quinta-feira, maio 26, 2016

O petróleo chegou a US$ 50. O que isto quer dizer? E o Brasil neste cenário?

O petróleo hoje chegou a US$ 50 o barril. Aliás, passou e esteve a US$ 50,42. O maior preço no período dos últimos sete meses.

Porém, já oscilou para US$ 49,29. Agora às 14 horas está a US$ 49,84, no mercado internacional, onde não há feriado.

Estas grandes oscilações refletem diversas informações e também especulações. Queda maior que o previsto dos estoques de petróleo nos EUA, redução da produção na Nigéria, Líbia e também EUA.

Ao contrário do que muitos podem imaginar isto pode não se manter. O patamar dos US$ 50, o barril, é o ponto em que a produção de xisto (shale) nos EUA volta a ser interessante para que os produtores retomem suas produções.

O mesmo acontece com outros produtores chamados de marginais, que são aqueles que possuem altos custos de extração.

Assim, o que se passa neste momento do ciclo petro-econômico deve ser observado, porque, de certa forma a produção de petróleo e gás do xisto americano, na prática, tende a a ser no memento atual regulador da produção e dos preços no mercado mundial.

A produção de petróleo nos países da Opep está subindo, especialmente na Arábia Saudita, onde se estima que possa passar dos 11 milhões de barris por dia e no Irã que segue aumentando sua produção, depois da suspensão do bloqueio contra o país.

A reunião da Opep prevista agora para os primeiros dias de junho, não deve ter resultado positivo, sobre acordo para limitação da produção, para estabilizar o preço nesta faixa.

Esta faixa de preço em torno dos US$ 50 não é ruim para países como o Brasil, especialmente, por conta do potencial e da produção real já em desenvolvimento.

De outro lado, o quadro reforça uma hipótese que venho defendendo que no presente e futuro imediato - de até dois ou três anos - o valor do barril de petróleo oscile entre US$ 40 e US$ 50. A não ser o espoucar de um conflito regional entre produtores, o que não é difícil de ocorrer diante das instabilidades.

Porém, o cenário após 2019 e 2020 está ficando cada vez mais claro, diante da redução das reservas e dos trabalhos de exploração/perfuração para a sua busca.

Só estudando o ciclo petro-econômico em suas várias dimensões e não apenas a econômica, mas espacial, política, geopolítica é possível intuir e melhor interpretar esta dinâmicas.

É neste cenário que afirmo que o potencial brasileiro neste setor é um dos motivos dos problemas políticos que vivemos.

Quando da real descoberta do potencial das reservas do pré-sal já se falava abertamente, que para o bem e/ou para o mal, o Brasil tinha entrado na rota da geopolítica da energia de forma irremediável.

Negar este fato é sofres as consequências, sem se se planejar, como deveria, para simultaneamente, aproveitar os bônus e evitar os ônus desta colossal descoberta. Seguimos acompanhando.

terça-feira, maio 24, 2016

O desmonte e a entrega das rendas petrolíferas do Brasil

O setor de petróleo é um dos eixos claros de intervenção do governo temerário-golpista. Ele evidencia a dimensão geopolítica da trama midiático-jurídica-parlamentar do golpe, e clarifica as ações que a aliança tucano-pemedebista oferece, assumindo sua incondicional subordinação e dependência que tenta anular nossa antiga luta pela soberania nacional.

Assim, o governo temerário anunciou hoje pela manhã, sua disposição em acabar com o Fundo Soberano que tem recursos gerados pelas rendas petrolíferas do país.

O Fundo Soberano já acumula mais de R$ 2 bilhões e começava a crescer. Ele visava transferir para a população os recursos das nossas riquezas minerais para ser utilizado em serviços de educação e suplementarmente com saúde para o povo. 

É histórico em todo o mundo a disputa pela renda petrolífera entre o Estado e as empresas. Impostos, royalties, outorgas, fundo soberano são formas e instrumentos tributários e de regulação para dividir com a população, os dividendos gerados pela extração da riqueza inter-geracional.

Eles são tão ou mais importantes que o patrimônio sobre os ativos petrolíferos descobertos e transformados em reservas. Reduzir a regulação, abrir mão destes fundos é facilitar o lucro das petroleiras operadoras da extração, em detrimento do Estado que precisa cumprir o seu papel de viabilização dos direitos e bem-estar da sua população.

A decisão do governo temerário de meter a mão nestes recursos para pagar déficits é o início do fim das obrigações constitucionais em favor dos direitos sociais dos cidadãos. 

O próximo passo é acabar com o regime de partilha, mais adequado para áreas como a do pré-sal de grande e conhecido potencial; repassar os ativos das reservas de petróleo; reduzir ao máximo as exigências de regulação, entre elas, a Política de Conteúdo Local (PCL), etc.

O entreguismo segue sem nenhum pudor o ritmo do governo golpista. Agora, a elite econômica, volta para o seu esporte preferido: entregar as riquezas e viver de rendas ficar com um percentual do que for entregue.

Seguem o script ao acabar com o fundo soberano porque já decidiram repassar os ativos e as rendas petrolíferas para os gringos. Serra e a elite paulista, por trás do vazamento da Folha, seguem sua escaramuça para entregar à Chevron, o prometido.

segunda-feira, maio 23, 2016

"Há mais de 60 anos não se descobre tão pouco petróleo"

O título da reportagem é do portal "Sábado" de Portugal que transcrevemos abaixo e reproduz avaliação do banco Morgan Stanley que atua fortemente no setor de petróleo que usam dados da respeitada consultoria norueguesa Rystad Energy, cujos relatórios acompanho com frequência.

O texto aponta aquilo que nos aguarda para o próximo ciclo petro-econômico, considerando que estamos na fase de colapso do ciclo que está se encerrando.

Assim, este nunca seria o momento de vender os ativos de qualquer forma e a qualquer preço, como querem os entreguistas. A avaliação é do banco Morgan Stanley que conhece o setor, seus riscos e oportunidades e tem histórico de investimentos no setor:

"Dois terços da demanda atual só podem ser satisfeitos através de campos em produção ou que já se encontram em desenvolvimento", como é o caso das nossas colossais reservas dos campos da área do Pré-sal.

A matéria diz textualmente que há 63 anos não se descobre tão pouco petróleo. 

Pois bem, aí está o grande desafio, quase uma contradição. O setor precisa de mais investimentos para descobrir novos campos ou reservas, com menos investimentos, por conta da contenção de investimentos devido as baixas receitas decorrentes dos baixos preços. Haverá necessidade de capitalizações para sustentar as dívidas para investir no desenvolvimento destas áreas promissoras.

Vou mais longe, ao estudar mais fontes sobre o assunto. São raras as hipóteses de descobertas de tanto volume, neste período seguinte em que o petróleo ainda será muito importante na matriz energética mundial, apesar das decisões da Cop-21.

Daí que sair entregando tudo neste momento da fase de baixa do ciclo, é não apenas um imenso equívoco, mas um crime de lesa-pátria considerando tratar-se de um bem inter-geracional. 
Os grifos são do blog:

"Há mais de 60 anos que não se descobria tão pouco petróleo"
"Tanto nos EUA como no resto do mundo, a descoberta de novas jazidas de ouro negro ficou em mínimos de 63 anos. A prazo, a travagem na descoberta pode abrir um gap entre procura e oferta, alerta o Morgan Stanley".


Por Paulo Zacarias Gomes - Jornal de Negócios

"As descobertas de petróleo travaram a fundo no ano passado, com 2015 a ser o ano em que menos jazidas foram detectadas desde 1952.

Segundo as contas de analistas do Morgan Stanley citando a Rystad Energy, divulgadas esta segunda-feira, 23 de Maio, foram descobertos 2,8 mil milhões (bilhões) de barris de petróleo em 2015 fora dos Estados Unidos, o que equivale a um mês de consumo a nível mundial. Incluindo aquele país, as descobertas aumentam para 12,1 mil milhões (bilhões), também o valor mais baixo em 63 anos.

Esta foi mais uma das consequências das fortes quedas do preço do petróleo nos mercados internacionais no ano passado, que levaram companhias como a Shell e a Exxon Mobil a cortarem o investimento em exploração perante o excesso de produção internacional e os sinais de abrandamento das principais economias do mundo.

A prazo, adverte o banco, o recuo na descoberta de novos poços pode levar a um distanciamento entre a oferta e a procura no futuro. Segundo o Morgan Stanley, mesmo com a previsão da queda mundial do consumo em 86 milhões de barris em 2030 devido aos compromissos para limitação do aumento da temperatura média mundial, cerca de dois terços da procura atual só podem ser satisfeitos através dos campos em produção ou que se encontram já em desenvolvimento.

Por outro lado, a reentrada de players no mercado – caso do Irã, abolidas que estão as sanções comerciais – poderá criar um efeito de compensação, ao derramar mais oferta a nível internacional.

O Morgan Stanley espera que as empresas em média gastem mais do que até ao momento nos próximos 25 anos para criar nova capacidade, mesmo tendo em conta a queda de fornecimento antecipada pela aplicação dos acordos do clima em Paris. Ainda assim, a atividade de exploração continua a ser "desafiante", perante a deterioração das receitas desta atividade nos últimos anos.

O preço das unidades de referência a nível internacional reage em direções distintas, com o West Texas Intermediate a registar os primeiros ganhos em quatro sessões, avançando 0,34% para 47,91 dólares por barril em Nova Iorque, enquanto o brent do Mar do Norte perde valor pela quarta sessão (-0,9% para 48,28 dólares).

A condicionar as negociações desta segunda-feira estão também o reinício de fornecimento de petróleo no Canadá, depois dos fogos florestais que lavraram durante semanas, e a continuação do aumento das exportações do Irã".

O governo golpista mostra que seu interesse é apenas o poder e não a Nação

O governo temerário é um blefe. O diálogo do Jucá já amplamente divulgado confirma a narrativa que a mídia internacional sustentou contra a mídia comercial nacional: o impeachment é o golpe dos ladrões contra Dilma.

Em 10 dias, avançou sobre políticas sociais, acabou com a CGU, o MinC e tenta imobilizar as investigações lançando a Operação Abafa a Jato, em articulação entre Temer e Cunha.

No governo temerário golpista já se dá como certo que Jucá será defenestrado do Planejamento. O Jucá em entrevista no final da manhã misturou alhos com bugalhos e exige uma seletividade, reclamou da delimitação de quem tem culpa e quem não tem e agora rechaça vazamentos, quando comemorava antes.

Jucá reclamou da Justiça que leva dez anos para definir e punir os culpados. Teve a cara-de-pau de dizer que "não há demérito em ser investigado". "Defende o governo de salvação nacional". Salvação de quem?

Com um pouco de análise do discurso ele deixou claro que tende a ser rifado do governo temerário. Isto ficou claro ao responder a uma pergunta que tentava explicar as alterações de hoje no setor financeiro: "Se eu ficar e for confirmado as coisas se normalizam".

Outro ato falho: "Neste diálogo, nesta conversa eu não falo isto". Então em outras conversas? Os atos falhos continuam... "A Lava Jato era uma coisa antes e agora no governo Temer". Mais claro impossível.

O pior foi a tentativa de explicar o que é "boi de piranha" ao dizer que seria para pegar quem tem culpa e não para entregar alguém e salvar outro como disse no diálogo gravado.

O Jucá se enrolou ainda mais ao confirmar o diálogo e tentar construir explicações que não são sequer razoáveis. Ficou ainda mais claro que se faz uma Operação Abafa a Jato.

O governo Temerário está todo enrolado. Está clara a divisão nas hostes golpistas.

Jucá sabe quem estaria por trás do vazamento de seu diálogo. Reclamou dos deputados da base que estão defendendo sua saída do ministério e disse que há "setores que querem fomentar crises". Diz isso não falando do PT, mas de gente próximo ao governo temerário e cita que a Folha estaria por trás disto. Só faltou dizer que era o Serra.

Jucá sabe que a briga nas hostes golpistas veio de São Paulo e possivelmente do PSDB. Ele quase disse isso, mas os fracos jornalistas não indagaram nada sobre isto. Jucá atirou na FSP: "Eu não vou esquentar matéria para Folha, para não entrar em pegadinhas", alegou para explicar porque não quis se pronunciar ontem, quando foi procurado pelos jornalistas do jornal.

O Serra quer trocar de ministério, depois de ter constrangido todo o Itamarati com toda a sua violência, contrário ao que determinam as normas diplomáticas.

É golpe por dentro do golpe. É luta pelo poder, exclusivamente. Mais do que a luta pelo poder o povo quer saber quem cuida dos seus interesses.

O governo temerário é um blefe e não se sustenta. O país está ainda pior hoje que antes. E tudo indica que piorará. Não bastará a troca de Jucá.

A bomba do Cunha e agora do Jucá estão acesas e o tempo agora depende da queima do cordão detonador. A conferir! #ForaTemer!

domingo, maio 22, 2016

Ainda sobre o orçamento de 2015 do ERJ: ICMS equivale a 73% da receita tributária

No ano de 2015, as receitas tributárias do ERJ foram responsáveis por 57% das receitas totais, conforme gráfico abaixo. Os 43% restantes são referentes outras receitas correntes, contribuições patrimonial, transferências do governo federal e operações de crédito.

Não se espantem, mas o valor total da receita estadual em 2015 foi de R$ 75,6 bilhões, 3,19% superior à meta de R$ 73,2 bilhões do próprio governo estadual. Apenas em termos reais, se contabilizada a inflação, a receita foi 9,44% inferior ao exercício anterior. Mais um dado que mostra que o déficit financeiro do estado do tamanho de R$ 18 bilhões tem outras explicações.


Das receitas tributárias, como se sabe a maior delas é com a arredação do ICMS que equivale, conforme gráfico abaixo a 73,6% de todos os impostos e taxas recebidas pelo governo estadual.

Apenas para esclarecer aos que não são familiarizados com algumas siglas das receitas orçamentárias: FECP é Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (FECP) e ITCD é Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD).


Em volume de dinheiro, a receita com ICMS chegou a 31,9 bilhões em 2015, contra R$ 31,5 bilhões no ano anterior de 2014. Ou seja, maior em valores absolutos, ou como é chamado nominais e menor em valores se levada em conta a inflação pelo IGP.

Interessante ainda observar que dentre as áreas que mais contribuíram para a receita de ICMS está a de comércio com 33,17%, equivalente a R$ 10,6 bilhões. O setor de indústria de transformação é o segundo com receita de R$ 7,7 bilhões (24,2%). Em terceiro o setor de eletricidade e gás com R$ 6 bilhões com (18,71%) e com crescimento em 2015 de R$ 1 bilhão de receitas.

Dentro da indústria de transformação há o setor de derivados de petróleo que teve receita de R$ 1,2 bilhão que ao contrário do que se comenta sobre tudo do setor de óleo, teve um acréscimo real de receita de 28,9%.

Os dados são claros até para quem não mexe com análise orçamentárias. Por eles é possível perceber, mais uma vez, que as isenções e reduções tributárias de ICMS promovidas pelo ERJ, quando da fase de expansão da economia foram exageradas. Elas agora pesam, por conta da atual fase de colapso do ciclo econômico, com redução das atividades, além do enorme e histórico peso das dívidas estaduais.

Veja tabela abaixo elaborada pelo TCE-RJ sobre a evolução das renúncia fiscais declaradas pela própria Sefaz-RJ, que questiona o valor de R$ 185 bilhões de renúncias, mas admite o valor de R$ 47 bilhões, que é quase o triplo do atual déficit do ERJ da ordem de R$ 18 bilhões.

Dívidas que foram renegociadas de forma, aparentemente, irresponsáveis que levou o caixa do estado às dificuldades que se assiste, onde as receitas não conseguem sequer pagar o funcionalismo e banca uma parte ínfima do custeio da máquina, em boa parte paralisada, deixando o povo sofrer as consequências. Continuamos observando.

Se desejar leia duas outras postagens do blog sobre a execução orçamentária do ERJ em 2015. Aqui e aqui, respectivamente nos dias 21 de maio e 19 de maio de 2016.

PS.: Atualizado às 22:32: Para acrescentar os valores da renúncias apuradas pelo TCE-RJ e informadas pela Sefaz-RJ junto com a tabela abaixo:


Petrobras ratifica posição sobre sua base operacional em Macaé que o blog havia analisado

O jornal macaense, O Debate, em matéria publicada ontem (21/05, aqui), do jornalista Guilherme Magalhães ratifica dados e análise que este blog havia descrito neste espaço, em pelo menos cinco postagens (aquiaqui, aquiaqui e aqui) sobre a atuação da estatal em sua base operacional em Macaé que no ano que vem completa quarenta anos de instalação.

O fato reforça a interpretação de que o setor de petróleo e gás vive um processo de rearranjo espacial e especialização, se dividindo com outra bases operacionais, ao norte, no Açu e ao sul no Rio/Niterói, como havíamos comentado e que constituem o que passei a chamar de "Circuito Espacial do Petróleo e dos Royalties" (CEPR-RJ).

A matéria também reforça a informação sobre a presença de outras operadoras (petroleiras) para além da Petrobras e das empresas de engenharia que prestam serviços às petroleiras atuando neste circuito do petróleo. O blog tomou a liberdade de republicar abaixo a reportagem de O Debate:

"Petrobras afirma que segue em Macaé"
"Estatal garantiu ontem que manterá atividades e operações na Bacia de Campos"


Em produção há 39 anos, a Bacia de Campos é um dos maiores complexos petrolíferos offshore do mundo. Para gerir as suas operações nesta bacia, que tem uma de suas unidades de operações sediada no município de Macaé, a Petrobras mantém uma estrutura sólida, envolvendo bases administrativas, áreas de armazenamento, infraestrutura aeroportuária, portuária, de processamento de gás e estocagem e transferência de petróleo. Em 2015, a produção média mensal da Bacia de Campos fechou acima de 1,4 milhão de barris de óleo e cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia, representando cerca de 70% da produção nacional. Do volume total produzido na Bacia de Campos, 30% são provenientes do pré-sal.

O Plano de Negócio e Gestão 2015-2019 da Petrobras prioriza, para a Bacia de Campos, investimentos no pós-sal, onde, em 2017, está previsto o início da produção em dois campos: Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça. Além disso, no mesmo ano, há a previsão de realização do Teste de Longa Duração do reservatório de Forno, no pré-sal da concessão de Albacora. Ressalta-se, ainda, que a Petrobras obteve, para os campos de Marlim e Voador, a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a prorrogação da vigência dos contratos de concessão até o ano de 2052.

A Petrobras, na Bacia de Campos, conta atualmente com 53 plataformas. Algumas dessas unidades estão alocadas em concessões operadas pela companhia em parcerias com a Shell, no campo de Bijupirá/Salema; com a Chevron, nos campos de Papa-Terra e Frade; com a Repsol Sinopec Brasil, no campo de Albacora Leste; e com a British Petroleum, em dois blocos exploratórios.

É a partir de Macaé que são monitorados remotamente o escoamento, a pressão, a vazão e a temperatura do óleo e do gás produzidos diariamente em grande parte das unidades marítimas. Também é a partir deste município que são feitos o planejamento, a programação, o controle e o monitoramento das operações submarinas e das embarcações especializadas e de apoio.

Outras operadoras também realizam atividades na Bacia de Campos, a exemplo das empresas PetroRio, Statoil, Shell, Chevron, BP, Anadarko, Repsol Sinopec, Total e OGX.

Outras operações
Na cidade, também está localizada a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB), que é o maior polo processador de gás natural do Brasil, ponto de entrada no continente do gás da Bacia de Campos e também de parte do gás do pré-sal da Bacia de Santos, escoado pelo recém-inaugurado Gasoduto Rota 2. A unidade passa por ampliações, com adequações nas áreas de processamento, tratamento e logística (transferência e estocagem). A operação do Rota 2 foi iniciada em fevereiro de 2016. São sete sistemas de tratamento e processamento na nova unidade que, juntamente com as já instaladas, estão prontas para receber até 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Nos últimos anos, a companhia tem focado na ampliação e modernização dos prédios localizados em suas maiores bases (Imbetiba e Imboassica), visando realocar sua força de trabalho em prédios próprios. A partir dessa estratégia, e também com objetivo de otimizar custos, a Petrobras está reavaliando os seus contratos de locação de imóveis na cidade.
Na área de logística, no mês de abril, a companhia iniciou operações em dois dos seis berços contratados no Porto do Açu, em São João da Barra, e está avaliando o reordenamento das atividades portuárias entre os portos do Rio de Janeiro e de Imbetiba, em Macaé, e o novo terminal. Ressalta-se que essa estratégia não afeta as operações offshore na Bacia de Campos, e não significa a interrupção das atividades do Porto de Imbetiba.

Nos bairros de Imboassica e Novo Cavaleiros, em Macaé, encontra-se o maior conglomerado de armazenagem da companhia, agregando 65% de todo o estoque da Petrobras no país, com atividade ininterrupta há mais de 35 anos.

Para realizar todas as operações com segurança, garantindo a integridade física das pessoas e das instalações, e preservar o meio ambiente, a Petrobras mantém diversos programas e conta com a estrutura do Centro de Defesa Ambiental - CDA, da Bacia de Campos. Ele visa proporcionar o prontoatendimento às eventuais emergências relativas à vazamento de óleo. A estrutura acaba de receber uma área para a garagem das embarcações e depósito de equipamentos (cabos e mangotes), na orla de Imbetiba, conferindo maior agilidade aos atendimentos.

Ainda com relação às operações da Bacia de Campos, o Aeroporto de Macaé é utilizado para o transporte de pessoas, com 31 aeronaves que movimentam mais de 30 mil passageiros em aproximadamente 1,5 mil voos por mês.

Também está instalada em Macaé a Usina Termelétrica Mário Lago, capaz de abastecer com energia elétrica uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes. A unidade é a segunda maior da empresa, o que consolida a cidade como ponto de destaque dentro do cenário energético do Brasil. A Mário Lago é a maior termelétrica de ciclo aberto do país, tendo a característica de poder alcançar a sua plena carga (de 0 a 900MW) em cerca de 1h. A UTE, que tem como combustível o gás natural, ainda reúne o maior complexo de turbinas do tipo LM 6000 do mundo, com uma capacidade instalada de 928 MW de potência e consumo de 5,3 milhões de m³/dia de gás.

Com todo esse complexo industrial, a Petrobras mantém uma infraestrutura adequada e já instalada no município de Macaé, envolvendo bases administrativas, áreas de armazenamento, infraestrutura aeroportuária, portuária e de processamento da produção.

Como é de amplo conhecimento, a Petrobras vem atuando na restruturação administrativa e de seus negócios e na otimização de custos, nas diversas regiões do Brasil e no exterior, visando atender ao novo cenário internacional da indústria de óleo e gás. Esse amplo trabalho tem por objetivo a competitividade dos negócios da companhia, garantindo retorno para a sociedade e seus acionistas.

Neste cenário, a Petrobras reitera o seu vínculo com o município de Macaé e se prepara para comemorar, em 2017, os 40 anos de produção na Bacia de Campos, visando o futuro sustentável das suas atividades e contribuindo para o desenvolvimento da região e do país.

sábado, maio 21, 2016

Evolução dos gastos com pessoal no ERJ demonstra que o déficit tem outra origem

Outra informação que vem sendo deturpada pela mídia comercial, bem financiada pelo governo estadual, é de que os salários dos servidores são responsáveis pelo bilionário e estrondoso déficit financeiro de cerca de R$ 18 bilhões.

A Associação dos Analistas da Fazenda Estadual - RJ divulgou um dos dados do relatório do TCE-RJ sobre as contas do ERJ-3015, que mostra a evolução dos gastos com servidores da ativa do executivo fluminense, entre 2011 e 2015, que subiu apenas 7% em quatro anos.

Estes dados incorporam ainda os dados do pagamento dos terceirizados das OSs (Organizações Sociais) que atuam no setor de saúde. No ERJ os gastos com os inativos são contabilizados à parte desde que o Rio Previdência foi criado.

Os dados mostram que a caixa preta das finanças do ERJ só agora começa a ser melhor explicitada para explicar o rombo de R$ 18 bilhões. As dívidas do estado que vem sendo rolada e negociada sob a forma de títulos em mercados discutíveis, junto com as dezenas de isenções tributárias bilionárias são a raiz do problema. Como sempre as vantagens estão a favor dos bancos/fundos (setor financeiro) e de grandes empresas.

Fusão entre Technip e FMC, empresas do setor petróleo, pode trazer desdobramentos na região

No dia 11 de dezembro do ano passado (2015), o blog em nota comentou aqui, sobre a possível fusão entre as empresa do setor de petróleo, a francesa Technip e a americana FMC Technologies.

O blog também vem comentando neste espaço, que a fase de baixa do ciclo petro-econômico é propícia da fusões e aquisições entre empresas que tendem a formar grandes oligopólios. 

Aliás, no dia 2 de maio de 2016, o blog também comentou aqui sobre relatório da consultoria A.T. Kearney que informava que só nos dois últimos anos, um total de 3.229 fusões e aquisições aconteceram pelo mundo, no setor de petróleo e gás.

Estas fusões envolveram antes deste anúncio, a magnífica quantia de US$ 950 bilhões, ou quase US$ 1 trilhão. Fato é que a fase de baixa do ciclo está levando a enxugamento em especial do setor de serviços especializados em engenharia de petróleo.

Pois bem, assim, nesta última quinta-feira, as empresas Technip e a FMC, fornecedoras e prestadoras de serviços na área de petróleo anunciaram a fusão, formando uma companhia com valor de mercado de US$ 13 bilhões. Segundo seus gestores, a fusão levará à economia de US$ 400 milhões, em custos, a partir de 2019.

A fusão de mais duas empresas do setor de petróleo, verticaliza ainda mais o setor de fornecimento de materiais, equipamentos e serviços desta cadeia produtiva, onde as corporações globais se oligopolizam, numa velocidade absurda, impulsionada, por mais uma crise cíclica.

Base da Technip junto ao Terminal 2 do Porto do Açu
Como dissemos em dezembro passado, sob o ponto de vista nacional e regional, a fusão entre a Technip e FMC pode trazer mudanças nas bases operacionais que as duas empresas, hoje, possuem no ERJ, em especial, em Macaé e junto do Porto do Açu, município de São João da Barra.

O fato reforça a informação obtida pelo blog de que a americana FMC Technologies estaria em conversações com a também americana, Edison Chouest que monta base portuária no Terminal 2 do Porto do Açu para atender contrato obtido em licitação com a Petrobras. A conferir!

sexta-feira, maio 20, 2016

Entre bicicletas & tratores

Ainda não entendeu?

Os golpistas do governo Temerário condenaram as pedaladas para tratorarem seus direitos.




Angola ultrapassa Nigéria e se torna maior produtor de petróleo da África

Segundo relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgado esta semana informa que Angola ultrapassou a Nigéria e se tornou a maior produtora de petróleo do continente africano com uma produção de 1,788 milhão de barris por dia. Este volume de produção de abril é 17,8 mil barris, maior que a produção de março.

Enquanto isso, a Nigéria até aqui o maior produtor de petróleo da África teve sua produção reduzida em 56,8 mil b/dia, entre março e abril, por conta de conflitos internos que aumentaram com a redução do dinheiro circulante, em função do baixo preço do petróleo. assim, o volume total de produção nigeriano caiu para a média de 1,637 milhão de barris diários.

A produção de petróleo em Angola é liderada pela estatal Sonangol que é concessionária dos campos e divide produção operada por outras petroleiras mundiais, entre as quais a francesa Total.

Junto da empresa de serviços de petróleo, também francesa Technip, a Total comanda a produção offshore, no Atlântico, em área denominada "Bloco 17", localizado 140 quilômetros de Luanda e a uma profundidade entre 1.100 m e 1.900 metros de profundidade, através de 4 navios de produção, tipo FPSO.

Em Angola a concessionária é a Sonangol, mas, além da total diversas outras petroleiras operam a produção, como a norueguesa Statoil, a americana Exxon Mobil e a britânica BP. O petróleo equivale a mais de 90% das exportações angolanas e cerca de 80% de suas receitas fiscais, de forma similar ao que ocorre com os países do Oriente Médio.

quinta-feira, maio 19, 2016

Peso dos royalties nas receitas do ERJ entre 2010 e 2015

Segundo números oficiais da Secretaria de Fazenda do ERJ, as receitas dos royalties e participações especiais (PE) do petróleo teve uma variação de quase 50%, no período entre 2010 e 2015. Assim, equivalia a 13,1% da receita total em 2010 e apenas 7% ano passado (2015).

Em 2012 aconteceu o pico da fase de expansão do preço do barril de petróleo, quando esta participação chegou a 13,6%. Daí em diante ela caiu para 11,2% em 2013 e 2014 e chegou a apenas 7% no ano passado (2015), apesar da produção ter tido crescimento contínuo neste período.

Enquanto isso, as receitas com o ICMS, a maior do estado, chega ao percentual de 73,6% de toda as receitas tributárias do ERJ.

Como se pode ver mais uma vez, a fase de baixos preços do barril de petróleo não é a principal causa do atual baque financeiro do governo do ERJ.

"Os últimos guerrilheiros" por Carlos Alberto Jr.

O jornalista campista Carlos Alberto Jr., ex-aluno da ETFC que fui encontrar em Angola, hoje, talvez, sentindo os rumos que o jornalismo tupiniquim tomariam, enveredou para a área de documentários e cinema. Assim, Carlos me escreveu para falar de um projeto interessante que tenta se viabilizar com recursos de captação (tipo crowfunding) cujo título é "Os últimos guerrilheiros". 

Assim, eu sugiro que leiam e contribuam, na medida do possível, porque cultura, também passou a tomar um rumo que os governos golpistas sempre destinam a quem fazem pensar e questionar.

Assim, Jr. apresenta seu projeto: "A ideia de escrever um livro-reportagem sobre ex-guerrilheiros sul-americanos surgiu durante pesquisa para um projeto de documentário relacionado a movimentos de esquerda no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. As leituras me levaram à Junta Coordenadora Revolucionária (JCR), uma aliança entre grupos guerrilheiros de esquerda sul-americanos para financiar e organizar operações conjuntas de combate às ditaduras nos países do Cone Sul. A Junta era formada pelo Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), do Chile; o Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), da Argentina; o Ejército de Liberación Nacional (ELN), da Bolívia; e o Movimiento de Liberación Nacional - Tupamaros (MLN-T), do Uruguai. Os grupos foram dizimados pelas ditaduras. Boa parte dos integrantes acabaram presos, torturados e mortos. A primeira fase do projeto pretende resgatar a trajetória de três personagens que contribuíram para a luta contra os regimes militares em seus respectivos países".

Leiam aqui mais detalhes sobre o projeto e sua busca de financiamento. 

terça-feira, maio 17, 2016

Os repasses dos royalties são apenas a 3ª receita no orçamento de Macaé

Observando as principais receitas do orçamento de Macaé é possível identificar as vinculações com a Economia do Petróleo - que se territorializou - e hoje, vai bem para além dos royalties do petróleo

Ao contrário dos demais municípios petrorrentistas da região, em Macaé a receita com os royalties do petróleo é apenas a terceira em volume de arrecadação. Pela ordem estão na frente a receita com o ISS (Imposto Sobre Serviços) e depois o repasse da receita com o ICMS arrecadada pela Secretaria Estadual de Fazenda e depois repassada sob a forma de cota-parte para o município.

Em valores de 2015, as principais receitas no orçamento público do município de Macaé que totalizou 2,115 bilhões foram:
1) ISS - R$ 719 milhões;
2) ICMS (Cota-parte) - R$ 455 milhões;
3) Royalties + Participações Especiais (PE) - R$ 343 milhões.

A evolução das receitas do ICMS em Macaé
O valor da cota-parte do ICMS, que é um tributo estadual que o município de Macaé recebe está ligado às atividades de processamento de gás natural, geração de energia elétrica (nas duas UTEs), além da receita obtida no comércio, em valores muito menores. Grosso modo falando, o município recebe de volta, dentro do cálculo da cota-parte do ICMS 25% aquilo que é pago pela empresa que movimenta esta atividade econômica.

Macaé é um dos três únicos municípios do ERJ que arrecada mais ICMS do que se recebe de volta coo repasse, através das cotas-partes, transferidas mensalmente pelo governo estadual. Ainda não se tem o valor de 2015, mas em 2014, a receita total de ICMS apurada em Macaé superou os R$ 1,6 bilhão, embora o município tenha recebido de volta no total o valor de R$ 414 milhões.

Em 2015, a receita com a Cota-parte recebida como transferência da Secretaria de Fazenda do ERJ, apesar, da redução com o início da crise, atingiu o valor de R$ 455,5 milhões, um valor 7,6% a mais do que em 2014. Assim, em 2015, esta receita passou também passou a receita dos royalties (+PE) do petróleo, só ficando atrás da receita municipal com o ISS.   

Com o início da processamento do gás natural (GN) vindo do Pré-sal, no litoral de SP, que se deu a partir de fevereiro deste ano, esta arrecadação nos primeiros meses de 2016 deve ter sido ampliada.

Aliás isto já vem ocorrendo nos três últimos anos e podem compensar e superar a perda de receita com a redução de outras atividades econômicas em Macaé, decorrente da fase de baixa do ciclo do petróleo. Desta forma, o reflexo que se vê na redução dos empregos não se reflete igualmente nas receitas públicas e no orçamento. Ao contrário daquilo que é comumente falado.

No último ano de 2015, a cota-parte recebida como transferência da Secretaria de Fazenda do Estado chegou a R$ 445,5 milhões. Só para efeito de comparação com o município de Campos dos Goytacazes, só a receita similar de cota-parte de ICMS é cerca de 50% menor, do que a obtida por Macaé.

Aliás, é interessante observar que a despeito dos problemas econômicos, até 2015, esta receita da cota-parte de ICMS de Macaé vem se ampliando. Saiu de R$ 389,8 milhões em 2013, para R$ 414,0 milhões em 2014 e alcançando R$ 445,5 milhões em 2015, ano passado.

A territorialização e a especialização da Economia do Petróleo explica o fenômeno

Como já disse em postagens anteriores, esta realidade é explicada pelo conceito que venho insistindo sobre a diferença entre o que é a Economia do Petróleo e a Economia dos Royalties. 

A Economia dos Royalties depende e é arratada pela Economia do Petróleo onde se inserem as atividades industriais e de serviços de apoio à exploração offshore, engenharia submarina, processamento de gás natural e geração de energia elétrica. 

Atividades que exigem bases instaladas no município e que geram riqueza que são tributadas pelo estado e retornam ao município. 

Assim, se pode afirmar que a economia do petróleo, a despeito da fase de baixos preços do barril e da suspensão das atividades de algumas empresas, ela avançou e se territorializou em Macaé. 

Eu venho descrevendo este processo com outras análises publicadas aqui no blog. Em especial cito quatro entre as mais recentes na ordem da mais atual para a mais antiga:

1) A postagem "Discussão sobre a crise em Macaé tem prioridade invertida" publicada aqui, no dia 3 de maio de 2016;

2) A postagem "Gasoduto que interliga Pré-sal da Bacia de Santos ao Terminal de Cabiúnas em Macaé é simbólico e inverte relação que havia com o óleo entre o RJ e SP" publicada aqui, no dia 15 de maio de 2016,

3) A postagem "Receita de ISS em Macaé cresce 3,3 vezes em sete anos e equivale a mais do dobro dos royalties" publicada aqui, no dia 20 de abril de 2016.

4) A postagem "Macaé passa Campos em orçamento total em 2015: o que isto significa?" publicada aqui, no dia 18 de fevereiro de 2016.

Desta forma, repito, que não há elementos em que se se possa afirmar que o município de Macaé vive uma crise tão grande, quanto a dos outros municípios que vivem da Economia dos Royalties na condição basicamente de petrorrentistas.

Conhecer os fatos e a realidade é fundamental para se avançar na formulação de planos e projetos que possam fazer com que o município e a região possam buscar alternativas e a desejada diversificação de sua economia, para além das atividades vinculadas ao setor de petróleo e gás. O debate está aberto e as críticas são sempre bem vindas.

segunda-feira, maio 16, 2016

Preço do petróleo já beira os US$ 50 o barril

Por volta do meio dia postei no perfil do blog no Facebook e qagora trago para este espaço duas notícias no setor de petróleo mexem com o mercado global nesta segunda feira:

1) A produção de petróleo da Nigéria caiu quase 40 por cento para 1,4 milhão de barris por dia (bpd) devido a ataques de milícias a oleodutos e outras unidades, disse o ministro do petróleo do país nesta segunda-feira. Nós estávamos com 2,2 milhões de bpd, mas perdemos 800 mil barris", disse Kachikwu.

Segundo, a agência Reuters: "a atividade petrolífera responde por 70 por cento da economia do país. Ataques de um grupo autointitulado Vingador do Delta do Níger têm prejudicado a produção de petróleo do país. O grupo realizou uma série de ataques nas últimas semanas atingindo plataformas da Chevron e da Shell."

2) Segundo o jornal amerciano Wall Street Journal (WSJ): 
"Opep prevê que oferta de petróleo pode ficar menor que a demanda em 2017". 

"Uma contração na produção dos Estados Unidos e cortes massivos nos investimentos em novos projetos vão reduzir o excesso de petróleo no mercado mundial ao longo deste ano, previu a Organização dos Países Exportadores de Petróleo na sexta-feira, acrescentando que o recuo potencialmente derrubará a oferta de petróleo em todo o mundo para um nível menor que a demanda em 2017.

A Opep prevê que mudanças na produção de países que não integram o cartel vão ajudar a reequilibrar um mercado global de petróleo que já viu os preços caírem mais de 50% desde 2014, embora a Opep tenha se negado a reduzir sua própria produção."


Às 11 horas, o barril do petróleo brent estava cotado a US$ 49,37. Agora às 17 horas o valor do barril seguia a US$ 49,08. É certo que há muita especulação no mercado de óleo cru que leva a estas oscilações. Porém, com valores próximo aos US$ 50 dólares não eram esperados. É o valor mais alto em um semestre, desde novembro do ano passado.

A redução da produção de petróleo e consequentemente da sobre-oferta nos países extra-Opep que pode chegar a 740 mil b/d, segundo a Opep (431 mil b/dia só nos EUA), ajuda a explicar este movimento.

O excesso de oferta global de petróleo foi reduzido de 1,5 milhão de b/d, para 950 mil b/d. Assim, a Opep volta a crescer sua participação no mercado mundial de petróleo.

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Uma outra notícia que também postamos mais cedo no facebook é sobre a fenomenal redução dos custos de extração do petróleo nas reservas do Pré-sal na Bacia de Santos:


Custo de extração do petróleo do pré-sal caiu para menos de US$ 8

A informação foi da diretora de exploração da Petrobras, Solange Guedes, na última sexta-feira, em conferência para investidores.

Os números são do primeiro trimestre deste ano e indicam o aumento da produtividade, com a ampliação da redução dos custos em relação ao que vinha sendo praticado antes, na faixa dos US$ 9 por barril.

E não vai parar por aí.

Ainda segundo a Petrobras, com a entrada em funcionamento das plataformas próprias da Petrobras (em 2017) que estão em construção (módulos replicantes que começaram a ser montados nos estaleiros do Brasil e tiveram que ser transferidos para a China com a operação Lava Jato), os custos abaixarão ainda mais, porque hoje se tem o peso dos afretamentos inseridos na matriz de custos.

Nem nos cenários mais otimistas se imaginava isto que isto seria possível. Descobrir e iniciar a produção em tão curto espaço de tempo. E em seguida ir reduzindo de forma extraordinária os custos de produção de uma reserva a tão grande profundidade, como da camada do pré-sal.

De certa forma, por linhas transversas, a fase de baixa dos preços contribui para este aumento de produtividade que será crucial e colossal quando de nova elevação dos preços do barril, mesmo que isto se dê num prazo de até cinco anos.

Só para lembrar o menor custo de produção (a seco, sem os royalties e o custos de financiamento da produção e de escoamento) é da Arábia Saudita, como poços em terra que ficam próximo aos US$ 5.

Sim, por isso tinham pressa no golpe para entregar a joia da coroa.

domingo, maio 15, 2016

Gasoduto que interliga Pré-sal da Bacia de Santos ao Terminal de Cabiúnas em Macaé é simbólico e inverte relação que havia com o óleo entre o RJ e SP

Há na região, para além de Macaé, pouquíssimo entendimento sobre a estrutura produtiva da Economia do Petróleo instalada neste município e no seu entorno, que se tornou uma base operacional desde a década de 70.

Uma das bases que tenho chamado a atenção é sobre o papel e a importância do gás natural, uma matéria prima limpa e com usos crescentes, bem para além do seu uso como energia. É neste contexto que deve ser conhecido o que significa e o que representa a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB) instalada em Macaé.

Outra forte base instalada em Macaé e a de tecnologia e logística em engenharia submarina (Subsea). Estas duas atividades, mesmo que alguma relação com o apoio portuário do Terminal de Imbetiba da Petrobras, são bem mais especializadas, arrastam outras atividades e geram significativas receitas em impostos, que será objeto de comentário adiante.

A observação desta realidade permite compreender uma mudança na dinâmica econômico-espacial regional. É ainda oportuno registrar que este processo quase nada tem a ver com a gestão local tratando-se de uma fenômeno econômico com relação nacional e mesmo global.

As atividades de apoio portuário às explorações de petróleo offshore no ERJ se expandiu em direção ao Norte, com a entrada do Porto do Açu neste tipo de serviço. Enquanto isto, o tipo de atividade em Macaé avançou na direção da especialização com maior valor agregado e outras bases territoriais destas empresas.

É importante aprofundar estas análises para sair apenas do acompanhamento das receitas dos royalties, na boca dos caixas das prefeituras petrorrentistas.

Macaé passa a processar também o Gás Natural do Pré-sal
Assim, o blog resolveu avançar sua contribuição para melhor entendimento desta questão, citando a ligação das reservas do Pré-sal à Unidade de Tratamento de Gás Gás Natural (UTGCAB) em Cabiúnas, em Macaé que se interliga e recebe os gasodutos no Terminal de Cabiúnas (Tecab).

Como já havíamos comentado em amplo artigo aqui no dia 3 de maio de 2016, quando falamos das diversas bases de apoio, parques logísticos e bases industriais instaladas no município de Macaé, a UPGN de Cabiúnas é hoje, o maior polo brasileiro de processamento de gás natural.

Veja abaixo as características do gasoduto Rota 2 que interliga o Pré-sal da Bacia de Santos à UPGN de Cabiúnas em Macaé. Primeiro as empresas participantes do Consórcio que viabilizaram o projeto: Petrobras 55%; a britânica BG (hoje Shell) 25%; a espanhola Repsol 10% e a portuguesa Galp 10%.

A capacidade deste gasoduto (Rota 2) é de transporte de 16 milhões de m³/dia, numa extensão de 402 km, em dutos de 18 polegadas e 24 polegadas, nos trechos indicados no mapa, entre os campos de Lula Nordeste para o campo de Cernambi e deste para o Terminal de Cabiúnas, em Macaé.






Observando o vídeo ao final da postagem é possível ver ainda mais detalhes da interligação do gasodutos das rotas 1, 2 e 3, assim como, as possibilidade de expansão da UTGCAB (Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas), em Macaé. O terminal recebe Gás Natural e entrega GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e LGN após os processos de separação.

Macaé - maior polo brasileiro de processamento de gás natural
A UTGCAB está instalada numa área total de 3.288 m² e hoje ocua apenas 35% da área total do terreno. A atividade de processamento de gás natural (GN) pela legislação tributária gera ICMS par ao estado, mas gerando direito a ser repartido do município em cota-parte o percentual de 25% do total recebido.

Através deste novo gasoduto, o município de Macaé ficou interligado diretamente ao Pré-sal no litoral paulista, recebendo o gás natural que será processado na UTGCAB, depois de ser recebido no Tecab Cabiúnas.

Este é um fato simbólico e marcante, não apenas para Macaé, mas para o ERJ e deve ser registrado, tanto como fato histórico como econômico.

E nunca se deve deixar de lembrar que o Gás Natural é mais sustentável ambientalmente que o petróleo e limpa a matriz de energia. Neste caso, o município de Macaé está perdendo tempo, em meio às disputas pelo poder local, em não unir a imagem da cidade à da energia limpa e de sede do maior polo brasileiro de processamento de gás natural.

Além disso, há que ser considerado que a existência desta Rota 2 possibilita identificar a possibilidade de que mais gás do pré-sal possa vir para ser processado em Macaé.

Nesta linha deve ser considerada a produção do gigante campo de Libra que ainda está em fase de exploração e preparação para produção. Com o potencial que já se conhece de produção de gás em Libra, já chegou a ser levantado a hipótese de um projeto de unidade flutuante offshore de liquefação do gás extraído para facilitar e permitir seu transporte e até exportação.

Porém, a unidade de processamento para liquefação trata-se de um projeto caro, que diante dos preços do petróleo e do gás abaixo dos US$ 100 dólares o barril, praticamente o inviabiliza.

Mesmo que a Petrobras dividisse o projeto de forma igualmente aos percentuais com os demais donos do consórcio (Petrobras 40%; Shell 20%; Total 20%; CNOOC 10% e CNPC 10%) do campo de Libra o custo de implantação do projeto não compensaria, a não ser que ele retornasse ao patamar próximo dos US$ 100, o barril.

Sobre os tributos com o processamento e uso do gás natural
Com o recebimento do gás natural extraído no litoral paulista através do gasoduto Rota 2, o ERJ passou a ter um movimento contrário daquele que o ocorria até aqui com o petróleo, onde não se recebe ICMS pela extração e enviada parte da produção para ser processada no estado de São Paulo, onde se gerava o pagamento do ICMS. Agora, com o gás natural sendo processado em Cabiúnas, o maior polo de processamento de gás natural brasileiro na UTGCAB ocorre o fenômeno inverso.

Ainda sob o ponto de vista dos tributos públicos e das receitas é importante lembrar que as atividades de processamento de gás natural não geram imposto municipal e sim o ICMS, que é um tributo estadual, seja pela circulação e/ou processamento, segundo a legislação tributária.

Porém, há que se registrar que o município recebe de volta, dentro do cálculo da Cota-parte do ICMS 25% daquilo que é pago pela empresa que movimenta esta atividade econômica.

O fato já contribui em muito pela receita de ICMS arrecadada por atividades econômicas em Macaé que em 2014 superou os R$ 1,6 bilhão, embora o município tenha recebido de volta no total o valor de R$ 414 milhões.

Em 2015, a receita com a Cota-parte recebida como transferência da Secretaria de Fazenda do ERJ, apesar, da redução com o início da crise, atingiu o valor de R$ 455,5 milhões, um valor 7,6% a mais do que em 2014. Assim, em 2015, esta receita passou também passou a receita dos royalties (+PE) do petróleo, só ficando atrás da receita municipal com o ISS.

Economia do Petróleo em Macaé
O início da processamento do GN vindo do litoral de SP passou a ser operado a partir de fevereiro deste ano. Assim, o impacto do aumento do processamento de GN na UPGN de Cabiúnas deve aparecer só agora nas transferência da Cota-parte de ICMS da Secretaria de Fazenda do ERJ para a Prefeitura de Macaé.

O gás fornecido pela UTGCAB de Cabiúnas para as 2 Usinas Termelétricas (UTE Mário Lagos e UTE Norte Fluminense que funcionam em Macaé e também geravam receitas de ICMS pela geração de energia elétrica.

Isso significa que a Cota-parte do ICMS recebida por Macaé tende a seguir aumentando, como vem ocorrendo nos três últimos anos e podem compensar e superar a perda de receita com a redução de outras atividades econômicas em Macaé decorrente da fase de baixa do ciclo do petróleo.

Isto explica mais uma vez, o conceito que venho insistindo sobre a diferença entre o que é a Economia do Petróleo e a Economia dos Royalties.
A segunda, Economia dos Royalties depende e é arratada pela primeira, mas, com a análise destes outros quadros, para além do que o blog já havia exposto em nota aqui ("Discussão sobre a crise em Macaé tem prioridade invertida") no dia 3 de maio de 2016, não se pode dizer que o município de Macaé vive uma crise tão grande, quanto a dos outros municípios que vivem da Economia dos Royalties, na condição basicamente de petrorrentistas, das quotas mensais

O blog produzirá a seguir outra nota especificamente sobre este assunto do orçamento. Assim, neste texto vai priorizar as informações e análises sobre a base produtiva e econômica de Macaé ligada à Economia do Petróleo (como é o caso do gás) que se mantém e expande, mesmo neste momento da fase de baixa de preços do ciclo do petróleo.

Porém, com as informações e análises contidas já neste artigo é possível perceber que a discussão sobre a questão orçamentária do município de Macaé e sua demanda de antecipação de receitas e empréstimos, se vê que ela carece de dados fidedignos para uma decisão mais responsável.

É preciso evitar que os municípios construam soluções que os levem a um futuro próximo a mesma situação do governo estadual, que em 2013 ainda no pico da expansão do ciclo petróleo, comprometeu estas receitas com dívidas do estado, para em dois anos entrar na insolvência, cujas consequências temos assistidos. Como já afirmei, eu voltarei ao assunto específico do orçamento.

A seguir, para fechar, eu considero que vale a pena assistir a este vídeo institucional, de cerca de 10 minutos, que mostra todo o esquema da montagem destas três rotas de gasodutos, que fazem parte da Malha Sudeste de gás da Petrobrás, administrada pela sua subsidiária TAG (Transportadora Associada de Gás S.A.).



Venda da Malha Sudeste de gás da Petrobras e seus impactos econômico-espaciais para o ERJ
O interesse que a Petrobras tem com a venda da Malha Sudeste de Gasodutos, que passou a ser denominada de Nova Transportadora do Sudeste (NTS), não altera a importância regional, embora possa alterar a relação da Petrobras e a UTGCAB. Além disso, aponta .

O interesse estrangeiro é muito grande por esta estratégica infraestrutura. Não é por outro motivo que este ativo está sendo disputado por quatro grupos: a francesa Engie; a espanhola Fenosa; a japonesa Mitsui & Co. e agora a que está em negociações mais avançadas com a Petrobras, a canadense, Brookfield Asset Management que já teria aceitado pagar a quantia de US$ 5,2 bilhões, cerca de R$ 18 bilhões.

O risco da Petrobras desfazer deste ativos estratégicos é muito grande em minha avaliação, a menos que faça em percentuais abaixo de 50%, para manter o controle sobre o escoamento de sua produção e sua decisão de produzir. Porém, como se sabe, as pressões do mercado são enormes, para reduzir as dívidas da empresa e também de entrar nos negócios em que a estatal tem grande domínio.

Assim, diante do interesse de outros grupos pela área de gás, discutivelmente, a Petrobras também está oferecendo a grupos estrangeiros, a venda de algumas de suas 20 usinas termelétricas. Entre estas as UTEs que estão ligadas aos terminais de regaseificação que recebe o GNL, como é o caso dos terminais instalados na Baía de Guanabara e outro, junto ao Porto de Pecém, no Ceará.

Como se pode perceber neste extenso artigo (para um blog) o setor de óleo e gás, mesmo na fase de baixa do que chamo de ciclo petro-econômico, tem importância estratégica para o ERJ. Isto não decorre apenas de uma análise sob o ponto de vista das dinâmicas econômico-espaciais, mas também sobre a sua repercussão para a sociedade e para a gestão pública, em seus diferentes níveis.

sábado, maio 14, 2016

O bote sobre a "joia da coroa": a Petrobras!

A Petrobras. Não. Ela não foi esquecida. "Temerariamente" ela é alvo de cobiça e interesses, mas os famintos a olham como mingau quente pensando avançar a partir das beiradas.

O avanço esganiçado, tal como a expressão, chamará a atenção sobre os urubus que estão indiciados por negócios por ela, apesar de ministros temerários, como o aval do agora leniente STF.

Já está garantido que o "impoluto" Moreira Franco dirigirá o avanço sobre a carniça do pré-sal, com as garantias de que o outro "impoluto" Serra possa entregá-la ao estilo Jack, o estripador: em partes, separando como Bacamarte, a melhor delas para a Chevron, e assim cumprir o prometido.

O Valor Online através de matéria da jornalista Cláudia Schuffner que costumeiramente acompanha o setor de petróleo disse ontem que o mercado está impaciente, exigindo "sinalizações", considerando que Bendine é "indicação de Dilma e por isso inconcebível de permanecer".

Schuffner traz ainda o dilema de sofia do governo temerário entre as opções do mercado, agora que este virou governo.

Um caminho é entregar tudo liberalmente ao mercado, como quer os tucanos, depois de usar $ do governo para capitalizar a empresa. E a outra, que o PMDB tanto gosta e estimula há décadas, através dos seus indicados para as várias diretorias: entregar parte em trocas de rendas. Como fizeram sempre.

Seriam duas as opções, o tucano Adriano Pires que fez o programa de energia de Aécio e o Jorge Camargo. O segundo é pessoa ligada ao PMDB, a partir de onde foi diretor da estatal. Camargo depois saiu para presidir a estatal norueguesa Statoil no Brasil e agora presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), de onde vem defendendo a desregulação do setor, o fim da Política de Conteúdo Local e do regime de partilha, para facilitar a entrega do Pré-sal.

Como diz Schuffner, "os dois não têm objeções do mercado". Ma, a jornalista traz ainda outro recado do mercado: "a Petrobras precisará de alguém que faça malvadezas e que não tenha amigos na empresa".

Mais claro impossível. Basta ler. Não cabe interpretações diversas do que está claramente dito.

A matéria diz ainda que Adriano Pires, além de defender capitalização do governo na empresa (como defende o mega especulador George Soros e seu empregado no Brasil, Armínio Fraga), propõe uma "reestruturação com brutal enxugamento da companhia e ainda programa considerável de venda de ativos e também uma nova regulamentação setorial" que envolveria ação sobre a ANP.

A jornalista Schuffner reproduz novamente o que acha o mercado sobre isto ao afirmar que "soa como música nos ouvidos dos analistas, mas há quem avalie que essas virtudes podem gerar objeções dentro do PMDB".

Por fim, sem ser final, a matéria sugere que estes movimentos em direção à "joia da coroa" estariam - como sempre soubemos - ligados à disputa pela presidência em 2018.

Depois de conhecer bastidores do mercado, em aliança com o poder político que lhe é próximo, hoje temerariamente através do golpe, com a presidência da República, em seu movimento em direção à "joia da coroa" ainda pode ter a coragem de falar, ou sequer imaginar, que o problema era a mesmo a corrupção e os percentuais sobre os contratos?

Diante do cenário que está posto, eu não tenho dificuldade de publicamente de dizer, que isto eram migalhas, diante do ouro negro que será lavado, por cima de toda e qualquer operação temerariamente elucubrada para o bote do mercado.

Continuaremos acompanhando os próximos passos dos caniceiros sobre o pré-sal.

quarta-feira, maio 11, 2016

Um novo ciclo será retomado, a despeito do Golpe

Com o golpe seguindo o script, esgotou - se o ciclo da "Nova República" iniciada com a Constituição em 1988.

28 Anos depois, numa fase de colapso entramos em novo ciclo, em que a relação com o mundo global e a vida social é completamente distinta, complexa e simultaneamente fluida, para além de outras contradições.

Teremos pela frente algo muito pior que o centrão do PMDB e a neodependência e neoliberalismo dos tucanos.

É certo que o ciclo é político, mais que econômico, ainda assim, vale observar que a fase de colapso. Foi a época de enfrentamento a Sarney, Collor e FHC.

Em seguida avançamos para a fase de expansão, após 2003, com Lula e Dilma, confirmam o que caracteriza o ciclo com as duas fases, alternadamente. No plano político, mas, bem próximo daquilo que os economistas estudam desde, o russo, Kondratiev.

O sistema capitalista, em meio à conhecida simbiose entre política e economia gira em ciclos parecidos (Kondratiev fica sempre entre 25 e 30 anos), e assim conseguiu nas últimas décadas, na economia global, ampliar enormemente os seus tentáculos e os seus lucros.

Desta forma, eu penso que os processos políticos seguem cada vez mais o rumo do sistema de valores. Assim, os projetos nacionais, que por aqui nossas elites abandonaram de vez, terão cada vez menos espaços.

Os tempos vindouros serão muito mais complexos que possamos imaginar, em nossas lutas locais ou mesmo nacionais.

A perda no tapetão para a trama triangular "midiática-jurídica-parlamentar" de um governo reformador, de centro - esquerda dói, menos pelos enfrentamentos que se vislumbra no horizonte – nunca foi fácil - e mais pelo que se identifica de potencial de retrocesso não apenas político, mas civilizacional.

Teremos pela frente um estado de repressão, que já opera com formas coercitivas contra o cidadão e contra as organizações coletivas. Eles continuarão criminalizando as atuais organizações e tentarão impedir que outras surjam e sejam estruturadas, para enfrentar o governo de poucos e para os mesmos, no andar de cima.

Como estratégia, há que se evitar o voluntarismo. Mais, há que se fugir isolamento, que será uma das estratégias de quem chegou ao poder sem voto. Eles tentarão impor aos setores de esquerda formas que impeçam articulações em direção ao centro, que normalmente se busca pelo viés e caminho eleitoral.

O “saculejo golpista” – mesmo renegado - vale ainda para que nos lembremos - e nos livremos - da visão de que o evolucionismo é processo natural na história.

Nada nos garante isso. A não ser a disposição coletiva de lutar. Contra a barbárie, o fascismo e por relações civilizacionais e de bem-estar-social.

Esta luta exige inclusão social, vida solidária e compartilhada contra a qual o sistema de lucro trabalha diuturnamente e aqui no Brasil voltou a ganhar espaço para atuar com o golpe de hoje.

Seguimos na luta e em frente!

terça-feira, maio 10, 2016

As ameaças para a população e servidores do ERJ com o rombo do governo estadual

As informações sobre o déficit financeiro e orçamentário do governo do ERJ, só agora, quase um semestre depois, está vindo à tona com alguns novos dados, embora ainda haja muita coisa a ser esclarecida.

Estas novas informações reforçam o que eu havia publicado no blog em matéria (links abaixo), respectivamente, 28 de janeiro de 2016 e 23 de abril de 2016,  de que o discurso da redução das receitas dos royalties do petróleo eram falsos, para justificar todo o problema.

Blog em 28 de janeiro de 2016
“A origem do gigantesco déficit do governo do ERJ e a mediação política para a busca de alternativas”
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/01/a-origem-do-gigantesco-deficit-do.html

Blog em 23 de abril de 2016:
“As contas do governo do ERJ: o que está dito e o que está escamoteado”
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/as-contas-do-governo-do-erj-o-que-esta.html

Três matérias na mídia comercial que era tão amiga do governo estadual, ajudam a desnudar o quadro que é muito complicado e terá ainda repercussões fortes sobre a população, em especial, sobre os servidores do governo estadual.

O Globo em 09/05/2016
Conta de R$ 1,65 bi por antecipação de royalties de petróleo chega ao estado - Há três anos, governo do Rio começou a adiantar participações pela produção

Valor em 09/05/2016
“Rio quer carência de cinco anos em dívida com a União”
Link: http://www.valor.com.br/brasil/4554185/rio-quer-carencia-de-cinco-anos-em-divida-com-uniao

Valor em 10/05/2016
“Previdência de servidores do Rio projeta rombo de R$ 12,3 bi no ano”

Link: http://www.valor.com.br/brasil/4555355/previdencia-de-servidores-do-rio-projeta-rombo-de-r-123-bi-no-ano

É oportuno observar que os processos escolhidos pelo governo estadual, desde 2010, como alternativas para mediar o problema, quando eles á se mostravam muito graves, mesmo com a expansão da economia, agora mais que nunca, que eram não apenas equivocados, mas irresponsáveis.

Aliás, caminho semelhante, os municípios petrorrentistas, fingindo desconhecer o problema do déficit financeiro e orçamentário do governo estadual estão seguindo. 

Fazem isto sem levar em conta os ciclos da economia e outras questões, como o aperfeiçoamento dos gastos públicos e sua priorização, neste período de vacas magras, ou barril vazio. Aliás, neste aspecto, outro erro é jogar todos os municípios no mesmo “barco da crise” quando a situação é muito diferente, entre os mesmos.

Voltando às matérias dos links citados acima vamos destacar algumas explicações sobre as finanças do ERJ que nos indicam questões e indagações que ainda merecem melhor observação.

Uma delas é sobre a questão das debêntures (títulos da dívida) e da securitização da dívida ativa (troca por títulos) em 2013. Elas não estão bem explicadas, porque elas ajudam a produzir a explosão de valores das dívidas, em conjunto com as "novas captações" feitas em 2014, no mercado internacional de capitais (fundos).

Não me convence a argumentação de que a paridade dos inativos tenha gerado desequilíbrio na proporção alegada, até porque, efetivamente, ela não era toda "dispare", pois muitas gratificações e adicionais pagos aos ativos, desde antes já eram mantidos aos inativos, o que foi levado depois não seria tão significante como o volume de dinheiro que alegam. 

A relação entre servidores inativos e ativos, próxima uma da outra com maior proporção dos inativos é assim também no governo federal. A questão previdenciária junto com todo o orçamento necessita sim de solução, porém, o passivo, não está bem explicado. Isto é fato.

Sobre o geral do déficit do estado e sobre as medidas que estão sendo planejadas pela governo do estado, coordenada pela Secretaria de Fazenda e pelo Instituto de Previdência do ERJ.

Aliás vale deixar registrado a fala do diretor-presidente do Rio Previdência (desde 2010) Gustavo de Oliveira Barbosa na matéria do Valor de hoje, onde, novamente, reafirma o que havíamos sustentado em janeiro passado: (o grifo é do blog) 

A redução nas receitas de royalties e participações especiais pagas ao Estado - de R$ 8,7 bilhões em 2014 para R$ 5,5 bilhões no ano seguinte - está longe de ser a única causa para o infortúnio financeiro do Rio.” 
Novamente, voltando às matérias de O Globo e Valor observa-se que elas tratam com menos ênfase as medidas pesadas (já comentadas abertamente por gestores do estado), mas, reforçam que estão sendo encaminhadas. Ontem, na matéria do Valor, o secretário de Fazenda do ERJ, Julio Bueno elencou em linhas gerais como pensa chegar ao equilíbrio corrigindo o déficit atual de R$ 18 bilhões:

1) Refinanciamento dos débitos com União (uma espécie de Proer) - R$ R$ 5,5 bilhões;

2) Operação de Crédito (antecipação de receitas) com Senado - R$ 3,5 bilhões;

3) Nova Securitização (troca por títulos) de parte da dívida ativa - R$ 3 bilhões;

4) Venda da folha de pagamentos R$ 1 bilhão;

5) Outorga obtida com concessão das linhas de ônibus intermunicipais - já adiadas várias vezes + privatização de terminal rodoviário - R$ 2 bilhões;

6) Esforço para aumento de receita com várias ofertas de pagamento de atrasados - R$ 1 bilhão.
O total chega a R$ 16 bilhões, mas o déficit é de R$ 18 bilhões, segundo o próprio ERJ.

É aí que entram no argumento das demissões não apenas de DAs, mas de cerca de 8 mil cargos não concursados, cortes de cargos e de percentuais de salários.


Ainda mais considerando o cenário político e econômico nacional em que os que pretendem chegar ao poder, fazem questão de dizer que possuem visão de mercado, mais preocupados em atender os agentes financeiros, do que a população e ainda muito menos preocupado com os servidores.

segunda-feira, maio 09, 2016

A trama triangular "midiática - jurídica - parlamentar" joga o país no abismo na luta pelo poder sem voto popular

As contradições vão se aflorando num volume e conteúdo surreal ao longo de todo o dia, desde o final da manhã.

O desespero segue na mídia comercial para colocar a trama triangular "midiática - jurídica - parlamentar" nos trilhos depois do sacolejo do Maranhão com sua decisão anunciada no final da manhã.

Tudo que não for do jeito que a trama elaborou alegam problemas.

Veja que agora passaram a falar em cuidado com o Estado Democrático de Direito. Que é preciso ter equilíbrio e calma. Que é necessário ter cuidado com as instituições para evitar a crise institucional entre os três poderes.

Algumas vezes risível.

A análise do discursos ajudam a entender o percurso da construção da narrativa. Me desculpem a insistência. A Mídia-partido hoje mais cedo deu início a esta narrativa que segue a trilogia, fácil de ser identificada, até mesmo pelos que jamais estudaram as estratégias sobre análise de discursos.

Ela nasce na mídia comercial. No intervalo é é repercutido por "especialistas jurídicos" escolhidos e já conhecidos, de uma só posição. A seguir passa aos parlamentares que fecham o triângulo.

Adiante, em círculos em trono do triângulo, novamente a questão circulará e será reaberta pela mídia, através dos colunistas políticos, comentando sobre as "opiniões elegíveis" dos especialistas jurídicos e os políticos.

Assim, vão costurando a compreensão mental e reforçando a manipulação da trama triangular, que tanto tenho insistido em chamar a atenção, aqui neste espaço e mais ainda no perfil do Facebook, onde a velocidade da trocas de opiniões tem mais dinâmica e agilidade.

Isto não é um processo novo. É conhecido. O golpe ganhou denominação, talvez um conceito de "estratégia soft", através da "guerra híbrida", ou "não convencional".

Neste processo, o movimento saiu das ruas coloridas (desde 2013) e foi para os bunkers dos negociadores da "trama triangular". Neste espaço o poder econômico é forte e trabalha diuturnamente para transformar a democracia na plutocracia e no governo do poder econômico dos que não possuem votos.

O case brasileiro é cada vez mais claro e será debate em todo o mundo, ainda muito mais do que está sendo acompanhado hoje. As resistências poderão ajudar a construir posição diversa do que conseguiram fazer em outras partes do mundo.

Sobre a decisão do presidente do Senado Renan Calheiros de desconhecer a decisão da Câmara e o destino do processo no STF

A decisão do presidente Renan Calheiros de não reconhecer o recurso decidido pelo presidente da Câmara Federal, Waldir Maranhão de suspender o impeachment, certamente levará a decisão como prevíamos antes, para o STF.

A questão é se o tempo de decisão da Câmara tinha sido esgotada, mesmo que ainda não tivesse ainda sido decidido o recurso do advogado da AGU, sobre a votação do impeachment na Câmara. Ou se, o
mesmo estava esgotado, sem esta decisão.

A tese que a mídia comercial repete sem parar que o presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão não teria mais como interceder no processo de impeachment não é garantida. Muito ao contrário.

O recurso da AGU questionando a votação na Câmara Federal deveria ter sido analisado e decidido antes do processo se iniciar no Senado Federal.

Assim, não aconteceu por conta da pressa que quiseram impor ao ritmo estipulado pela trama Midiática - Jurídica - Parlamentar". Desta forma, a decisão de hoje do Maranhão, por esta versão que não pode ser desconsiderada, corrigiria este desvio de procedimento.

Até a oposição junto com Temer sabe que os problemas aumentaram enormemente em todo o processo que a trama contava que seguia sua trilha e seu script.

Assim, a bola vai mesmo para o STF que pressionado, agora vai ter que falar sobre tudo que evitou tratar no assunto. Até porque é o STF, o poder definido pela Constituição com esta missão de decidir sobre os imbróglios institucionais entre os Três Poderes. Mesmo sendo o único que não tem voto popular, embora devesse cuidar apenas de resguardar a Constituição.

Perderam o rumo na sanha golpista. Jogam o país no fosso porque depois de 4 derrotas nas urnas, partiram para o golpe.

Estão se entortando nas próprias pernas. O sabido quando imagina ser esperto demais se embrulha.

A trama pode ainda conseguir levar na base da pressão, mas a legitimidade que já não havia não terá mais como ser sequer perseguida.

A plutocracia não se interessa e não se importa com os votos das pessoas, quanto mais pensar um projeto de Nação para todos.

Observar, debater, organizar e resistir expondo as contradições e o abandono dos interesses mais populares é nosso dever. Sigamos em frente!

Blog avalia sua atuação e traz lista de postagens sobre o setor de petróleo no último mês

O blog está próximo de completar doze anos de contínua atividade. Uma de suas principais razões de existir sempre foi de dividir e compartilhar informações e análises.

Como se trata de um blog pessoal, os assuntos tendem a se diversificar conforme as leituras, construções mentais e visões de mundo do autor, o seu blogueiro.

Desta forma, as temáticas e as abordagens foram migrando de escalas e também interpretações, embora, sem deixar completamente - assim imagino - algumas observações que estão presentes desde a postagens iniciais no ano de 2004.

Neste processo é quase natural que as atividades pessoais do blogueiro assuma uma quantidade de abordagens maior neste espaço. Como a maioria dos leitores e colaboradores sabem, eu, desde 2011, ampliei a pesquisa que vinha fazendo sobre o desenvolvimento regional.

Assim, estudando e pesquisando o setor petróleo e a relação deste com os inúmeros projetos portuários no ERJ e na Região Sudeste, eu acabei sentindo a necessidade de ampliar a escala de observação do fenômeno a nível nacional e global.

É um assunto vastíssimo e que traz demanda de estudos e análises em diferentes campos das ciências: política, econômica (mais macroeconômica), social, geográfica, geopolítica e outras, em diferentes escalas. Como se vê um desafio que vem acompanhado de enormes riscos de análise e interpretação.

Desta forma é que decidi, já lá atrás, ampliar o compartilhamento destas informações e análises aqui neste espaço. O objetivo foi duplo e simultâneo: manter a relação que já tinha com inúmeras pessoas, através deste espaço, mesmo que várias tenham interesses limitados por estes novos assuntos, mas também tentar o de não perder o chão da realidade regional, diante do voo sobre outras escalas.

Além disso, eu entendi que a apresentação de análises pontuais neste espaço foi se constituindo e ampliando a já extensa e rica rede de interlocutores, que integrada à anterior, mais regional, passou a permitir investir nestas abordagens interescalares, mais amplas e mais riscas, mesmo que mais arriscadas.

Posso dizer, que de certa maneira, aqueles que se interessam pelo tema, estão podendo acompanhar, cotidianamente, a evolução das interpretações que venho fazendo ao longo do principal objeto de meus estudos e pesquisas.

Entendo isto como uma forma de colaborar, sem maiores pretensões, apenas contribuir, com quem se interessa pelo assunto, sejam gestores públicos, outros estudiosos e pesquisadores e ainda um leque considerável de jornalistas e também gente do setor produtivo, de diversas áreas.

Neste aspecto vale deixar registrado que este caminho se manteve como de mão dupla. Tanto trago e debato informações, como recebo pelo blog, facebook, e-mail e outros meios, um conjunto enorme de informações, contribuições e análises que enriquecem aquelas originalmente postadas, transformando-as em produções coletivas.

Assim, eu penso que ajudo a romper - de novo sem maiores pretensões e mais como experiência e visão política pessoal - a uma tendência da universidade (ou da academia, se preferirem), mesmo contra o esforço de milhares - de manter de forma fechada, em alguns momentos até hermética, o pensamento produzido e debatido em seus importantes espaços.

Não se pode prescindir da universidade para a construção do conhecimento, mas não se deve ter a pretensão de considerar que ali é o único espaço onde isto acontece. Aliás, tornar a evolução dinâmica do conhecimento e o do pensamento menos fechado e hermético é indispensável para todos e fator importante para as civilizações, bem para além das nações.

Assim, nesta toada, eu posso dizer as principais construções e interpretações que venho fazendo desta pesquisa que ainda estou envolvido, além do que seria razoável (sic) estão sendo aqui apresentadas e discutidas, antes, ou em paralelo, aos debates acadêmicos de seminários, congressos, mesa-redondas, palestras e aulas.

Penso que assim, dou a minha colaboração desinteressada em saber sobre as citações e referências, às vezes tão disputadas na academia. Conhecimento é processo, assim o valorizo mais do que como poduto. Assim, somos instrumentos que ligamos o que vem do processo histórico e que poderá ajudar à construção de novas hipóteses, críticas, sínteses e conhecimentos.

É evidente que corro riscos enormes porque as abordagens e as linguagens precisam ser diversas, mas nem tanto, se elas efetivamente buscam a integração entre estes mundos, às vezes tão distintos e tão fortemente separados, talvez, até segmentados. Vejo como natural e recebo com satisfação tanto as sugestões, quanto as críticas. Como já disse elas enriquecem as análises.


Postagens mais recentes sobre o setor petróleo nas diversas escalas
Enfim, o breve (sic) preâmbulo acabou aparecendo em minha reflexão apenas para apresentar e organizar uma lista neste último mês de um total de 23 postagens sobre o setor de petróleo em diversas escalas e dimensões.

Lá atrás no tempo, eu fiz isto para as centenas de postagens sobre o processo de implantação do Complexo Logístico-industrial do Porto do Açu. Esta lista depois se transformou numa seção do lado direito deste blog que é muito usado por pessoas interessadas em pesquisar o assunto. Infelizmente, por falta de tempo, a catalogação das notas sobre o Porto do Açu, estão listadas apenas até outubro de 2015. Prometo que adiante atualizarei este catálogo.

Pois bem, antes de organizar um novo catálogo sobre as postagens mais recentes sobre análise global, nacional e regional sobre o setor petróleo, eu ofereço aos que se interessam pelo tema, uma lista com os títulos e respectivos links das postagens sobre o tema entre 6 de abril de 2016 e 7 de maio de 2016.

Pela quantidade e percentual destas postagens é possível identificar como o blog ficou intensamente tematizado nestes últimos tempos. Era esperado que isto acontecesse.

Interessante ainda observar que o fato, se de um lado pode ter reduzido o interesse de alguns antigos leitores, de outro despertou o interesse de inúmeros outros, a ponto de ter elevado o número de seguidores e de leitores habituais deste espaço, de forma bem surpreendente.

Ou seja, aparentemente, houve também uma ampliação espacial dos leitores, colaboradores e comentaristas do blog. Percebo isto não apenas pelos comentários no espaço para isto no blog, mas também pela quantidade de emails de quem não tem interesse em diálogo público e que prefere a conversa direta e pessoal com o blogueiro.

Assim, eu penso que esta lista das postagens mais recentes sobre o setor petróleo no mundo, relacionando-as à conjuntura política no Brasil, ajuda também a compreender parte dos problemas que vivemos.

É também identificável a interpretação de quanto o setor petróleo exerce de forma, algumas vezes assustadora, uma certa supremacia, quase aniquilando outros setores. E ainda, o quanto ele e estratégico, não apenas na dimensão econômica, mas também geopolítica, onde o que está em jogo é o controle das nações na luta por hegemonia.

Enfim a lista, que tentarei manter atualizada mês a mês a partir daqui:

5 de abril de 2016:
Ao contrário do que se divulga, o atual baixo preço do barril de petróleo ajuda no aumento da produtividade do pré-sal.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/ao-contrario-do-que-se-divulga-o-atual.html

7 de abril de 2016:
O crescimento do gás na matriz de energia do Brasil, seus significados em várias dimensões, inclusive a geopolítica.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/o-crescimento-do-gas-na-matriz-de.html

8 de abril de 2016:
Ânsia entreguista do nosso setor de óleo & gás pela elite econômica, não bate com o que pensam e fazem os presidentes das petroleiras de 34 países. Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/ansia-entreguista-do-nosso-setor-de.html

Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/especulacao-e-lucro-com-petroleo.html

12 de abril de 2016:
Agência de risco corta nota de 3 grandes petroleiras: Shell, Chevron e Total.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/agencia-de-risco-corta-nota-de-3.html

13 de abril de 2016:
Ainda sobre os relatórios das agências de risco, sobre as empresas do setor de petróleo.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/ainda-sobre-os-relatorios-das-agencias.html

14 de abril de 2016:
Segundo a Opep, o Brasil terá em 2016 uma das mais altas produções de petróleo no mundo.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/segundo-opep-o-brasil-tera-em-2016-uma.html

14 de abril de 2016:
Governo do México decide capitalizar sua estatal de petróleo em US$ 4,2 bilhões.
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/governo-do-mexico-decide-capitalizar.html

25 de abril de 2016:
Nova fronteira de exploração offshore de petróleo no Brasil: Margem Equatorial
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/nova-fronteira-de-exploracao-offshore.html

25 de abril de 2016:
Novo recorde no pré-sal em março: só da Petrobras 1,104 milhões de barris por dia
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/novo-recorde-no-pre-sal-em-marco-so-da.html

25 de abril de 2016:
Arábia Saudita maior produtora e exportadora de petróleo é também obrigada a se mexer diante da crise dos baixos preços do petróleo que ajudou a instituir
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/arabia-saudita-maior-produtora-e.html

26 de abril de 2016:
Ainda sobre a Arábia Saudita e sua dependência do petróleo: a maldição que também nos atinge
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/ainda-sobre-arabia-saudita-e-sua.html

28 de abril de 2016:
Preço do petróleo chega a US$ 47 com queda de produção dos EUA
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/preco-do-petroleo-chega-us-47-com-queda.html

28 de abril de 2016:
Helicóptero com petroleiros faz pouso forçado no bairro da Penha em Campos
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/helicoptero-com-petroleiros-faz-pouso.html

28 de abril de 2016:
300 mil petroleiros demitidos no mundo desde 2014
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/300-mil-petroleiros-demitidos-no-mundo.html

1 de Maio de 2016:
Agência de risco corta nota da petroleira americana Esso, como já fez com outras petroleiras: Shell, Chevron e Total. Isto não será destaque na mídia nativa
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/agencia-de-risco-corta-nota-da.html

2 de Maio de 2016:
Nos dois últimos anos, 3,2 mil fusões de empresas no setor de petróleo movimentaram quase US$ 1 trilhão, reforçando os oligopólios
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/nos-dois-ultimos-anos-32-mil-fusoes-de.html

3 de Maio de 2016:
"Companhias integradas dispõem de estrutura de gestão anticíclica". Elas possume mais capacidade para enfrentar os ciclos petro-econômicos
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/companhias-integradas-dispoem-de.html

3 de Maio de 2016:
Discussão sobre a crise em Macaé tem prioridade invertida
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/discussao-sobre-crise-em-macae-tem.html

4 de Maio de 2016:
Quinta Frota dos EUA conclui exercício militar no Mar do Oriente Médio: o que isto tem a ver com o Brasil?
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/quinta-frota-dos-eua-conclui-exercicio.html

5 de Maio de 2016:
"Onda de falências" entre empresas do setor de petróleo nos EUA. Casos já chegam a 59
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/onda-de-falencia-entre-empresas-do.html

6 de Maio de 2016:
Política de Conteúdo Local no setor de petróleo e gás é campo de disputa
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/politica-de-conteudo-local-no-setor-de.html

7 de Maio de 2016:
Arábia Saudita faz significativas mudanças em seu governo e em suas estratégias, possivelmente para fugir da condição de alvo geopolítico
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/arabia-saudita-faz-significativas.html

sábado, maio 07, 2016

Arábia Saudita faz significativas mudanças em seu governo e em suas estratégias, possivelmente para fugir da condição de alvo geopolítico

Há fortes sinais de que novos conflitos no Oriente Médio possam eclodir. A forte Arábia Saudita vem rompendo um dos princípios de Maquiavel, de não se brigar com todos ao mesmo tempo.

As frentes de confronto dos sauditas é composta por muitos grupos e nações. Desde herança e ódios de conflitos antigos como do Irã, quanto da Rússia, que agora também foi um de seus alvos ao forçar a baixa do preço do petróleo. Além disso, também atingiu, lateralmente, até o antigo aliado que é os EUA.
As informações sobre o envolvimento dos sauditas e diretamente do rei Salman no atentado do 11 de setembro voltaram com força, através do famoso relatório de 28 páginas, que andam prometendo divulgar e que chegaria como um nova "bomba" e para breve.

Pode ser blefe, mas pode ser a arma para desarmar a "guerra do preço dos petróleo" puxada por ambos, mas agora só mantida pela Arábia Saudita.

A Arábia Saudita é hoje o maior produtor mundial com cerca de 10,5 milhões de b/dia, perto de seu record de 10,57 milhões de b/d produzido em julho de 2015. Além disso é disparado o maior exportador mundial.

Se não bastasse, a Arábia Saudita concluirá agora no final de maio, a expansão do campo de petróleo Shaybah, no qual se estima uma ampliação de mais 500 mil b/dia, na capacidade de produção que assim chegaria aos 11 milhões de b/dia.

Ao mesmo tempo a Arábia vive problemas internos com cortes de despesas em serviços públicos e subsídios, que estão gerando demissões e desemprego.

Depois de 25 anos, os sauditas voltaram a procurar bancos internacionais para buscar dinheiro, evitando comprometer demais os recursos de seus fundos soberanos, Além de vender percentuais de sua mais valiosa empresa, a estatal de petróleo Saudi Aramco.

Diante deste quadro, depois de apostar contra muitos ao mesmo tempo, a Arábia foi se tornando um alvo cada vez mais visado por muitos. E pior, num momento conturbado do cenário mundial de estagnação da economia mundial que vem levando à prática de juros negativos em alguns lugares, além de redução do comércio mundial.

A Arábia vem também resistindo a negócios de petróleo com a China que passou a exigir negociação em sua moeda e não mais apenas em dólar.

E hoje, cada vez mais, fora do discurso hegemônico dos EUA, poucos deixam de perceber o deslocamento em direção ao Oriente, da capacidade de determinar preços das commodities que antes eram unicamente definidas pelos EUA.

Por conta disso, para garantir seus mercados de petróleo, a Arábia Saudita passou a admitir vendas à vista, quando antes praticava apenas negócios, em mercados futuros.

Tem mais. A Arábia vem ampliando a compra de equipamentos militares e armas do qual sempre esteve entre os maiores importadores do mundo. Assim, vem também se organizando e avança no processo de produzir algumas destas armas que antes só importava.

Se já não bastassem todos estes problemas, agora ficaram ainda mais expostas as confusões internas do país, quando se anunciou hoje, a demissão feita pelo rei Salman do ministro do Petróleo, Ali al-Naimi. Ele que estava no cargo há 21 anos, acumulava ainda a presidência do Conselho de Administração da poderosa estatal de petróleo Saudi Aramco. 

Um fato importante na decisão da demissão do ministro do petróleo é que ele era contra a estratégia de redução da produção de petróleo que trouxe no bojo um conjunto de ônus.

Esta nova realidade pode estar significando uma mudança de estratégia da Arábia Saudita em relação às ações externas do país para o setor de petróleo, não apenas por uma estratégia de mercado, mas por pressões geopolíticas sobre o país, que teria relação com udo o que está descrito acima.

Além da mudança no Ministério do Petróleo, o rei Salman da Arábia Saudita também anunciou hoje mudanças em diversos outros ministérios como: Saúde, Transportes, Saneamento, Assuntos Sociais, etc.

Os fatos sinalizam que as mudanças estratégicas da Arábia Saudita podem indicar um esforço para romper as vulnerabilidades que criou externa e internamente e assim fugir da condição de alvo geopolítico.

Não se sabe se esta reação será ainda em tempo de evitar novos conflitos no Oriente Médio, porque poucos conseguem fugir dos princípios de Maquiavel, de que não se deve brigar com todos ao mesmo tempo unificando seus adversários. A conferir!

PS.: Sobre o assunto, se desejar leia três outras postagens recentes do blog:

4 de Maio de 2016:
Quinta Frota dos EUA conclui exercício militar no Mar do Oriente Médio: o que isto tem a ver com o Brasil?
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/05/quinta-frota-dos-eua-conclui-exercicio.html

26 de Abril de 2016:
Ainda sobre a Arábia Saudita e sua dependência do petróleo: a maldição que também nos atinge
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/ainda-sobre-arabia-saudita-e-sua.html

25 de Abril de 2016:
Arábia Saudita maior produtora e exportadora de petróleo é também obrigada a se mexer diante da crise dos baixos preços do petróleo que ajudou a instituir
Link: http://www.robertomoraes.com.br/2016/04/arabia-saudita-maior-produtora-e.html

PS.: Atualizado às 22:15 e 22:36:
Atualizo a postagem para comentar um pouco mais sobre a possível participação da Arábia Saudita nos atentados do 11 de setembro nos EUA. Por lá, as pressões de parentes das vítimas crescem dia-a-dia para que sejam conhecidas as páginas do relatório (num total de 28) que o presidente Bush havia censurado.

Sobre o assunto veja matéria extensa sobre o assunto, publicada hoje, pelo jornal francês Le Monde, de autoria do jornalista, Alain Frachon. Seu título: "11-Septembre : le mystère saoudien" (11 de Setembro: o mistério Saudita).
Link: http://www.lemonde.fr/idees/article/2016/05/05/11-septembre-le-mystere-saoudien_4914032_3232.html?xtmc=alain_frachon&xtcr=1.

O Portal UOL publicou agora há publicou a tradução da matéria do Le Monde, sob o título: "Mistério do envolvimento saudita no 11 de Setembro está prestes a ser desvendado".
Link para a matéria traduzida: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2016/05/07/misterio-do-envolvimento-saudita-no-11-de-setembro-esta-prestes-a-ser-desvendado.htm

É ainda oportuno relembrar que o jornalista brasileiro, Pepe Escobar, que vive baseado entre São Paulo, Hong-Kong e Paris (circuito Eurásia). Escreve apenas em inglês e é especialista em assuntos sobre Geopolítica e colunista de diversas publicações online (blogs) e impressas, como "Asia Times Online"; sites como: Â Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire, além de correspondente/articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Pois bem, Pepe Escobar já havia publicado no dia 29 de abril de 2016, no portal russo "Sputniknews" uma ampla matéria cujo título é "Petróleo e Casa de Saud" que fala de "uma calma antes da próxima devastadora tempestade geopolítico-financeira".
Link: http://sputniknews.com/columnists/20160429/1038822230/saudi-arabia-oil-prices-russia.html#ixzz47M3wA1G1

Os assuntos se interligam. Outros dados que cito no texto da nota acima e ainda as informações sobre as decisões de hoje do rei saudita Salman, trocando grande parte do seu ministério, inclusive do Petróleo, mostra que os fatos seguem se sucedendo em processo contínuo, guardando assim uma coerência das análises, sobre as hipóteses dos movimentos geopolíticos em curso entre as nações citadas.

Assim, torna-se indispensável continuar acompanhando os passos a seguir para além dos interesses do mercado de petróleo, mas pelos desdobramentos geopolíticos que estão em curso, aparentemente acelerados. A conferir!

PS.: Atualizado às 00:50 de 08/05/2016:
A Agência Reuters também deu destaque às mudanças na gestão do governo da Arábia Saudita, em especial à mudança do Ministério do Petróleo, que passou às mãos do Jalid al-Falih. graduado em 1982 em engenharia mecânica pela Universidade de Texas A&M (EUA). Falih trabalhou por três décadas na petroleira estatal Saudi Aramco, onde em 2009 foi nomeado CEO e, em 2014, presidente do conselho. Há anos Falih era considerado um possível sucessor de Naimi, que também chegou ao cargo de ministro após liderar a Aramco.

Segundo os autores da matéria da Reuters Rania El Gamal e Reem Shamseddine, "a indicação de Falih deve apenas fortalecer essa estratégia em vez de trazer quaisquer mudanças de pensamento, disseram observadores sauditas e analistas". Embora a matéria seja fechada reforçando a ideia de que "Naimi sempre tentou utilizar a força financeira saudita e a escala do fornecimento de petróleo para pressionar produtores de alto custo ou concorrentes durante períodos de queda do mercado".

O título da reportagem é:
"Arábia Saudita nomeia Khalid al-Falih como ministro de Energia em reestruturação do gabinete".Link: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKCN0XY0MW

As informações da Reuters são praticamente restritas às questões econômicas e ligadas à troca de gabinete na área do petróleo, considerando as trocas de gabinete como um processo natural na linha sucessória. Porém, considerando as demais questões que troucemos no texto principal da nota e nas primeiras observações, as decisões de hoje parecem ser mais amplas e que refletem questões de espectro geopolítico, além das questões e gerenciamento interno do país. A conferir!


PS.: Atualizado às 02:56 e 03:08 de 09/05/2016: Para trazer para o tema mais informações divulgadas pela Agência Reuters sobre as mudanças na Arábia Saudita, em que a nomeação de Falih integra uma grande reestruturação anunciada no sábado pela Arábia, em uma grande remodelação de alguns importantes ministérios feita pelo Rei Salman, destinada a apoiar um programa de reformas econômicas de grande alcance:

1) O novo ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih disse em comunicado por e-mail, neste domingo que: "a Arábia Saudita irá manter estáveis suas políticas de petróleo. Continuamos empenhados em manter o nosso papel nos mercados internacionais de energia e fortalecer nossa posição como fornecedor de energia mais confiável do mundo";

2) "Estamos empenhados em cumprir a demanda existente e adicional de hidrocarbonetos de nossa base de clientes em expansão global, apoiada por nossa atual capacidade máxima sustentável."

3) A terceira, ainda como parte da reestruturação, o Ministério do Petróleo passou a se chamar Ministério de Energia, Indústria e Recursos Minerais. Ou seja, além do imenso setor de petróleo, o novo "mega-ministério de Energia da Arábia Saudita, passa a ficar encarregado de mais da metade da economia e desenhado para superar a burocracia e tornar o governo mais coerente e eficiente, será um desafio formidável", ao lidar com extração de petróleo e gás, geração e distribuição de energia, mineração e desenvolvimento industrial".

4) A grande reestruturação feita pelo Rei Salman se insere no seu programa chamado Visão 2030 e visa segundo informações "encerrar décadas de má comunicação e conflitos entre departamento do governo". Para isto criou um ministério amplo com poderes para fiscalizar setores que respondem por 53 por cento da produção econômica do reino. Uma enorme concentração de poder que está sendo arquitetada pelo vice-príncipe Mohammed bin Salman. “Ainda falta saber qual tipo de mudanças organizacionais específicas acontecerão no nível operacional”, segundo a Reuters.

5) "Anteriormente, o ministério do Petróleo estava encarregado de extração de hidrocarbonetos e mineração, o ministério de Água e Energia Elétrica lidava com geração de energia e o ministério do Comércio cuidava da indústria. Outros departamentos tinham sobreposições com essas atribuições, cobrindo políticas como energias nuclear e renováveis e a administração de cidades industriais".

6) "As grandes estatais, como a Aramco, o conglomerado de petroquímicos e metais Saudi Basic Industries Corp (Sabic), a mineradora Saudi Arabian Mining Co (Maaden) e a elétrica Saudi Electricity Co (SEC), ficam entre esses ministérios. Falih deve ter, agora, uma maior influência na administração dessas companhias."

7) Uma medida do governo da Arábia Saudita informada neste domingo, pelo Ministério da Habitação, em outro área e que diz respeito à criação de um novo imposto, anual, contra especulação imobiliária. Ele incidirá sobre terrenos urbanos não desenvolvidos, que integra um sistema destinado a resolver a escassez de habitação acessível, estimados entre 40% a 50% dos terrenos dentro de grandes cidades que permanecem vagos, muitos dos quais pertencentes a ricos indivíduos ou empresas que tendem a mantê-los ou trocá-los por lucros especulativos ao invés de desenvolvê-los para a habitação. O novo imposto será equivalente a 2,5% do valor do terreno de propriedade de indivíduos ou entidades não-governamentais. As receitas geradas serão gastas em serviços públicos, como estradas, água, eletricidade e sistemas de esgoto em projetos de habitação do ministério.

Comentário do blog: Concentração de poder de tal tamanho tem significados claros, ainda mais numa economia já centralizada por um reino e por quase um monopólio de atividade econômica principal que arrasta as demais, diante do seu peso já conhecido, como maldição mineral. 

Épocas de emergência, costumam também exigir concentração de poder. Sendo assim, a hipótese mais forte levantada pelo texto original continua mantida, a despeito do primeiro comunicado do novo ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, ao acenar e garantir estabilidade nas políticas sobre o petróleo a serem seguidas pelo país.

Sobre a investida contra a especulação imobiliária é possível intuir dificuldades na administração interna e no atendimento à população, por conta, provavelmente, da redução do orçamento e do aumento do déficit de quando o preço do petróleo esteve, especialmente entre 2010 e 2014, acima dos US$ 100 dólares, o barril. Administrar agravamento dos problemas internos, de forma simultânea a um maior tensionamento externo é sempre mais complicado, mesmo para quem vive assim na maioria do tempo. Continuamos conferindo.