quarta-feira, abril 26, 2017

Petrobras ainda desponta em reservas de petróleo, mesmo com a inversão de fases do ciclo petro-econômico e redução de investimentos

Sob quase todos os ângulos que se observa, a situação da Petrobras entre as petroleiras é confortável e de destaque. Evidente que sobre o montante das dívidas era um problema, mas normal, para quem descobriu tantas novos campos e reservas e precisava se cacifar para explorar.

A inversão de fase do ciclo petro-econômico com redução dos preços do barril que trocou a fase de expansão pelo colapso gerou uma extraordinária redução de investimentos no setor de petróleo em todo o mundo que teriam chegado a cerca de US$ 500 bilhões entre 2014 e 2016 (RAVAL, 2015)* se consideradas também as reduções de gastos (custos).

A contabilidade destes números sobre a redução dos investimentos no setor petróleo se alteram com o tempo, mas se situam sempre a um valor a partir de US$ 300 bilhões, conforme os critérios utilizados na apuração.

O fato gerou uma ampliação de endividamentos corporativos do setor em cerca de US$ 650 bilhões (SPINDLE, 2016)*, nos quais se insere, que como se se pode ver, é uma situação que não foi exclusiva da Petrobras, como quer fazer crer aqueles que decidiram entregar os ativos da estatal a preço vil.

Ainda há que se explicar a diferença entre o que se chama de recursos petrolíferos - que hoje estão estimados no mundo na casa dos 1,3 bilhão de barris (segundo a consultoria Bain & Company) - e o volume de reservas de petróleo. Entre uma e outra é que entram os investimentos que podem transformar os recursos petrolíferos naquilo que é considerado como reservas de petróleo.

Ainda sobre estas há critérios diferentes para considerar o que é reserva provada. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tem um critério e outras agências mundiais possuem os seus, como é o caso da SPE (Society of Petroleum Engineers) e a SEC (Securities and Exchange Comission). Os critérios da SPE se aproximam dos utilizados pela ANP e por isso são mais usados no Brasil.

O Brasil por esta contabilidade tem a 15ª maior reserva do mundo com cerca de 13 bilhões de barris, sendo 12,5 bilhões da Petrobras. Potencialmente, também se contabiliza o que a consultoria norueguesa Rysatd Energy que chamou de "reservas estimadas" para os quais se atribuiu ao Brasil, a 6ª maior reserva do mundo com 120 bilhões de barris.

Enfim, voltando ao foco da comparação entre algumas das principais petroleiras do mundo, entre estatais e privadas, só a Shell possuiria pelos critérios da SPE, mais reservas do que a Petrobras atualmente, segundo levantamento publicado pelo Valor em 8 abr. 2017 (P. B4) em quadro reelaborado pelo blog.


Pelo quadro acima é possível ver que a Shell lidera e foi a única desta seis grandes petroleiras a aumentar suas reservas nos dois últimos anos. Isto só aconteceu porque a Shell comprou a petroleira britânica BG - por cerca de US$ 60 bilhões - que possuía entre seus principais ativos, as reservas no litoral brasileiro, incluindo no pré-sal.

O quadro mostra ainda que a americana Esso que possuía em 2015 o maior volume de reservas, foi a que mais perdeu, ficando em 2016 com cerca de 5 bilhões de boe a menos. Ou seja uma Statoil a menos de reservas de petróleo. As três demais tiveram suas reservas provadas mantidas, mesmo com a redução de investimentos para perfuração.

A redução de reservas tem uma certa inércia e tende ser maior nos dois próximos anos. Neste período de transição de fases e ciclos petro-econômicos as petroleiras já começam a pensar no próximo ciclo e assim, saem a comprar estas reservas pelo mundo, de olho nas pechinchas, como as ofertadas pela Petrobras no mercado das petroleiras.

Assim, foi o caso da Statoil, Total e certamente estará vindo a Esso e Chevron. Elas já estão de olho em nova fase de expansão (boom) do ciclo petro-econômico quando os preços do barril terão subido e os recursos para investimentos, hoje escassos chegarão.

Não é por outro motivo que cerca de 90% das reservas de petróleo do mundo são das petroleiras estatais. As petroleiras privadas preferem atuar nos bastidores da geopolítica - mexendo nos ciclos do petróleo - comprando os campos e áreas já exploradas, descobertas e que só necessitam ser preparadas para produzir quando o preço interessar.

É assim que funciona aquilo que passei a chamar da relação inter-capitalista lubrificada pelo petróleo. Todas as petroleiras se endividam para investir e produzir petróleo. Assim, eu tenho defendido que as fases do ciclo petro-econômico são manejadas pela articulação entre as grandes corporações e os estados-nacionais conforme os interesses geopolíticos. É neste compasso que as nações com grandes reservas viram alvo dos interesses do poder econômico e político articulado em torno das nações hegemônicas.

terça-feira, abril 25, 2017

Justiça atende desapropriados do Açu e não autoriza reintegração de posse à Codin e Prumo: " "A posse e também a propriedade que justificam a proteção possessória só podem ser aquelas que exercem a sua função social"

Abaixo a decisão na íntegra da qual destaco os pontos que demonstram que o juiz compreendeu bem a realidade que se passa naquela região e convocou uma audiência de conciliação para o dia 12/05/2017, às 14 horas.

Os agricultores seguem cada vez mais animados em retomarem definitivamente as suas áreas com a suspensão da validade do decreto estadual de desapropriação. É como dissemos aqui em nota no dia 20/04: "Decorridos oito anos desta edição, não há projetos de empreendimentos desenhados para o DISJB que justifiquem a demanda de tanta área (70 Km² ou 7.000 hectares) quase 20% de toda a área do município de São João da Barra". Abaixo os pontos destacados da decisão do juiz e em seguida a decisão na íntegra do processo nº 0000721-89.2017.8.19.0053:

"Menos de 10% da área efetivamente desapropriada se tornou produtiva com o Porto, que inicialmente teria uma dimensão muito maior do que a que se revela hoje."

"A posse e também a propriedade que justificam a proteção possessória só podem ser aquelas que exercem a sua função social."

"Desapropriar área rural, dela retirando seus legítimos possuidores que viviam de pequenas culturas e exploração de gado, geralmente em regime familiar e em muitos casos sem nada receber para simplesmente deixar a área parada aguardando valorização imobiliária configura ato ilícito".

"A simples instalação de cercas, sem nenhuma benfeitoria ou utilização do terreno não configuram posse a ser protegida."
























Abaixo a íntegra da decisão:

"COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; GSA - GRUSSAÍ SIDERÚRGICA DO AÇU Ltda. e PORTO DO AÇU OPERAÇÕES S.A. ajuizaram ação de reintegração de posse em face de ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS DE IMÓVEIS E MORADORES DO AÇÚ, CAMPO DA PRAIA, PIPEIRAS, BARCELOS E CAJUEIRO, INTEGRANTES DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA e TERCEIROS NÃO IDENTIFICADOS.

Como causa de pedir afirmaram que o Estado do Rio de Janeiro criou o Distrito Industrial de São João da Barra destinado a receber instalação de estabelecimentos industriais. Para implementação do distrito foram editados diversos decretos que declararam a utilidade pública da área, em favor da CODIN. Sustentou que o Juízo da 1ª Vara da Comarca de São João da Barra deferiu medida liminar de imissão provisória na posse em favor da CODIN, que celebrou termos de cessão de posse de imóvel em favor dos demais autores desde 27/07/2012. Narrou, por fim, que em 19.04.2017 os réus invadiram irregularmente os imóveis objeto da ação, se recusando a dali sair.

A Defensoria Pública ingressou no feito às fls. 447/452 pleiteando o indeferimento da liminar e a designação de audiência especial para solução amistosa do conflito.

O Ministério Público manifestou-se às fls. 498/500 pelo indeferimento da liminar e pela designação de audiência. É o relatório. Decido.

É fato público e notório que grande parte da área rural situada no distrito do Açú foi desapropriada pelo Estado do Rio de Janeiro para construção do Porto do Açú. Alguns proprietários aceitaram a desapropriação de forma amigável e foram indenizados. Outros proprietários não concordaram com o valor proposto e foram ajuizadas ações de desapropriação. Existe ainda, um terceiro grupo, mais vulnerável, que se trata daqueles ocupantes que não possuíam documentos de propriedade das terras, tratando-se, na verdade, de possuidores - muitas vezes não identificados - que foram desalijados de suas terras sem que tenham recebido qualquer indenização até a presente data.

Esse é o relato do quadro dramático que se instalou no Município, que só piora com a crise econômica instalada no País, na medida em que menos de 10% da área efetivamente desapropriada se tornou produtiva com o Porto, que inicialmente teria uma dimensão muito maior do que a que se revela hoje.

A título ilustrativo, só nesta 1ª Vara da Comarca de São João da Barra, tramitam, atualmente 223 processos de desapropriação movidos pela CODIN. Este acervo não considera as ações já julgadas e baixadas e tampouco o acervo da 2ª Vara desta Comarca. Também não considera as ações propostas por possuidores e proprietários em face dos autores. A posse e também a propriedade que justificam a proteção possessória só podem ser aquelas que exercem a sua função social.

É o que se extrai dos artigos 5º, XXIII, 170, III, da CRFB/88. Desapropriar área rural, dela retirando seus legítimos possuidores que viviam de pequenas culturas e exploração de gado, geralmente em regime familiar e em muitos casos sem nada receber para simplesmente deixar a área parada aguardando valorização imobiliária configura ato ilícito.

As fotografias de fls. 461/487 comprovam que na área não existe nada além de mato. Com razão o ilustre Promotor de Justiça, às fls. 499: ´ Isto porque o que foi ponderado pela Defensoria e que merece a devida consideração é que, após imitido na posse das terras do distrito do Açu, nem o Estado, nem os seus cessionários, efetivamente a ocuparam, nelas instalando algum equipamento ou demonstrando a imprescindibilidade das mesmas ante o atual redimensionamento do empreendimento, limitando-se a cercar a terra, o que, por si só, não parece evidência de posse efetiva.

´Ora, se devido à conjuntura econômica o projeto do distrito industrial reduziu de tamanho, é necessário redimensionar o projeto e readequá-lo às atuais necessidades. Como bem apontado pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público, os autores não demonstraram a efetiva posse sobre os imóveis. A simples instalação de cercas, sem nenhuma benfeitoria ou utilização do terreno não configuram posse a ser protegida. Ausente, portanto, o requisito previsto no art. 561, I, do CPC. Tal fato, por si só, já é suficiente para indeferir o pleito dos autores. No entanto, firme no propósito de obter a solução consensual do conflito, cotejando de um lado o direito dos autores à ocupação (desde que seja efetiva e justa) da área e, de outro lado, o direito dos possuidores desalijados da terra sem indenização de receberem o valor justo, designo audiência de conciliação para o dia 12/05/2017, às 14h.

Deverão os autores apresentarem, na Audiência, comprovação da realização de alguma benfeitoria nas terras em cuja posse pretendem a reintegração, assim como seu uso efetivo e potencial para o empreendimento efetivamente instalado.

Deverão também trazer croqui da área objeto desta lide e sua distância até o local onde instalado o porto do Açú. Além disso, deverão apresentar plano objetivo de exploração da área desapropriada. De igual forma, os representantes dos réus deverão trazer uma pauta objetiva para que seja alcançada a conciliação. Intimem-se."

São João da Barra, 25/04/2017.
Paulo Maurício Simão Filho -
Juiz Titular

PS.: Atualizado às 16:44: para ajustar e ampliar o texto.
PS.: Atualizado às 18:04: para acrescentar o nome do juiz autor da decisão na 1ª Vara de SJB.
PS.: Atualizado às 23:56: Para ajustar título.

segunda-feira, abril 24, 2017

Ministério Público Estadual se posiciona contra pedido de reintegração de área reoculada no Açu

O promotor  Marcelo Lessa do MPE-RJ defendeu ainda a realização de ampla audiência pública para debater a questão do direito dos agricultores que tiveram suas terras desapropriados no Açu.

Em instantes mais informações sobre a decisão.

Atualizado às 13:10 e 16:40:
Abaixo a imagem da parte final e principal do posicionamento do MPE-RJ, promotor Marcelo Lessa, opinando por negar a cautelar e a liminar de reintegração das áreas do Açu que foram requeridas pela Codin e Prumo contra os agricultores desapropriados que a reocuparam na semana passada suas áreas. O MPE requereu ainda que os empreendedores provem a necessidade e a finalidade essencial destas áreas.


Atualizado às 17:12:
Abaixo as duas primeiras páginas que completam o documento da posição do MPE-RJ contra a concessão da cautelar e da liminar ao pedido de reintegração da Codin e a Prumo. A parte final da posição do promotor Marcelo Lessa já está publicada acima:


PS.: Atualizado às 19:26:
Diversas entidades lançaram esta tarde uma nota de apoio ao movimento de reocupação das terras pelos desapropriados do Açu:

NOTA PÚBLICA SOBRE A RETOMADA DE TERRAS NO 5° DISTRITO DE SÃO JOÃO DA BARRA, RIO DE JANEIRO 

Desde a manhã do dia 19 de abril de 2017, cerca de 100 agricultores e agricultoras da região do Açu, município de São João da Barra-RJ seguem com a luta pela retomada de suas terras, expropriadas pelo governo Sergio Cabral e pelo Grupo EBX, de Eike Batista. Sob a responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), as terras foram tomadas dos/as agricultores/as por ato desapropriatório e entregues a empresa LLX, que tinha por interesse a implantação de um distrito industrial na área do entorno do Porto do Açu. Através de um termo precário e de pagamentos irrisórios, a CODIN autorizou a empresa de Eike a entrar e tomar a posse destas terras.

A ASPRIM (Associação dos Proprietários Rurais e Imóveis de São João da Barra), com o apoio do MST, exige a devolução e retomada imediata da posse das terras, principalmente pela perda de finalidade do objeto que motivou o decreto desapropriatório, com o não uso de grande parte desta área pelo empreendimento portuário. Hoje, após quase 9 anos de publicação do decreto, mais de 85% das terras desapropriadas não foram usadas e não cumprem sua função social, nem mesmo as finalidade atribuídas ao decreto. Além disso, as recentes prisões de Eike e Cabral revelaram a forma fraudulenta e criminosa das negociações e das tratativas envolvendo a desapropriação, feita a base da compra de decisões e corrupção, o que reforça a caráter ilegal do decreto. No fundo, trata-se de uma quadrilha criminosa que expropriou a vida, o trabalho e a dignidade das famílias agricultoras do Açu.

Portanto, o movimento de retomada das terras é um ato de justiça e deve ser aclamado e não pode recuar. Conclamamos toda a sociedade, sindicatos de trabalhadores, grupos de pesquisa, coletivos organizados, movimentos sociais, mídias independentes a manifestar apoio e solidariedade à ocupação (retomada) de terras no 5º distrito de São João da Barra pelos agricultores e agricultoras. É hora de unir forças, multiplicar a luta e manifestar todo apoio e solidariedade. Nossa luta é por justiça!

Nenhum direito a menos!
Pela devolução imediata das terras do Açu aos agricultores e agricultoras!
Pela anulação do decreto desapropriatório!
Pela vida, pelos alimentos e pela restinga!

São João da Barra, 23 de abril de 2017.

Assinam esta nota:
Associação de Proprietários Rurais e Imóveis de São João da Barra -ASPRIM
Carlos Walter Porto Gonçalves – Geógrafo e Professor do Departamento de Geografia da UFF Comissão Pastoral da Terra – Rio de Janeiro (CPT-RJ)
Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Geografia Agrária – GEOAgrária/UERJ/FFP
Grupo de Trabalho em Assuntos Agrários da AGB (Associações dos Geógrafos Brasileiros), seções Rio de Janeiro-Niterói
Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades – LEMTO/UFF
Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente a Mineração – MAM
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos sobre Território, Ações Coletivas e Justiça – NETAJ/UFF
Rede de Articulação e Justiça dos Atingidos do Projeto Minas Rio – REAJA

domingo, abril 23, 2017

"A nenhuma Grande Potência interessa o surgimento de uma nova potência como o Brasil", Por Samuel Pinheiro Guimarães

Eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em setembro do ano passado em São Paulo, ao participarmos juntos de uma sessão de debates “Desmonte da Petrobras e desenvolvimento nacional”.

Como chanceler nos quadros do Itamaraty, Pinheiro Guimarães ocupou várias funções entre elas, o de secretário-geral das Relações Exteriores no mandado do Celso Amorim, representante-geral do Mercosul e ainda ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos no segundo mandato do governo Lula.

Há cerca de um mês, Samuel Guimarães concedeu uma entrevista ao jornalista Sérgio Lirio, da revista Carta Capital que saiu aqui publicada. Nesta última semana, por email, ele me enviou a íntegra da entrevista que, por problemas de espaço, não saiu publicada e me solicitou comentários sobre sua síntese.

Assim, eu julguei interessante republicar neste espaço a íntegra de sua entrevista, pro compreender que os temas continuam na ordem do dia, assim como a íntegra de seu conteúdo permite um maior aprofundamento das questões que ela sugere.

Antes da publicação de sua íntegra, eu destaquei três pontos que segue abaixo seguida da íntegra da entrevista que possui no total nove perguntas:

"A localização geográfica do Brasil, suas fronteiras e número de vizinhos, a dimensão do território e de sua população, a riqueza de recursos naturais, o elevado grau de urbanização e de industrialização impõem uma estratégia de política externa de afirmação nacional"...

"A onda reacionária começa em 1979 com a ascensão de Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Helmut Kohl que promoveram, de um lado, o combate às políticas e aos programas keynesianos e a desregulamentação do setor financeiro e das megaempresas (fim das leis anti-trust) e adotaram políticas neoliberais e que, de outro lado, enfrentaram agressivamente o que Reagan chamou de Império do Mal e todos os regimes de economia mista e de políticas externas menos submissas.

A nenhuma Grande Potência, isto é aos membros permanentes do CSNU, às potências nucleares e missilísticas e às grandes potências econômicas como o Japão e a Alemanha, interessa o surgimento de uma nova potência, isto é de um Estado de fato autônomo e soberano pois isto prejudica seus interesses de obter acesso a todos os mercados produtivos e financeiros e às vias de acesso a mercados na disputa permanente por uma parcela maior da riqueza e do poder político e militar mundial."...


"A tentativa de construção de uma economia moderna industrial e capitalista no Brasil enfrentou forte oposição das classes hegemônicas tradicionais situadas no setor agropecuário, defensoras do neoliberalismo e da tradicional divisão internacional do trabalho que reserva ao Brasil o papel de produtor e exportador de produtos primários, e mais recentemente de território para a exploração das megaempresas multinacionais, sem capacidade de desenvolvimento tecnológico, importador de produtos industriais sofisticados e de capitais predadores e especulativos."...

1.  Como o Senhor definiria a passagem de José Serra pelo Itamaraty e avaliaria seu pedido de demissão?
SPG: A passagem de José Serra poderia ser definida como desastrosa.
Revelou um notável despreparo para o exercício da missão de Chanceler. Seus pronunciamentos, seu desconhecimento de temas triviais, suas tentativas de rever princípios da política externa, tais como a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, em especial na América do Sul; a prioridade da política brasileira para América do Sul e a necessidade de diversificar as relações do Brasil com todos os Estados; a necessidade de articular a ação brasileira com a de países de circunstâncias semelhantes, demonstraram seu despreparo.
Finalmente, a tentativa de alinhar o Brasil com a política externa americana em todos os temas, sem colocar acima de tudo os interesses brasileiros, aliás de acordo com a política geral praticada pelo Governo Temer, revelou seu descompasso com o Brasil.
Pelo seu comportamento, revelou desprezo pelos quadros do Itamaraty e pela sua experiência, isolando-se, quando em Brasília, em seu Gabinete, dedicando especial atenção às questões de imprensa, e passando grande parte de seu tempo em São Paulo.
Seu pedido de demissão pode estar ligado a quatro fatores: a decepção com sua pequena influência no Governo, em especial nas questões econômicas; sua relativa incompatibilização com os Estados Unidos, apesar de suas posições tradicionais de grande proximidade com esse país, devido a sua inoportuna e depreciativa declaração sobre Donald Trump durante a campanha eleitoral americana; a necessidade de organizar sua candidatura a presidente ou mesmo a Governador nas eleições de 2018; a precariedade de sua saúde, inclusive física.

2.  De que forma o Brasil conseguirá recuperar o protagonismo internacional perdido recentemente?
SPG: Em primeiro lugar, pela execução de uma política externa que se fundamente no respeito aos princípios que garantem a ordem internacional, que protegem os Estados mais fracos e que estão consagrados na Constituição Federal e na Carta das Nações Unidas, quais sejam os princípios da não intervenção; da autodeterminação; da igualdade soberana e da reciprocidade.
Em segundo lugar, por uma política externa que priorize o desenvolvimento do Brasil, em todas as suas dimensões, e a ampliação da participação do Brasil nos organismos internacionais, inclusive no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em terceiro lugar, pela denúncia firme e serena de toda e qualquer ação arbitrária e violenta, em especial de Grandes Potências, contra os Estados periféricos e frágeis.
Em quarto lugar, pelo reconhecimento de que a realidade da localização geográfica do Brasil, suas fronteiras e número de vizinhos, a dimensão do território e de sua população, a riqueza de recursos naturais, o elevado grau de urbanização e de industrialização impõem uma estratégia de política externa de afirmação nacional.
A ação serena e prudente dos executores da política externa, seu conhecimento dos temas e sua determinação na defesa dos interesses do Brasil diante de qualquer Estado são fatores indispensáveis para recuperar o respeito e o protagonismo internacional.
Só é respeitado quem se respeita e quem defende seus interesses. 

3.  O Senhor acredita que os EUA, na presidência de Donald Trump, irá formalmente apoiar a ideia de um Estado único Israel-Palestina como querem os israelenses?
SPG: Acredito que muitas das manifestações iniciais sobre política externa emitidas pelo Presidente Trump, tais como as que se referiam à OTAN, ao México, à Austrália, à Europa, à China, à Rússia e, inclusive, a Israel, virão a ser modificadas.
A questão de Israel é vital para os povos árabes e muçulmanos e os interesses americanos nestes países, em especial devido ao petróleo, são tão grandes e estratégicos que as pressões internas nos EUA serão muito intensas para que o Governo Trump volte à sua posição tradicional:
·      financiar Israel em montante superior a 3 bilhões de dólares por ano, o que sustenta a economia e o poder militar israelense;
·      apoiar militarmente e em atividades de inteligência o Governo de  Israel;
·      aceitar a expansão, desde que discreta, de assentamentos israelenses na Cisjordânia e condená-los retoricamente;
·      apoiar a solução de dois Estados;
·      apoiar a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a retirada israelense dos territórios ocupados em 1968 mas nada fazer, na prática, para implementá-la.

4.      Como explicar essa onda reacionária no planeta?
SPG: A onda reacionária começa em 1979 com a ascensão de Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Helmut Kohl que promoveram, de um lado, o combate às políticas e aos programas keynesianos e a desregulamentação do setor financeiro e das megaempresas (fim das leis anti-trust) e adotaram políticas neoliberais e que, de outro lado, enfrentaram agressivamente o que Reagan chamou de Império do Mal e todos os regimes de economia mista e de políticas externas menos submissas.
A desintegração da União Soviética em 1991, a gradual adesão, a partir de 1979, da China ao capitalismo e a esmagadora vitória americana na Guerra do Golfo permitiram ao primeiro Bush proclamar uma Nova Ordem Mundial, com a hegemonia americana, a única Grande Potência mundial, em um mundo unipolar.
A partir desta vitória do capitalismo neoliberal sobre o socialismo estatal, os governos da periferia e do centro aderiram ao capitalismo selvagem e às políticas neoliberais, sintetizadas no Consenso de Washington, com a redução dos direitos dos trabalhadores e dos direitos civis, estes em especial a partir de 2001 com a legislação americana e internacional de combate ao terrorismo, o novo inimigo, o aumento dos gastos militares e de restrição aos direitos civis.
A recessão, que se inicia em 2007, que se prolongou e se transformou em   estagnação, trouxe um novo elemento e impulso à onda reacionária, qual seja o colapso da economia globalizada, devido à falência do sistema financeiro, a necessidade de sua recuperação com enormes recursos do Estado, e a culpa jogada nos gastos sociais e, portanto, nos trabalhadores.
 As políticas recessivas, implementadas para recuperar a “confiança” dos investidores (isto é, do capital), que levaram ao desemprego e às reduções de salários, de direitos trabalhistas e previdenciários, estimularam a xenofobia e os movimentos de direita, enquanto as agressões militares a países como a Líbia e a Síria, onde já morreram mais de 400 mil pessoas, geraram as ondas de refugiados, deslocados e imigrantes, e as políticas anti-imigrantes nos países centrais.

5.      Por que tem sido tão fácil derrubar as políticas progressistas na América do Sul, principalmente na Argentina e no Brasil?
SPG: Há quatro fatores principais que levaram à possibilidade de derrubar as políticas progressistas a partir da derrubada dos Governos que as promoveram:
·      As operações de regime change, isto é, de golpe de Estado “suaves” desencadeadas pelos Estados Unidos após as vitórias democráticas de Chávez; Lula; Kirchner; Tabaré, Evo, Lugo e Correa, devido aos programas progressistas e de afirmação nacional que passaram a executar e que afetariam, em maior ou menor medida, os interesses políticos e econômicos americanos;
·      Em segundo lugar, a forte e articulada reação das classes hegemônicas, beneficiárias de séculos de mecanismos de concentração de riqueza, renda e poder, contra os programas progressistas, a favor dos trabalhadores e dos miseráveis, implementados por esses Governos, inclusive através da articulação sistemática e permanente da mídia e dos poderes Legislativo e Judiciário contra esses Governos;
·      Em terceiro lugar, a não mobilização, em maior ou menor escala, das massas beneficiárias daqueles programas pelos Governos progressistas em defesa de seus programas e de esclarecimento sobre os mecanismos de dominação das classes hegemônicas;
·      Em quarto lugar, no caso de alguns países, a incapacidade política e de visão estratégica dos Governantes.

6.    O senhor acredita que o processo de globalização está sob risco, por conta da ascensão do populismo de direita?
SPG: O processo de globalização, isto é, de criação de uma economia global, foi impulsionado pelas megaempresas multinacionais (e por seus Governos de origem) com o objetivo de eliminar os obstáculos à sua ação em todos os mercados em busca de maiores lucros, sob a orientação e a propaganda ideológica do neoliberalismo.
A globalização levou a uma maior concentração de riqueza e renda dentro dos países, desenvolvidos e subdesenvolvidos, e entre os países.     
O processo de globalização levou à crise financeira, econômica e social de 2007 e à consagração, ideológica inclusive, sob “o novo conceito” de cadeias globais de valor, da divisão internacional do trabalho entre, de um lado, as economias altamente desenvolvidas e tecnológicas e, de outro lado, as economias periféricas, produtoras e exportadoras de matérias primas e de manufaturados simples.
Este processo de globalização certamente não beneficiou o Brasil pois acentuou sua característica de economia primária-exportadora e concentrou a renda no campo e no setor financeiro.
O populismo de direita é uma consequência do processo de globalização inclusive na medida em que muitos partidos e Governos de esquerda aderiram às visões e às políticas neoliberais e permitiram que, em nome de uma pseudo-utopia capitalista globalizante, os trabalhadores de seus países ficassem desempregados e fossem vítimas de políticas sociais anti-trabalho.

7.    De qualquer forma, os grandes tratados internacionais devem passar por uma fase de congelamento, não?
SPG: Acredito que sim. O Relatório anual sobre política comercial enviado pelo Presidente Donald Trump ao Congresso americano indica esta orientação de política comercial de dar preferência a acordos bilaterais para reduzir seus déficits, ao unilateralismo, à ressurreição das práticas de retaliação previstas pela Seção 301 da Lei de Comércio americana contra politicas julgadas “injustas” e de desprezo pela Organização Mundial do Comércio-OMC e seu sistema de solução de controvérsias.
Diz o Relatório (e, portanto, o Presidente Trump):
“Desde que os Estados Unidos ganharam sua independência, tem sido um claro princípio de nosso país que os cidadãos americanos estão sujeitos apenas às leis e aos regulamentos feitos pelo Governo dos Estados Unidos --- não a decisões adotadas por Governos estrangeiros ou organizações internacionais”.
Para o Brasil, é sempre preferível o sistema multilateral de negociação e de solução de controvérsias da OMC, onde temos maior capacidade de articular, com outros países, a defesa de nossos interesses econômicos
Por outro lado, aqueles grandes acordos internacionais, que vinham sendo tão louvados pela imprensa e pela academia, de um lado não atenderiam aos nossos interesses e, de outro, nem deles poderíamos participar por não sermos, no caso do TransPacific Partnership-TPP, um país do Pacífico, e no caso do TransAtlantic Trade and Investment Partnership-TTIP, por não sermos um país europeu.
8.      O Senhor enxerga interesses geopolíticos por trás da Operação Lava Jato?
SPG: O fato de haver interesses geopolíticos atrás da Operação Lava-Jato é importante, porém mais relevante é procurar identificar as consequências geopolíticas para o Brasil e para seu projeto nacional.
O projeto nacional brasileiro tem as seguintes características:
§  Construir uma economia moderna industrial capitalista;
§  Construir um sistema de defesa, de natureza dissuasória, através do programa do submarino nuclear e da expansão da indústria aeronáutica e espacial;
§  Construir gradualmente, através da ação do Estado, um sistema econômico e social  menos desigual em termos regionais, de renda, de etnia, de gênero etc.;
§  Desenvolver uma política externa soberana com os seguintes instrumentos e objetivos:
·       articular um bloco político sul americano, a UNASUL;
·       articular um bloco latino-americano, a CELAC;
·       fortalecer um bloco regional na América meridional,  o Mercosul;
·      desenvolver relações políticas e econômicas com todos os países, sem prejulgar seus regimes políticos,  econômicos e sociais;
·      reformar os organismos internacionais, em especial o Conselho de Segurança da ONU e os organismos financeiros como o FMI,  para conquistar para o Brasil a possibilidade de maior participação e defesa de seus interesses;
·      articular alianças com os grandes Estados da periferia, como o IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).  
Estes objetivos confrontam profundamente os interesses dos Estados Unidos e das potências a eles aliadas, ou mesmo não aliadas como é o caso da China e da Rússia.
A nenhuma Grande Potência, isto é aos membros permanentes do CSNU, às potências nucleares e missilísticas e às grandes potências econômicas como o Japão e a Alemanha, interessa o surgimento de uma nova potência, isto é de um Estado de fato autônomo e soberano pois isto prejudica seus interesses de obter acesso a todos os mercados produtivos e financeiros e às vias de acesso a mercados na disputa permanente por uma parcela maior da riqueza e do poder político e militar mundial.
A ação geopolítica externa se desenvolveu da seguinte forma:
·       como se tornou público e reconhecido pelo Governo americano, a NSA (National Security Agency) há décadas monitora e grava todas as comunicações eletrônicas entre todas as pessoas no mundo, em especial as  lideranças, como foram monitorados e gravados os aparelhos celulares de Angela Merkel e Dilma Rousseff,  e as  principais autoridades de todos os Governos e tais informações podem ser repassadas a suas megaempresas e servem para sua política externa;
·      o Juiz Sergio Moro, como muitos dos procuradores da Operação Lava Jato, foi treinado em programas especiais, patrocinados pelo Governo americano, e mantem permanente contato com as autoridades americanas;
·      o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) é um poderoso instrumento contra as empresas estrangeiras que competem com as megaempresas americanas no mercado mundial, isto é no mercado de cada país;
·      o Governo americano, através do Departamento de Justiça e do FBI,  através de acordos, fornece informações à Polícia Federal e aos Procuradores do Ministério Público para auxiliar suas investigações.
Neste contexto, a Operação Lava Jato tem importantes consequências geopolíticas, e colabora para os objetivos das Grandes Potências, em especial dos Estados Unidos, pelas seguintes razões:
·      abala a autoestima da sociedade brasileira, convencida pela mídia  de sua corrupção intrínseca e excepcional;
·      contribui para afetar o prestígio político dos partidos de esquerda e progressistas em geral;  
·      afeta o prestígio e a capacidade de articulação do Brasil na América Latina e, em especial, na América do Sul; 
·      contribui para desarticular a aliança política entre os Estados da América do Sul (UNASUL) e da América Latina (CELAC);
·      corrói o prestigio político e econômico brasileiro na África ocidental;
·      corroi a posição do Brasil nos BRICS e nas Nações Unidas  
·      desarticula e destroça as grandes empresas brasileiras do setor de construção e de engenharia pesada que eram altamente competitivas;
·      abre o mercado brasileiro, onde deixa de haver concorrência de empresas locais, para as megaempresas internacionais de construção de grandes obras de infraestrutura, mercado que é  estimado em  mais de um trilhão de reais.
·      contribui para desacreditar o BNDES como agência de financiamento da política comercial brasileira;
·      ao desmoralizar o Estado, contribui para o projeto de redução ao mínimo do Estado brasileiro, principal instrumento capaz de vencer os desafios do desenvolvimento, da soberania e das desigualdades.

9.      Há alguma semelhança entre este momento histórico e os anos 30 do século passado?
SPG: A partir da Revolução de 30, se inicia no Brasil o projeto de construção de uma economia moderna capitalista industrial, de organização de seu mercado de trabalho, de consolidação da unidade nacional, de construção de um Estado capaz de enfrentar os desafios de construção da infraestrutura de energia e transportes e de financiamento de seu setor privado.
A tentativa de construção de uma economia moderna industrial e capitalista no Brasil enfrentou forte oposição das classes hegemônicas tradicionais situadas no setor agropecuário, defensoras do neoliberalismo e da tradicional divisão internacional do trabalho que reserva ao Brasil o papel de produtor e exportador de produtos primários, e mais recentemente de território para a exploração das megaempresas multinacionais, sem capacidade de desenvolvimento tecnológico, importador de produtos industriais sofisticados e de  capitais predadores e especulativos.
O contraste entre os anos 30 e o período que se inicia com Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso é que neste último as classes hegemônicas brasileiras, em aliança com as classes hegemônicas do Império norte-americano, retomaram seu projeto permanente de congelar o Brasil como produtor primário, sem indústria de capital nacional, com a redução do Estado ao mínimo, sem capacidade de regulamentar e empreender, com a redução dos direitos dos trabalhadores e do custo do trabalho.
Vivemos, no momento atual, a desconstrução do projeto que se inicia em 1930 de construção de uma economia moderna capitalista industrial, soberana, e menos desigual.
Procuram as classes hegemônicas tradicionais finalizar a tarefa que iniciaram em 1990, e que se interrompeu em 2003, com a vitória do Presidente Lula nas eleições.
Como declarou o principal ideólogo e líder das classes hegemônicas, Fernando Henrique Cardoso, em um momento revelador de rara sinceridade:
“Nosso objetivo é acabar com a Era Vargas!”
 e agora procuram consagrar na Constituição, através de uma maioria corrupta no Congresso,  e de uma circunstância fortuita, seus desígnios antinacionais, antissociais, anti-trabalhador, anti-povo e sua política de subserviência diante do mega-capital internacional das grandes corporações produtivas e, em especial, financeiras.
O povo brasileiro não permitirá que os objetivos das classes hegemônicas e de seus representantes políticos, cuja natureza e instrumentos são antidemocráticos, concentradores de renda e de riqueza, contrários ao capital e ao trabalho nacionais, se consolide.
 O povo vencerá as eleições presidenciais de 2018 e o processo de construção de uma sociedade desenvolvida, dinâmica, democrática, mais igual, mais justa e soberana, que se iniciou em 1930, será retomado.

sábado, abril 22, 2017

Agricultores do 5º Distrito e do MST completam o 4º dia de resistência pela retomada das terras na região do Açu

As agricultores do distrito do Açu no município de São João dá Barra com apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, continuam acampados em resistência em favor da retomada das terras desapropriadas em nome do Distrito Industrial de São João da Barra, junto ao projeto do Porto do Açu.

Hoje, no início da noite deste sábado, por volta das 18 horas, os acampados realizaram uma reunião (assembleia) que contou com grande número de pessoas e mostrou grande animação e enorme disposição de luta dos agricultores. (Foto ao lado)
 
Em nota divulgada pela direção do MST do Estado do Rio de Janeiro que dá apoio ao movimento da Asprim (Associação dos Proprietários Rurais e de Imóveis do Município de São João da Barra) eles informam que estão organizados em equipes e receberam forte apoio da comunidade local, movimentos sociais, entidades, pessoas da sociedade civil, sindicatos e universidades também do município de Campos dos Goytacazes.

Na nota os agricultores questionam e denunciam a promiscuidade da relação entre os contratos públicos e privados que se repetem nos megaempreendimentos espalhados pelo Brasil afora. 

Além disso, as famílias ocupantes reclamam vem sofrendo pressão e hostilidade pela empresa privada de segurança do porto "Sunset" e da PM que está submetida aos interesses do empreendimento privado. Veículos, motocicletas e qualquer infraestrutura estão sendo impedidos de entrar na área ocupada pelas famílias, numa tentativa de desgastar e inviabilizar a permanência das famílias.

As famílias seguem em resistência e na busca de apoios dá sociedade civil para continuar a luta pela retomada de suas áreas. Assim, estão fazendo a convocação geral para um ato público "Devolva as terras do Açu", planejado para ocorrer na próxima terça feira, dia 25. Para isto estão convidando representantes de diversas entidades, movimentos sociais, religiosos e toda as pessoas da comunidade regional e da sociedade civil que entendem e defendem a Justiça da devolução das terras aos agricultores do Açu.




























Fotos: Blog, MST, acampados e apoiadores.

sexta-feira, abril 21, 2017

Nove fora... ajuda aos grandes coletores de dados do “grande irmão”

Eu tenho visto com uma participação enorme e surpreendente para mim, a brincadeira, aparentemente inocente, da corrente que propõe que a pessoa conte na rede social (FB) 9 verdades e uma mentira sobre a sua vida para ser comentada pelos amigos.

Parece engraçado a catarse exposta para saber quem lhe conhece mais ou menos na rede.

Porém, também parece uma exposição para além daquela que todos que usamos as redes sociais e, em especial, o facebook. Ela oferece ao “grande irmão” - Dr. Google - e a todos os mecanismos dos grandes coletores de dados (big-data) para apurar ainda mais informações e dados sobre os seus gostos, segredos e história do que já faz acompanhando nossos movimentos nas redes sociais.

Todos já ouvimos falar como freneticamente tem se desenvolvido as programações dos grandes coletores e informação com os algoritmos sabendo cada vez mais sobre quase todos nós.

Assim, nesta linha, eu penso que a brincadeira pode apenas estar dando uma força maior para os algoritmos do “grande irmão”. Nada demais então.

Por outro lado, eu penso que então a brincadeira pode não ter surgido assim de forma tão ingênua. Porque, mais do que interpretações dos algoritmos são as próprias pessoas que listam e relatam o que para elas seria verdade ou mentira. Por isso, nove verdades e uma mentira?

Pensando sobre a maluquice desta realidade nada virtual contemporânea e da exposição que estamos expostos e nos expondo, sem freios ou limites, eu lembrei de uma entrevista que li há poucos dias, feita pela BBC, com Martin Hilbert, assessor de tecnologia da Biblioteca do Congresso dos EUA onde argumentou sobre sua preocupação de que a democracia estava despreparada para a era digital e desta forma estava sendo destruída.

Ao ver o volume da frequência dos 9x1 entre verdades e mentiras me lembrei logo do Hilbert quando ele afirmava que “com 150 curtidas o algoritmo podia prever sua personalidade melhor que seu companheiro e com 250 curtidas, o algoritmo tem elementos para conhecer sua personalidade melhor do que você”. É possível mesmo. Saber mais sobre nós que nós mesmos... Quem duvidaria?

Enfim, acompanhando os rastros com o GPS, os gastos com os cartões, os movimentos dos carros, etc. o que seriam nove verdades a mais ou a menos na sociedade em que a verdade é pós e a mentira é pré.


PS.: Sobre estas maluquices da sociedade digital contemporânea, eu sugiro que quem não assistiu possa ver alguns episódios da série “Black Mirrow”. Mesmo que ela seja fruto o sistema, a crítica que ela faz da contemporaneidade ajuda a pensar. E isto não deve ser algo ruim. Ah, um detalhe, os episódios da série podem ser vistos individualmente e fora da sequência. Eu não me encaixo nas séries, por isso assisti a três episódios soltos pelos títulos ou sumário dos assuntos.

quinta-feira, abril 20, 2017

A luta contra a desapropriação no Açu é Justa e vem desde 2009

O juiz da comarca de São João da Barra está decidindo hoje uma ação sobre a impetração de um pedido de reintegração de posse feita pela empresa estadual Codin e duas empresas do empreendimento do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB).

Esta ação de reintegração de posse é diversa de outras que remetem a um debate mais amplo sobre Justiça e uso da terra. Esta ação se dá num caso em que o instrumento legal que norteou as desapropriações: o decreto do governo estadual Nº 41.195, de 19 de junho de 2009 (veja abaixo).

A grande questão é que de decorridos oito anos desta edição, não há projetos de empreendimentos desenhados para o DISJB que justifiquem a demanda de tanta área (70 Km² ou 7.000 hectares) quase 20% de toda a área do município de São João da Barra.

Em segundo lugar está mais que evidente que a decisão do acordo entre o governo e as empresas, através da Codin que redundaram no decreto de desapropriação, foi na verdade um negócio entre o governante preso (Cabral) e um empresário também preso (Eike).

Diante disto, é razoável imaginar que o magistrado queira, antes de decidir pelo direito dos antigos donos da terra para reocupá-la, conhecer um pouco mais a realidade que norteou esta incrível perda do objeto do decreto. Além disso, cabe ainda apurar como a Codin poderia continuar a ceder terras para negócios que não existem como é o caso de umas das duas empresas que assinam a autoria da desapropriação junto com a empresa estadual Condin.

É certo que os agricultores e pequenos proprietários rurais da região do Açu, não deixarão de lutar pelo que é de Direito e Justo. Os apoios na sociedade para este encaminhamento são cada vez maiores.

Este blog reforça esta posição e para marcar simbolicamente esta posição publica abaixo um infográfico com dias imagens: uma do decreto de desapropriação Nº 41.195, de 19 de junho de 2009; a segunda que é um registro fotográfico da primeira manifestação dos pequenos agricultores, realizada em frente à sede da Prefeitura de São João da Barra no dia 28 de agosto de 2009.

A luta pelo direito destas terras seguiu todo este tempo e pode ser visto, por exemplo, em outra postagem aqui do blog no dia 31 de maio de 2011.


quarta-feira, abril 19, 2017

Agricultores do Açu reocupam suas terras e exigem a “reapropriação”


Oito anos depois que tiveram suas terras desapropriadas pelo decreto do governo estadual Nº 41.195, de 19 de junho de 2009, os pequenos agricultores junto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) resolveram, na manhã desta quarta-feira (19/04) - por volta das 5 horas da manhã - reassumirem as suas propriedades na região do Açu, distrito do município de São João da Barra, norte do Estado do Rio de Janeiro.

Eles informam que esta ação faz parte da jornada nacional de luta pela terra que ocorre em todo o Brasil, de 17 a 21 de abril.

Em instantes, o blog voltará a dar maiores informações sobre a reocupação das terras no Açu.

Atualizado às 05:48:
As terras foram tomadas pela empresa LLX do empresário Eike Batista e visava a implantação de um distrito industrial na área do entorno do Porto do Açu. Através de um termo precário, a Codin (Companhia de desenvolvimento industrial do estado do Rio de Janeiro) autorizou a empresa do Eike a entrar e tomar posse destas terras.

Cerca de 500 pequenos proprietários foram desapropriados. Uma pequena parte recebeu indenização em valores irrisórios. A maioria questiona na Justiça os termos desta desapropriação.
















Atualizado às 06:14 e 06:58:
Os pequenos agricultores que reocupam agora as suas terras no Açu informam em comunicado que eles tomaram a decisão de voltar para as terras por organização da Asprim (Associação dos Proprietários Rurais e de Imóveis do Município de São João da Barra) que luta desde 2009 contra as desapropriações.

O comunicado dos agricultores-reocupantes diz ainda que: "entendem que os objetos que teriam justificado o decreto de desapropriação e nortearam a tomada da terra deixaram de existir.

"As empresas que ocupariam a enorme área: siderúrgicas (duas), cimenteiras (duas); usinas termelétricas, estaleiros e outras há muito já anunciaram suas desistências, desde que os negócios de Eike Batista foram ao chão.

O porto saiu da propriedade da LLX e foi para o fundo americano EIG que, para ficar livre de Eike rebatizou a empresa que controla o Porto do Açu como Prumo. Assim, não há nenhuma razão para que o decreto continue em vigor.

Se, já não bastasse, as prisões do ex-governador Sérgio Cabral e do Eike Batista permitiram que viesse à tona todas as negociatas que acompanharam todo este processo que eram denunciadas pelos agricultores e agora, eliminando de vez, os objetivos e a base legal para que o decreto continue em vigor.

O representante da Asprim, Rodrigo Santos diz que “estamos voltando para o que nunca deixou de ser nosso. Voltaremos a produzir e exigimos que nos devolvam as escrituras de nossas propriedades. Fomos roubados por ladrões que estão presos e nada mais justifica que não possamos voltar para as nossas terras e à produção”.

Segundo o dirigente estadual do MST, Marcelo Durão, a retomada das terras no 5º Distrito no mês de abril, representa não só o apoio aos agricultores do Açu e a denúncia a todas as violações aos direitos humanos vivenciadas, mas também, o enfrentamento ao processo de reconcentração de terras, da venda de terras do Brasil aos estrangeiros, a criminalização aos movimentos sociais e a defesa intransigente do direito à terra como garantia à alimentação adequada e a preservação do modo de vida camponês na contemporaneidade".

Informam ainda que a animação e a disposição dos agricultores ao voltarem às suas terras é emocionante. Eles afirmam que contam com o apoio de toda a população contra as injustiças que sofreram, exigem a devolução de suas terras e a anulação do decreto.


Atualização às 11:06:
Os pequenos agricultores junto com o MST seguem na reocupação e organizam suas atividades nas terras onde entraram e reivindicam a "reapropriação" e nova posse. A reocupação se dá numa propriedade localizada na estrada de acesso à entrada do Portod o Açu. Fotos mais recentes da ocupação foram postadas pelo MST em sua página.















Estima-se que cerca de 7.500 hectares tenham sido desapropriados desde 2009, numa parceria entre a Codin do governo estadual e a empresa de Eike Batista LLX, de uma forma considerada pelos estudiosos de direito de uma forma bastante frágil e precária e que agora com as prisões de Eike e Cabral mostraram-se também uma negociata e prevaricação à frente do governo estadual.

PS.: Atualização às 13:34:
Os pequenos agricultores da região do Açu seguem com a reocupação de suas áreas com apoio do MST. Eles esperam que seja garantida a retomada da posse de suas propriedades, por conta da perda do objeto que motivou o decreto de desapropriação, com o não uso de grande parte desta área pelo empreendimento portuário. E, de forma especial, por ter se confirmado que as negociações entre o Cabral e Eike terem sido provadas como baseadas em corrupção e compra de decisão, como no caso do decreto.

A reocupação vem sendo acompanhada pelos seguranças da empresa Sunset, contratada da Prumo Logística Global S.A. controladora do Porto do Açu. A Polícia Militar também acompanha a ocupação após ser chamada pela empresa de segurança. Os agricultores que reocupam suas áreas acham estranho que a Prumo é quem cuida e protege esta área e não a Codin, empresa do estado que cuidou das desapropriações para a constituição do distrito industrial.
Abaixo outras fotos da reocupação divulgadas pelo MST.
















terça-feira, abril 18, 2017

Os tecnocratas do governo golpista têm como certa a redução de demandas por aposentadoria: os segurados de menor renda morrerão antes!

Simples assim.

É evidente que isto não será verbalizado. Porém, é certo que isto está sendo considerado nas contas dos tecnocratas do mercado, hoje, ocupando os cargos públicos do governo golpista.

A redução dos gastos com os direitos sociais com saúde, educação e assistência social reduzirá rapidamente a longevidade.

Dito de forma mais clara: os brasileiros morrerão mais cedo e assim pressionarão menos o caixa da previdência social.

Pior: isto terá um profundo corte de classe social.

As pessoas de maior renda irão se virar com o pagamento de médicos, hospitais e planos de saúde, como já fazem hoje. Assim, quem pagará a conta serão os brasileiros de menor renda.

Numa proteção social às avessas, os brasileiros de menor renda pagarão para aqueles de maior renda se aposentarem, enquanto as contribuições dos milionários continuarão reduzidas.

Esta é a realidade dura e cruel que não importa para a turma do mercado que está todo dia na sua televisão dizendo que as mudanças serão para atender e proteger os brasileiros.

Se o quadro é grave não se poderia admitir deixar de lado as isenções e reduções das contribuições dos empregadores. Especialmente, dos grandes que hoje estão pagando bem menos, como aqueles do agronegócio com seus lucros bilionários e forte apoio governamental.

A luta contra a atual reforma da previdência não deve ser apenas por você, mas para todos. Ela deve ser solidária. Quem precisa mais por ter menos condições deve ter mais apoio de todos.

Um governo sem voto e sem legitimidade nunca pensará nisto. Por isto foram colocados onde estão. Por isto, resistir é necessário. É preciso retomar a luta de um projeto de Nação e um Brasil para todos!

A seletividade continua cretinamente comparando

Nesta segunda-feira a mídia comercial estampou manchete dizendo que a propina paga pela Odebrecht daria para fazer 5,4 mil creches.

Imediatamente, eu faço as contas e concluo que a sonegação pelo não pagamento do lucro mobiliário da compra do Unibanco pelo Itaú permitiria fazer 2,5 vezes mais creches: 14,8 mil creches.

A primeira que envolve o poder político é lembrada. A segunda que envolve o poder econômico e o sistema financeiro que irriga a mídia comercial é escamoteada.
O país precisa enfrentar ambos os problemas, mas o enfrentamento, por coerência, teria que ser sobre todos os setores responsáveis.
Assim, além de construir teríamos dinheiro para manter as creches em nome de nossas criancinhas.
Fora deste script o que se tem é apenas mais uma cretina hipocrisia.

domingo, abril 16, 2017

Banco do Brics segue se organizando em meio à crise no Brasil

Segundo o informativo chinês, Xinhua, o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NDB, em inglês) planeja emitir bônus no valor de 3 bilhões de yuans (US$ 437 milhões) na China e também em rúpia indiana no valor de 300 a 500 milhões de yuans, depois de julho.

O NDB planeja emprestar de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões para financiar 15 projetos nos países membros neste ano, mais que os US$ 1,5 bilhão para sete projetos em 2016. A maioria dos projetos do ano passado estavam relacionados à energia limpa e transporte.
Os empréstimos serão direcionados para mais setores neste ano. Na Índia, por exemplo, o banco dará prioridade às redes rurais de água potável e projetos de infraestrutura.
O banco do BRICS foi estabelecido com um capital autorizado inicial de US$ 100 bilhões depois que os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul assinaram um tratado pelo estabelecimento do banco durante a 6ª cúpula do bloco em Fortaleza, no Brasil, em 2014. O NDB foi aberto oficialmente em Shanghai em 2015.
Enquanto isto, o Brasil com a inversão da política e da economia segue patinando em suas questões internas.

sábado, abril 15, 2017

Ao contrário do que se tenta empurrar como interpretação, a Odebrecht sempre teve lado

O caso atuação da holding Odebrecht e suas articulações políticas e comerciais parece confuso. E é.

Porém, observando mais atentamente se vê que é possível tirar algumas conclusões do caso Odebrecht, olhando o todo e não as partes.
Mais uma vez o todo e não as partes.

Lendo, vendo e ouvindo as várias fontes – de todos os matizes e origens – se vê que todas as leituras fazem seus recortes. Escolhas e seleção das partes em que vão focar para construir suas interpretações.

O fato do ministro Faccin ter liberado todo o conteúdo de todas as delações permite interpretações mais totalizantes que o vazamento seletivo das partes não permitia.

Ao contrário do que alguns tentam mostrar a Odebrecht não é vítima deste processo.

O poder econômico é parte deste processo ao comprar e dirigir o poder político, onde está o Estado que tenta controlar, mesmo sem a outorga popular do mandato.

A busca direta do mandato pelo poder econômico contém riscos. Assim, é sempre mais fácil cooptar e controlar o poder político.

Aí entra não apenas a ajuda para a eleição atual como a futura. Ou ainda, o pagamento das dívidas das eleições passadas.

A compra indistinta com apoios, não significa que a companhia não tivesse suas preferências.

Assim, com este esforço de leitura mais integral se vê de forma clara a compra e o controle do poder econômico sobre o político – que também não é vítima, mas agente do processo da “democracia capitalista” – é possível observar outros pontos que parecem essenciais para interpretar a fase mais próxima do momento atual, de 2014 até hoje.

É fato que a Odebrecht foi instrumento fundamental para comprar apoios e eleger o pior congresso da história deste país na eleições de 2014.

Fez isto, ao se submeter, entre outras coisas ao Cunha e sua trupe do PMDB que hoje foi para o poder com o golpe.

Daí, não é difícil depreender que a Odebrecht também tenha comprado o golpe. Diretamente, ou indiretamente, ao viabilizar a eleição destes congressistas que votaram o impeachment.

Nesta linha, não se pode deixar de registrar que ao comprar o Pastor Everaldo para ajudar Aécio na reta final da eleição de 2014 – além de outros atos correlatos com a mesma intenção - a Odebrecht deixou evidente quem preferia no controle central do poder político no Brasil.

Isto não quer dizer que a Odebrecht não conviveria com Dilma, ou com o PT. Como já vinha convivendo durante doze anos, ou três mandatos.

Não é por outro motivo a indignação do velho Odebrecht contra a mídia comercial, que não só sabia de tudo isto, como sempre jogou do mesmo lado do grupo empresarial na disputa pelo controle do poder político no Brasil.

Evidente que esta narrativa não interessa a setores que escolhem outras partes para construir suas interpretações.

Toda interpretação fará escolhas de partes para interpretar o todo.

Porém, algumas serão sempre mais críveis e sustentadas nos fatos que outras.

A Odebrecht, a despeito dos apoios à diversas forças do jogo político, sempre teve lado.

É inocência ou má fé interpretar o contrário.

Hackers dirigindo seu carro

Daqui a pouco o capitalismo estará vendendo seguro para evitar que seu carro seja hackeado e o tombem com o trânsito em alta velocidade com você dentro e dirigindo.

Desconfio que o mundo está perto de um loop de insanidade.
Não se trata de ficção.
A reportagem está aqui na edição de ontem (14/04/17) do jornal americano The Wall Street Journal. Em resumo a matéria diz:

"Uma empresa israelense de segurança cibernética está levantando novas preocupações sobre os hackers assumirem o controle de carros em movimento, desligando um motor remotamente com a ajuda de um aplicativo para smartphone, uma conexão Bluetooth e um transmissor de dados de um carro."

sexta-feira, abril 14, 2017

EUA: 50 mil bombas lançadas entre 2015 e 2016

A indústria armamentista dos EUA é muito mais forte que o discurso do presidente americano.
E não é só a geopolítica e os interesses do petróleo.

O interesse dos EUA em ser a polícia do mundo não está ligado unicamente aos objetivos de hegemonia e controle.
A indústria de armas cresceu em todo o mundo e os EUA tem necessidade em desovar os seus estoques.
Só os conflitos e a atual - e quase eterna ameaça terrorista (que cria centenas a cada hora) - mantém esta demanda.
A mídia comercial faz o resto espalhando o medo que gera novas encomendas.
O jornal espanhol El País divulgou hoje, em seu site, uma matéria que informa a quantidade de bombas lançadas pelos EUA em 2016.
Recorrendo à mesmo fonte usada pelo El País, eu busquei outras informações e assim, descobri também uma tabulação sobre a quantidade e os locais das bombas lançadas em 2015.
A maior parte dos alvos são conhecidos e tem o petróleo e o discurso do terror como álibi.
Confira abaixo a localização das quase 50 mil bombas lançadas, apenas entre 2015 e 2016, quando os analistas em políticas internacionais consideram um período nem tão turbulento.