quarta-feira, dezembro 07, 2016

Cade aprova fusão da Technip e FMC que deverá gerar fortes mudanças na região Norte Fluminense

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu o aval (autorização brasileira) para o fechamento do negócio de fusão entre a americana FMC Technologies e a francesa Technip, que foi anunciado em maio e que estrutura uma nova empresa avaliada em cerca de US$ 13 bilhões.

Outras autorizações já foram obtidas em órgãos reguladores da União Europeia, EUA, Rússia, México, Índia e Turquia. Assim, a conclusão do processo de fusão deverá ocorrer no início do ano que vem.

Os dois grupos já tinham uma joint venture, a Forsys Subsea, de onde a fusão foi sendo gestada. Os dois grupos juntos hoje possuem  49 mil funcionários com atuação em 45 países do mundo e uma receita total de US$ 20 bilhões no ano passado e um lucro bruto de US$ 2,4 bilhões.

A nova empresa, que terá duas sedes, uma em Paris (França) e outra em Houston (EUA), focará sua atuação em cinco unidades de negócios, divididas da seguinte maneira: Surface; Subsea Services; Products; Subsea Projects; Onshore/Offshore.

A previsão da Technip é que o acordo deva gerar economias de US$ 400 milhões a partir de 2019. O presidente da FMC, Doug Pferdehirt (foto), é quem assumirá o posto de CEO da nova companhia. A mudança trará consequências fortes na região Norte Fluminense que deverá ser anunciada logo após a virada do ano. Seus executivos já fizeram várias reuniões neste sentido.

Abaixo a imagem aérea da Technip junto ao Terminal 2 do Porto do Açu:


Segundo a Rais, o pico do emprego no setor extrativo em Macaé e capital foi em 2013

O professor Romeu e Silva Neto, parceiro de pesquisas no Núcleo de Estudos em Estratégias e Desenvolvimento (NEED-IFF) e do PPFH-UERJ, fez uma tabulação com dados anuais da RAIS (Relatório Anual sobre Informações Sociais).

O levantamento é relativo aos empregos, em diversos subsetores do IBGE, referentes a 8 (oito) dos 22 municípios, da área que passamos a chamar do Circuito Espacial do Petróleo e dos Royalties do ERJ, a faixa litorânea da capital a São João da Barra.

A tabulação envolveu o período de uma década e meia entre 2002 e 2015. Interessante observar que os destaques para empregos no setor extrativo (entenda-se a Economia do Petróleo, especialmente) estão em Macaé e depois na capital, o Rio de Janeiro. 

Em ambos, o pico de empregos se deu em 2013. Macaé como o principal polo operacional da exploração. O total de empregos no setor é quase o dobro da soma dos demais municípios tabulados, embora o percentual de empregos tenha caído em cerca de 15% nos dois últimos anos.

A queda dos empregos no Rio (capital) e Macaé deve ter se acentuado neste ano de 2016, por conta da fase de colapso do ciclo do petróleo, da petrorrenda e do desmonte que se vive na cadeia do petróleo e indústria naval. Já, os casos de ligeiro crescimento de Rio das Ostras e Niterói refletem o extravasamento do polo de Macaé e da capital.

Bom lembrar que os dados da Rais são mais consistentes do que os da Caged. Este último mede melhor as variações mês a mês do mercado de trabalho, mas não o todo.



segunda-feira, dezembro 05, 2016

O tecido político esgarçado em meio à sanha "não civilizatória". Resistir é preciso!

O quadro mundial segue cada vez mais confuso. O alarme na Ucrânia. O boicote ao Irã e Rússia. A guerra na Síria e a eterna pressão contra os palestinos. O Brexit. A eleição espanhola embolada em sem formar governo por quase um ano. Confusão nas coreias. Golpes mais ou menos institucionais na América do Sul e Central. Trump nos EUA. A ameça da extrema direita na França. E ontem, o premiê italiano Renzi renunciou ao cargo depois de perder eleição para reformar a constituição.

Sim, pode-se considerar tudo isto apenas coincidências. Ou não. O tecido político esgarçado tem causa na cooptação do seu controle pelo poder econômico.

Abandonou-se os ideais de bem-estar-social que deram origem à social-democracia após o sofrimento das guerras. Estica-se a corda dos ganhos financeiros e a barbárie bate à porta.

O tempo vai engolindo as hipóteses da interrupção deste processo, enquanto a sanha "não civilizatória" segue sem rumo. Resistir e trabalhar pela equidade, democracia e solidariedade é a única saída.

domingo, dezembro 04, 2016

A disputa geopolítica do petróleo pelas lentes do Sebastião Salgado

Está mais atual que nunca as imagens do nosso grande fotógrafo Sebastião Salgado sobre a disputa geopolítica do petróleo. Uma mostra com as 16 fotos mais significativas entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991 durante a invasão iraquiana no Kuwait relembra o poder do petróleo.

"Kuwait, um deserto em chamas" virou livro e está em exposição até o próximo dia 20 de dezembro na Galeira Mario Cohen cujo prospecto informa que "as imagens revelam a saga de poucos homens focados em apagar o fogo e cessar o vazamento de petróleo em meio ao calor, ao barulho, e à tensão constante de uma explosão ainda maior."

Salgado diz sobre as fotos revisitadas um quarto de século depois: “quando olhei novamente para os arquivos senti que as imagens tinham algo de eterno: elas foram tiradas em 1991, mas poderiam ser tiradas hoje ou amanhã, caso um desastre similar acontecesse."


quinta-feira, dezembro 01, 2016

Mais uma megafusão entre as corporações mundiais: o que isto tem a ver com o Brasil?

Prosseguindo na série sobre o que acontece no mundo globalizado com repercussão sobre o Brasil, agora vamos analisar o setor naval ou marítimo.

A crise econômica e a estagnação está ampliando a oligopolização e ao amento do controle dos fundos financeiros sobre os conglomerados ou megagrupos.

Hoje, foi anunciado outra fusão/incorporação ou aquisição. Desta vez foi o caso da Maersk Line, maior empresa de transporte marítimo do mundo, comprar a sua concorrente alemã, Hamburg Süd.

Esta decisão tem forte reflexo no Brasil, onde a Hamburg é o armador (dono dos navios) líder em atuação no transporte marítimo para os portos brasileiros.

Está sobrando capacidade de transporte marítimo pelo mundo. Navios estão sendo sucateados e vendidos como sucatas pelo mundo. Desta forma, com o excesso de oferta para fretes, os preços caíram de forma similar ao que se vê com o petróleo e outras commodities.

As grandes corporações que estão comprando as menores estão em busca de ampliar os ganhos de escala, reduz-se a concorrência para aumentar novamente os preços dos fretes.

Com a oligopolização do setor de transporte e o excesso de produtos, as empresas produtoras (de qualquer coisa) são obrigadas a reduzir os seus custos.

Não é difícil perceber que o gargalo está se ampliando, assim como os riscos sistêmicos puxados pelo sistema financeiro que cada vez controla mais e mais corporações nos três setores: produção, circulação e consumo.

Cada vez que isto ocorre, as nações centrais lucram mais aumentam suas redes de controle, enquanto os estados-nações perdem mais e ficam mais dependentes e submissos. Embora este processo aproxime das elites econômicas, mas ampliando a apartação social em ambos. Assim, as consequências se dão por classes, para além daquilo que sofrem as nações neocolonizadas.

Preço do petróleo chega US$ 53: o que isto tem a ver com o Brasil?

Depois de aumentar ontem, mais de 10%, com o anúncio do acordo de redução e limitação da produção feito pela Opep, hoje, o mercado futuro de petróleo segue aumentando e já chegou a US$ 53, o barril, tipo brent.

É cedo para dizer se este patamar de preço poderá subir de forma permanente, ou se será apenas uma oscilação temporária, com as especulações de praxe.

O mais provável é que o preço em torno dos US$ 50, mais para baixo dê espaço para um preço mais próximo dos US$ 55. Não mais que isto.

Difícil que vá muito para além disso. Se chegar aos US$ 60 dispara novamente a produção do óleo de xisto (tight oil) dos americanos regulando novamente os preços e considerando que os EUA é o maior consumidor mundial de petróleo.

Além disso, novamente, a Opep se coloca em cheque. Diferente de quando foi criada na década de 70, os seus 14 membros, hoje, produzem apenas 35% de todo o petróleo do mundo.

Assim, para voltar a exercer seu poder de regulação e preços a nível mundial precisa contar com apoio de outros grandes produtores, nos países "não-Opep".

O mais importante deles, hoje, é a Rússia, que nos últimos meses vem sendo o maior produtor mundial de petróleo, na frente até da Arábia Saudita, embora este seja o maior exportador mundial.

Além disso, há que se saber se os próprios países-membros da Opep obedecerão o que acordarem. Sabe-se que o controle sobre a produção dos países é algo difícil de ser controlado de forma absoluta e segura.

De toda a sorte, é interessante que a Arábia Saudita que apostou fortemente na mudança da fase do ciclo de preços do petróleo, para testar a capacidade dos países "produtores-marginais" (os que têm maior custo de extração) agora, com a redução dos seus faturamento e dos problemas fiscais em seu orçamento, queira segurar a produção e o excesso de petróleo no mercado mundial.

Em tudo isto, o certo é que a produção segue forte, mas as novas explorações e descobertas de reservas vão se escasseando violentamente.

Isto, significará, mais adiante, provavelmente, após 2020, mudanças e valorização das nações e corporações que as possuem.

Neste caso se encontra as reservas do pré-sal brasileiro, que, infelizmente, poderá ser mais das corporações e menos do controle da nação brasileira com as venda de campos e a desintegração da Petrobras.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Pela 1ª vez na história os EUA exportam mais gás que importam. O que isto tem a ver com o Brasil?

O blog vem com alguma frequência comentando aqui sobre a expansão que o gás natural está tendo na matriz mundial de energia. Segundo as previsões da Agência Internacional de Energia (AIE), em 2040, o gás que hoje tem 21% de participação, chegará a 24%, enquanto o petróleo descerá sua participação dos atuais 31% para 26% em 2040.

Contribui para isto, o relativo "barateamento" do processo de liquefação do gás natural que é realizado quando se pretende transportá-lo a longas distâncias por navios. Antes, este transporte era feito unicamente por gasodutos. Assim, é comum que os próprios navios-gaseiros reconvertam o GNL (Gás Natural Liquefeito) em gás, junto ao ponto de consumo e ou distribuição em vários lugares do mundo.

Diagrama da liquefação do gás - GNL ou LGN
Assim, os EUA começaram, no ano passado, a entrar no jogo geopolítico, exportando para alguns países europeus o gás, que antes era, praticamente, dependente da Rússia.

É neste contexto que os EUA, usando ainda a produção da suas reservas de shale gas (gás de xisto) ampliou a produção, e agora avança na exportação. Assim, os EUA, que é o maior consumidor de petróleo + gás do mundo, passou a exportador líquido de gás natural.

Neste último mês os EUA exportaram em média (segundo informações da A& P Global Platss, divulgada pelo Wall Street Journal) 209,5 milhões de m³ de gás, contra uma importação de 198,2 milhões de m³ de gás.

Desta forma, até Israel com o seu minúsculo território, vem ampliando os investimentos na exploração e produção de gás natural nos últimos anos, tendo atingido recentemente reservas avaliadas em cerca de 2,1 trilhões de metros cúbicos de gás, e agora já estuda novas formas de aproveitamento do insumo. Para melhor uso do gás natural, a cientista-chefe do Ministério Nacional de Infraestrutura, Energia e Recursos Hídricos de Israel, Bracha Halaf está interessada em parcerias com o Brasil.

O gás é um fonte bem mais limpa que o petróleo. Interessante que as suas reservas [na maioria dos casos] estão nos mesmos campos, embora existam campos que produzam, exclusivamente, gás como na Rússia, Argentina e outros países. Desta forma, o transporte à longa distância com navios ajuda a mudar este quadro, como já se comentou aqui várias vezes.

Pois bem, diante deste quadro real na geopolítica da energia, o que faz o Brasil e a Petrobras? Passou a vender seus ativos no setor como se estivesse num momento de "xepa" na feira. Assim, vem desregulando o setor que passará a ser controlada por grandes corporações de gás do mundo.

Desta forma, os atuais dirigentes do Ministério das Minas e Energia e da Petrobras vem promovendo a saída do país do controle deste importante filão na matriz energética. Neste caminho, entregou a malha de gasodutos com 2,5 mil quilômetros da região Sudeste para o fundo financeiro canadense Brookfield. E ainda se prepara para entregar outros ativos para a espanhola Engie, cujo presidente mundial está no Brasil redigindo para o governo as novas regras de regulação para o setor.

Tudo isto, num contexto, em que já se sabe que o maior potencial das reservas do Pré-sal brasileiro é mais forte em gás natural, o que poderia oferecer ao país enormes possibilidades, mesmo que o país e a Petrobras pudessem fazer parcerias, garantindo a posição majoritária e o controle acionário destes ativos. 

Assim, isto tudo vem passando batido, no meio da confusão política que se abateu sobre o país, numa ânsia liberalizante, sem nenhuma visão estratégica e de construção de um projeto de Nação. É lamentável!

PS.: Para os que se interessa pelo assunto, o blog sugere dois textos de análise sobre o setor já publicados no blog aqui e aqui.

terça-feira, novembro 29, 2016

Chapecó & Santa Maria!

A tragédia que faz sofrer a comunidade Chapecó é similar à que viveu coletivamente a população de Santa Maria, também no sul e que comoveu o país e o mundo há quase quatro anos, quando do incêndio na boite Kiss.

Os casos não podem ser comparados por número e nem pela projeção das vítimas, ou do tipo de acidente entre um ou outro caso. Mas, eles se unem na comoção coletiva que promovem em duas cidades de porte médio, onde há forte presença de imigrantes europeus.
Lamentável!

sexta-feira, novembro 25, 2016

A comprovação de que o Brasil voltou para histórica dependência

Quer saber por que o esquartejamento e entrega dos pedaços da Petrobras é nociva à nação?

Veja o que disse representantes do governo brasileiro nas conversas com a Opep sobre estratégias do setor de petróleo no tocante à produção para elevação dos preços:

"Em uma reunião em Viena no mês passado, o Brasil informou aos membros da Opep que a abertura de capital da Petrobras limitou a flexibilidade do país para reduzir a produção".

O caso serve para mostrar como uma nação abre mão de sua soberania e volta ao rumo da histórica dependência.

Para não deixar dúvida a matéria que comenta sobre posição do Brasil é do jornalista Benoit Fauco e foi veiculada na matéria do The Wall Street Journal cujo título traduzido pelo Valor é: "Opep estuda corte grande de produção".

Preço do barril de petróleo segue estabilizado

Como prevíamos aqui neste espaço, a tendência de equilíbrio no preço do barril de petróleo é grande, apesar dos anúncios de que a Opep poderia decidir agora, no final de novembro, por limitar a produção em seus 14 membros, em acordo que poderia incluir a Rússia a atual maior produtora mundial.

Ontem, a Agência Internacional de Energia (AIE) informou que os investimentos em nova produção de petróleo deverão seguir em baixa pelo terceiro ano em 2017.

O motivo é o excesso de oferta de petróleo no mercado mundial. “São três anos seguidos de investimentos globais em petróleo em queda: 2015, 2016 e muito provavelmente 2017", disse o diretor-geral da IEA, Fatih Birol, em uma conferência em Tóquio.

"Esta é a primeira vez na história do petróleo em que os investimentos caem três anos consecutivos", disse ele, adicionando que isso irá causar "dificuldades" para os mercados globais de petróleo em poucos anos.

Os falas também confirmam o que temos dito aqui sobre o que chamo de "ciclo petro-econômico". Os ciclos não acontecem por acaso. Eles são produzidos conforme interesses geopolíticos e econômicos, numa articulação entre corporações do setor e nações.

O limite deste jogo é hoje, a marca em torno dos US$ 60 o barril. Com o preço neste patamar, a produção de óleo e gás de xisto nos EUA volta ser atraente. Assim, o excesso de produção retorna e os preços voltarão ao patamar dos US$ 50, que deverá persistir ainda por um bom tempo. A conferir!

quinta-feira, novembro 24, 2016

Com aumento do preço das commodities minerais a Anglo American desiste de venda de seus negócios

A mineradora Anglo American proprietária da mina e do Sistema Minas-Rio que exporta minério de ferro pelo Porto do Açu, anunciou através de seu presidente mundial, que está "disposta a congelar seu programa de venda de ativos depois da forte recuperação dos preços das commodities visto neste ano". A empresa tinha programado a venda de outros ativos para quitar parte de suas dívidas.

A cotação do minério de ferro, matéria-prima usada na produção de aço, subiu 60% no acumulado de 2016, beneficiada pelo crescimento da demanda na China. Nesta quinta-feira o preço da tonelada de minério de ferro estava a US$ 70.

Assim, os lucros voltaram ser grandes. Resta saber como a mineradora continuará a tratar as comunidades onde está instalada, considerando que o discurso da crise não mais faz sentido.

quarta-feira, novembro 23, 2016

Campos aumenta nº estudantes no Ensino Superior para 19,3 mil matrículas

O professor e amigo José Carlos Salomão Ferreira, colaborador do blog, mais uma vez nos oferece as informações do Censo do Inep/MEC, agora na versão 2015, a última disponibilizada, sobre a quantidade de alunos no ensino superior nos municípios da região. Ano passado o blog trouxe aqui os dados do Inep, Censo 2014.

Pelos dados oficiais extraídos do Inep/MEC (Censo 2015) o número de matrículas em cursos presenciais no ensino superior no município de Campos dos Goytacazes é de 19.385 alunos, estudando em 11 instituições, sendo 4 públicas e outras 7 particulares.

Este número de alunos no ensino superior em Campos é 7,3% maior do que os 18.062 alunos do Censo Inep/MEC 2014. Uma boa surpresa, que mostra que mesmo com a crise política e o número de matrículas subiu mais que a média do estado que cresceu 4,3%.

É bom recordar que o pico do número de matrículas no município foi identificado em 2008, quando se chegou a 21.244 matrículas no ensino superior em Campos.

Em Campos, o maior crescimento percentual anual de vagas aconteceu com o Polo da UFF em Campos com 24%, saindo de 1857 alunos para 2.305 universitários de graduação.

Do total de 19.385 matrículas em Campos, 39% estão em instituições públicas percentual um pouco maior do que os 37,5% do censo anterior. A instituição com maior quantidade de alunos em Campos, continua a ser a Estácio de Sá, com 3.403 alunos [313 matrículas a mais do que no ano anterior], seguido da Ucam-Campos com 2.635 matrículas, quase empatado com a UFF com 2.605 matrículas. 

Se estimarmos as matrículas na pós graduação em Campos (especialização, mestrado e doutorado), anualmente, em torno de 3 mil estudantes seria possível afirmar que o município dispõe de um número em torno de 22 mil universitários. Um número ainda considerável. 

Abaixo o gráfico da evolução de matrículas nas instituições que oferecem ensino superior em Campos dos Goytacazes entre os anos de 2003 e 2015. Através desta tabulação do professor Salomão é possível identificar o percurso das instituições em termos de matrícula. 

Voltaremos ao assunto com a análise da evolução de matrículas por cursos


Geddel do Michel entre os farelos e as panelas

A que ponto chegamos. O Geddel do Michel merecendo créditos. 

O "suíno" como é conhecido dos amigos confirma publicamente que tentou interceder em decisão de governo sobre coisas de seu interesse particular.

Enquanto isto, os moralistas achavam que o problema era a Dilma. 

Golpearam. Colocaram o país no caos, entregando o governo para os Temerários: Geddel, Jucá, Quadrilha. Moreirão, etc. 

Quem com suíno se mistura, farelo come. Tirem as panelas dos armários que há um carré sobre a bancada.

terça-feira, novembro 22, 2016

Brasil é o 3º maior destino dos investimentos chineses no mundo. O 1º entre os emergentes

A informação é do bom jornalista Assis Moreira que atua em Genebra, no Valor. Ele reproduz levantamento da consultoria inglesa Dealogic. A participação dos chineses em investimentos no Brasil só são superadas pelas compras de companhias nos EUA (US$ 60,6 bilhões) e Suíça (US$ 48,8 bilhões), mas ficam acima dos negócios efetuados na Alemanha, Reino Unido e outros importantes países europeus.

O Brasil atraiu 22,7% de todos os investimentos chineses pelo mundo este ano nos países emergentes. A maior parte, US$ 10 bilhões foi para o setor de energia e US$ 1,7 bilhão para o setor químico.

A informação leva a duas principais interpretações. Primeiro a mentira de que o país não tinha atrativos, já que praticamente todo este valor foi definido ainda antes da troca de governo com o afastamento da presidenta eleita Dilma Roussef. A segunda, é sobre o avanço acelerado da desnacionalização de nossa economia, especialmente no setor de infraestrutura. 

A Alemanha não não está entre os países que mais tem recebido investimentos, porque tem feito opção por proteger alguns setores que considera estratégico. Abaixo o infográfico publicado na edição de Valor de hoje, 21/11/2016 mostrando a divisão dos investimentos chineses pelo mundo este ano:


segunda-feira, novembro 21, 2016

Segue o leilão da Petrobras: o setor privado prefere as estatais "falidas" a construir algo novo

Segue o leilão das partes fatiadas da Petrobras. Por R$ 2,8 bilhões, a Liquigás foi repassada para Ultragaz que assim solidifica a sua condição de oligopólio da distribuição de GLP no país.

E ainda há quem acredite que a ideia era romper o gigantismo. Na verdade sim, desintegrando a estatal para entregar ao oligopólio [quase monopólio] privado.

Assim, Parente, o estripador repete o que fez há vinte anos quando já entregava empresas do governo federal e dos governos estaduais, durante os mandatos de FHC.

No intervalo destes 20 anos, Parente, depois bater o córner foi cabecear para o gol, trabalhando para estes grupos privados, a quem agora novamente serve no comando de decisões estatais.

Sim, há quem não queira ver. 

Interessante ainda ver que o discurso da eficiência privada, prefere sempre ficar com as partes fatiadas das estatais que estariam "mal das pernas", a ter que construir e implantar algo novo para disputar mercado e ter lucros. Mas, interessante eles preferem as "péssimas" empresas estatais.

Eventos de história no polo da UFF-Campos

Atendendo solicitação do Prof. Dr. Luiz Claudio Duarte, chefe do Departamento de História de Campos – CHT/UFF publicamos abaixo os cartazes dos eventos que acontecerão no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da UFF fica na rua José do Patrocínio, 59/71, Campos dos Goytacazes (RJ).

A I Jornada de História acontece desde hoje 21 de dezembro até sexta-feira 25/11/2016. Já o 2º Seminário de Pesquisa em História Econômica e Social, na semana que vem entre os dias 28 e 29/11/2016.



Há 20 anos entregaram a Cerj (depois Ampla) pela bagatela de R$ 605 milhões

Há 20 anos, em 21 de novembro de 1996*, o jornal noticiava a venda pelo governo estadual, mandato de Marcelo Alencar, da Cerj (Centrais Elétricas do Estado do Rio de Janeiro) pela bagatela de R$ 605 milhões. Na foto, os mesmos de sempre: Pedro Parente (hoje fazendo o mesmo serviço na Petrobras), Marcio Fortes (tesoureiro do Aécio) e o filho do Marcelo Alencar, Marco Aurélio.

Vendida a preço vil para os chilenos, foi controlada depois pelos espanhóis e, desde o último dia 11 de novembro passou a ser dos italianos da Enel, a concessionária de energia atende a cerca de 2/3 dos 92 municípios fluminenses.

Havia a promessa de eficiência. Hoje, é uma das campeãs em reclamação nos Procons. Altas tarifas e dificuldades para atendimento, especialmente com as centrais que controlam as manutenções com serviços terceirizados.




























PS.: Atualizado às 21:58: O colaborador Diego em seu comentário chamou a atenção que a data de 20 anos atrás, freudianamente saiu digitado como 21 de novembro de 2016, ao invés de 21 de novembro de 1996*. Já corrigido.

domingo, novembro 20, 2016

Acionistas voltam a questionar Fundo EIG por fechamento acionário da Prumo controladora do Porto do Açu

Mais uma vez se ampliam os questionamentos sobre a movimentação do fundo americano EIG Energy Global Partners, controlador do Porto do Açu, de fazer movimentos ilegais para fechar o capital da empresa que se transformou numa holding

Para tentar interromper a operação, um dos sócios minoritários que foi dono de uma corretora, acionou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no dia 16 de novembro, solicitando uma assembleia geral extraordinária (AGE) da Prumo que foi agendada para o próximo dia 25 de novembro.

Em julho, o conselho de administração da Prumo aprovou um aumento de capital (dentro do limite autorizado) de até R$ 740 milhões. Segundo a companhia, estes valores reforçariam o caixa da empresa para bancar atividades do empreendimento e reduzir o tamanho das dívidas.

No dia 10 de outubro a transação foi homologada: atingiu 89% do teto previsto, gerando a entrada de R$ 675 milhões. No dia 14 de outubro, os minoritários dizem que foram surpreendidos com o anúncio do fechamento de capital da Prumo.

O fundo americano EIG, que possuía 74,27% do capital antes da emissão das novas ações, chegou a 76,73% das ações, ultrapassando o percentual definido pela Bolsa de Valores que exige a manutenção de pelo menos 25% dos papéis sendo negociados e em circulação. (Vide na imagem ao lado que inclusive faz parte da apresentação corporativa do mês de outubro de 2016, slide 7/40)

Para não descumprir a regra e não ter que vender uma fatia de suas ações, o EIG num movimento questionado decidiu lançar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) unificada que levaria à saída do mercado de ações, cancelando o registro de companhia aberta. Toda esta movimentação é considerada pelos minoritários como um golpe.

Segundo os acionistas minoritários é a terceira vez que a Prumo faz anúncios de fechamento de capital que prejudicaria uma base que seria composta por cerca de 7 mil investidores.

A primeira vez foi em 2012, quando a empresa ainda era LLX Logística e comandada pelo empresário Eike Batista. A segunda tentativa de fechamento de capital da Prumo foi empreendida por sua administração, em dezembro de 2015.

Agora a insistência no fechamento de capital suscita mais questionamentos que os acionistas minoritários atribuem ao aumento das receitas. Assim, a EIG pretenderia faturar sozinha e abandonar o mercado de ações e os pregões da Bolsa de Valores.

Por estas e outras que o mercado de ações é desacreditado num sistema que favorece os grandes e massacra os pequenos. Assim, se coletivizam os prejuízos e se unificam e individualizam os lucros.

Há quem diga que por trás de todo este movimento estaria o próprio Eike Batista que possuiria dinheiro da venda do Sistema Minas-Rio no exterior que estaria investido no fundo EIG.

Esta hipótese é difícil de ser comprovada porque os fundos financeiros divulgam seus investimentos, mas protegem com sigilo os seus investidores. A conferir!

terça-feira, novembro 15, 2016

Carros do "futuro" entre a técnica e as humanidades iluminam apenas a história

Muitos que acompanham o blog e veem que boa parte dos comentários mais recentes versam sobre economia, ciências política e outras - em passeios pelo campo das humanidades - não sabem que este blogueiro possui como formação original a área das engenharias.

Mas, é bom tentar aprender e conversar sobre outros campos do saber a serem desenvolvidos. Faço isto com enorme prazer. Mas, é interessante, que mesmo em outros campos - de um saber mais geral, mais totalizantes - algumas abordagens da formação original segue acompanhando a gente, por um bom período da vida.

Pensei sobre isso, ao ler recentemente sobre as estratégias que as montadoras de automóveis estão utilizando para ampliar o uso dos sistemas digitais nos carros mais novos.

Em especial me chamou a atenção que o planejamento e o processo para essa "digitalização" dos carros são feitas por etapas, embora às vezes a maioria não perceba, esses "detalhes". A maioria só observa os resultados e reclama pela qualidade, ou falta deles.

Assim, me surpreendi ao conhecer os detalhes das etapas do que chamam de ampliação do uso dos sistemas digitais nos mais novos carros.

1) Feet Off - são os sistemas digitais que controlam freios, aceleração e marchas;

2) Hands Off - os sistemas para automação da direção dispensando o uso das mãos;

3) Eyes Off - sistemas que dispensam a visão das pistas;

4) Mind Off - significaria a junção das demais com a automação total dispensando o trabalho humano de condução dos veículos.

Sim, são quatro etapas em que o off é o humano.

É interessante observar como o planejamento em etapas, mesmo que o desenvolvimento de uns conceitos possam ajudar as outras etapas, elas trabalham dimensões distintas.

O planejamento precisa sempre ter a visão do todo, que no caso é o carro e o seu deslocamento. Porém, a organização das pesquisas e desenvolvimento podem ser desenvolvidas por etapas que muitas vezes terão velocidades de evolução distintas.

Os projetos dos "carros do futuro" mobilizam recursos e interesses da indústria que é central no processo de desenvolvimento do sistema capitalista no mundo: as montadoras.

O seu avanço determinou a ampliação do consumo de energia, do petróleo e seus derivados em todo o mundo. Processo que ajudou a mudar o planeta e geopolítica para controle sobre a produção. Gerou os choques do petróleo e os "conflitos regionais" (pleonasmo para as guerras localizadas)

Este assunto já é menos da engenharia e mais da macroeconomia e da política. Assim, como se vê, a interpretação do mundo real, nunca deixou de ser unido, apesar dos saberes serem desenvolvidos de forma tão profundamente desvinculadas, embora os planejamentos das etapas sejam distintos.

É ainda mais instigante pensar que este desenvolvimento dos sistemas digitais para carros vai para além. E seu limite tornará o Uber, que tombou os ultrapassados táxis um lixo, depois de enriquecer os donos do aplicativo, lá no centro dos "dinheiros do mundo".

Adiante daquelas quatro etapas do planejamento do carro do futuro, se projeta o uso do sistemas digitais com interação entre sensores nos carros e nos sistemas de mapas de alta definição, que cada carro transmitiria para as "nuvens de dados". Estes juntos, seriam retornados, como informações para definir a direção dos mesmos sem motoristas.

Pensam os projetista, que os carros conversariam indiretamente entre si, numa espécie que os "programadores otimistas" chamam de "inteligência coletiva", se desviariam dos congestionamentos, dos acidentes, dos riscos e tornariam o imprevisto ruim, e também o bom, em quimeras.

De novo misturando técnica com as humanidades, eu fico aqui pensando com os meus botões: não será isto que querem para as máquinas, aquilo que estão tirando dos humanos? Porque estes seguem cada vez mais individualistas e dialogando menos coletivamente. Dia-a-dia.

Mas, isto são ideias que vão e voltam - no meio de um feriado - de uma nação e um mundo pensado para poucos com consumo de luxo, sistemas e controles digitais, enquanto a maioria segue abandonada por uma periferia. É certo que ela adentrará ao centro, com ou sem sensores e mapas digitais. Será apenas uma questão de tempo.

Talvez, já neste extremos, os mesmos programadores dos carros "mind off" sejam controlados para acionar outras "inteligências coletivas" e assim deter a maioria.

A maioria há muito é considerada estorvo, nestes tempos e movimentos que tornaram, não apenas as coisas fluidas, mas também as pessoas superficiais.

De forma simultânea a preocupação com a civilização, seria apenas mero capítulo de um livro de história, que está ainda num futuro e que nunca coube nem no carro e nem em saberes compartimentados.

segunda-feira, novembro 14, 2016

A desindustrialização como parte da dependência e da subordinação do país

Uma das áreas em que a desindustrialização recente tenda a ser mais clara no Brasil é no setor de petróleo, um dos 4 eixos do desenvolvimento brasileiro na última década. Por isso, eu cunhei, num texto acadêmico a que já me referi aqui, a expressão sobre a tríade: Petróleo-Porto-Indústria Naval.

Nesta trinca de setores o processo de desintegração já está sendo em cadeia e com consequências que tendem a ter longa duração e duros desdobramentos. A relação entre os dois primeiros setores da tríade têm uma imensa capacidade de arrasto sobre o restante da economia.

Ainda sobre a desindustrialização brasileira vale conferir o breve texto do Rogério Lessa, publicado no site da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras):

"Desindustrialização prematura mantém Brasil subdesenvolvido"
"A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) publicou documento no qual reafirma a importância crucial da industrialização na promoção do desenvolvimento e do crescimento econômico sustentado e ressalta que “nenhum país tem sido capaz de alcançar a transformação estrutural bem sucedida sem a sinalização e o empurrão visionários de políticas governamentais específicas e seletivas”.

No mundo atual de economia globalizada, a indústria de transformação mantém, de acordo com a Unctad, imenso apelo em razão do seu potencial para gerar crescimento da renda e da produtividade, os quais se espalham por toda a economia através das conexões de produção, de investimento, de conhecimento tecnológico, da geração de renda e do ciclo virtuoso do consumo.

Outro atributo da indústria de transformação é o seu potencial para exploração de economias de escala dinâmicas, o que ocorre quando a acumulação de capital se dá juntamente com o uso de tecnologias crescentemente sofisticadas, com aquisição e acumulação de conhecimento por meio do aprendizado e com o desenvolvimento de habilidades tácitas e de know-how.

Nos países desenvolvidos ocorreu uma desindustrialização, expressa na forte redução da participação da indústria de transformação no produto interno bruto (PIB) e no emprego, a qual iniciou-se nos anos 1960-1970. Foi uma consequência normal, ainda que não espontânea nem suave, do processo de desenvolvimento, e ocorreu quando essas economias já haviam alcançado um nível elevado de renda e produtividade, disseminado capacidade tecnológica e consolidado o mercado doméstico.

Nos países em desenvolvimento há casos de sucesso e crescente industrialização (Coreia, China); há casos também de industrialização “restringida” (Índia e México); e ainda exemplos de “desindustrialização prematura” em particular dos países da América Latina, como o Brasil. Aqui a desindustrialização é um fenômeno prematuro e traz sérias consequências negativas já que esse processo tem início antes que as economias tenham alcançado um nível de renda elevado.

Nesse contexto, vale destacar o papel de uma empresa como a Petrobrás, indutora do desenvolvimento, que neste momento caminha na contramão de sua missão, já que a atual gestão está empenhada em vender ativos estratégicos e, no Congresso, acaba de ser aprovada a lei idealizada por José Serra, que tira da Petrobrás o papel de operadora única do pré-sal."

domingo, novembro 13, 2016

Minério de ferro chega a US$ 74, maior preço em dois anos. Anglo American tem lucro de 200%

Nesta última semana, o minério de ferro alcançou preço de U$ 74 a tonelada. O maior preço no mercado mundial em 26 meses, depois de ter chegado na faixa dos US$ 40 por tonelada.

A mineradora Anglo American que exporta o minério pelo Porto do Açu, depois de recebê-lo de um mineroduto de mais de 500 km de Conceição do Mato Dentro, tem assim, a maior cotação [e lucro] deste que começou a operar a unidade da "joint-venture" FerroPort com a Prumo, controladora do Porto do Açu. O Primeiro embarque aconteceu em outubro de 2014.

Unidade da FerroPort (Anglo American + Prumo) no Porto do Açu
Há cerca de um ano a Anglo American em seu relatório falava de um custo de produção de US$ 28 a tonelada. Com a variação cambial e o aperfeiçoamento dos métodos de processamento, não seria um exagero estimar que este custo hoje, esteja na faixa dos US$ 25, a tonelada. 

Desta forma, é possível contabilizar um lucro de 2/3 do valor atual do minério no mercado. Conta aproximada, feita entre U$ 25 e US$ 74. Com a subida de preço no mercado mundial, decorrente do aumento da demanda chinesa [como sempre por importar cerca de metade de todo o minério do mundo], é difícil, hoje, supor que a Anglo American volte a querer passar o Sistema Minas-Rio, que envolve a mina de extração em MG, o mineroduto e o terminal de embarque no Açu adiante.

Observando o todo, mesmo que o preço de todas as commodities tenham caído, quase junto a partir do segundo semestre de 2014, é difícil avaliar, que hoje todas subiriam ao mesmo tempo juntas. Já sobre a região resta perguntar, o que ela ganha com este lucro da Anglo American e da Prumo?

PS.: Atualizado às 16:10: A Anglo American em seus relatórios diz possuir reservas com vida útil de 45 anos. A capacidade projetada para o Sistema Minas-Rio é de 26,5 milhões de toneladas por ano, que tem previsão de ser atingida até o início do ano que vem.

sexta-feira, novembro 11, 2016

Seria um outro mundo possível?

Abaixo está uma boa e, paradoxalmente, terrível síntese da realidade contemporânea. Ela foi feita pelo professor Nilson Lage e republico abaixo, porém antes ainda observo...

Um mundo para poucos foi a opção. Tentam se ver livres dos sobrantes.

Foram abandonando a ideia de civilização, quase ao mesmo tempo que consideraram superados a concepção dos estados-nação. 

Tidos como superados eles, na verdade, embarreiravam o desejo de uma nova forma de colonização e apropriação não apenas dos excedentes econômicos, mas dos bens naturais e das vidas das pessoas.

Parece que estamos num trevo e a direção indicada possui um imenso sinal vermelho de pare. Seria um outro mundo possível?


"Um futuro possível"
"Implantou-se a globalização, com todo o quadro social que ela prevê.

Ninguém está seguro. Pode-se perder o trabalho (não há mais emprego, salvo para tomar conta dos outros ou combater na guerras periódicas) a qualquer momento. 

É preciso juntar dinheiro para a velhice. O futuro de seu filho depende da quantia que você aplique nele agora. É preciso ter dinheiro junto para caso de doença: se for muito grave, é melhor deixar morrer. 

É preciso investir e torcer para que não estoure mais uma bolha e se percam economias suadas de uma hora para outra. Somos todos agiotas e experts em agiotagem. 

Há futebol, novelas, drogas e shows.

Os que não aguentam são recolhidos a abrigos e reciclados. Os que de fato não conseguem geralmente são mantidos vivos pela caridade pública. 

Os que infringem a lei vão para presídios onde trabalham para sobreviver – ou que se danem. 

Muita gente iria para os hospícios, mas foram fechados porque não davam lucro...

O que sobrou da classe média progressista, degradada ao padrão da piscina de plástico e da SUV de segunda ou terceira mão, prossegue sua campanha em favor de uma agenda que vai do direito à vida dos frangos à implantação por decreto da igualdade entre os seres humanos.

No momento, falta senso de realidade, hierarquia e urgência."

quinta-feira, novembro 10, 2016

Por que desintegrar a Petrobras? O caso do GNL do Qatar para UTE da Esso e o mercado de energia do Nordeste

Como os que acompanham o blog já sabem, nos últimos 4 a 5 anos este blogueiro intensificou seu estudo sobre a relação petróleo-porto na Economia Global.

Assim, eu venho investigando os movimentos destes dois setores e suas repercussões sobre o Brasil e, de forma mais especial sobre a economia e o território do ERJ.

O caso deste empreendimento de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL ou LGN) e uma usina termelétrica na localidade de Barra dos Coqueiros, no Porto de Sergipe chama a atenção por vários aspectos.

Trata-se de um investimento de R$ 4,3 bilhões para implantação do terminal (reservatório) de gás natural e uma usina de geração de energia elétrica com 1,5 GW de potência - que alimentada por gás será a maior do tipo na América Latina - será responsável por atender 15% da demanda de energia elétrica do mercado do Nordeste. Veja aqui na matéria do Valor Online de hoje, uma matéria detalhada sobre o empreendimento.

A americana GE inclusive já ganhou contrato de U$ 900 milhões para montar a planta da usina que pelo projeto terá três turbinas a gás da empresa, mais uma turbina a vapor, além de um gerador de recuperação de calor (HRSG).

Até aí tudo bem. Investimentos, geração de emprego, ampliação da infraestrutura de energia do país, etc. Mas então quais seriam os problemas no projeto coordenado pelas Centrais Elétricas de Sergipe S.A (CELSE)?
Terminal de GNL da Petrobras

Que relação isto pode ter com a Petrobras? Com o processo de fatiamento de suas subsidiárias, em que a holding está sendo desintegrada e desverticalizada? 

Veja que apesar do Brasil ter gás, o projeto importará gás do Qatar Petroleum que entrou de sócio no empreendimento, com participação de 70%, com o objetivo de escoar o gás natural que produz no Oriente Médio. O outro sócio é a americana Esso com 30%. Os equipamento serão fornecidos pela americana GE. 

E o Brasil entra com o quê? O país tem gás natural e necessita de infraestrutura para escoamento e distribuição. Mas, o caso mostra como se dá um processo em que o estado é um apêndice dos interesses provados. Assim, o Brasil entrega o seu mercado para quem tem o mesmo insumo (gás natural) e para quem possui os equipamentos. 

Enquanto isto, segue-se o trabalho de desmonte da Petrobras. Além de não poder ampliar e fazer sociedade para construir mais ramais de gasodutos, e assim escoar o gás natural que sobre no pré-sal, a nova diretoria da Petrobras vendeu a malha de gás do sudeste (NTS) com 2,5 mil quilômetros, para outras empresas fazerem seus negócios e apurarem os seus lucros. 

Além disso, o Ministério da Minas e Energia trabalha freneticamente para suspender toda e qualquer regulação e assim poder entregar, de forma desregulada, o setor às corporações globais especializadas no assunto. 

O diretor mundial da espanhola Engie, Jean Marc-Leroy que também é presidente da Gás Infraestructure Europe (GIE) - poderosa associação que reúnes as players europeias do assunto - está no Brasil pressionado pela desregulação do setor de gás no Brasil, a partir da desverticalização da Petrobras e do fim de toda e qualquer obrigação de conteúdo nacional para equipamentos e construção de instalações.

Eles querem acesso indiscriminado a toda infraestrutura do setor e flexibilidade de atuação, para poder ter assim liquidez e desta forma poder entrar e sair quando quiser do negócio. Leroy disse abertamente que desta forma o Brasil abre muitas oportunidades, mas primeiro faz questão de intervir para reduzir as regulações do setor.

Mais claro impossível. O país vai se transformando num republiqueta. As corporações e oligopólios transnacionais vitaminadas pelos dinheiros dos fundos financeiros [sem cara] querem apenas nosso mercado e o lucro das generosas tarifas que serão calculadas conformes seus desejos. 

Não se trata de ser contra parcerias. Isto seria possível. A Petrobras e outras empresas nacionais privadas fizeram e continuam a fazer para construir empreendimentos e desenvolver nossas infraestruturas. 

O caso porém, é que não se tem um projeto de nação. De defesa dos interesses estratégicos ao negociar estas parcerias, e assim, não abrir mão do papel de regulação do estado, em nome de nosso povo. 

Sei que se trata de um assunto complexo para a maioria das pessoas. Envolve macroeconomia, geopolítica e a velha discussão do papel do Estado no mundo capitalista. 

O governo atual, que assumiu após o golpe, vê o Estado apenas como forma de fazer negócios e o mercado como única solução para os males. Não se tem e nem se quer um projeto de nação. 

Assim, assume mais os donos dos dinheiros se encontram com esses atuais donos do poder no país. Ambos estão com uma sede enorme. Nesta toada voltamos para o mais alto grau de dependência e de subordinação, deixando para nós outros, os índios da terra, os pentes e os espelhos, enquanto levam nossas riquezas. 

Há limites para tudo isto. Não pensem que pelo lado de cá, há apenas bobos que não sabem do que se está passando. Seguimos acompanhando e ligando as pontas desta teia que desejam que seja tão complexa com a vontade de assim operar desavergonhadamente.

PS.: Se desejar leiam aqui um extenso artigo que e parte da descrição de minha pesquisa sobre o poder estratégico do Gás Natural e o potencial que o Brasil poderia usufruir. Ele foi publicado no dia 11 de julho de 2016. Ao seu final há um compêndio com links para quase uma dezena de outras postagens do blog sobre o mesmo assunto.

Tudo bem para quem?

Ainda há quem esteja estupefato como os EUA depois do que foi parido nas eleições. Assim, eu me deparo com um artigo do editor do conhecido jornal ligado ao mundo das finanças, o Financial Times, de Londres publicado no dia da eleição, sem saber ainda o que seria parido, para agora ser embalado.

Martin Wolf afirmava em seu texto "O novo presidente e a economia":

1) Os EUA têm o maior grau de desigualdade dentre todos os países de alta renda. Mais. Registraram a alta mais acelerada desta mesma desigualdade das sete principais economias. "A divergência entre esses países sugere que o crescimento da desigualdade é muito mais uma opção social do que um imperativo econômico".

2) A participação do trabalho no PIB caiu de 64,6% em 2001, para 60,4% em 2014;

3) Alta sistemática de homens de 25 a 54 anos que nem trabalham e nem estão procurando ocupação, saiu de 3% na década de 50, para 12% atualmente;

4) As taxas de migração interna e o ritmo de criação de novos empregos desaceleraram acentuadamente, o que sugere que esteja ligada às exigências (licenças) profissionais estaduais. (Obs.: Desregulam tudo para as finanças e regulam tudo para o trabalho e para o trabalhador - e a tão propalada liberdade?);

5) De outro lado, os direitos de propriedade intelectual ampliaram e parece estar contribuindo como barreira para a concorrência [outra pérola do sistema], levando a perda do dinamismo de sua economia;

6) Há uma deterioração da infraestrutura, do desempenho escolar relativo e um código fiscal terrível.

Ainda é interessante observar que esta leitura sai de alguém que está percebendo - e meio que desesperado - a deterioração do sistema, sem saber ainda que Trump tinha sido parido. Assim formula [meio que descrente] preocupações em meio a poucas propostas:

"Suspender a imigração e as importações seria um ato de automutilação. Os EUA precisam ampliar o seu potencial histórico de uma economia aberta e dinâmica, juntamente com uma oferta governamental de infraestrutura, pesquisa, educação e políticas fiscal e reguladora equilibrada".

E eu fico aqui imaginando que haverá quem chame não apenas o diagnóstico do Wolf, mas também as poucas propostas, de coisa de comunista.

Enquanto isso outros se espantam com os resultados das urnas porque imaginavam que estava tudo bem. Tudo bem para quem? Há quem julgue natural ter governo para poucos e polícia para o "resto".

quarta-feira, novembro 09, 2016

Quotas da Participação Especial (royalties) dos municípios fluminenses

A ANP liberou os valores da última quota trimestral do ano, referente à Participação Especial pela produção de petróleo dos campos com grandes volumes de produção. Os valores serão creditados amanhã nas contas das prefeituras.

Os dados são da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e foram tabulados e enviados ao blog por Wellington Abreu da Silva, superintendente de Petróleo, Gás, Biocombustíveis e Tecnologia da Prefeitura de São João da Barra.

Dos municípios da região, apenas São João da Barra teve redução em relação à quota anterior depositada em agosto. Em termos absolutos, o maior valor, mais uma vez foi para o município de Campos dos Goytacazes que vai receber R$ 24,5 milhões. Em segundo lugar, está o município de SJB, que mesmo com a redução de 4,8% vai receber amanhã, a quantia de R$ 7,1 milhões. 

A maior surpresa é a redução abrupta das quotas dos municípios de Maricá e Niterói que recebe pela exploração de poços e campos na Bacia de Santos que tiveram seus valores reduzidos, respectivamente, de R$ 46 milhões em agosto para R$ 2,6 milhões. E Niterói que recebeu em agosto a quantia de R$ 40 milhões para R$ 2,3 milhões. 

Para ver a tabela abaixo em tamanho maior clique sobre ela:


O preço do petróleo diante dos EUA e da Opep

Em meio ao sacolejo do resultado da eleição americana, o preço do barril de petróleo tipo brent chegou a cair para US$ 44,45. Agora, ele recuperou um pouco para US$ 46,44, porém, segue abaixo dos US$ 50 em que esteve nos últimos dias do mês de outubro.

Nesta semana, a Opep divulgou novas versão do seu relatório "Cenário Mundial do Petróleo", onde afirma o que o mesmo que o blog tem previsto: "os preços subirão US$ 5 por barril, no médio prazo, só atingindo US$ 60, em termos nominais em 2020".

Resta saber se a decisão de ontem nos EUA poderá mudar algo nesta previsão. Até aqui não.

Mundo parindo e embalando após a eleição dos EUA

O mundo segue confuso. Nem mais nem menos com a eleição americana. Estou entre aqueles que não consideram que o mundo precise de um pai a "proteger" a todos. Aliás, digo mais: quem pariu Trump que o embale!

Tem mais. Um dos grandes derrotados é a grande mídia americana. Aliás, outro setor desmoralizado das pesquisas aliada da mídia - a Reuters - Ipsos - fez ontem após a eleição, mais uma apuração de opinião com 10 mil eleitores em todo os EUA.

De todos os resultados o que mais impressiona é que "76% acreditam que os meios de comunicação tradicionais estão mais interessados em fazer dinheiro do que em falar a verdade”.

Não é um erro de alguns pontos percentuais como na eleição de ontem. Mais de 3/4 da população não acredita na mídia comercial.

Assim, lá como aqui, as coisas estão mais confusas de um lado, mas de outro, mais claro impossível. Quem pariu Trump que o embale!

terça-feira, novembro 08, 2016

Brasil atinge em setembro produção de 3,366 milhões de barris de petróleo e gás por dia

A produção de petróleo e gás no Brasil segue crescendo, segundo o último boletim divulgado pela ANP, referente a setembro, sempre dois meses depois da produção.

O volume de 3,366 milhões de barris de óleo equivalentes por dia (Mboe/d), leva em consideração a soma da produção de petróleo (2,671 Mboe/d) e de gás natural (equivalente a 695 Mboe/d). Este volume de produção é 13,5% maior do que a produção no primeiro mês do ano em janeiro de 2016 quando atingiu a 2,965 Mboe/d.

Em plena crise dos baixos preços e da crise da Operação Lava Jato é um resultado extraordinário, especialmente da Petrobras que é operadora de 93,8% dos campos da produção total.

Por concessionária a Petrobras vem em primeiro na produção com: 2,673 Mboe/d (aproximadamente 80% do total); A seguir as outras companhias: 2 - BG-Shell com 301,5 mil bpd (9%); 3 - Repsol-Sinopec com 87 mil bpd (2,5%); 4 - Petrogal com 82,6 mil bpd; 5 - Statoil com 42,5 mil bpd; 6 - Shell com 34,5 mil bpd.

Unindo a produção da BG com a Shell que hoje são uma só empresa, ela amplia ainda mais a sua posição de segunda maior produção do país com 336 mil barris por dia, exatos 10% da produção nacional. A empresa tem objetivo de superar 500 mil barris até 2020.

Por bacia, a produção na de Campos foi de 1,663 Mboe/d. A Bacia de Santos cada vez se aproxima mais com 1,298 Mboe/d, com o dobro da produção de gás em relação a Campos. A produção apenas em 66 poços do pré-sal já atingiu a 44% do total produzido no país.

Veja abaixo a evolução que consta da página 8 de Boletim nº 73 da ANP, setembro de 2016:


quinta-feira, novembro 03, 2016

O movimento espacial na receita dos royalties entre os municípios do ERJ

O blog publicou aqui, no dia 1 de setembro 2016, uma nota comentando que os royalties do petróleo recebidos pelos municípios fluminenses vinha sofrendo uma movimentação espacial importante.

As participações governamentais decorrentes da extração/produção geram as parcelas mensais dos royalties e as trimestrais, chamadas de especiais, decorrentes do campos com grande produção.

Nos últimos meses, elas estão reduzindo nos municípios da região Norte e Baixadas Litorâneas e crescendo na região metropolitana, de forma especial, a arrecadação dos royalties em Maricá e Niterói.

Desta forma, as parcelas dos royalties somadas dos municípios de Maricá e Niterói saíram de R$ 78,8 milhões em 2010, para R$ 534 milhões em 2015, com o colossal aumento de 670%.

Enquanto isto, as parcelas somadas de Arraial do Cabo, Cabo Frio, Búzios, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé caíram de R$ 981 milhões para R$ 731 milhões. Uma redução percentual de 25%.

No Norte do ERJ, as receitas somadas de royalties recebidas pelos municípios de Quissamã, Campos dos Goytacazes e São João da Barra caíram 36 %, entre 2010 e 2015, saindo de R$ 1,309 bilhões para R$ 832 milhões.




Interessante observar que esta movimentação se deu junto da desvalorização do preço do barril do petróleo no mercado internacional que está entre os critérios regulatórios dos valores pagos dos royalties aos governos.

Este movimento a favor de Maricá e Niterói se explica por conta do aumento do volume de produção de petróleo e gás na Bacia de Santos (acima de Búzios) e nas reservas da camada do Pré-sal. Este movimento continua ocorrendo junto aos municípios litorâneos e petrorrentistas fluminenses.

Até outubro deste ano (2016) Maricá tinha arrecadado entre royalties + PE um total de R$ 200,4 milhões. Enquanto Macaé ficou com R$ 207,3 e Campos dos Goytacazes, R$ 240,6 milhões.

Dentre os três grupos de municípios selecionados para a confecção do mapa acima, agora em 2016 eles receberam de forma conjunta: Niterói + Maricá = 372 milhões; Arraial do Cabo + Cabo Frio + Búzios + Casimiro de Abreu + Rio das Ostras + Macaé = R$ 403 milhões; Campos dos Goytacazes + Quissamã + São João da Barra = R$  333,8 milhões.

Assim, em termos de evolução percentual das receitas dos royalties + PE e a dinâmica espacial destas, em termos dos municípios petrorrentistas do ERJ - considerando os atuais e relativos baixos preços do barril de petróleo - e a produção por bacias e campos de petróleo confrontantes, se pode perceber que a erosão das receitas de Campos e SJB é bem maior do que a de Macaé somada aos demais municípios das Baixadas Litorâneas.

É certo que ao final de 2016 ou início de 2017, Maricá e provavelmente Niterói já tenham ultrapassado Macaé em parcelas recebidas de royalties do petróleo e se aproximado do valor recebido por Campos dos Goytacazes, que é o maior neste tipo de arrecadação, não apenas do ERJ, mas de todo o país.

O fechamento de alguns poços e a redução das atividades na produção de outros campos petrolíferos na Bacia de Campos contribuirão para a aceleração desta movimentação que já traz repercussões identificadas sobre o território. Seguimos acompanhando.

PS.: Atualizado às 17:20:
Alertado pelo professor Helio Gomes, sobre os equívocos na redução dos percentuais dos royalties entre 2010 e 2015 dos grupos de municípios de Arraial do Cabo, Cabo Frio, Búzios, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé caíram de R$ 981 milhões para R$ 731 milhões. Na verdade uma redução percentual de 25% e não de 34% como saiu antes.

E de Campos dos Goytacazes, Quissamã e São João da Barra, que ao caírem de 1.309 bi em 2010 para R$ 832 milhões em 2015, tiveram um redução percentual de 36% e não de 57% como saiu antes. Os percentuais também já foram corrigidos no mapa.

Diabo & portos

O diabo continua morando - e bem - nos detalhes. O pedido de Crivella ao governo federal para ficar com o Porto do Rio, fazendo a sua municipalização, chama a atenção.

O prefeito da capital já tem tantos problemas para resolver e ele ainda quer o porto?

Aliás, é interessante. Cunha adora os portos. O Temer então nem se fala, morre de amor pelo Porto de Santos faz tempo. O Cunha sabe bem disto.

Eu venho há mais de 4 anos estudando os sistemas portuários e suas intensas relações com os poderes políticos e o Estado. Mas, para levantar hipóteses sobre estes interesses talvez não fosse necessário tanta pesquisa.

Os portos são janelas para o mundo, de entrada ou para saída. Os controles alfandegários e os tributos podem ali ser controlados.

Os custos pesados de de dragagem e infraestrutura de acesso são bancados, quase totalmente, pelo Estado, mas os negócios são privados e lucrativos.

Sim, mas que é interessante este amor pelos portos, isto é. E ainda dizem que o do Rio é deficitário. Os impostos ali arrecadados não bancariam as despesas. 

Sim, sim... os diabos e os portos?!