sexta-feira, fevereiro 12, 2016

China concedeu empréstimos de US$ 10,7 bilhões a empresas brasileiras em 2015. US$ 8,2 bi só à Petrobras

Os empréstimos foram via dois bancos chineses: Eximbank e Banco de Desenvolvimento. O valor de US$ 10,7 bi é o maior da América Latina e equivalente a um terço do total emprestado a empresas e governos do continente.

O valor do empréstimo é maior do que os empréstimos concedidos ao Brasil pelo Banco Mundial e BID somados. O fato mostra a mudança já em curso, nas relações desenvolvidas pelo Brasil com o exterior, não apenas no destino das exportações, mas no financiamento concedido a empresas brasileiras.

Esta realidade é ainda mais simbólica se for observado as tratativas em curso, para investimentos em diversos projetos de infraestrutura, especialmente ferrovias e também portos. O fato pode também ajudar a explicar pressões em curso, de diversas naturezas.

O empréstimo concedido à Petrobras de US$ 8,2 bilhões teria como acordo o pagamento em barris de petróleo. Não há informações se acordo de empréstimo teria como referência um valor do barril de petróleo, ou apenas o produto.

Diante da hipótese de não ter referência no valor do barril, o acordo seria bastante interessante para a Petrobras, considerando a redução do valor do barril e o peso do endividamento da empresa.

Fonte da informação que gerou os comentários do blog: estudos divulgados em Washington e publicados em matéria do Valor Online aqui.

PS.: Atualizado às 01:42: Diante deste quadro de empréstimo de US$ 8,2 bilhões à Petrobras, caberia perguntar para aqueles que diariamente fazem pouco caso da estatal: será que os chineses seriam bobos?

Considerando que o presidente (CEO) mundial da Shell afirmou taxativamente que um dos principais motivos da compra por US$ 70 bilhões da petroleira britânica oficializada no final do ano, seriam os ativos que esta possui no Brasil, poderíamos voltar a perguntar: seria a Shell ignorante em termos de investimentos na área de petróleo?

Ou a China e a Shell estariam erradas e os colunistas econômicos da mídia comercial brasileira corretos em suas "isentas" análises? O blog deixa a resposta para o leitor/colaborador do blog.

Irã manifesta ao governo brasileiro interesse em construir as duas refinarias de petróleo no Nordeste (CE e MA)

Segundo notícia da agência Reuters, o governo iraniano teria interesse na construção das refinarias Premium I, no Maranhão, e Premium II, no Ceará.

O projeto destas duas refinarias no Nordeste foram suspensos em 2015, em função dos custos, necessidade de investimentos, endividamento da empresa, além dos baixos preços e rentabilidade da empresa.

Ontem, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Eduardo Braga, afirmou a jornalistas, segundo a Reuters que ao longo dos últimos meses o governo "está tratando com iranianos a questão de refinarias no Brasil". Mas ele não deu mais detalhes. Braga esteve reunido nesta quinta com a presidente Dilma Rousseff e um grupo de ministros, incluindo o da Fazenda, Nelson Barbosa, para discutir sobre possíveis parcerias comerciais com o Irã. "A fonte no governo salientou, no entanto, que as discussões sobre parcerias na área de refino estão numa fase muito inicial."

A matéria da Reuters diz outros pontos. O blog destaca a parte em negrito:

"Para esse assunto ser tratado como embrionário, ainda tem de evoluir muito", disse a fonte, na condição de anonimato.

A ideia dos iranianos seria trazer o óleo até o Brasil, refiná-lo no Nordeste e vender os derivados no mercado brasileiro, segundo a fonte, que não detalhou se os atuais preços controlados dos combustíveis poderiam ser um problema.

Não havia clareza imediatamente se o investimento poderia envolver a Petrobras, que retirou os projetos das duas refinarias premium de seu plano de negócios, em meio a dificuldades financeiras e a um escândalo bilionários de corrupção que afetou a empresa.

A Petrobras não comentou imediatamente a informação".

Trading de recursos minerais negocia Sistema Minas-Rio da Anglo American no Brasil

As tradings que controlam o comércio de recursos minerais no mundo estão de olho nos ativos que a britânica Anglo American está vendendo no Brasil, incluindo a mina de minério de ferro, em Conceição de Mato Dentro e o Sistema Minas-Rio, com mineroduto até a unidade de filtragem e exportação no Porto do Açu.

Hoje, as tradings que lideram o setor é a Glencore, Xstrada, Trafigura. Esta última, com sede na suíça, hoje controla o Porto Sudeste, projeto do Eike Batista, construído na Baía de Sepetiba em Itaguaí.

Executivos destas empresa têm montado outras tradings com o mesmo objetivo. É possível perceber que aos poucos, as tradings ligadas aos bancos e fundos financeiros, hoje, lucram bem mais que as próprias mineradoras.
Unidade de filtragem e exportação do Sistema Minas-Rio no Porto do Açu

Aos poucos estes fundos passaram a controlar os sistemas portuários e assim o fluxo mundial e a logística de circulação destas commodities minerais pelo mundo.

Assim, algumas tradings estão surgindo a partir da divisão de outras a partir do poder econômicos ampliado destas empresas especializadas no comércio mundial de commodities.

Este é o caso da X2 que nasceu de um ex-presidente da Xstrada e está negociando o Sistema Minas-Rio via, dois grandes bancos americanos, Goldman Sachs e Morgan Stanley que acompanham os movimentos bolsistas das empresas de produção e comercialização de commodities.

Mesmo que os ativos de nióbio e manganês da Anglo American estejam previstas de serem vendidas para a mineradora anglo australiana, BHP- Billiton, que é sócio da Vale na Samarco, a possibilidade de uma trading, ligada a fundos financeiros assuma o projeto Minas-Rio, reforça a interpretação de que cada vez mais, os projetos que se originaram com o empresário Batista, vão passando para as mãos destas tradings controladas por fundos financeiros.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Comércio exterior da América Latina vive momento de baixa (em valores)

Estudo da Cepal aponta que o triênio 2013-2015 foi o pior em três décadas, e termos de desempenho em comércio exterior (exportações e importações). O infográfico abaixo dá detalhes sobre o desempenho por nações e também sobre a origem dos produtos.

O quadro parece refletir a baixa de toda a economia mundial, que na AL foi amplificada pela queda do valor das commodities, que tem o maior peso no comércio exterior da região.

É bom recordar que os dados se referem a valores, e não a volumes de comércio exterior, que acredito será liberado em breve pela Cepal. Em volume de exportações é provável que se tenha uma estagnação, ou menor redução do que nos valores do comércio exterior.

Para ver a imagem em tamanho maior clique sobre ela.


quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Cade aprova que fundo Mubadala fique com ações que restam das empresas do grupo EBX

Na época do auge das empresa do grupo X, controladas pela holding EBX, do empresário Eike Batista, foi informado - muita gente embarcou - que o fundo árabe de Abu Dhabi, Mubadala teria adquirido o equivalente a 6,32% das ações do grupo.

Isto serviu para inflar ainda mais o valor das ações das empresas X. Porém, esta sociedade nunca existiu. O que o Mubadala acordou foi efetivamente um empréstimo de US$ 2 bilhões. Agora, o que o fundo está fazendo é executando esta dívida, como já fez o Bradesco, em outro empréstimo do BNDES, em que o banco foi avalista e tinha ficado com cerca de 6% da Prumo (Porto do Açu).

Abaixo a matéria do Valor de hoje, sobre a aprovação do Cade sobre a absorção das ações da OSX, CCX, REX, etc. Todo este processo mostra como o projeto de infraestrutura foi capturado por capitais estrangeiros. Os pequenos acionistas brasileiros, estão ficando, literalmente, a ver navios.

"Cade aprova aquisições do grupo Mubadala em empresas "X"
"A superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição de participações societárias do Grupo Mudabala na OSX, CCX CIGH, REX SUL e REX IV, integrantes do Grupo EBX, controlado por Eike Batista. 


A decisão foi publicada nesta quarta-feira no “Diário Oficial da União”. Parecer disponível no site do Cade não detalha o valor pago pelo grupo que pertence ao governo do Emirado de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ou quais as participações compradas. 

As negociações foram anunciadas na metade de janeiro. A OSX, em recuperação Judicial, atua no setor de equipamentos e serviços integrados direcionados à indústria naval e offshore, a CCX Carvão da Colômbia foi criada em maio de 2012 para desenvolver um projeto de mineração de carvão na Colômbia, bem como um sistema logístico integrado voltado às suas operações com carvão.

Já a Companhia Industrial de Grandes Hotéis (CIGH) atua apenas no mercado de investimentos em propriedades hoteleiras, embora não seja operacional atualmente, assim como a Rex Sul Empreendimentos. A Rex Empreendimentos Imobiliários IV (Rex IV) atua no setor de desenvolvimento imobiliário e não é operacional."


PS.: Atualizado às 12:55: para corrigir título.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

As cinzas das bolsas!

Enquanto o carnaval segue aqui abaixo do Equador, nos trópicos, com zika e tudo, os mercados sofrem, como se fossem gente, lá em diferentes pontos do Norte.

Ontem, Wall Street nos EUA. Hoje as bolsas do Japão fecharam em queda de 5,4%. A gripe de 2008/2009 tem suas tardias microcefalias também.

Diante deste movimento não há como não lembrar do Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia que sempre lembra a necessidade de se fazer a distinção entre "mercado bolsista" e "economia real".

Para tudo se acabar na quarta-feira!

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Pergunta do leitor sobre captação de água de chuva no Itaóca

O blog recebeu a pergunta abaixo do Tadeu Teixeira. Eu não tenho a resposta, mas repasso à rede (network) dos colaboradores do blog, indagando quem poderia ter a resposta:

"Prezado. Li seu breve comentário sobre o Morro do Itaoca em Campos dos Goytacazes-RJ, bem como uma série de outros comentários.

Segundo uma pesquisadora famosa no meio acadêmico, a primeira captação de água de chuva no Brasil teria se dado no arquipélago de Fernando de Noronha em 1943 por indivíduos dos Estados Unidos da América. Você como professor, pesquisador e blogueiro talvez pudesse dissipar minha dúvida por eu acreditar que isto tenha acontecido no morro do Itaoca em Campos dos Goytacazes, em face de que as antenas para captação de ondas de rádio talvez tenham sido instaladas antes de 1943 e com elas o sistema de captação de água de chuva existente na casa mais antiga do morro, que é usada por um funcionário que fiscaliza as antenas e dá algum suporte lá. No morro do Itaoca não existe água disponível, a não ser da chuva, que é usada para limpeza em geral. Você teria a informação sobre as antenas e a data da instalação do sistema de captação de água de chuva lá? Alguma sugestão de pesquisa sobre o assunto? Abç. Tadeu."


PS.: Atualizado às 16:08: Para inserir uma primeira resposta do professor Luiz Pinedo que foi coorientador do Tadeu Teixeira:

"Caro Roberto,
 
A captação de água de chuva sempre existiu nas áreas litorâneas e de baixadas costeiras, por conta de que a água existente no sub-solo é salobra.
 
As florestas que existiam antes dos períodos geológicos glaciais, a última glaciação ocorreu aproximadamente 10 mil anos, o mar estava a vinte km da linha de costa atual. No caso de Campos tem de captar água em poços profundos, os poços rasos não possuem água de boa qualidade. 

No caso das datas e pesquisas, me lembro que a Instalação de sistemas modernos de captação de água nas nossas grandes cidades; São Paulo e Rio de Janeiro. ocorreram a partir de 1900,1910 quando as Cidades apresentaram crescimento Populacional acima de 1 milhão de Habitantes, e os antigos sistemas de chafarizes e bicas de água, passaram a ser insuficientes.

Existe um documentário da TV Educativa da Bahia mostrando onde se localizam estes antigos chafarizes. Meu avô Giacomo Moretto fazia Captação da água da chuva, desde os anos 30. 

Assim, existiam formas alternativas de captação de água desde o final do séc. XIX. Me lembro na minha infância na Praia Grande-SP, que não existia água por sistema de abastecimento de água, e que a água dos poços freáticos eram de péssima qualidade. Abastecíamos com água potável via um afloramento no Morro do Chichova. Meu avô construiu uma caixa de 10.000 l de captação de água de chuva. 
 
Recomendo que ele pesquise na Biblioteca da SABESP e do Curso de Eng. Hidráulica da USP, COPPE, etc.
 
Abraços e bom carnaval."

sábado, fevereiro 06, 2016

Anglo American confirma demissão de 220 trabalhadores em Minas Gerais

O blog em contato com pessoas da comunidade de Conceição de Mato Dentro, MG, onde localiza a mina de minério de ferro e o início do mineroduto que chega ao Açu, sobre a crise e a venda dos ativos na Anglo American no Brasil, recebeu informação de que a própria empresa, já admitiu a demissão de 220 trabalhadores. Abaixo a matéria do jornal De Fato Online:

"Anglo American se manifesta sobre demissões"
"Após publicação de matéria nessa quarta-feira, 3 de fevereiro, sobre a possibilidade de demissão de 300 funcionários da Anglo American em Conceição do Mato Dentro, a assessoria de comunicação da empresa entrou em contato com a redação de DeFato Onlinepara se posicionar sobre
a situação.


De acordo com a empresa, as demissões realmente ocorreram, mas não chegam a 300, como disse o presidente do Sindicato Metabase, Paulo Soares de Souza. Segundo a mineradora, foram dispensados, no dia 1º de fevereiro, 220 pessoas. Contudo, as rescisões não são só em Conceição do Mato Dentro, mas no projeto Minas-Rio em geral.

Leia, na íntegra, o posicionamento da Anglo American:

A Anglo American informa que efetuou, no dia 1º de fevereiro, o desligamento de cerca de 220 empregados da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da empresa devido ao atual cenário do setor de mineração, com baixas constantes nos preços dos produtos e alta instabilidade do mercado global. Por causa desse contexto, a companhia está conduzindo uma ampla reestruturação com foco em redução de custos, o que tem culminado na realização de revisões orçamentárias e redução no quadro de funcionários.

A empresa lamenta a perda desses profissionais, no entanto ressalta que a execução da medida foi necessária para a continuidade do negócio de minério de ferro. Todos os desligamentos foram planejados e conduzidos com extremo cuidado e respeito às pessoas.

Os empregados desligados atuavam no Sistema Minas-Rio, operação de minério de ferro localizada nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro e atualmente em fase de ramp-up."

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Redução de 98% no lucro das grandes petroleiras deixa claro a fase de colapso do ciclo

Ainda há quem queira entender a crise do setor de petróleo no Brasil, apenas sob a lógica dos desvios de recursos da Petrobras. Eles precisam ser combatidos e enfrentados.

Porém, o problema maior desta cadeia global é o fim de um ciclo que atinge todas as grandes corporações do setor, desde as petroleiras, até as corporações de engenharia e tecnologia que dão apoio ao setor.

A matéria de hoje do Renato Rostás, do Valor "Lucro líquido das gigantes recuou 98% no ano passado" dá uma dimensão do tamanho do colapso de mais um ciclo no setor. O infográfico exposto inicialmente é muito representativo daquilo que a matéria mostra. Ela traz dados de seis grandes petroleiras, em termo de receita, produção e investimentos. A seguir o blog transcreve parte da matéria. A íntegra do texto pode ser lido aqui.


































"Lucro líquido das gigantes recuou 98% no ano passado"
Com a forte queda dos preços do petróleo e os custos ainda altos de exploração e produção, o lucro das principais petrolíferas do mundo foi praticamente a zero no ano passado. O Valor levantou os balanços de Royal Dutch Shell, Exxon Mobil, Chevron, BP, Statoil e Pemex e constatou que o resultado líquido das seis empresas ficou em US$ 1,6 bilhão durante 2015, recuo significativo de 98% perante 2014. 

BP, Pemex e Statoil registraram perdas na última linha do balanço anual de 2015. Já para Exxon, Shell e Chevron, o ano foi de queda no lucro líquido.

As seis petrolíferas são as maiores do mundo em produção que já apresentaram as demonstrações financeiras de 2015 até agora. A Petrobras ainda não revelou seus dados, mas tem potencial para reduzir ainda mais os números. De janeiro a setembro, a estatal obteve lucro líquido de US$ 971 milhões, 58,8% a menos do que no mesmo período de 2014, e a maioria dos bancos espera prejuízo para a companhia no acumulado de 2015. A Petrobras ainda não marcou data para divulgar seus resultados.

As companhias informaram que vão economizar ainda mais recursos, onde for possível. Os investimentos, por exemplo, que servem para manutenção dos campos já em atividade e para novas extrações que permitem a reposição dos barris em reserva, já caíram 20% em 2015, para US$ 148,6 bilhões. São US$ 38 bilhões que deixaram de ser aplicados.

Mas, no próximo ano, esse corte deve aumentar. As previsões anteriores das empresas - neste caso, a Pemex não está inclusa - apontavam para investimentos de US$ 122 bilhões em 2016. Com a divulgação dos resultados do quarto trimestre, as estimativas diminuíram para US$ 112,8 bilhões, ou 7,5% a menos. Os números levam em conta também o BG Group, adquirido pela Shell, mas mesmo assim a redução no orçamento pode ser da ordem de 17% em 2016.
...

"A conclusão é que vemos a produção americana de petróleo já começando a cair, liderada pelos declínios no xisto", afirma o analista Thomas Pugh. "A redução é uma das principais razões pelas quais acreditamos que os preços vai subir nos próximos anos. A projeção para o fim de 2016 é de US$ 45 por barril."

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Ciclo econômico segue afetado pelo petróleo

E o ciclo do petróleo segue arrastando a economia global que patina, inclusive nos EUA. Veja notícia do final desta manhã: "Reuters: Wall Street cai 2% por desempenho da Exxon Mobil e pressão do petróleo".

O lucro da Esso caiu 58% de US$ 6,5 bi para US$ 2,7 bi no 4º trimestre. A petroleira BP também anunciou uma perda anual de 6,5 bilhões de dólares, a maior de sua história. A americana Chevron (Texaco) também reportou prejuízo na sexta-feira.

Assim, a Opep espera que a Rússia aceite mudar a estratégia para reduzir a produção de petróleo, assim reduzir os excedentes no mercado para voltar a puxar o preço para cima. 

Sozinha, a Opep (hoje com 30% da produção mundial) não consegue decidir nada. A grande Rússia tinha 50% de todas as suas receitas fiscais do país, dependente do óleo e do gás em 2014. Com a redução do preço este percentual caiu em 2015 para 43%. 

Aí se vê o peso do óleo na economia russa, um país com o dobro da extensão do Brasil, com uma população um pouco menor que a nossa e significativo desenvolvimento tecnológico. No Brasil, o peso da economia do petróleo é estimado em 12% do PIB, sendo estudos do Ministério da Fazenda.  

Voltando ao plano global, estudos de macroeconomia já identificam a estranheza de que pela primeira vez, os excedentes que sobravam com os gastos menores com a compra do petróleo nos países importadores, não estão ajudando a economia como antes, quando iam para o consumo aquecendo o "mercado".

Se esta sobra não está indo para o consumo, este dinheiro só pode estar indo para a poupança nos bancos e fundos, na espera de investimentos para um novo ciclo que é parte do sistema. A conferir!

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Anglo American tenta vender seus negócios no Brasil, incluindo Sistema Minas-Rio

Na semana passada quando o blog informou aqui sobre a suspensão temporária das atividades da empresa finlandesa Wärtsilä, junto ao Porto do Açu, fontes ligadas à empresa FerroPort, joint-venture entre as empresas Prumo e Anglo American, no "Sistema Minas - Rio" para exportação de minério de ferro pelo porto, repassaram informações sobre as preocupações com a manutenção dos negócios, diante da relação entre o preço no mercado internacional x custos de extração e logística, com a entrega de minério de ferro pela empresa, em outros continentes.

As informações falavam da hipótese de demissões de trabalhadores e de negociação da empresa, ou mesmo suspensão temporária das atividades. No mercado de minério se sabe que a paralisação das atividades tem um custo enorme que pode interferir na retomada do negócio adiante.

Fato é que ontem, o blog do Ancelmo Gois hospedado no Globo deu a nota abaixo:

"Bye, bye, Brasil"
"A mamute e centenária mineradora Anglo American receberá propostas, dia 15, para vender todos os ativos no Brasil, e não só os de fosfato e nióbio.
Estão à venda: Minas Rio, de minério de ferro; Barro Alto, de níquel; e Coperbras, de fosfato e nióbio.
Negócio de US$ 3 bilhões.

"Tombo bilionário...
Só a Minas Rio, que a Anglo comprou de Eike Batista, em 2007, deve ter enterrado uns US$ 15 bi.
"

Hoje, outra fonte do blog nos enviou publicação do site internacional, especializado em mineração "Mining", que aprofunda a informação sobre a venda dos ativos da Anglo American no Brasil, inclusive com a informação sobre o interesse especial da BHP Billiton (sócia da Samarco junto da Vale) nos negócios de Nióbio da Anglo American no Brasil.

Em resumo o Mining dise que:
1) Na semana passada, a Anglo já havia afirmado que estava revendo sua estratégia de produção para o Minas-Rio visando garantir custos operacionais mais baixos, sem dar mais detalhes, ou mencionar quaisquer potenciais planos para vender o ativo. Sobre o assunto disse ainda que a mina tinha sido afetada por atrasos e custos suplementares desde Anglo comprou por US$ 5,5 bilhões em duas etapas em 2007-2008 da MMX, do empresário Eike Batista.

Mina em Conceição do Mato Dentro, MG. Foto Mining.com
2) O porta-voz da empresa disse Mining.com que a Anglo iria definir os seus planos detalhados de carteira em meados de fevereiro e que neste intervalo, seria errado especular sobre o assunto, acrescentando ainda que a empresa não faria mais comentários sobre o assunto.

3) A BHP estaria entre os licitantes nas minas de nióbio e fosfato da Anglo que estaria mais propenso segundo relatos locais em fazer venda completa destes ativos, em vez de dividi-los. A Anglo American é o segundo maior produtor mundial de nióbio, material usado em ligas de alta temperatura para motores a jato e aço leve para carros. A mina onde a Anglo faz a extração de nióbio Usina Boa Vista está localizada em Goiás valeria US$ 325 milhões e produziu 2.934 toneladas de nióbio no primeiro semestre de 2015.

4) A Anglo American já se desfez de outros negócios em diversas partes do mundo, entre estes: minas de cobre no Chile, ativos de carvão na Austrália e platina na África do Sul. Além disso, no mês passado, a empresa também concluiu a sua saída do Oriente Médio ao realizar a venda de seu negócio de Tarmac para Colas Moyen Orient, uma subsidiária da empresa de engenharia e construção francesa Bouygues Grupo.

5) A Anglo American planeja consolidar seus negócios em três das seis unidades que possui atualmente. O presidente-executivo Mark Cutifani prometeu em dezembro que a Anglo seria "uma empresa muito diferente" depois avançar com o seu plano de reestruturação, chamado "de portfólio radical de reestruturação. Tal reorganização incluiria a redução da sua força de trabalho total de 135.000 para apenas 50.000 em 2017".

Base operacional da FerroPort (Anglo + Prumo) no Porto do Açu:
Unidade de filtragem, secagem e correia para exportação no Terminal 1
Enfim, resta saber até onde a Anglo encontrará interessados na venda dos "ativos" em minério de ferro do Sistema Minas-Rio que além da mina, no município de Conceição de Mato Dentro, MG, possui um mineroduto e uma unidade de filtragem, secagem e embarque junto ao Terminal 1 do Porto do Açu. 

Pelos relatórios da Prumo, os investimentos da Anglo American, só no Porto do Açu, somaram R$ 3,3 bilhões. Segundo a Anglo American o potencial de exploração da mina é de 5,8 bilhões de toneladas de minério de ferro

Desde o primeiro embarque no final de 2014, mais de 40 embarques de navios graneleiros com minério de ferro teriam sido feitos no Terminal 1 do Porto do Açu. Só em 2015, a Prumo diz que foram exportados mais de 6 milhões de toneladas, de um universo anual previsto para 26,5 milhões de toneladas. A conferir!

PS.: Atualizado às 12:10: Com alguns outros dados sobre a Anglo American e com o comentário abaixo.

Este tipo de movimento faz parte do que chamamos de "Geografia das Corporações" previsto dentro dos grandes ciclos econômicos e vinculados aos ciclos das commodities. Estes agem sobre o espaço, constituindo circuitos espaciais de produção que, como este, possui bases em MG e Rio, que se constituem nos investimentos em capital fixo sobre o território.

Este movimento é manejado pelas corporações que manipulam o capital, cada vez mais controlado pelos grandes fundos financeiros (bancos de investimentos). Momentos como este de colapso dos ciclos é quando se faz o recolhimento do excedentes, que assim voltam a ser centralizados, em oligopólios e monopólios.

As comunidades e regiões, são quando muito, detalhes ou apêndices, pouco interferindo no processo, embora muitíssimo impactado por todos estes movimentos, que geram desde os conhecidos problemas sócio-ambientais à especulação econômica que tudo encarece. Os poucos empregos que atendem aos trabalhadores das comunidades locais são os mais facilmente retirados, quando da ocorrência desta fase de colapso dos ciclos. 

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Temor com a construção da ponte SJB-SFI

Há um temor velado por parte da população de toda a nossa região com a crise financeira do governo estadual e com as possíveis repercussões sobre os investimentos em obras.

Teme-se, que da mesma forma que já acontece com o custeio de importantes atividades no dia a dia da população, como se está vendo na saúde e na educação, a situação interfira na construção da ponte entre São João da Barra e São Francisco do Itabapoana.

Assim, é natural o temor, mesmo sabendo que o empenho já foi feito pelo estado, toda a obra é sempre paga em partes, conforme a medição do avanço da execução da construção.

A preocupação é maior porque seria repetiria a infelicidade da interrupção da construção de uma segunda ponte, sobre o Rio Paraíba do Sul, entre os dois municípios, antigamente, uma mesma cidade, com a região do litoral e outra chamada então de Sertão. A hipótese seria terrível, em todos os sentidos.

Não apenas da frustração com a nova interrupção, cerca de 40 anos depois da outra ponte, com a indesejável hipótese de existência de um novo paliteiros de estruturas dentro do Rio, ligando nada a lugar nenhum.

Ao passar pela rodovia BR-356, vendo o guindaste e o canteiro de obras próximo a Barcelos, eu desci para observar as obras. Assim, eu percebi que uma parte sobre terreno estava seguindo adiante, mas aparentemente, a parte sobre o leito do rio, nada ainda teria sido feito. Veja foto abaixo.

Além disso, não sei confirmar se procede a informação de que as obras nas duas cabeceiras de interligação das vias de um lado e outro (em SJB ligação com a BR-356 e RJ-196 em SFI) não teria feito parte do pacote da obra da ponte.

Se confirmada a informação, a preocupação deverá ser ainda maior, num momento em que o governo estadual sequer consegue pagar o funcionalismo estadual e informa que o déficit de 2016, é ainda mais complicado e se situa em torno de R$ 16 bilhões.

Dentro deste número o valor da obra de R$ 105 milhões, parece pouco, mas considerando a escassez financeira do estado, ele se torna vultuoso. O projeto da ponte SJB-SFI prevê uma extensão de 1.344 metros, com 16,0 metros de largura.

Todos nós torcemos para que a ponte seja concluída e evitemos mais um espigão de obra, como já conhecemos muitas na região, em Barra do Furado, da Marinha em Atafona, além da estrutura da ponte da época da antiga Cobráulica. A conferir!

PS.: Atualizado às 16:16: Fotos enviada ao blog pelo professor Romeu e Silva Neto. Elas foram feitas no dia 4 de novembro de 2015, por Heitor Barcelos, aluno de engenharia civil da Uenf, em visita técnica à obras do lado de SJB.



sexta-feira, janeiro 29, 2016

Sobre a audiência pública da Prumo em SJB na 4ª feira: duas questões principais

Eu fiquei devendo aqui para este espaço, pelo menos, um breve comentário sobre a audiência pública para licenciamento da dragagem para aprofundamento do canal de atracação do Porto do Açu, realizada pela Ceca/Inea, na sede do município de SJB, na última quarta-feira, 27/01/2016.

Eu havia falado sobre ela aqui no dia 13 de janeiro. As audiências públicas de licenciamento ambiental estão muito desgastadas perante a sociedade.

Há um descrédito perante as informações do empreendedor e uma falta de espaço para um diálogo menos desigual, entre os técnicos a serviço do empreendimento e os demais cidadãos.

A comunidade com razão, sente-se usada para a legitimação de um processo, sem que suas preocupações com a redução e mitigação de impactos sociais e ambientais sejam de fato, levados em consideração, como contrapartidas da licença que o estado quase sempre fornece.

Na época de euforia do desenvolvimento o discurso é para aproveitar a onda e viabilizar os empreendimentos, deixando as preocupações e a maiorias das exigências de lado. Em épocas de baixa do ciclo, como agora, o discurso é o de liberar porque os empregos (que neste caso são mínimos e muito específicos) são necessários para vencer a crise. Nesta toada, exigências mínimas são deixadas de lado.

Sobre o caso em si deste licenciamento ambiental da dragagem para aprofundamento do canal de atracação do Porto do Açu vou tratar de apenas duas questões, dentre tantas outras importantes.

Apesar de presente à audiência na última quarta-feira, em São João da Barra, eu não tive a oportunidade para fazer oralmente, porque não interessava fazer apenas por escrito. As duas questões a serem encaminhadas à Ceca são:

1) A ilegalidade do licenciamento estar sendo feita pelo governo estadual através do Inea (Ceca) e não do Ibama.

2) Os impactos da dragagem sobre o litoral com repercussão sobre a erosão da Praia de Barra do Açu.

Sobre o primeiro assunto, eu compreendo que há um conflito no encaminhamento deste processo de licenciamento. Trata-se de um porto marítimo de um terminal com cerca de 3 km para dentro do mar e o canal de atracação que ser quer ampliar a profundidade com dragagem tem mais de 20 km. Não se trata de um porto de baía ou de enseada, na foz de um rio, mas do mar que tem responsabilidade ambiental do Ibama. Logo, me parece um conflito a ser corrigido. Vou citar um exemplo: o porto de Santos, o maior do país a dragagem é autorizada, inclusive a mais recente, pelo Ibama, mesmo sendo um porto de enseada, mas tendo o seu canal avançado em direção ao mar.

Sendo assim, eu não tenho muitas dúvidas que o MPF, ou uma ação judicial suspenderá um eventual licenciamento. A empresa Prumo Logística Global S.A. sabe disso, e se tem tanta pressa no licenciamento para ampliar a profundidade do canal de atracação e assim poder, no segundo semestre deste ano, já começar a fazer transbordo de petróleo, no Terminal 1 do Açu, deveria ter escolhido o caminho mais adequado e não o que lhe pareceu mais adequado, por razões que deveria explicar.

Erosão do mar do Açu em 03/09/2015 (Veja aqui)
Quanto à  dragagem com movimentação e retirada de areia, para uma área de depósito (bota-fora), na proporção e volumes projetados, considerando ainda os problemas já ocorridos, com a instalação dos quebra-mares que produziram uma significativa supressão de areia da praia, ninguém tem dúvidas que o problema da erosão se ampliará. 

Aliás, cabe recordar que o EIA/Rima do Terminal Sul (atual Terminal 2) usado para o licenciamento ambiental do mesmo já previa este grande impacto. É irresponsável a informação que consta do Rima deste licenciamento, de que historicamente há erosão na Praia do Açu. Isto não é verdade. 

Há aí uma tentativa de se livrar de um problema criado pelo empreendimento, e reconhecido no Rima anterior, de que a erosão que suprimiu cerca de 100 metros de praia, não tenha ligação com a construção dos quebra-mares. 

Assim, este licenciamento deveria, no mínimo prever medidas para proteger a praia, com projetos de engorda e uso de areia e também de proteções, para evitar novas movimentações e supressões de areia naquele litoral. 

A ampliação do canal e o transbordo de petróleo para a petroleira inglesa BG, numa empresa em sociedade coma empresa alemã Oiltanking, trará em curto espaço de tempo, milhões de dólares de lucro. 

O transbordo de pequenos petroleiros que trará o petróleo extraído das plataformas da região, para grandes petroleiros exportarem, em viagens para os EUA e Ásia, entre outros lugares gerará um ganho entre US$ 3 e US$ 4 por barril, por conta da redução do custo de frete. 

Uma empresa com verdadeira responsabilidade com a sociedade e com o ambiente onde está instalada, estaria se preocupando e agindo para prevenir situações como a previsível. Mais, estaria planejando ações, com um ínfima parte dos lucros que obterá com o empreendimento. 

Diante do quadro que se viu repetido na audiência pública de licenciamento, a sensação é que sociedade local/regional continuará a fazer as indagações já frequentes, sobre as vantagens da instalação do empreendimento sobre suas vidas. A conferir!

PS.: Atualizado às 01:30: Para corrigir a informação que saiu antes no título e no texto que a audiência aconteceu na terça feira, quando na realidade, foi na quarta-feira, 27/01/2016. A segunda, correção foi feita no meio do texto, quando equivocadamente me referi à Praia de Barra do Furado, quando na realidade é Barra do Açu.

Transporte responde por 64% em todo o consumo de petróleo no Brasil

Assim, como em todo o mundo, o setor de transporte (de pessoas e movimentação de cargas) também responde por uma maior participação no consumo de derivados de petróleo no Brasil, com o percentual de 64,4%. Em segundo lugar está o uso industrial com 11,4%.

Só em terceiro aparece o peso da geração de energia elétrica no consumo de petróleo no país, como 6,9%. É oportuno lembrar que o infográfico abaixo publicado originalmente pelo Valor, com dados do Ministério da Minas e Energia (MME), se refere ao uso energético do petróleo que equivale a 90% do total, os 10% restante tem uso na área de petroquímicos.

A ampliação da implantação e uso das energia renováveis que no Brasil está acima da média mundial tende a conter e reduzir estes percentuais, ampliando a chamada segurança energética, mesmo que para um prazo mais dilatado. A conferir!


As entrelinhas do que falam as agências de risco e a mídia comercial sobre a Petrobras

Eu acompanho, mesmo de longe, o que falam as tais agências de risco. Eu as vejo como uma forma de contribuir para ajudar na especulação do mercado e à pressionar nações e empresas, conforme seus interesses e de quem as pagam.

O caso da crise do financiamento das hipotecas americanas e europeias (sub-prime) na crise de 2008, já tão detalhadas em vários filmes, inclusive de Hollywood, é exemplar para mostrar os objetivos fundamentais da existência destas agências e suas estratégias de ação.

Ainda assim, dentro do receituário do economês que só olha dentro da caixinha, também me espanta como muitos dos "colonistas" econômicos da mídia comercial, e seus "inocentes" seguidores, acabam por apenas reproduzir a parte dos relatórios destas agências, que lhes interessa, conforme a demanda do dia.

Desta forma, outras leituras, mesmo que nas entrelinhas, de parte destes relatórios, permite outras interpretações, diversas da manchetes das páginas econômicas.

Escolhi uma delas para exemplificar o que estou comentando. A tão propalada agência de risco Fitch que vive ameaçando o Brasil e suas principais empresas (com aquelas letrinhas repetidas e seguidas de mais ou menos) divulgou esta semana, um dos inúmeros relatórios que tratam da questão do baixo preço do petróleo e de suas consequências.

Interessante observar que neste último, a agência Fitch diz textualmente que "a situação da Petrobras não é das piores", ao contrário do que se repete quase diariamente no país.

No relatório a Fitch diz ainda que "a estatal brasileira e a YPF argentina têm situação mais confortável por conta de sua habilidade de controlar preços de combustíveis no país. A geração de fluxo de caixa da Petrobras se manteve relativamente inalterada desde o início da queda dos preços já que a companhia conseguiu estabilizar os preços do produto que sai de suas refinarias em moeda local".

Boa parte disso, eu havia comentado aqui em duas notas no blog, em especial uma última em que defendi maior atenção com o projeto de refinarias, em especial a do Comperj quase pronta.

Enfim, é bom que se tenha um olhar mais amplo e cuidadoso, reconhecendo o limiar de um ciclo, entendendo que sair desta fase de transição, tem que ser a estratégia de curto prazo, para seguir adiante. Especialmente para as empresas que possuem ativos valiosos como a Petrobras com o seu pré-sal.

E nesta linha vale lembrar aqui uma outra matéria de outra agência internacional só que de notícias, a Reuters, que há poucos dias, também nas entrelinhas, ao falar das centenas de bilhões de dólares que estavam sendo cortados dos investimentos na área de petróleo, reproduziu a a fala de um especialista do mercado de petróleo: “As atividades que sobreviverem serão aquelas que irão oferecer os melhores retornos.”

Avançar na leituras das entrelinhas tem sido um dos meus hobbies. Na época do antigo Pasquim, um dos seus conhecidos criadores disse que notícia e informação de qualidade eram aquelas que não saía na mídia geral, que ficavam no cesto dos editores (as matérias eram batidas à máquina e colocadas numa caixa que o editor escolhia para publicar).

Hoje, em dia, após a ditadura tivemos a compreensão mais ampla de que ao invés de mídia geral ou jornalões, ela devem ser chamadas, mais apropriadamente, de mídia comercial.

Quanto ao conteúdo do que a agência Fitch disse é que em meio a todos os problemas E não são poucos), a Petrobras segue na fita, para desespero de quem quer apenas entregá-la para receber.

PS.: Atualizado às 11:42: para um breve complemento sobre o assunto.

Considerando a observação feita pela agência Fitch sobre a situação da Petrobras, neste contexto de crise do baixo preço, torna-se importante considerar como para a estatal é importante, a manutenção de sua cadeia de empreendimentos ligado ao petróleo, desde a exploração, refino e distribuição. 

É isso que lhe dá condições de enfrentar as especulações e pressões das corporações globais que se ampliam com as crise como a atual. Sem as pontas desta cadeia, a Petrobras estaria com os pés e as mãos atadas para construir alternativas para esta travessia de ciclos. 

Exatamente, isto que os "colonistas" econômicos defendem dia e noite: fatiar a Petrobras e vendê-la em pedaços, para combater o que eles chamam de "gigantismo desnecessário". 

Vejam como as entrelinhas, pode nos permitir, mesmo com a análise da agência de risco, ter uma melhor compreensão da realidade. Diante de tudo isto fica mais fácil entender as estratégias geopolíticas em jogo neste movimento global do setor de óleo e gás.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Wärtsilä confirma "hibernação" de suas atividades na unidade do Açu, embora garanta que o mercado do Brasil é um dos seus focos

O blog informou aqui na terça-feira que a empresa finlandesa Wärtsilä suspenderia suas atividades na unidade do Açu, cuja implantação se deu ano passado, junto ao terminal 2 do Porto do Açu.

Hoje, a assessoria de comunicação da empresa confirmou a informação do blog informando que:

"A Wärtsilä Brasil informa que decidiu “hibernar” o Delivery Centre Açu, em São João da Barra (RJ), a partir de janeiro de 2016, devido aos adiamentos do prazo de entrega dos equipamentos fabricados na unidade. A produção será retomada tão logo sejam confirmados os novos prazos por parte dos clientes.

Vale ressaltar que o Brasil permanece como um dos principais mercados para a Wärtsilä no mundo, fazendo do país foco na estratégia de investimento global da companhia."


O blog apurou ainda que a Wärtsilä não chegou a ter muitos funcionários na unidade do Açu. No máximo, durante o ano passado, entre 25 e 30 funcionários, incluídos entre 10 e 15, da empresa contratada para limpeza e serviços gerais.

O foco de atuação principal da Wärtsilä é o setor de grandes motores para embarcações e motores/geradores para sistemas de geração de energia elétrica. 

Por isto, é possível identificar que a empresa espera com uma das duas atividades voltar, num novo ciclo do petróleo e colocar a unidade do Açu em atividade. Ela será agora apenas guardada e protegida em termos de segurança de suas instalações.

A origem do gigantesco déficit do governo do ERJ e a mediação política para a busca de alternativas

Este blog comentou aqui, por duas ou três vezes, que o déficit no orçamento do governo estadual, não se explicava completamente, pela redução da receita dos royalties do petróleo (-R$ 3,3 bilhões, aproximadamente) e nem pela queda de receita do mais importante imposto arrecadatório dos estados brasileiros: o ICMS (-R$ 2 bilhões, aproximadamente, em valores absolutos e não corrigidos pela inflação).

Somando-se estas duas importantes quedas de receita, elas chegam a aproximadamente R$ 5,5 bilhões, valor que é bem inferior em mais de R$ 10 bilhões, ao déficit total do orçamento estadual.

Então qual a origem deste buraco? Resposta: a dívida do governo estadual que vem sendo rolada há tempo, com garantia e aval sustentados nas receitas dos royalties que o estado vinha arrecadando.

É verdade que nestes últimos tempos, de "vacas gordas", as dívidas vinham crescendo mais que o normal, mas sempre se conseguia um jeito para rolar esta dívida.

Isto acontecia por conta das garantias e dos avais, relacionados sempre ao crescimento da produção do petróleo no estado e ao alto preço do petróleo. O fato se derivava da razão de que eles apontavam para crescentes receitas de royalties e participações especiais, pagas pelas petroleiras, aos governos e repassadas, através da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Pois bem, aí está a explicação para o caos nas finanças do ERJ. A queda da receita dos royalties e até da queda da receita do ICMS que reflete o impacto disto na cadeia e em toda a economia, são altas, mas poderiam até ser contornadas.

Porém, a rolagem dívida do ERJ superior a R$ 10 bilhões ficou inviável por dois motivos. Primeiro, porque o aval é pequeno devido a previsão de receita baixa dos royalties com o preço do barril de petróleo em tão baixo nível, desde o segundo semestre de 2014.

Em segundo lugar, e em especial, por conta da total impossibilidade dos bancos (mesmo os públicos) avalizarem a rolagem desta dívida, que soma uma monta desta proporção de R$ 10,5 bilhões. Esta impossibilidade se dá por conta do altíssimo e iminente risco da liminar concedida pelo STF, que sustenta a atual forma de divisão das quotas de royalties do petróleo ser cassada, e assim as receitas do governo do ERJ desabarem ainda mais, ampliando os problemas, aí não apenas para o ERJ, mas para outros estados e também para os bancos. 

O governo do estado já há meses sabe disto. Foi baseada nesta avaliação, deste quadro preocupante e atemorizador das finanças estaduais, que a Procuradoria Geral do Estado e a Secretaria de Fazenda criaram dois projetos de lei, aprovados nos últimos dias do ano passado, taxando o setor de petróleo no ERJ.

Aparentemente, um contrassenso, ou um paradoxo: ampliar os tributos de um setor que está espremido por um ciclo de baixos preços e margens bem pequenas, para sustentar os pagamentos destes dois tributos:

1) Taxa de controle e fiscalização da exploração de petróleo equivalente a R$ 2,71 por barril.

2) Lei estadual 7183/2015 com alíquota de 18% de ICMS sobre movimentação de petróleo no estado.

Num linguajar popular, o governo estadual colocou o bode na sala. 

Nos primeiros dias deste ano, a Petrobras e outras as petroleiras que operam no país, já engordavam as receitas dos escritórios de advocacia especializados em questões tributárias e do setor de óleo, questionando a constitucionalidade destas medidas no campo jurídico.

No campo político, a Petrobras e a Shell procuraram conversar com a presidente Dilma e o governo estadual para retardar o cumprimento da lei e buscar saídas. Junto Pezão buscou o presidente do STF já por duas vezes, para expor a situação, tentando convencê-lo que uma decisão na linha do que está encaminhado, em que o ERJ perde as receitas para os demais estados, o caos se confirma no segundo maior estado da federação.

Evidente que hoje se reconhece que municípios e estados "petrorrentistas" gastaram como se não houvesse amanhã, de forma seguida e continuada, através dos diferentes gestores, nos sucessivos mandatos, num período de cerca de duas décadas.

Responsabilizar os servidores no geral, por este quadro geral é absurdo e inaceitável. No poder Executivo do estado, se tem uma média de salários que é inferior à da maioria dos estados do Brasil, assim como o comprometimento percentual da Receita Líquida (RL) do estado. É fato que algumas poucas áreas e categorias fogem a esta média.

Porém, os ajustes nas finanças do estado que agora emerge como um real problema é antigo e veio sendo escamoteado, por soluções financeiras, que só são viáveis em períodos de ciclo expansivo da economia. Na fase de colapso e de contração, o quadro é sempre caótico e nunca terá resolução unilateral, como alguns às vezes sonham ou inferem.

Entender de forma mais clara esta realidade (objetivo deste breve texto) é importante para que o debate não caia, nem no campo das tecnicalidades jurídicas ou financeiras, e nem na pura disputa de poder.

É sabido e notório que a solução de tão complexo problema e de tão profundas e graves consequências (como já visto na área de saúde e no atraso dos salários do funcionalismo), só poderá ser de natureza política e de mediação entre as diversas partes envolvidas.

Para que isto possa ser melhor mediado, eu compreendo que é necessário que este diagnóstico possa ser repartido pelas partes, diretamente interessadas, nesta mediação política. Só assim se poderá imaginar a construção de alternativas de curto, médio e longo prazos para o governo estadual, que nos representa enquanto população no exercício do poder político.

Não haverá saída fora deste diálogo que deve nascer da compreensão de que há que se reformar e corrigir desvios, mas não se pode penalizar a parcela da população que precisa mais dos governos, em suas diversas instâncias. 

Assim, eu espero que a colaboração desta breve análise contribua para a busca das saídas, sem que se deixe claro os motivos e as responsabilidades pelo quadro atual, de forma a evitar a repetição do quadro de tão graves consequências.

quarta-feira, janeiro 27, 2016

As previsões para o preço do petróleo até 2018 e o cuidado com a renovação das esperanças para um novo ciclo nos municípios da região

O Banco Mundial e o banco Goldman Sachs refizeram as previsões de preço do barril de petróleo, médio para este ano 2017 e 2018.

O primeiro estimou o preço médio para o 1º trimestre deste ano em US$ 29,25. Para se ter uma ideia a previsão anterior, para o preço médio de todo o ano era de US$ 51.

A previsão para o período de julho a setembro é subir para um valor entre US$ 38 e US$ 40. Assim, o valor médio do preço do barril ano seria US$ 36,25, equivalente a 27% menor do que a previsão anterior que era de US$ 51.

Para 2017, a estimativa de preço médio seria de US$ 54. Para 2018, a estimativa de preço médio é de US$ 67, já num novo ciclo.

Sem guerra entre os poderosos, preços acima de US$ 100 como ocorreu entre 2009-2014 não está na previsão de ninguém.

Assim, o cinto continuará apertado nos municípios petrorrentistas, porque eles terão que viver com valores de receita equivalentes a este de agora do menor preço.

Isto acontecerá porque a ligeira folga de 2017 e 2018, seria consumida integralmente, pelos empréstimos feitos pelas prefeituras junto aos bancos, em 2015, e agora, em 2016.

Ou seja, há que se saber dos candidatos aos cargos eletivos a nível destes municípios da região, no pleito de outubro próximo, como pretendem caber dentro deste cinto já previamente apertado.

Este esforço não será uma tarefa simples, porque a busca da confiança do cidadão para representá-lo, costumeiramente, se pauta num ambiente de esperança e expectativas.

É no pleito e no contato direto que a democracia eleitoral oferece para que esta confiança e esperança sejam renovadas, mas há também que se ter o cuidado, para não enganar mais uma vez as pessoas, com promessas inexequíveis e incompatíveis, à dramática realidade a que se chegou nestas cidades, a despeito dos inúmeros alertas feitos, por parte da sociedade.

Há que se buscar coragem e determinação para enxergar as saídas, junto com quem mais precisa dos governos.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Blog obtém informações que a Wärtsilä planeja suspender atividades no Porto do Açu - empresa diz que se posicionará amanhã

A empresa finlandesa Wätrsilä implantou uma unidade junto ao terminal 2 do Porto do Açu visando desenvolver atividades relacionados ao seu ramo de atuação, em montagem e manutenção de motores principais e auxiliares, serviços de propulsão para embarcações e soluções completas para usinas de energia elétrica.

A Wärtsilä está no Brasil desde o ano de 1990 e, segundo a sua página na internet, possui cerca de 700 funcionários em oito estados: Rio de Janeiro, Amazonas, Rondônia, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Maranhão e Espírito Santo. Ao todo, seriam mais de 29 usinas termelétricas no país com mais de 2,5 GW de potência instalada. Na área naval, a Wärtsilä Brasil tem base instalada com capacidade superior a 1100 MW em mais de 270 embarcações e instalações offshore.

No Porto do Açu, em São João da Barra, a Wärtsilä montou uma "fábrica multi-produto", com um galpão, instalado no final do canal do terminal 2, que ficou pronta ano passado, 2015. (foto aérea ao lado da Prumo)

De lá para cá a Wärtsilä vinha mantendo um número pequeno de funcionários, que estaria fazendo ajustes na planta e desenvolvendo atividades, em atendimento a demandas de outras unidades da empresa, inclusive, Niterói, onde funciona um centro de serviços para indústria offshore no Brasil, atendendo demandas de empresas que atuam na área de exploração de petróleo nas bacias de Santos e de Campos. 
Unidade Wartsila em Niterói,
próximo à subida da Ponte

O blog obteve a informação de que vários trabalhadores da Wärtsilä estão sendo dispensados, com a informação de que as atividades no Açu, poderiam retornar daqui a um ano. No final de dezembro pasado, a empresa já havia rompido o contrato com a empresa de limpeza Rio Shop que demitiu o pessoal que trabalhava para a Wärtsilä.

O blog fez contado com a Assessoria de Imprensa e Comunicação da empresa e recebeu como resposta que Wärtsilä "está em período de silêncio e, por isso só se manifestará sobre o assunto após o dia 27/01".

A empresa diz ainda que este "período de silêncio" é necessário porque antecede à divulgação dos resultados da empresa que acontecerá amanhã, dia 27/01. A Wärtsilä está listada na bolsa NASDAQ em Helsinki, na Finlândia. No Brasil a Wärtsilä não está inscrita e não possui ações na Bovespa. Assim, o blog aguarda a resposta da empresa, enquanto trabalha com a informação apurada no Açu.

10,7% do consumo total brasileiro é de conteúdo estrangeiro

Este dado se origina de uma tabulação da OCDE, a partir do indicador Tiva (Comércio em Valor Agregado entre Nações). O Tiva utiliza a matriz insumo-produto mundial e mede fluxos de importações e exportações em valor adicionado na produção de mercadorias. O percentual de 10,7% é referente ao ano de 2011, o último disponível.

Este dado foi citado pelo diretor do IE da UFRJ, professor e economista David Kupfer, em seu último artigo no Valor "Todo mundo em pânico".

A partir dele, uma série de reflexões pode ser feita. Uma mais simples é a confirmação da baixa inserção externa da economia brasileira nas cadeias de valor global. Para o bem e para o mal.

Por outro lado, indica uma pujança local razoável, bem acima do que se imagina e, muitas vezes, até se divulga ou comenta, sem base na realidade.

Ainda, segundo Kupfer, no setor da indústria de transformação este percentual chega a cerca de 50% do valor adicionado total, a maioria ligada às cadeias de Alimentos, Derivados de Petróleo, Química e Petroquímica e Metalurgia.

De alguma forma estas quatro cadeias são baseadas em commodities. O que se configura como uma preocupação, embora nem de todo ruim, porque ela contém uma agregação de valor através da atividade industrial.

Esta nota tem a intenção em reforçar, a importância de estudos para se conhecer mais profundamente, a realidade sobre as nossas cadeias produtivas. Se sabe pouco sobre elas.

O caso atual de crise do ERJ com o susto com o tamanho da dependência da cadeia do petróleo é uma demonstração inequívoca sobre a complexidade destas cadeias, de suas relações e de sua importância na tomada de decisões governamentais e privadas.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

A crise nas cidades petrorrentistas - como compreender o processo e buscar mediações e alternativas de superação?

O quadro econômico-financeiro nas prefeituras petrorrentistas, em especial - pelo porte - Campos e Macaé - era conhecida há muito tempo e tem por trás dele, muitos responsáveis, entre criadores e criaturas.

Ele vai bem para além das finanças públicas e envolve outras atividades econômicas que foram, paulatinamente - umas mais e outras menos - se pendurando, na dependência do que chamo a "economia dos royalties" que é diferente da "economia do petróleo", embora só exista por dependência desta última.

O quadro, como previsto, já repercute sobre o comércio e sobre os serviços e tende a ampliar esta repercussão. Outro setor inflado artificialmente, com manipulações e especulações é o setor imobiliário que terá ainda mais impacto arrastando e sendo arrastado, pela atual baixa da economia dos royalties sobre todas estas cadeias.

Como já disse deve se evitar ser cabotino, diante de um quadro que, se de um lado expõe seus responsáveis (ou irresponsáveis), de outro também faz sofrer um contingente enorme de pessoas que foram manipuladas, tanto pela área política, quanto por espertos dos outros diversos setores, em proporções difíceis de serem medidas.

O momento é de respeito às vítimas deste quadro lamentável, mas é também de superar a retórica da responsabilização, para a construção, com coragem de uma nova maneira de gerir, tanto a coisa pública, quanto os setores privados que atuam na economia regional.

Tenho repetido que é preciso que a região se enxergue menos fragmentada por municípios e por setores de atividades, cada uma, a seu modo vem tentando se safar das dificuldades. Sabia-se que elas viriam e que chegariam mesmo antes do petróleo acabar, ou dos royalties serem divididos também para outras unidades da federação.

Não há milagres diante de uma realidade tão cruel, mas também não se pode deixar atingir a todos igualmente. É preciso considerar aqueles que possuem menos meios de enfrentarem o quadro atual e também, como se imaginava, viria junto com dificuldades econômicas do estado e da União ampliando e as consequências sobre a população.

É a partir daí que se deve pensar as alternativas, no curto e no médio prazos.

Da mesma forma que se desejava que se fizesse a gestão pública, na época do boom (e da bonança) de forma participativa e compartilhada, não há porque decidir sobre cortes e ajustes, da forma centralizada e autocrática ou tecnocrática com este "moderno nome" - de "gabinete de crise" - que se pegou emprestado (das emergências de desastres ambientais), composto unicamente dos próprios gestores (secretários) sem outras representações da sociedade.

Por aí se avança pouco. Sem interlocução e mediação política, as alternativas pensadas, parecerão sempre, como sendo de um lado contra o outro e não, de saídas que devem interessar a toda a sociedade.

PS.: Título da nota construído a partir da boa observação do Yuri Costa, em comentário feito no perfil do FB, onde este texto foi postado há pouco.

Nova rodovia do Açu pode ser acrescida à BR-101 que tem indefinições sobre duplicação e contorno de Campos

Uma audiência realizada no último dia 13 de janeiro, por convocação da Firjan- Macaé, nas dependências do Senai daquele município, discutiu diversas questões relativas aos gargalos das obras de duplicação da BR-101.

Este trecho de 320,1 quilômetros de extensão da BR-101, entre a Ponte Rio-Niterói e a divisa com o estado do Espírito Santo é operado pela concessionária Autopista Fluminense S.A, empresa do grupo espanhol Arteris.

Na audiência a Autopista Fluminense informou que as indefinições seriam sobre a duplicação dos 46 quilômetros da rodovia que passam por Macaé. Também se comentou sobre a rota que removerá o traçado da estrada de dentro do trecho urbano de Campos, quando a empresa alegou dificuldades por conta da "complexidade e volume de recursos que serão necessários".

A Autopista alegou que as dificuldades no trecho que corta Macaé, e o construir duas novas pistas no trecho conhecido como "Brejo da Severina" e também parte que corta a Reserva Biológica da União (ReBio).

Em Campos, o desafio está na realização das obras de duplicação dentro da localidade de Ibitioca, situada no Km 80 da rodovia. No caso do trecho do "Brejo da Severiana" a concessionária deixou a entender que poderá não duplicá-lo, apesar da obrigação contratual. Resta saber a posição da ANTT que é o poder concedente.

Ainda segundo a Autopista Fluminense, dois trechos têm previsão de liberação da duplicação até o final do primeiro semestre deste ano: na região de Campos dos Goytacazes, entre o km 84 e o km 101 e na região entre Rio das Ostras e Rio Bonito, entre o km 197 e o km 248. Eles somam 68 quilômetros.

O trecho urbano de Casimiro de Abreu (km 206) ficará para mais adiante porque pelo projeto será construído um elevado. Segundo a concessionária até agora foram entregues 43 quilômetros de pistas duplicadas de um total de 176 quilômetros previstos.

O presidente da Câmara de Vereadores de São João da Barra, Aluizio Siqueira, presente à audiência questionou sobre a rodovia que faria obre a ligação do Porto do Açu até à BR-101. Na ocasião, a LLX que desenhou o projeto passou a chamá-lo de Corredor Logístico, com previsão de pista rodoviária, linha ferroviária e dutos de serviços para gás, água e comunicações.

Sobre o assunto a concessionária informou que a informação que dispõe é que se trata agora de uma outra rodovia com novo traçado. Ela sairia do Porto Açu passaria próximo à Tocos seguiria próximo à Lagoa Feia e ligaria ao novo traçado da BR-101, na altura de Ibitioca, em trajetória próxima, mas distinta do traçado da ferrovia que ligará os portos de Vitória ao Rio, passando pelo Açu.

A informação é de que este seria uma noval rodovia estadual, apesar do estado não ter dinheiro para obras novas e nem perspectivas. A não ser que pretendam trocar a obra por uma concessão em troca de pedágios.

Esta hipótese não é improvável, porque na mesma audiência foi comentado por pelo responsável pela Autopista Fluminense que há uma expectativa, que depois que a estrada for construída, ela possa ser federalizada, para em seguida ser acrescida à concessão federal da BR-101.

Sobre o assunto, também foi ventilado na ocasião, que existiria até um paradigma, de uma estrada no município de Aracruz, no ES, que teria sido acrescida à concessão federal. A conferir!

sábado, janeiro 23, 2016

A conta petróleo no Brasil e os investimentos em refino como parte das estratégias a serem desenhadas para o próximo ciclo

Ainda e mais uma vez avançamos nas reflexões sobre petróleo, enquanto uma das vertentes do desenvolvimento nacional.

O Brasil é superavitário (em US$) na relação entre importações e exportações de petróleo, com o valor de US$ 4,4 bilhões em 2015.

O nosso problema é com os derivados cuja conta foi negativa em US$ 10,1 bilhões, especialmente por conta da demanda interna de diesel (cuja balança foi deficitária em US$ 3,3 bi), em nafta (déficit de US$ 1 bi) e gás natural com déficit de US$ 5,3 bilhões.

No ano passado o Brasil exportou 16,5 bilhões em petróleo (especialmente o pesado, parafinado e de valor menor e que nossas refinarias não processam) e importou 22,2 bilhões, especialmente em derivados.

Assim, resumindo, sem querer ser superficial, mas para ser breve, temos uma necessidade de concluir o Comperj e ampliar o parque de refino, mesmo que a demanda interna, neste momento esteja contida, mas ainda é maior que a produção interna. Isto ajudaria a reduzir o déficit na conta petróleo que é baixa, além de ativar nossa economia.

No mundo, antes deste momento ímpar de baixo preços e manipulação deste mercado de petróleo, havia avanços nas buscas e descobertas de novas fronteiras de exploração petrolífera.

Porém, o que é mais fácil de ser percebido é o avanço nos parques de refino, especialmente na Índia, Oriente Médio e África.

Na Índia se vê uma expansão da capacidade de refino de quase 700 mil barris por dia (b/d) e o início do funcionamento em 2008, da Reliance Industries, maior refinaria do mundo que processa até 580 mil barris por dia. Por lá, outras 5 refinarias estão em construção.

No Oriente Médio, o Kuwait monta novas refinarias com capacidade superior a 600 mil b/d. Também, os Emirados Árabes com 400 mil b/d; Abu Dhabi com 417 mil b/d, assim como instalações em Argélia e Angola na África.

Refinaria Abreu Lima, Suape Pernambuco
A estratégia não é simples, porque não se constrói uma refinaria da noite para o dia. Com investimento, muito esforço, dedicação e competência, há necessidade de pelo menos 4 a 5 anos.

Até por isto, e considerando ainda a produção crescente de petróleo no Brasil até 2025 (mesmo que em ritmo menor do que o previsto anteriormente) e de olho em um novo ciclo à frente, a estratégia do setor de petróleo e gás nacional necessita ser ajustada.

Há vários problemas a serem corrigidos no setor e em sua maior empresa, a Petrobras. Porém, a venda sem critérios e sem visão estratégica e integrada da função de cada ativo desta cadeia de valor, é um tremendo equívoco, para ser tolerante, com os propositores desta ideia.

Neste cenário, não dá para não considerar desvairada, a outra ideia de reduzir o tamanho da Petrobras, ou transformá-la numa série de novas empresas, dividas por ativos, para além do que já se tem.

Assim, neste ponto, há que passar a agir na direção da renegociação da dívida da Petrobras, assim como de uma capitalização para este novo momento. Parceiros não faltarão.

O setor de energia continua sendo estrategicamente indispensável, para uma nação como o Brasil que possui seis dos maiores campos descobertos no mundo nas últimas duas décadas.

Além do petróleo, as energias alternativas avançam em produção também no Brasil e por isto devem ser consideradas, no tabuleiro das decisões desta geopolítica.

O Brasil, queiram ou não, é uma peça cada vez mais importante e por isto tão alvejado por pressões políticas e econômicas e, por outro lado, tão procurado para para parcerias diversas, daquelas até aqui formuladas. Para isso, é preciso olhar para além da conjuntura e enxergar e trabalhar no novo ciclo que se terá, inexoravelmente, adiante.

PS.: Atualizado às 22:54: Para corrigir o título.

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Prefeitura de Vitória multa as empresas Vale e Arcelor em R$ 68 milhões por poluir ar e mar


A Prefeitura de Vitória multa as empresas Vale e Arcelor em R$ 68 milhões (R$ 34, milhões cada) por poluírem ar e mar, com pó de carvão e minério de ferro, movimentados no Porto de Tubarão, onde as atividades continuam interditadas.

Diante do problema real e que vinha se arrastando é sempre louvável identificar um gestor local com com disposição de fazer o que seu papel de regulação e fiscalização em defesa da comunidade lhe cabe.

O comum é o inverso, uma total submissão aos interesses das empresas, especialmente, as de grande porte, como é o caso.

É certo que a municipalidade também perde com a interdição, porque se reduzem as receitas do Imposto Sobre Serviços (ISS) que não são pequenas, ainda mais em época de crise, como a atual.

É também sabido que estas multas seguem um processo longo, com fases de recursos, analisados por conselhos e câmaras.

Ainda assim, vale (sem nenhum trocadilho) observar os desdobramentos do caso, considerando que questionamento sobre problema similar esteve sendo investigado pelo Ministério Público Federal (e Inea), no Terminal 1, do Porto do Açu, onde há a movimentação de minério de ferro, através da empresa FerroPort, joint-venture, entre a Anglo American e a Prumo.

Sobre este assunto o blog publicou aqui uma nota em maio de 2015. Outra aqui em junto de 2015.

Na imagem abaixo retirada do vídeo divulgado pela própria Prumo, no mês passado (dezembro de 2015) é possível ver as condições e as consequências do embarque de minério de ferro, num navio graneleiro, junto ao Terminal 1 do Porto do Açu.






















PS.: Atualizado às 17:56: Da Agência Reuters:
"A Vale afirmou nesta sexta-feira que a interdição judicial de operações no porto de Tubarão, no Espírito Santo, impedirá o embarque diário de 200 mil toneladas de minério de ferro por dia e a importação de 44 mil toneladas de carvão mineral, que também abastece grande parte da indústria siderúrgica nacional.

A mineradora, maior exportadora global de minério de ferro, paralisou na quinta-feira as vendas externas a partir do porto de Tubarão, responsável pelo embarque de mais de 30 por cento da produção da companhia, cumprindo decisão judicial motivada por questões ambientais
."

Manipulação no mercado futuro de petróleo gera enorme volatilidade

O nível de manipulação e especulação nos negócios de petróleo são imensos, mesmo que isto esteja relacionado a uma enorme variedade de indicadores.

Veja que hoje, mesmo depois de ter sido divulgado ainda pela manhã que os EUA formou com os baixos preços o maior estoque de petróleo em 25 anos, o preço do valor do barril, estava há pouco com alta, só hoje, na faixa de 8%, tendo atingido, US$ 31,60. Veja gráfico da movimentação hoje.


Esta volatilidade está relacionada, não apenas ao controle que os principais bancos fazem deste comércio que acontece apenas em dólar, mas especialmente ao chamado comércio de futuro, ou derivativos, feito em papeis.

Tenho lido análises de que haveria no mercado, um volume de papeis de comércio de petróleo futuro, cerca de três vezes maior do que o real que hoje é relativo a uma produção mundial pouco acima dos 90 milhões de barris por dia.

Desta forma, pode-se afirmar que este setor não tem importância apenas estratégica e geopolítica. Como a mercadoria (commodity) mais negociada do mundo, a manipulação em pequenos percentuais (para cima ou para baixo) já geram enormes lucros a quem tem o controle deste fluxo.

PS.: Atualizado às 13:56:
Duas outras notícias desta manhã, sobre o mercado de petróleo, reforçam a tese da volatilidade, manipulação e nervosismo que ronda o setor, não apenas entre governantes das nações, mas no ambiente das grandes corporações:

1 - "Shell, BP, Statoil e Total podem ser rebaixadas pela Moody's".

2 - A gigante de serviços na área de óleo & gás, Schlumberger informou que vai demitir 10 mil trabalhadores, após identificar prejuízo de US$ 1 bilhão, só no último semestre de 2015. O primeiro nos últimos 12 anos.

O CEO da empresa disse que: "o baixo preço do barril de petróleo vem afetando diretamente as finanças da companhia, com menos projetos sendo desenvolvidos. “Não havia sinais de recuperação de preços a curto e médio prazo”.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Polícia Federal interdita Porto de Tubarão por poluição com pó de minério de ferro e carvão

A ação da Polícia Federal, se deu como cumprimento de um Mandado Judicial de Interdição foi expedido pela 1ª Vara Federal do Espírito Santo.
Foto mostrando a poluição divulgada pela PF.

A decisão judicial suspendeu temporariamente as atividades que são geridas pelas empresas Vale e ArcelorMittal, no terminal de minério de ferro e no Pier de Carvão na Praia Mole, por conta da poeira de carvão no ar de Vitória e pó de minério, no mar.

Um inquérito policial investiga os supostos crimes ambientais cometidos pelas empresas. "Alusivos à poluição e ao assoreamento da Praia de Camburi, decorrentes do lançamento de minério e carvão no mar, bem como aos danos causados à saúde humana, em razão da emissão de gases poluentes e partículas".

Os equipamentos dos terminais foram lacrados, e assim a Vale, que é responsável pleas atividades no Porto, foi impedida de operar qualquer atividade comercial que envolvem minério ou carvão.

PS.: Atualizado às 16:22: O Porto de Tubarão iniciou suas atividades em 1966 e é por onde sai a maior parte das exportações de minério de ferro do Brasil. Ele é seguido pelo Porto de Itaqui, no Maranhão, por onde sai parte do minério extraído pela Vale, na Serra de Carajás, no Pará.

quarta-feira, janeiro 20, 2016

El País atribui ao "colapso das bolsas ao preço do petróleo e aos riscos geopolíticos mundiais"

Manchete agora, no portal jornal espanhol El País, também atribui à queda (que o jornal chama de colapso) das principais bolsas europeias (fecharam com quedas superiores a 3%) à crise dos baixos preços do barril de petróleo e ao que chamou de "dúvidas sobre o crescimento e ao petróleo e ao riscos geopolíticos mundiais":

"Desplome de las Bolsas por las dudas sobre el crecimiento y el petróleo Las grandes plazas europeas cierran con grandes pérdidas superiores al 3% lastradas también por los riesgos geopolíticos mundiales. El Ibex 35 cae en una jornada negra un 3,2%."

Vale lembrar que a Espanha ganha com os baixos preços do petróleo, porque importa 99% de tudo que consome.


Empresa canadense de helicópteros CHC reafirma interesse na área offshore do Brasil

Em extensa entrevista concedida ao site PetroNotícias, o gerente Geral de Operações da CHC Brasil,Ricardo Maltez, subsidiária da canadense CHC Global disse sobre a Petrobras:

"A Petrobrás, por exemplo, é uma das principais clientes a nível mundial. É uma conta-chave. É Um cliente muito estratégico. Aliás, mais do que nunca, ela é o nosso foco. É importante para nós deixarmos clara nossa parceria com os nossos clientes, e no Brasil não tem como não ser parceiro da Petrobrás, que usa cerca de 90% da frota brasileira voltada ao setor offshore. Dos 38 helicópteros que a gente opera no País, a maior parte é para atender à Petrobrás. Hoje também atendemos a Shell."

A CHC no Brasil é uma subsidiária da CHC Global, criada a partir da aquisição da BHS, então uma empresa familiar, na década de 2000. Hoje conta com pouco mais de 630 funcionários e representa entre 15% e 20% do grupo. A CHC tem em torno de 240 aeronaves, em 20 países no mundo e 38 em operação no Brasil.

A CHC Brasil possui quatro bases de operação no país: em Macaé, onde operam vários operadores; em Cabo Frio, que afirma ser a principal; Farol de São Tomé, que é da Petrobrás, mas só operada pela CHC; e uma quarta em Vitória, onde opera para a Shell. A de Cabo Frio é onde opera com maior intensidade fazendo voos mais longos, também atendendo algumas plataformas da reserva do pré-sal. Nesta base de Cabo Frio foi realizado um investimento de R$ 42 milhões e se transformou num hub da empresa, onde comporta mais de 10 aeronaves.

A empresa afirmou ainda que tinha plano de expansão com construção de outro hangar no aeroporto de Macaé, com investimento de US$ 5 milhões, mas resolveu adiar, depois de terraplanar a área, por conta da conjuntura global, para ver como vai trafegar em 2016 de como será a demanda das petroleiras.

Nesta fase a empresa diz estar prospectando outros clientes no Uruguai, Bacia da Guiana e a Margem Equatorial e México. Sobre a situação no Brasil, o CEO da CHC informa que pretende fazer um adequado dimensionamento, que "sirva também para quando o crescimento retomar. Estamos prontos para voltar a crescer quando for necessário".

Como se percebe, as empresas estão se ajustando, isto significa alguma redução de pessoal, segurando despesas e salários, mas sabem que o setor é cíclico e desta forma, também cuidam de planejar a retomada. 

Boa notícia, os juros e a lógica

Em meio aos problemas, uma boa notícia: "em seus dos 23 setores industriais a participação das exportações na produção já voltou ou superou ao nível de 10 anos atrás". A fonte é o jornal Valor (aqui).

Aliás no mesmo Valor, também há uma boa entrevista com um dos ganhadores do prêmio Nobel de Economia, talvez, um dos mais importantes até aqui, o Stiglitz, que defendeu que o Banco Central brasileiro abaixe os juros, imediatamente.

Neste quesito ele certamente está acompanhado por muitos. Um deles é o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco que também defendeu a redução dos juros. Pode parecer incrível um banqueiro com esta posição.

Porém, é simples de entender. Trabuco também afirmou ao jornal que a demanda por crédito em nossa economia "é quase inexistente".

Ou seja, melhor emprestar com juros menores e para mais gente, do que para poucos (ou ninguém) com a fixação de juros altos. Simples, não precisa entender de macroeconomia para concluir.

terça-feira, janeiro 19, 2016

Ainda sobre o preço do petróleo entre prejuízos, dumping e o efeito bumerangue

Segundo estimativas da consultoria Rystad da Noruega, cerca de 20 milhões de barris, produzidos por dia no mundo, estão registrando prejuízos por estarem acima dos seus custos de extração, mais royalties e custo dos investimentos (dívida).

Vale recordar que atualmente se produz em torno de 90 milhões de barris por dia em todo o mundo, nas diferentes condições e regiões.

Há efetivamente, um custo destas petroleiras que estão mantendo a produção apesar dos prejuízos. Porém, elas certamente, estão queimando gorduras da época áurea, no aguardo de um novo ciclo.

De outro lado, é possível intuir que as intenções de quem trabalha para manter nos baixos patamares o atual preço do barril, é o de derrubar as concorrências para ganhar adiante.

Os economistas chamam este fenômeno provocado de dumping. O setor financeiro e os fundos de investimentos conhecem bem este processo e sabem perfeitamente quem são os alvos. Assim tentam atingi-los, mas o processo nem sempre é assim tão controlável e muitas vezes age tal qual bumerangue. A conferir!