domingo, julho 19, 2015

A exportação de bauxita e minério pelo Porto do Açu

Na sexta-feira a Prumo anunciou Fato Relevante (FR) ao mercado sobre contrato firmado com a Votorantim Metais em Minas Gerais para movimentação de cargas de bauxita, numa previsão de movimentação de 300 mil toneladas por ano, incluindo coque.

O fato serve mais para divulgar o início das atividades no Terminal Multicargas (TMult) ainda inacabado, e em possível concessão (aluguel a um grupo chinês) do que para comemorar resultados.

Explico: a bauxita é um mineral onde o Brasil tem a 3ª maior reserva do mundo. Assim como o minério a maior base extrativa está no estado do Pará, embora exista em Minas diversas minas.

Esta da Votorantim fica em Miraí, próximo a Ouro Preto a cerca de 250 km do Porto do Açu. Ela fica numa região onde há diversas indústrias que consomem a bauxita.

O mineral é utilizado basicamente para a fabricação de alumina (base para o alumínio) e também em percentuais menores é destinado às indústrias de refratários e de produtos químicos.

Conforme o Fato Relevante divulgado pela Prumo, o volume previsto para a movimentação de bauxita prevista para o TMult, junto ao Terminal 2 do Porto do Açu, é 300 mil toneladas por ano.

Preço da bauxita no marcado internacional -
Relatório IDB Bank - Jan 2015
Ao preço atual de US$ 42 que está alto em relação à média do preço deste mineral no mercado internacional, o valor total desta carga, num ano seria de US$ 12,6 milhões, preço final.

O valor a ser pago pela Votorantim Metais ao Porto do Açu para o embarque não foi divulgado, mas convenhamos que não deve ser um valor alto, considerando que os US$ 42 por tonelada deverá remunerar, a extração, o transporte rodoviário até o Açu, o transporte de navio até o cliente, pagar impostos e ainda bancar a parte do Porto do Açu.

Assim, sendo o anúncio serve para Prumo explicar novas movimentações de cargas, mas, não para comemorar muita coisa.

Além disso, o projeto de exportação de minério que enfrenta problemas porque o preço internacional anda nos níveis mais baixos dos últimos meses, próximo a US$ 50 a tonelada.

O Sistema Minas-Rio da Anglo American junto com a Prumo, em joint-venture, para exportação pelo Porto do Açu tinha projeção de embarque de 26 milhões de toneladas por ano.

Comparando um e outro se vê como a movimentação de bauxita é insignificante. No caso do minério a Anglo American começa a dar sinais de que poderá suspender o embarques de minério com a baixa produtividade e também os baios preços do minério de ferro no marcado internacional.

Na semana passada a Anglo American através de seu presidente divulgou nova e bilionária baixa contábil da empresa de US$ 4 bilhões, por conta da redução dos seus ativos, entre eles e de forma especial está o Sistema Minas-Rio que possui a mina, em Conceição do Mato Dentro, MG, o mineroduto de 529 km e a base de filtragem e embarque no Porto do Açu.

Com as reduções dos preços das commodities, os problemas de receita dos terminais portuários tendem a se acentuar. No caso do Açu, o alívio é a base de apoio offshore, que mesmo com os baixos preços do barril de petróleo, ainda se mantém rentável. Continuamos acompanhando.

PS.: Atualizado às 17:06 de 20/07/2015: Para deixar mais claro que o Brasil Brasil tem a 3ª maior reserva de bauxita do mundo.

3 comentários:

gutierrez lhamas coelho disse...

Olá, um bom dia. Eu tenho certa curiosidade nesta exportação de bauxita pelo Porto de Açu. Primeiro, a quantidade irrisória, 300 mil t/ano, para mim não cria escala suficiente para pagar os custos. Segundo, é material para exportação? estranho, exportação bauxita me parece algo inusitado. Terceiro, um porto sem ferrovias, algo inacreditável - 300 mil t/ano de bauxita transportadas de Miraí, MG, para o Porto, via carretas, considerando a necessidade de, literalmente, atravessar a cidade de Campos dos Goitacazes. Quem é o "pai" desta logística? como foi que o prefeito de Campos autorizou uma temeridade destas?
Suas respostas certamente atenderiam minha curiosidade. Desde já grato

Roberto Moraes disse...

Caro Gutierrez,

Boa tarde. Sua indagação reforça minha desconfiança de que o anúncio desta movimentação de cargas no TMult no T2 do Porto do Açu, parece estar mais relacionado ao interesse em divulgar a disponibilidade do terminal que a Prumo controladora do porto pretende oferecer para ser operada por terceiros.

Hoje mesmo em FR (Fato Relevante) à Bovespa a Prumo anunciou outro memorando de entendimentos com a Intercement Brasil S.A. e com a Holcim Brasil S.A. para "operação portuária de desembarque, transporte e armazenamento de produtos, para movimentação de carvão mineral, coque de petróleo e outros". Acordo futuro que as duas empresas diz depender de " implantação da logística rodoviária e ferroviária".

É perceptível aí que a Prumo quer dar visibilidade ao seu TMult para aumentar seu valor.

Agradeço pelo comentário.

Aloizio Barros disse...

Vergonha, é o fato da bauxita ser extraída em Miraí/MG e levada de caminhão até o Porto de Açu. Existe uma ferrovia que liga Cataguases/MG (do lado de Miraí) a Campos/MG e a Três Rios/RJ que está abandonada e poderia ser usada para o transporte da bauxita. Aliás, essa carga era feita até 1º de agosto de 2015, levando a bauxita de Cataguases/MG a Barão de Angra/RJ e dai para a Votorantim. Foi fechada e agora a carga é levada, pasmem, por caminhões gigantescos até o Porto de Açu. Um porto que não tem ferrovia! Uma piada. Só no Brasil constrói-se um porto sem acesso ferroviário. Enfim, esse é o Brasil, que superlota rodovias com pesados caminhões que matam e poluem todos os dias e fecha ferrovias. Uma piada pra não dizer uma desgraça de nossa mobilidade. O Brasil ACABOU!