domingo, maio 19, 2019

ANP cria ferramenta de estimativa de receita de royalties do petróleo para estados e municípios

Não é possível avaliar a qualidade da estimativa que as simulações feitas no portal da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para as receitas dos royalties do petróleo para municípios e estados brasileiros.

É uma variável que depende do valor do barril de petróleo e da cotação do dólar, além da produção nos campos e poços, onde ainda é necessário ter em conta as paradas de manutenção das plataformas que fazem a extração do petróleo.

De toda a sorte é uma ferramenta a ser utilizada pelas gestões públicas e por pesquisadores. A ferramenta trabalha com um horizonte de 5 anos, portanto faz avaliações de receitas do ano 2019 até 2024.

Num primeiro momento, se observa que a estimativa são apenas para as quotas dos royalties do petróleo pagas mensalmente, não incluindo as previsões sobre as participações especiais, pela grande produção de alguns campos de petróleo e que são pagas trimestralmente.

Segundo a ANP as estimativas são realizadas a partir com as variáveis:

1 - Volumes de produção dos poços e campos declarados pelas empresas, preços de referência do petróleo e do gás natural (U.S. Energy Information Administration – EIA);

2- Taxas de câmbio (Sistema Expectativas de Mercado – Banco Central do Brasil);

3 - Alíquotas de royalties previstas nos contratos de exploração e produção de petróleo e gás, e decisões judiciais.

A ANP informa no seu portal que "em função das incertezas inerentes a estas variáveis, não há qualquer garantia de efetivação das estimativas ao longo do período simulado". As estimativas podem ser feitas neste link do portal da ANP: http://www.anp.gov.br/royalties-e-outras-participacoes/estimativa-royalties, conforme imagem ao lado.

PS.: Atualizado às 13:29: Para acrescentar comentário de que estas previsões de receitas não incluem os valores das participações especais (PE).

sábado, maio 18, 2019

A explosividade da política de preços dos combustíveis: a quem interessa?

Esta política de internacionalização dos preços dos combustíveis implementada por Temer e Bolsonaro é explosiva por vários fatores.

Hoje, são enorme os riscos do cenário que envolve a geopolítica da energia diante dos conflitos iminentes que podem levar o barril do petróleo a US$ 90. Hoje está em torno de US$ 70. 

Isto determinaria preços de diesel e gasolina 30% ainda maiores que hoje.

O caso é ainda pior na medida que reduziram a produção de combustíveis em nosso parque de refino, conforme a primeira imagem abaixo.*

Outras imagens mostram a redução da produção de diesel no Brasil. O interesse é o de preparar a venda das refinarias da Petrobras.

A terceira imagem mostra a ampliação da importação de diesel que o Brasil passou a fazer desde o golpe em 2016. 

Aumentaram assim a dependência e a relação com os preços internacionais de combustíveis, que não é compatível para um país que produz tanto petróleo como o Brasil e tem ainda uma parte ociosa considerável em seu parque de refino.

Já a quarta imagem mostra o volume expressivo de exportação de petróleo que o país está fazendo, tendo demanda de combustíveis e quase 1/4 do parque de refino nacional ocioso.

A quinta imagem mostra o aumento absurdo do preço do diesel no país.

Essa questão é explosiva.

Os caminhoneiros já sabem disso e já estão ampliando as reações.

Resta saber quem lucrará com os conflitos que explodirão.

Eu já comentei no blog e aqui nesse espaço que quando o barril de petróleo voltar a ficar acima de US$ 100 dólares o barril, como esteve no período entre 2010 e 2014 - único na história por tempo tão extenso - esta política de preços dos combustíveis e a economia política nacional explodem juntos, porque o litro do diesel passará dos R$ 5 e da gasolina dos R$ 7. 

Estão pagando para ver algo que é tão facilmente previsível.

A conferir!

PS.: Atualizado às 08:45 de 19/05/19 para registrar os créditos das imagens/gráficos ao economista Claudio da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras).





sexta-feira, maio 17, 2019

Mais debates sobre os fundos financeiros como importante ferramenta para a mobilidade do dinheiro no capitalismo contemporâneo

Estou em São Paulo participando do 6º Seminário Internacional FinGeo, sobre "Geografia, Finanças e Desenvolvimento Desigual" que começou na 4ª feira (15/05) e segue até o final da tarde hoje (17/05), no auditório Milton Santos da USP. Veja mais detalhes aqui no portal da USP e aqui no site do evento.
6º Seminário Financeirização, Geografia e Desenvolvimento Desigual.
Mesa de abertura no auditório Milton Santos - USP.

Ontem, eu tive a oportunidade de apresentar e debater com os participantes, uma comunicação parcial de minhas pesquisas sobre "O crescente papel dos fundos financeiros e sua enorme mobilidade no espaço e entre as frações do capital no capitalismo contemporâneo".

O tema tem sido objeto de vários textos e comentários nesse espaço e no meu blog e será objeto de uma publicação que será lançada no Colóquio Espaço-Economia, que será realizado na UERJ entre os dias 10 e 12 de junho.

A rede global de financeirização (bancária e não bancária - shadow banking) precisa ser melhor entendida, assim como a seu vínculo com o circuito do valor, tanto na produção material, quanto em sua dimensão fictícia (capitalização), num movimento simultâneo em que o centro é o dinheiro e tem nos fundos financeiros, um dos principais instrumentos para a sua reprodução. Suas gestoras esse vinculam umbilicalmente ao sistema bancário, quando os bancos perceberam ter nos fundos uma excelente ferramenta com capacidade de movimentação transfronteiriça (entre o global e o local) e de menor regulação.

Os fundos financeiros, em especial desde a crise de 2008, tem sido o instrumento que melhor oferece ao capital uma "hipermobilidade", num movimento e numa trajetória "helicoidal" de acumulação infindável (Harvey), em torno de um um único eixo que é o dinheiro (finanças), em novo e perigoso patamar no capitalismo contemporâneo, que segue esgarçando os limites do regime, entre ciclos e crises, envolvendo diferentes setores e consumindo a frágil democracia representativa ocidental.

terça-feira, maio 14, 2019

Quando a escravidão e as milícias se encontram no desgoverno Bolsonaro

O jornal Valor traz aqui a matéria que o desgoverno Bolsonaro anunciou a redução de 90% das normas de segurança do trabalho no Brasil.

O Brasil de Bolsonaro segue seu destino de levar o Brasil de volta para a escravidão e na direção da barbárie, porque a civilização que exige condições mínimas de trabalho, é vista também como empecilho aos ganhos desta forma, imorais.

O trabalhador é visto sempre como problema e nunca como parte do sistema.

As normas de segurança e saúde no trabalho possuem problemas, mas são a garantia mínima de defesa da saúde e da vida do trabalhador que produz a riqueza.

Tem-se aí um governo dos ricos e para os ricos que não se incomoda de dizer a quem serve. E o acinte é ainda maior porque esse anúncio veio no dia 13 de maio, data simbólica do fim da escravidão no Brasil, há 131 anos, tempo a qual o país está sendo levado.

Enquanto isso, fica-se sabendo que a negociata de Moro libera as milícias.

Milícia para controle das cidades e escravos para enriquecer os donos dos dinheiros.

Esse desmonte da nação tem limites e será de alguma forma barrado.

sábado, maio 11, 2019

Gestoras de fundos financeiros ameaçam e querem sugar até a última gota da renda do trabalho

Os bancos controlam a maioria das gestoras dos fundos financeiros e pretendem sugar até a última gota da renda do trabalho, por isso fazem ameaças. (Vide aqui matéria do Globo Online)

O BTG Pactual é atualmente, a 6ª maior gestora de fundos financeiros no Brasil, onde controla um volume de ativos de US$ 97 bilhões.

A relação dos financeiros no Brasil com os fundos globais fica clara nesta reportagem. 

Mais detalhes e análises sobre como esse instrumento do setor financeiro ganhou potência e mobilidade na última década, poderão ser vistos na publicação "A ´indústria´ dos fundos financeiros´: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo", que estará sendo lançado daqui a um mês.

terça-feira, maio 07, 2019

Geopolítica da "reeletrificação" e as transformações no território

Estou em Évora, Portugal participando do V Simpósio sobre história de eletrificação que tem o tema: "Eletricidade, Cidades e Quotidianos". Aqui apresentei a comunicação “A geopolítica da ´reeletrificação´ e as transformações territoriais”.

Apresentação no Simpósio em Évora em 6 maio de 2019.  
No evento, embora mais ligado à história, eu procurei olhar o passado com o viés da retrospectiva e de cenários e prospecções sobre hipóteses sobre o futuro.

No dia 17 de março quando ainda escrevia sobre essa comunicação para esse simpósio de Évora, eu escrevi nesse espaço o texto "A “era pós-petróleo”, a “reeletrificação”, os ciclos históricos e o potencial do Brasil no sistema-mundo" que pode ser lido aqui neste link do blog.

Assim, eu sustentei a hipótese de que um século depois se vive um processo de “neoeletrificação” onde as energias renováveis e o gás natural como fontes primárias alimentam o uso da eletricidade para o consumo industrial, pessoal, serviços e agora cada vez mais, nos transportes.

A “reeletrificação” representa um processo com continuidades e descontinuidades, em relação à aquele quando do início da eletrificação no mundo, que ajudou a constituir circuitos econômicos e produziu as aglomerações urbanas e a metropolização como conhecemos.

A neoeletrificação se dá em novas bases, onde junto da intensificação do uso da eletricidade se tem a digitalização e uma sociedade mais complexa no capitalismo contemporâneo.

O capital se ajusta e busca se reorganizar nesta nova fração, onde buscará mais acumulações em outras atividades que usam o territórios com investimentos em novas tecnologias, equipamentos e redes.

Estratégias de reprodução no capitalismo contemporâneo a partir das frações.
Elaboração do autor. Arte: Maycon Aguiar.
Novas estratégias de reprodução e acumulação no capitalismo são desenvolvidas num movimento entre as frações do capital como mostra a figura ao lado que consta do texto. Tem-se aí a junção da produção de valor e o uso de novos circuitos espaciais de produção que se movimenta entre os setores econômicos, nesse caso vinculado à energia.

A descarbonização com menor uso do petróleo será gradual e passará pelo combustível de transição, o gás natural, que hoje é transportado cada vez mais, de forma líquida (LNG), através de navios e não apenas de dutos e desemboca também na geração de eletricidades para o consumo de energia.

Até 2040, a previsão ainda é de maior produção e consumo de petróleo, que paulatinamente deixará de ser usado como combustível para o transporte que passará gradualmente para a eletricidade e o combustível fóssil passará para os petroquímicos e fertilizantes para a produção de alimentos entre outros produtos.

Ao mesmo tempo que se discute a “reeletrificação”, o mundo ainda possui 1/6 da população do planeta (1,2 bilhão de pessoas) sem acesso à eletricidade, onde se observa mais uma das contradições do capitalismo e um desenvolvimento desigual e combinado.

Enfim, um debate sobre hipóteses a respeito da gradual migração energética com a ampliação do peso da eletricidade na produção material e na transformação da vida urbana e social, quando a superação do capitalismo enquanto regime, continua sendo uma utopia a ser perseguida.

Os militares e a conjuntura política no Brasil

Os militares não se deram ao respeito que sua instituição merecia.

Agiram de forma oportunista e comprometeram a instituição que tem função de estado e não de governo.

Namoraram o fascismo e abraçaram o neoliberalismo entreguista, abandonando a ideia de um projeto de nação, em meio à globalização e à  vida numa sociedade complexa e na maioria das vezes contraditória e desigual.

O retorno à situação anterior - com ou sem autocrítica - não será fácil, se tornou não apenas possível, mas necessário.

Desconhecer essa realidade aprofundará não apenas a crise política e econômica, mas ampliará os riscos do descontrole.

A saída é a retomada da democracia e afastamento da aposta da "não política".

O Brasil precisa retomar seu caminho.

quarta-feira, maio 01, 2019

1 milhão de trabalhadores brasileiros que atuam na "economia do compartilhamento" podem ser vistos como escravos que alimentam o rentismo dos fundos financeiros

O dia do Trabalhador é simbólico para a reflexão sobre a renda do trabalho no capitalismo contemporâneo. A mídia brasileira divulgou no último dia 28 de abril que 4 milhões de trabalhadores "autônomos" atuavam no Uber, iFood e outros aplicativos gerenciados do exterior. (Veja aqui

Se um total de 4 milhões de brasileiros obtém renda a partir do trabalho nessas plataformas da chamada de "economia do compartilhamento", é possível então interpretar que "1 milhão de trabalhadores" brasileiros estão se esforçando para produzir renda para os donos dos dinheiros.

Sim, porque a cobrança pelo uso das plataformas se dá no percentual em torno de 25% do valor de toda a renda auferida com o seu trabalho. Um quarto de toda a renda apenas pelo uso das plataformas. todo o restante é bancado pelo trabalhador: carro, combustível, licenciamento, multas, manutenção, seguro, etc.). 

Se for retirado esse custo não seria demais dizer que o trabalhador chamado de autônomo estaria quase dividindo a renda do seu trabalho com os donos dessas plataformas. Nessa conta, poderíamos dizer que ao invés de 1 milhão, seriam 2 milhões dos 4 milhões de trabalhadores dessas plataformas gerando renda para os rentistas que controlam a economia do compartilhamento.  

Imaginem, é como se um 1 milhão de trabalhadores (25% de 4 milhões) fossem escravos a serviço dos donos dos dinheiros (ou do capital).

Isso é o que eu tenho interpretado c omo sendo uma "renda derivada" que vai alimentar o "rentismo" do setor financeiro e dos fundos globais.

A Uber que nasceu em 2009, em 2017 já estava presente em 450 cidades do mundo, quando já tinha sido capitalizada com US$ 70 bi dos fundos financeiros globais que agora capturam os excedentes das economias locais/nacionais.

Dessa forma, os fundos financeiros aspiram a renda originária do trabalho e movimentava as economias locais e que assim alimenta o rentismo da mercadoria dinheiro do capitalismo financeiro atual.

Portanto, ao contrário do que imagina, é algo que vai além da disputa entre taxistas e jovens sem emprego.

Outras plataformas digitais dessa economia do compartilhamento faz o mesmo, só que nesse caso se apoderando de outra renda, a do aluguel da propriedade que também alimenta o rentismo. 

Porém, a primeira é mais perniciosa porque se apropria de um quarto da renda do trabalho, enquanto a do aluguel é renda dos proprietários e da disputa com redes de hotéis também controlada em boa parte pelos fundos financeiros.

Investigar o rentismo é ir além da ideia dos juros bancários e compreender as rendas derivadas e de quem elas alimentam.

Na publicação que lançaremos em breve sobre a "indústria dos fundos financeiros" nós avançamos nessa análise e na interpretação de seus movimentos no capitalismo contemporâneo.