domingo, junho 30, 2013

Em campo uma bonita vitória

A seleção brasileira com um gol no segundo minuto de jogo liquidou com facilidade a prestigiada Espanha por 3 x 0. A seleção atual campeã do mundo, definitivamente, tem enorme dificuldades em fazer gol. Impressiona-me ainda a informação de que 3/4 dos jogadores em campo nesta final de hoje no Maracanã, jogam em apenas 3 ou 4 equipes europeias. Porém, isto é uma outra discussão.

Manifestação no Rio pede Maracanã público e fim das remoções

Os manifestantes que se organizaram na Tijuca, desde o início da tarde, chegaram às barreiras policiais no entorno do Maracanã há pouco. Na Barra da Tijuca outros manifestantes protestaram em frente à sede da CBF. As duas principais reivindicações são justas e mais que tudo bem objetivas.

















PS.: Atualizado às 18:3 e 18:44 e 18:50: Uma das duplas que participavam da solenidade de encerramento no gramado, sob bolas, chegaram a estender faixa "Imediata anulação da privatização do Maracanã" e foram expulsos pelos organizadores da solenidade.


Continuemos observando: jabuti não nasce em árvore; se ele está lá é porque alguém o colocou!

Tem momentos que o debate político fica engraçado. Não há outro termo. Os que não fizeram a reforma política lá atrás, diziam que Lula e Dilma não fizeram porque não quiseram. Como se fosse apenas uma questão de vontade. Aí a Dilma ouve as ruas e coloca as mãos na massa, propõe mudanças e conferir ao povo, em plebiscito ou referendo, as mudanças desejadas e expostas nas ruas de nosso país.

Pois então o que vemos? Os colunistas de sempre da mídia corporativa, junto com os de sempre, no campo da política, em em em defesa destes, dizendo que isto não pode. Não pode mudar. Não pode chamar a massa para decidir. Isto é bolivarianismo. Que assim é jogar o peso das ruas contra o Congresso.

Ora, ora, querem que as ruas digam apenas o que eles querem ouvir? Que tudo está ruim e precisa ser mudado, mas, não querem mudanças? Ora, ora! Querem mudanças, ou querem apenas pegar o governo de volta?

Estes querem conter déficit público, querem os subsídios e não querem e nunca quiseram resolver os problemas verbalizados nas ruas.

O povo quer eficiência sim, na gestão pública - e há muito a ser feito - mas, também quer que o governo deixe os ricos e atenda àqueles que mais precisam das políticas públicas.

Seria engraçado e cômico se não fosse trágico, se não fosse assim tão perceptível, tudo isto que está assim, tão evidente.

Agora me digam quem é ou não democrático?

Quem quer avançar e consertar o que não está bom?

Quem então quer efetivamente ousar e avançar nas soluções que a maioria clama, por bom um transporte público, mais educação de qualidade, melhor saúde, segurança, etc.?

Abriram a janela, ela é histórica e deve ser aproveitada, para se avançar sobre o jardim que nos espera.

Não é hora de fechar a janela para governar para a meia dúzia refastelada e de barriga cheia da casa grande. Estes não desejam mudanças, porque o que eles querem mesmo é um governo para atender apenas aos de sua copa e sua cozinha, incomodado que estão com a parcela cada vez maior dos que saíram das senzalas e hoje já não querem só comida, querem educação, saúde, diversão e arte.

É sempre oportuno continuar observando o que andam falando e o que efetivamente pretendem, mas repito, observem seus movimentos, porque estão com o jabuti sobre os ombros, em plena rua, faltando apenas que gritemos: "o rei tá nu!"

PS.: Atualizado às 15:00: Trazendo para este espaço o comentário feito nesta nota pelo nosso articulista Bruno Lindolfo:

"Há, também, uma tentativa de rejeitar o plebiscito em favor do referendo.

Comentava sobre isso ontem na rede:

"Se entendi bem, a mesma turma apartidária, que rejeita partido e político em prol de uma democracia direta, ou da inflexão estrutural de um sistema político ora refém de uma conformação parlamentar que imporia uma crise de representação e reforma, marcha, agora, contra a possibilidade de um plebiscito e em defesa de um referendo?

É isso mesmo?

Ou despojaram as máscaras do alheamento ideológico-partidário, ou sofrem da mesma ignorância política que gostam de imputar àqueles que chamam de "povo"."

É uma mistura de esquizofrenia, - e doença eu respeito.

Com um caldo grosso de autoritarismo, de quem quer impor sua pauta deslegitimada: ora movendo-se contra o sistema político, porque este, embora composto de uma base fragmentada, não lhes é majoritário; ora contra as ruas que, em tese, franqueariam a possibilidade de ruptura de um sistema viciado. Ou, ao menos, elevaria o debate a um ponto em que, se a maturação do tema, hoje, não possibilitasse a mudança necessária, pudesse servir como pedra de torque, trazendo a discussão, necessariamente e de modo concreto e objetivo, para o discurso dos que venham a se lançar à eleição ou reeleição, até por uma questão de sobrevivência.

Por fim, uma pitada de ignorância política, embora gostem de dizer que burro é quem, de modo legítimo, opta por um governo que faz inclusão social e distribuição de renda, sem qualquer arremedo na história deste país. Quiçá do mundo.

A proposta do governo é exemplar, não só por fazer evidenciar quem são os atores, seus lados e interesses de sempre, mas, também, por desafiar o atual sistema político, com o ônus, igualmente político, de romper com sua própria base e esteio de governabilidade.

As viúvas choram, mas é sempre bom lembrar que, na história recente, se algo passou mais perto do golpe, foi a reforma conseguida na base do troco, que se limitou a aprovar a reeleição, aproveitada pelo próprio mandatário da época. Sem alarde."

Debate sobre os impactos das obras do Porto do Açu na TV Alerj

Assistam abaixo o programa "AlerjDebate", na TV Alerj sobre os impactos com as obras do Complexo Industrial do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.

O programa teve a participação de deputada estadual Enfermeira Rejane, o professor Aristides Artur Soffiati da UFF-Campos e a Da. Noêmia Magalhães, representando a Associação dos Pequenos Produtores Rurais, Asprim do V Distrito do município de São João da Barra. 

Confiram o programa disponibilizado em 26/06/2013. :

video


sábado, junho 29, 2013

O que a pesquisa do Datafolha diz sobre intenções de voto em Lula

A informação é do blog "Escrevinhador" do jornalista Rodrigo Viana:

"Lula venceria eleição já no primeiro turno"
"O povão “lulista” das periferias não foi às passeatas de junho. Mas a classe média arrastou com ela jovens da tal “Classe C”. O Brasil entrou em transe. A velha mídia transformou as manifestações em “festa cívica” contra “tudo o que está ai”.

Essa foi a versão vencedora. O povão pode não ter ido ás ruas. Mas olhou tudo pela TV e concluiu: Dilma não mostrou força para enfrentar a crise. Passou imagem de fraqueza. Reagiu tarde e ficou na defensiva. Isso explica porque ela despencou no DataFolha.

Mas o povo parece diferenciar dois personagens: Dilma e Lula. Este último caiu um pouco nas pesquisas para a eleição de 2014. Mas não na mesma proporção de Dilma. É como se o povão pensasse assim: Lula no comando teria força pra enfrentar o caos, negociar e pacificar o país. Mas Lula não é o “criador” de Dilma? Se ela cai, ele não deveria cair junto? Parece que o eleitorado faz uma leitura com nuances: não vê em Dilma “culpa” pelo que se passa. Mas inabilidade ou dificuldade para enfrentar a crise.

É o que mostram os números abaixo, que estarão na edição impressa da “Folha” neste domingo. Depois de semanas de bombardeio nas ruas e na mídia, Lula seguiria vencendo as eleições em primeiro turno. Dilma, não.

A questão é: Dilma poderia abrir mão da candidatura para um arranjo com Lula na cabeça de chapa? Eduardo Campos poderia ser o vice de Lula, num acordo em que se extinguisse a reeleição? E o PMDB, iria pro lado dos tucanos?

O quadro ficou nebuloso.

A conclusão que se pode tirar é a seguinte: Dilma perdeu muito, os tucanos cresceram quase nada, Marina faturou com a crise. Lula segue como um reserva de luxo. E ele pode decidir o jogo.

Do outro lado, insisto: não descartaria a candidatura de Serra. Num quadro aberto como teremos em 2014, o ex-governador poderia se lançar candidato por uma legenda menor: MD (o ex-PPS) ou até o PSD de Kassab.

Por último: Joaquim Barbosa tira votos de Aécio e Marina. Quase nada de Lula ou Dilma.

Veja abaixo os cenários:

1) Lula, Marina, Aécio e Eduardo
Lula – 46%
Marina Silva – 19%
Aécio Neves – 14%
Eduardo Campos - 4%

2) Lula, Marina, Aécio, Eduardo e Joaquim BarbosaLula – 45%
Marina Silva – 14%
Joaquim Barbosa – 13%
Aécio Neves – 12%
Eduardo Campos – 4%

3) Dilma, Marina, Aécio e Eduardo
Dilma – 30%
Marina Silva – 23%
Aécio Neves – 17%
Eduardo Campos - 7%

4) Dilma, Marina, Aécio, Eduardo e Joaquim Barbosa
Dilma – 29%
Marina Silva – 18%
Joaquim Barbosa – 15%
Aécio Neves – 15%
Eduardo Campos – 5%."

Movimento "#Cabruncos Livres" cria blog

O movimento #Cabruncos Livres criaram aqui um blog para pluralizar suas informações, interagir com a sociedade, ampliar o debate e não ficar refém de quem possa pretender se apropriar do movimento para fins já conhecidos. 

Particularmente apreciei uma das primeiras deliberações do movimento que consta da Atá da Reunião do dia 18/06/2013:
"O movimento se opõe às empresas de comunicação que monopolizam a distribuição das informações no país e repudia as tentativas de distorção dos fatos relacionados aos movimentos em todo o Brasil. Percebemos que recentemente esses meios de comunicação que atendem a interesses de grandes corporações empresariais tem "mudado de ideia" quanto ao caráter desses movimentos, e isso se configura num motivo de preocupação. Devemos temer uma tentativa de apropriação desses movimentos populares por parte de setores muitos conservadores da sociedade e atentarmos para os seus reais objetivos. Não devemos permitir que essa manifestação enviese-se e abrace ideais reacionários muito nocivos à sociedade brasileira como um todo."

O blog deseja vida longa ao movimento, força na luta e na capacidade de articulação. Uma nova manifestação já foi marcada, para a próxima quarta-feira (03/07) pelo movimento que elaborou uma pauta de reivindicações local, assim como um grupo de estudos para aprofundar o debate sobre assuntos que decidirão. Sigam em frente, a cidade necessita desta luta e a nossa comunidade merece esta renovação.


Argentinos fazem piada com mídia corporativa brasileira representada pela Globo

O vídeo pode ser visto na sua primeira parte e foi divulgado no Brasil pelo blog Viomundo do Azenha.. Vale conferir "A hipocrisia da mídia". O vídeo apesar de ter onze minutos, os oito primeiros de ironia pura já são suficientes para enxergar o que alguns aqui ainda tentam negar:



Deve ser por isto que cresce pela rede a campanha:


Grupo EBX: da euforia ao ceticismo

O quadro abaixo do Valor Online foi publicado junto da matéria que faz uma avaliação atual das empresas do grupo EBX e serve para quem quer começar a entender o que se passa com o projeto que foi de um Complexo Logístico-industrial para um porto.

O infográfico é bem montado e muito informativo e vale ser conferido. (Para ver em tamanho maior clique sobre a imagem). Aqui você pode ler parte da matéria, já que a outra (aqui) só está acessível para assinantes.

60 mil acionistas (pessoa física) temem os desdobramentos
Pelo quadro abaixo é possível ver que o número de acionistas (pessoas físicas) que acreditaram no projeto pode variar de 52 mil a 84 mil. Explico os números que podem ser observados na última linha da tabela abaixo.

O número de 51.900 é o número de acionistas pessoa física da OGX, a que captou mais investidores e a que chegou a alcançar o maior valor de mercado R$ 75 bilhões em outubro de 2010. O número de 84.053 acionistas é obtido pela soma de acionistas das seis empresas do grupo EBX que têm ações em bolsa.

Como é possível que muitos dos investidores (pessoa física) sejam os mesmos para diferentes empresas é que afirmamos que este número pode variar de 52 mil a 84 mil pessoas que agora sofrem pela angústia de verem seus recursos perderem valor, caso o projeto não se viabilize, conforme é a preocupação do mercado.




Requerimento à Alerj para Comissão Especial para acompanhar real e atual situação da implantação do Porto do Açu

O deputado estadual Roberto Henriques apresentou à presidência da Alerj o Requerimento Nº 265/2013 para a criação de uma Comissão Especial para Acompanhar a real situação dos investimentos no Complexo Logístico Portuário do Açu e a situação dos trabalhadores e colaboradores envolvidos no empreendimento. O requerimento foi publicado ontem, no Diário Oficial do Poder Legislativo. Fluminense.

Além dos trabalhadores, há que se ouvir os pequenos proprietários ruais atingidos pelas desapropriações e também os pequenos comerciantes da região que sofrem por conta de créditos não recebidos junto à diversas empresas que atuam (ou atuavam) nas obras de implantação do Complexo do Açu. Dirigentes da empresas privadas e também gestores de empresas e órgãos públicos como a Codin, o Inea devem também ser ouvidas.

É sempre oportuno abrir uma janela para o diálogo com a sociedade. O governo estadual foi displicente e não cumpriu todas as obrigações que cabia num empreendimento, cujo projeto extrapolava a área de um município, com ameaças, embora também com oportunidades. Um Plano de Ordenamento Territorial (POT) elaborado de forma participativa, foi deixado de lado, assim como diversas outras necessidades.

Mesmo que seja tarde, ainda há espaço para envolver a comunidade neste processo.

Abaixo a publicação do requerimento da Comissão Especial feita à Alerj com a participação de sete deputados, além do requerente: Robson Leite; Jânio Mendes; Dionísio Lins; Comte. Bittencourt; Aspásia Camargo; Inês Pandeló e Gilberto Palmares.


O valor atualizado da sonegação de impostos do Sistema Globo chega a R$ 1 bilhão

A informação e o processo como todos sabem só veio à tona por um blog alternativo, O Cafezinho de Miguel do Rosário, que há anos luta pela democratização da mídia. Para a velha mídia corporativa isto não é notícia.

Além de abaixo a corrupção, nó temos que exigir: fora à sonegação!

Segundo o blog do Miro, a Globo ainda não pagou esta dívida é há rumores também que "o Ministério Público, esse mesmo aí tão ético da PEC 37, tem sentado em cima do processo".

Ele diz ainda: "A dívida original da Globo com o fisco, resultado de uma comprovada fraude da emissora, é de R$ 183,14 milhões, referente ao ano de 2002. A este valor, deve-se somar R$ 157,23 milhões de juros de mora e R$ 274,72 milhões de multa. O total que a Globo devia ao fisco em 2006 é de R$ 615 milhões. Fernando Brito, do blog Tijolaço, atualizou o valor da dívida para aproximadamente R$ 1 bilhão, e lembrou que isso daria para bancar o passe livre dos paulistanos por um ano inteiro."

Leia mais aqui em O Cafezinho sobre o "mensalão da Vênus Platinada":


Os números da pesquisa do Datafolha

A meu juízo a alteração já era esperada e é igual para a grande maioria, talvez, totalidade, dos que estão no governo, nos três diferentes níveis.

É evidente que as manifestações apontam desejos de melhoria.

Interessante que 68% tenha aprovado a proposta do plebiscito.

Resta saber com quem sairemos para jantar.

Vale conferir a análise do jornalista Luiz Nassif em seu blog. Ele também se reporta a uma outra pesquisa encomendada por empresários. Confira:

"O que dizem as pesquisas pós-manifestações"

Autor: Luis Nassif - sab, 29/06/2013 - 12:34

Algumas considerações sobre a pesquisa Datafolha registrando queda de popularidade de Dilma Rousseff.

Foi uma bela queda, mas Inês não é morta.

O que ocorreria se o Datafolha incluísse em sua pesquisa a avaliação sobre outros personagens da política: Geraldo Alckmin, Antônio Anastasia, Sergio Cabral, PT, PSDB, Aécio Neves, Congresso, STF? Todos registrariam queda similar. Foi o mundo político que desabou, não apenas um personagem ou outro. Obviamente, o personagem maior - a presidente - está exposta a desgaste maior.

Esta semana, pesquisa similar ao da Datafolha – contratado por um grupo de empreiteiras – revelou o seguinte:
Queda de Dilma e Alckmin, Dilma um pouco mais, Alckmin um pouco menos.
Queda expressiva tanto do PT quanto do PSDB. Incluindo aí o presidenciável Aécio Neves.
Quem ganha são apenas Marina Silva, que sobe um pouco e Lula, que sobe mais – tanto na avaliação pessoal quanto do seu governo.

Chama atenção, no entanto alguns aspectos da pesquisa Datafolha:
Mesmo tendo desabado, os índices de Dilma ainda são positivos. A maior parte dos que saíram do campo do ÓTIMO e BOM migrou para REGULAR. Agora, são 25% de RUIM e PÉSSIMO – um salto expressivo, ante os 9% da última pesquisa. Mas são 43% de REGULAR e 30% de ÓTIMO e BOM.

O Datafolha omitiu a aprovação pessoal de Dilma. Como existe proporcionalidade entre a nota e a aprovação, analistas estimam que possa estar entre 55% e 58%.
Em relação aos passos pós-crise, dois pontos a favor de Dilma. Em relação ao comportamento de Dilma frente aos protestos, 26% avaliaram como RUIM e PÉSSIMA contra 32% de ÓTIMA ou BOA e 36% de REGULAR. E 68% aprovaram a ideia do plebiscito.

Em suma, a bola continua com Dilma. Passado o impacto emocional das passeatas, sua maior ou menor aprovação dependerá de seus próximos passos. Se conseguir reestruturar seu governo e dar provas maiúsculas de melhoria de gestão e de interlocução, supera o momento. Se não conseguir, seu governo irá se arrastar até as eleições."

"A disputa de ideias está aberta e o debate ideologizou-se"

A afirmação é do Alex Moraes no texto "Depois da Rede Globo e do moralismo" publicado no portal "Outras Palavras". Outro autor já chamou o momento de "janela histórica":

"Não seria demasiado otimismo afirmar que a cooptação midiática fracassou em seus objetivos estratégicos iniciais. A disputa de ideias está aberta e o debate ideologizou-se à revelia do hino nacional e das bandeiras verde e amarelas. Esta emergente batalha de ideias complexifica bastante o cenário atual."

Confira aqui o artigo na íntegra. 

sexta-feira, junho 28, 2013

Quem quer mudar e quem deseja deixar do jeito que está

A reforma política é a mãe das demais reformas, embora, não possua apelo popular, porque não trata das questões concretas do povo, mesmo que trate de tudo aquilo que viabilizará ou não as mudanças que o país deseja.

O jornalista Paulo Moreira Leite em seu blog opinou:
"Reforma eleitoral dessa turma é contribuição privada para campanha e voto facultativo. Querem transformar o Estado numa ONG, quem sabe um clube. Não querem que o povo tenha o direito de escolher como se dá o acesso ao Estado".

Se desejar ler o texto "O plebiscito às claras" na íntegra clique aqui no blog "Planície Lamacenta" do Douglas da Mata.

Estatal norueguesa é a segunda maior produtora de petróleo no Brasil

Com a performance 100 mil barris/dia, a Statoil, empresa estatal norueguesa assumiu a vice-liderança na produção de petróleo em nosso país.

A Statoil que tem sede no Brasil, no bonito e reformado prédio que foi da Manchete, na rua do Russel, na Glória, no Rio de Janeiro, tem experiência em exploração offshore de petróleo, no Mar do Norte, também no Oceano Atlântico.

Interessante observar que a Statoil tem hoje uma produção mundial próxima da Petrobras com 2 milhões de barris/dia e projeto de produzir 2,5 milhões de barris/dia em 2010 e se diz gêmea da Petrobras, por ser também estatal.

Considerando a geopolítica mundial e a necessidade de parcerias para produzir no pré-sal, não é difícil imaginar que a estatal norueguesa, poderia ser um aliado estratégico no lado Atlântico.

Enquanto isto, o projeto privado da OGX continua patinando. Percebe-se do caso, que não basta um ou outro técnico bem informado e soberbo, para dar conta em produzir petróleo em alto-mar.

PS.: Atualizado às 19:49: Corrigindo o título onde estava escrito escocesa ao invés de norueguesa como já estava no texto da nota e o valor da produção que foi redigido 100 barris/dia, ao invés do correto 100 mil barris/dia. Os leitores sempre colaborando com o blog.

Novas e recentes imagens de satélite do Google Earth mostram obras e detalhes do Complexo do Açu

Os leitores-colaboradores sempre atentos informaram e o blogueiro já conferiu que as imagens do satélites mais recentes do Google Earth, mostram em detalhes a realidade das obras do Complexo do Açu, permitindo uma visão mais completa da situação. Abaixo disponibilizamos alguma delas.

Os mais interessados podem conferir os aterros hidráulicos, os dois terminais e as obras dos galpões. Ao aproximar ou distanciar você pode ver detalhes e também ter uma visão do todo, bem real. Confiram:





Trabalhador da Acciona reclama indenização

Em comentário feito em nota deste blog, o leitor Wellington Gadelha ex-funcionário da empresa Acciona reclama:

"Infelizmente a Acciona não cumpriu até agora comigo o que é legal perante a justiça. Minha rescisão está calculada errada com relação aos valores de depósito do FGTS, não recebi ainda passagens para retorno a minha cidade, o valor pago para custo moradia foi referente apenas aos 23 dias de maio (o resto do aluguel terei que custear, já que pago por 30 dias) e a rescisão e multa do contrato de aluguel que também deverei custear. Já procurei a empresa por várias vezes, já encaminhei e-mail para RH mas não tenho nenhuma resposta. E agora o que fazer??????"

Vereador de Macaé aprova fim do monopólio de ônibus

Foi aprovado na última terça-feira (25) pelos vereadores um requerimento proposto pelo vereador Igor Sardinha (PT) para que a prefeitura tome as medidas administrativas necessárias para a extinção imediata do contrato de concessão do transporte público municipal com a empresa SIT, sem a necessidade de pagar qualquer tipo de indenização ou multa.

O requerimento é de que o governo municipal reúna provas que demonstrem que a empresa concessionária não cumpre com qualidade o serviço de transporte em Macaé, fazendo com que o município não necessite esperar o término do contrato em 2015 para realizar a abertura de uma nova licitação. A proposta do vereador é que seja realizada a quebra imediata do monopólio da empresa. O requerimento aprovado será encaminhado ao governo para análise no prazo legal de 30 dias.

O vereador Igor Sardinha foi enfático em dizer que o município somente pode cogitar a rescisão contratual com a cassação da concessão, porque a empresa é descumpridora do contrato com a prefeitura. "O contrato é quebrado quando o serviço prestado não é de qualidade para a população, e é por isso que temos o direito de tomar as medidas cabíveis sem que o município precise garantir indenização. Devemos adotar ações que protejam a cidade, o seu povo, e não a empresa. O serviço prestado está aí e é só perguntar a quem anda de ônibus em Macaé".
Fonte: O Debateon.

Entrevista com Emir Sader: "Democratizar a mídia!"

Confira aqui no blog do Azenha a entrevista em que o sociólogo Emir Sader aprofunda na questão política atual, questiona a ausência de regulação da mídia e levanta outras questões.

Uma das perguntas:
Viomundo –Em que medida a falta de iniciativas do governo para democratizar a mídia e  a não regulamentação dos meios de comunicação contribuiu para isso?

Emir Sader –  Esse movimento seria impossível sem a ação monopolística dos meios de comunicação.  No começo, eles até desqualificavam o movimento, depois perceberam que poderia ser um elemento de desgaste do governo federal e passaram a apoiar desproporcionalmente, a multiplicar sua importância.

Acho que o governo está pagando um preço caro por não ter democratizado os meios de comunicação. É um bumerangue que está voltando para as mãos do próprio governo.

Até agora, aparentemente, iria surfar nas eleições de 2014, e não queria briga nenhuma. Mas a Dilma já começou a perceber que o seu modelo econômico e social está sendo afetado pela desestabilização promovida pela mídia e a sua popularidade também.

Claro que houve, ainda, a intervenção desastrosa do prefeito de São Paulo, que poderia ter cortado isso logo no começo. Ele tem uma responsabilidade grave nessa história toda."

Confira aqui a entrevista na íntegra.

quinta-feira, junho 27, 2013

Sistema Globo: R$ 183 milhões de sonegação

O blog , O Cafezinho, de Miguel do Rosário, trouxe detalhes sobre o assunto com informações suplementares do blog Viomundo de Luiz Carlos Azenha. A mídia corporativa não é e nunca foi exemplo para ninguém. No planalto e na planície os conchavos com os governos que pretende trazer de volta são os mesmos:

"O Cafezinho acaba de ter acesso a uma investigação da Receita Federal sobre uma sonegação milionária da Rede Globo. Trata-se de um processo concluído em 2006, que resultou num auto de infração assinado pela Delegacia da Receita Federal referente à sonegação de R$ 183,14 milhões, em valores não atualizados. Somando juros e multa, já definidos pelo fisco, o valor que a Globo devia ao contribuinte brasileiro em 2006 sobe a R$ 615 milhões. Alguém calcule o quanto isso dá hoje.

A fraude da Globo se deu durante o governo Fernando Henrique Cardoso, numa operação tipicamente tucana, com uso de paraíso fiscal. A emissora disfarçou a compra dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 como investimentos em participação societária no exterior. O réu do processo é o cidadão José Roberto Marinho, CPF número 374.224.487-68, proprietário da empresa acusada de sonegação.

Esconder dólares na cueca é coisa de petista aloprado. Se não há provas para o mensalão petista, ou antes, se há provas que o dinheiro da Visanet foi licitamente usado em publicidade, o mensalão da Globo é generoso em documentos que provam sua existência. Mais especificamente, 12 documentos, todos mostrados ao fim do post (Nota da redação: no Viomundo, acima). Uso o termo mensalão porque a Globo também cultiva seu lobby no congresso. Também usa dinheiro e influência para aprovar ou bloquear leis.

O processo correu até o momento em segredo de justiça, já que, no Brasil, apenas documentos relativos a petistas são alvo de vazamento. Tudo que se relaciona à Globo, à Dantas, ao PSDB, permanece quase sempre sob sete chaves. Mesmo quando vem à tona, a operação para abafar as investigações sempre é bem sucedida. Vide a inércia da Procuradoria em investigar a privataria tucana, e do STF em levar adiante o julgamento do mensalão “mineiro”.

Pedimos encarecidamente ao Ministério Publico, mais que nunca empoderado pelas manifestações de rua, que investigue a sonegação da Globo, exija o ressarcimento dos cofres públicos e peça a condenação dos responsáveis.

O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que a sonegação no Brasil totaliza mais de R$ 400 bilhões. Deste total, as organizações Globo respondem por um percentual significativo.

A informação reforça a ideia de que o plebiscito que governo e congresso enviarão ao povo deve incluir a democratização da mídia. O Brasil não pode continuar refém de um monopólio que não contente em lesar o povo sonegando e manipulando informações, também o rouba na forma de crimes contra o fisco."

As provas:

"O modelo de metrópole brasileiro conjuga alta concentração geográfica com serviços públicos de baixíssima mobilidade resultando em segregação urbana"

Vitor Peixoto - coordenador do
Curso de Ciências Sociais da UENF
O blog tem se esforçado para trazer para o debate, análises e opiniões  debate sobre as atuais movimentações, para além das que são emitidas sob a forma de nota, deste blogueiro, com o objetivo de ampliar o entendimento e aprofundar as discussões, sobre o movimento que se espraiou das metrópoles e capitais para as cidades do interior brasileiro.

É nesta linha que o blog resolveu entrevistar o professor Vitor Peixoto da UENF, atual coordenador do Curso de Ciências Sociais. Vitor é mestre e doutor em Ciências Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ - 2004 e 2010) tendo se debruçado no estudo do tema sobre o espinhoso e importante tema sobre o "Financiamento de Campanhas".

Além disso, Vitor tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Estudos Eleitorais e Partidos Políticos, atuando principalmente nos seguintes temas: eleições, sistema político, financiamento de campanhas, accountability, representação e estudos legislativos. 

Vitor tem intensa relação com a cidade e os jovens estudantes da nossa UENF. Faz uso constante das redes sociais, onde amplia os debates e as relações para além dos laboratórios e das salas de aula. 

Através da coordenação de Ciências Sociais da UENF, Vitor organizou um seminário que se realizará hoje (cartaz ao lado), na sala de Multimídia do CCH, às 16:30, com o tema: "Sociedade e Política nas Ruas".

Confira abaixo a interessante entrevista:

Blog: É correto afirmar que as manifestações nasceram com perfil progressista e depois foram se modificando?

Vitor Peixoto: Sim, em certo sentido a pauta que deu início ao movimento se refere à ampliação de direitos sociais, especificamente à mobilidade urbana. Portanto, pode ser considerada progressista. Na sequencia, a forte repressão policial foi, em minha opinião, o estopim para mobilizar ainda mais a população. A partir daí foram surgindo pautas e mais pautas num movimento incontrolável. Com as declarações desastradas e o fechamento dos governos dos três níveis (Municipal, Estadual e Federal) aliado à falta de uma liderança clara e a desorganização do movimento foram os ingredientes que faltavam para grupos dos mais diversos matizes ideológicos disputarem o significado simbólico das manifestações.

"Há tempos se ouve falar em crise de representação. Sinceramente, não consigo enxergar esse fenômeno com clareza. Na Europa houve um decréscimo de filiados entre as décadas de 80 e 90 e muitos diziam que iria acabar – estão lá até hoje". (Vitor Peixoto)

Blog: Há ou não crise de representação política? Como se resolve isto?

Vitor Peixoto: Há tempos se ouve falar em crise de representação. Sinceramente, não consigo enxergar esse fenômeno com clareza. Na Europa houve um decréscimo de filiados entre as décadas de 80 e 90 e muitos diziam que iria acabar – estão lá até hoje. Difícil comparar esses dados com o Brasil, naquele momento estávamos reconstruindo nosso sistema partidário após a destruição pela ditadura dos partidos do regime de 1946 a 1964. Voltando ao movimento recente, uma coisa ficou patente: os principais alvos foram os partidos políticos. Mas isso não significa que sejam instituições ultrapassadas e que é irreversível. Dados de surveys da Unicamp realizados periodicamente atestam que cerca de 40% dos brasileiros tem identidade partidária, e temos mostrado claramente que a decisão do voto é predita por esta identificação, ou seja, os partidos contam na arena eleitoral. Em outra dimensão, estudos apontam que no Congresso os deputados são extremamente disciplinados pelos líderes partidários, ou seja, os partidos contam também para o comportamento parlamentar. Mas é inegável que os movimentos sociais se afastaram dos partidos políticos no Brasil, principalmente, com a chegada do PT à presidência da República. O que era esperado, já que na oposição não precisava dizer não a ninguém, diferentemente de quando se ocupa um cargo público e tem que negociar com vários grupos de interesse que compõem a base de governo. Como resolver isso é um algo que não faço ideia, mas é necessário os lideres partidários pensarem em fortalecer as raízes com as bases.

Blog: A crise é do modelo de cidades e de urbanização, ou, o que vemos são o florescimento e esgotamento das desigualdades sociais?

Vitor Peixoto: As desigualdades sociais vem diminuindo na década, com ponto de inflexão a partir de 2003, de modo que excluiria essa hipótese da explicação. Definitivamente não acredito que foi a desigualdade o fator principal, até porque o IBOPE mostrou em pesquisa recente que não era a classe baixa que estava na rua. Tendo a acreditar que é mais do modelo de metrópole brasileiro que conjuga alta concentração geográfica de serviços públicos com baixíssima capacidade de mobilidade, o que resulta numa segregação urbana impressionante.

Blog: A energia dos jovens maioria nas manifestações e das mulheres na liderança dos movimentos mostram o quê?

Vitor Peixoto: Esse foi um fato que me chamou a atenção. Aqui em Campos particularmente isso pode ser explicado pela experiência organizacional e de mobilização do movimento feminista local. As mesmas pessoas que organizaram a “Marcha das Vadias” impulsionaram o movimento atual. Isso entrará para a História campista! No Brasil, as mulheres vem aumentando a participação eleitoral gradativamente. Nas últimas eleições, por conta na modificação da lei de cotas, houve um alto crescimento de candidaturas femininas. Por outro lado, houve uma queda na taxa de sucesso eleitoral das mulheres, ou seja, existem mais mulheres concorrendo, mas não ouve crescimento proporcional das eleitas. Isso mostra que o sistema eleitoral sozinho é incapaz de produzir os efeitos que desejamos.

Blog: Na sua opinião como reagiram os governos e as lideranças políticas?

Vitor Peixoto: Em boa medida elas foram as responsáveis pelo recrudescimento do movimento e seu crescimento vertiginoso. Como disse, o fechamento do diálogo do poder municipal de São Paulo aliado à repressão criminosa da política militar Estadual e adicionado a declaração desastrosa do Ministro de Justiça constituíram elementos necessários para a mobilização atingir o estado que testemunhamos.

"Existe sim uma forte interferência do poder econômico na politica que, na minha opinião, deve ser controlado com imposição de limites fixos para doadores e arrecadadores" 

"Só existe corrupção no poder público porque existe um corruptor no poder privado. Não adianta demonizar a política acreditando que o mercado é santo". (Vitor Peixoto)

Blog: Você esteve na semana passada como convidado para uma Audiência Pública que debateu o financiamento de campanha eleitoral seu tema de tese. Você vê relação entre a chamada crise de representação e este fato?

Vitor Peixoto: Estive no STF para falar sobre uma Ação de Inconstitucionalidade ajuizada pela OAB para proibir pessoas jurídicas de realizar doação para partidos e candidatos e impor limites fixos para campanhas. A ação é antiga e não foi motivada pelos fatos recentes. Por outro lado, é inegável que o tema voltou com força total. E isso acontece a cada crise política. Mesmo que as crises não sejam causadas pelas regras eleitorais, sempre haverá aquele que culpará o “sistema”. Nesse caso, o sistema eleitoral. O financiamento de campanhas é uma ponta deste iceberg apenas. Uma ponta fundamental, aliás, o que derruba navios é uma ponta afiada. Existe sim uma forte interferência do poder econômico na politica que, na minha opinião, deve ser controlado com imposição de limites fixos para doadores e arrecadadores. Mas de nada adiantaria modificar as regras sem aumentar a capacidade institucional de fiscalização do mercado. Só existe corrupção no poder público porque existe um corruptor no poder privado. Não adianta demonizar a política acreditando que o mercado é santo.

"Não tem direita no mundo democrático, com exceção de uns esquizofrênicos, que sustente uma manifestação por melhora de serviços públicos sem aumentar o Estado". (Vitor Peixoto)

Blog: O que acha da ousada proposta da presidenta Dilma de convocar plebiscito e Constituinte para realizar uma reforma política?

Vitor Peixoto: O plebiscito é um desastre do ponto de vista técnico. Mas parece que foi importante uma cartada política. Quanto à constituinte limitada, há uma série de controvérsias que os juristas irão debater por mais umas duas décadas. O Fernando Henrique Cardoso e o Lula já propuseram ambas! O resultado nós conhecemos: continuamos literalmente como o mesmo sistema eleitoral inaugurado pela primeira experiência democrática de 1946 a 1964. Particularmente, sou descrente na reforma, assim como no acontecimento dela. Não acho que deveria acontecer de forma abrupta, e não acho que acontecerá! Explico: toda essa história de plebiscito, constituinte limitada e referendum, na minha opinião, esta calcada numa falsa premissa comportamental, a saber, de que os atuais congressistas não modificariam uma regra que os elegeram. O raciocínio é simples: qualquer regra que não seja esta atual aumenta a incerteza da reeleição, portanto a preferencia absoluta pelo status quo. Falso! Essa concepção não leva em consideração a alta imprevisibilidade de listas abertas com coligação em distritos amplos como são os Estados. Prova disso é a comparativamente alta renovação parlamentar que temos já há mais de duas décadas. Minha suspeita ( que somente não é uma hipótese por impossibilidade ser testada empiricamente) é que a paralisia decisória do tema se dá pelo baixo grau de consenso entre os partidos assim como entre membros de um mesmo partido. Cada deputado tem a sua reforma, mas nenhuma é de todos. Dado a complexidade do tema o desafio é encontrar uma proposta minimamente vencedora (que aglutine votos suficientes) que não contrarie interesses de um veto player partidário ou institucional.

Blog: Há quem diga que as manifestações mostraram as limitações das oposições. Como avalia esta afirmação?

Vitor Peixoto: Por mais que os grandes meios de comunicação e a direita disputassem o significado simbólico das manifestações, e em grande medida conseguiram impor parte de sua pauta, como combate à corrupção, PEC 37 etc. o primordial estava dado: melhora do serviço público. Não tem direita no mundo democrático, com exceção de uns esquizofrênicos, que sustente uma manifestação por melhora de serviços públicos sem aumentar o Estado, nem que seja pela intervenção regulatória – e qualquer intervenção do Estado é antiliberal. E pelo que se tem observado nas últimas movimentações do Congresso, a agenda de esquerda tem ganhado espaço, como ampliação e aprofundamento dos direitos sociais coma destinação dos recursos dos royalties para educação e saúde. Enfim, a direita lacerdista que gritava “fora Dilma” estão sem saber o que fazer. Mas nem tudo são flores. Pode-se observar uma reorganização das bandeiras da direita conservadora no Brasil. O que antes era cochichado nos grupos mais obscuros, agora anda desavergonhado! Prova disso são as manifestações contra os direitos individuais das mulheres e dos GLBT`S. A todo avanço social progressista reage uma força retrógrada.

Blog: Como avalia o movimento em Campos, onde, se conseguiu, sem estrutura mobilizar também um grande número de pessoas? Aqui há pauta, ou as demandas estariam difusas e sem lideranças?

Vitor Peixoto: Ao que pude constatar superficialmente em conversas pessoais, os jovens estão começando a se organizar enquanto movimento. Se a grandiosidade do movimento nos pegou de surpresa, com eles não foi diferente. Ainda os vejo com demandas à reboque do movimento nacional, o que não é algo de todo negativo. Mas a manutenção da mobilização local dependerá, em boa medida, da capacidade dos líderes conseguirem manter interessada a base, e isso passa por articular questões que afetam a vida cotidiana dos envolvidos. É um desafio grande, sem sombras de dúvidas. Mas o mundo não é feito de questões a serem explicadas apenas, é também feito de apostas. E eu aposto e franquio meu apoio no futuro desse movimento!

quarta-feira, junho 26, 2013

1001 passará incólume?

Será que a Auto Viação 1001 passará por todo estas manifestações que, como sabemos começou com questionamentos sobre o transporte nas grandes cidades, sem que nada seja alterado?

A qualidade dos serviços é péssima, cada dia pior.

Os preços são absurdos.

Os contratos de concessão com o governo do estado são precários e ilegais.

Queremos ver as planilhas de custos. Ontem o prefeito do Rio foi obrigado a abrir a planilha das concessões de transporte na capital.

As prefeituras reduziram as tarifas das passagens municipais. A ANTT suspendeu os reajustes das passagens interestaduais, já em nosso estado, o Detro mantém os valores absurdos que conhecemos.

O que faz a Agetran?

Queremos mais e melhores ônibus. Preços equivalentes aos de outras empresas e regiões do país por quilômetro rodado. Opções de empresas para a prestação dos serviços aos moradores da região na ligação com a capital e região metropolitana.

Queremos já licitação. Exigimos acesso a estas planilhas por parte do secretário de transporte do governador.

Exigimos uma solução diante dos 1001 problemas!

PS.: Atualizado às 20:30:
O blog foi informado que o Diário Oficial do Estado de segunda-feira (24) determinou que os valores das tarifas intermunicipais retornassem ao valor estabelecido na Portaria Detro/Pres Nº 1101 de 20/12/2012. Assim, a tarifa básica deixaria de ser R$ 72,34 e voltou para R$ 64,23. A redução do preço da passagem cumpre o Decreto Nº 44.266, de 21 de junho, publicado.

O fato não altera os questionamentos do blog, especialmente, sobre a precariedade dos contratos de concessão, a qualidade do transporte, a falta de licitação, a manutenção do monopólio, a falta de licitação e "caixa preta" da planilha de concessões.
O blog abre espaço aqui para ampliar o espaço de informação de um leitor nos comentários:
"Caro Roberto Moraes
Em Itaperuna, depois de dois dias de protestos intensos, a câmara de vereadores comunicou a quebra do monoopólio de transportes, que tinha como beneficiado a viação santa Lucia.
Abs."

"A voz das Ruas e os Impasses do Lulismo"

Muitas análises interessantes têm sido produzidas e reverberadas pela mídia alternativa. O blog do Luiz Carlos Azenha (Viomundo) é um ótimo exemplo deste tipo de espaço que independe da velha mídia corporativa golpista, aliás, citada, neste ótimo artigo do Antônio David e Lincoln Secco que segue publicado abaixo.

Até aqui, ela está entre as melhores análises que eu li sobre o atual momento, vista, evidentemente, sob a lógica progressista:

"A Voz das Ruas e Os Impasses do Lulismo"
por Antônio David e Lincoln Secco, especial para o Viomundo

"Em Botucatu, próspera cidade do oeste paulista, a elite local foi às ruas para protestar no mesmo dia 20 de junho em que a esquerda foi expulsa da Avenida Paulista por militantes de direita. Um metalúrgico de 45 anos vestia uma camisa do Partido Comunista Revolucionário com a foice e o martelo. Dois jovens declarando-se do MPL e sem dizer os nomes mandaram aquele homem retirar sua camisa, pois aquela não era uma manifestação de partidos.

Por que dois jovens que nunca trabalharam e talvez nunca lutaram por nenhuma causa coletiva, podiam se dirigir naquela forma a um operário comunista? Em tempo: não existia até aquele momento MPL em Botucatu.

Os ataques físicos à esquerda partidária e ao próprio Movimento Passe Livre deixaram as esquerdas perplexas. É que há muito ela se sentia dona das ruas. Por mais que repudiemos tais ataques, é preciso dizer que não são manifestos de intelectuais (embora importantes) e defesa do direito democrático de erguer qualquer bandeira que calarão os direitistas nas ruas.

Os militantes mais maduros lembram que em 1988, quando um grupo de carecas de direita tentou invadir um comício de primeiro de maio na Praça da Sé em São Paulo, eles foram violentamente reprimidos pela esquerda. Mesmo nas manifestações maiores era impensável a presença de alguém com símbolos de direita nas ruas. A Direita não se manifestava assim ou o fazia em locais isolados.

Que a esquerda seja reduzida a isto seria lamentável. O primeiro passo para sair do impasse é compreender que há nas ruas uma classe média híbrida, mas claramente influenciada pela mídia conservadora. Suas opiniões são irracionais, embora manipuladas racionalmente pela imprensa.

A composição social da maioria dos manifestantes pelo menos até o fim de junho revelou uma rebelião da classe média com a participação um pouco maior de pobres em algumas regiões do país. Segundo a Folha de S. Paulo, 84% dos manifestantes paulistas do dia 17 de junho não tinham preferência partidária, 71% participaram pela primeira vez num protesto e 53% têm menos de 25 anos. Os estudantes eram 22% entre os manifestantes e pessoas com ensino superior 77%.

A composição social determina a agenda do movimento? A classe média é uma classe em trânsito. Como num ônibus, alguns querem entrar. Mas diferentemente de um ônibus lotado, muitos têm medo de descer. Só uma pequena parcela acredita mesmo que vai ascender rapidamente à classe superior. Ora, uma classe em trânsito é uma classe em transe. Ela é capaz de unir programas opostos num mesmo movimento. Ela pode oscilar para a esquerda e a direita.

Nas manifestações de 2013 é possível que estivessem jovens da classe média tradicional com medo de descer e jovens beneficiários das melhorias sociais induzidas pelo Governo Lula. Estes querem “entrar no ônibus” porque suas expectativas subiram mais do que sua condição social.

O que as manifestações nas últimas duas semanas mostraram? Que havia uma demanda represada latente por radicalização na sociedade. Ou seja, por mais que se esforce e seja parcialmente bem-sucedido na estratégia de arbitragem de interesses, o governo cada vez menos conseguirá evitar a polarização de classe, que agora chegou às ruas.

Aqui é necessário fazer uma digressão. A classe trabalhadora brasileira não é um todo homogêneo. Possui frações. Além do proletariado fabril, cujo paradigma é o metalúrgico, há uma nova classe trabalhadora, predominantemente jovem, que ascendeu via ensino superior privado, que consome mais, tem maiores expectativas, mas não enxerga perspectivas de futuro no mercado de trabalho. Por isso, vive sob tensão. E as ruas mostraram que essa tensão pode ser canalizada tanto pela esquerda como pela direita.

Por outro lado, há uma outra fração da classe trabalhadora, muito superior em tamanho, que ainda vive em condições de pobreza e miséria, e que constitui a principal base social e eleitoral do lulismo. Segundo André Singer, essa fração quer mudanças, mas possui um traço conservador: rejeita a radicalização política, pois associa o tumulto social ao desemprego e à carestia. Para mantê-los a seu lado e favorecê-los, a estratégia dos governos Lula e Dilma consiste em evitar a radicalização. De fato, este setor tem sido beneficiado: a pobreza e a desigualdade estão caindo – o traço conservador está na lentidão do processo.

Mas há aqui um paradoxo. O governo tem razões para evitar a radicalização política: a radicalização suscitaria crises, instabilidade, fuga de capitais etc., o que tenderia a elevar o nível de desemprego e a afetar diretamente o subproletariado. Nessa situação, além do risco de ver bloqueado o processo (lento) de redução da pobreza, essa fração de classe provavelmente enxergaria na direita uma alternativa política; some-se a isso o fato de que hoje a classe média tradicional é, dentre todas as classes, aquela que está se sentido mais prejudicada e tem maior força de ânimo para ir às ruas manifestar seu descontentamento com pitadas de protofascismo, como já ocorreu outrora na história do Brasil.

Porém, na medida em que viabiliza a ascensão social dos de baixo, a estratégia precisa viabilizar a organização e a mobilização da nova classe trabalhadora, caso contrário essa fração de classe poderá optar por alternativas conservadoras – e a explosão que houve agora o comprova. Se a nova classe trabalhadora pender para a direita, não se trata de perder apenas o governo nas urnas. É o processo em curso de combate à pobreza e à desigualdade que será bloqueado.

Dito isso, o impasse da estratégia do lulismo pode ser colocado nestes termos: de um lado, é necessário evitar a radicalização, pois sua base social rejeita a radicalização; de outro, é necessário preparar-se para a radicalização, pois, na medida em que essa base social ascende, a radicalização torna-se inevitável. Mas como preparar-se para a radicalização, senão através da organização, mobilização e luta? A estratégia do lulismo só poderá viabilizar-se se tiver força para superar-se, ultrapassar o paradoxo inscrito nela mesma.

A radicalização ensaiada em 2005 não teve eco nas ruas, só nas redes virtuais. Hoje, tem apoio de massas e aprovação de uma parte imensa dos expectadores. A presidenta Dilma Roussef parece ter feito dois movimentos ousados. O primeiro é legitimar nas manifestações os interlocutores de esquerda: o MPL, o qual de fato já foi ultrapassado pelas ruas, e o MTST. O segundo movimento da presidenta foi jogar as manifestações contra o Congresso e este já acusou o golpe e chamou a proposta de Constituinte exclusiva de autoritária.

Mais do que bom ou ruim, estamos diante de uma janela histórica. Cabe a esquerda aproveitá-la. Sobretudo ao PT. O problema é que há muito tempo não faz parte da sua estratégia mobilizar a sociedade, pois o lulismo se baseia na acomodação e não no conflito. Voltamos, assim, ao paradoxo. Saberá o PT identificar e assumir a inevitável necessidade de radicalização inscrita em sua própria estratégia de não radicalização?"

Lincoln Secco é Professor de História Contemporânea na USP; Antonio David é Pós Graduando em Filosofia na USP

Uso do Porto do Forno pela Triunfo Logística

O informativo PetroNotícias ouviu o diretor comercial da Triunfo, Alexandre Lima que informou expansão das atividades no Porto do Rio, a consolidação do Porto do Forno, em Arraial do Cabo.

O blog selecionou a parte que fala do Porto do Forno na região dos Lagos (Baixadas Litorâneas). A entrevista reforça o que este blog tem falado sobre a ampliação do uso do litoral fluminense e da intensificação da presença da cadeia produtiva do petróleo em toda a economia fluminense, para o bem (novas dinâmicas econômicas) e para o mal (impactos socioambientais).

Veja pelas informações como em pouco tempo do arrendamento do Porto do Forno pela Triunfo que
também opera o Porto do Rio, a movimentação no porto de Arraial do cabo aumentou exponencialmente:

Quais são os planos para este ano?
Este ano estamos focando na expansão portuária. Arrendamos o Porto de Arraial do Cabo – Porto do Forno –, no início do ano, em janeiro, e estamos estruturando o terminal para atender os operadores. Já temos inclusive uma área em obra para atender à Petrobrás.

Quais vão ser os serviços oferecidos?
Temos de tudo ali. Desde base de apoio, de atendimento, de recebimento de peças, apoio às plataformas, até fornecimento de facilidades para pequenas obras, como construção de flare, manifolds, módulos e etc. Só não estamos ainda parando com plataforma para reparo e manutenção, porque isso é direcionado para o Porto do Rio.

Já tem contrato assinado para lá?
Já. Estamos operando um contrato da Petrobrás, pequeno, de R$ 5 milhões, para a construção de um flare. É um contrato de cinco meses. Nós entramos com o fornecimento das facilidades. Damos o cais, o berço, o guindaste, os escritórios, a área, as empilhadeiras e a empreiteira monta.

Qual a estrutura do Porto do Forno atualmente?
Ele tem cerca de 12 mil m² de área e 220 m de cais, com um calado de 9 metros de profundidade. Estamos equipando o porto com guindastes e etc. Descemos com dois guindastes de cais de 70 toneladas lá e agora estou com mais um guindaste de 150 toneladas posicionado, além de três empilhadeiras.

Além da Petrobrás, vocês estão conversando com outras empresas?
Estamos. Principalmente na área de subsea. Eles estão precisando muito de uma base de apoio. Empresas como Subsea 7, Technip, entre outras.

Houve alguma restrição ambiental?
Ali é um local visado ambientalmente. Não podemos fazer nenhum tipo de atividade que seja agressiva ao meio ambiente. Mas todas as atividades que estamos querendo fazer são comuns de base de apoio, como carregamento de risers, tubos, contêineres, etc.

O que mais está previsto no planejamento da Triunfo para os próximos anos?
Queremos dar mais opções aos nossos clientes. Mais infraestrutura. No Rio de Janeiro, hoje, temos 700 metros de cais e 40 mil m² de área alfandegada, mais 50 mil m² não alfandegada. Até 2017, queremos duplicar essa quantidade de área, passando a 1.400 metros de cais, 80 mil m² de área alfandegada e o dobro de retroárea. Estamos estudando no mercado uma condição especial de poder realfandegar áreas externas.

O que isso deve representar em termos de atividade?
Não tenho isso estimado ainda. O objetivo principal para esse ano e ano que vem é o aumento da infraestrutura. Só pelo contrato novo que fechamos, com a unidade subsea da Petrobrás, vamos ter que aumentar em cerca de 20% a nossa área.

O que diz o contrato?
Ganhamos uma concorrência no ano passado para poder atender como base de apoio da unidade de serviços submarinos da Petrobrás no Rio de Janeiro, mas foi postergado e só assinamos no início deste mês. Ele engloba toda a atividade de base de apoio, a movimentação de amarras, de âncoras, de torpedos. Todas as peças de grande volume. É um contrato de cinco anos, prorrogável por mais cinco.
Qual o valor?

É um valor bem significativo, mas prefiro não falar em números. Só nesse contrato vamos ter que ampliar a nossa retroárea em 20 mil m², além de comprar mais equipamentos.

Quanto a área de óleo e gás representa hoje para a Triunfo?
Em 2012, faturamos R$ 120 milhões. Cerca de 50% representou a área de óleo e gás e a outra metade ficou com a parte de movimentação de cargas especiais.Descrição: http://feeds.feedburner.com/~r/Petronotcias/~4/f9AwFzQhPbU?utm_source=feedburner&utm_medium=email

TRE-RJ multa Garotinho e suspende por propaganda indevida

A informação sobre a decisão do TRE-RJ foi feita pelo MPF e divulgada pelo Valor Online:


Debate amanhã na Uenf: "Sociedade e Política nas Ruas"

Os debates e avaliações reunindo professores e pesquisadores em ciências sociais na universidade, a juventude que deseja mudanças e organizou o movimento das ruas e um blogueiro que debate nas redes o quadro para além da academia, parece um formato interessante que merece participação, que é aberta à toda a comunidade:



Plebiscito segue como forma escuta da população sobre mudanças na necessária reforma política

Ganhou corpo a ideia, mesmo que abandonada, da outra de uma Constituinte exclusiva. A intenção é que o resultado do plebiscito popular, seja transformado numa PEC (Projeto de Emenda Constitucional) a ser votada pelo Congresso. Resta saber o que aconteceria se o Congresso Nacional não aprovasse.

Agora, os itens que serão colocados na consulta estão surgindo. O presidente do STF, parece não ter perdido a chance de propor medida, já adotada em diversos países, mas, que aqui, evidentemente, pode ser entendida, quase como pleito pessoal: candidatura avulsa, sem necessidade de filiação partidária.

Outros itens seriam financiamento de campanha, "recall" - medida que permitiria o mandato de um político ser retirado pelos eleitores entre outros. Evidentemente estes e outros itens carecem de debates e aprofundamentos, sobre como seriam implantados e como poderiam funcionar em nossa sociedade.

O debate já começou, assim como, a movimentação das partes interessadas, que estão, ao contrário do que se alardeia, muito para além dos atuais ocupantes do parlamento brasileiro.

De qualquer forma, bom que a pressão popular e o "insight" da presidenta tenham contribuído para o país seguir adiante.
PS.: Atualizado às 12:42.

LLX também será avaliada para negociação

Praticamente, a última empresa do grupo EBX que ainda restava sem possibilidade de negociação, agora também entrou na roda-viva para ser negociada no todo ou em parte. Hoje, a LLX, tem como principal "ativo" o Porto do Açu com os seus dois terminais aina em construção. O TX-1 e o TX-2.

Os terminais do Porto do Açu já sofreram quatro adiamentos para entrar em operação. O TX-1 teve o seu projeto de quebra-mar e pieres alterado e para isto foi contratada a empresa espanhola FCC que está se instalando no Açu e prevê conclusão dos píeres em 2014 e 2015.

Este blog já publicou aqui um vídeo dos serviços que a FCC irá realizar no Açu, mas, irá fazê-lo novamente,  numa versão mais reduzida, sem o institucional, atendendo a solicitações e também, em função da notícia divulgada pela Reuters na noite desta terça (25/06).

Resta saber se a empresa espanhola FCC manterá a realização destes serviços, depois que outra empresa espanhola de construção de infraestrutura, a Acciona, está sem receber R$ 500 milhões da empresa OSX, também do grupo EBX. Há quem garanta que as duas empresas espanholas podem se juntar, para participar acionariamente do porto do Açu (LLX), recebendo as ações em troca dos serviços.

Veja abaixo a informação de que a LLX anunciou a contratação de consultoria financeira para avaliação dos ativos da empresa:

"LLX contrata assessores financeiros para avaliar negócios com seus ativos"
terça-feira, 25 de junho de 2013 20:59 BRT
"RIO DE JANEIRO, 25 Jun (Reuters) - A LLX, empresa de logística do grupo EBX, do empresário Eike Batista, informou nesta terça-feira em fato relevante que contratou assessores financeiros para avaliar oportunidades de negócios e operações societárias envolvendo seus ativos.

O empresário Eike Batista também tenta vender ativos de carvão da CCX e de ouro da AUX, além de participação na produtora de minério de ferro MMX, em meio à limitação de caixa para executar projetos que requerem grandes cifras. (Por Juliana Schincariol)"

Abaixo o vídeo da FCC sobre os serviços no Porto do Açu:

Análise sobre o grupo EBX feita pela Reuters e publicada pelo New YorK Times

Nesta terça-feira, o site da Agência de Notícias Reuters publicou a extensa matéria que foi citada no blog do professor Marcos Pedlowski. A mesma matéria foi publicada aqui no site do jornal americano New York Times (NYT). A publicação segue uma outra publicada aqui, no dia 23 de junho, também pelo NYT.

O site da Reuters no Brasil traduziu a matéria desta terça (25-06) que publicamos abaixo:

"Como as dívidas levaram Eike Batista à beira do precipício"
terça-feira, 25 de junho de 2013 20:29 BRT -
Por Jeb Blount

SÃO JOÃO DA BARRA, 25 Jun (Reuters) - À medida que o império industrial de Eike Batista desmorona, sua situação cada vez mais se parece com a construção do Porto de Açu, um dos empreendimentos mais visíveis do empresário e que se assemelha a um monte de areia no meio de um pântano.

Para construir o terminal, estaleiro e parque industrial de petróleo e minério de ferro de 2 bilhões de dólares, localizado a 300 km do Rio de Janeiro, o maior navio de dragagem do mundo atravessou a praia e escavou 13 quilômetros de docas entre dunas e restinga. E para manter os usuários do porto secos, a areia está sendo usada em aterros de até cinco metros acima das planícies inundadas do entorno.

O complexo, uma vez e meia do tamanho de Manhattan, tem um outro cais, de 3 km, que pode receber meia dúzia dos maiores petroleiros e cargueiros do mundo ao mesmo tempo.

No entanto, apesar de todo esse trabalho e de um país desesperado por portos e outras infraestruturas pesadas, os investidores consideram quase sem valor as três empresas do grupo EBX com participações em Açu.

Todas as seis empresas do grupo EBX, com exceção de uma, perderam mais de 90 por cento de seu valor desde que atingiram suas máximas, e as ações da OGX Petróleo e Gás, principal empresa do grupo, estão sendo negociadas a níveis que sugerem que um calote é iminente.

Eike, que foi o mais bem sucedido empresário do Brasil durante a década do boom das commodities, tem sido obrigado a ver uma das maiores fortunas do mundo desaparecer. No ano passado, quando a revista Forbes classificou sua fortuna como a sétima maior do mundo, Eike se vangloriou e disse que se tornaria o homem mais rico do mundo.

O Brasil, que durante o boom cresceu em seu ritmo mais rápido em três décadas, estagnou. Conversas sobre um "milagre brasileiro" foram substituídas por protestos contra a corrupção. A fortuna pessoal de Eike encolheu em mais de 20 bilhões de dólares e isso lhe custou o título de homem mais rico do Brasil.

"A situação de Eike é incrível, no sentido verdadeiro da palavra", disse Chris Kettenmann, analista de petróleo e gás da Prime Executions, uma corretora de ações de Nova York. "É espetacular ver o quanto de valor foi corroído."

Os empreendimentos da EBX em petróleo, construção naval, energia e transporte podem sobreviver em uma versão reduzida. Eike, porém, provavelmente não será o controlador, sendo obrigado a vender sua parte para pagar dívida.

Batista tenta vender ativos de sua companhia de carvão, a CCX, de ouro, a AUX, além de participação na produtora de minério de ferro MMX, disse à Reuters nesta terça-feira uma fonte ligada ao Grupo EBX, em meio à limitação de caixa para executar projetos que requerem grandes cifras.

A EBX recusou pedidos para entrevistar Eike e outros executivos do grupo.


SINERGIAS SE TORNAM PASSIVOS
No ano passado, a "sinergia" e as ligações financeiras entre as empresas do grupo EBX, que ajudaram Eike a vender cerca de 7 bilhões de dólares em ações para investidores minoritários desde 2006, tornaram-se passivos.

Em junho de 2012, a petrolífera OGX revelou que a produção de seu primeiro campo foi menor do que esperado, aumentando as preocupações de que o estaleiro da OSX Brasil SA receberia menos pedidos da OGX, seu principal cliente.

Como a OSX é âncora de Açu, detido pela LLX Logistica SA, do grupo EBX, as ações da LLX também caíram.

E os dominós continuam caindo, graças em parte aos níveis elevados do endividamento das empresas do grupo EBX, e à falta de transparência nos negócios com a holding pessoal de Batista, a Centennial Investments.

Ao mesmo tempo que Eike propôs comprar mais ações da OGX e da OSX para acalmar os investidores minoritários, ele também trouxe ajudas externas.

Em março de 2012, Batista vendeu 5,63 por cento da Centennial à Mubadala Development Corp , um fundo soberano de Abu Dhabi, por 2 bilhões de dólares.

O que Eike não disse que na época foi que ele concordou em se desfazer de uma participação indeterminada da EBX em favor da Mubadala, caso o investimento na Centennial não proporcionasse um retorno anual de 5 por cento, de acordo com uma reportagem da Bloomberg News de dezembro.

Desde então, aumentaram as especulações de que Eike está lutando para cumprir os termos de Mubadala, bem como os de seus próprios banqueiros.

A Centennial também vendeu 0,8 por cento de participações para a General Electric em maio de 2012. A Mubadala detém uma participação de GE.

DÚVIDAS SOBRE AS DÍVIDAS
Diante de tal dúvida, nem mesmo a injeção de mais de 1 bilhão de dólares em capital de resgate da petrolífera malaia Petronas em maio, e em março da alemã E.ON, além do apoio do banco de investimentos BTG Pactual SA, do bilionário André Esteves, conseguiram deter a queda da EBX.

A dívida de Eike, ou "alavancagem", é alta, disse Frank Holmes, executivo-chefe da US Global Investors de San Antonio, Texas, que conhece Eike desde o final da década de 1980.

No final de março, a dívida de longo prazo das empresas OGX, MPX, OSX e LLX, que detém Açu, estavam em mais do triplo dos níveis médios de endividamento de empresas similares, e representavam de um terço a um quinto do capital total de cada empresa. Tais níveis implicam grande risco.

Sem fluxo de caixa positivo ou lucro, pagar a dívida exige que as empresas do grupo EBX gastem um dinheiro que seria melhor utilizado para concluir projetos e aumentar receita.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo da Marinha Mercante do Brasil emprestaram ou ofereceram empréstimos à EBX. Eles podem intervir para proteger seu investimento, mas o fluxo de caixa prometido para o pagamento de dívidas está sendo atrasado pela burocracia brasileira e as próprias falhas de gestão de Eike.

"O cara alavancou tudo, e os banqueiros como todas as outras pessoas acreditaram na visão dele. É fácil fazer isso", disse Holmes.

Agora aqueles crentes já não têm tanta certeza.

Desde março, os títulos com vencimento em 2018 e 2022 têm constantemente se desvalorizado. Começando em 5 de junho, eles caíram para menos de um terço de seu valor nominal, nível que sinaliza um aumento das chances de default.

Em maio, Eike vendeu 70,5 milhões de ações na OGX por 57 milhões de dólares, cortando sua participação na petrolífera para 59 por cento ante 61 por cento anteriormente, vendendo por menos de um terço do que ele havia prometido pagar pelas novas ações.

Esta promessa, conhecida como uma opção de venda, requer que Eike compre até 1 bilhão de dólares em ações da OGX a 6,30 reais por ação até 30 de abril de 2014, caso o conselho OGX acredite que seja necessário.
Gráfico do colapso de cinco das empresas do grupo EBX entre 2009 e 2013 - O pico da valorização foi em 2011


MEMBROS DO CONSELHO SE DEMITEM
A Fitch Rating Service quase que imediatamente rebaixou a dívida da OGX para "CCC", o que significa que há alto risco de default. A venda de ações abaixo do valor que ele prometeu comprar elevou especulações de que Eike não tem dinheiro o suficiente honrar sua promessa.

"Os rebaixamentos de rating refletem uma maior incerteza sobre a disposição e a capacidade do acionista controlador da OGX, Eike Batista, de honrar a opção de venda da empresa de 1 bilhão de dólares", escreveu a Fitch.

Uma semana após o rebaixamento, três membros do conselho da OGX, que decidiriam se a OSX precisa do dinheiro da opção de venda de Eike, demitiram-se. O trio figura entre os mais respeitados líderes políticos, financeiros e jurídicos do Brasil. Pedro Malan é um ex-ministro da Fazenda, Rodolfo Tourinho já foi ministro de Minas e Energia, e Ellen Gracie é ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.

VISÃO SEM EXECUÇÃO
Holmes acredita que o problema de Eike é principalmente de administração. Há uma década, erros semelhantes forçaram Eike a vender a TVX Gold para a Kinross Gold Corp após projetos de ouro empolgantes na Rússia e na Grécia acabarem sendo levados a um tribunal.

"Eu realmente respeito Eike como um empreendedor visionário, um pioneiro. Ele não é uma fraude, ele não é um mentiroso", disse Holmes. "Onde há problemas é na execução."

Holmes, que nunca comprou ações do Grupo EBX pois as considerava muito caras, disse que os preços já caíram tanto, que talvez seja hora de observá-las novamente.

De volta a Açu, os problemas de Eike continuam. A OSX, empresa de construção naval, pode não ter conseguido realizar o pagamento de 500 milhões de reais à espanhola Acciona, empreiteira no local, informou o jornal Folha de S.Paulo. A OGX negou a matéria na segunda-feira.

"Eu não sei o que vai acontecer com Eike", disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Julio Bueno, cujo governo tem ajudado Eike a desapropriar terras para o porto, em uma entrevista.

"Nós precisamos do porto e outros investidores querem construir portos nas proximidades. O porto ainda será construído? Sim. É uma boa ideia? Sim. Será Eike seu controlador? Isso eu não posso dizer."