ocupar começou a ganhar atenção positiva da imprensa, elogios doNew York Times e, como dizem muitos amigos meus que estavam envolvidos, a política desapareceu. Tudo virou um caso humanitário, mas que tinha por trás um novo processo de organização de extrema importância política.

DIPLOMATIQUE– Em 2001, na Argentina, ocorreu algo similar, com o “corralito”. Todos foram para as ruas, ocuparam a Praça de Maio, se organizaram de forma diferente. Mas logo tudo passou e os partidos políticos seguem iguais. Por quê? Vai ser sempre assim?

HARVEY – Nos últimos quinze anos, os movimentos sociais têm sofrido de muita volatilidade. Os movimentos de massa, que envolvem milhões de pessoas, emergem com rapidez impressionante. Um grande exemplo é o de fevereiro de 2003, o protesto global contra a possibilidade de guerra no Iraque. Maravilhoso! Milhões de pessoas no mundo todo! E então desapareceu. Se esses milhões de pessoas de repente decidissem ficar nas ruas, o que aconteceria? Vemos muito esse tipo de política hoje, que é muito volátil.

DIPLOMATIQUE– Também vemos muito hoje o conceito da horizontalidade: milhares ou milhões de pessoas sem líder. Em Rebel cities, você levanta o problema da “fetichização da horizontalidade”.

HARVEY– Esse é um problema real. Muitas pessoas envolvidas são simpatizantes da ideia de que mais democracia significa menos lideranças. Mas o próprio exemplo do Ocupar-Sandy mostra que a centralização foi necessária para fazer as coisas que precisavam ser feitas. Organizações políticas precisam da combinação entre horizontalidade e algum conceito de verticalidade. Se você fetichiza a horizontalidade e a autonomia, acaba colocando a si mesmo em uma caixa fechada, sem poder nenhum. Um exemplo ao contrário são os zapatistas, uma organização militar que obviamente não era horizontal, tinha uma estrutura de controle. Parece mais simples usar o modelo de assembleias para tudo, mas não é. Algum senso de controle é necessário.

André Deak - Pós-Jornalista, professor, mestre em Teoria da Comunicação pela Universidade de São Paulo e cofundador da Casa da Cultura Digital
Lucas Pretti - Pós-jornalista, ator, produtor cultural e idealizador do Festival BaixoCentro.
Ilustração: Manohead."

sexta-feira, maio 24, 2013

A situação do mercado imobiliário em Campos depois das dispensas da OSX

O blog recebeu do Alex San Carlos o texto que suscita reflexão e debates:

"Roberto,
Com as crescentes demissões no Porto do Açu, encerramento de contratos etc, um novo cenário começa a surgir em Campos - RJ.

Inicialmente, milhares de trabalhadores com formação média, técnica e operários foram demitidos. Com isso, eram milhares de trabalhadores que deixavam de receber. Deixando de receber, deixavam de gastar. Com isso, o dinheiro parece que desapareceu no comércio de Campos nos últimos 3 meses.

Conversando com empresários de diferentes ramos, as declarações eram unânimes: " O dinheiro não circula". Consultei alguns amigos empresários do ramo de farmácia, serviço, imobiliária, restaurante e comércio.

Porém, agora começaram a ser demitidos e/ou transferidos, funcionários do alto escalão das empresas X.

Aquela bolha imobiliária que havia sido formada parece estar diminuindo, mas não sabemos até quando. Isso porque dezenas de imóveis que haviam sido alugados pelas empresas X para seus gerentes etc, estão sendo devolvidos. Daí a oferta fica maior do que a procura.

Um exemplo que podemos citar é um famoso empreendimento localizado na entrada da cidade, onde possui várias torres. A procura inicial para alugar um apto lá por parte de trabalhadores do Porto estava tão alta, que já estavam cobrando R$ 2.500,00 pela locação de um apto de 60m². 

Hoje, a realidade já é outra. Dezenas de aptos que haviam sido alugados foram devolvidos. E isso se repete em vários outros prédios da cidade, sobretudo em área nobre, como Pelinca, Tamandaré e Flamboyant.

Caro Roberto, qual seria sua avaliação quanto ao impacto negativo que o Porto tem causado na economia regional?
Att
Alex San Carlos."

quinta-feira, maio 23, 2013

Visita ao Complexo de Suape pelo mar e no seu entorno: que Santo Agostinho e São João nos ajudem!

Hoje, este blogueiro deu um tempo no Encontro Nacional de Programas de Pós Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, aqui em Recife, para ir conhecer de perto a realidade do Complexo Suape, seu entorno e alguns dos seus muitos impactos.

Um atividade de campo riquíssima e que foi propiciada por uma liderança comunitária local, pescador da 4ª geração de uma família de pescadores, nascido na praia de Calhetas, município de Cabo de Santo Agostinho, sede do Complexo de Suape.

Trata-se do Edinaldo Rodrigues de Freitas, o Nal de 42 anos que informa e discute sobre a realidade das comunidades atingidas pelo empreendimento do Suape de uma forma que impressiona e similar a que este blogueiro possui na comunidade do Açu, em São João da Barra.

Nal diz textualmente que não é contra o empreendimento, mas, que ele poderia e deveria ser feito de outra forma e com diálogo com a comunidade.

O complexo do Supae reúne um enorme porto e um complexo industrial, que incluir dois estaleiros, além de diversas outras indústrias, além de uma grande refinaria e uma Usina Termelétrica em construção.

É impressionante, a similaridade do Complexo de Logístico Industrial de Suape que é uma realidade em expansão e o projeto do Complexo do Açu.

Suape está no Cabo de Santo Agostinho, enquanto o Açu, está em São João da Barra. Um é Cabo o outro uma Barra e ambos são santos, embora, os problemas gerados sejam quase um Pecado.

O blog vai fazer questão de depois relatar aqui neste espaço uma série de questões que observou, junto com os professores Floriano Godinho de Oliveira do PPFH/UERJ e Luiz de Pinedo do IFF, durante boa parte do dia.

De barco, por cerca de 3 horas, nós percorremos todo o litoral onde se encontram as instalações do porto, quebra-mar, estaleiros (EAS e Promar), etc. navegando em mar aberto e nos estuário dos rios Ipojuca e Massangana, as ilhas do Tatuoca e Francês, vimos as comunidades afetadas e desapropriadas, os problemas das dragagens, dos impactos sobre a pesca e turismo, o adensamento populacional, o aumento da criminalidade, etc.

Como já comentamos em algumas postagens neste espaço (veja aqui e aqui e aqui) há muita similaridades, mas o Porto de Suape é público e, embora tenha sido implantado na década de 70, só na segunda metade da década de 2000 deslanchar com a decisão da implantação da refinaria da Petrobras e do Estaleiro Atlântico-Sul (EAS).

Acabo de confirmar no jornal Valor Econômico no noticiário que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado autorizou que o EAS retome a construção de 12 navios. Com seu novo parceiro tecnológico, depois da saída da Samsung em março de 2012, a divisão de construção naval do grupo Ishikawajima (IHI) vai dar assistência técnica e fornecerá os projetos dos navios para o EAS. O acordo da Transpetro e Estaleiro EAS representa a volta de R$ 4,2 bilhões à carteira de encomendas do estaleiro. Os prazos de entrega foram renovados pelo atraso de 21 meses no primeiro petroleiro construído pelo EAS, o João Cândido. Agora, a entrega do último navio à Transpetro está prevista para dezembro de 2019, ante o prazo inicial de abril de 2016. Serão 22 navios ao todo.

Pois bem, depois postaremos aqui fotos e detalharemos o que vimos em Suape e que merece a reflexão não apenas do estado do Rio de Janeiro, mas, do governo federal que terá a responsabilidade de lidar com a nova realidade jurídica dos portos depois da aprovação da conhecida MP dos Portos.

Agora é possível compreender com clareza, porque o governador pernambucano lutou tanto na questão da MP dos portos para manter o domínio sobre o Porto e  o Complexo do Suape.

Abaixo o blog reproduz algumas fotos, mas, adiante, com mais tempo farei novas postagens sobre o assunto. Impressiona que os problemas gerados sejam idênticos no porto público - como em Suape - quanto no empreendimento privado como no Açu, em São João da Barra. 

Que os santos nos ajudem!

Vista do mar para o porto e Estaleiro Atlântico Sul (EAS)



O Porto Suape com os guindastes transcontêineres e retroárea ao fundo

O pescador de Calhetas, Suape-PE, Edinaldo Rodrigues de Freitas, Nal

A plataforma que realiza explosões dos recifes no mar, na direção do canal de atracação do Porto Suape,PE

Área de diques do estaleiro Promar em construção, em área onde antes era mangue

Comunidade de Gaibu, localidade do município de Cabo de Santo Agostinho, onde se situa a maioria dos alojamentos das dezenas de milhares de trabalhadores do Complexo do Suape