sexta-feira, agosto 28, 2015

Fiori: "A crise no Brasil esconde um impasse estratégico". "Há uma nova bipolarização mundial"

Eu já cansei aqui neste espaço de de dizer que o professor José Luís Fiori é hoje uma dos melhores pensadores que fazem a leitura do Brasil diante do mundo. 

Ao olhar o presente, ele sempre resgata o processo histórico, sem deixar de observar as oportunidades de construção inclusiva e democrática de nosso país no futuro imediato.

Este texto em especial é primoroso. Cirúrgico e detalhista e ao mesmo tempo sintético sobre o impasse da política nacional diante do "momento que o mundo está atravessando de uma transformação geopolítica e geoeconômica gigantesca, e seus desdobramentos determinarão os caminhos e as oportunidades do século XXI".

Muito do que está escrito neste seu artigo publicado hoje no Valor (P.A15) tem sido comentado e discutido aqui, até com certa exaustão, usando entre outros pensadores as próprias ideias do Fiori. Assim, encerro o estímulo que ofereço para a sua leitura deste texto:

"Sincronia e transformação"

                  José Serra: "Partamos nesse instante para uma ofensiva e não fiquemos na defensiva porque a defensiva será a                   vitória de fato dessas forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro". Pronunciamento ao vivo                   na Rádio Nacional do RJ, feito na madrugada do dia 1º de abril de 1964.

Apesar de sua aparente instabilidade, a história política da América do Sul apresenta uma surpreendente regularidade, ou "sincronia pendular". Alguns atribuem ao acaso, outros à conspiração política e a grande maioria, aos ciclos e às crises econômicas. Mas na prática, tudo sempre começa em algum ponto do continente e depois se alastra com a velocidade de um rastilho de pólvora, provocando rupturas e mudanças similares nos seus principais países. Esta convergência já começou na hora da independência e das guerras de unificação dos Estados sul-americanos, mas assumiu uma forma cada vez mais nítida e "pendular", durante o século XX.

Foi assim que na década de 30 se repetiram e multiplicaram por todo o continente as crises e as rupturas de viés autoritário; da mesma forma que na década de 40, quase todo o continente optou simultaneamente pelo sistema democrático que durou até os anos 60 e 70, quando uma sequência de crises e golpes militares instalou os regimes ditatoriais que duraram até os anos 80, quando a América do Sul voltou a se redemocratizar. Mas agora de novo, na segunda década do século, multiplicam-se os sintomas de uma nova ruptura ou inflexão antidemocrática - a exemplo do Paraguai - com o afastamento parlamentar e/ou judicial do presidente eleito democraticamente.

Neste momento, até o mais desatento observador já percebeu esta repetição, em vários países do continente, dos mesmos atores, da mesma retórica e das mesmas táticas e procedimentos. Sendo que no caso brasileiro, estes mesmos sinais se somam a um processo de decomposição acelerada do sistema político, com a desintegração dos seus partidos e seus ideários, que vão sendo substituídos por verdadeiros "bandos" raivosos e vingativos, liderados por personagens quase todos extremamente medíocres, ignorantes e corruptos que se mantém unidos pelo único objetivo comum de destroçar ou derrubar um governo frágil e acovardado.

Mas a história não precisa se repetir. Mais do que isto, é possível e necessário resistir e lutar para reverter esta situação, começando por entender que esta crise imediata existe de fato, mas ao mesmo tempo ela está escondendo um impasse estratégico de maior proporção e gravidade que o país está enfrentando, e que não aparece na retórica da oposição, nem tampouco na do governo. Neste exato momento, o mundo está atravessando uma transformação geopolítica e geoeconômica gigantesca, e seus desdobramentos determinarão os caminhos e as oportunidades do século XXI.

E ao mesmo tempo a sociedade brasileira está sentindo e vivendo o esgotamento completo dos seus dois grandes projetos tradicionais: o liberal e o desenvolvimentista. Por isto mesmo soam tão velhas, vazias e inócuas as declarações propositivas do governo, tanto quanto as da oposição mais ilustrada. O mundo bipolar da Guerra Fria acabou há muito tempo, mas também já acabou o projeto multipolar que se desenhara como possibilidade, no início do século XXI.

Esta mudança já vem ocorrendo há algum tempo, mas ficou plenamente caracterizada na reunião realizada na cidade de Ufa, na Rússia, no mês de julho de 2015, do grupo Brics, e logo em seguida, da Organização de Cooperação de Xangai (que já conta com adesão, como observadores, da Índia, do Irã, e Mongólia) configurando uma nova bipolaridade global entre regiões e civilizações, e não entre países de uma mesma cultura europeia e ocidental.

É neste contexto que se deve situar e entender a crescente colaboração militar entre a Rússia e a China, a nova "guerra fria" da Ucrânia, a reaproximação dos EUA com Cuba e Irã e vários outros movimentos em pleno curso neste momento, ao redor do mundo. Da mesma forma que se deve entender a extensão do impacto mundial da crise da Bolsa de Xangai e sua sinalização de que está em curso uma mudança da estratégia nacional e internacional da China, envolvendo também sua decisão de entrar na disputa - de longo prazo - pela supremacia monetário-financeira global. A mesma pretensão e disputa que já derrubou vários outros candidatos nestes últimos três séculos.

Mas seja qual for o resultado desta disputa, a verdade é que o mundo está transitando para um patamar inteiramente novo e desconhecido, e o Brasil precisa se repensar no caminho deste futuro. Neste contexto, atribuir apenas ao Fisco a causa ou a solução do impasse brasileiro é quase ridículo, e tão absurdo quanto restringir a discussão sobre o futuro do Brasil a um debate macroeconômico, ou sobre uma agenda remendada às pressas contendo velhas reivindicações libero-empresariais, dispersas e desconectadas.

O Brasil está vivendo um momento e uma oportunidade única de se "reinventar", redefinindo e repactuando seus grandes objetivos e a própria estratégia de construção do seu futuro e de sua inserção internacional, com os olhos postos no século XXI.

Mesmo assim, nesta hora de extrema violência e irracionalidade, se o Brasil conseguir vencer e superar democraticamente a crise imediata, já terá dado um grande passo à frente, rumo a um futuro que seja pelo menos democrático. Mas atenção, porque este passo não será dado se o governo e suas forças de sustentação não passarem à ofensiva, começando pela explicitação dos seus novos objetivos e de sua nova estratégia, uma vez que seu programa de campanha caducou. Hoje, como no passado, a simples defensiva "será a vitória de fato das forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro".

José Luís Fiori professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "História, estratégia e desenvolvimento" (2014) da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ.

O transporte da cana há 57 anos

Muito interessante este registro fotográfico do arquivo do IBGE mostrando "Cambonas e carroças puxadas por bois, carregando cana para a Usina São João", no município de Campos (RJ), em 1958. Fotografia de Guerra, Antonio José Teixeira.























PS.: Atualizado às 21:44: Para incluir duas observações que o registro fotográfico de 1958, um ano antes de meu nascimento acabou por remeter:

1) Além do trabalho em si, as duas linhas de trem chamaram a minha atenção.

2) Neste período a produção material era visível. Hoje, a riqueza é monetária e oriunda da renda do petróleo em mar distante e em usos e abusos que não faz a desigualdade ser menor que antes.

Emissão de passaporte pela Polícia Federal em Campos passa para posto em shopping

O Boulevard Shopping no município de Campos visando ampliar a movimentação de pessoal no seu circuito comercial, a exemplo do que já acontece nas capitais, ofereceu espaço e mobiliário para que a Polícia Federal pudesse montar no shopping, o setor de emissão de passaportes e de imigração.

A novidade está na parte de notícias da Assessoria de Comunicação Social da Polícia Federal e prevê que o novo local de atendimento já começa a funcionar na próxima segunda-feira 31 de agosto, com a previsão de atendimento de até sessenta passaportes por dia de atendimento e com o o horário de atendimento entre 9 e 18 horas. Confira no release abaixo:



Erosão continua a levar o que resta da orla do Açu

O blog já informou sobre o problema nos dois últimos dias (aqui e aqui). Hoje o problema é ainda mais acentuado. Veja na imagem (abaixo) desta manhã, o caminhão da Prefeitura de SJB coletando os paralelepípedos que o mar está retirando da avenida da orla fortemente atingida pelas ondas do mar.



Vale ainda registrar o comentário que este blog encontrou nos debates sobre a erosão no Açu, surgido em diversos perfis do Facebook, a partir das informações e notas do blog sobre o assunto.

Em especial o blog separou o comentário do Luiz Carlos Rocha Macedo (veja abaixo) que segundo apurou o blog, é engenheiro e atuou liderando equipes pelo Consórcio das empresas ARG e Civil Port, que foram as responsáveis pelo início das obras do terminal 1 do Porto do Açu.

Desta forma, penso se tratar de uma opinião especializada sobre o assunto e que reforça a tese (aliás, vale repetir já prevista no EIA/Rima do empreendimento) sobre a responsabilidade do Porto do Açu sobre a erosão que atinge a Praia do Açu, que o empreendimento, ainda insiste em negar:



Comunidade do Isepam se manifesta contra fim do curso Normal Médio

Nesta sexta-feira pela manhã, alunos e servidores do Instituto Superior de Educação Aldo Muylaert (Isepam), em Campos, fizeram uma manifestação paralisando parcialmente, o trânsito na avenida 28 de março, nos dois sentidos.

O movimento registrou a indignação contra decisão da direção da Faetec, sem consulta à comunidade, paras encerrar o curso Normal de Nível Médio e também o curso Médio na instituição.

A comunidade deseja debater o assunto e sustenta que o curso é previsto na LDB, tem qualidade e bons resultados em termos de empregabilidade, mesmo com as deficiências oriundas especialmente da falta de mais estrutura e servidores.















PS.: Atualizado às 14:44: O blog pensando em melhor esclarecer às pessoas acerca dos problemas arguidos pela comunidade do Isepam, resolveu trazer para este espaço, os comentários e debate sobre as questões entre o Isepam e a Faetec que foram postados na nota anterior divulgada pelo blog aqui, no dia 26 de agosto sobre a mobilização e questionamento de alunos e servidores. O blog como sempre faz abre espaço para que a direção da Faetec possa se posicionar sobre a questão:


Mais uma fusão entre as mega empresas de petróleo: Schlumberger compra Cameron

Antes já havíamos comentado aqui a fusão das gigantes de serviços no setor de petróleo entre a Halliburton e a Baker que ainda está sendo julgada como possível pelo órgão de regulação dos EUA.

Depois foi o caso da petrolífera inglesa BG ser adquirida pela Shell. Agora é a Schlumberger que compra a americana Cameron por cerca de US$ 12,74 bilhões. A Schlumberger originalmente era francesa, hoje, talvez mais americana.

E ainda se pensa em falar em concorrência num setor tão oligopolizado. Para isso, também servem as crises no sistema capitalista, ajustar lucros e acumulações resgatando os excedentes produzidos quando o ciclo estava no pico da produção, preços e lucros.

Quer saber sobre a Cameron? Clique aqui. A Cameron atua no setor de engenharia submarina e processamento, setor que está se hierarquizando enormemente, reduzindo a quantidade de empresas.

Interessante que nos meus estudos, eu ando elaborando uma listas das players do setor de petróleo que atuam no Brasil e, mais especificamente no ERJ. À medida que avanço neste trabalho, eu vou percebendo mais e mais incorporações e fusões no setor.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Erosão na Praia do Açu segue e Justiça Federal determina elaboração de plano de recuperação ambiental

O avanço do mar segue nesta quinta-feira aumentando a erosão na orla do balneário de Barra do Açu, como já havíamos comentado ontem aqui no blog.

Abaixo é possível ver uma foto e um novo vídeo com da realidade desta erosão hoje (27/08). Aprofundando sobre o assunto, o blog obteve a informação que a Justiça Federal há uma semana acatou o pedido do Ministério Público Federal (MPF-RJ) questionando a empresa responsável pela implantação do Porto do Açu sobre os impactos socioambientais.

Ainda segundo a informação, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, teria acatado grande parte da petição do MPF em Campos e concedido um prazo para que a empresa controladora do Porto do Açu, elabore e execute um plano de recuperação ambiental e ainda definindo prazo, com multa de R$ 100 mil por dia pelo seu descumprimento. 

O blog está apurando mais detalhes sobre a decisão da Justiça Federal e voltará ao assunto.

















PS.: Atualizado às 16:52: Para inserir novas fotos que estão sendo postadas no FB em perfis de moradores do Açu. As duas postadas abaixo são da Maiara:

 

Ainda mais abaixo a imagem deste mesmo litoral em janeiro de 2013. Ou seja, há apenas dois anos e meio atrás publicada aqui mesmo no blog.


Petrobras diz na Alerj que investirá US$ 2 bi na conclusão de unidades do Comperj

Os diretores de Engenharia, Tecnologia e Materiais e de Abastecimento da Petrobras, em reunião nesta manhã na (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que investiga as possíveis perdas que o ERJ sofreu nos últimos anos, por influência da empresa, deram uma série de novas informações sobre as intenções da empresa.

Dados novos sobre o andamento e conclusão das obras, sobre a contratação de mais trabalhadores, fechamento de acordo com novo sócio e a suspensão do projeto do  2º trem de refino foram feitas pelos diretores Roberto Moro e Jorge Celestino. Estas informações são diferentes das que vinham até aqui circulando. Veja abaixo reportagem do Valor sobre o assunto:

Petrobras investirá US$ 2 bi na conclusão de unidades do Comperj
“O diretor de da Petrobras, Roberto Moro, disse que a companhia está buscando sócio para concluir os investimentos na refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio, e que o novo parceiro terá que entrar no projeto com cerca de US$ 2,3 bilhões. Até o momento, cerca de 85% das obras na refinaria já foram executadas. A expectativa da companhia é que o novo sócio fique responsável pelos 15% restantes. “Pode ser que a gente leve alguns meses para formalizar o negócio, não é fácil”, admitiu Moro, que depõe na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que investiga as possíveis perdas econômicas, financeiras e sociais que sofreu o Estado do Rio, nos últimos dez anos, por influência da gestão da estatal.

Já a Petrobras, com capital próprio, deve investir cerca de US$ 2 bilhões para concluir as unidades as unidades de processamento de gás natural (UPGN) e a central de utilidades do Comperj. “Esses recursos [para a UPGN e central de utilidades] já estão previstos no plano de negócios 2015-2019”, disse o diretor de Engenharia.
Obra do Comperj em Itaboraí visto da área Urbana.
Fonte: 
El País - Nota do blog aqui em 06/08/15.

De acordo com Moro, a previsão é que a geração de empregos no Comperj deve subir do atual patamar de 11 mil trabalhadores para 15 mil pessoas durante as obras de conclusão da UPGN e central de utilidades, que devem ser concluídas em 2017.

Também presente na reunião, o diretor de Abastecimento da estatal, Jorge Celestino, afirmou que a conclusão do primeiro trem da refinaria deve levar cerca de dois anos, assim que a companhia encontrar um novo sócio para o projeto. Com capital próprio, a Petrobras não tem perspectiva de concluir o projeto no horizonte do plano 2015-2019. Celestino comentou, ainda, sobre os planos de construção do segundo trem da refinaria e disse que o projeto já não é mais necessário, tendo em vista a atual desaceleração no ritmo de vendas no mercado de combustíveis.”

PS.: Atualizado às 13:54: Sobre o mesmo assunto a agência Reuters informou há pouco:

"Petrobras prevê US$4,3 bi para concluir obras no Comperj; busca parceiro"

"RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê necessidade de investimento de 4,3 bilhões de dólares para concluir obras da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) e o trem 1 de refino do Comperj, disse nesta quinta-feira o diretor de Engenharia da estatal, Roberto Moro, durante uma audiência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Jorge Celestino, o trem 1 do Comperj pode ficar para 2020, se não houver parceiros. Ele acrescentou que a empresa busca sócios para concluir o projeto, visando antecipar cronograma."

O apetite da China e as consequências para o Brasil

O infográfico publicado em matéria ontem, do Wall Street Journal, mostra a pujança e o tamanho da economia chinesa. ao detalhar a participação da China no consumo mundial de diversas matérias-primas (commodities). O quadro impressiona por si só.


Nos últimos dias muito se tem dito e escrito sobre a China, mas há muitas discordâncias e desencontros sobre análises e prognósticos. Eu não em sinto em condições de aprofundar análises, porém arrisco a dizer que para o Brasil, os riscos podem ser menos drásticos do que alguns tentam argumentar.

É evidente que, em qualquer cenário a demanda por alimentos (soja, carne e outros) e energia permanecerá. Isto alivia os impactos. Além disso, a China é a maior beneficiada com a redução do preço do barril de petróleo.

A China nos últimos anos vinha conseguindo burlar os esquemas e controles que a grandes traders de commodities vinham até então fazendo no sentido de controlar os fluxos e consequentemente os preços das matérias-primas e produtos agrícolas.

Para fazer isto a China ampliou enormemente seus estoques de commodities, inclusive de petróleo, o que foi paulatinamente tirando das traders (que passaram a investir em infraestrutura de portos) a capacidade de entre elas (em suas sedes em paraísos fiscais) controlar os preços mundiais.

Assim, a China foi aos poucos interferindo nestes preços e hoje é responsável por estas baixas de preços mundiais que se dá, ainda sem redução  das demandas, e mais pelo aumento de extração e/ou produção destas commodities minerais ou do agronegócios.

Além disso, a China passou a ser incorporada aos centros mundias negociadores de commodities. A própria matéria do WSJ (aqui) diz que os bancos e fundos por toda a Europa estão reconhecendo o aumento da atividade da China na negociação direta das commodities.

Também se registra que a China continua ampliando em bilhões de dólares, os investimentos em infraestruturas no Canadá e na Austrália, assim como mostrou disposição em fazer o mesmo o Brasil.

Do Canadá recebe especialmente petróleo e gás. Da Austrália, minério e outros metais. Do Brasil importa soja, outros alimentos, assim como petróleo a partir das petroleiras chinesas aqui instaladas, ou da Petrobras, em troca dos empréstimos feitos. Por isso, os investimentos em portos, ferrovias e extração de petróleo estão entabuladas.

Enfim, vale continuar observando este processo. As mudanças que a China promove em sua economia não é algo simples, considerando que o gigante asiático hoje detém a maior parte da dívida pública americana.

Há sinais claros de esgotamento de um ciclo. Os ciclos econômicos mais uma vez são lembrados, entre períodos de acumulação, estagnação e investimentos, mas o futuro não é algo dado e sim construído. O capitalismo de Estado ou este modelo híbrido ainda gera muitas dúvidas.

É certo que o avanço da China no setor financeiro internacional é um grande risco tanto para si, como para as demais nações. Acima de tudo gera reações, bem maiores que a exportação de produtos.

O sistema financeiro efetivamente é o grande nó do atual ciclo do capitalismo mundial. Foi, por ele que o Japão deixou de ser alternativa em termos de liderança mundial.

A China tem ainda de forma similar, um enorme desafio no âmbito interno.  Não é simples a adequar sua economia para o aumento do consumo interno com a ampliação do poder de compra dos chineses, diante dos ajustes das exportações e da articulação cada vez maior com o sistema-mundo. Enfim, vale continuar acompanhando!

PS.: Atualizado às 01:42: Para acrescentar um outro infográfico sobre o Comércio Brasil-China entre os anos 2000-2015. Fonte Mdic, Valor, P.A14, 26/08/15. Sobre o volume total de comércio entre os dois países, pode-se referir ao pico em 2014, quando o fluxo de importações e exportações entre China e Brasil atingiu US$ 77,9 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 3,27 bilhões, conforme mostra o gráfico abaixo:















PS.: Atualizado às 01:56: Ainda sobre o assunto leia aqui o texto "A lição chinesa que o Brasil precisa aprender (para lidar com a própria China)" publicado no Brasil Debate -
Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Comunidade do Isepam se mobiliza conta decisão da Faetec

O blog recebeu o pedido de divulgação do panfleto de mobilização de alunos e servidores do Instituto Superior de Educação Aldo Muylaert de Campos, contra a extinção do curso Normal de nível médio e a favor da continuidade da Formação Geral na instituição.

A comunidade luta ainda contra decisão da direção da Faetec pela realização de concurso para suprir carência de servidores e em defesa da manutenção das vagas e matrículas no Ensino Superior desta tradicional escola do município de Campos dos Goytacazes.


PS.: Atualizado às 20:00: Uma manifestação está convocada para a próxima sexta-feira (28/08) 11 horas em frente ao próprio Isepam.

Empregos no ERJ entre janeiro e julho

O professor Mauro Osório preparou junto com seu grupo de pesquisas na UFRJ, um conjunto de tabelas sobre a movimentação dos empregos no ERJ. Abaixo o blog publica a tabela desta movimentação em 43 municípios fluminenses, junto de outra, exclusiva da indústria naval que surpreende.

O professor Osório faz um breve comentário sobre estes dados do emprego e desemprego divulgado pelo Caged/MTE. Abaixo das tabelas o blog complementa com outros comentários:

"Como sabemos o país vive uma crise política e econômica e o desemprego tem aumentado. Na periferia metropolitana do Rio de Janeiro, os seguintes municípios apresentaram, no período de janeiro a julho, uma perda de empregos formais superior a mil: Itaboraí, Niterói, Duque de Caxias, Itaguaí, Nova Iguaçu, São Gonçalo, São João de Meriti.

Ainda encontram-se no campo positivo de geração de empregos, embora em um pequeno número, os municípios de Japeri, Seropédica e Rio Bonito.

Na cidade do Rio de Janeiro, no período de janeiro a julho, ocorreram 45.335 perdas de emprego. No comércio, a perda foi de 16.698 vagas.

Especificamente na construção naval, no conjunto do estado, foram realizadas 5.320 demissões entre janeiro e julho. No entanto, foram realizadas também 2.392 admissões, gerando um saldo negativo de 2.937.

Na contramão do atual cenário, no mês de julho o resultado de emprego da construção naval, no estado do Rio de Janeiro, foi positivo, com um saldo de 112 novas vagas de trabalho.
"















Sobre os municípios da região as maiores perdas de emprego neste ano, até julho, se verificou em Macaé com menos 5.482 vagas, sendo a maior perda na área de serviços , que como sabemos é a primeira a ser arrastada pela redução da economia do petróleo.

Em Campos, a redução no estoque de empregos no ano até julho foi de menos 996 vagas, sendo a maior perda no setor de comércio com menos 886 vagas, fruto do enfraquecimento da Economia dos Royalties com a redução desta receita. O destaque positivo e já conhecido é sazonal, na área agrícola e agropecuária com mais 936 vagas. O estado como um todo perdeu neste período 494 mil vagas. 

Reforço o destaque do Mauro Osório sobre os números da construção naval que a despeito de toda a crise com a redução das demandas do setor de petróleo e das consequências da Operação Lava Jato ainda mantém um estoque de empregos significativos no estado. Falta ainda listar o número e a movimentação de empregos no geral do município de São João da Barra que também tem uma pequena base de indústria naval com o Consórcio Integra junto ao Porto do Açu.

Erosão começa a levar o que resta da orla do Açu

Os moradores da comunidade da Barra do Açu sabem que este período, que vai de agosto até novembro, tende a ser o mais impactante e assim temem pelo avanço ainda maior do mar, sobre as vias da localidade.

Com o mar mais agitado e a reduzida faixa de areia, consequente das seguidas erosões que se intensificaram desde a construção dos quebra-mares do Porto do Açu, previstos inclusive nos Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EI/Rima) do empreendimento, estão apreensivos com os desdobramentos de mais avanço do mar na Praia do Açu.

Veja abaixo uma imagem e um pequeno vídeo feito esta manhã mostrando que a erosão tende a levar o que ainda restou da imensa orla do balneário do Açu. A fiscalização do Inea e do Ibama continuam a ignorar o problema, assim como as demais autoridades.

Na semana passada, o blog postou aqui problemas similares que o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) entrou com ação civil pública contra a administração do Porto de Santos, por conta da erosão das praias, por conta da dragagem do canal de atracação do porto, lembrando que lá se trata de uma baía e um estuário, onde os impactos contra os balneários vizinhos tendem a ser menores do que em caso de mar aberto em linha reta, como é o caso do Açu.




terça-feira, agosto 25, 2015

"Falar em escassez hídrica é um erro, assim como culpar a falta de chuvas pela crise"

Vale conferir esta entrevista com o professor e geógrafo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Luis Antonio Bittar Venturi.

Venturi diz aqui nesta ótima entrevista à USP Online que "falar em escassez hídrica é um erro, assim como culpar a falta de chuvas pela crise... não há base empírica nem conceitual que sustente a hipótese da guerra da água, por mais que a mídia e muitas vozes reforcem essa perspectiva malthusiana".

"É absurdo dizer que a crise hídrica de São Paulo é causada pela falta de chuva, sendo que temos enormes reservatórios subutilizados. Como uma metrópole como São Paulo, com a pujança econômica que tem e toda a tecnologia disponível, fica a mercê da chuva, como se fôssemos povos primitivos?"

... "A crise hídrica, ou seja, quando se abre a torneira e não sai água, é sempre gerencial, e não natural. Há exemplos de países com muito menos recursos hídricos que o Brasil onde não falta água, como na própria Síria."

..."a mídia mostra represas secando para ilustrar a ideia de que a água vai acabar. Pode até acabar na sua torneira, mas não por falta dela, e sim por incapacidade de se assegurar o abastecimento. Essa ideia de fim da água é muito malthusiana e é obrigação da academia superar o senso comum fatalista e tão fortemente difundido pela mídia...."

Professor Luis Venturi, no rio Eufrates, próximo à fronteira com o Iraque: 
“não se pode educar pelo medo, propagando uma visão fatalista”
Foto: Arquivo pessoal
..."É incorreto classificar a água como um recurso renovável, como muitos livros didáticos de Geografia ainda fazem. Recurso renovável é aquele que, ao ser utilizado, tem a capacidade de se recuperar seus estoques por mecanismos naturais, como no caso das florestas. Este conceito não se adéqua à água, já que as suas quantidades são estáveis no Planeta. A molécula de água não se destrói com o uso e sempre acaba voltando para o sistema, ainda que em outro estado, de modo que sempre apenas “emprestamos” água do ciclo hidrológico. Só que ao mesmo tempo em que os livros didáticos classificam a água como renovável, fala-se que se trata de um recurso finito, o que é um contrassenso. Aqui mesmo na USP há uma campanha de ótimas intenções para o uso racional da água, mas que pecou quando afirmou que água é um “recurso finito”, quando o correto seria dizer: “captar, tratar e distribuir água é caro: economize”, ou então: “a capacidade da sociedade de tratar e distribuir água é finita: economize”.

..."Sempre que sou convidado a falar em escolas e faculdades alguém me pergunta isso, se não é perigoso afirmar que a água é infinita. Mas não se pode educar pelo medo, propagando uma visão fatalista. É uma obrigação da academia superar o senso comum. As pessoas têm que conhecer, sim, os riscos de ficarem sem água e, se isso acontecer, ter consciência das reais razões deste fato, do papel de cada um, inclusive delas mesmas pelo uso racional."

A entrevista na íntegra você pode ler aqui no link da USP Online onde a matéria tem destaque.Por mais que o tema exija muitos debates, veja que este é outro consenso (de novo Chomsky) que foi sendo produzido dia-a-dia, sem maiores questionamentos.

Geração eólica cresce 114% no 1º Semestre de 2015 e sai de 1,4% para 3% da matriz nacional

Do site PetroNotícias:

“O Brasil vem aumentando bastante a participação de fontes renováveis na sua matriz energética. A energia eólica é vem recebendo bastante investimento e a participação dessa fonte aumentou 114% no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que aferiu 1.840 MW médios gerados entre janeiro e junho, frente aos 860 MW médios alcançados no mesmo período de 2014.

O Nordeste é a região que mais se destaca na geração eólica, com o Rio Grande do Norte sendo o principal produtor. Somente no primeiro semestre, as usinas do estado produziram 650 MW médios, quantidade 142,6% maior que a do mesmo período do ano passado. A Bahia vem logo arás, com 406 MW médios, crescimento de 297%, seguida do Cerá com 362 MW completando o top três de geração eólica brasileira.

A presença da fonte na matriz brasileira também cresceu, sendo responsável por 3% de toda a energia produzida. No ano passado, ao fim do primeiro semestre, a energia gerada a partir de vento era responsável por 1,4% do total gerado no Sistema Interligado Nacional.”

Drones cada vez mais usados também nas inspeções das plataformas

Usando drones com câmeras térmicas de alta definição a empresa inglesa Sky Futures passou a atuar na inspeção das plataformas e de suas estruturas que ficam em locais de difícil acesso.

A inspeção por câmeras nestas instalações, de certa forma, guarda semelhança com o que já se faz há um bom tempo com os (ROVs) nas instalações submarinas, nos cascos das plataformas, nas cabeças de poços, onde as conhecidas árvores-de-natal estão localizadas com inúmeras válvulas controlando as pressões e vazões.

Os drones agora passaram a fazer o trabalho que eram antes realizados por trabalhadores. As empresas alegam que assim, as inspeções economizam tempo, dinheiro e não colocam em riscos os trabalhadores que tinham que atuar em áreas de risco e à grandes alturas.

As inspeções de plataformas petrolíferas instaladas em alto mar são feitas para identificar as condições das estruturas, vigas, chaminés, etc. que sofrem a ação do tempo e da agressão da maresia.

A demanda por este trabalho e inspeção com drones para as empresas petrolíferas cresceu muito desde o ano passado (2014) para cá. As inspeções exigem assim apenas o trabalho de um operador de drone e um engenheiro.

Com as imagens do drone (veículo aéreo) se constitui imagens em modelo tridimensional que podem mapear as estruturas e identificando anormalidades que podem ser analisadas em computador. A Sky Futures tem entre os seus clientes as petroleiras Shell, Chevron, Total, Maersk, Statoil, BG, BP, etc.

O uso de drones para substituir o trabalho humano em atividades de risco e insalubres é sempre bem-vinda e distinta do uso dos drones para atividades de monitoramento, vigilância e militar como comentamos aqui, repercutindo na semana passada reportagem do Wall Street Journal.

O assunto merece acompanhamento, porque o uso de robôs e drones em produção material tende a crescer rapidamente, com repercussões sobre o trabalho humano, independente das fronteiras.

segunda-feira, agosto 24, 2015

Preocupação dos bancos nacionais

Os bancos nacionais estão apavorados não apenas com o tensionamento da política nacional. Hoje, a maior preocupação mesmo destes bancos é com os empréstimos que que possui com as grandes empresas de engenharia que faziam cartel para obter e garantir obras e serviços com as gestões públicas.

São bilhões emprestados. O pior é que estas empresas não possuem "ativos" (ou patrimônios) para honrar estes compromissos, porque o dinheiro nestas empresas servem com investimentos para obras e serviços.

Só a Odebrecht tem dívida bruta de R$ 88 bilhões. As outras grandes possuem dívidas também na cada das dezenas de bilhões.

Tocar fogo neste circo nem Nero faria. Acabar com o cartel, sobrepreços e financiamentos eleitorais será bem-vindo. Hoje, entre apavoramentos e quase desespero, se passou a perceber que garantir a institucionalidade política é a melhor forma de corrigir rumos, para enfrentar também a crise econômica internacional, que hoje mostrou suas garras nas bolsas de valores de todo o mundo. A conferir!

Japonesa NEC instala sistema integrado de monitoramento no TMult do Porto do Açu

A empresa NEC está instalando no Terminal Multicargas (TMult) do Porto do Açu, circuito fechado de monitoramento por TV (CFTV), com 58 câmeras, controle de acesso, além de rede wireless em ambiente externo que deverá estar funcionando até outubro próximo.

A Prumo, controladora do Porto do Açu informa que prepara o TMult que possui dois berços instalados em 500 metros de cais, para movimentar quatro milhões de toneladas por ano (entre granéis sólidos e carga geral).

Pelo projeto do TMult com profundidade de 14,5 metros irá operar movimentação de contêineres e veículos (roll on - roll off). Dependendo das negociações para a sua operação, o TMult tem possibilidade de expansão para 1.200 metros de cais.

A expansão do TMult está vinculada ao acesso ferroviário que depende de licitação da ANTT e construção do trecho Rio-Vitória, passando no Porto do Açu, que não ficará pronto antes de 2023.

Situação econômica dos 23 principais clubes de futebol do Brasil

Os dados forma divulgados por especialistas em estudos econômicos e balanços do BBA, ligado ao Itaú foi registrado em matéria do João J. Oliveira do Valor.. Na média, as receitas reduziram e as dívidas se ampliaram, mas há exceções na lista.

As maiores receitas do clubes de futebol do Brasil com j[a se sabe são dos direitos de TV (38,9%) que junto com publicidade e patrocínio (16,5%) alcançam 55,4% de todo o dinheiro arrecadado. A bilheteria e os programas de sócio-torcedor são responsáveis por apenas 18,3% da receita total. Na divisão das despesas a folha de pagamento ficam em 69,7%.



Entre os principais clubes a maior receita é do Flamengo com R$ 312 milhões, seguido do Corinthians com R$ 245 milhões, seguido do Cruzeiro com R$ 196 milhões. Hoje, o Flamengo é o clube com o melhor resultado entre receitas e despesas do futebol brasileiro com R$ 64 milhões.

A maior despesa é do Corinthians com R$ 218 milhões. Já quanto as dívidas, a maior é do Atlético, PR com R$ 316 milhões, seguido do Atlético, MG, com R$ 174 milhões e do São Paulo com R$ 137 milhões.




Redução da demanda de apoio offshore

Uma matéria neste domingo, aqui na FSP, falou das atividades de apoio à exploração offshore no Brasil e estimou, como já comentamos aqui, a demanda em torno de 3 a 5 de embarcações de apoio, para cada unidade em alto-mar, incluindo plataformas e sondas.

Embarcações fundeadas na baía de Guanabara (RJ)
Fonte FSP - Ricardo Borges
A reportagem do jornalista Nicola Pamplona fala que por conta da redução das atividades, houve uma redução da frota atualmente no Brasil, de 500 para 488. E ainda, que outras 20-25 estariam paradas por falta de contrato para prestação de serviços.

Este assunto interessa especialmente ao ERJ e também comenta o temor de que novas reduções poderiam ocorrer. O blog avalia que esta redução de 500 para 463 (488-25 é inferior a 10%, para ser mais exato 7%) é bem menor do que se está vendo a nível internacional nas atividades produtivas do setor de petróleo em todo o mundo. Esta previsível redução é decorrente da manutenção do baixo valor do barril de petróleo no mercado internacional e ao vencimento neste 2º semestre de 2015 de 147 contratos com a Petrobras.

 Este blogueiro tem uma leitura mais ampla sobre esta redução da demanda de embarcações de apoio. Ela está vinculada à redução das sondagens e perfuração mais que à produção. Além disso há um crescente aumento do processo de automação na produção e também à ampliação da produção nas reservas do pré-sal, com menos poços com maior produtividade que os do pós-sal.

Ainda assim, é possível deduzir que a redução do uso de embarcações significará a redução da demanda de uso de instalações portuárias, especialmente, no litoral fluminense que hoje utiliza seis diferentes terminais portuários para esta finalidade.

Sobre o assunto leia aqui nota do blog no dia 3 de julho de 2015 e esta outra aqui no dia 2 de abril de 2014.

domingo, agosto 23, 2015

"Dilma e seus dilemas..."

Muito boa a análise do Douglas da Mata em seu blog, de onde peguei emprestado. A análise feita pelo texto não faz propaganda e nem procura esconder a realidade. Ao contrário usa como materialidade do diagnóstico do que se entende por real. Sem a falácia da cretina neutralidade, sempre alegada, por quem não tem segurança para sustentar seus argumentos. Vale ser lida e replicada:

"Dilma e seus dilemas..."

Circunstâncias históricas não podem ser comparadas com a mesma régua, por outro lado, não devem ser relativizadas ao extremo...

Explico...

O PT e o Governo Dilma não podem reclamar (muito) dos ruídos golpistas da oposição midiática...De certo modo, quando estávamos na oposição saímos às ruas com o "FORA fhc"...

Mas as semelhanças param por aí...

O cinismo escroto da mídia, e seus asseclas, não pode esconder um fato histórico:

Os movimentos políticos da década de 80 e 90 se levantavam contra os governos estabelecidos , mas tinham caráter contra-hegemônico, ou seja, buscavam destituir uma ordem estabelecida...isto é, construir uma ordem onde o governo representasse os interesses da maioria, enfim, buscavam aproximar a representatividade formal da representatividade orgânica da sociedade...

Já os movimentos recentes, que mostram a cada evento perder força, com o minguar de gente que foi às ruas, buscam restabelecer esta ordem hegemônica, onde a reprsentação formal do governo seja restrita ao critério quantitativo eleitoral, afastando a manifestação dos interesses e demandas majoritários da gestão do Estado.

A manutenção dos aspectos meramente formais da representação visa garantir que os interesses de poucos prevaleçam sobre os de muitos...

Se é verdade, portanto, que dos dois movimentos pedindo a destiuição de presidentes são, formalmente, contra-constitucionais, por outro lado, é impossível não perceber, apesar dos esforços cavalares da mídia comercial, que os movimentos têm origens e pretensões políticas distintas...

Cada facção política legitima sua presença como melhor lhe convém, mas não podemos permitir que todos sejam considerados a mesma coisa, como se essa "igualdade" concedesse um salvo conduto às forças reacionárias para a defesa de interesses que NUNCA são explicitamente colocados...

É estranho, e quase sempre imperceptível como os golpistas nunca se chamem pelo nome, nunca digam que são de direita ou conservadores...Buscam sempre apelidos ou bandeiras políticas convenientes...auto-denominam-se liberais, modernizações, eficiência, democratas, patriotas ou apartidários ou apolíticos...

Essa "discrição" não é acidental...

Quando junto com outras forças, o PT foi às ruas pedir a saída de fhc, a agenda estava claríssima: Queriam que o país e seu patrimônio não fosse vendido a preço de banana, sob a falsa justificativa de que os poucos bilhões de dólares serviriam ao incremento da qualidade dos serviços públicos destinados aos mais pobres...

Junto a isso, PT e aliados desejavam a redução das desigualdades, o aumento do emprego, a melhor distribuição de renda e dos serviços públicos...

Quando vão às ruas hoje, psdb e aliados desejam justamente destruir essas conquistas, retomando o processo de desmonte do que restou de Estado...

7% de desemprego é uma taxa alta nesses dias? Pois é, na octaéride tucana o desemprego nunca esteve abaixo dos 9%, e ainda assim a mídia e o estamento ideológico conservador alardeavam um sucesso absoluto na gestão econômico demotucana...

Inflação de 9%?

A "equipicona" do psdb entregou o país em 2002 com 13% de inflação e taxa de juros média acima dos 20% ao ano...

Eu aceitaria satisfatoriamente que os tucanos e seus lacaios da mídia (local e nacional) fossem às ruas dizendo a verdade: Queremos entregar a Petrobras de bandeja, queremos mais juros ao capítal, salários e direitos menores, diminuição dos investimentos e programas sociais, restrição dos recursos da saúde e da educação, etc...

Eu aceitaria de bom grado as manifestações golpistas, ainda que não concorde com elas, se dissessem que o almejado "fim da corrupção" é algo mais ou menos como o desejo pela "paz mundial" que as candidatas à miss, expresso nas entrevistas ensaiadas aos jurados...

Democracia não é só bater panelas ou vociferar palavras chulas e/ou de baixo calão, mas explicitar verdadeiramente o que se deseja, para que as escolhas sejam honestas, ou o mais próximo disso...

É uma diferença sutil, mas crucial...É a diferença entre ruptura e reacionarismo...

Conservadores, em um ambiente democrático, não devem temer expor suas bandeiras (as verdadeiras)...

Assim como os petistas e governistas não devem temer a cobrança de que foram às ruas para pedir a queda de um presidente eleito (fhc)...

Ao contrário, devem revelar que o fizeram, e fizeram sem o apoio massivo da mídia comercial, e muito menos sem o conluio com as forças reacionárias que se instalaram no Judiciário...

É bem verdade que o PT também se beneficiou do protagonismo macartista do MP naquelas décadas, e hoje paga caro por isso...Parte do capital político que amealhou na epóca foi tomado de volta, como um empréstimo de juros extorsivos...

No entanto, a (cor)relação de forças é totalmente distinta...Naquela época, recém agraciados com (super) poderes constitucionais que hoje os equiparam a Santa Inquisição, alguns poucos promotores e procuradores ousaram utilizar estas prerrogativas para desafiar o establishment...

Hoje, com a institucionalização do moralismo hipócrita e seletivo, o Parquet, com raras e honrosas exceções, funciona como correia de transmissão das hostes fascistas nacionais...

Por isso, procuradores como aquele de Brasília, Luiz Francisco, juízes como De Sanctis, ou policiais como Protógenes Queiroz ou Paulo Lacerda, foram ridicularizados e trucidados, enquanto que outros são elevados ao panteão dos "heróis nacionais"...

Ué, todos não lutavam contra a corrupção?

Pois é, mas uns lutavam contra a corrupção da revista "óia" e suas relações com a "cachoeira" de crimes organizados, ou contra banqueiros-fiadores da privataria demotucana, e outros dizem lutar contra aquela que parece ser a única forma de corrupção que merece atenção: A petista!

Mensalão, petrolão? Uai, a globo sonegou uns três ou quatro petrolões e até hoje quase ninguém ouviu falar disso, e apesar disso, ainda tem gente que envia dinheiro para a chantagem emocional chamada "criança esperança"...

Esperança para quem? Para os "eleitos" e "escolhidos" pela globo e pela "unicef"? 'Tá bom, me engana que eu gosto...

Então, ainda que tudo pareça igual, cada caso é um caso...

Dilma padece de um dilema, que não é só dela, e sim de todas as forças de esquerda que apostam na via institucional e creem na reforma gradual do Estado:

Acreditam que a outorga (formal) conferida pelas urnas, em seu aspecto quantitativo (maioria), confere uma legitimidade que se auto-impõe e será sempre respeitada pelos adversários...

Logo, quando Dilma se defende reivindicando ser a portadora dos votos da maioria, ela "esquece" o seu passado...

Esse "esquecimento" é necessário para afastar dela o sentimento revanchista imobilizador, que a impediria de ter se tornado o que é: Um exemplo de respeito à constitucionalidade e a ação política racionalizada...

Mas, paradoxalmente, esse "esquecimento" apaga de sua memória política um traço que deveria ser constante em sua práxis, a de que os adversários só respeitam regras que lhes convêm, e pior:

Seus inimigos da oposição não querem sua cabeça porque ele "ganhou" as eleições, querem a sua cabeça porque o PT e o seu governo moveram (ainda que levemente) o mandato formal obtido nas urnas para próximo das demandas da maioria da população, e atacou os interesses de quem lucrava com o "estado das coisas" em passado recente...

É preciso que os golpistas da direita digam à população o que realmente querem...

Também é preciso que Dilma e o PT digam realmente porque estão sob ameaça de golpes iminentes, desde 2002...

Sem esse esclarecimento, nossa Democracia permanecerá interditada...

sábado, agosto 22, 2015

"Löwy: quando o capitalismo não rima com democracia"

"Outra Europa é possível — um continente democrático, ecológico e social. Mas não será alcançado sem uma luta comum das populações europeias, que ultrapasse as barreiras étnicas e os limites estreitos do Estado-nação. Em outras palavras, nossa esperança para o futuro é a indignação popular, e os movimentos sociais, que estão em ascensão, particularmente entre os jovens e mulheres, em muitos países."

O parágrafo acima é parte do artigo do cientista social brasileiro, hoje radicado na França, Michel Lowy. Vale conferir na íntegra seu artigo publicado originalmente no ótimo site "Outras Palavras", nele alguns importantes "pingos"  são colocados nos devidos "is" sobre a financeirização da vida e sobre os limites da política controlada pela economia. Nesta linha é instigante o questionamento sobre o que ainda se chama de democracia no continente de sua origem, a Europa.

"Löwy: quando Capitalismo não rima com Democracia"

Vamos começar com uma citação de um ensaio sobre a democracia burguesa na Rússia, escrita em 1906, após a derrota da primeira revolução, de 1905:

“É profundamente ridículo acreditar que existe uma afinidade eletiva entre o grande capitalismo, da maneira como atualmente é importado para a Rússia, e bem estabelecido nos Estados Unidos (…), e a ‘democracia’ ou ‘liberdade’ (em todos os significados possíveis da palavra); a questão verdadeira deveria ser: como essas coisas podem ser mesmo ‘possíveis’, a longo prazo, sob a dominação capitalista?” [1]

Quem é o autor deste comentário perspicaz? Lenin, Trotsky ou, talvez, Plekhanov? Na verdade, ele foi feito por Max Weber, o conhecido sociólogo burguês. Apesar de Weber nunca ter desenvolvido essa ideia, ele está sugerindo aqui que existe uma contradição intrínseca entre o capitalismo e a democracia.

A historia do século XX parece confirmar essa opinião: em muitos momentos, quando o poder da classe dominante pareceu ameaçado pelo povo, a democracia foi jogada de lado como um luxo que não pode ser mantido, e substituída pelo fascismo — na Europa, nos anos 1920 e 1930 — ou por ditaduras militares, como na América Latina, entre os anos 1960 e 1970.

Por sorte, esse não é o caso da Europa atual, mas temos, particularmente nas últimas décadas, com o triunfo do neoliberalismo, uma democracia de baixa intensidade, sem conteúdo social, que se reduziu a uma concha vazia. É claro que ainda temos eleições, mas elas parecem ser de apenas um partido, o PMU, Partido do Mercado Unido, com duas variantes que apresentam diferenças limitadas: a versão de direita neoliberal e a de centro-esquerda social liberal.

O declínio da democracia é particularmente visível no funcionamento oligárquico da União Europeia, onde o Parlamento Europeu tem muito pouca influência, enquanto o poder está firmemente nas mãos de corpos não eleitos, como a Comissão Europeia ou o Banco Central Europeu. De acordo com Giandomenico Majone, professor do Instituto Europeu de Florença, e um dos teóricos semioficiais da UE, a Europa precisa de “instituições não-majoritárias”. Ou seja, “instituições públicas que, propositalmente, não sejam responsáveis nem diante dos eleitores, nem de seus representantes eleitos”: essa é a única maneira de nos proteger contra “a tirania da maioria”. Em tais instituições, “qualidades tais quais expertise, discrição profissional e coerência (…) são muito mais importantes que a responsabilidade democrática e direta” [2]. Seria difícil imaginar uma desculpa mais descarada da natureza oligárquica e antidemocrática da UE.

“Os ‘experts’ que comandam a ‘salvação’ da Europa foram funcionários
de um dos bancos diretamente responsáveis pela crise iniciada
nos Estados Unidos, em 2008″
Com a crise atual, a democracia decaiu a seus níveis mais baixos. Em um recente editorial, o jornal francês Le Figaro escreveu que a situação é excepcional, e explica por que os procedimentos democráticos não podem ser sempre respeitados; apenas quando voltarmos aos tempos normais, poderemos restabelecer sua legitimidade. Temos, então, um tipo de “estado de exceção” econômico/político, no sentido que descreveu Carl Schmitt. Mas quem é o soberano que tem o direito de proclamar, de acordo com Schmitt, o estado de exceção?

Por algum tempo, entre 1789 e a proclamação da República Francesa, em 1792, o rei teve o direito constitucional de veto. Não importavam as resoluções da Assembleia Nacional, ou quaisquer que fossem os desejos e aspirações do povo francês: a última palavra pertencia Sua a Majestade.

Na Europa de hoje, o rei não é um Bourbon ou Habsburgo: o rei é o Capital Financeiro. Todos os atuais governos europeus — com a exceção do grego! — são funcionários deste monarca absolutista, intolerante e anti-democrático. Quer sejam de direita, “extremo-centro” ou pseudoesquerda, quer sejam conservadores, democratas cristãos ou social-democratas, eles servem fanaticamente ao poder de veto de Sua Majestade.

O soberano absoluto e total hoje, na Europa, é, no entanto, o mercado financeiro global. Os mercados financeiros ditam a cada país os salários e aposentadorias, os cortes em despesas sociais, as privatizações, a taxa de desemprego. Há algum tempo, eles nomeavam diretamente os chefes de governo (Lucas Papademos na Grécia e Mario Monti na Itália), escolhendo os chamados “experts”, que eram servos fiéis.

Vamos olhar mais atentamente a alguns desses tais todos-poderosos “experts”. De onde eles vêm? Mario Draghi, chefe do Banco Central Europeu, é um antigo administrador do banco internacional de investimentos Goldman Sachs; Mario Monti, ex Comissário Europeu, também é um antigo conselheiro da Goldman Sachs. Monti e Papademos são membros da Comissão Trilateral, um clube muito seleto de políticos e banqueiros que discutem estratégias internacionais. O presidente desta comissão é Peter Sutherland, antigo Comissário Europeu, e antigo administrador no Goldman Sachs; o vice-presidente, Vladimir Dlouhr, antigo Ministro da Economia tcheco, é agora conselheiro na Goldman Sachs para a Europa Oriental. Em outras palavras, os “experts” que comandam a “salvação” da Europa da crise foram funcionários de um dos bancos diretamente responsáveis pela crise financeira iniciada nos Estados Unidos, em 2008. Isso não significa que existe uma conspiração para entregar a Europa à Goldman Sachs: apenas ilustra a natureza oligárquica dos “experts” de elite que comandam a UE.

Os governos da Europa estão indiferentes aos protestos públicos, greves e manifestações maciças. Não se importam com a opinião ou os sentimentos da população; estão apenas atentos — extremamente atentos — à opinião e sentimentos dos mercados financeiros e seus funcionários, as agências de avaliação de risco. Na pseudodemocracia europeia, consultar o povo em um referendo é uma heresia perigosa, ou pior, um crime contra o Deus Mercado. O governo grego, liderado pelo Syriza, a Coalizão da Esquerda Radical, foi o único que teve coragem para organizar tal consulta popular.

O referendo grego não tinha apenas a ver com questões fundamentais econômicas e sociais, foi também e acima de tudo sobre democracia. Os 61,3% de gregos que disseram não são uma tentativa de desafiar o veto real das finanças. Esse poderia ter sido o primeiro passo em direção à transformação da Europa, de monarquia capitalista a república democrática. Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. A direita alemã fabricou este monstro, e forçou ao povo grego com a cumplicidade de falsos “amigos” da Grécia (entre outros, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi).

* * *

Enquanto a crise agrava-se, e o ultraje público cresce, existe uma crescente tentação, por parte de muitos governos, de distrair a atenção pública para um bode expiatório: os imigrantes. Deste modo, estrangeiros sem documentos, imigrantes de países não-europeus, muçulmanos e ciganos estão sendo apresentados como a principal ameaça aos países. Isso abre, é claro, enormes oportunidades para partidos racistas, xenófobos, semi ou completamente fascistas, que estão crescendo, e já são, em muitos países, parte do governo — uma ameaça muito séria à democracia europeia.

A única esperança é a crescente aspiração por uma outra Europa, que vá além das políticas de competição selvagem e austeridade brutal, e das dívidas eternas a serem pagas. Outra Europa é possível — um continente democrático, ecológico e social. Mas não será alcançado sem uma luta comum das populações europeias, que ultrapasse as barreiras étnicas e os limites estreitos do Estado-nação. Em outras palavras, nossa esperança para o futuro é a indignação popular, e os movimentos sociais, que estão em ascensão, particularmente entre os jovens e mulheres, em muitos países. Para os movimentos sociais, está ficando cada vez mais óbvio que a luta pela democracia é contra o neoliberalismo e, em última análise, contra o próprio capitalismo, um sistema antidemocrático por natureza, como Max Weber já apontou, cem anos atrás.


[1] Max Weber, «Zur Lage der bürgerlichen Demokratie in Russland»,Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, Band 22, 1906, Beiheft, p. 353.

[2] Citado in Perry Anderson, Le Nouveau Vieux Monde, Marseile, Agone, 2011, pp. 154,158.

sexta-feira, agosto 21, 2015

Concurso professor da UFF-Campos

O professor Luiz Cláudio Duarte solicita divulgação para ingresso no quadro de docentes da UFF no polo que funciona no município de Campos dos Goytacazes:

"Solicito colaboração na divulgação do Edital para os Concursos Públicos para Contratação de Professores Efetivos dos Departamentos de Ensino vinculados ao Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense (Campos dos Goytacazes – RJ). 

Haverá concurso para os seguintes cursos: HISTÓRIA, ECONOMIA, CIÊNCIAS SOCIAIS, GEOGRAFIA e PSICOLOGIA. Há também vagas para outras áreas em outros campi da UFF.

O Edital 171/2015 foi publicado no Diário Oficial da União – Seção 3 nº 156, segunda-feira, 17/08/2015, ISSN 1677-7069, páginas 53-57. Link para o DOU: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=56&data=17/08/2015

Em caso de dúvidas fazer contato com a CPD – Coordenadoria de Pessoal Docente – Rua Miguel de Frias nº 9, Centro, Niterói-RJ, Brasil, CEP 24220-900 ou pelo Telefone: 55 21 2629-5272 no horário das 10 horas às 16 horas.

https://sistemas.uff.br/cpd/ Página no Facebook: https://www.facebook.com/dglcpd Ou na COSEAC – Coordenação de Seleção Acadêmica da PROGRADCampus do Gragoatá – Bloco C – Térreo – São Domingos – Niterói – RJ – CEP: 24210-350 – Telefones: 55 21 2629-2805 ou 2629-2806 – Fax: 55 21 2629-2804 ou 2629-2820. Atendimento: Segunda a Sexta, das 9:00 às 18:00 horas. Correio eletrônico: atendimentoconcursos@vm.uff.br – site: http://www.coseac.uff.br/
Departamento de História de Campos Área de Conhecimento: TEORIA E METODOLOGIA DA HISTÓRIA (uma vaga). Provas escrita e didática, no período de 03/11/2015 a 06/11/2015. Formação dos Candidatos: Graduação em História. 
Mestrado em História, Filosofia, Sociologia, Ciências Sociais, Antropologia, Educação e Economia. Doutorado em História, Filosofia, Sociologia, Ciências Sociais, Antropologia, Educação e Economia.

MPF argui Porto de Santos por erosão nas praias devido a dragagens no canal de atracação

O blogueiro como sabem anda acompanhando mais de perto informações sobre os portos, para além das questões que dizem respeito às movimentações de carga.

Foi assim que ontem me deparei com o assunto de que o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na 3ª Vara da Justiça Federal em Santos pedindo a redução da largura do canal de navegação de entrada para o Porto de Santos.

Segundo o MPF este canal foi ampliado desde 2010, na sua largura de 170 metros para 220 metros e assim vem sendo dragado par manter esta nova largura. Por conta de estudos, o MPF atribui que o fato "causou erosão nas paias de Santos e diminuindo a faixa de areia".

O procurador da República Antonio Daloia diz que 40% dos 5 quilômetros de extensão da orla santista foram afetados e que o impacto maior é na Ponta da Praia, na direção da entrada do porto, mas que o problema se estende a outras praias e que a erosão atingiu bens que estavam enterradas há décadas no local, como escadarias e tubulações.
Foto G1 da faixa de areia da Ponta da Praia

A Codesp (Cia. Docas do Estado de SP) nega e diz que "a dragagem não é fator dominante" e tenta acordo extrajudicial para manter a nova largura do canal. A Codesp propõe medidas mitigadoras para diminuir a erosão nas prais de Santos e que tem proposta de "juntar esforços para corrigir o problema".

Diante deste caso, não há como não relacioná-lo à erosão da Praia de Barra do Açu, após a construção do Porto. Veja que o caso de Santos, se trata de uma baía e um estuário e não em mar aberto como aqui no Açu.

Ainda assim, os problemas de erosão nas praias pela ampliação do canal de atracação do porto são reconhecidos até pela administração do porto que se dispõe a buscar soluções para mitigar os problemas. No caso do Açu se trata de um terminal (T1) em mar aberto (offshore) e outro terminal (T2) construído (onshore) com abertura da orla, locais onde a movimentação marinha, da areia e dos sedimentos tende a ser bem maior, gerando assim, consequentemente mais impactos e erosão.

Clique aqui e tenha informação sobre a ação do MPF-SP e aqui a ação de 54 páginas na íntegra. Leia aqui matéria sobre a ação no jornal de Santos, A Tribuna.

quinta-feira, agosto 20, 2015

Cai produção da Bacia de Campos para 58% da nacional

A Bacia de Campos já chegou a produzir quase 80% da produção nacional. No último boletim de produção do mês de junho, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Bacia de Campos ficou com um percentual de 58%, com produção de 1,753 milhões boe/d de petróleo equivalente (óleo + gás), através de 46 campos produtores, de um total de 2,996 milhões boe/d de produção em todo o Brasil.

A Bacia de Santos ficou em segundo lugar com produção de 811,7 mil de boe/d, equivalentes a 27% da produção nacional, com apenas 9 campos produtores. Portanto, a Bacia de Santos possui uma produtividade imensamente maior que a Bacia de Campos.

Se fosse só considerada a produção de gás, a Bacia de Santos tem maior participação com 34% da produção nacional x 29% da Bacia de Campos.

Sobre os operadores, a Petrobras tem a maior produção com 82,8% da produção nacional. A BG + Shell já produzem juntas 212 mil boe/dia.

Impressionante é a produção de dois poços do pré-sal na Bacia de Santos Sapinhoá e Lula. Cinco poços produzem cada um mais de 40 mil boe/d (petróleo e gás). Sapinhoá (7SPH7DSPS) em junho produziu exatos 47.252 boe/d; Já o poço de Lula (7LL27RJS) produziu 44.463 boe/d.

Porém, o campo (coletivo de poços) que mais produziu petróleo foi o de Roncador na Bacia de Campos com 373 milhões b/dia e 418 milhões boe/dia, juntando petróleo e gás. Roncador gera royalties e PE especialmente para o município de São João da Barra e uma parte menor para Campos.

Confiram abaixo no gráfico da ANP, a relação entre a produção nas reservas do pré-sal (ascendente) e do pós-sal (descendente). A do pós-sal atingiu o pico em dezembro de 2014 com produção de 2.280 Mboe/d e a do pré-sal segue evoluindo mês a mês. O fato reforça a tese que o percentual de 58% deverá ser ainda mais diminuída nos próximos meses:



























PS.: Atualizado às 00:15: Para corrigir a unidade da produção em barris por dia.

PS.: Atualizado às 11:24: Na terça-feira (18/08) a Petrobras divulgou números de sua produção em julho. Eles são distintos destes, porque são da produção de julho (e não de junho) e se referem exclusivamente à produção da Petrobras, excluindo a produção das demais petroleiras. A ANP só divulga boletim da produção nacional, dois meses após. Por isto, seu último boletim é de junho.

quarta-feira, agosto 19, 2015

Uma sobre preço do petróleo e outra sobre o Comperj

O preço do baril brent no mercado internacional chegou hoje a US$ 46,94, o menor preço dos últimos anos.

Sobre o Comperj, a jornalista Ramona Ordonez do Globo disse que três grupos podem estar interessados na conclusão da refinaria. Os prefeitos do Conleste (associação dos prefeitos da região do em torno de Itaboraí) liderados pelos chefes do executivos de Itaboraí, Friburgo e Rio Bonito se reuniram hoje com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. 

No encontro os prefeitos falaram em intenções de um grupo sul coreano em concluir as obras que estão paralisadas com cerca de 85% do total. O prefeito de Itaboraí Helli Cardozo citou ainda a alternativa de conclusão das obras, através das empresas subcontratadas, que segundo o mesmo poderiam reduzir os custos.

Matéria de jornal americano diz que ataques de drones militares já mataram 3 mil pessoas

Há quem aprecie as teorias conspiratórias. Eu desconfio, mas faço questão de conhecer o que se diz, baseado em um dos ditados de minha avó que dizia: "o povo aumenta, mas não inventa".

Pois bem, confesso que fiquei surpreso com a informações trazidas ontem pelo jornal americano Wall Street Journal que possui uma versão em português que pode ser lida aqui.

A reportagem fala sobre a autorização que os EUA estariam para conceder às suas forças militares para ampliar em 50% os voos de drones (aeronaves não tripuladas) de uso militar.

É uma matéria ampla e que fala do uso corriqueiro que os EUA faz de "voos diários de drones para a vigilância e coleta de dados pela inteligência em locais como Ucrânia, Iraque, Síria, o Mar do Sul da China e o Norte da África".

O texto do jornalista Gordon Lubold ouve diversas autoridades e comandantes militares americanos e do FBI. O esforço americano seria parte da disposição dos militares "para solucionar uma série crescente de crises globais".

"Com drones como o MQ-1 Predador e o seu primo de longo alcance, o MQ-9 Reaper, fornecem vídeos em tempo real aos comandos militares e analistas de inteligência que usam dados para rastrear e direcionar militantes e conduzir ações de vigilância". "O general Philip Breedlove, chefe do comano Europeu dos EUA lamentou que precisava de mais cobertura para monitorar adequadamente a região que inclui a área em conflito da Ucrânia".

Porém, o que mais me chamou a atenção foi a informação que o WSJ cita uma autoridade que diz que "além de expandir a vigilância, o Pentágono planeja também aumentar a capacidade de ataques aéreos letais, a parte mais controversa do programa americano de drones". Neste ponto a reportagem diz que "os ataques de aeronaves não tripuladas já mataram pelo menos 3 mil pessoas, segundo estimativas de grupos não partidários".

Não estamos falando de simulações ou ficção científica e sim de invasões sem exército humano e armas convencionais. A reportagem ainda não desmentida fala de invasões de outras nações para vigiar para além das comunicações telefônicas e por internet e matar quando e onde quiser.

O texto cita a Cia (Agência Central de Inteligência), a Força Aérea e o Exército com ações ainda no Paquistão, no Iêmen e outros pontos do Oriente Médio. Os recursos usados são vários e para "maximizar a capacidade existente de drones, pode-se alterar a rota de voos cancelados por mau tempo para outras localidades. Se um drone não puder voar em um região do Iraque, por exemplo, ele pode ser enviado para outro lugar do Oriente Médio, segundo a autoridade de defesa".

O uso de drones para vigilância a ataques aéreos e repetido várias vezes e diz ainda que eles se justificariam porque "sempre haverá uma forte demanda para trabalhos com drones militares, considerando ameaças crescentes e ventos mundiais, diz o tenente-coronel Chris Karns, porta-voz da Força Aérea".

Pois então, ao ler estas singelas observações sobre vigilância e ataques em espaços de outras nações serem assim divulgados sem reações e controles, eu fico aqui pensando sobre o controle existente em áreas de interesse geopolítico, hoje tão grande quanto o Oriente Médio, como é o caso de nossas reservas do pré-sal.

Por tudo isso é que o resto das desconfianças não podem se tratar de meras teorias conspiratórias e sim de fatos. Se desejar confira aqui a matéria original e na íntegra no Wall Street Journal, antes, porém, olhe para o céu e veja se não há nenhum objeto sobre sua cabeça.

Uma reflexão sobre a administração pública no Brasil

Quem está no meio da peleja política e da disputa pelo Poder pode julgar que o artigo do João Sayad publicado ontem no Valor é desnecessário e inoportuno.

Eu avalio que o artigo é interessante porque ele aborda algo comumente observado nos dias atuais.

O crítico oposicionista de hoje será o gestor da situação de amanhã que assim passa a ver os controles e a Justiça como forra e forma de voltar ao poder. Os casos na região não são exceção no país. Ao contrário.

O cidadão acaba ficando em outra esfera. No meio deste processo é necessário que ajustes sejam feitos para termos uma administração pública mais eficiente, em todos os sentidos, e não apenas com menos corrupção.

João Sayad é professor da USP na Faculdade de Economia e Administração, foi ministro do Planejamento no governo de José Sarney, secretário estadual e municipal da Fazenda em São Paulo e também secretário estadual de Cultura. Vale conferir!

"Um barco-bicicleta"

No meio desta confusão, economistas de todos os tipos chegaram a um diagnóstico comum no que toca ao déficit público.

Primeiro, concluíram que reduzir o déficit público durante uma recessão é impossível. Se o governo corta R$ 100, a economia se encolhe em R$ 150 (a demanda total cai 1,5 vezes mais) e a receita tributária se reduz em R$ 60 (40% do PIB como receita tributária). O resultado líquido é que R$ 100 de corte reduzem o deficit em R$ 40. O déficit público só pode ser reduzido quando a economia crescer. Embora não existam incentivos para cortar quando a economia cresce.

Depois, concluíram que o desequilíbrio das contas do governo é antigo. A "nova matriz econômica" apenas acelerou a tendência secular. O desequilíbrio decorre da Constituição de 1988 que atribuiu ao governo a tarefa de aumentar a oferta de bens públicos, particularmente saúde e educação a todos os brasileiros. E não o aumento do consumo de bens como automóveis, celulares e eletrodomésticos, como aconteceu depois de 2008. Descobrimos, na crise, que desde 1988 o país definiu a utopia ou o projeto nacional que tantos analistas pedem - queremos uma nação em que todos têm acesso a serviços públicos essenciais.

É preciso dar sentido à vida dos administradores públicos. Que eles entendam qual o sentido das coisas que fazem

A utopia da Constituição de 88, ou o projeto nacional de desenvolvimento, foi em parte atendido. As matrículas escolares aumentaram vertiginosamente, os serviços de saúde também. A qualidade deixa a desejar.

Imagino que a partir daí as opiniões se dividam.

Os conservadores gostariam de reduzir as ambições da Constituição, reduzir os gastos do governo para que a economia cresça. Quando o bolo tiver crescido, os gastos sociais propostos pela Constituição poderão ser atendidas. Diriam que menos gastos, menos impostos, aceleram o crescimento do produto e tornariam viáveis os gastos sociais. Ou seja, a utopia fica para mais tarde.

Os progressistas não abandonam o projeto que, entretanto, é inviável, choca-se com a realidade do crescimento insuficiente do PIB para atender a tantas demandas.

Como resolver o impasse? Quais as possibilidades de negociação entre conservadores e progressistas quando a política permitir?

Propor o aumento da produtividade "begs the question" pois se houvesse crescimento suficiente, o impasse entre mais e menos gastos do governo estaria resolvido. Como parecia resolvido quando os termos de troca cresciam a favor do Brasil. Conservadores e progressistas não se entendem sobre como o crescimento do país pode ser recuperado.

Para problemas insolúveis, economistas apelam para palavras multiuso como poupança ou reformas. Para aumentar a poupança pública devemos construir hospitais (investimento) e não contratar médicos (consumo)? Mais escolas (investimento) e menos professores (consumo)?

Apesar da ambiguidade embutida nas palavras poupança e reforma, proponho uma reforma da legislação que rege a administração pública.

Um auditor da Receita Federal em Recife multou em R$ 50 mil um iraniano salvo pela Marinha do Brasil quando tentava atravessar o Atlântico em um barco-bicicleta. O barco-bicicleta persa é a essência do problema do serviço público no Brasil.

Vejam na televisão quantas obras inacabadas - estradas, hospitais, barragens hidrelétricas, metrôs etc. São apresentados como crítica aos governos do momento pela oposição e pela imprensa. Mas atingem todos os governos de todos os partidos em todas as regiões do país.

Quem esteve por curto período de tempo na administração pública brasileira sabe do que estou falando. Os servidores públicos são estáveis e recebem comandos e orientações de ministros, secretários, governadores e presidentes cujos cargos são temporários. O ativismos das organizações sociais e do Ministério Público com demandas legítimas sobre a atuação do setor público geram conflitos em todas as áreas. Questões ambientais, fundiárias, de preservação do patrimônio cultural sobre licitações e outras fazem com que qualquer decisão do setor público produza um grande número de ações na Justiça. O servidor público não ganha nada ao aprovar o ato do ministro ou do secretário que deixarão o cargo em breve. Melhor não aprovar nada e esperar pela aposentadoria.

O detentor temporário do cargo insiste, faz ser aprovada a decisão ou a obra e sai do governo carregando centenas de processos dos tribunais de conta e na Justiça.

As obras que precisam de tempo maior do que o tempo do mandato do governante são interrompidas e se tornam escombros cheios de pernilongos, apesar de terem sido inscritas nos programas de ação plurianuais.

A legislação no Brasil é muito ambiciosa - regras impossíveis de serem cumpridas, minuciosas, rígidas e complexas para evitar a corrupção e atender a objetivos inatingíveis. Os servidores públicos honestos travam o funcionamento do governo e multam o barco-bicicleta. Os desonestos se aproveitam da legislação complexa para autorizar mediante pagamento de propina.

O problema é claro, a solução, difícil. Precisamos rever as regras básicas da administração pública, as leis de licitação, a legitimidade de tantas ações que congestionam a Justiça por motivos fúteis. Não é trabalho para economistas. Precisamos de reformas desenhadas por advogados, juízes e promotores.

O servidor público de todas as áreas de governo sofrem. A vida não tem sentido, apenas a aposentadoria. Ou o sentido é o não fazer, proibir, criar obstáculos para que não sejam parte, no futuro, de uma ação na Justiça. Ou para ganharem um dinheiro extra com corrupção.

É preciso dar um sentido à vida dos administradores públicos. Que eles entendam qual o sentido das coisas que fazem. Não pode ser apenas a obediência formal da legislação. É preciso que pensem o tempo todo nos pacientes no SUS, nos aluno na escola ou no persa com o barco-bicicleta. Precisariam ler Camus e procurar um sentido, não para o absurdo da vida, mas pelo menos para as absurdas oito horas por dia que gastam na repartição.