quinta-feira, outubro 19, 2017

A aproximação Rússia-Arábia Saudita de olho no novo ciclo do petróleo: o que isto tem a ver com o Brasil?

O encontro do presidente russo Vladimir Putin e o rei da Arábia Saudita, Salman na primeira semana de outubro mexe no tabuleiro da geopolítica da energia de forma muito significativa. Está se falando do atual maior produtor mundial (Rússia) e a maior exportadora de de petróleo que é também o 2º maior produtor.

A Arábia Saudita (A.S.) tem um acordo histórico com os EUA desde que os dois países assumiram o petrodólar como moeda mundial para comércio desta especial mercadoria para o desenvolvimento do capitalismo que é o petróleo.

Mesmo diante desta realidade de estreita ligação entre a a A.S. e os EUA, os sauditas foram a Rússia e compraram armas como já fazem há décadas com os americanos. A A.S. e a Rússia fizeram acordos para a constituição de forma conjunta de dois fundos de investimentos no valor de US$ 1 bilhão cada (um em petróleo e outro em tecnologia).

A Rússia e a A.S. também acertaram posições de interesse comum em relação ao Irã, e de forma especial, garantiram posturas em relação a controle de produção de petróleo até o segundo semestre do ano que vem.

É de conhecimento amplo a liderança da A.S. entre as nações produtoras de petróleo da Opep. E a Rússia com boas relações entre várias nações "extra-Opep". Assim, ambos os países possuem condições de juntos definir o tamanho da oferta desta mercadoria especial, que influenciam e podem dirigir as fases do ciclo de preços do produto.


EUA + Arábia Saudita manejaram derrubada de preço do barril produzindo uma nova fase no ciclo do petróleo

Este momento é extremamente oportuno para relembrar que foi um acordo em 2014 (que já pode ser considerado histórico) entre a A.S. e EUA que forçou a baixa dos preços e a mudança de fase do ciclo petro-econômico. Assunto que tenho tratado aqui com certa constância e que faz parte de um dos capítulos de minha pesquisa e tese de doutoramento no PPFH-UERJ [1].



Vale ainda ressaltar que o período entre 2010 e 2014 é único até hoje na história, em que o petróleo permaneceu com o preço variando sempre acima de US$ 100, o barril. Na história da humanidade não há nenhum outro período tão longo e de preços tão altos, a não ser o pico próximo aos US$ 180, o barril, no momento um pouco antes da crise financeira mundial de 2008/2009.

Assim, depois da extinção da URSS e da "queda do muro" pela primeira vez, a Rússia voltava a ter poder e proeminência no leste europeu. Os conflitos da Ucrânia e outros tem relação como o que alguns chamam de novos lances da guerra-feira com os EUA.

A relação da Rússia cada vez maior com algumas nações do Oriente Médio (também mais fortalecidas com o alto preços do petróleo) incomodavam os EUA. De forma semelhante a Venezuela com o Chaves que se articulava com ares continentais também ampliando as tensões com a hegemonia dos EUA.

De outro lado, em 2014, por parte da Arábia Saudita manifestava interesse em criar embaraços para o Irã, seu inimigo no Oriente Médio, antes que chegasse o fim do embargo do Ocidente àquele país, que assim teria mais dificuldades em recriar mercado para o seu petróleo, diante da sobre-oferta e dos baixos preços que se instalaria com a futura mudança de fase do ciclo de preços do petróleo.

Além disso, os sauditas faziam ainda duas outras apostas no mercado mundial de petróleo:
1- testaria o "breakeven" [2] do petróleo do pré-sal brasileiro, que na ocasião se avaliava com custos de extração na faixa dos US$ 70, o barril.
2 - Saberia que fôlego teriam as já famosas do "óleo não convencional", das reservas de xisto (o tight-oil) dos EUA, seu aliado, diante de um cenário de baixos preços do petróleo.


O que vem depois da aposta EUA-A.S. na virada do ciclo de preços do petróleo?

Pois bem, três anos se passaram nesta fase de colapso de preços do petróleo. O menor preço do barril de petróleo (auge do colapso) se deu em janeiro de 2016, quando o barril desceu a US$ 27. De lá para cá, o barril tem oscilado entre US$ 40 e US$ 50, na maior parte do tempo. Em 2017 tem estado acima deste valor, e hoje, 28 out., o mercado futuro do petróleo registra o valor de US$ 58, para o barril de petróleo tipo brent.

Neste período grandes "arrumações" e "rearranjos" se processou no setor. Os investimentos foram reduzidos drasticamente em todo o mundo. As petroleiras colocaram à venda alguns de seus ativos para reduzir a relação entre valor do patrimônio e seus endividamentos.

Além disso, as petroleiras reduziram ao mínimo possível, as perfurações e a busca de novas reservas de petróleo e gás. Também pressionaram suas contratas (para-petroleiras), fornecedoras de materiais, tecnologias e serviços, a reduzirem seus valores de contratos, com a ameça de suspensão dos mesmos. 

Assim, mais de 3,2 mil fusões, incorporações e aquisições foram feitas entre estas empresas desta cadeia produtiva só entre 2014 e 2015 [3]. Assim formaram-se oligopólios e enormes corporações, com o objetivo de enfrentar menores receitas, naturais na fase de colapso de preços do ciclo petro-econômico. Estes oligopólios com o controle do mercado adiante ditarão preços em suas áreas a nível mundial.

Também como desdobramento da fase de colapsos de preços do barril de petróleo se reduziu o volume mundial das reservas provadas, por conta da produção nos poços e campos em atividade das petroleiras.

O óleo e o gás de xisto americano reduziram seus custos de extração, mas o principal fato que se desdobrou daí e ninguém imaginava a proporção foi o extraordinário desenvolvimento da área do pré-sal brasileiro.

Não apenas com a redução do custo de produção que hoje está contabilizado em US$ 7 (sem os gastos com o endividamento dos investimentos e sem o pagamento das participações governamentais e royalties), mas com a significativa produtividade obtida com a os poços do pré-sal brasileiro.


A colossal produtividade do pré-sal brasileiro diante da geopolítica do petróleo


Nenhum geólogo podeira sonhar - nem nos momentos de maior otimismo - a produtividade tão alta dos poços do pré-sal, equivalente e até superior à extração nos campos do Oriente Médio. [4]

Poços com produção diária de 40 mil barris por dia, que na Bacia de Campos, muitas vezes se equivale a todo um campo (vários poços) de petróleo no pré-sal com produção diária acima de 30 mil barris. Um colosso!

Para não estender de forma demasiada esta análise, vale dizer que o movimento no setor que se assiste hoje em todo o mundo, é o de que as corporações já tomam suas decisões de olho em nova fase de início de expansão do setor de petróleo.

A princípio se imaginava que isso provavelmente, só se deveria acontecer no início da próxima década. Porém, este até então inimaginável acordo Rússia-A.S., auxiliado pelo desconcerto da política externa do Trump, pode estar antecipando o que seria uma nova fase de preços do barril de petróleo, acima do patamar de US$ 70.

Os dois países Rússia e A.S. com suas alianças têm força para segurar a produção do petróleo e voltar a fazer o preço subir. Não mais para o patamar histórico e contínuo de quatro anos acima de US$ 100 (a não ser com o espoucar de graves conflitos regionais), mas para um patamar na casa dos US$ 70, já a partir do ano que vem.

A Rússia tem um interesse enorme em retomar projetos internos e regionais que necessitam dos recursos do petróleo, que entre 2013-2014 era responsável, por praticamente metade de seu orçamento.

A Arábia Saudita que tem ainda mais dependência do petróleo (que é responsável por 87% de seu orçamento), mais da metade de seu PIB e 90% de suas exportações. Assim, a A.S. quer voltar a se dedicar ao seu "Programa Vision 2030" que foi deixado relativamente de lado, neste período. O mesmo visa "diversificar e modernizar” a economia saudita, reduzindo a dependência do petróleo.

Porém, mais que isto, a A. S. quer retomar a venda de um percentual de sua maior empresa, a petrolífera Saudi Aramco com o lançamento de ações (IPO) no mercado internacional. E, por conta disto, o rei sabe que para alcançar maior cotação para vender bem um percentual destas ações 10% a 15%, será necessário que isto seja feito quando o preço do petróleo esteja mais elevado. Assim, se conseguirá captar mais recursos em troca de uma parte da maior empresa saudita. 

Assim se observa que mais que uma hipótese, o acordo Rússia-A.S., na prática desloca o eixo geopolítico e tem potencial para produzir um enorme conjunto de desdobramentos na mundial cadeia do petróleo e em toda a economia internacional, "lubrificada pelo petróleo", em direção a um novo ciclo do petróleo, para o bem ou para o mal das nações conforme suas condições de produtoras e consumidoras.

Tudo isto observado na dimensão da geopolítica e macroeconômica ajuda compreender o que se tem identificado no movimento do capital financeiro (investidores), das operadoras (petroleiras) e para-petroleiras, na costura de acordos para este novo período nesta fração do capital ligado ao setor petróleo.


O que toda esta geopolítica do petróleo tem a ver com o Brasil?
Entender este processo permite ir para além da compreensão do setor petróleo, mas como tenho insistido ajuda a compreender os movimentos do capitalismo contemporâneo.

Porém, mais que isto esta análise da geopolítica do petróleo deixa muito evidente, aos olhos de quem quer ver, como o Brasil com a descoberta das reservas do pré-sal em 2007 e depois com o avanço e desenvolvimento de sua produção - querendo ou não, reconhecendo ou não esta realidade, naquele momento - passou a ser parte importante deste tabuleiro.

Quem fala isto não é o blog, apenas. Os grandes bancos de desenvolvimento, como o BNP Paribas, quase todas as grandes e importantes consultorias que atuam no setor e todas as grandes corporações do setor (petroleiras e para-petroleiras). Estatais (NOCs- National Oil Corporations) ou privadas (IOCs- International Oil Corporations) reconhecem que hoje, o Brasil com o pré-sal tem competitividade compatível com o Oriente Médio com enorme quantidade de petróleo e pressão dos seus reservatórios.

Por isso, a petroleira anglo-holandesa Shell que já é a petroleira estrangeira que mais produz no país (320 mil barris por dia) comprou por US$ 60 bilhões a petroleira inglesa britânica BG - e para isso está ainda vendendo vários ativos no mundo para ampliar e acelerar o desenvolvimento dos seus campos de petróleo aqui. O presidente da Shell-Brasil chegou a afirmar: "o pré-sal brasileiro, pela geologia, é onde todo mundo quer estar". [5]

A petroleira estatal norueguesa Statoil, facilitada pela "entrega" de ativos da atual diretoria da Petrobras, hoje já possui maior potencial de exploração e produção de petróleo aqui no Brasil, do que no seu Mar do Norte. A francesa Total se dispõe a investir mais e mais para explorar nosso petróleo.

Três petroleiras chinesas avançam para garantir seus espaços na joia de nosso "pré-sal", de onde já se retira hoje, diariamente, 1,5 milhão de barris. Assim, todas estas corporações juntas afirmam que devem investir até R$ 260 bilhões na próxima década. [6] E melhor, que isso pode se dar já em novo ciclo e fases de preços do barril de petróleo.

Diante deste quadro seria ingenuidade pensar e tratar tudo isto, simplesmente como teoria conspiratória, diante da materialidade dos fatos aqui expostos. O peso e o interesse que o poder econômico desta fração do capital tem são enormes e isto ajuda a explicar a captura do poder político pelo deus mercado.

Assim o mercado do setor de petróleo completamente internacionalizado vibra diariamente e avança fortemente para a consecução dos seus projetos sobre a nossa riqueza mineral entregue a preço vil. As medidas se seguem com o governo surgido com o golpe: o fim do regime de partilha; a Petrobras deixando de ser operadora única do pré-sal; o fatiamento e venda a baixos preços de vários ativos, etc.

Desta forma, a despeito do discurso da Operação Lava jato, eles sangram como nunca em sua a história (nem com os Costas, Barucos, Duques, Zeladas e cia. ltda.) seguem desmontando e desintegrando a Petrobras que antes atuava em toda a cadeia produtiva (do poço ao posto). [7] [8]

A Petrobras se desenvolveu e com seus trabalhadores. Seus guerreiros geólogos descobriram o pré-sal e preparam as bases para este crescimento. E agora, ao invés de servir à nossa população e à nação, colonizadamente, ela engordará os lucros das corporações e do sistema financeiro global.

Os entreguistas renegando toda esta realidade clarividente da geopolítica do petróleo, tornaram o setor no Brasil um mercado livre, desregulado e desnacionalizado.

Neste atual cenário, a Petrobras hoje exporta quase metade de todo o petróleo que produz (e nunca produziu tanto) enquanto vai se tornando um petroleira pequena exportadora de óleo cru e deixa a nação comprando mais e mais derivados de petróleo pelo mundo. [9]

Dói enxergar e descrever esta realidade sobre a qual tenho me debruçado para investigar e entender nos últimos anos. Porém, reconhecer e divulgar os dados, interpretações e análises chamando a atenção para o peso da Política, tanto no momento de construção, montagem, atuação e desenvolvimento da Petrobras, quanto agora, neste arranjo golpista, pode ser mais uma ferramenta para a transformação desta realidade de desmonte e entrega a preço vil da riqueza nacional.

Assim, entendo que esta análise e o seu debate podem se transformar em contribuições para o desenho de necessárias estratégias para reverter este quadro. Sigamos em frente!


Referências:
[1] Tese de doutorado de Roberto Moraes Pessanha, o blogueiro: "A relação transescalar e multidimensional "Petróleo-Porto" como produtora de novas territorialidades". Março 2017 PPFH-UERJ. Disponível no:
Banco de Dissertações e Teses da UERJ: http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/processaPesquisa.php?listaDetalhes%5B%5D=7433&processar=Processar. 
Rede de Pesquisas em Políticas Públicas da UFRJ: em: http://www.rpp.ufrj.br/library/view/a-relacao-transescalar-e-multidimensional-petroleo-porto-como-produtora-de-novas-territorialidades

[2] Breakeven é a síntese mais comumente usada da expressão em inglês Break-even Point (BEP) que é utilizada em economia e finanças para indicar o Ponto de Equilíbrio entre as despesas e receitas de uma empresa, no caso o custo de extração que torna viável um negócio na área de petróleo. Segundo a própria Petrobras, o breakeven do pré-sal hoje é de 30 dólares por barril, valor a partir do qual a produção é viável economicamente com o preço do petróleo acima desse valor.

[3] Postagem no blog em 2 de mai. de 2016, reproduzindo e comentando dados da consultoria americana especializada no assunto, A.T. Kearney que apenas nos anos de 2014 e 2015, um total de 3.229 fusões e aquisições aconteceram no setor de petróleo em todo o mundo envolvendo o valor de US$ 950 bilhões. Disponível em: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/nos-dois-ultimos-anos-32-mil-fusoes-de.html

[4] Matéria da Agência Estado, Rio, em 19 set. 2017.  Fernanda Nunes. Pré-sal tem competitividade compatível com o Oriente Médio. Reportagem da Agência Brasil em 19 set. 2017. Projetos do setor do petróleo são variados e competitivos, diz diretor da ANP. Disponível: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-09/projetos-do-setor-do-petroleo-sao-variados-e-competitivos-diz-diretor-da 

[5] Entrevista publicada no Estadão, em 21 set. 2017, com o presidente da Shell Brasil, André Araújo. Pré-sal é onde todo mundo quer estar. NUNES, Fernanda. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pre-sal-e-onde-todo-mundo-quer-estar,70002009782

[6] Matéria no Valor, em 17 out. 2017, P. A7. Leilões vão gerar investimentos de R$ 260 bi em 10 anos, diz ANP. POLITO, Rodrigo e RAMALHO, André. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/5158102/leiloes-vao-gerar-investimentos-de-r-260-bi-em-10-anos-diz-anp

[7] Reportagem do portal G1 demonstrando como após o golpe político no país e a Operação Lava Jato foi se operando o desmonte do setor de petróleo e de engenharia com a venda barata de empresas e ativos nacionais em volume superior a R$ 100 bilhões até outubro. A matéria destaca como as maiores vendas de empresas, a NTS, a malha de gasodutos da Petrobras na região Sudeste para o fundo financeiro canadense Brookfield, além de várias outras ligadas à estatal e ao setor de petróleo "Lava Jato levou empresas a vender mais de R$ 100 bilhões em ativos desde 2015. "Quase 50 negócios de grandes empresas impactadas pela operação trocaram de mãos desde 2015, segundo levantamento do G1; vendas foram feitas para reforçar caixa diante da crise de credibilidade". Disponível em: https://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/lava-jato-levou-empresas-a-vender-mais-de-r-100-bilhoes-em-ativos-desde-2015.ghtml

[8] O blog publicou dezenas de matérias sobre o desmonte do setor de petróleo, desde a venda de ativos, a desmobilização de trabalhadores (pessoal), a área de gás e os gasodutos, a área de refino, petroquímica, a indústria naval com a redução da exigência de conteúdo local, etc. Estas postagens podem ser facilmente localizadas no buscado Google com as palavras chaves. Abaixo o blog disponibiliza o link de cinco destas postagens. Uma sobre o desmonte do setor de refino; outra de desmonte do setor naval; uma terceira sobre a área de pessoal; quarta sobre a venda da malha de gasodutos para o fundo financeiro Brookfield e quinta sobre a venda de ativos campos e plataformas na Bacia de Campos: //www.robertomoraes.com.br/2017/05/desmonte-na-petrobras-atinge-setor-de.html - http://www.robertomoraes.com.br/2016/07/a-industria-naval-nacional-diante-da.html - http://www.robertomoraes.com.br/2016/08/segue-liquidacao-do-feirao-petrobras.html - http://www.robertomoraes.com.br/2017/05/o-desmonte-da-petrobras-e-tambem-na.html

[9] Postagem do blog em 16 de out. 2017. Brasil exporta hoje quase metade de toda sua produção de petróleo bruto: país deixou de controlar setor de refino e distribuição de combustíveis, os mais lucrativos da cadeia produtiva. Disponível em: http://www.robertomoraes.com.br/2017/10/brasil-exporta-hoje-quase-metade-de.html

PS.: Atualizado às 14:18: Para trocar o gráfico que explicita o Ciclo Petro-Econômico no período entre 1970-2016 que consta da tese [1].
PS.: Atualizado às 15:24: Para pequenos acréscimo na nota (referência) nº 2, sobre breakeven.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Brasil exporta hoje quase metade de toda sua produção de petróleo bruto: país deixou de controlar setor de refino e distribuição de combustíveis, os mais lucrativos da cadeia produtiva

Entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil exportou na média, 1,146 milhão de barris de óleo cru por dia. O total da produção de óleo (só de óleo, sem o gás equivalente) no mês de agosto foi de 2,576 milhões de barris segundo boletim mensal de produção da ANP [1]. Assim, hoje, o país está exportando 44,4% de toda a sua produção de petróleo.

A exportação neste período foi de 278 milhões de barris e trouxe divisas equivalentes a US$ 11,9 bilhões ao país, o que permite calcular que o preço médio do barril vendido foi de US$42,8. A ampliação da exportação de óleo cru extraído no Brasil começou no final do ano passado, mas é este ano que ele ganhou este patamar que se aproxima da metade de toda a produção nacional.

Navio petroleiro da Petrobras que atende exportação
de óleo cru e importação de combustíveis e derivados
O petróleo bruto exportado do Brasil entre este ano (Jan-Ago) 80% é proveniente do litoral fluminense e da Bacia de Campos. As diversas petroleiras estrangeiras que atuam no Brasil têm solicitado autorização da ANP e Receita Federal para exportar o óleo que elas produzem no Brasil. [2]

A Shell que hoje é segunda maior produtora de petróleo país com 320 mil barris de óleo por dia (10% de sua produção mundial) recebeu em setembro aval da Receita Federal para usar procedimentos simplificados na exportação do óleo produzido no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos.

A chinesa CNODC, por exemplo, já recebeu autorização para enviar para fora do país o óleo que será produzido durante o teste de longa duração (TLD) de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, previsto para começar antes do fim deste ano. 

Para aproveitar o movimento de exportação brasileira de óleo cru, a também chinesa Sinopec, que atua no país por meio da joint venture Repsol Sinopec, vende a produção nacional para empresas de trading, que negociam o energético em diversos países. O óleo da petroleira no país vem dos campos de Lapa e Sapinhoá, na Bacia de Santos, e Albacora Leste, em Campos.

Segundo matéria da revista Brasil Energia [2], as petroleiras e o governo brasileiro já concordam que a tendência do Brasil é se consolidar como exportador líquido de petróleo e importador líquido de derivados nos próximos anos. O que confirma as nossas análises de desintegração da estatal de petróleo deixando a tarefa mais custosa de exploração/perfuração para elas.

Este é o jogo das petroleiras privadas. Elas procuram pouco petróleo. Por isso 90% das reservas mundiais estão nas mãos da petroleiras estatais (NOCs - National Oil Corporations). As petroleiras provadas (IOCs - International Oil Corporations) ajudam a mudar o regime capturar o poder político dos estados-nações onde estão estas reservas, e assim chegarem "legalmente" estas reservas.

É certo que os US$ 11,9 bilhões arrecadados com a venda do óleo cru não banca os gastos com o volume quase equivalente ao que o Brasil importa de combustíveis e outros derivados de petróleo [3], apesar do nosso parque de refino estar hoje trabalhando com cerca de 30% de sua capacidade ociosa, equivalente a cerca de 700 mil barris por dia. Há quatro/cinco anos atrás, as nossas refinarias trabalhavam com até 95% de suas capacidades instaladas.

É certo que uma parte do óleo exportado (mais pesado) precisa de refinarias adequadas a ela. Porém, reduzir tanto o processamento em nossas refinarias aumenta o custo médio do que aqui é produzido, além de levar divisas ao exterior com o uso menor de nossa base industrial.

A China segue sendo a maior importadora do óleo cru ficando com 43% de tudo que exportamos, equivalentes a 497 mil barris por dia. Os EUA é nosso segundo maior importador de óleo que é processado nas refinarias na região do Texas e do Golfo do México que processa óleo pesado. Outras 15 nações adquirem nosso petróleo.

O Brasil tem 18 refinarias, sendo 11 da Petrobras e um capacidade de refino em torno de 2,4 milhões de barris de petróleo por dia. É fato que esta decisão da atual diretoria tem relação com sua estratégia de venda de ativos por partes da holding Petrobras, entre elas algumas refinarias e a distribuidora BR que atende na venda dos combustíveis ao consumidor final.

Vale observar como uma decisão leva a outra. O fato da Petrobras estar sendo desintegrada, ou seja deixando de ser uma empresa de petróleo com atuação do poço ao posto, em toda a cadeia produtiva, reduz a capacidade da empresa decidir políticas que proteja a mesma das oscilações do mercado internacional, incluindo as tradings que atuam no comércio de óleo cru e derivados.

Assim, é inimaginável que quando o petróleo estava acima de US$ 100 o barril, a nossa gasolina estivesse a pouco mais de R$ 3,00 por litro, e hoje, com o barril na casa dos R$ 50, o litro da gasolinha esteja quase 50% acima deste valor.

Desta forma, não é difícil observar que a Petrobras deixou de ter o controle do comércio de derivados no país e assim passou a seguir as linhas das grandes corporações, no caso em específico, as tradings.

Algumas vezes eu comentei aqui [4] a declaração de John Abbott, diretor da área de abastecimento e refino da Shell de que “as grandes petroleiras devem ter presença em toda a cadeia de negócios, da plataforma de perfuração à bomba de gasolina... Em uma empresa integrada de petróleo, você aprende que o valor pode deslocar-se para cima e para baixo ao longo da cadeia... O 'downstream' é um motor constante de dinheiro para pagar dívidas, pagar dividendos e financiar o crescimento."

Pois bem, enquanto isto, a atual diretoria comandada pelo  Parente faz exatamente o inverso, desintegrando e desverticalizando a empresa, além de tornando-a menor, também na área de exploração e produção, com venda dos campos da Bacia de Campos e Santos.

Isto é quase pior que a privatização completa, porque ao se concentrar na perfuração para achar petróleo (a atividade mais cara e de maior risco) e depois entregar de bandeja a “joia da coroa” é crime de lesa pátria tão ou mais grave do que aquilo que fizeram com a venda lucrativa Vale do Rio Doce.

Volto a dizer, o golpe planejado e em curso no Brasil, faz com que o país tenha passado a ser no mundo o maior “case” (ou laboratório) do ultraliberalismo de mercado com a captura por completo do poder político. Sem dúvida o exercício de um liberalismo ainda mais exacerbado que o laboratório dos “Chicago-boys” no Chile na década de 70.

Nunca foi tão necessário debater isto com os brasileiros. Em algum momento vamos exigir um referendo revogatório destes descalabros punindo severamente todos estes entreguistas.

PS.: Atualizado ás 14:43: para breve acréscimo no texto.


Referências:
[1] Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP, agosto de 1017. Disponível em: ehttp://www.anp.gov.br/wwwanp/images/publicacoes/boletins-anp/Boletim_Mensal-Producao_Petroleo_Gas_Natural/Boletim-Producao_agosto-2017.pdf

[2] Matéria da jornalista Gabriela Medeiros em 10 out. 2017 da revista Brasil Energia Online “Para onde vai o óleo do Brasil?”.  Disponível em: http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/cadun/login?url_retorno=/news/oleo/logistica-e-comercializacao/2017/10/para-onde-vai-o-oleo-do-brasil-450524.html

[3] O volume de combustíveis e derivados importados e os valores pagos pelo país, ainda estão sendo estratificados dos dados agregados, divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

[4] Nota no blog sobre a John Abbott, diretor da área de abastecimento e refino da Shell, publicada no Valor em 31/07/2016, P. B3, a partir de matéria do Financial Times: http://www.robertomoraes.com.br/2017/01/diretor-da-shell-realca-importancia-de.html

sábado, outubro 14, 2017

Quem diria, até o FMI teme pelo limites do capitalismo

O esgarçamento do capitalismo contemporâneo parece estar levando o mundo ao rumo de uma civilização excludente e para poucos e isto começa a espantar cada vez mais pessoas e autoridades, mesmo nas nações mais desenvolvidas.

O sentimento de que podemos estar no fim de um “período entre guerras”, com a assunção da plutocracia que assume as rédeas da democracia, tornada não compatível com o capitalismo cada vez mais desigual.

Assim, depois de vários outros estudiosos, agora, por incrível que possa parecer, foi o Fundo Monetário Internacional (FMI) - a partir de seu mais recente estudo – que afirmou publicamente e de forma taxativa que “o excesso de desigualdade pode corroer a coesão social, levar à polarização e, em última instância, reduzir o crescimento da economia”.

O FMI, através de sua diretora-gerente Christine Lagarde argumentou em reunião de cúpula junto com o Banco Mundial que “os países desenvolvidos podem compartilhar prosperidade de maneira mais equilibrada, sem sacrificar o crescimento, ao transferir um ônus do imposto de renda para os riscos”. Assim o FMI defendeu a taxação dos mais ricos e a redistribuição de renda nos países desenvolvidos.

Desta forma, por incrível que possa parecer, o FMI parece agora querer rever muitas de suas receitas, por julgar que a frustação desigual dos frutos do livre comércio e da desregulação do capital e relaxamento das fronteiras estaria levando o mundo para posições de enorme risco ao capitalismo que deseja preservar. O FMI qualificou ainda que “o aumento da desigualdade de renda representa uma ameaça à recuperação econômica dos últimos dez anos (se referindo a crise pós-2008).


Com os riscos Trump e do BRexit, há um ano, editor do Financial Times já tinha mesmo temor 
O espanto não é menor e nem tão distante no tempo assim. Há pouco mais de um ano eu escrevi aqui no blog, sobre os limites do capitalismo, republicando um artigo do Martin Wolf, conhecido editor e principal analista de economia do jornal The Financial Times. O mesmo Wolf que esteve há cerca de dez dias no Brasil, num evento sobre a economia global realizada pelo Valor/Santander.

Martin no seu artigo de setembro de 2016, descrevia as tensões entre o capitalismo e a democracia e se perguntava se seria duradouro o casamento entre a democracia liberal e capitalismo mundial. Wolf disse mais ao identificar as tensões entre democracia e capitalismo: “a democracia é igualitária. O capitalismo é desigual, pelo menos em termos de resultados” ... Hoje, porém, o capitalismo está se defrontando com dificuldades muito maiores para gerar esses avanços de prosperidade. Ao contrário, são crescentes as evidências de desigualdade e declínio do crescimento da produtividade. Essa poção venenosa torna a democracia intolerante e o capitalismo, ilegítimo.”

Wolf no mesmo texto reconheceu que o capitalismo contemporâneo é mundial e buscou apoio nas posições do professor Dani Rodrik, da Universidade de Harvard, que defendia que “a globalização restringe a autonomia nacional. Ele escreve que "democracia, soberania nacional e integração econômica mundial são incompatíveis entre si: podemos combinar quaisquer dois dos três, mas nunca todos os três simultânea e integralmente".

Ao apontar para o futuro, Wolf defendeu que “a legitimidade dos nossos sistemas políticos democráticos, as políticas econômicas precisam ser orientadas visando a promoção dos interesses de muitos, e não de poucos...” Ao temer que estamos caminhando para o esgarçamento Wolf finalizou: “se não conseguirmos fazê-lo, a base de nossa ordem política provavelmente naufragará. Isso não seria bom para ninguém. O casamento da democracia liberal com o capitalismo precisa ser estimulado. Não deve ser visto como algo assegurado.”

Interessante observar que os argumentos do FMI e do editor do Financial Times temendo pelo futuro do capitalismo e da democracia clamem pela redução das desigualdades, enquanto no Brasil atual, se revive o neoliberalismo ainda mais exacerbado que o laboratório dos “Chicago-boys” no Chile na década de 70.

Diante de nossa atual realidade política com a trama parlamentar-jurídica-midiática que deu o golpe e sustenta os “bolsomitos” e os “dorianos”, as posições do Financial Times e do FMI mais se parecem a um discurso de esquerda marxista revolucionário e não reformista, mesmo que seja evidente que o FMI quer apenas dosar e administrar os conflitos.

O controle que o mercado faz do governo (poder político) que alçou com o golpe planejado e em curso no Brasil, faz com que tenhamos passado a ser no mundo o maior “case” do ultraliberalismo de mercado que capturou por completo o poder político.

O quadro é tão estranho que nos faz sugerir que poderemos estar, paradoxalmente, diante de mudanças mais acentuadas. Não se trata apenas de mais uma crise, como parte do capitalismo e dos ciclos sistêmicos de acumulação.

É possível que estejamos diante dos limites do capitalismo determinado pelo alto grau de aspiração dos recursos produtivos pelo sistema financeiro, mas especialmente, pelo nível sem igual de desigualdade de renda e de exclusão da maior parte da população do planeta.

A ideia de progresso e contínua evolução em termos civilizatórios é um engodo. Nada nos garante este destino, como algo inexorável e sem luta. Muita luta. A se manter este movimento, eles nos conduzirá para uma civilização excludente com a maioria abandonada pelo poder e por sua forma de mediação chamada de democracia.

Na realidade, a democracia através do capitalismo foi se tornando não uma forma de mediação da vida em sociedade com a participação de todos na ágora, mas apenas e tão somente, um conceito cada vez mais abstrato, distante, vago e irreal da vida em sociedade.

Outro mundo é possível, mas como sempre, não virá sem luta. Muita luta!

sexta-feira, outubro 13, 2017

G1 (Globo) confirma que os fundos financeiros avançam sobre o controle das corporações no Brasil pós-golpe

A matéria do G1 divulgada aqui na tarde desta sexta-feira (13/10/2017) reforça o trabalho de pesquisa empírica que venho comentando no blog, sobre o papel dos fundos financeiros no recolhimento dos excedentes econômicos obtidos com a venda do controle das empresas na época de crise que totalizariam segundo a reportagem mais de R$ 100 bilhões.

É uma matéria ampla e detalhada que mostra o desmonte dos grupos econômicos nacionais (frações do capital), no setor de petróleo, engenharia e outros... e quem recolhe este excedentes na fração do capital em movimento? Os fundos financeiros, o canadense Brookfield e Itaú Unibanco (Itaúsa).

Os dados que já havíamos comentados aqui são impressionantes e mostram o tamanho do desmonte dos grupos e corporações locais desde o estatal ao privado. A matéria também reforça o que falamos sobre as fusões, aquisições e incorporações em épocas da fase de colapso do ciclo econômico.

Mesmo que já se conhecesse a lista da venda de ativos nacionais a corporações estrangeiras e fundos financeiros ao vê-la de forma organizada se reforça a compreensão do desmonte que está se procedendo na economia nacional seja nas estatais e também nas empresas privadas. E observe que novas privatizações e venda de ativos estão em curso em volume tão elevado quanto este. 

Negócios da Lava Jato: empresas investigadas venderam quase 50 ativos desde 2015 (Foto: Arte/G1)
































O caso da venda da malha de gasodutos do Sudeste (que estava sobre o controle da subsidiária Nova Transportadora Sudeste, desdobrada da TAG (Transporte Associado de Gás) com cerca de 2,5 mil quilômetros pela Petrobras para o fundo financeiro canadense Brookfield por US$ 4,23 bilhões, vale observar os dados do último balancete trimestral da estatal. 

Eles indicam que os gastos com o pagamento de tarifas ao fundo para o uso dos gasodutos, em menos de dois anos, será era equivalente ao valor recebido pela venda da malha ao fundo financeiro. Um escracho, sem comparação. 

Aliás, no blog, eu já havia chamado a atenção sobre este absurdo da tarifa (renda de monopólio pelo uso dos gasodutos que se apropria de uma parte da renda petrolífera) que os avalista do banco Credit Suisse tinham trazido à tona. Este assunto terá repercussão jurídica e os responsáveis deverá ser punidos. (ver aquiaqui, aqui e aqui)

Ou seja, os dados da reportagem reforçam empiricamente os movimentos sobre o controle das corporações pelos fundos financeiros, a oligopolização dos setores. Por enquanto se tem e a compra de ativos de mais de R$ 100 bilhões.

É o movimento que desintegra os grupos e setores econômicos nacionais e transferem para o andar de cima o controle das corporações pelo capital fictício que cada vez se apropria de maior parte dos lucros do setor produtivo. Além disso, repassa à economia global e verticaliza e centraliza o controle de setores estratégicos da economia brasileira no exterior.

Considerando que esta denúncia sobre o desmonte da economia nacional vinha sendo feita há tempo e ignorada pela mídia comercial cabe que seja feita uma pergunta: quem bancou tal reportagem e com qual objetivo? A matéria, mesmo que tenha atribuído tudo à Operação lava Jato, que não chega a ser uma inverdade, chega a fazer a pergunta se estas vendas forma a preço de banana (como vínhamos comentando se referindo à xepa) ou de mercado.

Depois disto, você ainda tem dúvidas sobre os motivos do golpe de 2016 no Brasil?

O caso da siderúrgica japonesa é fraude ou corrupção?

E você aí achando que o problema da corrupção é caso quase que exclusiva dos políticos, segundo diariamente a mídia comercial lhe diz. E mais, “colonialmente” você comprando a ideia de que o caso seria apenas brasileiro e de fácil resolução num mundo da “coerção concorrencial” do sistema.

Então veja os casos. Depois dos escândalos graves das montadoras com a alemã Volks falsificando emissões de poluentes, e a japonesa Mitsubishi sobre economia de combustíveis, além dos casos institucionalizados de caixa 2 para fugir de impostos também da alemã Siemens entre vários outros, agora chega o caso da terceira maior siderúrgica japonesa, a Kobe.

A siderúrgica Kobe acaba de admitir que vendeu aço e alumínio com certificações falsificadas de inspeções sobre a resistência destes dois materiais que são as bases de segurança de vários produtos como aviões, satélites e automóveis. Veja a gravidade com as grandes corporações atingidas: Boeing, Toyota, Honda Nissan, Mitsubishi, Kawasaki e Mazda.

Todas estas grandes marcas apavoradas garantem que você não morrerá nos voos e nas viagens de carro. Dizem que estão fazendo “inspeções e análises abrangentes”.

Veja o tamanho do problema e da irresponsabilidade desta turma que agora defende quase que como reza a tal rede de “compliance” que virou moda e demanda uma enorme rede de consultorias faturando milhões e bilhões com oferta de tecnologia e redes que garantiriam de forma matricial imunidade à corrupção.

Nesta toada oferecem ainda “avaliações externas” de indicados a cargos no Estado de forma a garantir aptidão para os indicados pelo mercados. A Caixa Econômica Federal está passando a exigir isto de seus próximos vice-presidentes.

É certo que a corrupção precisa ser enfrentada, mas também é importante que se compreenda que ela é parte de um sistema que transforma tudo em mercadoria e tem na “coerção concorrencial” a qualquer custo, a orientação em busca de produtividade e capacidade de enfrentar o “deus mercado”.

Enquanto isto, muitos seguem com seu moralismo seletivo que, ao mesmo tempo, ataca uns e endeusa outros, entre eles estas marcas dos grandes oligopólios, revitalizadas, diariamente, pela mídia comercial que chega até você para aumentar a credibilidade de seus produtos, apenas com a construção mental de discursos de modernidade e eficiência questionáveis. Para dizer o mínimo.

Para fechar, o caso serve ainda para você repensar esta ideia colonizada, de que há nações mais sérias que outras, sem fazer uma análise crítica e do processo histórico dos Estados-nações. Segundo definição do professor Bruno Leandro da UFF-Campos na postagem deste texto no perfil do Facebook, a corrupção é o azeite do capitalismo


PS.: A fonte da informação é uma matéria sobre o caso da fraude (corrupção) dos jornalistas Peter Wells Emilio Terazono do Financial Times, republicada e traduzida no Valor, 11/10/2017, P. B4 com título e subtítulos: “Fraude da Kobe afeta Boeing, Toyota e Nissan – Siderúrgica japonesa admitiu ter enviado a seus clientes, durante um ano, produtos fora das especificações”.

quinta-feira, outubro 12, 2017

China assume liderança mundial na indústria. Aumenta a concentração: 3 países produzem metade de toda a manufatura do mundo

Pelos dados divulgados pela UNIDO em relatório produzido pelo IEDI (Institutos de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) sobre a produção da indústria de transformação mundial até 2016, a China passou à frente dos EUA. [1]

Em 2016, a produção da indústria de transformação cresceu mundialmente 2,6%, tendo sido 2,8% em 2015 e 2,3% em 2014.Hoje, a China tem praticamente 1/4 (24,4%) de toda a produção industrial do mundo. A posição da China reforça a compreensão de que há uma mudança em curso na economia global e na geopolítica mundial.

No geral se observa a enorme concentração da produção mundial da produção industrial. Apenas 3 países China, EUA e Japão possuem cerca de metade da produção industrial mundial.

No ranking da industrialização, depois da China vem os EUA com 16%, Japão com 8,7% e Alemanha com 7,7%. A Índia sem mantém em 5º lugar, mas ampliou (e quase dobrou, com + 70%) a sua participação de 2% para 3,4% em relação à toda a produção mundial.






















A partir destes dados se pode interpretar que há uma integração internacional assimétrica, entre as nações que vendem seus recursos minerais e importam os produtos industriais (de maior valor agregado), num prosseguimento da colonização, onde as nações periféricas têm uma semi-
industrialização ou quase nada.

Dentro da integração econômica dependente será difícil sair desta sina. A teoria econômica da globalização empurra para a alternativa da industrialização como a principal forma de uma nação ampliar sua participação no mundo e auferir vantagens internas desta lógica aumentando a renda da população.

Porém, o grande risco é seguir o que Reinnert [2] descreve em seu livro "Como os países ricos ficaram mais ricos... e por que os países pobres continuam pobres", com um enorme risco de que as nações médias rendas como o Brasil desaparecerem, enquanto os dois polos, tendem a se convergir entre si.

Além disso, é ainda preocupante, o fato que boa parte da riqueza gerada pela produção industrial (e material) acaba em todo o mundo cada vez apropriada pelos sistemas financeiros, via os grandes fundos que trabalham com os excedentes da área industrial.

Segundo Dowbor (2017), no plano global estima-se que o setor financeiro contribua com 10% do valor agregado da economia, mas hoje, o sistema bancário fica com 42% dos lucros corporativos.  Em 1947 os bancos ficavam com apenas 11%. Na prática, o setor financeiro captura os lucros do sistema produtivo, aspirando os lucros e recursos do setor produtivo, segundo Dowbor (2017). [3]

Sobre o Brasil
O Brasil se manteve como 9ª maior nação industrializada, mas perdeu participação na industrialização mundial caindo de 2,9% para 1,8%. Perdas de participação na indústria nacional também ocorreram com a França que é a 8ª e o Reino Unido que em 10º tem a mesma participação do Brasil e também perdeu muito na década entre 2005 e 2015. Porém, o Reino Unido junto com a Alemanha e Holanda concentra boa parte dos recursos financeiros com os bancos, fundos e seguros.

Na China, o valor adicionado da indústria atingiu a média de 21% do PIB em 2016. No Brasil, o Brasil, o valor adicionado das manufaturas em 2016 representou apenas 10% do PIB. Segundo o estudo, entre 2005 a 2016, em termos constantes, o valor da transformação industrial per capita brasileiro se reduziu de US$ 1.415 para US$ 1.081.

Analisando um pouco mais a trajetória da indústria brasileira em alguns setores o país conseguiu preservar sua posição. O Brasil encontrava-se entre os 15 maiores produtores de todas os ramos da indústria de transformação, exceto em equipamentos de escritório, computadores e contabilidade e farmacêuticos.

As melhores posições do Brasil no ranking mundial por setores foram em couro, produtos do couro e calçados (4ª posição), coque, refino do petróleo e combustíveis nuclear (4ª posição), alimentos (5ª posição), bebidas (6ª posição) e papel e produtos do papel (6ª posição). Apesar das colocações de destaque, em 2010, em todos esses ramos industriais o país estava em posições iguais ou melhores.

Em relação ao total do grupo de países emergentes, exceto China, o Brasil chega a ser líder em dois ramos industriais, segundo dados de 2015: papel e petróleo refinado. Em 2010, o país ocupava o 1º lugar no ranking em outros 9 ramos: alimentos, couro, madeira, impressão e publicação, borracha e plástico, produtos fabricados de metal, maquinas e equipamentos, veículos automotores, moveis e outras manufaturas.

Não é difícil dizer que o Brasil carece de um projeto de nação que rompa o atual desmonte. Neste esforço há que se ampliar o conhecimento da nossa real situação com a elaboração de críticas que ajudem a pensar a nação num prazo um pouco mais longo.


Referências:
[1] Relatório anual da UNIDO de 2017. Carta IEDI nº 809 – Indústria Mundial. Disponível no link: http://www.iedi.org.br/pdf/carta_iedi_809_anexo.pdf

[2] REINERT, Erik S. Como os países ricos ficaram ricos... e por que os países pobres continuam pobres. Editora Contraponto e Centro Internacional Celso Furtado, 2008. Rio de Janeiro.

[3] DOWBOR, Ladislau. Livro "A era do capital improdutivo". Outras Palavras & Autonomia Literária, 2017, São Paulo.

quarta-feira, outubro 11, 2017

Avançam as pressões para derrubar o dólar como única moeda para negociar petróleo

O petróleo como a mercadoria mais negociada do mundo exerce enorme poder geopolítico. Na década de 70, um acordo dos EUA com a Arábia Saudita fez com que o petrodólar pudesse superar o padrão ouro como equivalência geral da moeda.

As voltas que os sistemas interestatal capitalista (Fiori) vem dando em termos de realinhamento mundial estão, de forma paulatina, caminhando para alterar esta realidade.

O fato da China ter se tornado o maior importador mundial de petróleo (mesmo que não seja o maior consumidor que ainda é os EUA) tem criado condições para que os chineses imponham determinadas condições, inclusive para a maior nação exportadora que é a Arábia Saudita.

São várias e seguidas inciativas que avançam também para uma maior relação da China com a Rússia que disputa com os EUA e Arábia Saudita, a condição de maior produtor mundial de petróleo desde 2014.

Assim, vale ler esta breve matéria publicada hoje, aqui, no portal internacional de notícias RT e que foi republicado aqui no site da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras) com tradução de Alex Prado, com o título "China pode destruir o petrodólar atraindo a Arábia Saudita para negociar petróleo em yuan". Assim, este blog também posta o texto logo abaixo abaixo. A geopolítica da energia segue ditando novos movimentos que podem alterar hegemonias mundiais. Vale conferir!

China pode destruir o petrodólar atraindo a Arábia Saudita para negociar petróleo em yuan

Pequim está tentando "obrigar" a Arábia Saudita a vender petróleo bruto em yuan, o que seria seguido por outros países, de acordo com o economista-chefe e diretor-gerente da High Frequency Economics, Carl Weinberg. Isso vai atingir o dólar dos EUA, diz ele.

Fonte: Jianan Yu / Reuters, publicado pela RT.
Em entrevista à CNBC Weinberg disse que a China se tornou um dos principais players do mercado de petróleo desde que ultrapassou os EUA como maior importador do mundo.

A Arábia Saudita tem que "prestar atenção nisso porque, até em um ou dois anos, a demanda chinesa vai afetar a demanda dos EUA", disse Weinberg à mídia.

"Eu acredito que o preço do petróleo no yuan está chegando e, assim que os sauditas aceitarem - como os chineses os tentam fazer - então o resto do mercado de petróleo se moverá junto com eles", acrescentou.

Um acordo de 1974 entre o presidente dos EUA Richard Nixon e o rei saudita Faisal fez com que Riyadh aceitasse dólares para todas as exportações de petróleo.

No entanto, recentemente, países como a China e a Rússia têm procurado excluir o dólar do comércio bilateral de petróleo. A Rússia e a Arábia Saudita são os principais exportadores de petróleo para a China, alternando-se no primeiro lugar.

A China já disse que quer iniciar um contrato de futuros de petróleo bruto com preço em yuan e conversível em ouro.

O investidor veterano Jim Rogers disse à RT no mês passado que os países estão ficando mais preocupados com o comércio em dólares, porque "se os EUA ficarem com raiva de você, eles
estabelecem uma enorme pressão, que pode tirá-lo dos negócios".

"A China, a Rússia e outros países entendem isso e estão tentando mudar o comércio e o financiamento mundial", disse Rogers.

Em julho, Rússia e a China assinaram um fundo de investimento de 68 bilhões de yuans (US $ 10 bilhões) para facilitar as trocas entre rublo-yuan.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Ao contrário do que diz o professor Salomon (Universidade de Nova York) no Fórum do Valor, a globalização é maior no andar das finanças e não nas bases de produção das riquezas

Alguns dados apresentados pelo professor Robert Salomon, da Escola de Negócios da Universidade de Nova York, ontem, em palestra no Fórum Cidadão Global, organizado pelo jornal Valor e Banco Santander, em São Paulo merecem ser melhor analisados.

Salomon afirmou que atualmente, apenas 20% do PIB global é do comércio exterior e apenas 10% dos investimentos dos investimentos mundiais são de multinacionais. (Veja matéria no Valor Online aqui)

Salomon argumenta com estes dados que o mundo seria menos global do que se imagina. Em termos da geração de riquezas em bases materiais, eu concordo. Porém, os dados podem nos oferecer uma outra leitura: a de que a maior fluidez e internacionalização acontece no capital que é o fluido dos fluidos.

O capital tem mais fluidez e isto hoje se dá basicamente via os fundos financeiros e não diretamente pelas empresas multinacionais.

Os fundos financeiros atuam em vários setores nas economias locais e nas empresas nacionais e fazem o meio campo e articulação entre as multinacionais, participação acionária e controle parcial ou total das empesas nacionais que atuam na produção das riquezas materiais nas nações.

Assim, a produção da riqueza é local, mas quando o dinheiro sobe na pirâmide do capital fixo nas bases locais para o andar de cima (capital fictício), ele também migra espacialmente se movimentando globalmente.

Assim, os dados do professor Salomon permite que compreendamos ainda mais que o peso da financeirização da economia é maior e que é ele que se globaliza e não a produção material da riqueza que é local.

Desta forma, é possível intuir uma conclusão diversa do que ele apresenta. É através dos fluxos informacionais do dinheiro que o mundo se globaliza e não pelo comércio e fluxos materiais, em que o professor Salomon sustentou sua análise e argumentações.

Talvez, seja apenas uma coincidência que um dos bancos que ajudam nesta fluidez do capital tenha sido o patrocinador do evento.

De qualquer forma, estes e outros dados levantados por quem está na nação que é o centro do sistema, nos ajuda a compreender um pouco mais dos movimentos do capitalismo contemporâneo.

PS.: Atualizado às 15:48: Para pequenos ajustes e acréscimos no texto original.

quinta-feira, outubro 05, 2017

Contradição: Terminal portuário da Petrobras é dragado, enquanto estatal reduz atividades na Bacia de Campos

Ao mesmo tempo que a Petrobras investe R$ 14,8 milhões na dragagem do canal de acesso ao seu terminal portuário em Imbetiba, em Macaé, para manter a profundidade de 9 metros e acesso ao seus seis berços, a direção da empresa está entregando vários ativos da Bacia de Campos para serem vendidos, ou operados em consórcio por outras empresas.

Porto de Imbetiba Macaé - Acervo do blog -
Postagem em 21 de março de 2013 - Aqui.
Com a redução das atividades da estatal em Macaé, é mais provável que a atuação e demanda de logística de apoio portuário de outras empresas venha ser feito por outros terminais portuários, em Niterói, na Baía da Guanabara, onde estão as bases das petroleiras privadas, ou mesmo no Porto do Açu. Desde 2013, o TUP de Imbetiba deixou de ser o de maior movimentação de cargas de apoio offshore do país.

Assim, mesmo que a dragagem do TUP Imbetiba seja necessária para manter o mínimo de condições de uso do terminal portuário, as ações não reforçam o discurso da municipalidade. Nem mesmo para a exploração dos novos campos licitados na Bacia de Campos, já que uma parte importante passou a ser de controle da petroleira privada americana Esso.

O terminal portuário (TUP) de Imbetiba em Macaé tem o nome do engenheiro Zepheryno Machado Filho, possui 6 berços de atracação e atualmente tem movimento médio de 300 atracações por mês.

O TUP de Imbetiba é de propriedade da Petrobras e foi implantado em área adquirida logo depois da descoberta de petróleo, no campo de Garoupa em 1974 e iniciou sua operação em 1979.

Até 2012, quando atingiu seu limite de movimentação de cargas, o TUP de Imbetiba concentrava a grande maioria da movimentação de cargas para a exploração de petróleo offshore que foi responsável pela descoberta de grandes reservas, inclusive do Pré-sal, além de apoio à produção em grande parte do litoral, não apenas fluminense.

Hoje, o TUP de Imbetiba não atende a cargas gerais, mas as especiais, frotas de atividades de ancoragem, mergulho raso, operações de terminais oceânicos e situações de controle e emergência offshore.

A política de desinvestimentos da Petrobras contribuirá para a redução da movimentação de cargas no TUP de Imbetiba em Macaé, a despeito do que a gerência local da estatal tem dito para a prefeitura local.

Sobre a primeira maior alteração espacial da movimentação de cargas com apoio logístico-portuário para a exploração offshore leia postagem do blog aqui, em 2 de abril de 2014, com o título: "Porto de Imbetiba em Macaé deixou de ter a maior movimentação de apoio offshore do país".

quarta-feira, outubro 04, 2017

Segue o entreguismo e o desmonte do que existe de indústria de petróleo no Brasil: Associações do setor industrial questionarão judicialmente a ANP, por também cortar exigências de conteúdo local nos projetos, já em andamento, da área de petróleo

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav) e a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estão se organizando para ir à Justiça questionar a flexibilização das regras de conteúdo local promovidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) tanto para os projetos novos quanto os antigos.

Estas e outras entidades alegam que esta decisão contraria resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre as regras de conteúdo local e que impedem que as novas diretrizes sejam aplicadas de forma retroativa e atingiriam cerca de 700 contratos gerando insegurança jurídica e a redução das atividades e desemprego ainda maior na indústria naval e em outras que atuam na cadeia produtiva do petróleo. Em 2012, só a indústria naval chegou a empregar em todo o país quase 100 mil trabalhadores.

Do outro lado deste posição defendendo as petroleiras e a redução das exigências de conteúdo local estão o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro) que hoje conseguem obter tudo o que querem da ANP que em tese seria o órgão regulador do setor para defender os interesses nacionais. E são instituições que se dizem brasileiras.

O embate entre as duas posições ficaram claras a partir da Audiência Pública nº 20/2017 realizada ontem (03/10) no Escritório Central da ANP no Rio de Janeiro. Na audiência foi debatida a minuta de resolução que visa alterar os critérios, requisitos e procedimentos aplicáveis à isenção de cumprimento da obrigações de percentual de conteúdo local dos contratos já em vigência, como os relativos aos contratos de concessão a partir da 7ª até a 13ª Rodadas de Licitações, de cessão onerosa e da 1ª Rodada de Partilha de Produção dos blocos de exploração de petróleo e gás natural.

Assim, segue o entreguismo e o desmonte do que existe de indústria de petróleo no Brasil. Sem política industrial e com esta forma a exploração de petróleo, o país abre mão de sua soberania, aprofunda sua subalternidade e dependência. Assim, assume por completo, a imposição do processo de integração global colonizada, sem empregos qualificados que acaba por entregar boa parte da renda petrolífera para as players globais, ao invés de patrocinar o desenvolvimento social dos brasileiros. 

Veja no infográfico abaixo que foi publicado pela revista Análise Setorial da Indústria Naval do Valor em 2013, e postado em nota aqui do blog, em agosto daquele mesmo ano. O infográfico demonstra a pujança e a diversificação de pedidos que aquele setor atendia dentro das demandas do setor naval até aquela ocasião. Para ver a imagem em tamanho maior clique sobre ela.


terça-feira, outubro 03, 2017

O orçamento 2018 do ERJ mostra que apesar do propalada “recuperação fiscal” o quadro de penúria prosseguirá

O projeto de lei do orçamento de 2018 do governo do ERJ foi publicado ontem (2/10) no Diário Oficial do Legislativo. Ele mostra pelas estimativas de receitas e despesas que apesar da propalada “recuperação fiscal” - em acordo assinado com a União que prevê a suspensão por 3 anos do pagamento da dívida com a União, além de empréstimos emergenciais e ações para o aumento da receita -, o déficit permanecerá na quantia estimada em R$ 10 bilhões.

Assim, é certo que este déficit continuará a comprometer o pagamento de salários e fornecedores. A previsão de receita do estado em 2018 é de R$ 62,5 bilhões e as despesas de R$ 72,5 bilhões.

Sem recuperação econômica, cada vez mais difícil com os vários cortes para ajustes fiscais, o desmonte e privatizações das estatais de energia instaladas no ERJ (como Petrobras, Eletrobras, Furnas, etc.), mais o colapso das engenharias em que a maioria tem sede ou grande base de gestão operacional no estado, o governo do estado, sua população e servidores sofrerão bastante.

Só uma inversão na política e na economia poderiam alterar este quadro. Enquanto isto não vem a saída é seguir resistindo para impedir o desmonte que se opera dentro da lógica liberalizante implantada pelo governo golpista.

PS.: Atualizado às 23:46:
Para se ter uma ideia da queda das receitas, em 2014 a LOA previu R$ 75,9 bilhões. Bom lembrar que no 2º semestre de 2014, foi quando os problemas orçamentários começaram a dar os primeiros sinais de gravidade.
Ou seja, quatro anos cinco anos depois, sem levar em conta a inflação do período (de cerca de 30%) a estimativa de receita em 2018 é cerca de R$ 13 bilhões a menos.
Contribuem para esta conta, as centenas de isenções fiscais concedidas a centenas de empresas. Este debate é amplo, mas a queda das receitas fica muito visível como o gargalo do ajuste orçamentário e não a tentativa insensível dos seguidos cortes de despesas.

domingo, outubro 01, 2017

Como viver sem os royalties? Como será o futuro na região? Questões sobre uma entrevista para a InterTV

Há algum tempo eu passei a ficar cada vez mais avesso a entrevistas para a mídia comercial. Os roteiros e pautas deles partem, na maioria das vezes, de uma narrativa já decidida.

Assim, os repórteres e jornalistas muitas vezes procuram as pessoas que chamam tecnicamente de "especialistas" para que eles possam entrar e dar veracidade à narrativa principal. O caso tende a ser ainda pior quando se trata de televisão.

Eu já cheguei a brincar com jornalistas mais conhecidos, perguntando a eles o argumento principal da matéria e onde pensam que se encaixaria a minha fala. Não é difícil perceber que de tudo que você fala é retirado alguns segundos para se encaixar na narrativa e no roteiro da matéria já definido. O trecho de sua fala é um detalhe que não tem a ver com o contraditório, que seria bem-vindo.

Por conta disso, eu venho negando atender a algumas solicitações de entrevistas, mesmo sabendo que isto é muito mal interpretado, até porque, mais do que os jornalistas, a mídia não absorve essa negativa. Para ela seria uma espécie de pouco caso, que para eles seria inconcebível, diante do que consideram a visibilidade oferecida.

Pois bem, considerando minha conhecida posição e estudos na áreas dos royalties do petróleo, eu fui procurado há quase dois meses pela InterTV que dizia estar com uma pauta para uma longa série de matérias semanais sobre a questão do setor de petróleo e uso dos royalties que envolvem estas regiões do interior do ERJ (Baixadas Litorânea e Norte Fluminense).

Ouvi os argumentos e questionei algumas linhas entre estas a ideia de que a crise dos royalties teria a ver diretamente com a questão da Operação Lava Jato, sem considerar, por exemplo, a fase de colapso do ciclo de preços do petróleo que oferece mais justificativas pelas dispensas e crises com a receita dos royalties em todo o mundo do que os desvios.

Os desvios têm que ser apurados os responsáveis punidos, mas é preciso saber que no todo do setor e da própria Petrobras, eles possuem um peso relativamente limitado sobre os efeitos da redução dos efetivos embarcados e sobre a redução da produção dos campos maduros da Bacia de Campos.

Tentei ainda explicar que não é correto jogar no mesmo bolo todos os municípios sem considerar a diferença entre os municípios que vivem da Economia do Petróleo (indústria e serviços deste setor) e aqueles – maioria – dos município petrorrentistas que sobrevivem da renda dos royalties do petróleo.

Assim, eu percebi que os argumentos não eram considerados numa pauta que parecia ter endereço e direção definidas. Parece querer apoiar os cortes de gastos, os ajustes fiscais com investimentos socais e incentivar posição de privatização e entrega dos ativos da Petrobras. Nesta linha apoiar a redução dos royalties e a venda dos campos maduros da Bacia de Campos.

Ainda assim, ao ser contatado há duas semanas, eu voltei a dizer que tinha visto algumas matérias e que discordava de suas linhas principais. Desta forma, para novamente não parecer intransigente, eu disse que iria pensar se aceitaria falar. Para isso, questionei primeiro sobre qual seria a pergunta, ou as perguntas.

Então as perguntas me foram apresentadas. Eram duas indagações simples. Pedi que me ligassem no dia seguinte que eu iria pensar se atenderia a reportagem.

Pensando que eu estaria sendo intransigente, eu acabei aceitando falar.

Neste relato é bom deixar claro que a mídia comercial tem todo o direito de construir as suas matérias livremente, sem tutelas. De ouvir diferentes opiniões. Mas, também é importante realçar o questionamento que faço, que na maioria das vezes, as narrativas do que entendem ser a notícia, já sai pronta da editoria do veículo de comunicação.

Na maioria das vezes, as falas dos entrevistados visam encaixar no roteiro e na narrativa já pré-concebida antes até da opinião destes. Normalmente, no caso da TV, os tempos são muito curtos. São raros os casos em que a matéria comporte mais de uma resposta do entrevistado, ou mesmo o tempo de uma resposta inteira, sem cortes. Se a sua reposta não cabe na narrativa, você percebe que é comum que sejam feitas mais perguntas até que seja identificado um trecho de sua fala que possa interessar na narrativa montada.

Editores, nestes casos, atuam quase como se fossem uma espécie de juízes e não de investigadores da informação. Assim, ao editarem as reportagens, eles arbitram a opinião que merece mais ou menos destaque e, principalmente, a que se encaixa na narrativa montada ainda antes de ouvir aqueles que chamam de especialistas, sem o qual a matéria ficaria capenga, dentro das técnicas jornalísticas ensinadas nas escolas de comunicação que exige o personagem e o especialista.

Os "especialistas" escolhidos conforme a direção da matéria - e os interesses nela embutidos - ajudarão a compor a narrativa que se pretende veicular. Como exemplo, ou hipótese a narrativa que descreve o mau do uso dos royalties pode induzir à justificativa da redução dos seus percentuais, como poderia ser a de sugerir uma maior participação na gestão.

A matéria muitas vezes até pode ouvir "especialistas" com posições distintas, para conferir credibilidade mostrando um aparente contraditório, mas a narrativa nunca deixa de acentuar a essência do que foi arbitrado como opinião a ser realçada.

Pois bem, tendo aceitado falar - para não parecer intransigente - mesmo com os receios que venho nutrindo há algum tempo, logo após a entrevista, feita num bate-pronto, com resposta direta e numa única vez ao jornalista, eu resolvi, no momento logo a seguir, por conta de lembrar perfeitamente o que havia falado, eu sentei fiz as anotações num papel daquilo que havia respondido.

Intuía que sendo uma série de matérias semanais, a que iria ao ar com a minha fala iria também trazer a opinião de outras pessoas, mas eu queria ver se o sentido geral da matéria eram as duas perguntas, ou se as respostas iriam cair numa história (narrativa) já montada.

Assim, eu vou pedir que você mesmo possa ver a matéria da InterTV que foi ao ar no RJ InterTV da 2ª edição (noite) da segunda-feira, 25 de setembro de 2017. Trata-se de série 'Petróleo: Riqueza Explorada' cujas matérias vão ar nas segundas-feiras. Esta que me refiro foi ao ar no dia 25 set. 2017 com o tema "o futuro dos municípios da Bacia de Campos sem os royalties" e teve quase oito minutos de duração. Confira no link do G1 abaixo.

https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/serie-petroleo-riqueza-explorada-fala-sobre-o-futuro-dos-municipios-sem-os-royalties-do-petroleo.ghtml



Agora, se tiver tempo e interesse, leia abaixo as anotações que registrei das minhas respostas às duas perguntas feitas pelo jornalismo da InterTV. Eles foram colocados sob a forma de itens, embora tenham feito parte da opinião respondida direta e de forma verbal, para melhor compreensão de quem está agora lendo:

1 - Como viver sem os royalties?
a- Os royalties viciam. É como a mesada dos pais ao final do mês. Adiante as nossas cidades viverão como um ex-rico que já teve dinheiro e gastou tudo de forma perdulária.

b - Os royalties são frutos da renda da extração mineral que acaba. Esta renda em qualquer lugar do mundo é disputada entre as empresas que atuam na cadeia produtiva e os governos, por ser um bem finito e de todos.

c - O caso do uso dos royalties nos municípios petrorrentistas chamam mais a atenção porque esta renda proporcionalmente é maior nas cidades do que nos estados e no país.

d - É preciso ainda lembrar que existe um ciclo na extração do petróleo (ciclo petro-econômico), que gera períodos de preços maiores (ex. entre 2010 e 2013, único na história) e de colapsos como se vive desde o o2º semestre de 2014. Nesta fase de baixa, a crise se dá em todas as nações e regiões que são produtoras, porque os investimentos se reduzem.

e - Assim, precisamos nos perguntar para que existem os governos das cidades? Para pensar solução para a vida das pessoas que ali moram. Mas a realidade é que as gestões estão sempre muito focadas em seus projetos de manutenção do poder e não em Políticas Públicas

2 - O que será do futuro?
   a - Esta é uma pergunta de resposta difícilOs professores/pesquisadores são estudiosos, mas não são adivinhadores, não são futurologistas

b - O futuro dependerá das nossas escolhas hoje.

c - Vale lembrar que uma cidade é parte de um estado e de um país e quando a crise é geral maior é o problema. Sempre será assim, a crise atinge a todos, mas há saídas regionalmente.

d - Se continuarmos nesta atual toada de maus gastos (a região gastou mais de R$ 30 bi na última década com resultados questionáveis), o quadro poderá piorar. A perspectiva é que os royalties do petróleo daqui a uma década seja pelo menos 4 vezes menor do que é hoje na região da Bacia de Campos.

d- É preciso que os municípios colaborem entre si e não continuem concorrendo um com o outro. Um defende que se abaixe o % de royalties, outro não (os royalties poderiam ser regionais e não por cidades, mas fogem deste debate). Um luta por um porto o outro é contra e por aí segue a disputa.

f- Os maiores problemas da população (educação/ saúde/ transportes, água-esgoto/segurança) seriam mais fáceis de serem resolvidos se as cidades (e os prefeitos) pensassem e atuassem de forma conjunta para resolvê-los. Por exemplo, através de consórcios. As melhores alternativas serão sempre mais regionais que locais.

  g- Os governos precisam ser menos autoritários (donos dos dinheiros) e tecnocráticos e se abrirem mais à participação cidadã da população. As pessoas têm muito a dizer e dividir com os gestores as saídas.

Eu penso que esta postagem pode ajudar que as pessoas reflitam sobre outras matérias que elas veem na televisão e leem nos jornais, onde as opiniões dos especialistas, quase sempre servem de recheio a um notícia ou uma ideia produzida de forma pré-concebida. Evidente que isto não acontece em todos os casos, mas quem sabe na maioria, sem levar em conta a opinião das pessoas e uma leitura que poderia ser mais ampla dos fatos e das interpretações deles.

Além disso, como é tema sobre o uso dos royalties e como viver sem eles no futuro continuará por muito tempo sendo pauta em nossa região, eu imagino que deixar registrado os pontos que eu listei de forma integral nas duas respostas tenha algum interesse.

Enfim, desculpe pela exposição longa para trazer um tema que deveria interessar mais à cidadania que aos jornalistas em si. Refletir sobre isso é indispensável numa sociedade em que a produção de informações e notícias, muitas vezes são valoradas pelo poder e tamanho da mídia.

Trata-se de uma respeitos crítica sim sobre a forma de atuação da mídia. A opinião sobre este caso em si e sobre este tipo de problema serão sempre suas. E eu sempre repeitarei o contraditório, sem que isto me impeça de questioná-lo.

sábado, setembro 30, 2017

O filme "Um sonho intenso"

Para quem gosta, ou para quem estuda a história do Brasil - ou mais diretamente a sua formação econômica - é interessante assistir o documentário "Um sonho intenso".

Um filme de José Mariani que relata as transformações do processo socioeconômico brasileiro, entre os anos 30 e os dias atuais na interpretação de um grupo de economistas e historiadores. Bem mais economistas que historiadores. 

As entrevistas e os comentários misturados às imagens do período comentado confere uma dose de realidade, que evidentemente pode ser discutida e interpretada sobre outros pontos de vista. 

De uma forma ou outra, a visão e a narrativa final permitem, mais uma vez, perceber a condição cíclica e de fases de nossa história. Aliás, algumas vezes eu me pergunto se nas análises atuais a gente não confere pouca importância aos efeitos dos ciclos, mais ou menos longo.

Nesta linha, não se pode deixar de intuir alguma similaridade entre a década de 30 e os dias atuais. Assim, eu pergunto se haverá agora uma "Re-ciclagem" tal como antes, mesmo sabendo que as condições políticas e sociais parecem distintas. Enfim, vale conferir.


sexta-feira, setembro 29, 2017

O desmonte da indústria química nacional é mais um exemplo da colonização como forma de integração mundial

A desestruturação, desmonte e o repasse das nossas bases industriais e de infraestrutura vão muito para além dos leilões de privatizações e entrega do controle de nossas empresas para os fundos financeiros internacionais.

Há dois meses, o blog informou aqui sobre a redução da participação da indústria química nacional no atendimento à demanda interna destes produtos.

Na ocasião informamos com dados da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) que no 2º trimestre de 2017, a produção nacional de químicos de uso industrial tinha caído 2,3%, enquanto as importações tinham crescido 30,5%. Isto era até então, o recorde dos últimos 28 anos, quando a taxa média de utilização da capacidade instalada destas indústrias no Brasil tinham descido a 77%.

Pois bem, agora analisando o acumulado do ano de janeiro até agosto, novamente com dados da Abiquim, se observa que para um crescimento de 8,3% do mercado brasileiro de químico de uso industrial, as importações avançaram 38,2% batendo um novo recorde. Só em agosto o Brasil gastou US$ 4,4 bilhões com a importação de produtos químicos.

Ou seja, cada vez mais o país depende da importação de produtos químicos que no geral possuem valores agregados maiores que os insumos e as matérias primas.

O país não cuida de sua industrialização. Deixa de lado as cadeias produtivas e assim vai retroagindo a uma condição cada vez mais colonizada, no que diz respeito à integração econômica com outras nações do mundo.

O quadro tende a piorar na medida em que o país repassa às corporações e fundos globais, o controle sobre a produção de matérias-primas e também os estratégicos setores de infraestrutura de logística e de energia que têm enorme peso sobre nossas cadeias produtivas e nossa produtividade.

As corporações e fundos globais pensam seus negócios como se o mundo fosse único, diversificando espacialmente as suas bases produtivas, pouco se importando com os projetos das nações.

Pior ainda, para aquelas nações como o Brasil que abandonou seus projetos e o interesse em regular a atuação dos capitais globais em nosso território de maneira a gerar emprego e renda para a nossa população.

Repito, o Brasil pós-golpe reassumiu a colonização como uma forma de integração mundial.

O pior dos mundos, cedendo espaço ao mercado livre que é muito pior que o sistema capitalista como modo de produção que nos devolverá à absoluta condição subordinada e dependente para o qual a nação estava lutando para sair.

Avança-se assim para uma civilização excludente e periférica que ampliará as tensões e ao risco da barbárie. Há que se resistir e de forma unificada lutar pela retomada de um projeto de Nação!

quinta-feira, setembro 28, 2017

Quem regula a regulação?

Observando as questões menos destacadas da realização do leilão ontem da ANP para concessão de área (blocos) para exploração de petróleo em várias bacias brasileiras, com exceção do pré-sal, é possível fazer algumas perguntas:

1) Para a formação do consórcio entre a Petrobras e a Esso para arrematar 6 áreas na Bacia de Campos, o que teria sido exposto (ou entregue) em termos de conhecimento sobre potencial desta e outras áreas pela estatal à petroleira americana?

É desta "conversa" que as duas petroleiras juntas decidiram oferecer um bônus 18 vezes maior que a segunda melhor proposta.
Vale dizer que esta dúvida eu já possuía desde o último leilão da ANP que se colocou em disputa o direito de exploração do campo de Libra no Pré-sal.

2) Quem regula isto? Ou não há regulação se a agência reguladora, em tese, mostra que seu interesse é apenas que haja interessados e que paguem valorosos bônus?

3) Sendo os consórcios cruzados, considerando que algumas parcerias em disputa são feitas ora com uma petroleira, ora com outra, como pode o interesse nacional estar presente?

Há várias outras questões que caberiam ser questionadas sobre estes processos de regulação. Especialmente, neste momento em que o governo pós-impeachment decidiu colocar na direção das agências reguladoras - que em tese seriam um braço do Estado, pessoas e gerentes tiradas diretamente das corporações interessadas.
Quem regula a regulação?
A quem atende a regulação?

quarta-feira, setembro 27, 2017

Royalties de setembro: Macaé com R$ 33,8 milhões é o município com maior parcela

Amanhã será depositada a quota do mês de setembro dos royalties do petróleo. A maioria dos municípios fluminenses teve aumento de receita em relação ao mês anterior de agosto.

Só os municípios fluminenses de Duque de Caxias e Guapimirim - que recebem royalties pela existência de bases operacionais do setor - tiverem redução das quotas mensais.

A maior quota coube neste repasse do mês de setembro coube ao município de Macaé com R$ 33,8 milhões. Em seguida vem Maricá com R$$ 26,5 milhões. A terceira maior receita foi para Campos dos Goytacazes que vem logo a seguir foi de R$ 26,4 milhões. A 4ª maior receita foi a de Niterói, vizinho à Maricá com R$ 22,1 milhões.

É bom recordar que o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio, vem insistentemente defendendo a redução dos percentuais de royalties devidos pelas petroleiras aos entes governamentais para os campos maduros, aqueles de produção menor depois de longo tempo de extração.

Se forem contabilizadas as receitas das quotas mensais dos royalties e das participações especiais (que são trimestrais) os valores de Maricá e Niterói já estão ultrapassando a de Macaé e Campos, confirmando o que o blog chamou de deslocamento espacial do circuito petrorrentista em direção ao sul do estado e da Bacia de Santos.

Na região, Cabo Frio ficou com R$ 8,6 milhões, Rio das Ostras com R$ 7,9 milhões, São João da Barra com R$ 6,2 milhões e Quissamã com R$ 4,3 milhões.

Em relação a setembro do ano passado para a maior parte dos municípios a receita se equivalem, mas há alguns com quotas maiores e outras menores, conforme a produção nos poços e campos de petróleo do litoral confrontante de cada município.

Isto se deve mais ao aumento do valor do barril em relação ao ano passado do que, na maior parte dos caso, ao aumento de produção que continua crescendo mais na Bacia de Santos, favorecendo assim aos municípios mais ao Sul. como é o caso de Maricá, Niterói e Rio de Janeiro (capital).

A tabela e a compilação com os dados da ANP foram enviadas ao blog por Wellington Abreu que atua como consultor do setor de Petróleo e gás. Para ver a tabela em tamanho maior clique sobre ela.

















PS.: Atualizado às 18:08: Para acrescentar posição do prefeito de Macaé com relação aos royalties.