sexta-feira, maio 16, 2014

OSX em recuperação judicial muda estratégia tentando salvar estaleiro no Açu

A decisão foi formalizada hoje à tarde quando a empresa apresentou seu plano de recuperação judicial. Muitos ainda não sabem, mas, a empresa OSX é dividida em três unidades de negócios: leasing, construção naval e serviços operacionais.

Assim, hoje se confirmou que a OSX vai adiar a implantação a Unidade de Construção Naval (UCN), junto ao Porto do Açu em São João da Barra. O novo planejamento prevê que a OSX ocupe toda a área que aluga da Prumo (ex-LLX) de 3,2 milhões de metros quadrados, dos quais, apenas 0,6 milhões de m² estão com construções inciadas.
Terminal 2 - Do lado esquerdo as empresas Technip, Nov, Intermoor e
Wartsila. Do lado direito, a empresa BP de abastecimento de embarcações,
o Consórcio Integra e a área antes toda para a UCN. Agora, com o plano de
recuperação judicial esta área deve ser em parte também
destinada empresas de apoio offshore
A OSX planeja que o arrendamento integral desta área para empresas que prestam trabalhos de apoio offshore, como já acontece com outras empresas que estão se instalando junto ao canal, onde está o Terminal 2, como a Technip, Nov, Intermoor e Wartsila. Pelo plano a ideia é que isto se efetive até o terceiro trimestre de 2018.

A OSX estima utilizar os recursos obtidos com o arrendamento destas áreas que seriam da Unidade de Construção Naval (UCN) Açu para o pagamento dos credores e manutenção das operações do grupo OSX. É com estas parcerias que a empresa imagina retomar as obras e montagens necessárias para complementar o estaleiro no Açu.

A OSX entende que a possibilidade de atrair interessados para o desenvolvimento da UCN Açu, é indispensável a manutenção do contrato de financiamento obtido junto à Caixa Econômica Federal, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), sob os termos e condições atualmente vigentes. Para isto, o grupo está negociando com a Caixa a manutenção do contrato.

Ainda sobre as dívidas da OSX, ontem, a empresa espanhola Acciona conseguiu junto ao Tribunal de Haia na Holanda, uma decisão favorável ao arresto de ações da OSX. Com esta nova situação, a Acciona, que ainda atua em obras e serviços no Açu, melhorou sua posição de prioridade para receber os créditos, saindo de credora Classe III, sem garantias, para Classe II, com garantias, diante deste processo de recuperação judicial.


Os fatos acima descritos mostram que a possibilidade de retomada da construção naval junto ao Porto do Açu está adiada, para pelo menos daqui a quatro anos. 

Não é ainda possível analisar que consequências esta decisão pode ter junto às atividades do Consórcio Integra de montagens de módulos de plataformas em que anda em ritmo bastante lento no Açu. 
Entrada do canal do Terminal 2 - Localização da montagem
de módulos de plataforma pelo Consórcio Integra

O Consórcio Integra é constituído da Mendes Junior e da OSX e atende encomendas da Sete Brasil. Consta que a OSX não tem cumprido sua parte na parceria. O consórcio Integra executa seus trabalhos em área na entrada do canal do Terminal 2 do Porto do Açu.

Os fatos que seguem aos desdobramentos da crise do grupo EBX, tornam o projeto do Açu, para além da exportação de minério de ferro através do Terminal 1, pelo Sistema Minas-Rio, controlado pela empresa Anglo American, um projeto basicamente de apoio às atividades de operação offshore de petróleo no litoral. 

Outros projetos portuários similares se organizam e se instituem na região, ao norte e ao sul do Açu, com objetivos bem similares e com a perspectiva, segundo anunciam de fazer o mesmo, porém a custos operacionais menores que poderiam torná-los mais competitivos, segundo as demandas e necessidades destes operadores. Continuamos conferindo o desenrolar deste processo.

PS.: Atualizado às 00:24: A OSX tem dívidas de cerca de R$ 4,5 bilhões englobando suas três unidades de negócio. Eike tem tinha 66,02% da holding OSX em 30 de abril de 2014. A lista de credores inclui além da espanhola Acciona, o Banco Votorantim, Caixa Econômica Federal e a ítalo-argentina Techint. O prazo de pagamento total para os grandes credores chegam até a 25 anos.
Fontes: Valor Online e Estadão Online.

2 comentários:

Sayuri Matsuo disse...

Tenho lido muitos artigos sobre processo de recuperação judicial e tenho acompanhado de perto o caso de meu colega. Trabalhar com um bom escritório de advocacia e profissionais qualificados é essencial para um caso como este. A Felsberg tem sido exemplo para meu colega. http://www.felsberg.com.br/areas-de-atuacao/insolvencia

Roberto Moraes disse...

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