quarta-feira, junho 21, 2017

Brasil refina menos 550 mil barris por dia de petróleo: o desmonte não disfarçado é visto com espanto em boa parte do mundo

No último dia 31 de maio este blog publicou aqui um texto que teve grande repercussão e foi replicado por vários sites e outros blogs: "Desmonte na Petrobras atinge setor de refino. Brasil exporta petróleo cru e passa a importar cada vez mais combustíveis refinados".

Ontem, a Folha de São Paulo publicou uma matéria similar, confirmando os dados e parte de nossa interpretação, sobre o fato do setor de refino de petróleo estar sendo reduzido por ação da diretoria da Petrobras e que esta diferença significa que o país está exportando óleo cru e importando mais derivados: "Importação cresce e produção das refinarias nacionais cai a pior nível".

Para termos uma ideia do volume que vem deixando de ser refinado no Brasil é só observar a capacidade de refino no Brasil de 2,397 milhões de barris por dia, em 2015, segundo a ANP.

Sobre a produção nacional de petróleo, em abril, segundo a ANP, era de 2,5 milhões de barris por dia. Já o petróleo processado nos quatro primeiros meses do ano em nossas nas refinarias teve um volume de 221,4 milhões de barris, equivalente a uma média diária de aproximadamente 1,845 milhões de barris por dia.

Desta forma é possível dizer que com a capacidade instalada que possui o Brasil, ele deixou de processar cerca de 550 mil barris de petróleo por dia, considerando a diferença entre o que está sendo refinado e a capacidade instalada de refino.

Pela diferença entre 2,5 milhões bpd de produção e a atual capacidade instalada o país teria uma sobra que poderia ser exportada de outros 100 mil barris por dia de petróleo.

O Brasil possui hoje 11 refinarias de maior porte e outras 6 refinarias de menor porte, conforme tabela publicada no Anuário 2015 da ANP que reproduzimos abaixo:




O caso é ainda mais grave na medida em que o aumento da produção de petróleo no pré-sal e redução do volume de produção na Bacia de Campos ampliou o percentual de petróleo leve para o qual foi projetada a maior parte de nossas refinarias.

A perda com esta estratégia é de bilhões que poderiam estar ajudando a abater parte da dívida da estatal, ao invés da venda a preço vil de seus principais ativos.

Assim, o Brasil está desperdiçando capacidade instalada de refino para vender óleo cru e importar derivados. Boa parte do mundo olha para este quadro sem acreditar ou entender. O fato é tão inacreditável que a postagem de maior do blog gerou questionamentos e entrevistas de publicações do exterior especializadas em energia e petróleo.

A confusão é tão grande que a FSP em sua versão online publicou na noite desta terça-feira matéria sobre o aumento também da importação de etanol, sendo o Brasil o maior produtor mundial de álcool: "Importação de álcool cresce 403% no 1º tri e preocupa agência reguladora". O próprio diretor da ANP citado na matéria não sabe explicar as razões e diz que o tema precisa ser discutido.

Como já foi dito no texto anterior, nesta fase de colapso do ciclo petro-econômico com preços mais baixos do barril de petróleo, os maiores ganhos de uma petroleira que trabalha de forma integrada (do poço ao posto) é a venda dos derivados.

É evidente que a política de preços da Petrobras criou confusão no mercado nacional que era praticamente seu, abrindo espaços para a importação de derivados que gera lucros a outras petroleiras e às tradings que atuam no mercado global desta commodity que desde o segundo semestre do ano passado aumentaram enormemente seus faturamentos no Brasil.

O fato tende a enfraquecer a atividade de refino da estatal que poderá ser vendido também em partes como vem sendo feito com outras atividades da petroleira. A integração de uma petroleira permite que a corporação se movimente melhor nas diferentes fases do ciclo do petróleo e da economia nacional e mundial.

Tudo isto tende a pressionar ainda mais a estatal que tende a reduzir seu tamanho e sua importância tanto para a economia quanto para o povo brasileiro. Volto a dizer que é lamentável enxergar este processo que pode ser revertido, conforme a orientação resultante da disputa pelo poder político.

terça-feira, junho 20, 2017

Prumo controladora do Porto do Açu tem dívida de R$ 4,5 bilhões

A informação consta do balanço do primeiro trimestre de 2017 publicado para investidores. A dívida está dividida especialmente entre quatro grandes credores como mostra o slide nº 10 a da apresentação do balanço: BNDES (R$ 2,757 bilhões: R$ 1,920 bi + R$ 837 milhões); FGTS (R$ 1,3 bilhão) e o fundo financeiro canadense Brookfield (R$ 469 milhões). Sobre custos do dinheiro, vencimento e condições de pagamento veja tabela abaixo (slide nº 10/20) da apresentação resumida do  referido balanço financeiro.

É uma dívida bastante expressiva, mas pagável, dependendo dos resultados da empresa que precisa ter lucros para se preparar para o final da carência e início do pagamento para a continuação das atividades do empreendimento. Porém, não há como negar que este volume de dívidas dificulta a alavancagem de dinheiro (empréstimos) para novos empreendimentos no Porto do Açu.

Ainda sobre cada uma das dívidas há que se registrar que a contraída junto ao FGTS é aquela que as investigações policiais indicaram a participação do ex-deputado Eduardo Cunha em sua autorização, após solicitação do antigo controlador da empresa Eike Batista. As dívidas com o BNDES (R$ 2,7 bilhões) são expressivas e equivalem a 60% do total. Estas dívidas são intermediadas, garantidas e repassadas através de bancos particulares que respondem por elas no caso do seu não pagamento.

A divulgação destes dados ajuda a que se possa ter uma melhor compreensão sobre a corporação, hoje controlada pelo fundo financeiro americano EIG Global Energy Partners. Sua interpretação deve ir além das divulgações publicadas em colunas pagas ao preço da mídia comercial. Assim, vale ainda registrar que neste mesmo balanço, 1º Trimestre 2017, a Prumo informa que teve prejuízo líquido no período  de R$ 130 milhões.

Por fim, deve-se ainda registrar que hoje no Porto do Açu se tem investimentos que vão para além daqueles aportados no passado pela LLX (hoje Prumo), e se estendem a outras empresas que alocaram recursos próprios ou obtidos também empréstimos particulares.

Já a Prumo Logística Global S.A. informou que até o ano passado havia investido um total de R$ 10 bilhões no empreendimento, sendo que a quantia de R$ 6,3 bilhões foram investidos apenas pela sua subsidiária Porto do Açu Operações, enquanto outros R$ 3,7 bilhões tinham sido alocados na empresa Ferroport, uma joint-venture com a Anglo American que atua na exportação de minério de ferro.





segunda-feira, junho 19, 2017

Volume extraído de petróleo e gás no pré-sal prestes a ultrapassar metade de toda a produção nacional

A produção de petróleo e gás natural camada pré-sal no Brasil já atinge 1,57 milhão de boed (barris de óleo equivalente: óleo + gás).

Este é o resultado de maio, com um volume 5,1% acima de abril.

Em comparação a maio de 2016, houve um aumento de 37% da produção da camada pré-sal.

Esses resultados derivam principalmente, do início da produção do projeto Lula Sul, através da P-66, e do retorno à produção após parada para manutenção, da plataforma FPSO Cidade de Angra dos Reis.

Está muito próximo da produção nacional de petróleo e gás no pré-sal superar todo o restante.

Em abril passado a produção total no Brasil foi de 3,18 milhões boed. Comparando a produção de pré-sal de maio com a produção total (e não apenas da Petrobras) de abril (pq a ANP só no mês que vem divulga - 60 dias depois) este percentual seria de 49,3%. (1,57 boed /3,18 boed)

E tinha gente que dizia que o pré-sal era uma miragem e/ou apenas um discurso.

Estes resultados resultam de uma empresa estatal - Petrobras - que mesmo sendo vilipendiada de todos os lados, e diante do já longo período de colapso de preços do barril, segue sendo procurada para parcerias por todas as grandes petroleiras do mundo.

Enquanto isso, os novos dirigentes golpistas da Petrobras seguem fatiando e entregando a preço vil, seus ativos, desintegrando a empresa com a promoção do desmonte dos seus diversos setores, pessoal, refino, logística, exploração, etc.

Há que se denunciar e seguir resistindo. Este quadro não persistirá!

PS.: A Shell (incluindo a BG comprada em 2016) que está colada nos ativos da Petrobras, já ultrapassou a produção de 350 mil barris de óleo equivalente por dia em abril no Brasil. E segue aumentando a sua participação na produção nacional de óleo e gás. Assim, a Shell pretende chegar à produção de meio milhão de barris por dia até 2020.

PS.: Atualizado às 16:54 e 17:02: Abaixo a tabela dos 20 maiores produtores de óleo e gás (boed) no Brasil. Tabela do Boletim Mensal de Produção da ANP, em abril de 2017, p.14/32. Como se pode ver a produção das petroleiras estrangeiras no país já ultrapassa, hoje, os 620 mil boed.
 

Questões sobre a aquisição pela Prumo do direito de construção de usina termelétrica no Açu

Há poucos dias, a Prumo Logística Global S.A. (controlada pelo fundo americano EIG Global Energy Partners) e  controladora do Porto do Açu, anunciou a aquisição junto a Blognesi, através de sua subsidiária Gás Natural Açu Ltda. (“GNA”), de uma autorização emitida por portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) nº 210, em 14 de maio de 2015, de um projeto de construção e operação de uma termelétrica (“UTE Novo Tempo”) com capacidade de geração 1.238 MW, que tinha sido obtida pelo grupo gaúcho, ao vencer Leilão de Energia Nova A-5 de 2014 (Leilão no 06/2014 – Aneel). (Veja aqui comunicado da Prumo em fato Relevante)

O grupo Bolognesi desenvolveu projetos de usinas termelétricas junto a dois outros portos brasileiros (Suape em Pernambuco e Rio Grande no Rio Grande do Sul). Chegou também a assinar termo de compromisso de parceria e aluguel de área, em outubro de 2015, para outro projeto no Porto do Açu. (Veja aqui). Menos de seis meses depois, a gaúcha Bolognesi anunciou a desistência do projeto. (Aqui).

A Bolognesi começou comprando projetos de geração de energia elétrica do grupo Bertin que não conseguia avançar nos mesmos. O grupo gaúcho tinha expectativa de angariar investidores para garantir recursos para: acesso a gás natural, através de gasodutos ou unidade de gaseificação do GNL (Gás Natural Liquefeito) que seria importado por navios especializados; construção das usinas geradoras de energia elétrica; além de contratos com futuros interessados em compra desta energia.

Tratam-se de projetos caros, atualemnte com custos entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões cada UTE, como a que foi projetada para o Porto do Rio Grande, ES, que tinha esta mesma capacidade de geração imaginada para a unidade do Açu com 1,2 GW (1.200MW). Com o país em recessão-estagnação, menor consumo de energia e os riscos políticos e econômicos atuais, o projeto continuará tendo dificuldades em ser viabilizado.

A geração de energia elétrica a partir do gás natural é uma boa alternativa em termos ambientais. Porém o custo de geração nas UTEs é maior do que na usinas hidrelétricas (UHEs) o que faz com que as primeiras só sejam usadas na falta de energia das primeiras ou nos picos de consumo. No restante do tempo elas são remuneradas por ficarem em stand-by para situações de emergências.

No caso do Açu o projeto ainda teria que ser decidido se trabalharia com gás viabilizado por gasodutos, numa interligação com o ramal Gascav que sai de Cabiúnas para Vitória e passa por Campos, ou por novo duto para transporte do gás.
Terminal GNL Pecém, CE. Agência Petrobras.

Outra alternativa seria um terminal e uma unidade pra regaseificação de LNG importado como o existente da Petrobras no Rio Baía da Guanabara e no Ceará, no Porto doe Pecém. Hoje, o Brasil importa GNL do Qatar, Nigéria e Trinidad e Tobago.

Assim, há muitas questões a serem resolvidas antes da decisão sobre a construção e implantação de uma UTE junto ao Porto do Açu. A sua possível construção gera um pouco mais de empregos na construção do que na operação, em grande parte automatizada, sendo parte de ex-alunos do IFF (ex-Cefet Campos).

Quanto a área a ser utilizada para a construção da UTE no Porto do Açu, ela seria pequena diante dos 20 km² que a Prumo possui junto ao porto, sem ter necessidade de utilização de área da imensa área de 72 Km² do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB) que está atualmente sendo questionada pelos agricultores atingidos , porque depois de quase uma década quase nada está sendo utilizada.

Para se ter uma ideia da demanda de área para  implantação da usina termelétrica (UTE) à gás vejamos o caso das duas instaladas no município de Macaé, a Norte Fluminense e a Mário Lago. Junto elas possuem capacidade de geração de cerca de 1.800 MW, quase 50% acima deste projeto da Bolognesi de 1.200 GW e ocupam uma área total de menos de 1 km², incluindo as áreas das subestações junto a cada uma delas, além da área de proteção vizinha. Veja no mapa abaixo (Wikimapia do Google) a área e a régua da escala na parte inferior.

O projeto de uma UTE à gás junto ao Porto do Açu pode ser um projeto interessante mais para gerar receita de ICMS para o estado e quota-arte para o município, do que necessariamente para geração de empregos. Menos ainda, se o objetivo do anúncio tenha sido a tentativa de propagandear projetos para justificar manutenção das áreas desapropriadas.

Volto a afirmar - e vou depois trazer outros dados - que a área desapropriada para o DISJB de 72 km² é na verdade um despropósito, por isso permanece sem utilização. 72 Km² para este distrito industrial é 5 vezes menor do que a soma de todos os outros 9 distritos industriais que a Codin possui atualmente em nosso estado.


quinta-feira, junho 15, 2017

Águas do Paraíba: lucro líquido de R$ 55 milhões e a 8ª tarifa mais cara do Brasil em Campos

A concessionária dos serviços de água e esgoto no município de Campos dos Goytacazes, Águas do Paraíba S.A., empresa da holding Águas do Brasil S.A. teve um lucro líquido no passado de 2016 de R$ 55 milhões. Este lucro líquido em 2016 é mais que o triplo do ano anterior de 2015 e equivale a cerca de um terço da receita total no passado que chegou ao valor de R$ 186 milhões.

É um lucro extraordinário. São poucos os negócios "lícitos" no mundo que permitem um lucro nesta magnitude. De outro lado, a concessionária é a mais reclamada pelos munícipes de Campos, nos serviços de atendimento ao consumidor do tipo Procon.

A Águas do Paraíba cumpre um contrato de concessão obtido em conturbada licitação, tipo concorrência pública (Nº 001/96), realizada no dia 16 de setembro de 1996.

O prazo de concessão prevista na licitação era de 30 anos com possibilidades de prorrogação, a partir da ordem de serviço inicial, que foi emitida no dia 14 de setembro de 1999. Só que nos governos Mocaiber, em 23 de novembro de 2007, e depois Rosinha, em 20 de maio de 2015, foram assinados termos aditivos para prorrogação do prazo de concessão com a PMCG.

Mocaiber concedeu mais 108 meses, já Rosinha, em 2015, mais 72 meses. Assim, hoje, a concessionária diz que o término do contrato foi prorrogado até setembro de 2044, ou seja, mais 27 anos.

É oportuno recordar que nos últimos anos a correção das tarifas de água em Campos foi sempre acima dos índices inflacionários. Entre 2009 e 2017, a PMCG reajustou as tarifas de água e esgoto, em favor da Águas do Paraíba acima do dobro da inflação: Tarifas 131,94% x IPCA de 65,08%. No último ano (de 2016 para 2017), o reajuste da tarifa foi de 15,286% (R$ 3,199/m³ x 3,688/m³) contra um IPCA de 6,29%.

Em 2008, segundo o Instituto Trata Brasil, Campos tinha a 8ª mais cara tarifa de água do país. Veja aqui. Este fato ajuda a explicar o extraordinário lucro líquido da Águas do Paraíba em Campos. Ainda sobre o assunto veja outras publicações do blog sobre o assunto: aquiaquiaqui e aqui.

Nas cidades onde o abastecimento já está a cargo da iniciativa privada, os moradores hoje pagam de 15% a 70% mais caro do que os clientes dos 64 municípios atendidos só pela Cedae. Sobre o assunto veja aqui matéria no jornal Extra em 11 set. 2016.

O governo atual de Rafael Diniz acaba de transferir para a concessionária a responsabilidade de saneamento água e esgoto dos distritos e localidades do interior, com a reversão dos bens patrimoniais que eram EMHAB para a Águas do Paraíba, conforme publicação no Diário Oficial do município no dia 9 de junho de 2017.

O blog ainda está apurando, mas consta que esta cessão das instalações das ETAs (Estações de Tratamento de Água) da EMHAB para a Águas do Paraíba, terá como correspondência a cobrança aos moradores das localidades do interior das tarifas de água que até aqui eram sustentadas pelo município.

Assim, os moradores destas localidades do interior do município de Campos passarão a ter que arcar com o aumento do transporte, mas também com o início da cobrança pela água.

O certo é que os valores da tarifa de água em Campos precisam ser revistos. Uma auditoria do contrato e estas correções sempre acima da inflação necessitam ser investigados. Elas estão "desorquestradas".

Não é razoável que Campos tenha uma das maiores tarifas do país. O próprio grupo Águas do Brasil S.A. (formado pela Carioca Engenharia, Queiroz Galvão, Construtora Cowan e New Water) que controla outras empresas concessionárias de água e esgoto sabe que seus lucros em Campos estão muito acima daqueles obtidos por serviços similares em outros municípios.

Assim, sigamos em frente arguindo discussões sobre Políticas Públicas. 

quarta-feira, junho 14, 2017

Para-petroleiras são forçadas a reduzir custos dos seus serviços com a fase de colapso do ciclo petro-econômico

Para-petroleiras são as corporações que atuam fornecendo bens (máquinas, equipamentos e materiais), tecnologia e serviços para as as petroleiras (nacionais-estatais ou privadas).

Em períodos de baixos preços do barril (fase de colapso do ciclo do petróleo) as operadoras (petroleiras) pressionam as empresas prestadoras de serviços a reduzirem seus contratos, sob pena de corte dos projetos de perfuração e/ou produção. (Sobre fusões e aquisições a nível mundial em empresas para-petroleiras veja aqui postagem do blog em 21 mar. 2017).

O resultado disto é uma enorme redução de custos. Segundo relatório da consultoria norueguesa do setor, a Rystad Energy, os contratos de projetos iniciados entre 2012 e 2014 fizeram com os custos médio de extração a nível mundial tenham para US$11/boe para projetos em águas profundas, US$7/boe para a outros em águas rasas (plataforma continental) e de US$4/boe para desenvolvimentos da produção em terra (onshore).*

A maior redução ficou para os projetos que são mais caros: 42%, 31% e 26% para águas profundas, águas rasas e onshore, respectivamente.

Só para se ter uma ideia sobre esta redução de custos para as diferentes fase do que chamo de ciclo petro-econômico, em 2014, os custos eram de aproximadamente US$17/boe em águas profundas, US$11/boe para águas rasas e US$4/boe para projetos onshore. 

Em 2017, estes custos são aproximadamente 30% mais baixo para águas profundas e 20% mais baixo para a águas rasas e campos terrestres.

Em 2012, mais de 650 novos projetos de exploração de petróleo e gás saíram do papel para serem implantados. Porém, desde a crise (fase de colapso do ciclo petro-econômico), este número caiu em um terço e chegou ao patamar mínimo em 2016 com menos de 200 novos projetos.

O fato demonstra que todas as petroleiras a nível mundial convivem com as mesmas questões decorrentes da diferentes fases do ciclo petro-econômico. 

Assim, o caso da Petrobras, não é diferente como quer fazer crer boa parte da mídia comercial brasileira. Inclusive o título e boa parte da matéria do site Terceira Via (aqui) que me ouviu como especialista e não compreendeu (especialmente no título) o que tentei explicar.

Enfim, as duas fases do ciclo petro-econômico (boom e colapso) produzem reações em diferentes dimensões (econômica, espacial, ambiental, geopolítica, etc.) para todo o setor de petróleo e gás, desde as petroleiras às fornecedoras de bens, equipamentos e prestadoras de serviços. 

Na fase de colapso de preços do ciclo do petróleo, elas são obrigadas a reduzir seus contratos sob pena de não ter contratante. As consequências disto são diversas, em especial para a parte de menor poder que são os trabalhadores.  

Por tudo isto, não é possível compreender o movimento desta cadeia produtiva observando apenas as questões nacionais num setor que é completamente globalizado.

*Bom lembrar que se tratam de custos líquidos, sem o custo do dinheiro de investimentos, impostos e royalties. 

sábado, junho 10, 2017

Morre mais um petroleiro vítima de explosão em navio-sonda na Bacia de Campos

Mais um petroleiro, agora, Jorge Luis Damião faleceu hoje, por conta da queimadura que sofreu em 96% do corpo, em função da explosão que ocorreu ontem na caldeira na praça de máquinas do navio sonda NS-32 (Norbe VIII), afretado pela Odebrecht, na Bacia de Campos, conforme nota publicada ontem, aqui no blog. A empresa Odebrecht Óleo e Gás (OOG) é prestadora de serviço da Petrobras.

Ontem faleceu Ericson Nascimento de Freitas, de 28 anos que era técnico em inspeções. Eduardo Aragão Lima passou por cirurgia ontem, seu estado é grave e está no Hospital de Macaé, RJ. O quarto trabalhador atingido, Fernando Garcia Pinheira teve alta hospitalar hoje.

Em documento que o blog teve acesso (abaixo), um alerta do setor de SMS da Petrobras foi emitido fazendo um alerta para outras unidades, sobre os riscos de explosão similar.

Evidente que um acidente com tamanha gravidade com explosão de uma caldeira (equipamento de alto risco, ainda mais numa plataforma) que mata dois trabalhadores terá que ser melhor analisado.

Porém, como disse ontem aqui no blog, nesta fase de colapso do ciclo petro-econômico - com redução do preço do barril -, as ações para redução de custos são sempre muito grandes e algumas vezes, desarrazoadas. Isso, faz com que os riscos se ampliem quase como consequência direta. O mesmo se dá com as reduções de contingente embarcado nas sondas e plataformas.

As causas do acidente devem ser apuradas. Infelizmente é muito comum a responsabilização dos trabalhadores, escamoteando causas originais que podem levar à ocorrências dos acidentes, quando as hipóteses de redução sem critérios dos custos podem afetar os processos e a segurança no trabalho.

O Sindipetro-NF declarou luto por conta da morte dos dois trabalhadores da Odebrecht Óleo e Gás (OOG).


sexta-feira, junho 09, 2017

Reflexo da redução de custos no setor de petróleo: acidente 1 morte e 3 feridos em sonda contratada

A redução de custos quase sem limites nesta fase de colapso de preços do barril de petróleo,  após 2015, vai mostrando seus resultados. As investigações ainda vão apurar as causas, mas as hipóteses já vinham sendo levantadas.

Abaixo as informações do Sindipetro-NF que fala sobre 4 trabalhadores feridos.

"Quatro trabalhadores foram feridos nesta manhã por explosão em uma caldeira na praça de máquinas do navio sonda NS-32 (Norbe VIII), afretado pela Odebrecht, na Bacia de Campos. Três deles com queimaduras.

A explosão ocorreu às 7h48. As informações iniciais obtidas pelo Sindipetro-NF são de que dois dos trabalhadores feridos foram desembarcados pela aeronave de emergência. Os outros dois passam por avaliação médica a bordo da unidade.

Não houve incêndio, mas as operações na plataforma foram interrompidas. A explosão aconteceu durante manutenção em uma caldeira que não estava operando.

De acordo com o site Marine Traffic, no momento da explosão o NS-32 seguia, no Campo de Marlim, em direção ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). O Navio tem bandeira das Bahamas e foi construído em 2011.

O Sindipetro-NF ainda apura mais informações sobre o acidente. A entidade fez contato com a área de segurança da Petrobrás e aguarda resposta. "


PS.: Atualizado às 16:56: Infelizmente um dos trabalhadores feridos internados no HPM de Macaé faleceu. Outros dois estão gravemente feridos e outro deverá ter alta amanhã segundo dirigente do Sindipetro-NF.

Na íntegra vídeo da Audiência Pública na Alerj que questionou o não uso dos 72 km² de área desapropriada para o DISJB

Como já comentamos em nota aqui no blog, aconteceu na manhã de ontem (08/06) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), uma audiência pública com o tema: "Os impactos sociais da implantação do Complexo Industrial e Portuário do Açu".

A reunião foi convocada por três comissões e uma frente: Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania; Comissão de Política Urbana, Habitação e Assuntos Fundiários; Comissão de Representação para Medir Conflitos Decorrentes da Implantação do Porto do Açu e Frente Parlamentar de Economia Solidária.

Há um consenso de que o Porto do Açu com a área que dispõe de 20 km² pode funcionar com suas atividades de exportação de minérios, de transbordo de óleo, de movimentação de outras cargas e apoio às explorações de petróleo offshore, sem necessitar dos 72 km² de área desapropriado pelo Estado na região do Açu.

Inúmeros dados comparativos com outros projetos de logística portuária e de distrito industrial no pais forma apresentados e os dados de demanda de áreas comparados com os 72 Km² que as desapropriações destinaram ao DISJB no Açu, em favor da Prumo.

Veja abaixo o vídeo na íntegra produzido pela TV Alerj, sobre os debates na Audiência Pública:

quinta-feira, junho 08, 2017

Agricultores do Açu conquistam em Audiência Pública, hoje na Alerj, forte apoio de deputados para suspender as desapropriações

Aconteceu na manhã desta quinta-feira (08/06), entre 10 e 13 horas, numa da salas de reunião das comissões (316) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), uma audiência pública com o tema: "Os impactos sociais da implantação do Complexo Industrial e Portuário do Açu".

A reunião foi convocada por três comissões e uma frente: Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania; Comissão de Política Urbana, Habitação e Assuntos Fundiários; Comissão de Representação para Medir Conflitos Decorrentes da Implantação do Porto do Açu e Frente Parlamentar de Economia Solidária.

A direção da Audiência Pública com os quatro deputados
que presidem as comissões que a convocaram: Bruno Dauaire,
Marcelo Freiro, Zeidan e Waldeck Carneiro.
A audiência teve a participação das lideranças dos agricultores do Açu (antigo 5º Distrito do município de São João da Barra), organizados pela Asprim, que levou cerca de 50 pequenos produtores-atingidos pelo empreendimento e pelas desapropriações; dos apoiadores como o MST; pesquisadores e núcleos de pesquisas de várias instituições (IFF, UFF, Uerj) que estudam o problema; Defensoria Pública do ERJ (Seção SJB); Câmara de Vereadores de SJB (presidente e mais três vereadores), entre outras autoridades e público em geral. A audiência esteve superlotada todo o tempo e foi transmitida ao vivo pela TV Alerj.

Mais de 14 deputados estaduais estiveram na audiência pública e qualificaram o volume e o conteúdo das informações ali apresentadas como fortes elementos para garantir o apoio político deles para a aprovação do decreto de suspensão das desapropriações pela Alerj, tendo sido em todo este tempo, a audiência mais produtiva e eficiente, segundo todos aqueles que se pronunciaram.

O apoio político pela suspensão do decreto é suprapartidário e demonstra a compreensão das bases em que o decreto de desapropriação do governador Cabral foi assinado, em acordo que hoje é questionado em ação criminal que envolve ainda o empresário Eike Batista, beneficiário do mesmo, estando hoje, ambos presos por decisão judicial a pedido do Ministério Público Federal.

A repercussão da audiência pública foi e continua sendo bastante grande. Todos faziam questão de registrar o fato de que o decreto de desapropriação perdeu a sua razão, se desvinculando do objeto e de sua finalidade na medida em que a extraordinária área de 72 km² que seria para a instalação do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB) hoje se encontra em quase sua totalidade sem utilização.

Na prática, segundo todos, o DISJB se transformou num condomínio de área controlado pela Prumo (ex-LLX), sem controle da Codin. As grandes indústrias extensivas em áreas (2 siderúrgicas, 2 cimenteiras, usinas termelétricas e outras, ultrapassados quase dez anos não se instalaram e nem perspectivas.

Há um consenso de que o Porto do Açu com a área que dispõe de 20 km² pode funcionar com suas atividades de exportação de minérios, de transbordo de óleo, de movimentação de outras cargas e apoio às explorações de petróleo offshore, sem necessitar dos 72 km² de área desapropriado pelo Estado na região do Açu.

Inúmeros dados comparativos com outros projetos de logística portuária e de distrito industrial no pais forma apresentados e os dados de demanda de áreas comparados com os 72 Km² que as desapropriações destinaram ao DISJB no Açu, em favor da Prumo.

Esta extensão de área desapropriada em favor do DISJB é maior do que 198 municípios brasileiros, entre estes (Búzios com 69 km²; Iguaba Grande com 53 km²; Porto Real com 50 km²; mesquita com 34 km² e Nilópolis com 19 km²).

Vários outros dados foram apresentados e gerou enorme reação (indignação dos presentes) e interesse dos jornalistas e serão - de forma paulatina - descritos e postados aqui no blog. Porém, um deles, o mapa que demonstra o que era previsto em termos de empreendimentos para o DISJB e o que efetivamente existe foi o que surtiu maior impacto e está apresentado abaixo.



O mapa foi elaborado por Eduardo Barcelos do grupo de agrária da AGB (Associação de Geógrafos, seção Niterói-Rio*. O mapa da esquerda apresenta os projetos do DISJB que foram amplamente divulgados entre 2008-2010. E o mapa da esquerda mostra, na área que tem verde de 62 km², a localização das terras que foram desapropriadas e que hoje estão abandonadas em sem nenhuma função.

Por conta do fim do uso rural destas e outras terras de SJB, a produção agrícola em SJB caiu de cerca de 185 mil toneladas em 2009, para 30 mil toneladas em 2015, como uma redução de 84%. A área colhida caiu de 3.755 hectares para 1001 hectares, com uma redução de 73%.

A enorme repercussão dos relatos dos produtores rurais por Rodrigo Santos e Da. Noêmia Magalhães apresentação pela Asprim e pelos dados dos pesquisadores e defensores públicos, fez com que logo após a audiência pública, uma comissão fosse recebida pelo líder do governo na Alerj, deputado Albertasi, para agilizar as medidas legislativas e políticas para sustar as desapropriações.

Agricultores, pesquisadores e defensores públicos detalham no mapa para o líder do governo deputado Albertasi, o não uso das áreas desapropriadas no Açu. 






















O blog voltará a tratar do assunto com mais dados e informações tanto sobre a audiência, quanto sobre seus desdobramentos. E finaliza esta comunicação lembrando as palavras de Da. Noemia falando como uma das produtoras rurais do Açu: "somos como sementes e assim a nossa luta renasce a cada dia!".

PS.: Atualizado às 12:22 de 09/06/17: Para inserir abaixo matéria da TV Alerj sobre a Audiência Pública que que se encaminha para aprovar PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que suspenderá as desapropriações de terras do Açu, que depois de 9 anos não tiveram uso no DISJB:



PS.: Atualizado às 23:48 de 13 de junho de 2017 para trocar imagem do mapa que agora vem com assinatura da AGB.

Como é visto o setor de petróleo do Brasil no mundo

Do executivo norueguês Kjetil Solbraekke, ex-presidente da filial brasileira da Statoil, petroleira daquele país, que é o vice-presidente para a América do Sul da empresa de consultoria da área de óleo & gás, Rystad Energy, uma das mais respeitada do mundo:

"O Brasil é o mais importante, o melhor lugar [para exploração] de petróleo do mundo". 
(Valor, 05 jun. 2017, P. B4)

quarta-feira, junho 07, 2017

"A disputa entre Arábia Saudita e Qatar pode ser sobre gás, não terrorismo"

Mais uma questão da crise no Oriente Médio como parte da geopolítica da energia. Há acusações de forças de um lado e outro, mas poucos acreditam que as informações e contrainformações que cercam o caso do Qatar com Arábia Saudita tenha como justificativa o terrorismo.

Além de maior produtor de gás natural (GN) do mundo, possui um dos maiores fundos financeiros (soberanos) com influência em diversas corporações e bancos espalhados pelo mundo. Até por isso, este artigo do site "RT" (aqui) merece ser lido. Uma versão traduzida por Alex Prado foi publicada aqui pela Aepet que transcrevemos abaixo:

"A disputa entre Arábia Saudita e Qatar pode ser sobre gás, não terrorismo"

"A disputa da Arábia Saudita com o Qatar é datada de 1995 e decorre do sucesso do país na produção de gás natural liquefeito (GNL). O GNL deu maior independência ao Qatar frente a Riyadh e alinhou Doha com o Irã, arquinimigo da Arábia Saudita.

A revolução do GNL fez do Qatar uma das nações mais ricas do mundo com uma renda per capita anual de US$ 130.000. O país também se tornou o maior exportador de GNL.

O campo norte offshore do Qatar, que fornece todo o gás do país, é compartilhado com o Irã. O Qatar também hospeda o Comando Central dos EUA e comprou uma participação de US$ 2,7 bilhões na principal petrolífera russa, Rosneft.

Base portuária para exportação de LNG no Qatar
"O Qatar costumava ser uma espécie de estado vassalo da Arábia Saudita, mas usou a autonomia que a riqueza do seu gás criou para desempenhar um papel independente ", disse Jim Krane, pesquisador de energia do Instituto Baker da Rice University, Texas, segundo a agência Bloomberg.

"O resto da região tem procurado uma oportunidade para cortar as asas de Qatar", acrescentou Krane.

Na segunda-feira, a Arábia Saudita, o Egito, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos, o Iêmen e outros países reduziram os laços diplomáticos com o Qatar, acusando o país de apoiar o terrorismo.

A riqueza de GNL permitiu que o Qatar formasse uma política externa, independente dos sauditas.

Riyadh acusou Doha de apoiar a Irmandade Muçulmana no Egito, o Hamas na Faixa de Gaza e os grupos armados opostos entre Abu Dhabi e Riyadh nas guerras Líbia e Síria.

Além disso, a Arábia Saudita e outros países do Golfo viram um aumento na demanda de GNL para produzir eletricidade. Como o Qatar tem os menores custos de extração, os sauditas dependem de importações de GNL de custo mais alto.

"Você pode questionar porque o Qatar não esteve disposto a fornecer para seus países vizinhos, tornando-os pobres de gás, provavelmente havia uma expectativa de que o Qatar vendesse gás para eles com um bom desconto", Steven Wright, Ph.D. Professor associado da Universidade de Qatar disse à Bloomberg.

O ministro das Relações Exteriores do Qatar disse na terça-feira que Doha estava pronta para os esforços de mediação para aliviar a fissura entre os países do Golfo.

O governante do Kuwait, Sheikh Sabah Al-Sabah, anunciou que viajaria para a Arábia Saudita na terça-feira para mediar o fim da briga."

terça-feira, junho 06, 2017

O cerco dentro do golpe!

O cerco do golpe dentro do golpe pelos tucanos está avançando.

Uma a uma as cabeças do PMDB estão sendo tombadas.
Vão aprisionando o Temerário.
Entre os tucanos a disputa para chegar na cadeira de presidente - sem votos - cresceu entre Alckmin e Jereissati.
Eles continuam não pensando na Nação.
Imaginam que basta derrubar o já tombado Temerário.
Estão brincando com fogo.
Não estão levando em conta que cada vez mais a Nação percebe que só as eleições diretas resolvem este imbróglio.
Conhecendo um pouco de política, ninguém pode imaginar que população vá se contentar apenas com a derrubada de Temer, para ver Maia, Meirelles, ou um destes tucanos, seguindo mesmo script.

segunda-feira, junho 05, 2017

Jornada Internacional em Políticas Sociais no PGPS da Uenf: 9, 12 e 13 junho

O blog abre espaço mais uma vez para divulgação de um evento acadêmico, de nível internacional, numa universidade em Campos. A V Jornada Internacional em Políticas Sociais tem como tema: "Políticas Sociais e a nova urbanidade. O evento é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da Uenf. Abaixo o cartaz do evento e sua programação:




Ainda sobre a saída dos EUA do Acordo de Paris: um mundo limpo e asséptico ambientalmente na parte de cima desenvolvida e depreciado nos trópicos

Ainda sobre a saída dos EUA do Acordo de Paris.

Foi interessante observar que os acionistas da Esso ficaram a favor da avaliação dos riscos climáticos.

Eles alegavam querer garantir uma "transição suave para uma economia de baixo carbono".

A Shell também diz algo parecido quando afirma que hoje faz opção pelos ativos de gás natural.

Porém, ambas as corporações sabem que a demanda de petróleo tende a crescer nas próximas décadas, especialmente, nas regiões menos desenvolvidas do planeta, onde os projetos de energia sustentáveis quase inexistem.

Assim, as corporações do setor, que desenvolveram o capitalismo lubrificado pelo petróleo, apostam numa dupla e cruel matriz: energia sustentável em nível ascendente nos países ricos e petróleo na periferia sobrante do mundo.


A União Européia (UE) é hoje o maior mercado de carbono do mundo e assim avança para a energia menos insustentável.

Um mundo limpo e asséptico, ambientalmente, para a parte chamada de desenvolvido e depreciado nos trópicos.

Mesmo que a questão do clima atinja a todos, na média, ele seria menos intolerável na parte de cima do Equador, até pela média de menos impacto ambiental no alto do globo e maiores na parte sobrante de baixo.

E as corporações seguem manejando este jogo que vai bem para além da decisão de Trump e dos EUA.

sábado, junho 03, 2017

A saída dos EUA do Acordo de Paris e algumas consequências...

Tem momentos que é meio difícil crer que os EUA saiu do Acordo de Paris, enquanto a China, numa reviravolta também quase inacreditável, mudou quase radicalmente, a sua posição.

A China agora tende a ampliar, paulatinamente, o espaço na direção da liderança de uma agenda que mistura tecnologia, inovação e produção de energias alternativas, que ainda terá que conviver um bom tempo com o ciclo do carbono através da mercadoria especial do capitalismo que é o petróleo.

O resultado disto parece paradigmática e simbólica, do fim de um ciclo e também da virada da aliança do Ocidente - desde o pós-guerra - para a outra direção: da Eurásia.

A geopolítica segue mudando dia-a-dia com velocidade que não é comum nesta dimensão.

O que isto poderá produzir, acho que ninguém gostaria de arriscar, embora sigamos otimistas, em busca de melhores dias, mesmo diante de realidades estranhas.

sexta-feira, junho 02, 2017

Álcool de milho no Mato Grosso é mais uma ameça à produção de cana na região

A agroindústria canavieira do Norte Fluminense com a produção de açúcar e álcool segue cada vez mais ameaçada. Além das bilionárias dívidas das usinas, a perda de competitividade da produção regional diante de outras regiões é muito significativa. Talvez, definitiva.

As produções no Oeste paulista e na região Centro-Oeste ampliam a cada dia, a diferença em termos de custo de produção e produtividade, em relação à produção regional.

Além disto, a produção do etanol de milho cresce de forma muito significativa consumindo parte excedente da produção de milho daquele estado. Desde 2012, quatro usinas já implantaram instalações para a produção compartilhada (usinas flex) moendo cana-de-açúcar e milho alternadamente na entressafra do outro, garantindo funcionamento e produção o ano inteiro.

Destilaria flex de etanol de milho e cana da Usimat, MT
Uma desta plantas flex de produção de álcool é da Usimat, na cidade de Campos de Júlio, MT, a 600 km de Cuiabá, que já está produzindo 490 mil litros diários de etanol de milho este ano.

Em 2012, quando a Usimat começou a produzir etanol de milho a produção era de apenas 50 mil litros por dia. Hoje a estimativa do estado do Mato Grosso é de produzir este ano mais de 300 milhões de litros de etanol de milho.

O Mato Grosso produz quase metade de toda a produção nacional de milho. Por lá, a produção de etanol de milho tende a se alterar conforme a demanda pelo produto in-natura no mercado mundial, como acontece aqui na região com o valor da commodity açúcar.

É certo que parte da produção lá e cá atende aos mercados locais/regionais o que garante uma certa estabilidade na demanda, em função dos custos de logística para distribuição da produção. Há espaços ainda para a agroindústria canavieira na ampla extensão de área do Norte Fluminense, mas ela têm se estreitado.

Assim, parece cada cada vez mais claro que a produção agrícola fluminense (e regional) precisa se voltar para projetos ligados à alimentação para atendimento do enorme mercado consumidor desta adensada região que tende à uma metropolização com características específicas.

Poderiam ser projetos de menor porte e articulados por grupos regionais/locais de produtores, com apoio técnico e planejamento de logística para reduzir custos de comercialização e garantias de mercado. Mais um bom debate!

quinta-feira, junho 01, 2017

Interesses e consequências do desmonte na área de pessoal da Petrobras

Da mesma forma que se assiste o fatiamento dos ativos da Petrobras, para entrega ao mercado, se identifica também, o desmonte das estruturas organizacionais e dos negócios, antes integrados e verticalizados no sistema Petrobras

O desmonte da área de logística (dutos e transportes), de negócios e refino (com venda de óleo cru e importação de produtos refinados - veja postagem aqui) entre outros, pode ser também observado, em detalhes, sobre uma parte estratégica de uma empresa de petróleo: a área de pessoal. O desmonte na área de pessoal atinge todas as áreas do sistema Petrobras.

No último dia 15 de maio já comentávamos sobre este assinto e postagem aqui no blog. Hoje, porém vamos ampliar um pouco mais esta análise.

Tanto as IOCs (corporações internacionais de óleo) quanto as NOCs (empresas estatais de óleo), ou ainda as chamadas para-petroleiras (empresas de tecnologia, equipamentos e serviços que atuam no setor de óleo e gás) sabem, o quanto é estratégico, a montagem (seleção, contratação, treinamento e retenção) de um quadro de pessoal qualificado e especializado no setor. Trabalho de décadas.

Mesmo que se tenha capital (e muito) nada vai adiante sem este pessoal qualificado que não se consegue montar da noite para o dia.

Na realidade das corporações do setor de petróleo é prática corriqueira, as estatais (NOCs) formarem, abrirem espaços para experiência e know-how aos seus melhores técnicos e gerentes e, depois, verem as gigantes IOCs tomarem – a dedo, um a um – os quadros mais qualificados e dos setores estratégicos desta companhia.

É neste contexto que a nova direção da Petrobras (Temer/Parente) talvez esteja fazendo o maior - e mais definitivo - desmonte na empresa, logo, no exato momento, em que o país passa a participar da geopolítica do petróleo - de forma ativa - após a extraordinária descoberta e exploração – com enorme sucesso - das reservas do pré-sal.

O desmonte em algumas das outras áreas pode até ser revista, numa nova direção de governo da Nação. Na área de pessoal este recrutamento e retorno dificilmente poderão ser recompostos, pois as pessoas qualificadas não o são apenas, individualmente, mas em suas equipes.

Nesta linha de raciocínio, não é difícil intuir que, talvez, o pré-sal não fosse descoberto sem a equipe de geólogos, físicos e especialistas em tecnologia e equipamentos de sondagens, perfuração, análises e interpretações dos potenciais poços e campos de petróleo que atuavam em conjunção e articulação.

Este mesmo movimento se viu acontecer na área de produção, onde hoje se conseguiu viabilizar nas reservas do pré-sal uma produtividade antes sequer imaginada, nem pelos mais otimistas.

É certo que a atual fase de colapso do ciclo do petróleo (que prefiro chamar com características em diferentes dimensões como ciclo petro-econômico) exige ajustes e contenções de dinheiro e pessoal. Porém, isto sempre deve ser feito de olho na nova fase de expansão do ciclo que virá a seguir, mas esta visão minimamente prospectiva (sem os chavões do marketing) sequer é considerada.

O que se está vendo na área de pessoal é um desmonte criminoso. Basta observar, mesmo que por alto, o que vem sendo desenvolvido sobre contenção de custos em todas as corporações privadas do setor de petróleo no mundo (as IOCs como Esso, Shell, Chevron e outras).

Em nenhuma – repito, nenhuma – o desmonte é desta ordem e de forma tão ardilosa, sob o falso argumento das consequências dos desvios e da preparação do ambiente que entrega o “filé” do setor ao mercado.

A redução total de pessoal que atua no sistema Petrobras nos últimos anos foi, de praticamente metade. Saiu (em números aproximados) de 370 mil trabalhadores para 185 mil petroleiros.

O corte que foi e continua sendo feito é indiscriminado. Milhares de técnicos, que mesmo não sendo do quadro direto da empresa, era de gente que há muito tempo atuava e tinha se especializado em operação, gestão e apoio às atividades petrolíferas.

No quadro dos empregados diretos da empresa, o corte já atinge 13 mil e a previsão é de 17 mil. Este descarte de mão de obra altamente qualificada fez com que o total de empregados diretos da empresa tivesse sido reduzido - no final de 2016 - a 68,8 mil petroleiros. Dois PIDVs foram responsáveis por este “empurrão” para fora da empresa de gente muito competente.

As petroleiras privadas que atuam no Brasil - e que hoje produzem pouco mais de 6% do petróleo nacional - agradecem, por esta graciosa colaboração. Assim, elas podem com menos custos e maior facilidade atingir a meta de, em 2020-2022, estarem produzindo cerca de 40% de toda a produção nacional de óleo e gás. E assim, discursarem sobre modernidade e eficiência.

Aliás, este é um dos motivos que se deve compreender a lógica deste desmonte de pessoal no sistema Petrobras. Não se deve seguir a linha de observar, como pretende o mercado, a lógica financeira da dívida da estatal, ou da necessidade de redução de custos.

Deve-se recordar e deixar registrado que a produtividade total da empresa, antes desta expulsão generalizada destes técnicos, sempre esteve bem acima da média mundial, com enorme reconhecimento e a conquista de vários prêmios internacionais.

Para fechar vale ainda chamar a atenção para os riscos de segurança sobre as instalações e sobre os petroleiros.

Foi num contexto similar a este de enxugamento, quando da tentativa de privatização da estatal que a gestão do FHC, na década de 90, com o Reitschul na presidência da Petrobras, produziu em 2000-2001, vários acidentes. Entre eles os vazamentos de óleo na Baía da Guanabara e no rio Iguaçu no Paraná; e o mais grave com a explosão e afundamento da plataforma P-36, matando 11 petroleiros na Bacia de Campos.

O contexto atual é semelhante. Dentro desta mesma visão administrativa-tecnocrática de quem não conhece o dia-a-dia da exploração offshore e desdenha a complexidade do desenvolvimento dos processos com petróleo e gás.

Um comunicado interno da direção da Petrobras aos petroleiros da empresa enviado esta semana atesta esta visão. Ele fala da “revisão organizacional das UOs (Unidades de Operação) do setor de E&P (Exploração e Produção) e também da área de RGN (Refino e Gás Natural)”.

O texto fala em “revisão do modelo de governança e gestão organizacional”, mas deixa claro o foco na economicidade, eficiência e segurança”. Sim, segurança em último lugar dentro desta trilogia. Lembrando que se trata de um setor em que se trabalha em ambientes, processos, equipamento e produtos que oferecem mesmo com muita gestão, enormes riscos.

O comunicado da direção da empresa detalha ainda, de forma mais clara, outras indicações de seus principais objetivos: “rever conceito atual das UOs para maximizar a geração de valor”; “capturar ganhos financeiros com implementação de estruturas mais enxutas”.

O documento estipula o prazo de agosto para esta revisão com apresentação de diagnóstico/consolidação de mudanças nas áreas de E&P e RGN, com implementação a partir de outubro, após avaliações das diretorias executivas e Conselho de Administração (CA).

É neste contexto, ambiente e direção de enxugar tudo que os riscos se ampliam. Os ajustes e as necessidade de enfrentar pontos críticos e melhoria da performance, deve fazer parte de uma boa administração, e nunca de uma direção como esta.

Comunicados como estes fazem com que as gerências inferiores queiram ser mais realistas que o rei, para mostrar resultados e assim se apresentar como maior performance num ambiente estimulado de ascensão funcional nas carreiras.

Tudo isto cria o “molho perfeito” para ampliação dos riscos que a seguir tende a gerar efeito inverso, com perda de produtividade, planos de contingência, perda de prestígio institucional, etc.

O quadro geral - de certa forma resumido apresentado aqui - mostra a natureza destrutiva e criminosa que o enxugamento generalizado de pessoas representa para o Sistema Petrobras e para o Brasil. Certamente, este é o maior dos desmontes que Parente/Temer se propuseram a fazer no sistema Petrobras por aqueles do mercado que o sustentam.

A nação, trabalhadores, pesquisadores e a população em geral seguirão observando todos estes movimentos, como forma de ampliar as resistências e a reconstrução de um país para todos.

Como os "cabeças brancas" tucanos avançam no golpe dentro do golpe

O jornalista Raimundo Costa do Valor é um daqueles com amplos espaços nas hostes peemedebistas e psdbistas que ainda escancaram as vísceras da política em Brasília e desta forma permite que se enxergue os movimentos dos golpistas.

Por isso, eu acompanho as suas falas, quando informativas, e menos, quando opinativas.

Entre os fatos que ele descreve numa matéria (P.A8) na edição de hoje, estão várias informações que confirmam, não apenas o interesse dos tucanos em tomar o governo, com mais um golpe dentro do golpe, só que agora, contra os peemedebistas.

Sobre a reunião entre a cúpula tucana (Jereissati e FHC) e Temer e Moreira Franco, ocorrida na 2ª feira (29/05), em São Paulo, Costa diz primeiro que Temer afirmou com toda a clareza que seria uma ilusão os tucanos - como sócios do governo golpista - pensar que não enfrentará os mesmos problemas, se vier a substituí-lo, inclusive sobre as investigações do MPF e PF, citando abertamente, o caso de Aécio.

Porém, o que é mais forte de ser conhecido é o fato de que o PSDB estaria rachado.

De um lado Jereissati que manobrou os deputados para sair do governo e assim, derrubá-lo para se apresentar como candidato na eleição direta do Congresso.

O movimento gerou forte reação do Alckmim que teria feito um raciocínio simples: se o empresário cearense entrasse e fosse razoavelmente bem sucedido se transformaria, automaticamente, em candidato à reeleição. E se fosse mal sucedido enterraria de vez o PSDB, também retirando as esperanças de Alckmim.

O desespero do governador paulista foi tão grande que, logo a seguir, ele correu para buscar ser candidato numa eleição indireta, mesmo no exercício do cargo de governador de São Paulo.

Para isso, chegou a arrumar um parecer jurídico - que deve ter custado bom dinheiro - para concorrer sem se desincompatibilizar do cargo que ocupa.

Os fatos não apenas mostram, mas comprovam que os tucanos querem e fazem de tudo para acessar o poder sem voto, pulando de golpe em golpe, sem nenhum apreço pela democracia, ou preocupação com a sociedade, ou a Nação. Apenas o poder.

O PSDB sabe que se retirar o apoio a Temer derruba o governo na hora.

Ainda segundo o jornalista Raymundo Costa, Alckmim é entre os "cabeças brancas" (como são chamados os caciques tucanos, o resto são os "cabeças pretas") o maior entusiasmado com a saída do PSDB do governo Temer, para chegar ao poder sem voto. E mais: sem correr o risco de ver o afilhado - o baronato Doria - lhe criar problema. Este segundo consta está preferindo manter Temer na Presidência.

Engraçado que mesmo tendo lido muitas coisas nos dois últimos dias, sobre os bastidores do poder em Brasília, eu não tinha noção destas importantes informações.

Elas mesmo divulgadas ficam meio que escondidas e sem destaques, em manchetes ou chamadas, como seria natural diante de tamanho significado.

Quaisquer que sejam os desdobramentos da política no Planalto, essas informações entrarão para a história.

Elas ajudam a contar com detalhes como um partido derrotado -quatro vezes seguidas - promove os golpes seguidos, contra diferentes adversários para tentar alçar ao poder, sem voto.

E isto tudo estando envolvido em tantos desvios e maracutaias, quanto aqueles q quem condenam num falso moralismo, sem caráter.

Em época de informação online, os fatos passados se transformam em história mais cedo que antes.
Assim, escaramuças como estas de golpistas nos subterrâneos do poder, serão lembradas nesta falsa democracia que desdenha e desrespeita o voto de 54 milhões de brasileiros, sem nenhum pudor.

quarta-feira, maio 31, 2017

“Os portos conseguiram coisas demais”: o que o processo histórico nos permite interpretar sobre a involução da burguesia nacional?

Ao ler na mídia comercial sobre áudio gravado com assessor de Temer, Gustavo vale com o deputado Rodrigo Rocha que seria relacionado ao decreto assinado no dia 10 de maio, em que Temer concedeu prazo de concessão de até 70 anos para os terminais portuários no país, logo após este diálogo, não há como não analisar o processo histórico deste setor.

Setor que aliás, sempre foi da área de grande interesse de Temer, Cunha e sua turma no PMDB.

A visita de campo feita na semana passada ao complexo portuário de Santos/Cubatão ajuda a relembrar fatos e a comparar como a elite econômica foi mudando para pior a sua forma de atuação.

O Porto de Santos com os velhos trapiches e pontes fincados em terrenos lodosos, desde as primeiras intervenções do feitor Braz Cubas, na época das capitanias hereditárias com Martim Afonso de Souza em 1534 tiveram perspectivas de modernização em 1888, com os Guinle (Eduardo) que ganharam uma licitação para modernizar o porto de Santos.

Na verdade, na ocasião, ainda antes da Proclamação da República e logo após o fim oficial da escravidão, se tratava da implantação do porto saindo de um ponto de apoio com trapiches para a construção do primeiro terminal que exportaria café e mais adiante, passaria também a movimentar cargas importadas.

Imagem do Porto do Santos entre 1900 e 1910
Assim, a Companhia Docas de Santos (CDS) colocou o Brasil de forma mais intensa (para além do Porto do Rio) mais integrado à navegação mundial ao entregar os primeiros 260 metros de cais, na área, até hoje denominada, do Valongo.

De lá para cá, o fluxo de cargas que não parou de crescer. O número de terminais portuários naquele complexo já é maior que meia centena e junto se ampliaram o uso com as retroáreas portuárias que também gerou o crescimento e a urbanização na cidade, hoje transformada na região Metropolitana da baixada Santista.

Pois bem, para empreender e implantar todas as bases materiais, os Guinle mantiveram a concessão dos primeiros terminais do Porto do Santos até o início da década de 80.

Pois bem, agora mais de um século depois, diante da ultra capacidade do mercado e de seu discurso de modernização e agilidade, o governo Temer (PMDB) concede até 70 anos – sim 70 anos - para as concessionárias permanecerem nos terminais portuários já construídos, apenas com pequenas adequações e enormes lucros intergeracionais.

A interpretação é curta e lamentável.

A burguesia (que não pode e nem deve ser chamada de elite) de hoje parece muito pior que antes.

As relações, articulações e cooptação que o poder econômico fazem sobre o poder político, parecem muito maiores e mais promíscuas que antes.

E o pior de tudo é a impressão que o projeto de Nação e os interesses nacionais se esvaíram a favor dos interesses econômicos, sem levar em conta o trabalho que produz as riquezas.

II Congresso Internacional Caleidoscópio da Cidade Contemporânea: 5 a 8 junho na UFF Campos













Convite para o evento acadêmico:

No ano de 2014, ocorreu o I Congreso Internacional Caleidoscopio de la Ciudad Contemporánea, com o subtítulo Economía, medio ambiente y territorio”, na Facultad de Economía, Benemérita Universidad Autónoma de México (BUAP). Naquela oportunidade, o congresso reuniu ao redor de 230 alunos e professores dos cursos de graduação e pós-graduação, além de profissionais de instituições mexicanas, brasileiras - Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) -, equatorianas (Universidad de Cuenca) e espanholas (Universidad de Murcia).

O II Congresso Internacional Caleidoscópio da Cidade Contemporânea, cujo tema é Território, Economia Urbana e Conflitos Territoriais, será realizado na cidade de Campos dos Goytacazes - RJ, no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR), Universidade Federal Fluminense (UFF), de 05 a 08 de Junho de 2017. Nosso principal objetivo é debater questões fundamentais para a compreensão da cidade contemporânea latino-americana a partir de diversos prismas e por pesquisadores da própria região. A análise dos problemas por que passa a cidade contemporânea demanda um diálogo interdisciplinar entre a economia, a geografia, a sociologia, entre outros campos disciplinares. Esperamos, com a segunda edição do evento, trazer perspectivas de diferentes áreas de forma crítica sobre o território, a economia e os problemas do desenvolvimento, bem como os conflitos. Professores, profissionais, pós-graduandos e graduandos estão convidados a participar com a apresentação de trabalho ou como assistentes.

Para ter acesso à programação, inscrição e outros clique aqui.

terça-feira, maio 30, 2017

Desmonte na Petrobras atinge setor de refino. Brasil exporta petróleo cru e passa a importar cada vez mais combustíveis refinados

A desintegração das atividades da Petrobras já comprova vários prejuízos para o Brasil. Além da venda em partes das empresas da holding (grupo) Petrobras, as estratégias já mostram os graves equívocos na condução da estatal de petróleo que caminha para se tornar apenas uma empresa reduzida e que vive da extração mineral.

A política de preços de combustíveis adotada logo na entrada pela gestão da Petrobras, pelo governo Temerário, já apontam prejuízos que nem a nova redução de preços dos combustíveis (5,4% na gasolina e 3,5% no diesel) conseguirá segurar.

O fato é: a Petrobras está perdendo - de maneira seguida e forte - o mercado doméstico de combustíveis. A importação de gasolina pelas tradings que atuam no Brasil passou de 240 milhões* litros em fevereiro, para 419 milhões de litros, que, segundo consultorias do setor, deve se manter agora em maio.

No comércio de diesel a variação é ainda maior. As importações saíram de 564 milhões de litros em fevereiro, para 811 milhões em abril, com previsão de chegar a 1 bilhão de litros, agora em maio.

Estes números são espantosos e mostram o desastre da estratégia do Parente.

O Brasil possui um parque de refino com 11(*) refinarias, sendo 6 delas na região Sudeste, 2 no Sul e 2(*) no Nordeste e outra no Norte. A capacidade instalada de processamento delas está em torno de 2 milhões de barris por dia.*

Com esta importação de combustíveis (petróleo refinado), o fator de utilização das refinarias que esteve há pouco tempo em torno de 95%, já caiu para 77% e deve chegar, em breve, a menos de 75%.

Este dado não pode ser analisado descolado da observação dos números das exportações de óleo cru, feitas pelo Brasil. Só em janeiro e fevereiro elas cresceram 65%, alcançando cerca de 86 milhões de barris, segundo dados do próprio governo. A China e a Índia – Brics – são nossos maiores importadores de óleo cru e que poderiam ser parceiros para expansão de nosso parque de refino para exportação de combustíveis com maior valor agregado.

É sabido que há uma diferença entre a capacidade de processamento de óleo pesado (da Bacia de Campos) e óleo leve que impõe uma faixa de exportação, mas nunca nesta proporção e muito menos com esta redução enorme do fator de utilização de nossas refinarias.

O resultado de tudo isto é que o Brasil está se tornando uma Nigéria ou Angola, exportando óleo cru e comprando derivados refinados no exterior, com nosso parque de refino trabalhando com folga de quase ¼ de sua capacidade.

Quem ganha com isto são as tradings (corporações que comercializam as commodities de petróleo e combustíveis). Aliás, elas já pediram autorização ao governo brasileiro para importar 3,3 bilhões de litros de diesel (mais 47%) que em janeiro e fevereiro e 49% maior que o volume importado no ano passado.

Quem perde com isto é a Petrobras que vai deixando de atuar como uma empresa integrada.

No dia 31 de janeiro de 2017, este blog comentou em postagem aqui, que o diretor mundial da área de abastecimento e refino da Shell, John Abbott comentou que a petroleira anglo-holandesa retira do refino a maior parte dos seus lucros e que por isto, a Shell não abria mão de ser uma empresa integrada, do poço ao posto, exatamente, o inverso que a gestão do governo Temerário (Parente) passou a fazer com a Petrobras.

A estratégia de Temer (Parente) foi a de desmontar a empresa - que foi fatiada para ser vendida em partes e a preços vil. Na ocasião da postagem sobre a posição da Shell, eu apresentei no mesmo texto, um esquema do processo de desintegração que vem sendo feito na Petrobras e em outros setores de nossa economia em termos de “desverticalização” ou desintegração. O esquema gráfico (veja abaixo) é parte da interpretação de minha pesquisa (tese de doutorado). Em breve resumo o assunto é melhor apresentado e detalhado na postagem de janeiro do blog citada no link acima.

 Fonte: Tese de doutorado do blogueiro (p.222) cujo título é "A relação transescalar e multidimensional "Petróleo-Porto" como produtora de novas territorialidades", defendida em 9 de março 2017, no PPFH-UERJ.

Enfim, este movimento resultante da alteração da política de preços de combustíveis da Petrobras, adotado desde setembro do ano passado, está desidratando a empresa, ao contrário do que se diz, em termos do que se chama de “saneamento” da empresa.

O emagrecimento do setor de refino da Petrobras tende a levar à privatização deste setor - o mais lucrativo da holding - e também do setor de distribuição, através da BR-Distribuidora, que oferecia garantias e espaço no mercado interno de combustíveis que, cada vez mais, passa a ser controlado pelas tradings como apresentado acima.

Assim, a Petrobras e o país, ao contrário da modernidade prometida pelos que endeusam o mercado, dão alguns passos atrás como grupo econômico brasileiro e enquanto nação.

É ainda mais lamentável observar que tudo isto se dá logo no momento posterior à descoberta o pré-sal, a maior fronteira de exploração de petróleo descoberta na última década no mundo, responsável por seis entre os dez maiores campos explorados neste período.

Diante do quadro tão real e claro, não é difícil compreender porque a mídia comercial e a especializada em negócios e finanças, trata estes dados e indicadores de forma fragmentada, sem uma interpretação mais totalizante.

Assim se pode ver que é a questão econômica que decide sobre os movimentos da política no Brasil contemporâneo. O país não pode ser interpretado sem se conhecer estes movimentos dos donos do dinheiro, em sua captura sobre o poder político (Estado), para implementar seus interesses, que, obviamente, diferem dos objetivos da Nação e de sua população.

O estudo desta fração do capital é elemento indispensável para se compreender os movimentos mais gerais da economia política no país. Os dados e indicadores expressam a materialidade do mundo real, mas só a observação e as análises mais totalizantes e calcadas em categorias e conceitos já conhecidos, permitem uma interpretação potente.

É lamentável enxergar tudo isto sendo feito no dia-a-dia. A resistência cresce e grande parte deste processo poderá ser revertido, conforme a orientação resultante da disputa pelo poder político ora em conflito aberto e clarividente.

* Atualização em 02/06/2017: Para fazer uma breve correção no texto que não altera a essência do seu conteúdo, mas expõe os dados reais. O Brasil possui hoje onze refinarias (e não dez) e o Nordeste duas (e não uma: a Rlam na Bahia e a Rnest, em Suape, Pernambuco). Possuindo mais refinarias e uma capacidade total de refino em torno de 2 milhões de bpd, não faz sentido que o Brasil exporte óleo cru e importe derivados nestas proporções, mantendo praticamente, 1/4 da capacidade instalada ociosa.

PS.: Atualização em 07/06/2017: * Para corrigir: "Brasil passou de 240 milhões* litros em fevereiro, para 419 milhões de litros". E não de 240 mil litros para 419 milhões de litros como estava escrito antes.

segunda-feira, maio 29, 2017

Esquema do sistema político e intercapitalista do Brasil contemporâneo-II

Há dez dias (19 mai.2017) publicamos aqui no blog, um breve texto apresentando o que chamamos de um "Esquema do sistema político e intercapitalista do Brasil contemporâneo".

Por coincidência, no dia 24 mai.2017, o Le Monde Diplomatique - Brasil, em sua edição online, publicou (aqui) um texto do Maurício Abdalla, professor de Filosofia da UFES com o título e subtítulo: "13 PONTOS PARA EMBASAR QUALQUER ANÁLISE DE CONJUNTURA" - "O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros".

Penso que estes pontos listados sobre as relações entre o poder econômico e o poder político (e o Estado), reforçam o que havíamos escrito antes. Além disso, pode-se observar que eles se encaixam, perfeitamente, no esquema gráfio que propusemos, para a compreensão desta conjuntura que reapresentamos abaixo, junto dos 13 pontos citados pelo texto do Le Monde Diplomatique Brasil:

1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.

2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.

3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.

4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.

5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.

6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.

7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.

8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.

9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.

10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.

11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.

12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.

13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder.

Após intervalo de pesquisas sobre porto-região, estamos de volta!

Por conta da participação em dois eventos acadêmicos em São Paulo e mais dois trabalhos de pesquisa de campo, realizados, respectivamente, o primeiro em Santos/Cubatão (porto e polo industrial) e o segundo na direção do litoral norte paulista, sul fluminense até à capital do ERJ, após dez dias, estamos de volta.

Desde que o blog foi criado há quase 13 anos, eu costumo repartir neste espaço informações, dados e análises no campo da economia e da política, e nos últimos cinco anos, de forma mais especial, sobre a relação espaço-economia, onde descrevo também as impressões e observações de minhas investigações acadêmico-científicas, enquanto acompanhamos a conjuntura nacional e políticas regionais.

Sempre considerei que não faz sentido, o aprisionamento das pesquisas e seus resultados no interior apenas da academia. Muito menos, a disputa - muitas vezes cruel - sobre as autorias, especialmente neste momento em que as ferramentas tecnológicas tornaram cada vez mais claras, o fato que a construção do conhecimento se dá num processo histórico de muitas ideias e várias mãos.

Sobre estas atividades de investigação empírica (campo) nos últimos dias, há muitas informações a serem destacadas e analisadas. Os dois únicos portos paulistas (Santos e o Terminal de São Sebastião) têm muito significados sobre as transformações do primeiro, nos últimos anos sobre as especializações dos terminais e de suas relações com a(s) cidade(s) e do segundo como a maior base portuária de fluxos de petróleo no país.

São Paulo com 622 quilômetros de litoral é pouco menor que os 635 km do litoral do ERJ que tem vários portos. Compreender os movimentos das frações do capital sobre o espaço e suas relações com o poder político ajuda a explicar a disputa pelo poder.

Adiante trarei dados sobre a porção paulista, daquilo que desde 2015, eu venho conceituando como Circuito Espacial do Petróleo e dos Royalties. Há muita informação a ser divulgada e dados a serem analisados, no trabalho de campo.
Pesquisa no Porto de Santos em 24/05/2017 com os professores
Floriano Godinho e Luiz de Pinedo. Ao fundo dois terminais
(da Ilha de Barnabé) do total de 54 que fazem parte
daquele complexo logístico-industrial do Porto de Santos. 

A investigação de campo incluiu ainda a espaço de produção do sul fluminense (polo metal-mecânico e automotivo) e foi compartilhado durante todo tempo com o professor Floriano Godinho (PPFH-UERJ) e Santos/Cubatão também com o professor Luiz de Pinedo (NEED, IFF).

Porém, no meio deste período de investigação, não ficamos alheio ao movimento da política e da conjuntura nacional. O quadro segue ainda muito confuso, mas o golpe e os interesses dos donos dos dinheiros ficam a cada dia mais clarividentes. Desta forma, o tema tende a seguir sendo central e prioritários em nossas observações e análises. Assim, estamos de volta.

sexta-feira, maio 19, 2017

Esquema do sistema político e intercapitalista do Brasil contemporâneo

A conjuntura política no Brasil contemporâneo é paradoxalmente complexa e simultaneamente simples, porque é relativamente cíclica na superestrutura.

Diversas boas análises estão em curso nesta época online. No caso brasileiro, a crise atual suscita a análise desde o pós-eleições de 2014, embora se saiba que a gênese deste período está em mais amplo processo histórico.

É ainda sempre importante lembrar que o distanciamento temporal de alguns fatos permite uma análise mais totalizante e menos pontual, porém a necessidade de intervenção e ação exige leituras e releituras sobre a conjuntura.

Assim, em resumo pode-se dizer que tem-se hoje um embate político com forte contornos - na sua essência - de uma disputa de classe em meio às diferentes fases do ciclo econômico, entre o boom (expansão) e colapso.

Neste esforço de interpretação, considerando ainda uma leitura mais totalizante da superestrutura dos movimentos do Brasil contemporâneo, cabe interpretações em diversas dimensões. Elas se complementam para ser menos pontual e mais totalizante.

Assim, eu resolvi arriscar uma interpretação, ousando um pouco mais num esquema gráfico que tende sempre em ser de mais fácil interpretação. Assim, denominei o mesmo do “Esquema expandido do sistema político e intercapitalista do Brasil contemporâneo”.






























Na superestrutura, o esquema do sistema político brasileiro não difere muito de outros sistemas políticos na democracia ocidental, onde a financeirização e o poder das corporações cada vez ditam mais o controle sobre o poder político. 

Esta dinâmica de cooptação tem como instrumentos/tentáculos - cada vez maior – o uso e a incorporação da força da mídia comercial centralizada (e oligopolizada), assim como do poder da instituição do judiciário em suas diversas escalas e estruturas.

Sabe-se que o Estado seria teoricamente uno. Ou trino se entendido como executivo, legislativo e judiciário. Porém, na prática, eles se portam numa interseção como o esquema tenta mostrar com uma articulação real e maior entre o executivo e legislativo, ficando o judiciário, como uma instituição à parte, em sua condição de árbitro.

A Justiça mesmo sendo parte do Estado, junto com a mídia comercial oligopolizada acabam funcionando como uma espécie de correia de transmissão do poder econômico.

Nesta condição, o sistema judiciário conta sempre com o forte apoio e uso da força da mídia para demandar e legitimar suas posições e decisões que tendem para manter o status quo do poder econômico.

Os casos que se sucedem na conjuntura política brasileira escancara esta forma que aqui se tenta interpretar e realçar, sobre a forma como o poder econômico, as corporações e o sistema financeiro controlam o poder político e o Estado.

Ao contrário do que se tenta induzir à compreensão, a questão não é exclusivamente de ética e/ou de valores. Também não cabe a responsabilização fundamental do poder político e seus agentes, mas da engrenagem como um todo.

E nesta linha há sim um grande – e antigo - debate sobre a quem serve o Estado e como a população, na contemporaneidade, tem espaço para participação nas decisões, para além do antigo modelo de representação política.

Imaginava-se e esperava-se que os instrumentos informacionais de comunicação pudessem permitir à população uma maior participação nas decisões do poder político. Porém, este esquema do sistema político, demonstra como esta perspectiva vem sendo ceifada, através da ampliação dos papéis da mídia comercial e do judiciário, que acabam deformando o que se desejava que fosse uma democracia real.

Em quadros de crise como o atual é indispensável devolver à população o seu poder de decidir, mesmo percebendo que o esquema acima atua, desde o financiamento das campanhas eleitorais para escolha dos representantes, a posterior cooptação dos mandatos, com a compra de decisões, indo até a fiscalização e arbitragens e julgamentos dos conflitos naturais, na disputa pelo poder.

Lutar é indispensável, mas é importante compreender em que limites a luta se situa. Alargar estes limites é parte da luta cotidiana. Sigamos em frente.

PS.: Este texto é apenas uma interpretação. Com ele se pretende ampliar o debate, compreendendo que além do debate é indispensável o movimento e a luta constante e organizada.

quinta-feira, maio 18, 2017

À jato em Temer

Está em curso, neste momento, em Brasília um claro esforço em dar um "lava à jato" no esquema do Temerário com Cunha e assim apagar sua lama e deixar o feito pelo não dito.

Sindipetro-NF convoca petroleiros para eleições que se encerram amanhã

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) está desde o dia 29 de abril realizando eleições para a nova diretoria e conselho fiscal para o triênio 2017/2020. O período eleitoral vai até amanhã, 19 de maio. A categoria está sendo convocada a comparecer para dar quórum e assim evitar um novo pleito.

Duas chapas concorrem ao pleito: Chapa 1, Democracia e Luta e Chapa 2, Chapa da Categoria. No total 11.074 petroleiros sindicalizados estão aptos a votar. Além dos petroleiros e petroleiras em atividade, também são eleitore(a)s o(a)s petroleiro(a)s aposentado(a)s e pensionistas da Petrobras e da Transpetro e filiados de diversas empresas (Baker, BJ, Halliburton, Schlumberger, Perbras, Superior, Expro, Cetco, Falcão Bauer, Saybolt Concremat, Frank's, Tetra e Champion Technologies) do setor petróleo privado representados pelo Sindipetro-NF.

A categoria petroleira é uma das mais ativas na luta dos trabalhadores, mas neste momento especial por que passa a nação brasileira, ela tem outro importante papel: a defesa de nossa maior empresa estatal e das riquezas minerais que é razão de sua atuação e de propriedade de todos os brasileiros.