terça-feira, maio 12, 2015

A China e o investimentos chineses novamente no horizonte do Açu: o que está por trás!

Novamente a China parece se colocar no horizonte de esperanças de novas dinâmicas econômicas que envolvem nossa região. Em julho de 2009, o ex-governador Cabral, o empresário Eike Batista estiveram na China e de lá vieram com a promessa de instalação de uma siderúrgica no Açu.

Ontem e hoje informações várias percorreram as mídias comerciais e as redes sociais sobre os investimentos que os chineses pretendem fazer na economia brasileira.

Sérgio Leo jornalista do Valor que tem laços com a região informou ontem, em sua coluna, que o volume de investimentos dos chineses no Brasil podem chegar a US$ 53 bilhões.

Eles devem ser o motivo de diversas matérias, na semana que vem, quando o primeiro-ministro chinês Li Keqiang desembarcar no Brasil. Energia e infraestrutura são os dois principais focos.

Na infraestrutura a logística seria o carro chefe, entre eles os de ferrovia. Dois dos projetos ferroviários que o Brasil pensa ter a China como parceiro interessam ao Açu e ao Norte Fluminense.

Ferrovia Vitória-Rio
Um é o trecho da ferrovia que liga Vitória ao Rio (ligando os portos de Vitória, Central em Pres. Kennedy, ES, Açu, RJ e Itaguaí, passando ainda por Macaé e pelo Comperj em Itaboraí - imagem ao lado) e o outro o que ligaria o Açu até o Centro-Oeste podendo se conectar com o projeto bioceânico ligando o Atlântico ao Pacífico, no Peru. (Imagem abaixo)

Um trecho ou todo é o sonho da Prumo para oferecer intermodalidade ao projeto portuário e assim, criar utras possibilidades de movimentação de cargas, hoje ligado à exportação de minério e o outro ao apoio portuário às atividades de exploração offshore em nosso litoral.

O investimento chinês neste(s) projetos certamente só se darão se houver conectividade com outros que a China tenha interesse, ligado à energia, ou à movimentação local de commodities minerais e/ou agrícolas que tenha a China como destino. Assim, o produto que chegaria à Ásia, poderia ser pego na origem (no Brasil) ficando o frete por sua conta, agregando valor a um consumo que interessa aos chineses.

Nessa linha não é difícil compreender que a discussão com outras cadeias de valor e de produção serão determinantes. Além disso, não se deve esquecer que dificilmente, a China tocará dois projetos com intenções similares e caros, simultaneamente.

Refiro ao projeto de construção de um canal artificial na Nicarágua para também ligar os oceanos Atlântico ao Pacífico. Ambos os projetos são orçados para além de R$ 15 bilhões. Se um sair, o outro terá que esperar mais um longo tempo, segundo avaliação deste blog.

Como se vê há ainda muitas negociações e interesses a serem discutidos antes dessa decisão.

Outro assunto que ainda não foi amplamente ventilado é a da instalação de uma montadora de carros no Açu. O próprio presidente da holding Prumo Logística Global S.A. em entrevista recente em O Dia, que este blog republicou aqui, no dia, 4 de maio, falou que no horizonte de negociações, segundo fontes do blog, trata-se da montadora chinesa JAC,

No entanto, é bom explicar que assim como outros grandes investimentos privados, as empresas e seus controladores costumam fazer uma disputa pela localização, no sentido de obter vantagens e financiamentos em troca de empregos e prestígio para o gestor no cargo. O geógrafo Milton Santos chama a esse fenômeno de "Guerra de lugares", ou "Guerra de localização", segundo outro geógrafo, não menos conhecido David Harvey.

A JAC está em negociações há tempo com o estado da Bahia. Já recebeu até da Prefeitura da cidade de Camaçari um terreno terraplanado para o investimento visando implantar uma montadora de automóveis, com investimentos que a empresa diz ser de cerca de R$ 1 bilhão para fábrica da JAC, em parceria com o grupo brasileiro SHC e que teria o apoio do governo baiano.

O projeto da JAC Motors prevê um investimento de R$ 1 bilhão para uma produção anual de 100 mil veículos, que teria, segundo a empresa, 3.500 empregos diretos numa primeira fase. Durante as obras fala-se em até 10 mil empregos entre diretos e indiretos.

A fábrica estava prevista para ser inaugurada agora em 2015, agora diz-se que terá sua construção iniciada só no ano que vem, 2016. As obras foram suspensas por conta da análise técnica da agência de fomento estadual - Desenbahia - para um valor de R$ 120 milhões. Segundo informações haveria atualmente, desentendimento entre setores do governo baiano sobre a validade sobre este empréstimo.
Projeto da JAC no município de Camaçari, BA.

Os recursos de R$ 120 milhões da Desenbahia seriam usados nas obras civis e tornaria o governo baiano sócio minoritários. O projeto chegou a ser aprovado no início do segundo semestre do ano passado, mas depois reavaliado.

Assim, desta forma, o que estaria sendo tentado agora seria trocar o lugar da Bahia, e o Polo Industrial de Camaçari, pelo, estado do Rio de Janeiro, Porto do Açu, Distrito Industrial de São João da Barra. O negócio seria o mesmo: dar o local, isenções parciais ou total de alguns imposto se ainda obter do governo estadual um apoio para viabilizar as obras civis. 

Se o objetivo não for conseguido aqui no ERJ, a pressão da perda de um investimento que a Bahia dava como certo, poderia ser reconquistado com a liberação do financiamento do Desenbahia, já nessa altura, não mais por pressão da empresa, mas pela municipalidade local.

Esse é um processo nocivo às cidades e as regiões. É inconcebível que essa disputa seja com a guerra fiscal (impostos) seja por outros benefícios para a capitalização de um empreendimento, retirando recursos de investimentos públicos a favor do cidadão.

Enfim, esta nota tem a função não apenas de informar, mas também de mostrar como mitas vezes o crescimento econômico é pensado e confundido com o Desenvolvimento que pressupõe, ou deveria pressupor outras estratégias. 

Nesta concepção a apoio a uma dinâmica econômica e geração de empregos, não pode vir em detrimento de outras e com vantagens a quem não deveria precisar do dinheiro do Estado para obter lucros na produção material de seus produtos.

A conferir!

PS.: Atualizado às 23:36: Abaixo o infográfico da Ferrovia Transoceânica ou Bioceânica (como outros preferem chamar), publicado nesta terça (12/05), na Folha de São Paulo. Na mesma matéria (aqui) se fala num custo estimado em R$ 30 bilhões. No texto acima falamos em R$ 15 bilhões:


3 comentários:

Silvia Pinheiro disse...

A preocupaçao por obvio não são os investimentos e nem a logistica férrea que se pretende criar, mas a permanente negação em se avaliar o projeto de forma ampla quando o aumento das exportaçoes de minério e de reservas para o pais, deve necessariamente estar conjugado aos prejuizos materiais socioambientais causados, o que representa valor, como se fossem interesses incompatíveis. O incompatível é maximização de lucros em detrimento de respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Roberto Moraes disse...

Sim Silvia,

É inaceitável que essas corporações transnacionais e plurissocietárias façam aqui e operem de uma forma que não fazem em suas matrizes.

Doralice Maria disse...

Potencializando a pertinente preocupação , registro que a cidade sede - sjb , embora tenha votado recentemente sua revisão do PDM , este , pouco contribui no capítulo do desenvolvimento econômico entre outros ,para uma visão estratégica que defina condicionantes sócio ambientais ( embora o INEA faça seu trabalho ) cabe também ao município contribuir com essas condicionantes , sendo ele quem mais conhece seus gargalos e carências .
A expectativa é grande e sem a devida "vontade Pokitica" e competente planejamento extategico Local e regional , podemos anunciar ....A "nova Macae"