terça-feira, março 21, 2017

As fusões entre as para-petroleiras no mundo e sua relação com a reestruturação produtiva, a geopolítica, os EUA (Trump) e o Brasil

Para ampliar o conhecimento sobre o setor de petróleo é preciso separar as petroleiras (nacionais-estatais ou privadas) das empresas que fornecem bens e serviços ao setor.

Conceitualmente, as corporações que atuam fornecendo bens (máquinas, equipamentos e materiais), tecnologia e serviços ao setor de petróleo são chamadas de para-petroleiras.

Assim, se distingue suas funções. Elas existem em função das primeiras que detém as reservas, ou operam a exploração/produção e as contratam.

Com a exploração para busca de novos reservatórios em condições cada vez mais especiais (águas profundas, areia betuminosas e rochas de xisto), as para-petroleiras passaram a ser cada vez mais importantes e a se apropriarem de fatia maior da renda do petróleo que é repartida por uma extensa cadeia produtiva.

Cada vez mais, as para-petroleiras se apropriam de parcelas maiores da renda petroleira, obtida na extensa cadeia produtiva, desde a exploração, beneficiamento até a distribuição para o consumo, considerando que o petróleo é uma mercadoria que nunca é consumido in natura.

Em alguns casos, as grandes corporações para-petroleiras (Halliburton, Schulumberger, FMC, etc.), hoje são mais importantes – e fortes economicamente - até do que as próprias petroleiras.

O caso ajuda a explicar porque na fase de colapso do ciclo petro-econômico (2014-2016), as fusões entre elas – mais de 3 mil no mundo segundo consultorias especializadas – são enormes e continuam ocorrendo. Fenômeno que não é observado na mesma proporção entre as petroleiras.

No Brasil a atuação das para-petroleiras cresceu enormemente na última década. Elas somam várias centenas de empresas dos mais diversos tipos e têm origem em mais de duas dezenas de países.

A sua atuação das para-petroleiras no país cresceu com as exigências de "Conteúdo-local" feitas pelo governo Lula e agora, praticamente, suprimidas. Várias delas montaram bases no país e algumas até centro de pesquisa para o desenvolvimento de novas tecnologias, materiais e equipamentos.

A fusão entre as para-petroleiras no mundo têm reflexos imediatos no país e significam redução de bases operacionais, número de empregos e do aumento de força do poder econômico, sobre o poder político, para reduzir exigências regulatórias feitas pelos governos, em suas diferentes escalas.

No plano global, é possível identificar na atuação das para-petroleiras, estratégias que unem interesses corporativos e geopolíticos das nações.

Sobre esta questão se observa que estas corporações dos EUA estão avançando sobre as players do setor na Europa. Trata-se de uma forma que é conhecida entre as empresas como "especialização vertical no setor.

Observando o movimento entre as grandes corporações para-petroleiras pode-se citar:

a) A Halliburton tentou adquirir a Baker e foi proibida, porque foi considerado cartel.

b) Logo após a Baker se uniu à GE fortalecendo ainda mais a corporação americana conhecida no setor.

c) A seguir, a americana FMC se fundiu à francesa Technip ampliando a especialização vertical das corporações americanas do setor óleo & gás.

d) Na semana passada (16/03/2017), o mercado divulgou que a gigante para-petroleira americana Halliburton estaria comprando a grande para-petroleira, norueguesa, Aker Solutions.

Mais uma vez se vê uma hierarquização (verticalização) setorial com o centro deste hub nos EUA, buscando atrair para a América parte deste setor para-petroleiro que até aqui era forte na Europa.

É certo que este movimento não é espontâneo e nem se trata apenas de interesses comerciais.

Não é difícil identificar a relação entre as corporações e poder político (Estado) como objetivo estratégico, centrado em interesses geopolíticos e de hegemonia.

Neste sentido, ele parece estar ainda sustentado na profunda relação do governo Trump com o setor petróleo e com o compromisso que assumiu internamente de fortalecer setores da indústria e dos serviços de alto valor americanos.

A liberação de exigências ambientais para atuação do setor petróleo nos EUA, para exploração e construção de oleodutos são exemplos da forte relação de Trump com o setor, que aliás sempre foi muito forte, em especial, nas últimas cinco décadas.

O assunto tem relação com o Brasil, ao recordarmos que a indústria do petróleo – independente do ciclo – é forte como um dos pilares do desenvolvimento econômico brasileiro. Todas estas players - para-petroleiras – possuem instalações e equipes no Brasil.

Este movimento mexe nos empregos no país e também na localização espacial destas bases, na medida em que estas fusões tendem a unificar as bases operacionais nos vários países, como forma de reduzir os custos, obtidos com a oligopolização do setor, em todo o mundo – de forma transescalar - com reflexos espaciais também no território brasileiro.

Cada vez é mais fácil, identificar o golpe, com mudança de governo Brasil, como parte deste movimento e não como uma pura teoria conspiratória. Os fatos são reais. 

A interpretação global delas, e não de forma fragmentada, sustentada no que se conhece da geopolítica do petróleo e nos processos de mundialização das grandes corporações - e de sua profunda e crescente vinculação ao sistema financeiro (e fundos) - nos oferecem as pistas para compreender a realidade que está em curso.

Desde 2008, se entendia que o Brasil, depois do pré-sal, querendo ou não, tinha passado a ser parte importante deste circuito. Como autonomia e soberania sobre usas riquezas minerais, ou dependente, capturado e controlado pela hegemonia americana que luta contra a decadência.

Muitos ainda não entenderam que para o capital americano, na atualidade, as para-petroleiras da mesma origem, podem ter um papel mais importante para os EUA do que as próprias petroleiras como a Chevron e a Esso.

Isto não quer dizer que estas corporações petroleiras tenham aberto mão dos seus interesses sobre o Brasil que atualmente estariam sendo negociados. As petroleiras americanas entrarão no Brasil de forma cruzada, entre negócios com petroleiras europeias que aqui já atuam com certa influência.

No meio destes negócios feitos com ativos brasileiros estão as grandes para-petroleiras. E os movimentos delas são muito pouco observadas, mesmo por quem atua no setor. 

domingo, março 19, 2017

Mais sobre o caso: “carne fraca e colonialismo forte”

Na sexta-feira, ainda no auge da divulgação do caso das carnes e dos frigoríficos nos Brasil, eu escrevi aqui, neste espaço, um texto com o título “Carne fraca” e colonialismo forte”.

Logo depois, li diversas outras interessantes análises sobre a questão. Numa delas, eu disse que o assunto demanda abordagens amplas e em diferentes dimensões entre elas: os interesses de classe; a questão do Estado-nação, soberania e dependência; observação sobre as frações do capital em seus movimentos - incluindo a articulação com o poder político (Estado) - nas diversas escalas.


Entendo assim, que o caso suscita a necessidade de interpretações teóricas, sem que isto, signifique deixar de lado, o objetivo em formular propostas de uma ação política que é sempre local (nacional). São análises teóricas que exigem estudos, ou releituras, mas sempre com o outro pé fincado na observação sobre a realidade.

As questões remetem a um debate antigo sobre universalismo, diante da luta de classes, se nacional, ou mundializada. Como se vê o caso, que origina este debate, oferece grande e forte materialidade para boas interpretações teóricas. E, também, pistas para as direções das ações políticas de resistência e de construção de alternativas.

No meio de tudo isto, a categoria totalidade parece indispensável. Nesta linha vale relembrar uma estrofe do verso do Gregório de Matos de forma a tentar trabalhar não apenas as diferentes dimensões e escalas da questão, mas também a observação sobre as interseções e ligações entre elas:

"O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas, se a parte faz o todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo".

sábado, março 18, 2017

Quem diria?

Quem diria que diante do Trump, a China passasse a ser o equilíbrio neste mundo complexo, em que os EUA, antes se considerava o xerife de todos os povos?

Enquanto Merkel e todo o mundo veem que o Trump é imprevisível e perigoso, Xi Jinping parece ir se tornando também para o Ocidente, um líder, com um mínimo de razão, em meio às grandes e colossais confusões mundiais.

Evidente que em termos geopolíticos, a questão é muito mais ampla. Porém, se vê que ela vai além da dimensão econômica que, normalmente, tende a dirigir este debate.


sexta-feira, março 17, 2017

"Carne fraca" e colonialismo forte!

O "caso do dia" que trata da operação da PF contras as grandes corporações do setor de "agronegócio-carne", suscita, ainda de forma inicial, algumas questões a serem mais observadas e debatidas.

Preliminarmente, se deve deixar claro que, independente da necessidade de investigar e punir as irregularidades na relação entre poder econômico e político, o caso que agora vem à tona (com grande atuação daquilo que os procuradores federais chamam de cooperação internacional) levantam outras questões interessantes.

O mesmo parece apontar que aquilo que foi feito com as empreiteiras e a indústria naval brasileira, deve se repetir com o forte setor exportador de carnes do Brasil. Tudo aquilo em que o Brasil se fortaleceu é agora objeto de desejos e de capturas.

Este setor é há muito tempo desejado pelas grandes corporações internacionais. Mesmo que não se perceba, ou até que seja intencional, a visão colonizada parece orgulhar a turma do MPF brasileiro, ao escancarar interesses nacionais para as autoridades estrangeiras.

Para isso, desde a manhã, em transmissão ao vivo pela Globo News, eles chamam a atenção para a cooperação internacional.

A citação repetida aos ingleses, americanos e suíços, como se em suas hostes o movimento fosse diverso.Aliás, a Suíça, a despeito do seus discursos continua a ser um grande paraíso fiscal, mesmo que agora, tenha o colonizado Panamá como uma espécie de filial.

Às vezes penso que o MPF avalia que vai "consertar" não apenas o Brasil, mas o mundo, mesmo que ao final os interesses do colonizador tenha prevalecido, em troca de orgulhosos procuradores nacionais. Tem horas que eles parecem se bastar em elogios a si próprios.

Repito punir os responsáveis por ilegalidades e crimes é necessários. Já criar as condições e permitir a captura destes setores é crime ainda muito maior. É crime de lesa pátria.


A seguir esta toada, ao final, sobrará pouco ao Brasil, além da cesta de banana na cabeça da Carmem Miranda. A república das bananas vendidas nas xepas do golpismo.

A nós brasileiros restará o direito de nos auto-açoitarmos publicamente, imaginando que a corrupção é prática apenas das empresas das nossas colônias.

De resto ainda falaremos mal da política no geral, sem enfrentar os seus problemas, como se houvesse algo diferente disto, como mediação, para o desenvolvimento de uma civilização que possa ser denominada como tal.

Este breve texto é como se eu estivesse pensando alto. Estou assim chamando a atenção para as entrelinhas da realidade contemporânea que surge diante de nós.

Muitos poderão tratar com muito mais propriedade que eu, deste assunto, que agora está sendo chamado de "colonialidade".

A pós-verdade presente na tríplice relação: mídia-judiciário-parlamento desnuda "o rei"

As manifestações contra a reforma da previdência foram encaixotadas e escondidas em rápidos cantos de tela e rodapés dos jornais.

Porém, o mais incrível agora, é que um ministro do Supremo (STF), é o maior articulador com os "seus delatados-réus", para mudar a lei e as interpretações de forma a ajudá-los, e nada disso é encarado como aberração e como algo surreal.

Tomaram o governo sem voto, com argumentos que não são apenas parciais.

Considerando o rito que foram seguidos por todos os partidos, a justiça, nas mãos do ministro do STF, em "lauto jantar" se junta ao presidente da república e a dezenas de "seus delatados-réus" para salvá-los.

A pós-verdade é definida pela tríplice articulação e o seu andamento é divulgada para consumo geral no diário-oficial, também conhecido como jornal nacional.

Agora entendo, mais que nunca, a rejeição que um amigo tem com os prefixos pré, pró, neo... 

Eles escondem a verdade. Em outras casos constroem novas verdades, tornando as primeiras, mentira que goebbelsmente repetidas tentam se transformar na verdade.

Uma pós-verdade.

O rei tá nu!

quinta-feira, março 16, 2017

Opep se espanta com volume de exportação de petróleo do Brasil em fevereiro: 1,63 milhão de barris por dia (b/d)

Em relatório que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou hoje o Brasil exportou em fevereiro o espantoso volume de 1,63 milhão de barris por dia (b/d). A quantidade é recorde na história da produção e comércio de petróleo no Brasil e suplanta o recorde do mês anterior de janeiro que havia sido de 1,32 milhão b/d.

Em 2016, exportações médias de 2016 ficaram pouco abaixo em cerca da metade do volume exportado em fevereiro. Grande parte desta exportação foi comercializado para a Ásia. Segundo a Opep, duas empresas estatais chinesas teriam comprado 5 milhões de barris ou mais de petróleo bruto brasileiro em março.

Contribui para este volume de exportações tanto a extraordinária produção de petróleo nas reservas do pré-sal, assim como a redução das demandas internas no mercado brasileiro. 

A Opep já espera que a produção brasileira continue aumentando e estima que o aumento nos próximos anos possa chegar 260 mil b/d, em relação bem melhor que outros países produtores da América Latina.

A avaliação da Opep pode parecer muito boa no atual cenário, mas tem um outro lado. O aumento da produção num momento ainda da fase de colapso de preço do ciclo petro-econômico, pode, estrategicamente, apontar a produção e venda num momento de baixos preços e de esgotamento das reservas mais rapidamente, sem levar em conta o futuro.

Uma nova fase de expansão de um novo ciclo é esperado para depois de 2020. Assim, estrategicamente, se o Brasil tiver o domínio das suas reservas através da sua petroleira estatal (NOC-National Oil Company), a Petrobras pode tomar decisões nas diversas partes da cadeia em que atua levando em consideração o ciclo do petróleo e os interesses estratégicos da nação.

Porém, com a venda de ativos de campos de petróleo, companhias e instalações, esta capacidade da Petrobras e do país, está sendo cada vez mais diminuída.

As petroleiras estrangeiras (IOCs-International Oil Company) que passarem a ter posse destes ativos agirão conforme seus interesses comerciais e corporativos, alinhados às articulações dos governos dos países onde possuem suas sedes, ou a maior parte de suas instalações.

Assim, o Brasil ficará cada vez mais parecido com os países apenas exportadores de petróleo, como Angola e Nigéria. Com a redução (quase o fim) decretada das exigências da Política de Conteúdo Local (PCL) do setor, não avançaremos em tecnologia, em fornecimento de equipamentos e nem serviços para o setor.

Assim, ficaremos apenas com uma parte menor da renda petrolífera produzida aqui em nossas reservas. Esta renda, desta forma, será melhor repartida com os outros agentes que atuam na extensa cadeia do petróleo. As grandes players do setor.

Evidente que para entender estas relações há um debate que é próximo dele e que se vincula à geopolítica do petróleo e à questão de dependência e hegemonia.

quarta-feira, março 15, 2017

Movimentos sociais fecham acesso Porto do Açu (BR-356) e Aeroporto contra a reforma da Previdência em Campos

Movimentos sociais (MST, CPT, Sindipetro-NF, CUT, Movimento estudantil: UNE, UJS e UJR) fecharam, agora pela manhã, o acesso ao Aeroporto Bartolomeu Lysandro e a BR-356, na altura da localidade de Martins Lages, dando início ao dia de luta contra a Reforma da Previdência Social, no município de Campos dos Goytacazes. Os movimentos gritam: "Fora Temer!".


























terça-feira, março 14, 2017

Atualizando algumas informações sobre o Porto do Açu

Depois de um tempo mais concentrado em questões mais macro da relação "petróleo-porto", o blog volta o seu olhar sobre os acontecimentos que envolvem o Porto do Açu:

1) Continua quente a disputa entre os acionistas minoritários e o Fundo EIG que controla a holding Prumo Logística Global. Os minoritários estão se organizando para solicitar à BMF&Bovespa e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma câmara de arbitragem. Eles questionam mais um laudo de avaliação da companhia através do qual a Prumo pretende arrematar, os 25% que não são de sua propriedade. A questão é o valor a ser pago pelas ações. Fala-se numa diferença de até R$ 14 reais no valor da ação, que seria um valor bem maior do que os R$ 11 que a ação já chegou a ser avaliada. Os minoritários agora também questionam o fundo árabe de Abu Dhabi, Mubadala que apesar de possuir 6,9% da Prumo, está  estranhamente tomando posição ao lado do fundo americano EIG o controlador que possui 74,7% das ações. Por conta desta disputa pode haver explicação para Prumo estar transferindo para a empresa subsidiária Porto do Açu a maioria dos seus funcionários que até aqui estava registrada na holding, Prumo. Também pode estar vinculado a esta disputa, o fato da Prumo praticamente estar calada sobre tudo que acontece no porto nestes últimos meses.

2) Segundo informações obtidas pelo blog, a Prumo (Porto do Açu) recebeu 3 carregamentos de coque, vindos dos EUA. Eles teriam como clientes, cimenteiras do ERJ e ES (que seriam a Votorantim e a Gerdau). A Prumo está tendo muita dificuldades para movimentar este tipo de carga no terminal TMult sem a utilização de esteiras. Consta que a Prumo estaria tentando trazer esta carga que até então era recebida por um terminal portuário do Espírito Santo, ao oferecer menores tarifas. Assim, a movimentação das cargas está sendo feita de forma quase artesanal, com o uso de caminhões para curtas movimentações.

3) Na última semana, um navio panamenho de nome, Fairchem, com tripulação indiana, chegou dos EUA carregado de diesel marítimo e ficou atracado durante uma semana no Terminal NFX que é um empreendimento entre a BP Marine e a Prumo. Até aqui, a NFX estava comprando diesel da Ultracargo no Porto de Santos. O carregamento teria sido suficiente para completar todo o reservatório da Brasil Port (Edison Chouest), onde por ora, a NFX está estocando o diesel marítimo, tudo junto ao T2 no Porto do Açu. O diesel que foi importado foram para os tanques da Brasil Port.
O terminal da Brasil Port (Edison Chouest) com os tanques
 A embarcação Bram Buzios tem feito movimentação de combustíveis da NFX entre os reservatórios da da BrasilPort e algumas embarcações. Nesta semana, duas plataformas da empresa Bambu Petróleo que estão já há algum tempo nas águas abrigadas do canal do T2, Pantanal e Amazonas estão sendo abastecidas. Ainda sobre o tema, o empreendimento da NFX prevê o início, ainda este ano, da construção de 14 tanques para estocagem e abastecimento de embarcações que usam o porto ou passam pela região. O licenciamento para a implantação dos reservatórios da NFX já foi obtida.

4) A Receita Federal instalou uma base de alfândega junto ao terminal 2 (T2) do Porto do Açu, onde acompanha e fiscaliza as importações e as exportações de cargas que passam pelo Porto do Açu.

5) Uma última informação que carece de ser confirmada, mas já corre a região do Açu, no entorno do porto. Tratam-se de problemas da Prumo (ex-LLX) com a posse e os direitos dos antigos proprietários da Fazenda Palacete que pertencia à Usina Barcelos (Grupo Othon), onde foi feito o assentamento pela LLX que ganhou a denominação de Vila da Terra. No local foi realizado a construção de casas que atendeu a 53 pequenos agricultores que tiveram suas terras desapropriadas, para ceder espaço ao empreendimento do porto e do distrito industrial. Os agricultores estão inquietos porque até hoje, eles não possuem documentos de posse destas áreas. A Prumo até hoje não se manifesta sobre o termo de posse para estes pequenos agricultores que já fizeram benfeitorias nas casas e fizeram plantações. É ainda oportuno relembrar que as desapropriações das terras que atenderam ao DISJB feitas através da Codin já começaram a ser questionadas por conta das apurações de facilidades concedidas por Sérgio Cabral ao empreendedor na época Eike Batista.

Retornaremos adiante aprofundando estes assuntos e trazendo ainda outras questões.

domingo, março 12, 2017

O recuo do preço do barril de petróleo

O petróleo (brent) que desde dezembro passado tinha subido para o patamar acima de US$ 54, tendo chegado até US$ 57, desde a virada para o mês de março, não para de cair.

Na cotação do mercado futuro que já abriu na Ásia (segunda-feira 13/03/2017) a cotação segue caindo e se encontra em US$ 50,95.

É um setor onde há muita especulação e as grandes tradings (desta commodity) ganham sempre com este jogo, porque faturam com a diferença entre preço de compra e de venda.

Aliás as maiores tradings de petróleo (entre elas a Vitol e a Trafigura) tiveram em 2015 e 2016, os maiores lucros de suas histórias mesmo com o petróleo tendo descido o preço do barril abaixo de US$ 30.

As informações dão conta que mesmo com o acordo da Opep com a Rússia para limitar a produção, os estoques nos EUA - maior consumidor mundial com cerca de 18 milhões de barris por dia - segue crescendo e alto.

O fato poderia estar ligado ao aumento da produção interna dos EUA com mais investimentos no setor.

O quadro parece apontar que esta variação entre US$ 50 e US$ 60 poderá permanecer por cerca de mais 5 anos.

A demanda mundial está segura com os problemas políticos em muitos lugares do mundo.

Além disso, a produção dos EUA cada vez fica mais claro tende a a atuar como um regulador.

Com preço abaixo dos U$ 50, ela tende a cair, como aconteceu no período de grande parte de 2015 e 2016. Com o preço de US$ 55 para cima, a extração nos EUA volta ser competitiva.

Vale lembrar que mesmo assim, os EUA hoje importa praticamente metade do que consome, ou seja, em torno de 9 milhões de barris por dia.

Acordo entre a ANTT e a Vale pode interligar com ferrovia o Porto de Tubarão ao projeto do Porto Central, em Presidente Kennedy no ES

A Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) informou que as negociações com a empresa Vale estão adiantadas, para que em troca da renovação da concessão da Ferrovia Vitória-Minas que interliga as minas da empresa ao Porto de Tubarão, a empresa implante um trecho de outros 160 km de ferrovia ligando este terminal ao outro previsto em projeto (Porto Central) no município sul capixaba de Presidente Kennedy.

Este trecho é parte do ferrovia EF-118 que interligaria Vitória ao Rio com 570 km pelo litoral capixaba e fluminense, passando pelo Porto do Açu e indo até a região metropolitana do Rio de Janeiro. Em julho de 2015, este projeto foi objeto de várias audiências públicas realizadas no Rio, Campos, Vitória e Brasília (Veja aqui). Na imagem abaixo está o mapa previsto para toda a EF-118.

As previsões são de que o contrato de renovação com o compromisso de instalação deste trecho de ferrovia possa ser assinado no primeiro semestre do ano que vem. No desenho do trecho está prevista a passagem da ferrovia por pelo menos 10 municípios capixabas e teria um custo estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

Também é possível que o anúncio seja apenas uma forma de tentar ajudar a viabilizar a implantação do Porto Central que já possui autorização da Antaq, mas ainda não possui a licença ambiental que está sendo analisada pelo Ibama.

PS.: Atualizado às 11:20 de 13/03/2017:

De certa forma, o esforço do ES mostra a sua disposição em lutar pela condição de centro logístico relacionado e vinculado às exportações do grande estado de Minas Gerais. É uma competição com o ERJ que havia avançado nos últimos anos em termos de infraestrutura portuária, mas não de ferrovias. A conferir!


sábado, março 11, 2017

Mundo à flor da pele

A tensão no mundo parece cada vez maior. 

A Europa em ebulição com os riscos de desmoronamento da Comunidade Européia e do euro com as temidas e próximas eleições na Holanda, França e Alemanha.

O inesperado conflito diplomático entre a Holanda e a Turquia apenas mostra o nível de tensionamento em várias pontas.

O impeachment na Coreia do Sul possuem marcas instigantes e similares mundo afora.

Os solavancos provocados pelo Trump e a energia em ebulição nos EUA não cessarão tão cedo.

Até Wall Street teme os efeitos da decisão de romper com o plano de saúde Obamacare e derrubam as bolsas.

A economia mundial sob freio gera sobreprodução e sobreacumulação, derrubam os preços das commodities, gera perda de valor nos investimentos em capital fixo e a corrida para o capital fictício.

As tensões no entorno da Rússia não parecem menores. 

A China continua se organizando para se proteger.

A questão parece circular, mas em tensão contínua e crescente. 

Falta razão, diálogo, na essência falta Política. 

Sem esta mediação os riscos e as tensões aumentarão.

quarta-feira, março 08, 2017

Hoje, poucos se lembram, mas a Shell devolveu o campo de Libra dizendo não ter petróleo

Hoje é difícil de alguém acreditar, mas é fato. 

Os registros da ANP podem confirmar para os incrédulos.

A petroleira Shell que tinha obtido direito de ser operadora da área onde está o campo de Libra, no festejado pré-sal - antes de sua descoberta, com toda a eficiência propalada por aqueles que veneram o deus-mercado e o setor privado, devolveu à ANP o campo e abdicou de sua condição de operadora.
A Shell alegou que o campo não era comercialmente viável.

Pois bem, a nossa Petrobras com sua modelagem dos sistemas geológicas e tecnologia de perfuração ao explorar o campo descobriu que o mesmo era um mega-campo.

Libra tem reservas de petróleo de pelo menos 10 bilhões de barris de petróleo e gás (boe - barris de óleo equivalentes).
Mapa do Pré-sal - Campos de Libra: círculo vermelho

Hoje Libra é o mais festejado dos campo e vai exigir a instalação de 4 plataformas para dar conta do seu potencial de produção de óleo e gás.

Mas, este esse fato vive esquecido.

Ou propositalmente escondido, no mesmo momento, em que a Petrobras, depois de gastar bilhões de dólares com aluguel de sondas de perfuração, para descobrir estas reservas - 6 dos 10 maiores campos de petróleo no mundo na última década - está aí entregando tudo isso como banana, nas barracas de final da xepa.

Vou repetir a Petrobras descobriu um dos maiores campos de petróleo do mundo, onde a Shell disse que não havia petróleo. 

É bom que se possa ir aos poucos detalhando estes casos para quem vive no sofá acreditando apenas na mídia comercial brasileira.

domingo, março 05, 2017

Contratos de sondas de petróleo no Brasil caem de 92 em 2012, para apenas 15, em 2017

Ao realizar uma pesquisa sobre alguns indicadores desta fase de colapso do ciclo do petróleo no Brasil - que está duplamente impactado, pelo preço do barril no mercado mundial e pelos desdobramentos da Operação Lava Jato -, eu cheguei a um dado que espanta. Mesmo sabendo da redução das atividades, desde o segundo semestre de 2014.

Os dados são do Departamento de Portos e Costas do Ministério da Marinha, atualizado em 23 de fevereiro de 2016 e divulgado na última sexta-feira (03/03/2017). Eles fazem parte das declarações de conformidades que constam do Relatório das Plataformas, Navios Sonda, FPSO e FSO em atuação no Brasil.

As sondas são embarcações que realizam perfurações e preparação de poços de petróleo para a produção que a seguir será feita com interligação de equipamentos desde a cabeça dos poços às plataformas de produção.

Encontram-se no país um total de 200 unidades chamadas genericamente e todas de plataformas. Porém, apenas 161 estão em operação. As outras 39 não estão em atividade. Deste total, apenas 15 são navios-sonda em 23/02/2017.

Em 2012, este número de sondas em atuação no Brasil chegou a 92 e hoje caiu para a sexta-parte disto com a informação do Ministério da Marinha de que apenas 6 navios-sondas estão vistoriados e com a declaração de conformidade válido.

É uma redução muito significativa, apesar de ser praxe no mundo, a redução de investimentos na fase de colapso do ciclo petro-econômico em atividades de exploração/perfuração. A redução dos contratos de sonda se reduziu em todo o mundo, sejam os navios para perfuração offshore, ou no continente.

É bom lembrar que isto faz com que que as reservas sejam reduzidas, o que ajudará a valorizar as reservas e levar a uma nova fase de expansão dos preços, em novo ciclo petro-econômico.

Dos 15 navios-sonda, apenas dois não são fretados pela Petrobras que afreta 13 destas sondas. Uma pela Total e outro pela Oceanpart. O fato reforça a ideia que a procura por novas reservas é quase sempre feita pelas petroleiras estatais que no mundo possuem cerca de 90% das reservas.

Um total de 10 corporações são as donas destes 15 navios-sonda. A Odebrech Drilling possui três fretadas sendo duas para a Petrobras e uma para a francesa Total. A Transocean; Seadril; ODN GMBH e Queiroz Galvão possuem cada um duas sondas fretadas. As outras cinco proprietárias de navios-sonda operando no Brasil são: Caroline Marine; Etesco; Drilling Hydra; Drilling Skopelose Schain Engenharia.

No período de boom da exploração de petróleo no mundo o custo médio de afretamento deste navios-sondas custavam em torno de US$ 500 mil por dia. Na fase de baixa do ciclo do petróleo com a baixa do valor do barril, o custo médio de afretamento caiu pela metade, entre US$ 250 mil/US$ 300 mil.

Se considerarmos o custo médio de US$ 250 mil de aluguel das sondas, só a Petrobras deve estar pagando diariamente US$ 3,25 milhões por dia, ou US$ 97,5 milhões mensais, equivalentes a R$ 302 milhões mensais, só com o aluguel das sondas, sem considerar as plataformas e as centenas de embarcações de apoio.

São valores extraordinários e ajudam a comprovar que o setor petróleo exige investimentos muito alto em diferentes pontos da cadeia, desde a exploração/produção, a circulação, o refino e a distribuição para consumo.

PS.: Atualizado às 23:44 e 23:54: para acrescentar o penúltimo parágrafo e corrigir a concordância verbal do título da postagem.

sábado, março 04, 2017

Pedaços baratos da Petrobras são disputados a tapa, como produto na xepa, em final de feira

O fundo americano BlackRock passou nesta semana a ser um acionista de peso da Petrobrás, detendo agora com um pouco de mais de 5% da ações preferenciais da estatal.

O leilão segue o curso tocado por Parente, o estripador.
Todo mundo quer um dos pedaços da empresa colocado em leilão, sem controle e nenhuma transparência. 

Outro fundo financeiro, Brookfiled, canadense ficou a malha de gasodutos. 

Entre as petroleiras os olhos também estão voltados para o nosso pré-sal. Assim, a norueguesa já pegou mais 66% do campo de Carcará no Pré-sal por US$ 2,5 bilhões. 

A francesa Total está ficando com parte do campo de Iara também no Pré-sal e mais termelétricas pouco cerca de US$ 2,2 bilhões. 

A Shell está gritando no meio da rua porque diz que tem direito de preferência porque a BG (que foi comprada por ela tem 25% no bloco).

Além disso, a Shell também reclama direito sobre o pedaço de 35% que a Petrobras também colocou na xepa do campo de Lapa.

Ou seja, parece até aquela briga em final da feira, na xepa. 

Cada um puxando para o seu lado os pedaços jogados ao alto pelo governo entreguista. 

E todo dia tem xepa. 

Nem no carnaval o entreguismo deu trégua.

O que Parente faz na xepa equivale a algumas "lava-jatos" em termos de perdas para o país.

A esperteza hoje é maior do que na década de 90.

A privatização está sendo feita hoje com a entrega do filé mignon do pré-sal e dos ativos mais valiosos.

As petroleiras estrangeiras não precisam gastar com sondas para procurar novas reservas. É só arrematar no final da xepa. 

Vão entregar agora parte do refino e a BR-Distribuidora. Deixarão o osso. 

De República nos transformamos numa barraca de bananas.

Um basta é necessário não apenas para conter o entreguismo, mas para pegar tudo isto de volta.

sexta-feira, março 03, 2017

A estrada, os portos, a soja, as traders e os "patos" da mídia

Os problemas da rodovia que liga o "Arco Norte" para exportação de soja pelos portos do norte, em alternativa às duas saídas do produto do agronegócio pelos portos de Paranaguá e Santos, são antigos.

Estas cargas de soja transitam entre o Mato Grosso - com base na cidade de Sinop - e a hidrovia em Santarém que levará ao porto de Vila do Conde no Pará.

Estes problemas da estrada são do interesse das traders do setor como a Bunge, ADM, Cargil e também a Louis Dreyfusse que ainda não instalou terminais de hidrovias e portuárias, mas já comprou terrenos e cuida de licenciamento para igual fim. 

É daí que sai o dinheiro que paga as seguidas matérias de pressão na mídia comercial, já há quase 15 dias.

É assim que funciona o processo em que as corporações usam (compram) a mídia para pressão sobre o poder político, para que ele seja obrigado a fazer aquilo que, por algum motivo - incluindo as chantagens (do estilo do Cunha).

Você, em casa, sem ligar as pontas lamenta e também critica o poder político, sem saber, que a verba que será ali usada, é a mesma que deixa de ir para atender a sua saúde e a educação dos seus filhos. A imagem ao lado é a que você tem visto em casa desde antes do carnaval.

Iludem-se os que pensam que os produtores são penalizados. Quem está no jogo aí são estas traders e seus parceiros no território nacional. 

As traders atuam na intermediação e são donos destas cargas extraídas há tempo, dos produtores, em contratos chamados de "futuros". 

O que querem comprando com verba, o verbo desta pauta é que o Estado construa parte do empreendimento que atendem aos seus negócios. 

Evidentemente dizem que esta infraestrutura é do interesse de todos. É pública. Mas, os seus estratosféricos ganhos são privados. 

Em economia política chamamos a isto de Condições Gerais de Produção. Uma espécie de consumo coletivo que permitirá que as instalações que atenderão as traders para que elas reduzam seus custos.

Como? Produzindo uma disputa tarifária contra os portos de Santos,SP e Paranaguá, PR.

Poderia ser apenas uma disputa inter-capitalista, natural no sistema. Porém, é mais que isto, porque tira recursos do Estado, para seus interesses na medida que os dividendos da redução de custos serão apenas particulares, por parte destas traders, que atuam em todo o mundo, controlando os fluxos destas commodities - especulando mais ou menos - e auferindo os seus ganhos na economia global.
 
Sabemos que é difícil para a maioria sentada no sofá há dez dias vendo os caminhões entalados - mesmo que seja em alguns pontos - entender o que está por trás desta repetida notícia.

É ainda mais difícil não falar mal do poder político que não cuida daquilo. 

Assim, seria demais entender que a solução daquele problema que atenderá as grandes corporações estrangeiras (Bungue, ADM, Cargil) que assim aumentará seus lucros, estará ao mesmo tempo, impedindo que o seu problema, mais simples, objetivo e direto seja resolvido, pelo mesmo poder político.

A compreensão deste processo que aqui tento resumir foi possível ao passar a investigar (pesquisar) mais intensamente, desde 2012, a movimentação e os interesses dos operadores portuários e do sistema de logística no Brasil. 

Assim, seguimos remandando contra a maré investigando e tentando ligar as pontas dos fatos, para uma análise crítica sobre aquilo que pretendem fazer você acreditar.

PS.: Atualizado às 17:58:
Informações mais recentes sobre o tema conforma a análise acima ao dizer que "representantes das tradings agrícolas ADM, Cargill, Bubge, Cofco e Amaggi se reuniram com representantes do Exército, Defesa Civil e Polícia Rodoviária Federal e o ministro dos Transportes informou que "o trecho de 2000 quilômetros" não asfaltados da BR-163 que liga Santarém a Cuiabá já começou a ser liberado para caminhões grandes". O trecho estava parcialmente interditado e as obras de pavimentação será retomada pelo DNIT depois das chuvas". As notícias assim confirmam quem são os participantes e como funciona o jogo da intermediação global de uma commodity controlada por fortes tradings. Quando se quer entender, um pingo é sempre mais que uma letra. No inverso nem desenho é. Apenas um rabisco.

terça-feira, fevereiro 28, 2017

A manipulação do ciclo petro-econômico Reuters: "Arábia Saudita quer preços do petróleo a US$ 60 em 2017"

Como temos dito aqui neste espaço o ciclo petro-econômico com suas duas fases de boom e colapso, não é um processo natural. Ele é sempre produzido por interesses econômicos e geopolíticos. A matéria da agência Reuters confirma esta tese que venho defendendo:

"EXCLUSIVO-Arábia Saudita quer quer preços do petróleo subam para cerca de US$ 60 em 2017" - terça-feira, 28 de fevereiro de 2017 14:43 BRT - Por Rania El Gamal e Alex Lawler
"DUBAI/LONDRES (Reuters) - A Arábia Saudita quer que os preços do barril de petróleo subam para cerca de 60 dólares neste ano, disseram cinco fontes de países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da indústria petrolífera.
Este é o patamar que o país, um peso-pesado da Opep, e seus aliados do golfo --Emirados Árabes Unidos, Kuweit e Catar-- acreditam que encorajaria o investimento em novos campos, mas não levaria a um saldo na produção de gás de xisto dos Estados Unidos, disseram as fontes.
A Opep, a Rússia e outros países produtores prometeram no ano passado reduzir a produção para cerca de 1,8 milhão de barris por dia a partir de 1º de janeiro. O primeiro corte na produção em oito anos tem o objetivo de elevar os preços e se livrar de um excesso de produção.
Os preços do petróleo subiram em mais de 14 por cento desde o pacto firmado em novembro, mas ainda gira na casa de 56 dólares, apesar de um cumprimento recorde do acordo entre países-membros e não-membros da Opep.
Autoridades da Opep têm dito repetidamente que o grupo não busca um preço específico para o petróleo e seu foco é ajudar o mercado a se reequilibrar."
Mas nos bastidores, Riad e seus aliados do golfo na Opep esperam ver um nível mais alto dos preços, porque o preço baixo afeta suas finanças e gera temores de um desabastecimento no futuro.

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Cai mais um mito: salário médio na indústria chinesa já é maior que no Brasil

O jornal inglês da área econômica, Financial Times veiculou ontem, matéria que informa que o salário médio na indústria da China superou o do Brasil.

A notícia é importante na medida que se vive dizendo que a alta produtividade chinesa teria sempre relação com baixos salários do trabalhador chinês. Pois bem, isto não é mais verdade.

Os dados são do Euromonitor compilados junto à Organização Internacional do Trabalho, à Eurostat (o órgão de estatísticas da União Europeia) junto com informações das agências de estatísticas dos países.

O salário médio por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005 e 2016, para US$ 3,60, segundo o. No mesmo período, o salário no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70. No México, a queda foi de US$ 2,20 para US$ 2,10.

Essa informação é ainda importante para derrubar argumentos dos setores patronais de que o salário do brasileiro é que inviabiliza a sua competição.

O assunto é complexo, mas não dá para querer arrochar ainda mais o trabalhador brasileiro que é vítima e não responsável pela situação da indústria nacional. A elite econômica nacional não quer enxergar esta realidade.

E num momento importante como este, o governo brasileiro atua num dos importantes eixos de nosso desenvolvimento que é do setor petróleo, reduzindo ao mínimo as exigências de conteúdo nacional, para atender as etapas de exploração e produção no Brasil.

domingo, fevereiro 26, 2017

Estranhamentos civilizacionais como reflexões no meio carnaval

O estranho e o paradoxal passou a sentar em nossas mesas, nos diferentes cantos do mundo em intensidades crescentes e amedrontadoras.

Não é uma simples estranheza, tédio ou uma angústia individual produzida internamente.

É um vazio coletivo e cheio de não respostas.

Um estranhamento.

A sociedade ficou tão mais complexa quando mais frágil. Parece que em proporções similares.

Os governos mandam menos e na outra direção as corporações podem e controlam mais.

Tudo é controlado e simultaneamente mais sumaria e paradoxalmente vulnerável.

A urbe mais complexa e adensada, busca um quê de ruralidade, na mesma proporção que boa parte do rural se nega, enquanto tal, atraída pelo burburinho da pólis.

A globalização pelo comércio produziu, como um de seus maiores e paradoxais efeitos, o nacionalismo mais reacionário e xenófobo que nunca, sequer, foi imaginado.

A comunicação online e intensa, tornou as pessoas mais isoladas, desconectadas da realidade que se tornou frugal, superficial e solta tal pluma ao sabor do vento.

Os nossos passos e desejos são colocados à prova diuturnamente pelo google (uma espécie de anti-irmão). Bem antes que um divã que como espelho pudesse refletir a fala freudiana.

O dinheiro como equivalente geral das trocas sumiu, quase que na mesma velocidade com que os negócios mercantilizaram tudo, da vida ou da sua ausência - a morte -, explorada midiaticamente sempre que coletiva e espetacular.

Quanto mais se fala em ameaça ambiental e climática – e na importância das energias renováveis -, mais o modelo hegemônico de civilização precisa e depende dos poluentes combustíveis fósseis.

O brutal e o angelical se tornaram siameses na sociedade entorpecida e confusa.

A pós-modernidade entre soluços pode estar produzindo mudanças de paradigma na civilização. 

E o pior, é que ninguém garante que diante de tantos e tamanhos estranhamentos, o progresso seja algo, infantilmente, crido como inexorável. Qual o quê!

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Dólar e aumento de preço do barril produziram em fevereiro um aumento de cerca de 30% nos royalties do petróleo para os municípios

Os royalties do petróleo são pagos dois meses depois da produção que o gera. Assim, os efeitos do aumento do preço do barril para acima de US$ 50, mais o dólar acima dos R$ 3 produziram um aumento na quota mensal dos municípios petrorrentista de 30% em média.

Os dados da ANP tabulados por Wellington Abreu, consultor e ex-superintendente de Petróleo e Tecnologia de São João da Barra estão apresentados abaixo com as quotas mensais pagas no período entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017.
(Para ver a tabela abaixo em tamanho maior clique sobre ela)
















Em termos absolutos o município de Macaé voltou a ter as quota mensal de royalties do petróleo maior que Campos e receberá R$ 37,5 milhões, enquanto Campos dos Goytacazes receberá R$ 34,1 milhões que é um valor R$ 7,6 milhões acima do valor recebido em janeiro.

As quotas mensais dos royalties do petróleo dos municípios de Niterói e Maricá segue aumentando e se aproximando dos valores recebidos por Macaé e Campos, em decorrência do aumento da produção nos campos da Bacia de Santos no litoral destes municípios. Assim, agora em fevereiro Maricá está recebendo R$ 26,8 milhões e Niterói R$ 23,3 milhões.

Na região, Cabo Frio ficou com R$ 10,0 milhões, Rio das Ostras recebe R$ 9,8 milhões, São João da Barra R$ 7,7 milhões, Quissamã R$ 5,5 milhões, Casimiro de Abreu R$ 4,2 milhões, Armação de Búzios R$ 4,0 milhões, Arraial do Cabo R$ 2,7 milhões e Carapebus, R$ 2,5 milhões.

Além das quotas mensais alguns destes municípios chamados de produtores também recebem parcelas trimestrais das “Participações Especiais” pagas petroleiras, por decorrência dos campos com alta produção de petróleo.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

As agências não regulam. Elas estrangulam a parte mais frágil: o povo brasileiro! A mídia bate palmas

A grosso modo, as agências reguladoras foram criadas na esteira de uma visão de redução do controle do estado e de assunção de parte de suas obrigações pelas corporações e pela iniciativa privada.

A visão de que a regulação é uma função de estado, que difere dos governos que são aqueles representantes eleitos pelo povo, passa pela ideia de que os governos podem cada vez menos, em detrimento do deus-mercado.

Este é um dos problemas que a democracia representativa vive no mundo, em que os governos foram capturados pelas forças de mercado e pelas corporações.

O poder político acabou sendo capturado a partir das suas dívidas.

Os governos assim foram perdendo suas funções que passaram para as mãos das grandes corporações, sendo que estas estão hoje controladas pelos fundos financeiros.

Assim, a financeirização da economia vem sendo ampliada enormemente nos mais diferentes setores.

Desta forma, os serviços públicos que eram estatais - porque a maioria é monopólio - foram concedidos e teoricamente, passaram a ser regulados por estas agências e não pelos governos eleitos.

Bem ou mal, alguma regulação havia, no meio de enormes pressões do mercado que vive pedindo simplificação, flexibilização, estímulo em troca de investimentos, que na maioria dos casos, acaba saindo do próprio governo (nas diferentes escalas e muitas vezes sob a forma das PPPs - Parcerias Público-Privadas).

Na maioria dos países a regulação está ficando inviável porque seus controles passaram para pessoas indicados e do próprio mercado. Hoje já nem indicam representantes são os próprios funcionários dos bancos e das empresas

No Brasil, as agências criadas por FHC na década de 90, se mantiveram nos governos Lula e Dilma, com mais ou menos poder de defender a parte mais fraca desta relação que é o cidadão.

Pois bem, depois do impeachment, o controle destas agências estão aos poucos passando completamente para as mãos de gente do mercado. 

São pessoas que saem direto das empresas privadas para regular seus ex-patrões. Não me refiro aos quadros técnicos-concursados. Estes resistem, mas não mandam. O caso da ANP é o caso mais simbólico.

Assim, se chega ao caso da Anatel que está por trás decisão de perdão de quase R$ 90 bi das operadoras de telefonia.

A ANP está em vias de decidir perdoar (waiver) outros R$ 90 bilhões de multas das petroleiras por não cumprirem as exigências de conteúdo nacional que agora estão rifando o ceifando ao mínimo as exigências.

Para completar, agora a Aneel, decidiu que as concessionárias de energia elétrica têm direito a R$ 64 bilhões por uma interpretação contratual.

Somando estamos falando aí de quase R$ 250 bilhões (Mais de US$ 80 bi). Na prática, o país passou a ter as agências controladas por gente destes fundos financeiros, que também controlam as concessionárias. Ou seja, controlam tudo.

Assim aproveitam aquilo que eles diariamente chamam da "janela de oportunidades" para sepultar as regulações, exigências, fiscalizações, multas e liberar as tarifas. Estão se sentindo no céu.

As raposas devorando a todos nós.

Se já não bastasse, a turma do mercado também assumiu os fundos de previdência de maior peso - das estatais - para injetar dinheiro nestas mesmas corporações controladas pelo sistema financeiro. 

Assim, nossas contas de serviços públicos que não são baratas vão aumentar cada vez mais e consumir nossos salários que estão contidos ou reduzidos. Na área de  telefonia, luz, água, esgoto, planos de saúde, etc.

Ah sim. Vão dizer que foi o governo anterior que gerou tudo isto. Muitos ainda acreditam nesta versão cantada em prosa e verso pelos "colonistas" de plantão da mídia comercial, enquanto estas cobram as suas contas e faturam cada vez mais, destes mesmos fundos e não da audiência - em queda - como a maioria ainda acredita.

O que está em jogo não é o fim do estado de bem-estar-social, porque não tínhamos chegado a ele. Apenas tínhamos nos aproximado. 

Eles não param de apertar o cinto no pescoço de todos nós. 

Porém, eles não estão considerando que não ganharão nada fazendo um país para menos de 10% de sua população.

Haja força policial para dar conta disto logo adiante.

Não há que se falar mal da política e sim da má política.

Fora daí é a barbárie, para o qual se caminha a passos largos, se este processo não for contido.

O "milagre" financeiro vale mais valor para a Vale

Trata-se de um ótimo caso para se entender o capital fictício e aquilo que se chama formação de valor: num único dia e numa mexida pró-mercado, a ex-estatal Vale, ganhou mais de R$ 13 bilhões em valor de mercado.

O caso também ajuda a explicar como a formação de valor tem cada vez menos relação com a produção.

Corporações e sistema financeiro juntos tornam os estados-nacionais apêndices de suas estratégias.

sábado, fevereiro 18, 2017

O colonialismo extrativista pós-moderno

Saskia Sassen é professora da Universidade de Columbia, nos EUA, pesquisadora do tema “pensamento global” e autora de diversos livros. Entre os mais conhecidos estão: Cidade global” e “As cidades na Economia Global” (1998). O seu último livro foi lançado nos EUA e Europa em 2014, e só no ano passado foi publicado no Brasil “Expulsões: Brutalidade e Complexidade na Economia Global”, onde descreve ideias bastantes interessantes.

Por conhecer um destes livros, eu adquiri este mais novo. Ele está na estante, apoiado na prateleira, daqueles separados para serem ainda lidos. Porém, é na entrevista com o jornalista Diego Viana "Os invisíveis do sistema" (Valor, Caderno Eu & Fim de Semana, 10/02/17, P. 4-7), que eu tive o interesse despertado para o que considero um conceito novo e interessante.
(Este caderno semanal, enquanto não acabam, ainda salva o jornal, sic)

Ao falar dos circuitos do capital (tema que venho tentando me aprofundar), Sassen diz que vivemos numa "lógica extrativista" que seria um novo colonialismo, mais perverso que o dos antigos impérios que ainda deixavam algo. Assim, se teria hoje um novo “colonialismo extrativista”.

Sassen cita como exemplos do que seria este colonialismo extrativista, o Google e o Facebook: “eles coletam dados disponíveis sobre nós, cria pacotes a partir deles e os vende a outras empresas. Isto é extração”.

Ela insiste ainda que processo similar se dá com as altas finanças (do andar de cima) e o sistema financeiro. A metáfora é didática para o entendimento do mundo contemporâneo. Há hoje, uma nova forma de garimpo de tudo aquilo que possa ser mercadoria.

Seja o minério ou o petróleo como recursos naturais extraído pelas grandes corporações, ou modernamente, as informações e os excedentes dos dinheiros locais garimpados pelas players em interação com os fundos financeiros.

Assim, no contemporâneo colonialismo pós-moderno se segue sugando e lucrando no movimento do capital que desdenha dos espaços encurtados pelas vias informacionais.

Saskia lembra que, desde os anos 80, as privatizações e as desregulamentações favoreceram ao surgimento deste novo extrativismo. Interpreto que ela tem razão. Na mesma direção, eu tenho comentado sobre o esgarçamento dos limites desta força que ignora a ampliação das desigualdades e avança com brutalidade para expulsar os sobrantes tornados invisíveis.

Sassen, também recorre a uma comparação com a era keynesiana, quando buscou superar a crise do capitalismo, pós-29. Hoje, com as crescentes privatizações e as forças contra as regulações que ainda haviam no mercado, se produziu a passagem de uma dinâmica que incluía para uma dinâmica que exclui.

Sem dificuldades, é possível enxergar no Brasil e no mundo essa cruel realidade, num processo que produz cada vez mais “sobrantes” que foram se tornando invisíveis porque seguem fortemente controlados, através da força e da brutalidade do Estado.

Contam para isto com as narrativas midiáticas que, diuturnamente, amedrontam aqueles do “meio da pirâmide”, com as já conhecidas ameaças do terrorismo e da barbárie, a serviço do “andar de cima”.

Assim, o "colonialismo extrativista" surge como aqueles conceitos que têm potência para ajudar a pensar e a refletir sobre o mundo contemporâneo.  Por isto, resolvi partilhar, na rede em meio às contradições que o fato em si traz embutido. Desta forma, sigamos em frente, sempre criticamente, aprofundando também sobre as contradições.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

A democracia fragilizada como uma taça de cristal

O mundo ocidental segue cada vez mais confuso. 

A democracia parece ter se transformado numa nuvem espalhada e tocada pelos ventos de um agouro fascista.

A plutocracia que já algum tempo vinha ampliando o controle sobre as sociedades - com a captura do poder político - agora passa também a rechaçar os resultados eleitorais que fogem ao script do sistema.

Já não falo nem dos casos dos governos da periferia, mas das chamadas democracias maduras do centro do capitalismo.

Nos EUA, o resultado eleitoral é a todo dia questionado, num processo que parece estruturar uma deposição não muito lenta.

Agora, na Inglaterra, o ex-primeiro ministro, Tom Blair, assume publicamente, o lançamento de uma campanha contra o resultado do plebiscito em que a maioria da população da Grã-Bretanha decidiu sair da União Europeia (UE).

Os limites civilizacionais mediados pela política (boa ou má) estão a cada dia sendo rompidos.
O esgarçamento vai muito para além das questões econômicas e das desigualdades. 

O sistema segue desdenhando os ignorados e excluídos.

A fragmentação da sociedade vem ampliando a sua inércia em resistir. Assim, o esgarçamento se expande e torna-se mais forte que a capacidade de mediação, até então uma virtude da democracia.

Tudo isso tornam as estruturas das complexas instituições do mundo contemporâneo tão frágeis quanto uma taça de cristal na beira de uma mesa. 

Não se observam cuidados com a frágil democracia já em queda livre.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Setor de petróleo nacional ficará sem conteúdo local, sem empregos, sem dinâmica econômica e sem tributos!

Hoje o governo Temerário está decidindo o fim da política de conteúdo local que gerou milhares de empregos na indústria para atender ao setor de petróleo e gás.

Só recentemente a Fiesp e a Firjan - cujos presidentes há muitos não são mais industriais - "perceberam" que estavam sendo engolidos.

O estrago será enorme e faz parte da sanha golpista.

A disputa coloca de um lado as corporações que exploram e produzem (petroleiras) e de outro a indústria de bens e serviços do setor.

As petroleiras (todas, especialmente as estrangeiras) querem trocar as exigências atuais que vem desde 2005, estruturadas e fiscalizadas pela ANP que exige percentuais nacionais em 90 itens das instalações, por uma vaga exigência de 40% de índice global e único.

A indústria de bens e serviços diz que com esta mudança, o conteúdo local (nacional) será zero. Repito zero porque tudo será importado. 

Por quê? Porque os serviços no setor de petróleo já respondem sozinho por 50% da demanda, cabendo aos bens os demais 50%, na instalação de plataformas, sondas e embarcações especiais.

Agora que o pato (Fiesp e Firjan) foi pressionado pelos donos das indústrias, eles descobriram que isso irá reduzir o PIB do setor em 13 vezes, os empregos e salários cairão mais de 11 vezes e os impostos arrecadados pelo governo em 17 vezes.

Sim, e assim querem um esforço fiscal apenas cortando direitos, mais uma vez abrindo mão das receitas.

O resultado disto é a repetição em nível muito mais grave do que se via no governo FHC, com a construção de plataformas movimentando a economia, gerando empregos e tributos no exterior. 

A situação hoje é muito pior, porque a nossa indústria naval já chegou a ter mais de 80 mil empregos e o setor de petróleo e gás chegou a alcançar 13% do PIB brasileiro, quando na década de 90, não chegava a um terço disto.

A pressão das petroleiras estrangeiras sobre o "acessível e comprometido" governo Temerário é enorme e começa com uma organização que tem o Brasil apenas no nome: o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

Para se ter uma ideia do que está vindo por aí, apenas nos últimos dias, o ministro da Minas e Energia e seu secretário de Petróleo e Gás receberam em audiências os presidentes e representantes das petrolíferas: Shell, Esso, BP, Total, Statoil, etc. De quebra, também o embaixador dos EUA.

É o Brasil descendo a ladeira e assumindo mais e mais sua dependência e subordinação.

Neste rumo, a Petrobras será, após esquarteja, paulatinamente, apenas uma empresa que produz algum petróleo, da mesma forma, que se dá com a petroleira da Nigéria, Angola e outros países que abriram mão de agregar valor neste setor que possui uma imensa cadeia produtiva. 

E olha que foi a Petrobras que descobriu o pré-sal que está agora sendo entregue. É a Petrobras que tem e desenvolveu boa parte do know-how de exploração offshore, especialmente, em águas profundas.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Produção de petróleo offshore tem cada vez mais vantagens sobre o xisto

A conceituada consultoria norueguesa especializada em dados e indicadores do setor de petróleo e gás, Rystad Energy, confirma, em publicação divulgada hoje, com indicadores e gráficos, que a exploração de petróleo offshore teve maior redução de custos do que a produção de xisto em terra. 

Esta realidade refuta aquelas hipóteses ventiladas no auge da produção americana de xisto, de que esta fonte empurraria as reservas offshore de petróleo pelo mundo, para um segundo plano, deixando o Brasil pra trás, como alguns analistas do mercado tanto ventilaram.

Porém, o processo se desenvolveu de outra forma. A Rystad Energy confirmou também que as duas fontes deverão receber cada uma cerca de US$ 70 bilhões de dólares de investimentos (capex) em 2017, apenas nos EUA. 

Assim, o gráfico abaixo elaborado pela consultoria mostra que poderemos estar entrando num processo de migração em que mais investimentos serão feito em exploração/produção de petróleo offshore do que em xisto (shale).































O relatório da Rystad diz ainda que os programas de redução de custos na cadeia de valor do petróleo no mar (ambiente offshore), entre 2016 e de 2017, mostram grandes avanços na competitividade sobre a exploração e xisto:

Muitos pensavam que os projetos offshore não teriam como competir com xisto, porém, os operadores offshore conseguiram transformar projetos não comerciais em projetos altamente competitivos com a ajuda de empresas de serviços. Projetos offshore que não seriam comerciais com o barril a US$ 110 em 2013 estão agora comercial a um preço do petróleo de USD 50, o barril”.

Ainda assim para a consultoria, as empresas de E&P de petróleo nos EUA não devem ainda priorizar entre uma e outra fonte nos EUA. Bom lembrar que isto está se dando nos EUA e não em todo o mundo. É bom lembrar que esta é a média mundial. Aqui no Brasil, a comercialidade da produção se dá bem abaixo dos US$ 50. 

Assim, no geral, a exploração de petróleo offshore tende a avançar mais no mundo. Atualmente, os EUA importa quase metade de todo o petróleo que consome e nunca teria condições de ser auto-suficiente mantido o atual nível de consumo. O que faz com que os EUA estimule (invista) em produção em outros canos do mundo. Que é o mesmo que faz e cada vez mais a China que está com produção interna declinante.

A Rystad analisou ainda os gastos com os serviços de engenharia de petróleo e tecnologia por setor (operação e manutenção; equipamentos; engenharia submarina; contratações de sondas sísmica e preparação de poços) e mostrou, no gráfico abaixo, que as reduções de custos para exploração no ambiente offshore caiu bem mais que para a exploração com a fonte de xisto, mesmo no continente.


A Rystad Energy informou ainda em seu relatório que os 10 melhores projetos offshore em 2017 representam quase 70% de todo o investimento. Eles priorizam os projetos melhores (best-in-class) que terão decisões dentro deste ano. 

Estes são os casos dos projetos do campo de Libra no Brasil; do MAD, fase 2, da BP, no Golfo do México; Coral FLNG, da petroleira italiana ENI, em Moçambique e do campo de gás natural, Leviatã, da Noble, no Mar Mediterrâneo, no litoral de Israel. Em 2018, a perspectiva é de ampliação destes trabalhos em ambientes offshore e do aumento de receita por parte destas empresas de engenharia de petróleo (que são grande players globais)

É fato que as experiências no desenvolvimento da tecnologia e serviços de engenharia de petróleo offshore no litoral brasileiro, feito por grandes corporações globais do setor, estão sendo hoje, fundamentais para a exploração e produção, também, em outras reservas offshore mundo afora. 

Este fato produz uma redução dos preços unitários dos projetos offshore. Ele também caíram com a diminuição das taxas diárias dos contratações de aluguel das sondas de perfuração, onde os preços caíram até 50%. Tudo isso ajudou a otimizar o “breakeven” (preço mínimo do barril a partir do qual a produção é economicamente viável) da produção offshore no mundo. 


O Brasil e a Petrobras como inovadores nas tecnologias offshores em águas profundas
Pouca atenção se tem dado a esta realidade de desenvolvimento da nossa capacidade em tecnologia e engenharia. Expertise nacional sendo repassada, depois de desenvolvida, mesmo que em conjunto, sem nenhum ganho de royalties para a Petrobras e nossa engenharia, que está sendo dizimada após a Operação Lava Jato.

No esforço de produzir uma leitura mais totalizante, para além das questões técnicas e comerciais, analisando mais profundamente (esta nota e anterior "aqui" deste blog), se vê que não há sustentação a argumentação da estratégia de mercado escolhida pela atual direção da Petrobras. 

Eles dizem estar reduzindo a dívida da estatal, mas a qualquer custo, vendendo vários ativos valiosos a preços de feira, quando a Petrobras, é no mundo da energia, uma das que possui maior potencial de crescimento, e portanto tem crédito, à disposição para ampliar a sua produção e sua estrutura comercial de forma integrada – do poço ao posto – de forma constante e consistente em diferentes cenários da economia e do setor petróleo.


Pré-sal é a joia roubada através do golpe político 
Assim, mais uma vez fica claro que foi o tiro no coração do setor de petróleo e da Petrobras que se puxou a estratégia do golpe político no Brasil. 

As informações e os dados expostos aqui, quase diariamente, trazem mais e mais evidências sobre o crime de lesa-pátria que se está cometendo sobre a joia da coroa. 

São dados de consultorias internacionais. Informações do próprio mercado que confirmam os prejuízos que vão muito para além dos desvios da Lava-Jato. 

O fim da exigência de conteúdo nacional que está sendo decidido nestes dias em Brasília, é mais uma pá de cal sobre o este processo que elimina as chances de participarmos desta cadeia produtiva, não apenas com produção de petróleo, mas fornecendo aquilo que é até mais valioso que o produto petróleo em si, que são os equipamentos, as tecnologias e os serviços de engenharia que o Brasil em que a empresa é reconhecia e premiada internacionalmente.

Não há outro caminho. Resistir é urgente e necessário. Todos os dias!

A Opep confirma as razões sobre a "sede" que o mundo tem sobre o nosso petróleo

A Opep cada vez tem desenvolvido estudos mais detalhados sobre a geopolítica do petróleo e da energia que utiliza para que a organização tome decisões.

Assim, a Opep hoje acompanha não apenas a exploração e a produção de seus 14 países membros, mas também dos demais.

Desta forma divulga bons e densos relatórios mensais. Neste último estudo, divulgado ontem, a Opep voltou a confirmar a colossal ascensão de produção de petróleo no Brasil, apesar de toda a pressão contra a Petrobras.

O Brasil será o país - fora Opep - com o maior crescimento de produção de petróleo no mundo, com cerca de mais 250 mil barris por dia.

Para a Opep, o Brasil poderá chegar à uma produção diária de 3,5 milhões de barris por dia. Isto se dá por um planejamento anterior que garantiu a entrada em funcionamento de três unidades de produção (plataformas) em 2016.

Outros países fora da Opep deverão ter também aumento de produção, embora inferior ao Brasil: EUA, Canadá, Cazaquistão na Ásia, Congo e outros países da África.

Enquanto isto, outros tradicionais países produtores perderão capacidade este ano como: México, Noruega, Rússia, China, Colômbia entre outros.

Já insistimos aqui por diversas vezes que o atual excesso de produção de petróleo no mundo, está consumindo as reservas que estão sendo menos prospectadas, por conta da redução de investimentos derivados do baixo preço.

Trata-se de ciclo petro-econômico.

Desta forma, uma nova fase de expansão dos preços se apresenta no horizonte para daqui a três a cinco anos, que pode ser antecipado por conflitos regionais.

Assim, diariamente, se coleciona dados e indicadores que confirmam a enorme sede do mundo sobre o nosso pré-sal, a maior fronteira petrolífera descoberta na última década.

O Brasil possui, nada mais, nada menos que seis dos maiores campos de petróleo descobertos nos últimos dez anos. 

Desta forma, não é difícil compreender o que se tem feito para que outras nações, corporações e fundo financeiros - agindo em conjunto - têm articulado e executado para ter acesso a tamanho manancial. 

E tudo isso com ajuda de uma elite econômica, sem projeto de nação, apenas preocupada com seus interesses em se apropriar de um mínimo percentual disto tudo - como rentistas - e sem nenhuma preocupação em assumir a condição de dependência e de consentida subordinação.  

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Preços futuros do minério de ferro já ultrapassam US$ 100. A quem interessa esta variação cíclica?

O preço da tonelada de minério de ferro que há um ano estava a pouco mais que US$ 40, ontem atingiu US$ 92, em seguidas altas. Só nesta segunda-feira o aumento foi de 5,5%.

Nos contratos futuros de minério de ferro da China, na sexta-feira, o valor na bolsa de Dailan, atingiram a cotação de 694 yuan ou US$ 101 por tonelada. Só em janeiro agora, as importações da China cresceram 12% e atingiram o enorme volumem de 92 milhões de toneladas.

A alta futura do minério de ferro seria sustentada, segundo analistas chineses, por conta da demanda de aço para uso no setor de infraestrutura imobiliária (construção civil).

Este movimento de compra da China é um tanto sazonal, porque ela possui imensa capacidade de estoques que faz com que ao longo do ano, os preços oscilem conforme sua disposição de compra, considerando que os chineses consomem mais de metade de todo o minério de ferro comercializado no mundo.

Há ainda quem também atribua este aumento dos estoques chineses à preocupação com a valorização desta commodity com os possíveis investimentos internos mos EUA (de Trump) com infraestruturas. Estes podem vir a ampliar a demanda do minério de ferro pelo mundo.

Esta valorização traz vantagens ao Brasil que é um grande exportador e possui a Vale a maior mineradora de ferro do mundo. Assim, em janeiro deste ano o Brasil exportou US$ 1,62 bilhão em minério de ferro, mais que o dobro dos 656 milhões de toneladas de janeiro do ano passado.

O fato pode vir a contribuir para o aumento do superávit da balança comercial brasileira que tem no minério de ferro um de seus mais importantes componentes, com exportações feitas especialmente pelos portos dos estados do Espírito Santo (Tubarão) e Rio de Janeiro (Itaguaí-Vale-Sudeste-Açu) que movimentam a produção de Minas Gerais. E ainda e cada vez mais pelo Porto de Itaqui, no Maranhão, por onde sai a produção das minas de Carajás no Pará.
Área de estoque do Porto Sudeste em Itaguaí, RJ

Na esteira desta expectativa algumas minas no Brasil que estavam com projetos paralisados estão sendo retomados e ampliações de outros estão sendo estudadas. Porém, a entrada em produção do projeto SD-11 da Vale em Carajá, Pará, que possui altíssima capacidade de produção, a baixo custo (com alta produtividade) limitam as chances de outros projetos.

Mesmo que a tendência de aumento do valor do minério de ferro não se sustente no tempo, ele confirma o que temos abordado aqui neste espaço com frequência, sobre a condição cíclica com as fases de boom e de colapso de preços das commodities.

Estes ciclos não são naturais e nem decorrentes do livre mercado - como pensam aqueles que só enxergam o deus-Mercado - e sim produzidos pela força da intervenção dos maiores mercados e corporações. Estas ganham tanto na fase de boom, como todos, quanto na fase de colapso.

Na fase de expansão ampliam seus lucros e na fase de depressão, se reorganizam, reduzem custos, compram e incorporam as empresas menores e periféricas que não sustentam o baque. Assim, seguem com seus lucros, mesmo que menores temporariamente, mas se organizam para nova ampliação dos lucros com a chegada da nova fase de boom, em novo ciclo da commodity.

Os países exportadores - como o Brasil - ganham na alta, mas nem tanto como grandes tradings - mas sofrem muito na baixa e, o pior, vive como joguete das grandes players, numa economia dependente diante de um processo global do qual participa de forma subordinada.

As tradings têm papeis atuantes e relevantes no controle da circulação e na formação de valor no comércio dos recursos minerais e também no agronegócio no mundo. O processo é similar - com pequenas e peculiares diferenças - ao movimento cíclico de outras commoditys na economia global.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Resultados das petroleiras em 2016

À medida que avançamos para o segundo mês do ano, as maiores petroleiras do mundo começam a anunciar os seus resultados no ano de 2016.

A anglo-holandesa Shell divulgou que teve um lucro de US$ 7,1 bilhões, enquanto na francesa Total o lucro foi de US$ 6,2 bilhões. Já a norueguesa Statoil teve prejuízo de 2,9 bilhões.

A Petrobras costumeiramente divulga os seus na segunda quinzena do mês de março.

O resultados de algumas destas petroleiras estão ainda impactados pela reavaliação de seus ativos (campos e instalações) que é chamado em inglês como impairment, onde a maioria registra em sua contabilidade os valores destas desvalorização. Fato que está relacionado com os baixos preços do barril de petróleo que interferiu no setor por mais de dois anos.

Em 2015, a Petrobras teve prejuízo líquido de R$ 34,8 bilhões, só que este resultado embutia R$ 49,7 bilhões referentes ao impairment de ativos e investimentos. Isto permitiu identificar que se não fosse este desconto da desvalorização dos ativos, a Petrobras teria registrado em 2015, mesmo com todos os conhecidos problemas, um lucro de R$ 14,9 bilhões (aproximadamente US$ 4,6 bilhões). No resultado do 3º bimestre de 2016, a Petrobras fez novo impairment de R$ 15,292 bilhões que deve se refletir no resultado anual de 2016 que será divulgado proximamente.

É ainda importante identificar que a melhoria dos preços do barril de petróleo no último trimestre de 2016, aliado à redução significativa que elas passaram a ter nos custos de produção, tenderão a melhorar os desempenhos de todas as petroleiras, numa tendência de aproximação de um novo ciclo petro-econômico.

domingo, fevereiro 12, 2017

A crise no ES vista com olhar menos pontual e mais profundo

Para você que não se satisfaz com as informações superficiais e as análises seletivas que lê nos jornalões, "colonistas" e na TV dos canais da mídia comercial, eu sugiro que assista a entrevista do cientista político, Vitor de Angelo, professor e pesquisador do Mestrado do Departamento de Política da Universidade de Vila Velha, sobre a crise do ES. 

Vitor na entrevista feita pelo jornalista Luiz Nassif vai além dos fatos da questão do movimento dos policiais capixabas e suas famílias e joga luz na relação disto com a política de desenvolvimento do ES e das estratégia do governador neste momento de enorme confusão na política nacional.

É um vídeo de 22 minutos, mas vale assistir para que se possa avançar em análises menos superficiais. Esta frugalidade das informações soltas tenta passar e vender uma ideia dos fatos sem um contexto histórico que o produziu e que delas continuará a tirar proveito.

Perfil de refino de petróleo da Petrobras

Em função atualmente do maior foco do blog em questões referentes ao setor de petróleo, passamos a ser constantemente indagado sobre informações a área. Isto redunda em postagens que buscam esclarecer algumas questões e trazer ao debate outras.

Nesta linha, o blog foi indagado sobre os percentuais de derivados que se extrai de uma barril de petróleo através do seu refino. De início vale relembrar que um barril de petróleo equivale a 158,98 litros.

O percentual de cada derivado de petróleo que se extrai numa unidade de processamento e refino depende de uma série de itens como: tipo de petróleo, características das unidades de refino; necessidades da demanda em determinado período, mercado a ser atendido, etc. Assim, o petróleo processado varia por refinaria.

No Brasil, hoje todo o refino é feito pela Petrobras. A produção de petróleo mais pesado vinha sendo exportado e, simultaneamente, se importavam derivados para atender à demanda de consumo nacional. Isso é um movimento dinâmico e altera com o tempo e conforme o movimento da economia e consumo de derivados no país.

Até 2014, o perfil de refino de petróleo era conforme o quadro da imagem abaixo cuja fonte é a própria Petrobras. Creio que estes percentuais tenham se alterado pouco de lá para cá.