quinta-feira, janeiro 19, 2017

Como deslubrificar o mundo do petróleo?

Não creio que até o meio deste século, o petróleo deixe de ter a importância que foi obtendo desde as revoluções industriais e que possibilitou a ampliação da hegemonia do sistema capitalista. Ao analisar este processo há que se separar a diferença entre desejos e a análise do fenômeno real.

Em minha ampla pesquisa com tudo que se relaciona ao petróleo, o indicador que mais me impressionou foi a imensa relação entre o petróleo e a alimentação em todo o mundo. Veja ao lado o gráfico com as duas curvas de preço (ao longo de uma década) que são similares no período observado entre 2002 e 2012.

Isto se dá por vários motivos. O primeiro deles é que o petróleo através das demandas de adubos e pesticidas - insumos para a agricultura - mas, principalmente pela enorme demanda de combustível para o transporte de toda a cadeia produtiva até o consumidor final.

Mais da metade da alimentação do mundo está concentrada em três alimentos: trigo, milho e arroz. Num grau menor também da soja. Todas consideradas como commodities do agronegócio e da produção em massa, embora a maior parte (cerca de 70%) seja de alimentos produzidos no mundo por pequenos agricultores.

Entre diversas outras questões que o assunto remete, o rompimento com o sistema intercapitalista lubrificado pelo petróleo (ALTVATER, 2010) no mundo – numa espécie de deslubrificação – só se tornará paulatinamente real, com o ruptura desta dependência que hoje a agricultura tem do petróleo.

Hoje estima-se que para cada caloria colocada sobre nossos pratos, seriam necessários de 10 a 12 calorias de energia fóssil como insumo ou energia de transporte (Filme francês: Demain (Amanhã), 2015). Este dado é espantoso.

Não haverá saídas que não comece com o rompimento desta dependência, que envolve poderosos interesses em termos geopolíticos, de domínio e de hegemonias.

Difícil acreditar em rupturas velozes neste processo complexo e imbricado. Assim, as cordas seguem sendo esticadas em termos das enormes acumulações dos sistemas financeiros e da produção, controlada por acionistas instalados em algumas poucas nações.

terça-feira, janeiro 17, 2017

Agrava-se o quadro político-econômico no Brasil

O quadro político-econômico nacional é cada vez mais grave a despeito do esforço da mídia comercial em esconder os graves problemas e as várias reações. A tensão nas capitais e regiões metropolitanas é cada vez maior em diversos setores. O caso do Rio está beirando o descontrole. Está evidente que o uso da força e do estado de exceção vai ser ampliado, produzindo reações de outro lado. Jogaram o país no caos, com entreguismo e sem projeto de Nação.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Petrobras abre consulta para contratação de serviços integrados de logística

A estatal abriu para o período entre 29 de dezembro de 2016 e 18 de janeiro de 2017 uma Consulta ao Mercado (Request for Information - RFI) Oportunidade n° 70018009818 relativos à Transporte/Afretamento Aéreo - Transporte/Afretamento Marítimo - Transporte Terrestre/Rodoviário referentes à exploração e produção de hidrocarbonetos offshore na Bacia de Santos.

Pela primeira vez a Petrobras está lançando ao mercado a opção de contratar estes serviços que hoje são separados, de forma integrada. As cargas a serem movimentadas são aquelas inerentes ao processo de exploração e produção de petróleo offshore.

O processo está sendo administrado pela Gerência Setorial de Estratégia de Contratação e Gestão de Categoria Logística da Petrobras. As empresas interessadas deverão se manifestar por meio do documento de “Resposta à Consulta” até a próxima quarta-feira, 18/01/2017.

Interessante observar que enquanto a estatal se desintegra fatiando e vendendo vários dos seus ativos - que fazem parte de uma cadeia - a empresa passa a exigir do mercado uma articulação em termos de cadeia integrada de serviços.

Assim, a Petrobras admite publicamente, por vias transversas, as vantagens de um empresa atuar de forma integrada em diversas áreas da cadeia, que lhe permite tratar da gestão comercial de forma ampla e não setorial.

Isto tende a beneficiar os grandes grupos, com várias empresas de logística que possuem terminais portuários, retroáreas para armazenagem, embarcações marítimas e articulação para o transporte aéreo para as atividades offshore, embora a Petrobras informe que permite a associação entre empresas por meio de consórcio.

A Petrobras define ainda que o local de operação (armazenagem, base portuária e aeroportuária) deverá ser no estado do Rio de Janeiro, tendo em vista a localização geográfica dos blocos (Bacia Marítima de Santos).

É oportuno dizer que hoje boa parte do apoio logístico portuário é feito a partir de terminais na Baía da Guanabara. Já o transporte offshore de helicópteros é feito a partir do aeroporto de Jacarepaguá no Rio para unidades entre Rio e Santos e mais ao sul é usado o aeroporto paulista de Itanhaém.

A Petrobras diz ainda que a consulta RFI não se configura num processo de contratação. O prazo previsto de contato é de 5 anos e prevê conteúdo local mínimo entre 60% e 80%.

Esta consulta da Petrobras está sendo feita para serviços de apoio na Bacia de Santos, mas pode se ampliar. A consulta não veda a possibilidade de apresentação de propostas individuais para as diferentes atividades:
- Transporte/Afretamento Aéreo de pessoal, Afretamento Aéreo Contingencial (3 distâncias médias: bloco X: 175 e 260 km; bloco Y: 275 e 330 km e bloco Z: 220 e 320 km;
- Operações Aeroportuárias;
- Transporte/Afretamento Marítimo de cargas;
- Transporte Terrestre/Rodoviário de cargas;
- Armazenagem;
- Operações Portuárias;
 Apoio à integração dos serviços, programação, otimização, benchmarking.
O modelo das propostas pode ser parcialmente ou totalmente integrado, conforme imagem do processo de consulta abaixo:


















Abaixo o detalhamento da contratação do Tipo C: Serviços de Operação Logística e Portuária + Suporte à integração, programação e otimização.
























PS.: Atualizado às 10:56:
Abaixo as hipóteses em que os supridores dos serviços de logística podem participar de forma parcialmente integrada ou totalmente integrada:


sexta-feira, janeiro 13, 2017

Movimento e contratações no Porto do Açu

A empresa Gercon Construções está contratando profissionais para atuar na construção e montagem do Condomínio Logístico planejado pela Prumo Logística Global S.A. para o Porto do Açu. Inicialmente estão em processo de admissão especialmente para seis funções.

Projeto do condomínio  logístico
Em outubro do ano passado, a Prumo fechou acordo com a RB Capital e com a Euro Consult Engenharia para investir R$ 220 milhões na construção do condomínio. Pelas informações, a Gercon participa da construção através de convite da RB Capital.

O condomínio logístico ocupará uma área de 465.000 m² e terá pátios e galpões, que serão montados de forma modular  e para atender o locatário (built to suit). Eles serão oferecidos a empresas que pensam em se instalar junto ao porto e ao distrito industrial. Pelo projeto, o condomínio logístico contará com infraestrutura básica e serviços compartilhados como portaria, segurança, limpeza, etc. 

Projeto do condomínio  logístico
Na última quarta-feira, eu estive acompanhando  a movimentação no entorno do Porto do Açu. Ela é bem menor que a do período de construções, já que as atividades operacionais demandam menos trabalhadores que a implantação. 

A base de apoio portuária da empresa americana Edison Chouest já está em funcionamento, embora siga em construção, aparentemente, num ritmo mais rápido. Por esta base além da movimentação de cargas estão sendo feitos embarques e desembarques de trabalhadores. A cada 15 dias cerca de 300 trabalhadores que chegam em sete ônibus vindos do Farol e Campos embarcam e outros tantos desembarcam. 

As atividades de transbordo de óleo entre navios petroleiros junto ao terminal 1 segue sendo realizado, e segundo informações a empresa Oiltanking também estaria fazendo algumas contratações para ampliar esta movimentação. 

Através de algumas fontes com as quais mantenho contatos, obtive informações de que empresas hoje instaladas em Macaé que podem ter mais uma base no Açu, ou mesmo de transferir para junto ao porto para facilitar sua logística e reduzir custos.

Resta identificar os resultados destas atividades para o município, sob o ponto de vista da receita dos impostos e da relação com a comunidade regional. Os questionamentos são ainda mais fortes da população do 5º distrito, o Açu que se sente localizada no quintal do porto, tendo herdado vários problemas e impactos, sem compensações. O assunto merecerá adiante mais comentários do blog.
 
Imagem das empresas instaladas no Terminal 2 do Porto do Açu. Foto do blog em 11-01-2017

quinta-feira, janeiro 12, 2017

O ERJ virou a Grécia da vez

Desde o início, era possível interpretar os riscos de que com o golpe, o ERJ viraria uma Grécia. Não bastaria o petróleo. Com a crise e agora a ação do governo federal - que mais parece um banco que gestores - o ERJ passou a ter dono: os fundos financeiros que ainda ficam com a garantia do Tesouro Nacional. Melhor avalista impossível.

A “grecialização” pode ser vista pela redução dos salários exigida pelos bancos (ou pelo seu similar e representante o governo Temerário), pelo aumento da contribuição da previdência e pela exigência de ficar com a Cedae para ser vendida.

Vale lembrar que a Cedae como empresa pública é lucrativa (mais de R$ 1 bilhão nos últimos três anos), tem dívida muito pequena e um patrimônio de R$ 5,8 bi, tudo isto disto pelos “gênios do mercado”, como o leão de olho na presa fácil que se tornou o ERJ.

Cedae vendida para quem? Para os fundos financeiros, o mais cotado é o fundo canadense: Brookfield que daqui a pouco poderá ser considerado o dono do Rio tamanha a quantidade de ativos que abocanha pro aqui. Quem se movimenta por trás do Meireles o representante da “choldra” no governo Temerário?

Vale ainda recordar que os governos passados entregaram as dívidas (com a tal securitização) do Rio Previdência em troca de algumas moedas que entraram no jogo durante a expansão da economia e sumiram, lá pela altura de Bangu.

Ao contrário do que o senso comum pensa, o mercado ri de orelha a orelha – como canibais - quando um devedor cai, como o homem comum diante de seus agiotas que o espera nas esquinas.

O endividamento do Estado é o mais importante mecanismo de captura do poder (DOWBOR, 2016). Assim, os governos com apoio direto da mídia comercial e também do judiciário, cada vez mais prestam contas ao mercado e deixam os cidadãos, a quem em tese representam, a ver navios, enquanto seus bolsos são surrupiados.

Este é o caso do cidadão que bate de cara na porta do hospital fechado, ou da criança que volta para casa sem merenda na escola, do servidor sem dois meses de salário (e sem 13º), do jovem sem universidade para estudar e dos idosos, vistos como párias a consumir o dinheiro que poderiam ser dos juros do mercado protegido pelos Meireles, Temeres, Pezões, etc.

O caso do ERJ é emblemático ainda para se observar de forma límpida como um gestor, eleito pelo povo é comandado pelos bancos (donos dos dinheiros) a quem na essência representam. É por isso que as eleição são financiadas, os políticos capturados e o poder controlado.

Sim, a culpa é posta exclusivamente sobre os políticos que possuem responsabilidades, mas o sistema é cada vez mais cruel e claro em suas intenções: governar para os ricos controlando a turma do andar de baixo, como define o sistema na dimensão política, econômica, jurídica, etc.

Enquanto isto a mídia comercial te distrai, amplia problemas, inventa soluções – que coloca nas bocas dos “especialistas selecionados” (think thanks) e constrói consensos (CHOMSKY, 2008 - documentário) que interessa a quem lhes paga como qualquer atividade comercial.

Entender este processo é parte da solução que precisa se contrapor a esta construção mental que tenta fazer com que os cidadãos se sintam culpados, quando são vítimas dos “gênios do mercado”.

PS.: Atualizado à 15:18:
Os PIBs da Grécia e do ERJ são relativamente próximos. A Grécia tem um PIB de US$ 227 bilhões, enquanto o ERJ ele alcançava em 2014 (última apuração) US$ 176 bilhões (ou R$ 671 bilhões). 

O fato ajuda a demonstrar a importância que o sistema financeiro atribui à captura da economia do ERJ, um estado quase do porte de uma nação europeia. Além disso, trata-se da base da maior fronteira petrolífera descoberta na última década, o que facilita à compreensão dos objetivos da captura que pode ser tão ou mais interessante comparado à tradicional nação européia.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Rússia e China avançam em projetos de usina nuclear flutuante

A Rosatom, empresa russa de energia, está na fase final para lançamento dos reatores da primeira usina nuclear flutuante do mundo. Isto deverá acontecer no 1º semestre de 2017 e tem previsão de começar a produzir em 2019.

A usina nucelar está equipada com dois reatores de propulsão KLT-40 modificados, fornecendo até 70 MW de eletricidade ou 300 MW de calor. A planta, que teve seu projeto iniciado em 2007 e tem um custo de sua construção estimado em US$ 480 milhões.

Usina nuclear flutuante da Rússia
A usina nuclear flutuante será implantada na região russa de Chukotka, onde a planta ficará ancorada na costa do Ártico, no Extremo Oriente do país. A Baía da cidade de Pevek, Chukotka tem condições meteorológicas extremamente severas. No inverno, a temperatura cai para 60 graus negativos, obrigando as instalações de terra a suportarem o impacto do frio, do gelo e dos fortes ventos na região.

As usinas flutuantes são projetadas para serem seguras contra terremotos e tsunamis, bem como de ameaças de fusão, já que a zona ativa do reator está debaixo d’água, a temperaturas baixíssimas. A tripulação da planta é composta por 70 engenheiros.

A usina flutuante tem vida útil prevista de até 40 anos de serviço, com três ciclos de funcionamento de 12 anos. Após cada ciclo, o planejamento é que a unidade seja rebocada para o estaleiro para ser feita manutenção, reabastecimento e remoção de resíduos radioativos.

Além da Rússia, a China também está bem avançada na construção de sua primeira usina nuclear flutuante, que vai utilizar um reator modular "ACPR50S" desenvolvido no país. O projeto é da estatal chinesa General Nuclear Power.
Usina nuclear flutuante da China

O projeto do reator modular offshore adota um sistema de energia descentralizado e está sendo visto como boa solução para fornecer um fornecimento constante de energia em ilhas, em áreas costeiras e distantes.

A China informa que pretende usar a unidade nuclear para fornecer energia para a exploração de campos petrolíferos no Mar de Bohai, além do desenvolvimento de campos em águas profundas no Mar da China Meridional. A China avança com suas sondas e plataformas, em projetos de exploração de petróleo em águas profundas.

Interessante observar que os projetos de plataformas de petróleo têm sido uma das bases para o desenvolvimento de tecnologias de vários tipos de unidades flutuantes, onde se pode ter energia eólica no mar, terminais portuários e até bases de produções industriais.

Há vários fundos financeiros de olho em projetos que possam permitir que estas unidades funcionem em alto mar, distante das nações e de suas águas continentais que permitiriam - em tese - que as mesmas pudessem funcionar sem licenças e sem as determinações legais tributárias e trabalhistas destas nações, numa espécie de radicalização do processo de globalização, sem controle dos estados-nação. Seguimos acompanhando projetos que podem interferir na geopolítica da energia.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

A relação entre a política de preços dos derivados de petróleo e o desmonte da Petrobras

A antiga política de preços dos derivados do petróleo foi muito criticada pela mídia comercial e pela "turma do mercado". Ela buscava amortecer no tempo, os impactos das oscilações (variações menores) do preço do barril da gasolina no mercado internacional e do câmbio.

Bastaram seis meses da turma do mercado do Parente, para se perceber a diferença entre uma e outra política de preços dos derivados. O que vale para o exterior não vale para o Brasil.

A turma do mercado não entende isto, porque pretende apenas adequar nossa realidade às cadeias de valor global.

Assim, estas oscilações não amortecidas mexem nos preços e fazem com que os intermediários sejam os únicos a lucrar com a nova fórmula, na medida que o povo e quem está na ponta da cadeia não consegue acompanhar esta evolução.

Lembremos que quando o preço abaixou nas refinarias não chegou ao consumidor. E os vários aumentos que vieram a seguir logo-logo estavam nas bombas dos postos.

Estranho ainda porque o aumento do preço do barril de petróleo foi simultâneo à variação para baixo do dólar, moeda na qual o petróleo é cotado no mercado internacional.

Este último aumento da semana passada foi ainda mais cruel. Ele foi feito apenas para o diesel que atinge a todos porque mexe nos preços dos fretes de tudo que é consumido.

Assim, tende a atingir proporcionalmente os mais pobres, onde as alíquotas dos impostos proporcionalmente, são mais significativos sobre a renda total.

Tirando um detalhe aqui, outro ali, a política anterior de ajustes de preços dos derivados, em função do preço do barril de petróleo e do dólar atendia melhor aos acionistas e ao povo, em última instância, o dono (maior acionista) o povo brasileiro.

O consumo de diesel no Brasil equivale a mais da metade de todo o consumo de derivados de petróleo no Brasil. É maior do que a gasolina.

Desta forma, se assiste à virada na gestão da empresa, com o foco passando a ser exclusivo no curto prazo atendendo apenas os investidores da petrolífera.

O caso é apenas mais uma demonstração das consequências que a desintegração da Petrobras com a venda em liquidação dos seus ativos estratégicos produz sobre toda a população brasileira. Há quem goste e lucre com isso, mas não somos nós.

domingo, janeiro 08, 2017

A naturalização da invasão de privacidade com o uso dos celulares

O Google de forma ainda paulatina vai invadindo através dos nossos smarphones em nossas vidas. As pessoas acham engraçado quando o Google pergunta se uma foto, que você fez exclusivamente para você, e não postou em nenhuma rede social, se você quer postar uma imagem daquele local que ele já identifica na pergunta.

As pessoas acham ainda mais incrível que o Google ou o Facebook indagam se você estaria a responder a algumas perguntas sobre a padaria ou restaurante que você acabou de sair.

Interessante que as pessoas fiquem perplexas e impressionadas com a tecnologia. Elas não se dão conta que sua privacidade com o bigdata destes negócios foi para o espaço.

Muitos de nós não percebemos que as informações fornecidas servem para elas ganharem dinheiro, não mais e apenas com propaganda direta e direcionada, mas com oferta a estes comerciantes de uma pesquisa de mercado.

O bigdata e seus reflexos causam pavor. Em setembro de 2014 eu escrevi aqui no blog uma matéria sobre uma exposição sobre este processo chamada “Bigbangdata” que eu tinha visitado no período que estive em Barcelona, no Museu de Arte Contemporânea.

Dei o título ao texto de Datacentrismo & dataficação geram uma "big preocupação"! Se desejar leia aqui o texto.

Confesso que hoje a preocupação é ainda maior do que na ocasião. Pois embora, ela já mostrasse coisas reais, outras pareciam futuristas e ainda distantes. Hoje, não mais. Na ocasião se afirmava – e hoje pode ser comprovado – que o uso do celular era a chave para a massificação dos dados que ele cresceria cerca de 60% em quatro anos

Porém, me espanta mais que estejamos banalizando ou naturalizando a invasão de privacidade que serve hoje não apenas para fins comerciais, mas certamente, também para fins políticos e de controle social.

Enquanto isto, contraditoriamente, está cada vez mais difícil entabular uma conversa oral pelo telefone móvel, já que as ligações caem, são interrompidas com frequência cada vez maior, apesar dos altos preços que pagamos pelos planos das telefônicas, que no Brasil ainda são subsidiadas.

sábado, janeiro 07, 2017

China monta estratégia para ampliar produção offshore de petróleo – mais sobre geopolítica da energia

Em 2015, a China produzia 4,3 milhões de barris por dia, sendo a 5º maior produção mundial. Em termos de consumo, a China neste mesmo ano era a segunda maior do mundo com 11,9 milhões de barris por dia em 2015. Assim, em 2015, os chineses importavam este déficit de petróleo, em torno de 7,6 milhões de barris por dia, um volume que é quase o dobro de sua produção.

Por conta disso, a China fechou 2016 com uma importação média 18% acima da verificada em 2015, atingindo um volume de 7,87 milhões de barris por dia, 270 mil barris a mais que em 2015.

Este volume de importação equivale a aproximadamente 2,5 vezes maior que toda a produção brasileira. Hoje, a maior fatia de importação de óleo feita pela China vem do Oriente Médio com 1,15 milhão de barris por dia. Entre 2015 e 2016, o Brasil exportou 79% a mais de petróleo para a China.

Neste contexto, nesta última semana, a China, que possui três grande petroleiras - entre outras menores -, tomou a decisão de facilitar a entrada de equipamentos essenciais para a perfuração e produção de petróleo e gás offshore, com isenções fiscais para a importação desses produtos, considerando que o mar ao sul da China possui reservas já identificadas e potencial para investir em novas e amplas explorações.

Segundo o Ministério das Finanças da China, os fabricantes locais ainda não possuem expertise para produzir equipamentos como: sondas (perfuração) semi-submersíveis e robôs usados em águas profundas (mais de 500 metros). As isenções para as tarifas de importação e para o imposto sobre o valor acrescentado vão se estender até o final de 2020. 

Como se vê, os chineses definem um limite até adquirir o know-how, enquanto aqui no Brasil, as corporações globais de engenharia de petróleo querem as mesmas isenções de forma indefinida e lutam com o apoio dos liberais contra as exigências de conteúdo local.

Observando a movimentação da China no setor é possível identificar que há um avanço na estratégia de aumentar a produção de petróleo internamente. 

De forma simultânea, os chineses investem pesado no controle de geração e transmissão de energia e outros projetos de infraestrutura do setor de energia mundo afora. Há aí uma evidente estratégia em se garantir energeticamente, em meio a este mundo confuso. Seguimos acompanhando.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Em 2017 Macaé tem maior orçamento que Campos: R$ 1,9 bi x R$ 1,5 bi. Ainda assim é muito dinheiro que necessita chegar àqueles de menor renda

Macaé com um orçamento de R$ 1,9 bilhão para o ano de 2017, supera o de Campos com R$ 1,5 bilhão, em 26%. Em termos de projeção pela Lei de Orçamentária Anual (LOA) é a segunda vez que isto ocorre. Porém, em termos de execução  orçamentária real no ano de 2017 poderá ser a primeira vez na história que o município de Macaé superará o de Campos.

Macaé tem uma população de 234 mil habitantes contra 483 mil moradores em Campos, um pouco mais do dobro. Tem uma extensão territorial de 1,2 mil Km², contra 4 mil km² de Campos. Ou seja Campos tem uma extensão três vezes e meia maior que Macaé.

Estes dois indicadores afetam fortemente as demandas dos principais setores de um município. Quanto mais população, mais recursos demandados para a saúde e para a educação e quanto mais área territorial, mais demandas por recursos de infraestrutura para atender à população.

Mesmo com a fase de colapso do ciclo do petróleo, Macaé vive um economia baseada neste setor produtivo. Este fato faz com que as duas principais receitas de Macaé sejam primeiro do ISS (Imposto sobre Serviços) e depois o repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Este é um tributo estadual que no caso de Macaé é forte na indústria do petróleo e retorna em parte como repasses estaduais obrigatórios.

Ao contrário disto, Campos dos Goytacazes vive na petro-dependência da economia dos royalties. Isto faz com que as receitas dos royalties que é a terceira em Macaé, continue, mesmo com a crise, a ser a maior receita do município de Campos.

Em 2009 e 2010, o orçamentos de Campos projetados pela LOA foram respectivamente de R$ 1,4 bilhões e R$ 1,5 bilhões, onde se deve considerar a inflação do período.

Sobre a evolução da receita do município de Campos dos Goytacazes, desde 1994 veja aqui nota deste blog, em 18 de março de 2013. A despeito das reduções de receitas há que se registrar que ainda assim, os orçamentos, na média tanto em Macaé quanto em Campos continuam muito expressivos.

Assim, há que se cuidar da gestão para que estes recursos atendam, efetivamente, a quem mais precisa deles que é a população mais pobre e de baixa renda.

Não apenas nos dois municípios, mas há que se ter cuidado para que as elites e a classe média (especialmente na fração mais alta) não controlem e se apropriem destes recursos públicos que precisam ser melhor empregados a favor da maioria da população.

Tende a ser falso o discurso que nega direitos sob a argumentação de se tratar de assistencialismo. Estes discursos tendem a servir aos propósitos da cooptação do erário publico pelas elites.

Não acredito em gestões tecnocráticas, que quase sempre servem aos propósitos de apropriação dos recursos públicos para aqueles de maior renda.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

“Vamos ficar só com o royalty sem benefício para população. Seremos uma Nigéria. Esse petróleo não queremos, preferimos que fique no fundo do mar”

A indústria nacional e suas associações se mantiveram silentes durante longo tempo, junto com as federações que têm na presidência ex-empresários, hoje rentistas, como a Fiesp e Firjan.

Assim, submergiram junto com a Lava Jato e ajudaram nas artimanhas políticas que culminaram com o golpe. Só agora começaram a reagir ao processo montado pelo governo Temerário de entrega do país e sem um projeto nacional. É neste contexto que vale conhecer a fala do presidente da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), José Veloso Cardoso, publicado em matéria nesta segunda-feira, (2 jan.) no Valor:

"Quando se fala de concessões públicas e das rodadas de leilão do setor de petróleo e gás é necessário haver contrapartidas para a geração de renda e emprego no país. A abertura para a exploração de petroleiras estrangeiras nos próximos leilões, certamente vai atrair mais interessados. Isso pode transformar o Brasil num país da Opep, mas vamos ficar só com o royalty e não gerar benefício diretamente para a população. Seremos como Nigéria ou Venezuela. Sem criar uma cadeia de valor agregado, não promovemos riqueza. Esse petróleo não queremos, preferimos que ele fique no fundo do mar”.

A Noruega avançou no desenvolvimento da indústria do petróleo com apoio e planejamento de medidas de conteúdo nacional/local. Aqui no Brasil até a estatal norueguesa Statoil defende que se suspenda estas medidas para atuar livremente em busca de lucros e sem se importar com o país. 

Conteúdo local/nacional é um dos itens de soberania. Eles podem ser readequados, reajustados, ou aperfeiçoados mas nunca suprimidos. Se o Brasil não se dá o respeito e nem se interessa por um projeto de nação, quem haverá de fazer?

Recessão na economia leva Brasil a exportar mais que importar petróleo pela 1ª vez na história

As exportações de petróleo ao exterior (mesmo tendo caído 18,7% em relação a 2015) somaram o valor de US$ 13,478 bilhões e superaram as importações (que caíram 41,5%) com a quantia de US$ 13,068 bilhões pela primeira vez no Brasil.

Assim, o setor de óleo & gás registrou um superávit de US$ 410 milhões em 2016, no ano passado, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Diante do volume maior de exportação que importação de petróleo e gás pelo país, se pode concluir que pela recessão e redução do consumo voltamos a ser auto-suficientes, exportando os excedentes em maior quantidade que a demanda.

Assim, diante da forte recessão que parece não retroagirá tão cedo com os cortes do governo e com os preços ainda (relativamente) baixos do barril de petróleo, o volume da produção nacional mereceria ser reavaliada.

É ainda oportuno ainda avaliar que tudo isto só ocorre porque agora os interesses que estão definindo as estratégias do setor nada mais tem a ver com o projeto de nação. As petroleiras e operadoras é que hoje definem este rumo.

Assim, com a redução da das atividades da Petrobras com a venda de ativos e desintegração da holding, cresce a tendência dela ser cada vez mais apenas uma petroleira, sem capacidade de usar o fato de atuar em diferentes pontos da cadeia.

Repito, não há projeto de nação e sim o enquadramento da política pelo mercado que se revela a cada fato macroeconômico que se analisa. Sigamos acompanhando.

terça-feira, janeiro 03, 2017

George Soros agradece!

O americano George Soros - maior especulador do mercado financeiro mundial - está rindo de orelha a orelha para cima dos "midiotas" guiados pela mídia comercial brasileira.

Diante do massacre que a Petrobras vivia no plano interno com a Lava Jato, somado à fase de colapso de preços do barril de petróleo, as ações da estatal foram ao chão. A mídia vibrava. Os "midiotas" locais vendiam a preço de banana as ações da Petrobras.

Na outra ponta das tramas financeiras do golpe político que se abateu sobre o Brasil, o megaespeculador George Soros ria e comprava as ações da petroleira brasileira.

Consumado o golpe - e colocado na diretoria da empresa um destes empregados do sistema - as ações da Petrobras na virada de 2016 para 2017, fechado os números nos últimos dias, liderava, disparada, a lista das empresas que mais ganharam valor em 2017.

A Petrobras saiu de um valor de R$ 101 bilhões no final de 2015, para a bagatela de R$ 209 bilhões no final de 2016. Um aumento recorde, em toda a história da Bolsa de Valores no Brasil com 106% de aumento de valor num único ano.

Sim, vai ter quem negue o script traçado na trama midiático-jurídico-parlamentar e realizado ao longo do ano. Porém, os fatos são reais.

Os brasileiros, pequenos investidores, que acreditaram na mídia comercial bateram panelas e venderam suas ações. George Soros e outros espertalhões do mercado compraram e continuam faturando.

Agora ganhando sobre as ações das petroleiras estrangeiras que estão recebendo quase de graça as partes do pré-sal e de outros "ativos" esquartejados da Petrobras.

segunda-feira, janeiro 02, 2017

Os investimentos anticíclicos na indústria do petróleo

Na semana passada o blog comentou aqui que a Petrobras segue movimento contrário da direção anticíclica que outras petroleiras já decidiram. Os custos menores de produção e maiores do barril apontam para a nova fase do ciclo petro-econômico.

Além dos casos da Shell, Statoil e Total com investimentos no pré-sal brasileiro outras petroleiras se preparam para o período pós 2020.

O jornal de negócio londrino, Financial Times trouxe na quarta-feira, análises da consultoria corporativa do setor petróleo, Wood Mackenzie que disse abertamente que “os campos brasileiros comprado pela Total, estão entre os ativos offshore economicamente mais atraentes do setor”. Disse mais: “a exploração em águas profundas no Brasil oferece acesso a recursos de longa vida e baixos custos e vai ajudar a mudar a carteira da Total para a ponta mais baixa de custos”.

Só o “gênio do mercado” Parente e sua trupe não sabia disso e sai entregando sem licitação as joias da coroa, em crime de lesa pátria, muito pior que toda a Lava Jato junto e triplicada. No mundo, os investimentos anticíclicos do setor vão além destas três que morderam a moleza entrega pelo parente.

A inglesa BP comprou os negócios da australiana Woolworths que envolvem recursos de US$ 1,29 bilhões que adicionará pontos de distribuição e venda de derivados de petróleo. Além disso, adquiriu por US$ 2,2 bilhões a participação em campos de petróleo em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes e mais US$ 1 bi em campo de gás natural na Mauritânia e Senegal, na África.

sexta-feira, dezembro 30, 2016

O império que admite seu fracasso assume o seu fim

Engraçado esta história do ataque cibernético russo. (Veja aqui matéria no site do El País)

Até aqui parecia uma brincadeira, mas agora acaba de ser assumido pelo governo americano.

Estranho que nenhuma das autoridades em geopolítica e segurança do estado, não tenha percebido que, ao alvejar Trump, o governo americano esteja assumindo, a sua fragilidade ao ser atingido por aquilo que o Snowden denunciou sobre a NSA. 

Para a história ficar ainda mais interessante só faltará que Obama culpe o Edward Snowden, que está asilado na Rússia, por coordenar os ataques russos. 

NSA ... nos olhos de outros é refresco, rs.

O império está ruindo e por isso faz barulho.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Entre os “rompimentos” e as “adaptações” contratuais: o Estado como base do capitalismo

Interessante observar que quando é o governo que pretende mudar e adequar alguns contratos com empresas privadas e concessionárias, as mesmas reclamam, acusam o governo e vaticinam pela mídia comercial e partidária, que isto seria “rompimento de contratos” que gerariam instabilidades, etc. e tal. Porém quando são as empresas contratadas que querem fazer as mudanças, apoiadas pelos seus aliados políticos, a mídia comercial trata o caso como sendo de “adaptação contratual”.

O caso atual de concessão dos contratos dos terminais portuários no Brasil (entre vários outros) é exemplo interessante para se entender a situação, quando a mídia comercial e partidarizadas diz que “isto já é recorrente em diversos outros segmentos do Brasil, como o elétrico e as telecomunicações, ferrovias, rodovias e aeroportos também contam com a extensão de prazo para fins de reequilíbrio”.

Empresários e seus funcionários na mídia empresarial citam ainda os casos internacionais para justificar aquilo que pretendem, como se o esquema lá fora não fosse, como sempre, o paradigma para a colônia. Por aqui, outro destes vários casos é a generosidade do governo com os R$ 100 bilhões para as operadoras de telefonia.

De “quebra”, ainda vão colocar por terra as cláusulas dos contratos entre a Anatel e a operadoras, suspendendo as milhares de multas que somam outros R$ 20 bilhões, pelo mau atendimento, a mim e a você, que ficamos pendurados, em teleatendimentos e nos demos ao trabalho (jogado fora) de registrar as queixas, mostrando que a regulação é uma balela, quando o Estado está a serviço dos interesses das corporações.

E ainda há quem não queira entender a afirmação do grande historiador francês, Fernand Braudel, quando este afirmava que nunca haveria capitalismo sem um estado forte. E eu complemento um Estado (poder político): capturado e controlado cada vez mais pelo poder econômico, representado pelo sistema financeiro e pelas grandes corporações globais.

segunda-feira, dezembro 26, 2016

Petrobras nas mãos dos “gênios do mercado” faz entrega do nosso petróleo e vai na contramão das maiores petroleiras do mundo. Agora foi a vez do presidente da petroleira francesa Total afirmar: “O pré-sal não existiria se não fosse a audácia da Petrobras"

Enquanto a mídia comercial critica a atuação da empresa, questionando e fazendo pouco caso da descoberta do pré-sal pela Petrobras, as maiores petroleiras do mundo vão, uma a uma, fazendo suas compras no leilão do Parente/Temer.

Desta forma reconhecem a importância da atuação da estatal petrolífera brasileira, em que pese os problemas que devem ser enfrentados, assim como os desvios contidos e repostos e os bandidos responsáveis presos.

O reconhecimento sobre a expertise da Petrobras veio agora do presidente da petroleira Total no Brasil e está publicado hoje no jornal Valor. Maxime Rabilloud, diretor geral da Total E & P do Brasil afirmou:

“Queremos crescer no Brasil. É uma decisão estratégica no sentido literal. Estratégia no sentido de que vamos deixar de investir em outros lugares do mundo para investir no Brasil"

A petroleira francesa Total que está no Brasil desde a década de 70, tem atualmente 2.500 trabalhadores no país onde atua em diferentes pontos da cadeia produtiva, desde a exploração de petróleo até a fabricação de lubrificantes e produtos químicos.

Porém, este elogio e interesse manifestado pelos mais altos dirigentes da petroleira Total não pode ser interpretado de forma descontextualizada do roteiro montado para fatiar e entregar as partes da Petrobras. 

O objetivo traçado que envolveu ações externas e o golpecheament visou desintegrar e desverticalizar a Petrobras como uma das maiores petroleiras do mundo e responsável pela maior fronteira petrolífera descoberta na última década no mundo.

Assim, buscando outras postagens do blog é possível confirmar o interesse de outras corporações petrolíferas sobre as partes fatiadas da Petrobras. 

Porém, é mais forte identificar as falas de outros dois presidentes mundiais de petroleiras que conseguiram “acessar” à nossa maior província petrolífera que o Pré-sal tão desdenhado pelos tucanos-entreguistas.

No dia 16 de fevereiro de 2016, o blog comentou a informação que circulou na mídia econômica naqueles dias do CEO global da Shell,. A postagem com o título “Os significados da fala do presidente mundial da Shell sobre o potencial de petróleo no Brasil” pode ser lida aqui.

Nela, o presidente da Shell no mundo, Van Beurden disse: 
"O Brasil será um país-chave na nossa estratégia", afirmou. "Está seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a produção em águas profundas, é o maior."

Em outra postagem, em 30 de julho de 2016, destacamos a fala do presidente da petrolífera estatal, norueguesa, Statoil, no Brasil, Pál Eitrheim, em matéria em O Globo de 30/07, logo depois da empresa conseguir comprar os direitos de explorar um dos campos petrolíferos do Pré-sal:

"Carcará é a maior descoberta de reservas de petróleo feita nos últimos anos no mundo. O Brasil é o país mais importante para os investimentos da Statoil fora da Noruega".

Esta nota do blog pode ser acessada na íntegra aqui

Assim, os mais altos dirigentes destas petroleiras confirmaram a alegria de acessar as reservas do Pré-sal que a Petrobras, liderada pelo grande geólogo Guilherme Estrella, descobriu com sua competência e seus recursos e agora entrega a preço vil.

Os três presidentes (da Shell, Statoil e Total) afirmam categoricamente que vão disponibilizar e paralisar outros projetos pelo mundo, para se concentrar no pré-sal brasileiro e desta forma, estar junto da Petrobras. Ou seja, estas três grandes petroleiras, "coincidentemente", escolheram o Pré-sal brasileiro para crescerem.

Empresa que foi tanto desvalorizada por aqui, no processo já conhecido pelo ditado brasileiro que “quem desdenha que vender”, que no caso pode ser adaptado para quem desdenha quer entregar.

Assim, a Petrobras nas mãos dos “gênios do mercado” vai na contramão das maiores petroleiras do mundo. A nação está atordoada ainda vai reagir. Estes crimes que estão cometendo – travestido de uma legalidade fajuta - são imensamente maiores do que os prejuízos causados pelos bandidos da chamada Lava Jato.

O pré-sal foi descoberto pela Petrobras e os seus resultados têm que estar à serviço do povo brasileiro. Desta forma, este crime de lesa-pátria será em algum momento enfrentado.

Em meio às superficialidades e fragmentação das notícias no anarquismo da internet, a interpretação desta realidade tende a passar despercebida, mas não por todos. Assim, seguimos em frente acompanhando e denunciando.

PS.: Atualizado às 13:48: Para pequenos acréscimos e ajustes.

sexta-feira, dezembro 23, 2016

China importa 18% a mais de petróleo em 2016, quando o Brasil aumentou exportação em 80%

A China está fechando 2016 com uma importação média 18% acima da verificada em 2015, atingindo um volume de 7,87 milhões de barris por dia. Um volume 2,5 vezes e meia maior que toda a produção brasileira.

Os EUA é o maior consumidor de petróleo do mundo, mas é a China a maior importadora.

A maior fatia de importação de óleo feita pela China vem do Oriente Médio com 1,15 milhão de barris por dia, quantia quase igual a que compra da Rússia de 1,12 mibpd. O volume exportado pelo Brasil para a China cresceu 79% neste ano.

Interessante este aumento de 18% de importação de petróleo feita pela China em 2016, em relação a 2015, o que sinaliza que a paralisia econômic ano mundo por lá é um pouco menor. Além disso, pode se que a China tenha feito opção por comprar mais e produzir menos internamente, aproveitando que foi um ano de baixos preços do barril de petróleo no mundo.

Estrategicamente, outras leituras são possíveis já que a energia é crucial no dia a dia, mas ainda mais necessária num quadro de conflitos mundiais.

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Minério de ferro: o que vale a Vale?

O preço de mercado do minério de ferro anda na faixa dos US$ 80 por tonelada. A maior mineradora de minério de ferro do mundo, a Vale extrai/produz com um custo médio em torno de U$ 11 a tonelada.

Com o projeto SD11D da Vale em Carajás no Pará, o custo do minério de ferro entregue no terminal portuário da Vale em São Luis do Maranhão, sai a apenas US$ 7,7 dólares por tonelada.

Com este novo projeto que é resultado de um investimento de cerca de US$ 22 bilhões (na mina, unidade de beneficiamento, ferrovia para escoamento e terminal portuário) a empresa terá lucro de cerca de 700%.
Mapa das operacionais do SD11D da Vale em Carajás, PA.

Diante desta realidade há que se lamentar que a empresa, privatizada no governo FHC faça pouco pelas comunidades onde possui instalações e menos ainda pela catástrofe da Samarco, do qual é sócia.

Assim, o Brasil, segue sendo um país que exporta seus bens (e não recursos) minerais com pouco retorno e muitos impactos sócio-ambientais e conflitos territoriais. É mais um projeto que depende das bases portuárias para se viabilizar.

Com este novo projeto o custo médio de produção da Vale, as demais mineradoras terão dificuldades para concorrer.

Um deste casos é o da Anglo American que extrai no interior de MG e exporta pelo Porto do Açu, o minério de ferro na faixa dos US$ 30 e para entrega na China, o valor chega na faixa dos US$ 40.

Ou seja, o custo de produção de minério de ferro da Anglo American, em torno de US$ 30, estaria quase o triplo do que a Vale consegue apurar na média, ou mais de 4 vezes do que o obtido com o projeto SD11D.

PS.: Engraçado que o governo Temerário nos últimos dias tem tentado se pendurar neste projeto como se tivesse feito algo para a sua viabilização. Os estudos de engenharia do projeto capacidade de produção de 90 milhões de toneladas/ano foram iniciados em 2005, enquanto a licença de instalação foi emitida em julho de 2013, entrando em operação agora no final de 2016.

Vista aérea da mina do complexo do projeto SD11D da Vale em Carajás, PA.

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Suspensão da "tributação especial" (isenção) do ERJ sobre importação de equipamentos usados em exploração de petróleo evitará isenções de R$ 4 bi

A farra das isenções e descontos de impostos estaduais contribuíram fortemente para a atual crise fiscal do ERJ. Junto, somou-se os "negócios" com o Rio Previdência. O TCE-RJ identificou o volume de R$ 138 bilhões em descontos de impostos para todo o tipo de empreendimento apenas nos últimos anos.

O caso do setor de petróleo é um deles. À época da concessão em 2008, o setor vivia uma fase de expansão que se seguiu até 2014. Assim, nada justificava tamanha generosidade. As reservas de petróleo estão em grande parte em nosso litoral, o que já confere à localização vantagens comparativas aqui no ERJ, sob a legislação tributária geral.

Além disso, as exigências de um percentual de conteúdo local que a ANP fazia nos contratos de concessão, estabelecendo um percentual mínimo de valor agregado no país, para cada tipo de equipamento ou sistema, ampliava a necessidade destas empresas se instalarem no Brasil e no ERJ.

Desta forma, só a irresponsabilidade e cooptação do poder político pelo econômico pode explicar tal decisão. Pior, os descontos de impostos, deveriam, no mínimo, prever que em situações de redução de receitas da gestão estadual tais concessões fossem suspensas. Porém, nada disso foi feito na ocasião em que se vivia no ERJ, a "economia da abundância", sem se preocupar com os riscos da "maldição mineral".

Pois bem, só agora premida pela situação de colapso e caos, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aprovou, na semana passada, o fim do decreto especial de tributação do ICMS sobre importação e exportação de equipamentos destinados à exploração de petróleo e gás no ERJ.

Segundo estudos da Fazenda estadual, este benefício retirou em 2016, mesmo no período de crise de investimentos no setor de petróleo, cerca de R$ 4 bilhões dos cofres do estado. Este volume de recursos contribuiria para reduzir o déficit que atrasa os salários dos servidores e está interrompendo e reduzindo o atendimento à população, nas áreas fins da gestão estadual como: saúde e educação.

Na estimativa para 2017 é que esta mudança represente  uma arrecadação entre R$ 4,3 bilhões e R$ 4,5 bilhões para os cofres do ERJ. O projeto do decreto legislativo suspendeu os efeitos do decreto do ex-governador Sérgio Cabral que regulamentou a redução das bases de cálculo do ICMS no âmbito do chamado Repetro, que é um regime aduaneiro especial que também envolve impostos federais, além do ICMS no ERJ.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) - que de nacional só tem o nome - reagiu à decisão da Alerj, sem se importar com o ERJ e sua população, ao defender as petroleiras, especialmente as estrangeiras que atuam mais fortemente no ERJ: Shell, Chevron, Repsol Sinopec, Petrogal e Statoil.

É importante que os servidores estaduais acompanhem de perto estas mudanças que garantem as receitas do estado e não fiquem apenas resistindo às seguidas mudanças de cortes de direitos e salários. Sem receita, os cortes aumentarão e o petróleo é uma atividade economicamente forte, bem para além do que representam em termos de acréscimo de orçamento com o pagamento dos royalties.

A economia do petróleo, que envolve a indústria toda a cadeia do setor, da exploração, produção, circulação, processamento, beneficiamento até à distribuição de óleo e gás e derivados são hoje muito importantes para a gestão do estado. A receita de hoje é que pode garantir a transição para um outro modelo.

Assim, é importante que cada etapa desta imensa cadeia seja fiscalizada, para além dos controles da arrecadação do estado, que são atribuições da Secretaria Estadual de Fazenda, Alerj e TCE-RJ.

Exigir transparência sobre este processo e se organizar para acompanhar as complexas questões da legislação tributária, as rubricas, etc. é tarefa para ontem e que devem interessar a todos os fluminenses e não apenas aos servidores do estado.

domingo, dezembro 18, 2016

Os significados de mais um empréstimo da China à Petrobras

Mesmo com as mudanças de orientação de governo, após o golpe com o afastamento da presidenta Dilma Roussef, novo acordo de investimento chinês, em troca de petróleo, foi anunciado nesta última sexta-feira (16/12/2016).

A Petrobras fechou contrato de US$ 5 bilhões com o banco China Development Bank (CDB). O acordo vinha sendo costurado desde 2015. Como o anterior de US$ 10 bilhões feito em 2009 também com chineses, o contrato define que durante 10 anos, a Petrobras em troca, vai fornecer 100 mil barris por dia, às petrolíferas chinesas: China National United Oil Corporation, China Zhenhua Oil e ChemChina Petrochemical, a preço de mercado, em troca deste empréstimo.

Os EUA e suas grandes corporações ajudaram no golpe e agora disputam os ativos fatiados que a nova diretoria da Petrobras está entregando no mercado.

Enquanto isto, os bancos chineses propõem acordos que respeitam a estatal, aceitando o pagamento em produto, ao longo de até 10 anos. Negócios são negócios, mas há diferenças evidentes entre uma e outra relação.

Ao contrário do que foi veiculado na mídia comercial, a nova diretoria da estatal não tem nenhum mérito em mais este acordo fechado, que demonstra que a solidez e o respeito pela empresa já existia.

sábado, dezembro 17, 2016

Campos ganhará mais de R$ 200 milhões por ano com decisão do STF por mudança de cálculo dos royalties

A decisão do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalizou na quinta-feira que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) aplique nova fórmula de cálculo do preço mínimo do petróleo, pode aumentar a receita no orçamento de Campos dos Goytacazes, em cerca de R$ 200 milhões por ano.

O ministro Fux foi responsável pela medição na audiência de conciliação entre o governo do Rio, a ANP, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e o Ministério de Minas e Energia.

A medida pode render mais R$ 1 bilhão ao governo estadual. Segundo, a decisão, a ANP tem o prazo para publicar até 1º de março de 2017, a resolução com a fixação dos novos valores.

Este valor não é fixo porque depende da produção dos poços da Bacia de Campos que estão em declínio, ao contrário da produção no pré-sal da Bacia de Santos.
De toda sorte é um enorme reforço de caixa que o novo governo terá com aproximadamente, mais 15% do orçamento total, previsto para o ano que vem no município de Campos dos Goytacazes. 

Este valor pode até ser um pouco maior, conforme o preço médio do barril de petróleo no mercado internacional. Há um mês o barril estava entre US$ 45 e US$ 46. Ontem, o barril do tipo brent estava cotado a US$ 55, com um aumento de cerca de 20%. A variação do dólar também poderá produzir aumento da receita do município com os royalties do petróleo.

sexta-feira, dezembro 16, 2016

Gasoduto Rota 2 traz para Macaé 70% do gás da Bacia de Santos e atinge 2 bilhões de m³ exportado, apenas 9 meses após início da operação

O gasoduto Rota 2  traz da Bacia de Santos para Macaé 70% do gás lá produzida. Assim, este ramal de gasoduto está recebendo 2 bilhões de m³ de gás natural, apenas 9 meses após o início de sua operação, volume alcançado no mês passado.

O Rota 2 tem 401 km de extensão e interliga os sistemas de produção do pré-sal da Bacia de Santos ao Terminal de Tratamento de Gás de Cabiúnas, em Macaé (RJ), maior polo de processamento de gás natural do país. Abaixo o blog reproduz a localização e interligação do Rota 2.

O Rota 2 recebe em média 12 milhões de m³ de gás natural por dia sendo responsável por 70% do gás escoado naquela província. O Rota 2 tem capacidade de 16 milhões de m³/dia. A UTGCAB (Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas) em Macaé está instalada numa área total de 3.288 m².



quinta-feira, dezembro 15, 2016

O neoliberalismo é pai da guinada à direita do presente, mas outro mundo é possível!

A guinada à direita no mundo que namora o fascismo, é filha – não bastarda - do neoliberalismo, antes de ser uma incompetência das forças de esquerda. O que vemos no presente é resultado dos princípios e das práticas do neoliberalismo tatcheriano e reganriano.  

A hegemonia capitalista e neoliberal tem seguido o seu movimento de captura do Estado, tornando-o mínimo no controle, e máximo nas desregulações que ampliam as aberturas para o sistema financeiro.

Tudo operado dentro de lógica e dos termos da frágil democracia representativa, apenas do voto comprado, pelos donos dos dinheiros.

As esquerdas seguem divididas entre as que querem reformar tudo, ou nada feito. A outra parte, que frequentemente se alia aos liberais-sociais (se é que isto existe) vive na expectativa em evitar o mal maior, que seria a "endireitização" feroz e esganiçada sobre o pouco que resta do estado de bem-estar.

As pressões continuam para ampliar o estado mínimo, a supressão crescente dos direitos sociais, os mercados desregulados e com a fluidez dos fluxos materiais e de capitais em busca de ganhos cada vez maiores.

O capitalismo com a apropriação dos excedentes da economia para obtenção de lucros e acumulações, cada vez para menos, vem chegando a patamares inimagináveis. 

Assim, o sistema pode estar, pelos caminhos transversos, levando ao seu aniquilamento, pelo menos, na forma que hoje se conhece. Com a máxima das várias contradições desse sistema, o esgarçamento da exploração capitalista, paradoxalmente, poderá nos devolver a utopia.

Mesmo que a aparente anomia dos tempos presentes, a materialidade e as nebulosidades do sistema em que se vivemos tenda a nos levar ao pessimismo, eu compreendo que, paradoxalmente, as pontas contrárias podem vir a se encontrar. Em meio a muitas lutas e gigantescos esforços dos povos que poderá modificar a realidade cotidiana de nossas vidas, em direção a um outro mundo possível.

terça-feira, dezembro 13, 2016

Câmara de vereadores de SJB cobra contrapartida das empresas do Porto do Açu e fará representação ao MP sobre impactos ambientais

Em sessão realizada nesta manhã, os vereadores sanjoanenses voltaram a questionar informações sobre o empreendimento do Porto do Açu no município. Os vereadores estão cobrando, informações sobre o quantidade e identificação das empresas contratadas e/ou subcontratadas, no período entre 2013 a 2016, para atividades junto à Prumo, que é a holding controladora do complexo portuário.

A Câmara questiona ainda os objetos dos contratos das empresas com a Prumo, os valores de pagamentos, base de recolhimento dos impostos municipais e o número de empregos das empresas e também pela Prumo. Querem ainda informações sobre o percentual de vagas ocupadas por sanjoanenses para este mesmo período. 

O Legislativo de SJB entende que estes dados podem refletir na tributação do ISS pela prefeitura, já que a lei municipal nº 105/2008 concede redução na alíquota de ISS às empresas localizadas na área do Porto, mediante contratação de um percentual mínimo de sanjoanenses, variando de 15 a 30% de moradores da localidade.

A Câmara também questionará por ofício cada empresa sobre o cumprimento das ações de compensação social e ambiental determinadas quando do licenciamento ambiental. O presidente do legislativo argui ainda que o Executivo se negou a prestar estas informações e que “a Câmara entrará com uma representação no Ministério Público, denunciando o lançamento de esgoto in natura no Rio Paraíba do Sul”.

PS.: Com informações da Ascom da CMSJB.

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Petróleo, segue no centro do xadrez da geopolítica e da disputa por hegemonia

A decisão da Rússia em cortar 558 mil barris por dia, de sua produção diária de 11 milhões de barris por dia - que é a maior do mundo – torna, a Rússia, sozinha, um player importante na geopolítica do petróleo que antes era comandada pela Opep.

Assim, a Rússia é mais que meia Opep. Porém, por ser única, fica quase maior, proporcionalmente, que o tamanho da Opep - e seus 14 países-membro - que se comprometeu a cortar 1,2 milhão de barris por dia.

Com o corte de Opep + Rússia se aproximam de uma redução de quase 2 milhões de barris por dia, aproximadamente, o volume do excesso desta “mercadoria especial” nas negociações mundo afora. Por conta disto, o barril, no mercado futuro chegou hoje a US$ 57,48 (o maior em quase um ano e meio), estando (agora às 12:30 no Brasil) a US$ 56,50.

Desta forma, o acordo dos maiores produtores mundiais de petróleo para reduzir o excesso de produção no mercado mundial de petróleo envolve Opep e “não-Opep”. Rússia e Opep juntas ultrapassam, atualmente, os 50% da produção mundial.

O acordo se cumprido tenderá a levar o preço do barril para próximo, mas acima dos US$ 60, exatamente, quando Trump estará assumindo a presidência dos EUA. Com o petróleo a este patamar de preço, os EUA voltará a ter o óleo e gás de xisto competitivos.

Os EUA hoje importa mais de um terço de todo o petróleo que consome. Desta forma, vai gastar mais para ter este percentual de petróleo, a mesmo tempo que deverá voltar a fraturar as rochas para produzir seu shale gas e tight-oil (xisto). Com o preço do barril, acima dos US$ 60, a produção dos estados do centro americano volta a ficar competitivo e deverá investimentos que antes estavam retidos, o que interessa – e muito – a Trump e sua equipe.

Os maiores importadores de petróleo também perdem caso este acordo prospere. O caso mais claro entre eles é o da Índia que como grande compradora, se aproveitou dos preços baixos do barril de petróleo e foi uma das economias que mais vinha crescendo nos últimos anos. Alguns países da Europa como Espanha, que importa quase tudo que consome, também obteve vantagens atenuando seus problemas econômicos. 

Tem-se aí um xadrez complexo, diante da “guerra protecionista” que os bilionários e militares convocados por Trump para seu gabinete, prometem empreender.

Um xadrez com as peças escorregando lubrificadas pelo petróleo que assim volta a ganhar evidência, embora nunca tenha deixado de ser razão de agir dos EUA, em sua disputa pela hegemonia, muito mais do que por preocupação com a sua indústria e o seu emprego.

O emprego industrial hoje nos EUA é de apenas 12,3 milhões, bem menor do que os 20 milhões do pico em 1941, quando os EUA decidiu entrar na Segunda Guerra Mundial.

Um xadrez que de tão embrulhado e lubrificado pelo óleo, pode vir a explodir, e assim, produzir novamente a “destruição criadora”. Para, a seguir se gerar investimentos na reconstrução dos cacos do que sobrar.

Outra saída seria possível, mas depende de um equilíbrio de forças sobre o escorregadio e lubrificado tabuleiro da geopolítica mundial.

PS.: Atualizado às 16:02: para inserir breve comentário sobre os importadores de petróleo.

domingo, dezembro 11, 2016

65% da população considera Temer falso e 75% que governa para os mais ricos

Antes das últimas denúncias, o governo golpista e Temerário já tinha naufragado, segundo pesquisa do Datafolha. Por isso, a mídia comercial, inclusive a dona do próprio instituto de pesquisa, pulou fora da defesa do governo e segue apostando no golpe, dentro do golpe.

Para 65% da população Temer é falso e para 75% Temer é defensor dos mais ricos. Isto serve para quem pensa que a população estaria dormindo e sem perceber o que se sucede ao golpe. A situação econômica do país épior para 65%. Sobre a gestão do governo Temerário para 74% é igual ou pior (40%).

2/3 da população avaliar que seu governante é falso e 3/4 que ele só governa para os mais ricos, são números definitivos, para quem está há sete meses ocupando com o golpe a função de presidente, com dezenas de denúncias e provas que atingem a cúpula principal e quase todo o seu governo.

As denúncias comprovam que os maiores esquemas estavam no Legislativo e nos estados. Jogaram o país no atoleiro, tirando o mandato e os votos de 54 milhões de brasileiros, de quem tentava, a seu modo, ajudar na apuração e na melhoria do sistema.

Hoje, quase sete meses depois, as crises econômica e política são muito maiores do que aquelas que ajudaram a fomentar para apear ao poder. Não há outra saída.

É preciso que se dê um mínimo de credibilidade com um novo representante político eleito. Nomeação indireta com um Congresso composto em sua maioria de políticos também denunciados é arriscar o caos. Só há uma saída: Diretas Já!


sábado, dezembro 10, 2016

Mais da geopolítica do petróleo entre gota e golpe!

Alguns autores chamam as estratégias que unem governos e corporações do setor de óleo e gás de petroestratégia. Como a maioria sabe, até aqui o Oriente Médio era o alvo principal da disputa pelo controle direto das reservas de petróleo.

Para além da Arábia Saudita, Iraque e Irã, outros países daquela região possuem reservas que são cada vez mais objeto de cobiça como o Yemen, Casaquistão e Turcomenistão. Este último projeta atualmente dois enormes gasodutos em direção à Índia, China, no lado da Ásia e outro, na direção da Turquia e Europa. O Turcomenistão possui a quarta maior reserva do mundo em gás natural.

O mapa abaixo dá uma boa dimensão de como o controle de um país ou região estava vinculado à força e ao poder militar. Em vermelho estão as áreas produtoras de óleo e gás e em azul estão as bases militares dos EUA.

A interpretação desta realidade ajuda a mostrar o que significaria o pré-sal tão vigiado e controlado pela NSA americana e denunciada pelo Edward Snowden.

Porém, mais que isto, o anúncio informal que foi divulgado hoje de que Trump nomeará o presidente mundial (CEO) da Esso, Rex Tillerson como secretário de Estado dos EUA, amplia a evidência sobre a forte relação entre poder militar e os interesses pelo controle das reservas de petróleo no mundo por parte dos EUA. Neste processo, um pingo (ou um gota) é golpe!


quinta-feira, dezembro 08, 2016

A relação entre a montagem do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, o processo de desintegração da Petrobras e a entrega da soberania da nação

O FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes (MV 29) está sendo montado pela empresa japonesa Modec para atuação na produção de petróleo no litoral brasileiro. Contratada pela Petrobras, ela será implantada nos campos de Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça, bloco de concessão CM-401, na Bacia de Campos. 

Antes algumas destas unidades foram projetadas e montadas em módulos (replicantes) em diversos estaleiros do Brasil. Isto vinha sendo feito de forma conjunta às contratações no exterior. 

O caso deste FPSO na japonesa Modec (é a 10ª unidade feita pela empresa para atuação no Brasil) aconteceu em estaleiros chineses e coreanos. Enquanto isto, módulos e a integração nos navios (FPSO) outras estavam sendo montadas nos estaleiros do ERJ (Niterói, Angra e Rio), Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes construída pelos japoneses, será fretada pela estatal num contrato de 20 anos (leasing e serviços de operação e manutenção) através da empresa TARMV29 que tem sede na Holanda. A construção e montagem da unidade contou com financiamento do Banco do Japão para Cooperação Internacional (JBIC).

Tem sido uma prática da Petrobras dar nome das cidades litorâneas fluminenses às unidades de produção de petróleo. A previsão é que o FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes entre em funcionamento no quarto trimestre de 2017 a uma profundidade de 765 metros, com capacidade de produção de óleo de 150 mil barris por dia armazenamento de 1,6 milhões de barris de petróleo e 176 milhões de m³ de gás.


A montagem deste FPSO evidencia o desmonte da tríade "Petróleo-Porto-Indústria Naval" 
O detalhamento que o blog fez sobre a construção e contratação de fretamento desta unidade de produção offshore de petróleo, oferece pistas das articulações que envolvem o setor de petróleo e gás que possui enormes teias numa cadeia global de valor. (Meu principal objeto de pesquisa no momento)

Este caso é didático porque demonstra o envolvimento em decisões de financiamento de governos e apoio à indústria naval de seus países. Estas articulações podem representar o aumento da capacidade tecnológica das empresas e nações envolvidas, assim como, a geração de empregos mais qualificados, em setores com imensa capacidade de arrasto de outras atividades econômicas, como reflexo direto sobre os empregos.

Passei a denominar esta articulação que determina o desenvolvimento econômico de uma nação ou frações do seu território como sendo a Tríade: Petróleo-Porto-Indústria Naval. O Brasil, por cerca de quase uma década, em meio a muitos problemas vinha tentando trilhar um caminho que se sustentava na fase de expansão do ciclo do petróleo, como um dos quatro eixos do desenvolvimento nacional.

Hoje, abatido pela temporária fase de colapso do ciclo petro-econômico e pela atuação destruidora de importantes setores da economia nacional, por conta da forma de atuação da Operação Lava Jato - numa trama jurídico-parlamentar-midiática - que, além de punir responsáveis pelos desvios (desejado por todos) passou a um desmonte da estratégia que se vinculava à exploração das nossas reservas do pré-sal.

Assim, os ativos da Petrobras forma e seguem sendo fatiados e vendidos (entregues). Os sistemas portuários passaram ao controle de fundos financeiros internacionais e a indústria naval que atuava, como um desdobramento da Política de Conteúdo Local (Nacional), está sendo desarticulada em suas capacidades tecnológicas e de infraestrutura.

Este processo significa a desintegração da tríade e a destruição dos seus setores, fazendo com que todos os novos contratos de montagem de unidades produtivas e embarcações especializadas passem a ser executados no exterior, gerando expertise e empregos além-mar.

Sim, é difícil que a maioria entenda este imbricado processo. O que não se pode é querer impor uma interpretação inocente, completamente desvirtuada das estratégias, pensadas de forma conjunta por corporações e governos, para intervir politicamente sobre os elos que ligam esta tríade no Brasil.

Nada disto foi feito sem a participação de brasileiros interessados em voltar ao controle da política, admitindo a dependência econômica e a suspensão da ideia de soberania.

Sempre se soube que a descoberta do pré-sal pelo Brasil exigiria mais cuidados relativos à geopolítica da energia e as estratégias que este imenso potencial ao país e de forma simultânea despertaria a cobiça a intervenção de quem disputa a manutenção da hegemonia, mais que nunca ameaçada. 

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Cade aprova fusão da Technip e FMC que deverá gerar fortes mudanças na região Norte Fluminense

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu o aval (autorização brasileira) para o fechamento do negócio de fusão entre a americana FMC Technologies e a francesa Technip, que foi anunciado em maio e que estrutura uma nova empresa avaliada em cerca de US$ 13 bilhões.

Outras autorizações já foram obtidas em órgãos reguladores da União Europeia, EUA, Rússia, México, Índia e Turquia. Assim, a conclusão do processo de fusão deverá ocorrer no início do ano que vem.

Os dois grupos já tinham uma joint venture, a Forsys Subsea, de onde a fusão foi sendo gestada. Os dois grupos juntos hoje possuem  49 mil funcionários com atuação em 45 países do mundo e uma receita total de US$ 20 bilhões no ano passado e um lucro bruto de US$ 2,4 bilhões.

A nova empresa, que terá duas sedes, uma em Paris (França) e outra em Houston (EUA), focará sua atuação em cinco unidades de negócios, divididas da seguinte maneira: Surface; Subsea Services; Products; Subsea Projects; Onshore/Offshore.

A previsão da Technip é que o acordo deva gerar economias de US$ 400 milhões a partir de 2019. O presidente da FMC, Doug Pferdehirt (foto), é quem assumirá o posto de CEO da nova companhia. A mudança trará consequências fortes na região Norte Fluminense que deverá ser anunciada logo após a virada do ano. Seus executivos já fizeram várias reuniões neste sentido.

Abaixo a imagem aérea da Technip junto ao Terminal 2 do Porto do Açu: