quarta-feira, outubro 22, 2014

As estratégias dos candidatos na reta final do 2º turno

Na prática temos apenas mais três dias de campanha e o dia da eleição no domingo 26 de outubro. É um tempo curto e longo dependendo de quem observa o cenário da disputa presidencial conforme suas opções.

Com o resultado desta na pesquisa do Datafollha feita ontem, a situação de Aécio piorou um pouco mais, até porque no quadro atual, o fato de não mudar já seria ruim.

Sabemos que as margens de movimentação de votos nesta reta final tendem a ser cada vez mais estreitas. Assim, o quadro para o tucano parece ainda mais complicado, embora, ainda haja muito tempo, num processo eleitoral em que se observou tantas alterações e surpresas.

Aécio, quanto mais passou a ser conhecido e suas ideias debatidas, maior e tão rapidamente, sua rejeição cresceu, tornando o caso, quase que único em campanhas eleitorais de países. Aliás, é muito estranho que o Datafolha nesta pesquisa publicada na manhã de hoje pelo jornal Folha de São Paulo, não tenha informado os índices de rejeição dos dois candidatos.

Voltando às estratégias dos candidatos, agora cada vez mais provável que a candidatura de Aécio tenda a se apegar ao último de debate na televisão, o de amanhã na TV Globo. A emissora sabe dos riscos de fazer armações além de sua posição tendenciosa até aqui.

Ainda, sobre a estratégia de Aécio, se optar por bater mais e voltar a ser agressivo e pouco propositivo, ele tende perder mais as chances de virar votos de Dilma e ter a maior parte do eleitores que ainda estão indecisos. Se, por outro lado, ele não criar fatos novos também não sai do lugar, que a julgar pela maioria das pesquisas, não parece o desejado.

Assim, é uma tarefa difícil para o tucano neste embate contra a a reeleição da Dilma. Ao contrário, a presidenta parece cada vez mais segura, calma e até sorridente.

O eleitor indeciso que está avaliando até o último minuto, dificilmente, tenderá por uma decisão que não seja da escolha de uma liderança política que tenha perspectivas de melhorar s sua vida, mas, especialmente, não torná-la pior. Enfim, continuamos acompanhando os desdobramentos.

Atracou hoje, às 08:10, navio graneleiro Key Light no Porto do Açu

Atracou somente hoje, às 08:10 da manhã, no Terminal 1 do Porto do Açu, o navio Key Light - PANAMÁ (IMO 9490129) que deverá fazer o primeiro embarque de minério de ferro e movimentação de cargas do Porto do Açu.

É um navio cargueiro tipo "Bulk Carrier" (graneleiro), tem 229 m de comprimento por 32 metros de largura, um calado de 7,3 metros e capacidade para transportar 83 mil toneladas. Foi construído em 2001 e tem bandeira panamenha. 

Antes de atracar nesta manhã no Açu, o navio Key Light veio de Singapura, de onde saiu no dia 12 de setembro em direção ao litoral fluminense. 

O carregamento do minério de ferro estocado pela FerroPort (empresa criada - joint-venture - entre as empresas Anglo American e Prumo Logística Global) em seu pátio de armazenamento, será o primeiro a usar as correias transportadoras que ligam o pátio ao píer do terminal 1 do Porto do Açu.

PS.: O blog foi informado às 08:20, mas, a foto ao lado do Cesar Franco foi postada no jornal online Sanjoanense Quotidiano às 09:51.

PS.: Atualizado às 10:22: Outra foto do navio Key Light atracado no terminal 1 do Porto do Açu:






















PS.: Atualizado às 11:12: Mais um registro da chegada do navio enviado por colaboradores ao blog:






















PS.: Atualizado às 14:38: Abaixo imagem vista da praia do Açu do navio graneleiro aportado no Terminal 1 para o primeiro carregamento de minério de ferro:

















PS.: Atualizado às 14:54: A primeira foto está registrada no FB e mostra trabalhadores do Porto do Açu registrando o momento que consideram histórico do primeiro navio atracado para embarque de minério de ferro. Na segunda imagem também de perfis do FB, é possível ver um helicóptero contrato pela empresa para registrar imagens aéreas do fato. Em terceiro lugar, mais abaixo, um filme do morador Denis Toledo que da praia registra o fato os terminais do Porto do Açu e o local da atracação do navio Key Light.























Nova Pesquisa do Datafolha mostra avanço de 1% de Dilma sobre indecisos

Esta nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (22/10) pelo jornal “Folha de S.Paulo” mostra que a presidente Dilma continua à frente de Aécio no 2º turno. O que mudou?

Nos votos totais Dilma agora registrou 47% das intenções de voto, na anterior de 2ª feira ela tinha 46%. Aécio tem tucano, 43%, o mesmo da anterior. Os brancos e nulos continuam 3% 6%, mas, os indecisos caíram 1% e foram para a Dilma.

Considerando os votos válidos os percentuais não mudaram: Dilma 52% x 48% Aécio. Como explica isto? As aproximações estatísticas que estabelecem como aprendemos na escola que até 0,4%, se arrenda para baixo e de 0,5% em diante, para cima.

Porém, o dado mais interessante desta nova pesquisa do Datafolha é o que detectou que os eleitores não estão mais tão pessimistas com a economia do país: só 31% acham que a inflação vai aumentar, índice, inferior aos registrados em setembro, de 50%, e em abril, de 64%. Para 21% dos entrevistados, o índice de inflação vai diminuir.

Na estratificação social da pesquisa se vê onde Dilma avançou: entre as mulheres (de 42% para 47% desde o dia 9), no grupo dos que recebem que tem a preferência de 47% e no grupo das pessoas que recebem entre dois e cinco salários mínimos (de 39% para 45% desde o dia 15) e no Sudeste (de 34% para 40% desde o dia 9). O Datafolha ouviu 4.355 eleitores no dia 21 de outubro.

Os dados mostram que o quadro para Aécio estão cada vez mais difícil. Porém, a eleição segue indefinida. Ainda se tem 4 dias pelas frente e mesmo que os indecisos estejam no percentual usual, agora a disputa é para um tentar tirar o voto do outro. A conferir!

terça-feira, outubro 21, 2014

Blogueiros repudiam censor!

Este blog se alia à Comissão Nacional dos Blogueiros Progressistas, grupo popularizado pela sigla BlogProg e que reúne diversos blogueiros e comunicadores digitais brasileiros, no manifesto que alerta para a ameaça que a candidatura de Aécio Neves representa à liberdade de expressão no país. 

No texto, os blogueiros lembram do histórico de processos judiciais exigindo a retirada de conteúdos da rede, além da perseguição e censura a jornalistas em Minas Gerais.

Recentemente, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé também assinou manifesto elegendo Aécio Neves o inimigo público número um da liberdade de expressão no Brasil. Um grupo de jornalistas de MG também marcou posição sobre o tema, em texto intitulado "alerta ao povo brasileiro".

Abaixo a íntegra do documento que está exposto no site do Centro de Estudos Barão Itararé:

"Aécio Neves é ameaça à liberdade de expressão no Brasil"

"O movimento de blogueiros e ativistas digitais, popularizado com a sigla BlogProg, tem como a sua principal bandeira de luta a defesa da democratização da comunicação, ampliando o acesso à informação para os cidadãos e propondo uma maior diversidade de vozes presentes no campo midiático e junto à opinião pública. Tem sido essa a defesa do movimento em seus quatro encontros nacionais, desde 2010, nos inúmeros encontros regionais e no envolvimento em diversas pautas de luta, como o do marco civil da Internet e pela regulação econômica das comunicações do Brasil, a partir da regulamentação do capítulo da Comunicação Social na Constituição Federal.

Com esse histórico, o movimento não poderia deixar de se pronunciar quanto à disputa eleitoral à presidência da República em 2014, especialmente em seu segundo turno, quando se defrontam dois claros e distintos projetos políticos. De um lado o projeto de reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e, do outro, o projeto tucano de Aécio Neves (PSDB).

Aécio Neves é uma séria ameaça à liberdade de expressão no Brasil. Podemos afirmar isso a partir da realidade de censura, perseguição e prisão de jornalistas que ocorria em Minas Gerais quando Aécio Neves foi governador do estado. Não são poucos os relatos de jornalistas e comunicadores que perderam emprego ou foram silenciados ao ousar publicar conteúdos críticos aos governos tucanos de Minas Gerais.

Mais recentemente, o senador empreendeu uma tentativa de eliminar da ferramenta de pesquisa do Google as referências a textos críticos contra si. Já na campanha eleitoral, Aécio Neves processou a rede social Twitter para obter dados pessoais de 66 usuários que utilizavam a rede com publicações críticas ao senador. A iniciativa do senador, amplamente rechaçada pela opinião pública, era o primeiro passo para que Aécio tentasse silenciar os 66 tuiteiros. No Rio de Janeiro, a jornalista Rebeca Mafra teve sua casa, no Rio de Janeiro, invadida pela polícia por ação do candidato tucano.

Aécio censura e, além disso, representa para o enfraquecimento e a consequente revogação do Marco Civil da Internet.

Durante a campanha, especialmente o segundo turno, tornou-se mais evidente ainda o conluio da mídia corporativa em torno da candidatura tucana com o nítido objetivo de desalojar do poder o projeto de governo popular que ampliou a rede de universidades públicas federais, interiorizou os institutos de educação tecnológica, diminuiu a desigualdade e o desemprego, retirou milhões de famílias da miséria extrema e da pobreza e fez do Brasil um país de classe média e uma das economias mais pujantes do mundo contemporânea.

Em virtude disso, o movimento de blogueiros e ativistas digitais vem a público convocar aqueles que defendem a liberdade de imprensa e de expressão, os avanços sociais e políticos dos últimos anos, a comunicação livre, democrática a se posicionar claramente dizendo não ao retrocesso que representa a candidatura do senador Aécio Neves nesta eleição presidencial."

Embarque de minério no Açu: interesses, especulação & realidade

 Há interesses na informação que o blog não sabe identificar quais são. Ontem o blog recebeu a informação de que um navio já estava atracado para fazer este primeiro embarque. Checou por duas fontes lá do Açu que negaram que já tivesse atracado por lá navio graneleiro para transporte de minério de ferro.

Há sim grande volume de minério de ferro recebido pelo mineroduto que após filtrado e desidrato está sendo armazenado para futuro embarque na área da FerroPort, joint-venture entre a Anglo American e a Prumo Logística Global S.A. (ex-LLX). Veja imagem ao lado.

Há sim previsão de atracação no Terminal 1 do Porto do Açu de um graneleitro para este fim, mas, não se sabe quando isto poderá ser feito. 

Nestes últimos dias, está havendo por parte da empresa espanhola FCC, encarregada de construção e instalação dos caixões do píer do terminal 1, a administração de atuação dos rebocadores que estão segurando estes últimos caixões a serem instalados. Só depois disto, qualquer navio poderá ser atracado e começar o carregamento de minério em direção à Ásia.

A Anglo American tem interesses em viabilizar o primeiro embarque o mais rapidamente possível, e assim, se colocar melhor no mercado com hipótese de negociar este ativo para outra empresa como vem sendo especulado.

A Prumo com ações no Ibovespa também tem este interesse para valorizar suas ações. O processo caminha, mas, não se deve criar "barrigas" de informação de quem não checa a realidade do que está efetivamente acontecendo no Porto do Açu.

Interessante observar como a mídia comercial local, mesmo não tendo recebido a confirmação da empresa, sequer se dignou a comprovar os fatos reais do que está acontecendo no Açu.

Enfim, sigamos em frente. Abaixo foto do terminal 1 do Açu, mesmo de longe, que demonstra que não houve ontem e nem hoje, nenhum navio graneleiro aportado no Açu.

segunda-feira, outubro 20, 2014

Datafolha: Dilma 52% x 48% Aécio















PS.: Atualizado às 20:09: Com informações do G1: A mais relevante é que a aprovação do governo como ótimo/bom atingiu 42% e os que acham ruim/péssimo apenas 20%. Confiram as outras informações do G1:

O governo da presidente Dilma Rousseff é aprovado por 42% dos entrevistados em pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (20). O percentual é o de eleitores que, no levantamento, classificaram o governo como "ótimo" ou "bom". Na pesquisa anterior, do último dia 15, a taxa de aprovação do governo era de 40%.

De acordo com a pesquisa, 37% julgam o governo "regular" e 20%, "ruim" ou "péssimo". No levantamento do dia 15, o governo era "regular" para 38% e "ruim" ou "péssimo" para 21%.

O resultado da pesquisa de avaliação do governo Dilma foi o seguinte:
- Ótimo/bom: 42%
- Regular: 37%
- Ruim/péssimo: 20%
- Não sabe: 1%

O Datafolha ouviu 4.389 eleitores nesta segunda-feira (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR01140/2014.

PS.: Atualizado às 20:28:

Se forem incluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, os votos totais da pesquisa estimulada são:
- Dilma Rousseff (PT): 46%
- Aécio Neves (PSDB): 43%
- Em branco/nulo/nenhum: 5%
- Não sabe: 6%.

Ou seja brancos e nulos pouco se alterou. O que significa que houve mudanças por votos perdidos pelo Aécio.

Sobre a certeza dos votos que é importante para saber a consolidação da votação dos candidatos:

45% - votariam com certeza em Dilma
15% - talvez votassem
39% - não votariam de jeito nenhum
1% - não sabe

41% - votariam com certeza em Aécio
18% - talvez votassem
40% - não votariam de jeito nenhum
2% - não sabem.

Estes números apontam que a rejeição a Aécio é maior que Dilma 40% x 39%.

PS.: Atualizado às 20:35: Não é preciso ser especialista para identificar que quem passou a conhecer Aécio deixou de votar nele. Junto disto aumentou a avaliação de bom e ótimo do governo e reduziu aos que acham ruim ou péssimo a apenas 20%. É difícil crer que com um percentual de apenas 20% de governo ruim ou péssimo um candidato à reeleição possa ser derrotado. Este números mostram que menos de 1/3 (ou 10% dos 37%) dos que julgam o governo regular voltam na Dilma. O fato mostra que ainda há margens de votos a serem conquistados. O enorme aumento da rejeição a Aécio pode estar ligado à forma com que passou a se comportar de maneira agressiva e fazendo discurso apenas para os seus eleitores, mais engajados e raivosos, perdendo espaço assim, daqueles que ainda observando o cenário. Costumo comentar aqui que na eleição majoritária entre dois candidatos, um deles precisa ir bem e torcer para que o outro vá mal. Evidentemente há outros ingredientes, mas a grosso modo foi isto que ocorreu nestes últimos sete dias.

PS.: Atualizado às 20:42: Oportuno ainda relembrar que a captação da intenção de votos foi feita exclusivamente hoje, assim, o resultado que pode ter sido gerado pelo debate de ontem já foi captado, embora a onda de sua repercussão possa se dar junto da divulgação deste resultado até a próxima pesquisa prevista, se não estou enganado para depois de amanhã.

PS.: Atualizado às 20:46: Também é evidente que a eleição não está decidida. A diferença, sendo significativa em relação aos números anteriores ela está no limite da margem de erro de 2% para mais ou para menos. Porém, todos sabem que a tendência é tão importante quanto os números do momento e mostram que a repercussão deles pode ser ainda crescente como a pedra na água do lago. Porém, vale chamar a atenção para um outro efeito da campanha raivosa que neste período os tucanos passaram a empreender, além de ter contribuído para a mudança de alguns votos e todos nós conhecemos quem expôs esta situação, mas, o quadro levou a que um bloco de pessoas progressistas passaram a se juntar como não faziam desde 1989, na eleição de Lula contra Collor, colocando divergências menores de votos e saindo às ruas para debater política e disputar os votos. Este efeito tende a se manter até o dia da eleição, no domingo e pode até ajudar a ampliar a diferença, mas a eleição segue ainda indefinida. É bom que se lembre, recordando a alternância que ela passou neste período de três meses.

PS.: Atualizado às 22:16: Ainda outros dados que estão assustando os tucanos após a divulgação do Datafolha nesta segunda-feira que deu 52% para Dilma x 48% para Aécio:

1 - Ente os indecisos 31% disseram que podem votar em Dilma e 24% em Aécio. Assim Aécio teria que além de reverter a diferença de 4% em relação à Dilma mudar esta relação.

2 - A diferença a favor de Aécio na região chegou que chegou a 24 % agora está em 9%. O pior é que o quadro mineiro não muda apesar das idas mais frequentes de Aécio à terra que governou, mesmo preferindo o Rio.

3 - No Rio os tucanos estão considerando o quadro complicado porque os dois candidatos assumiram a Dilma. Nesta segunda ela esteve em carreata numa parte do dia com Crivella e e outro com Pezão. E o pior, a manifestação pró-Aécio no domingo na Zona Sul reforçou o tom elitista que sua campanha tem no eleitorado. Para piorar as coisas na quarta está previsto um grande comício na Candelária com Dilma e Lula, em contraponto ao passeio da orla.

4 - Em SP o quadro é caótico com o racionamento de água e nada indica que vá mudar. Ao contrário. A pesquisa que o Datafolha divulgou hoje as pessoas estão em sua maioria (quase 70%) atribuindo ao governo do estado.

5 - Se não bastassem as notícias ruins acima na estratificação não regional, como da escolaridade Dilma passou à frente: 46% x 45% entre os eleitores com ensino médio. Antes Aécio estava na frente com 7%. Por faixa de renda, entre os eleitores com renda entre 2 e 5 SM (o que reúne o maior % de eleitores) a vantagem de Aécio também caiu de 11% para 3%. O Datafolha ainda não divulgou todas as estratificações de intenções de voto por faixa de renda e escolaridade. Ah, tem outra Dilma também passou à frente de Aécio entre os homens: 46% x 45%.

6 - Os analistas e colunistas ligados aos tucanos começam a pensar que só um grande debate pró Aécio e péssimo para Dilma poderia mudar o quadro. Porém, ainda se tem cinco dias de campanha.

O mar volta atingir a costa e leva parte do calçamento da avenida Litorânea no Açu

Abaixo uma foto um pequeno vídeo agora do ínio da tarde na Praia do Açu que foi enviado ao blog pelo morador da comunidade, técnico e pequeno empresário Denis Toledo:







Sabujos e populistas usam a corrupção nas eleições, mas apostam no Estado de Exceção

A relativa distância, talvez, me permita observar alguns outros pontos que, quem está mais próximo do calor ardido do enfrentamento eleitoral, deixe passar batido.

Fazer alguns destes comentários que descreverei abaixo, depois de um debate em que as propostas de gestão estiveram mais em evidências do que os questionamentos sobre condutas, talvez seja mais providencial.

O melhor debatedor, o candidato com saída mais criativa em algum ponto, ou o mais “esperto” (pleonasmo de mentiroso), não significará nunca que seja o melhor candidato para dirigir a nação e representar a nossa sociedade neste momento.

Aliás, é bom que nos lembremos do que se trata a representação política num momento em que há quem pretenda, com discurso contra a política, fazer pouco caso dela, para, oportunisticamente, se apropriar do poder. Ao agir desta forma, a maioria acaba não percebendo que está sendo enganada, ao escolher para representá-la, quem na prática nega a representação.

Tem-se aí o maior perigo para a democracia e para a sociedade. Neste quesito, o debate, mais ou menos agressivo, com mais ou menos propostas em questão, serve para que saibamos fazer distinção entre aqueles que abusam do “populismo modernoso da apolítica, ou da nova política”, para fins exclusivamente utilitaristas da eleição que chega.

Não é simples para quem não acompanha a política em seus detalhes observar todo este jogo. Palavras de efeito podem ter mais “valor” que exemplos e práticas que mostrem valores.

O debate e o jogo de palavras, articuladas em tabelinha com a mídia comercial, permitem que haja quem ao mesmo tempo usufrua das possibilidades que a política oferece em favor do seu patrimonialismo (Wikipedia: “patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado”) e ao mesmo tempo vocifere loas e promessas de gestão meritocrática.

O assunto corrupção é um ótimo exemplo de como estas questões e relacionam. Não há corrupção maior ou menor. Em volume ou quantidade. Há corrupção no estado. Isto não é primazia de alguns estados ou governos. Há corrupções escondidas e abertas.

A corrupção é luta permanente da sociedade para combatê-la, desde o nepotismo e o usufruto de cargos comissionados sem trabalho, ao superfaturamento vinculado à arrecadação financeira de campanha, que circula sem nota e rastros pela “burocracia armada”.

A diferença é a disposição entre enfrentá-la e escondê-la sabujamente (No dicionário o vocábulo sabujo significa: “cão utilizado na caça que vai ao encontro da sua presa facilmente, no sentido figurado são pessoas que andam à procura de alguém a quem tramar a vida”).

Isto sim, é fazer populismo de ocasião, sustentado por ampla rede midiática, seletiva, que prioriza manchetes e matérias, pautando a justiça (assim cem minúsculo mesmo), com o que deve ou não ser julgado e o que deve ser prescrito entre mensalão, mensalinhos, pastas rosa, sivan, Petrobras e trensalão. Nesta linha, a delação premiada caiu como a luva ideal, tal qual a pauta seletiva das escolhas que pretende tornar o poder saído das urnas dependentes de seus interesses como outrora.

Lendo, aqui na Espanha, a resenha do livro recém-lançado “Corrupción y política. Lo costes de La democracia” (“Corrupção e política. Os custos da democracia”) de Javier Pradera, reforço que o autor lembra tratar-se de uma necessidade permanente o seu enfrentamento.

A publicação do livro saiu apenas vinte anos depois de ter sido escrito. Discordando de diversos de seus pontos, não tenho como não registrar, quando ele cita os casos da França, Itália e Espanha, e diz que seu conteúdo não perdeu “o seu ápice de vigência”. Isto é bom que seja lembrado para aqueles de mente eternamente dependentes e euro-centradas. Também concordo quando afirma que “não se pode cair na desistência ou na conformação ante o populismo dos aventureiros dispostos a manipular o sufrágio universal como instrumento plebiscitário contra a democracia representativa”.

Há quem leia, também oportunisticmente, que o estado mínimo representaria corrupção mínima, como se toda esta engrenagem sobrevivesse de corruptos, sem corruptores. Desta forma, interessante ainda, observar de que lado (quase a totalidade) estão os corruptores em todos estes processos e também nesta nossa eleição brasileira. Em que apostam?

Considerando que não há saída de curto prazo e nem milagreiros de falsa política, há que se observar os institutos legais que vêm sendo construídos para avançar neste controle. A CGU é um ótimo exemplo. Uma Procuradoria da República não engavetadora é outra. A Política Federal (PF) como agente do Estado e soberana tem sido instrumento notável, apesar dos interesses seletivos de alguns de seus agentes, o que reforça a tese de que o combate à fraude e à corrupção é ação diuturna, real e não de evocações populistas e oportunistas.

Neste grande elenco de medidas não se pode deixar de lembrar da Lei que pune igualmente corruptos e corruptores. Poucas nações ousaram avançar nesta linha e seus resultados ainda aparecerão, porque a mesma é recente. A não ser que o processo eleitoral aponte mudanças com apoiadores e financiadores controlando de forma total o Estado.

Em meio a todas essas questões só a “verdadeira” democracia (sem seletividade de quem quer que seja) com o povo (e não apenas de uma classe) pode fazer o Estado, como elemento criado pela sociedade, uma instituição diversa do que tem sido na maioria dos casos, como bem disse o filósofo italiano Agamben: um “estado de exceção” para o controle de alguns.

Estado de exceção entendido como estruturas institucionais para benefício e usufruto de uma classe e não de todos como supõe a democracia na essência de Sócrates.

Por tudo isto, o processo eleitoral brasileiro, a menos de uma semana de seu desfecho, nos impõe escolhas e desafios que são próprios da ação política na contemporaneidade. Por tudo isto e muito mais, relembro o professor Theotonio em seu escrito abaixo (aqui): “Para frente ou para trás”.

PS.: Atualizado às 12:12: Para justar título da postagem.

domingo, outubro 19, 2014

Racionamento ou rodízio pela falta de água em SP se amplia

A velha mídia comercial escondeu enquanto pode o grave problema paulista. Agora, aos poucos, depois das eleições paulista o drama está vindo à tona. Por conta da crise a presidente da Sabesp pediu demissão na última semana. A matéria abaixo é da Agência Brasil replicada pelo Valor Online:

Municípios em SP adotam racionamento ou 


rodízio devido a falta de água

SÃO PAULO - Cidades do interior de São Paulo estão adotando racionamento ou rodízio de água. A causa é o longo período de estiagem que atinge o Estado desde o início do ano. Cada prefeitura estuda a melhor forma para enfrentar o problema. 
Maurício Rummens/Fotoarena/Folhapress / Fotoarena/Folhapress
epresa de Santo Antônio, que abastece a cidade de Itu (SP) e sofre com a seca. A represa é composta por três grandes lagos, sendo que dois deles se encontram basicamente secos
Um dos municípios mais atingidos pela falta de água, Itu enfrenta um racionamento oficial desde fevereiro. A estiagem na cidade já provocou diversos protestos de moradores e mais de mil reclamações da população ao Ministério Público. 
Na quinta-feira (16), por exemplo, o município de Barretos passou a adotar o racionamento de água de forma oficial. Segundo a prefeitura, a medida foi tomada após a constatação de que o Ribeirão Pitangueiras, responsável por 60% da água consumida na cidade, registrou grande queda no volume, com a profundidade baixando 60 centímetros e atingindo 1,2 metro. Com isso, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade decidiu aplicar multa de R$ 264,6 nos moradores flagrados lavando calçados ou veículos. Em caso de reincidência, o valor será dobrado.
Na capital paulista, muitos moradores reclamam de falta de água em diversos bairros, mas a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não admite o racionamento. Para diminuir o consumo, desde fevereiro a companhia concede descontos para consumidores do Sistema Cantareira que economizarem água.
Em Guarulhos, o rodízio começou dia 14 de março. Conforme o Saae da cidade, o consumo é liberado um dia sim e outro não. Dados do Saae indicam que aproximadamente 13%  da água disponibilizada na cidade são de sistemas próprios, que utilizam captações superficiais e subterrâneas [poços profundos]. Do restante operado pela Sabesp, 62% saem do Sistema Cantareira [um dos mais prejudicados com a estiagem] e 25% do Sistema Alto Tietê. Para enfrentar a crise, o Saae também decidiu oferecer descontos para consumidores que reduzirem o consumo.
O rodízio em Bauru é operado desde quarta-feira (15), de maneira diferenciada. A cada 24 horas [das 6h as 6h], o abastecimento é alternado entre as regiões do centro/zona sul e da Vila Falcão/Bela Vista. Assim, uma área fica sem água para que outra seja abastecida. Segundo a prefeitura, a combinação de escassez de chuvas e altas temperaturas, que aumenta o consumo de água, provocou a redução do nível do rio Batalha. A medição do manancial passou dos 2,25 metros, registrados na sexta-feira da semana passada, para 1,27 metro, na tarde de segunda-feira (13). De acordo com a prefetura, a situação, que afeta 38% da população da cidade [o restante é abastecido com água de poços], seguirá por tempo indeterminado, até o retorno do período de chuvas.
Em Mauá, a prefeitura criou o Projeto Revezamento de Abastecimento, que ocorre de segunda à sexta-feira e envolve toda a cidade. A cada quatro dias com água, o consumidor enfrenta um dia sem. O projeto foi adotado no dia 1º de outubro e passará a funcionar na segunda-feira (20).
A Prefeitura de Cruzeiro implantou rodízio programado desde a terça-feira (14), com interrupção do serviço por 24 horas, em dias alternados. Na cidade, o rodízio também só será suspenso com a volta das chuvas.
Em Mirassol, o Rio São José dos Dourados, que abastece mais de 30% da cidade, está praticamente sem água. Enfrentando problemas técnicos também no poço Guarani, que dá suporte à captação no rio, a região central da cidade entrou em estado de atenção. Com isso, cerca de 40% da população enfrentará problemas com a falta de água até a semana que vem. Enquanto isso, a prefeitura deve oferecer caminhões-pipa para abastecer locais de emergência, entre eles escolas e postos de saúde.
Em Americana, o rodízio, sem previssão de término, foi anunciado na terça-feira (14), quando se confirmou o baixo nível do Rio Piracicaba, que abastece a cidade. 
Cidade próxima de Itu, Salto enfrenta reduções noturnas no abastecimento.  Principal fonte de água do município, o Ribeirão Pirahy está com 20% do nível de fornecimento. A capacidade do Ribeirão Buru e Ribeirão Ingá (Lagoa da Conceição), chega, respectivamente, a 30% e 50%. O período de contenção começou na segunda-feira (13) e ocorrerá todos os dias, entre 21h e 6h.
Em Araras, desde quinta-feira (16), o racionamento inclui todos os bairros. O fornecimento de água é interrompido entre 6h e 18h. Segundo a prefeitura, sem a redução do consumo, as atuais reservas de água bruta de Araras seriam suficientes apenas para 50 ou 60 dias.
A cidade de Casa Branca também adotou racionamento, estabelecendo cronograma de abastecimento e corte de água até o fim de outubro. A ideia é que a população fique 12 horas seguidas com água e um dia inteiro sem água.
O município de São Sebastião da Grama decretou estado de alerta e decidiu aplicar multas de R$ 291,4 ao consumidor que exceder  o consumo de água. A represa que abastece a cidade tem somente 20% de sua capacidade. A prefeitura estuda a implantação do rodízio.
(Agência Brasil)

sábado, outubro 18, 2014

Theotonio dos Santos: "Para frente ou para trás"

Eu tive o prazer de conhecer no ano passado o professor Theotonio dos Santos. Mais, tive a honra em ser seu aluno em duas disciplinas no Programa interdisciplinar de pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH/UERJ).

Além das aulas e dos debates sobre a Teoria da Dependência, do qual é um dos seus formuladores, a sua história de vida e lutas mundo afora me trouxeram um aprendizado e uma visão do processo histórico que não possuía.

A partir das suas sugestões de leituras e dos debates mais analíticos e "fora do quadrado" e da lógica que ainda impera no pensamento econômico, eu passei a tentar aprofundar conhecimentos sobre o Sistema Econômico Global (Sistema-Mundo) na contemporaneidade.

Penso que a partir destas análises, a observação e o entendimento sobre o desenvolvimento regional e das nações ganharam um novo patamar, assim, como minhas investigações sobre a relação porto-petróleo, dois setores cujas cadeias de produção são globais e com repercussões e interesses mundializados.

Assim, eu vi que ontem aqui em seu blog, que o professor Theotonio dos Santos postou do México, onde está no momento, as suas impressões sobre o atual momento político brasileiro.

Como também estou já há quase dois meses em Barcelona, na Espanha e identifico igual preocupação com os rumos que o nosso país terá como as eleições do próximo dia 26, como blogueiro, a partir deste breve preâmbulo, eu decidi trazer também para este espaço, as suas reflexões que defendo que sejam lidas e analisadas.

Penso que o depoimento do professor Thetonio dos Santos sobre o peso que o Brasil tem no cenário internacional tem um valor muito significativo, considerando inclusive, o fato dele dele deter a cátedra da Unesco sobre o tema "Economia Global" que tem valor e influência grande sobre o pensamento econômico mundial.

Não seria impertinente e nem demais lembrar que o professor Theotonio, junto com Folleto, Rui Marini, Vania Bambirra e FH foram os formuladores da chamada Teoria de Dependência.

Mais, que foi exatamente pela revisão desta teoria que FH alegou que o que tinha escrito não tinha mais valor. E assim, passou a assumir a posição estratégica de que o Brasil deveria assumir sua posição secundária no cenário internacional, negociando assim sua independência, ao invés de de assumir uma posição soberana de novos alinhamentos e articulações neste mundo. Interessante observar que o cenário atual nos leva exatamente à esta disputa pelo poder no país.

Este fatos históricos ajudam a reforçar a importância na leitura do texto:

"Para frente ou para trás"
"A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação."
Theotonio dos Santos (*)

"Daqui do México, tenho a impressão de que o mundo está muito preocupado com o que passa no Brasil. Em contato com muitos amigos de vários países em um Congresso Internacional em que participo e no hotel que comparto com os membros de uma reunião da OEA tenho a oportunidade de sentir a preocupação generalizada com o processo eleitoral brasileiro. A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação e dependência, particularmente os latino-americanos.

Para eles, o Brasil parece ter-se alinhado entre os protagonistas da política internacional representando os interesses da região. Contudo, está muito claro que os setores mais poderosos que controlam a imprensa e os meios de comunicação não veem com bons olhos este novo quadro internacional. Eles não querem mais poderes autônomos no mundo que ate agora controlavam. Por isto se pode observar um súbito alento para estes senhores com a perspectiva de volta ao governo do PSDB no Brasil. Podemos contar com todo tipo de acoes para garantir esta alternativa.

México é um lugar privilegiado para observar este fenômeno. Neste momento, as forcas hegemônicas do sistema mundial veem no México uma alternativa para disputar – pelo menos na America Latina - este protagonismo do Brasil. É impressionante constatar a diferença de tratamento para com o governo mexicano enquanto movem uma guerra psicológica no Brasil há mais de um ano na busca da derrota do PT. Vejam os leitores algumas pérolas deste tratamento:

México mantem uma das mais baixas taxas de crescimento nos últimos 12 anos (1,5%) mas melhorou para 2,4% em 2014, segundo previsões que se entusiasmam com a possibilidade de um 3,5% em 2015. Todos conhecemos o fracasso das previsões do FMI, mas no Brasil se fala de um “fracasso” do governo do PT com taxas de crescimento muito superiores durante o mesmo período.

Quanto às previsões, não são muito diferentes para os próximos anos. Mas, segundo o FMI, o México tem a vantagem de estar em “livre” associação com os Estados Unidos que estaria se recuperando da brutal crise que jogou para baixo a economia mexicana de 2008 até o ano passado pelo menos. Querem que o México assuma a liderança de uma tal de Alianca do Pacífico e aprofunde a subordinação que vem tendo com os Estados Unidos (com baixo crescimento, moeda em desvalorização, endividamento igual ao seu PIB, déficit fiscal e comercial permanente sem saída estrutural á vista).

México tem déficit fiscal há muito tempo, enquanto o Brasil tem superávit fiscal por pressão destas mesmas forcas políticas. Incrível, os reis dos “superávits” fiscais que nos impedem de investir e atender as necessidades de nossos povos, revelam uma disposição impressionantemente positiva com o novo governo do México. O departamento fiscal do FMI nos surpreende com as seguintes ponderações: “É legítimo que México utilize o déficit fiscal quando se tem momentos de baixo crescimento e, sobretudo, quando se usa para facilitar a acomodação orçamentária de reformas estruturais como as que se concretaram”

Em palavras mais simples para o leitor entender de que se trata com estas afirmações que aparentemente se colocam contra toda a teoria que manejam estes órgãos neoliberais: o México acaba de PRIVATIZAR O PETRÓLEO, havendo sido o primeiro pais da região a criar o monopólio estatal do petróleo no início da década de 1940, logo, tem direito a tudo. Para os amigos dos decadentes donos privados do petróleo mundial tudo vale. O FMI está pronto para voltar a meter-se no Brasil e ajudar a completar a obra privatizadora dos dois governos do PSDB. No fundo, este duplo tratamento que notamos aqui são partes da mesma política.

Querido leitor, seja qual seja sua origem social, étnica e de gênero: No Brasil estão jogando suas cartas duas correntes mundiais:

Uma que se coloca do lado de uma tentativa de “ELIMINACAO” da pobreza, de uma democracia participativa, apoiada na sociedade civil organizada, da soberania de todos os povos para defender suas riquezas naturais e só explorá-las de acordo com as melhores condições de vida dos povos afetados pela sua exploração, do planejamento do desenvolvimento humano e sustentado de todos os povos, da verdadeira liberdade de opinião e de informação, da associação cooperativa de todos setores sociais e de todos os povos, sobretudo dos povos latino-americanos e caribenhos organizados na CELAC, na UNASUL, na ALBA, na Comunidade Andina e particularmente no MERCOSUL que transformou profundamente o comércio brasileiro e a dinâmica da relação brasileira com o mundo americano. Este enfoque se entronca com a crescente unidade dos BRICS ( Brasil, Russia, India, China e África do Sul ) que abre caminho para uma nova economia mundial. Este é o novo BRASIL que a aliança de forcas comandadas pelo Partido dos Trabalhadores está tentando avançar no nosso país com um forte apoio de forcas sociais mundiais que estão em plena ofensiva no mundo.

Do outro lado, estão as forcas que respondem aos interesses do grande capital internacional e dos Estados Nacionais, partidos e grupos sociais que os apoiam e seguem. Eles são terrivelmente poderosos, mas como seus interesses entram em contradição com a grande maioria da humanidade não podem exercer este poder impunemente. Claro que lhes interessa sobretudo controlar a opinião pública mundial com o domínio monopólico dos meios de comunicação para impor a versão adoçada das vantagens do seu mundo. Eles utilizam como instrumento privilegiado desse controle as “guerras psicológicas” que visam criar o ódio contra as forcas do avanço da humanidade e o progresso.

Eles comandam a maioria dos órgãos de poder mundial para sustentar a economia mundial desigual e combinada que impõem sobre o conjunto do mundo. Mesmo assim não podem impor totalmente suas idéias e seus interesses. Exemplo disto é a decadência do Grupo dos 7 que pretendeu comandar a economia mundial a serviço da Trilateral, organização criada pelos grandes grupos econômicos internacionais dos Estados Unidos, Europa e Japao. Atualmente eles estão em plena decadência enquanto os povos que eles pretenderam deter estão em ascenso . Estados Unidos assiste sem entender, a China passar o seu Produto Interno

Bruto em 2014. Alemanha e Japao - que disputavam o segundo lugar entre os maiores PIBs do Mundo - lutam para não cair mais diante do avanço do PIB da India. Franca, Italia e Inglaterra lutam para manter os próximos lugares diante do crescimento do Brasil, da Turquia, da Russia e outras potencias emergentes. Eles estão em plena decadência e querem levar consigo os povos sobre os quais exercem uma influencia decisiva baseado nos seus colaboradores e agentes no interior de quase todos os países do mundo. Mas não se enganem. Eles não tem quase nada a oferecer aos povos, principalmente os mais pobres. O grupo que quer voltar ao poder são os mesmos que privatizaram a preco de banana as principais empresas estatais do pais para consumir entre eles mesmos as sobras desta operação de corrupção generalizada.

Agora querem fingir que estão do lado da Petrobrás que não puderam privatizar totalmente mas não se iludam: estão lutando violentamente para controlar o petróleo do Brasil que surpreendeu o mundo com o pré-sal, resultado do esforço tecnológico da universidade brasileira. Eles necessitam de um governo que os ajude a dominar toda esta riqueza. O PSDB já mostrou de que lado está. Você vai permitir isto?"

PS.: Atualizado às 15:06: para corrigir concordância verbal no texto de apresentação que o blogueiro faz sobre artigo do professor Theotonio dos Santos.

sexta-feira, outubro 17, 2014

O mito da evolução natural

As nações e o mundo não andam sempre para frente. Isto é um mito. Em processo histórico há idas e vindas. Avanços e retrocessos. É isto que está em jogo em mais este processo eleitoral.

Nesta linha vale conferir o bom artigo abaixo publicado no "Brasil em Debate" de autoria do Pedro Paulo Bastos e Marcio Pochmann:

"Retórica tucana e mito da evolução natural"
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos* e Marcio Pochmann**

O abuso da retórica da cientificidade como recurso de poder é comum entre neoliberais que travestem a opção política como julgamento neutro. O nível de autoengano, para dizer o mínimo, chegou a extremos em artigo recente de Samuel Pessôa (Folha, 12/10).

O físico-economista alude à genética de Bruna Marquezine para defender que progressos no bem-estar social dos brasileiros devem-se ou à “evolução natural” da sociedade ou a reformas de Fernando Henrique Cardoso que, no fundo, teriam semeado os avanços colhidos por Lula e Dilma. Pessôa alega que a retórica petista “descontextualiza” FHC e distorce informações para favorecer Lula e Dilma.

Na verdade, é Pessôa quem omite informações, recorre a truques de retórica e distorce a realidade visando ao melhor efeito político para o PSDB.

A principal omissão é que FHC executou a plataforma neoliberal de ampliar o papel do mercado e da competição para selecionar os melhores e punir preguiçosos, prometendo crescimento: privatização de estatais, desregulamentação do mercado de trabalho e liberalização comercial e financeira.

A promessa era falsa: a renda domiciliar per capita caiu entre 1995 e 2002, segundo dados do IBGE (Pnad), tendo aumentado mais de 50% a partir de 2003, com a recuperação do papel do Estado com Lula e Dilma. A melhoria de outros indicadores tampouco resultou da “evolução natural”, a saber:

1. Desigualdade (Gini): enquanto se manteve estável com FHC, caiu 10% com Lula e Dilma diante da valorização do salário mínimo, da defesa e formalização do emprego e ampliação do gasto social, que explicam a queda muito mais do que o avanço “natural” da educação e da demografia;

2. A propósito de progresso educacional, em 2001 FHC vetou o 1º Plano Nacional de Educação (PNE), que determinava investimentos de 7% do PIB até 2010, deixou o País sem meta de financiamento e concluiu mandato com 3,5% do PIB; em 2014, Dilma aplica 6,4% do PIB em educação e sanciona o 2º PNE com destino de 10% do PIB até 2024.

3. Sobre demografia, Pessôa alude a um conceito vago para explicar seu impacto na queda do desemprego: a “transição demográfica”. Talvez se refira à queda da natalidade e o envelhecimento da população, mas a verdade é que isso ainda não esgotou o bônus demográfico (maior proporção de pessoas em idade ativa), pois os adultos nascidos na vigência de taxas mais altas de crescimento populacional ainda não se aposentaram. Ao contrário de reduzir o desemprego, isso o aumentaria caso a oferta de empregos não tivesse aumentado e, principalmente, se não houvesse intensa inserção de jovens à escola, atrasando sua entrada no mercado de trabalho!

De fato, Pessôa omite a significativa ampliação das transferências de renda condicionadas à matrícula escolar, além de bolsas e crédito subsidiado para ensino técnico e universitário e a criação de 18 novas universidades federais (contra zero com FHC) e 178 novos campi. Com isso, as matrículas no ensino superior elevaram-se de 2 milhões (2002) para 7,5 milhões (2014), complementados por 8 milhões de alunos no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec): produto da evolução natural?

4. Pessôa alega que mais da metade do crescimento da dívida pública com FHC resultou da assunção de dívidas passadas não contabilizadas. Isso é pura invenção: a “assunção de dívidas” explica menos de 10% da dívida e foi compensada em dobro (!) pela venda de estatais e a elevação de impostos. O que explode a dívida são juros altos e títulos indexados em dólar para evitar a crise da âncora cambial antes da reeleição de FHC em 1998. No próprio estudo do IPEA citado por Pessôa, correção cambial e juros altos contribuem com mais do que 100% da multiplicação da dívida por cinco entre 1995 e 2002! A dívida só não se elevou mais por causa das privatizações e do superávit primário depois de 1998.

5. Três idas ao FMI: Pessôa cita artigo de M. Bolle que, à maneira de Goebbels, não chama as coisas pelo nome e alega que empréstimos do FMI não indicam que o Brasil “quebrou”, pois “facilitaram a empreitada” da inclusão social. Por que “quebrar” designaria o fato de não obter financiamento do FMI e decretar moratória, ao invés de precisar dele a ponto de, no desespero, realizar políticas que levaram o desemprego a 15% e prometer vender o Banco do Brasil, a Caixa e as demais empresas estatais ainda não privatizadas, inclusive a PetrobraX?

6. Sobre o desemprego, Pessôa incorre naquilo de que acusa o PT: o “truque retórico de escolher estatísticas e bases de comparação de forma oportunista”. Em 2011, ele escreveu que, “entre julho de 2003 e julho de 2011, a taxa de desemprego caiu mais de 50% (!), apresentando redução de 13% da população economicamente ativa para 6,2%”, citando dados de regiões metropolitanas captadas pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. No domingo, usou a PNAD para afirmar que “se tomarmos como base de comparação 2002, último ano de FHC, o desemprego caiu 2,6 pontos percentuais (!), de 9,1% para 6,5%”, sem sequer discutir que a PNAD capta menos a “transição demográfica” que cita. Ora, 50% ou 2,6%? É provável que a diferença no modo de calcular a redução do desemprego em 2011 e em 2014 se deva a oportunismo político e truque de retórica, não?

A piada sem graça não é que a retórica petista se aproprie da “evolução natural” de Bruna Marquezine, mas que seus críticos precisem se iludir quanto à rejeição da “herança natural” do neoliberalismo tucano por Lula e Dilma.

* Pedro Paulo Zahluth Bastos é professor associado (Livre Docente) do Instituto de Economia da Unicamp e ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE)

** Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas

O petróleo baixou de preço, assim o valor da gasolina voltou ao patamar correto. O que falam agora os "go-go boys" de Chicago?

Cadê os "entendidos" que diziam que era preciso aumentar a gasolina no Brasil? A forte queda do preço internacional do petróleo dos dias atuais tornou a defasagem entre os preços internos e externos praticamente irrelevantes.

Cada vez mais me convenço que nosso país precisa de um tempo mais longo de gente que "pense fora da caixinha de de regras do neoliberalismo". Os exemplos são mais que semanais, quase diários.

Este modelão não serve para o Brasil. Os resultados atuais, o mais baixo desemprego, o novo alinhamento mundial, a descoberta do pré-sal, o paulatino, mas firme avanço em nossas políticas sociais, a despeito das dificuldades de "déficit de governo" especialmente nas escalas estadual e municipal.

Mesmo com as fragilidades das equipes governamentais nos estados e municípios, as políticas públicas mostram avanços a cada dia, na saúde, educação e mobilidade. Tudo isto, se dá numa velocidade menor do que gostaríamos para vermos os resultados. Porém, não há milagres, depois de tanto tempo enxugando o estado e a máquina pública ao mínimo possível.

É difícil para esta turma turma dos "go-go boys originários do pensamento de Chicago" (e os Armínios Fragas da vida) reconhecer tudo isto. Verdade que o debate eleitoral passa por outras questões menores, porque não é possível e nem interessa discutir questões mais profundas como esta.

Pelos manuais do esquema neoliberal a cada suspiro do "mercado internacional" você mexe em tudo por aqui alterando a vida das pessoas. A crise da Rússia e Ucrânia, Israel e Palestinos alterou valores do petróleo no mundo, mas, você não pode sair alterando em tudo aqui dentro.

Ter um colchão de impacto parece uma medida inovadora e interessante. Porém como não estava nos manuais de procedimentos deles,a medida deveria ser condenada, mesmo que as consequências de tudo isto fosse grande para a vida do povo brasileiro, em detrimento dos ganhos para a banca rentista.

Por tudo isto, o nosso Brasil precisa seguir adiante. Ser revolucionário é seguir estas mudanças, sem violência, sem baionetas, e com o povo mais instruído, exigente, mas que não aceita voltar ao passado em que era apenas coadjuvante da casagrande.

O Brasil e nossa sociedade precisam de mais 4 anos de Dilma, superando alguns equívocos compreensíveis, mas não alterando a rota em favor da população.

Convite para palestra sobre a história ferroviária de SJB

O militante das causas comunitárias sanjoanenses e da história do município, André Pinto, que também é atuante nas redes sociais e ambientalista faz o convite abaixo que é uma ótima pedida. Sucesso!


O que se diz sobre o destino da ex-OGX, atual OGPar

É difícil entender estes "esquemas" do mercado financeiro e de ações, entre dívidas, passivos, ativos, debêntures e etc. e tal, o que sobra? Para quem? Enfim, veja abaixo a matéria do Valor Online sobre o resultado da assembleia da empresa que fez o império de Eike se esvair:


Eike entrega OGX a credores e dívida de R$ 13,8 


bi é resolvida

Por Graziella Valenti | De São Paulo
Regis Filho/Valor
Ricardo K: Desapego do fundador para aceitar diluição facilitou acordo
O empresário Eike Batista continua protagonista das maiores operações de mercado. Desta vez, porém, não foi para iniciar um novo capítulo de sua vida empresarial, mas para encerrar. Ontem, foi aprovada em assembleia geral a conversão de nada menos do que R$ 13,8 bilhões de dívidas da OGX em capital. Trata-se de todos os compromissos que a companhia tinha antes do pedido de recuperação judicial, feito há um ano. A maior operação desse tipo já realizada na América Latina.
A partir de agora essa dívida desaparece do balanço dessa nova OGX. Ou melhor, sai do lado do passivo e passa para o ativo, como reserva de capital. Tudo conforme o plano de recuperação judicial.
Foi o peso desses vencimentos que levou todo o grupo EBX ao colapso, depois de anunciado ao mercado que o projeto da OGX não seria nada do imaginado, após a finalização da fase exploratória.
Também a partir de agora, a OGX, ex-estrela do império de Eike Batista, não tem mais um controlador definido. "A base acionária está completamente diluída", explicou Ricardo Knoepfelmacher ao Valor. Ele está à frente da reorganização do grupo EBX desde agosto do ano passado.
Os titulares da dívida convertida ficaram com 71,4% da OGX reestruturada. Entre eles estão os detentores dos bônus internacionais, fornecedores e a OSX, companhia do grupo criado pelo empresário para construir as plataformas e estaleiros que seriam demandados pela companhia-irmã.
Eike Batista e os minoritários da OGPar (antiga OGX) terão 28,6% da nova empresa, agora sem a dívida multibilionária. Esse percentual é dividido quase igualmente entre o empresário e os minoritários de mercado - cada qual com cerca de 14%.
A nova OGX terá aproximadamente US$ 290 milhões em dívida. Desse valor, US$ 215 milhões são referentes ao financiamento feito por parte dos detentores de bônus em debêntures conversíveis. Tal dívida, portanto, também desaparece, num segundo e mais dilutivo aumento de capital. Ao fim de todo o processo, que ainda pode levar alguns meses, os donos da nova OGX serão os bondholders que apostaram na empresa em seu pior momento, e forneceram esse crédito adicional. Eles terão 65% do capital total e votante.
Outros 25% ficarão nas mãos dos credores anteriores à recuperação judicial - ou seja os titulares dos créditos da conversão de ontem. Por fim, 10% serão divididos em fatias iguais entre os minoritários e Eike Batista, em OGpar.
Knoepfelmacher destacou que o fato de Eike ter se mostrado preocupado em resolver a questão "pela porta da frente" e de forma "desapegada" facilitou o acordo com os credores. "Foi uma solução totalmente de mercado. Sem interferência política e sem bancos públicos. Não é o trivial para Brasil."
A OGX ganhou vida nova com a reestruturação. Apenas os campos de Tubarão Martelo são avaliados pela consultoria DeGolyer and MacNaughton em US$ 1,5 bilhão.
Entretanto, para a companhia tirar o maior valor de seus ativos, ou seja, explorar o campo BS-4, ainda são necessários investimentos da ordem de R$ 800 milhões, conforme o Valor apurou. A eliminação da dívida permite que a nova OGX se alavanque em mais R$ 100 milhões, com operações tradicionais. Assim, para conseguir os recursos necessários, se quiser levar o projeto adiante, terá que vender parte de seus ativos.
O time de Knoepfelmacher deve conduzir a nova OGX, pelo menos, até o fim do processo, com a conversão da dívida nova em capital. Essa etapa terá de superar uma batalha jurídica com investidores que querem colocar recursos novos na OGX, dentro do grupo original de bondholders. Trata-se de um grupo liderado pelo fundo Autonomy. A expectativa, de quem acompanha o tema de perto, é que deve se buscar um acordo entre as partes. Não será algo simples.
Neste ano, a OGX deverá ter receita líquida superior a R$ 1 bilhão. A aderência ao plano original entre os credores, selado na véspera do Natal de 2013, por um grupo com mais de cem participantes, está em 99%, segundo Knoepfelmacher.

Chegando perto?

Estas histórias do Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, ele que era um funcionário de carreira com 30 anos de empresa, do jeito que está retrocedendo no tempo, se o juiz não continuar seletivo nos vazamentos, vai acabar chegando à Macaé. 

É bom lembrar que na época de FHC foi quando ele subiu na empresa e saiu da Gerência na Bacia de Campos para a direção da empresa no Rio de Janeiro. O senador Dorneles sabe bem desta história. Políticos de Macaé também. O prefeito também era tucano, assim como parte dos assessores do Costa na Bacia de Campos que como sabemos, tem sua sede em Macaé. 

Vamos ver até onde esta história regredirá. Ontem, Costa confessou que em 2009, deu dinheiro do seu esquema de corrupção para o presidente do PSDB na época, Sérgio Guerra, para impedir que a CPI de 2009 fosse à frente. É bom lembrar que isto ocorreu às vésperas das eleições presidenciais de 2010. 

Acompanhemos, mesmo depois das eleições, se é que o assunto depois das notícias de hoje elas ainda interessam à mídia comercial. O candidato tucano no debate de ontem no SBT/UOL ignorou por duas vezes a pergunta sobre o recebimento de propina pelo presidente de seu partido. Assim, parece que não é só a mídia que é seletiva em suas abordagens conforme interesses. O blog continuará acompanhando!

quinta-feira, outubro 16, 2014

O que o apoio explicito de uma revista inglesa a Aécio significa

Para quem ainda tinha duvidas do interesse do capital financeiro e rentista internacional sobre as eleições brasileiras e o jogo da mídia comercial comprável ao candidato tucano, hoje, a revista "The Economist", defensora-mor do neoliberalismo teve a coragem e ousadia de interferir na eleição brasileira, fazendo o que o plim-plim e a Veja aqui fingem de neutralidade, apoio ao candidato tucano, Aécio.

Assim, a canastra foi fechada e de forma clara.

Um candidato com um apoio deste tem lado e certamente, não é do trabalhador e nem do povo brasileiro que foi incluído socialmente, e tem esperanças e de continuar ascendendo socialmente e ampliando seus direitos.

Com um apoio como este de banqueiros internacionais Aécio confirma-se como candidato das elites financeiras não apenas brasileiras, mas internacional.

Bom que a população saiba disto e do que isto representa em termos, não apenas simbólico, mas real. Tirando o gole militar de 64, nunca tivemos uma interferência tão grande em nossa política. É bom relembrar que em 2012, esta revista a revista pediu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Os que falam em Chaves, mesmo morto e em Cuba, deveriam também reagir a esta pressão externa. A mim parece que mais do que a defesa dos interesses do mercados, bancos e corporações internacionais esta posição da revista "The Economist" revela um esforço contra a posição de liderança que o Brasil tem neste novo realinhamento internacional. Pelo que se vê o compromisso do candidato tucano não é com o Brasil e os brasileiros.

O Brasil tem que reafirmar a sua soberania e não pode numa disputa eleitoral um candidato que venda o Brasil em troca de apoios como este. Por isto e muito mais, a candidatura que tem o que oferecer agora com bases sociais mais amplas é Dilma. Por um Brasil soberano e socialmente justo.

São os interesses, seu bobos!

Os especuladores cansaram de "fazer lucros" com boatos eleitorais derrubando o valor das ações e da Bolsa de Valores de São Paulo. Atribuíam tudo à Dilma e suas chances. 

Depois o "mercado" se animou com Aécio que pela proximidade lhe prometeu moleza e nenhuma regulação. A crise econômica mundial era ignorada para poder melhor criticar o governo. 

Agora nesta semana, o caldo engrossou. Os jornais mundiais falam de problemas também nos países líderes e "centrais": EUA e Alemanha. 

Pois então, ninguém está ai para lembrar que a grosso modo a condução econômica é que nos tem permitido sermos menos atingidos, como quase pleno emprego. 

A velha mídia comercial vendida ao interesse do poder financeiro e rentista dá rodapé de página à questão que é destaque nos dois últimos dias no mundo. 

Para quem fica apenas vendo o "plim-plim" e lendo a Veja, se julgando o mais esperto e entendedor de economia e política podemos esclarecer: são os interesses, seus bobos!

Moradores de Santo Eduardo se manifestam e reclamam de falta de atenção da PMCG sobre manutenção de ponte

O blogueiro e militante das causas da comunidade do distrito de Santo Eduardo, Lenilson Werneck, no extremo norte do município de Campos dos Goytacazes, mais uma vez se destaca mostrando a divulgando problemas e reivindicações da comunidade.

Assim, ele enviou ao blog a informação também postada aqui em seu blog.

"Estimado professor, há tempos que estamos com questões em nosso distrito que não são resolvidas, principalmente, acredito, por falta de interesse ou descaso. Hoje pela manhã, fui informado que atearam fogo numa ponte que está com problemas há mais de um ano e nada da prefeitura mandar uma equipe vir resolver. Resultado: produtores rurais impedidos de escoarem sua produção, principalmente de leite e moradores de trafegar. Peço, humildemente, que nos ajude, mais uma vez, a mostrar para Campos e para os que acessam o seu renomado e prestigiado Blog o descaso desta prefeitura conosco. Obrigado."


segunda-feira, outubro 13, 2014

Votar nulo é também fazer opção e negar o futuro!

O voto nulo e branco são em todos os momentos, uma opção. Lamentável. Porém, respeitável pela democracia. É ainda mais lamentável pelo momento atual, em que a eleição tem um cenário de definição por um pequeno percentual de votos.

A única coisa que o voto branco ou nulo não é, em nenhuma situação, é isento.

É menos raro do que se imagina que na eleição majoritária, em que só um é eleito, escolhermos definindo e excluindo, o que compreendemos ser a pior opção.

Portanto, em meio ao quadro atual taxar as duas opções que se tem no segundo da eleição presidencial como iguais, poder ser desinformação, desinteresse, descompromisso, etc.

Só nunca será isenção. Ninguém ficará isento sobre as conseqüências sobre si e sobre os outros, diante da opção da escolha não realizada na cabina de votação.

Pensar o futuro não é algo fácil, reconheço, numa nação e numa sociedade atual tão “presentificada”.
Que esquece o passado, desdenha do futuro e enaltece e tenta presentificar apenas o hoje, de forma, muitas vezes utilitarista e, pior: individualizada e individualista.

Assim, também reconheço que pensar o futuro e de forma coletiva acaba sendo um exercício de difícil abstração.

O concreto das vantagens parece mais real. É também mais real a repetição midiatizada que tem se esforçado em construir um moralismo seletivo e uma avaliação superficial da realidade presente.

A politização parece ser a única arma a se oferecer para superar a superficialidade e o oportunismo da leitura rasa, desacompanhada da crítica profunda sobre as reais diferenças que o hoje pode apontar para o amanhã.

Só a politização traz o futuro para o presente.

De forma dialética ela nos permite contrapor as opções, ampliando as chances de se realizar opções que são diversas das apostas, por que junto dela, se constrói o interesse em ajudar a construir as condições materiais para a realização dos objetivos, num processo histórico, quase sempre de ciclos longos.

Mesmo que lamentando, não era difícil imaginar que chegaríamos a este atual trevo, com dupla e tão distintas possibilidades.

Negar, as opções seria o mesmo que andar para trás, no sentido de esperar que surjam mais adiante, no tempo histórico, perspectivas similares, embora em outro tempo e espaço.

Assim votar nulo em qualquer situação é apostar na volta ao passado.

Eu faço opção por seguir adiante, crítico, mas ajudando a construir mudanças que reduzam desigualdades e ampliem as oportunidades.

Governar só vale se for para todos e não para alguns. 

Esta é, fundamentalmente, a escolha que temos pela frente.

Por isto e por muito mais, eu sou Mais Dilma!

PS.: Atualizado às 19:08 para ajustes no texto.

"Por que votar em Dilma?" por Mangabeira Unger

Vi a sugestão do artigo no perfil do Hayle Gadelha no Facebook dizendo: "Li esse texto, longo, na Folha de hoje e recomendo a leitura, independente da questão eleitoral (se é que isso é possível). Uma forma simplificada e didática de pensar as opções estratégicas do Brasil. Vale a leitura". O blog reforça a sugestão da leitura.

O artigo é mais didático e claro do que costuma ser as falar do Unger. Além disso, ele sai da trivialidade de alguns falsos embates e demarca melhor as diferenças que se tem em termos de opção eleitoral neste segundo turno. Os grifos são do blog. Seja para ajudar na identificação dos blocos por áreas comparadas, seja, ao final para realçar a síntese principal diferença entre as opções. O texto reforça de maneira concisa o que o blog vem defendendo ao longo de sua década de existência. Confiram:

"Por que votar em Dilma?"

"O povo brasileiro escolherá em 26 de outubro entre dois caminhos.
As duas candidaturas compartilham três compromissos fundamentais, além do compromisso maior com a democracia: estabilidade macroeconômica, inclusão social e combate à corrupção. Diferem na maneira de entender os fins e os meios. Diz-se que a candidatura Aécio privilegia estabilidade macroeconômica sobre inclusão social e que a candidatura Dilma faz o inverso. Esta leitura trivializa a diferença.

Duas circunstâncias definem o quadro em que se dá o embate. A primeira circunstância é o esgotamento do modelo de crescimento econômico no país. Este modelo está baseado em dois pilares: a ampliação de acesso aos bens de consumo em massa e a produção e exportação de bens agropecuários e minerais, pouco transformados. Os dois pilares estão ligados: a popularização do consumo foi facilitada pela apreciação cambial, por sua vez possibilitada pela alta no preço daqueles bens. Tomo por dado que o Brasil não pode mais avançar deste jeito. 

A segunda circunstância é a exigência, por milhões que alcançaram padrões mais altos de consumo, de serviços públicos necessários a uma vida decente e fecunda. Quantidade não basta; exige-se qualidade.

As duas circunstâncias estão ligadas reciprocamente. Sem crescimento econômico, fica difícil prover serviços públicos de qualidade. Sem capacitar as pessoas, por meio do acesso a bens públicos, fica difícil organizar novo padrão de crescimento. 

O país tem de escolher entre duas maneiras de reagir. Descrevo-as sumariamente interpretando as mensagens abafadas pelos ruídos da campanha. Ficará claro onde está o interesse das maiorias. O contraste que traço é complicado demais para servir de arma eleitoral. Não importa: a democracia ensina o cidadão a perceber quem está do lado de quem. 

1. Crescimento econômico. Realismo fiscal e manutenção do sacrifício consequente são pontos compartilhados pelas duas propostas. Aécio: Ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. Restringir subsídios. Encolher o Estado. Só trará o crescimento de volta quando houver nova onda de dinheiro fácil no mundo. Dilma: Induzir queda dos juros e do câmbio, contra os interesses dos financistas e rentistas, sem, contudo, render-se ao populismo cambial. Usar o investimento público para abrir caminho ao investimento privado em época de desconfiança e endividamento. Apostar mais no efeito do investimento sobre a demanda do que no efeito da demanda sobre o investimento. Construir canais para canalizar a poupança de longo prazo ao investimento de longo prazo. Fortalecer o poder estratégico do Estado para ampliar o acesso das pequenas e médias empresas às práticas, às tecnologias e aos conhecimentos avançados. Dar primazia aos interesses da produção e do trabalho. Se há parte do Brasil onde este compromisso deve calar fundo, é São Paulo. 

2. Capital e trabalho. Aécio: Flexibilizar as relações de trabalho para tornar mais fácil demitir e contratar. Dilma: Criar regime jurídico para proteger a maioria precarizada, cada vez mais em situações de trabalho temporário ou terceirizado. Imprensado entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta, o Brasil precisa sair por escalada de produtividade. Não prosperará como uma China com menos gente. 

3. Serviços públicos. Aécio: Focar o investimento em serviços públicos nos mais pobres e obrigar a classe média, em nome da justiça e da eficiência, a arcar com parte do que ela custa ao Estado. Dilma: Insistir na universalidade dos serviços, sobretudo de educação e saúde, e fazer com que os trabalhadores e a classe média se juntem na defesa deles. Na saúde, fazer do SUS uma rede de especialistas e de especialidades, não apenas de serviço básico. E impedir que a minoria que está nos planos seja subsidiada pela maioria que está no SUS. Na segurança, unir as polícias entre si e com as comunidades. Crime desaba com presença policial e organização comunitária. A partir daí, encontrar maneiras para engajar a população, junto do Estado, na qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança. 

4. Educação. Aécio: Adotar práticas empresariais para melhorar, pouco a pouco, o desempenho das escolas, medido pelas provas internacionais, com o objetivo de formar força de trabalho mais capaz.
Dilma: A onda da universalização do ensino terá de ser seguida pela onda da qualificação. Acesso e qualidade só valem juntos. Prática empresarial, porém, tem horizonte curto e não resolve. Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia indicam o caminho: substituir decoreba por ensino analítico. E juntar o ensino geral ao ensino profissionalizante em vez de separá-los. Construir, do fundamental ao superior, escolas de referência. A partir delas, trabalhar com Estados e municípios para mudar a maneira de aprender e ensinar. 

5. Política regional. Aécio: Política para região atrasada é resquício do nacional-desenvolvimentismo. Tudo o que se pode fazer é conceder incentivos às regiões atrasadas. Dilma: Política regional é onde a nova estratégia nacional de desenvolvimento toca o chão. Não é para compensar o atraso; é para construir vanguardas. Projeto de empreendedorismo emergente para o Nordeste e de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representam experimentos com o futuro nacional.
 
6. Política exterior. Aécio: Conduzir política exterior de resultados, quer dizer, de vantagem comerciais. E evitar brigar com quem manda. Dilma: Unir a América do Sul. Lutar para tornar a ordem mundial de segurança e de comércio mais hospitaleira às alternativas de desenvolvimento nacional. E, num movimento em sentido contrário, entender-nos com os EUA, inclusive porque temos interesse comum em nos resguardar contra o poderio crescente da China. Política exterior é ramo da política, não do comércio. Poder conta mais do que dinheiro. 

7. Forças Armadas. Aécio: O Brasil não precisa armar-se porque não tem inimigos. Só precisa deixar os militares contentes e calmos. Dilma: O Brasil tem de armar-se para abrir seu caminho e poder dizer não. Não queremos viver em mundo onde os beligerantes estão armados e os meigos indefesos. 

8. O público e o privado. Aécio: Independência do Banco Central e das agências reguladoras assegura previsibilidade aos investidores e despolitiza a política econômica. Dilma: A maneira de desprivatizar o Estado não é colocar o poder em mãos de tecnocratas que frequentam os grandes negócios. É construir carreiras de Estado para substituir a maior parte dos cargos de indicação política. E recusar-se a alienar aos comissários do capital o poder democrático para decidir. 

Aécio propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram. Nenhum grande país se construiu seguindo cartilha semelhante. Certamente não os EUA, o país com que mais nos parecemos. Ainda bem que o candidato tem estilo conciliador para abrandar a aspereza da operação. 

Dilma terá, para honrar sua mensagem e cumprir sua tarefa, de renovar sua equipe e sua prática, rompendo a camisa de força do presidencialismo de coalizão. E o Brasil terá de aprender a reorganizar instituições em vez de apenas redirecionar dinheiro. Ainda bem que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito. 

Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil."

Roberto Mangabeira Unger, 67, professor na Universidade Harvard (EUA), é autor do manifesto de fundação do PMDB e ativista em Rondônia. Foi ministro de Assuntos Estratégicos (governo Lula)

domingo, outubro 12, 2014

Mensagem do presidente do PSB em apoio à Dilma

Merece registro a corajosa mensagem de apoio do presidente do PSB, Roberto Amaral, em favor da Dilma, contrariando o esquema que quiseram lhe impor, em troca da reeleição à presidência do partido que nega suas origens com adesão ao atraso do PSDB. Vale conferir na íntegra. Os grifos são nossos:

“Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano”

Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro
A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB – denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.

Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática.

Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional.

Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB.

A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes.

Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado?

Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente.

Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.
Aos menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores – entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes –, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos.

O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia.

Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico.

Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.

Denunciamos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB.

O Brasil não pode retroagir.

Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014
Roberto Amaral."