quinta-feira, novembro 20, 2014

O preço da terra agricultável na Espanha

A Espanha tem uma área aproximadamente igual ao nosso estado de Minas Gerais, só que no sul da Europa, com um enorme mercado. Assim, é complicado comparar o valor da terra nos dois países.

Porém conhecer seus preços e tentar entender a lógica da formação do seu valor parece um exercício interessante, embora, eu não tenha cabedal para isto.

Mas o fato de estar aqui e de alguma forma estar tentando entender a realidade da economia global e imaginar que outros curiosos possam ter o mesmo interesse, eu vou aqui juntar algumas das informações veiculadas em uma matéria do El País da semana passada sobre o tema.

O título da reportagem é "Os preços da terra baixam pele sexto ano - O hectare de terra de bananeira (agricultável) custa 210 mil euros (R$ 700 mil), o de pastagem apenas 2,5 mil euros (R$ 8,2 mil)".

No meio do título e subtítulo, eu tenho algumas dúvidas sobre os tipos de terra que se referem, mas a discrepância chama a atenção para o valor de uso e não de propriedade.

A matéria segue dizendo que os preços da terra para uso agrícola em termos correntes caiu 0,7% em 2013, segundo pesquisa do Ministério da Agricultura da Espanha, que diz que a média se situaria em 9.663 euros (R$ 31,8 mil, considerando o euro a R$ 3,33).

Os preços estariam caindo desde 2007, quando esteve a 11.070 euros. Segundo o Ministério da Agricultura, a "Política Agrícola Comum" interferiu nesses preços. Porém, no momento a atual relação de preços teria mais a ver com os preços de mercado para o que se produz nas terras, nos cultivos de inverno, em algumas frutas, cítricos, vinho e azeite que estariam com preços baixos.

Os preços mais altos de terra seriam nas Ilhas Canárias, onde o hectare está valendo quase 60 mil euros e os mais baixos correspondem às áreas do Aragón e Extremadura, onde a maior parte é de área de pastagem, com valores em torno de 2 mil euros.

Já o preço médio de um hectare de vinhedo seria de 12,5 mil euros, embora com altas variações conforme a região. Terras de oliveiras estão em torno de 18,5 mil euros, embora em Aragon e Extremadura, o hectare de oliveira possa valer 5 mil euros e 25 mil na região da Andaluzia.

Enfim, difícil para quem não é do ramo compreender estes valores e, se for o caso, fazer comparações com terras e usos tão distintos em um país continental e tropical como o nosso Brasil, onde as terras estão cada vez mais nas mãos de latifundiários e grandes corporações. Além disso, temos um clima tão diverso e um país com área total muito maior que a Espanha.

De qualquer forma, aí estão as informações. Encerro o assunto repetindo que o que mais me chamou a atenção no valor da terra rural é que eles estaria mais ligado ao seu uso e, aparentemente, menos às especulações. Com a palavra quem entende do assunto.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Inacreditável! Como Campos gastou R$ 16,1 bilhões em uma década?

E chegou o dia. Os gastos crescentes e difíceis de serem enxergados chegou a um ponto onde era difícil de se imaginar: o de empenhar com bancos o dinheiro futuro, ainda a receber.

Observem o susto que tivemos no final de 2012, início de 2013 com a quase alteração dos critérios de rateio na distribuição dos royalties do petróleo, que já alertava contra a gastança e, especialmente o mau uso e a finitude da receita dos royalties, antes mesmo do fim das reservas do bem mineral finito que é o petróleo.

Parece não ter sido suficiente o susto, só suspenso com um providencial e uma bem sustentada defesa jurídica feita à ocasião, pelo então procurador do estado e atual ministro do STF, Luiz Barroso.

É inacreditável que se tenha gasto em uma década R$ 16,1 bilhões e cheguemos ao final de 2014 necessitando empenhar receitas futuras dos royalties.

É inacreditável.

Vejam abaixo a tabela da evolução orçamentária da última década entre 2005 e 2014 que fiz questão de organizar para que nossos leitores e colaboradores possam assim rever e compreender o quadro atual:













É difícil imaginar como foi possível chegar a essa situação sem que nada de especial estivesse sido feito em nosso município.

Desde o ano de 2001, este blogueiro alerta para a questão. Inicialmente elaborando o documento "Radiografando o Orçamento de Campos- Raio X" e participando dos debates sobre a elaboração orçamentária na Câmara Municipal.

Infelizmente neste período os exemplos de mau uso foram vários e conhecidos. A seguir o blogueiro passou a se ater a notas aqui no blog sobre as propostas orçamentárias.

Uma dessas notas foi publicada em dezembro de 2010: aqui, o blog, mais um vez fez uma compilação destes dados, comparando o orçamento total, às receitas dos royalties do petróleo, chamando a atenção para as graves distorções. Em março do ano passado diante da crise fizemos aqui outra avaliação sobre o problema, mas parece que a questão foi completamente desconsiderada.

Infelizmente, mesmo que algumas mudanças tenham ocorrido, parece que na essência os problemas dos gastos permaneceram e o susto com a possível finalização das receitas não foram suficientes, para mudanças de postura, revisão dos preços dos milionários contratos de pessoal, serviços e obras.

É pueril se alegar problemas na economia internacional ou nacional para a situação local, porque desde os debates em 2001, a não ser que estivessem à época dormindo, já se falava que esta receita era variável ao preço do petróleo no mercado internacional e à variação do dólar.

Enfim, mais que inacreditável, é lamentável. Espera-se que a população campista tenha noção desta realidade para além das reclamações da falta de dinheiro que deixa de irrigar empreiteiras e comércio.

Repito: inacreditável!

Não se tratam de R$ 16 milhões e sim, R$ 16,1 bilhões, numa década e ainda assim precisamos empenhar receitas futuras?

Com a palavra, os vereadores que têm o papel de fiscalizar, o Ministério Público, enfim, à sociedade campista!

terça-feira, novembro 18, 2014

Oligopólios seguem crescendo no setor de petróleo: Halliburton compra Baker

Como já se sabe uma das formas de garantir melhor remuneração pelos serviços é a redução das concorrência. Num setor já extremamente especializado e que exige grandes investimentos como sabidamente é o de óleo e gás o caso é ainda mais complicado.

É assim que recebe a notícia sobre a "fusão" de duas corporações da área de serviços para o mercado de petróleo como a Halliburton, a segunda maior do mundo, com a terceira, a Baker Hughes, a terceira da lista mundial.

O negócio considerado um dos maiores do mundo no setor, de compra feita no valor anunciado de US$ 34,6 bilhões, feita entre as companhias americanas visa concorrer mais de perto com a francesa Schlumberger, líder mundial no fornecimento de serviços à indústria de petróleo.

As três atuam fortemente no setor de óleo e gás no Brasil, especialmente na prestação de serviços à Petrobras na Bacia de Campos. Elas atuam em serviços em poços e fluidos.

As três são antigas contratantes de técnicos formados pelo IFF (ex-Cefet Campos). Atualmente, há diversos técnicos brasileiros espalhados mundo afora atuando nessas empresas que faturam alto, como é comum nos contratos no setor de óleo e gás.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Possíveis consequências para a região da operação Lava a Jato

A primeira é relativa ao setor naval e possibilidades junto ao Porto do Açu e, talvez, junto ao projeto de Barra do Furado, se este conseguir resolver alguns de seus problemas estruturais. Como se sabe uma boa parte dos empreiteiros detidos na operação Lava a Jato são prestadores de serviços da Petrobras e um dos setores mais atingido é o de empresas que atuam no setor de construção naval.

Tendo em vista a demanda por embarcações e plataformas para dar conta da exploração na camada do pré-sal e a possível inviabilização de participação de algumas delas, depois dos problemas que as investigações estão levantando, é possível estimar que outros atores e estaleiros assumam projetos antigos e novos. O fato pode vir a confirmar o uso da área da UCN no Açu para estes projetos. Os que acompanham o blog sabem das alternativas.

A segunda também relacionada ao setor naval, se refere a um empreendimento já instalado no Açu. Trata-se do Consórcio Integra (Mendes Jr e OSX). A prisão do vice-presidente da Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, pode alterar o curso do Consórcio Integra que atua na montagem da plataforma, P-67, junto ao terminal 2 do Porto do Açu.

O Consórcio Integra tem a participação da OSX, além da Mendes Jr. Porém, como a primeira está em processo de recuperação judicial, a relação no empreendimento de montagem naval tem sido basicamente de ceder área junto ao Porto do Açu, na entrada do canal do Terminal 2 para a montagem dos módulos da plataforma.

Segundo apurou o blog, outro FPSO, a P-70 que também teria módulos montados pelo Consórcio Integra no Açu, onde seria também integrado ao casco do navio para se transformar numa plataforma tipo FPSO, já estaria sendo redirecionado pela Sete Brasil para ser montado na China.

A última conseqüência possível seria a de saber até onde a prisão do diretor-geral de desenvolvimento comercial da Vital Engenharia, Othon Zanoide de Moraes Filho, empresa do grupo Queiroz Galvão pode trazer informações sobre eventuais problemas em outros contratos desta empresa.

Como se sabe, a Vital Engenharia é prestadora de serviços junto à Prefeitura de Campos dos Goytacazes na área de Limpeza Pública e Lixo. Na PMCG, a Vital Engenharia possui um contrato que está em vigência há mais de oito anos, com valor anual próximo dos R$ 100 milhões. Como também se sabe o presidente do grupo Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho também foi detido na Operação Lava a Jato.

A conferir!

E os terráqueos chegam próximo do disco voador

A empresa Airbus patenteou o projeto de um avião com estrutura circular e assentos com forma de silin de bicicleta. A matéria é do El País. Se desejar ler a reportagem clique aqui.

Assim o disco voador será coisa também nossa, dos terráqueos. Só falta marcar a viagem para Marte, Júpiter...

O mundo está mesmo de contra-cabeça!


domingo, novembro 16, 2014

Gasoduto da Petrobras explode em Carmópolis, SE

Aconteceu no final da tarde deste domingo uma explosão num gasoduto da Petrobras, no município de Carmópolis, em Sergipe. A explosão seguida de incêndio ocorreu numa linha de 12 polegadas que trabalha com uma pressão de 60 Kgf/cm² de pressão, segundo informações que o blog recebeu de um técnico. Bombeiro e ambulâncias foram para o local, mas, as primeiras notícias dão conta de não haver feridos.
















PS.: Atualizado às 21:22: Vídeo do incêndio no gasoduto depois da explosão:

video
















PS.: Atualizado às 21:40 e 21:28: Outro vídeo que mostra da estrada o incêndio no gasoduto na altura em que o mesmo percorre uma fazenda. O incêndio seguiu à explosão aconteceu próximo da estação de tratamento de petróleo da região de Entre Rios, trecho do gasoduto que liga a estação de Robalo a uma unidade do município de Carmópolis, no estado do Sergipe.

video

Pensar fora do quadrado como parte do esforço intelectual de abstração

Estudando, vivendo e aprendendo. Não necessariamente nesta ordem. 

Minha formação escolar se deu na área tecnológica. Só mais adiante eu fui caminhando para outras ciências, embora a formação cidadã - não escolar e política - tenha me propiciado circular por outras áreas, especialmente as sociais, no campo das humanidades.

Não tem tanto tempo assim, eu ouvi, ou li, a expressão da necessidade em “pensar fora do quadrado”. A ideia é de que se faça esforço de compreensão de algumas questões que não são entendíveis nas lógicas dos quadrados que conhecemos.

Assim, eu passei a identificar que pensar fora do quadrado no esforço de análise, se não gera compreensão daquilo que não se compreende, de outra form, possibilita pelo seu exercício intelectual, questionar lógicas sustentadas até por aberrações encobertas pelo costume ou pela repetição.

Mais ou menos por aí é que acabei tendo acesso, em meio à leitura de alguns pensamentos geográficos - para tentar compreender o uso dos espaços na economia global - com uma questão que agora parece ganhar alguma lógica, mas que antes sequer existia enquanto pensamento.

Refiro-me ao fato que os estados-nações e os continentes são construções abstratas do ser humano no seu esforço de compreender e organizar o mundo.

Assim bem simples. E mesmo em meio à mundialização de nossa vida contemporânea tão pouco, ou quase nunca, lembrado.

Pois bem, desde que tomei contato com este pensamento simples, eu passei a olhar uma série de fatos sobre a materialidade contemporânea, de uma forma diversa do que via antes.

Vendo as notícias da semana que se encerrou, eu percebo vários exemplos de manchetes que podem ser lidas de forma diferente - fora do quadrado - se observamos a relação delas com essa essência dos estados-nações e continentes. 

As comemorações do quarto de século sobre a queda do muro de Berlim, a cumbre dos países do Tratado do Pacífico (ATEP) na China, a reunião do G-20 na Austrália (ainda em curso), etc. todos atuais. De uma forma ou outra eles nos remetem à mesma questão.

Se quisermos podemos ainda juntar estes fatos às análises sobre a crise europeia, a ascensão da China e os problemas dos EUA, enfim, aos novos alinhamentos mundiais, etc. Todos, sempre articulados com a abstração que nos remete à forma de pensar sobre eles.

Ainda nesta linha percebendo a ampliação da tendência “eurásia” nas ligações econômicas e políticas atuais, eu acabei por me deparar com outro estudo sobre como a Europa passou se enxergar como continente, considerando as suas características de geografia física junto à Ásia, o que poderia perfeitamente remeter a ideia de um único continente, mesmo considerando um lado mais ocidental e outro oriental.

Desta forma, pelas facilidades da internet, procurando algo mais consistente sobre o assunto, eu acabei assistindo uma conferência de 2012, do professor e geógrafo português, João Ferrão, que conheci há cerca de um ano na PUC-Rio, por apresentação de meu orientador no doutorado na UERJ, o professor Floriano Godinho.

O professor Ferrão, como participante das conferências sobre “Geografia e pensamento contraintuitivo”, proferiu uma delas com o título “Europa em transfiguração”. Nela, o professor Ferrão faz um interessante roteiro de análise de como a Europa se formou enquanto construção abstrata, no que chama de Europa 0.0, até o que poderá vir a ser como Europa 3.0 ou 4.0, no esforço de superação e reinvenção do continente que teria construído um modo civilizatório, que para muitos ainda seria único e referência.

Europa por Eratóstenes 200 a.C.
Em sua conferência, o professor Ferrão cita que foi o geógrafo russo “Vassíli Tatischévski” que em 1705 construiu o mapa que passamos a usar até os dias atuais sobre a divisão dos continentes. Nele, a Europa fica delimitada da Ásia, apesar da continuidade do espaço territorial pelos Montes Urais, uma cordilheira de montanhas na Rússia. 

Coincidência ou não, ao pesquisar sobre o assunto, acabei sabendo que no presente momento, geógrafos russos estariam trazendo o tema da fronteira à discussão. (Se desejar leia aqui)

Este conjunto de idéias leva também à questão das civilizações entre Oriente e Ocidente, que agora volta a ser muito debatido, por conta da ascensão asiática, não apenas da China, mas Coreia, Cingapura, Japão, etc. Nesta linha foi interessante ver os avanços nos acordos diplomáticos entre as nações asiáticas a partir desta última cumbre dos países do Pacífico. Entendimentos parecem ter substituídos querelas antigas de posses sobre territórios e ilhas do mar que os cercam.

Evidente que estas questões devem ser antigas para muitos estudiosos da área da geografia e das relações internacionais, porém, não para mim e imagino para outras pessoas. Este é o motivo que acabou por me convencer a trazer a questão provocadora para este espaço do blog.

Não considero que ela dê conta de explicar tantas outras questões, mas, parece ser uma “boa provocação” para pensar o mundo contemporâneo, diante do avanço das relações globais e dos descensos e assensos de Estados-nações (mesmo que mais comerciais e econômicos e não de povos e civilizações).

Evidentemente, que a constatação da existência destas abstrações e todo o arcabouço institucional e jurídico na forma atual de pensar e agir, não resolve nenhum dos principais problemas, mas pode remeter à novas possibilidades, neste hermético e complexo campo das relações internacionais.

Quando nada, sem maiores pretensões, apenas mais uma divagação para um domingo.

Boa semana a todas e todos, preferencialmente fora do quadrado!

sábado, novembro 15, 2014

14ª Conferência Mundial de Cidades e Portos

Aconteceu na semana passada, em Durban, África do Sul, a 14ª Conferência Mundial de Cidades e Portos, organizada pela Rede Mundial de Cidades Portuárias (AIVP) que tem sede na França.

Um dos temas do evento se deu em torno da pergunta sobre a “coexistência saudável nas cidades portuárias”: Como fazer o porto e a cidade que vivem lado a lado "comprimido" um ao outro, em um espaço limitado? 

Aparentemente no mundo todo, seja a autoridade portuária pública ou privada, a preocupação com as pessoas e a relação com a cidade vai muito para além da discussão sobre os impactos iniciais.

Porém, a discussão sobre integração embora deva também ser remeteria a um debate de médio prazo e de cenários, sobre o futuro a partir das “novas conexões e dimensões”, não vejo como estão pensando em relações construtivas, quando se parte de um básico tão truculento e desatrelado da sociedade.


Ainda sobre a erosão na praia no Açu

Veja abaixo a boa matéria de cinco minutos, da última quinta-feira, produzida pela InterTV sobre o assunto. As autoridades do governo estadual, municipal e o Ministério Público deveriam estar agindo. Parte da área comunidade do balneário onde vive mais de 2 mil pessoas está em risco, porque é muito baixa e tem ao fundo a Lagoa do Salgado:

video

sexta-feira, novembro 14, 2014

Primeira atracação oficial no terminal 2 do Porto do Açu

A Prumo Logística Global (ex-LLX) está informando que realizou hoje a 1º operação comercial no canal do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

O primeiro navio a atracar no T2 foi o Happy Dynamic, do tipo Heavy Lift, que veio da China e atracou no cais da fábrica da NOV. Ele estava carregado com um guindaste, que pesa 520 toneladas, e será afixado no cais da NOV e utilizado para movimentar os carretéis de tubos.


PS.: Atualizado às 12:20 de 15/11 para corrigir o título do corretor automático do smarphone sempre nos colocando em roubada. Aproveito para acrescentar uma segunda imagem do navio.



Licitação para oferta de serviços portuários à Petrobras: Edson Chouest oferece base do Porto do Açu

Está prevista para esta segunda-feira (17/11), a tão esperada abertura das propostas na licitação da Petrobras para contratar serviços de apoio a plataformas marítimas, através de berços em terminais portuários no litoral da região Sudeste.

A empresa americana Edson Chouest Offshore (Eco) de apoio às operações de exploração de petróleo no litoral, que se instala no Açu, é a mais interessada nesta licitação que já foi adiada algumas vezes. Após a licitação, a(s) empresa(s) vencedoras têm até 24 meses para iniciar a operação.

A conquista da Edson Chouest é dada como praticamente certa, o que garantiria à sua base no Porto do Açu, a articulação definitiva entre o Porto do Açu (Terminal 2) e as operações de exploração offshore de petróleo da estatal Petrobras.

Foi com esta finalidade que a Eco arrendou uma grande área no Porto do Açu (contrato depois ampliado em abril) com cais de aproximadamente meio quilômetro e capacidade de apoiar até 15 embarcações ao mesmo tempo.

Nesta base (veja imagem ao lado de sua localização no Porto do Açu) a Edson Chouest Offshore oferecerá serviços de logística às empresas que atuam na exploração e produção de petróleo não apenas na Bacia de Campos, mas também nas bacias do Espírito Santo e de Santos.

Por decorrência, a Eco prevê instalar também, no Porto do Açu, um estaleiro de manutenção e reparos navais. Diversas fontes do blog garantem que a Eco que possui e estaleiros nos EUA e um (Naviship) no município de Navegantes, SC, com esta sequência de investimentos também operará a construção de novas embarcações no Açu. Há cerca de vinte dias executivos americanos inspecionaram novas áreas no Porto do Açu, entre estas, a das instalações inacabadas da UCN pertencente à OSX.

Disputa entre Açu e o ES
Nesta licitação pelas regras da concorrência, os terminais portuários localizados nas cidades mais distantes dos campos petrolíferos da Bacia de Campos, terão um acréscimo no preço das propostas a título de custos operacionais.

O fato levou às lideranças empresariais e políticas do Espírito Santo à direção da Petrobras que buscam apoio para dar competitividade aos projetos portuários previstos para o estado do Espírito Santo que hoje já tem boa parte de sua economia ligada às atividades do setor.

No caso específico a defesa feita visou manter condições de competitividade para o projeto do Porto Central, em Presidente Kennedy no litoral sul do ES. O caso em questão reafirma a disputa concorrencial já colocada entre empreendedores do Porto do Açu e do projeto encabeçado pelo Porto de Roterdã em Presidente Kennedy.

Em resposta às reivindicações capixabas, a Petrobras informou que fará nova licitação, em janeiro do próximo ano, para contratar os serviços de apoio a plataformas marítimas de três berços em terminais portuários situados no Espírito Santo.

PS.: Atualizado às 18:45: para corrigir a grafia do nome da empresa americana que no título e em outro ponto da nota, equivocadamente foi descrita, como Choueri e não Chouest que é a grafia correta do conglomerado empresarial: Edson Chouest Offshore (Eco).

Estimativa de produção mundial de energia em 2040 e possíveis consequências para o Brasil

A previsão é da Agência Internacional de Energia (AIE) que diz: "uma abundante oferta de petróleo hoje, não equivale necessariamente à tranquilidade dos mercados amanhã".

A revolução do fracking nos EUA, com aumento da produção com o xisto (shale-gas) mexeu com o equilíbrio do mercado de petróleo e energia.

Para a AIE, o aumento da demanda global de petróleo de 90 milhões de barris diários em 2003, para até 104 milhões em 2040 (+15%) devido principalmente à China, Índia, Sudeste asiático e África subsahariana, tenderá a complicar um pouco mais este quadro.

Em 2020, a produção dos EUA começará a se reduzir. Além disso a atual volatilidade dos preços deve reduzir perfurações, consequentemente descobertas e produção futura.

No caso do gás, a previsão é que a demanda cresça a mais da metade atual chegando em 2040, a 5,4 milhões de m³, puxada especialmente pela China.

Assim, a AIE estima em 721 bilhões de euros o valor necessário para aumentar a produção e satisfazer a demanda de petróleo e gás no ano de 2040. O valor é considerado absurdo.

O fato tenderá levar à retomada da produção de energia nucelar como alternativa com aumento de 60% com aumento da capacidade para 620 GW, em 2040. Segundo a AIE, a China tem planejada a construção de 32 novas plantas, além das 17 já existentes.

O problema é que a energia nuclear tem diversos outros problemas. Entre eles, o fato de 200 dos atuais reatores não terão como produzir mais em 2040 e os custos de seus desligamentos são estimados em 80 bilhões de euros.

O crescimento que mais chama a atenção são das energias renováveis. Em 2040, a previsão é que ela represente 37% da geração de eletricidade entre os países da OCDE.

A se considerar verdadeiro e responsável a atual estimativa da Agência Internacional de Energia, parece, que ao Brasil, poderia ser mais interessante, não caminhar tão aceleradamente com a produção do pré-sal, já que com o quadro traçado para daqui a 25 anos é de maior demanda, e consequentemente maior preço do petróleo lá na frente que hoje.

Porém, é difícil abrir mão das receitas e com as possibilidades abertas com esta possível produção e o que ela pode gerar em termos de riqueza e salto qualitativo do Brasil, especialmente se continuarmos com a inclusão social e ampliação dos investimentos em educação, ciência e tecnologia com o fundo soberano e 10% do PIB para o setor.

Outra conclusão que torna ainda mais clara é a inserção cada vez maior na geopolítica da energia no mundo. O fato pode ser interpretado como festa, ou como preocupação. Ou simultaneamente os dois. Porém, nunca como desconhecimento do que tudo isto significa.

Fonte da informação original: El País.

quinta-feira, novembro 13, 2014

Piketty reafirma não ser marxista, defende os EU da Europa e menos desigualdade para que haja crescimento

O francês Thomas Piketty, o autor do livro “O Capital no século XXI” que foi recentemente editado no Brasil e nesta última semana agraciado com o prêmio “Business Book of the Year, do "Financial Times" e McKinsey continua falando mundo afora.

Nesta terça, 11/11, em entrevista ao jornal catalão “La Vanguardia”, Pikety reafirmou que não é marxista. “Vi cair o muro e isso me vacina contra qualquer tentação marxista”.

Piketty se diz internacionalista e defensor dos “Estados Unidos da Europa”. Nesta linha seguiu defendendo uma reforma do capitalismo: “Há muitas maneiras de organizar o capitalismo e a as melhores são as que favorecem o acesso à educação e à qualidade para todos”.

A seguir o blog destacou alguns outros pontos de sua entrevista ao La Vanguardia:

- A revolução industrial aumentou o crescimento de menos de 1%, a mais de 1%, porém, por sua vez, também incrementou os benefícios dos ricos até 5% e 7% anuais.

- Quando não há crescimento, como agora, a desigualdade aumenta e os ingressos e saldos se estancam, porém os interesses que rendem aos milionários e seus capitais seguem crescendo.

- As grandes corporações pagam menos aqui na União Europeia (EU) que nos EUA, de onde tributam até 40% de seus lucros.

- Há que se construir uma UE mais unida com uma “fiscalidade única” e sem fugas a paraísos fiscais.

- Investir mais em educação para fomentar a inovação que incrementa o crescimento.

- Não há nenhuma fórmula para acertar esse grau de desigualdade social necessário; só há experiências históricas imperfeitas.

- É preciso equidade fiscal para reduzir a desigualdade extrema que freia o crescimento.

- Nos EUA, nos anos 30, em que pese ser uma democracia formal, os mais ricos se apropriaram do Estado e assim seguraram as tensões sociais. Isso volta a ocorrer hoje.

- Hoje a classe média recebe só 20% da riqueza e diminui; nos EUA já não é 40% da população, apenas 30%. Porque os ricos aumentam a cada ano em 8% sua fortuna, entretanto, a riqueza média apenas cresce 1%. Por isso proponho um imposto universal progressivo para milionários que nos faria todos mais prósperos.

"Os desafios para as forças populares"

O blog recebeu da professora Ana Costa um email com uma sugestão de ampliação da divulgação e debate do editoral do jornal "Brasil de Fato". O blog considera o debate pertinente e assim publica abaixo o texto informal do seu email, como apresentação do editorial do jornal Brasil de Fato:

"Oi Roberto,
Estou observando que você está acompanhando direto a conjuntura no Brasil e agora, quase um correspondente internacional,(rss) e deve está percebendo que o fato de vencermos as eleições, mas com essa representação conservadora no Congresso e com esta dita oposição com sinalizações mais golpistas que de críticas ao governo, a presidenta eleita terá que se posicionar e apontar já, que coalizão ela vai construir, de centro esquerda, incorporando as forças que deram sustentação a sua reeleição e que têm demandas coletivas reprimidas, como é o caso da reforma agrária ou a reprodução do que se formou no primeiro mandato.
Se não leu este editorial do Jornal Brasil de Fato, dê uma olhada.
Abraços,
Ana"



Os desafios para as forças populares
Precisamos seguir construindo uma imensa frente popular, de massas, para estimular as lutas sociais e a mobilização popular
Editorial da edição 611 do Jornal Brasil de Fato - 11/11/2014
Passado as eleições, mais além do que balanços de vitórias e derrotas, o importante é compreender como a luta de classes se comportará no próximo período.
Muitos se iludem apenas com o comportamento das lideranças partidárias e como elas aparecem na mídia burguesa. Porém, no Brasil, os partidos políticos são meros instrumentos de grupos e personagens, que nem sempre tem correlação com os interesses de classes. Afinal, são nada menos de que 34 partidos com assento na Câmara, a maioria deles dirigidos por oportunistas em busca de privilégios pessoais ou de grupos.
A verdadeira luta de classes se move entre as classes e seus interesses históricos. A sociedade brasileira – dominada pelo modo capitalista de ser – é extremamente desigual. Temos, de um lado, uma burguesia (financeira, fundiária, comercial e industrial) composta por não mais de 5% da população. Alguns estudos apontam até ao redor de 1%. Temos uma pequena-burguesia, composta redor de 10 a 15% da população. São os profissionais liberais, com alta renda, e pequenos comerciantes e empresários do setor de serviços e indústria, a chamada classe média clássica, que não tem os grandes meios de produção, mas tem a cabeça e ideologia da burguesia. Além de terem muita influência na opinião pública, pela capilaridade e número de trabalhadores empregados. (E por isso foram os que mais apareceram na oposição ao governo Dilma e na campanha eleitoral).
E de outro lado, temos a imensa maioria do povo – entre 80 e 85% da população que são os que vivem do seu trabalho e que estão distribuídos em inúmeras categorias e setores sociais, nas cidades e no campo.
Nas campanhas eleitorais, a burguesia e a pequena burguesia sempre ficam disputando os votos dos trabalhadores, usando todo tipo de ardis e mentiras, justamente porque a classe dominante não tem votos suficientes na sua própria classe. Por isso, evitam debater projetos de classe na campanha e preferem temas ideológicos ou da corrupção, comportamento pessoal etc.
O projeto da classe dominante brasileira é voltar ao neoliberalismo, com a hegemonia total do grande capital financeiro, das empresas transnacionais e recolocar nossa economia na esfera dependente dos Estados Unidos.
A classe trabalhadora não tem um projeto claro, um programa unitário que aglutine as mais diferentes formas dela se organizar (movimentos, associações, partidos etc.). Porém, nos últimos meses, ficou evidente que é possível aglutinar-se ao redor da luta pelas reformas estruturais. Reformas como a mudança da matriz tributária, para penalizar os mais ricos. A reforma educacional, para garantir os 10% do PIB e o acesso de toda juventude à universidade. A reforma agrária. A reforma urbana, que controle a especulação imobiliária, garanta construção de moradias populares e transporte público gratuito e de qualidade. Mudanças na política do superávit primário, para destinar os recursos públicos (R$ 280 bilhões por ano) agora gastos em juros aos bancos, e destiná-los à educação – educação e industrialização do país.
Mas para alterar a correlação de forças que permita ao governo avançar, será necessário realizar uma reforma política, que virá apenas através de uma assembléia constituinte, soberana, que espelhe a vontade do povo, e exclusiva para mudar o sistema político.
O governo está entre esses dois projetos. E precisa agir logo, para demonstrar, pelo menos simbolicamente, de que lado está. Se cair nas emboscadas do PMDB, da mídia burguesa e outros porta-vozes da burguesia, e nomear ministros conservadores, perderá o necessário apoio popular. E será um governo marcado pela instabilidade, inércia e falta de credibilidade.
De nossa parte, dos movimentos populares, precisamos seguir construindo uma imensa frente popular, de massas, para estimular as lutas sociais e a mobilização popular, tendo como programa mínimo, urgente e necessário, a luta pela reforma política e pelas conquistas sociais, no âmbito das reformas estruturais.
Certamente 2015, será um ano que promete. Com muita mobilização, disputa política e ideológica entre as classes.

quarta-feira, novembro 12, 2014

Falece Leandro Konder!

Faleceu hoje no Rio de Janeiro, o professor, escritor e pensador Leandro Konder. O intelectual Lenadro sofria de Mal de Parkinson há muitos anos e faleceu em sua casa hoje. O velório será no Cemitério Memorial do Carmo a partir das 15h da quinta-feira 13 de novembro.

A Editora Boi Tempo divulgou o obituário do Leandro Konder que nasceu em 1936, em Petrópolis (RJ), filho de Valério Konder, médico sanitarista e líder comunista.

Formado em Direito, Leandro exilou-se em 1972, após ser preso e torturado pelo regime militar, e morou na Alemanha e depois na França até seu regresso ao Brasil em 1978.

Doutorou-se em Filosofia em 1987 no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. É professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF. Teve uma vasta produção como conferencista, articulista de jornais, ensaísta e ficcionista.

Em 2002 foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da UERJ. Um dos maiores estudiosos do marxismo no país, coordenou, em conjunto com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Editora Boitempo.

Uma história de vida que merece registro pela formação que ajudou a propiciar mesmo àqueles que não foi aluno direto de suas aulas. Me incluo entre eles e aqui rendo minha singela homenagem, republicando um registro de um trecho de uma de suas obras, que foi feito pela professora Mariana Nogueira da Fiocruz em seu perfil no facebook:

"O presente é contraditório, está sempre sobrecarregado de passado, mas ao mesmo tempo está sempre grávido de possibilidades concretas de futuro. Uma postura que se limite a interpretar passivamente o que está presente, diante de nós, de maneira imediata, não capacita o sujeito para distinguir de modo consciente os elementos que "amarram" as coisas (e se opõem tendencialmente às mudanças mais ousadas) e os elementos que empurram as coisas para a frente, pressionando-as no sentido de engendrarem o novo. O sujeito só pode se libertar das armadilhas de uma continuidade hispotasiada se assumir uma postura CRÍTICO-PRÁTICA que lhe permita identificar as rupturas necessárias e ajudá-las a se concretizar". Leandro Konder, no seu livro "O futuro da filosofia da práxis: o pensamento de Marx no século XXI". Editora Paz e Terra, 3a. edição, 1992, página 123."

“Cidades educadoras”: incluir e educar papel da sociedade para além das escolas

Acontece de amanhã (13/11), até sábado (15/11), aqui em Barcelona, o XIII Congresso Internacional de Cidades Educadoras. O objetivo do evento é promover e trocar conhecimento e boas práticas em torno do tema do evento: “Uma cidade educadora, uma cidade que inclui” como mostra o cartaz do evento abaixo.
















O evento é organizado bienalmente há vinte anos pela Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE). Acontece sempre em Barcelona, que foi a cidade que teve a ideia desta troca de experiências que hoje já reúne, aproximadamente, 500 cidades espalhadas pelos diversos continentes.

Segundo os organizadores o espírito da associação e do evento é unir os ideais da educação e da democracia, pensado no espaço de convivência das cidades (polis). Tudo reunido na concepção com o sentido ético e político de justiça social, tolerância e participação social, entendidos como uma expressão do que seria cidadania democrática, cooperação, diversidade e solidariedade na vida urbana.

Para fugir da retórica muitos dos participantes dizem que é necessário que as cidades avancem na inclusão social e superação da marginalidade e desigualdades, no serviço público, como bens indispensáveis para o desenvolvimento das pessoas em toda a sua plenitude.

Juntando os temas, "as cidades educadoras", ainda, segundo seus idealizadores, este processo tem que se dar num patamar superior. O de pensar o compromisso de educar numa perspectiva geral da cidadania e não apenas escolar e formal. 

A ideia onde as instituições e as pessoas, em suas diferentes áreas, inclusive os vizinhos, contribuíssem para construir a cidadania, numa espécie de compromisso transversal e inter-educador visando melhorar a vida das pessoas no plano individual e na concepção da vida em sociedade.

Parece utópico, mas viável e interessante enquanto perspectiva e horizonte, porque ao mesmo tempo em que reforça o papel da instituição escolar e de sua atribuição, retira a ideia que só ela teria este papel tão amplo da vida na sociedade. O desafio maior parece o de pensar este horizonte, numa concepção tão apartada como a vida na maioria das cidades do mundo. Nesse sentido a concepção seria temática e sim universalizante na perspectiva da formação humana.

Em tudo isto, julgo interessante, pensar o futuro fora do quadrado do utilitarismo da formação humana para o único fim de trabalhar e de produzir, como se esse fosse fim, e não meio, para a vida real, entre os humanos e seu ambiente.

Enfim, um interessante desafio e imagino que debates de ideias e experiências.

Para mim, foi interessante ver que a conferência de abertura será proferida pelo argentino, mas atuante como professor e pesquisador no Brasil, e mais especialmente na UERJ e no programa de pós-graduação onde estou vinculado, o Programa de Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH-UERJ), Pablo Gentili.

Se desejar ter mais informações sobre o congresso clique aqui. Já aqui veja a programação geral do XIII Congresso Internacional de Cidades Educadoras, em Barcelona.

Os 30 principais bancos globais e suas estratégias

Os países do G-20 que começam reunião na Austrália hoje estão pressionando para que os 30 maiores bancos globais preparem um "colchão de segurança" para evitar problemas como a crise do "sub-prime de 2008", puxada pelo Lehman Brothers. Se comenta, não é preciso crer, que além disso, as nações obrigariam esses bancos a assumir perdas entre 16% e 20% de seus ativos contabilizando dívidas que não serão pagas.

Este movimento está sendo puxado pelo Conselho de Estabilidade Financeira que é um organismo que estaria desenhando as novas regras do jogo por orientação do G-20. O Conselho de Estabilidade chama este colchão de segurança de "Fundo de Manobra" que segundo eles deverá ser ao menos duas vezes os requisitos de capital sobre os ativos do banco.

Difícil acreditar numa auto-regulação destes enormes conglomerados financeiros, a não ser que as nações efetivamente atuem para exercer este controle com estruturas do Estado.

É sobre este poder regulador que os brancos agem em seus apoios políticos e nas pressões com uso da mídia comercial, para que o poder político faça o que o capital econômico deseja. Uma tarefa difícil.

O capital financeiro se articula com o setor de infraestrutura e imobiliário decidindo alocação de investimentos de diversos tipos, inclusive sobre portos e sobre a localização de indústrias e dos setores de serviços. Por tudo isto eles têm enorme poder e suas articulações com as corporações e governo devem ser acompanhadas.

O lugar do "Estado-Nação" é ainda mais estratégico em se tratando do setor financeiro e sua teia de relações, como já se viu na crise de 2008. Com o fluxo globais de informações e de circulação dos capitais, a ação do Estado é fundamental como regulador de processos e com força e poderes de atuar sobre as corporações de uma maneira geral e as financeiras, em particular.

Abaixo o blog publica a tabela elaborada pelo jornal espanhol "El País", em matéria na edição desta terça-feira (1/11), sobre os trinta maiores bancos globais do planeta, os países em que localizam suas sedes e suas capitalizações em euros:


PS.: Atualização às 08:12 e 11:30: Para acréscimo do penúltimo parágrafo.

terça-feira, novembro 11, 2014

Edson Chouest Offshore (Eco) assumirá UCN da OSX no Porto do Açu

O blog apurou que foi fechado o acordo entre a OSX, Prumo (ex-LLX) e a empresa americana Edson Chouest Offshore para assumir as obras de conclusão da Unidade de Construção Naval (UCN) da OSX que está em processo de recuperação judicial. A Prumo participou da negociação porque é quem possui a propriedade da área arrendada à OSX que ali realizava a montagem da UCN.

A Edson Chouest Offshore (Eco) já tem uma área junto ao terminal 2 do Porto do Açu que espera oferecer como base de apoio offshore em licitação futura para movimentação de cargas para a Petrobras e outras empresas do setor de exploração de petróleo offshore no litoral fluminense, capixaba e paulista.

Além disso, a Eco possui desde 2006, um estaleiro "Naviship", instalado na cidade de Navegantes, na margem e foz do Rio Itajaí-Açu, litoral de Santa Catarina, que possui área de 220 mil metros quadrados. Lá é construído embarcações de apoio a plataformas de exploração e produção de petróleo e gás.

As negociações foram fechadas há pouco mais de quinze dias. Uma empresa de serviços de limpeza e serventia, a Perfil já foi contratada para executar serviços de limpezas dos escritórios e refeitório que eram da OSX. A Perfil já faz contratações no Açu e já iniciou seus trabalhos.

A princípio a previsão é que a Naviship inicie as atividades de retomada da montagem do estaleiro, em janeiro do ano que vem com a perspectiva de realizar montagens de FPSOs neste novo estaleiro.

O blog ainda apura outros acordos envolvendo a atividade de construção naval junto ao Porto do Açu que hoje é desenvolvida pelo Consórcio Integra, composto pela Mendes Junior e OSX, que atualmente monta módulos da plataforma P-67.

PS.: Atualizado às 16:42: para corrigir a informação de que os módulos que estão sendo montados no Açu pelo Consórcio Integra são da P-67 e não P-70.

Previsão de mais redução de preços do minério de ferro no mercado internacional

A notícia não deve ser boa para a Anglo American e para as exportações pela Prumo, através do Porto do Açu. Verdade que estes preços acabam refletindo especulações de mercado.

Hoje, a área de análise do Citibank confirmou que está pessimista com as cotações do minério de ferro. O fato teria levado a fixar em US$ 78 o preço da tonelada para o quarto trimestre em relatório que enviou aos seus clientes.

Mais, o Citibank prevê que até o terceiro trimestre do ano que vem, a média deve chegar a US$ 60 e, depois disso, a queda seria até US$ 50.

Na China, a commodity está sendo vendida em patamar próximo a US$ 75,50 por tonelada, o pior desde junho de 2009, segundo informou a consultoria Steel Index, em informação divulgada pelo Valor. Em 2015 e 2016, o Citibank espera nível de US$ 65 a tonelada.

A redução do preço do minério está afetando a brasileira Vale e a Bolsa de Valores do Brasil (Ibovespa), onde ela tem forte presença.

O mercado internacional de minério de ferro é altamente controlado por grandes traders (ou tradings) como a Trafigura, Glencore e outras.

As traders atuam como já comentamos aqui, citando professor Ladislaw Dowbor da PUC-SP, apertando ou soltando o fluxo de mercadorias através dos sistemas portuários e de grandes espaços de armazenagem, que podem estar mais perto da extração mineral, ou, mais comumente, próximo aos espaços dos compradores, que são as grandes siderúrgicas, especialmente da Ásia e depois Europa.

As sedes desta traders são os paraísos fiscais, especialmente da Suíça, onde pagam menos impostos e fazem transações financeiras protegidas por sigilos rigorosos. Um esquema semelhante ao que comentamos ontem, em nota aqui, sobre a chamada "engenharia fiscal" feitas pelas corporações de tecnologia.

Não é simples sobreviver na economia global com todas estas questões. Da mesma forma que no mundo atual, parece impossível não estar de alguma forma envolvido nesta realidade. Assim, só um estado bem estruturado e com capacidade de regulação e poder planejar e operar uma inserção internacional, sem que os resultados sejam apenas para as elites.

segunda-feira, novembro 10, 2014

As gigantes americanas "e-corporacion" fazem "engenharia fiscal" e só pagaram 17 milhões de euros em 2013 na Espanha

A acusação que sofrem no Brasil e em boa parte do mundo agora também vem à tona na Espanha. As oito empresas americanas do setor de tecnologia, Apple, Yahoo, Google, Microsoft, Facebook, Amazon, ebay, Twiter pagaram no ano passado (2013), apenas, 17 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões) ao fisco espanhol.

Em matéria de duas páginas o jornal espanhol El Pais, trouxe nesta segunda uma matéria ampla sobre o caso. As filiais espanholas destas empresas de tecnologia americanas, segundo a matéria, mais um ano (exercício) escapou do fisco.

O caso é que as empresas desenharam estratégias societárias, assessoradas por especialistas em questões fiscais internacionais que permitem reduzir legalmente estas tributações. Assim, essas corporações operam principalmente como intermediárias de outras instaladas na Irlanda, Luxemburgo, Suíça e Holanda.

Ainda segundo a reportagem a Microsoft é a que mais paga, mas um valor ainda muito inferior ao que deveria pagar, se não usasse esse esquema da instalação oficial na Irlanda. Comenta também que Steven Jobs da Apple, mais que um visionário como criador de aparatos tecnológicos, em 1980 teria sido quem arquitetou esta "estratégia fiscal pioneira", usando o regime irlandês com sociedades com pessoas residentes neste país do Reino Unido.

O caso poderia servir para também reacender junto à Receita Federal, a situação dessas empresas no Brasil. Especialmente a Google que hoje fatura um dinheirão em propaganda, a ponto de espantar a Globo, paga muito pouco de imposto também nosso país.

Quem quiser ver a matéria na íntegra clique aqui. Abaixo o blog publica uma tabela elaborada pela reportagem, a partir de informações das próprias empresas.

Antes de fechar é bom lembrar que o termo "engenharia fiscal" trata-se de um eufemismo para o que a própria matéria chama de "elisão e evasão fiscal". O que não é muito diferente da corrupção, quando especialistas do direito são contratados para descobrir as famosas "brechas da lei".




domingo, novembro 09, 2014

O preço dos combustíveis no Brasil e na Bélgica e outras questões correlatas

Observando mesmo que rapidamente, as falas sobre o reajuste dos combustíveis no Brasil (gasolina e diesel entre 3% e 5% - ou entre 6 a 9 centavos), embora, como sempre os distribuidores e postos de combustíveis, sempre se aproveitem deste primeiro momento sobre a falta de informação para praticar reajustes maiores que depois são adequados, de passagem aqui pela Bélgica, eu fui conferir a quanto anda o preço do diesel e da gasolina por aqui.

Veja na imagem ao lado um posto da petroleira francesa Total, aqui em Bruxelas. 

Preços de combustível num posto da
Total em Bruxelas, Bélgica
O preço da placa está em euro, portanto para ver os valores em reais teremos que multiplicá-lo por 3,2. O preço do diesel está em EU$ 1,372 que equivale a R$ 4,30. O preço da gasolina mais barata a EU$ 1,537 que equivale a R$ 4,91 e da gasolina mais cara EU$ 1,599 que equivale a R$ 5,11.

Pode-se dizer que a Bélgica não é produtora de petróleo e isto é verdade. Porém, a Bélgica possui um enorme parque de refino que atende outras regiões da Europa para além do seu mercado. Sabemos que o valor adicionado pelo beneficiamento é tão grande quanto o valor do óleo cru.

Assim, a comparação entre que mostra uma valor em torno de 45% maior do combustíveis ao consumidor aqui na Bélgica, em relação ao Brasil, mostra que a nossa realidade não é ruim.

Evidente que a comparação simples dos preços dos combustíveis em dois diferentes países é algo relativamente superficial, mas, vale observarmos o que eles podem indicar.

Por exemplo, comparado aos salários. O salário mínimo na Bélgica é o mesmo praticamente dos demais países do norte europeu, França, etc e está na faixa entre EU$ 1,2 e EU$ 1,3 mil. Vale lembrar que mesmo sendo bem maior que o nosso, ele é cada vez menos respeitado com o trabalho em tempo parcial (part-time) e o emprego de imigrantes.

A taxa de desemprego aqui é de 8,5%, bem menor que outros países europeus, mas, cerca de 60% maior que a nossa brasileira.

Em época pretérita, os gurus do neoliberalismo nas terras tupiniquins forjaram o termo "Belíndia" para dizer que tínhamos no Brasil uma Índia e uma Bélgica juntas. De forma indireta, insinuava que a europeia seria o nosso sonho e a indiana algo a ser desprezado.

O tempo passou, a conjuntura é outra. A Bélgica pelo que vejo aqui sete anos depois quando aqui estive é hoje pior. Mais desigual. Menos cuidada, mais pobres e uma direita cada vez mais fascista. A Índia como nós vem avançando, na educação, na cultura, cinema, informática.

Porém, voltando à questão do preço dos combustíveis obedece mundialmente a parâmetros não bem relacionados à poder de compra. Há muitas coisas por aqui com menor preço que no Brasil e outras maiores.

O preço do combustível obedece ao preço do petróleo no mercado internacional e ao custo do refino nos diferentes países. É sobre isto que comentei. As realidades das nações são distintas em diversos aspectos, como já sabemos, entre outras pelo transporte público mais eficiente e público na maioria destes lugares. Temos muito a avançar. Temos realidade distinta da Europa que não deve ser referência, mas, não se deve deixar de observar.

Quanto ao preço dos combustíveis em relação a todo o mundo temos um preço mediano. A nossa maior empresa necessita ser melhor remunerada para fazer os investimentos de extração do óleo do pré-sal e fazer depois de 3 décadas suas 4 refinarias. No meio disto há que se cuidar da inflação.

Este é o jogo que qualifiquei como ajustável às diversas questões.O preço do nosso combustível está na média no mundo. Assim, devemos observar que o controle e a regulação do Estado brasileiro parece ser um caminho interessante com pequenos ajustes para continuar enfrentando a crise internacional, com uma inflação, senão a desejada, sob controle, e com um nível de emprego de fazer inveja a muitos países.

Sigamos em frente!

sexta-feira, novembro 07, 2014

Greve na Alemanha, manifestações na Bélgica e mais resistência europeia!

Hoje fiquei impedido de seguir de trem da Bélgica para Hamburgo (para ver de perto mais um importante porto europeu), por conta de uma greve dos ferroviários alemães.

A greve dos ferroviários alemães já vem pipocando há mais de um mês e se intensificou desde a última quarta feira, 5 de novembro. O seu auge visa atingir a celebração que a Alemanha faz do 25.º aniversário da queda do Muro de Berlim, neste final de semana quando se esperava 2 milhões de visitantes na capital alemã.

A efervescência das manifestações e resistência européia mexeu até com os belgas, quase sempre meio passivos. Ontem, mais de 100 mil belgas foram para as ruas em luta por reivindicação de aumentos salariais e de redução do horário de trabalho.

A polícia reagiu às mais de 100 mil pessoas que se manifestavam contra o governo e em resistências às reformas econômicas e sociais que o novo governo anunciou.

A mobilização seria fruto da união das três maiores centrais sindicais da Bélgica. Questiona-se o governo liderado por Charles Michel tomou posse a 11 de Outubro, fruto de uma coligação entre liberais e nacionalistas flamencos.

Novas manifestações estariam marcadas para o dia 24 de Novembro em Liège, Limburgo e Antuérpia, e para o dia 15 de Dezembro quando se diz que haverá uma greve nacional na Bélgica.

O movimento busca suspender a alteração na indexação dos salários, preservar a “Segurança Social” e introduzir um regime de impostos mais justo e equitativo, segundo seus organizadores.

Como se vê a resistência às pressões para redução das conquistas sociais do “estado de bem-estar-social” prosseguem e se ampliam para além da Grécia, Espanha e Portugal.

O quadro que se junta às seguidas manifestações nacionalistas, além dos questionamentos crescentes às formas de representação políticas atuais, com exigências de mais participação da população, não parece algo simples de ser conciliado e mediado, especialmente quando se tenta imprimir arrochos e eliminar conquistas de um longo processo histórico, que tem no meio duas grandes guerras.

Não é simples compreender esta realidade contemporânea, mas não parece que o melhor caminho seja o confronto e o uso da força.

Enfim, um mundo que parece em grande mutação e realinhamento.

“O que pretendem fazer com essa gente?”

Este texto é antigo para padrões de rede social em que a novidade parece ter mais importância que o conteúdo. Porém, passados mais de dois meses de sua publicação original e quinze dias do segundo turno da eleição presidencial, ele parece como um bom vinho, mais denso e interessante para compreender o Brasil atual e a luta entre as principais forças políticas.

Esse é o principal motivo de optar pela sua publicação. Ele remete a uma questão que vendo de perto, por mais de dois meses seguidos, me pergunto sempre: por que a luta pela inclusão social e por um estado de bem-estar incluindo "toda gente" não tem que continuar a ser perseguida como prioridade.

O caso europeu não deve ser modelo até pela crise atual, mas, serve para clarear caminhos, especialmente, quando se vê a forma como vive a atual crise, de certa forma, caminhando por desfazer uma parte das boas coisas feitas. Por aqui, obras públicas em maior quantidade e a construção civil continua sendo a regra básica para evitar o colapso.

Porém, voltemos ao debate do caso da luta politica brasileira pelo poder. Poder sim. Poder de fazer as coisas. Que coisa? Para quem? Com qual sentido? Que novas (velhas) utopias nos continuarão a servir de sonhos e de alimento para o fazer política cotidianamente.

Antes do texto original, eu transcrevo abaixo um comentário do perfil do Marcelo Vianna sobre o tema que me instigou a refletir sobre a situação da Europa comparativamente com o Brasil e a decidir publicar o texto aqui no blog:

"Correntes da literatura especializada em ciência política avaliam que o PT ao chegar ao governo federal caminhou para uma agenda de "reformismo fraco" que emula o antigo PTB, reivindicando os programas de inclusão e compensação social implementados massivamente como sua marca. 

Nesse contexto, o PSDB caminhou na direção oposta, rumo ao velho udenismo, adotando uma agenda elitista, instrumentalmente moralista e algo autoritária, pois rejeita os mecanismos de participação social. Ainda não descambou para um lacerdismo golpista, mas essa movimentação de parte dos eleitores, ainda que muito minoritária, assusta.

Para confirmar isso, observe-se a perplexidade do Gianotti diante das posições excludentes das cabeças pensantes tucanas em reunião no Instituto FHC para pensar programas do PSDB.

O PSDB está virando um partido de liberalismo de casa grande, que emula o mofo do movimento de 32."

Agora o texto Edmilson Lopes Júnior, publicado no Terra Magazine e também no blog "Viomundo":
"O que pretendem fazer com esta gente"

"Na última semana, um encontro promovido pelo Instituto Fernando Henrique reuniu antigos dirigentes da área econômica e intelectuais tucanos para diagnosticar os principais problemas econômicos do país e, se possível, apontar propostas substantivas para uma alternativa ao que vem sendo feito desde que o Lula tomou posse em 2003. O título do evento não poderia ser mais pomposo: “Transição incompleta e dilemas da (macro) economia brasileira”.

Os “pais do Real”, hoje aboletados nas direções de bancos e fundos de gestão, não trouxeram a esperada luz que iluminaria o escuro caminho da oposição. Com a notável exceção de Pérsio Arida, que apontou a necessidade de uma revisão das regras de gestão e de aplicação dos recursos dos fundos dos trabalhadores (FGTS e FAT), os demais pisaram sobre terreno por demais batido. Queriam mais do mesmo: redução dos gastos públicos. Houve até quem propusesse que abandonássemos a perseguição do modelo de estado de bem-estar (welfare state) europeu.

Nós, que jamais tivemos welfare-state de verdade, deveríamos abandonar a ilusão de realizá-lo. Essa proposição, em um encontro de intelectuais de um partido que carrega no nome o peso da definição socialdemocrata, é, por si só, reveladora. Se a democracia social europeia não deve nos orientar como modelo, para qual direção devemos mirar? Para a China, onde o milagre do crescimento econômico se faz à custa de uma força de trabalho submetida a regimes de trabalho semiescravo? Ou, quem sabe, para os EUA, onde, trinta anos de enxugamento dos gastos sociais e de acentuada concentração de rendas não livraram o país de uma crise que ameaça arrastar o resto do mundo?

O melhor relato do encontro tucano foi feito pela jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista de política do jornal Valor Econômico. Segundo ela, após Pedro Malan ter afirmado, certamente com a candura e objetividade de sempre, que “os que tinham a Europa como modelo vão precisar rever os seus conceitos”, o filósofo José Arthur Giannotti não conseguiu se conter e, dirigindo-se ao conjunto dos economistas, indagou: “Desde o último artigo que li de Gustavo Franco tive a impressão de que vocês descreem da impossibilidade de se prover o welfare state. Mas o que pretendem fazer com essa gente?”.

Ao que parece, os emplumados economistas preferiram dar de ombros diante da pergunta do filósofo. Giannotti, como bom filósofo, resumiu em sua pergunta o dilema que devora parte do campo político brasileiro. Ora, se a oposição não sabe o que pretende fazer com “essa gente”, por que diabos “essa gente” vai querer algo com essa oposição?

O que resta para essa oposição, já que não dá para nenhum político, em pleno domínio de suas faculdades mentais, sair por aí repicando as receitas de Pedro Malan e Gustavo Franco, é procurar casos de corrupção no Governo para denunciar. O moralismo, ao contrário do que muitos pensam, não é uma opção. É o que resta como discurso para uma oposição que, após oito anos, ainda não descobriu o que “fazer com essa gente”.

quinta-feira, novembro 06, 2014

A economia global, a logística dos fluxos de cargas e os portos de Antuérpia e Roterdã

As negociações sobre a economia global e as articulações sobre a logística dos fluxos de cargas prosseguem com um papel cada vez mais destacado da China neste processo.

Hoje, aqui na Antuérpia, Bélgica, o jornal local "Gazett Van Antuerpen" na página 12, mostra o presidente chinês Xi Jinping falando dos planos de investimentos em infraestrutura de transporte ligando, pela via ferroviária, a China à Eupora, através de Roterdã, na Holanda e Veneza, na Itália, com passagem por Moscou na Rússia e outras repúblicas do leste europeu. (Veja foto ao lado. Se desejar ver em tamanho maior clique sobre a imagem) 

Assim, Xi Jiping repete na Europa o que fez em julho, no Brasil e na América do Sul, quando lançou o Banco dos Brics e anunciou relação e investimentos em infraestrutura com os países do Mercosul.

O mapa é muito significativo dos novos alinhamentos na linha Eurásia que não se pode deixar de analisar com maior profundidade.

Aqui na Antuérpia, Bélgica, assim como em Roterdã, eu tive a oportunidades nestes três dias de conhecer a realidade do entorno do porto e visitar uma boa parte da área portuária, terminais de cargas, e a imensa zona industrial-portuária (ZIP). 

Na foto ao lado, o blogueiro no prédio da Autoridade Portuária do Porto de Antuérpia, onde teve acesso às informações mais recentes sobre o projeto do sistema portuário que é o segundo maior da Europa, logo atrás de Roterdã.

Além da logística com as ligações de diferentes modais de transporte, o Porto de Antuérpia, possui um imenso complexo industrial em área contígua ao porto que, como Roterdã tem saída para o mar, mas é fluvial, no caso belga, no Rio Escalda.

Além de um imenso complexo de industrias químicas e petroquímicas, o setor metalúrgico e agroindustrial utiliza o porto como base de escoamento da produção.

Interessante observar que o acesso a área portuária é aberta e por ela circulam muitos carros de trabalhadores e visitantes que por ele acessam várias autovias que acessam as avenidas e ruas internas. Há algumas delas com seis pistas. As modais ferroviárias são várias. Cheguei a contar dez em paralelo num determinado trecho. O acesso às indústrias é que é controlado.
A disputa concorrencial com Roterdã e Hamburgo é evidente e dá evidências como o ocidente europeu se movimenta em sua região norte. Há sempre muito a se conhecer sobre esta realidade atual em profunda mudança. Roterdã está a cerca de 100 km de distância de Antuérpia e pouco mais de 200 km de Hamburgo.

Há várias conexões modais ligando estes sistemas de logística que dá vazão às estruturas de produção, especialmente, alemã. A ameaça da China com seus baixos custos de produção é sempre grande e preocupante.

Ao se falar sobre o Brasil, e sua potencialidade ligada sobretudo à área de petróleo, de infraestrutura e de logística a atenção é sempre grande.

Mais adiante, darei mais detalhes sobre o porto de Antuérpia, sua ligação com a América do Sul e interesses no fluxos de cargas global com o Brasil.

quarta-feira, novembro 05, 2014

Prumo divulga novas imagens aéreas do Porto do Açu

As imagens divulgadas nesta semana pela Prumo Logística Global S.A. (ex-LLX) mostram o primeiro carregamento de minério de ferro no navio Key Light no terminal 1:

Avaliação altimétrica do Rio Paraíba do Sul por José Ronaldo Saad

Abaixo o blog publica análise do engenheiro José Ronaldo Saad com avaliação altimétrica do Rio Paraíba do Sul que reforçam os riscos já conhecidos. Confiram:

"Prezado

A propósito da questão sobre a transposição das águas do Rio Paraíba do Sul ofereço no anexo, um singelo estudo do ponto de vista puramente altimétrico, que, penso, deveria refletir severamente nessa discussão.

O que não ocorre, lamentavelmente.

É uma pequena consideração numérica do declive desse importante curso d’água.

Ali se observará que, se o declive médio ao longo de toda a extensão do curso do rio (da Serra da Bocaina à foz) já é bem pequeno (1,6 milímetros por metro), no nosso particular trecho (Campos a São João da Barra) é praticamente nulo (0,35 milímetros por metro), ou, QUASE CINCO VEZES MENOR que a média geral.

Esse fator altimétrico é relevantíssimo e jamais foi ventilado nas discussões entre o poderoso estado de São Paulo (que acaba de ser privilegiado por decisão do Ministro Luis Fux, do STF) e o pobre estado fluminense, no qual, desafortunadamente, seus governantes sempre acharam que "o Rio de Janeiro termina no Túnel Rebouças".

Bem, o único que importa, é que alguém, da nossa província, que possua voz poderosa, lembre à Corte que o problema para todos os que dependem da água do Paraíba para sobreviver é efetivamente a falta d'água do dia a dia. Mas para nós, os que vivemos nessa planície de inacreditável e abençoada planura (mas por isso mesmo propiciadora de formidáveis dificuldades no escoamento hidráulico) a questão é enormemente mais complexa.

A temerária língua salina.

Com efeito, estando a cota do ponto mais profundo do canal do Rio Paraíba do Sul 15 metros aproximadamente abaixo do piso da Praça São Salvador,     (significando que está, rigorosa e temivelmente, no nível do mar), na impensável possibilidade ainda que remota de uma transposição mais intensa de suas águas, o que agora mesmo foi autorizado, fatalmente iremos à praia ali, na Curva da Lapa.

O eco sistema de toda a nossa região será perigosamente atingido. Se já não o estiver sendo nessas quatro últimas décadas (remember a destruição do nosso litoral pelo avanço do mar).

Que sejam de vocês, corajosos blogueiros, a iniciativa desse grito, que já se faz tardio.

José Ronaldo Saad
eng. Civil

(cópia para Joca Muylaert e Fernando Leite)."


III Congresso Fluminense de História Econômica:12 a 14/11 UFF Campos

Abaixo a programação geral do evento:


terça-feira, novembro 04, 2014

Justiça mantém bloqueio de milhões de Eike por conta de ações judiciais e criminais

A informação abaixo é do Valor Online:

Justiça mantém bloqueio de R$ 122 milhões das 


contas de Eike Batista

RIO  -  O Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro negou, na tarde desta terça-feira, o pedido da defesa do empresário Eike Batista para liberação de R$ 122 milhões bloqueados em suas contas desde setembro.
O bloqueio havia sido concedido pelo juiz Flávio Roberto de Souza atendendo a pedido do Ministério Público Federal em setembro, quando denunciou o empresário por crimes contra o mercado de capitais supostamente praticados em 2012 e 2013, nas negociações de ações da Ogpar (ex-OGX).
Os procuradores haviam pedido, na época, o bloqueio de R$ 1,5 bilhão para garantir o pagamento de indenizações ao mercado pelas perdas causadas na prática dos supostos crimes, além do arresto dos bens móveis e imóveis, caso o que houvesse nas contas não fosse suficiente.
O juiz permitiu somente o bloqueio do dinheiro, negando a extensão da decisão aos bens móveis e imóveis do empresário.
Crimes
O MPF denunciou Eike Batista à Justiça por supostos crimes de manipulação de mercado e negociação de ações com informação privilegiada ("insider trading"). A denúncia foi aceita e a primeira audiência de julgamento de Eike está prevista para 18 de novembro.
Em caso de julgamento e condenação, a pena por "insider trading" é de até cinco anos de detenção e, por manipulação, até oito anos.
De acordo com os procuradores, as possíveis irregularidades aconteceram em dois períodos. O primeiro foi entre maio e junho de 2013, antes de a empresa reconhecer publicamente a inviabilidade comercial de suas três principais reservas de petróleo.
O segundo, entre agosto e setembro de 2013, antes de Eike ter se recusado a fazer um aporte de US$ 1 bilhão na empresa, conforme havia prometido em 2012.
Reportagem da "Folha de S.Paulo" de novembro de 2013 mostrou que os executivos da OGX já sabiam, em 2012, que a capacidade de produção da petroleira e o tamanho dos reservatórios eram muito menores do que inicialmente estimados, mas as informações só foram atualizadas oficialmente no ano seguinte.
As duas comunicações, em julho e em setembro de 2013, fizeram as ações da OGX desabarem. Tendo negociado antes, Eike teve ganhos "indevidos" de R$ 197 milhões, segundo a decisão do TRF.
A caracterização de crime contra o mercado se deu, ainda, pelo fato de o empresário ter divulgado que comprometeria a aportar US$ 1 bilhão na empresa, "sem que nunca teria havido intenção de adimplir o contrato", afirmou o juiz em uma de suas decisões.
Bloqueio
Para um dos desembargadores federais que analisaram recurso, Messod Azulay, havia indícios de que, ao assinar o contrato que firmava a obrigação do aporte de US$ 1 bilhão na OGX, Eike já sabia que não cumpriria o acordo, uma vez que já tinha em mãos estudos apontando a inviabilidade dos reservatórios.
O bloqueio dos valores, que correspondem ao lucro obtido com a venda das ações, segundo o desembargador federal, é necessário para garantir ressarcimento de prejuízos dos investidores.
"Não se trata de mera presunção de risco de desfazimento de recursos, mas da necessidade de salvaguardar a credibilidade do mercado nacional de capitais", escreveu o desembargador em sua decisão.

Cascade

Ontem, em meu último dia em Roterdã, antes de vir para a Antuérpia na Bélgica, quando circulava na região central da cidade a caminho da Estação Central, ao passar na avenida Churchillplein, eis que deparo, ao lado do interessante Museu Marítimo, com a escultura, “Cascade” ou “Cascata”, onde obrigatoriamente enxerguei relações com a nossa região.

Logo imaginei que seu autor buscou mostrar a luta pela descoberta e pelo poder geopolítico que o petróleo gera com conseqüências sobre os homens que parecem se diluir por entre o líquido.
Talvez, o óleo em cascata, possa através da arte, também estar também nos mostrando o óleo que escorre em desperdício dos royalties, ao mesmo tempo em que reafirma a preocupação com o poder da energia e sua relação com portos e exploração offshore, na geopolítica mundial.

Um monumento entre tantos na moderna e reconstruída cidade portuária de Roterdã, junto ao Mar do Norte onde o petróleo também extraído offshore, mas, que talvez nos servisse de inspiração no Norte Fluminense.

Detalhes sobre a escultura Cascade (ou Cascata) informada pelos seus idealizadores em 2010:

A escultura é do Atelier Van Lieshout e segundo o autor evoca associações com a atual crise econômica, o esgotamento de matérias-primas e da falência da sociedade de consumo.

Essas interpretações são trazidas para um foco mais preciso por a localização da escultura na junção de Coolsingel e Blaak, no centro do coração comercial e financeiro da cidade de Roterdão. Ela tem 8,5 metros de altura, com base quadrada de 5,5 metros e foi confeccionada em poliéster (para mim uma espécie de fibra de vidro).

Como já disse, é ainda interessante observar sua localização ao lado do Museu Marítimo de Roterdã. Já descobri que o autor de “Cascade” assumiu sua forma final e cor na oficina de AVL no porto de Roterdã. No início de março de 2010 a escultura foi transportada para o outro lado do Rio Maas por navio, para atracar em Leuvehaven.

Descrição do Lieshout para a escultura: “A partir dos tambores de tamanho natural pinga uma massa viscosa em que se pode distinguir as formas de uma vintena de figuras humanas. Eles são seres anônimos, muitos deles em poses dramáticas. Um deles sobe para cima. Em comparação com os contornos consistentes de tambores de óleo, os números são flácido e sem forma. Apesar disso, essas formas formam uma rede que suporta a coluna. Bateria e formas humanas, formas rígidas e flácidos, derreteram juntos em um único conjunto”.

Por fim, vale observar como os tempos modernos e a forma de transporte em massa, transformaram o “barril” de petróleo num símbolo e numa unidade de medida (barril se transformou numa unidade de medida de petróleo líquido, geralmente petróleo cru, que equivale a 158,9 litros se for americano, ou 159,1 litros, se britânico), desde quando o produto passou a ser transportado em grandes volumes por dutos, ou por enormes navios petroleiros.

A arte e a vida em diferentes partes deste sistema-mundo global.

Sigamos em frente!