quarta-feira, março 04, 2015

Economia do petróleo, embora vinculada, é diversa da economia dos royalties: diante do peso dos royalties e da crise de preço do petróleo, mais que nunca é preciso construir saídas!

Estima-se que a cadeia produtiva do óleo e do gás seja 12% do PIB nacional. No estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estimou que 30% do PIB estadual, seja também ligada, direta ou indiretamente, ao setor de petróleo.

Já a Firjan, diz nos seus estudos e prognósticos intitulados "Decisão Rio" (2014-2016) que dos R$ 235 bilhões de investimentos projetados para o estado, 60% (R$ 143 bilhões) correspondem diretamente à exploração e produção de petróleo e gás no Estado do Rio de Janeiro.

Os números mostram que o peso que a economia fluminense, quase dependência, tem, direta ou indiretamente sobre a economia do petróleo e sobre a economia dos royalties.

No caso da região e dos municípios petrorrentistas a dependência evidentemente é muito maior. Para o bem e para o mal. Hoje pode-se estimar que mais de 50% do PIB dos municípios dependam direta ou indiretamente da economia dos royalties.

Como já comentei aqui por diversas vezes a dinâmica dessas duas economias são vinculadas, porém, são distintas. Entender conceitualmente essa questão é prioritário, não apenas no diagnóstico, mas na formulação de propostas e alternativas.

A economia do petróleo arrasta toda uma cadeia de logística, indústria naval e construção civil para infraestrutura que demandam o investimento em capital fixo que modifica a dinâmica econômica, social que ocupam o território, especialmente, ao largo do imenso litoral fluminense.

A economia dos royalties vive das quotas mensais e das participações trimestrais e nada, ou pouco, tem de base instalada sobre o seu território da cadeia de produção.

A economia dos royalties tem uma capacidade de arraste muito menor da economia regional, porque o seu encadeamento é curto. Além disso, como sabemos, tem uma história de ineficiência e desvios de recursos, que passaram a ser ainda mais significativos e generosos, depois da Lei do Petróleo, em 1998.

Os investimentos em logística portuária e bases de apoio para fornecimento de materiais e serviços para essa cadeia produtiva, mesmo que ligada também à extração mineral de um bem finito, tem uma capacidade de arrasto que pode reduzir as consequências da maldição mineral.

O outro vetor é o investimento social em educação, especialmente a básica. Depois em ciência, tecnologia e inovação com capacidade de estruturar outras cadeias produtivas num diálogo entre setores públicos e privados.

Porém, há que se pensar a médio prazo, não vou nem referir aos ciclos longos. Mas, não se pode deixar de trazer ao debate a modernidade seja apenas a economia industrial, os serviços tecnológicos e as transações financeiras e boons imobiliários. A agricultura familiar, a pesca, os serviços locais para uma comunidade com bem-estar básico atendido é potencialmente forte.

O debate sobre as alternativas para a vida além da economia dos royalties não pode deixar essas questões de fora, assim como, não pode prescindir de um controle social que exija mais eficiência e seriedade na aplicação dos recursos públicos.

O maniqueísmo entre os que se dizem do bem, alijando todos os demais como do mal é a forma mais pobre que se pode ter para enfrentar o debate, não apenas necessário mas urgente, para as cidades e também para o nosso estado petrorrentista.

Entender o processo histórico que nos trouxe da economia rural açucareira para a economia dos royalties é fundamental na construção de um debate mais qualificado.

Não parece haver saída fora do debate que é para além do diálogo e seria pobre se tentasse buscar o consenso, porque ele não existirá, diante dos interesses naturalmente reunidos na sociedade hoje apartada, não entre o poder econômico e do trabalho, mas, entre a classe de dirigentes e de dirigidos.

Também não há saída em visões tecnocráticas e de consultores pretensamente doutos, apartados da sociedade que vêem trabalhadores, moradores das comunidades e mesmo o setor produtivo, como entes a serem cooptados, exclusivamente para projetos eleitorais e não para o debate de ideias e de construção de soluções.

Muito menos, a questão também não é fiscal entre receitas e despesas e outras tecnicalidades orçamentárias. O debate é essencialmente "Político", para além do onde cortar, mas sobre o que fazer, a quem atender e com que perspectivas

Diante do quadro, eu penso que a chave da questão pode estar na redução da distância entre representantes e representados para além das eleições.

O esforço nesta linha seria o de construir pontes entre os que propõem representar e dirigir e os que querem participação contínua, para dirigir de forma colaborativa uma gestão mais eficiente.

A busca de alternativas e novos caminhos diante da queda dos royalties e do esgotamento de um modelo de gestão necessita ter como referência e prioridade os que mais precisam do Estado.

Para eles se deve dirigir o verdadeiro esforço para ajudá-os a superar a dependência, chamá-los à participação para diuturnamente, no plano local e regional se construir as pontes por onde caminhar para um estado de bem-estar não só desejável, mas possível.

Sigamos em frente!

terça-feira, março 03, 2015

Technip fecha novo contrato com a Petrobras

A empresa francesa Technip que tem fábrica instalada junto ao terminal 2 do Porto do Açu, informou ao blog, através de release, que ganhou um novo contrato para fornecimento de tubos submarinos flexíveis para viabilizar a produção no campo de Lula na camada de pré-sal.

Desta forma, a empresa segue seu projeto superando algumas dificuldades oriundas dos atrasos no pagamento de faturas com o fornecimento de materiais oriundo de contratos anteriores. Abaixo a íntegra do release da Assessoria de Imprensa da Technip:

"Technip ganha contrato para fornecer flexíveis de alta tecnologia para o campo de Lula Alto no Pré-sal"
"A Technip ganhou um contrato significativo* da Tupi BV, consórcio composto pelas empresas Petrobras Netherland BV (PNBV, 65%), BG (25%) e Galp (10%), para o desenvolvimento do campo de Lula Alto na área do pré-sal da Bacia de Santos.

O contrato envolve o fornecimento de cerca de 200 km de linhas flexíveis e acessórios, incluindo tubos de gás lift, injeção de gás e de água, exportação de gás e produção. Estes dutos de alta tecnologia serão projetados para atender aos desafios do pré-sal, em águas de até 2.500 metros de profundidade e em condições de alta pressão.

O Centro de Operações da Technip no Rio de Janeiro realizará a engenharia e o gerenciamento do projeto. Os tubos flexíveis serão produzidos nas fábricas de Vitória e Açu. A entrega das linhas está prevista para começar no segundo semestre de 2015.

"Lula Alto é um importante projeto para a Technip no Brasil. Seu tamanho contribui para ampliarmos, ainda mais, a visibilidade da carga de trabalho em nossas fábricas. Além disso, os requisitos técnicos desafiadores confirmam novamente a adequação dos flexíveis para desenvolvimentos do pré-sal e a forte posição da Technip nesse campo", afirmou o presidente da Technip no Brasil, Adriano Novitsky.
* Para a Technip, um contrato significativo possui valor acima de €500 milhões.

Sobre a Technip
Technip é líder mundial em gerenciamento de projetos, engenharia e construção para a indústria de energia. Desde o desenvolvimento de campos submarinos profundos de óleo e gás às mais complexas infraestruturas onshore e offshore, nossos mais de 38 mil colaboradores estão constantemente oferecendo as melhores soluções e as mais modernas tecnologias para atender aos desafios mundiais de energia.

Presente em 48 países, a Technip possui ativos industriais em todos os continentes e opera uma frota de navios especializada na instalação de dutos e construção submarina. As ações da Technip estão listadas na Euronext Paris e “over-the-counter” (OTC) nos EUA (OTCQX:TKPPY).

segunda-feira, março 02, 2015

Mais um porto deve entrar em funcionamento nos próximos dias no ERJ: Sudeste em Itaguaí

Esse é o caso do Porto Sudeste, instalado junto à Baía de Sepetiba, no município de Itaguaí. A Baía de Sepetiba possui diversos portos e terminais em funcionamento.

O Porto Sudeste teve sua construção iniciada pelo empresário Eike Batista. Agora, o mesmo é controlado pela holding holandesa Trafigura, através de sua subsidiária Impala que atua no comércio de commodities. O fundo de investimentos árabe de Abu Dhabi, Mubadala também tem participação acionária no Porto Sudeste.

Ambas as participações na MMX Sudeste foram adquiridas quando da crise do grupo X. Veja aqui o FR (Fato Relevante) divulgado pela MMX, em 27/02/2014, sobre o repasse das ações da MMX para a Trafigura e para o fundo Mubadala.

A Trafigura tem sede em Genebra e é líder no mercado internacional de commodities e especializada em negócios, transporte e armazenagem de cargas como petróleo, minerais e metais. Consta que em 2012, o faturamento da Trafigura teria sido de US$ 124 bilhões. (Se desejar leia um pouco mais sobre a Trafigura em postagem do blog feita aqui no dia 26 de fevereiro de 2014).

Segundo as corporações, o custo de implantação do Porto Sudeste demandou investimentos de R$ 4,2 bilhões e foi projetado para a exportação de minério de ferro. O terminal do Porto Sudeste está integrado à linha ferroviária da MRS Logística, permitindo que o minério seja transportado até o litoral fluminense na menor distância possível até o litoral.

Com o Porto Sudeste, Itaguaí e outros o município vizinhos passam a ter na Baía de Sepetiba, um complexo portuário bastante diversificado com diversos terminais.

Além do porto organizado de Itaguaí que movimenta minério, contêineres e cargas gerais e do Porto Sudeste que deve iniciar operação neste segundo trimestre, a Baía de Sepetiba possui os terminais da Vale, da Usiminas, da CSN, da CSA e da Nuclep, base de saída para os submarinos nucleares que estão sendo ali construídos.

A conclusão do Arco Metropolitanao entre Magé/Itaboraí e Duque de Caxias e Itaguaí potencializa o uso deste terminal para outras finalidades, considerando as opções de modal de transporte junto às importantes economias da região Sudeste com os estado de Minas, Rio e São Paulo.

Os responsáveis pelo Porto Sudeste falam em cerca de 900 pessoas, entre funcionários próprios e terceiros para tocar a operação e a movimentação de cargas no terminal.

Porto Sudeste, saída do túnel que liga, sob o morro,
a área de armazenagem até o terminal
Ainda, segundo os controladores do Porto Sudeste, o mesmo trabalhará com uma profundidade de 20 metros e dois berços de atracação de navios. O terminal possui ainda um ramal ferroviário de 2,3 quilômetros, pêra ferroviária, viradores de vagões para o descarregamento dos trens, dois pátios de estocagem com capacidade para 2,9 milhões de toneladas, além de instalações de apoio operacional.

A grande inovação deste porto foi a construção de um túnel de 1,8 quilômetro de extensão, com 11 metros de altura e 20 metros de largura, para fazer a ligação entre os pátios de estocagem e o píer.

O Porto Sueste foi projetado para uma capacidade inicial de embarque de 50 milhões de toneladas por ano e prevê uma fase de expansão dessa capacidade para até 100 milhões de toneladas anuais.

O Porto Sudeste já obteve as licenças de operação concedidas pelo Inea, Antaq e também o alfandegamento, concedido pela Receita Federal. Agora, os controladores aguardam apenas a liberação do canal marítimo de acesso a ser concedida pela Capitania dos Portos, a partir de medição da profundidade, chamada de batimetria. A previsão é que o primeiro embarque aconteça em abril.

Porto Sudeste - Área de armazenagem
Assim, se observa que a expansão portuária fluminense se dá ao sul e ao norte, neste caso com o Porto do Açu. Coincidentemente, os dois portos atuando na exportação de minério de ferro.

Assim, a economia fluminense avançou na disputa logística com a economia capixaba, na exportação de minério de ferro. Hoje grande quantidade de minério é feita através dos portos capixabas, da Vale em Tubarão e da Samarco (também grupo Vale), no terminal instalado no município de Anchieta, vizinho ao balneário de Guarapari.

O estado Espírito Santo tenta viabilizar mais dois projetos de terminais portuários para exportação de minério de ferro: da Anglo Ferrous no sul do estado, em Presidente Kennedy e da Manabi, no município de Linhares, no litoral norte capixaba. Ambos os projetos dependem de capitalização para viabilizar recursos.

É evidente, que a redução do preço da tonelada do minério de ferro, no mercado internacional, onde esteve situada, há sete anos, na faixa dos US$ 150 a tonelada, comparando agora, com o atual preço a US$ 60 dificulta a implantação destes dois novos projetos do estado do Espírito Santo, como deve fazer com que o crescimento da movimentação de cargas de minério também cresça mais lentamente nos terminais portuários fluminense.

Sob o ponto de vista da dinâmica econômica sobre o território, vale observar como as economias fluminense e capixaba acabam atuando, no caso da exportação de recursos minerais, de forma  complementar à economia do estado de Minas Gerais que tem uma forte base de exploração mineral.

Vale ainda observar (sem ironia entre o verbo e o substantivo próprio) os impactos ambientais e sociais desta atividade de extração mineral sobre as comunidades e sobre os recursos hídricos cada vez mais importantes.

domingo, março 01, 2015

"Dúvidas e certezas americanas"

Para aqueles que gostam de acompanhar as discussões sobre a geopolítica mundial e as articulações sobre a política mundial é crucial ler o artigo do professor José Luiz Fiori.

Ele faz uma breve resenha do último livro do historiador inglês, Perry Anderson "A política externa norte­americana e seus teóricos" e diz textualmente que vivemos uma grande ameaça à democracia, como desdobramento das ações de manutenção do imperialismo americano, em especial ele se refere ao sul da Europa e à América Latina. O texto foi publicado originalmente no Valor Online de 27-02-2015. Vale conferir:

"Dúvidas e certezas americanas"
José Luiz Fiori

"O Deus Todo ­Poderoso abençoou nossa terra de muitas maneiras. Ele deu ao
nosso povo corações robustos e braços fortes com os quais podemos desferir
golpes poderosos por nossa liberdade e verdade. Ele deu ao nosso povo uma fé
que se tornou a esperança de todos os povos em um mundo angustiado" F. D.
Roosevelt, 1944, cit in Perry Anderson,
.
"A política externa norte­americana e seus teóricos", Editora Boitempo, SP, 2015 p: 42

No seu último livro, recém lançado no Brasil, o historiador inglês Perry Anderson incursiona no campo da geopolítica e das relações internacionais e reconstitui, de forma impecável, os principais acontecimentos e inflexões da política externa dos EUA, no período que vai do fim da Segunda Guerra Mundial até o início do século XXI.

"A política externa norte­americana e seus teóricos" é uma obra sucinta e que se inscreve dentro da literatura crítica do imperialismo, mas não repete os seus argumentos clássicos, nem acredita, como a maioria dos analistas de esquerda, que os EUA estejam vivendo um "declínio inevitável", ou algum
tipo de "crise terminal". Para Perry Anderson, a oposição radical ao império americano não "exige garantias do seu recuo ou do seu colapso iminente".

Mais do que isto, Anderson considera que apesar das grandes mudanças geopolíticas que estão em pleno curso nesta segunda década do século XXI, os EUA mantêm sua hegemonia mundial.

Por isso mesmo, o autor dedica a segunda parte do seu livro à releitura cuidadosa do debate contemporâneo, dentro dos EUA, entre os seus principais analistas estratégicos, sobre os caminhos futuros do poder americano.

Um debate e uma interlocução que transcende o campo da política externa e não tem preocupações acadêmicas, envolvendo um grupo seleto de autores que trabalham direta ou indiretamente para o Departamento de Estado e de Defesa, e que discutem a estratégia do poder global dos EUA diretamente com a "burocracia imperial" do Estado americano, independente de qual seja
o presidente ou partido político que esteja no governo. Como é o caso, por exemplo, Walter Mead, Michael Mandelbaum, John Ikenbery, Charles Kupchan, Robert Kagan, William Kristol, Zbigniew Brzenzinski, Robert Art, Thomas Barnett, Richard Rosencrance, ou Francis Fukuyama, entre outros.
Uma síntese deste debate atual permite identificar algumas grandes dúvidas e certezas que atravessam todos estes autores e que delimitam e anunciam de alguma forma os critérios que orientarão ­ muito provavelmente ­ as próximas decisões e os próximos passos que serão dados pelos EUA dentro
do sistema internacional. Existem dúvidas e uma discussão intensa, por exemplo, sobre qual a melhor forma de enfrentar o desafio atual da Rússia e da China, pela via do diálogo e da cooptação, ou do atrito e da contenção; sobre qual o grau de autonomia que os EUA devem conceder aos seus
pequenos protetorados europeus, em particular à Alemanha; e existem alguns analistas que consideram inclusive a possibilidade e as vantagens de permitir um acesso limitado e tutelado do Irã às armas nucleares. 

Mas por outro lado, todos estes analistas e arquitetos da "grande estratégia" americana compartem algumas certezas e convicções, como por exemplo:

1.­ De que os EUA são um povo "escolhido" e indispensável, que tem a responsabilidade de liderar e policiar o sistema internacional, devendo manter de todas as formas a sua supremacia militar global e seu controle absoluto dos mares e oceanos do mundo. Além disto, eles são hoje os
responsáveis pela manutenção do domínio mundial anglo­saxônico, que começou com a Inglaterra e se prolonga há 400 anos.

2­. De que acabou­-se a distinção clássica entre realistas e idealistas dentro do establishment americano e hoje todos os partidos e governantes estão obrigados a seguir uma mesma estratégia, que alguns chamam de "wilsonismo realista".

3­. De que os EUA não podem abrir mão, em nenhuma circunstância, da defesa e da preservação do livre comércio e dos mercados financeiros desregulados. Nenhum deles defende qualquer tipo de fundamentalismo teórico ou ortodoxo, de tipo econômico. Mas todos eles têm certeza de que os
mercados abertos e as finanças desreguladas são o principal instrumento de poder internacional dos EUA, antes do uso das armas.

4. ­ E por fim, quase nenhum destes analistas acredita mais na validez universal da democracia, nem na possibilidade de os EUA exercerem, no futuro, uma liderança mundial "hegemônica e benevolente". Neste momento, a democracia passou para um segundo plano como instrumento de promoção e defesa dos interesses estratégicos americanos. A defesa inconteste ­ de todos estes analistas ­ dos mercados abertos e das finanças desreguladas é sem dúvida uma notícia muito ruim para os que ainda sonham com o patrocínio americano do imediato pós-­guerra, das finanças reguladas, do desenvolvimentismo e das democracias do bem­-estar social. Mas o seu desinteresse pela democracia parece obedecer um movimento cíclico dentro da história da estratégia global do EUA. Apesar de que seu idioma obrigatório seja sempre o "internacionalismo liberal e democrático", os EUA sempre promoveram a democracia de forma seletiva e sazonal. Como ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, quando os EUA apareceram como líderes democráticos mundiais durante duas décadas, e depois apoiaram ou mesmo participaram diretamente de todos os golpes e ditaduras militares da América Latina, das décadas de 60 e 70 do século passado. Mais à frente, os EUA voltaram a priorizar a democracia, depois do fim da Guerra Fria, e agora parece que voltaram a colocá­-la num segundo plano, nesta segunda década do século XXI. Os democratas do mundo, e em
particular da periferia europeia e da América Latina que ponham suas "barbas de molho".

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "História, estratégia e desenvolvimento" (2014) da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ. Escreve mensalmente neste espaço.
www.poderglobal.net

sábado, fevereiro 28, 2015

As petrolíferas estrangeiras consideram investimentos no Brasil como estratégico

Seguindo as investigações sobre a relação porto-petróleo, eu listei nas últimas semanas, três petrolíferas com ativos no Brasil que declararam que vão manter os investimentos no Brasil, apesar da redução do preço do petróleo no mercado internacional e a despeito de estarem negociando participações em outras partes do mundo.

As três: a francesa Total, a britânica BG e na quinta-feira, a estatal norueguesa, Statoil. Só a terceira, a Statoil admitiu uma redução em 10% dos investimentos, reduzindo de US$ 20 bilhões para US$ 18 bilhões no mundo, mas não no Brasil, onde atua junto com a chinesa Sinochen.

O presidente da Statoil repetiu a frase dos outros dois CEOs, ao dizer que o "Brasil é estratégico para a Statoil". Além disso, disse que a Statol não descarta a participação da empresa num próximo leilão da ANP.

A considerar o caos financeiro vendido diariamente pela mídia comercial do Brasil e suas relações mundo afora, tipo a revista inglesa The Economist, as petrolíferas devem estar enxergando uma outra realidade ou estariam dispostas a rasgar dinheiro.

PS.: Atualizado às 21:10.

Republicanas coincidências

Interessante, a Polícia Federal é colocada (ou vista) como instituição republicana e do aparelho de Estado que funciona investigando e atuando de forma independente do governo. Porém, no caso do Suiçalão, ou Swissleak, a Polícia Federal precisou de uma ordem do ministro da Justiça para começar a investigar.

Pode ser só coincidência, mas, os políticos do PSDB não assinaram a petição no Congresso Nacional para criar a CPI do Swissleak que a PF também não identificava como problema.

Evidente que o caso é só e apenas mais uma coincidência de opiniões. 

Republicanamente queremos que tudo seja apurado e os culpados punidos na "Operação Seca Tudo" que certamente é maior que a Lava Jato.

Movimentação portuária no Brasil em 2014

A Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário) divulgou nessa semana, as estatísticas de 2014 da movimentação portuária no Brasil que cresceu 4,3%, em relação ao ano de 2013.

Em 2014, a movimentação portuária atingiu o volume de 970 milhões de toneladas de produtos. Desse total 77,3% foi para exportação e 22,7% para importação. Em que pese o resultado altamente positivo em relação à exportação quando comparado às importações, a primeira se dá em sua grande maioria em recursos minerais e do agronegócio e a importação em produtos industrializados.

Quanto ao tipo de navegação desta movimentação portuária, 79,3% foi para a de longo curso e 20,4% de navegação de cabotagem.

O sistema portuário brasileiro é divido entre portos organizados e Terminas de Uso Privado (TUP). Até a última mudança na legislação portuária alterada em 2013, os TUPs só podiam transportar suas cargas, agora, os terminais estão liberados para transportar qualquer carga.

Em 2014, os portos organizados lideraram, com 621 milhões de toneladas. Já os TUPs (Terminais de Uso Privado) responderam por 349 milhões/t de produtos transportados. A navegação de longo curso, que movimentou, ao todo, 714 milhões de toneladas, sendo 552 milhões em produtos exportados e 162 milhões em importações.

As principais mercadorias movimentadas em 2014 foram minério de ferro (36%), combustíveis (21%), óleos minerais (11%), contêineres (5%), soja (4%), bauxita (3%), milho (3%), fertilizantes e adubos. Na classificação por grupo de cargas transportadas no ano passado, tivemos 61% com granel sólido, 24% de granel líquido e 15% de carga geral.

Por tonelada transportada, a liderança ficou com os terminais de uso privado (TUP). Na liderança ficou o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão, que movimentou 112,5 milhões de toneladas. Em segundo lugar, ficou o Terminal de Tubarão, com 109,8 milhões de toneladas e, em terceiro lugar, o Terminal Almirante Barroso, com 53 milhões de toneladas.

Entre os portos organizados, O Porto de Santos ficou na liderança com 27% de participação do total movimentado no conjunto dos portos organizados. Em segundo lugar, aparece o Porto de Itaguaí (RJ), com 18% do total, seguido de Paranaguá-PR (12%), Rio Grande-RS (6%) e Itaqui-MA (5%). Santos foi também o porto que mais movimentou contêineres (33 milhões de toneladas).

Veja abaixo um gráfico da Antaq com dados da movimentação portuária brasileira em 2014. Mais adiante o blog divulgará dados da movimentação portuária no estado do Rio de Janeiro.



sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Reclamação contra rede de esgoto obstruída no Parque Imperial em Campos

Atendendo solicitação do morador Francisco de Assis dos Santos Cruz o blog reproduz abaixo sua reclamação contra os serviços da concessionária Águas do Paraíba e da Prefeitura de Campos a contratante dos serviços:

"Boa tarde Professor

Mais uma vez recorro ao seu Blog para denunciar uma constante no parque Imperial. Sempre somo acometidos de entupimentos nas redes de esgoto do bairro e sempre quando reclamamos a Águas do Paraíba sobre o fato, eles mandam um caminhão para desobstruir a rede de esgoto na calçada(la já segue este padrão) e depois do serviço pronto vem com a conversa de que o entupimento é em nosso domicilio e querem cobrar pelo serviço. Isto já aconteceu umas quatros vezes em meu domicilio e nas quatros quiseram cobrar, paguei a primeira e depois eu e vários moradores começamos a reclamar e não pagar recorrendo ao Tribunal de Pequenas Causas e Procon. 

Mais uma vez já fiz a solicitação para a desobstrução da rede na calçada( pelo 115) e me deram um prazo de 48 horas,(não cumprem seus próprios prazos) já estamos em 96 horas de prazo e ate agora estamos com retorno de esgoto dentro de meu quintal. 

O que adianta um bairro ter toda infraestrutura se ela não funciona, o problema de entupimento de esgoto no Imperial é devido a falta de nível que proporcione seu escoamento e o pior não existe bombas de sucção (se existe não funciona)nas redes e o acumulo provoca entupimento em grande parte do bairro, não é atoa que vemos grande quantidade de caminhões desobstruindo as redes diariamente. Desta vez tomei a precaução de filmar a partir de minha rede interna ate a rede na rua ou seja na calçada, pois meu esfôrço contratando um bombeiro mais uma vez foi em vão pois a rede da rua esta mais uma vez obstruída, no vídeo fica bem claro a situação de abandono que vivem os moradores do bairro por conta dos serviços de excelência de Águas do Paraíba."

video

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Rio é o estado que menos gasta com pessoal

O blog já publicou aqui esta informação. Foi em março de 2014. Na ocasião o estado gastava 29,55% com pessoal. Hoje, cerca de um ano depois, o Estado do Rio de Janeiro continua sendo o estado da federação que menos gasta com o seu pessoal, mesmo que o percentual tenha subido um pouco para 31,2%. Ainda assim, o estado vive uma grave crise financeira. A informação foi publicada hoje aqui, como parte de uma matéria do Valor que falava sobre déficits e ajustes das contas estaduais. Confira abaixo e faça a comparação com outros estados brasileiros:


A disputa por projetos nos territórios vai além de Macaé x SJB

Veja abaixo matéria de hoje da Agência Congresso. Interessante observar que a atual crise de preço das commodities (minério e petróleo), hoje, talvez mais ajude, do que atrapalhe o projeto do Porto do Açu, controlado pela Prumo.

Isto se dá porque, como estamos vendo, sob o ponto de vista da centralidade que o Açu oferece, os demais projetos de sistemas portuários estão sem condições de se capitalizarem e se tornarem viáveis, tornando o Açu, uma opção mais vantajosa economicamente, mesmo que o Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB) venha ser suspenso ou reduzido em sua área, no acordo LLX (atual Prumo com a Codin).

O fato reforça a tese de que a oportunidade temporal da instalação do Porto do Açu, mesmo diante dos vários erros de projeto, de gestão, de contratos mal feitos e outros que tornaram o projeto muito mais caro que o estimado uma alternativa. O maior gargalo do Porto do Açu continua sendo o seu acesso. Sem grande rodovias e acesso ferroviário as dificuldades e custos crescem, além dos transtornos causados às cidades da região.
Espírito Santo pode perder Porto Central para o Rio
Parlamentares pedem audiência urgente ao presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para tentar impedir a transferência do porto de Itapemirim, para o porto carioca de Açu
BRASÍLIA - AGÊNCIA CONGRESSO - A bancada do Espírito Santo pediu audiência urgente ao presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para tratar sobre a possível transferência do porto central, de Itapemirim, para o porto Açu, no Rio de Janeiro.

"Sendo um dos principais investimentos na área portuária capixaba, o empreendimento será de extrema relevância para o fortalecimento da vocação para o comércio exterior, além de gerar milhares de postos de trabalho no Espírito Santo", diz o ofício, obtido com exclusividade pela Agência Congresso, e que foi encaminhado à estatal.

Onze dos 13 parlamentares do ES assinaram o documento. Só o senador Magno Malta (PR) e o deputado Paulo Foletto (PSB) não participaram da reunião da bancada onde se decidiu centrar pressão sobre a Petrobras.
Pelo projeto, o porto central seria instalado entre as localidades de Marobá e Praia das Neves, em Presidente Kennedy. O porto será um dos maiores da América Latina.

A previsão é de que as obras seriam iniciadas no começo de 2016.  Está prevista a construção de 30 terminais de uso privado.

O objetivo é que o espaço comece a operar em 2017, com movimentação de 50 milhões de toneladas por ano. O número pode chegar até 150 milhões em 2022.
A obra é uma parceria entre empresários capixabas e o Porto de Roterdã, na Holanda. Mas empresários do Rio já podem ter atropelado o ES. 

A vida para além dos shoppings depende do que queremos para o lugar onde vivemos!

A forma de convivência nas cidades está mudando e muitas são as alterações. Uma delas mais comum nas grandes e médias cidades brasileiras é a presença dos shoppings como espaço não apenas de compra.

Já postei aqui pelo menos duas notas tratando do tema. Uma delas no auge do agora esquecido "rolezinho" que também falava do livro da Valquíria Padilha "Shopping center - a catedral das mercadorias".

Já na outra nota, o enfoque era para a realidade de Campos, onde a inexistência de um, ou dois parque municipais e outros equipamentos públicos  (bibliotecas, cinemas e centros de esporte e cultura - algumas vilas esportivas até estão saindo, mas insuficientes) favorecia a shoppinização da vida da juventude. (Se desejar veja as notas: aqui e aqui)

Pois bem, eu volto ao tema agora para relembrar os temas acima, mas, para trazer um indicador divulgado pela Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) que informa que em média, os brasileiros passam 76 minutos num shopping a cada visita e que "só 60% deles não vão fazer compras".

O indicador traz como quase tudo na vida, uma boa e uma má notícia que podem ser escolhidas como na conhecida brincadeira para se contar histórias.

Ficando apenas com a boa, a gente pode concluir como o poeta que a gente não quer só comida e compras. Ou seja, as pessoas, querem outras coisas, inclusive a convivência, além  de lazer, arte, etc.

É evidente que os empresários já sacaram isso faz tempo. Começaram com as áreas de alimentação, descobriram que as lojas devem ter âncoras e serem diversificadas para atender todas (ou quase) necessidades do, neste caso, cliente.

Porém, o que quero chamar a atenção é que o indicador trazido pelos comerciantes de shoppings reforça a interpretação de que cada vez menos, as cidades oferecem estes espaços públicos às nossas populações que acabam capturadas pelo sentido da compra e do consumo como eixo nuclear de suas vidas.

Interessante ainda observar outro dado que também que alegra os comerciantes, que assim tentam quase mostrar a "imprescindibilidade" deste tipo de instalação (shoppings centers). Segundo eles, agora, como uma, agora, com uma característica mais humana e de preocupação com as pessoas.

Um outro dado diz que o número de pessoas que ia sozinha ao shopping caiu de 44%, em 2012, para 40%, em 2014. Interpretam com isso que o programa nos shoppings passaram a ser com a família e os amigos.

Não há com negar que essa é uma leitura que certamente redundará em novas estratégias de captura do cliente para as compras. Porém, o dado por outro lado, reforça a hipótese de que as famílias e não apenas os jovens, estão cada vez mais quase que restringindo as suas vidas ao trabalho (ou estudo) e shoppings centers. Há aí uma clara disputa entre a cidade e os shoppings pelo controle e pela socialização das pessoas.

Evidente que ao apresentar a hipótese e tentar torná-la mais compreensível este blogueiro exagera em sua argumentação. Porém, ao assim agir, o que tento provocar é um pouco o sentido de algumas coisas em nossas vidas, assim na linha de questionar o tipo de civilização que estamos optando por construir ou destruir.

Para encerrar quero lembrar que quando falo de civilização, eu não quero remeter às ações e o debate para o plano macro da geopolítica, da macroeconomia e dos sistemas políticos. Verdade que eles têm uma influência enorme em nossas escolhas e opções e na forma de ver a vida e ter nossos desejos.

Porém, a vida na comunidade, nos "nossos lugares" pode ser diferente e muito mais aprazível e agradável com a convivência entre pessoas diversas e em lugares públicos e seguros. E no caso, até podem conviver com este tipo de comércio.

O que não é aceitável é que eles venham se transformando quase que na única razão de viver, de crescer, estudar, arrumar emprego, ter renda, acumular para comprar e gastar até envelhecer, que é quando se diz que o shopping é boa alternativa para o idoso por ser mais seguro. É como diz Janot no artigo que cito aqui na primeira nota sobre o assunto: "não pode ser normal viver enfurnado em shoppings".

Assim, a luta a ser empreendida deriva da indagação: como devemos arrumar os lugares na cidade onde vivemos? Para responder a esta singela questão que remete ao presente, há que se pensar em civilização que está muito para além dos mandatos.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Uso e falta da água é debatido por produtores rurais de Macuco SFI

O blog recebeu do presidente da Associação de Produtores Ruais de Macuco, SFI, Carlos Junior Silva, o pedido abaixo que o blog atende, informando sobre a reunião acontecida ontem onde se discutiu as questões emergenciais do uso da água naquela região. Ainda atendendo à solicitação, reproduzimos a nota publicada do blog do Paulo Noel que registrou o evento, como é de praxe nos assuntos referentes ao município de São Francisco do Itabapoana.

É sempre interessante ver a organização da comunidade, seja de moradores e produtores na luta e na negociação para buscar alternativas junto às autoridades. É neste processo que se encontram soluções e se compreende a importância da organização comunitária:

"Prezado, Roberto Moraes
A pedidos dos agricultores solicito se possível reprodução da matéria produzida pelo Blog do Paulo sobre a 1 Reunião do Produtor, com o assunto em pauta o "o uso da água" que foi realizada pela AMPAMAC- Associação de Moradores e Produtores Agrícola de Macuco no dia 24/02/2015, com a presença dos Órgãos Reguladores e demais outros ligados a Agricultura.


Com grande poder de mídia que os Blogs tem alcançado e divulgando os anseios da sociedade, produtores solicitaram divulgação para união de esforços para conhecimentos de todos para buscar melhorias juntos para a Agricultura que passa por um momento difícil em São Francisco.
Em conversa com alguns produtores mencionaram o" Blog do Roberto Moraes", por isso solicito se possível Reprodução da angustia dos Produtores Agrícola.

Me coloco a disposição para qualquer duvida.
Cordiais Saudações.
Atenciosamente.
Carlos Junior.
Presidente da Ampamac."


"Crise hídrica é debatida em São Francisco de Itabapoana com produtores rurais"

Irrigação de lavouras, construção de barragens, abertura de comportas e abertura de tanques nas propriedades foram os assuntos mais debatidos.



Abertura ou fechamento de comportas dos canais que cortam o município de São Francisco de Itabapoana, construção de barragens, utilização de máquinas para abertura de tanques nas propriedades, irrigação das lavouras e a seca que assola o município sanfranciscano, estes foram alguns dos temas debatidos durante cerca de três horas de reunião no Salão de festas do Edimário na localidade de Macuco de São Francisco de Paula, evento organizado pela Associação de Moradores e Produtores Rurais de Macuco de São Francisco, Ampamac, na tarde desta terça-feira, 24-02.

Marcada para as 16 horas, a reunião começou com a execução do hino Nacional, prestigiada por cerca de 150 produtores.

Após composição da mesa principal com participação de representantes dos órgãos ambientais do Estado do Rio de Janeiro, do Inea – Instituto do Meio Ambiente, da Emater-Rio, da prefeitura Municipal de São Francisco de Itabapoana, do Legislativo Municipal e da Estação Ecológica de Guaxindiba, foi franqueada a palavra aos produtores.

Renato Machado, o Renato de Alfeu, produtor rural de Morro Alegre, questionou o Inea, a burocracia e a fiscalização rigorosa nos produtores rurais. Sugeriu a construção de uma barragem nos canais que desaguam no Oceano Atlântico. “Essa água que vai para o mar poderia ser muito bem aproveitada na irrigação das lavouras”, diz

O representante do Inea – Instituto Estadual do Ambiente Charles Cardoso Balbi disse, com relação a construção de barragens, que é uma atividade conservacionista. “O Inea jamais proibiu. Na verdade é permitido. Porém, para se fazer é necessário a elaboração de um projeto junto com a prefeitura municipal do Município.

Com relação a irrigação de lavouras, segundo Charles Cardoso cabe ao Inea o gerenciamento.

“A irrigação não está proibida. Mas é necessário um bom senso, pois estamos num momento crítico de falta d’água. A lavoura é importante, entretanto mais importante é o consumo humano e dos animais. Será que vai ter água para todos se não houver um gerenciamento deste momento de crise?”, indagou.

“O órgão ambiental tem a função de regularizar e tudo tem que ser feito através de um processo técnico. O caminho é procurar a prefeitura Municipal cujo prefeito, vendo a necessidade fará contato com o Inea”, disse.

O vice prefeito Amaro Barros, o Amarinho de Buena, disse que vai agendar uma reunião do prefeito Pedrinho Cherene com os produtores, o mais rápido possível.

“Vocês podem contar com o apoio da prefeitura. Para abertura de tanques, podem procurar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente que vai até a propriedade para análise e com autorização do Inea, executa o serviço com auxílio de máquinas”, explicou.

Segundo o vice prefeito, que também é produtor, os produtores de SFI são sofredores e, justificou a ausência do prefeito Pedrinho Cherene informando que estava em uma audiência.

O vereador Alexandre Barrão, representando o Legislativo, lembrou que com o fim do recesso parlamentar e com a eleição das comissões permanentes do Legislativo Municipal, nem todos os vereadores puderam participar, mas que a Câmara Municipal está à disposição dos produtores nesta luta.

Representando a Estação Ecológica de Guaxindiba, compareceu Amanda que falou da importância da preservação ambiental. O representante da Emater, Marcelo, apresentou aos produtores os programas que a Emater vai executar no município de forma emergencial.

“Foi liberado recurso através do Banco Mundial para financiar projetos para amenizar a situação da seca no município. A maior parte destes projetos é de cunho ambiental”, revelou.

Segundo o representante da Emater, o município sanfranciscano foi dividido em onze micro bacias e atualmente, a Emater está trabalhando apenas com seis. “É necessários que os produtores se reúnam em grupo para fazer a gestão destes projetos visando os recursos financeiros”, disse.

Segundo Marcelo da Emater-Rio, os projetos que podem ser financiados com recursos do Banco Mundial, são projetos de proteção de nascentes, restauração de matas ciliares, implantação de sistemas agroflorestal, construção de barragens, implantação de sistema para armazenagem de água de chuvas e recuperação de açudes de pequeno porte. Os produtores deve procurar a Emater, em Praça João Pessoa, em busca de mais informações.



O representante do Comitê Baixo Paraíba do Sul, João Siqueira, disse não entender o porquê que ainda não foi decretado “estado de emergência” em São Francisco de Itabapoana com toda esta crise de seca que assola o município.

“Recursos emergenciais poderiam vir para ajudar amenizar a crise hídrica em São Francisco de Itabapoana”, disse.

O produtor rural Sergio Elias disse que o problema hídrico está acontecendo em várias regiões do Brasil, mas lembrou que em São Francisco de Itabapoana já vem de muito tempo. “É desde quando o antigo DNOS drenou desordenadamente toda nossa região. Hoje, nós pagamos caro por isso. Há 35 anos, já chamava atenção para o que está acontecendo”, disse.

O produtor rural Rogerio (Rogerinho) um dos organizadores do evento, ao final da reunião, agradeceu aos produtores que ajudaram na realização do evento citando o presidente da Ampamac Carlos Junior, Marcinho do Abacaxi, Herval, Sergio, Luciano e concluiu dizendo do sucesso que foi a reunião. O presidente da Ampamac, Carlos Junior, disse que será produzida uma ata da reunião para encaminhar aos órgãos governamentais.

“Vamos organizar uma comissão de produtores e aguardar o agendamento de uma reunião com o prefeito Pedrinho Cherene, para levar até ele, tudo que foi debatido aqui, objetivando amenizar o sofrimento dos produtores nesta crise de seca jamais vista em nosso município”, concluiu."

Quota mensal dos royalties caem novamente em fevereiro: na média a perda é de 8%

As quotas mensais a serem depositadas amanhã aos municípios que recebem royalties como produtores, o percentual de redução em relação ao mês de janeiro, varia, conforme o município entre 1,9% (caso de Búzios) a 13,5% (caso do município capixaba de Presidente Kennedy).

Em relação a fevereiro do ano passado o percentual de redução é bem maior e varia entre 10% (caso de Presidente kennedy, ES) a Casimiro de Abreu que perdeu 46,4%.

No caso do município de Campos dos Goytacazes, o município que recebe a maior quota dos royalties no Brasil, a perda em relação a janeiro último é de 9,6% e, em relação a janeiro do ano passado a redução na quota de janeiro é de 37,3%. A quota que o município de Campos receberá amanhã será de R$ 36,3 milhões.

Já para Macaé, a perda em relação a janeiro deste ano foi de 9,6%, igual à de Campos. E, em relação a fevereiro do ano passado de 31,4%. A quota de fevereiro a que Macaé terá direito é de R$ 29,8 milhões.

No caso de SJB, a perda em relação ao mês de janeiro é de 4,9% (praticamente a metade da perda de Campos) e de 28,7% em relação a fevereiro de 2014. A quota de janeiro de SJB é de R$ 8,1 milhões.

Os dados são originados pela Agência nacional de Petróleo (ANP) e foram tabulados pelo superintendente de Petróleo, Gás e Tecnologia da Prefeitura de São João da Barra, Wellington Abreu que os encaminhou ao blog; Assim, publicamos abaixo a tabela de 20 municípios chamados de petrorrentistas.

Dessa forma, prossegue a discussão sobre o melhor uso destes recursos, que mesmo em menor volume é ainda bastante generoso considerando a realidade da maioria dos 5,7 mil municípios brasileiros.

PS.: Se desejar clique aqui e veja a tabela dos repasses de janeiro de 2015.

O lockout das empresas de transportes mostram o equívoco da opção pelas rodovias

Os problemas decorrentes da manifestação e luta dos donos de transportadoras de combustíveis mostra os equívocos daqueles que decidiram migrar toda a logística desse transporte das ferrovias para as rodovias.

Com isso, não quer dizer que as manifestações (bom que se registrem que são lockouts, ou seja pressão dos empresários) semelhantes não pudessem ser feitos na disputa por melhores valores de fretes.

Porém, ter as rodovias como alternativas únicas facilitam a pressão, além de ampliar o congestionamento e os acidentes nas rodovias. Difícil discutir o tema diante de questões sempre do cotidiano. Assim a visão de médio prazo fica sempre para depois.

Enquanto isso, o script político parece aquele conhecido de sempre. Observemos e acompanhemos o que acontece, para reagirmos se preciso for, mas, sem deixar de observar as verdadeiras e boas opções.

Sobre a Technip e Edison Chouest no Açu

A respeito da nota que o blog publicou ontem aqui, o blog voltou a receber informações de que as dispensas em sua fábrica no Açu são pontuais e mesmo com os atrasos do pagamento das faturas com a Petrobras, a empresa pretende manter sua produção depois de obter algumas garantias. 

Como se sabe a Petrobras é praticamente a única cliente da Technip e motivo da implantação da fábrica no Açu. Os atrasos no recebimento das faturas é que  estaria gerando cortes inicialmente de despesas e contratos. A relação com a contratada Rio Shop é problemática e ainda não se tem definições. Menos mal. O blog voltará ao assunto.

A propósito: as obras de construção e montagem da base de apoio portuário pela Edison Chouest Offshore (Eco) está prosseguindo no Açu, mesmo que a Petrobras, ainda não tenha definido nada sobre a licitação. A empresa de construção civil Stein segue seu trabalho para além da terraplanagem, além da conclusão do cais na frente da área alugada pela Eco ao Porto do Açu.

PS.: Atualizado às 12:08 para corrigir o nome da Edison Chouest.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Technip começa a fazer dispensas no Açu

No último sábado dia 21 de fevereiro, o blog postou aqui uma nota comentando sobre a redução de investimentos que a empresa francesa Technip planejava fazer este ano no Brasil.

A Technip possui duas fábricas no Brasil, a Flexibras em Vitória e outra recém-instalada junto ao terminal 2 do Porto do Açu que produz tubos flexíveis submarinos usados para no processo de exploração offshore de petróleo.

A Technip tem como sua principal cliente a Petrobras. Problemas de atraso de pagamentos das faturas de encomendas estão no centro da crise. Hoje, o jornal Monitor Mercantil comenta aqui, sobre adiamentos de pagamentos que a Petrobras estaria fazendo com seus fornecedores.

Fábrica da Technip no Porto do Açu
No início dessa tarde, o blog obteve a informação que a Technip teria começado hoje a fazer dispensa em sua fábrica no Açu. O blog ainda não conseguiu apurar quantas demissões teriam sido feitas.

Diz-se por lá que a seguir empresas que prestam serviços à Technip, como a Rio Shop, na área de limpeza e conservação também seriam afetados. Até então a Technip possuía cerca de 400 funcionários, em sua fábrica no Açu.

Desta forma, depois do Consórcio Integra (Mendes Jr. + OSX) que montava módulos de plataformas junto ao Porto do Açu, agora é a Technip, que na região sofre as consequências que se desdobra em toda a cadeia produtiva relacionada ao setor de petróleo que vai desde a área de serviços, construção naval e fábrica de peças e equipamentos.

Essa sequência de problemas afeta diretamente o Porto do Açu que depois de sofrer a crise sobre as empresas do grupo EBX, que estourou em 2013, começa a gora a ver sua base de apoio ao setor de petróleo, sofrer uma violenta crise, antes não percebida no horizonte.

Rangel fala sobre a posição do trabalhadores diante dos problemas da Petrobras

Leia abaixo a entrevista de José Maria Rangel à revista Carta Capital. Rangel é coordenador do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

É importante ouvir a opinião do representantes dos empregados da maior empresa do país. Não foram eles que trouxeram a crise para dentro da empresa e não se sairá dela, sem a participação direta dos trabalhadores petroleiros.

“Funcionários da Petrobras viraram piada e governo não reage”
"A CartaCapital, o presidente da Federação Única dos Petroleiros fala sobre o impacto das investigações da Lava Jato sobre os trabalhadores da estatal e reclama do “silêncio” do governo"

Por Wanderley Preite Sobrinho — publicado 24/02/2015 02:38, última modificação 24/02/2015 10:37

"Pelos corredores da Petrobras, perplexidade. Pelas ruas, silêncio. É assim que os funcionários da maior estatal brasileira vêm reagindo à repercussão da Operação Lava Jato, que investiga o desvio de dinheiro público por empresários, políticos e dirigentes da empresa. “Estão envergonhados”, admitiu em entrevista a CartaCapital José Maria Rangel, presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante de quase 500 mil trabalhadores diretos e indiretos da companhia.


Técnico de manutenção na estatal desde 1985, Rangel conta que, ultimamente, declarar-se funcionário da Petrobras pode terminar em piadas, especialmente porque o governo federal estaria calado diante das investidas da oposição. “Não é que o governo fala pouco, ele não fala.”

Na coordenação da entidade desde agosto do ano passado – cinco meses depois de deflagrada a operação –, Rangel tenta lembrar os trabalhadores do desempenho da estatal nos últimos anos, como sua importante participação no Produto Interno Bruto (PIB). O sindicalista também pede punição aos envolvidos no escândalo e a manutenção dos contratos com as empreiteiras: "O Brasil hoje consegue se movimentar sem elas?"

Leia a entrevista completa:

CartaCapital: Como os funcionários da Petrobras acompanham os escândalos na mídia?
José Maria Rangel: Estão todos perplexos. Muitos ficam envergonhados. Em geral os trabalhadores têm evitado falar sobre o assunto porque o debate ganhou as ruas. Quando você diz que trabalha na Petrobras, vem logo uma piadinha sobre a Lava Jato. O esquema de corrupção do Metrô de São Paulo pode ter desviado até mais dinheiro, mas a população não tem esse apego ao metrô porque a Petrobras é um símbolo nacional, mexe demais com a população.

CC: E como a entidade tenta mudar essa percepção entre os funcionários?
JMR: Estamos indo para a frente das fábricas debater o assunto direto com eles. Também distribuímos boletins só sobre esse assunto e organizamos reuniões. A gente mostra que eles e a Petrobras não podem ser confundidos com essa parcela podre da empresa, que precisa ser julgada e pagar pelos maus feitos. Mas também esclarecemos que essas manobras financeiras têm como pano de fundo o financiamento privado de campanhas políticas, já que esse tipo de corrupção na Petrobras existe desde o governo Fernando Henrique Cardoso, como indicam os testemunhos da Lava Jato. A gente também foca nos resultados da empesa.

CC: Como são esses resultados?
JMR: A Petrobras é a empresa de capital aberto que mais produz petróleo no mundo. Em maio ela vai receber um prêmio [Distinguished Achievement Award] por conta da tecnologia de perfuração no pré-sal. Em oito anos, passamos a extrair 800 mil barris no pré-sal, enquanto as empresas ao redor do mundo levam 15 anos para produzir a mesma quantidade. Até 2000, a participação do setor de petróleo e gás era de 3% no PIB brasileiro; hoje é de 13%.

CC: O senhor acha que o governo fala pouco sobre esses resultados?
JMR: Não é que o governo fala pouco, ele não fala. O governo está quieto. Aprendemos com o Lula que não se combate um momento difícil com corte de investimento, salário, emprego. O governo está permitindo que a Petrobras reduza investimentos. Avaliamos que o governo deveria assumir o papel de acionista majoritário e garantir os investimentos para melhorar os ativos da empresa e o desenvolvimento do País.

CC: E o papel da oposição?
JMR: Para mim, ela quer forçar a Petrobras a rever o sistema de partilha do pré-sal. Hoje, a Petrobras é operadora em todos os campos, o que significa que o governo pode contratar a estatal para explorar cada um deles. O que deseja o empresariado é que a empresa exploradora seja decidida em leilão. Quando isso acontece, a companhia que oferecer a melhor proposta leva o campo sob o risco de achar petróleo ou não. No pré-sal é diferente porque o risco de não encontrar é quase nula. Furou, achou.

CC: Mas a investigação desvalorizou os papéis da estatal na Bolsa...
JMR: O lucro da Petrobras foi de 3 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2014. Caiu a margem, mas no mesmo período a estatal norueguesa Statoil ou as russas Rosneft e Gazprom tiveram prejuízo. O lucro em todo o setor vem caindo em razão da queda nos preços internacionais. Como a Petrobras não pratica volatilidade desses preços, essa queda da cotação do petróleo foi até benéfica para o Brasil. A estatal vem comprando os derivados mais barato lá fora e vendendo mais caro aqui. Até o ano passado ela pagava 100 dólares lá e jogava a 70 no mercado. Hoje compra a 58 e joga a 80.

CC: O senhor acha que as empresas que formam o cartel devem se afastar da Petrobras?
JMR: Na lógica que estão colocando, as empresas corromperam e devem ser afastadas, banidas do Cadastro Nacional (empresas aptas a fazer negócios com o poder público). Sob essa lógica, o mesmo deveria acontecer com a Petrobras. O que defendemos é que as pessoas responsáveis sejam punidas. O Brasil não tem como substituir essas empresas por companhias estrangeiras. Isso geraria conhecimento lá fora, remessas de divisas e emprego no exterior.

CC: Como os trabalhadores reagiram à substituição de Graça Foster por Aldemir Bendine na presidência da Petrobras?
JMR: Se o mercado reagiu mal é porque a escolha foi boa para nós. A FUP não pediu a cabeça da diretoria passada, masmudamos de ideia quando ela fez aquela confusão de números na apresentação do balanço do terceiro trimestre de 2014. Talvez pelo cansaço e exposição, mas era o momento de trocar.

CC: Bendine já se reuniu com os trabalhadores?
JMR: Até agora não tivemos nenhuma reunião com o novo presidente. Nós pedimos um encontro, mas não tivemos resposta. Ele assumiu tendo de fechar a contabilidade da empresa e administrar a morte de seis trabalhadores na explosão na plataforma no Espírito Santo [no último dia 11]. Mas nossa primeira impressão é de que ele tem uma visão abrangente e esperamos ser recebidos em breve.

Greves no setor portuário e de petróleo nos EUA

A comentada melhoria na economia americana não deve ter chegado até os trabalhadores. Há dez dias, os maiores portos americanos, a da costa oeste, a do Pacífico tiveram sua movimentações paralisadas diante da exigência de melhorias de salários.

Não por coincidência, no setor de petróleo, as refinarias americanas enfrentam uma longa greve que em algumas unidades já chegam a um mês. Este é o caso da Refinaria Motiva Port Arthur, no Texas, maior produtora de combustível dos EUA.

Além dessa, a Motiva Convent, Motiva Norco e Shell Chemicals Norco também estão parados. A Motiva Enterprises LLC é controlada também pela Shell e uma subsidiária da Saudi Aramco, da Arábia Saudita.

Já são mais de 6.500 membros do United Steelworkers em greve em 15 unidades petroquímicas, de acordo com dados do sindicato, incluindo 12 refinarias que representam 19% da capacidade de refino americana.

A principal reivindicação é de certa forma, similar à dos petroleiros brasileiros, contra a terceirização. Só que nos EUA, o sindicatos lutam para que só os trabalhadores sindicalizados, da área de manutenção, sejam contratados.

O setor de petróleo americano teme repercussão sobre os preços e sobre o mercado interno, caso essas reivindicações cresçam nos EUA.

Como se vê a greve dos transportadores autônomos de combustíveis no Brasil, paralisando as rodovias, por reajuste de preços dos fretes, parece se inserir nas mudanças geradas mundo afora, por consequência dos preços do mercado de petróleo no mundo, gerado pela Arábia Saudita, como apoio americano. 

Assim, o pau que bate em Chico também atinge Francisco.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Petróleo offshore no Mar Vermelho: simbolismo e força no meio do mundo

O Mar Vermelho faz parte da tradições religiosas, enquanto espaço de manifestações históricas. Está presente na Bíblia e na história do Cristianismo no episódio do recuo das águas.

Pois bem, em meu estudos sobre as reservas mundiais de petróleo, especialmente, as situadas nos mares (offshore) - que demandam apoio portuário - eu já me deparei com informações interessantes, dos mares menos conhecidos de nós latinos, presos mais comumente ao Atlântico, Pacífico e quando muito, ao Mediterrâneo no sul da Europa tendo o outro lado o continente africano.

Pois bem, nessa linha já são bem conhecidas, hoje, as reservas para além das existentes e comentadas, no Mar do Norte (da Europa) e no Golfo do México ) pelo litoral do México, EUA e Cuba. Essas duas áreas de exploração offshore de petróleo são hoje as que são mais citadas, quando comparamos com as reservas no litoral brasileiro.

No meio da atual crise de baixo preço do barril de petróleo no mercado mundial, algumas dessas reservas passaram a ser menos consideradas, por conta do custo médio de produção, embora estes sejam varáveis, conforme a distância para os continentes e a profundidade dos campos petrolíferos.

Considerando, que a atual realidade de preços parece mais conjuntural que estrutural, torna-se interessante conhecer outras reservas offshore no mundo considerando a sua importância geopolítica, que de certa forma, pode nos ajudar a entender a conjuntura contemporânea.

Não seria por outro motivo que os presidentes mundiais de grandes petrolíferas que atuam em projetos no pré-sal brasileiro, todos sempre deixaram fora da venda de ativos que estão procedendo neste momento de crise as participações em ativos aqui em nosso litoral.

É nesse contexto que parece interessante que o Brasil acompanhe as descobertas e o dimensionamento das reservas em outros mares. Vale anda lembrar a nossa grande expertise em exploração offshore, em várias profundidades e condições.

Dessa forma vale descrever as reservas petrolíferas descobertas e potencialmente registradas, as descobertas no Mar Báltico, Mar de Barents, Mar da Sibéria, Mar da China (China e Tailândia). Seguindo e aprofundando essa pesquisa, a minha surpresa foi sobre as reservas no Mar Vermelho, localizado entre a África e Arábia Saudita (especialmente).

Na realidade, o Mar Vermelho é quase m golfo ente o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico, ladeado pelos continentes africano e ásio. Possui uma extensão de 1.900 km, por uma largura máxima de 300 km e uma profundidade máxima de 2 500 metros em sua parte central. Possui litoral com o Egito, Sudão e com a Eritreia, um país pouco conhecido, e vizinho da Etiópia. Do lado asiático, tem-se basicamente, a Arábia Saudita e o Iêmen. Confira abaixo o mapa da região e seus pontos estratégicos nos quais se insere o Mar Vermelho:


Como a maioria já sabe, a Arábia Saudita possui já há algum tempo, a maior reserva e também a maior produção mundial de petróleo. Sua produção é toda feita pela estatal saudita, que possui grande ligação com os americanos, a Saudi Aramco*. Na atual crise dos preços tem sido bastante analisada a relação entre a Arábia Saudita e os EUA, em reduzir o preço do barril de petróleo, mais por interesses geopolíticos que comerciais. 

É nesse contexto que veio à tona as reservas petrolíferas no Mar Vermelho, no litoral da Arábia Saudita. Tendo grandes reservas ainda em terra (on-shore), não faria sentido com preços tão baixos avançar, agora, nas reservas do Mar Vermelho. 

Matéria recente do The Wall Street Journal trouxe a informação de que geólogos estimam que a a arábia Saudita deteria no Mar Vermelho, o equivalente a mais de um terço das reservas de petróleo e gás já contabilizadas em seu território.

Assim, o Mar Vermelho além de simbolicamente e historicamente importantes, aparentemente, passa a ser também estratégico quase ao centro desse mundo cada vez mais complexo.

* A descoberta do petróleo transformou o papel geopolítico da Arábia Saudita. Foi uma empresa americana, chamada posteriormente de Aramco — e não uma empresa britânica — que conseguiu os direitos de prospecção, em 1938. A Aramco buscou assistência do governo americano para a exploração dos campos.

... Em 14 de fevereiro de 1945, como consequência do interesse da Aramco combinado com a visão do Presidente Franklin Roosevelt sobre o futuro geopolítico dos Estados Unidos, ocorreu uma reunião, hoje famosa, mas pouco noticiada naquele tempo, entre Roosevelt e o rei da Arábia Saudita, Ibn Saud, a bordo de um destróier americano no Mar Vermelho... a consequência real e de longo prazo foi na verdade um acordo no qual a Arábia Saudita coordenaria e controlaria as políticas de produção mundial de petróleo em benefício dos Estados Unidos que, por sua vez, ofereceriam garantias de longo prazo de segurança militar à Arábia Saudita.
(Fonte: Wallerstein, I. 2014, em : http://outraspalavras.net/posts/tensao-e-medo-sobre-um-mar-de-petroleo/).

domingo, fevereiro 22, 2015

O petróleo no imaginário e na vida de Campos: história de luta bem antes dos royalties!

As pessoas mais idosas da nossa região gostam de se referir ao petróleo enquanto riqueza, lembrando das explorações feita em terra (on-shore) na Fazenda Boa Vista, próximo ao balneário do Farol, lá em 1920.

Porém, Campos participou ativamente da campanha do "Petróleo é nosso" que redundou na criação da Petrobras. Porém, vale recorrer, ao nosso Osório Peixoto em seu último livro editado "500 Anos dos Campos dos Goytacazes".

Lá, Osório lembra que no dia 10 de abril de 1950, instalou-se em Campos, a Conferência Municipal de Defesa do Petróleo, que aprovou o envio de uma delegação ao segundo Congresso Fluminense de Defesa do Petróleo em Niterói.

No momento a seguir, se elegeu a diretoria do Centro Municipal em Defesa do Petróleo que acompanhou o debate e organizou diversas manifestações, em favor da defesa de nossa riqueza mineral.

Campos, foi uma das poucas, talvez a única do interior do país, a organizar tal mobilização, muito antes da descoberta na década de 70, da Bacia de Campos, e de ser aquinhoada, mais adiante, na década de 80, com as generosas receitas dos royalties do petróleo, expandidas depois, significativamente, na segunda metade dos anos 90, com o acréscimo das participações especiais.

Enfim, a mobilização nacionalista redundou na época à criação da Petrobras. Hoje, quase 62 anos depois, mesmo com a redução do valor do barril do petróleo e da consequente redução da parcelas dos royalties, a luta pela defesa da Petrobras segue sendo, mais que nunca, necessária.

A empresa foi pega de assalto por uns bandidos, enquanto outros, na espreita tentam se aproveitar da ocasião para quebrar a companhia, suspender o regime de partilha da camada de pré-sal e vender às grandes corporações do mundo, os serviços e os royalties, que são riquezas que foram projetas para o Fundo Soberano.

Neste contexto é bom relembrar nossa história para reforçar o chamamento da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), para o ato em favor da Petrobras que foi convocado para a próxima terça-feira (24), no Rio de Janeiro. O ato com o slogan “Defender a Petrobras é defender o Brasil”, faz parte da campanha a favor da empresa que começou nas redes sociais, com a coleta de assinaturas para um manifesto.

Na década de 50 do século passado, a defesa era em favor de todo o país, hoje, além do Brasil, a região que tem sido tão beneficiada, é chamada a mostrar a sua disposição de luta, em favor da empresa, que tanto benefício tem produzido pra a região e para todo o Brasil.

O ato do Rio no próximo dia 24 na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) promete ser o início de novas e intensas mobilizações. Outro ato já está marcado para o dia 13 de março, em São Paulo. Se ainda não fez clique aqui e assine o manifesto organizado pela FUP e CUT.

sábado, fevereiro 21, 2015

Technip planeja reduzir investimentos no Brasil

A empresa francesa Technip que recentemente começou sua produção de tubos submarinos flexíveis na unidade junto ao Porto do Açu informa sobre suas mudanças de estratégias. O Valor Online informou ontem que a Technip irá reduzir investimentos, em relação aos EU$ 314 milhões que colocou em seus negócios no Brasil em 2014.

Fábrica da Technip no Porto do Açu
Os motivos seriam a contenção dos gastos de clientes em função da redução do preço dos barril de petróleo. Representantes da empresa disseram que "desde julho de 2014, o mercado de serviços para petróleo e gás enfrenta ventos desfavoráveis, com clientes controlando investimentos e negociando de forma cada vez mais agressiva alterações de valores e recebíveis de projetos, ao mesmo tempo em que competidores oferecem preços irracionalmente baixos".

O blog teve informações que o ritmo da produção na fábrica do Açu se reduziu e ainda que a Technip estaria com recebimento de faturas atrasadas junto a clientes.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Suiçalão. Precisamos de uma operação Seca Tudo!

Esse é o nome já popular do escândalo da lavagem de dinheiro e sonegação fiscal das contas de 8 mil brasileiros achadas no banco HSBC da Suíça.

A mídia comercial segue sua sina e nada comenta. Por ali, só é notícia o que não interfere seus esquemas e negócios. Assim, a cada dia máscara cai como o fim do carnaval todos os anos.

Por que esconder a lista dos sonegadores? Quem estará para trás delas? Quem se está protegendo?

Um jornal inglês demitiu um jornalista que pretendia fazer a divulgação. O jornal é o Telegraph, dos irmãos Barclay. A razão? Recentemente, eles levantaram um "empréstimo" de 250 milhões de libras neste banco para amenizar as dívidas de um dos seus impressos. Agora rejeitam tratar do assunto.

Situação similar temos em nossas bandas, em que uma rede de TV sabidamente abriu empresas em paraísos fiscais para sonegar imposto no Brasil.

Por tudo isso, não é difícil imaginar os receios com as divulgações dos esquemas financeiros e de fraudes.

Vamos avançar. Que não fique pedra sob pedra e assim tenhamos a Operação Seca Tudo para enxugar tanta lavação!

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Estado organiza autarquia para gerir a região metropolitana fluminense

O Estado do Rio de Janeiro, mesmo que bastante atrasado, resolveu enfrentar o problema da gestão da região metropolitana, que hoje já abrange 21 municípios e concentra, aproximadamente, dois terços da população do estado, no entorno da capital, conforme o mapa ao lado.

Com essa finalidade, o governo estadual está prometendo enviar até o final do mês um projeto de lei com proposta de estabelecimento de um novo marco legal de gestão metropolitana.

Hoje, os problemas de transporte, zoneamento, ambientais que cruzam e ultrapassam as fronteiras dos municípios acabam quase sempre em conflitos que demandam tempo e recursos, onde a população, como sempre é a mais sacrificada.

Os setores empresariais sempre reclamaram da falta desta autoridade intermediária, mas, de certa forma aproveitam desse vácuo para fazer valer seus interesses em negociações diretas com o governo estadual.

Uma das propostas é a da criação de uma "autarquia específica para traçar as politicas públicas para a região". Vinculada à autarquia se teria ainda uma Câmara de Desenvolvimento Metropolitano. Não se conhece como seria composição desse colegiado e nem o seu efetivo poder, sobre os municípios e abaixo do estado.

A princípio esse colegiado teria poder de embargo de grandes projetos (industriais, imobiliários e comerciais e de zoneamento urbano) para a região, já bastante adensada. Hoje, a decisão sobre zoneamento urbano é exclusiva dos municípios.

As discussões sobre o tema vem sendo coordenada por Vicente Loureiro, que atua como diretor de um projeto financiado pelo Banco Mundial. Dentro dos trabalhos desenvolvidos pelo projeto está o desenvolvimento de um Sistema de Informações Geográfica que inclui entre outros instrumentos o levantamento cartográfico da região, cuja mancha cresce 60 km² a cada ano e que hoje estaria limitada aos últimos 900 km², espremidas entre bairros e áreas de preservação ambiental.

A razão desse crescimento, caso prossiga, indica que em 15 anos a região estaria esgotada em termos de expansão já chamada de uma espécie de macrocefalia, mesmo que algumas regiões do interior, especialmente litorâneas, ao sul e ao norte do estado estejam ampliado a sua dinâmica econômica nas duas últimas décadas.

O estabelecimento dessa autarquia e da Câmara de Desenvolvimento Metropolitano teria ainda a função de traçar um planejamento estratégico para esses próximos 15 anos. O governo estadual no presente momento seleciona consórcios para organizar o referido planejamento da região metropolitana, entre esses a questão da mobilidade considerando o fluxo diário de pessoas na região.

PS.1: Se desejar leiam aqui matéria do Cederj sobre o novo mapa da região metropolitana fluminense. Aqui, uma postagem do blog em 27 de dezembro de 2013 sobre a ampliação da região com a entrada dos dois últimos municípios, Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu.

Vale ainda conferir aqui o artigo "Estado, território e reestruturação produtiva na metrópole fluminense" da geógrafa e doutoranda do PPFH-UERJ, Regina Celi Pereira, na edição número 3 da revista Espaço e Economia.
PS.2: Com uso de informações da matéria "Rio elabora novo modelo de gestão metropolitana" publicado na página A4, do Valor.

Dinheiro de governos petrorrentistas para o carnaval no Rio

Vamos deixar a seletividade de lado e evitar a falta de memória para lembrar que financiamentos de governos petrorrentistas ao carnaval é bem anterior ao caso da relação entre a Beija Flor e a Guiné Equatorial.

Há 14 anos, para ser mais exato, em 2001, a Prefeitura de Campos também injetou milhões do povo na Imperatriz Leopoldinense. Aqui também se tinha e tem gente necessitando de saúde e educação entre outras necessidades.

O pior de tudo é que além de não levar o campeonato o alcaide teve que ouvir ainda antes do desfile que a história de Campos não dava enredo e por isso quase nada se mostrou sobre a nossa realidade. Restou camarote e fantasias para as pessoas próximas do poder.

Este fato não deve inibir os questionamentos sobre o financiamento do carnaval do Rio (bem lembrar que não é carioca, porque já hoje tem agremiações de Niterói, Caxias e inclusive Nilópolis da campeã Beija Flor), mas, tem que evitar contradições, como a daqueles que condenam a ditadura da Guiné e sonham com o retorno de uma por nossas bandas.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Menores preços do petróleo geram fusão das estatais petrolíferas chinesas

As mudanças no setor de petróleo continuam em franca ascensão como decorrência da redução do valor do barril no mercado internacional. Alguns projetos das gigantes forma descartados.

Além disso, as fusões, diga-se megafusões estão sendo decididas. Das quatro grandes estatais chinesas, o governo de Pequim estuda a fusão duas a duas. Assim, a CNPC (China Nacional Petroleum Corp.) se juntaria à Sinopec (China National Petrochemical Corp.) que é mais forte na área de refino.

A outra megafusão seria entre a CNOOC (China National Offshore Oil Cor.) e a Sinochen Group. O objetivo seria a a ampliação da eficiência e a disputa com outra gigantes do setor.

"Crises" na economia de economia de forma geral ou por setor geram sempre mudanças e a formação de ainda maiores oligopólios. O caso no setor de óleo e gás não é diferente, tanto na exploração, serviços quanto no beneficiamento ou serviços.

Desta forma, no setor a espanhola Repsol SA comprou no ano passado a canadense Talisman Energy por US$ 8,3 bilhões. Assim, no setor de serviços especializados de petróleo, a americana Baker Hughes foi comprada Halliburton num negócio 35 bilhões de dólares que está gerando a demissão de mais de 15 mil trabalhadores, quase sempre a vítima desses processos de "reorganização".

O caso das fusões e aquisições extrapolam para além do setor de óleo e gás. Assim, no setor ferroviário, empresas estatais fabricantes de vagões e máquinas chinesas também fizeram fusão para disputar o mercado em melhores condições, contra as gigantes do setor, a alemã Siemens e a canadense Bombardier Inc. 

Corporações que dizem defender a "livre" concorrência buscam a formação de oligopólios ou monopólios num processo cada vez mais agressivo. Além disso, aparentemente, se pode observar que os novos alinhamentos ainda não vão na linha eurásia e sim na disputa entre corporações dos dois continentes. Evidentemente, o reflexo disso avança para a questão geopolítica.

Vale ainda observar o possível reflexo de tudo isso sobre o setor de petróleo no Brasil. Por aqui, a Sinopec se juntou à espanhola Repsol SA e criaram o negócio que passou a ser chamado de Repsol Sinopec Brasil para atuação em exploração na Bacia de Santos, nos campos produtivos de Albacora Leste e Sapinhoá e no desenvolvimento dos campos de Piracucá e Carioca e ainda outros nove blocos exploratórios. Enquanto as as estatais chinesas CNPC e CNOOC participam (cada uma com 10%) do consórcio que arrematou o direito de explorar o campo de Libra no Pré-sal junto da Petrobras.

Pelo que se intui todas essas movimentações ainda estão em fase iniciais. Outras decisões deverão se desdobrar a partir dessa nova realidade no capitalismo mundial. A conferir!

Fontes: The Wall Street Journal, Exame e arquivos do blog.

"I Seminário Fluminense de História do Poder e das Ideologias"

Atendendo a pedidos, o blog informa sobre o evento que acontecerá na UFF Campos:

I SEMINÁRIO FLUMINENSE DE HISTÓRIA DO PODER E DAS IDEOLOGIAS – I SEFLUHISPI – cujo tema será: 1964: Do Golpe à Democracia (Lições e Perspectivas).

"Inscrições (grátis) e Informações (programação e nomas para apresentação de trabalhos) em: http://gphismpiuff.blogspot.com.br/

Apesar da temática geral do I SEFLUHISPI ser referente aos 50 anos do Golpe de Estado de 1964, os trabalhos para os Simpósios Temáticos não precisam versar especificamente sobre o Golpe e/ou sobre a Ditadura e a Transição à Democracia. Poderão ser enviados também trabalhos que não tratando diretamente da temática central abordem os temas pesquisados pelo GPHISMPI: relações de poder, relações de classes, dominação de classe e formas de resistência, ideologias, dominação e resistência cultural/ideológica, poder econômico, poder político, micropoder, dominação de gênero e resistências; história militar, militares e doutrinas militares, história das guerras, guerra fria, Forças Armadas, memória militar, ensino militar, educação e relações de poder, etc. Da mesma forma não há uma delimitação temporal específica. Ou seja, os trabalhos tanto podem analisar processos históricos do passado distante como podem abordar temas ligados à História do Tempo Presente.
Prof. Dr. Luiz Claudio Duarte."


segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Custo dos produtos x custo do marketing: o caso da Ambev nos carnavais de rua

Eu me recordo bem, de quando dava aulas de gestão da produção, falando da reestruturação produtiva no mundo. Na ocasião, para mostrar a mudança da estratégia do capital eu citava a “estranha matemática” que já mostrava no final dos anos 90 e inicio desse século, que um dos menores custos da Nike (marca na ocasião mais valiosa do mundo) era para fabricar seus produtos esportivos, mundo afora, em fábrica nos países periféricos.

O maior investimento já era em marketing, contratos vitalícios (toda uma vida) com grandes e prestigiados atletas dos esportes de maior público (futebol e barquete) a outros menos prestigiados.

Pois bem, o tempo passou e hoje, voltamos a ver o caso aqui bem perto da gente. A Ambev, ou Ab Imbev, uma multinacional de bebidas, em especial das cervejas. O fenômeno é o mesmo faz tempo. Baixíssimos custos de produção em contraposição aos altos valores investidos em propaganda e pagamento de direitos de exclusividade. Gerentes da empresa já confirmaram que os custos com marketing é enorme.
Fornecer trios elétricos, definir trajetos, horários e uma
sequência ideal e cronológica interessou mais aos interesses
do patrocinador. O lendário bloco Barbas em Botafogo
é mais um exemplo.

No caso específico da bebida ela está por trás das mudanças até de costumes. Este é o caso do retorno ao carnaval de rua no Rio e agora em diversas outras cidades, até São Paulo, com bem menos atrativos de belezas naturais.

É impressionante como em espaço aberto a Ambev (ou AB Imbev, como preferirem) conseguiu monopolizar a venda de cervejas nas centenas de blocos. É impressionante o consumo dessa bebida. Pela primeira vez se vê que a coleta seletiva não dá conta da captura dos milhões de latinhas descartadas após o consumo.

A venda de outras marcas é periférica, em contraposição à marca autorizada oficialmente, pela Prefeitura do Rio, em troca de gora fatia de recursos. Difícil localizar os valores “oficiais” e “não oficiais” pagos.

Os preços das cervejas foram tabelados para que a patrocinadora oficial não perca mercado com a exploração dos ambulantes na disputa de vendas. O número de vendedores é quase tão grande quanto de foliões e consumidores da bebida. Falam em sete mil ambulantes credenciados, mas, é difícil crer nesse número.

É fácil compreender que os custos com a propaganda seja maior que os custos com a produção. Difícil é aceitar tal realidade na vida contemporânea.

Os especialistas em propaganda dizem que na cola da Ambev, outras marcas criaram o marketing de emboscada (que retira algo das pessoas sem que essas percebam) e distribuem propagandas, sob a forma de brindes em meio ao esquemão geral.

No meio dessa disputa a Ambev pressiona a Prefeitura para coibir essa “emboscada” considerando to do carnaval de rua como exclusivamente seu. A maior pressão da Ambev é contra outras marcas de cerveja que não as da corporação.

A Prefeitura diz tratar-se de mais uma PPP (Parceria-Público-Privada). Assim, uma empresa Dream Factory é que cuida da organização e logística, credenciamento de ambulantes, instalação de banheiros e outros detalhes. Porém, ninguém tem dúvidas quem manda mesmo é o patrocinador principal, a Anbev, embora haja outros menores. A mídia comercial leva também o $eu cobrindo agora também o carnaval de rua.

Tem-se aí uma enorme e desbragada privatização do espaço público de uma forma inimaginável, considerando o espaço aberto das ruas e bairros. Alguns foliões esboçam reações e resistências com as vendas de “sacolés” de todos os tipos, sabores, bebidas, etc.

Ih, em meio à folia aqui estou eu falando e tentando teorizar sobre os modos de faturamento das corporações ao nosso redor. Talvez, seja melhor, deixar esses antigos e novos problemas para depois da quarta-feira.

Até porque como diz Morin, “a renúncia ao melhor dos mundos não pode ser de maneira alguma, a renúncia a um mundo melhor”. “Empurra não”!

domingo, fevereiro 15, 2015

Turfas queimam em Campos

Já há mais de quinze dias impressiona quem passa pela BR-101, na altura do Posto Flecha, próximo a Ponto da Lama, à direita de quem vai direção Campos-Rio e depois, já próximo a Ibitioca à esquerda, uma forte fumaça saindo do chão, como se fossem pequenos vulcões, sem lavas.

É uma região conhecida de turfas. A maior incidência, possivelmente, pela grande seca do momento, a fumaça se junta ao horizonte e chega até a área mais ao sul da área urbana de Campos, apesar do vento nordeste.

Veja abaixo dois registros feitos nesta tarde da BR-101. Infelizmente as fotos não são ideais, porque foram tiradas do veículo em movimento. Mas, servem para dar uma noção para quem não conhece o fenômeno:


 
O blogueiro nada sabe sobre turfas. Comentei sobre assunto com o Soffiati que trouxe informações geológicas e históricas:

"A região tem solos turfosos. Lembro que José Maurício Linhares, quando secretário de Brizola, tinha um plano de exploração de turfas. Turfa é matéria orgânica vegetal em decomposição, mas também em processo de fossilização. Queima como livro: bem demoradamente e é difícil de apagar".

Confirmando o que disse informalmente Soffiati em bate-papo de FB, o blogueiro foi conferir o que diz a wikipedia que transcrevo abaixo. É certo que temos entre os leitores geólogos e gente que entende do assunto a quem recorremos para falar um pouco mais sobre o tema.

"A turfa é um material de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sob montanhas (turfa de altitude). É formada principalmente por Sphagnum(esfagno, grupo de musgos) e Hypnum, mas também de juncos, árvores, etc. Sob condições geológicas adequadas, transformam-se em carvão, através de emanações de metano vindo das profundezas e da preservação em ambiente anóxico...

...Assim como no carvão, algumas turfas contêm traços do elemento químico mercúrio e por vezes cádmio e chumbo. De acordo com o astrônomo e astrofísico Thomas Gold é possível que a formação de turfas represente a interação de carbono de natureza biológica a partir de plantas e bactérias com a migração uniforme de hidrocarbonetos (metano) vindo das profundezas da terra. Esses hidrocarbonetos podem trazer o mercúrio na forma de dimetil ou metil-mercúrio que interage com a turfa em superfície, além de outros metais."

"8 razões pelas quais o preço do petróleo está voltando a subir"

Abaixo o interessante artigo publicado no portal Carta Maior. O acordo de paz entre a Rússia e Ucrânia e os ganhos obtidos pelos Brics com a redução do preço é, talvez, um dos mais importantes fatores, dessa importante questão geopolítica da energia. Vale acompanhar as informações e análises sobre a questão que muito interfere nas atuais questões internas em nosso Brasil:

"8 razões pelas quais o preço do petróleo está voltando a subir"
"Apesar da conspiração entre árabes e americanos para baratear o petróleo e pressionar economicamente a Rússia, Irã e Venezuela, os preços voltam a subir"

Autor: Nazanín Armanian

"Se ainda alguém não sabe, a Aramco – a empresa de petróleo da Arábia Saudita, e também a maior do mundo –, até bem pouco tempo, em 1977, se chamava Arabian American Oil Co., sendo de propriedade comum entre a família saudita e várias empresas da Califórnia e do Texas. Por isso, não se pode ficar surpreso se a dupla Washington-Riad tiver algo a ver com a queda brusca dos preços de 115 dólares o barril para 45 dólares entre junho e dezembro passados, levando em conta que o mercado de petróleo não é “livre”: ele é controlado por um cartel chamado OPEP e por grandes empresas petrolíferas ocidentais. E mais, o combustível gorduroso e malcheiroso, antes de tudo, é uma arma que nesse caso foi apontada contra a Rússia, o Irã e a Venezuela com a finalidade de conseguir mudanças em suas políticas via afundamento de suas economias, e ainda resgatar um falecido petrodólar – um dos pilares da hegemonia mundial dos EUA.

No entanto, a festa durou pouco e os promotores da “conspiração Aramco” se deram conta de que os prejuízos dessa queda de preços são maiores do que seus benefícios político-econômicos. Por isso, o preço de venda do petróleo para o mês de março teve uma notável melhora nos três mercados de Brent, dos EUA e da OPEN, oscilando por volta de 59 dólares o barril.

Aqui vão alguns motivos:

1. Os membros dos Brics, com exceção da Rússia, foram os principais agraciados pela compra de um petróleo barato.

a) China, o principal rival dos EUA e o segundo consumidor mundial de petróleo, bateu seu recorde de importações de petróleo, apesar de seu crescimento econômico ter sido o mais frouxo desde 1990 (mas registrou, no primeiro trimestre de 2014, um crescimento de 7,2%): começou a comprar 6,2 milhões de barris por dia, e acabou o mês de dezembro com 7,2 milhões de barris por dia, injetando-os em sua Reserva Estratégica de Petróleo (o armazenamento ocorre para afrontar as emergências, como a interrupção do abastecimento). Com isso, a China não só deixou os EUA nervosos, mas contribuiu para empurrar os preços para o alto, por dois outros fatores: tirar boa parte do excedente de petróleo que nadava no mercado e gerar incerteza sobre seu passo seguinte no mercado.

b) Beneficiou o Brasil, a principal potência rival dos EUA na América, e que agora está decidida a recuperar sua influência no seu “quintal”, e a África do Sul, o principal competidor de Washington na África. Os Brics decidiram abandonar o dólar em suas transações e criaram um banco com a finalidade de debilitar as instituições financeiras ocidentais.

2. Não conseguir mudar a postura de Moscou nos casos da Ucrânia, Crimeia e Síria. Pois se os setores belicistas ocidentais desferiram o primeiro ataque à Rússia, provocando um golpe de Estado na Ucrânia, levando à surpresa da integração da Crimeia à Federação Russa, eles pensaram que uma drástica queda nos preços do petróleo – triturando o rublo e a economia russa – fosse provocar a rendição do Kremlin. Estratégia ruim, já que o golpe à economia do país eslavo, assim como a dramática guerra da Ucrânia, deixou cerca de 6 mil mortos e milhões de desabrigados, e teve um efeito negativo sobre os países europeus aliados de Washington, que enfrentam uma ameaça de recessão: estão perdendo o mercado russo e também os investimentos, tanto dos magnatas russos como de seu Estado. Na Espanha, por exemplo, os milionários russos estavam comprando prédios inteiros herdados da era da especulação mobiliária. Além disso, é incompreensível que não previssem uma aproximação Moscou-Pequim (sem precedentes após a morte de Stalin) e Moscou-Teerã: os presidentes Vladimir Putin e Hassan Rouhani, que compartilham o sofrimento pelas sanções impostas pelos EUA e seus sócios, assim como pela “Conspiração Aramco”, tiveram quatro encontros em um ano, algo também sem precedentes na história dos dois vizinhos.

3. Quanto ao Irã, não conseguiram pressioná-lo para conseguir mais vantagem nas negociações nucleares em curso e subtrair suas forças na região porque:

a) Teerã não deixou de apoiar o governo de Bashar al-Assad (a Síria representa a profundidade estratégica do Irã enquanto ele está no poder), e inclusive já fala abertamente dos generais iranianos que trabalham em solo sírio;

b) nem aceitou o fechamento total de seu programa nuclear, e isso apesar de John Kerry ter lançado um ultimato a Teerã para assinar um acordo político global até o final de março – se não, não retomariam as negociações. O certo é que a administração Obama está muito consciente da luta pelo poder no seio da República Islâmica entre os setores militares – contrários a um acordo com os EUA – e o governo do presidente Rouhani, que tenta, por um lado, driblar as sanções que estão afogando a economia iraniana e, por outro, evitar um confronto bélico (tentou baixar a tensão depois que o míssil israelense matou um general iraniano na Síria, no último dia 20 de janeiro). Se Obama pretende impedir um Irã nuclear, um petróleo com preços no chão, aumentará a tensão social em um Irã monoprodutor e fortalecerá a posição dos céticos e dos setores que querem guerra (assim como EUA e Israel). As medidas de Rouhani diante da manobra da Aramco foram incentivar a exportação dos produtos não petrolíferos, investir no turismo, aumentar os impostos, manter os subsídios aos principais produtos de consumo e a ajuda às famílias desfavorecidas, além de uma política externa agressiva na região com um ramo de oliveira nas mãos – que inclui sobretudo os países árabes “inimigos” e membros da OPEP, como Kuwait ou Catar.

4. A perda de centenas de milhões de dólares por parte das grandes empresas petrolíferas ocidentais, como as que operam no Iraque, Líbia, Nigéria, entre outros.

5. O déficit orçamentário gerado pela queda do preço do petróleo criou dificuldades para os xeiques sauditas, em pelo menos estes três cenários:

a) No interior do país: seus orçamentos foram elaborados com base no barril de 72 dólares, e agora se enfrenta um aumento importante dos preços dos produtos básicos. Além disso, previu-se, desde a repressão da primavera de 2011, realizar uma série de projetos que melhorariam a vida dos cidadãos – como a construção de moradias, a criação de postos de trabalho, ou a chegada de água e luz a milhões de pessoas que vivem na pobreza absoluta – e que agora estão paralisados.

b) No Egito: a promessa feita em 2011 aos militares encabeçados pelo general Al-Sisi de receber 160 bilhões de dólares anuais acabam com a Irmandade Muçulmana do presidente Mohammed Mursi, preso após o golpe de Estado. O que acontecerá no Egito, seu grande aliado contra Irã, se não cumprir?

c) No Iraque e na Síria: dificuldade para pagar os honorários de milhares de jihadistas do Estado Islâmicos e grupos parecidos, cuja missão é acabar com os governos de Damasco e de Bagdá, ambos próximos a Teerã, e arrastar o Irã para uma guerra regional sectária. Desde 2011 até hoje, investiu bilhões de dólares nesses terroristas, com um êxito parcial: destruiu o Estado sírio, mas ainda não conseguiu levantar um novo e afim.

6. Nos EUA, dois fatos contribuíram para o aumento dos preços do barril:

a) Os cortes nos investimentos de capital por parte das multinacionais na extração do petróleo de xisto como resposta à queda dos preços. Pois cada barril lhes está custando entre 70 e 80 dólares (diante dos 15-20 dólares no Oriente Médio) e um petróleo por menos desse preço, obviamente, não é rentável. Com isso, nos EUA e no Canadá, cerca de 90 plataformas de exploração fecharam. BP perdeu bilhões de dólares em todo o mundo e planeja reduzir suas atividades de exploração à metade e os investimentos até 20%. A Chevron está em situação parecida.

b) A greve de cerca de 4 mil trabalhadores das empresas Royal Dutch Shell Oil e BP em nove refinarias em Ohio, Califórnia, Kentucky, Texas e Washington, iniciada em 1° de fevereiro. Exigem um convênio coletivo para o setor, a redução do número de trabalhadores não sindicalizados e melhorias nas condições de segurança e saúde, em uma greve que é a primeira dessa envergadura há várias décadas.

7. O aumento da tensão na Líbia e a perda de 800 mil barris em um incêndio.

8. O perigo de instabilidade social em países aliados aos EUA, como Iraque (incluindo seu Curdistão) ou Nigéria, pela queda dos petropreços.

O único e grande triunfo dos EUA e da Arábia Saudita nessa história até o momento foi transformar a OPEP em espectro do que foi entre 1960 e 1990, e não apenas porque sua cota de mercado caiu de 62% para os 30% de hoje, mas porque a Arábia, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos fizeram uma frente contra pesos pesados da organização, tais como Irã, Iraque, Argélia, Venezuela e Equador.

Os preços do petróleo tocaram fundo. É perfeitamente lógico que o “Naft” (seu nome em persa, e do qual vêm palavras como “naftalina”) não apenas recupere seu preço – que hoje é mais barato do que uma garrafa de bom vinho –, mas também seu valor: é o resultado de milhões de anos do esforço “não renovável” da natureza."