domingo, julho 05, 2015

A reposta grega em sua ágora: Troika Não!

Com 61% das urnas apuradas, o povo grego, puxado pelos jovens e pelas periferias das cidades deram o tom do "NÃO", contra o arrocho da Troika: NÃO com 61,2% x 38,8% SIM.

Esta é também mais uma derrota fragorosa da mídia partidária comercial. A esmagadora maioria dos jornais e tv’s privadas da Grécia, controlados por grupos ligados ao poder econômico e que domina a finança do país fez abertamente campanha pelo ‘Sim’.
Ágora grega em foto do El País

Durante o fim de semana, as televisões criaram o clima da “corrida aos bancos”, com diretos intermináveis junto às caixas multibancos até que de facto as filas se começassem a formar por gente preocupada com o que via na TV. Assim, a derrota do SIM e poderá ter mais um simbolismo, a de que as pessoas identificam de forma mais clara os interesses em curso.

Interessante observar, como em meio à questionada democracia ocidental nestes tempos mais próximos da plutocracia, a sociedade grega, em uma semana, é chamada a opinar. O fato se dá, não na ágora grega, mas nas urnas entre o SIM para aceitar a imposição dos credores e se submeter e ao NÃO para construir saídas, ainda não claras, mas diversa daquela que o setor financeiro desejaria, com o forte apoio, chamado de terrorismo, pela mídia comercial da Grécia e quase de todo o mundo. Fatos e tempos a serem observados.

PS.: Atualizado às 15:58 e 17:10: Declarações agora há pouco do ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira sobre o referendo na Grécia:

"As pesquisas após o fechamento das urnas estão indicando vitória do Não no referendo grego. Cerca de 60% dos eleitores teriam votado Não contra 40% de Sim. Os eleitores mostraram coragem e não se deixaram chantagear. Vão enfrentar imediatamente uma crise mais aguda, porque provavelmente terão que sair do euro, mas poderão fazer uma reestruturação unilateral de sua dívida externa e dirigir sua economia de acordo com seu interesse nacional."
Ágora grega em foto do El País

sábado, julho 04, 2015

Quais são as ideias e planos para além dos "ti-ti-tis" na política nos municípios da região?

Podem ser compreensivos os "ti-ti-tis" pré-eleitorais sobre candidaturas, troca de partidos, disputa entre "criadores e criaturas", debates entre lideranças, etc.

Porém, no caso específico dos municípios de nossa região, causa espécie, não identificar nenhum debate mais sério sobre intenções para o futuro, sobre ideias e planos, num momento em que falar do mau uso dos recursos do orçamento, é muito pouco.

Sabe-se que as finanças dos municípios terão que conviver com orçamentos bem menores, seja pelo preço do barril do petróleo que tende a se manter próximo dos patamares atuais (fato mais real ao se observar a curva dos preços nas últimas quatro décadas) por mais dois ou três anos.


Sabe-se que a situação tende ainda a ser agravada, com a possível decisão do STF, sobre a liminar que sustenta o critério de rateio atual entre os municípios brasileiros.

Porém, é preciso ir adiante das denúncias do mau uso, de condenar o endividamento baseado em receitas discutíveis para o futuro. Ficar nestes pontos parece muito pouco, diante do desafio.

Para além dos "ti-ti-tis" que interessam às lideranças políticas, a população quer saber o que as lideranças, os partidos pretendem fazer.

A população quer ouvir posições destas lideranças sobre a forma de gerir e de como fará a transição de um modelo (que perpassou as administrações de criadores e criaturas) de "gestão da abundância", para a realidade de uma necessária gestão participativa, com foco na eficiência, na prioridade a quem mais precisa dos governos e na administração em que se tem menos recursos e muito mais demandas.

Neste caso, o cidadão (eleitor) quer saber quais serão as prioridades. Quais garantias e confiança as lideranças estarão oferecendo. Isto não tem como ser feito em dois ou três meses de campanha.

Chega de acordo entre as elites. Seja ela econômica, política ou de ambos. O acordo agora, mais que nunca, tem que ser com o povo, que além de não querer só comida, também não quer só votar.

Mas, a esperança é sempre maior que o lamento com a direção dos acontecimentos. Quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

"A resposta de Obama"

Abaixo artigo do jornalista Mauro Santayanna no JB Online. Um sintético e forte texto sobre a questão da resposta de Obama, à pergunta feita pela jornalista da Globo News à presidenta Dilma. Vale conferir:

"A RESPOSTA DE OBAMA"
Mauro Santayanna

"Se há uma cena emblemática, que passará à história, marcando a visita da Presidente Dilma Roussef aos Estados Unidos, neste ano, esta será a resposta dada pelo Presidente Barrack Obama, na coletiva de imprensa dos dois líderes, na Casa Branca, à pergunta de uma jornalista “brasileira”, dirigida à Presidente da República.

A entrevistadora tinha acabado de voltar a se sentar e olhava para seu alvo, depois de fazer a pergunta (quem quiser saber porque Dilma às vezes tem dificuldades de falar de improviso, que se habilite a ser interrogado, espancado e torturado ao longo de alguns meses, “travando” desesperadamente a fala e a mente para evitar passar informações das quais depende sua vida e a de terceiros), sem conseguir ocultar das câmeras a incontida e malévola expressão de quem estava pre-libando a situação em que achava que ia colocar a Presidente da República.

Quando Obama, que também foi indagado - em outro explícito exercício de viralatice - sobre assuntos internos brasileiros, dizendo - o que deveria ser óbvio para qualquer um que respeite a presunção de inocência, o apreço à verdade e a responsabilidade da imprensa - que não se deve fazer manifestações sobre casos que ainda estão em julgamento, respondeu que o Brasil é, hoje, uma potência mundial, e não de ordem regional, como pretendia sugerir, antecipando descaradamente a posição dos EUA, a entrevistadora.

Ao contrário do que muitos pensam, o Presidente Barrack Obama não interveio apenas para ser gentil, embora ele tenha problemas com a sua própria oposição de direita, e até mesmo de extrema-direita, que vai dos representantes dos W.A.S.P. - os conservadores brancos na Câmara e no Senado, aos latinos anticastristas e aos malucos religiosos, anacrônicos e fundamentalistas do Tea Party, sem falar nos “falcões” republicanos no Congresso, que acham que é preciso lutar contra países como o Brasil, para tentar manter-nos “sob controle”. Contra ele, assim como ocorre com Dilma, também há charges anticomunistas de inspiração fascista na internet, embora o Presidente dos EUA possa ser, eventualmente, graficamente, até mesmo associado ao nazismo, por grupos externos que combatem a política exterior norte-americana.

Ele o fez porque se relacionava, a pergunta, a uma nação que é a quinta maior do mundo em tamanho e população, com um território maior do que a extensão continental dos EUA sem o Alaska.

Com um PIB que cresceu, segundo o Banco Mundial, de 508 bilhões de dólares em 2002 - (WB1 link) para 2.346 trilhões de dólares em 2014 (WB2 link).

Cujos nacionais dirigem organizações como a FAO ou a Organização Mundial do Comércio.

Que comanda as tropas da ONU no Haiti e no Líbano.

Que tem a mais avançada tecnologia de exploração de petróleo em alto-mar, é o segundo maior vendedor de alimentos do planeta, depois dos Estados Unidos, e o terceiro maior exportador de aviões.

Que pertence ao G-20 e ao BRICS - a única aliança capaz de fazer frente à aliança “ocidental” e anglo-saxônica estabelecida nos últimos 200 anos, que é encabeçada, justamente, pelos Estados Unidos.

Que organiza a integração continental ao sul do Rio Grande, como principal nação da CELAC, da UNASUL, do Conselho de Defesa da América do Sul.

Que é a sétima maior economia do mundo, o oitavo país em reservas internacionais, a pouco menos de quinze bilhões de dólares da sexta posição (monetary reserves link) e, segundo informações oficiais do tesouro norte-americano, o terceiro maior credor individual externo dos EUA, (US TREASURY link).

E, finalmente, porque se ficasse calado, diante da enorme obviedade da resposta, teria sido ele, Obama, a passar ridículo - como um anfitrião que permite, entre horrorizado e constrangido, que ocorra uma monstruosa “gaffe” em sua sala - e não a autora da pergunta."

sexta-feira, julho 03, 2015

Atividades marítimas e apoio portuário para exploração offshore de petróleo no ERJ e suas consequências

A Petrobras possui, atualmente, cerca de 200 embarcações contratadas para apoio às suas operações, sendo maioria de rebocadores (imagem ao lado) só na Bacia de Campos. Cerca de 400 mil toneladas de cargas são movimentadas por mês, apenas nas bacias de Campos e Santos por estas embarcações.

A Petrobras passou a usar recentemente um programa PB Log através do qual tem aperfeiçoado a gestão de uso das embarcações nos diversos terminais portuários que servem de base de apoio.

Dentre as empresas contratadas para este serviço está empresa americana Edson Chouest Offshore (Eco). A Eco possui um total de 230 embarcações que atua em atividades offshore, sendo que 70 delas atuam no Brasil.

Embarcação da empresa Farstad
Além de fornecimento de serviços de apoio marítimo, a Eco constrói a base de apoio portuário junto ao Porto do Açu para atender contrato ganho em licitação com a Petrobras - com 597 mil² (1.030 metros de frente - píer junto ao terminal 2 do Porto do Açu).

A Edson Chouest Offshore diz que faz no Açu investimentos de quase R$ 1 bilhão para ter esta base operacional de 15 berços de atracação, além de estaleiro de manutenção e reparos que visa atender à sua frota e também a outros clientes.

A Edson Chouest hoje atende com embarcações através de sua empresa BramOffshore, não apenas a Petrobras, mas também às petroleiras: Shell, Total, Repsol-Sinopec, Statoil e Queiroz Galvão.

Até hoje, o atendimento principal da Petrobras se dá no terminal portuário (TUP) de Imbetiba em Macaé e do terminal operado pela Triunfo Offshore junto ao Porto do Rio de Janeiro.

As demais petroleiras são atendidas a partir da base portuária da Brasco (grupo Wilson, Sons) sediado na Ilha da Conceição, em Niterói e em outro da Brasco, no Caju, Porto do Rio de Janeiro.

A escala de expansão da nova fronteira de exploração petrolífera no Brasil, nas reservas do Pré-sal, demandam mais embarcações (e estaleiros para sua construção) e estas, por sua vez, exigem mais bases portuárias.

A previsão é de que a partir de novembro este apoio portuário seja expandido com o uso da base da Edison Chouest junto ao Porto do Porto do Açu. O ES se esforça para ter uma base regional para atender a exploração da Bacia do ES. Assim, como algo já se faz em Santos. Porém, é indiscutível que o centro desta logística está no ERJ, até pela sua posição equidistante, em relação ao ES e SP.

Enfim, todo este processo explica uma parte da dinâmica econômica do ERJ com forte impacto sobre a população no território, especialmente no litoral fluminense. Estamos falando de uma atividade produtiva que possui 12% do PIB nacional e 33% do PIB do ERJ.

Entender esta transformação do espaço, as novas territorialidades, através da atuação de uma cadeia articulada mundialmente é o desafio a que tenho me proposto fazer, nos estudos e pesquisas de campo e documental, de forma mais especial, nos últimos três anos.

Uma movimentação que acontece no território com a instalação de capital fixo em instalações, a partir das demandas da exploração offshore com forte participação do capital financeiro e de traders. 

Elas enxergam todo este processo, quase que exclusivamente, como forma de ampliação dos seus patrimônios e lucros. Às comunidades cabem o papel de defenderem os seus interesses.

Espera-se dos gestores públicos, nas três escalas, um papel, não de uma atuação como uma espécie de gerentes destes negócios, ou de despachantes exclusivos dos interesses dos empreendedores, mas, de regulação e de articulação entre os interesses econômicos e lucros dos negócios, mas de preocupação com a vida dos moradores e trabalhadores desta regiões.

PS.: Atualizado às 15:23 e 17:55: Para corrigir pequenas informações e excluir repetições. Para acrescer a informação sobre a fonte da imagem usada como ilustração.

Para que servem as crises?

O ERJ tem hoje contabilizado uma dívida a ativa a receber no total de R$ 66 bilhões.

Na última terça-feira (30/06) a Assembleia Legislativa do ERJ (Alerj) aprovou lei autorizando o governo estadual emitir debêntures, cuja garantia será o fluxo de quitação da dívida ativa do Estado, visando com isto reduzir o déficit que o governador diz ser de R$ 13,5 bilhões, apesar da perda de receita com os royalties ser de no máximo R$ 4,5 bilhões.

Eu tenho acompanhado os detalhes desta movimentação da equipe da Secretaria de Fazenda atrás de cobrar o que não vinha sendo pago, oferecendo descontos. Sei que o acompanhamento destas questões é complexa para a ampla maioria da população, porque é repleta de tecnicalidades jurídicas e econômicas.

Porém, eu posso garantir os valores são altíssimo e envolvem interesses poderosos. Além disso, não é difícil intuir que a sonegação e as famosas isenções tributárias são enormes.

Ao observar estes detalhes que vira e mexe veem à tona durante a crise, é possível ainda identificar duas principais questões:

1) Onde estão e os volumes dos débitos, das sonegações e das isenções. Garanto que não são nas pequenas e médias empresas. Estas não financiam campanhas eleitorais.

2) Confirmar que a crise é parte do ciclo na economia capitalista, mesmo que estejamos falando do fundo público. São durantes as crises que as grandes compram as pequenas, formam os oligopólios/monopólios e controlam o mercado e ampliam seus lucros.

Mas, também é quando os devedores e sonegadores conseguem negociar com o setor de finanças, os perdões e descontos de juros, multas e até do principal, além de parcelamentos. Tudo isso jurando transparência e isonomia de tratamento.

Daí chega o Natal e eu preciso acreditar em papai noel.

quinta-feira, julho 02, 2015

E segue a produção de petróleo, a despeito dos abutres: 3 milhões de barris em maio!

Este é o número aproximado incluindo o equivalente da produção de gás.

Para ser mais exato a produção total incluindo e de gás natural, contabilizada como óleo equivalente totalizou um volume de aproximadamente 2,998 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia.

A produção só de de petróleo no mês de maio alcançou 2,412 milhões de barris diários de petróleo, um aumento de de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

O pré-sal foi em grande parte responsável pelo aumento na produção mensal, tendo ele próprio incrementado seus números em 1,2% com relação ao último mês, totalizando 726,4 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 26,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, somando 895,5 mil barris de óleo equivalente por dia.

E tem gente que insiste em não entender o que segue acontecendo e quer entregar os poços e campos de petróleo, fazendo com que a Petrobras deixe de ser operadora única.

Muitos não sabem, mas hoje as petroleiras estrangeiras já produzem aproximadamente 400 mil barris de petróleo por dia. (Ver tabela abaixo: BG Brasil; Repsol/Sinopec; Shell; Pegrogal; Statoil; Sinochen; Chevron; Maersk, etc.)

O presidente mundial da Shell, disse alegremente que quer continuar a ser parceira da Petrobras, e que por isto, adquiriu o grupo petrolífero inglês BG, que até hoje era o segundo maior produtor de petróleo e gás no Brasil, só atrás da Petrobras.

Mais, a Shell com esta aquisição refez suas projeções e espera, só ela já junto da BG, chegar à produção em 2020, portanto, apenas, daqui a cinco anos, alcançar o volume de produção de 500 mil barris de óleo/gás por dia.

Por tudo isto, não há porque entregar mais nada. Diante disto, ninguém pode, em sã consciência dizer que o Brasil está fechado às empresas estrangeiras. Porém, para tudo há limite. Nenhuma nação negocia com o mundo de portas escancaradas, como querem os entreguistas de sempre.

Conhecer a realidade é obrigação de todos antes de sair por aí reproduzindo as manchetes da mídia comercial que ganha para vender uma versão e esconder a "notícia".

Outros dados sobre a produção:

1) Só da reserva do pré-sal, se tem produção em 49 poços, com 726,4 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 26,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, totalizando 895,5 mil barris de óleo equivalente por dia. Repito, só do pré-sal 895,5 mil barris de 49 poços, o que dá uma média excelente 18,2 mil barris por dia por poço. Este número médio permite conformar a informação de que no pré-sal há únicos poços produzindo mais de 40 mil barris por dia. Nem os geólogos mais otimistas previam tanta produtividade. Nem os engenheiros mais otimistas previam conseguir fazer esta extração em tão curto espaço de tempo. Por isto, não é só as petroleiras chinesas e a Shell que querem ficar juntas da Petrobras. Já o senador Serra quer entregar tudo para a Chevron;

2) Só o campo de Roncador na frente do litoral de SJB produziu em maio 322 mil barris por dia. Se juntar com o gás, a produção de óleo equivalente de Roncador chega a 361 mil barris por dia. Porém, não é mais o de maior produção no litoral brasileiro. Roncador foi superado pelo campo de Lula, na reserva do pré-sal que produziu em maio último (última estatística oficial, sempre de dois meses atrás) 383 mil barris por dia.

3) Abaixo a tabela da produção total de óleo equivalente (Óleo + gás). Fonte: Boletim de Produção de Óleo e Gás da ANP (Maio de 2015). As estatísticas são divulgadas sempre relativos a depois meses para trás:




Variação dos preços do petróleo e minério no 1º semestre de 2015

Abaixo os gráficos da variação dos preços das commodities petróleo, cobre e minério de ferro no mercado internacional no período do 1º semestre de 2015.
Fonte: Valor P.B3, 01/07/2015:

   



Prumo (ex-LLX) entra na Justiça contra a MPX (atual Eneva)

A Prumo Logística Global S.A. (ex-LLX) controlada acionariamente pelo fundo americano de investimento EIG Partner Global acionou na Justiça a MPX (atual Eneva) que agora é controlada pelo banco BTG Pactual e pelo grupo alemão de energia elétrica E.On.

Ambas as empresas são originárias do grupo EBX, do empresário Eike Batista e que foram repassadas ao controle de investidores estrangeiros. Hoje, Eike possui menos 1% das ações da Eneva (ex-MPX), que se encontra atualmente, em fase de recuperação judicial.

O motivo da arguição judicial com o pedido de indenização da bagatela de R$ 150 milhões é o descumprimento de acordos relativos à construção da linha de transmissão (LT) de 345 KV entre o Açu e a subestação de Furnas em Campos, num trecho de 50 km.

A ação foi ajuizada segunda-feira (29/06) na 49ª Vara Cível do TJ-RJ. O projeto da LT de 345 KV fazia parte da interligação da Usina Termelétrica à carvão da MPX, projeto que teve seu licenciamento ambiental suspenso junto com decisão de seus atuais controladores de não levá-lo adiante.

Assim, a LT levaria a energia elétrica do Açu para o sistema elétrico interligado por Furnas. A LT teve as 145 torres instaladas, o que exigiu desapropriações de terras, mas os cabos não forma ligados e nem a subestação concluída no Porto do Açu. Hoje o porto está sendo atendido por uma LT de 138 KV e por geradores da empresa Agrecco.

Instalações da SE de 345 KV do Porto do Açu.
Fonte: Slide da apresentação na CI do Senado em 01-07-15.
Veja na imagem ao lado as instalações inconclusas da subestação no Porto do Açu, mostrada ontem, pelo presidente da Prumo Eduardo Parente na audiência pública realizada na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal.

Segundo a Prumo, o investimento total no projeto seria de R$ 250 milhões, sendo que pelo acordo entre LLX e MPX (atuais Prumo e Eneva) cada uma bancaria metade deste custos, sendo que a Eneva nada teria investido nas instalações. A Prumo tamém cobra indenizações de R$ 110 milhões em danos morais pelo não cumprimento dos acordos.

Hoje, a Eneva é controlada pelo banco BTG Pactual, por conta dos aportes que fez ainda na MPX e também por assumir as dívidas da E.ON que possui 26% das ações; Banco Itaú cerca de 10%; Citibank 6%, Eike aproximadamente 1% e BNDES 0,5%.

Interessante observar como as relações entre os negócios de Eike deixaram problemas de diversas ordens que estão ais visíveis através dos processos de recuperação judicial destas empresas. Além disso, merece destaque, como já comentamos aqui por diversas vezes, o fato de que os negócios passaram a ser todos controlados pelo setor financeiro.

Este fato explica uma série de outras questões, inclusive a forma como se dá a relação com as comunidades locais/regionais, onde o capital (fixo) está se instalando. Esta é uma realidade cada vez mais presente no atual estágio do capitalismo, ou caso queira, do sistema econômico global.

Fundos financeiros onde estão os dinheiros, sem cara e muitos interesses. Compreender este processo para agir dentro dele é urgente. Diante desta realidade os poderes locais, econômico e político, são apenas gerentes das migalhas. Ter a visão mais geral e totalizante desta realidade é hoje  uma obrigação, se o objetivo não for apenas disputar estas migalhas.

O nascer do sol na Planíce por Admardo Augusto

O Admardo Augusto de Azevedo Silva enviou ao blog este belo flagrante do nascer do sol, hoje pela manhã, na Planície Goitacá. O blog agradece e expande o brinde a todos os colaboradores e leitores do blog:



Estrutura societária da Prumo mostra a formação de nova holding

A atual estrutura societária da Prumo Logística Global S.A., controladora do Porto do Açu e sob o comando do fundo financeiro americano EIG, mostra como no lugar da LLX, antiga empresa do grupo EBX, a Prumo vai montando uma nova holding.

Esta estrutura consta da apresentação corporativa da empresa do mês de junho.


Por ela é possível ver o surgimento agora da empresa de petróleo, a AçuPetróleo, que assim se junta às duas joint-ventures. Uma com a Ferroport, com a Anglo American, para operação da chegada do mineroduto, filtragem e exportação de minério de ferro, pelo terminal 1 do Porto do Açu. A outra joint-venture a BP Prumo, é para empresa que está sendo instalada na entrada do terminal 2, como previsão de início de funcionamento para dezembro deste ano.

Outra observação que vale ser comentada é que o fundo EIG seguro o seu percentual em 74,3%, porque se chegasse a 75% os controladores majoritários teriam que fechar a empresa que deixaria de ter ações em bolsa e teria que remunerar seus acionistas por critérios definidos pela Ibovespa.

Sobre as áreas alugadas, ou com termos de compromisso de cessão, as últimas apresentações da Prumo deixaram de constar a hipótese de instalação da americana GE junto ao Porto do Açu. A GE montou junto à Baía de Guanabara, pelo Porto de Niterói uma grande base de apoio para fornecimento de equipamentos para as atividades offshore no litoral, e por isto deve ter desistido de instalar no Açu nova base.

PS.: Atualizado às 00:26: Abaixo a informação divulgada nesta quarta-feira pelo presidente da Prumo na audiência pública realizada na Comissão de Infraestrutura do Senado, sobre o volume total de investimentos, feitos até agora, junto aos empreendimentos do Porto do Açu, no valor de R$ 10,4 bilhões:

quarta-feira, julho 01, 2015

Porto do Açu foi tema de audiência pública no Senado, hoje pela manhã

Aconteceu hoje pela manhã uma audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) para discutir os investimentos em infraestrutura de logística destinados ao Complexo Industrial do Porto do Açu. A Prumo Logística Global S.A. controladora do Porto do AÇu foi representada pelo seu diretor-presidente Eduardo Parente que falou sobre o empreendimento e andamento da obra.

A audiência foi requerida pelo senador capixaba, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). No requerimento da audiência o senador Ferraço disse: "o Porto do Açu também está no eixo de influência da ferrovia Rio de Janeiro-Vitória, que prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões em mais de 572 quilômetros de extensão. Esses investimentos foram recentemente incluídos no Programa de Investimento em Logística 2015-2018, anunciado pelo governo federal. Investimentos em infraestrutura são determinantes para o aumento da competitividade da economia. No caso brasileiro, tornam-se ainda mais importantes dados os altos custos atuais para movimentação de cargas, o que pressiona a capacidade exportadora brasileira. Somente com pesados investimentos em infraestrutura será possível reverter esta situação".

A audiência da Comissão de Infraestrutura aconteceu na sala 13 da Ala Senador Alexandre Costa no Senado. O estado do Espírito Santo tem se mobilizado por conta da disputa com o estado do Rio de Janeiro, como base e Centro de Logística Portuária da região Sudeste.

Até então os portos de Vitória e Ubu da Samarco (Vale) em Anchieta dominavam as exportações de minério de ferro oriundos do vizinho estado de Minas Gerais. Agora os portos do Açu e em breve o Sudeste em Itaguaí farão o mesmo. 
Disputa ERJ x ES por projetos portuários:
nova "guerra de lugares"

Além disso, a maior disputa hoje é sobre a demanda de bases portuárias e seus entornos para a instalação de empresas de apoio às atividades de exploração offshore de petróleo. O estado do ES reclama que tem sido preterido em favor do ERJ no apoio à implantação de seus projetos portuários para atendimento a esta finalidade. 

Os empreendedores, agentes e fundos financeiros, traders e grandes corporações agradecem por esta outra disputa, ou "gerra de lugares" que já vimos aqui na região na contenda entre Macaé e SJB. A conferir!

Há quem não entenda, ou não queira entender, o papel do Brasil no mundo

É fato que a inserção global do Brasil é complexa e cheia de contradições e problemas. Os riscos da primarização e desindustrialização é uma dentre tantas. Porém, há que se observar os fatos de uma forma menos particular. A visão totalizante (universal) sempre nos traz elementos mais claros deste processo.

Há cerca de um mês, em meio à crise econômica e política interna, o primeiro ministro chinês esteve no Brasil e firmou vários acordos. Alguns podem ser intenções, porém, outros já começam a ser executados.

Nesta semana, nos EUA, novamente desconsiderando todo o contexto dos problemas econômico-políticos nacionais, o Brasil é considerado peça importante não apenas na questão comercial, mas estratégica em diversas áreas.

Se de um lado tem o acordo americano, de outro o Brasil que é um dos poucos países do mundo com relações fáceis e amplas com todas as nações dos cinco continentes, a relação com a China se amplia. Investimentos na exploração de petróleo e infraestrutura no Brasil já têm suas contrapartidas acertadas:

"De janeiro a maio deste ano a China ultrapassou de longe os Estados Unidos como principal destino do óleo bruto. O Brasil exportou para os chineses US$ 1,76 bilhão no período, quase o dobro dos US$ 980,9 milhões embarcados em igual período de 2014. O valor só não foi maior em razão da queda de preços. No acumulado até maio, em quantidade, o Brasil exportou à China 5,37 milhões de toneladas de petróleo, mais que o triplo dos 1,48 milhões de toneladas embarcados em iguais meses do ano passado. O volume vendido em cinco meses este ano ao país asiático equivale a 96% da quantidade de petróleo embarcado aos chineses no ano todo de 2014.

A China na verdade ocupa o lugar dos Estados Unidos. No ano passado o Brasil exportou aos americanos, de janeiro a maio, US$ 1,32 bilhão do óleo bruto. Nos cinco primeiros meses deste ano o embarque de petróleo aos americanos caiu para US$ 793, 28 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Com a elevação de venda, o petróleo chegou a 12,83% do valor das exportações totais do Brasil à China no acumulado até maio. No mesmo período de 2014, a fatia era de 5,14%. Com elevação de praticamente 80% na exportação aos chineses, o petróleo compensou parte da queda de embarque de soja e de minério de ferro, que caíram 31,22% e 60,15%, respectivamente."


Enfim, seguimos acompanhando, sem complexo de vira-latas que expõe a real compreensão que parte da elite econômica e da mídia comercial possuem de um Brasil que na visão desta gente segue colonizado, dependente e submisso. Até Obama se insurgiu com tamanha mediocridade e nenhuma concepção de Nação.

Zé Maria Rangel, presidente da FUP, discursa no Senado contra o PL do Serra que prejudica a Petrobras

Na semana passada em Macaé, durante a Feira Brasil Offshore, a organização do evento, incluindo a Prefeitura de Macaé, trouxe o senador José Serra para defender o Projeto de Lei (PLS 131/2015) que tira da Petrobras a participação obrigatória no percentual de 30% em todos os campos a serem explorados na reserva do Pré-sal.

A organização do evento com apoio da mídia comercial e dos interessados de sempre em entregar nossas riquezas, preferiram compor uma mesa, exclusivamente com queles que tinham o mesmo pensamento. Rechaçaram a hipótese de ouvir os trabalhadores parte deste processo de descoberta e de trabalho a favor da Petrobras e do Brasil.

Os petroleiros, o Sindipetro-NF e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) tiveram que se manifestar no plenário do fórum da Brasil Offshore para ter o direito de sentar à mesa do evento. Foram violentamente agredidos. Fui testemunha e divulguei aqui no blog esta lamentável e não democrática posição.

Pois bem, hoje em Brasília, no Senado Federal, uma Sessão Pública para discutir a participação da Petrobras na exploração do Pré-sal, o José Maria Rangel pode manifestar sua opinião/posição que os organizadores da Feira Brasil Offshore impediu autoritariamente, inclusive com o senador José Serra tacando os petroleiros e acusando-os de fascista e saindo do plenário, logo após a sua fala.

É lamentável que a polarização da política caminhe para posições em que sequer haja condições de ouvir as posições contrárias. A fala do presidente da FUP, José Maria Rangel não sairá na mídia comercial, mas foi disponibilizada pela TV Senado e o blog disponibiliza abaixo:

terça-feira, junho 30, 2015

"Câmara de SJB devolve à Prefeitura projeto de lei que anteciparia receitas dos royalties"

O presidente da Câmara de São João da Barra, Aluizio Siqueira, devolveu na tarde desta terça-feira (30), o projeto de lei nº 024/2015, de autoria do Executivo, que dispunha sobre a autorização para a contratação de operações financeiras com base na Resolução nº 43/2001 do Senado Federal (antecipação de receitas dos royalties).

Segundo release enviado pela Assessoria de Imprensa da Câmara de Vereadores de SJB, essa contratação seria baseada nas perdas apuradas entre a média recebida nos exercícios de 2013 e 2014 e a projeção para os anos de 2015 e 2016, dando em garantia os royalties a serem recebidos.

O presidente da Câmara, vereador Aluizio Siqueira teria destacado que a inconstitucionalidade existente no projeto de lei decorre da violação ao artigo 48, inciso II da Constituição Federal e ao artigo 13, inciso IV da Lei Orgânica do Município, na medida em que o Legislativo delegaria ao Executivo, de forma completamente indevida, sua exclusiva competência para dispor sobre obtenção e concessão de empréstimos e operações de credito. E a autorização legislativa deveria especificar os elementos essenciais de identificação da operação de crédito, o que não consta no projeto de lei, tais como: valores, modalidade contratual, prazo e forma de pagamento, valores de juros, a forma da antecipação e como se dará.
Presidente do Legislativo de SJB
Aluizio Siqueira - Foto Ana Carolina 
Lopes. Assessoria de Imprensa

– Não foi claro e demonstrado no corpo do texto se estas perdas seriam referentes às receitas oriundas de royalties do petróleo e participações especiais ou de outras receitas do município. O texto foi mal redigido e não permitiu a interpretação correta de qual perda seria – explicou Aluizio, salientando que, aprovar o projeto conforme chegou à Casa, consistiria em “um cheque em branco do Legislativo ao Executivo para fazer o que quisesse com as receitas dos royalties do petróleo dos anos vindouros, atentando contra a imperiosa transparência dos atos públicos, prevista na Constituição Federal”.

O presidente destaca, ainda, que “pagar em torno de 30% de juros anuais é uma dívida cara para a população sanjoanense, assim como é errado deixar dívidas para futuros gestores, contrariando o que prega o Executivo atual que sempre declara à imprensa, superávit de arrecadação e saúde financeira ótima”, acrescentou Aluizio. 
 
O texto do projeto mencionava que a autorização para a contratação de operações financeiras seria realizada com base na Resolução nº 43/2001 do Senado. No entanto, o artigo 78, inciso III do Regimento Interno da Câmara diz que projeto de lei aludindo à lei, decreto, regulamento ou qualquer outra norma legal deve ser acompanhado de texto – observância legal não cumprida pela Prefeitura.

Prumo anuncia diretor de Óleo & Gás para Porto do Açu

Em release enviado há pouco ao blog a Prumo anunciou hoje, um novo diretor de Projetos de Óleo e Gás da companhia, Décio Oddone. Ele terá a função de coordenar a finalização da construção do Terminal de Petróleo (TOIL) do Porto do Açu e o desenvolvimento de termoelétricas e do hub de gás no porto.

No informativo à imprensa a Prumo informou que o Hub de gás no Açu contará com o desenvolvimento de projetos como gasodutos terrestres e marítimos para transporte de gás, termoelétricas a gás, terminal de regaseificação e armazenamento de GNL, plantas de processamento de gás natural e terminal de GLP (gás liquefeito de petróleo).

“Inicialmente, o empreendimento contará um uma unidade regaseificadora flutuante de GNL que será instalada no Terminal 2 (T2) do porto. Com isto, o Açu poderá receber o gás que será utilizado nas termoelétricas. A Prumo está em processo avançado de licenciamento para instalação de unidades térmicas no Porto do Açu.”

Vista aérea do Terminal 1 do Porto do Açu, junho 2015. Fonte Prumo.
Ainda no informe a Prumo informa que o Porto do Açu pretende se tornar importante polo consumidor de gás, com uma demanda de cerca de 15 milhões de m³/dia, viabilizando uma nova alternativa para a comercialização do gás associado produzido no litoral da região. A chegada do gás associado ao empreendimento, estimula o desenvolvimento e a ocupação industrial da retroárea do porto, trazendo benefícios para a região sudeste do país, uma vez que o gás poderá ser disponibilizado ao mercado através de conexão com a rede de distribuição existente próxima ao Porto.

“A instalação do Hub de gás é mais um diferencial do Porto do Açu. Além de contar com um porto com capacidade para receber grandes navios, já em operação, e retroárea disponível para instalação de indústrias, o Açu irá também oferecer uma solução logística eficiente e competitiva para o consumo de gás natural e seus derivados”.

O novo diretor Décio Oddone é graduado em Engenharia Elétrica pela UFRGS e pós-graduação em Engenharia de Petróleo pela Petrobras. Cursou especialização nos EUA e na França. É mais um ex-funcionário (gerente) da Petrobras, onde atuou por 30 anos ocupando diversos cargos executivos no Brasil, Bolívia, Argentina, Angola e Líbia. Ocupou o cargo de Presidente da Petrobras Bolívia entre 1999 e 2004, época em que esteve à frente da implantação da infraestrutura necessária para exportação de gás para o Brasil através do Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil). Em 2004, Oddone ficou responsável pelas operações da Petrobras em países da América Latina e ocupou o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Petrobras Energia S.A. onde em 2008 foi nomeado presidente. Foi ainda vice-presidente de Investimentos da Braskem.

Comentários do blog:

Com a decisão da criação de uma nova diretoria de Óleo & Gás o Porto do Açu reforça sua atuação no setor da cadeia produtiva do petróleo e do gás, agora não apenas relacionada às empresas instaladas junto ao terminal 2, mas, também para os projetos de transbordo de petróleo (atividade de risco) junto ao terminal 1, e ainda os projetos de construção dos gasodutos e consumo de gás, junto aos projetos que estão sendo desenvolvidos para uso do gás (GN e GNL) para uso em usinas termelétricas que voltaram a ser projetadas na retroárea do porto, próximo ao terminal 1.

É como o blog já se referiu há quase seis meses: diante da crise do preço das commodities, especialmente do petróleo, o Porto do Açu passou a levar vantagem sobre outros projetos de terminais portuários.

Isso se deu, por conta do fato do seu projeto, mesmo com o cronograma bastante atrasado, de um consumo de recursos bem além do previsto e da crise do grupo EBX, ainda assim, conseguiu avançar e se mostrar em condições de receber bases produtivas que demandam áreas e serviços de circulação (fluxos) e movimentação de cargas, junto ao litoral da região Sudeste.

Assim, o Porto do Açu ganhou competitividade em relação ao terminal da Petrobras em Macaé, dos terminais dos complexos portuários da Baía de Guanabara e mesmo à disputa por Centro de Logística com o vizinho estado do Espírito Santo. A conferir!

Humildade e coragem para a construção de novas agendas nos municípios e estado petrorrentistas

O empenho que o governo estadual do RJ está fazendo de receitas futuras dos royalties do petróleo, e em dólares, mostra que a falência deste modelo de gestão vai para além da polarização das disputas pelo poder local.

As "soluções óbvias" tanto de cortes de gastos lá atrás (muitos discutíveis), quanto de buscas de "receitas futuras" no presente, estão sendo "saídas tecnocráticas" gestadas em gabinetes e sem debate e participação da sociedade.

A gênese da questão vou voltar a insistir é Política. Não há saída fora do diálogo amplo e plural das lideranças com a sociedade e da cooperação entre os municípios. É preciso estimular (mesmo que este seja um processo difícil, pelo desgaste das lideranças políticas) e ampliar a participação da sociedade.

Será do debate que surgirá a disposição de enfrentar (e repartir dificuldades), pensar e organizar o futuro com projetos de curto e médio prazos.

Não se deve ter ilusão ou ingenuidade com a busca de consensos, porque quem não há como conciliar quem muito ganhou até aqui com os que precisam de apoio para a construção de uma nova agenda.

A redução das receitas dos royalties que no presente é fruto da redução do preço do barril do petróleo, em breve, será pela mudança do critério de rateio e divisão desta receita, a partir da decisão em breve da ação judicial no STF.

É preciso ter coragem e liderança para tocar a nova agenda, nos diferentes níveis de governo. As saídas isoladas municipais são insuficientes e pobres. Só a cooperação e a articulação entre municípios pode oferecer potência para programas e projetos estruturantes tanto na dimensão econômica, quanto social.

Portanto, só a Política tem a capacidade de mediar e liderar este processo.

Isto exige humildade, desprendimento, mas acima de tudo coragem para admitir que um ciclo está se encerrado e o outro parece teimar e temer em se mostrar.

Lançamento de livro sobre a história da construção do Canal Campos Macaé

A professora Ana Costa nos envia o convite e o blog divulga. Não conheço a publicação e nem a autora, mas o tema do livro e da pesquisa são instigantes e a premiação do Arquivo Público do ERJ, um importante selo: "Nas águas do canal: Política e Poder na construção do Canal Campos Macaé (1835-1875)". Nesta terça-feira (30/06) a partir das 18:30 em Macaé.


SP notifica e dá prazo para plano de utilização de imóveis questionando a necessidade da função social da propriedade

O IPTU progressivo e a exigência de um plano de utilização de imóveis vagos e desocupados é uma medida discutida há décadas pelos movimentos de reforma urbana, contra os processos de especulação imobiliária.

Pois bem, o município de São Paulo na semana passada passou a notificar os proprietários de terrenos vazios ou edificações consideradas sem uso a apresentarem um plano de utilização para os imóveis, sob pena de aumento do IPTU e progressivamente, até de desapropriação.

Inicialmente foram um total de 170 imóveis. Outros 700 casos estão sendo  analisados pela administração pública para posterior notificação.

A medida só foi possível após o município regulamentar norma para garantir que se cumpra a conhecida função social da propriedade que constam do novo plano diretor do município.

Pela norma, são passíveis de notificação os terrenos com mais de 500 metros quadrados e prédios que tenham menos de 60% de ocupação.

Como se vê a norma busca não atingir casos excepcionais, mas aqueles que ficam claro a guarda propriedade para especulação, usando na maioria das vezes áreas já urbanizadas e com equipamentos públicos bancados pela municipalidade.

O caso do município de São Paulo não é o único. Pelo menos outros três municípios também regulamentaram e aplicaram as regras do Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsórios (Peuc), etapa normalmente usada antes do IPTU progressivo: Goiânia (GO), São Bernardo do Campo (SP) e Maringá (PR).

É evidente que a reação à medida é grande, por parte daqueles que consideram que a propriedade está acima de qualquer outro direito, com o dono fazendo dela o que bem entende, independente do preceito constitucional que determina que a propriedade deve cumprir sua função social.
Fonte da informação: Legislação & Tributos do Valor Online.

segunda-feira, junho 29, 2015

"Longa duração e incerteza" por Fiori

Mais uma vez, o professor José Luis Fiori faz em síntese um artigo essencial para a leitura mais totalizante e menos abobalhadamente polarizada. A partir dele é possível se compreender o momento político em que o nosso país vive, diante da observação do processo histórico e das complexas relações geopolíticas do presente. Ele foi publicado no Valor (P.A11) na última sexta-feira.

Quem ainda quiser ir um pouco mais fundo pode também ler o seu penúltimo artigo "O caos ideológico" que também replicamos aqui no blog no dia 29 de maio. Confiram!

"Longa duração e incerteza"
"A leitura atenta da história brasileira permite ver que suas grandes inflexões estruturais foram provocadas por decisões tomadas em momentos de grande crise e desafio nacional e internacional. Como aconteceu no caso da "independência" brasileira, por exemplo, que foi uma decisão "reativa" e pouco planejada, frente a um contexto de profunda transformação geopolítica e econômica do Velho Continente, que culmina com a Paz de Versalhes e a supremacia naval, financeira e industrial da Inglaterra, dentro e fora da Europa.

E o mesmo também aconteceu no caso da "abolição da escravidão' e da "proclamação da República", duas decisões brasileiras inseparáveis da conjuntura internacional, que começa ­ na América do Sul ­ com a derrota política do Brasil na Guerra do Paraguai, onde perdeu a hegemonia do Prata, e começou a desintegração do estado imperial e de suas próprias forças armadas; e fora da América do Sul, onde entra em curso uma ampliação e reconfiguração do núcleo das grandes potências, com a ascensão econômica e política dos EUA, Alemanha, Japão e Rússia.

Só que nesta conjuntura, ao contrário do que passou na independência, existiu um projeto e uma estratégia nacional que foi vitoriosa e que impôs ao país a República, junto com hegemonia do "cosmopolitismo agrário" das elites paulista e mineira. Da mesma maneira, já no século XX, a "Revolução de 30" foi também uma resposta ao desafio provocado pela "era da catástrofe", das grandes guerras, revoluções e crise econômica.

Mas ao mesmo tempo, a Revolução de 30 e a própria instauração do "Estado Novo" foram momentos decisivos de um projeto nacional que foi concebido na década de 20, por uma parte da elite civil e militar brasileira ­ que conseguiu manter sua hegemonia até a década de 80 ­ que se propôs reconstruir e fortalecer o Estado brasileiro, e suas forças armadas, incentivando e promovendo ativamente a industrialização e o crescimento econômico nacional, como forma de alcançar e superar a Argentina, na luta pela hegemonia do Prata e pela liderança da América do Sul.

Cinquenta anos depois, a "redemocratização" da década de 80 marcou uma nova inflexão histórica indissociável da mudança geopolítica e econômica mundial, que começou com a crise e redefinição da estratégia internacional dos EUA, que passou pela reafirmação do dólar, pela desregulação das finanças internacionais e pela escalada armamentista que levou à desintegração da URSS, ao fim da Guerra Fria e à instauração da "unipolaridade imperial" dos EUA, que durou até o 11 de setembro de 2001.

Assim mesmo, depois de três décadas aproximadamente, o Brasil segue sem conseguir definir e consolidar uma estratégia nacional e internacional hegemônica. Pelo contrário, ainda hoje se pode dizer que este é o verdadeiro "núcleo duro" da disputa cada vez mais violenta, entre as duas vertentes políticas ­ o PT e o PSDB ­ de um mesmo projeto bifronte que nasceu nos anos 80/90. Sua base social era diferente, mas sua matriz teórico-­ideológica originária foi mais ou menos a mesma: paulista e democrática, mas ao mesmo tempo, anti­estatista, anti­nacionalista, anti­populista, e em última instância, também, anti­desenvolvimentista.

Este projeto bifronte, entretanto, se dividiu de forma cada vez mais nítida e antagônica, a partir dos anos 90, quando o PSDB liderou uma política governamental de apoio, ajuste e integração do Brasil à nova estratégia econômica internacional dos EUA, de desregulação e globalização monetário-financeira e de apoio ao projeto da Alca.

Da mesma forma que na década seguinte o PT liderou um governo de coalizão que foi adernando cada vez mais na direção de um projeto de Estado e de "capitalismo organizado" e de "bem­-estar social", ao lado de uma política externa cada vez mais autônoma e voltada para as "potências emergentes", mesmo que nunca tenha conseguido alterar as regras e instituições monetário-­financeiras criadas pelos governos do PSDB.

O que passou nesta última década e meia foi que as mudanças de rumo e os próprios desdobramentos inovadores da estratégia petista foram provocando deserções e criando vetos cada vez mais radicais de forças nacionais e internacionais, de dentro e de fora da própria coalizão governamental.

E como consequência previsível, a coalizão governamental petista foi perdendo a unidade e a força que seriam necessárias para tomar as decisões capazes de enfrentar a crise econômica atual sem abandonar a estratégia econômica que foi sendo construída a partir do segundo governo Lula. Este panorama de fragmentação e polarização nacional interna, entretanto, se agrava ainda mais quando ele é colocado na perspectiva de um conflito internacional cada vez mais aberto e violento, entre os EUA e a Rússia, e de uma competição política e militar cada vez mais explícita, entre os EUA, sendo Rússia e China os dois principais aliados do Brasil no projeto Brics.

Assim mesmo, o que mais assusta e preocupa neste momento é que o receituário tradicional do PSDB parece agora cada vez mais simplista e esclerosado; enquanto o PT parece cada vez mais apoplético e paralisado; e o governo, cada vez mais dividido e fragilizado. É óbvio que o Brasil sairá desta situação e seguirá em frente, como já o fez no passado, mas não está claro, nem muito menos, qual será a estratégia e o caminho vencedor.

No entanto, é preciso ter atenção, porque foi nestas situações de alta polarização e incerteza social que surgiram e galvanizaram o poder em outras sociedades ocidentais, forças sociais e políticas fundamentalistas, obscurantistas e retrógradas, que sempre contaram com o apoio oportunista de amplos setores da elite financeira e iluminista, nacional e internacional. Os mesmos setores que depois derramam "lágrimas de crocodilo" na porta dos campos de concentração onde se tentou purificar e corrigir o mundo por meio da exclusão ou da morte dos impuros e dos hereges.

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "História, estratégia e desenvolvimento" (2014) da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ. www.poderglobal.net."

Logística aérea para as bases de exploração de petróleo offshore na Bacia de Campos

Atualmente a Petrobras transporta 94.000 passageiros por mês de helicóptero, fazendo cerca de 9 mil voos mensais. Para este tipo de serviço, a estatal usa uma frota de 113 aeronaves.

Na Bacia de Campos, se utiliza de 4 bases aeroportuárias: Macaé, Campos, Farol e Cabo Frio. Só o aeroporto de Macaé tem aproximadamente 200 voos diários e uma circulação de 1.300 passageiros/dia.

O aeroporto de Macaé projetou uma expansão que passará de 400 mil m² para 3 milhões de m² de área total que prevê ainda um novo terminal de passageiros, além da ampliação do pátio das aeronaves.

A principais empresas que atuam na Bacia de Campos atendendo à Petrobras são: Líder Aviação; BHS; OMNI e Aeróleo. Outras de menor porte atendem demandas específicas de transporte entre as bases das empresas em terra, as plataformas e sondas de exploração de petróleo offshore.

A Petrobras desenvolve atualmente um projeto para que estas prestadoras de serviços de transporte aéreo para as plataformas, sondas e navios, troquem parte de seus helicópteros para outros de maior porte e maior autonomia de voo, para as plataformas localizadas mais distantes do continente.

Há na Bacia de Campos, outras empresas que prestam serviços de transporte de helicóptero atuando para petroleiras e para empresas de manutenção e serviços em instalações offshore.

domingo, junho 28, 2015

Porto do Rio em 1897

A imagem abaixo é da Praça XV, no Rio de Janeiro, em 1897, oito anos depois da Proclamação da República. Ao lado da Praça XV se vê a lateral da área do Porto do Rio de Janeiro.

Seis anos após a data desta foto, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, com ajuda do presidente Rodrigues Alves executa grande projeto de urbanização na capital federal. Neste projeto foi incluída a reforma e expansão do Porto do Rio de Janeiro, com a construção dos armazéns para estoque e posterior exportação de açúcar do norte do estado e café, do sul fluminense.

Ao fundo se vê a Ilha Fiscal e o seu castelo, local da realização do último baile do Império em 1889. A foto é de Marc Ferrez e pertence à coleção do Gilberto Ferrez, acervo atualmente do Instituto Moreira Salles:



Revista Informe Ambiental

O blog saúda a inciativa do Cristiano Peixoto e Roger Coutinho com a criação da revista Informe Ambiental. Além dos exemplares impressos (1.500) que segundo eles serão distribuídos gratuitamente, eles informam sobre o blog da revista: http://www.informeambientalbr.com.br/

Além disso emitiram o convite para o lançamento da revista na próxima quinta-feira, 2 de julho, às 19 horas, no auditório da TecCampos/UENF. O blog deseja sucesso na empreitada:



Dívidas por Galeano

Observando o grave caso da dívida da Grécia, não há como não recordar da frase do escritor uruguaio que morreu em abril último, Eduardo Galeano, autor do famoso livro "As veias abertas da América Latina": 

“Dívida é um pecado que não tem expiação... quanto mais você paga, mais você deve”.

sábado, junho 27, 2015

A Feira Brasil Offshore em Macaé, as empresas estrangeiras, conteúdo nacional e regionalização

Como o blog já comentou, mesmo em meio às crises, a presença de empresas ligadas à cadeia produtiva do petróleo e do gás, na feira em Macaé, que se encerrou ontem, foi bem significativa.

Segundo a Swift Worldwide Resources (Ramalho, A., Valor P.A4, 23/06/2015) cerca de 150 mil trabalhadores foram demitidos nos últimos meses em todo o mundo na cadeia produtiva do óleo & gás.

Assim, observando o setor após esta pisada no freio, quando as empresas passaram a "enxugar custos" e fazer aquisições, incorporações e fusões, a expectativa delas agora, passou a ser a reorganização e parece que imaginando uma retomada, onde o contato entre elas passa a ser fundamental. Muitos dos seus representantes verbalizaram para os visitantes que o pior já passou.

Nesta observação vale ainda o registro a presença de empresas estrangeiras na Brasil Offshore.

Especialistas também ministraram palestras durante a
Brasil Offshore 2015 em Macaé
Segundo a organização do evento foram 56 empresas estrangeiras, dentre as cerca dos 700 expositores. Porém, observando atentamente os stands da Brasil Offshore, a lista dos expositores e seus ramos de atuação, foi possível identificar que este número de empresas e grupos estrangeiros é bem maior. Para isto, é só observar as empresas que através de suas sucursais ou joint-venture (sociedade) com empresas nacionais, adotam a denominação "... do Brasil" nos seus nomes de fantasia.

Isto certamente reflete a importância da política de conteúdo nacional exigida pela ANP, para as empresas exploradoras de petróleo no litoral brasileiro. É através deste mecanismo que se pode gerar empregos e permitir que empresas e técnicos brasileiros possam se vincular (se interligar) a estas cadeias de valor global.

Este foi o mecanismo usado pela Noruega, país que hoje detém um número de significativos de empresas atuando em diversas partes do mundo na exploração offshore, incluindo o Brasil.

Outro fator que merece destaque nesta linha é a observação de que as empresas estrangeiras começaram por aqui vendendo equipamentos, e hoje, cada vez mais, estão também em diversas áreas de serviços especializados, que muitas vezes remuneram melhor e permitem margens de lucro bem maiores do que a venda de equipamentos e de tecnologia high-tech.

Nesta linha de observação vale ainda registrar a quantidade de empresas que se apresentam como ofertando "soluções gerais", ou não apenas um ou outro serviço, mas a integração deles, se apresentando como de serviços e soluções para seus contratantes, envolvendo a articulação de diversos produtos e serviços. Algumas delas se intitulam como "empresas epicistas".

Assim, talvez seja possível identificar que a base operacional de Macaé ainda tem "muito gás" pela frente, embora cada vez mais esteja também dividindo este processo, com outras bases ao norte (Açu e ES) e ao sul (Rio e Santos).

Não consigo ver isto como problema para a população macaense, ao contrário. O adensamento é que é ruim. Novos polos operacionais da cadeia de exploração que é offshore, se dá pelo mar e pelas novas bases portuárias. Aliás, já passou da hora de Macaé ter estratégias para diversificar sua economia.

Hoje, os terminais portuários na Baía de Guanabara (Rio e Niterói) já possuem movimentação de cargas bem maior que o Terminal da Petrobras, em Macaé. A explicação não se dá apenas pelo adensamento do terminal de Imbetiba, mas pela exploração e produção crescente da Bacia de Santos.

Numa avaliação ainda geral é possível prever que haverá uma tendência de que estes terminais portuários ganhem, paulatinamente, uma especialização, em consonância com as empresas do seu entorno e com as demandas das petrolíferas que necessitam desta movimentação de cargas.

Neste sentido, a Brasil Offshore de 2015, reforçou a interpretação de que o setor tende a uma concentração ainda maior do seu poder de decisão e financeiro (hierarquização) na capital e na região metropolitana, onde estão as sedes de todas as petrolíferas e da maior parte das empresas fornecedoras de equipamentos e serviços especializados do setor.

Assim, as bases portuárias em outros pontos do ERJ (dentro em breve deveremos ter outra na direção sul (entre Rio e Santos) ficarão, como pontos operacionais, junto à exploração, num movimento que é parte de um único ciclo da indústria do petróleo, que hoje, detém a potência econômica equivalente a 1/3 do PIB fluminense. A conferir!

quinta-feira, junho 25, 2015

Fragmentação a doença da pós-modernidade - além da superficialidade que ela remete, ela atrapalha o "pensar"

O tema é conversa comum e uma das preferidas da maioria dos professores nos diversos níveis de ensino. O assunto também foi tratado numa matéria do suplemento Eu & Fim de Semana do Valor: "Como chamar a atenção? A proliferação da informação cria novo tipo de consumidor e impõe enormes desafios a vários setores da economia".

Interessante que a reportagem abre falando sobre as dificuldades das escolas, universidades, igrejas, etc. em conseguirem a atenção das os alunos, dos fieis, mas dá destaque para o problema que vive a publicidade. Assim, chama a atenção para a diminuição acentuada da proporção de pessoas que presta atenção, em anúncios a publicidade, que assim estaria ficando muito mais cara que antes.

A matéria cita um estudo da Universidade de Havard para dizer que a falta de atenção dos tempos atuais, levaram o custo de publicidade aumentar de US$ 18 em 1990, para US$ 132, agora, para atingir cada grupo de mil espectadores nos EUA.

Isto me fez rir e me fez lembrar do brinquedo boomerang que volta para quem o atira, podendo atingir e machucar seu arremessador.

Verdade que a questão da fragmentação tem muitas outras causas, porém desviar a atenção e pulverizar com merchandising (e outros artifícios) fatos e histórias foi, durante décadas, muito usada para, de forma disfarçada, vender algo a partir da atenção tirada de alguém para um foco.

Como professor e blogueiro (que aliás também ajuda a pulverizar informações soltas, sic) a questão já há algum tempo me chama a atenção. As pessoas cada vez mais mais têm mais informações, mas parece que cada vez menos, conseguem ligar os fatos e construir uma análise mais profunda, sobre diversas questões.

A matéria toca neste ponto chegando a dizer que "a riqueza da informação cria pobreza de atenção" e que diante desta situação "quanto mais informação, mais difícil e necessário é manter o foco".

Aliás, "foco", "atenção", "concentração" são algumas das palavras usadas como antônimo da fragmentação e também da superficialidade com que elas circulam no mundo contemporâneo.

Eu iria um pouco para além: as pessoas passaram a quase ter uma necessidade doentia de informação nova, e com isso podem estar perdendo a capacidade de pensar.

Assim, eu particularmente penso que a fragmentação de informações acaba sendo uma espécie de irmã gêmea da superficialidade que é decorrente da interpretação apressada e sem profundidade, sem articulação com conhecimentos já existentes. Desta forma, a velocidade da informação, a falta de atenção, foco e profundidade acabam nos levando, invariavelmente, à fragmentação e superficialidade.

Neste ponto a reportagem cita um autor americano, Nicholas Carr, que eu já comentei aqui, num post antigo de 13/12/2009 (olha a fragmentação aí gente). Carr escreveu o livro "A Geração da Superficialidade: O que a Internet Está Fazendo com Nossos Cérebros" para defender a tese de que a cultura digital modifica nossa memória, afeta a configuração do cérebro e, assim impediria raciocínios longos".

É bom lembrar que em 2009, portanto, há seis anos, o Facebook e a internet móvel estavam ainda inciando. De lá para cá é que estas duas ferramentas, uma de hard e outra um aplicativo (que antes era chamado de software) é que ajudaram e muito a deslanchar esta enorme fragmentação.

Eu não sei dizer se chega a tudo isto, mas as mudanças que estamos vendo na sociedade, especialmente, depois deste uso maciço da internet móvel (e smarphones) são de espantar. Em meio à esta realidade é possível identificar inúmeras pessoas "sufocadas". Algumas começaram a "dar um tempo" da internet e das redes sociais, como que para deixarem os seus cérebros respirarem.

Pensar leva tempo e exige mais profundidade para a pensar a relação entre o novo e o conhecido no processo histórico ou que demanda estudos e pesquisas. De outro lado, a pesquisa na internet ajuda a fechar pontas com mais facilidade que antes, numa série de análises e raciocínios.

Assim, não parece que o caso seja de um ou outro, mas de saber dos riscos e das oportunidades que as diferentes ferramentas nos possibilitam. Porém, não consigo ter dúvida que o deixar de pensar e analisar é um risco muito maior do que o de conviver com um pouco menos de informação rápida e veloz que tentam nos impor.

Neste caso específico, eu penso que mais que nunca, a escola (ou universidade, ou qualquer espaço de educação) já há algum tempo tem obrigação para se esforçar para ajudar os alunos a pensarem e articularem informações (selecionar e hierarquizar), e assim arriscar análises. (Sobre o assunto veja aqui uma interessante entrevista)

Esta interpretação, já de algum tempo, me vem fazendo aos poucos mudar a maneira do blog atuar.

Enfim vale conferir a matéria, embora seu foco seja mais o que chama de "economia da atenção" e a questão da publicidade, ela traz muitos dados e questionamentos, por exemplo sobre tempo atual que as pessoas ainda prestariam a atenção a uma aula ou palestra, ou a redução do tempo das missas e cultos em até 30 minutos.

Enfim, um assunto instigante que não merece ser tratado como informação solta e fragmentada e que exige de nós um aprofundamento. Infelizmente a matéria na íntegra (aqui) só está facultada a assinantes.

Mapa dos fluxos de commodities com origem no Brasil: qual a relação disto com as regiões?

O mapa abaixo de forma resumida mostra os fluxos de commodities, recursos minerais, grãos (agronegócios) extraídos e produzidos no Brasil. Está um pouco desatualizado, mas ainda assim permite mostrar a visão geral e do todo.

O segundo mapa é exclusivo sobre exportações de minério minério de ferro. Ambos têm aumento de fluxo na última década, mas origens e os destinos, na maioria dos casos, continuam os mesmos.

A reestruturação da economia global produziu o que passou a ser chamado de "novos territórios produtivos". Estes "novos territórios produtivos", ou "lugares escolhidos" (Milton Santos) são estabelecidos não mais por critérios geográficos, administrativos, ou pelas intervenções das gestões governamentais, por mais que elas se esforcem para vender esta ideia para os eleitores.

Porém, o(s) local(is), ou a(s) região(ões) escolhida(s) se dão pelos critérios da: rentabilidade econômica; sistemas infra-estruturais e capacidade de planificação e gestão.

Se os gestores assimilassem esta compreensão, eles seriam menos "dadivosos" com os donos do empreendimento nas negociações das compensações pelos impactos sociais e ambientais decorrentes da implantação dos empreendimentos. Assim poderiam ser efetivamente gestores com responsabilidade de regulação, em nome da sociedade (das comunidades) e não "gerentes" dos negócios.

Em todo o mundo se sabe que em casos de grandes projetos de investimentos, os empreendedores, de cara já precificam os gastos para esta realidade entre 25% e 30%. Daí que é absurdo falar em ações sociais, sem considerar que tudo isso é parte do negócio, decorrente da instalação de capital fixo sobre o território.

Confiram abaixo os mapas para uma melhor compreensão de como os fluxos materiais que usam os portos para escoamento e exportação funcionam e passam a determinar formas de uso do território nas regiões. Adiante voltarei a falar sobre o petróleo:


quarta-feira, junho 24, 2015

Instalação da sede da Cátedra da UNESCO sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável - REGGEN/ IFHT/UERJ

A Cátedra Unesco sobre "Economia Global e Desenvolvimento Sustentável" (REGGEN), dirigida pelo professor Thetonio dos Santos, está sendo incorporada às atividades do Instituto de Formação Humana e Tecnologia da UERJ, oficialmente, com a realização do Seminário Economia Global, Privatização da Ciência e da Técnica e Desenvolvimento Sustentável: Dilemas e Perspectivas do Século XXI.

O seminário foi aberto ontem e hoje (24/06), tivemos pela manhã a mesa: Economia Global, Desenvolvimento Sustentável e Revolução Científico -Técnica, com a coordenação Theotonio dos Santos (REGGEN - Uerj) e participação dos professores: Mônica Bruckman (UFRJ); Gaudencio Frigotto (Uerj) e Lincoln Penna.

A professora Monica Bruckman fez uma excelente palestra com o título "Recursos Naturais e desenvolvimento Científico-tecnológico: uma visão estratégica".

O tema dialoga intensamente com o assunto sobre os sistemas portuários na América Latina, como etapa de circulação e fluxos materiais na Economia Global. Na parte da tarde, eu tive a oportunidade apresentar o tema e debater o tem: "Portos, como etapa estratégica de fluxos e circulação na Economia Global contemporânea".

Apresentação da professora Monica Bruckman

Quotas mensais dos royalties do petróleo ao fim do 1º Semestre de 2015

Próximo de encerrar o primeiro semestre de 2015, já contabilizando a parcela de junho de 2015, é possível ver na tabela abaixo, preparada pelo superintendente de Petróleo e Gás da Prefeitura de SJB, Wellington Abreu, com dados da ANP, que os municípios que tiveram as maiores perdas percentuais (valores relativos) na receita com as quotas mensais dos royalties do petróleo foram: Casimiro de Abreu (-46,4%); Rio das Ostras (-43,0%) e Cabo Frio (42,25).

Ainda em termos percentuais as menores perdas das quotas mensais dos royalties foram para os municípios que pertencem à área da Bacia de Santos, em direção ao sul, depois do litoral de Cabo Frio: Maricá (-10,8%) e Niterói (-15,1%). A exploração na Bacia de Santos está em expansão e com alta produtividade.

Em termos absolutos as maiores perdas foram para os municípios de Campos dos Goytacazes (-R$ 86 milhões) e Macaé (-R$ 55 milhões). É importante ressaltar que os cortes mais impactantes em termos de volumes de recursos para os municípios petorrentistas são das parcelas trimestrais da chamada Participação Especiais, referentes aos volumes de grande produção dos maiores campos de petróleo.


terça-feira, junho 23, 2015

Brasil Offshore em Macaé: manifestação, projeto do Serra e a exposição

O painel comentado na nota abaixo (aqui) que abriu a Feira Brasil Offshore em Macaé não contou com a presença do governador Pezão. Apenas o senador Serra fez exposição.

Logo ao iniciar sua fala, o senador foi interrompido por petroleiros, organizados por petroleiros do Sindipetro-NF e da FUP que entraram no auditório e munidos de faixas e gritavam contra o senador acusando-o de querer entregar as reservas brasileiras.

O evento ficou interrompido por quase meia hora. O grupo de operação policial da Polícia Militar tentou tirar à força os manifestantes que resistiram. Grande parte da plateia composto de gerentes das empresas do setor petróleo reclamavam dos sindicalistas.

O prefeito de Macaé Aluízio dos Santos tentou interceder. A confusão foi grande. A seguir foi negociado a presença do presidente da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, na mesa do painel.

Ao final da fala do senador, o coordenador da mesa o jornalista George Vidor não voltou a falar e o prefeito de Macaé, pegou o microfone e disse que iria sair para acompanhar o senador ao aeroporto e que a mesa estava desfeita.

Os manifestantes que depois do tumulto sentaram do lado esquerdo do auditório reclamaram que o senador fosse embora depois de sua fala, não ficando permanecendo par ao debate. Ele alegou que teria que ir pra Brasília, onde um projeto seu seria votado no Senado.





Sobre a crise e o projeto de lei do senador José Serra
O prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos reclamou da crise que atinge a todos e não apenas os municípios que recebem royalties como produtor. Afirmou que espera que o setor de óleo se recupere no mundo, que a Petrobras supere suas dificuldades para que os municípios e os cidadãos possam ter empregos. Pediu uma salva de palmas para a Petrobras a todos os participantes da abertura e foi atendido com o auditório aplaudindo com disposição.

O prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos que também é presidente da Ompetro (Organização dos Municípios Produtores de Petróleo) disse que sua cidade durante 40 anos, ficou como uma noiva que se prepara para uma festa (um noivado) e vê todos as expectativas se deteriorarem. Falou que infelizmente, ao longo deste tempo, Macaé ficou muito ligado e praticamente dependente do setor.

Serra faz sua palestra e José Maria Rangel da FUP depois que
foi convidado para a mesa do painel
Enquanto isto no painel "Inflexões sobre petróleo: um novo marco regulatório" o senador José Serra, depois de traçar um quadro terrível sobre Petrobras, elencando suas dívidas, questionando problemas de gestão e estratégias, o senador disse que o seu projeto não trata da questão da eliminação da exigência do conteúdo nacional, que se disse a favor, embora a seu ver também exija fiscalização, para o fiel cumprimento.

Serra também disse que o seu projeto não trata da mudança do regime de partilha, mesmo que seja contra. Assim, disse que o seu projeto pretende apenas tirar a obrigatoriedade de que a Petrobras tenha que participar da operação de todo os campos das reservas de pré-sal. Disse que o ex-diretor geral da ANP, Haroldo Lima do PCdoB era a favor do seu projeto, assim como o senador Delcídio Amaral do PT. Por fim, afirmou que o seu projeto vai ser aprovado de barbada no Congresso Nacional.

Sobre a feira e os expositores
Diante da crise mundial do setor de petróleo, em função do baixo preço do barril, onde se estima que mais de 150 mil trabalhadores tenham perdido seus empregos e, ainda com a crise do setor de óleo e da Petrobras no Brasil, se esperava um feira pequena e com pouco movimento.


Não é o que ocorre. Segundo os organizadores o número de expositores é praticamente o mesmo da última versão do evento, com cerca de 700 empresas. Há bastante gente circulando, embora muito sejam estudantes. E nesta terça é o primeiro dia de visita da feira, normalmente, quando se tem uma presença menor.

Talvez, seja possível interpretar que mesmo diante dos problemas atuais, o setor pressente que logo, as atividades tenderão a voltar a se ampliar. A presença de empresas estrangeiras fazendo negócios é muito significativa. As instituições ligadas ao setor empresarial como Firjan, Sebrae, Onip, Rede Petro, etc, também estão presentes ao evento.

Mais adiante voltaremos ao assunto da Brasil Offshore.

PS: Atualizado às 18:50 e 18:58: Vídeo da manifestação do Sindipetro-NF e FUP contra posição e projeto do senador José Serra, sobre a forma de atuação da Petrobras na operação dos campos da reserva de pré-sal:



Sindipetro-NF e FUP fazem manifestação a entrada da Feira Brasil Offshor em Macaé

Diversos petroleiros e pessoas da comunidade liderados por diretores do Sindipetro-NF fazem agora, uma manifestação na frente da Feira Brasil Offshore que está sendo aberta neste momento, no Centro de Convenções em Macaé.

Em manifesto do especial "Nascente" entregue aos participantes com o título "Soberania ameaçada: Serra trama golpe contra Petrobras". O diretor do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel em discurso acaba de dizer que o senador tucano aproveita momento de ataques à imagem da companhia para tentar realizar o velho sonho dos entreguistas: colocar o petróleo brasileiro a serviço de interesses privados".

A rejeição é pela suspensão do maco regulatório com suspensão do regime de partilha para as reservas do pré-sal. A entrada está protegida com tropa especial da PM que também se utiliza de um helicóptero para sobrevoar a área.

Está previsto para as 14 horas na Brasil Offshore a relização do painel: "Inflexões sobre petróleo: um novo marco regulatório" com a presença do governador Pezão, do prefeito de Macaé Aluizio dos Santos, do senador José Serra, do diretor-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Elói Fernández e Fernández e do secretário executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Milton Costa Filho.

PS.: Atualizado às 13:32.