sexta-feira, março 05, 2021

A geopolítica da vacina: Taiwan troca microprocessadores por vacinas


A disputa que envolve a luta (guerra) pelas vacinas vai muito para além do que as Big Pharmas (grandes farmacêuticas) globais fazem, para garantir os seus espaços na extração de riqueza dos países, onde atuam fornecendo medicamentos e vacinas. Em especial, neste momento de desespero diante do combate ao vírus corona, suas mutações e à doença da Covid.

Embora, as primeiras vacinas tenham sido produzido por grandes farmacêuticas globais, com apoio científico e tecnológicos das grandes universidades e seus centros de pesquisas em biotecnologia, outras estão sendo desenvolvidos por instituições públicas de pesquisas, mesmo que em ritmos menos velozes e, em breve, estarão disponíveis.

Essas vacinas das Big Pharmas não teriam saído sem os vultuosos aportes de fundos públicos seja nos EUA, União Europeia ou na China. Chamamos a isso, Condições Gerais de Produção, onde a participação do Estado é condição “si ne qua non”, como já mostrou a Mariana Mazzucatto, em seu livro “O Estado empreendedor”.

No meio desse processo muitas articulações entre gestores públicos, negociações comerciais e financeiras foram e continua sendo acertadas. Porém, mais do que isso, interesses de nações estão em curso envolvendo a geopolítica, que pode ser traduzida como supremacia de uns em relação a outros.

Vacinar as populações garantem poder às nações e isso já é razão de disputa de alinhamentos e preferências comerciais. É nesse escopo que o isolamento quase total do Brasil é calamitoso. Não apenas pelo negacionismo, como pela obtusidade com que o Partido Militar viu essa questão durante todo o tempo com olhar ideológico que negou a realidade, por exemplo, em relação à China e ao acordo do Butantã com a farmacêutica chinesa Sinovac, criadora da vacina Coronavac.

Neste contexto não é difícil compreender que a procura pelas vacinas colocam em riscos a liderança dos governos diante de suas populações. Repito, a luta pelas vacinas é basicamente uma disputa entre governos e suas nações no jogo da geopolítica global.

Aliás, a geopolítica se dá tanto na via das nações produtoras de vacina (China, EUA, Índia, Rússia, RU) que adquirem poder com o produto que todos querem, quanto para aqueles que precisam comprar, admitindo concessões não usuais que podem envolver para além de dinheiro, mas outros tipos de garantias e barganhas. Interessante que entre as nações do Brics, só Brasil e África do Sul, não estão no rol dos produtores e são dependentes das vacinas estrangeiras.

Nesta conjuntura é que surge o caso de Taiwan, uma ilha-nação do sul asiático. Taiwan é hoje o país onde está instalada a maior indústria de semicondutores do mundo, a TSMC, que atende todos os grandes fabricantes mundiais de celulares, equipamentos e rede de informática, televisões, etc. e está no centro da guerra tecnológica entre EUA x China no fornecimento de microchips.

Pois bem, Taiwan, onde moram cerca de 24 milhões de pessoas, no meio de algumas dificuldades do governo para ter acesso à vacina para sua população colocou à disposição dos países produtores de vacina na Europa, lotes de seus microprocessadores (microchips) em troca de outros tantos de vacina contra a Covid.

Não, não se trata da estória da introdução de chips dentro das vacinas os negacionistas e terraplanistas. 

É sim, uma espécie de escambo emergencial inusitado nos tempos atuais. O fato, já noticiado no final de janeiro [1] foi citado ontem, pelo cientista Miguel de Nicolellis, em conversa com cientistas estrangeiros [2], ilustra bem como a supremacia científica e industrial de um país em relação a outros num momento emergencial e dramático como o que vivemos.

A Índia mesmo, chegou a humilhar o Brasil em janeiro passado, ao retardar a entrega de dois milhões de vacinas da Oxford fabricada em seu país, por posição a seu favor na ONU. Outros casos estão vindo à tona de troca de vacinas, por garantias e aberturas comerciais e de mercado para quem precisa desesperadamente do imunizante.

Consta que a própria China estaria impondo, condições para exportações do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) - insumo principal de todo medicamento ou vacina -, assim como para o produto acabado.

Quem atua no mercado internacional sabe como funciona o pragmatismo das relações comerciais e de negócios que envolvem a geopolítica e os interesses das nações.

No Brasil, o Partido Militar no (des)governo, mesmo que formado para atuar na guerra, acredita que alinhamento automáticos e dependência consentida fossem resolver os problemas de uma nação que se tornou pária no mundo.


Referências:

[1] Matéria do WCCFTECH, em de 31 de janeiro de 2021. ZAFAR, Ramish. Troca de 'chip por vacina' da TSMC para atrasar a produção de chip de circuito integrado. Disponível em: https://wccftech.com/tsmcs-chip-for-vaccine-swap-to-delay-integrated-circuit-chip-production/

[2] Miguel de Nicolellis em entrevista ao GGN do Luiz Nassif em 04 de março de 2021. Nicolellis defende intervenção no Ministério da Saúde: “Salvação Nacional”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XRj7dTGQw1w

PS.: Atualizado às 13:56: para corrigir o termo Big Fharmas, que incorretamente estava grifado como Big Farms. Agradeço ao comentário do leitor alertando para o erro.

segunda-feira, março 01, 2021

A construção da guerra federativa do desmonte nacional!



A guerra federativa do desgoverno do Partido Militar contra governadores é muito profunda e de riscos incalculáveis.

Essa disputa não é só de Bolsonaro é de todo o Partido Militar que tenta proteger os generais - como o sem noção Pazuello e demais - e vai arrumando sempre inimigos na guerra do ódio.

Essa disputa federativa chega a nós cidadãos com o efeito da máxima de que "cada se vire como puder".
 
Isso começou com a negação da pandemia, se ampliou com a propaganda de remédios sem efeitos, seguiu com o enrolo em relação às vacinas e agora com relação à distribuição orçamentária, como se as pessoas não vivessem nas cidades e estados, mas de um único país. Ninguém mora na nação, sem morar num município ou estado.
 
O desgoverno da boquinha não consegue resolver nenhum problema. Assim, indefinidamente arruma inimigos para jogar a culpa.

Hoje, os governadores e prefeitos sofrem a pressão das vítimas dos hospitais, leitos e UTIs lotadas e o desgoverno acha pouco. E fica jogando uma parte da população contra outra.
 
Por isso, insisto, não há colapso. O que há é genocídio, não apenas do capitão, mas de todo o Partido Militar.

O resultado disso é a redução e a perda da identidade, do sentimento de pertencimento à nação Brasil. União sem soberania e sem articulação e cooperação federativa não é nação.
 
Isso tudo parece cada vez mais a antessala da guerra de todos contra todos. Não diga que ela está surgindo naturalmente. Ela está sendo paulatina e criminosamente construída diante de reações ainda brandas do desmonte nacional.

Cretinos. Assassinos. Genocidas!

PS.: Atualização às 16:14: para breve acréscimo no penúltimo parágrafo.

quarta-feira, fevereiro 24, 2021

O risco de um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis para transferir fundo público para investidores

Ainda no final de semana passado falei para amigos da minha rede de conversas, como hipótese em estudo pelo desgoverno, o que está na matéria dos jornalistas Daniel Ritter e Fabio Graner no Valor (aqui), p.B4, 24 Fev. 2021, cuja imagem segue abaixo da postagem.
 
A criação de um fundo de estabilização usando dinheiros dos royalties do petróleo. Assim, as participações governamentais e os entes federados pagarão a conta do PPI.

É uma "trapizonga" para o Partido Militar atender as bases, acalmar o setor financeiro e ganhar tempo até entregar mais partes da Petrobras ao mercado.

Na prática uma forma de tomar parte do fundo público oriundo da renda petrolífera.

De certa forma, esse fundo pode ser considerado uma "bolsa investidor", pois garante os rendimentos dos acionistas com a compensação dos altos preços dos combustíveis, só que com a apropriação da renda petrolífera que era fundo público, como participação governamental que passa a ir para os farialimers.

A ideia do fundo de estabilização em si não é ruim, depende de saber de onde ela tira e onde se coloca os dinheiros. O que se tinha antes do PPI era uma espécie de fundo de estabilização.

Pazuellização da Petrobras. A conferir!

sábado, fevereiro 20, 2021

Petrobras e a Economia Política do Partido Militar no desgoverno Bolsonaro

Sugiro aos que me acompanham por aqui a assistirem a entrevista do professor Eduardo Costa Pinto do IE/UFRJ à TV 247, que foi veiculada há pouco que segue no link abaixo. Eduardo trata dos temas que temos aqui conversado, sobre a Petrobras, a política de preços de combustíveis, a desintegração e desmonte da estatal, a financeirização e o interesse dos investidores e a relação de tudo isso com o poder político do Partido Militar. 

O Eduardo também fala da Pazuellização da Petrobras que tratamos aqui no artigo abaixo, explicando o que isso significa.

Não existe economia distanciada da política, assim, o eixo da análise objetiva compreender a atual conjuntura da Política de Paridade de Preços (PPI) dos combustíveis, a direção da Petrobras e seu poder para auxiliar a construir um projeto de desenvolvimento que se situa no âmbito da superestrutura é explicado pela Economia Política. Vale conferir!



sexta-feira, fevereiro 19, 2021

Desgoverno arruma um "novo Pazuello" para a Petrobras. Em 3 anos PPI derruba dois presidentes

 Essa política de preços dos combustíveis derruba dois presidentes da Petrobras, em menos de três anos. Antes do Castelo Branco foi o Pedro Parente, em junho de 2018. Os dois eram queridinhos do setor financeiro. Agora entra em campo, mais um do Partido Militar, um "novo Pazuello".

Todos os "colonistas" e comentaristas econômicos da mídia corporativa ficam repetindo o mesmo discurso (único), como se não existisse alternativa.

Olha que toda essa nova confusão se dá porque o barril do petróleo chegou a US$ 60. Imagine como seria com essa política tivesse em vigor entre 2010 e 2014, quando o preço do barril de petróleo no mercado internacional esteve oscilando, mas sempre acima de US$ 100, o barril. Pelo atual critério do PPI (Preço Paridade Internacional), a gasolina estaria a mais de R$ 10, o litro.

Tudo isso, num momento em que o Brasil mais produz petróleo e os campos e poços do pré-sal estão "bombando".

É compreensível que alguma paridade com o preço internacional aconteça, mas não na proporção total, na medida em que muitos custos não são dolarizados e também os critérios poderiam ter colchões de amortecimento ao longo do tempo para garantir alguma estabilidade. Senão, de que adiantaria ser produtor?

Além disso, esses governos entreguistas estão desintegrando a empresa, vendendo partes da holding, que permitiria ajustes de custos conforme o mercado, em etapas diferente da cadeia produtiva, entre a exploração, beneficiamento e distribuição para o consumo.

Ou seja, o que estamos vivendo é fruto de políticas públicas equivocadas. O desgoverno não consegue entregar nada, em termos de políticas públicas. Só desmonte e descontrole.

O Partido Militar com quase 10 mil membros no "desgoverno civil" é parte deste desastre que tende a piorar. Não adianta ficar arrumando generais e militares para colocar aqui e acolá. E também não adianta ficar colocando a culpa nos outros e na política de forma geral.

A cada dia o desgoverno perde mais apoios e o povo sofre as consequências, para além da pandemia, o desemprego, a inflação e o desmonte de políticas públicas, etc. A nação precisa se reencontrar consigo própria com um projeto para a maioria.

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

“O sentido que o algoritmo faz – ou faz fazer...”, por Luciana Salazar Salgado

A partir da última conversa-entrevista na TV 24 (aqui), eu recebi um contato por e-mail da professora e pesquisadora da Luciana Salazar Salgado, Universidade Federal de São Carlos, SP, que é doutora em Linguística, me felicitando pelo esforço de “esclarecer um amplo público sobre o que se passa na atual arquitetura da rede, com os modelos de negócios hegemônicos - e sobretudo explicar que “a rede” não tem que ser fatalmente assim”.

A seguir a Luciana me enviou um texto (está nas referências abaixo) propondo uma interlocução com o objetivo  de unir os esforços de leituras, em diferentes dimensões, sobre o fenômeno das redes digitais, a “distribuição algorítmica dos dizeres” e também ao "estado das técnicas e estado da política", como elementos para a compreensão do fenômeno do capitalismo de plataformas entre os discursos e as apropriações de toda a sorte.

A análise superinteressante da “cadeia semântica”, dos “mídiuns digitais”, da psicosfera/tecnosfera com resgates de referências conceituais do Debray e Milton Santos, feita por Lucina, me levaram a sugerir a elaboração de um texto síntese, com o objetivo de estimular e ampliar o nosso conhecimento da dimensão da linguagem que dirige as técnicas algorítmicas e as relações de poder que manipula a política. Gentilmente, Luciana nos atendeu e aí está.

 

O sentido que o algoritmo faz – ou faz fazer...

Luciana Salazar Salgado

Leio no Portal 247 a chamada “Villas Bôas admite ter consultado ministros e elaborado tuíte ainda mais incendiário sobre Lula”, que trata das ameaças do general ao STF frente ao julgamento de um habeas corpus para Lula, em 2018. O rumor público se densifica novamente em torno do tema por conta das declarações que compõem o livro “General Villas Bôas: conversa com o comandante”, recém-lançado pela Editora FGV. Um tuíte tem poder incendiário! É um caso típico do tempo presente, que se caracteriza por uma troca comunicacional intensa, densa e hipercondicionante – este é o ponto.

“Curto” sabendo que “curtir” uma notícia escabrosa fortalece a denúncia; “curte-se” a denúncia, e não o horror estampado na imagem ou manchete; os “likes” podem ajudar a pôr tema na roda, valorizar um canal ou celebrizar uma pessoa. O volume de dizeres que a lógica da plataforma enseja pautará mídias televisivas, radiofônicas e impressas, jornalísticas ou não. O Twitter é uma “rede social”, como se diz, que tem hoje poder de promover o rumor público na própria plataforma e para além dela. E eu curtir essa notícia nessa plataforma me amarra numa teia de coisas ditas e por dizer, não só porque meus rastros de navegação são coletados o tempo todo, mas porque o próprio gesto de engajamento incita em mim uma tomada de posição. É um gesto tão corriqueiro quanto grave. Fazemos isso à exaustão nas navegações cotidianas que não são consideradas “produtividade”, nos termos dos relatórios que nossas máquinas nos enviam. E com que critérios assumimos essas posições o tempo todo, cada vez mais vezes em cada vez mais redes?

Muito já se disse sobre o que Sérgio Amadeu da Silveira chama de “modulação de comportamentos”. Muitos pensadores têm nos alertado há mais de uma década para esse aspecto da arquitetura técnica que se hegemonizou e que chamamos tranquilamente de “internet”: são modelos de negócios que extraem da massiva coleta de dados, metadados e rastros a definição de categorias às quais temos de corresponder para participar da vida que se move pelos aplicativos e plataformas – tudo é filtrado, etiquetado e ranqueado. Fornecemos o material com que nos classificarão depois, enquadrando-nos. E mal percebemos como isso funciona. Sutilmente, somos conduzidos com a sensação de customização: de fato, tal como funciona hoje, esse hipersistema comunicacional pode oferecer produtos, serviços ou ideias no exato momento da navegação de um sujeito que os cálculos o apontam como efetivamente suscetível de comprar, contratar ou aderir.

O termo “hipermídia” foi caindo em desuso, mas parece muito adequado para designar algo tão abarcante, e eu me pergunto como passamos a preferir o palatável “internet”, sugestivo de uma tranquila “rede internacional”, que é, de fato, uma malha técnica de distribuição desigual. “Hipermídia” parece referir melhor a modulação de comportamentos que opera com as mais específicas idiossincrasias para estabelecer um padrão que volta pelos aplicativos e plataformas, manejando a eterna reinserção do navegante em curvas finamente calculadas. Chamo de hipersujeito esse navegante que nem se dá conta de que seu engajamento é gerador de mais engajamento, e que consiste basicamente em trabalhar para dar forma cada vez mais precisa aos cálculos que futuramente lhe darão forma (cada vez mais precisa?).

E aí a questão da língua se coloca. Também sorrateira e poderosa. Essa lógica da hipermídia que produz hipersujeitos tem muito a ver com desconsiderarmos, como usuários dessas tecnologias, o que está da tela para lá. A tela não é um ponto zero. O que se apresenta nela é já a confluência de articulações de diversos tipos de dados que nenhuma lei hoje obriga que sejam explicitadas. Também os nomes que fomos adotando para falar desses dispositivos nada neutros são incrivelmente poderosos. Um exemplo: a nuvem. Ora, não há nuvens. O marketing engenhoso definiu uma metáfora fofinha para o que são enormes galpões hiper-refrigerados funcionando 24 horas por dia, consumindo uma quantidade gigantesca de energia elétrica para estocar toda informação. Os serviços de streaming são exemplos dessa sofisticação: os de música, filme e aplicativos como Uber, Waze ou Ifood não existem senão investindo fortunas no ir-e-vir de dados hiperprecisos que, por exemplo, a Amazon estoca. A Amazon vive dos dados, não dos livros que vende a preços baixíssimos, como alguns ainda creem. É uma empresa de logística, uma intermediária, e nós somos mais mercadoria do que clientes nessa intermediação: nossas compras fornecem dados, nossas formas de comprar deixam os rastros que ela comercializa. Como se vê, essa questão da designação é bem importante: o próprio nome “Amazon” merece atenção!

Sabemos que os sentidos das palavras não estão nelas, mas nas suas relações; que as palavras dizem o que dizem ali onde aparecem, no modo como aparecem, propondo uma descrição do real. E é o convívio social que estabelece os parâmetros dessa descrição. Se cultivamos uma vida em bolhas, pode-se imaginar a dificuldade de estabelecer esses parâmetros...

Em todo caso, dizer que os sentidos das palavras se alteram conforme variáveis não linguísticas, conforme os repertórios dos interlocutores etc. não significa dizer que qualquer coisa faz sentido: o material linguístico tem suas características e os usos sociais desse material impõem certos caminhos interpretativos. Na selva da comunicação rumorosa, há caminhos que parecem preferenciais, porque se apoiam em sentidos mais estabilizados numa dada comunidade, numa sociedade.

Voltemos à notícia do tuíte do general. Boa parte de nossas trocas comunicacionais se distribui por aplicativos e plataformas cujos funcionamentos não conhecemos, vamos nos adaptando às “funcionalidades” delas, aprendendo como ocupá-las. A gente quase não se lembra de como era conversar antes das figurinhas e emojis nos mensageiros, como eram os dias antes da possibilidade de falar com muita gente o tempo todo ao longo do dia... Nesse contexto, por que o general usa o Twitter para ameaçar o STF? O que um enunciado curto lançado ali pode? Pode muito, como estamos vendo. A língua é a arena das arenas, e o modo como vai se organizando em dizeres que se põem a circular é que faz sentido. Foi usando o Twitter como usamos que fizemos dele um lugar de exercício de poderes – de governo, de desgoverno, da tirania institucional... Eis o hipercondicionamento. Era só um tuíte, e condicionou os rumos da nação.

Por definição, como disse, os sentidos de uma língua não estão dados nas palavras soltas, mas no modo como elas aparecem onde aparecem, proferidas por quem as profere. O que se tem chamado de “guerra das narrativas” tem muito a ver com isso. Afinal, a disputa pelos sentidos do que se diz é a disputa pela descrição do real. Nesse caso, o próprio termo “narrativa”, convenhamos, tem seus perigos: faz crer que tudo são versões e não há fato.

E um rumor público que é “hiper”, difícil de digerir, nos deixa à mercê desses ventos. Por isso, em tempos de guerra das narrativas, só sobreviverá quem considerar a lógica das tecnologias do dizer, o que significa que ocupar as redes tem de vir junto com entender os funcionamentos que elas hoje impõem – e transformá-los.

 

Detalhamentos:

SALGADO, L.S. A dimensão algorítmica dos discursos, pré-print disponível no Reseachgate.

SALGADO, L.S.; OLIVA, J. Espaço comunicativo e fratura social. Belo Horizonte: Fino Traço, 2020. (versão digital gratuita)

terça-feira, fevereiro 16, 2021

A falsidade e os riscos do discurso higienista do Villas Boas e da Lava Jato

Há um ponto em comum na confissão do não-general Villas Boas (segundo ele, em nome do Alto Comando do Exército-ACE) e a Operação Lava Jato.

Ambas, traçaram um cenário de atuação higienista onde pensavam em limpar a política, mesmo que nenhuma das duas tivessem autorização expressa para tal dentro da Constituição.

Sua ações foram conjuntas, complementares e dirigidas à margem da Constituição e das "regras do jogo".
Ambas miraram o resultado dessa intervenção direta: a obtenção e o controle do poder do qual continua a não abrir mão.

Todos sabemos na história da humanidade, em que resultou esse tipo de ideia higienista e de supremacia de grupos.

Por esta e muitas outras questões, penso que é preciso ler com mais profundidade tudo isso que está diante dos nossos olhos. A história mais uma vez tem muito a nos ensinar.

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

Independência do BC é o abre alas da avalanche neoliberal que sustenta o capitão cloroquina: Faria Lima desconfia que não terá dois anos pela frente!

Desde o apoio aberto e sem discrição do setor financeiro, aos candidatos do Bolsonaro nas eleições das casas legislativas, entre o final do ano passado e início deste 2021, ficou mais claro como a turma dos bancos e fundos financeiros, da Faria Lima e adjacências, planejou 2021 e 2022.

Além de tentar manter o “capitão cloroquina” no poder até lá, a ideia é soltar em massa uma avalanche de decisões de interesse do capital, o mais rapidamente possível, até porque o prazo de validade pode ser antecipado com as instabilidades que estão a caminho.
 
A ideia de liberar um tsunami de medidas privatizantes, desregulatórias, antissociais e mais retiradas de direitos socais, no olhar desta turma, precisa vir como avalanche, numa hecatombe mercadista. Pode não passar tudo, mas ao vir com pressão total, eles imaginam que conseguem desmontar as instituições estatais e da sociedade para entregar ao controle do deus mercado.
 
A avalanche da hecatombe de direita e da barbárie coloca todos os temas em evidência ao mesmo tempo. Isso não é acaso e sim estratégia da Faria Lima que guia o tosco e seus não-generais do Partido Militar.

O abre-alas desta avalanche é a independência do Banco Central, mas junto vem, todo o banco do brasil, ou pelo menos a sua parte mais importante, a gestora de fundos financeiros BBDTVM, as várias subsidiárias da Petrobras, Eletrobras, Correios, Serpro, etc. que o STF autorizou a entrega na Bacia das Almas, etc. Insisto o tsunami de iniciativas não é casual é estratégia.

Olhando o todo é possível decifrar as “estratégias” da avalanche neoliberalizante de direita, o “processo” que desdenha os riscos da luta social, demonstre das instituições e da luta de todos contra todos e deixam expostos quem são os “agentes” desse movimento do capital. Através do Partido Militar e boa parte do judiciário e toda a mídia corporativa, esses agentes desmontaram a nação e assumiram o país como se fosse seu quintal, imaginando um "projeto de longo prazo".
 
A estratégia do tsunami liberalizante é bárbara, porque aproveita o hiato da pandemia e da crise sanitária, mostra as garras do mercado que pouco se importa com a barbárie e o sofrimento da maioria que precisaria apenas ser contida.
 
A Faria Lima se sente segura com a força das armas do Partido Militar, tal como no período Pinochet do Chile, porém de outro lado, essa turma também expõe, tal fratura exposta, a fragilidade de quem precisa vencer o tempo e o espaço da resistência de sobrevivência da maioria que vai recuperar a nação brasileira.
 
Dois anos pode ser pouco, mas também pode ser muito porque o tempo sempre será uma importante variável, mas com valor relativo e nunca absoluto. Mas, desconfio que os homens das finanças e do mercado da Faria Lima, correm e empurram as ondas da avalanche, porque sabem que não terão dois anos. A conferir!

sexta-feira, fevereiro 05, 2021

Big Techs avançam também sobre a agricultura digital

Nos estudos e pesquisas sobre o capitalismo de plataformas tenho insistido para a necessidade de se observar a dominação tecnológica exercida pelas Big Techs em vários setores da economia.

 Além disso, também é importante registrar o fato destas gigantes corporações de tecnologia estarem se expandindo não apenas para intermediar negócios (etapa de circulação), através das plataformas digitais (plataformas-raiz), nos diferentes setores da economia, mas também já estarem avançando para o controle direto (ou indiretamente através de fundos de investimentos) sobre as várias frações do capital.

Esses movimentos já produzem consequências multidimensionais e multiescalares sobre todo o Modo de Produção Capitalista (MPC), nesta etapa do Plataformismo, com efeitos diretos sobre o trabalho e sobre as economias regionais que, paulatinamente, vão tendo as rendas vampirizadas.

Hoje, as seis maiores Big Techs somadas possuem valor de mercado superior a US$ 6 trilhões e no ano passado (2020) tiveram lucro líquido somado em torno de US$ 200 bilhões.

Neste sentido é expressivo analisar o movimento de investimentos, parcerias e atuação direta na área de agricultura e alimentos: AgTechs e FooofTechs.

Seis Big Techs desenvolvem, adquiriram sociedade e já controlam ativos ligados à produção de alimentos que mexem com uma área onde a tecnologia, embora crescente, era relativamente pequena, quando comparada à indústria e aos serviços.

Refiro-me a projetos já em andamento da Microsoft, Apple, Google, Amazon, Facebook e Alibaba que estão em estágios avançados controles de dados (dataficação) do solo, água, safras, clima e gerenciamento rural e de fazendas, localizadas em vários países da África, Ásia, América do Sul e Oceania.

Assim, a produção material vai sendo gerenciada através de aplicativos e dados nas “nuvens” que também articula a produção agrícola e pecuária (AgTech) com a comercialização dos alimentos (FoodTech). São projetos de grande porte que somam mais de US$ 50 bilhões.

Tudo isso reforça a interpretação sobre a dominação tecnológica do oligopólio das gigantes de tecnologia sobre todas as frações do capital com vínculos cada vez mais estreitos e fortes vinculados à financeirização. Voltarei ao assunto com mais detalhes.

sexta-feira, janeiro 29, 2021

Arrocharam os cintos, seu patrão é um aplicativo, a empresa e o Estado uma plataforma e o império anuncia que não sumiu!

O mundo se transforma e isso não devia ser chamado de progresso, sem que se pergunte para quem? A partir do trabalho digital o seu chefe agora é um aplicativo (App). A empresa-plataforma é a propriedade que controla, em boa parte, o modo de produção no capitalismo contemporâneo.

Plataforma pelo dicionário é “uma superfície plana e horizontal, mais alta que a área circundante”. A definição explica bem essa nova fase do capitalismo. A plataforma se torna a propriedade a partir da posse de nossas informações “dataficadas” (nova commodity). 

Essa captura dos dados gerados pelos cliques, curtidas, likes, comentários, navegações e engajamentos mobiliza as plataformas de mídia que usam "marketing one to one" que permitirá o mercado de produtos e serviços, atenda, através do algoritmos, interesses e desejos de consumidores. Desta forma, se efetivou a "indústria" do engajamento.

Assim, as plataformas digitais passaram a realizar a intermediação entre a produção e a comunicação, ligando produtores e consumidores e articulando grupos em diferentes partes do mundo. As plataformas-digitais não produzem riquezas, mas se apropriam de porções maiores dos lucros de todos os setores da economia, a partir do controle da comunicação e apropriação dos nosso dados.

As plataformas como meios de produção (e-commerce) e meios de comunicação (mídias digitais) constroem seus “modelos de negócios” entre o intangível digital e a materialidade da infraestrutura de logística, aplicativos, veículos de streamings e jogos para entretenimento.

Assim, as empresas-plataformas e os aplicativos (Apps) se espalham por todos os setores da economia (frações do capital) em velocidade espantosa envolvendo diferentes  atividades no capitalismo contemporâneo: finanças (fintechs, home-banking); educação (eTech); agronegócios (agTech); alimentação e comida (foodTech); saúde e bem-estar (healtTech: terapia e consultas on-line, exames etc.); marketing (marTech ou adTech: mídia, publicidade direcionada e de engajamento etc.); jurídico (lawTech ou legalTech: legislação, petições automáticas, resolução de conflitos e negociações); negociação de imóveis (propTech: vendas e aluguéis); logística de entrega (delivery de produtos, embalagem, mediação com pagamento, etc.); comércio eletrônico (e-commerce); gestão de documentos etc.


A tecnologia vem de longe e sempre dependerá do trabalho humano 

Vale registrar que a tecnologia sempre foi fator importante em nossas vidas. Não existe tecnologia sem o fator trabalho. Sendo assim, é preciso afastar esse falso mito da tecnologia sem o ser humano. A tecnologia sempre prescindiu do sujeito e isso vem lá de trás, antes até da Revolução Industrial quando a tecnologia se transforma em fator de produção. A tecnologia vem de longe e sempre dependerá do trabalho humano, mas o inaceitável é o atual e crescente nível de apropriação de renda e riquezas que nos trouxeram à neoescravidão do presente.

Anteriormente, a inovação estava quase que exclusivamente vinculado à produção, às máquinas, automação e também à organização do trabalho, desde o taylorismo/fordismo ao Toyotismo. Agora no trabalho digital, no plataformismo, o trabalhador é controlado e supervisionado por gestão algorítmica.

Além de ver o trabalho precarizado e parte de sua renda vampirizada, através de enorme extração de valor com perda de direitos, o trabalhador contemporâneo quase que implora para ser explorado e sobreviver, como o servo em relação ao senhor do capital-plataforma, no feudalismo digital dos dias atuais.

O pesquisador inglês Guy Standing já previa no seu livro “The corruption of capitalism” há alguns anos – e poucos conseguiam sequer avaliar do que se tratava – que até 2025, um terço das transações relativas ao trabalho já estaria se dando através das plataformas digitais. A pandemia acelerou isso a um grau alarmante.

Um App como chefe e supervisor da produção, despersonaliza e desumaniza as relações de trabalho, antes já bem deterioradas. Essa relações passam parecer parte de um jogo, em que o trabalhador espoliado, sonha passar de fase, enquanto envelhece e vê suas forças serem sugadas, sem direitos e sem maiores perspectivas e sonhos.

A cobrança por produtividade é feita pelo App de um celular, um algoritmo que esconde o rosto do chefe da cobrança, expõe uma falsa igualdade, a ilusão da meritocracia e escancara a racionalidade neoliberal.


A aliança entre a dominação tecnológica, startupização e a financeirização

Tudo isso reforça a interpretação de que o “plataformismo” se estabelece como nova etapa do “Modo de Produção Capitalista” e um novo ciclo de acumulação, leitura que compartilho com o pesquisador francês François Chesner, grande estudioso do processo de financeirização já há décadas.

Aliás, não há como observar essas transformações das empresas em plataformas e o trabalhador controlado por aplicativos, sem observar que a lógica da plataformização na extração de valor é parte da estratégia da hegemonia financeira, refletida no movimento dos fundos financeiros e na engenharia dos derivativos do mercado de capital. 

Assim, é fácil observar o avanço, não menos espantoso, dos aportes de capitais de fundos, bancos e corporações. Elas explicam a atual dominação tecnológica, onde pontifica o gigantismo das Big Techs. Do ocidente ao oriente essas corporações alcançam individualmente valores de mercado superior a US$ 2 trilhões, juntas as seis maiores só dos EUA, valiam no início deste 2021, um total de US$ 8,1 trilhões.

Assim, se verifica a explosão de plataformas e ao que chamo de “startupização”, vinculada à financeirização e o plataformismo. Fundos financeiros aportam bilhões de dólares nas startups que em sua maioria são empresas-plataformas e empresas-aplicativos.

Mesmo no Brasil, na periferia do capitalismo tardio, entre 2011 e 2019, se vê um aumento de 20 vezes, no número de startups, que hoje já superam 13 mil, segundo a associação do setor, a Abstartup. No final de 2020, onze já eram de unicórnios, como os investidores gostam se se referir às startups que já alcançaram valor de mercado superior a U$ 1 bilhão ou mais de R$ 5 bilhões todas empresas-plataformas. Todas.

Em meio à “crise econômica” no Brasil, o volume de investimentos em startups alcançou US$ 7,5 bilhões nos últimos três anos. US$ 3,14 bilhões, só em 2020, ano da pandemia, metade desse valor foi alocado nas fintechs que receberam aportes de US$ 1,5 bilhão, confirmando a aliança entre a hegemonia financeira e a dominação tecnológica, que para o trabalhador se reflete na precarização e na gestão algorítmica escravizada do seu trabalho.


A hegemonia financeira sustentada no controle tecnológico passou a dominar a política e o Estado 

Em meio a todo esse processo é evidente que o poder econômico avançou ainda mais sobre o poder político. A dominação tecnológica hoje oligopolizada, foi paulatinamente, abandonando a estratégia de apenas influenciar a política.

A dominação tecnológica foi adiante e passou a dirigir e controlar o poder político e o Estado, sem que tenham adquirido representação para tal. Quem efetivamente tem poder exerce e não vai ficar aguardando regulações. Ao contrário age sobre quem tem papel institucional de regular. Esse controle foi escancarado, a partir das punições a autoridades de diversos países, independe das razões, que evidenciam as limitações da chamada democracia liberal ocidental.

Em síntese, no capitalismo contemporâneo, a hegemonia financeira foi passando a ser exercida em novo patamar de forma total e imperial, através da dominação tecnológica, que na prática se tornou fator de controle tanto sobre o trabalho, quanto sobre a política e a geopolítica.

Algumas lideranças mundiais já identificam os riscos sobre o esgarçamento civilizatório e a imposição da guerra de todos contra todos, que, talvez até possam considerar a barbárie como uma condição histórica nem tão ruim assim.      

Arroxaram os cintos, seus patrões se escondem nos aplicativos e plataformas e as autoridades estão nas mídias sociais controladas pelo império das finanças globalizadas. O piloto não sumiu e o império manda avisar que está mais presente e vivo que nunca!


PS.: Abaixo um infográfico que expõe a multidimensionalidade do fenômeno do "Plataformismo" que se traduz num esforço de síntese para a compreensão do "capitalismo de plataformas" e as transformações no "Modo de Produção Capitalista".  


PS.: Atualizado às 19:44: Com acréscimo de um parágrafo.

Municípios da Região da Bacia de Campos perdem 10 mil empregos em 2020

Os dados são do último Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e foram tabulados pelo professor, geógrafo, pesquisador e doutorando do IPPUR/UFRJ, William Passos. O texto e os dados foram publicados originalmente em seu perfil no Facebook e reproduzimos abaixo: 


𝗠𝗘𝗥𝗖𝗔𝗗𝗢 𝗗𝗘 𝗧𝗥𝗔𝗕𝗔𝗟𝗛𝗢 𝗡𝗢 𝗟𝗜𝗧𝗢𝗥𝗔𝗟 𝗡𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗗𝗔 𝗕𝗔𝗖𝗜𝗔 𝗗𝗘 𝗖𝗔𝗠𝗣𝗢𝗦 𝗘𝗡𝗖𝗘𝗥𝗥𝗢𝗨 𝗗𝗘𝗭𝗘𝗠𝗕𝗥𝗢 𝗚𝗘𝗥𝗔𝗡𝗗𝗢 𝗩𝗔𝗚𝗔𝗦, 𝗠𝗔𝗦 𝗘𝗟𝗜𝗠𝗜𝗡𝗢𝗨 𝗤𝗨𝗔𝗦𝗘 𝟭𝟬 𝗠𝗜𝗟 𝗘𝗠𝗣𝗥𝗘𝗚𝗢𝗦

Dados divulgados nesta quinta-feira (28/01) pelo NOVO CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, apontam que, apesar da pandemia, Macaé gerou 843 vagas de trabalho no mês de dezembro de 2020 impulsionadas pelo setor de Serviços. Também sob o impulso da venda de Serviços, Carapebus e Quissamã foram os outros dois únicos municípios que terminaram o mês (saldo positivo de 5, nos dois casos) gerando emprego no Litoral Norte da Bacia de Campos. Por outro lado, os Serviços foram a causa da eliminação de postos de trabalho em Campos dos Goytacazes (nesse caso, junto com a Agropecuária), que fechou dezembro com 431 contratos com carteira assinada a menos. Já em São João da Barra foi a Construção Civil a grande responsável pelo fechamento de 114 vagas de emprego. Apesar do desempenho nestes dois últimos municípios, porém, o Litoral Norte da Bacia de Campos finalizou dezembro gerando 308 oportunidades de trabalho.

Num ano atípico, de quase total paralisação das atividades pelos impactos da Covid-19, a Região eliminou quase 10 mil empregos (9.871). Somente Macaé destruiu 7.366 vagas de trabalho em todos os seus setores – Serviços (-2.964), Indústria (-2.521), Construção Civil (-1.518), Comércio (-352) e Agropecuária (-11). São João da Barra, por sua vez, eliminou quase 3 mil contratos celetistas (-2.823), registrando saldo negativo em todos os seus setores – Construção Civil (-2.796), Serviços (-95), Comércio (-15) e Agropecuária (-1) –, menos a Indústria (saldo positivo de 84).

Por outro lado, Campos dos Goytacazes (saldo de 281), Quissamã (saldo de 31) e Carapebus (saldo de 6) encerraram o difícil ano de 2020 abrindo vagas. No caso de Campos e Carapebus, as vagas foram impulsionadas pela geração de empregos no setor de Serviços (saldo positivo, respectivamente, de 617 e 13 empregos), enquanto em Quissamã foi a Indústria, com a abertura de 29 contratos, que favoreceu o desempenho. 

Os dados foram tabulados e analisados pelo Observatório das Metropolizações, projeto de extensão ligado à pesquisa de Doutorado desenvolvida no IPPUR/UFRJ pelo geógrafo William Passos, também pesquisador do OBPETRO.

quarta-feira, janeiro 13, 2021

Os governadores precisam agir contra a 2ª onda da Covid no Brasil e ir além da inconsequente disputa pela vacina

A insana e inconsequente guerra política pela vacina no Brasil está impedindo enxergar que mesmo com o início da vacinação (para fotos de Bolsonaro e/ou Dória), ela não impedirá que os estados decidam por novos lockdowns (parciais e/ou totais) no país.

Já se sabe que a segunda onda está sendo muito mais veloz e violenta que a primeira nos EUA e Europa. O Reino Unido já faz vacinação há mais de um mês, e, ainda assim, há mais de uma semana decretou seu 3º lockdown, que vai durar pelo menos até meados de fevereiro. Ainda assim, ontem o Reino Unido bateu o recorde desde o início da pandemia com 1.564 mortos. Também ontem os EUA teve o triste recorde de 4.327 mortos por Covid num único dia.

Na primeira onda da pandemia no Brasil, foram os governadores que puxaram a prevenção que salvaram milhares de vidas. De lá para cá, pressionados por cima pelo desgoverno Bolsonaro e por baixo pelos prefeitos, preocupados com suas reeleições, os cuidados dos governadores foram sendo, paulatinamente, suspensos.

Tenho dúvidas se hoje conseguiriam convencer sobre a necessidade de ampliar o isolamento social, mesmo com a tendência quase certa do agravamento da situação em quase todo o Brasil, de forma diversa do que ocorreu na primeira onda lá em abril e maio.

Num país sem governo, tudo vai se transformando num salve-se quem puder, em meio à briga política pela vacina, que é super bem-vinda e necessária, mas não produz os efeitos, em termos coletivos, em prazo curto.

Por isso, as discussões atraídas pela politicagem são indevidas, se o o objetivo for cuidar das pessoas. Os genocidas nunca farão isso. Tem-se aí mais uma responsabilidade histórica.

segunda-feira, janeiro 11, 2021

Fundos financeiros batem todos os recordes no Brasil e atingem R$ 6 trilhões de patrimônio no ano da pandemia

Enquanto se tem notícia do fechamento da Ford, demissão de milhares de bancários e fechamento de quase mil pontos de atendimentos no Banco do Brasil, em um país que já tinha mais de 15 milhões de desempregos, o setor financeiro não para de crescer e acumular rendimentos e lucros.

Com os números fechados do ano de 2020 da Anbima, os fundos financeiros conseguiram fechar o trágico ano de 2020, com um patrimônio líquido de R$ 6 trilhões, superior em mais de 10% o já muito alto patrimônio dos fundos financeiros no ano passado.


Nos últimos doze anos, o patrimônio dos fundos mais que triplicaram de R$ 1,9 trilhão para R$ 6 trilhões e cada vez controlam mais empresas (e ativos) em diferentes setores da economia. Em especial, estão nos últimos quatro anos adquirindo a preço de xepa o controle acionário das empresas estatais que estão sendo privatizadas.

Com R$ 6 trilhões de patrimônio líquido, os fundos financeiros já passaram de 80% de todo o PIB do Brasil, embora seja uma comparação meio indevida, porque o PIB é renda e anual, enquanto o valor do patrimônio dos fundos é valor de mercado, portanto em capital fictício.

Assim, os investidores dos fundos financeiros vão conduzindo a enorme extração de valor da produção real nesta escalada da hegemonia financeira do capitalismo contemporâneo. Tudo isso num nível que caminha para esgarçar o sistema e se torna um dos elementos que ajudam a explicar o porquê das bolsas de valores, o mercado de capitais e os fundos financeiros fazem sucesso e batem recordes, se desgarrando cada vez mais da economia real, onde a população trabalhadora que produz a riqueza sofre.

quarta-feira, janeiro 06, 2021

Negócios no setor de gás do fundo americano EIG que controla a Prumo e o Porto do Açu

O fundo financeiro americano EIG, que controla a holding Prumo e o Porto do Açu, decidiu vender sua participação de 27,5% no gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) para investir em projetos de gasodutos que ligam o terminal portuário do Açu a outras conexões ligadas à bacia de Campos. Um ramal do gasoduto Gascav que liga Macaé a Vitória do projeto Gasog (46Km) e outro do projeto Gasinf (105 km) que ligaria o Açu a Macaé (Cabiúnas com 105 km).

Historicamente, vale lembrar que o fundo americano EIG assumiu em 2013, os ativos da antiga LLX que depois passou a ser chamada de Prumo, quando da derrocada de Eike e se transformou numa holding (grupo) que controla e é sócia de diversos negócios e empresas sediados no Porto do Açu, para além dos dois terminais portuários. 

Hoje o fundo americano EIG detém 76% da Prumo e outros 24% é controlado pelo fundo árabe Mubadala que avançou na participação acionária inicial, a partir das das dívidas das empresas de Eike (grupo EBX) com o fundo.
 
Assim, o fundo americano EIG entra e aproveita as facilidades geradas pela privatização dos gasodutos e o tal "novo marco legal do gás" Outro projeto anunciado pelo fundo americano é para um ramal de gasoduto offshore que traria o gás abundante do pré-sal para alimentar sua UTE (Termelétrica GNA) e outros projetos que demandariam esse insumo no Distrito Industrial.

Neste processo não é difícil identificar que o EIG está de olho nos gasodutos já instalados chamados de Rota (1,2 e 3), em especial o Rota 2 que liga a Bacia de Santos a Cabiúnas em Macaé.
 
Tudo isso confirma, o que comentei lá atrás quando previ que os fundos financeiros avançariam para todos os ativos que eram da Petrobras, em especial os de infraestrutura como terminais portuários, termelétricas e gasodutos.
 
Esse processo começou quando em 2016, o fundo financeiro canadense comprou a rede de gasodutos de cerca de 2,5 mil km, Nova Transportadora Sudeste, por US$ 5,2 bilhões. E logo depois o fundo também canadense CDPQ e a belgo-francesa Engie ficou com a rede de gasodutos da TAG (Transportadora Associada de Gás), a maior do Brasil com cerca de 9 mil km por US$ 8,6 bilhões.

Essas malhas de gasodutos são aquelas que esses fundos que adquiriam faturam em 18 meses meses de tarifas, o valor pago por todo o ativo que segue sendo operado pela Petrobras.

terça-feira, janeiro 05, 2021

China tenta impedir que a dominação tecnológica amplie a hegemonia financeira global a partir de suas Big Techs: Alibaba e Tencent

Há várias razões para se compreender a decisão regulatória tardia do governo chinês sobre a megacorporação chinesa do grupo Alibaba desde outubro, quando foi suspenso a autorização para o lançamento de ações (IPO) que seria o maior da história do mundo, estimado em quase US$ 40 bilhões. [1]

A partir desta decisão, o Ocidente de forma geral, passou a acusar Xi-Jiping de arbitrariedade econômica do partido único chinês, que inclusive já ganhou o apelido de Xi-nomics. Porém, o fato é que a Comissão de Regulação de bancos e Seguros da China e mesmo o Banco Central perceberam os imensos riscos de deixar que a dominação tecnológica avançasse para a hegemonia financeira controlada até aqui pelos bancos estatais chineses.

Controles e regulações similares sobre as corporações tecnológicas têm sido acenadas pela UE e pelos EUA, mas ainda se encontram circunscritos aos debates legislativos e judiciários, sem decisões finais que acabam envoltas em pressões e lobbies poderosos.

No meu livro sobre “A ´indústria´ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo” eu abordo de passagem (p.166), um relatório do FSB (Financial Stability Board, órgão de finanças do G-20), em 2018, cujo título é "FinTech and market structure in financial services: Market developments and potencial financial stability implications" que trata dos riscos inerentes à capacidade de atuação das Big Techs sobre o setor financeiro a nível global. [2] [3]

Outros relatórios posteriores foram divulgados pelo FSB, ampliando as preocupações, num contexto, que já considerava a ampliação do uso de tecnologias digitais e plataformas informacionais (Inteligência Artificial, Big Datas, algoritmos, robôs de mineração, etc.) no sistema financeiro, que cresciam com as fintechs, à margem do chamado sistema financeiro existente (privado e/ou estatal). A FSB insistia para o G-20 que esses riscos seriam razões urgentes de intervenções contra a explosão do sistema. Assim, se percebe que é nessa linha que a China resolveu agir para proteger seu sistema econômico, contra esse monopólio com poder de ação sobre todos os demais setores econômicos (frações do capital).

O capitalismo de estado chinês permitiu a liberdade de ação e de competição de mercado entre corporações dentro de seu planejamento (ou planificação, como queiram chamar). No caso das corporações de tecnologia (suas Big Techs) esse avanço nos últimos anos (em especial última década) foi colossal e, de certa forma, até superior ao que se vê na dominação das cinco Big Techs americanas com ação sobre todo o Ocidente e parte do Oriente.

Neste percurso, no final de 2019, as holdings chinesas Alibaba e a Tencent alcançaram um valor de mercado superior a US$ 700 bilhões cada uma delas que atuam em áreas distintas e complementares, desde o comércio de varejo e às redes sociais, jogos, etc. porém, ambas com atuação crescentes e ampliadas nos serviços financeiros e meios de pagamento.

As empresas AliPay da Alibaba e o We Chat Pay da Tencent oferecem empréstimos, corretagens, vendem seguros de todos os tipos e articulam fluxos financeiros os mais variados possíveis, a partir do uso dos meios de pagamentos que desenvolveram e que hoje atende a mais de 700 milhões de chineses. Estes mecanismos de pagamentos geram fluxos financeiros que superam ao usos de cartões de crédito no ocidente. Cartões que na China não chegaram a ser usados de forma maciça, sendo logo superados por estes meios de pagamento digitais móveis usados até para gorjetas e esmolas nas ruas.

Assim, com a enorme capilaridade que as plataformas destas corporações de tecnologia chinesas conquistaram junto aos seus usuários, a partir da captura dos dados e da tecnologia dos algoritmos (IA), que se alimentam das informações sobre os interesses e as rendas dos clientes, foi se efetuando essa potente aliança entre a dominação tecnológica e as centenas de mecanismos financeiros espalhados globalmente.

Tudo isso, foi potencializando os riscos, que tanto o FSB (G-20) quanto as autoridades chinesas foram percebendo, na medida em que o setor da finanças perpassa todos os demais setores da economia, ao exercer uma hegemonia que cada vez é mais evidente no capitalismo contemporâneo.

É preciso compreender claramente que não há como analisar a dominação tecnológica das plataformas digitais (plataformismo), sem observar as relações e o processo que reforça a hegemonia financeira na dinâmica contemporânea. Essa articulação une a reestruturação produtiva a um modo de produção capitalista de base monopolista, que amplia a utilização do sistema informacional e financeiro transfronteiriço e desregulado.

É disto que trata a disputa que se vê na geopolítica cibernética atual. A disputa pelo poder tecnológico que se desenvolve em várias dimensões. O uso exponencial e quase total das plataformas digitais traz repercussões para além da dimensão econômica e passa pela política e geopolítica. A dimensão economia é onde se tem a extração de valor do trabalho que sofre enorme precarização e à captura da riqueza pelo setor dominante da tecnologia e seus controladores. Assim, digitalização e financeirização andam juntas.

Neste processo se vive hoje também o que chamo de “startupização” com inúmeras empresas-plataformas criadas em incubadoras e universidades. Essas startups são depois adquiridas e/ou controladas por fundos financeiros criados exclusivamente para ficar com as ideias-negócios que já passaram pelo teste e crivo do mercado. Assim, os donos dos dinheiros (investidores) reduzem os riscos de empreender e ainda capturam a mais valia do trabalho dos jovens mais qualificados e recém formados.

Só no Brasil em uma década (2011-2020) o número de startups cresceu vinte vezes. No Brasil da depressão (entre 2018 a 2020), os fundos financeiros captaram e investiram cerca de US$ 7,5 bilhões nas startups em diferentes classes de aplicação e controle acionário. Só no desastroso 2020, ano da pandemia, foram fechados 450 contratos de investimentos em startups com aporte de US$ 3,1 bilhões (R$ 16 bilhões), cerca de metade destes recursos alocados, exatamente, para criação e desenvolvimento das fintechs (startups financeiras). [4]

Porém, a digitalização dos negócios e a plataformização vai muito além da dimensão econômica. Hoje já é conhecida a enorme manipulação que as plataformas digitais exercem na política, através do uso expansivo das redes socais, que hoje já é acessível a quase metade da população do planeta, mas por quase todas as pessoas dos países considerados desenvolvidos, embora com ainda enorme desigualdades.

Neste cenário é natural que os Estados-nações busquem se proteger, com todas as limitações e interesses que estão embutidos nos Estados, sejam os controlados diretamente pelos mercados, seja pelas experiências de modelos híbridos do capitalismo de Estado ou socialismo de mercado.


Referências:

[1] CAMPOS, José Roberto. Negócios da China. Artigo Valor, 04 jan. 2020. Disponível em: https://valor.globo.com/opiniao/coluna/negocios-da-china.ghtml

[2] PESSANHA, Roberto M. A ‘indústria’ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.

[3] Relatório publicado em 14 fev. 2018 pela FSB. FinTech and market structure in financial services: Market developments and potential financial stability implications [FinTech e es- trutura de mercado em serviços financeiros: evolução do mercado e possíveis implicações para a estabilidade financeira]. Disponível em: http://www.fsb.org/wp-content/uploads/ P140219.pdf

[4] MATSUURA, Sérgio. Apetite para o risco: após captação recorde de US$ 3,1 bi em 2020, start-ups segue a mira dos investidores. Matéria em O Globo 4 jan. 2021, p. 21.

sexta-feira, janeiro 01, 2021

A palavra e o ser: a literatura como parte essencial da vida

Em especial dois livros de literatura me marcaram, em diferentes períodos. O primeiro foi do poeta chileno Pablo Neruda, que li aos vinte anos “Para nascer, nasci”. Outro da escritora espanhola, Rosa Montero, “A louca da casa” que li há quase duas décadas depois, em torno dos meus quarenta anos, logo após o livro ter sido lançado.

A relação de proximidade com ambos autores da língua espanhola, deve ter relação com as narrativas literárias da vida dos dois. Uma relação de ficção com laços de autobiografia, em que Montero lembra Barthes, quando este afirmou que “toda autobiografia é ficcional e toda ficção é autobiográfica”.

Os relatos das histórias de ambos é uma das coisas mais saborosas que a escrita e as narrativas podem oferecer ao sujeito, às suas subjetividades e aos nossos demônios.

Porém, em especial, aproveitando a marcação do tempo do calendário anual findo e simultaneamente iniciante, eu acabei reencontrando Montero na estante. Assim reli essa passagem magistral sobre as palavras e sobre a linguagem que divido com vocês nesse espaço.

“As palavras são como peixes abissais que só nos mostram um brilho de escamas em meio às águas pretas. Se elas se soltarem do anzol, o mais provável é que você não consiga pescá-las de novo. São manhosas as palavras, rebeldes e fugidias. Não gostam de ser domesticadas. Domar uma palavra (transformá-la em clichê) é acabar com ela”.

A literatura é um bálsamo e uma amostra que o ser humano ainda pode ter salvação, embora tenha cada vez menos crédito e graça. A narração é psicanalítica por essência. Aliás, como diz, a própria Montero: “a narrativa é arte primordial dos seres humanos. Para ser, temos que nos narrar”.

Literatura é vida, assim a sua busca, mais do que uma fuga da realidade, deve ser uma forma radical de re-energizá-la, em meio ao desencanto com o presente que urge ser transformado.

terça-feira, dezembro 29, 2020

Partido Militar da Boquinha (PMB) caminha para a malvinização!

São mais de 7 mil militares da ativa e da reserva além de parentes diretos nas boquinhas palacianas e ministeriais.
 
Os ressentidos de 64 nutrem uma ideia-argumento-falsa-paradoxal do “higienismo da política” que vem acompanhando de uma saudade e de um desejo do poder para si e os seus.
 
Uma contradição porque alega defender a pátria, enquanto entrega a soberania da nação. Usa a retórica do combate a corrupção para se aliar às milícias (desde o abraço na intervenção no ERJ) e ao alto poder econômico de forma despudorada, comandada pelos generais haitianos. Bolsonaro foi apenas instrumento de ocasião para esses ressentidos entreguistas voltarem ao poder com projeto de longo prazo com ou sem o capitão.
 
O Partido Militar da Boquinha (PMB) renasceu desde a experiência das missões da ONU no Haiti se vertebrou nos estados através da rede de segurança do comando das polícias e das milícias.
 
O PMB faz uso político das FA para desmontar outras instituições com o uso do argumento do velho “inimigo interno”.

Na vida há limites para tudo. A malvinização é o maior dos riscos das FA que politizada aquiescem diante da estruturação do PMB. 

O país vive um caos sanitário-econômico que se soma ao diário sarcasmo fúnebre que sai da cloaca do capitão, como um período JK às avessas e retroage dez anos a cada ano de desgoverno.
 
O sol e a nação renascerão após este inverno fúnebre que a tudo desmonta e nada entrega à população. Fora!


PS.: O substantivo "malvinização" tem origem no rechaço dos argentinos aos seus generais que partiram para uma guerra (justa, mas sem chances) com a Inglaterra para obter apoio interno para uma ditadura militar já desacreditada. Os militares das FA argentinas ficaram anos sem poder andar de uniforme nas ruas por conta dos questionamentos da população contra essa aventura que também visava segurar o tal inimigo interno. A Inglaterra de Thatcher também tinha interesses internos na disputa com a Argentina, mas os militares argentinos que ficaram com essa pecha que hoje pode assombrar os militares brasileiros.

quarta-feira, dezembro 23, 2020

O neofeudalismo imunizante da indústria farmacêutica que salva e mata de forma alternada e/ou simultânea

A indústria farmacêutica talvez seja, o caso mais singular para ser observado por quem investiga os movimentos do capital nos dias atuais.

Mais bizarro ainda é o "case" da pesquisa e produção das vacinas para imunização da Covid-19, aquela que nos salva, embora suas proprietárias nos aniquile, aliás como já acontece com os remédios do cotidiano.

A ansiedade - criticada pelo general-idiota-ministro - para alcançar a salvação (imunização) não impede de enxergar o "modus operandi" das farmacêuticas a nível global, que só viabilizaram os imunizantes por conta dos colossais aportes de recursos dos Estados nestes nove meses de pesquisas. Porem, as farmacêuticas sabem garantir para si os lucros privados e o prestígio da salvação de nossos corpos, quase como se fossem igrejas que prometem a salvação eterna das almas, ao mesmo tempo que suas ações (bolsa de valores) alcançam os céus.

Diante deste quadro, não há como não imaginar essa fase contemporânea, como uma espécie de período "neofeudalismo imunizante", quando nós os servos, agradecemos aos nossos senhores por nos ajudarem a sobreviver, para assim ampliar ainda mais os seus poderes e a nossa dependência. No feudalismo original o servo também agradecia ao senhor pela sua existência e sobrevivência.

Assim, que chegue a vacina, porque ao cabo, a dialética e as contradições nos matam e também nos salvam, assim como o vírus, os venenos e os remédios, sempre em doses permanentes, crescentes e alternadas.

sexta-feira, dezembro 18, 2020

A dominação tecnológica e a geopolítica cibernética na Era Digital

Mais um bate-papo com o Attuch na TV 247. O assunto de hoje foi o poder das Big Techs e a velocidade espantosa das mudanças, a partir da Era Digital, que fizeram emergir as maiores corporações e oligopólios da história do capitalismo. A união da dominação tecnológica com a hegemonia financeira nos remete ao capitalismo autofágico, às relações de poder e a Geopolítica Cibernética do presente.

segunda-feira, dezembro 14, 2020

Monopólio do Facebook nas redes sociais é parte da matrix distópica do capitalismo atual

Um pouco mais sobre o Facebook, o gigantismo das Big Techs e sobre a dominação que exercem sobre os demais setores do modo de produção capitalista. Estamos ainda no início da era digital, a matrix distópica, que é fruto da união entre a hegemonia financeira e a dominação tecnológica no capitalismo autofágico do presente.

O Facebook comprou o WhatsApp em 2014 por US$ 16 bilhões e foi considerado um exagero quando o aplicativo de mensagens possuía centenas de milhões de usuários. Hoje esse número de usuários, já está em torno de 2,5 bilhões de pessoas, 1/3 da população mundial.

O Instagram foi uma compra anterior, em 2012, quando o Facebook pagou a bagatela de US$ 1 bilhão por cerca de três dezenas de milhões de fotógrafos amadores que queriam um espaço virtual para as suas fotos.

Hoje, o conglomerado do Facebook envolve muitas outras empresas para além da principal, mais Instagram e WhatsAPP (Messenger, Oculus, LivRail, PrivateCore, CTRL-Labs, Onavo, Little Eye, ShareGrove, Scape, etc.) que eleva o seu valor de mercado a algo próximo de US$ 1 trilhão.

A compra de todas essas empresas e startups confirmam a busca por um monopólio e pela maior das contradições do capitalismo sobre a concorrência. As outras gigantes do setor de tecnologia (Google, Apple, Amazon e Microsoft) fazem o mesmo, cada uma em seus segmentos, mesmo que finjam competir em setores em que todas elas atuam, mas não disputam, apenas enganam os reguladores que assim, obtêm argumentos para manter os trustes, como se não fossem.

E não se esqueçam, o FB está envolvido em todas as eleições e manipulações eleitorais desde a década passada, embora, só recentemente seja vista como uma das gigantes desta dominação econômico-tecnológico-política.

sábado, dezembro 12, 2020

O modus operandi das petroleiras que assumem no lugar da Petrobras

Vale registrar nesse espaço (ao lado) um pouco do modus operandi das petroleiras privadas internacionais no plano global. A fonte é o Boletim Petróleo, gás e geopolítica de Sérgio Gabrielli.

Boletim Anotações Petróleo, gás e geopolítica,
de José Sérgio Gabrielle, nº 38, p.2
É para essas petroleiras (IOCs - Corporações Internacionais de Óleo) que os diretores entreguistas da Petrobras e ANP estão repassando as nossas empresas e riquezas do setor petróleo, com o argumento de reduzir a corrupção, como se sonegação fosse virtude. O volume de sonegação das IOC nos paraísos fiscais é uma aberração. Duplo crime de lesa-pátria.

Depois ainda têm coragem de falar de compliance e engenharia tributária. A criatividade na busca de palavras-chave é proporcional às intenções do lucro privado.

Os processos e as estratégias que perpassam o circuito econômico global do petróleo onde atual as grandes corporações petroleiras e para-petroleiras precisam ser mais profundamente investigados. 

É uma cadeia produtiva ampla, densa vinculada diretamente à financeirização (em especial os fundos hedge) e que envolve ainda o mercado de capitais e as articulações com o poder político e o Estado. 

Tudo isso compõe a geoeconomia, a geopolítica e as relações de poder muito para além da dimensão econômica e ajuda a explicar o capitalismo contemporâneo e a potência deste setor sobre os Estados-nações.

quarta-feira, novembro 18, 2020

Desintegração e desmonte da Petrobras nos leva ao fenômeno da “nigerização” e retorno à condição de colônia

Retorno ao tema que há quatro anos venho tratando aqui neste espaço. Ao olhar para a cadeia global do petróleo e sua geopolítica vemos a participação atual do Brasil nesse circuito econômico vivendo um processo de "nigerização". Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais.

É um processo instalado em 2016 (após o golpe institucional) e que nos dias atuais se amplia de forma importante. A venda anunciada (apelidada de desinvestimentos) nos últimos dias da venda total e/ou parcial de novos campos de petróleo nos polos de Marlim e Albacora se soma ao que já foi feito antes com entrega de áreas como o campo de Carcará, no colosso do pré-sal. Além de tudo que foi sendo entregue dia-a-dia, como as malhas de gasodutos, refinarias, petroquímicas, distribuidora de petróleo, etc. vão transformando o Brasil em uma nova Nigéria.

Mais uma vez repito, com todo respeito ao país africano, mas não se pode deixar de identificar como aquele importante país produtor de petróleo entregou a sua produção, beneficiamento e toda a cadeia produtiva do petróleo, às petroleiras estrangeiras e ao controle dos fundos financeiros globais.

Fonte: Tese de doutorado do blogueiro (p.205) cujo título é
"A relação transecalar e muldimensional "Petróleo-Porto" como produtora
de novas territorialidades". PPFH-UERJ, defendida em março 2017. P. 222
.

Sobre o tema, acesse duas postagens do blog: 1) A primeira em 19 janeiro de 2019: Desverticalização nacional e re-verticalização global no setor de gás no Brasil: a contradição liberal;
2) A segunda em 28 de fevereiro de 2019 O mercado desintegra a Petrobras para deixá-la sob controle do mercado global no exterior. Elas comentam a interpretação desse processo expondo um esquema gráfico que reproduzimos ao lado.

Assim, se observa que segue em velocidade acelerada (por motivos claros) a desintegração da Petrobras com o fatiamento e o desmonte criminoso de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de final de feira, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor.

Bom que se diga entrega de unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. As refinarias no Brasil estão sendo vendidas já ociosas. O setor de refino mesmo aberto ao exterior desde o fim do monopólio promovido por FHC, na década de 90, nunca recebeu um projeto de nova refinaria destas players do setor.

Junto disso, antes a ANP reduziu as exigências de conteúdo local, o que leva milhares de empregos do Brasil, na medida em que os novos donos destes ativos compram equipamentos, tecnologia, geram empregos e tributos em seus países e não no Brasil. Fato que contribui para um definhamento do circuito econômico do petróleo que chegou a ser responsável por cerca de 13% do PIB do Brasil e mais de 1/3 no ERJ.

Assim, na prática coube à Petrobras explorar, descobrir e colocar em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o Pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. Bom lembrar que seis dos maiores campos de petróleo descobertos no mundo estavam no Brasil.

E o pior de tudo isso é o fato que esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobras a parte mais onerosa que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome.

Portanto, considerando o porte de nossa produção e do nosso mercado consumidor, bem maior que a da Nigéria, o "case" brasileiro, infelizmente, já permite que o mundo troque o termo "nigerização", pela expressão "brasileirização". O mundo hoje enxerga o Brasil como um caso, em que uma nação opta por retornar à condição de colônia, uma espécie de "condado" ou "protetorado". Seguiremos questionando esse crime de lesa pátria: Petrobras, fica!

segunda-feira, novembro 16, 2020

O Partido Militar e o bolsonarismo perderam com as eleições, mas precisamos voltar a disputar um projeto de nação na sociedade

O golpismo e o bolsonarismo perderam com as eleições de ontem de uma forma que eles não esperavam, mas a direita e os riscos do autoritarismo estão longe de estarem afastados.

O Partido Militar (e os generais haitianos) tem um projeto de poder de longo prazo (não de país) e não têm escrúpulos para com os seus aliados, executá-lo, para além dos ritos democráticos.

Porém, o golpismo não tem o que entregar para a população em termos de resultados. A crise se agravará e será mais intensa porque, após as eleições, com a crise econômica - e do Covid - ainda em curso, cairão ainda mais as bases sociais do golpismo.

Neste cenário, a centro-direita como representante daqueles do andar de cima, já se oferece como alternativa bradada pela mídia comercial e seus colunistas de coleira.

Estamos do outro lado. Saímos de ontem um pouco melhor do que em outubro de 2018, mas o caminho à frente exige organização e leitura política para ações que passam, ainda mais claramente, por uma frente de esquerda para disputar na sociedade o projeto de nação.

Sigamos em frente!

terça-feira, novembro 10, 2020

Participação Especial de novembro vem zerada para a maioria dos municípios da Bacia de Campos

Como já era esperado, na quarta (e última) parcela de 2020 das Participações Especiais (petróleo), só Quissamã, entre os municípios do Norte Fluminense, vai receber o valor de R$ 1,4 milhão que será depositado amanhã. Campos dos Goytacazes e Macaé não receberão nada, assim como Carapebus, São João da Barra, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Armação de Búzios.

Cabo Frio terá direito a R$ 220 mil e Arraial do Cabo a apenas R$ 87 mil. Novamente, as maiores receitas destas parcelas trimestrais de Participações Especiais (PE) que se dá em função da produção em poços com grande volumes de extração de petróleo, serão pagas aos municípios confrontantes da Bacia de Santos e do Pré-sal. Maricá novamente tem a liderança com receita de 218 milhões, Niterói com R$ 192 milhões e Rio de Janeiro com R$ 36 milhões.

Os dados são da ANP com tabulação do superintendente de Petróleo da Prefeitura de São João da Barra, Wellington Abreu. O quadro abaixo traz as receitas dos dois últimos anos de Participações Especiais (PE), de novembro de 2018 até novembro de 2020,  que será depositada amanhã. Para ver a imagem do quadro abaixo em tamanho maior clique sobre ela.


O quadro acima reafirma mais uma vez o deslocamento dos municípios que dependem da petro-renda e da Economia dos Royalties do litoral do Norte Fluminense e da bacia de Campos para o litoral em direção ao Sul, na Bacia de Santos e Pré-sal que são aqueles de mais alta produção. 

Na região Norte Fluminense, de certa forma, apenas Macaé e São João da Barra mantiveram bases do que chamo de Economia do Petróleo que garante receitas e impostos derivados dessa cadeia produtiva. São dois municípios que possuem bases operacionais e empresas de serviços, apoio e insumos desta cadeia produtiva. 

Por isso, tanto tenho insistido para se compreender a diferença entre estes dois tipos de economias (do petróleo e dos royalties) que, embora tenha relações, produzem transformações distintas sobre o território, sobre os níveis de empregos, salário médio e receita de impostos, em especial o ISS (Imposto sobre Serviços). 

O desmonte da Petrobras em todo o Brasil e em especial no ERJ, assim como da Política de Conteúdo Local (PCL) traz também repercussões negativas para esse circuito econômico vinculado ao petróleo, mesmo que ainda represente grandes rendas para as petroleiras privadas que está ficando com os ativos que eram da Petrobras. 

Tudo isso mostra como o imobilismo das gestões municipais diante deste desmonte da Petrobras será ainda muito mais danoso para a região do que a redução das petro-rendas dos royalties do petróleo. Infelizmente, alguns dos gestores destes municípios ajudaram neste desmonte da estatal e da PCL, agradando as autoridades da ANP e da Petrobras neste período pós-golpe de 2016 político de 2016 no Brasil.

sexta-feira, novembro 06, 2020

Matrículas no ensino superior no ERJ caem 5,1% em 2019. Redução de 7,7% nas instituições privadas e crescimento de 1,7% nas instituições públicas

O número total de 516.836 matrículas em 2019 no ensino superior presencial no Estado do Rio de Janeiro (ERJ) é 5,1% inferior ao números do ano anterior de 2018. Desde o golpe de 2016 houve um freio na expansão do número total de universitários, embora o movimento de crescimento no setor público tenha continuado, por conta do impulso dos programas das universidades e institutos federais no Estado do Rio de Janeiro, planejado e executado a partir dos governos do PT.

O blog repete o que vem fazendo nos últimos anos ao divulgar os dados dos números de matrículas nas graduações presenciais nos municípios fluminenses. As informações foram produzidas a partir dos dos microdados oficiais do Inep-MEC (Instituto Nacional de Estudos Educacionais (Inep) vinculado ao Ministério da Educação). 

Os dados foram tabulados mais uma vez pelo professor José Carlos Salomão Ferreira (IFF) que há muito tempo colabora com o blog, com a extração e organização de dados referentes à evolução das matrículas no ensino superior em todos os municípios fluminenses. São dados que precisam ser desagregados da base do Inep/MEC que permitem tabulações e a criação de indicadores bastantes interessantes tanto por instituição (de natureza pública ou privada), por curso, por município e vários outros incluindo custo-aluno, etc.

Nesta postagem vamos analisar a evolução das matrículas nos municípios fluminense entre 2003 e 2019, No período de 15 anos, entre 2003 e 2018 houve uma evolução de 36% no número total de matrículas no Estado do Rio de janeiro, quando se saiu de 420 mil matrículas para 544 mil universitários no ensino superior presencial, que em 2019 já era desenvolvido em 42 (46%) dos 92 municípios fluminenses.

O dado mais significativo a ser ressaltado e analisado, enquanto política pública, é o crescimento de 124 mil matrículas entre 2003 e 2018, que se inverteu em 2019, quando se identificou uma redução de 27.891 matrículas em todo o ERJ.

Porém, vale destacar que a despeito desta redução no total de matrículas no ERJ, os resultados das instituições públicas segue positiva em 2019, em relação a 2018. Enquanto o número de matrículas nas instituições privadas caiu 30.414 matrículas, nas instituições públicas aconteceu um crescimento de 2.523 matrículas. Mesmo que o número de matrículas totais nas universidades privadas siga superior ao das instituições públicas, o crescimento de vagas nesta última é extraordinárias para esse período analisado. 

Este esforço é ainda resultado do governo federal no período Lula (1-2) e Dilma (1) que resultou na criação nas universidades públicas de mais 71 mil matrículas nos municípios fluminenses entre 2003 e 2019. Em números absolutos, as instituições públicas aumentaram de 82.057 matrículas em 2003, para 153.871 matrículas em 2019 no ERJ, com um crescimento em números relativos 86%. 

Neste mesmo período, as instituições privadas saíram de 338.432 matrículas em 2003, para 363.055 matrículas em 2019, ou seja, uma ampliação de apenas 24.623 matrículas, equivalentes a apenas 7%, doze vezes menor do que o crescimento de matrículas nas instituições públicas. Abaixo dois quadros. O primeiro mostra a evolução de matrículas por município fluminense entre 2003 e 2019 e seus percentuais. Abaixo um segundo quadro com as matrículas totais na graduação presencial no ERJ por setor público (federal, estadual e municipal) e do setor privado.

Para ver a imagem abaixo dos quadros em tamanho maior clique sobre ela.


Vale registrar que as matrículas no ensino superior nas instituições públicas (universidades e institutos) crescem ou se mantêm a despeio das crises econômicas, enquanto no setor privado o ciclo de recessão se refere imediatamente no número de matrículas, por conta da dificuldade de pagamento dos estudantes.

Além disso, vale observar que quase que apenas nas instituições públicas há investimentos e articulação (mesmo que em graus variados) às duas outras duas pernas do tripé que dá qualidade ao ensino superior, que são: a pesquisa e a extensão. No caso das instituições privadas são raros e pontuais os investimentos em projetos e programas de pesquisas e pós-graduação. Isso em todo o país e não apenas no caso do ERJ.

Outra observação a ser feita antes de apresentar a tabela é que entre 2003 e 2019 é que neste período houve uma significativa interiorização da oferta de matrículas no ensino superior, apesar da ainda enorme concentração das vagas na capital fluminense. Em 2003, um total 260 mil de 420 mil matrículas estavam na capital, equivalentes a 62%. Em 2019, a capital tinha 54% do total de matrículas em todo o ERJ. Um percentual ainda muito alto. Em 2003 eram 31 municípios com cursos superiores e em 2019, um total de 42 dos 92 municípios fluminenses possuíam cursos de graduação presenciais.


Polos de ensino superior no ERJ

Por fim, vale observar ainda 13 (treze) polos, com importância crescente no número de matrículas no Ensino Superior no ERJ. Eles estão em municípios de porte médio e se desdobram de outros polos regionais. Cinco deles reforçam o peso da quantidade vagas na Região Metropolitana do Estado aumentando a centralização já existente com as 54% das matrículas do ensino superior na capital.

Vale observar que nos últimos anos há variações nestes números de matrículas, por município devido à presença majoritária de instituições públicas de ensino superior que se mantém ou cresce ou das instituições privadas que perdem matrículas rapidamente com início de crises econômicas, como já comentado.

Região Metropolitana + Serrana
Niterói - 54.197 matrículas;
Nova Iguaçu - 24.818 matrículas;
Duque de Caxias – 16.643 matrículas;
São Gonçalo - 11.398 matrículas;
Seropédica - 10.625 matrículas;
Petrópolis – 9.918 matrículas.

Região Norte e Noroeste Fluminense + Baixadas Litorâneas
Campos dos Goytacazes - 19.037 matrículas;
Macaé - 9.398 matrículas;
Itaperuna - 8.691 matrículas;
Cabo Frio - 7.228 matrículas;

Região Sul Fluminense
Volta Redonda - 13.861 matrículas;
Resende - 6.353 matrículas;
Barra Mansa – 5.011 matrículas.

O aprofundamento da investigação destes dados permite análise em outras dimensões para além da evolução do número de matrículas ao longo dos últimos dezesseis anos.