quarta-feira, dezembro 17, 2014

Retomada das relações EUA-Cuba é notícia no mundo inteiro

O mundo inteiro repercute a retomada do diálogo entre a pequena Cuba e os EUA. Veja abaixo a manchete que cobre toda a primeira página do portal do jornal Espanhol El País no final da noite desta quarta-feira, 17/12/2014.

Obama diz com todas as letras que isolamento não funcionou. A questão é comercial e pragmática, como no caso das relações EUA-China que fortalece uma relação Atlântico-Pacífico na nova geopolítica mundial.

Os portos tendem a ganhar relevância ainda maior, assim como as relações Miami-Havana. Desta forma, também as explorações de petróleo no Golfo do México que Cuba também passou a explorar com plataforma chinesa. Tudo isso, sem esquecer do Porto Mariel construído com financiamento para empresas brasileiras que construíram e lá venderam equipamentos.

A União Europeia (UE) já negocia também, o reatamento das relações com Cuba. Uma reunião em fevereiro entre os ministros das Relações Exteriores dos países da UE deve seguir o caminho dos EUA.

E ainda há quem olhe para trás negando os novos alinhamentos que estão em curso na nova geopolítica mundial.


Movimento nas empresas junto ao Porto do Açu

O blog juntou numa única nota três informações sobre a movimentação no terminal 1 e 2 do Porto do Açu nestes últimos dias: 

Consórcio Integra
O Consórcio Integra que tem a Mendes Jr. e a OSX como parceiras e que monta módulos da plataforma P-67, numa área junto ao terminal 2 do Porto do Açu segue demitindo.

O empreendimento do setor de construção naval que já chegou a ter mais de 700 trabalhadores segue demitindo. Só na semana passada foram 160 trabalhadores. Alguns contratados recentemente com menos de 30 dias de carteira assinada.

No empreendimento há comentários sobre possibilidades de interrupção total das atividades nos próximos dias, apesar de equipamentos novos como o grande guindaste Mammoet trazido pela OSX da Coreia estar com suas partes ainda chegando ao Açu.

Recentemente houve mudança de toda a gerência das atividades do Consórcio Integra no Açu e até uma segunda montagem de plataformas, da P-50, chegou de ser cogitada de ser enviada para construção na China, mas, teria sido suspensa a decisão.

As encomendas executadas pelo Consórcio Integra são feitas por outro consórcio financiador estruturado a partir da Petrobras que é o Sete Brasil que se encontra em auditorias e investigação dentro da Operação Lava a Jato. O fato parece dar mostras do potencial de problemas que como dominó seguem caindo com os fatos e as apurações policiais e judiciais.

Vale recordar que fazem parte do Consórcio Sete Brasil, o fundo americano que é atualmente o controlador do Porto do Açu, o EIG, além do Banco BTG Pactual, fundo de previdência, e num percentual menor, a própria Petrobras.

Empresa chegando ao Açu
De outro lado está chegando ao Açu, onde acaba de alugar uma casa para servir de base na região, a empresa catarinense Construtora Stein que possui sede no município de Blumenau. 

A Construtora Stein tem previsão para no início de 2015, contratar cerca de 300 trabalhadores, para atuar na construção da base da Edson Chouest Offshore (Eco), também junto, ao terminal 2 do Porto do Açu.

Vale aqui chamar a atenção como se caracteriza um empreendimento do tipo enclave. Observe que sua cadeia de serviços obedece uma lógica de contratação de serviços, praticamente, sem nenhuma relação com a região e mesmo pouca com a dinâmica econômica do estado. 

Neste caso vale lembrar que o grupo Edison Chouest Offshore (Eco)possui um estaleiro instalado no município de Navegantes no litoral do estado de Santa Catarina, o que pode explicar as ligações empresariais e de negócios agora ampliada para um trabalho, junto à base da Eco no Porto do Açu.

Como se sabe, esta base da Eco visa o atendimento de prestação de serviços de apoio à movimentação de cargas, na exploração offshore de petróleo na Bacia de Campos.

Mais um carregamento de minério de ferro
Zarpou hoje pela manhã, o terceiro navio "United Ocena" que chegou na segunda-feira (15/12) com novo carregamento de minério de ferro em direção à Ásia. O carregamento foi feito pela FerroPort, jointe-venture entre Prumo Logística Global S.A. e a Anglo American. 

Como já comentamos aqui no dia 27 de outubro ao falar sobre o primeiro carregamento de minério de ferro no Porto do Açu, cada carregamento de um navio gera ao município de São João da Barra, um valor de aproximadamente R$ 400 mil como tributação do ISS (Imposto Sobre Serviços).

Abaixo dois registros da atracação e saída da embarcação.



Audiências públicas para discussão do Plano Diretor de SJB: a comunidade espera mais que a antecipação do debate eleitoral de 2016

Depois dos questionamentos feitos pelo blog (aqui em 6 de dezembro e aqui  no dia 10 de dezembro), as audiências públicas sobre a reforma do Plano Diretor do município de São João da Barra aconteceram, mesmo que pouco convocadas oficialmente, um número razoável de pessoas esteve presente, na segunda-feira, na localidade de Mato Escuro, e ontem, terça-feira, no distrito de Barcelos.

Dessa vez, não houve convocação com carro de som e nem por faixas. Foi tudo no boca a boca

Os questionamentos da comunidade foram muitos e variados. Os vereadores na maioria parece preocupados de ficar contra a população, até na forma de se posicionar na reunião segundo informações obtidas pelo blog.
Foto da Audiência em Mato Escuro em 15-12
Fonte Perfil no FB Pres. Câmara Aluizio Siqueira

Já na primeira audiência, pessoas da comunidade questionaram o prefeito Neco, sobre suas críticas à gestão anterior se ele fez parte dela e ainda era o presidente da Câmara, quando o plano anterior que estava sendo questionado foi criticado.

O prefeito Neco disse que não queria cometer os mesmos erros da gestão de Carla e disse que queria ouvir a população.

Pessoas da comunidade também questionaram sobre o percurso do Corredor Logístico e sobre o seu futuro uso e ainda sobre a empresa Prumo, controladora do Porto do Açu, se apossar de estradas atualmente usadas pela comunidade.

A empresa Prumo que esteve representada nas duas reuniões tentou responder sobre a questão e não teria convencido as pessoas presentes.

Já por conta desse questionamento na reunião de segunda-feira, a prefeitura teria mandado ontem retirar a cancela e aberto a estrada em frente à escola da localidade de Água Preta que estava fechada pela empresa há um bom tempo.

A Prumo teria assegurado que as pessoas da comunidade poderiam se deslocar e ir à Lagoa de Iquipari, acesso que hoje estaria inviabilizado. O acesso seria pela estrada da Água Preta passando pela antiga Fazenda Saco D'antas que a empresa tinha fechado e, a partir da audiência ficou decidido (acordado) que a Prumo liberaria a passagem por ela.

Há uma preocupação grande com o que seriam as tais “Zonas Controladas”. Elas não foram bem explicadas, segundo participantes das duas reuniões.

Ainda na primeira reunião, o prefeito Neco e a Prumo foram questionados pelos presentes em relação ao pagamento das propriedades desapropriadas. A Prumo não respondeu sobre a questão, enquanto o prefeito Neco disse que os prejudicados poderiam procurar a prefeitura que esta colocaria os advogados da defensoria para ajudar e defender os prejudicados.

Os vereadores estão com cuidado diante da questão e dos questionamentos da população, especialmente depois que aprovaram o reajuste de 80% para o IPTU, embora também tenham aprovado um desconto inicial.

Porém, a audiência mais quente foi a de ontem em Barcelos, onde a ex-prefeita Carla Machado esteve presente e de certa forma antecipou um debate previsto para as eleições de 2016.

O prefeito Neco teria sido avisado que a ex-prefeita estaria presente. Assim, a reunião de ontem em Barcelos teve a presença de mais gente do governo e pouca gente da comunidade, comparado com a de Mato Escuro.
Audiência Pública debate do PD em Barcelos.
Fonte: FB Perfil Helena Sant´Anna

A ex-prefeita pediu a palavra e teria falado por quase meia hora e rebateu as acusações da reunião anterior e houve troca de acusações e responsabilidades.

As acusações mútuas de responsabilidades não resolvem o problema da comunidade, ela quer o debate sobre aquilo que afeta a sua vida naquela comunidade e não a simples antecipação do processo eleitoral de 2016.

O Porto do Açu tem uma série de equívocos desde a sua instalação com impactos sociais e ambientais que poderiam ter sido reduzidos.

Hoje, o empreendimento, em que pese problemas estruturais e financeiros ainda pendentes é uma realidade, embora, muitos desapropriados ainda sofram, assim como a comunidade rural remanescente atingida pela salinização e ainda, os moradores da Praia de Barra do Açu que sofrem as conseqüências da erosão da praia, que a empresa Prumo insiste em negar sua responsabilidade.

Assim, espera-se que o Plano Diretor possa ser mais discutido em todas as suas conseqüências e não aprovado de afogadilho e muito menos, sirva o seu importante debate apenas para a disputa pelo poder no município de São João da Barra.

PS.: Atualizado às 12:10: Para pequenos acréscimos.

Mais sobre a economia e a vida na Espanha

Por aqui eu sigo tentando compreender os meandros da Economia Global. Com um olho na teoria e outra na materialidade do cotidiano.

Assim, eu registrei que foi divulgado na semana passada, aqui na Espanha, duas informações que ajudam a compreender a crise e quem perde ou ganha com ela nesse país localizado ao sul da Europa.

Segundo o INE (Instituto Nacional de Estadistica da Espanha), um total de 206 mil pessoas abandonaram o país no primeiro semestre de 2014.

O INE informou ainda que no mesmo período chegaram 156 mil imigrantes resultando um saldo negativo de aproximadamente 50 mil pessoas a menos vivendo na Espanha. Este número cai para 48 mil se considerar o saldo número de nascimentos em relação ao de mortos no mesmo período de 2 mil pessoas. Assim, efetivamente vivem menos 48 mil pessoas na Espanha ao final de junho.

Ainda, segundo o  INE a população segue caindo e com tendência negativa desde 2012. O dado novo é que a saída agora é menos de estrangeiros que viviam na Espanha e mais de espanhóis num percentual 15% maior do que no ano anterior. Os destinos preferidos dos espanhóis são Reino Unido e França, para onde seguem em busca de empregos. E no caso de retorno de estrangeiros, o Equador.

É bom lembrar aqui duas matérias que comentamos há poucos dias no blog que pelas falas as autoridades econômicas há alguma melhoria na economia do país,mas, para isso, os espanhóis vivem em piores situações, Confira aqui e aqui.

Este fato é interessante para observar a segunda notícia. Segundo o IEE (Instituto de Estudos Econômicos) da Espanha, as exportações de negócios e serviços do país está crescendo 3,8% neste ano de 2014. E tem uma estimativa de aumentar para 4,9% em 2015. Sendo assim, a Espanha para sétima colocação em aumento de exportações na CEE. Uma variação melhor do que da Alemanha que cresce 3,3% de exportações esse ano e tem previsão de crescer 4,2% ano que vem. Ou seja, a Espanha ficará em 2015 acima da média europeia de crescimento de exportações em 3,9%.

Veja abaixo o gráfico publicado pelo jornal de economia espanhol "El Economista". com estes percentuais.

Ou seja, a economia vai bem e os espanhóis vão mal com 24% de desemprego e perda crescente de direitos sociais reclamadas nas ruas toda a semana. (Veja aqui)

Assim se vê que as contradições não são difíceis de serem compreendidas, desde que se queira efetivamente identificar suas causas. Por isso é que nunca é correto imaginar que a crise em uma nação ou um continente atinge a todos negativamente. Ela acaba sendo uma arrumação que retira de uns e repassam a outros.

Nesse sentido, o caso da Espanha é clarividente, aos olhos de quem deseja enxergar. Resta saber como politicamente isto será conduzido pelos espanhóis na escolha de seus representantes políticos, fonte de mediação deste e outros problemas.

Sobre o assunto petróleo, Petrobras, etc.

Continuemos no importante tema. Que não fique pedra sobre pedra e a Petrobras siga com os brasileiros. Assim, repercuto abaixo algumas breves discussões no ambiente e perfis do FB. Assim, escrevi ontem ao final do dia

A cotação do petróleo Brent caiu abaixo de US$ 60 por barril. É a primeira vez que isto acontece em cinco anos.

O motivo continua a ser o excesso de oferta que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo diz que não deverá ser reduzida, enquanto outros produtores continuam a expandir a produção.

De acordo com o Goldman Sachs, as companhias de petróleo americanas são beneficiadas quando os custos caem tão rapidamente quanto os preços.

Sobre o assunto Delfim Neto disse hoje em artigo que: 

"Há uma enorme incerteza sobre os preços futuros do petróleo. As explicações vão desde fórmulas conspiratórias que unem o interesse político do Ocidente em “civilizar” a Rússia de Vladimir Putin com o interesse econômico dos países do Golfo de desestimularem a produção de pequenos fornecedores e inibir o desenvolvimento tecnológico de energias alternativas, até explicações “técnicas” que apelam para o aumento da oferta da qual fazem parte a Líbia, o Iraque, o Brasil, o México e, especialmente, os Estados Unidos, cuja produção, recentemente, tem crescido a 15% ao ano. Esse aumento da oferta tem sido acompanhado por uma simultânea queda da demanda da China e a estagnação do continente europeu".

Ainda sobre o assunto Delfim Neto avaliou as consequências disto para o Brasil: 

"A redução do preço do petróleo, se durar, deve ser um fator positivo no crescimento do PIB no Brasil e no mundo, mas deve criar problemas para a exploração do pré-sal."

O advogado e especialista em Gestão Pública Marcelo Viana complementou com outros dados. Ao ver sua postagem eu comentei que blogueiros e facebucanos estão cada vez mais fazendo o papel de trazer informações que não nos chegam pelos caminhos da mídia comercial. Assim, permitem e nos oferecem uma possibilidade de análise mais ampla da realidade do cotidiano, diante daqueles que querem nos fazer ter única e exclusivamente a sua compreensão:

"Estive hoje na Transpetro a convite. Conheci o Centro Nacional de Acompanhamento Naval pelo qual a empresa monitora sua frota de 53 navios em tempo real. Tecnologia totalmente brasileira feita em parceria com a USP e com o polo de TI do Nordeste. Fui informado que a Petrobras está batendo seu recorde de produção de 2,3 milhões de barris dias, dos quais 750 mil vêm do pré-sal. A produção no pré-sal vem crescendo a impressionantes 7% ao mês. A tendência é do polo dinâmico da exploração migrar da Bacia de Campos, cujos poços são em regra maduros, para a Bacia de Santos. Graças às encomendas da Transpetro, a indústria naval brasileira já é a quarta em encomendas, a terceira em tamanho se considerarmos a demanda por petroleiros, atrás apenas da China e da Coreia do Sul.

Você sabia?

Em tempo: visitei também o centro de treinamento equipado com simuladores que impressionam
pela sofisticação, todos equipamentos patenteados pela empresa em parceria com a USP e empresas nacionais de TI.
Em tempo 2: lá me disseram que o petróleo do pré-sal é viável até US$ 40 o barril".

Por fim, mas não por último vale ler o texto do Luciano Martins Costa "Os dedos sujos de óleo", publicado originalmente, ontem no portal do Observatório da Imprensa:

"Os dedos sujos de óleo"
por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa, em 16/12/2014 na edição 829

"Os jornais fazem um retrato tenebroso da situação em que se encontra a Petrobras, um mês depois de revelada a extensão das negociatas que envolveram políticos, dirigentes da estatal e grandes empreiteiras que fazem parte de sua constelação de negócios. Os números são tão grandiosos que o leitor é incapaz de imaginar o volume de dinheiro desviado em negócios superfaturados.

O resultado é que, quanto mais atenção coloca no noticiário, menos capaz fica o cidadão de abranger todo o contexto. Na terça-feira (16/12), porém, surge uma ponta da meada que permite entender a lógica da imprensa: com seu valor reduzido seguidamente por conta do escândalo, sob ameaça de ações judiciais nos Estados Unidos e no Brasil, e ainda sob risco de ver seus principais fornecedores serem condenados e proscritos, analistas começam a afirmar que a estatal estaria impossibilitada de seguir explorando a reserva de pré-sal (ver aqui e aqui).

Como se sabe, os 149 mil km2 da província do pré-sal apresentam uma taxa de produtividade muito acima da média mundial e já são a fonte de quase 30% de todo o óleo extraído pela empresa. Feita a projeção de crescimento dos atuais 550 mil barris por dia em 25 poços produtores, daqui a três anos, com quase 40 poços ativos, o pré-sal deverá suprir 52% da oferta de petróleo no Brasil.

Num cenário em que o preço internacional do óleo cai abruptamente, cresce o valor estratégico da empresa brasileira justamente pelo fato de estar próxima de dar ao Brasil a oitava maior reserva do mundo, com 50 milhões de barris ou mais, qualificando o país como protagonista no setor.

Qual era a vantagem estratégica da Petrobras em relação às demais gigantes do setor? Exatamente o fato de possuir suas principais áreas de exploração em uma região sem conflitos militares, sem instabilidade política e plenamente conformada às normas e regulações internacionais. Até mesmo os riscos ambientais alardeados na década passada, quando foi anunciada a decisão de explorar as reservas de alta profundidade, foram desmentidos com o tempo.

O escândalo envolvendo a empresa a torna vulnerável a ataques de todos os tipos, mas principalmente abre caminho para as forças que têm interesse em alterar o marco regulatório do pré-sal.

Interesses poderosos
Há corrupção nos negócios da Petrobras? Certamente, muito do que tem sido noticiado nos últimos meses acabará sendo comprovado, mas há um aspecto que não vem sendo considerado pela imprensa: a corrupção é parte do processo de gestão do setor petrolífero em todo o mundo e, no caso presente, a estatal brasileira se encontra no papel de vítima. Portanto, há uma distorção no noticiário que esconde muito mais do que o propósito de expor a relação deletéria entre negócios e política.

Embora os contratos de partilha do óleo de grande profundidade sejam geridos pela empresa Pré-Sal Petróleo S.A, criada como subsidiária da Petrobras para executar o novo marco regulatório, a operadora do sistema é a Petrobras. Cabe à estatal criada por Getúlio Vargas o ônus do processo de depuração que está em curso com as investigações que ocupam diariamente as manchetes dos jornais. Embora a maior parte dos danos seja debitada na aliança que governa o país desde 2003, principalmente ao Partido dos Trabalhadores, é o modelo do negócio que corre risco.

É pouco conhecido o fato de que a Petrobras não se tornou uma estatal com o novo marco regulatório: apenas 33% do capital pertencem ao Estado, e 67% estão em mãos privadas. O que mantém o controle da empresa em mãos do Estado é o fato de que este controla metade mais uma do total de ações com direito a voto, o que preserva a Petrobras como sociedade de economia mista.

Não é, então, a condição legal da empresa que pode mover interesses poderosos, mas o sistema de exploração do pré-sal: pelo modelo antigo, de concessão, as companhias concessionárias podiam fraudar facilmente os custos de extração, reduzindo a parcela a ser paga tanto em royalties ao Tesouro quanto em barris de petróleo a serem entregues ao sistema de refino e distribuição. O modelo de partilha, criado pelo novo marco regulatório de 2009, mantém sob controle mais rigoroso o usufruto dessa riqueza natural por parte do Brasil.

O bombardeio constante e diário de notícias sobre a corrupção esconde outros aspectos desse jogo."

Como se vê e se sabe, o assunto é amplo e importante tanto para o quadro nacional quanto da geopolítica global e não é preciso ser especialista para compreender que neste caso eles seguem juntos.

terça-feira, dezembro 16, 2014

Fundo de Marinha Mercante (FMM) aprova projetos no valor de R$ 4,6 bilhões

Em meio a todos as investigações sobre as contratações relacionadas à industria naval, o Fundo de Marinha Mercante (FMM) aprovou hoje, em Brasília, um total de apoio para financiamento no total de R$ 4,6 bilhões, a projetos de estaleiros e embarcações.

O valor de apoio aprovado ainda depende que os projetos efetivem a contratação de financiamentos juntos aos agentes de crédito que são intermediários do dinheiro. No mundo inteiro a indústria naval é subsidiada por créditos similares.

A decisão sinaliza que, em meio aos problemas, há disposição de tocar os projetos. O blog não tem ainda como identificar quais são os projetos contemplados.

A provação foi feita na reunião de hoje (27ª reunião ordinária) realizada em Brasília, pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante para um total de 207 projetos da indústria naval. 

O montante, autorizado na (DF), inclui R$ 2,3 bilhões para novos projetos, sendo 10 barcos de apoio offshore, duas embarcações de apoio portuário, 23 embarcações de navegação interior e a ampliação de um estaleiro.

Na ocasião, foram aprovadas ainda prioridades de apoio financeiro no valor de outros R$ 2,3 bilhões destinados a projetos reapresentados em função de alterações, suplementação ou cancelamento por decurso de prazo, envolvendo três estaleiros e 164 embarcações. 

O resultado da reunião será publicada no Diário Oficial da União (DOU). Após a publicação, as empresas que obtiveram prioridade para novos projetos e suplementações terão 360 dias para efetivar a contratação dos financiamentos.

Abaixo tabela com as aprovações da reunião do Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante (CDFMM):


Concurso para docentes da UFF em Niterói, Campos, Macaé, Rio das Ostras, etc.

O concurso Universidade Federal Fluminense é para 63 áreas do conhecimento. As regras para a seleção de professores da carreira do magistério superior constam do Edital nº 205/2014.

No total são 72 vagas destinadas às unidades de ensino de Niterói, Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Macaé, Rio das Ostras e Volta Redonda.

Os interessados poderão se inscrever até 21 de janeiro de 2015, no site da Coordenação de Pessoal Docente, em https://sistemas.uff.br/cpd. A taxa de inscrição varia de R$ 75 a R$ 250, de acordo com o cargo e a jornada de trabalho.

Outros links sobre o concurso: Edital nº 205/2014. Retificação do Edital nº 205/2014. Também foram divulgados os termos de aditamentos aos editais nº 197/2012, 166/2013, 245, 2013, 80, 2013, 87/2014 e 179/2014, referentes a 24 vagas de docentes em Niterói, Angra dos Reis, Nova Friburgo e Volta Redonda. Confira os Termos de Aditamento.

Num menor ritmo por trinta dias

Desde a última sexta-feira, o blogueiro esteve fora do ar aqui nesse espaço. Nos últimos quatro dias estive em uma agenda basicamente pessoal. Desde esta terça, eu sigo em uma série de tarefas com o objetivo de concluir a etapa de minha pesquisa, aqui na Universidade de Barcelona e em alguns portos da Europa.

Por isto, a interrupção das postagens desde a última quinta-feira, que seguirá agora, em ritmo lento e irregular. Isto terá a duração aproximada de um mês, quando de volta ao Brasil, e já em atividades profissionais regulares, eu estarei em retorno ao ritmo normal.

Nesse período publicações esporádicas deverão surgir, mas, sem a regularidade habitual. Mesmo estando fora do Brasil, desde 1 de setembro, e com diversos compromissos e agenda a cumprir, este blogueiro, se esforçou para tentar manter o blog razoavelmente atualizado.

Nesta tarefa, tentamos misturar assuntos da região e do país, como as experiências e estudos aqui vivenciados  (como entendo que cabe num blog pessoal) e que entendia valiam ser trazidos àqueles que nos acompanham, esforçando ainda para relacionar e articular compreensões entre a escala regional-nacional com a global.

Este são os motivos para a irregularidade das postagens nos últimos dias. Há quem tenha reclamado através de emails e comentários, inclusive com conjecturas que fogem em muito a realidade dos objetivos do blog. Faz parte do bom e desejável contraditório.

Enfim, sigamos em frente, em ritmo menos ágil e intenso, mas, em frente!

quinta-feira, dezembro 11, 2014

PIB - Produto Ilusório Bruto. De novo!

Já há quase dez anos, nessa mesma época, ao ver o IBGE divulgar os maiores PIB municipais, ou PIB per capita dos municípios, eu venho questionando a metodologia que atribui a riqueza do petróleo extraído offshore ao município confrontante.

Petróleo extraído do mar, que sequer passa fisicamente pelo município, na maioria das vezes. Atribuir o PIB dos royalties seria correto, mas não de todo o petróleo.

Desde então eu passei a chamar o PIB dessas cidade como é o caso de Campos que seria a sétima, como PIB, mas de "Produto Ilusório Bruto".

Uma coisa é o orçamento público bilionário por exemplo de Campos dos Goytaczes que faz o município estar entre os quinze maiores, incluindo as capitais de estado. Outra coisa diferente é a riqueza total que circula pelo município. Isto vale para outras cidades como Macaé, Rio das Ostras, Presidente Kennedy, ES, etc.

O IBGE costuma responder que estatisticamente não teria onde alocar este valor da riqueza nacional. A resposta não convence. Porque ao não saber não pode atribuir este PIB do petróleo na proporção igual à das parcelas dos royalties, porque isto não é correto.

A antiga Fundação CIDE do Rio de Janeiro, atual, hoje alocada na Fesp, resolvia na ocasião esse problema da estatística, alocando esses valores numa conta PIB petróleo. Depois, por conta das controvérsias e divergências com o IBGE e o fim da Fundação CIDE acabou com essa saída, que, se não era a melhor, talvez fosse menos incorreta.

Uma coisa é o petróleo gerando riqueza, renda e emprego num município, por exemplo com uma refinaria a outra é só a alocação da estatística que acaba sendo usada politicamente por autoridades que desdenham do conhecimento das pessoas e possam acreditar que isso possa ter alguma relação com as gestões ao bradar estes rankeamentos.

Há dez anos repito a mesma coisa e o que me estranha é que para muitos isto continua ser novidade e não me espantará que nesta sexta isto seja ainda manchete de jornal, sem nenhum questionamento.

Enfim, sigamos em frente!

Equipamento da FCC aderna no Terminal 1 do Porto do Açu

Aconteceu no final dessa manhã um acidente que provou a inclinação do dique Mar Del Enol da empresa espanhola FCC. Esse equipamento produz os caixões de concreto que depois são enchidos de pedra e areia e vão servir como píeres do Terminal 1 do Porto do Açu.

Funcionários do porto e das empresas instaladas vizinhas disseram ter visto duas ambulâncias se dirigirem ao local, mas não se sabe da existência de feridos, já que alguns trabalhadores teriam sido retirados do dique de lancha.

As informações são de que o acidente interrompeu o trabalho e as obras no Terminal 1, o que gerou uma enorme fila de caminhões com pedras que ficaram esperando o retorno normal para desembarcar.
PS.: A foto é do portal Ururau.

Preço do petróleo, uma questão conjuntural ou estrutural? E o Brasil com isso?

Petróleo em torno dos U$ 60 o barril.

Bom para quem importa, grande parte da Europa, Índia e China. Ruim para quem exporta.

Aparentemente se tem mais e mais dinheiro sendo drenado dos países pobres para os ricos. Mais uma dentre tantas contradições dos tempos atuais.

Neste tempo de estimativas (e porque não dizer chutes) há quem avalie que poderá reduzir até US$ 40. Enquanto outros vaticinam que o mercado estaria procurando um piso para testar o ‘número’ mágico de US$ 60” o barril.

Assim, paira no ar a indagação: estamos diante de um cenário temporário (que é o que acho a maioria avalia) ou de uma tendência um pouco mais longa?

A decisão sobre guerras também nasceram de avaliações que seriam confrontos temporários, embora eu não esteja aqui estimando que a disputa produzida pelo shale-gas levará a uma nova grande guerra.

Infelizmente, parece haver outros fortes motivos para a retomada do que já foi chamado de "destruição criadora" como estopim para uma grande guerra. Assim, o petróleo e a energia seguem sendo um elemento importante da geopolítica, não mais que isso.

A Economia global e o empobrecimento de parte da população parece ter ingredientes mais fortes para um desarranjo maior embora, sejam cada vez maiores os controles penais para deter as crescentes reações.

Enquanto isso no Brasil, a questão do preço do petróleo traz embaraços mas a situação não é das piores diante de outras realidades, seja como produtor e/ou consumidor do combustível que move veículos, mais que gera energia, ao inverso de outras nações. 

De certa forma, no Brasil, o "tempo político e econômico" para enfrentar esta questão não é dos piores, embora existam aqueles que digam que tudo está um caos e sem controle. 

Imagine se tivéssemos já produzindo 4 a 5 milhões de barris/dia, exportando o excedente e dependente destes recursos lá para o fundo soberano entre outras coisas.

Então há que se avaliar a conjuntura com cautela tentando descobrir se a questão é mais uma vez conjuntural ou parte das contradições estruturais.

Sendo uma ou outra, ou as duas coisas simultaneamente, o mundo não está livre de loucos e sábios. Continuemos acompanhando!

Calendário IPVA 2015

O blogueiro está longe, mas seus colaboradores mais atentos que nunca. Eles sabem que a informação sobre as datas de vencimento do IPVA (Imposto Sobre Veículos Automotores) do RJ, ajuda para que as pessoas, se organizem e se programem, para pagamento em cota única ou parcelada. Então aí está a prestação de serviço:


quarta-feira, dezembro 10, 2014

Manifestação em Barcelona: “Não é pobreza, é injustiça”

A manifestação está marcada num área do centro histórico para amanhã. São moradores de nove bairros da cidade de Barcelona e tem como lema: “Não é pobreza, é injustiça”.

A organização é de uma rede chamada em catalão de xarxa. A Xarxa 9 Barris é do distrito de Nou Barris, distante cerca de 15 km da área central mas, mas que de metrô, é uma viagem curta de aproximadamente 15 a 20 minutos.

Na última sexta-feira (05/12), eu tive uma experiência interessantíssima de conhecer a Associação de Moradores (Vecinos) do bairro de Roquete e também a Xarxa 9, seus projetos, planos comunitários, forma de atuação na luta por melhorias nos bairros e contra os cortes em investimentos sociais trazidos pela crise. Mais adiante vou contar um pouco sobre o que vi e vivenciei de perto.

Mas, voltando à manifestação do próximo dia, 11/12, segundo seus organizadores "não se pode tolerar a situação de emergência social que os moradores". Que o Nou Barris é distrito mais empobrecido de Barcelona. Que a renda média global do distrito é de 10 mil euros anuais e menos de um terço do bairro de Sarriá. Que os despejos atuais no bairro é de 5 por dia, 20 por semana, 83 por mês e 1.000 por ano. Que os Centros de Atenção Primária de Saúde (CAP) alerta para o aumento das doenças mentais, dos problemas dentais, do consumo de drogas e da solicitação de ajuda para pagar o percentual agora exigido para receber remédios, que antes eram gratuitos aumentou muito.

Eles estão exigindo "a volta de mais recursos para as administrações dos bairros e um replanejamento das políticas sociais". Dizem que não querem caridade e sim querem voltar a ter direitos!

A retirada de direitos, o desemprego é, talvez, ainda mais difícil de ser enfrentado do que conquistados para aqueles que nunca possuíram. O desemprego e as dificuldades para alguns pelos mais variados motivos tendem a ser vistos como fracassos individuais que levam a isolamentos sociais e todo um processo em que a resistência e participação social é mais complexa e difícil. Até por isso é interessante observar todo o processo.

Abaixo o cartaz do manifestação junto com o texto da convocação em catalão. A seguir um vídeo também convocatório.

Interessante a construção da resistência contra a perda de direitos, superando o estigma contra a pobreza apontando de forma clara suas causas com o lema: "Não é pobreza, é injustiça".

La campanya "Nou Barris Cabrejada, diu prou!" convoca tot el veïnat de Nou Barris i convida tots els barris de Barcelona a la manifestació que tindrà lloc el dijous 11 de desembre sota el lema "No és pobresa, és injustícia".

Perquè no podem tolerar la situació d'emergència social per la qual estan passant molts veïns i veïnes. Perquè volem més recursos de les administracions i un replantejament de les polítiques socials.
Perquè no volem caritat, volem i tenim drets!!

19h: Metro Llucmajor
19,30h: Plaça Urquinaona
20h: Plaça Sant Jaume






Na China

Sobre a licença concedida pelo Ibama para o Porto Central, em Presidente Kennedy que informamos ontem aqui, se trata de uma Licença Prévia (LP), como é comum nesse caso. A Licença de Instalação (LI) a que permite o início da implantação, os empreendedores precisam cumprir ainda algumas obrigações, que segundo informações estão sendo providenciadas.

O blog hoje teve a informação que os empreendedores estão agora realizando, o que costuma ser feito em todo grande empreendimento que necessita de muito aporte de recursos, a busca de investidores. Para isso se encontram na China oferecendo o projeto licenciado e a garantia de bases para exportações e importações na rota América Latina-Ásia.

É bom recordar que atualmente, dos dez portos com maior movimentação de cargas do mundo, nove, sim nove, estão no continente asiático, o que confirma a mudança espacial gerada pela reestruturação produtiva mundial.

Mais sobre a revisão do Plano Diretor de SJB

O blog insiste, como fez em março do ano passado, que a participação popular para debate sobre o novo Plano Diretor do município de São João da Barra, só existirá de fato e de direito, se houvesse uma ampla campanha de divulgação sobre o mesmo e todos os seus meandros. Novamente e infelizmente, não parece ser esse o caso.

O acesso aos documentos do plano não é fácil. A própria divulgação sobre as próximas audiências públicas só agora estão sendo divulgadas. Algumas poucas pessoas interessadas que já tiveram a oportunidade de ter acesso aos documentos, já identificou que há várias mudanças na versão que está sendo agora apresentada e aquela que foi debatida, em março do ano passado.

Até aí tudo bem, porque, mesmo que se tenha deixado a comunidade de lado, algumas sugestão pode ser sido aproveitada, da mesma forma que as sugestões da empresa controladora do porto e também o setor imobiliário, ambos com fácil acesso às autoridades.

Assim, para uma participação-cidadã que seja efetivamente ampla, e um debate que seja efetivo, seria interessante que a equipe técnica do governo e seus vários consultores tivessem elaborado uma cartilha com as principais questões e com as últimas mudanças formuladas após os acordos.

Outra alternativa para que pudesse avaliar melhor as mudanças, desde que o interesse seja efetivamente da participação e de um debate consciente seria a organização de uma planilha com três colunas onde se pudessem apresentar, qual é a realidade com o atual PD, a outra com a proposta de março do ano passado e uma última com as mudanças que essa última versão apresenta.

Fora disso, a audiência pode ter apenas o interesse de cumprir tabela e homologar o que sequer se conhece, até pelo exíguo tempo que está sendo dado até aos próprios vereadores.

A maioria não conhece as principais questões envolvidas, embora, possa vir a votar a "toque de caixa" a nova legislação que regerá o uso do solo no município que recebe um importante empreendimento e com características, por tudo que já se viu até aqui de trazer enormes impactos para sua população.

Entre os pontos que estão gerando questionamentos, embora o blogueiro ainda não tenha tido tempo de fazer uma análise geral, mesmo que superficial é o fato da revisão do PD prever uma Zona em área que seria exclusiva da RPPN, entre as lagoas de Iquipari e Grussaí, exclusiva para a Prumo, onde se imagina que seja alocada o empreendimento imobiliário, que foi conhecido antes como Cidade X.

Há ainda informações a ser apurada sobre esta "estrada-parque" que ampliaria o desenvolvimento desse empreendimento por uma área que hoje é hoje uma unidade de conservação, mesmo que particular, tipo RPPN. O projeto tem similaridades com o que a construtora Odebrecht realizou junto ao Complexo portuário-industrial de Suape, entre as cidades de Recife e Cabo de Santo Agostinho, sede do Porto de Suape, cujo nome é Reserva do Paiva (com os condomínios Morada da Penísula e Vila dos Corais - que este blogueiro já visitou e viu de perto), com o uso de  5 milhões de m², também com projeto do Jaime Lerner.

Se percebe também que houve alterações no traçado para contemplar a chegada do "Corredor Logístico" da Prumo ao Porto do Açu. Como se sabe esse traçado é objeto de grandes questionamentos tanto no município de SJB, quanto em Campos.

Outra questão é o seu uso se será privado ou público. É aqui novamente é bom saber que no projeto da Odebrecht lá em Pernambuco, uma estrada variante que leva de Recife a Cabo de Santo Agostinho, assim como o Corredor é pedageada e com alto valor para uso de terceiros que não os dos empreendimentos, seja do porto seja dos loteamentos ali localizados pela empresa.

A definição no macrozoneamento do que será área de interesse industrial-logístico, de conservação ambiental, de uso agrícola e perímetro urbano é o cerne do Plano Diretor, seja do antigo ou de sua revisão. Esse é o ponto a ser observado para que se compreenda como os "interesses" foram contemplados. Eles precisam ficar claros.

A prefeitura de São João da Barra agora está informando sobre as duas audiências públicas para apresentação da revisão do Plano Diretor do Município. Uma para o dia 15 de dezembro (segunda-feira), na localidade de Mato Escuro, as 18h, no salão do restaurante do Sr. Luís e no dia seguinte, 16/12 (terça-feira, no distrito de Barcelos, também 18h, no prédio da Assistência Social, próximo à Praça Nossa Senhora da Conceição.

Colaboradores do blog repassaram os links de arquivos referentes a essa proposta de revisão do Plano Diretor do município de São João da Barra. Assim, o blog disponibiliza abaixo esses links e dois dos novos mapas Anexo I e Anexo III, respectivamente, o Macrozeamento e o Zoenamento de Uso e Ocupação do Solo, para que mais pessoas possam ajudar a fazer essas análises e participar do debate e das audiências com um pouco mais de informação. (Para ver as imagens dos mapas em tamanho maior clique sobre eles)

O esforço é o de contribuir para que as pessoas da comunidade e técnicos ligados ao assunto, possam ajudar a esmiuçar as principais questões, para o debate tenha um pouco mais de profundidade e compreensão do que ali está sendo proposto, verificando atentamente o que atende à comunidade e aquilo que atende aos interesses puramente econômicos e das empresa no uso do solo do município.

Os vários interesses são admissíveis na sociedade que vivemos, porém, é inegável que aqueles públicos de interesse comunitário e que valorizam a vida das pessoas e não a especulação e o ganho privados é que deve ser a prioridade.



ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - AEIP
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - SEDISJB
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - SEPA
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZC -1
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZC -2
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZC -3
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZEIS 1
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZEIS 2
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -1
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -2
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -3
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -4
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -5
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZM -6
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZOC - 1
ANEXO 5 - TABELAS DE PARAMETROS URBANISTICOS - ZOC - 2
ANEXO 6 - TABELA DE VAGAS DE VEÍCULOS
ANEXO 6.1 - TABELA DE CARGA E DESCARGA E EMBARQUE DE PASSAGEIROS
ANEXO 6.2 - TABELA DE VAGAS DE BICICLETAS
ANEXO 7 - TABELA DE EMPREENDIMENTOS DE IMPACTO DE VIZINHANÇA - EIV
ANEXO 8 - TABELA CARACTERÍSTICAS DA REDE VIARIA
ANEXO 8.1 - TABELA CARACTERÍSTICAS DA REDE CICLOVIÁRIA
ANEXO 9 - CLASSIFICAÇAO DAS ATIVIDADES POR TIPO DE GRUPOS
ANEXO 10 - RELAÇÃO DA REDE VIARIA BASICA
ANEXO 11 - TABELA DE AFASTAMENTOS
MACROZOEAMENTO
PD e LUOS
PERÍMETRO URBANO
PROJETO LUOS
PROJETO PDM
SISTEMA VIÁRIO
ZONEAMENTO



Ex-MPX é a quarta originária das empresas X a entrar em recuperação judicial

Depois da OGX (atual OGPar), a OSX (o estaleiro e fretamento) e a MMX (mineração), ontem foi a vez da agora Eneva, hoje controlada pelo forte grupo alemão de energia elétrica, E.On entrar com o pedido de recuperação judicial, em função de suas inúmeras dívidas.

É interessante recordar que na região a MPX tinha dois grandes projetos de geração de energia, através de termelétricas.

Um módulo à gás, que está suspenso e sem previsão, seja pelos problemas financeiros, seja pela inexistência de garantia de fornecimento de gás (tanto da OGPar, quanto da Petrobras).

O outro módulo com geração de energia elétrica, a partir do carvão, teve o licenciamento ambiental, suspenso pelo Inea, depois de aprovado pelo próprio órgão, logo que a crise se instalou nas empresas da holding EBX no início de 2013.

Veja abaixo a informação da agência Reuters com mais detalhes sobre esse processo:

"Eneva entra com pedido de recuperação judicial"

"A empresa de energia Eneva, controlada pela alemã E.ON, entrou com pedido de recuperação judicial na Comarca do Estado do Rio de Janeiro, após não ter conseguido renovar acordo com bancos credores.

O pedido ocorreu após a não revalidação do acordo para suspender a amortização e o pagamento de juros de operações financeiras contratadas pela companhia com os credores, expirado em 21 de novembro, disse a Eneva nesta terça-feira em fato relevante.

"A decisão tem por objetivo preservar condições de caixa adequadas para a continuidade das atividades da companhia, que têm apresentado evolução continuada em seus indicadores operacionais", disse a empresa em comunicado à imprensa.

Caso o pedido de recuperação judicial seja aprovado, as dívidas da empresa e de sua controlada Eneva Participações, de 2,33 bilhões de reais, ficarão suspensas. As demais subsidiárias da empresa não foram incluídas no pedido de recuperação judicial e as usinas permanecem em operação normalmente, disse a Eneva.

A companhia terá 60 dias, contados a partir da aprovação do pedido, para apresentar seu plano de recuperação judicial.

Antes de decidir pela medida judicial, a Eneva afirmou ter implementado medidas para reforçar sua estrutura de capital. Em junho de 2014, foi realizado aumento de capital de 175 milhões reais, a venda de 50 por cento do controle de Pecém II por 408 milhões de reais para a E.ON, além da aprovação de uma linha de crédito de longo prazo no valor de 300 milhões de reais para Pecém II.

Com a recuperação judicial, salários e outros benefícios para funcionários e pagamentos futuros a fornecedores estão integramente preservados.

A posição de caixa da Eneva, no fim de novembro, era de 78,3 milhões de reais. A empresa opera sete usinas termelétricas, que não foram incluídas no pedido.

A E.ON assumiu o controle da Eneva, ex-MPX Energia, no ano passado depois que o império de commmodities e energia controlado pelo empresário Eike Batista entrou em colaspo.

A E.ON mudou o nome da MPX para Eneva e contratou Fabio Bicudo para recuperar a companhia por meio de um programa de corte de custos. Sob o mandato de Bicudo, a Eneva impulsionou a produção de energia para 2,4 gigawatts e teve cerca de 2 bilhões de reais em receitas nos últimos 12 meses.

Segundo os dados divulgados nesta terça-feira, Bicudo renunciou ao cargo e será substituído por Alexandre Americano, que foi eleito diretor-presidente.

Já o diretor vice-presidente e de Relações com Investidores Frank Possmeier será substituído por Ricardo Levy.

Bicudo foi convidado pelos controladores a assumir o cargo de presidente do Conselho, a ser eleito em assembleia geral extraordinária. Já Possmeier assumirá o cargo de diretor da E.ON Brasil.

Também foram apresentadas as renúncias dos conselheiros Luiz do Amaral de França Pereira, Adriano Castello Branco e Luiz Fernando Vendramini Fleury.

A empresa deverá convocar assembleia geral extraordinária para ratificar o pedido de recuperação judicial e eleger novos membros do Conselho."

(Por Luciana Bruno e Guillermo Parra-Bernal)

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terça-feira, dezembro 09, 2014

As dificuldades da recuperação judicial da OSX devem refletir na assembleia geral desta 4ª feira

O blog informou em nota aqui a apreensão de funcionários da OSX sobre  mudança da gerência executiva no Açu e sobre demissões. (veja aqui). Hoje o jornal Valor trouxe matéria mostrando o imbróglio entre credores da empresa que está em processo de recuperação judicial. Confira:

Acciona vai impugnar plano da OSX, diz fonte

Por Francisco Góes e Rodrigo Polito | Do Rio
Na véspera das assembleias gerais de credores que devem votar, amanhã, os planos de recuperação judicial das empresas do grupo OSX, de Eike Batista, o cenário continua incerto. Ainda não está claro como vão votar os grandes credores da OSX, companhia que tem dívidas totais de R$ 6,7 bilhões. Boa parte da dívida tem como credores Caixa Econômica Federal (CEF), Banco Votorantim, Techint e a espanhola Acciona. A Acciona estaria tentando obter recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para suspender as assembleias de credores das empresas da OSX, marcadas para amanhã, a partir das 9 horas, no Rio, disse uma fonte.
Executivo próximo das discussões disse que haveria interesse da Acciona, credora em R$ 300 milhões, de tentar impugnar o plano de recuperação judicial, o qual vem sendo discutido com os credores há cerca de um ano. O pedido de recuperação judicial da OSX foi apresentado à Justiça em novembro de 2013. Em maio, a companhia apresentou um plano de recuperação para cada empresa do grupo. A fonte disse que quando o plano original foi apresentado havia credores com dúvidas sobre o processo e a empresa não tinha garantias de aprovar os planos nas assembleias.
"Hoje os credores que têm representatividade relativa maior estão confortáveis com o processo do jeito que está. Pode até ter impugnação e gente insatisfeita, mas a maioria está aderente ao plano de negócios", disse a fonte. O advogado da Acciona afirmou, em nota: "A Acciona requer que aqueles que vão receber integralmente seu crédito em 12 vezes não votem, bem como aqueles que vão receber integralmente no exterior com a venda das plataformas. Ou seja, exatamente aquilo que ela [Acciona] requereu [na Justiça] do Rio."
Procurado, o Banco Votorantim disse que não iria se pronunciar. Techint e OSX firmaram, em novembro, acordo para encerrar disputas. Ontem a Techint não quis se manifestar sobre a aprovação do plano. Para realizar as assembleias será preciso garantir a presença de credores detentores de mais da metade dos créditos. Se não houver quórum, será realizada uma segunda convocação, no dia 17, desta vez com qualquer quórum. Vão votar credores das três sociedades da OSX que estão em recuperação judicial: OSX Brasil, holding de capital aberto; OSX Construção Naval, que tem direito de uso de 3,2 milhões de metros quadrados no porto do Açu (RJ); e OSX Serviços.
A OSX Serviços atende a OSX Leasing. A dívida total da OSX, de R$ 6,7 bilhões, inclui a OSX Leasing, apesar de a empresa não ter entrado no processo de recuperação. Na assembleia, a OSX vai apresentar três planos de forma separada, um para cada empresa. A OSX está protegida dos credores, sob o guarda-chuva da recuperação judicial, até março de 2015, depois de duas prorrogações de prazo. Mas tem pressa em aprovar o plano e reestruturar a dívida.
"Houve evolução nas negociações, mas hoje não posso dizer se vamos votar a favor da proposta [da OSX] ou não em função da estratégia [da CEF] na assembleia", disse ao Valor o vice-presidente de governo da Caixa Econômica Federal, José Carlos Medaglia Filho. Ele reconheceu que o apoio da Caixa será essencial para a aprovação do plano de recuperação judicial da OSX: "Se a Caixa, como credor importante, entender a proposta como insuficiente, o plano [de recuperação judicial] não prospera."
A CEF tem dois créditos com a OSX que somam cerca de R$ 1,2 bilhão. Um dos créditos da Caixa com a OSX é considerado como "concursal" na recuperação judicial e soma R$ 461,4 milhões. O outro, de US$ 307,1 milhões, é classificado como "extraconcursal" no processo. Uma fonte que participa das discussões foi categórica sobre o papel da Caixa: "Não existe plano se a Caixa não votar." Segundo a fonte, a CEF votará com base no seu crédito "concursal", incluído na recuperação judicial. Mas o crédito "extraconcursal" terá de estar "aderente" (alinhado) ao plano, disse a fonte. Isso porque a Caixa tem a opção de executar garantias que possui e inviabilizar o plano de recuperação da OSX.
A CEF tem como principal garantia no empréstimo à OSX a cessão do direito de uso do terreno onde estava sendo construído o estaleiro da empresa no Porto do Açu. Outra fonte afirmou que o plano de recuperação judicial da OSX é fundamentado na utilização do terreno do estaleiro da OSX para gerar renda e pagar os credores. "O direito de uso desse terreno é uma garantia da Caixa e, portanto, [o terreno] só pode fazer parte do plano de recuperação da OSX se a Caixa concordar", disse a fonte. Se a Caixa não concordar com a utilização do terreno do Açu para geração de renda aos credores, o plano não tem como ser aprovado já que o direito de uso da área pertence à CEF por garantia contratual. "O voto da Caixa é absolutamente preponderante para o sucesso do plano", afirmou o diretor jurídico da CEF, Jailton Zanon.

Planos da Anglo American para o Brasil

A informação está na edição desta terça (09-12) do Valor:

Anglo American vai demitir 12 mil pessoas com 


fim da obra da Minas-Rio

Por Camila Maia e Thais Carrança | Valor
SÃO PAULO  -  A mineradora Anglo American vai reduzir o número de trabalhadores na operação de minério de ferro Minas-Rio em 12 mil, uma vez que foi concluído o processo de construção do projeto e teve início a produção da commodity, afirmou James Wyatt, porta-voz da Anglo American.
Durante a fase de construção, a operação Minas-Rio empregava 16 mil trabalhadores. Com o fim da obra e o início da produção, a operação passará a empregar 4 mil pessoas. A mudança já está acontecendo ”há alguns meses” e deve continuar gradualmente nos próximos meses, afirmou Wyatt.
“A única razão pela qual o número de funcionários no Brasil será reduzido é porque a Minas-Rio deixou de ser um projeto em construção para um projeto de mineração”, afirmou o porta-voz.
Durante um evento com investidores nesta terça-feira em Londres, a Anglo American afirmou que pretendia reduzir o número de funcionários de 162 mil para 102 mil até 2017. O jornal britânico “Financial Times” acrescentou que, entre os 60 mil empregos reduzidos, 12 mil funcionários trabalhavam na construção da operação no Brasil.
Segundo Wyatt, dos 60 mil empregos a menos na folha de pagamento da empresa, aproximadamente 45 mil se referem à venda de operações, como projetos de minas de platina na África do Sul. Dessa forma, cerca de 3 mil dos 60 mil empregos serão alvo de demissão.
A operação Minas-Rio, que inclui uma mina e uma usina de beneficiamento de minério de ferro nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (MG), foi comprada pela mineradora do empresário Eike Batista. Em seu relatório anual de 2013, a companhia afirmou que empregava no Brasil 23,6 mil pessoas, entre funcionários e terceirizados. 

Ibama libera licenciamento do Porto Central em Pres. Kennedy, ES

O Valor trouxe hoje a informação que disponibilizamos na íntegra abaixo. Há entre investidores do Porto do Açu temores com este projeto em terras capixabas, mesmo que ele tenha seu licenciamento liberado mais de sete anos depois de inciadas as obras de implantação do Porto do Açu.
Esboço do projeto do Porto Central em Pres. Kennedy, ES

Mesmo que a captação de recursos para investimentos no Porto Central ainda tenha que passar por muitas etapas, o fato dos gestores da Autoridade Portuária de Roterdã, Holanda, fazerem parte do consórcio do projeto capixaba é que preocupa os seus concorrentes.

No setor portuário (tema que venho me dedicando para compreender suas relações econômicas, vínculo com as regiões onde estão instaladas, impactos, novas dinâmicas econômicas e impactos sobre o território), as relações entre os operadores que definem as linhas e rotas das movimentações de cargas têm um peso muito grande na definição do sucesso desta modal de transportes.

Enfim, mais um projeto dentre tantos, no ERJ e ES, que deve ser acompanhado de perto. Abaixo a reportagem do Valor na edição de hoje, página A3:

Ibama libera projeto portuário de R$ 5 bi no 


Espírito Santo

Por Rafael Bitencourt | De Brasília
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) publicou ontem a licença prévia para o Porto Central, projetado para o município Presidente Kennedy (ES). O porto privado tem investimento orçado em R$ 5 bilhões.
A maior participação no projeto é da TPK Logística, com cerca de 70%. Outros 30% ficarão com a holandesa Porto de Roterdã, empresa controlada pelo governo holandês e pela prefeitura de Roterdã. O governo do Espírito Santo ficará com uma fatia minoritária de aproximadamente 1%.
Há pelo menos seis meses, os empreendedores aguardavam a licença do Ibama. A autorização concedida, com validade de quatro anos, foi assinada sexta-feira pelo presidente do instituto, Volney Zanardi Junior.
Ao ser concluído, o Porto Central deverá movimentar um volume de carga da ordem de 226 milhões de toneladas por ano, superior ao volume registrado atualmente no porto de Santos.
Idealizado para compor um complexo portuário industrial de classe mundial, o Porto Central possui localização estratégica. Está próximo das bacias petrolíferas de Campos e do Espírito Santo, característica ressaltada no Plano Geral de Outorga elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
De acordo com parecer do Ibama, o porto capixaba deve assumir a vertente multiuso. Além de ser preparado para lidar com rotina de exploração e produção de petróleo na camada do pré-sal, a infraestrutura permitirá o atendimento de diferentes demandas da indústria com as extensões de cais de atracação.
O Porto Central, segundo o Ibama, deverá funcionar sob o regime de "condomínio". Diversas empresas terão a oportunidade de desenvolver suas atividades ao ocuparem terminais específicos, com estaleiro, base de apoio em alto mar, granéis líquidos e sólidos, carga geral, veículos, contêineres, entre outros. Cada condômino se encarregará de implantar os sistemas de controle de poluição, gerenciar a destinação dos resíduos sólidos e estruturar a movimentação de cargas.
Se viabilizado, o projeto será constituído em área de 1.517 hectares, com possibilidade de expansão para até 2.200 hectares. No projeto, está prevista a escavação de um canal artificial em terra, em linha à costa, com o comprimento de 3.645 metros, além de quatro canais artificiais secundários com extensões variando entre 190 metros e 1.400 metros.
O volume de resíduo a ser removido na dragagem, incluído o trabalho nos canais artificiais, será de 192 milhões de metros quadrados. Em mar, a dragagem que será realizada formará o canal de acesso com 25 metros de profundidade e 300 metros de largura, além do comprimento de 22 quilômetros. Em terra, as escavações formarão canais com profundidade de até 16 metros.
Os estudos dos empreendedores preveem a chegada ao Porto Central de uma média de 3.236 navios por ano. Na fase de operação, é estimado o fluxo de 1.446 caminhões por dia.
O atual acesso rodoviário à área do empreendimento é feito pela Rodovia do Sol (ES-060), que segue paralela à costa, e por 30 quilômetros da ES-162, a partir do entroncamento com a BR-101 em direção ao litoral. Os empreendedores informaram ao Ibama que o porto será beneficiado pelo ramal ferroviário EF-118, projeto já anunciado pelo governo federal.
As obras do Porto Central têm duração prevista de um ano e três meses. O pico de execução, a ser atingido em um ano e nove meses, deve mobilizar o total de 4.709 trabalhadores.

Crise concentra renda e aumenta desigualdade pelo mundo

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou ontem novos dados sobre a economia mundial. O Brasil está fora dessa lista porque não faz parte da OCDE.

Observem na tabela abaixo, a diferença de renda. A tabela mostra por países o número de vezes que a renda média dos 10% mais ricos, em relação à média dos 10% mais pobres.

A tabela mostra que entre 2007, um ano antes de estourar a crise econômica e, o ano 2011 os mais ricos tiveram sua renda média bastante aumentada, em relação aos mais pobres.

O fato é uma das provas sobre o quê e a quem servem as crises cíclicas da economia em termos de concentração dos chamados excedentes da economia.

Embora o México e depois os EUA tenham a maior diferença de renda entre ricos e pobres, o caso da Espanha é o mais gritante, já que a quantidade de vezes que a renda média dos 10% mais rico é maior que dos 10% mais pobres saiu de 8,4 vezes em 2007, para 13,8, em 2011, em apenas quatro anos. A tabela abaixo está publicado na edição de hoje do jornal El País (aqui).

Considerando a média de todos os países da OCDE, a diferença passou de 7 vezes em 2007, para 9,5 vezes em 2011. A OCDE está recomendando que para haver crescimento econômico, "há que se ter "uma luta mais eficaz contra a evasão fiscal, menos deduções e reforçar o papel dos tributos sobre a riqueza e a propriedade, incluindo a transferência de ativos".

Interessante observar que se trata das mesmas receitas apontadas pelo pesquisador francês, Thomas Pikety, em seu prestigiado livro "O Capital no Século XXI" e, também, em sua passagem pelo Brasil, na última semana

Ainda sobre o assunto, se desejar leia nota do blog aqui, no último dia 3 de dezembro, em que foi comentário e breve análise matéria do Valor sobre a crise econômica-social na Espanha com o seguinte título: "A contradição: para a Espanha ir bem os espanhóis precisam ir mal - uma cruel realidade!"


Marina do MST recebe homenagem da Escola de Magistratura - EMERJ

Faz-se Justiça com a homenagem que a conhecida coordenadora do MST, Marina dos Santos, recebe da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ).

A medalha EMERJ será outorgada, em solenidade amanhã, 10 de dezembro, às 18 horas, Dia Internacional dos Direitos Humanos, no Palácio da Justiça, no Rio de Janeiro. Abaixo o ofício do diretor-geral da EMERJ, desembargador Sérgio Verani.


segunda-feira, dezembro 08, 2014

A Hyundai Heavy Industries conclui montagem do maior navio de contêineres do mundo

Vivemos tempos de gigantismo naval e portuário com consequências de diversos tipos, tanto para o comércio e para a economia global, quanto para a produção industrial e para a geopolítica. (pretendo tratar do assunto em outro texto adiante)

Neste contexto, vale saber que a coreana Hyundai Heavy Industries segue sendo, junto com os outros estaleiros coreanos e japoneses, líderes na indústria naval, hoje já completamente modularizada como vemos aqui no Brasil com os módulos das plataformas montadas e integradas em nosso estaleiros.

A Hyundai Heavy Industries é aquela que o empresário Eike Batista afirmou que seria sócio dele em seu estaleiro junto ao Porto do Açu, sem que nunca ninguém tenha visto nenhuma declaração ou posição da empresa sobre o fato. Na exposição a investidores, Eike afirmava que teria concedido 15% da UCN (Unidade de Construção Naval) da OSX, cujas obras de implantação estão paralisadas há mais de um ano.

Pois bem voltando à Hyundai Heavy Industries, a empresa, no final de novembro concluiu a fabricação do CSCL Globe, por encomenda da China Shipping Container Lines (CSCL). O navio tem capacidade para comportar 19.000 TEUs (unidades equivalentes a 20 pés - medida para calcular o volume de contêineres).

O navio porta-contêineres  (ou contenêiros) que está sendo entregue custou US$ 136,6 milhões. O estaleiro da Hyundai vai produzir cinco unidades deste tipo de embarcação. Os outros quatro devem ser entregues em 2015. O gigante CSCL Globe tem um peso bruto de 183,9 mil toneladas, 400 metros de comprimento, 58,6 metros de largura e um calado de 16 metros. 

O comprimento é de mais ou menos quatro campos de futebol. A largura equivalente e de um e só o calado (a parte que fica na água), tem altura equivalente a um prédio de cinco andares.

Até a chegada deste gigante, o posto de maior do mundo entre os navios de contêineres era do Triple E da Maersk que tem capacidade para transportar 18 mil contêineres.

No mercado da indústria naval que atua na montagem destes gigantes, já se garante que os CSCL da  China Shipping Container Lines não devem ser por muito tempo, os maiores do mundo: já se falam na criação de porta-contêineres com capacidade para 25.000 TEUs.

domingo, dezembro 07, 2014

OSX demitirá mais no Açu e tem futuro incerto

A OSX empresa do grupo EBX do empresário Eike Batista que se encontra em recuperação judicial, como outras (OGPar e MMX), decidiu reduzir ainda mais seu efetivo no Açu.

Atualmente, os empregados da OSX no Açu cuidam das instalações da UCN (Unidade de Construção Naval – estaleiro) que teve suas obras de implantação interrompida há cerca de um ano e meio e também da parceria com o Consórcio Integra que existe com a Mendes Junior para montar módulos de plataformas.

O antigo gerente executivo Jayme Barg entregou o cargo nesta última semana. Novas demissões estariam previstas para ocorrer na próxima quinta-feira, 11/12/2014.

Segundo as informações apuradas pelo blog, se estima que 50% do efetivo, que hoje é apenas de 60 funcionários, será dispensando. Há possibilidades de ficarem apenas 20 funcionários ou um terço do que hoje existe.

O novo coordenador designado para as das atividades da OSX no Açu seria José Costa. Há suspeitas que as dispensas estariam ligadas a uma rearranjo, tendo em vista os problemas com o Consórcio Integra composto pela OSX com a Mendes Junior, e à possibilidade da empresa que está em recuperação judicial, ter seu controle repassado para um novo estaleiro.

A Prumo Logística Global S.A. que é cessionária da área onde a OSX e a UCN funcionam, junto ao Terminal 2 do Porto do Açu, estaria participando das negociações.

Por conta dos problemas que o setor naval (estaleiros) estaria vivendo, por conta da Operação Lava a Jato, que influencia a atuação do Consórcio Sete Brasil, que controla uma boa quantidade de encomenda de embarcações da Petrobras, há quem identifique aí possibilidades de novos negócios que poderia estar por trás deste processo.

Estes negócios poderiam colocar a área do estaleiro no Açu da UCN/OSX, como hipótese de uso. De outro há quem identifique esta desmobilização como um processo decorrente da recuperação judicial da OSX, e que seria uma forma de impedir que esses problemas atinjam também o Consórcio Integra.

O blog continua acompanhando o desenrolar desse processo.