segunda-feira, março 30, 2020

Estamos numa guerra. E os generais, os militares?

E os generais?

Ah, os generais brasileiros.

Há exceções, mas a regra é que eles são cúmplices de todo este processo, desde quando decidiram intervir no impeachment em 2016, depois ao pressionar a justiça nas eleições de 2018, e a partir de 2019, quando se apinharam junto de milhares outros militares nos cargos de comissão desse (des)governo genocida.

Temos duas semanas de guerra e ninguém tem notícias de que estejam planejando ou executando ações significativas, que poderiam estar curso usando a estrutura e militar e suas centenas de milhares de homens.

Engraçado, eles são unhas e carne (sala e cozinha) do governo e, na última entrevista junto do Bolsonaro, eles usaram as palavras para dizer que estão à disposição.

Ora, ora, quer dizer que estão à disposição?

Disposição durante a guerra que vivemos contra um inimigo invisível e um verme empossado?

Será que estão à espera de mortes em profusão, para como na Itália, emprestar os caminhões para transportes dos caixões?

Nessa guerra os profissionais de saúde estão no front, enquanto os militares estão no poder civil e/ou em quarentena. Inadmissível.

Menos mal, porque a nação deixou de esperar por eles. Governadores, prefeitos, o Congresso e até partes da Justiça fazem algo e começaram antes planejar e realizar ações de auxílio, proteção sanitária e de combate à pandemia de nossa população.

Se também não aproveitarmos este momento para enxergarmos onde estamos e como estão se portando os agentes, nunca estaremos preparados para a vida cotidiana e muito menos para estas emergências.

sábado, março 28, 2020

Para reduzir nossa infelicidade, preocupação e ansiedade diante da pandemia, o Brasil segue em duplo comando

Para reduzir nossa infelicidade, preocupação e ansiedade diante da pandemia, o Brasil vive um duplo comando, ou uma desobediência federativa civil, com apoio do Congresso e de parte majoritária das cortes superiores de Justiça.

Passei a chamar isso de "Modo Governadores" (assim como modo avião dos celulares), um consórcio majoritário e multipartidário que se provou na prática mais responsável para nos conduzir neste momento de travessia desse pântano sanitário.

Mas esse "duplo comando" como linhas paralelas de poder tem prazo limitado de duração, diante das ameaças do pico de contaminação previsto entre 10 e 20 dias.

Até lá a confrontação destas linhas paralelas de poder tendem a se ampliar, diante dos riscos da escalada de vítima fatais, que todos torcemos para não acontecer, embora, alguns tenham, na prática trabalhado nos últimos dias para isso com carreatas e defesa do fim do isolamento sanitário.

Ninguém que tem o mínimo conhecimento das esferas de poder imagina que estas duas pontas de poder não estão buscando liderança única. E neste caso, a discussão está em sua maior parte ocorrendo entre os generais e, só subsidiariamente, em líderes de instituições da sociedade civil.

Aparentemente não há consenso, mas os generais em situação de golpe ou guerra, em que costumam atuar, acabam se entendendo por posição da maioria, sem precisar de consenso.

Frações de poder devem estar sendo negociados pelos dois polos em busca do mínimo de coesão.
É muito ruim, que a sociedade fique à margem de tudo isso, num momento tão dramático.

Uma solução que envolva o parlamento é comum que surja em situações de crise como esta.

Nenhuma saída é simples, mas a nação segue ansiosa e preocupada, o que sugere ponderação e algum diálogo responsável.

Se cuidem e sigamos em frente resistindo e acompanhando.

quinta-feira, março 26, 2020

"Carta de renúncia" de Bolsonaro, por Maria Cristina Fernandes no Valor

A coluna de Política da jornalista Maria Cristina Fernandes, hoje, no Valor (p. A13) com o título "Carta da renúncia", fala sobre os bastidores do duelo, agora no Palácio do Planalto, para a saída de Bolsonaro, com anistia para os filhos. A coluna pode ajudar a explicar o tom do Jornal Nacional de ontem.

Abaixo o texto na íntegra. Vale conferir!


A carta da renúncia” 

“A costura de uma renúncia, como saída, passa pela anistia aos filhos” 

A tese do afastamento do presidente viralizou nas instituições. O combate à pandemia já havia unido o país, do plenário virtual do Congresso Nacional ao toque de recolher das favelas. Com o pronunciamento em rede nacional, o presidente conseguiu convencer os recalcitrantes de que hoje é um empecilho para a batalha pela saúde da nação. Se contorná-lo já não basta, ainda não se sabe como será possível tirá-lo do caminho e, mais ainda, que rumo dar ao poder em tempos de pandemia. A seguir a cartilha do presidiário Eduardo Cunha, seu afastamento apenas se dará quando se encontrar esta solução. E esta não se resume a Hamilton Mourão.

Ao desafiar a unanimidade nacional, no uniforme de vítima de poderes que não lhe deixam agir para salvar a economia, Bolsonaro já sabia que não teria o endosso das Forças Armadas para uma aventura que extrapole a Constituição. Era o que precisaria fazer para flexibilizar as regras de confinamento adotadas nos Estados. Duas horas antes do pronunciamento presidencial, o Exército colocou em suas redes sociais o vídeo do comandante Edson Leal Pujol mostrando que a farda hoje está a serviço da mobilização nacional contra o coronavírus.

“Saída a ser costurada passa pela anistia aos filhos” 

Pujol falou como comandante de uma corporação que tem a massa de seus recrutas originários das comunidades mais pobres do país, hoje o foco de disseminação mais preocupante para as autoridades sanitárias. Disse que agirá sob a coordenação do Ministério da Defesa. Em nenhum momento pronunciou o presidente. Moveu-se pela percepção de que uma tropa aquartelada hoje é mais segura que uma tropa solta. Na mão inversa do trem desgovernado do discurso presidencial daquela noite.

Quando já estava claro que descartara o papel de guarda pretoriana, Pujol reforçou a importância do combate ao coronavírus: “Talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. Vinte e quatro horas depois, o vídeo ultrapassava 500 mil visualizações, mais do que o dobro do efetivo do Exército.

O distanciamento contaminou os ministros militares com assento no Palácio do Planalto. “Não quero ter minha digital nisso”, comentou um deles ao perceber o rumo provocativo que o pronunciamento da noite de quarta-feira teria. Deixou o Palácio antes da gravação, conduzida sob o comando dos filhos e da milícia digital do bolsonarismo.

A insistência do presidente na tese esticou a corda com os governadores e com o Congresso, que amanheceu na quarta-feira colocando pilha na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta. A pressão atingiu o pico do dia com o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com o presidente. Aliado de primeira hora de Bolsonaro, presença mais frequente, entre seus pares, nas solenidades do Palácio do Planalto, Caiado foi um dos principais padrinhos de Mandetta, um deputado do Mato Grosso do Sul que não disputou em outubro de 2018 porque temia não se reeleger.

O ministro negaria a demissão numa entrevista em que citou Caiado, mas não Bolsonaro. O Congresso mantinha a aposta na saída de Mandetta como mais um tapume no isolamento do presidente quando João Doria, na reunião de governadores com o presidente, partiu para o confronto. O discurso de palanque do governador de São Paulo não é unanimidade entre os envolvidos em busca de uma solução de consenso, especialmente os da farda, mas sua ação deliberada para levar os governadores a recusar interlocução com o presidente, caiu como uma luva para a estratégia de levar Bolsonaro ao limite do isolamento.

Para viabilizar o enfrentamento dos governadores, o Congresso busca meios de manter o acesso dos Estados a recursos com os quais possam manter suas políticas de combate à doença, hoje confrontadas pelo Planalto. O pronunciamento acabou por frear a proposta de emenda constitucional com a qual se pretendia criar um orçamento paralelo para viabilizar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e calar a tecla com a qual o presidente se diz impedido de agir pelo Congresso. Cogitou-se até incluir nesta PEC instrumentos com os quais Bolsonaro poderia ter mais poderes sobre o confinamento e o confisco de insumos hospitalares, como meio de evitar o Estado de Sítio.

Ainda que Bolsonaro hoje não tenha nem 10% dos votos em plenário, um processo de impeachment ainda é de difícil de viabilidade. Motivos não faltariam. Os parlamentares dizem que Bolsonaro, assim como a ex-presidente Dilma Rousseff, já não governa. Se uma caiu sob alegação de que teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, o outro teria infrações em série contra uma “lei de responsabilidade social”. Permanece sem solução, porém, o déficit de legitimidade de um impeachment em plenário virtual.

Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por renúncia. O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um mandato conquistado nas urnas? O bem mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo. Renúncia em troca de anistia à toda tabuada: 01, 02 e 03. Foi assim que Boris Yeltsin, na Rússia, foi convencido a sair, alegam os defensores da solução.

Não faltam pedras no caminho. A primeira é que não há anistia para uma condenação inexistente. A segunda é que ao fazê-lo, a legião de condenados da Lava-Jato entraria na fila da isonomia, sob a alcunha de um “Pacto de Moncloa” tupiniquim. A terceira é que o Judiciário, agastado com o bordão que viabilizou o impeachment de Dilma (“Com Supremo com tudo”), resistiria a embarcar. E finalmente, a quarta: Quem teria hoje autoridade para convencer o presidente? Cogita-se, à sua revelia, dos generais envolvidos na intervenção do Rio, PhDs em milícia.

A única razão para se continuar nesta pedreira é que, por ora, não há outra saída. Na hipótese de se viabilizar, o capitão pode estar a caminho de encerrar sua carreira política como começou. Condenado por ter atentado contra o decoro, a disciplina e a ética da carreira militar, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância. Em “O cadete e o capitão” (Todavia, 2019), Luiz Maklouff, esboça a tese de que a absolvição foi a saída encontrada para o capitão deixar a corporação. Em seguida, o Bolsonaro disputaria seu primeiro mandato como vereador no Rio. Trinta e quatro anos depois, a borracha está de volta para esfumaçar o passado. Desta vez, com o intuito de tirá-lo da política.

Maria Cristina Fernandes é jornalista do “Valor”.

quarta-feira, março 25, 2020

A Globo foi para o duelo contra quem ajudou a eleger e defendeu ação do Estado a favor da nação

Parece que a Globo percebeu que hoje teria que entrar num duelo contra quem ajudou a eleger e colocar na liderança do país.

O Jornal Nacional foi na jugular.

Uma hora e meia seguida mostrando a aberração da decisão de Bolsonaro.

A reação dos governadores, da sociedade civil, de dezenas de entidades médicas, de especialistas em infectologia e epidemiologistas do Brasil, do mundo e da Organização Mundial de Saúde (OMS) a favor do isolamento social.

Mostrou ainda o (des) governo fraturado e, completamente, desencontrado.

Até a contradição do ministro da Saúde foi exposta, quando abandonou a medicina para se submeter ao destino do chefe.

Por quase vinte minutos expôs ex-ministros e especialistas em economia e finanças defenderem que a prioridade é a saúde pública, só depois a economia.

Mais que isso. Especialistas que normalmente defendem a ortodoxia do sistema financeiro, com posição inversa em favor de um Estado forte, atuante com políticas Keynesiano para proteção social, neste momento de emergência. 

Foram dezenas de opiniões na mesma linha, a de que o (des)governo Bolsonaro tem nas mãos o que deve ser feito e o muito pouco que diz ter liberado, nada saiu das intenções e do papel.

A Globo hoje foi para o duelo com uma narrativa clara e desta vez a favor da maioria da população brasileira.

Muito provavelmente sabendo e tendo negociado tudo isso que fez.

Não foi propriamente mea-culpa, até porque não temos como aceitar tudo isso a que nós brasileiros estamos sendo submetidos.

Em meio às dores e preocupações com a pandemia, a nação precisa se reencontrar consigo mesma.

E neste momento há um desgoverno a ser combatido com todas as forças e frentes em favor da vida de todos os brasileiros, em especial, dos mais vulneráveis.

A disputa pelo poder é assunto para adiante.

O Brasil segue no "Modo Governadores" contra a grave irresponsabilidade de Bolsonaro

O Brasil segue no "Modo Governadores", assim como os celulares no "modo avião", que sem internet, serve para quase nada.

Bolsonaro e os três filhos vão seguir na alucinação até ser contido. A doença dele é pensar que pode ser anti-sistema (anti-estableshiment) sendo ele o presidente. 

Na toda que vai, até ser impedido, Bolsonaro vai trocar ministros, atirar contra todos que o criticam, mídia, médicos e a sociedade em geral que, mesmo nos limites do isolamento social responsável para conter a Pandemia, segue em pânico contra o presidente, já tendo perdido a esperança de ter um líder para dirigir o combate sanitário contra o vírus e pela recuperação dos atingidos.

No futuro, ele, os filhos - e vários dos seus auxiliares - serão julgados, por um tribunal por crime contra a humanidade.

segunda-feira, março 23, 2020

Brasil sai da égide de um (des) governo e constitui uma “Frente Política contra a Pandemia”

Os fatos estão aí em profusão para explicar esse processo em detalhes.

Os governadores de diferentes posições ideológicas e partidos estão salvando vidas e constituindo na prática uma “frente política contra a pandemia”.

Essa frente já consegue se proteger dos atrapalhos e desatinos do Bolsonaro e parte de sua trupe de genocidas.

Essa frente, na prática, já se articula com os parlamentos e o Congresso e também com partes sensíveis das cortes superiores de Justiça.

O movimento dos governadores como uma espécie de “Conselho da Frente contra a Pandemia” é uma extensão do consórcio de governadores do Nordeste que foi se ampliando conforme a necessidade. A urgência que levou a um alargamento de posições políticas em busca do consenso mais amplo para evitar o caos total.

Diante da confusão, esse pacto político - que ainda não está claro para muitos -, pode salvar mais vidas do que possivelmente o impedimento do descontrolado Bolsonaro.

Repito, os governadores na “Frente Política contra a Pandemia”, na prática e no que interessa e é urgente, estão salvando os brasileiros.

Não existe "modo avião" para os celulares? Pois, então, o Brasil entrou em "modo governadores".

O que se salvou do desmonte do SUS pode ainda impedir nos estados e municípios, um desastre maior com as ações e as respostas de combate de endemias que, historicamente, a saúde pública do Brasil acumulou nas últimas décadas em diferentes governos.

Compreender o que está em curso na política, ajuda no combate ao que é mais urgente. Sigamos em frente com força e fé!

PS.: Atualizado às 17:02 e 17:30: Para pequenos acréscimos e ajustes no texto original.

sábado, março 21, 2020

A paradoxal pandemia do coronavírus diante do irracional, disparatado e insensato (des) governo Bolsonaro

A pandemia é paradoxal porque tem duas vertentes principais, uma de proteção sanitária para impedir os fluxos dos vírus através das pessoas e de acompanhar e tratar os atingidos. A primeira precisa da imobilidade social e a segunda de uma enorme e eficiente mobilização.

Como principal barreira sanitária propõe (corretamente) o isolamento social de eliminar a movimentação de pessoas, para além dos que são essenciais para dar condições para manter as pessoas nas suas habitações.

A segunda como forma de atender, socorrer e salvar os que vão sendo atingidos, é necessária uma organização eficiente, potente, veloz, ampla e com capilaridade geográfica para viabilizar meios humanos e técnicos para a estruturação dos atendimentos, instalação de equipamentos públicos, emergência de produção de equipamentos e insumos, etc. E neste caso, quem tem mais condições de transformar intenções e ações, agindo de forma mais rápida e eficiente, obviamente são aqueles que estão mais próximos das pessoas: as prefeituras e governos estaduais.

Porém, interessante é que o (des) governo Bolsonaro age inversamente exatamente nos dois pontos.

Primeiro, afirma que não precisa histeria para isolar as pessoas, fechar shoppings, trânsito, igrejas, etc. E de outro lado, é de uma paralisia, lentidão e/ou incapacidade de fazer o que precisa ser feito.

Ele vê os gestores dos outros entres da federação como concorrentes ou mesmo como adversários, ou como inimigos, a serem destroçados pela via política e/ou pela biológica do vírus.

Assim, a tragédia é ainda maior e pior.

O (dês) governo segue questionando, atrapalhando e impedindo quem quer e pode fazer, mesmo com o pouco apoio federal, em especial para os mais vulneráveis.

O resultado disso é que o caos vai deixando de ser hipótese e a cada minuto crescem os riscos que os embates biológico e político possam implodir/explodir simultaneamente.

Mas, devemos seguir pressionando os gestores insensíveis, nos protegendo da insensatez política e da contaminação biológica que ameça a todos, mas de forma ainda maior, os excluídos socialmente.

quarta-feira, março 18, 2020

Em meio à calamidade do coronavírus base de Bolsonaro se liquefaz

O fato é que a base bolsonarista está se liquefazendo como o mercado, aliás da forma como vaticinou o heróico haitiano: "acabou Bolsonaro"!

A perda de maioria em muitas comunidades e nas redes sociais com robôs e tudo não é pouco.

O fato é que a partir de hoje, com corona e tudo, a política no Brasil, entra em uma nova fase.

É tudo ainda muito confuso e dolorido com as ameças.

Teremos pela frente uma etapa difícil e duradoura de enfrentamento dos vírus que atacam a nossa sociedade.

Mas vamos por etapas e com "solidariedade social ativa".

terça-feira, março 17, 2020

Soro keynesiano na veia em doses cavalares para evitar o colapso

Soro keynesiano na veia em doses cavalares.

No Brasil a rolagem da colossal dívida que consome quase metade do orçamento da União, já ajudaria e muito.

El País, 17 mar. 2020
Na Espanha, o primeiro ministro liberou 200 bilhões (ou mil milhões) de euros, ou R$ 1,2 trilhão, equivalentes a 20% do PIB espanhol, como injeção keynesiana na veia.

Mas, com várias medidas para proteger os mais pobres: 
a) moratória para as dívidas com as hipotecas; 
b) suspensão de cobrança de água, luz e gás. 
c) apoio a trabalhadores "precários", que ainda não sei como será executado.

Na Itália, proibiram as demissões no trabalho por pelo menos dois meses, para evitar o que já se está fazendo no Brasil a rodo, sem nenhuma preocupação e/ou solidariedade.

Segundo o Financial Times, "a França está disposta a nacionalizar empresas atingidas por vírus".

Na Europa aumentam os questionamentos às privatizações generalizadas pelas dificuldades de agir em situações como esta da emergência.

Mas há que ter cuidado com os donos dos dinheiros chamados de forma geral e abstrata como mercado.
Como parte do tripé "governo-sociedade-mercado" há que se acompanhar o mercado, seus operadores atuam como serrotes, querem ganhar dos dois lados e assim capturar a maior parte desse "soro keynesiano".

Como disse a professora Virginia fontes na postagem abaixo é necessário praticar um "solidariedade social ativa".

"Solidariedade social ativa e o coronavírus", por Virgínia Fontes

Abaixo o oportuno texto da professora Virginia Fontes, UFF.


Solidariedade social ativa e o coronavírus

Essa é hora de solidariedade social ativa e não apenas de impacto, e menos ainda, de pânico. Precisamos ter claro que somente protegeremos nossas saúdes protegendo a saúde de todos, a começar pelos mais vulneráveis aos vírus (idosos e doenças pré-existentes), pela grande massa de trabalhadores da saúde que estarão a postos e mais expostos do que os demais, e pela imensa maioria da população de nossas cidades, cuja desigualdade social crescente os deixa sem recursos. Sabemos que temos uma chance de sairmos bem dessa epidemia pois ainda não conseguiram destruir o SUS, o que poderosos vêm tentando desde sua implantação na Constituição.


Solidariedade ativa é não perder o fio do pensamento:

- dinheiro público deve ir integralmente para saúde pública!

- a vida da população é mais importante do que os juros da dívida para milionários. Pelo fim da EC 95, que destina os recursos públicos para pagamento de juros de uma dívida que nem sequer sabemos em que foi gasta. O desbloqueio dessa Emenda Constitucional do “Fim do Mundo” deve assegurar recursos públicos para o setor público!


Solidariedade social ativa é exigir:

- que estejam recompostas as equipes de Agentes Comunitários de Saúde – desmanteladas por Crivella no Rio de Janeiro, e recebendo menos recursos do que deveria há anos, nesse país afora. São essas equipes as que trabalham em comunidades e favelas e contribuem para o monitoramento das famílias.

- que haja previsão desde já para garantir atenção especial para as famílias de baixa renda – em caso de isolamento doméstico, muitas precisarão receber alimentação e atenção psico-social.


Solidariedade social ativa é lembrar:

- a vida antes do lucro – paralisação de atividades não pode resultar em perda de salários. Essa é uma condição para enfrentar a pandemia em países desiguais como o Brasil, onde grande parte da população ganha durante o dia o que vai comer à noite. Apenas ínfima parcela da população tem reservas para enfrentar uma situação como essas e esses devem contribuir com os demais;

- o vírus mostra que todos os seres humanos são iguais e que a desigualdade resulta da organização da vida social. Nenhuma discriminação pode ser tolerada – contra alguns bairros, ou contra pobres, negros, mulheres, LGBTs!

segunda-feira, março 16, 2020

Por que Wall Street e Guedes não podem entender e nem aceitar a realidade?

Wall Street não entende o coronavírus.

Assim, Paulo Guedes também não compreende seus efeitos.

Isso não é por acaso.

De nada adiantam as centenas de relatórios que Wall Street, Ibovespa e seus operadores leem diariamente.

O DNA é o mesmo.Todos têm a mesma concepção mental do mundo a partir do mercado financeiro.

O andar das "altas finanças" há muito perdeu as principais conexões que ligavam os papeis e derivativos ao mundo real.

Por mais que as finanças tenham ampliado as suas capturas, a pandemia do coronavírus mostra, pelo lado mais trágico possível, que o mundo real existe e continua a se desenvolver no território.

É no território, onde há a reprodução social e a geração da riqueza pelo trabalho acontecem é também o "locus" da contaminação do coronavírus.

Assim, da mesma forma que o antídoto imunológico do vírus depende das barreiras sanitárias de contenção, o mundo das finanças, também precisa urgentemente ter a sua atuação transfronteiriça contida pelos governos, em nome da sociedade.

Não é que Wall Street e seus discípulos fiéis, como Paulo Gudes, não entendam isso.

Na verdade eles não podem aceitar a realidade que salta aos olhos, sem renegar a lógica de especulação e vampirização das riquezas geradas pelo trabalho.

É por isso que Wall Street não aceita os números que saltam das telas de seus monitores sobre a movimentação do mercado financeiro em todo o mundo.

Para o bem e para o mal, o vírus também está atingindo o coração da hegemonia financeira no capitalismo contemporâneo, aproximando de forma impensável até pouco tempo, a economia fictícia da economia real.

Os números das bolsas e os rendimentos dos fundos financeiros se liquefazem no éter, enquanto a população (reprodução social) sofre as consequências.

Porém, é interessante e necessário observar que neste caso, contraditoriamente, as relações sociais que tanto ameaçam, humanitariamente, são a nossa única salvação.

domingo, março 15, 2020

Se as plataformas digitais são neutras (“e do bem”), por que elas ajudam tão pouco em situações de crise como na pandemia do coronavírus?

O blog é para mim sempre um espaço de diálogo, aprendizado e, ultimamente, uma inspiração para a pesquisa. Assim, já comentei aqui, que estou me preparando para escrever sobre o "capitalismo de plataformas", como expressão da maior relação entre a inovação tecnológica, startups e a financeirização no interior dos diferentes setores da economia.

O uso exponencial das "plataformas digitais" com forma de intermediação - quase automática e online - do capital e do sua utilização em diferentes frações do capital (e da vida cotidiana das pessoas no território), já é bem conhecida e tem servido, basicamente, à ampliação da captura da renda, levando à intensificação, sem precedentes, da precarização do trabalho, fato que hoje impressiona até os liberais, ainda apartados do neoliberalismo ou ultraliberalismo.

O Covid-19 mais conhecido como novo coronavírus já é considerado um vírus da globalização que expõe a potência das redes, as conexões e os fluxos da economia globalizada.

Pois então, na conjuntura atual com uma explosiva pandemia e atroz sofrimento humanitário, em especial dos mais pobres – como sempre -, a pergunta que se coloca diante de nós é: se a tecnologia é neutra, como sustentam alguns, por que essas inovações quase não são percebidas, de modo efetivo, a favor das pessoas e não das bolsas de valores, bancos, fundos de investimentos e dos donos dos dinheiros?

E olha, que é a massa que faz a roda do sistema girar. Porém, o esgarçamento e a vampirização de tudo que atende à base da pirâmide social, não cessa nem em situações de calamidade global como a atual.

As plataformas digitais poderiam estar mais a serviço dos serviços públicos. Porém, hoje, com a desconfiança de que muitos destes sistemas estão mais a serviço da captura desenfreada de dados das pessoas para usos comerciais (e com Fake News para domínio político), quase ninguém acredita na finalidade e no uso destes aplicativos.

Tudo isso reforça a interpretação de que essas plataformas digitais são, hegemonicamente, instrumentos do capitalismo contemporâneo. Solidariedade, humanismo e civilidade, continuam a vir das pessoas, dos trabalhadores e de suas relações sociais. No meio da crise em que vivemos, é importante lembrar que da tríade “mercado, sociedade e governo” que define o mundo atual, sem a sociedade pressionando o governo e controlando o mercado, o que resta é a barbárie que surge agora tão diante de nós.

sexta-feira, março 13, 2020

Não tem coronavírus nem nada, Guedes só olha e protege a sua turma!

Não tem coronavírus nem nada. 

Paulo Guedes só fala em reformas, reformas, reformas. Corte para os mais pobres. Por isso, está entrando com recursos contra a BPC (Benefício de Prestação Continuada) aprovada pelo Congresso.
Guedes não pensa política pública. 

É da sua natureza, do seu DNA.

Mas, não pensem que deixa de trabalhar para os seus, já se aproveitando da situação e do pânico com os riscos com o vírus.

Governo dos ricos e para os ricos é isso.

Está preocupado com (seus) os fundos e os (seus) bancos.

Disse que estava tudo sereno, mas está tomando "medidas urgentes" para dar liquidez aos bancos.
O Banco Central (BC) e a CEF (Caixa) estão se aproveitando e atendendo reivindicação antiga dos banqueiros reduzindo o compulsório que os bancos são obrigados a manter no BC.

Está liberando R$ 135 bilhões para os bancos. Isso. Está tudo sereno e se libera esse dinheirão para dar liquidez aos amigos banqueiros.

Mas não é só isso.

Nas entrelinhas das notícias do setor financeiro, se fica sabendo que o espero Pedro Guimarães, presidente da CEF, está se aproveitando que a mídia discute, se foi ou não vazado o positivo do exame de coronavírus do presidente, para depois ele negar e acusar que estão torcendo contra ele, para fazer "negócios urgentes". Comprar carteiras de crédito de bancos médios.

Tudo sereno. Tudo tranquilo e mais dinheiro para os amigos banqueiros. Quem sabe assim, eles possam usar através dos fundos para comprar mais estatais a preço de final de feira.

Um "mini-Proer coronavírus". Tudo para salvar o país do coronavírus.

Assim, para não ficar ainda mais escancarado, tem outra distração. Vai antecipar a metade do 13º dos aposentados do INSS.

Cretinos. Canalhas!!!

terça-feira, março 10, 2020

O que o ciclo petro-econômico e a geopolítica do petróleo podem explicar sobre essa nova crise

Por várias vezes eu tratei neste espaço o tema sobre as variações do preço do barril de petróleo no mercado mundial e sobre as suas implicações nas economias nacionais. Como já é sabido, o petróleo é uma mercadoria especial com enorme repercussão sobre quase todas as outras mercadorias e cadeias de produção.

Em minha pesquisa de doutoramento eu utilizei e acabei por desenvolver um conjunto de interpretações sobre a geopolítica do petróleo e sua relação com as infraestrutura portuária, que se dá em torno da expressão cunhada pelo professor alemão Elmar Altavater de que "o capitalismo foi lubrificado pelo petróleo". [1]

Foi na construção das leituras sobre este processo que se desenvolveu o conceito do "ciclo petro-econômico" para explicar as suas duas fases (expansão ou boom e colapso) e as suas repercussões em diversas dimensões (geopolítica, política, econômico-fiscal, espacial, ambiental e temporal). [2]

O modelo do conceito. Na realidade as variações
de preços não são assim tão senoidais.
Para expor estes processos foi desenvolvido um enorme quadro com sete páginas com uma análise multidimensional sobre as principais características destas dimensões das fases de boom ou colapso do "ciclo petro-econômico", que compõe um capítulo inteiro, que demonstra que se trata de um fenômeno não apenas multidimensional como transescalar (PESSANHA, 2017, P.95-148)

Ao contrário daqueles que têm uma crença absoluta na neutralidade dos movimentos do mercado, incluídos aqueles do setor petróleo, com as alterações de fases destes ciclos, nunca ocorre de forma natural.

As mudanças de ciclos petro-econômicos e suas fases, são sempre decorrentes de decisões geopolíticas, vinculadas aos interesses por hegemonia que geram pressões políticas e alianças entre estados nações.

O desenvolvimento dos ciclos petro-econômicos também respondem a conflitos regionais que envolvem estados que são grandes produtores de petróleo, como em especial aqueles do Oriente Médio, e de um forma mais ou menos intensa, também acaba vinculado aos ciclos mais gerais da economia.

Entender essas alterações de fases e as características e dimensões dos ciclos petro-econômicos, ajuda nas interpretações dos fatos e fenômenos, decorrentes de momentos como esse atual, em que uma violenta redução de preços do barril, que surge em consequência de um triplo movimento: sobreprodução e estoques de petróleo no mercado acima da demanda global; a inviabilização de um acordo entre os maiores produtores e exportadores mundiais de petróleo (Opep e Rússia, ou Opep+1) e uma extrema redução da demanda de petróleo e derivados produzida pela diminuição das atividades econômicas e deslocamentos das pessoas e cargas por a partir do surgimento do coronavírus na China hoje já espalhado por quase todo o mundo.

Esta violenta e abrupta mudança de fase do ciclo petro-econômico com expressiva redução do preço do barril de petróleo, produz efeitos variados para as diferentes nações e para a economia mundial como um todo. Nações que mais importam petróleo ganham e as que exportam perdem.

Projetos de extração e produção tornam-se caros e se inviabilizam, assim como se reduzem as vantagens da expansão das chamadas energias alternativas, em função do barateamento do preço do petróleo, combustíveis e demais derivados.

Várias outras consequências e detalhamentos estão descritos naquele trabalho e podem ser utilizadas para a compreensão do fenômeno presente como, por exemplo, a relação entre a escassez de reservas de petróleo e as hipóteses para os ciclos futuros. [3]

Sem entrar em maiores detalhes sobre os fatos atuais, sobre esta inversão de fases do CPE ou sobre o surgimento de um novo ciclo petro-econômico, cujas consequências dependerá da duração da fase de colapso, ligadas às três causas citadas.

Assim, eu reapresento abaixo o gráfico usado na produção original do texto relacionando a evolução de preços e a ocorrência de conflitos entre 1970 e 2016. Mesmo diante das minhas precárias habilidades na produção e organização de infográficos, eu tentei rascunhar sobre o gráfico gráfico original, as atualizações e variações dos preços do barril de petróleo neste período mais recente entre 2017 e março de 2020 que segue publicado abaixo.

Nós vivemos uma época de explosão de notícias e comentários online sobre várias questões e, agora, em especial por essa superposição de crises da política e do ultraliberalismo brasileiro com o neoliberalismo no centro do capitalismo, conjugado ainda às terríveis consequências do coronavírus.

Desta forma, a ideia de retomar e reapresentar o conceito de ciclo petro-econômico é o de contribuir para ampliar a potência da interpretação sobre a realidade contemporânea que estamos vivenciando.























Referências:
[1] ALTVATER, Elmar. O fim do capitalismo como o conhecemos. 2010. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro.

[2] Tese do autor PESSANHA, Roberto M., defendida em mar. 2017, no PPFH-UERJ: A relação transescalar e multidimensional “Petróleo-porto” como produtora de novas territorialidades. Disponível no Banco de Teses da UERJ: http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/processaPesquisa.php?pesqExecutada=1&id=7433&PHPSESSID=5vd3hsifip5hdg3n1icb57l9m6

[3] Postagem do blog em 24 de julho de 2017, sobre a relação do ciclo petro-econômico, as escassez das reservas de petróleo no mundo e a situação do Brasil a partir do Pré-sal. A geopolítica da energia: os reflexos do ciclo do petróleo e sua relação com o Brasil. Disponível em: http://www.robertomoraes.com.br/2017/07/a-geopolitica-da-energia-os-reflexos-do.html

domingo, março 08, 2020

Coronavírus, petróleo e geopolítica na veia!

Neste momento a geopolítica ferve e entra em ebulição.

Queda dos preços de quase todas as commodities, com exceção como é natural, do ouro, e puxada pelo petróleo que cai desde sexta mais de 30% no mercado mundial.

O coronavírus é um ingrediente dentro de outras questões, como no caso do desentendimento entre Opep e Rússia para controlar produção e segurar o preço do petróleo.

A Rússia joga suas fichas e parece que acertada com a China, que ganha com petróleo mais barato, já que é o maior importador do mundo.

A China enfrenta ainda o coronavírus, mas parece que em novo estágio de enfrentamento.
A Europa está parando.

Os EUA perde muito e no exato momento em que o coronavírus assusta os americanos que vê Trump desdenhar os riscos.

O petróleo de xisto e o shale gas cujos projetos nos EUA já não estavam se pagando, agora pior, entram em forte prejuízo com petróleo a US$ 36, o barril.

Isso tudo tem efeito imediato no humor dos americanos e na eleição presidencial.

No mundo globalizado todos são atingidos.

O Brasil poderia estar sendo menos atingido, se ao invés de estar exportando petróleo (agora a preço muito barato), estivesse processando o mesmo aqui, em nossas refinarias, quando seríamos menos atingidos.

Nas últimas duas semanas o preço do barril de petróleo caiu bastante, mas o preço nas bombas segue o mesmo.

Pior. Com os erros de Guedes que tombam o PIB e a nossa economia todos sofrerão mais agora, de forma exponencial, com essa crise global sobre a crise nacional.

Como sempre as crise atingem os mais pobres.


PS.: Atualizado às 23:54: A Bolsa de Tóquio (Nikkei) caindo agora 6,15%.

PS.: Atualizado 01:26: o preço do barril de petróleo tipo brent está cotado a US$ 31,26, com queda, só hoje, de 29,67%. A bolsa de futuro dos EUA cai a quase 5%, enquanto a bolsa de Tóquio segue caindo agora em 5,5%.

A máquina das dívidas como motor do capitalismo contemporâneo

Hoje as dívidas movem e arrastam o capitalismo. Do setor público ao setor privado, do grande ao menor dos menores (que chamam apenas de consumidores) estão pendurados nas dívidas.

As dívidas grandes puxam as empresas e as pequenas os cidadãos para se submeterem ao que for necessário em busca de seu pagamento. Para reduzir as dívidas, se acorda mais cedo, dorme mais tarde, faz horas extras, ou se submete aos trabalhos cada vez mais precários e sem direitos. A dívida move o consumo que gera mais dívida numa roda sem fim.

Fonte: Relatório IIF. Valor, 06 mar 2020, P. A12.
Segundo o relatório da IIF (Instituto Internacional de Finanças), a associação mundial que articula o setor bancário mundial, no meio de 2019, a dívida global já atingia US$ 253 trilhões, ou R$ 1,2 quatrilhão de reais. Isso mesmo. Até o “word” recusou essa palavra “quatrilhão”, marcando-a em vermelho (sic).

A taxa de endividamento no mundo chegou atualmente a 322% do PIB mundial (soma de todas as riquezas materiais), o que significa que, em boa parte, ela não se sustenta em termos materiais. Esse volume de dívidas significa em termos per capita, que em média cada pessoa do planeta deve cerca de US$ 33 mil, cerca de R$ 155 mil. Ôpa, você gritará, eu não. Alto lá! Mas de qualquer forma isso lhe atinge de uma forma ou outra. Só não atinge a quem cria e estimula as dívidas.

Só a dívida do setor financeiro equivale a US$ 190 trilhões, ou 240% do PIB global, o que também nos sugere de que na sua maior parte ela nunca será paga, apenas seguirá puxando e arrastando os setores econômicos.

É uma dívida gigantesca e incontrolável. Um motor puxado pelos EUA, que desde 2000, triplicou a sua dívida que hoje já equivale a US$ 73,6 trilhões, ou 106% do seu PIB, exatamente, o que os EUA diz, junto com o FMI, que é uma relação que nação nenhuma do mundo deve permitir (sic).

Ainda nos EUA, além das dívidas do tesouro americano, as dívidas privadas dispararam. Entre 2004 e 2013, a dívida estudantil (que está nos debates de mais uma eleição presidencial), quadruplicou e chega hoje a mais de US$ 1,5 trilhão (R$ 7 trilhões, mais que todo o PIB do Brasil).

As dívidas dos estudantes americanos só não é maior do que a dívida que eles possuem com as hipotecas de imóveis, que em 2014 chegou a US$ 8,7 trilhão. A dívida dos estudantes já é maior do que a dos americanos com a compra de automóveis, que em 2018 estava em R$ 1,1 trilhão. Hoje, em boa parte veículos adquirida pelos motoristas (empreendedores da Uber ou 99), que se penduram nas dívidas fazendo que eles tenham (em todo o mundo) que rodar 12, 13, 15, 16 horas, seguidas por dia. Também no cartão de crédito a dívida dos americanos já ultrapassou US$ 1 trilhão.

No livro sobre “A ´indústria´ dos fundos financeiros”, eu escrevi um breve subcapítulo sobre o tema com o título “A ´máquina das dívidas´ como fórmula para a criação de valor no mundo das finanças”. A dívida é a máquina que puxa o todo o resto. É um moto contínuo, uma máquina de multiplicação de dívidas.

Entender essa realidade é o início para uma compreensão mais profunda sobre os movimentos do capital e a economia política na atualidade. As dívidas não precisam ser pagas (veja o caso dos EUA), mas precisam existir para continuar a puxar o capitalismo que esgarça o tecido social e a civilização como estamos vivenciando. É contra isso, que o grande Papa Francisco tem se movimentado tanto. Outro mundo tem que ser possível!

sábado, março 07, 2020

Se aproxima o fim da aventura Paulo Guedes

Quando se dizia, lá atrás, que o Paulo Guedes (Paulo FedEx, o entreguista) era um aventureiro em termos de políticas públicas, que nunca tinha administrado nada em termos de administração da coisa pública e dos interesses de uma nação, a não ser a riqueza dos banqueiros e fundos financeiros, a crítica parecia um exagero, como se a mesma se fundasse apenas em termos referenciais ideológicos.

Pois bem, passados 14 meses, aí está o desastre em quem abandona a ideia do tripé: Sociedade-Mercado-Governo, acreditando que apenas um dos vértices, o mercado, poderia produzir resultados.

Mesmo na lógica de mercado e neoliberal, Guedes é um fiasco guiado por um ideário ideológico e numa crença do deus mercado.

Pelas insuficiências dos representantes da elite econômica nacional, ele partiu para entrega ao mercado global de nossas riquezas e empresas estatais, exercendo seu "papel FedEx" acreditando que isso, resolveria as demais questões.

O resultado é quase uma centena de bilhões de dólares retirados de ações em empresas nacionais no Ibovespa neste período.

As liberações do FGTS, do PIS e a queima das reservas do petróleo pré-sal na bacia das almas, criaram a ilusão da recuperação, em leitura, novamente ideológica, que ficou conhecida como o "agora vai".

Delfim Neto, um liberal das antigas, sempre lembrava que o mercado era imprescindível, mas era necessário domar esse monstro, ou seria engolido por ele.

O caso agora, mesmo na lógica dos mercadistas (neoliberais) é muito grave. O atoleiro é maior e se espalhou pelo entorno. O Guedes já enviou vários sinais de que deseja sair, até porque não quer esperar o bilhete azul, do prazo dos quatro meses que o humilhou.

Como eu já disse na postagem, abaixo, essa crise do ultraliberalismo brasileiro, está dentro de outra crise do neoliberalismo global e em várias nações e que agora também se soma à disrupção explosiva do coronavírus.

Também já disse a quem interessa a crise para recolher os excedentes de riqueza produzidos pelo andar de baixo da pirâmide do capital.

Agora não só os pobres sofrem, a classe média mais baixa (e média) também terá sofrimento e as perdas ampliadas.

Até por isso, não dá para dizer que quem pariu Guedes que o embale.

O Brasil precisa interromper este desmonte e reconstruir a Nação.

terça-feira, março 03, 2020

O coronavírus irá gerar mais ainda vítimas com a intensificação da reestruturação produtiva

As pesquisas mais recentes que desenvolvi nos últimos anos, me auxiliam hoje, a analisar com mais profundidade alguns fenômenos sócio-político-econômicos do presente.

A partir dos fatos e dos agentes é possível compreender os processos e o sistema como um todo.

Mais. É também possível ainda interpretar os movimentos do capital em sua busca permanente e frenética de acumulação.

Vamos então a um fato específico em breve análise.

Nesse sentido, eu já comentei em postagem aqui que o caso do coronavírus está permitindo ver a extensão, capilaridade e intensidade com as quais as cadeias de valor global (CVG), hoje, se articulam globalmente, com repercussões em várias dimensões, além da mais óbvia que é a econômica. [1]

Porém, a epidemia que se espalha em termos espaciais, permite observar ainda outros fenômenos, a partir dos fatos cotidianos que vão sendo noticiados. 

Um deles é esse da matéria aqui do Valor (03 Mar. 2020, P.C2) - gráfico ao lado - que mostra como ações e investimentos econômicos em alguns tipos de negócios, passaram a render mais com a desgraça da doença originada com a contaminação do vírus corona. [2]

Ações e investimentos nas empresas de saúde crescem. Este é o caso das empresas de laboratórios que já estão ganhando muito mais com a expansão dos exames de todos os tipos além, do diagnóstico do vírus corona.

Desta forma no Brasil, o laboratório Fleury, já surge como o melhor resultado nos últimos dias na Bolsa brasileira (Ibovespa), acima das demais - que caem em sua grande maioria -, sendo seguida de perto, pela rede de farmácias, Droga Raia, por razões também fáceis de serem compreendidas.

No plano global, um outro resultado significativo na bolsa de valores dos EUA, foi a empresa de streaming de filmes, a NetFlix, que se valoriza na medida em que o maior tempo em casa, para fugir da exposição ao público, tem levado a um procurar maior por assinaturas.

Tudo isso reforça, o que tratei no livro sobre "A indústria dos fundos financeiros", quando tentei mostrar, como o capital vai escolhendo e navegando entre as suas diferentes frações (setores econômicos) e espaços (regiões), conforme as promessas de maiores rentabilidades e lucros. [3]

Sem querer estender mais (vou tratar do tema mais adiante), vale ainda observar as consequências que teremos na dimensão do trabalho e do trabalhador, a partir do fato de diversas empresas, já estarem optando por transferir alguns tipos de trabalho para o ambiente doméstico (home work), de forma a evitar a contaminação no ambiente comum compartilhado nas sedes e unidades da empresa.

Não é difícil intuir, que o processo de trabalho em casa (home work), que já existe, passará por uma experiência, que já jamais teve antes, em termos de volume.

Agindo agora pela pressão dos riscos de contaminação do coronavírus, as empresas arriscarão muito mais, para experimentar esse tipo de relação com o trabalhador, controlado à distância por resultados e metas, muitas vezes feitos por instrumentos usados pela própria tecnologia, com uso de vários tipos de software de gerenciamento, Big Data e Inteligência Artificial (AI).

Essa experiência gerará uma avaliação em termos de resultados e custos jamais visto. Menores despesas com luz, água, café, papel, espaços, apoio para transportes, etc., certamente, tenderá a ampliar, e muito, o uso deste meio de contratação e trabalho, em relação ao que se tinha antes.

Enfim, observando os fatos, os agentes e os processos daí decorrentes, é possível sair apenas da notícia nova, fragmentadas e em volume explosivo e paralisante, para interpretações mais totalizantes e potentes, não apenas sobre leituras conjunturais, mas sobre a relação destes fenômenos com a estrutura do sistema. Voltarei ao tema.


Referência:
[1] Postagem no blog em 6 de fevereiro de 2020. Cadeias de Valor Global (CVG) ficam evidentes e expostas com o coronavírus. Disponível em: https://www.robertomoraes.com.br/2020/02/cadeias-de-valor-global-cvg-ficam.html

[2] Matéria do Valor em 3 de março de 2020, P. C2. Ações de saúde se destacam em meio à turbulência. Disponível em: https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/03/03/acoes-de-saude-se-destacam-em-meio-a-turbulencia.ghtml

[3] PESSANHA, Roberto Moraes. A ´indústria´ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo. Editora Consequência, 2029. Rio de Janeiro. 

domingo, março 01, 2020

"A disputa política no Brasil não passa pelo centro", por Eduardo Costa Pinto

A disputa política no Brasil não passa pelo centro. A energia do “anti-establishment” (antissistema) assumida com o golpe pela direita é o caminho a ser conquistado pela esquerda.

As afirmações acima estão num texto do professor e pesquisador, Eduardo Costa Pinto do Instituto de Economia (IE/UFRJ), publicado no final do sábado (29 fev. 2020) em seu perfil no Facebook.

Entendo que os argumentos apresentados ajudam ao debate sobre as alternativas políticas no Brasil. Assim, abaixo posto o texto do artigo na íntegra e em seguida, outro texto com os comentários que fiz na mesma postagem.


Eduardo Costa Pinto em 29 fev. 2020:

Os resultados eleitorais em, boa parte, do mundo têm evidenciado que parte expressiva da população está optando em votar em candidatos que não representem o establishment, que é fortemente identificado com o "centro".

Os liberais e suas caixas de ressonâncias ideológicas (The Economist, fundações empresariais internacionais, grande imprensa liberal - no caso brasileira a Globo, a Folha, etc.) estão tentando reconstruir um "centro" nos países desenvolvidos e periféricos, mas isso não é possível dado que a população enxerga esse "centro" como o establishment.
E acho que com toda a razão, pois esse "centro", os “neoliberais progressistas”, nos termos da Nancy Fraser, governou a Europa e os EUA nos últimos 30 anos.

Arrisco a dizer que a população está questionando tanto o establishment econômico (1% mais rico) como o político (o sistema partidário em geral) e o acadêmico (professores e pesquisadores universitários, os donos da verdade científica e os que legitimaram os donos do poder nas últimas décadas).

É evidente que as fake-news criam cortinas de fumaça para a população, mas acho que temos que compreender os motivos (elementos estruturais) que criaram a demanda da população pelo anti-sistêmico.

Na questão econômica, o aumento da desigualdade e a piora gradual da renda do trabalho explicam esse movimento anti-sistema do povo. Não por acaso o Piketty ganhou toda sua notoriedade ao apresentar os dados de desigualdade na Europa e nos EUA nas últimas décadas.

No caso brasileiro, os efeitos sociais do austericídio da Dilma em 2015 foram devastadores. O choque de juros, o corte de gastos e, sobretudo, o choque de preços administrados (energia, gás, gasolina - o preço do botijão aumentou 20% em 2015) e a elevação rápida do desemprego aumentaram o descolamento do governo com a população mais pobre.

No caso do sistema político, há pouca alternativa em termos de proposições de políticas econômicas (dos diversos partidos com chance eleitoral) que busquem efetivamente melhorar as condições dos mais pobres e dos trabalhadores.
Basta olhar o que foi a terceira via europeia depois do Mitterrand, em 1982, e com o avanço do neoliberalismo na década de 1990.

É evidente que durante os governos Lula e Dilma as condições de vida melhoraram e não por acaso o Lula saiu como o presidente mais bem avaliado. Somado a catástrofe econômica de 2015, os efeitos políticos e institucionais da lava jato foram destruidores. Implodiu o sistema político com o efeito Joesley e acelerou no Brasil a ideia da necessidade do anti-sistêmico.

E foi o Bolsonaro que conseguiu capturar essa energia revolucionária da população (o atual espírito do tempo, basta ver o Chile e a produção do cinema – Coringa, Bacurau, Parasita, entre outros), vendendo-se como um “jacobino de direita”!

Vendeu a falsa ideia que vai mudar tudo que está aí! Mesmo ele sendo o mais arcaico da política brasileira. Para continuar com esse discurso precisa criar inimigos (Congresso, imprensa, esquerda marxista cultural, ONU, etc.) que estariam impedindo a melhoria do povo e da nação. Ainda vamos vivenciar turbulências constantemente.

No plano acadêmico, estamos cada vez mais distante da população e das questões brasileiras. Ficamos presos nas nossas especializações (no caso do economista como se fosse possível resolver tudo como uma política monetária ou fiscal mais adequada tecnicamente). Estamos presos aos pontinhos CAPES e a aprovação dos nossos pares. Nossas análises estão cada vez mais burocráticas. E isso vale não somente para os economistas, mas para boa parte das ciências sociais.

Não tenho uma resposta pronta para sair dessa situação. Mas tenho alguns pontos que acho que estão claros, pelo menos pra mim:

1) a saída neoliberal, implementada desde 2015 e aprofundada em 2016 e em 2019, não está gerando o crescimento econômico esperado, nem melhorando o mercado de trabalho. A fada da confiança não vai se materializar! Por outro lado, a mudança de regime em curso (reformas trabalhista, previdenciário, teto dos gastos, etc.) tem possibilitado uma forte elevação das taxas de lucros das grandes empresas (financeira e não financeiras) em detrimento do salários dos trabalhadores e da oferta de bens públicos pelo Estado;

2) não dá pra adotar as mesmas medidas econômicas utilizadas no governo Lula, pois as condições estruturais (mudanças nos termos de troca, destruição de segmentos produtivos em virtude dos efeitos da lava jato, etc.) se modificaram de forma expressiva a partir de 2011 que dificultam, em muito, construir o mesmo arranjo econômico da era Lula;

3) não há no atual momento como construir uma conciliação política (lulismo) com os setores dominantes. O outro lado (do capital) não quer (vide FIESP, bancos, agronegócio, etc.), pois as taxas de lucros das grandes empresas estão crescendo de forma vigorosa desde 2017. Esses segmentos dominantes estão tentando implementar uma mudança no padrão de acumulação do Brasil, retornando elementos pré 1930 da relação entre capital e trabalho e entre Estado e a população.
Acho que a esquerda tem que construir um programa mais ousada (o caso do Bernie Sanders é ilustrativo, se definir como uma socialista democráticos no EUA e mesmo assim ter chance eleitoral) que foque nos investimentos públicos em infra urbana, em educação e saúde (bens públicos) que deverá em parte ser financiado por forte elevação dos impostos sobre o 1% mais ricos (aumento do IPTU, do ITR, dos dividendos, das heranças, etc).

O 1% mais rico deve ser o nosso foco político, somente assim a esquerda vai se conectar com a demanda eleitoral anti-sistema da população. E não adianta fazer um programa ousado e depois girar completamente como a Dilma em 2015.

E olha que esse projeto mais ousado nada mais é do que um resgate da social democracia. E alguns amigos vão me dizer que um marxistas raiz não pode defender a implementação de uma social democracia clássica.

Minha resposta para isso é: dada nossa acumulação de forças atual a social democracia raiz tornou-se "revolucionário" para o Brasil marcado por seus setores dominantes escravocratas e patológicos, que adotam o Jeitão, nos termos do Chico de Oliveira, para se manter no poder a qualquer custo! Mudando regime, dando golpes clássico/militar ou parlamentar!

É evidente que essa acumulação de forças pode mudar rapidamente, mas não há sinais no curto prazo. Além de construir esse tipo de plano econômico, precisaremos defendê-lo com muita intensidade política. É possível implantar um programa desse tipo hoje no Brasil? Não sei responder, mas temos que tentar!

Realmente, essa batalha vai muito além do ciclo eleitoral, pois acho que viveremos uma transição longa no Brasil e no Mundo.
Sem o apoio dessa população (com seu espírito do tempo anti-sistema), a esquerda pode até ganhar a próxima eleição, mas não conseguirá governar nem levar o jogo até final do tempo determinado institucionalmente. Sempre pode aparecer um juiz que apite sem neutralidade!

Desculpem o texto longo, mas são inquietações que compartilho com vocês, num sábado à noite chuvoso no Rio, para pensarmos coletivamente.


Meu comentário em 01 Mar. 2020 sobre o texto do Eduardo Pinto como contribuição ao debate:

A direita impôs aos reformistas sociais, à centro-esquerda e à esquerda, a pecha de defender a política, enquanto eles (surgidos no Brasil com o movimento do impeachment e golpe) como sendo a não-política, o antissistema, o anti-establishment.

A política foi assim, sendo vendida como o demônio a ser enfrentado como pai e mãe da corrupção. E quem se colocava contra esse movimento, passou a ser visto como “gente do esquema da corrupção”. Gente que era do sistema a ser combatido. Assim, a direita se transformou e foi apoiada como antissistema, aqui e em outros lugares do mundo.

Aqui no Brasil, foi dessa forma que fomos sendo “entubados” em meio a esquemas confusos e uma explosão de informações e guerra de não-informações (Fake News), em vagalhões (ondas), que foram impondo o ódio e a violência contra o inimigo comum que representava o sistema a ser derrubado.

Desta forma, a direita já como parte do grande poder econômico, conquistou espaços e apoios populares. De dentro, o poder econômico passou a acreditar, centralizar e multiplicar esforços financeiros que bancou e expandiu as redes formais e não formais de comunicação. Com a opinião pública favorável (comprada ou conquistada) pela condição de antissistema, ela controlou também as principais decisões judiciais que se colocavam no caminho do projeto de retomada do poder depois de treze anos. Com essas redes de comunicações, os algoritmos do big data trabalharam, freneticamente, o público a ser conquistado para consolidar o candidato “anti-establishment”.

Em meio a este quadro, as questões levantadas pelo Eduardo merecem ser analisadas e debatidas. Elas são pertinentes. Em síntese, o Eduardo traz para o debate o argumento principal de que não haveria espaços no Brasil (e nem lá fora), para que a disputa política se dê pela busca do centro. Aliás, o que seria centro, está cada vez mais reduzido porque é visto como parte do sistema. E, em boa parte, não quer conciliação conosco. Uma parte segue preferindo a direita e outra está aí para ser conquistada.

Desta forma, a energia do “anti-establishment” (antissistema), assumida com o golpe pela direita, seria o caminho correto a ser perseguido e conquistado pela esquerda, com um programa mais ousado, verdadeiramente antissistema e mais claramente pós-capitalista, que tire de quem tem para entregar a quem não tem.

Nessa linha, a mobilização deveria ter como objetivo sair das reações pontuais às tresloucadas falas e decisões do desgoverno Bolsonaro, para ganhar corações e mentes entre a população. Assim, também se enfrenta os riscos à democracia. Mas é preciso ir além e propor um programa ousado que tenha a defesa clara de investimentos públicos em várias áreas como em especial: em infraestrutura e mobilidade urbana; habitação; energia mais em conta; bens públicos para melhorar a rede de educação e saúde, etc., tudo a ser financiado com dinheiro do tesouro, políticas keynesianas e recursos obtidos com a elevação dos impostos sobre os mais ricos, tributos sobre os dividendos dos investimentos financeiros e com a maior taxação da propriedade (heranças), etc. Esse é o debate para além apenas da necessária resistência ao estado autoritário e ao desgoverno dos ricos e para os ricos (plutocrata).