quarta-feira, abril 23, 2014

terça-feira, abril 22, 2014

"As UPPs podem se revelar apenas como um Cavalo de Tróia"


O professor Jorge Barbosa da UFF é mais que um antigo e prestigiado estudioso das comunidades de baixa renda na cidade do Rio de Janeiro. Barbosa desenvolve projetos nas favelas do Complexo da Maré há vários anos, por tudo isto é uma voz que merece ser considerada na questão sobre as UPPs e a chamada "Pacificação do Território".


Neste ótimo e conciso texto publicado abaixo, o professor Jorge Luiz Barbosa fala das virtudes e dos riscos das UPPs. Ele sai do debate pobre, pelo seu conteúdo maniqueísta, de ser contra ou a favor, quando a análise sobre esta política pública que consome uma enorme quantidade de recursos públicos e mexe com a vida de milhões de pessoas, merece ser melhor analisada.

Barbosa, vê positividade na presença do Estado, em meio aos erros grosseiros na relação com as comunidades.Porém, diante de interesses, especialmente do setor imobiliário e rentista, na sua avaliação as UPPS podem se revelar como o “Cavalo de Troia”.

Por tudo isto, seu artigo resumido abaixo será motivo de exposição e debates mais profundos no Seminário de Geocrítica, que acontecerá de 5 a 10 de maio próximo, na Universidade de Barcelona, Espanha:

"As favelas após a “pacificação do território”: desafios à democratização da cidade"
5 abril, 2014 por Jorge Luiz Barbosa

"As fave­las são reco­rren­te­mente repre­sen­ta­das de maneira banal, sobre­tudo a par­tir de defi­nições que levam ape­nas em conta as suas carên­cias: a irre­gu­la­ri­dade fun­diá­ria e urba­nís­tica; a ocu­pação de sítios sujei­tos a “ris­cos ambien­tais”; a alta den­si­dade dos assen­ta­men­tos com­bi­nado à pre­ca­rie­dade das habi­tações; além da insu­fi­ciên­cia dos ser­viços públi­cos bási­cos, prin­ci­pal­mente os de sanea­mento, de edu­cação e de saúde. Entre­tanto, é somente a par­tir da década de 1980 que outro ele­mento passa a ser somado aos este­reó­ti­pos que bana­li­zam as repre­sen­tações das fave­las: o estigma da vio­lên­cia criminal.

A esca­lada da vio­lên­cia cri­mi­nal em comu­ni­da­des popu­la­res deve-se, sobre­tudo, a inca­pa­ci­dade do Estado em garan­tir a sua pre­se­nça per­ma­nente e sobe­rana nas fave­las, per­mi­tindo que gru­pos arma­dos cons­truís­sem um pro­cesso auto­ri­tá­rio de regu­lação do terri­tó­rio e afir­mas­sem o emprego da vio­lên­cia como seu ins­tru­mento de poder.

Por outro lado, as forças poli­ciais reagi­ram com um beli­cismo cres­cente à expan­são do domí­nio das facções cri­mi­no­sas na cidade. Os homi­cí­dios mais que tri­pli­ca­ram (eram 15 mil há 30 atrás, atual­mente são 50 mil), a corru­pção poli­cial se tor­nou comum, o uso de armas de alto cali­bre se difun­diu, a sen­sação de inse­gu­ra­nça na cidade cres­ceu des­me­su­ra­da­mente, assim como as situações de vio­lên­cia con­tra os mora­do­res de fave­las. Por fim, a mili­ta­ri­zação do enfren­ta­mento ao trá­fico de dro­gas aca­bou por con­tri­buir, con­tra­di­to­ria­mente, para con­so­li­dar o con­trole terri­to­rial de gru­pos cri­mi­no­sos nas favelas.
Santa Marta. A pri­meira favela a rece­ber uma
Uni­dade de Polí­cia Paci­fi­ca­dora (Foto de Ratão Diniz)

O extremo da desas­trosa polí­tica de “com­bate às dro­gas” foi a inva­são da Favela do Ale­mão, em junho de 2007. Nesta ação poli­cial foram mor­tas 19 pes­soas, além de deze­nas de feri­dos e diver­sas vio­lações de direi­tos. Depois do fra­casso evi­den­ciado, o governo esta­dual criou, no segundo semes­tre de 2008, as Uni­da­des de Polí­cia Paci­fi­ca­dor para a ocu­pação de fave­las loca­li­za­das em pon­tos estra­té­gi­cos de cir­cu­lação e bai­rros eco­no­mi­ca­mente valo­ri­za­dos na cidade[1].

A UPP é, na ver­dade, a expres­são da ordem esta­tal sob o pri­mado do poder poli­cial, cuja ori­gem remonta às expe­riên­cias de com­bate ao crime orga­ni­zado em Mede­llín (Colôm­bia) e Bos­ton (EUA). Pas­sa­dos cinco anos, há o sen­ti­mento de que a paz se faz pre­sente, tendo em vista a redução dos con­fron­tos que a pró­pria polí­cia ali­men­tava e da disputa terri­to­rial entre facções cri­mi­no­sas rivais. De fato, a ocu­pação poli­cial per­mi­tiu aos mora­do­res das fave­las o acesso a direi­tos fun­da­men­tais em seu coti­diano: a segu­ra­nça de que não terão as suas resi­dên­cias inva­di­das pela vio­lên­cia e sua vida regu­lada pelo poder auto­ri­tá­rio de criminosos.

São diver­sas as crí­ti­cas por parte de movi­men­tos sociais e comu­ni­tá­rios à “paci­fi­cação” das fave­las, sobre­tudo em função do rela­cio­na­mento dos poli­ciais com os mora­do­res – em espe­cial os jovens – no que diz res­peito às abor­da­gens cons­tran­ge­do­ras e inti­mi­da­do­ras, no limite, vio­len­ta­mente arbi­trá­rias (vide o caso de Ama­rildo na Rocinha), além das ati­tu­des auto­ri­tá­rias de regu­lação do terri­tó­rio (proibição da rea­li­zação de bai­les e fes­tas, nota­da­mente vin­cu­la­das ao funk e ao hip-hop).

Mesmo con­si­de­rando os con­fli­tos ori­gi­na­dos com a implan­tação das Uni­da­des Paci­fi­ca­do­ras, acre­di­ta­mos que a estra­té­gia de poli­cia­mento comu­ni­tá­rio, com a pre­se­nça per­ma­nente no terri­tó­rio, é um dos camin­hos pos­sí­veis de super­ação da crise de segu­ra­nça na cidade. Para tanto, se faz neces­sá­rio recon­he­cer a legi­ti­mi­dade das fave­las como espaços espe­cí­fi­cos de cons­ti­tuição do Rio de Janeiro, se real­mente deseja­mos uma polí­tica demo­crá­tica de segu­ra­nça urbana.

A ques­tão advém do fato de as UPP’s terem sido ins­ta­la­das, em geral, em comu­ni­da­des loca­li­za­das em bai­rros mais valo­ri­za­dos pelo capi­tal imo­bi­liá­rio. Jus­ta­mente o setor empre­sa­rial que menos ava­nçou sobre as fave­las, sobre­tudo em função das con­dições fun­diá­rias e pela pre­se­nça osten­siva dos tra­fi­can­tes. Sem esses limi­tes as fave­las se tor­na­riam aber­tas à logica mer­can­til, abso­lu­ta­mente inter­es­sada na frag­men­tação do espaço urbano como mer­ca­do­ria de dis­ti­nção social.

Diante deste qua­dro, se o poder público não recon­he­cer as fave­las como espaço cole­tivo de morada e não garan­tir a sua legí­tima pre­se­nça na cidade, a UPP se reve­lará como o “Cavalo de Troia” da espe­cu­lação imo­bi­liá­ria, espe­cial­mente nos bai­rros mais aquin­hoa­dos de inves­ti­men­tos públi­cos e privados.

Assim sendo, a “paci­fi­cação do terri­tó­rio” con­se­guirá des­truir o que o Estado e capi­tal imo­bi­liá­rio jamais con­se­gui­ram: a riqueza das expe­riên­cias dife­ren­cia­das de se viver a cidade. Em tais con­dições, cer­ta­mente vive­re­mos em uma cidade ainda mais mar­cada pela segre­gação espa­cial, pela frag­men­tação social e pela dis­ti­nção terri­to­rial de direitos.

A muda­nça de cená­rio exige a cons­trução de polí­ti­cas públi­cas inte­gra­das de super­ação das desigual­da­des sociais asso­cia­das a polí­ti­cas terri­to­riais de per­ma­nên­cia qua­li­fi­cada das comu­ni­da­des popu­la­res. Nesse sen­tido, cabe às orga­ni­zações da socie­dade civil e aos mora­do­res das comu­ni­da­des popu­la­res se afir­ma­rem como ato­res polí­ti­cos de uma agenda de direi­tos à Cidade.

Para maio­res informações:

SILVA, J. S. BARBOSA, J. L. FAUSTINI, M. V. O Novo Carioca. Rio de Janeiro: Mórula, 2012.

SILVA, J. S. BARBOSA, J. L. O Futuro das Comu­ni­da­des Popu­la­res após a UPP: por ruma agenda repu­bli­cana de direi­tos. Revista Pen­sar Verde. Nº10. Fun­dação Verde Her­bert Daniel: Bra­sí­lia, 2014. [http://issuu.com/pensarverde/docs/pensarverde10]

Jorge Luiz Bar­bosa é Pro­fes­sor Asso­ciado do Depar­ta­mento de Geo­gra­fia da Uni­ver­si­dade Fede­ral Flu­mi­nense e Dire­tor do Obser­va­tó­rio de Fave­las do Rio de Janeiro.

Jaíl­son de Souza e Silva é Pro­fes­sor Asso­ciado da Facul­dade de Edu­cação da Uni­ver­si­dade Fede­ral Flu­mi­nense e Dire­tor do Obser­va­tó­rio de Fave­las do Rio de Janeiro.

[1]A pri­meira delas foi loca­li­zada na Favela Santa Marta, em Bota­fogo, pos­te­rior­mente em outras fave­las da Zona Sul: Taba­ja­ras, Cabri­tos; Cha­péu Man­gueira; Babi­lô­nia; Can­ta­galo; Pavão-Pavãozinho. A favela do Batan e a Cidade de Deus na Zona Oeste foram exceções em ter­mos da loca­li­zação . Em junho de 2010, a expan­são das UUPs che­gou à Grande Tijuca: Borel; For­miga; Chá­cara do Céu; Turano; Sal­gueiro e Andaraí."

Debate ao vivo sobre a aprovação do Marco Civil da internet no Senado

Veja ao vivo debate sobre a aprovação do Marco Civil da Internet no Senado. É uma transmissão da revista Forum com blogueiros, especialistas no assunto e parlamentares:




 PS.: Atualizado às 00:20 de 23/04/2014: A publicação original desta transmissão ocorreu às 23:34, mas, para voltar o tema das UPPs tratada na nota anterior com um artigo do professor Jorge Barbosa nós a retrocedemos no horário da postagem para 21:16. Esta informação tem o objetivo de permitir que os leitores-colaboradores tenham conhecimento sobre qualquer movimentação e atualização feita pelo blog.

Pobreza e riqueza na América Latina. Sua realidade vira referência para a Ásia

Muito se fala sobre as economias dos países da nossa América Latina, porém é comum esquecer de mostrar alguns e significativos avanços. Um deles é a realidade da distribuição de renda no continente.

Observem o gráfico abaixo produzido pela conhecida Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) que mostra a relação entre PIB e linha de pobreza no período de 1978 a 2012.

Ainda há muito o que caminhar, mas, é preciso reconhecer os caminhos trilhados, sob pena de se inverter a direção do futuro.




























Não é preciso ser economista e nem grande estudioso para identificar o que vem ocorrendo com estados-nação da América Latina.

Aliás, há que se desconfiar que reclamam exatamente disto, da redução pobreza, ainda que pequena, necessitando ser ampliada. Porém, há quem defenda o contrário pressionando a economia e a política para voltar a ampliar a a riqueza dos mesmos, sob o argumento de que ela seria a única forma de ter recursos para investir, mesmo que para usufruto de poucos.

Nesta linha, vale ler a matéria do jornal Valor, no último dia 2 de abril de 2014, dos jornalistas Fabio Murukawa e Pedro Cafardo, apresentam uma esclarecedora entrevista com o secretário-geral da Cepal, Antonio Prado.

Prado faz uma radiografia do continente, a partir de suas maires nações. De forma especial mostra as limitações de alguns países, mas, aponta a integração econômica regional, com a possibilidade de trazer complementariedades às nações, como uma saída para reduzir as vulnerabilidades e a dependência externa.

A reportagem mostra também que na América Latina, o México e o Chile, apresentados sempre, como exemplos de estados eficientes, estão no limbo pela incapacidade do estado de fazer investimentos públicos, e assim ficam mais vulneráveis externamente.

O Chile depende da exportação de cobre, responsável por 40% de sua arrecadação fiscal. Além disso, depende de outros países para a geração de energia elétrica. 

O México tem carga tributária baixa para atrair alguns investidores do vizinho EUA e por conta disso, tem imensas dificuldades em elaborar políticas públicas de inclusão social, de educação segurança pública entre outros.

A entrevista pode ser visualizada na íntegra aqui (já que no site do Valor ela só é acessada por assinantes).

Coincidência ou não, o jornal americano The Wall Street Journal produziu na última quinta-feira (veja aqui na versão em português do jornal) uma matéria cujo título foi "Lições das economias da América Latina para a Europa".

Interessante que o item mais citado é a necessidade de ampliar impostos e gastos sociais para reduzir as desigualdades. É bom observar que isto é o inverso do receituário econômico que você lê, ouve e vê todos os dias no discurso único da mídia comercial brasileira.

Por tudo isto, nem que seja para refletir e sair do debate sobre pessoas, entrando no campo do debate argumentativo e de conteúdo, não apenas técnico, mas, sobretudo, político é que vale conferir ambas as entrevistas.
























Nesta linha, não se pode deixar de tratar, mesmo que de forma rápida, mas a título de possíveis aprofundamentos, de duas questões:

1) Todos, ou praticamente, enxergam no Estado a solução dos problemas de inclusão social ou da redução das desigualdades. Porém, as resistências para se criar condições para estas desejáveis (pelo
menos na retórica) soluções vem sempre de quem terá que desembolsar os impostos sobre a produção, a propriedade, ou sobre os investimentos financeiros.

2) Por mais que sejam difundidas as soluções dos impostos e de suas aplicações no campo social, há quem veja neste artifício (por mais que ele produza resultados para sair da miséria, mas, discutivelmente, para ir além) uma forma dos próprios capitais financeiros (com apoio dos estados-nação) em capturar os excedentes da economia. Estes agora circulam através de uma massa maior de pessoas.

Assim, eles também reduzem as pressões sociais, trazendo mais pessoas para o consumo, e o que o capital gosta, a um custo relativamente baixo para o Estado, considerando os absurdos valores exigidos, a partir da intensificação das inovações tecnológicas, para gerar emprego (ou posto de trabalho). Sobre o caso veja postagem feita aqui pelo blog (em 16-04-2014) sobre o custo de R$ 1,3 milhão que a Audi tem em sua nova fábrica em Resende, RJ.
PS.: Atualizado às 20:11: para algumas pequenas correções.

segunda-feira, abril 21, 2014

Construção do Porto do Açu: problemas estruturais, demissões e chegada de novo equipamento

A empresa espanhola FCC depois de demitir um bom contingente, estimado em cerca de cem trabalhadores, avalia novas demissões nas obras de construção do Porto do Açu, norte do Rio de Janeiro. O blog deu um nota sobre o assunto aqui no dia 15 de abril de 2014.

A nota acabou respondida pela Assessoria de Imprensa da Prumo por email, após indagação do blogueiro. A resposta informava que havia feito contato com a assessoria de imprensa da LLX Minas-Rio, considerando que esta empresa que possui o contrato com a FCC, e que esta empresa respondeu que não iria comentar o assunto.

Na oportunidade o blog também voltou a indagar pedindo que a Assessoria de Imprensa da Prumo confirmasse a informação de que o contrato com a empresa FCC, para fazer as obras do quebra-mar e píeres, não era com a Prumo (ex-LLX) e sim com a mineradora Anglo American.

Além disso, o blog também indagou sobre informações obtidas em suas fontes que o pessoal de engenharia da Prumo e FCC estariam com problemas com o quebra-mar do Terminal 2 ou sul (ex-TX-2).

O problema seria que a força da saída da água do canal, quando da maré é baixa no mar, estaria deslocando pedras do quebra-mar e desmoronamentos. O problema estaria aumentando. Foi perguntado sobre o que estaria sendo feito para conter o problema?

O blog não recebeu resposta sobre estas duas indagações.

Nesta segunda-feira (21/04) as fonte do blog informaram que o mar agitado e das fortes ondas dos últimos dias levou parte do quebra-mar de pedras , agora do terminal 1 que até agora não havia apresentado problemas. O fato está impedindo a passagem de ônibus e caminhões para a área onde estão os caixões.

Além disso, o blog também ouviu de fontes da própria empresa, a informação no sentido de que a FCC ao mesmo tempo que prepara novas demissões, recebeu neste final de semana um novo equipamento - dique flutuante - (Mar del Enol), para se juntar, ao antigo (Mar Del Aneto) que também monta as formas (caixões) que servem de diques/quebra-mar.

Os "caixões" montados no outro equipamento são depois de colocados no mar enchidos de pedra e areia. Há problemas na montagem dos caixões. Segundo a mesma fonte no equipamento semelhante da outra empresa, a Acciona, o Kugira, se levava cerca de 9 dias para fazer um caixão, enquanto neste outro, o "Mar Del Aneto" o tempo tem sido de até um mês.

Segundo a mesma fonte do blog, os problemas seriam decorrentes da operação do dique flutuante, tendo inclusive levado à situação de terem que destruir um dos caixões depois de pronto por ele ter ficado preso na estrutura do dique flutuante.

Os seguidos problemas que a FCC está vivenciando estaria fazendo com que muitos funcionários fiquem parados, sem serviços com possibilidades de que haja novas demissões.

Os fatos se confirmados realçam, mais uma vez, os problemas da construção de dois terminais portuários em mar aberto e em local em que ele é bem "batido". Os especialistas falam em viabilidade e correções, mas a custos maiores, não apenas de instalação, mas, manutenção.

Abaixo o blog posta onze fotos desta 2ª feira (21-04) que mostra as obras no quebra mar do terminal 2 e do terminal 2 do Porto do Açu, assim como os diques flutuantes que auxiliam a montagem do quebra-mar e píeres, galpões as empresas de apoio instaladas ao longo do canal do terminal 2 e também uma embarcação no mar, chegando ao Açu, levando carreteis para a Technip, uma destas empresas com instalação mais adianta.

Aguardamos informações das empresas envolvidas: FCC, Prumo Logística S.A. e Anglo American (ou consórcio Sistema Minas-Rio) sobre as questões levantadas.



 




















Comissão de Trabalho da Alerj faz audiência pública sobre impactos da implantação de barragem em Cachoeiras de Macacu para atender Comperj

A Comissão de Trabalho da ALERJ presidida pelo Deputado Estadual Paulo Ramos (PSOL), convocou Audiência Pública para avaliar os impactos sociais, ambientais e econômicos da implantação de Barragem no Município de Cachoeiras de Macacu. A audiência atende solicitação dos movimentos sociais. Está marcada para o próximo dia 28 de Abril de 2014 (2ª feira), às 13 horas, no Galpão da Casa do Pão de Queijo do Olavo, Km 17 da Estrada Rio – Friburgo (RJ 122).

A construção da barragem grande da refinaria do Comperj/Petrobras no Rio Guapiaçu ameaça de remoção e despejo 1.100 agricultores familiares e trabalhadores de assentamentos da reforma agrária; desmatamento da Mata Atlântica (crime ambiental), além de provocar a perda de 6 mil empregos diretos na agricultura gerando um prejuízo econômico estimado em R$ 100 milhões ao ano ao município. A mega-barragem também provocará a salinização dos manguezais da APA de Guapimirim prejudicando o sustento de 2 mil pescadores artesanais.

Fila de navios para embarque de minério no Porto de Ubu em Anchieta, ES

O professor José Carlos Salomão Ferreira mandou para o blog uma foto do mar de Guarapari que mostra seis navios graneleiros (no sábado, no domingo eram sete) aguardando para fazer embarque de minério de ferro no Porto de Ubu, propriedade da empresa Samarco, instalada no município capixaba em Anchieta.

A Samarco começou a funcionar na década de 70. Ela faz no Espírito Santo o que a Anglo American se prepara para fazer no Porto do Açu. A Samarco tem dois minerodutos com extensão de 400 km desde os municípios mineiros de Germano, Ouro Preto e Mariana até o litoral capixaba.

A empresa prevê para este ano um faturamento de US$ 4 bilhões. Na semana passada ela inaugurou mais uma unidade pelotizadora na chegada do mineroduto junto ao Porto de Ubu. Assim aumentou sua capacidade de exportação de pelotas de minério de ferro para 30 milhões, próximo da Vale que tem capacidade de exportação de 36 milhões de toneladas de pelotas de minério no Porto de Tubarão em Vitória.

A Samarco diz possuir reservas para exploração por mais 50 anos. Hoje, a empresa vende para a China (15%); Oriente Médio e norte da África (30%); Europa (20%) e outras regiões da Ásia (20%). A diferença outros 15% é vendido internamente para a Usiminas.

Navios aguardando para embarque no Porto de Ubu, ES.
Foto de José Carlos Salomão. Clique na imagem para ver em tamanho maior.
O aumento do preço da commodity minério de ferro no comércio internacional ampliou, e muito, as exportações brasileiras feitas, em meio aos muitos problemas socioambientais, especialmente nos locais de extração e preparação para o envio sob a fora de pasta por mineroduto até o porto no litoral capixaba. 

O mineroduto por conta das desapropriações e infraestrutura de instalação é muito caro, mas o custo de transporte de uma tonelada de minério de ferro sob esta forma, comparada com o transporte ferroviário tem a proporção de R$ 1,50 para R$ 25 a tonelada.

PS.: Atualizado às 15:08 de 22/04/2014: Por coincidência (ou não) caderno especial sobre mineração, na edição de hoje do Valor traz a informação de que a Samarco lançou em 9 de abril mais uma expansão para a construção do seu 3º mineroduto a ser construído paralelamente aos outros dois existentes com extensão de 400 km atravessando 25 municípios mineiros e capixabas e com capacidade de transportar mais 20 milhões de toneladas de polpa de minério de ferro por ano. A matéria de Genilson Cesar diz ainda que o Terminal Portuário de Ubu foi teve também recentemente ampliada a sua capacidade de movimentação de cargas de 23 para 33 milhões de toneladas anuais.

A reportagem diz ainda que o estado de Minas Gerais é hoje responsável por cerca de 50% da produção mineral brasileira. (Observação do blog: já foi maior este percentual hoje dividido especialmente com o estado do Pará por conta do projeto de Carajás da Vale)

A matéria também ouve o presidente da Anglo America - unidade de Minério de Ferro, Paulo Castellari, que refez a estimativa do custo de movimentação por tonelada de minério entre o uso por mineroduto e ferrovia. Hoje segundo o executivo é de US$ 2 para US$ 10.

Observação e novos comentários do blog: Certamente estas novas contas leva em consideração os gastos que a Anglo está tendo para concluir a ligação entre MG e o Açu, por onde espera escoar até o final do ano sua extração/produção de minério de ferro na mina em Conceição do Mato Dentro, MG. Os números citados antes (R$ 1,50 para R$ 25) também foram obtidos pelo blog em declarações anteriores de 2002, do Castellari, na condição de presidente da Associação Brasileira de Mineração (ABM).

Assim, como o estado do Espírito Santo que possui duas grandes bases de exportação de minério por porto  público (organizado) ou Terminal de Uso Privado (TUP), o estado do Rio de Janeiro, hoje já exporta pelo Porto de Itaguaí (que terá sua capacidade de exportação ampliada para 45 milhões de toneladas anuais), além da exportação pelo Porto do Açu e ainda pelo Porto Sudeste, também na Baía de Sepetiba, município de Itaguaí. Este TUP projetado por Eike e hoje controlado pelo trade (grupo holandês) Trafigura foi desenhado basicamente para a exportação de minério, com capacidade plena previsa de movimentação de 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Somando as capacidades de exportação fluminense (Itaguaí: 45 milhões + 26 milhões do Açu + 50 milhões do Sudeste) se chega ao volume anual de 111 milhões de toneladas que seria maior do que a estrutura capixaba de cerca de 70 milhões de toneladas somando os 36 milhões de exportações da Vale em Vitória + 33 milhões da Samarco no Terminal de Ubu, em Anchieta.

Ou se aproveita bem os excedentes econômicos gerados por esta enorme exportação, ou, as "veias abetas das América Latina" terão sangrado enormemente nossos até então enormes recursos naturais. Continuamos acompanhando.

domingo, abril 20, 2014

Eike escolhe falar para agência e jornal americano para dizer que não teme investigação da Polícia Federal

O empresário Eike Batista preferiu falar para agência de notícias e ao jornal americano The Wall Strret Journal sobre o inquérito aberto pela Política Federal para investigar suas operações no mercado de capitais.

A entrevista aconteceu ontem por telefone, e só neste sábado à noite é que sites de jornais e revistas brasileiras repercutiram sua entrevista. Ele disse:

"É excelente que tudo seja esclarecido", disse Batista em entrevista pelo telefone à Agência Dow Jones. "Estou muito calmo. Deixemos que eles investiguem".

A revista Exame divulgou ainda sobre a entrevista de Eike ao WSJ: "

Eike Batista afirmou ainda que não foi procurado pela Polícia Federal e negou que tivesse cometido qualquer crime. Ele reconheceu que vendeu ações da OGX no passado, mas observou que sempre informou as autoridades reguladoras sobre tais transações. "Todas as vendas foram declaradas", afirmou. "Tudo relacionado as minhas companhias abertas sempre foi revelado ao mercado".

Veja abaixo a manchete da matéria no jornal americano The Wall Strret Journal:























PS.: Atualizado às 00:58: Aproveitando a ocasião da notícia sobre o empresário Eike Batista, e ainda revirando arquivos e anotações, o blogueiro localizou uma matéria do jornal O Globo, do dia 19 de janeiro de 2013, página 29, que informa sobre a confirmação da entrada do empresário da Firjan, Eduardo Eugênio Vieira, na condição de "segundo" de Eike, aceitando o cargo criado para ele de vice-presidente da holding EBX. Na mesma reportagem, Eduardo Eugênio declarou que "empresa grande é a minha cancha". O grupo apresentava alguns problemas, mas, ainda não vivia a fase de sufoco.

Menos de dois meses depois, para ser mais exato, 46 dias, no mesmo momento em que Eike anunciava o acordo com André Esteves do banco BTG Pactual para ajudar a contornar os problemas estruturais e financeiros de suas empresas, Eduardo Eugênio deixa o grupo EBX alegando divergências sobre o  modelo de administração.









PS.: Atualizado às 00:40: Aproveitando o tema e ainda revirando uma série de documentos arquivados, o blogueiro encontrou uma matéria do jornal O Globo, de 19 de janeiro de 2013, em que o presidente da Firjan confirmava que tinha aceitado ser o "segundo" de Eike, na condição de vice-presidente da holding EBX. Na reportagem, Eduardo Eugênio fala ainda que "empresa grande é a minha cancha". No final das contas, o presidente da EBX ficou exatos 46 dias no grupo EBX, pedindo para sair logo depois que foi anunciada a entrada do André Esteves do Banco BTG Pactual, já para tratar de uma tentativa de reestruturação já com a crise iniciada. Na ocasião 

sábado, abril 19, 2014

Mão de aluno faz reclamação contra escola municipal em Campos

O blog recebe por email a reclamação de pais de aluno sobre o funcionamento de um escola municipal em Campos. O blog, como sempre faz, abre espaço para que a direção da escola ou, a própria Secretaria de Educação da PMCG possam se manifestar sobre a reclamação abaixo. A identificação dos reclamantes foram preservados por solicitação dos próprios:

"Boa tarde prezado Prof. Roberto Moraes, sou mãe de aluna do 1º ano da E.M Francisco de Assis localizada no Matadouro e gostaria de relatar o descaso da SMECE com a Educação Pública de Qualidade que minha filha e outras crianças vivenciam na referida escola. Relatarei então alguns pontos importantes para se pensar se o direito à uma educação de qualidade é garantido: 1) Os alunos só podem entrar até as 7h30 e os professores chegam somente após às 8h00; 2) Falta de professores por dia, muitos alunos voltam para a casa; 3) Até a presente data a direção da escola nunca está na unidade escolar, somente a vice. 4) Os uniformes entregues vieram pela metade (faltando peças), e ainda, alguns alunos receberam e outros não. Qual o critério na entrega? 5) Os livros são usados pela metade, ou seja, várias unidades não são trabalhadas e assim, são deixadas de lado no processo de ensino-aprendizagem das crianças. Nesse sentido pergunto: Como pensar uma educação pública de qualidade se vários direitos são negados aos nossos filhos? Quais condições de igualdade minha filha e as crianças estão submetidas? Como pensar a execução do Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa - PNAIC se minha filha tem poucas aulas e o acompanhamento é inadequado? Grata pela publicização.

Por favor reservar minha identidade na publicação."

Campos em 1960, era a segunda maior arrecadação de ITR entre os municípios brasileiros

Coincidência ou não, folheando diversos documentos para aprofundar os estudos sobre a realidade do nosso estado, eu acabei me deparando com mais uma informação relevante para a região.

Na Revista Brasileira dos Municípios, Nº 59/60, Ano XV, Julho/Dezembro de 1962, do IBGE (Conselho Nacional de Estatística), eu me deparei, entre as páginas 197 e 207 da publicação, com uma lista sobre arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR) referente ao ano 1960, de todos os municípios brasileiros.

O município de Campos, RJ aparece como a segunda maior arrecadação Cr$ 9,1 milhões. Campos ficou atrás apenas do município de São Paulo, a capital paulista. Deduz-se que mesmo já bastante urbanizada, a A cidade de São Paulo ainda tinha incorporado como seu território, áreas que hoje devem ser onde estão localizadas as cidades de sua região metropolitana.

Interessante observar que nem importantes cidades do interior paulista, mineiro ou paranaense chegavam perto da arrecadação obtida pelo tesouro, no município fluminense de Campos, cidade do Estado do Rio de Janeiro, sem a Guanabara, cuja fusão aconteceu apenas no ano de 1974.

Este é um dado interessante para se observar e aprofundar.

Entre outras coisas, o município de Campos sempre teve muita riqueza circulando, embora, isto não significasse - nem antes e nem hoje - que a miséria e a pobreza não estivessem presentes.

Campos, cidade rica, povo pobre - com o doce açúcar ou o forte royalty do petróleo!

sexta-feira, abril 18, 2014

Países ricos voltam a elevar imposto de renda

Se fosse aqui imaginem a chiadeira. Um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) levantou que os trabalhadores de renda média estão pagando, nestes últimos três anos, impostos mais elevados. O caso acontece em 25 dos 34 países-membros da OCDE (cuja maioria é de países ricos) e, evidentemente, está relacionado às consequências da crise de 2008.

Na maior parte destes países, o que elevou os impostos foi a retirada de deduções, isenções de impostos e incentivos fiscais. Os aumentos são maiores para trabalhadores solteiros e sem filhos e com maiores rendas, como foi o caso na Irlanda, Suécia e Eslovênia. Na França, Reino Unido e República Tcheca as altas atingiram também trabalhadores com filhos.

Impostos temporários também foram criados para pessoas com rendimentos muito elevados, com a finalidade de ajudar a cobrir déficits públicos decorrente da crise.

Desta forma, a França lançou uma nova alíquota, de nada menos que 75%, que incide sobre salários anuais superiores a 1 milhão de euros, equivalente a aproximadamente R$ 230 mil mensais Dividindo o valor anual de R$ 3,2 milhões por treze salários incluindo o 13º salário.

Ou seja, quem este valor por mês na França entrega cerca de R$ 240 mil para o fisco ficando com R$ 60 mil. Imaginem uma decisão como esta no Brasil, embora, em nosso caso, a questão dos impostos, para fazer mais justiça, há que se taxar as grandes fortunas e o capital financeiro e não, o trabalho.

Sei que o tema vale um grande debate, assim, mesmo, em meio ao devagar dias destes feriado, o blog chuta a bola.
Fonte das Informações: Jornal Financial Times de Londres.

PS.: Atualizado às 21:56 e 22:04: Para acrescentar dados à conversão de moeda (pelo valor exato 1 Eu = R$ 3, 21) e também a divisão do salário anual pelo mensal a partir de sugestão do leitor-colaborador Evando Monteiro.

quinta-feira, abril 17, 2014

Polícia Federal investiga Eike por crimes contra o mercado de capitais

A matéria está no Valor Online. Assim, a investigação sai apenas da área administrativa e vai para esfera criminal onde a punição pode levar à prisão conforme seus desdobramentos e evidências:

Polícia Federal investiga Eike Batista por três 


crimes contra o mercado de capitais

RIO  -  O empresário Eike Batista está sendo, a partir de hoje, investigado pela Polícia Federal por crimes contra o mercado financeiro. O inquérito acaba de ser instaurado, segundo a PF, e vai apurar a possível prática de manipulação de mercado, negociação de ações com informações que não são de conhecimento público (“insider trading”) e lavagem de dinheiro.
Os possíveis crimes estão relacionados à atuação do empresário na negociação de ações da petroleira OGX, que ele controla.
Conforme informou o Valor no último dia 11, a investigação da PF parte de pedido do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, e tem como ponto de partida a investigação administrativa conduzida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), apontando indícios de dois crimes.
Segundo a CVM, Eike vendeu grande quantidade de ações da OGX poucos meses antes de a empresa anunciar no mercado que grande parte das reservas de petróleo identificadas anteriormente não tinha viabilidade comercial para produção.
Além disso, de acordo com a autarquia, ele estimulou investidores, por meio de sua conta no Twitter, a comprar ações da empresa quando ele já dispunha de informações sobre o menor volume recuperável de reservas.
Os dois delitos são previstos na Lei 6.385/76, que trata de crimes contra o mercado de capitais. A pena para manipulação de mercado é de 1 a 8 anos de prisão, mais multa. Para insider, a pena é de 1 a 5 anos e multa.
Os indícios de lavagem de dinheiro foram identificados pelos policiais da Delegacia de Crimes Financeiros. O crime é previsto na Lei 9.613/98 e prevê pena de 3 a 10 anos de reclusão.
Além de responder a inquérito policial, Eike também responderá a processo administrativo que corre na CVM, com julgamento ainda não marcado. As penalidades podem incluir multa e inabilidade para atuar como administrador.
Anteontem, a respeito do anúncio da PF de que iria abrir inquérito sobre o caso, o empresário Eike Batista havia comentado que “em nenhum momento houve má fé ou uso de informação privilegiada”.
Disse, ainda, que a venda de ações identificada pela CVM visava cumprir compromissos com credores da EBX e que, “se tivesse acesso a informação privilegiada na época questionada e intenção de se valer disso, Eike Batista poderia ter vendido toda sua participação”.
Em novembro passado, a Folha de S.Paulo publicou que, desde 2012, a empresa sabia que as reservas eram bem menores do que a empresa havia informado ao mercado e que alguns campos não eram economicamente viáveis. A reportagem levou investidores minoritários a levar as reclamações à CVM.
A CVM chegou a identificar, em sua investigação, a ocorrência de uma terceira irregularidade, prática não equitativa, mas, após avaliação da Procuradoria Federal Especializada, decidiu descartá-la na acusação.
Outras oito investigações na CVM apuram atos relacionados a executivos do grupo EBX. Eike é um dos investigados em cinco delas.
Mergulhada em dívidas, a OGX encaminhou seu plano de recuperação judicial à Justiça do Rio em fevereiro.

Nova pesquisa do Ibope: Dilma 60% x 40% demais candidatos em votos válidos

A pesquisa divulgada hoje repete a divulgada ontem na relação entre Dilma e os demais candidatos, na apuração da intenção de votos válidos, excluindo os indecisos e brancos e nulos. Em votos válidos os percentuais indicados pelo Ibope: Dilma 59,7%; Aécio 22,6%; Campos 9,7%; Demais candidatos somados 8,1%.

Sem contabilizar os votos válidos, considerando os 24% de brancos e nulos, mais, 13% de indecisos, Dilma alcançou 37%; Aécio 14%; campos 6%; Demais pré-candidatos 5%. Com estes percentuais a presidenta Dilma seria reeleita no primeiro turno.

O levantamento foi feito entre os dias 10 e 14 de abril, em 140 municípios, e entrevistou 2.002 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

22 questões para refletir a grave realidade do transporte público e sua relação com o poder & a política em Campos

O número antes de ser interpretado como uma provocação é apenas uma coincidência e reflete a enorme teia de questões, que embora extensa e cruzada, pode ser facilmente compreendida. E, mais que isto, comprovada e corrigida. Vamos por item para facilitar a exposição e a leitura do que chamo como reflexões iniciais sobre o assunto:

1) Há a necessidade de se aprofundar as razões que levaram o transporte público em Campos a chegar ao ponto caótico que se encontra hoje. Há use compreender quais e quem são os possuem interesses neste processo.

2) O problema é antigo, mas, estava circunscrito e tinha uma outra dimensão. A urbanização acelerada, embora, já percebida desde a década de 90 de forma acentuada, começou a ganhar os contornos atuais, ao final da primeira metade da década passada (pelos idos de 2004/2005).

3) Assim, cresceu a demanda pelo transporte urbano, quase na mesma proporção em que reduziu a demanda para o complexo e variado transporte distrital.

4) O fenômeno coincide com a entrada das vans neste circuito de serviços de transportes chamado de alternativo, nascido para tender demandas dos bairros afastados até o centro comercial na área urbana. Aos poucos se expandiu para os distritos com dezenas, depois centenas de vans vindos de fora da região.

5) Outro ciclo deste processo se iniciou em 2009, quando a prefeita eleita Rosinha começa a colocar em prática o chamado transporte cidadão, a passagem de um real. O caos dos primeiros dias foi sendo administrado com o "estratégico" cadastramento da população dos bairros urbanos e dos distritos.

6) A decisão foi os poucos produzindo mudanças previsíveis para quem pensa a cidade e se preocupa com sua realidade e com os seus cidadãos. Novas possibilidades de mobilidade geram novos fluxos, relações de trabalho, mudança de hábito de consumo, etc.

7) Isto significou, de um lado oportunidades de trabalho (positivo) pelo barateamento das passagens e o ir-e-vir diário entre o distrito e o centro e de outro (negativo), o esvaziamento ainda maior da população distrital, em função das novas relações sociais geradas por estas mudanças.

8) Além disso, o comércio distrital foi se reduzindo e sendo paulatinamente amofinado, até à sua extinção, diante das facilidades geradas pelo fluxo diário (ir-e-vir) das pessoas trabalhadores e estudantes, que aproveitando a passagem a valor reduzido de (R$ 3, 4, 6, 7 para R$ 1) em qualquer trecho em direção ao centro da área urbana.

9) Os geógrafos chamam este fenômeno de fator de aglomeração que tende a gerar adensamento e concentração.

10) Na maioria das cidades é um fenômeno com características bem impactantes do que num município como Campos dos Goytacazes com 4 mil km². Não há nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste município com tamanha área, apenas nas extensas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

11) Além da grande área territorial, o município de Campos tem enormes distâncias entre seus limites territoriais. Próximas de 120 km e 130 km (por exemplo distância entre Morro do Coco e Serrinha -direção norte-sul - ou Farol e Santo Eduardo - na direção leste-oeste.

12) Junto deste processo a partir também de 2005 há um fenômeno nacional com repercussões locais, muito significativas, especialmente, em cidades-pólo regionais como Campos, a questão econômica gerada pela inclusão social (programas de renda mínima), redução gradual do desemprego, crescimento de renda com economia informal, etc.

13) O fato gerou, quase naturalmente, o aumento da mobilidade e do fluxo de pessoas, superior à realidade anterior. Pessoas com renda, interesses em trabalho, estudo, sonhos, etc. demandam mais transportes para locomoção, efeito este que se soma aos citados anteriormente.

14) Mais renda, mais consumo, mais consumo com maior sofisticação, significando novamente centralização pela procura do comércio central onde se encontra este produtos. Agora o efeito não apenas ligada ao fator de aglomeração, mas também ao fator de dispersão consumo, conhecida dos planejadores urbanos.

15) Outra consequência de mais trabalho e renda foi a ampliação da frota de veículos licenciados no município. Em 2005, eu tive a oportunidade de novamente alertar as autoridades, em atuação no Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo que a razão de crescimento do número de veículos licenciados era de mais de 5 mil por ano, fora, os "capixabas". Na época donos de concessionárias de veículos informaram a este blogueiro que, na ocasião de cada dez carros novos comprados, sete eram emplacados como sendo do ES. Mais este fato ajudou a entupir as nossas estritas ruas e avenidas de carros. Os engarrafamentos de raros passaram a ser rotina e não apenas os carros ficam engarrafados, mas também os ônibus. Assim, eles andam menos e as pessoas esperam mais para pegá-lo e muito mais para chegarem espremidas aos seus destinos.

16) As autoridades sabiam e continuam sabendo disto. Eu mesmo tenho registrado aqui no blog e em outros espaços textos e estudos com estas análises e alertas. Diversos outros estudiosos vêem fazendo o mesmo. Ainda assim, o descaso permaneceu durante todo este tempo.

17) A administração atual apostou que o subsídio da passagem a um real e a nova e ampliada "fonte de receita" das empresas de ônibus seriam suficientes para dar conta do problema. Deste, 2009, a prefeitura colocou nestas empresas quase meia centena de milhões de reais. Os resultados são pequenos diante da realidade modificada e resumidamente descrita acima.

18) A gestão atual apostou ainda nas vans como respiro para este sistema, ao mesmo tempo, que, da mesma forma que na área de obras públicas do município, passou a se articular com grandes empresas de ônibus de fora para avaliar a possibilidade atacarem o problema no atacado. Chegaram a começar a este processo com a Viação Itapemirim atendendo a ligação para o Farol durante o verão. O esquema com as vans repetiu que já havia ocorrido na região metropolitana fluminense, de forma especial entre 2003 e 2006.

19) O desdobramento natural disto foi “encomendar” a gente ligada a estas empresas o desenho de um edital de licitação que valorizasse as empresas grandes e pudesse criar condições para as empresas locais se juntarem de forma depende às maiores para continuarem a operar no município. Da mesma forma que nas licitações de obras públicas, onde as grandes empresas e consórcios ganham as licitações e terceirizam para as construtoras menores locais. A prefeitura articulou e imaginou que as pequenas empresas locais aceitariam o processo da mesma forma que as empreiteiras locais. Parece que não e a luta contra o edital de licitação que começou com questionamentos de técnicos e advogados com conhecimento de direito público foi aprofundada por gente ligada às empresas de ônibus local em acompanhamento do processo no Tribunal de Contras do Estado (TCE-RJ).

20) Difícil acreditar que a população mais esclarecida no município não consiga compreender o desenrolar deste processo.

20) Também não é difícil estimar que há interesse em deixar conflitos se instalarem para diante do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) forçar a solução que interessa neste instante, tanto sob o ponto de vista político para colocar responsabilidades em outros, quanto, de vantajosos contratos com grandes empresas. Acompanhem os desdobramentos que se seguirão para conformar ou não a hipótese acima.

22) Diante de todo este quadro, não há como não repudiar o pouco caso dos que dirigem a mais de 1/4 de século, desde 1989, de forma direta ou indireta, este município. Eles conhecem bem toda esta realidade. Efetivamente, não parece, mais uma vez, existir muito interesse em alterar e modificar esta realidade do transporte público no Município de Campos dos Goytacazes. Mais uma vez, percebe-se interesse sim, em manter a cidade como reduto eleitoral e depois, como uma espécie de capitania hereditária, e ainda, como fonte e base poder político e econômico, interessada em seu grande orçamento (caixa), sendo o 14º maior orçamento entre as 5,5 mil cidades brasileiras, em função das receitas dos royalties do petróleo.

Conclusões:
Como se vê o problema não surge assim de uma hora para outras. De mais a mais a grande maioria esmagadora dos que estão aí trabalhando na gestão sabem de tudo isto muito bem. Ou teriam a função e o salário para isto. Parece que que há uma leniência, um descaso em se dedicar às questões do município (visto como província) em função de outros e sabidos interesses. É importante que a população como um todo reflita sobre isto.

Eles não dedicam tempo e estudos para ler estes cenário da realidade municipal (apenas brevemente exercitada acima) para a busca de soluções parciais e principal para reduzir o sofrimento da população. No máximo observam onde e de que forma eles podem manter as relações econômicas que lhes interessam, junto do controle político absoluto sobre o eleitorado em seu reduto.

O caso do transporte público não é único (pode-se citar a educação e a saúde) com problemas pendentes e graves necessitando que a gestai tenha olhar e ação de quem cuida e não de quem usa a população. O município tem dinheiro, mas, tem escasso corpo técnico (há o que se tem chamado de déficit de governo) e zelo e amor pela nossa terra e pelos campistas.

A disputa eleitoral estadual é um direito, mas, falando de forma cidadã, não há como desejar voos mais altos, se o dever de casa não está sendo cumprido, tendo o município tanto dinheiro e condições de assim fazer. Caso contrário, daqui a pouco anos, o discurso em relação à outra e mais alta esfera de governo o discurso se repetirá. 

Diante dos graves problemas graves que afligem a nossa população que continua diariamente sofrendo, agora ela começou a se manifestar, porque já identificou que sem pressão não haverá solução rápida e nem adequada.

Este texto tem a simples função de juntar diversas pontas no campo técnico e político, evidentemente sob a minha ótica, mas em diálogo com diversos interlocutores, e entendendo que não há discussão e nem solução sem as duas abordagens (técnica e política), para um maior enfrentamento da questão. 

É oportuno ainda que atentemos para o fato de que necessitamos ainda sair do debate polarizado e maniqueísta, raso e superficial, que não ajuda a entrar no âmago e no mérito destas graves e urgentes questões.

Junho de 2013, com os debates e manifestações nascidas das demandas de transporte e mobilidade urbana retornou em 2014, mais cedo em Campos do que em outros locais.

Porto do Açu no Google agora em abril (imagens aéreas em vídeo)

Transporte coletivo em Campos: gargalo e desrespeito começam a ser enfrentados com manifestações

O blog vai voltar ao tema já que a repetição tem justificativa e é justa. A população está sofrendo e se manifestando. Nesta quarta duas manifestações pipocaram.

Ambas fora da área urbana. Uma em direção ao sul, no caminho para a Lagoa de Cima e outra na direção Leste, em Ponta do Coqueiros na Baixada Campista.

O blog recebeu novos comentários em sua postagem aqui na terça-feira. A última o blog transcreve e ela reproduz o aumento da indignação:

"Roberto na Baixada Campista não está diferente as vans lotadas onibus lotados, hj viajei de Baixa Grande a Campos em pé tanto na ida quanto na volta, na volta de van em pé também e o motorista ainda reclamava das bolsas que as pessoas traziam pois queria colocar mais gente na van que já estava lotada, os horarios de onibus diminuiu e muito enfim é por isso que está tendo manifestação direto, não demora muito vão começar a por fogo em onibus ai o que vai ser, prefeita toma atitude, há me esqueci ela não depende de onibus!!!".

Diante desta realidade não está difícil identificar o Judas a ser pendurado nos postes neste sábado de aleluia.

quarta-feira, abril 16, 2014

Vox Populi: Dilma 60% x 40% demais candidatos somados na intenção de votos válidos

Em pesquisa divulgada hoje à noite pelo Instituto Vox Populi, a presidenta Dilma Roussef alcançou 40% contra 16% de Aécio, 8% de Campos e 2% do Pastor Everaldo.

Como a soma destes percentuais alcança apenas 66%, sendo as demais tabulações de indecisos, nulos e brancos, isto significa, numa regra de três, que nos votos válidos Dilma tem 60% e os demais candidatos somados 40%.

A variação em relação à pesquisa anterior é muito pequena e dentro da margem de erro. Dilma e Aécio, menos 1% e Eduardo Campos 2%, alterações abaixo dos 2,2% da margem de erro. A pesquisa ouviu 2.200 eleitores em 161 municípios, há cerca de uma semana, entre os dias 6 e 8 de abril.

Por esta nova pesquisa Dilma continua levando a eleição no primeiro turno, ainda com boa margem de diferença.

Nissan em Resende: R$ 1,3 milhão por emprego

Vejam o custo de geração de emprego em uma montadora de automóveis na atualidade, diante da realidade de um processo industrial altamente automatizado e robotizado.

A fábrica japonesa da Nissan inaugurada ontem, no município do Sul Fluminense, Resende, necessitou de R$ 2,6 bilhões de investimentos para implantação da planta com capacidade para produzir 200 mil carros por ano.

Neste início trabalham 1,5 mil trabalhadores, devendo a força de trabalho chegar a 2 mil trabalhadores, segundo o presidente mundial da empresa Carlos Ghosn.

Desta informação podemos deduzir que o custo para gerar um posto de trabalho foi de exatos: R$ 1,3 milhão.

Mesmo que sejam empregos mais qualificados para lidar com máquinas e sistemas de tecnológicos, e portanto com salários um pouco maiores, fica evidente que a repercussão econômica de uma montadora de automóveis na vida de uma cidade é muito menor do que já foi no passo, mesmo, que ela gere ao seu redor toda uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.

O empresário Eike Batista no auge dos anúncios das empresas de sua holding EBX, chegou a anunciar a possibilidade da montadora ser instalada no Distrito Industrial de São João da Barra, na retroárea do Porto do Açu.

A montadora japonesa fez opção pelo polo metal-automotivo já instalado no sul fluminense, antes mesmo da crise mundial no setor siderurgia ter feito a ítalo-argentina, Ternium, e depois a chinesa Wisco, desistirem de suas plantas em SJB, em 2010, e em 2013, as empresas X entrarem na crise puxada pela empresa de óleo OGX. As instalações da Nissan em Resende começou a ser construída em 2011.

A Nissan amplia para os mercados chamados de emergentes (Brasil, China, Rússia e Índia) sua produção. No caso do Brasil, em específico, projeta  ampliar sua participação no mercado de aproximadamente 2% para 5% num prazo de três anos.

Foto Divulgação da Nissan de sua fábrica em Resende, RJ.

terça-feira, abril 15, 2014

FCC, empresa espanhola que atua nas obras do Porto do Açu, demitiu 100 e reduziu um turno de trabalho

Terminal -1 do Porto do Açu onde a FCC executa as obras do
quebra-mar e píeres visto na imagem. Fonte: Prumo S.A.
No meio da semana passada, a FCC, empresa espanhola de construção FCC, que atua nas obras de construção de píeres e quebra-mar do Porto do Açu da empresa Prumo Logística Global S.A. (ex-LLX) demitiu cerca de 100 trabalhadores e eliminou um turno de trabalho, reduzindo o ritmo das obras em seu canteiro.

Junto disto, o blog apurou que mais de 50 caminhões que atuavam no transporte de pedras entre a pedreira e Campos e o Açu foram desmobilizados desta atividade, sob a alegação de grande estoque de pedras e limitação de área para este fim, junto as obras de infraestrutura dos dois terminais do Porto do Açu.

O blog fez contato com a Assessoria de Imprensa da Prumo S.A. e aguarda sua posição.

Transporte Público em Campos: um acinte, verdadeiro descaso com a população!

Hoje, eu não cito uma fonte, mas, foi este próprio blogueiro que presenciou a realidade nua e crua.

Ontem, por volta das 19:30, na avenida 28 de março, pude ver num ponto de ônibus uma van, fazendo transporte chamado de alternativo, na direção Penha-Pecuária.

Eu contei 15 pessoas em pé, fora as que estavam sentadas. No total, aproximadamente 30 pessoas transportadas numa van. Repito: numa van.

Certamente entre eles estudantes que não pagariam nos ônibus de linha e trabalhadores que teriam a passagem de R$ 1. Se usam o "alternativo" e nestas condições é porque a opção dada pela gestão pública é pior seja, pelo tempo e regularidade, seja pela própria qualidade.

A desculpa do horário de pico não funciona, porque todos sabemos que há que se ter mais veículos neste horário, simples assim.

Além da questão da segurança, pois não há a minima, no caso de uma freada mais brusca e, ainda pior no caso de um choque com outro veículo, as consequência serão trágicas.

Uma auxiliar descia a cada ponto para ajudar a "empurrar" as pessoas para dentro do veículo. Diante da realidade, não é possível falar de transporte coletivo cidadão nesta cidade.

É na verdade, um acinte, uma tremenda falta de consideração com o cidadão. Ouvindo algumas pessoas, há relatos de problemas semelhantes em outras linhas no horário de pico.

É incrível que numa cidade rica como a nossa, a situação do transporte público continuar calamitoso como a situação atual.

Um edital de licitação está em curso há algum tempo. O poder público reclama resistência das empresas e estas de armações. Um edital aparentemente copiado e com alguns vícios que nem a intervenção do TCE-RJ está sendo capaz de dirimir. Enquanto isto o povo continua sofrendo, a despeito dos discursos.

A população de nossa cidade não merece este tratamento que me faz questionar se nesta minha cidade, o amor pelo cidadão é apenas uma questão de slogan e de eleições.

PS.: Atualizado às 13:34: Para incluir na postagem foto enviada pelo professor Hélio Gomes Filho. Imagem tirada às 17:23 do dia 10 de fevereiro de 2014. Na imagem se identifica a linha (Centro-Ururaí) e o número da van. A foto serve para ilustrar o problema citado, confirmando que não se trata de caso isolado,mas, de um problema crônico e de uma enorme falta de respeito com o trabalhador e o cidadão campista morador das áreas mais afastadas do centro, entregues, literalmente, à própria sorte no seu ir e vir diário. Insisto não há como falar em transporte cidadão e amor pela cidade diante desta realidade. Como já falei, estão criando as condições para trazer para o município as grandes empresas de transporte como a Itapemirim e 1001. Espera-se que haja reações e mobilizações contra esta realidade para que as mudanças sejam realizadas.




















PS.: Atualizado às 13:52 com alguns comentários feitos no blog e no perfil do blogueiro no Facebook:
"Te convido para a linha JOCKEY-STA ROSA no ponto em frente ao Superbom da 28 com rua do Gás +- 17:30 h e venha conosco fazendo o percurso até pelo menos a escola Lions no sta Rosa, mas faça isso em vários dias.Ane.

"Onde estão os fiscais do ultimo concurso para o imtt?"

Marília Siqueira Isso que vc viu ja é, com certeza um absurdo, desrespeito. Mas garanto que tem coisa pior... ;/


Josélia Santana Muito pior ainda,é não poder contar com as vans( sempre lotadas)!!!A Empresa Conquistense que faz linha para Uenf está numa situação precária.Ninguém toma uma providência.O itinerário para uma universidade onde alunos e funcionários dependem exclusivamente de dois ou três ônibus.E a cada 50 mim ou hora.Uma vergonha!!!

Cesar Paes Caro professor, parabéns pelo assunto abordado. Realmente é um absurdo o que vem ocorrendo no transporte público de Campos. É bom lembrar, que esse drama no transporte existe desde quando eu tinha 10 anos de idade e estudava no saudoso Externato Regina da querida Dona Leda Boynard. Ao longo desses 43 anos, em nenhum momento ví melhora. Não sou muito à favor da estatização em atividades como essa. Mas do jeito que esses empresários do transporte coletivo em nossa cidade se comportam, penso que é preciso que a prefeitura de Campos tome uma atitude radical para tentar solucionar o problema. Cria-se a empresa pública de transportes urbanos e mandamos os donos de empresas de onibus, cuidar dos jardins de suas casas.

Daniel Barcelos Roberto Moraes , a situação que você relata se repete aqui no P. Califórnia/Horto/Uenf também. A empresa Conquistense, que faz essa linha, está funcionando apenas com 3 ônibus, assim, a espera pela chegada do mesmo tem durado entre 1 hora e 1 hora e meia. Dessa forma, os ônibus tem circulado SUPERLOTADOS, isso quando não dão defeito no meio do caminho, como aconteceu ontem. Depois de quase 2 horas aguardando do Conquistense - Circular- o ônibus deu defeito na pracinha do Flamboyant, as 22 horas. Está uma situação crítica. Outro agravante é que aqui, no P. Califórnia/ Horto/Uenf, não tem o tal transporte alternativo que em caso como estes seria uma alternativa, mesmo que de forma precária e desumana."

PS.: Atualizado às 15:32: Para postar alguns novos comentários com reclamações:
"Thayro Silva Já fiquei 2h 30 várias vezes hehe. Hj tem um pouco mais de vans aí melhorou um pouco, mas são daquele jeito né, pra subir um tem que descer quatro.

Maurício Quitete Quem tá na máfia circula como quer: pode usar trabalho infantil, pode estar com documento atrasado, pode estar transportando o que quiser (espero que entendam), quem não está não roda. A lei do transporte coletivo de Campos é essa Danielly. Mas cadê nós, estudantes, para pedir coisas pontuais como essas quando nos manifestamos?

Débora Fujimoto Ontem também fiquei um tempão esperando o ônibus pra conseguir ir pra casa... passaram dois extremamente lotados e por fim eu desisti e peguei um lotado também. Só consegui chegar em casa quase 8 da noite, sendo que estava no ponto de ônibus desde 18.

Victor Hugo Arêas Constatação do que já é antigo nessa cidade. Não é de hoje mesmo que o transporte e precário, mas 'é a um real', então tá valendo, né!? Porra nenhuma! Imagina quem precisa disso para levar comida pra dentro de casa. Um verdadeiro terror.
Arthur Medrado Minha cidade, meu amor. #sqn.

Hélio Gomes Eu gostaria de insistir na criação de uma Agência Municipal de fiscalização dos serviços concedidos. Com conselho comunitário de técnico e usuários. Só assim pra abrir as caixas pretas da Águas do Paraíba e das empresas de transporte. "

PS.: Atualizado às 19:42: Abaixo vídeo com matéria da InterTV que mostra de maneira evidente a realidade descrita acima pelo blog e por diversos comentaristas. A reportagem é de cerca de duas semanas atrás (02/04) o que demonstra ainda mais o pouco caso com a realidade vivida pela população que sofre sem dó e sem amor. O problema é antigo e repetimos, não há como chamar o transporte público do município de cidadão. Confira a boa reportagem de 4 minutos que mostra a lamentável situação de nossa pobre cidade rica.