Um leitor-colaborador do blog postou, agora há pouco, um comentário numa nota antiga sobre a BR-101 reclamando da rodovia estadual Campos-Farol. Como os colaboradore(a)s têm sempre vez e voz abaixo está a legítima reclamação:
"O blog poderia comentar também o abandono da RJ-216 entre Campos e Farol de São Tome. O revestimento asfáltico até que não esta tão ruim, mas a sinalização horizontal e vertical é deficiente. Lombadas fora da especificação, placas ilegíveis, falta de olhos de gato. Sem contar o numero de motos, veículos e bicicletas sem placas e sucateadas que circulam e cruzam a estrada. O trecho urbano de Goytacazes é um lixo. O tráfego é intenso e a rodovia merece um upgrade."
Blog do Roberto Moraes
54 anos, professor e engenheiro do IFF (ex-CEFET) em Campos dos Goytacazes,RJ onde nasceu. Espaço para apresentar e debater questões e opiniões sobre o norte-fluminense e eventualmente sobre o país.
sábado, maio 25, 2013
"É preciso revolucionar as cidades"
Aproveitando o tempo mais disponível no final de semana, o blog sugere a entrevista abaixo extraída do Le Monde Diplomatique Brasil, em sua última edição. Ela foi feita com o geógrafo David Harvey. É sempre interessante ver a lúcida opinião deste que mais que urbanização, fala de poder, política, etc. Confira:

"É preciso revolucionar as cidades"
"E não tem problema se as revoluções forem pequenas. O geógrafo David Harvey, principal teórico do direito à cidade, mostra que estudar Marx ainda faz sentido e provoca as “vizinhanças” a se transformarem no centro dos movimentos políticos, que devem evitar o “fetiche da horizontalidade”
Por André Deak, Lucas Pretti
Desde A urbanização do capital, de 1985, até o brilhante Rebel cities (Penguin, 2012, sem tradução no Brasil), passando por dezenas de livros sobre marxismo, David Harvey encara as grandes cidades como o amálgama social que produz e produzirá o novo. Não há nada mais fervilhante, diz ele, do que as “zonas de aculturação”, bairros em que o abandono do Estado se mistura a populações imigrantes, artistas e jovens profissionais liberais. Alguma semelhança com o movimento cultural que ocupou as ruas do Baixo Centro de São Paulo em abril com atividades culturais gratuitas e autogestionadas?
Geógrafo de 77 anos, professor emérito da City University of New York (Cuny), ele esteve no Brasil para o debate de lançamento de seu novo livro, Para entender O capital(Boitempo, 2013), em que disseca a obra-prima de Marx e se propõe a criar um “guia de leitura” para quem pretende mergulhar pela primeira vez naquele oceano. Na verdade, ele é mais apaixonado do que isso. “Todas as pessoas precisam ler um livro chamado O capital.”
DIPLOMATIQUE– O Brasil vem se preparando para realizar a Copa e a Olimpíada. E a preparação para esses eventos tem provocado remoções de pessoas e injustiças econômicas, entre vários outros absurdos. O que devemos fazer?
DAVID HARVEY – As pessoas deveriam estar atentas desde o primeiro momento quando alguém diz: “Teremos Jogos Olímpicos aqui”. Em geral, interesses comerciais e financeiros do Estado o farão remover pessoas e trabalhar na “revitalização” de locais. Eu acho que, antes mesmo de um anúncio como esse ocorrer, as pessoas deveriam estar preparadas para dizer: “Não quero que isso aconteça no meu país”. Um exemplo interessante foi a tentativa de levar os Jogos Olímpicos a Nova York. A população não concordou. Quando toda a propaganda em torno do grande evento começou, os nova-iorquinos já estavam preparados para dizer: “Não queremos”.
DIPLOMATIQUE– Não sei se isso é possível entre os brasileiros hoje. A maioria está empolgada. A propaganda oficial é muito grande, todos amam futebol e as pessoas sentem que querem a Copa, querem a Olimpíada.
HARVEY – Sim, isso é difícil. A vantagem de Nova York é que há o encontro das Nações Unidas. Todos os anos, por uma semana em outubro, todo o lado leste da cidade é completamente fechado. Você não pode se movimentar, e todos ficam de saco cheio. Aí, quando alguém fala em Jogos Olímpicos, as pessoas já rechaçam.
Quando a cidade-sede da Copa ou da Olimpíada já está escolhida, deve-se trabalhar muito para minimizar as consequências ruins. Mas é quase impossível, não dá para pensar em algo revolucionário.
A maioria das cidades que já receberam Copa ou Olimpíada perdeu muito dinheiro. Se você analisar as condições financeiras da Grécia hoje, boa parte dos problemas remonta aos Jogos Olímpicos, quando gastaram uma quantia enorme de dinheiro para construir coisas completamente inúteis. Houve apenas um projeto muito útil, a construção de um novo sistema de metrô, cujos benefícios são permanentes. O que se vê normalmente é violência de Estado, sem qualquer compensação. Vocês devem lutar por benefícios definitivos, mas sabendo que é impossível parar os Jogos.
DIPLOMATIQUE– O Brasil agora está sob holofotes em todo o mundo. E você já esteve na maioria dos países da América Latina. Há novos modelos de organização ocorrendo nesta parte do mundo?
HARVEY – Uma coisa consistente que já existe por toda a América do Sul é um tipo de rejeição às políticas neoliberais em suas formas puras. Isso não quer dizer que todos sejam anticapitalistas, mas há um antagonismo contra as estruturas da globalização: Banco Mundial, FMI e as políticas austeras que estão dominando a Europa.
Há também uma série de experimentações políticas ocorrendo, mas que tipo de políticas econômicas vai funcionar? Há diferenças entre o que Chávez fez na Venezuela, Morales na Bolívia, Correa no Equador, mas em geral a América Latina é hoje um lugar onde os movimentos sociais são ativos e muitas pessoas da esquerda sabem que esta é uma parte muito interessante do mundo hoje. Estou certo de que, já que não há como romper com o capitalismo, há um novo tipo de capitalismo que vem sendo construído.
Em O capital, Marx mostra isso claramente. Quando qualquer pessoa chega e diz: “A solução para a pobreza é mais desenvolvimento capitalista”, você deve dizer imediatamente: “Não! O capitalismo criaessa pobreza”. Acontece o mesmo com o meio ambiente. Quando alguém diz que o capitalismo pode ser sustentável para o planeta, Marx faz um bom trabalho ao mostrar a tendência eterna de o capitalismo destruir a principal fonte de recursos: a terra. Marx admirava de diversas formas as consequências positivas do desenvolvimento capitalista, mas dizia que precisamos ter controle e criar uma alternativa ao “lado negro”.
DIPLOMATIQUE− Vê-se cada vez mais no mundo, e em São Paulo também, a proliferação de hubsque pretendem ser lugares de liberdade e criatividade em vez do controle de horas. Isso é uma alternativa ao capitalismo tradicional?
HARVEY – A mudança tecnológica está criando um sentimento de redundância. O que devemos fazer em um mundo em que os trabalhadores são redundantes? Temos taxas de desemprego em crescimento em todo o mundo, e o tipo de emprego que ainda existe não está satisfazendo o trabalhador criativo. Portanto, vemos pessoas por toda parte tentando ter um estilo de vida diferente, criando sistemas alternativos de produção, economias solidárias e outras coisas do tipo. Porque, afinal, é a vida deles que está em jogo.
DIPLOMATIQUE– Cooperação em vez de competição...
HARVEY – Sim. Há diversos grupos espalhados pelo mundo tentando fazer algo, de formas bem diferentes, mas usualmente em escalas pequenas. Essas pequenas iniciativas devem ser reprodutíveis para se transformar em um movimento de massa ou precisam permanecer pequenas? É uma das grandes questões sem resposta.
DIPLOMATIQUE– Essa reorganização do espaço de trabalho pode ser considerada anticapitalista de alguma forma?
HARVEY – Pode ser parte de uma tentativa anticapitalista. Mas veja o que acontece, por exemplo, nas fábricas recuperadas na Argentina. Elas existem como ilhas dentro de um oceano capitalista, mas no fim se transformam em um centro de autoexploração por causa das pressões comerciais, financeiras etc.
Por um lado se diz que a passagem para o socialismo necessita de autogestão e trabalhadores associados no controle da produção, mas isso não sobrevive sem uma reconfiguração radical dos papéis do dinheiro, do sistema financeiro, dos mercados. Se esses elementos não mudarem, você ainda estará na prisão do capitalismo. Por outro lado, tomar a fábrica é um primeiro passo – e isso é bom. Então vem a questão: quais são o segundo, o terceiro, o quarto passos desse movimento?
DIPLOMATIQUE– Para além dos trabalhadores criativos, existe uma massa imensa de trabalhadores tradicionais, e ainda há os sindicatos, que não conseguem dialogar com os trabalhadores e não têm a importância que já tiveram. Como os trabalhadores devem se organizar nestes novos tempos?
HARVEY – Não acho que os sindicatos de trabalhadores estejam completamente mortos. Há partes do mundo em que eles ainda são significantes e muito fortes. A dificuldade dos sindicatos sempre foi conseguir benefícios para seus membros e, em sua maioria, nunca se viram como movimentos trabalhistas de vanguarda. Alguns partidos políticos fetichizaram o trabalhador da fábrica como a pessoa que iria liderar a revolução – e sempre achei que havia algo errado nessa formulação. É por isso que, no Rebel cities, eu digo que é preciso redefinir o proletariado de hoje para incluir todas as pessoas que produzem e reproduzem a vida urbana – e que, portanto, revolucionar a cidade é tão importante quanto revolucionar o local de trabalho.
Quando você analisa a Comuna de Paris e os movimentos revolucionários de 1848, há evidências históricas de que eles tinham como propósito recapturar a vida urbana para a massa da população. Esses movimentos urbanos não foram levados a sério por muitos setores da esquerda, mas deveriam. Há 34 anos eu tento, sem muito sucesso, persuadir meus colegas marxistas a levar a urbanização a sério. As pessoas nas ruas, como vimos nas revoltas do Cairo, tomando conta de regiões simbólicas das cidades, são uma força política muito significante, mesmo quando as revoluções não são exatamente anticapitalistas. Precisamos encarar as cidades como centros de legitimação política e potenciais para revoluções e transformações. Daí a necessidade de redefinir teoricamente o que são movimentos de massa ou revolucionários.
DIPLOMATIQUE– Unindo suas ideias, podemos dizer que esses trabalhadores devem então fazer coisas em pequena escala?
HARVEY – Sim. Gramsci tem uma formulação interessante sobre isso, quando escreveu sobre a organização dos trabalhadores. Ele disse que, claro, é preciso se organizar em torno das fábricas (não exatamente em sindicatos, mas em conselhos fabris), mas é preciso também organizar as vizinhanças. Porque nos bairros estão as condições como um todo da vida da classe trabalhadora. Neles estão os garis, os taxistas, os garotos de recado e tantos outros que precisam ser integrados nos movimentos políticos – e essa ideia de organizar a vizinhança está passando a ser central nos processos políticos de hoje. Gramsci via muitas vantagens na união da organização das fábricas e das vizinhanças, principalmente porque, naquela época, isso significava dar poder às mulheres, já que nas fábricas a imensa maioria dos trabalhadores era formada por homens. Isso é muito interessante. Se você analisar a estrutura dos sindicatos tradicionais, a liderança é toda masculina. Ao contrário, boa parte das lideranças comunitárias é ocupada por mulheres. Essa discrepância de gêneros tem sido uma barreira muito grande para a organização anticapitalista.
DIPLOMATIQUE– James Carville e Stan Greenberg, no livro It’s the middle class, stupid!, sustentam que, hoje, um tema só adquire potencial revolucionário quando ganha a paixão e a revolta da classe média. Qual é sua opinião sobre isso?
HARVEY – Nos Estados Unidos há uma tendência em dizer que a grande maioria do país é de classe média – mas na verdade é classe trabalhadora. Acho que existe de fato uma classe média significativa – formada por advogados, juízes, diretores de corporações e outros profissionais desse tipo –, mas muito menor do que se imagina. Em pesquisas de autoidentificação, cerca de 60% a 70% dos norte-americanos se colocam como parte da classe média. No entanto, se você faz a pergunta de outra forma, com enunciados mais sofisticados, a mesma proporção se considera classe trabalhadora. Eles trabalham, têm determinadas condições no emprego, um chefe que decide coisas, gastam xhoras por dia trabalhando etc.
DIPLOMATIQUE– O Le Monde Diplomatique Brasil, em janeiro, comparou os movimentos Tea Party e Ocupar Wall Street. O primeiro conseguiu eleger representantes no Congresso, enquanto o Ocupar não tinha esse propósito. Você acha que movimentos como esses deveriam tentar a via política tradicional?
HARVEY – Em primeiro lugar, é muito importante ressaltar que o Tea Party recebeu financiamento alto de bancos, grandes corporações etc. Já o Ocupar não teve nenhum apoio parecido. É verdade que o objetivo do Ocupar não era lutar pelo poder político – nem mesmo influenciá-lo. Mas aí é que está: influenciou. Eles ocuparam um papel muito importante na reeleição de Obama porque mudaram a pauta. Antes dos movimentos Ocupar, ninguém nos Estados Unidos estava falando sobre igualdade social. Quando eles vieram com o argumento do 1% versus99%, trouxeram a discussão sobre desigualdade – e também a necessidade de um presidente que falasse sobre isso.
DIPLOMATIQUE– Mas eles deveriam tentar espaço no Congresso?
HARVEY – Acho que não, na verdade.
DIPLOMATIQUE– Deveriam reivindicar algo específico?
HARVEY – Eles fazem pedidos: queremos democracia real, igualdade social, diminuir ogap entre os 99% e o 1%... É interessante observar que o poder político não reagiu com violência da polícia ou do Exército contra o Tea Party, mas sim contra o Ocupar. Todos em Wall Street sabem que fazem coisas ilegais todos os dias e que deveriam estar na cadeia. Eles sabem disso! Por isso ficaram aterrorizados, principalmente se Obama se elegesse e houvesse um movimento popular como na Islândia, em que os banqueiros foram todos presos. Então veio o Furacão Sandy, e a maioria das pessoas no Ocupar se organizou num processo de comunicação muito eficiente, levando comida, produtos de primeira necessidade etc. Aí o Ocupar começou a ganhar atenção positiva da imprensa, elogios doNew York Times e, como dizem muitos amigos meus que estavam envolvidos, a política desapareceu. Tudo virou um caso humanitário, mas que tinha por trás um novo processo de organização de extrema importância política.
DIPLOMATIQUE– Em 2001, na Argentina, ocorreu algo similar, com o “corralito”. Todos foram para as ruas, ocuparam a Praça de Maio, se organizaram de forma diferente. Mas logo tudo passou e os partidos políticos seguem iguais. Por quê? Vai ser sempre assim?
HARVEY – Nos últimos quinze anos, os movimentos sociais têm sofrido de muita volatilidade. Os movimentos de massa, que envolvem milhões de pessoas, emergem com rapidez impressionante. Um grande exemplo é o de fevereiro de 2003, o protesto global contra a possibilidade de guerra no Iraque. Maravilhoso! Milhões de pessoas no mundo todo! E então desapareceu. Se esses milhões de pessoas de repente decidissem ficar nas ruas, o que aconteceria? Vemos muito esse tipo de política hoje, que é muito volátil.
DIPLOMATIQUE– Também vemos muito hoje o conceito da horizontalidade: milhares ou milhões de pessoas sem líder. Em Rebel cities, você levanta o problema da “fetichização da horizontalidade”.
HARVEY– Esse é um problema real. Muitas pessoas envolvidas são simpatizantes da ideia de que mais democracia significa menos lideranças. Mas o próprio exemplo do Ocupar-Sandy mostra que a centralização foi necessária para fazer as coisas que precisavam ser feitas. Organizações políticas precisam da combinação entre horizontalidade e algum conceito de verticalidade. Se você fetichiza a horizontalidade e a autonomia, acaba colocando a si mesmo em uma caixa fechada, sem poder nenhum. Um exemplo ao contrário são os zapatistas, uma organização militar que obviamente não era horizontal, tinha uma estrutura de controle. Parece mais simples usar o modelo de assembleias para tudo, mas não é. Algum senso de controle é necessário.
André Deak - Pós-Jornalista, professor, mestre em Teoria da Comunicação pela Universidade de São Paulo e cofundador da Casa da Cultura Digital
Lucas Pretti - Pós-jornalista, ator, produtor cultural e idealizador do Festival BaixoCentro.
Ilustração: Manohead."

"É preciso revolucionar as cidades"
"E não tem problema se as revoluções forem pequenas. O geógrafo David Harvey, principal teórico do direito à cidade, mostra que estudar Marx ainda faz sentido e provoca as “vizinhanças” a se transformarem no centro dos movimentos políticos, que devem evitar o “fetiche da horizontalidade”
Por André Deak, Lucas Pretti
Desde A urbanização do capital, de 1985, até o brilhante Rebel cities (Penguin, 2012, sem tradução no Brasil), passando por dezenas de livros sobre marxismo, David Harvey encara as grandes cidades como o amálgama social que produz e produzirá o novo. Não há nada mais fervilhante, diz ele, do que as “zonas de aculturação”, bairros em que o abandono do Estado se mistura a populações imigrantes, artistas e jovens profissionais liberais. Alguma semelhança com o movimento cultural que ocupou as ruas do Baixo Centro de São Paulo em abril com atividades culturais gratuitas e autogestionadas?
Geógrafo de 77 anos, professor emérito da City University of New York (Cuny), ele esteve no Brasil para o debate de lançamento de seu novo livro, Para entender O capital(Boitempo, 2013), em que disseca a obra-prima de Marx e se propõe a criar um “guia de leitura” para quem pretende mergulhar pela primeira vez naquele oceano. Na verdade, ele é mais apaixonado do que isso. “Todas as pessoas precisam ler um livro chamado O capital.”
DIPLOMATIQUE– O Brasil vem se preparando para realizar a Copa e a Olimpíada. E a preparação para esses eventos tem provocado remoções de pessoas e injustiças econômicas, entre vários outros absurdos. O que devemos fazer?
DAVID HARVEY – As pessoas deveriam estar atentas desde o primeiro momento quando alguém diz: “Teremos Jogos Olímpicos aqui”. Em geral, interesses comerciais e financeiros do Estado o farão remover pessoas e trabalhar na “revitalização” de locais. Eu acho que, antes mesmo de um anúncio como esse ocorrer, as pessoas deveriam estar preparadas para dizer: “Não quero que isso aconteça no meu país”. Um exemplo interessante foi a tentativa de levar os Jogos Olímpicos a Nova York. A população não concordou. Quando toda a propaganda em torno do grande evento começou, os nova-iorquinos já estavam preparados para dizer: “Não queremos”.
DIPLOMATIQUE– Não sei se isso é possível entre os brasileiros hoje. A maioria está empolgada. A propaganda oficial é muito grande, todos amam futebol e as pessoas sentem que querem a Copa, querem a Olimpíada.
HARVEY – Sim, isso é difícil. A vantagem de Nova York é que há o encontro das Nações Unidas. Todos os anos, por uma semana em outubro, todo o lado leste da cidade é completamente fechado. Você não pode se movimentar, e todos ficam de saco cheio. Aí, quando alguém fala em Jogos Olímpicos, as pessoas já rechaçam.
Quando a cidade-sede da Copa ou da Olimpíada já está escolhida, deve-se trabalhar muito para minimizar as consequências ruins. Mas é quase impossível, não dá para pensar em algo revolucionário.
A maioria das cidades que já receberam Copa ou Olimpíada perdeu muito dinheiro. Se você analisar as condições financeiras da Grécia hoje, boa parte dos problemas remonta aos Jogos Olímpicos, quando gastaram uma quantia enorme de dinheiro para construir coisas completamente inúteis. Houve apenas um projeto muito útil, a construção de um novo sistema de metrô, cujos benefícios são permanentes. O que se vê normalmente é violência de Estado, sem qualquer compensação. Vocês devem lutar por benefícios definitivos, mas sabendo que é impossível parar os Jogos.
DIPLOMATIQUE– O Brasil agora está sob holofotes em todo o mundo. E você já esteve na maioria dos países da América Latina. Há novos modelos de organização ocorrendo nesta parte do mundo?
HARVEY – Uma coisa consistente que já existe por toda a América do Sul é um tipo de rejeição às políticas neoliberais em suas formas puras. Isso não quer dizer que todos sejam anticapitalistas, mas há um antagonismo contra as estruturas da globalização: Banco Mundial, FMI e as políticas austeras que estão dominando a Europa.
Há também uma série de experimentações políticas ocorrendo, mas que tipo de políticas econômicas vai funcionar? Há diferenças entre o que Chávez fez na Venezuela, Morales na Bolívia, Correa no Equador, mas em geral a América Latina é hoje um lugar onde os movimentos sociais são ativos e muitas pessoas da esquerda sabem que esta é uma parte muito interessante do mundo hoje. Estou certo de que, já que não há como romper com o capitalismo, há um novo tipo de capitalismo que vem sendo construído.
Em O capital, Marx mostra isso claramente. Quando qualquer pessoa chega e diz: “A solução para a pobreza é mais desenvolvimento capitalista”, você deve dizer imediatamente: “Não! O capitalismo criaessa pobreza”. Acontece o mesmo com o meio ambiente. Quando alguém diz que o capitalismo pode ser sustentável para o planeta, Marx faz um bom trabalho ao mostrar a tendência eterna de o capitalismo destruir a principal fonte de recursos: a terra. Marx admirava de diversas formas as consequências positivas do desenvolvimento capitalista, mas dizia que precisamos ter controle e criar uma alternativa ao “lado negro”.
DIPLOMATIQUE− Vê-se cada vez mais no mundo, e em São Paulo também, a proliferação de hubsque pretendem ser lugares de liberdade e criatividade em vez do controle de horas. Isso é uma alternativa ao capitalismo tradicional?
HARVEY – A mudança tecnológica está criando um sentimento de redundância. O que devemos fazer em um mundo em que os trabalhadores são redundantes? Temos taxas de desemprego em crescimento em todo o mundo, e o tipo de emprego que ainda existe não está satisfazendo o trabalhador criativo. Portanto, vemos pessoas por toda parte tentando ter um estilo de vida diferente, criando sistemas alternativos de produção, economias solidárias e outras coisas do tipo. Porque, afinal, é a vida deles que está em jogo.
DIPLOMATIQUE– Cooperação em vez de competição...
HARVEY – Sim. Há diversos grupos espalhados pelo mundo tentando fazer algo, de formas bem diferentes, mas usualmente em escalas pequenas. Essas pequenas iniciativas devem ser reprodutíveis para se transformar em um movimento de massa ou precisam permanecer pequenas? É uma das grandes questões sem resposta.
DIPLOMATIQUE– Essa reorganização do espaço de trabalho pode ser considerada anticapitalista de alguma forma?
HARVEY – Pode ser parte de uma tentativa anticapitalista. Mas veja o que acontece, por exemplo, nas fábricas recuperadas na Argentina. Elas existem como ilhas dentro de um oceano capitalista, mas no fim se transformam em um centro de autoexploração por causa das pressões comerciais, financeiras etc.
Por um lado se diz que a passagem para o socialismo necessita de autogestão e trabalhadores associados no controle da produção, mas isso não sobrevive sem uma reconfiguração radical dos papéis do dinheiro, do sistema financeiro, dos mercados. Se esses elementos não mudarem, você ainda estará na prisão do capitalismo. Por outro lado, tomar a fábrica é um primeiro passo – e isso é bom. Então vem a questão: quais são o segundo, o terceiro, o quarto passos desse movimento?
DIPLOMATIQUE– Para além dos trabalhadores criativos, existe uma massa imensa de trabalhadores tradicionais, e ainda há os sindicatos, que não conseguem dialogar com os trabalhadores e não têm a importância que já tiveram. Como os trabalhadores devem se organizar nestes novos tempos?
HARVEY – Não acho que os sindicatos de trabalhadores estejam completamente mortos. Há partes do mundo em que eles ainda são significantes e muito fortes. A dificuldade dos sindicatos sempre foi conseguir benefícios para seus membros e, em sua maioria, nunca se viram como movimentos trabalhistas de vanguarda. Alguns partidos políticos fetichizaram o trabalhador da fábrica como a pessoa que iria liderar a revolução – e sempre achei que havia algo errado nessa formulação. É por isso que, no Rebel cities, eu digo que é preciso redefinir o proletariado de hoje para incluir todas as pessoas que produzem e reproduzem a vida urbana – e que, portanto, revolucionar a cidade é tão importante quanto revolucionar o local de trabalho.
Quando você analisa a Comuna de Paris e os movimentos revolucionários de 1848, há evidências históricas de que eles tinham como propósito recapturar a vida urbana para a massa da população. Esses movimentos urbanos não foram levados a sério por muitos setores da esquerda, mas deveriam. Há 34 anos eu tento, sem muito sucesso, persuadir meus colegas marxistas a levar a urbanização a sério. As pessoas nas ruas, como vimos nas revoltas do Cairo, tomando conta de regiões simbólicas das cidades, são uma força política muito significante, mesmo quando as revoluções não são exatamente anticapitalistas. Precisamos encarar as cidades como centros de legitimação política e potenciais para revoluções e transformações. Daí a necessidade de redefinir teoricamente o que são movimentos de massa ou revolucionários.
DIPLOMATIQUE– Unindo suas ideias, podemos dizer que esses trabalhadores devem então fazer coisas em pequena escala?
HARVEY – Sim. Gramsci tem uma formulação interessante sobre isso, quando escreveu sobre a organização dos trabalhadores. Ele disse que, claro, é preciso se organizar em torno das fábricas (não exatamente em sindicatos, mas em conselhos fabris), mas é preciso também organizar as vizinhanças. Porque nos bairros estão as condições como um todo da vida da classe trabalhadora. Neles estão os garis, os taxistas, os garotos de recado e tantos outros que precisam ser integrados nos movimentos políticos – e essa ideia de organizar a vizinhança está passando a ser central nos processos políticos de hoje. Gramsci via muitas vantagens na união da organização das fábricas e das vizinhanças, principalmente porque, naquela época, isso significava dar poder às mulheres, já que nas fábricas a imensa maioria dos trabalhadores era formada por homens. Isso é muito interessante. Se você analisar a estrutura dos sindicatos tradicionais, a liderança é toda masculina. Ao contrário, boa parte das lideranças comunitárias é ocupada por mulheres. Essa discrepância de gêneros tem sido uma barreira muito grande para a organização anticapitalista.
DIPLOMATIQUE– James Carville e Stan Greenberg, no livro It’s the middle class, stupid!, sustentam que, hoje, um tema só adquire potencial revolucionário quando ganha a paixão e a revolta da classe média. Qual é sua opinião sobre isso?
HARVEY – Nos Estados Unidos há uma tendência em dizer que a grande maioria do país é de classe média – mas na verdade é classe trabalhadora. Acho que existe de fato uma classe média significativa – formada por advogados, juízes, diretores de corporações e outros profissionais desse tipo –, mas muito menor do que se imagina. Em pesquisas de autoidentificação, cerca de 60% a 70% dos norte-americanos se colocam como parte da classe média. No entanto, se você faz a pergunta de outra forma, com enunciados mais sofisticados, a mesma proporção se considera classe trabalhadora. Eles trabalham, têm determinadas condições no emprego, um chefe que decide coisas, gastam xhoras por dia trabalhando etc.
DIPLOMATIQUE– O Le Monde Diplomatique Brasil, em janeiro, comparou os movimentos Tea Party e Ocupar Wall Street. O primeiro conseguiu eleger representantes no Congresso, enquanto o Ocupar não tinha esse propósito. Você acha que movimentos como esses deveriam tentar a via política tradicional?
HARVEY – Em primeiro lugar, é muito importante ressaltar que o Tea Party recebeu financiamento alto de bancos, grandes corporações etc. Já o Ocupar não teve nenhum apoio parecido. É verdade que o objetivo do Ocupar não era lutar pelo poder político – nem mesmo influenciá-lo. Mas aí é que está: influenciou. Eles ocuparam um papel muito importante na reeleição de Obama porque mudaram a pauta. Antes dos movimentos Ocupar, ninguém nos Estados Unidos estava falando sobre igualdade social. Quando eles vieram com o argumento do 1% versus99%, trouxeram a discussão sobre desigualdade – e também a necessidade de um presidente que falasse sobre isso.
DIPLOMATIQUE– Mas eles deveriam tentar espaço no Congresso?
HARVEY – Acho que não, na verdade.
DIPLOMATIQUE– Deveriam reivindicar algo específico?
HARVEY – Eles fazem pedidos: queremos democracia real, igualdade social, diminuir ogap entre os 99% e o 1%... É interessante observar que o poder político não reagiu com violência da polícia ou do Exército contra o Tea Party, mas sim contra o Ocupar. Todos em Wall Street sabem que fazem coisas ilegais todos os dias e que deveriam estar na cadeia. Eles sabem disso! Por isso ficaram aterrorizados, principalmente se Obama se elegesse e houvesse um movimento popular como na Islândia, em que os banqueiros foram todos presos. Então veio o Furacão Sandy, e a maioria das pessoas no Ocupar se organizou num processo de comunicação muito eficiente, levando comida, produtos de primeira necessidade etc. Aí o Ocupar começou a ganhar atenção positiva da imprensa, elogios doNew York Times e, como dizem muitos amigos meus que estavam envolvidos, a política desapareceu. Tudo virou um caso humanitário, mas que tinha por trás um novo processo de organização de extrema importância política.
DIPLOMATIQUE– Em 2001, na Argentina, ocorreu algo similar, com o “corralito”. Todos foram para as ruas, ocuparam a Praça de Maio, se organizaram de forma diferente. Mas logo tudo passou e os partidos políticos seguem iguais. Por quê? Vai ser sempre assim?
HARVEY – Nos últimos quinze anos, os movimentos sociais têm sofrido de muita volatilidade. Os movimentos de massa, que envolvem milhões de pessoas, emergem com rapidez impressionante. Um grande exemplo é o de fevereiro de 2003, o protesto global contra a possibilidade de guerra no Iraque. Maravilhoso! Milhões de pessoas no mundo todo! E então desapareceu. Se esses milhões de pessoas de repente decidissem ficar nas ruas, o que aconteceria? Vemos muito esse tipo de política hoje, que é muito volátil.
DIPLOMATIQUE– Também vemos muito hoje o conceito da horizontalidade: milhares ou milhões de pessoas sem líder. Em Rebel cities, você levanta o problema da “fetichização da horizontalidade”.
HARVEY– Esse é um problema real. Muitas pessoas envolvidas são simpatizantes da ideia de que mais democracia significa menos lideranças. Mas o próprio exemplo do Ocupar-Sandy mostra que a centralização foi necessária para fazer as coisas que precisavam ser feitas. Organizações políticas precisam da combinação entre horizontalidade e algum conceito de verticalidade. Se você fetichiza a horizontalidade e a autonomia, acaba colocando a si mesmo em uma caixa fechada, sem poder nenhum. Um exemplo ao contrário são os zapatistas, uma organização militar que obviamente não era horizontal, tinha uma estrutura de controle. Parece mais simples usar o modelo de assembleias para tudo, mas não é. Algum senso de controle é necessário.
André Deak - Pós-Jornalista, professor, mestre em Teoria da Comunicação pela Universidade de São Paulo e cofundador da Casa da Cultura Digital
Lucas Pretti - Pós-jornalista, ator, produtor cultural e idealizador do Festival BaixoCentro.
Ilustração: Manohead."
sexta-feira, maio 24, 2013
A situação do mercado imobiliário em Campos depois das dispensas da OSX
O blog recebeu do Alex San Carlos o texto que suscita reflexão e debates:
Inicialmente, milhares de trabalhadores com formação média, técnica e operários foram demitidos. Com isso, eram milhares de trabalhadores que deixavam de receber. Deixando de receber, deixavam de gastar. Com isso, o dinheiro parece que desapareceu no comércio de Campos nos últimos 3 meses.
Conversando com empresários de diferentes ramos, as declarações eram unânimes: " O dinheiro não circula". Consultei alguns amigos empresários do ramo de farmácia, serviço, imobiliária, restaurante e comércio.
Porém, agora começaram a ser demitidos e/ou transferidos, funcionários do alto escalão das empresas X.
Aquela bolha imobiliária que havia sido formada parece estar diminuindo, mas não sabemos até quando. Isso porque dezenas de imóveis que haviam sido alugados pelas empresas X para seus gerentes etc, estão sendo devolvidos. Daí a oferta fica maior do que a procura.
Um exemplo que podemos citar é um famoso empreendimento localizado na entrada da cidade, onde possui várias torres. A procura inicial para alugar um apto lá por parte de trabalhadores do Porto estava tão alta, que já estavam cobrando R$ 2.500,00 pela locação de um apto de 60m².
Hoje, a realidade já é outra. Dezenas de aptos que haviam sido alugados foram devolvidos. E isso se repete em vários outros prédios da cidade, sobretudo em área nobre, como Pelinca, Tamandaré e Flamboyant.
Caro Roberto, qual seria sua avaliação quanto ao impacto negativo que o Porto tem causado na economia regional?
"Roberto,
Com as crescentes demissões no Porto do Açu, encerramento de contratos etc, um novo cenário começa a surgir em Campos - RJ.
Inicialmente, milhares de trabalhadores com formação média, técnica e operários foram demitidos. Com isso, eram milhares de trabalhadores que deixavam de receber. Deixando de receber, deixavam de gastar. Com isso, o dinheiro parece que desapareceu no comércio de Campos nos últimos 3 meses.
Conversando com empresários de diferentes ramos, as declarações eram unânimes: " O dinheiro não circula". Consultei alguns amigos empresários do ramo de farmácia, serviço, imobiliária, restaurante e comércio.
Porém, agora começaram a ser demitidos e/ou transferidos, funcionários do alto escalão das empresas X.
Aquela bolha imobiliária que havia sido formada parece estar diminuindo, mas não sabemos até quando. Isso porque dezenas de imóveis que haviam sido alugados pelas empresas X para seus gerentes etc, estão sendo devolvidos. Daí a oferta fica maior do que a procura.
Um exemplo que podemos citar é um famoso empreendimento localizado na entrada da cidade, onde possui várias torres. A procura inicial para alugar um apto lá por parte de trabalhadores do Porto estava tão alta, que já estavam cobrando R$ 2.500,00 pela locação de um apto de 60m².
Hoje, a realidade já é outra. Dezenas de aptos que haviam sido alugados foram devolvidos. E isso se repete em vários outros prédios da cidade, sobretudo em área nobre, como Pelinca, Tamandaré e Flamboyant.
Caro Roberto, qual seria sua avaliação quanto ao impacto negativo que o Porto tem causado na economia regional?
Att
Alex San Carlos."
quinta-feira, maio 23, 2013
Visita ao Complexo de Suape pelo mar e no seu entorno: que Santo Agostinho e São João nos ajudem!
Hoje, este blogueiro deu um tempo no Encontro Nacional de Programas de Pós Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, aqui em Recife, para ir conhecer de perto a realidade do Complexo Suape, seu entorno e alguns dos seus muitos impactos.
Um atividade de campo riquíssima e que foi propiciada por uma liderança comunitária local, pescador da 4ª geração de uma família de pescadores, nascido na praia de Calhetas, município de Cabo de Santo Agostinho, sede do Complexo de Suape.
Trata-se do Edinaldo Rodrigues de Freitas, o Nal de 42 anos que informa e discute sobre a realidade das comunidades atingidas pelo empreendimento do Suape de uma forma que impressiona e similar a que este blogueiro possui na comunidade do Açu, em São João da Barra.
Nal diz textualmente que não é contra o empreendimento, mas, que ele poderia e deveria ser feito de outra forma e com diálogo com a comunidade.
O complexo do Supae reúne um enorme porto e um complexo industrial, que incluir dois estaleiros, além de diversas outras indústrias, além de uma grande refinaria e uma Usina Termelétrica em construção.
É impressionante, a similaridade do Complexo de Logístico Industrial de Suape que é uma realidade em expansão e o projeto do Complexo do Açu.
Suape está no Cabo de Santo Agostinho, enquanto o Açu, está em São João da Barra. Um é Cabo o outro uma Barra e ambos são santos, embora, os problemas gerados sejam quase um Pecado.
O blog vai fazer questão de depois relatar aqui neste espaço uma série de questões que observou, junto com os professores Floriano Godinho de Oliveira do PPFH/UERJ e Luiz de Pinedo do IFF, durante boa parte do dia.
De barco, por cerca de 3 horas, nós percorremos todo o litoral onde se encontram as instalações do porto, quebra-mar, estaleiros (EAS e Promar), etc. navegando em mar aberto e nos estuário dos rios Ipojuca e Massangana, as ilhas do Tatuoca e Francês, vimos as comunidades afetadas e desapropriadas, os problemas das dragagens, dos impactos sobre a pesca e turismo, o adensamento populacional, o aumento da criminalidade, etc.
Como já comentamos em algumas postagens neste espaço (veja aqui e aqui e aqui) há muita similaridades, mas o Porto de Suape é público e, embora tenha sido implantado na década de 70, só na segunda metade da década de 2000 deslanchar com a decisão da implantação da refinaria da Petrobras e do Estaleiro Atlântico-Sul (EAS).
Acabo de confirmar no jornal Valor Econômico no noticiário que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado autorizou que o EAS retome a construção de 12 navios. Com seu novo parceiro tecnológico, depois da saída da Samsung em março de 2012, a divisão de construção naval do grupo Ishikawajima (IHI) vai dar assistência técnica e fornecerá os projetos dos navios para o EAS. O acordo da Transpetro e Estaleiro EAS representa a volta de R$ 4,2 bilhões à carteira de encomendas do estaleiro. Os prazos de entrega foram renovados pelo atraso de 21 meses no primeiro petroleiro construído pelo EAS, o João Cândido. Agora, a entrega do último navio à Transpetro está prevista para dezembro de 2019, ante o prazo inicial de abril de 2016. Serão 22 navios ao todo.
Um atividade de campo riquíssima e que foi propiciada por uma liderança comunitária local, pescador da 4ª geração de uma família de pescadores, nascido na praia de Calhetas, município de Cabo de Santo Agostinho, sede do Complexo de Suape.
Trata-se do Edinaldo Rodrigues de Freitas, o Nal de 42 anos que informa e discute sobre a realidade das comunidades atingidas pelo empreendimento do Suape de uma forma que impressiona e similar a que este blogueiro possui na comunidade do Açu, em São João da Barra.
Nal diz textualmente que não é contra o empreendimento, mas, que ele poderia e deveria ser feito de outra forma e com diálogo com a comunidade.
O complexo do Supae reúne um enorme porto e um complexo industrial, que incluir dois estaleiros, além de diversas outras indústrias, além de uma grande refinaria e uma Usina Termelétrica em construção.
É impressionante, a similaridade do Complexo de Logístico Industrial de Suape que é uma realidade em expansão e o projeto do Complexo do Açu.
Suape está no Cabo de Santo Agostinho, enquanto o Açu, está em São João da Barra. Um é Cabo o outro uma Barra e ambos são santos, embora, os problemas gerados sejam quase um Pecado.
O blog vai fazer questão de depois relatar aqui neste espaço uma série de questões que observou, junto com os professores Floriano Godinho de Oliveira do PPFH/UERJ e Luiz de Pinedo do IFF, durante boa parte do dia.
De barco, por cerca de 3 horas, nós percorremos todo o litoral onde se encontram as instalações do porto, quebra-mar, estaleiros (EAS e Promar), etc. navegando em mar aberto e nos estuário dos rios Ipojuca e Massangana, as ilhas do Tatuoca e Francês, vimos as comunidades afetadas e desapropriadas, os problemas das dragagens, dos impactos sobre a pesca e turismo, o adensamento populacional, o aumento da criminalidade, etc.
Como já comentamos em algumas postagens neste espaço (veja aqui e aqui e aqui) há muita similaridades, mas o Porto de Suape é público e, embora tenha sido implantado na década de 70, só na segunda metade da década de 2000 deslanchar com a decisão da implantação da refinaria da Petrobras e do Estaleiro Atlântico-Sul (EAS).
Acabo de confirmar no jornal Valor Econômico no noticiário que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado autorizou que o EAS retome a construção de 12 navios. Com seu novo parceiro tecnológico, depois da saída da Samsung em março de 2012, a divisão de construção naval do grupo Ishikawajima (IHI) vai dar assistência técnica e fornecerá os projetos dos navios para o EAS. O acordo da Transpetro e Estaleiro EAS representa a volta de R$ 4,2 bilhões à carteira de encomendas do estaleiro. Os prazos de entrega foram renovados pelo atraso de 21 meses no primeiro petroleiro construído pelo EAS, o João Cândido. Agora, a entrega do último navio à Transpetro está prevista para dezembro de 2019, ante o prazo inicial de abril de 2016. Serão 22 navios ao todo.
Pois bem, depois postaremos aqui fotos e detalharemos o que vimos em Suape e que merece a reflexão não apenas do estado do Rio de Janeiro, mas, do governo federal que terá a responsabilidade de lidar com a nova realidade jurídica dos portos depois da aprovação da conhecida MP dos Portos.
Agora é possível compreender com clareza, porque o governador pernambucano lutou tanto na questão da MP dos portos para manter o domínio sobre o Porto e o Complexo do Suape.
Abaixo o blog reproduz algumas fotos, mas, adiante, com mais tempo farei novas postagens sobre o assunto. Impressiona que os problemas gerados sejam idênticos no porto público - como em Suape - quanto no empreendimento privado como no Açu, em São João da Barra.
Que os santos nos ajudem!
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| Vista do mar para o porto e Estaleiro Atlântico Sul (EAS) |
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| O Porto Suape com os guindastes transcontêineres e retroárea ao fundo |
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| O pescador de Calhetas, Suape-PE, Edinaldo Rodrigues de Freitas, Nal |
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| A plataforma que realiza explosões dos recifes no mar, na direção do canal de atracação do Porto Suape,PE |
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| Área de diques do estaleiro Promar em construção, em área onde antes era mangue |
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| Comunidade de Gaibu, localidade do município de Cabo de Santo Agostinho, onde se situa a maioria dos alojamentos das dezenas de milhares de trabalhadores do Complexo do Suape |
Sobre as obras no Comperj em Itaboraí
Foram autorizadas as obras do emissário submarino do Comperj, em Itaboraí (RJ) por um decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) que suspendeu a liminar que proibia a construção da unidade. De acordo com a desembargadora Vera Lúcia Lima, o prosseguimento das obras não oferece risco imediato ao meio ambiente. No entanto, a liminar ainda será analisada em segunda instância. Recentemente outra decisão da Justiça já havia permitido a retomada das obras, mas a autorização não envolvia a construção do emissário. Todo o impasse começou após o Ministério Público Federal (MPF) alegar que as obras do Comperj necessitam de uma licença do Ibama, de alcance federal, e não somente da aprovação do Inea (Instituto Estadual do Ambiente).
Início de operações do Comperj pode ser adiando para o fim de 2015
Previsto para abril de 2015, o início da operação do Comperj deve acontecer, segundo a presidente da Petrobrás, Graça Foster (foto), no fim do mesmo ano. O prazo inicial estava previsto no Plano de Negócios 2013-2017, que também estimava uma capacidade de processo da unidade de refino de 165 mil. As obras tinham sido interrompidas por alguns dias devido à anulação das licenças ambientais do empreendimento pela justiça, que já foram retomadas através de uma liminar obtida pela empresa. No entanto, um emissário submarino, que faz parte do projeto, ainda não foi liberado para ser construído.
Início de operações do Comperj pode ser adiando para o fim de 2015
Previsto para abril de 2015, o início da operação do Comperj deve acontecer, segundo a presidente da Petrobrás, Graça Foster (foto), no fim do mesmo ano. O prazo inicial estava previsto no Plano de Negócios 2013-2017, que também estimava uma capacidade de processo da unidade de refino de 165 mil. As obras tinham sido interrompidas por alguns dias devido à anulação das licenças ambientais do empreendimento pela justiça, que já foram retomadas através de uma liminar obtida pela empresa. No entanto, um emissário submarino, que faz parte do projeto, ainda não foi liberado para ser construído.
Fonte: Rede PetroNotícias.
quarta-feira, maio 22, 2013
Fiat em Pernambuco
Aprovetando a estada em Pernambuco abro o caderno de economia do Jornal do Comercio e vejo que a Fiat se instalará na cidade de Goiana junto ao Porto do Suape com financiamento público de 5 bilhões de um projeto de 7,5 bilhões para gerar 4,5 mil empregos na montadora e um total de 12 mil empregos em toda a cadeia produtiva. Difícil ver empreendimentos sem apoio do estado.
Enviado por Samsung tablet
terça-feira, maio 21, 2013
Rio estado-petróleo
Pode ser que passe despercebido para as pessoas o fato de que nosso estado esteja cada vez mais ligado á economia do petróleo com tudo que isto acarreta de positivo e negativo. Por isto o blog criou a alcunha de "Rio: estado-petróleo".
Além de Macaé e seus arredores com as atividades da bacia de Campos, as cidades próximas à região metropolitana do Rio, e mesmo a capital, cada vez mais estão impactadas por esta ativade econômica.
Antes era apenas Duque de Caxias com a refinaria da Reduq. Agora tem-se o Itaboraí com o Comperj, e a capital com o uso do porto do Rio de Janeiro, para atividades de apoio ao trabalho de exploração offshore.
Não há quem passe pela Ponte Rio-Niterói e não perceba o congestionamento de rebocadores dentro da Baía de Guanabara aguardando condições de atracação.
Semanalmente faço esta contagem. Nas últimas vezes este número está na ordem de setenta rebocadores. Lembrando que o aluguel do mesmo, conforme o tipo e porte pode estar entre US$ 30 mil e US$ 70 mil por dia, se vê o custo e a demanda portuária para dar conta da exploração em nosso litoral.
Retornando ao assunto do aumento das atividades econômicas ligadas ao setor de petróleo em nosso estado, que o blogueiro vem observando (e pesquisando) identifiquei mais este projeto (leia abaixo) do governo municipal de Maricá publicado pela rede PetroNotícias:
"Maricá planeja criar Zona Industrial para atender o Pré-sal"
"Com o objetivo de atender à crescente demanda de instalação de indústrias vinculadas à logística do petróleo, a Prefeitura de Maricá (RJ) apresentou uma proposta que permitirá a criação de uma Zona de Especial Interesse Industrial (ZEII) no município, alterando a atual Lei de Uso do Solo. A ZEII terá cerca de 30 km² e englobará pelo menos quatro grandes regiões no eixo da rodovia RJ-106 e nas proximidades do futuro Polo Naval de Jaconé, região escolhida pela Petrobrás para receber o gasoduto do pré-sal.
A proposta inclui a implantação de um heliporto para apoio às operações offshore, cuja capacidade poderá chegar a 120 voos diários, e a ampliação do aeroporto municipal, cuja pista poderá aumentar de 1.200 metros para 1.800 metros, enquanto o terminal poderá ser concedido à iniciativa privada, para, depois de pronto, movimentar anualmente até 68.000 passageiros e 3.500 toneladas de carga.
Está sendo estudado, também, um projeto de instalação de um condomínio industrial nas proximidades do futuro porto. Pelo menos um fabricante de tintas especiais para plataformas já encaminhou consulta formal à cidade. Além disso, há previsão de uma área destinada para grandes galpões de armazenamento. Segundo o prefeito de Maricá duas empresas italianas já assinaram cartas de intenção com o município: um estaleiro especializado em embarcações esportivas e uma montadora de carrocerias de trens, bondes e caminhões especiais."
Além de Macaé e seus arredores com as atividades da bacia de Campos, as cidades próximas à região metropolitana do Rio, e mesmo a capital, cada vez mais estão impactadas por esta ativade econômica.
Antes era apenas Duque de Caxias com a refinaria da Reduq. Agora tem-se o Itaboraí com o Comperj, e a capital com o uso do porto do Rio de Janeiro, para atividades de apoio ao trabalho de exploração offshore.
Não há quem passe pela Ponte Rio-Niterói e não perceba o congestionamento de rebocadores dentro da Baía de Guanabara aguardando condições de atracação.
Semanalmente faço esta contagem. Nas últimas vezes este número está na ordem de setenta rebocadores. Lembrando que o aluguel do mesmo, conforme o tipo e porte pode estar entre US$ 30 mil e US$ 70 mil por dia, se vê o custo e a demanda portuária para dar conta da exploração em nosso litoral.
Retornando ao assunto do aumento das atividades econômicas ligadas ao setor de petróleo em nosso estado, que o blogueiro vem observando (e pesquisando) identifiquei mais este projeto (leia abaixo) do governo municipal de Maricá publicado pela rede PetroNotícias:
"Maricá planeja criar Zona Industrial para atender o Pré-sal"
"Com o objetivo de atender à crescente demanda de instalação de indústrias vinculadas à logística do petróleo, a Prefeitura de Maricá (RJ) apresentou uma proposta que permitirá a criação de uma Zona de Especial Interesse Industrial (ZEII) no município, alterando a atual Lei de Uso do Solo. A ZEII terá cerca de 30 km² e englobará pelo menos quatro grandes regiões no eixo da rodovia RJ-106 e nas proximidades do futuro Polo Naval de Jaconé, região escolhida pela Petrobrás para receber o gasoduto do pré-sal.
A proposta inclui a implantação de um heliporto para apoio às operações offshore, cuja capacidade poderá chegar a 120 voos diários, e a ampliação do aeroporto municipal, cuja pista poderá aumentar de 1.200 metros para 1.800 metros, enquanto o terminal poderá ser concedido à iniciativa privada, para, depois de pronto, movimentar anualmente até 68.000 passageiros e 3.500 toneladas de carga.
Está sendo estudado, também, um projeto de instalação de um condomínio industrial nas proximidades do futuro porto. Pelo menos um fabricante de tintas especiais para plataformas já encaminhou consulta formal à cidade. Além disso, há previsão de uma área destinada para grandes galpões de armazenamento. Segundo o prefeito de Maricá duas empresas italianas já assinaram cartas de intenção com o município: um estaleiro especializado em embarcações esportivas e uma montadora de carrocerias de trens, bondes e caminhões especiais."
Encontro & desencontro
O blogueiro avisa a seus colaboradores e leitores que as postagens neste espaço estão em menor quantidade, e eventualmente, o espaço ficará sem notas nos próximos dias, por conta da participação do blogueiro num evento em Recife, onde se encontra desde o domingo.
Trata-se do XV Encontro da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional que foi aberto ontem e se estenderá até a próxima sexta-feira, 24/05.
Com o tema geral "Desenvolvimento, Planejamento e Governança" o encontro traz possibilidades de diálogo e acesso a ideias, pesquisas, propostas e avaliação de políticas públicas em gestão de cidades, regiões e de avaliação de cenários.
Ainda esta semana disponibilizarei neste espaço um dos trabalhos que trouxe para o debate aqui no encontro, a respeito das novas territorialidades geradas pela implantação do Complexo do Açu, assim como do território na economia fluminense.
A dedicação integral ao evento me impedirá de estar atualizando com a constância que habitualmente empreendemos por aqui.
Ainda assim, com o uso de celular e tablet com acesso à internet me permite estar conectado com o que acontece na região. Desta forma, me sensibilizo com os diversos relatos que recebi ontem e continuo a receber hoje, sobre as novas demissões de trabalhadores (da OSX, Acciona) e desligamentos de dezenas de jovens estagiários e aprendizes no Complexo do Açu. Através dos emails e comentários nas notas do blog continuamos acompanhando os desdobramentos, apesar do distanciamento.
Além do encontro teremos a possibilidade de conhecermos e vermos de perto o Complexo Logístico-industrial do Porto de Suape que, de alguma forma, serve de comparação com a proposta de implantação do Complexo do Açu.
Trata-se do XV Encontro da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional que foi aberto ontem e se estenderá até a próxima sexta-feira, 24/05.
Com o tema geral "Desenvolvimento, Planejamento e Governança" o encontro traz possibilidades de diálogo e acesso a ideias, pesquisas, propostas e avaliação de políticas públicas em gestão de cidades, regiões e de avaliação de cenários.
Ainda esta semana disponibilizarei neste espaço um dos trabalhos que trouxe para o debate aqui no encontro, a respeito das novas territorialidades geradas pela implantação do Complexo do Açu, assim como do território na economia fluminense.
A dedicação integral ao evento me impedirá de estar atualizando com a constância que habitualmente empreendemos por aqui.
Ainda assim, com o uso de celular e tablet com acesso à internet me permite estar conectado com o que acontece na região. Desta forma, me sensibilizo com os diversos relatos que recebi ontem e continuo a receber hoje, sobre as novas demissões de trabalhadores (da OSX, Acciona) e desligamentos de dezenas de jovens estagiários e aprendizes no Complexo do Açu. Através dos emails e comentários nas notas do blog continuamos acompanhando os desdobramentos, apesar do distanciamento.
Além do encontro teremos a possibilidade de conhecermos e vermos de perto o Complexo Logístico-industrial do Porto de Suape que, de alguma forma, serve de comparação com a proposta de implantação do Complexo do Açu.
segunda-feira, maio 20, 2013
Ativos se transformaram em passivos na OSX
Os investidores chamam de ativo, o conjunto de instrumentos que uma empresa pode usar para produzir e gerar riquezas. É o caso das instalações, máquinas, equipamentos, recursos humanos, etc.
Já passivo trata-se de dívidas com fornecedores, prestadores de serviços, trabalhadores, etc.
No caso do estaleiro OSX que está (estava) sendo instalado até no Açu, em São João da Barra, pode-se dizer que apenas em alguns dias, os seus ativos viraram passivos rapidamente.
As dívidas com fornecedores e prestadores de serviços do estaleiro da OSX são grandes, segundo se está apurando.
As maiores empresas estão apertando o cerco para receber. As menores estão apavoradas com a hipótese do calote. Os valores vão de dezenas a centenas de milhares de reais para as pequenas, para as grandes a casa deve ser dos milhões.
As quarteirizadas (terceirizadas pelas terceirizadas) de pequeno porte estão no sufoco sem capital de giro para esperar pelo pagamento. Algumas empresas já estão se recusando a prestar serviços.
A segurança foi reduzida. Trabalhadores que estão sendo proibidos de entrar no empreendimento estão reclamando do mau tratamento com que estão atendidos por quem até alguns dias chamava de colaboradores.
Alguns que estão mantendo contato com o blog se manifestam preocupados com o futuro. Foi amplamente divulgado que o assunto foi ponto de pauta do prefeito de SJB com o empresário Eike Batista. Falou-se num prazo de sessenta dias para as coisas se regularizarem, mas, as preocupações são grandes. Continuemos acompanhando os desdobramentos no Açu.
Já passivo trata-se de dívidas com fornecedores, prestadores de serviços, trabalhadores, etc.
No caso do estaleiro OSX que está (estava) sendo instalado até no Açu, em São João da Barra, pode-se dizer que apenas em alguns dias, os seus ativos viraram passivos rapidamente.
As dívidas com fornecedores e prestadores de serviços do estaleiro da OSX são grandes, segundo se está apurando.
As maiores empresas estão apertando o cerco para receber. As menores estão apavoradas com a hipótese do calote. Os valores vão de dezenas a centenas de milhares de reais para as pequenas, para as grandes a casa deve ser dos milhões.
As quarteirizadas (terceirizadas pelas terceirizadas) de pequeno porte estão no sufoco sem capital de giro para esperar pelo pagamento. Algumas empresas já estão se recusando a prestar serviços.
A segurança foi reduzida. Trabalhadores que estão sendo proibidos de entrar no empreendimento estão reclamando do mau tratamento com que estão atendidos por quem até alguns dias chamava de colaboradores.
Alguns que estão mantendo contato com o blog se manifestam preocupados com o futuro. Foi amplamente divulgado que o assunto foi ponto de pauta do prefeito de SJB com o empresário Eike Batista. Falou-se num prazo de sessenta dias para as coisas se regularizarem, mas, as preocupações são grandes. Continuemos acompanhando os desdobramentos no Açu.
domingo, maio 19, 2013
Ela para o governo estado?
O blog já comentou aqui esta possibilidade. A coluna "Rosa dos ventos" do jornalista Maurício Dias, da revista Carta Capital que saiu neste final de semana traz a nota:
"Cabral: guerra à vista"
"É tenso o clima político no lar de Rosinha e Anthony Garotinho. Ele pressiona Rosinha, prefeita de Campos (RJ), para ela disputar o governo do estado por onde passou (2003-2007). Eleito deputado com 700 mil votos, Garotinho tem força para transferir votos no interior, área política de Luiz Fernando Pezão, candidato de Sérgio Cabral (PMDB). Se Rodinha ceder, competirá, pelo segundo turno com Lindberg Farias (PT). De qualquer forma, os dois unirão forças contra Pezão. Encurralado, o governador ameaça tirar o apoio a Dilma. Por ora, lita-se a divulgar que jantou recente ente com o tucano FHC."
"Cabral: guerra à vista"
"É tenso o clima político no lar de Rosinha e Anthony Garotinho. Ele pressiona Rosinha, prefeita de Campos (RJ), para ela disputar o governo do estado por onde passou (2003-2007). Eleito deputado com 700 mil votos, Garotinho tem força para transferir votos no interior, área política de Luiz Fernando Pezão, candidato de Sérgio Cabral (PMDB). Se Rodinha ceder, competirá, pelo segundo turno com Lindberg Farias (PT). De qualquer forma, os dois unirão forças contra Pezão. Encurralado, o governador ameaça tirar o apoio a Dilma. Por ora, lita-se a divulgar que jantou recente ente com o tucano FHC."
“Por um novo modelo de desenvolvimento urbano”
No início desta semana este blogueiro reproduziu aqui suas opiniões sobre o setor imobiliário em Campos, onde fez referência sobre a relação deste tema com a questão da urbanização de nossa cidade. Hoje, li na revista CartaCapital este interessante artigo de Nabil Bonduki, um técnico e politico que milita na área e que nos traz um interessante retrospecto da realidade urbana no plano nacional. Vale sua conferida:
“Por um novo modelo de desenvolvimento urbano”
"Ocorrem em todo o país, nesses meses de abril, maio e junho, as conferências municipais e estaduais das cidades, etapas preparatórias da 5ª Conferência Nacional das Cidades, prevista para o próximo mês de novembro em Brasília.
Milhares de cidades estão realizando debates com o pomposo título “Quem faz a Reforma Urbana Somos Nós: Reforma Urbana Já”; o processo dá sequência formal a um modo de governar que foi instituído por Lula em 2003, quando foi criado o Ministério das Cidades e, em seguida, o Conselho das Cidades. O objetivo, naqueles anos de grande esperança de mudança do Brasil, era instituir uma instância governamental encarregada de formular uma nova política urbana no país, a partir de processos participativos e da integração das políticas públicas setoriais – habitação, saneamento, política fundiária, mobilidade urbana – orientadas por princípios comuns, como a reforma urbana, o direito à cidade, o rompimento da segregação socioterritorial, a inclusão social e universalização dos serviços urbanos básicos.
Digo “dá sequência formal” porque, há vários anos, esse modo de governar e esses princípios de gestão das políticas urbanas desapareceram do governo federal, soterrados por uma visão de que a mera aplicação de imensos recursos nas cidades seja suficiente para alterar a crise urbana em que vivemos. O atual processo de “conferências das cidades” está sendo conduzido mais pelo Conselho das Cidades do que pelo próprio Ministério, em uma desesperada busca de recuperar a necessária integração das políticas urbanas a partir da criação de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.
O Conselho das Cidades, formado pelos diferentes segmentos da sociedade envolvidos na questão urbana, é uma dos resquícios ainda existentes do projeto original do Ministério das Cidades e, por essa razão, é onde reside a esperança de que possa ser o motor de um processo de reviravolta na política urbana do país. É necessário se fazer uma avaliação séria dos resultados da ação do governo federal sobre as cidades brasileiras que, desde a ditadura, não recebiam tantos recursos para investir em políticas urbanas setoriais, habitação em primeiro lugar, mas que continuam sendo territórios de exclusão socioterritoriais.
A questão é que desde o final do primeiro governo Lula, quando mal havia se estruturado, o Ministério das Cidades deixou de ser uma instância de articulação das políticas setoriais para se tornar uma federação de secretarias quase autônomas, sem capacidade de formular estratégias amplas para enfrentar o desafio urbano do país. É claro que o Ministério das Cidades não é uma mera reprodução da antiga Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que existiu durante o governo FHC.
Sob Lula e Dilma, as políticas de habitação, saneamento e mobilidade foram turbinadas por uma enorme quantidade de recursos que o setor nunca havia recebido desde a ditadura militar, quando o antigo Banco Nacional de Habitação (BNH) inundou as cidades com recursos fartos para o chamado “desenvolvimento urbano”. Os governos petistas, movidos por um programa longamente tecido durante duas décadas, formularam e conseguiram aprovar avançados marcos regulatórios para esses setores, como o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, o Plano Nacional de Habitação, a Lei do Saneamento, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Lei da Mobilidade Urbana.
São instrumentos legais importantes para dar um rumo às políticas setoriais, mas insuficientes para equacionar o desenvolvimento urbano e dar um rumo civilizatório às nossas cidades. Toma-se, por exemplo, a questão da habitação. O Programa Minha Casa Minha Vida lançou uma meta desafiadora em termos quantitativos e o governo federal disponibilizou fartos recursos para subsídios. Tirando fora o fato de esse programa ter deixado de implementar várias estratégias previstas no Plano Nacional de Habitação, pois seu objetivo principal foi enfrentar a crise econômica de 2008/9 apoiando o setor da construção civil, as normas estabelecidas acabaram por gerar uma séria distorção na alocação de recursos e na localização das moradias produzidas que, além de ter um impacto reduzido no déficit habitacional, geram novos problemas urbanos.
A inundação de recursos para habitação, assim como o aumento do crédito imobiliário, sem que tivesse sido prevista uma política fundiária para combater a valorização imobiliária, acabaram por gerar um forte processo de especulação imobiliária, desviando os subsídios para os proprietários da terra e gerando exclusão social, pois inquilinos de baixa renda não conseguem mais pagar os aluguéis e são expulsos para localizações mais periféricas.
Estudos realizados mostram que o Programa Minha Casa Minha Vida acabou por privilegiar cidades menores, onde é mais fácil produzir casas e o déficit habitacional é menos expressivo – locais onde a produção de moradia poderia se fazer a custos muito mais baixos por processos que pudessem envolver os próprios moradores no autoempreendimento da casa própria –, em detrimento das grandes cidades, onde o problema exige mais recursos e uma ação pública mais incisiva.
A localização periférica dos conjuntos habitacionais, preferida pelos promotores em decorrência dos custos mais baixos da terra, acaba por gerar outros problemas urbanos, como o agravamento da mobilidade urbana e a extensão exagerada dos perímetros urbanos. A ausência de uma visão integrada tem gerado efeitos contraditórios nas cidades, pois os próprios investimentos governamentais nas cidades provocam a exclusão socioterritorial dos mais pobres.
Espera-se que a atual jornada de conferências das cidades possa jogar mais luz sobre essas questões, na perspectiva de uma maior integração das políticas de desenvolvimento urbano. Mas não há razão para muito otimismo, pois, nos últimos anos, as recomendações do Conselho e das Conferências das Cidades não têm sido uma referência relevante na gestão das políticas sob a responsabilidade do Ministério das Cidades.
Nabil Bonduki, professor titular do Departamento de Planejamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), é vereador em São Paulo pelo PT. Foi o relator da Lei do Plano Diretor Estratégico da cidade. É colunista de CartaCapital.”
“Por um novo modelo de desenvolvimento urbano”
"Ocorrem em todo o país, nesses meses de abril, maio e junho, as conferências municipais e estaduais das cidades, etapas preparatórias da 5ª Conferência Nacional das Cidades, prevista para o próximo mês de novembro em Brasília.
Milhares de cidades estão realizando debates com o pomposo título “Quem faz a Reforma Urbana Somos Nós: Reforma Urbana Já”; o processo dá sequência formal a um modo de governar que foi instituído por Lula em 2003, quando foi criado o Ministério das Cidades e, em seguida, o Conselho das Cidades. O objetivo, naqueles anos de grande esperança de mudança do Brasil, era instituir uma instância governamental encarregada de formular uma nova política urbana no país, a partir de processos participativos e da integração das políticas públicas setoriais – habitação, saneamento, política fundiária, mobilidade urbana – orientadas por princípios comuns, como a reforma urbana, o direito à cidade, o rompimento da segregação socioterritorial, a inclusão social e universalização dos serviços urbanos básicos.
Digo “dá sequência formal” porque, há vários anos, esse modo de governar e esses princípios de gestão das políticas urbanas desapareceram do governo federal, soterrados por uma visão de que a mera aplicação de imensos recursos nas cidades seja suficiente para alterar a crise urbana em que vivemos. O atual processo de “conferências das cidades” está sendo conduzido mais pelo Conselho das Cidades do que pelo próprio Ministério, em uma desesperada busca de recuperar a necessária integração das políticas urbanas a partir da criação de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.
O Conselho das Cidades, formado pelos diferentes segmentos da sociedade envolvidos na questão urbana, é uma dos resquícios ainda existentes do projeto original do Ministério das Cidades e, por essa razão, é onde reside a esperança de que possa ser o motor de um processo de reviravolta na política urbana do país. É necessário se fazer uma avaliação séria dos resultados da ação do governo federal sobre as cidades brasileiras que, desde a ditadura, não recebiam tantos recursos para investir em políticas urbanas setoriais, habitação em primeiro lugar, mas que continuam sendo territórios de exclusão socioterritoriais.
A questão é que desde o final do primeiro governo Lula, quando mal havia se estruturado, o Ministério das Cidades deixou de ser uma instância de articulação das políticas setoriais para se tornar uma federação de secretarias quase autônomas, sem capacidade de formular estratégias amplas para enfrentar o desafio urbano do país. É claro que o Ministério das Cidades não é uma mera reprodução da antiga Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que existiu durante o governo FHC.
Sob Lula e Dilma, as políticas de habitação, saneamento e mobilidade foram turbinadas por uma enorme quantidade de recursos que o setor nunca havia recebido desde a ditadura militar, quando o antigo Banco Nacional de Habitação (BNH) inundou as cidades com recursos fartos para o chamado “desenvolvimento urbano”. Os governos petistas, movidos por um programa longamente tecido durante duas décadas, formularam e conseguiram aprovar avançados marcos regulatórios para esses setores, como o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, o Plano Nacional de Habitação, a Lei do Saneamento, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Lei da Mobilidade Urbana.
São instrumentos legais importantes para dar um rumo às políticas setoriais, mas insuficientes para equacionar o desenvolvimento urbano e dar um rumo civilizatório às nossas cidades. Toma-se, por exemplo, a questão da habitação. O Programa Minha Casa Minha Vida lançou uma meta desafiadora em termos quantitativos e o governo federal disponibilizou fartos recursos para subsídios. Tirando fora o fato de esse programa ter deixado de implementar várias estratégias previstas no Plano Nacional de Habitação, pois seu objetivo principal foi enfrentar a crise econômica de 2008/9 apoiando o setor da construção civil, as normas estabelecidas acabaram por gerar uma séria distorção na alocação de recursos e na localização das moradias produzidas que, além de ter um impacto reduzido no déficit habitacional, geram novos problemas urbanos.
A inundação de recursos para habitação, assim como o aumento do crédito imobiliário, sem que tivesse sido prevista uma política fundiária para combater a valorização imobiliária, acabaram por gerar um forte processo de especulação imobiliária, desviando os subsídios para os proprietários da terra e gerando exclusão social, pois inquilinos de baixa renda não conseguem mais pagar os aluguéis e são expulsos para localizações mais periféricas.
Estudos realizados mostram que o Programa Minha Casa Minha Vida acabou por privilegiar cidades menores, onde é mais fácil produzir casas e o déficit habitacional é menos expressivo – locais onde a produção de moradia poderia se fazer a custos muito mais baixos por processos que pudessem envolver os próprios moradores no autoempreendimento da casa própria –, em detrimento das grandes cidades, onde o problema exige mais recursos e uma ação pública mais incisiva.
A localização periférica dos conjuntos habitacionais, preferida pelos promotores em decorrência dos custos mais baixos da terra, acaba por gerar outros problemas urbanos, como o agravamento da mobilidade urbana e a extensão exagerada dos perímetros urbanos. A ausência de uma visão integrada tem gerado efeitos contraditórios nas cidades, pois os próprios investimentos governamentais nas cidades provocam a exclusão socioterritorial dos mais pobres.
Espera-se que a atual jornada de conferências das cidades possa jogar mais luz sobre essas questões, na perspectiva de uma maior integração das políticas de desenvolvimento urbano. Mas não há razão para muito otimismo, pois, nos últimos anos, as recomendações do Conselho e das Conferências das Cidades não têm sido uma referência relevante na gestão das políticas sob a responsabilidade do Ministério das Cidades.
Nabil Bonduki, professor titular do Departamento de Planejamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), é vereador em São Paulo pelo PT. Foi o relator da Lei do Plano Diretor Estratégico da cidade. É colunista de CartaCapital.”
sábado, maio 18, 2013
Segunda morte em dois dias em plataformas na Bacia de Santos
Abaixo a informação no site do Sindipetro-NF:
"Segunda morte em 72 horas"
18/5/2013 - 19:27
"Um plataformista, 34 anos, empregado da Seadrill morreu às 10 horas, neste sábado, 18, imediatamente após sofrer uma queda de uma altura de 20 metros na plataforma SS-69. A sonda realizava uma operação de descida de revestimento em um poço, na Bacia de Santos, e estava à serviço da Petrobrás.
O Sindipetro-NF vai indicar um representante para a comissão que vai analisar as causas de mais esse acidente nas atividades da Petrobrás.
A morte de Leandro acontece 72 horas após a morte de outro plataformista em condições muito semelhantes que aconteceu na SS-83, também na Bacia de Santos. Veja aqui a notícia do sindicato deste acidente.
O Sindipetro-NF e a FUP criticam duramente a política de segurança da Petrobras e dois acidentes fatais em 72 horas confirmam a necessidade de mudanças profundas nessa política."
Zé Maria dos Petroleiros na blogosfera
Zé Maria Rangel, coordenador geral do Sindipetro-NF, recém-eleito membro do Conselho de Administração (CA) da Petrobras como representante dos trabalhadores, tomou posse no cargo no dia 29 de abril e resolveu partilhar com a categoria e com toda a comunidade, o seu trabalho no dia a dia, nesta nova e importante atividade, através de um blog que pode ser acessado clicando aqui.
Neste encargo Zé Maria já esteve no Rio Grande do Norte e no Rio Grande do Sul conversando com autoridades. Ontem, 17 de maio, participou de sua primeira reunião do CA da estatal. Nosso blog tem o prazer de listar mais este valioso blog em sua lista de favoritos. Sucesso!
Neste encargo Zé Maria já esteve no Rio Grande do Norte e no Rio Grande do Sul conversando com autoridades. Ontem, 17 de maio, participou de sua primeira reunião do CA da estatal. Nosso blog tem o prazer de listar mais este valioso blog em sua lista de favoritos. Sucesso!
Arquiteto questiona prêmio concedido ao programa Morar Feliz da PMCG
O arquiteto Renato Siqueira enviou ao blog o questionamento acompanhado do vídeo de matéria da InterTV que está nesta postagem:
"Não se pode enganar a todos todo o tempo."
"Caros, boa noite.
Me causaram, espanto e estranheza, a notícia midiática acerca da "premiação" recebida em Brasília, pela Prefeitura Municipal de Campos, especificamente conferida ao Programa Morar Feliz. O fato é que não se percebe nenhuma felicidade em seus moradores, aliás, não há espaço sequer para desenvolver essa suposta felicidade, pois não existe 0,50 m2 (meio metro quadrado) de área de lazer ou comunitária, em nenhum dos conjuntos que abriga as mais de 5.000 casas (fotos dos Conjuntos: Novo Eldorado, Tapera I e II)!
Em determinado conjunto habitacional, a área, em tese, destinada ao lazer e aos equipamentos urbanos comunitários, serve de pasto para cavalo. As ruas e calçadas estão em desacordo - estão menores - do que determina a Lei 7975/2007, Lei de Parcelamento Municipal. Também, há problemas quanto ao sistema de abastecimento de água nas caixas d´água das unidades, em muitas não há "força", obrigando as pessoas a buscarem meios alternativos para fazerem sua higiene e alimentação.
Não se percebem, também, as estações de tratamento de esgoto sanitário. Um surreal caso chama a atenção: um "bar" implantado em uma das quadras, ladeado por duas unidades habitacionais (ver foto).
O quadro sugere a infeliz institucionalização da "favela", pelo ente federado local, ou seja a Prefeitura, cujos efeitos indesejáveis poderão ser potencializados. Essas pessoas merecem respeito para realmente serem felizes, na conquista da casa própria e da dignidade tão sonhadas. Quais as razões de não haverem áreas comunitárias nos Conjuntos? É obrigatório pela Lei de Parcelamento, 7975/2007, Artigos 13, 22, 29, 31 e 32."
"Há algum tempo este "presente de Grego", chamado Morar Feliz, havia sido denunciado sobre algum dos riscos - rachaduras nas unidades habitacionais - que expõe determinado seguimento da população. O único prêmio cabível, penso eu, é o Troféu Abacaxi!
Abç.,
Renato César Arêas Siqueira."
"Não se pode enganar a todos todo o tempo."
"Caros, boa noite.
Me causaram, espanto e estranheza, a notícia midiática acerca da "premiação" recebida em Brasília, pela Prefeitura Municipal de Campos, especificamente conferida ao Programa Morar Feliz. O fato é que não se percebe nenhuma felicidade em seus moradores, aliás, não há espaço sequer para desenvolver essa suposta felicidade, pois não existe 0,50 m2 (meio metro quadrado) de área de lazer ou comunitária, em nenhum dos conjuntos que abriga as mais de 5.000 casas (fotos dos Conjuntos: Novo Eldorado, Tapera I e II)!
Em determinado conjunto habitacional, a área, em tese, destinada ao lazer e aos equipamentos urbanos comunitários, serve de pasto para cavalo. As ruas e calçadas estão em desacordo - estão menores - do que determina a Lei 7975/2007, Lei de Parcelamento Municipal. Também, há problemas quanto ao sistema de abastecimento de água nas caixas d´água das unidades, em muitas não há "força", obrigando as pessoas a buscarem meios alternativos para fazerem sua higiene e alimentação.
Não se percebem, também, as estações de tratamento de esgoto sanitário. Um surreal caso chama a atenção: um "bar" implantado em uma das quadras, ladeado por duas unidades habitacionais (ver foto).
O quadro sugere a infeliz institucionalização da "favela", pelo ente federado local, ou seja a Prefeitura, cujos efeitos indesejáveis poderão ser potencializados. Essas pessoas merecem respeito para realmente serem felizes, na conquista da casa própria e da dignidade tão sonhadas. Quais as razões de não haverem áreas comunitárias nos Conjuntos? É obrigatório pela Lei de Parcelamento, 7975/2007, Artigos 13, 22, 29, 31 e 32."
Abç.,
Renato César Arêas Siqueira."
LLX decide fechar escritório em SJB
O blog teve a informação sobre o fechamento do escritório da LLX, na sede do município de São João da Barra. O escritório funciona desde 2008, na rua São Benedito, perpendicular à Thomaz de Aquino, no centro de São João da Barra.
O blog considera este um símbolo importante para o município de São João da Barra, sede do empreendimento do Complexo do Açu.
Por considerar que esta informação tem desdobramentos importantes, tanto sob o ponto de vista político (e simbólico) quanto político e econômico, o blog fez questão de entrar em contato ontem com a Assessoria de Imprensa da LLX para confirmar a informação.
Na noite de ontem, sexta-feira (17/05) recebeu a resposta:
"Roberto, tudo bem?Conforme falamos ao telefone, o escritório da LLX em São João da Barra não está fechado porém o planejamento é de mudança de todas as equipes para o empreendimento.
Qualquer duvida estou a disposição.
Sds."
A informação oficial da LLX confirma então o fechamento do escritório na sede do município, embora, negue que o fato tenha relação com a reestruturação o grupo EBX, como forte repercussão, especialmente, na OSX. Assim, a LLX confirma o fechamento, como decisão de um planejamento anterior, que prevê a concentração das atividades nas instalações junto ao Porto do Açu, na localidade do mesmo nome.
A fonte do blog informou ainda que muitos trabalhadores da LLX que atuavam no escritório, na sede do município em SJB, já tinham sido transferidos para a área administrativa do Porto do Açu. Isto foi confirmado pela Assessoria de Imprensa que disse que o encerramento das atividades do escritório na sede em SJB deve levar um tempo um pouco superior a trinta dias, mas efetivamente acontecerá.
O fato pode não estar relacionado à crise e aos cortes de despesas do grupo, com orientação do Banco BTG Pactual, mas, efetivamente representa, um esvaziamento das intenções do município, em relação ao empreendimento no antigo 5º Distrito.
É um fato mais que simbólico a ser considerado em todo este processo de implantação do Complexo do Açu. Continuemos acompanhando.
O blog considera este um símbolo importante para o município de São João da Barra, sede do empreendimento do Complexo do Açu.
Por considerar que esta informação tem desdobramentos importantes, tanto sob o ponto de vista político (e simbólico) quanto político e econômico, o blog fez questão de entrar em contato ontem com a Assessoria de Imprensa da LLX para confirmar a informação.
Na noite de ontem, sexta-feira (17/05) recebeu a resposta:
"Roberto, tudo bem?Conforme falamos ao telefone, o escritório da LLX em São João da Barra não está fechado porém o planejamento é de mudança de todas as equipes para o empreendimento.
Qualquer duvida estou a disposição.
Sds."
A informação oficial da LLX confirma então o fechamento do escritório na sede do município, embora, negue que o fato tenha relação com a reestruturação o grupo EBX, como forte repercussão, especialmente, na OSX. Assim, a LLX confirma o fechamento, como decisão de um planejamento anterior, que prevê a concentração das atividades nas instalações junto ao Porto do Açu, na localidade do mesmo nome.
A fonte do blog informou ainda que muitos trabalhadores da LLX que atuavam no escritório, na sede do município em SJB, já tinham sido transferidos para a área administrativa do Porto do Açu. Isto foi confirmado pela Assessoria de Imprensa que disse que o encerramento das atividades do escritório na sede em SJB deve levar um tempo um pouco superior a trinta dias, mas efetivamente acontecerá.
O fato pode não estar relacionado à crise e aos cortes de despesas do grupo, com orientação do Banco BTG Pactual, mas, efetivamente representa, um esvaziamento das intenções do município, em relação ao empreendimento no antigo 5º Distrito.
É um fato mais que simbólico a ser considerado em todo este processo de implantação do Complexo do Açu. Continuemos acompanhando.
sexta-feira, maio 17, 2013
Demissões e "desligamentos" podem se aproximar de 4 mil no Complexo do Açu
Somando todas as demissões e/ou desligamentos (como preferem chamar algumas empresas) já feitas desde que a crise se instalou no Açu, não é difícil chegar à conta de aproximadamente 4 mil trabalhadores.
Da própria OSX em números difíceis de serem apurados e contabilizados é possível estimar em mais de 300 trabalhadores. Da espanhola, Acciona entre demissões de pessoal que retornou ao Nordeste, mais de 500, dos 1.600 que estão de "stand-by" em casa "aguardando negociação com a OSX, se chega a um número superior a 2 mil trabalhadores. Outros mil da ICEC, demitidos, ou a partir de hoje hoje, também em "stand-by". Da AFG, hoje, 140 demitidos. Das diversas empresas de apoio, consultoria, projetos sociais e ambientais, serventia, vigilância, etc.é possível ainda inferir um número de pelo menos 300 trabalhadores.
Assim, é possível verificar que a conta entre já dispensados e em vias de dispensa podem passar de 4 mil trabalhadores. Este número bate com o que o presidente do Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil do Norte e Noroeste Fluminense, José Carlos Eulálio possui, de que de um total de 8,2 mil trabalhadores, mais de 50% já foram dispensados.
Eulálio informou ao blog que começará em instantes, uma reunião com representantes da Acciona para cobrar uma posição deles sobre a situação das demissões e dos trabalhadores que estão em "stand-by" aguardando as negociações da empresa com o estaleiro da OSX.
Eulálio diz ainda que seu sindicato aguarda também relatório da força-tarefa do Ministério do Trabalho, com auditores de Brasília, do Rio de Janeiro e da região, estão fazendo, a partir de auditoria solicitada pelo sindicato, sobre irregularidades denunciadas nas relações de trabalho dentro do Complexo do Açu.
Do ponto de vista social, para trabalhadores que voltaram para a região apostando no empreendimento e para jovens recém-formados, é lastimável o quadro. A localidade do Açu, segundo moradores, o sentimento de esvaziamento é muto maior agora, do que antes da chegada do empreendimento.
É grave a crise e parece que outras notícias ruins ainda estão chegando. O blog espera confirmar para passar aos nossos leitores e colaboradores.
Da própria OSX em números difíceis de serem apurados e contabilizados é possível estimar em mais de 300 trabalhadores. Da espanhola, Acciona entre demissões de pessoal que retornou ao Nordeste, mais de 500, dos 1.600 que estão de "stand-by" em casa "aguardando negociação com a OSX, se chega a um número superior a 2 mil trabalhadores. Outros mil da ICEC, demitidos, ou a partir de hoje hoje, também em "stand-by". Da AFG, hoje, 140 demitidos. Das diversas empresas de apoio, consultoria, projetos sociais e ambientais, serventia, vigilância, etc.é possível ainda inferir um número de pelo menos 300 trabalhadores.
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| José Carlos Eulálio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil |
Eulálio informou ao blog que começará em instantes, uma reunião com representantes da Acciona para cobrar uma posição deles sobre a situação das demissões e dos trabalhadores que estão em "stand-by" aguardando as negociações da empresa com o estaleiro da OSX.
Eulálio diz ainda que seu sindicato aguarda também relatório da força-tarefa do Ministério do Trabalho, com auditores de Brasília, do Rio de Janeiro e da região, estão fazendo, a partir de auditoria solicitada pelo sindicato, sobre irregularidades denunciadas nas relações de trabalho dentro do Complexo do Açu.
Do ponto de vista social, para trabalhadores que voltaram para a região apostando no empreendimento e para jovens recém-formados, é lastimável o quadro. A localidade do Açu, segundo moradores, o sentimento de esvaziamento é muto maior agora, do que antes da chegada do empreendimento.
É grave a crise e parece que outras notícias ruins ainda estão chegando. O blog espera confirmar para passar aos nossos leitores e colaboradores.
Novas demissões e saída da frente de obras no estaleiro da OSX no Açu
O blog foi informado que a empresa de montagens industriais, ICEC parou as suas frentes de obras hoje e mandou o pessoal aguardar uma posição deles semana que vem, seguindo o que a espanhola Acciona havia feito.
O portal OZK informou que a empresa AGF demitiu nesta manhã 140 funcionários que atuavam no Açu. Quando chegaram para trabalhar eles foram orientados a voltar para os ônibus que irão diretamente para o escritório da empresa.
O portal OZK informou que a empresa AGF demitiu nesta manhã 140 funcionários que atuavam no Açu. Quando chegaram para trabalhar eles foram orientados a voltar para os ônibus que irão diretamente para o escritório da empresa.
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| Construção do estaleiro visto da estrada da Figueira que leva à localidade do Açu |
A AGF no Açu prestava serviços de apoio técnico profissional à fiscalização do contrato nas áreas de planejamento, controle, contratação, comunicação social, suprimento, projeto, licenciamento ambiental, qualidade, segurança e no âmbito de construção e montagem da unidade de construção naval Açu.
Outra informação que o blog recebeu é que a empresa que está avaliando e negociando as casas perto do Veiga é Avalicon que possui contrato com o grupo EBX. Esta empresa em engenharia, topografia e regularização fundiária.
Outra informação que o blog recebeu é que a empresa que está avaliando e negociando as casas perto do Veiga é Avalicon que possui contrato com o grupo EBX. Esta empresa em engenharia, topografia e regularização fundiária.
Justiça libera parcialmente a construção do Comperj em Itaboraí
Foi parcialmente suspensa a decisão judicial que paralisou as obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio) em Itaboraí.
Segundo a presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Marilene Ramos foram liberadas só as obras chamadas “intramuros”, isto é, que não abrangem os dutos e demais estruturas externas.
Segundo a presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Marilene Ramos foram liberadas só as obras chamadas “intramuros”, isto é, que não abrangem os dutos e demais estruturas externas.
A revogação parcial da sentença foi concedida pelo próprio juiz Eduardo Ribeiro Filho, da 2ª Vara Federal de Itaboraí, autor da decisão inicial em atendimento a uma ação do Ministério Público Federal, de 2008, o qual alegava que as avaliações dos impactos ambientais foram insuficientes.
Em favor das obras do Comperj, a Procuradoria-Geral do Estado já recorreu nessa quinta (16) ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).
Em favor das obras do Comperj, a Procuradoria-Geral do Estado já recorreu nessa quinta (16) ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).
Esta decisão está nas mãos do presidente do TRF2, desembargador Sérgio Schwaitzer, que deve analisar e decidir a questão até segunda -feira (20).
PS.: Fotos e informações da rede PetroNotícias.
É hoje Audiência Pública sobre a Rede de Prostituição Infantil em Campos
A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, junto da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e dos Idosos, também da Alerj, realiza nesta sexta-feira (17/06), às 14 horas, na Câmara Municipal de Campos, Audiência Pública visando esclarecer e trazer a verdade, sobre as graves denúncias de participação de pessoas "influentes" da sociedade, nesta rede de pedofilia, que já teria produzidos extorsões e assassinatos, entre outros crimes.
O silêncio impune precisa ser superado, as provas expostas para evitar impunidade e proteção a quem pretende se colocar acima da Lei.
O silêncio impune precisa ser superado, as provas expostas para evitar impunidade e proteção a quem pretende se colocar acima da Lei.
quinta-feira, maio 16, 2013
Brasil na OMC e outros significados
Está passando, a meu juízo, relativamente por baixo, a liderança dada ao Brasil, através do brasileiro Roberto Azevedo, na presidência da Organização Mundial de Comércio (OMC).
O jornal O Globo do último domingo preferiu, por exemplo, dizer na manchete que o Brasil é o 10º mais protecionista do mundo. Só que entre os nove primeiros estão Rússia, Índia e China (os RIC dos Brics) e ainda Reino Unido, Alemanha, EUA, Itália, França e Espanha.
O quadro mostra que as maiores economias de alguma forma, ou muitas protegem o seu mercado. Aliás, ele chegaram onde chegaram por exercerem algum grau de protecionismo que os liberais vociferam contra. O resto que se possa dizer sobre o assunto é bobagem.
Sobre o assunto e ainda sobre as estratégias dos países em desenvolvimento, o coreano Ha-Joo Chang é autor de interessantíssimos livros que tratam do assunto. No primeiro "Chutando a Escada" ele conta como os países ricos enriqueceram e agora "tentam chutar a escada pela qual subiram ao topo para impedir que os países em desenvolvimento adotem as políticas e as instituições que eles usaram". O segundo livro "O Mito do Livre-Comércio e Maus Samaritanos- A História Secreta do Capitalismo" que aprofunda o tema e desmonta a ideia dos mercados abertos.
Na semana passada, o blogueiro ouvindo o professor e economista Theotônio dos Santos, um dos principais formuladores mundiais da Teoria da Dependência, ele afirmou que o feito é realmente muito, muito especial.
O mestre Theotônio que é líder da cátedra sobre Economia Global da Unesco disse em uma de suas aulas, que nas esferas políticas dos organismos internacionais, algumas conquistas têm sido somadas pelos países chamados emergentes, mas, na esfera econômica é um fato que merece mais que registro, atenção, pelo que ela aponta:
“Além de tudo, foi uma vitória que juntou todos os países que antes chamávamos de “não alinhados”, contra os países ricos, aqueles que falam, mas nunca praticaram o tal “livre comércio”. A vitória na OMC juntou Brasil, China, Índia, os Brics, todos os não alinhados (que começaram a lutas na década de 50 para romper com as últimas colonizações) contra EUA, Inglaterra, França, Japão, etc.”
A OMC é o organismo em que os EUA ainda exercia toda a sua força hegemônica no campo econômico com domínio absoluto e inalcançável. Agora terá que negociar mais menos unilateral e mais multilateralmente.
O professor Theotônio dos Santos daria uma excelente entrevista sobre o assunto. Ele possui extensa produção acadêmica com quase uma centenas de livros que é muito mais editada e reconhecida fora do que no Brasil, foi recentemente citado em matéria de quase todo o caderno de literatura Prosa do jornal O Globo (leia aqui) junto com outros brasileiros formuladores da Teoria da Dependência.
O jornal O Globo do último domingo preferiu, por exemplo, dizer na manchete que o Brasil é o 10º mais protecionista do mundo. Só que entre os nove primeiros estão Rússia, Índia e China (os RIC dos Brics) e ainda Reino Unido, Alemanha, EUA, Itália, França e Espanha.
O quadro mostra que as maiores economias de alguma forma, ou muitas protegem o seu mercado. Aliás, ele chegaram onde chegaram por exercerem algum grau de protecionismo que os liberais vociferam contra. O resto que se possa dizer sobre o assunto é bobagem.
Sobre o assunto e ainda sobre as estratégias dos países em desenvolvimento, o coreano Ha-Joo Chang é autor de interessantíssimos livros que tratam do assunto. No primeiro "Chutando a Escada" ele conta como os países ricos enriqueceram e agora "tentam chutar a escada pela qual subiram ao topo para impedir que os países em desenvolvimento adotem as políticas e as instituições que eles usaram". O segundo livro "O Mito do Livre-Comércio e Maus Samaritanos- A História Secreta do Capitalismo" que aprofunda o tema e desmonta a ideia dos mercados abertos.
Na semana passada, o blogueiro ouvindo o professor e economista Theotônio dos Santos, um dos principais formuladores mundiais da Teoria da Dependência, ele afirmou que o feito é realmente muito, muito especial.
O mestre Theotônio que é líder da cátedra sobre Economia Global da Unesco disse em uma de suas aulas, que nas esferas políticas dos organismos internacionais, algumas conquistas têm sido somadas pelos países chamados emergentes, mas, na esfera econômica é um fato que merece mais que registro, atenção, pelo que ela aponta:
“Além de tudo, foi uma vitória que juntou todos os países que antes chamávamos de “não alinhados”, contra os países ricos, aqueles que falam, mas nunca praticaram o tal “livre comércio”. A vitória na OMC juntou Brasil, China, Índia, os Brics, todos os não alinhados (que começaram a lutas na década de 50 para romper com as últimas colonizações) contra EUA, Inglaterra, França, Japão, etc.”
A OMC é o organismo em que os EUA ainda exercia toda a sua força hegemônica no campo econômico com domínio absoluto e inalcançável. Agora terá que negociar mais menos unilateral e mais multilateralmente.
O professor Theotônio dos Santos daria uma excelente entrevista sobre o assunto. Ele possui extensa produção acadêmica com quase uma centenas de livros que é muito mais editada e reconhecida fora do que no Brasil, foi recentemente citado em matéria de quase todo o caderno de literatura Prosa do jornal O Globo (leia aqui) junto com outros brasileiros formuladores da Teoria da Dependência.
Balanço do estaleiro da OSX fala pouco das obras
Ontem, foi divulgado o balanço do primeiro trimestre do estaleiro da OSX. É bom lembrar para as pessoas que não acompanham o mercado financeiro que, embora, o estaleiro da OSX no Açu, ainda esteja sendo construído, a empresa é responsável por contratação, compra e aluguel de embarcações no grupo EBX, que hoje atende à empresa de petróleo do grupo, a OGX e tem encomendas de outras empresas do setor de petróleo.
Assim, a OSX divulgou que teve prejuízo de R$ 20 milhões no 1º trimestre deste ano, contra, um lucro de 10,2 milhões ano passado. Quanto a receita líquida da OSX ela ficou em R$ 96,1 milhões entre janeiro e março, uma queda de 9,1% na comparação com os R$ 105,7 milhões de igual período do ano passado.
O presidente da OSX, Carlos Bellot, afirmou em mensagem no balanço do primeiro trimestre da companhia, divulgado ontem, que a empresa de construção naval do Grupo EBX está “reavaliando o plano de negócios”, de forma buscar uma melhor adequação ao atual cenário da indústria de óleo e gás no Brasil.
Ainda na mensagem do presidente da OSX que acompanha o balanço ele diz: “A obra da fase inicial do estaleiro terá continuidade para atender a atual carteira de encomendas dos clientes, enquanto o cronograma de investimentos adicionais no estaleiro deve ser adaptado à eventual confirmação de novas encomendas de nossa clientela... A companhia vai atingir os objetivos de longo prazo “com firme disciplina de capital e priorização de esforços da equipe da OSX”.
Assim, a OSX divulgou que teve prejuízo de R$ 20 milhões no 1º trimestre deste ano, contra, um lucro de 10,2 milhões ano passado. Quanto a receita líquida da OSX ela ficou em R$ 96,1 milhões entre janeiro e março, uma queda de 9,1% na comparação com os R$ 105,7 milhões de igual período do ano passado.
O presidente da OSX, Carlos Bellot, afirmou em mensagem no balanço do primeiro trimestre da companhia, divulgado ontem, que a empresa de construção naval do Grupo EBX está “reavaliando o plano de negócios”, de forma buscar uma melhor adequação ao atual cenário da indústria de óleo e gás no Brasil.
Ainda na mensagem do presidente da OSX que acompanha o balanço ele diz: “A obra da fase inicial do estaleiro terá continuidade para atender a atual carteira de encomendas dos clientes, enquanto o cronograma de investimentos adicionais no estaleiro deve ser adaptado à eventual confirmação de novas encomendas de nossa clientela... A companhia vai atingir os objetivos de longo prazo “com firme disciplina de capital e priorização de esforços da equipe da OSX”.
Metade da população já tem acesso à internet, segundo o IBGE
Os números fechados agora e divulgados hoje, pelo IBGE, são referentes ao ano de 2011 e por eles é possível inferir que em 2012/2013 já passamos da metade de conectados à grande rede.
Este é um dado que contribui, e muito, para uma série de mudanças, já em curso na sociedade brasileira. Com o percentual de mais de 50% é, cada vez, mais urgente, a implantação do governo eletrônico nos diversos níveis, especialmente, aqueles mais próximos da população.
Pelos números de nosso estado, é possível também estimar que quase 2/3 da população fluminense tem hoje acesso à internet. Vamos ver se conseguimos descobrir o percentual da população campista que tem acesso à internet, assim como, dos demais municípios de nossa região.
Além da facilidade de acesso a informações e serviços públicos, a medida trará enormes ganhos para a desejada transparência dos atos administrativos, redução das despesas com comunicação social via mídia corporativa e também da democracia do debate sobre as poplíticas públicas que ela pode ensejar.
Veja abaixo mais detalhes na matéria do Valor Online:
Este é um dado que contribui, e muito, para uma série de mudanças, já em curso na sociedade brasileira. Com o percentual de mais de 50% é, cada vez, mais urgente, a implantação do governo eletrônico nos diversos níveis, especialmente, aqueles mais próximos da população.
Pelos números de nosso estado, é possível também estimar que quase 2/3 da população fluminense tem hoje acesso à internet. Vamos ver se conseguimos descobrir o percentual da população campista que tem acesso à internet, assim como, dos demais municípios de nossa região.
Além da facilidade de acesso a informações e serviços públicos, a medida trará enormes ganhos para a desejada transparência dos atos administrativos, redução das despesas com comunicação social via mídia corporativa e também da democracia do debate sobre as poplíticas públicas que ela pode ensejar.
Veja abaixo mais detalhes na matéria do Valor Online:
"IBGE: acesso à internet cresce e chega a 46,5% da população em 2011"
Quase a metade da população brasileira já tem acesso à internet. É o que mostrou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua pesquisa “Acesso à Internet e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal” com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
Segundo o levantamento, subiu de 41,6% para 46,5% entre 2009 e 2011 o total da população de dez anos ou mais de idade que tinha acesso ao serviço no momento da pesquisa.
Em números absolutos, 77,7 milhões de pessoas usavam internet em 2011, ante 67,7 milhões em 2009.
Os resultados comprovam trajetória ascendente no número de usuários do serviço. Em 2005, o acesso à internet foi observado em 20,9% da população-alvo, totalizando 31,9 milhões – sendo que, em 2008, o uso da internet já abrangia 34,7% do total, ou 55,7 milhões de pessoas.
Houve, portanto, aumento de 143,8% no número de usuários de internet – ou seja, em seis anos, 45,8 milhões passara a ter acesso ao serviço, segundo o IBGE.
Mais conectados
As unidades da federação que apresentaram em 2011 os maiores percentuais de internautas no total da população foram Distrito Federal (71,1%); São Paulo (59,5%); e Rio de Janeiro (54,5%).
Norte e Nordeste mostraram as menores parcelas de internautas em 2011 no total da população. É o caso de Maranhão (24,1%); Piauí (24,2%); e Pará (30,7%).
O desempenho dos Estados também se refletiu na evolução do número de internautas por grandes regiões. As que apresentaram as maiores parcelas de pessoas com acesso à internet no total do contingente populacional foram Sudeste (54,2%); Centro-Oeste (53,1%) e Sul (50,1%).
O IBGE também apurou que os jovens são maioria entre os internautas. As análises mostraram que 71,8% da população entre 18 e 19 anos tinha acesso ao serviço — sendo que esse percentual sobe para 74,1% na faixa etária entre 15 e 17 anos.
Ainda segundo o instituto, o acesso à internet para pessoas com idade entre 10 e 14 anos cresceu 114,5% entre 2005 e 2008 – sendo que, para todas faixas etárias, o aumento foi quase a metade desse percentual, de 55% no mesmo período.
Apesar dos homens ainda serem maioria entre os internautas, o acesso à internet cresceu mais entre as mulheres, entre 2009 e 2011. A parcela de homens que usavam o serviço, dentro do total do contingente masculino, subiu de 42,3% para 46,9%, no período — enquanto que, entre as mulheres, esse percentual passou de 41% para 46,1%.
O instituto comprovou ainda que, quanto maior o nível de escolaridade, mais elevada a parcela de internautas. Para aqueles sem instrução e com menos de quatro anos de estudo, em 2011, a fatia de pessoas que usavam internet no total era de 11,8%. Porém, entre aqueles com 15 anos ou mais de estudo, 90,2% acessavam internet.
PS.: Atualizado às 10:42: Os dados sobre uso de internet e celulares foram extraídos da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar). Esta pesquisa trabalha com dados das regiões metropolitanas não pesquisando o interior, por isto, não é possível extrair os dados de Campos e demais municípios do nossa região. Sobre uso de celulares, a pesquisa identificou um percentual próximo de 70%. 115,4 milhões de brasileiros usavam a telefonia celular em 2011. Nas próximas amostragem é provável que estes números se convirjam porque é cada vez maior o número de celulares com acesso à internet.
PS.: Atualizado às 10:42: Os dados sobre uso de internet e celulares foram extraídos da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar). Esta pesquisa trabalha com dados das regiões metropolitanas não pesquisando o interior, por isto, não é possível extrair os dados de Campos e demais municípios do nossa região. Sobre uso de celulares, a pesquisa identificou um percentual próximo de 70%. 115,4 milhões de brasileiros usavam a telefonia celular em 2011. Nas próximas amostragem é provável que estes números se convirjam porque é cada vez maior o número de celulares com acesso à internet.
Hugo Diniz e Éder Reis são eleitos presidente e vice do Sindicato dos Bancários
Em eleição realizada ontem, a Chapa 1 (única), encabeçada por Hugo André Lopes Diniz e Eder Reis, como vice, foi aclamada por 99,5% da categoria como a vencedora da eleição para presidência do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiros de Campos dos Goytacazes e Região (SBTRAF), para o mandato no período 2013/2017.
Dos 620 aptos a participarem do pleito, foram contabilizados 596 votos, sendo 593 na Chapa 1, três em branco e nenhum nulo. Onze urnas itinerantes percorreram as oito cidades que compõe a base territorial do SBTRAF (Campos dos Goytacazes, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, São Fidélis, Itaocara e Aperibé) e uma fixada na sede social da entidade.
O blog deseja sucesso no mandato à dupla de militantes em prol dos trabalhadores do setor bancário em nossa região.
Dos 620 aptos a participarem do pleito, foram contabilizados 596 votos, sendo 593 na Chapa 1, três em branco e nenhum nulo. Onze urnas itinerantes percorreram as oito cidades que compõe a base territorial do SBTRAF (Campos dos Goytacazes, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, São Fidélis, Itaocara e Aperibé) e uma fixada na sede social da entidade.
O blog deseja sucesso no mandato à dupla de militantes em prol dos trabalhadores do setor bancário em nossa região.
PS.: Fotos e informações da Assessoria de Imprensa.
quarta-feira, maio 15, 2013
Ministério do Trabalho inspeciona obras do Complexo do Açu
O blog recebeu a informação de que o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) está realizando fiscalização e diligências nas obras de implantação do Complexo do Açu. O próprio subdelegado do Trabalho na região Norte Fluminense participa da inspeção das condições de trabalho no Complexo do Açu.
Informações de hoje sobre o Complexo do Açu
Abaixo alguma das informações obtidas hoje pelo blog:
1 - Há negociadores adquirindo áreas no entorno (vizinhança) do estaleiro. Quatro casas já foram negociadas na margem do Veiga na direção/divisa com o estaleiro. Os valores já foram acordados e os pagamentos deverão ser feitos ainda esta semana;
2 - Há uma empresa contratada (particular) medindo o canal do Veiga, inclusive no perímetro urbano;
3 - A empresa espanhola FCC já está contratando pessoal para atuar nos diques no terminal TX-1;
4 - A empresa de montagens industriais ICEC continua com redução de pessoal que está se desligando. A empresa nega que esteja fazendo demissões e que aguarda posição da OSX, esperando cumprir o contrato firmado. O Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil confirmou ao blog que está havendo demissões na empresa. O blog também obteve informações que a ICEC está retirando equipamentos e materiais da obra do estaleiro.
PS.: Atualizado às 19:04: O Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil de Campos e Região informou que uma nova reunião com os representantes da Acciona e trabalhadores da empresa espanhola que está com 1,6 mil trabalhadores em casa aguardando decisão sobre o retorno das atividades de montagem do estaleiro deverá acontecer na próxima sexta, ou segunda da semana que vem.
1 - Há negociadores adquirindo áreas no entorno (vizinhança) do estaleiro. Quatro casas já foram negociadas na margem do Veiga na direção/divisa com o estaleiro. Os valores já foram acordados e os pagamentos deverão ser feitos ainda esta semana;
2 - Há uma empresa contratada (particular) medindo o canal do Veiga, inclusive no perímetro urbano;
3 - A empresa espanhola FCC já está contratando pessoal para atuar nos diques no terminal TX-1;
4 - A empresa de montagens industriais ICEC continua com redução de pessoal que está se desligando. A empresa nega que esteja fazendo demissões e que aguarda posição da OSX, esperando cumprir o contrato firmado. O Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil confirmou ao blog que está havendo demissões na empresa. O blog também obteve informações que a ICEC está retirando equipamentos e materiais da obra do estaleiro.
PS.: Atualizado às 19:04: O Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil de Campos e Região informou que uma nova reunião com os representantes da Acciona e trabalhadores da empresa espanhola que está com 1,6 mil trabalhadores em casa aguardando decisão sobre o retorno das atividades de montagem do estaleiro deverá acontecer na próxima sexta, ou segunda da semana que vem.
IPTU diferenciado em Joinville-SC
O Tribunal de Justiça de Santa catarina decidiu dar provimento ao recurso interposto pela Prefeitura de Joinville, no estado de Santa Catarina para garantir seu direito de estabelecer alíquotas diferenciada a munícipes que apresentem muros e calçadas construídos conforme padrões urbanísticos exigidos. Neste caso, a alíquota será de 0,5%. Já o cidadão que não adota tais cuidados pagará imposto com alíquota de 2%.
A decisão reforçou a tese de que a destinação e o uso dos imóveis podem ser utilizados como balizadores para a fixação das alíquotas do IPTU em um dado município, desde que aplicados de forma a promover e orientar o adequado desenvolvimento urbano.
Esta é uma boa notícia, embora, haja decisões em outras comarcas e instâncias com entendimento diverso.
Ela facilita a emissão de um instrumento de estímulo, por exemplo à preservação dos imóveis, que são considerados patrimônio históricos e de interesse coletivo, desde que bem mantido pelo proprietário, como redução das alíquotas do IPTU.
Ate onde o blog sabe, o IPTU progressivo previsto no Estatuto da Cidade foi considerado inconstitucional pelo STF. Em vários julgamentos a Suprema Corte não admitiu a progressividade do IPTU, que prevê aumento de alíquotas, caso, o proprietário de terreno ou casas, esteja, com a falta de uso, claramente especulando sobre o valor do imóvel.
A decisão reforçou a tese de que a destinação e o uso dos imóveis podem ser utilizados como balizadores para a fixação das alíquotas do IPTU em um dado município, desde que aplicados de forma a promover e orientar o adequado desenvolvimento urbano.
Esta é uma boa notícia, embora, haja decisões em outras comarcas e instâncias com entendimento diverso.
Ela facilita a emissão de um instrumento de estímulo, por exemplo à preservação dos imóveis, que são considerados patrimônio históricos e de interesse coletivo, desde que bem mantido pelo proprietário, como redução das alíquotas do IPTU.
Ate onde o blog sabe, o IPTU progressivo previsto no Estatuto da Cidade foi considerado inconstitucional pelo STF. Em vários julgamentos a Suprema Corte não admitiu a progressividade do IPTU, que prevê aumento de alíquotas, caso, o proprietário de terreno ou casas, esteja, com a falta de uso, claramente especulando sobre o valor do imóvel.
O assunto é controverso no campo jurídico. Uma Emenda Constitucional teria possibilitado aos municípios a instituição de alíquotas progressivas de IPTU em razão do valor, localização e uso de imóvel.
Enfim, interessante o caso de Joinville, porque o mesmo suscita um debate mais amplo sobre a tributação de propriedades envolvendo o seu uso.
Monopólio privado é um câncer a ser extirpado não só em Campos
O câncer tem sido uma das doenças que mais tem matado em Campos. Por outro lado, contraditoriamente, a doença tem também trazido luxo e riqueza para algum(ns) pouco(s). Câncer para o povo é doença, para outros é fonte de lucros.
Por convicção e posição política sou defensor da Saúde Pública. Admito com má vontade a complementariedade do sistema público, através do sistema privado e/ou filantrópico, nesta área que mexe de forma tão direta com a vida das pessoas e que coloca gestores, profissionais e donos de negócio de saúde, diante de pessoas e famílias vulneráveis e fragilizadas pela doença e por tudo que a cerca.
O Estado na sociedade moderna é a forma que a humanidade encontrou para organizar a vida em sociedade visando o bem comum. Só Estado tem o direito ao monopólio de atuação, assim mesmo em algumas áreas.
Poderia falar um pouco mais como usuário e como membro da sociedade sobre a saúde, atendida pelo ente privado, nas lacunas do sistema público, mas quero me ater à querela do momento na área de oncologia.
Não seria crível se não fosse real, ver um agente privado do setor ensejar uma disputa com o propósito básico de manter a hegemonia, ou retomar o monopólio que por décadas se sustentou, basicamente com o financiamento público. Uma vil, simples e cruel disputa de mercado.
A cidade cresceu, sua população idem, assim como o crescimento exponencial da doença entre os nossos conterrâneos. Em meio a este cenário, ainda há quem queira ter o controle do tratamento que se mantém financiado, em grande parte pelo Estado, que hoje, corretamente, exige o tratamento integrado do doente e não mais as terapias isoladas, desumanas e lucrativas para alguns.
Fora as querelas e pendências que devem ser explicadas por quem de direito, junto aos órgãos de controle e fiscalização públicos, na condição de cidadão, é difícil imaginar o cidadão doente e vulnerável ter que confiar atendimento a quem mais que tudo luta pelo monopólio e pela exclusividade de mercado com o intuito claro da obtenção do lucro.
Mais cruel ainda é ver que a Via escolhida para tal empreitada tenha sida a que propõe falsamente, a imparcialidade e que se apresenta como alternativa de mídia corporativa, quando na prática serve apenas de defesa exclusiva dos interesses do patrão e dono.
O monopólio (que não seja do Estado) precisa ser como o câncer extirpado antes de ser tratado. Isto vale para Campos, ou em qualquer outro lugar do planeta, em que o ser humano tem que ser a maior razão de ser de uma sociedade sã e merecedora de algum crédito.
Por convicção e posição política sou defensor da Saúde Pública. Admito com má vontade a complementariedade do sistema público, através do sistema privado e/ou filantrópico, nesta área que mexe de forma tão direta com a vida das pessoas e que coloca gestores, profissionais e donos de negócio de saúde, diante de pessoas e famílias vulneráveis e fragilizadas pela doença e por tudo que a cerca.
O Estado na sociedade moderna é a forma que a humanidade encontrou para organizar a vida em sociedade visando o bem comum. Só Estado tem o direito ao monopólio de atuação, assim mesmo em algumas áreas.
Poderia falar um pouco mais como usuário e como membro da sociedade sobre a saúde, atendida pelo ente privado, nas lacunas do sistema público, mas quero me ater à querela do momento na área de oncologia.
Não seria crível se não fosse real, ver um agente privado do setor ensejar uma disputa com o propósito básico de manter a hegemonia, ou retomar o monopólio que por décadas se sustentou, basicamente com o financiamento público. Uma vil, simples e cruel disputa de mercado.
A cidade cresceu, sua população idem, assim como o crescimento exponencial da doença entre os nossos conterrâneos. Em meio a este cenário, ainda há quem queira ter o controle do tratamento que se mantém financiado, em grande parte pelo Estado, que hoje, corretamente, exige o tratamento integrado do doente e não mais as terapias isoladas, desumanas e lucrativas para alguns.
Fora as querelas e pendências que devem ser explicadas por quem de direito, junto aos órgãos de controle e fiscalização públicos, na condição de cidadão, é difícil imaginar o cidadão doente e vulnerável ter que confiar atendimento a quem mais que tudo luta pelo monopólio e pela exclusividade de mercado com o intuito claro da obtenção do lucro.
Mais cruel ainda é ver que a Via escolhida para tal empreitada tenha sida a que propõe falsamente, a imparcialidade e que se apresenta como alternativa de mídia corporativa, quando na prática serve apenas de defesa exclusiva dos interesses do patrão e dono.
O monopólio (que não seja do Estado) precisa ser como o câncer extirpado antes de ser tratado. Isto vale para Campos, ou em qualquer outro lugar do planeta, em que o ser humano tem que ser a maior razão de ser de uma sociedade sã e merecedora de algum crédito.
A polêmica votação da MP dos Portos
Abaixo matéria do Valor Online. A maioria defende agilidade para que a infraestrutura de logística do país avance, porém, a base do governo se dividiu, assim como da oposição, assim, o governo fez o bom combate e saiu vitorioso, em meio a interesses de tudo em que foi lado. Confira a reportagem:
Governo derrota Eduardo Cunha em votação da
MP dos Portos
Por Caio Junqueira, Yvna Sousa e André Borges | Valor
BRASÍLIA - Por 210 votos contra e 172 a favor, a Câmara dos Deputados rejeitou na noite desta terça-feira uma emenda aglutinativa do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), à MP dos Portos.
A aprovação representa uma vitória para o Palácio do Planalto, pois contém um trecho em que houve maior tensão entre o pemedebista e o governo. Trata-se de dispositivo determinando que a prorrogação antecipada dos contratos de arrendamento posteriores a 1993 (quando entrou em vigor a Lei dos Portos) “poderá ocorrer” uma única vez e pelo prazo máximo previsto em contrato, desde que fossem realizados investimentos.
O trecho, porém, já era uma segunda versão formulada por Cunha, mais flexível. Na primeira emenda apresentada por ele, tal prorrogação obrigatoriamente seria feita uma única vez, impedindo renovações sucessivas. A modificação por Cunha foi, portanto, uma tentativa de negociar com o Planalto sua aprovação. Em ambos os casos, contudo, o governo se posicionou contrariamente a esse trecho especificamente.
A aprovação, porém, demonstra a ocorrência de um racha na base. Orientaram a votação a favor da emenda de Cunha as bancadas do PMDB, PSD, PP, PSB, PTB, PSC e PPS. Contra a emenda orientaram PT, PR, PTdoB, PRP, PDT, PCdoB, PV, PRB e PSOL.
Os outros pontos modificados pela emenda decorriam das concessões feitas pelo governo e negociadas entre o vice-presidente da República, Michel Temer, também presidente nacional do PMDB, e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
Um deles permite que a União delegue às administrações estaduais de portos públicos a formulação dos editais e a realização dos procedimentos licitatórios dos terminais.
terça-feira, maio 14, 2013
Setor imobiliário em Campos
No dia 28 de março este blog publicou neste espaço um texto analisando e comparando o setor imobiliário de Campos e Macaé. (Veja aqui)
Há pouco mais de quinze dias este blogueiro foi procurado pela jornalista Keylla Thederich, do jornal O Diário, interessada numa entrevista para uma matéria com enfoque na "explosão imobiliária em Campos".
Conversamos por email e respondi a algumas perguntas e a matéria, por razões compreensíveis tomou um outro caminho. Vi no site do jornal que a matéria foi publicada no último sábado, dia 11 de maio, enfocando a verticalização e a geração de empregos na construção civil no município de Campos dos Goytacazes. A reportagem pode ser lida aqui.
Por entender que o assunto merece maior aprofundamento e debates, este blogueiro tomou a decisão de expor aqui, neste espaço, questões tratadas na conversa com a jornalista que aprofundam a discussão sobre habitação, urbanismo, especulação imobiliária, política, economia, emprego, etc.
Confira abaixo:
1) Qual a sua avaliação sobre o crescimento imobiliário em Campos? Por que e há quanto tempo ele acontece?
2) De que maneira isso reflete na economia da cidade e quais são suas consequências?
3) Qual o interesse dessas empresas de fora entrarem no mercado de Campos?
4) Qual o déficit de moradias em Campos?
Há pouco mais de quinze dias este blogueiro foi procurado pela jornalista Keylla Thederich, do jornal O Diário, interessada numa entrevista para uma matéria com enfoque na "explosão imobiliária em Campos".
Conversamos por email e respondi a algumas perguntas e a matéria, por razões compreensíveis tomou um outro caminho. Vi no site do jornal que a matéria foi publicada no último sábado, dia 11 de maio, enfocando a verticalização e a geração de empregos na construção civil no município de Campos dos Goytacazes. A reportagem pode ser lida aqui.
Por entender que o assunto merece maior aprofundamento e debates, este blogueiro tomou a decisão de expor aqui, neste espaço, questões tratadas na conversa com a jornalista que aprofundam a discussão sobre habitação, urbanismo, especulação imobiliária, política, economia, emprego, etc.
Confira abaixo:
1) Qual a sua avaliação sobre o crescimento imobiliário em Campos? Por que e há quanto tempo ele acontece?
Roberto Moraes: O setor imobiliário cresce em todo o Brasil, especialmente
nas cidades de porte médio, polos regionais. Com o crescimento da população, da
inclusão social e do seu poder aquisitivo, ampliam-se as possibilidades de
aquisição da moradia que também foi muito facilitada pelo governo federal com financiamento
mais baratos, relativamente desburocratizados, como no caso do programa PAC - Minha
Casa, Minha Vida. Além de tudo, o direito à moradia é ABSOLUTO. A professora
Ermínia Maricato, que foi secretária-executiva do Ministério das Cidades,
sempre disse que a casa é a mais cara entre as mercadorias de consumo privado (roupas,
sapatos, carros, etc.). Nem todo mundo tem carro, mas todos têm que morar.
Roberto Moraes: A primeira consequência é o aumento do número de empregos
que é positivo. Pelo MTE (Caged), o município de Campos tem 8,2 mil
trabalhadores com carteira assinada na construção civil. Para o sindicato dos
trabalhadores, este número é atualmente de 11,8 mil trabalhadores. O percentual
de 13% dos trabalhadores nesta atividade, em relação ao total 83,6 mil trabalhadores,
com carteira assinada em Campos é, proporcionalmente maior do que os 7% no
plano nacional. Porém, a questão imobiliária envolve a cidade e seu
planejamento. A cidade não é apenas o lugar onde o cidadão vive, mora e
trabalha, mas, também onde se gera lucros, para alguns, às vezes a qualquer
preço. A questão imobiliária tem relação com a moradia, mas, também com a
questão urbana, da mobilidade, do transporte, cultura, etc., ou seja, para onde,
e de que forma a cidade vai se expandir. Isto tem que ser regulado pelo poder
público através do seu Plano Diretor e da Lei Orgânica do Município.
Roberto Moraes: Este é um ponto interessante. As grandes construtoras (na
verdade sete) identificaram demandas e possibilidades de expandir seus ganhos
para além das metrópoles. Assim chegaram às cidades de porte médio e polo
regional como Campos. Trata-se de grandes grupos em busca de lucros e da
captação daquilo que os economistas chamam do excedente de dinheiro em
circulação nestas cidades-polo. Compram terras nas periferias, ou nos vazios
urbanos, estimulando ganhos com renda patrimonial e juros de quem tem poupança.
Todo mundo sabe que os bancos em Campos, historicamente, são mais captadores de
dinheiro do que investidores. O ambiente construído é um dreno para o capital
excedente na sociedade. No caso específico de Campos, dinheiro gerado pelos
profissionais liberais em grande quantidade e por funcionários públicos. É
também nesta atividade que desaguam os dinheiros da corrupção, que acabam
lavados na falsa valorização, como se fossem lucros, impulsionando ainda mais a
especulação, numa ciranda que faz o cidadão dançar em meio à multiplicação de
lucros.
Roberto Moraes: Este é um dado curioso. Pelo Censo 2010 do IBGE, Campos tinha
142 mil domicílios. Destes, 31 mil (22%) não estão ocupados e 21 mil (15%)
estavam vagos e 10 mil (6%) tinham usos ocasionais. Portanto, um quantitativo
de 62 mil moradias, quase metade do total de domicílios, sem uso permanente. De
outro lado, também pelo Censo 2010, havia cerca de 5 mil domicílios em favelas,
17 mil imóveis alugados e 11 mil cedidos ou emprestados. Se somarmos a estes 33
mil, as chamadas co-habitação (parentes-filhos, morando juntos, mas planejando
morar independente) estimada em 4 mil, mais a demandas de novos moradores, também
estimada em 5 mil interessados, teríamos um déficit de cerca de 40 mil moradias
em Campos. Este número poderia ser muito bem atendido pelos domicílios vagos e
sem uso permanente. Daí se conclui que, muito mais que demanda, há especulação
para aumento dos valores para venda e aluguel, além de interesses na aquisição
para obtenção de renda de aluguel, juntando aí interesses de imobiliárias,
financeiras, incorporadoras, construtoras e também dos poderes políticos. Só em
2012, 14 imobiliárias se formalizaram na cidade.
5) Na
sua opinião, Campos vai se transformar em um município dormitório como Rio das
Ostras?
Roberto Moraes: Não há esta possibilidade no médio espaço de tempo. Nunca
uma cidade 15 vezes maior que a outra, que é polo comercial e de serviços, se
transformaria em dormitório da outra, com isto que os técnicos chamam de
movimento pendular, trabalhadores morando numa cidade e trabalhando em outra.
Campos, normalmente, já tem muitos trabalhadores atraídos para o trabalho no
Complexo do Açu, pelo seu porte, densidade populacional e pela sua qualificação
profissional. Porém, pelos seus atrativos de serviços de educação, saúde e
lazer, Campos também atrai trabalhadores que vieram de fora da região e que já
fazem opção em morar na cidade maior, mesmo que mais distante do trabalho, mas,
com o conforto destas alternativas.
6) Outra
questão é por que os empreendimentos estão sendo construídos aqui e não em São
João da Barra, que tem o Porto do Açu?
Roberto Moraes: Acho que já respondi acima. Mas aproveito para insistir num
ponto. A habitação orienta a valorização imobiliária e fundiária com muitos e
poderosos interesses. O capital imobiliário explora a cidade visando rendas,
terras e imóveis através de incorporadores. O boom imobiliário não deve ser pensado como uma questão natural
fruto do chamado “progresso” e sim como uma etapa de um desenvolvimento de um
município que se espera para todos. Há na questão imobiliária, dois interesses em grande e permanente
oposição: usuários x setor imobiliário. Por isto é necessário o Programa de
Habitação de Interesse Social e é bem-vindo o Programa Morar Feliz da PMCG,
apesar dos seus altos custos. O setor imobiliário precisa pensar a cidade como
um todo, evitar a expulsão e a segregação de moradores nas periferias, cuidar
da preservação ambiental e por isto, precisa ser regulado pelo Estado (Poder
Público) sobre os interesses privados e dos lucros. A questão imobiliária
deveria ser planejada sob a ótica do interesse público usando o Estatuto da
Cidade e o Plano Diretor como referências, para que possam ter uma cidade
melhor para morar e viver em comunidade.
PS.: Abaixo a tabela
montada pelo blog com dados comparativos entre Campos e Macaé que foi objeto de uma postagem no dia 28 de março, comparando preços de venda
e aluguéis de imóveis nas duas principais cidades do Norte Fluminense.
segunda-feira, maio 13, 2013
Informações do dia sobre o andamento da situação no Complexo do Açu
Como não poderia deixar de ser, é grande a pressão, assim como a boataria
sobre as possibilidades e os desdobramentos da implantação dos empreendimentos
no Complexo do Açu. Procurando separar uma coisa de outra, o blog traz novas informações do Açu:
- Até o fim do mês haveria enxugamento também na LLX;
- Um número (quase cabalístico) e final dos funcionários da OSX que vão ficar no estaleiro seria de 102 trabalhadores próprios, já listados;
- Os estagiários da OSX (que possuem bolsa de apenas R$ 800,00) também estão com aviso e serão dispensados no final do mês.
- A ICEC está dispensando (demitindo a pedido, segundo a própria) os funcionários que moram fora da região e que não estão fazendo horas extras. Este número teria subido para 90 (noventa);
- As obras do estaleiro estão praticamente paralisadas até os guindasteiros (da empresa VGN) estão praticamente sem trabalho, pois, sem o pessoal da Acciona para dar andamento nas obras, o material que chega não tem para onde ir.
- Antes se dizia que em trinta dias, até o início de junho o ritmo poderia ser retomado, mas, já se fala em 90 dias;
- A Acciona estaria tentando negociar e repassar o alojamento que construiu na localidade do Açu, em área próxima, quase vizinha ao estaleiro;
- Informações também dão conta de que a FCC já está com escritório montado em Campos e que começaria a contratar trabalhadores, dando prioridade aos que foram demitidos da Acciona.
- Continua suspenso o pagamento da OSX às empresas terceirizadas para a construção do estaleiro. Este fato teria sido determinante para o atraso do pagamento de salários na ICEC, que só foi feito em consequência da manifestação dos trabalhadores, já que duas promessas anteriores já teriam sido descumpridas;
- A empresa que está instalando as torres de transmissão de energia elétrica da Ampla já chegou com as frentes de trabalho no Açu.
- Henrique Thoni investidor do grupo X informa que os caixões da FCC que foram trazidos da Espanha para o Rio, já foram descarregados do navio Black Marlin e estão sendo rebocadas para o Porto do Açu. Diversas fotos do descarregamento feito na Baía de Guanabara foram enviadas ao blog e uma está postada abaixo.
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