quarta-feira, abril 15, 2015

Ampliando a análise da importância de uma ferrovia para a região e não apenas para o Porto do Açu

No último dia 1 de abril, o blog comentou aqui sobre as dificuldades que os trechos de ferrovia que podem servir ao Porto do Açu e à nossa região terão que enfrentar com os ajustes fiscais organizados pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Ainda assim, gestores do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres tentam atender à demanda região e dos setores econômicos interessados. Os maiores interessados são os sistemas portuários que necessitam ganhar fluidez no transporte intermodal de suas cargas.

Por isso, hoje, o sub-secretário estadual de Transportes e outros técnicos estiveram na manhã desta terça-feira em Campos. A mobilização é semelhante no estado do Espírito Santo, uma das pontas desse ramam. Trajetos da ferrovia ainda estão sendo definidos com os municípios. Dessa reunião está saiu a proposta de datas para audiências públicas como etapa necessária para a futura concessão.

É importante lembrar que sem esse ramal ferrovia, o Porto do Açu e o projeto do Porto Central, em Presidente Kennedy, ES, perdem muito se sua atratividade. Eles não se inviabilizam, mas perdem competitividade na disputa entre os diversos portos brasileiros.

Os grandes portos brasileiros hoje passam por um processo enorme de modernização, com ampliação dos cais e da profundidade dos canais de atracação. Do incremento sem igual na história de automação dos terminais de agilização de processos "burocráticos".

Os terminas portuários brasileiros disputam entre si por uma centralidade apostando numa hegemonia dentro da lógica do hub-port (porto de distribuição) que será realçada com a inauguração do alargamento do canal do Panamá.

Os armadores e os controladores de cargas mundiais apostam num único porto brasileiro de distribuição. Até onde é possível compreender nos documentos oficiais, o governo federal aposta na linha contrária, com mais portos, sem uma centralidade, para que o desenvolvimento brasileiro articule diferentes regiões e as potencialidades que um porto permite gerar em termos de dinâmica econômica.

Nesse caso, os portos lutam para aumentar os seus acessos não apenas pela via rodoviária, mas também na modal ferroviária. O Porto de Santo que tem a maior movimentação de cargas de contêineres no Brasil até hoje, movimenta menos de 5% pela via ferroviária.

O Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá, no Paraná, que hoje é o segundo maior em movimentação de contêineres no país, até dois anos atrás movimentava apenas 5% pela via ferroviária. Com novos investimentos em duplicação do ramal ferroviário se elevou este percentual para 15%. Ainda pouco para a realidade internacional, onde os maiores portos europeus de Roterdã e Antuérpia, ou Nova York, movimentam cerca de metade de suas cagas pelo modal ferroviário.

Dessa forma, o Porto do Açu enfrenta concorrentes fortes na região Sudeste, que além de Santos, agora tem também fortalecido o porto reformado do Rio (agora chamado de Porto do Futuro) que recebeu recursos de movimentação de R$ 1,5 bilhão para ampliação de cais, automação da movimentação de cargas, novos acessos e dragagem para recebimento de navios de maior porte e capacidade.

O Porto do Açu sem a ferrovia terá enorme dificuldade para ampliar as atividades para além dos segmentos de exportação de minério e de base de apoio para exploração de petróleo offshore. Por isso, a decisão de suspensão do leilão da ferrovia de acesso tem um peso tão grande. Dessa forma, o corredor logístico tão falado também terá dificuldade de sair do papel.

Oportuno ainda recordar que o desenho do percurso da ferrovia (mapa acima e abaixo) integra a nossa região e rearticula nossa ligação com a região metropolitana. Isso traz uma integração das bases da economia do petróleo, base de apoio à exploração offshore (Macaé e Rio de Janeiro - Santos) às unidades de beneficiamento de petróleo (refinarias, Comperj e Itaboraí e Reduc, polo gás-químico em Caxias e e outras refinarias paulistas, ) com a economia dos royalties das nossas cidades petrorrentistas.

Veja abaixo detalhes da apresentação desse ramal para futura concessão se o governo federal bancar a garantia (comentada aqui) de emitir títulos no valor de R$ 15 bilhões em favor da Valec, que seria equivalente à aquisição de toda a capacidade de carga da ferrovia. O ministro Levy resiste à decisão, mas, os interesses são grandes.



Vale realçar também que essa ferrovia cria a interligação logística com os outros dois maiores centros metropolitanos e economicamente forte em dinâmica econômica que é São Paulo e Belo Horizonte (MG). Isso não é qualquer coisa.

Interessante observar, que o Porto do Açu, se de um lado ele leva vantagens, com a crise do preço das commodities, saindo na frente dos diversos (pelo menos seis) projetos portuários no litoral fluminense e capixaba (Maricá, TerPor em Macaé, Barra do Furado, Porto Canaã - SFI, Porto Central em Presidente Kennedy e Porto Itaóca em Itapemirim), de outro, por conta do atraso de seu cronograma de implantação e do start de ampliação e modernização dos portos mais antigos antigos e já instalados, sai atrás na disputa concorrencial, que tende a ser puxada por articulação dos armadores e controladores globais de cargas.

Por parte da população pode ter o interesse direto na viabilização desse ramal da ferrovia EF-118, Vitória-Rio. Trata-se do seu possível aproveitamento como ramal também, para o transporte de passageiros.

Esse projeto ganhou reforço com o estudo do IBGE, sobre a movimentação pendular entre a população do Norte Fluminense, Baixada Litorânea e mesmo à região metropolitana Fluminense (RMRJ). Sobre o assunto veja aqui e aqui duas análises feita pelo blog.

Considerando esta realidade de intensa e diário deslocamento de pessoas na região (cerca de 40 mil), que confirma uma "integração populacional de fato", um projeto de transporte de passageiros pela via ferroviária, deveria estar entre as prioridades numa perspectiva de gestão regional, para além da preocupação de cada município isoladamente.

Assim teríamos a alternativa de uso da ferrovia também para a locomoção de transporte de pessoas facilitando transporte de pessoas numa integração dos arranjos populacionais que o estudo do IBGE apontou em quantitativo diário próximo de 40 mil pessoas.

Desta forma, teríamos uma ligação Açu- Campos-Quissamã-Macaé-Rio das Ostras-Itaboraí-Rio, com uma bifurcação no caso das cargas passando por Magé, Duque de Caxias e Itaguaí.

Há necessidade de ousadia para defender e lutar por projetos estruturantes como esse que integraria definitivamente e por outro modal (para além da BR-101 duplicada) outras pontas do território fluminense. A conferir!

Veja abaixo um mapa com mais detalhes sobre o projeto com as interligações ferroviárias previstas divulgadas no estado do Espírito Santo, o mais interessado nessa interligação modal.


terça-feira, abril 14, 2015

Estrangeiros com vínculo formal de trabalho no setor de petróleo em Macaé e no Brasil

Números oficiais do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) informam que o município de Macaé possuía em 2013, um contingente de 1.083 estrangeiros com vínculo formal de trabalho no Brasil.

Em todo o Brasil esse número é de cerca de 120 mil, enquanto, no ERJ ele chega a 11,4 mil, sendo 10,3 mil, apenas na capital. Assim, Macaé é o único brasileiro, não sendo capital de estado em nem de zona de fronteira, com tantos trabalhadores estrangeiros oficialmente trabalhando.

Entre 2012 e 2013 o crescimento desse número de estrangeiros em Macaé foi de 14%. Segundo ainda a CGIg/MTE, em 2013 foram concedidas 14.996 autorizações para profissional estrangeiro trabalhar no Brasil, a bordo de embarcação ou plataforma estrangeira autorizada a operar no país. Assim, se pode observar que esse número vem reduzindo desde 2011, quando as autorizações para o trabalho de estrangeiros no setor de óleo e naval chegou a 17,6 mil em todo o Brasil.

Em mais 2013, uma matéria da BBC Brasil deu destaque que a indústria do petróleo tinha trazido até o Brasil entre 2010 e 2012, um total de 50 mil estrangeiros. Se fossemos seguir nessa conta (conforme tabela ao lado), nos cinco últimos anos (agora de 2009-2013) e mostrando o numero de 14.996 autorizações para o ano de 2013, chegaríamos a um total de 73 mil estrangeiros autorizados a trabalhar no Brasil, só no setor de petróleo.

Porém, é possível questionar se algumas dessas permissões tratam-se de renovações e não apenas novas autorizações. De qualquer forma estes números são muitos significativos, desde o pico, no ano de 2011.

Desta forma, é possível deduzir que os números de autorizações para trabalho em Macaé sejam especialmente para o setor de petróleo. No entanto, ainda vale ainda também conferir os números sobre autorizações temporárias e permanentes. Assim, também vale analisar os reflexos que eles podem já estar sofrendo, desde 2014, com a atual crise da redução de valor do barril do petróleo e também da Operação Lava Jato.

Atualmente há uma regra que prevê no primeiro ano de um contrato ondas de perfuração e plataformas de exploração de petróleo e gás de 1/3 dos trabalhadores dessas unidades deve ser de brasileiros. A partir do segundo ano, a exigência sobe, e 2/3 de quem trabalha nessas ambiente da indústria do petróleo devem ter nascido no Brasil.

Mesmo que a quantidade de estrangeiros em áreas ligadas ao setor de petróleo tenha praticamente dobrado nos últimos três, em 2011 e 2013, foram grandes as pressões para que o governo flexibilizasse a regra trabalhista que impõe um número mínimo de brasileiros em plataformas.

Voltaremos ao assunto, incluindo ainda, se possível, a análise sobre estrangeiros autorizados a trabalhar na implantação do Porto do Açu, especialmente nos serviços de dragagens com embarcações holandesas e das duas construtoras de infraestruturas portuárias espanholas. A conferir!

segunda-feira, abril 13, 2015

Produtores apontam agravamento da salinização do solo na Baixada Campista

O blog recebeu um texto (breve relato) do produtor rural e professor do IFF, Hélio Júnior de Souza Crespo, sobre a realidade do avanço do processo de salinização das terras da Baixada Campista.

Helio Crespo que "toca" a uma propriedade familiar, na localidade de Pitangueira, informa ainda que para a elaboração desse relato ele percorreu alguns pontos da região, acompanhado do seu irmão o técnico em agropecuária Jorge Crespo e também por um "grande conhecedor da Baixada", o Sr. Maurício da Silva Gonçalves / proprietário de Laticínio em Campo Limpo.

Ele faz questão de dizer que o texto e as fotos que deram corpo a esse breve relatório são frutos de "um dia de visita aos diferentes pontos do Canal de Coqueiros e outros corpos d'água, além das comunidades de seu entorno.

Crespo considera que "a situação é dramática para as comunidades que vivem no interior da Baixada Campista" e salienta e propõe a necessidade de divulgação e estudos complementares pelos órgãos de controle, assim como a interferência das autoridades competentes no sentido de intervir imediatamente no processo de salinização em curso".

Para ilustrar ainda mais o seu relato ele encaminhou também o resultado de análise de água coletada que está exposto ao final do texto e antes das fotos. Pode-se ver entre os resultados sobre cloreto, turbidez, etc. que os valores encontrados estão entre 4 e 10 vezes os valores de referência estipulados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Confiram:

Processo de salinização da Baixada Campista

O objetivo principal deste relatório é sensibilizar as autoridades competentes das diferentes esferas do poder público para o agravamento do processo de salinização de corpos d'água doce e solo da Baixada Campista, situada no Norte Fluminense, no interior do estado do Rio de Janeiro.

A identificação do problema teve como base o canal de coqueiros, afluente importante do rio Paraíba do Sul que corta toda a Baixada Campista e outros corpos d'água da região, entre os quais, o canal Quitinguta e canal da onça, estes afluentes da lagoa feia. Para tanto, foram realizadas coleta de dados laboratoriais analíticos e visitas as diferentes comunidades da Baixada Campista para o levantamento de informações sobre o processo de salinização que avança de forma sem precedentes na região.

A economia regional tem por base a agricultura, pecuária e a pesca. As culturas agrícolas que mais se destacam são cana de açúcar, o abacaxi e a mandioca. A primeira em ampla decadência, por se tratar de um segmento ligado ao setor industrial de produção de açúcar e álcool que sofre efeitos do mercado internacional e de uma política interna que não valoriza o biocombustível nacional. As demais em expansão, mas com dificuldades de investimentos para implementação de técnicas mais modernas entre as quais a disponibilidade de água para irrigação.

A pecuária de corte e de leite vem se mantendo com dificuldades tendo em vista a complexidade das atividades, principalmente o segmento do leite e seus derivados, alimento fundamental para o desenvolvimento infantil e que compõem a merenda local dos estudantes da rede municipal.

A pesca artesanal na região tem se mostrado uma alternativa destacada para a manutenção das famílias com destaque para àquelas nas proximidades das comportas do sistema de controle das águas da Baixada Campista. Devemos fazer aqui uma menção a necessidade de manutenção periódica destas comportas, pois, foi identificado vazamentos de água do sistema mar para o continente em diferentes pontos da barragem, o que tem se tornado um fator de agravamento do processo de salinização da Baixada e morte de peixes de água doce que se submetem a essa variação de ambiente aquático.

Sabemos que nossa região possui uma extensa malha de canais, criada pelo extinto DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento) que poderiam fornecer a região oportunidades das mais diversas aos setores agropecuário e da pesca se estivessem com sua manutenção, isto é, limpeza e sistemas de comunicação adequadamente tratados.

Diante do exposto, solicitamos em caráter emergencial providências no sentido de promover adequada limpeza e manutenção na malha de canais e comportas da Baixada Campista, o que certamente trará significativo alento as famílias envolvidas nas diferentes atividades econômicas da região.

Resultados de análise de água - Local: Pitangueiras 10 Km da foz.

STD = 4340 mg/L (ref. CONAMA 357 = 500mg/L)

Cloretos = 1574 mg/L ( ref. CONAMA 357 = 250mg/L)

Turbidez = 0,97 UTN (ref. ref. CONAMA 357 = 40 UNT)

pH=6,2 Cor = 43,5 uH

Condutividade = 5,38mS/cm (5380 uS/cm)

Sódio = 840 mg/L ( para água potável o máximo é 200mg/L) Potássio = 41 mg/L.


Álbum de fotos da realidade descrita acima:

Figura 1 Setor do Canal de Coqueiros a 5 km da foz -  limpo

Figura 2 Setor do canal de Coqueiros/São Bento a 3 km da foz - obstruído  























Figura 3   Canal Caxexa - Obstruído 



Figura 4  Canal Caxexa - Obstruído





















Figura 5  Foz do Quitinguta no Coqueiros/São Bento - Obstruído
Figura 6   Canal da Onça - limpeza parcial de trecho - PMCG
Figura 7 - Sistema de Comportas - Vazamento de águas -  mar / continente 


















































 Figura 8 - Sistema de fechamento de comportas com defeito 















Figura 9  - Sistema de fechamento de comportas com defeito 
Figura 10 - Comprometimento do ecossistema água doce - morte de peixe 
Figura 11 - Comprometimento do ecossistema água doce - morte de peixes





















Figura 12 - Exposição do problema pelos pescadores e agricultores da região.
PS.: Atualizado às 07:56: Para corrigir a identificação do canal das fotos 3 e 4 que ao invés de Quintiguta é o Canal Caxexa, segundo o autor do relato. 

Edison Chouest Offshore assina contrato com a Petrobras para a base portuária no Açu

Depois de uma licitação conturbada e com pressões do governo do estado do Espírito Santo e da Prefeitura de Macaé, cada um disputando para sediar essa nova base portuária de apoio à exploração de petróleo, a empresa Edison Chouest Offshore (Eco), consegue com umaa proposta de US$ 2,5 bilhões, confirmar o resultado da concorrência junto à Petrobras. Desta forma, a Eco assinou na semana passada, o contrato com a estatal Petrobras, segundo matéria da revista Brasil Energia, especializada no ramo de petróleo que republicamos abaixo.

A base da Edsion Chouest Offshore junto ao terminal 2 do Porto do Açu já está sendo construída. A empresa por duas vezes ampliou o contrato junto à Prumo Logística Global S.A. controladora do Porto do Açu para ter mais área e mais comprimento de cais. O último desses anúncios aconteceu no último dia 1 de abril de 2015. Veja aqui. A área da Eco fica ao lado das instalações da Technip, NOV e Intermoor.

As obras no Açu estão sendo feitas pela construtora catarinense* Stein. Inicialmente, os serviços eram de terraplanagem e agora já avançam para outras etapas. Veja ao lado a área da Edison Chouest no Porto do Açu.

Com esta decisão finalmente, o Porto do Açu atingirá seu objetivo de ter uma base direta que presta serviços à Petrobras nos serviços de apoio às explorações offshore. Esse era um desejo antigo do empresário Eike Batista, desde quando lançou pela sua LLX, o projeto do terminal 2 do Porto do Açu. O contrato da Eco com a Petrobras começa a vigora ano que vem, por isso as obras terão que ser aceleradas e tem um prazo de vigência de 15 anos. Abaixo a matéria da revista Brasil Energia:

"Edison Chouest assina contrato com a Petrobras"
13/04/2015

"A Petrobras fechou contrato com a Edison Chouest para contratação de serviços portuários com a utilização de seis berços de atracação para atender a plataformas na Bacia de Campos. A assinatura do contrato ocorreu quase um ano depois da apresentação das propostas na concorrência, disputada também pela Triunfo, BSM e CPVV (Companhia Portuária Vila Velha).

A estatal não informa o valor do contrato, mas a oferta da, empresa grupo norte-americano, foi de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. A duração do contrato, que começa a vigorar em 2016, é de 15 anos, com possibilidade de renovação pelo mesmo período.

No final do ano passado, a licitação chegou a ser suspensa pela Justiça de Macaé, atendendo a pedido da prefeitura do município, que alegava irregularidades no edital. No entanto, a Petrobras obteve liminar para dar sequência à concorrência.

A base de apoio da Edison Chouest está em construção no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Com investimentos de R$ 950 milhões, a unidade poderá receber até 14 embarcações e tem operação prevista para o segundo semestre."


PS.: Atualizado às 23:02: Abaixo o vídeo de 5 minutos sobre a vista área do Porto do Açu feita nos primeiros dias agora de abril. Ele difere poucos dos demais disponibilizados mensalmente, mostrando as instalações do quebra-mar do terminal 1 e 2, assim como a instalação e a montagem das infraestruturas das empresas junto ao terminal 2 do Porto do Açu e da Ferroport, joint ventures entre a Prumo Logística Global S.A. controladora do Porto do Açu e da Anglo American mineradora.



PS.: Atualizado às 18:44 de 14/05/2015: Para corrigir a informação de que a empresa Construtura Stein está instalada no estado de Santa Catarina e não no Paraná.

Soffiati propõe uma tipologia histórica para as lagoas de nossa região

Confiram abaixo mais uma colaboração do Aristides Soffiati que amplia para todos nós o conhecimento da história do ambiente de nossa região. Nesse novo artigo Soffiati faz uma interessante classificação das lagoas de nossa região, a partir do estado atual de conservação das mesmas.

Mais uma vez o artigo vem recheado de imagens que enriquece ainda mais o texto e possibilita uma maior compreensão do que está exposto sob a forma de palavras, como tanto aprecia os geógrafos e também ambientalistas e o público em geral.

Uma tipologia histórica para as lagoas da Ecorregião de São Tomé

Arthur Soffiati

Já existem algumas tipologias para as lagoas do norte fluminense. O falecido geógrafo Elmo da Silva Amador elaborou a mais antiga tipologia para as lagoas do Estado do Rio de Janeiro que conheço. Pouco antes de morrer, ele me disse que precisava aprimorar a classificação, sobretudo quanto ao norte fluminense.

Posteriormente, duas técnicas da extinta Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA) apenas enumeraram as lagoas do Estado do Rio de Janeiro, sem a preocupação de inseri-las em seu contexto geológico. A enumeração é bastante incompleta, principalmente diante do livro que Paulo Bidegain Primo e eu escrevemos sobre as lagoas do norte fluminense.

O geógrafo José Maria Ribeiro Miro e sua equipe, atuando pela Sala Verde, do Instituto Federal Fluminense, já coordenou duas tipologias. A primeira tentando definir as lagoas de acordo com sua origem. A segunda considerando a morfologia das lagoas. Eu mesmo, embora não sendo geólogo, limnólogo e geógrafo, tentei uma classificação com base na situação geológica e na formação das lagoas. Como eco-historiador, tento agora uma tipologia baseada no estado das lagoas em sua relação com as sociedades humanas.

Lagoas em ótimo estado de conservação. Infelizmente, não há mais lagoas inseridas nesta categoria na Ecorregião de São Tomé, expressão que utilizo para denominar a área delimitada pelos Rios Itapemirim (ES) e Macaé (RJ), apresentando unidade geológica, hídrica, florística, faunística, econômica e cultural. Talvez, o incauto classifique a Lagoa Limpa como em ótimo estado de conservação pela beleza que ela ainda apresenta. Mas, examinando-a um pouco mais, conclui-se que toda sua orla foi desmatada e ocupada pela cana. Sua água está saturada de produtos químicos oriundos da agropecuária e eutrofizada. Sua ligação com o Rio Muriaé foi interrompida por uma comporta nunca manejada pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Lagoas em ótimo estado de conservação ainda poderiam ser encontradas no século XIX. Hoje, talvez, algumas poucas no interior do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Figura 1- Lagoa protegida pelo Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Foto de Rômulo Campos

Lagoas em bom estado de conservação. Apesar de toda a ação de drenagem do Departamento Nacional de Obras e Saneamento, entre 1935 e 1990, das interferências de órgãos estaduais, dos municípios e de particulares, algumas poucas lagoas conseguiram manter a condição de bom estado de conservação. A Limpa é uma delas. A Feia, conquanto cercada de diques, reduzida em sua área, poluída, assoreada e eutrofizada, ainda pode se enquadrar nesta categoria.

Figura 2- Lagoa Limpa. Foto do autor
Figura 3- Lagoa Feia vista da foz do Canal da Flecha, em 1982. Foto DNOS


Lagoas em regular estado de conservação. Há um número considerável de lagoas cujo estado de conservação é regular. Precisamos considerar a vegetação nativa do seu entorno, o avanço da urbanização, a qualidade da água, a exploração de sua fauna e o conjunto desses fatores. Assim, ainda se salvam a Lagoa de Cima, apesar da urbanização acelerada e desordenada em sua orla, e a Lagoa do Campelo, apesar da crise hídrica que enfrenta. Cabe avaliar melhor o conjunto de lagoas da Ecorregião de São Tomé para a inclusão ou não de outras lagoas nesta categoria.

Figura 4- Lagoa de Cima. Foto do autor









Lagoas em péssimo estado da conservação. Podemos incluir neste tipo todas as lagoas do sul do Espírito Santo, todas as lagoas de São Francisco de Itabapoana, todas as lagoas de São João da Barra e quase todas as de Campos dos Goytacazes. Quando consideramos o conjunto formado por desmatamento das margens, ocupação do solo, qualidade e quantidade das águas e fauna aquática, podemos verificar que quase todas as lagoas do norte fluminense (o noroeste não tem lagoas, apenas brejos) e do sul capixaba estão em franco processo de extinção provocado pelo chamado progresso. As lagoas são consideradas estorvo ao crescimento econômico. Normalmente, são palco de conflitos sociais, elas mesmas constituindo contradição com as sociedades humanas em seu conjunto. Desta situação, não escapa ninguém. Ricos, remediados e pobres exploram e destroem as lagoas. Os que delas dependem também retiram das mesmas mais do que sua capacidade de autorregeneração.

Figura 5- Lagoa do Siri, Município de Marataízes. Foto do autor
Figura 6- Lagoa Doce, São Francisco de Itabapoana. Foto Vera Mansur
Figura 7- Lagoa de Gruçaí, São João da Barra, em 1992. Foto Dina Lerner
 
Lagoas em extinção e extintas. Em artigo anterior a este, analisamos as lagoas engolidas pela cidade de Campos. Situada numa planície aluvial, à margem direita do Rio Paraíba do Sul, em terreno com ligeiro declive em direção da Lagoa Feia, Campos se ergueu num ambiente povoado por lagoas. Apontamos sete que os mapas antigos assinalaram: Lagoas do Saco, Dourada, do Osório, do Curtume, de Santa Ifigênia, sem nome e do Goiabal. Saturnino de Brito projetou três canais cortando a cidade, todos ligados ao Canal Campos-Macaé, para drenar pelo menos quatro dessas lagoas. Depois de drenadas, poucas dessas lagoas foram niveladas. A maioria teve o leito pavimentado com paralelepípedo ou com asfalto. Quando de chuvas intensas, os antigos leitos acumulam água e a impermeabilização dificulta sua penetração no solo. Se elas existissem atualmente, deveriam estar em estado lastimável. Pelo menos uma delas poderia ser mantida em boas condições: a Lagoa do Osório, drenada pelo Canal Campos-Macaé, mas que ainda tenta reaparecer quando chove forte, na descida do ponte Leonel Brizola, construída pela ex-governadora Rosinha Garotinho. Se não essa, a Lagoa do Saco, onde, atualmente, localiza-se o shopping Boulevard.

Figura 8- Antigo leito da Lagoa do Osório em dia de chuva. Foto: divulgação




























Figura 9- Antigo leito da lagoa sem nome, nas adjacências do Edifício Salete, em dia de chuva. Foto do autor





Em Guarus, que passa por rápido e desordenado processo de urbanização, as lagoas estão agonizando e se extinguindo. Elas seguem o passo de Campos. O exemplo mais conhecido é o da Lagoa do Vigário. Mas existe um número maior drenada e semiurbanizada, como as Lagoas Maria do Pilar, Taquaruçu, da Olaria e do Fogo. Na margem de três delas, a prefeita Rosinha ergueu conjuntos residenciais do Programa Morar Feliz, contrariando o Plano Diretor do Município, mas avalizada pelo INEA e pelo Ministério Público Estadual. As Lagoas das Pedras e Brejo Grande já estão sendo alcançadas por Guarus. A previsão é que, em breve, também sejam envolvidas pelos tentáculos urbanos.

Figura 10- Lagoa do Vigário cercada pelo meio urbano de Guarus. Foto do autor









Este artigo pretende ser, tão somente, um ensaio inicial para uma análise de maior fôlego sobre o estado das lagoas da Ecorregião de São Tomé.

domingo, abril 12, 2015

Ato Público do servidores públicos em Carapebus na 4ª feira

O blog recebeu solicitação e dá divulgação sobre a convocação de ato público que está marcado para a próxima 4ª feira, 15/04, organizado pelo Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de Carapebus.

Os servidores reclamam das medidas que consideram arbitrárias do "então prefeito Amaro (PRB), como o corte do vale alimentação dos funcionários da prefeitura,negação do reajuste anual, como também, o caos geral nos serviços públicos como os relacionados a saúde e a educação."



Ainda sobre a queima das turfas em Campos

O colaborador Admardo Augusto segue preocupado, não apenas com a fumaça que atinge a comunidade local de Ibitioca e Ponto da Lama, assim como a área urbana do município de Campos dos Goytacazes, mas também sobre os riscos das turfas sobre o gasoduto que liga Macaé a Vitória que e que passa exatamente naquela. Assim Admardo nos envia email com informações e imagens que o blog publica abaixo:

"Prezado Roberto,
Seguem fotos tiradas hoje no local (lado direito do sentido Rio/Campos) onde o Gascav cruza a BR 101. Fica a poucos metros da placa indicativa do km 81 da rodovia.

Nas fotos aparecem as marcações e a placa indicativa da existência dos dutos, que se encontram numa profundidade de 3 metros. É exatamente no ponto em que anteriormente o tracejei no Google Earth. Segue também imagem com a indicação do local no GPS (no app Maps) no momento da captura das fotos.

Um abraço,
Admardo."





"As visitas da velha senhora"

Aí está mais um belíssimo texto do Luiz Gonzaga Belluzzo. Nele, o economista faz uma incursão histórica sobre a corrupção. Começa com um paralelo tirado da literatura e assim segue descrevendo casos sobre as falcatruas dos espertos, as concorrências darwinistas cartelizadas ou não, ao "mercado de tolos" e também às "relações carnais que acoplam o Estado à grande empresa privada.

Para Belluzzo não há motivos para a conformação com a ideia de que a corrupção seja inerente à condição humana, o que seria para ele, um fenômeno a-histórico. O artigo foi publicado na última terça-feira (07/04) no Valor. Vale conferir.

"As visitas da velha senhora"
A presidente Dilma lançou mão da dramaturgia para dissertar sobre a corrupção, uma Velha Senhora, disse Rousseff.

A obra prima do suíço Friedrich Dürrenmatt, "A Visita da Velha Senhora", expõe em seu enredo dramático as faces ocultas da corrupção, aquelas que se escondem sob as máscaras da virtude. Clara Zahanassian (saudades de Cacilda Becker) volta à pequena e empobrecida cidade natal disposta a reparar a desonra e a humilhação sofridas quando abandonada grávida pelo amante, Alfred. Foi obrigada a sair da cidade.

Voltou montada nos cabedais herdados do marido bilionário que a acolheu depois das agruras da prostituição. Voltou com o espírito encharcado no azedume da "justiça da vingança". Voltou para matar Alfred, oferecendo propina aos moradores da cidade. Os miseráveis aceitaram a bufunfa para "salvar a cidade da bancarrota".

No Brasil da Lava­-Jato, da Operação Zelotes e das contas no HSBC, os partidos políticos empenhados em "salvar a própria cidade da bancarrota" entram em acirrada disputa para "matar os adversários" como os campeões da corrupção. Sugiro a criação do "corruptômetro" junto ao "impostômetro" da Associação Comercial e o "jurômetro" da Fiesp.

A Velha Senhora nos visita desde que viemos ao mundo. Suas aparições, no entanto, se tornaram mais frequentes e tampouco se restringem às cidadezinhas miseráveis: percorrem todos os cantos do planeta.

O ex-­presidente Fernando Henrique cuidou de transferir a corrupção para o quarto dos bebês. Muitos se conformam com a ideia da corrupção inerente à condição humana, um fenômeno a-­histórico e independente das condições sociais em que os corruptos desenvolvem suas proezas. Sobram fatos e razões para sustentar essa hipótese, mas é possível vasculhar momentos na história em que as sociedades, seus valores e suas regras de convivência (escritas e não escritas) são mais ­ ou menos ­ permeáveis às malfeitorias.

Nos Estados Unidos das últimas décadas do século XIX e no início do século XX, as peripécias financeiras, especulativas e corruptas dos "barões ladrões" levaram a sucessivos episódios de destruição da riqueza e das condições de vida dos mais frágeis. As falcatruas se desenvolveram à sombra de um Estado cúmplice da concorrência darwinista. O Estado deixou-­se contaminar de alto a baixo, da polícia ao Judiciário, pela lógica da grana.

Na posteridade da Grande Depressão, o sofrimento popular, Roosevelt e o New Deal inauguraram tempos de respeito às instituições democráticas e republicanas. Em 1936, discursando na convenção do Partido Democrata, Roosevelt disparou contra "...os príncipes privilegiados das novas dinastias econômicas" que "sedentos de poder avançaram no controle do Governo, criaram um novo despotismo e o cobriram com as vestes da legalidade. Os mercenários a seu serviço buscaram submeter o povo, seu trabalho e suas propriedades".

Durou pouco o ethos do New Deal. Nos mandatos de Reagan e de Bush Father & Sons a promiscuidade era escancarada: difícil dizer se estávamos diante de um governo eleito ou de um escritório de corretagem. Mas os ex-presidentes republicanos não eram exceções: o democrata Clinton protagonizou a façanha de impor os interesses dos "príncipes privilegiados" da alta finança sob os aplausos e o apoio entusiasmado dos endinheirados do planeta.

No ocaso de 2014, a corrupção abandonou mais uma vez o quarto das crianças e invadiu o Congresso americano. O Citigroup enfiou um "caco" no Spending Bill (Orçamento de Gasto) de 2015. O intruso anulou um artigo da lei Dodd­Frank que proibia a utilização dos recursos do FDIC ­ aqueles destinados a garantir os depósitos dos cidadãos ­ para socorrer desastres financeiros arranjados por alavancagens imprudentes nos mercados de derivativos. O "caco" foi aprovado por democratas e republicanos sob os protestos da senadora Elisabeth Warren e da deputada Nancy Pelosi. Bravas Senhoras.

Na escalada rumo à crise financeira, as temidas agências de classificação de risco ­ as gigantes Standard & Poors, Moodys, mais a anã Fitch ­ distribuíram generosamente AAA aos instrumentos securitizados de crédito imobiliário (Mortgage Backed Securities). Fundos de pensão, companhias de seguros e demais instituições financeiras "encarteiraram" os ativos bem classificados pelas agências.

Já no início de 2007, quando o valor dos imóveis despencava, as três irmãs concediam AAA a torto e a direito, numa velocidade espantosa. Bilhões de dólares foram avaliados com a nota máxima do "investment grade", o fetiche que ora transtorna a presidente Dilma Rousseff e seu ministro Joaquim Levy.

No auge da crise, os "especialistas" da Goldman Sachs rechearam os bolsos apostando na desvalorização de seus próprios papéis carimbados com grau de investimento pelos serviçais da classificação de risco. Em outros tempos, imagino, tais "avaliações" seriam tipificadas como crimes de estelionato e de formação de quadrilha. No entanto, na era dos mandos e desmandos da finança, o Departamento de Justiça cobrou US$ 1,4 bilhão pelas avaliações, digamos, precipitadas. A Securities and Exchange Commission sapecou uma multa de US$ 77 milhões na Standard & Poors, penalidade acompanhada da proibição imposta à agência de avaliar por um ano "securities" lastreadas em empréstimos imobiliários.

Por estas bandas, a Lava-­Jato e a Operação Zelotes escancaram as relações carnais que acoplam o Estado à grande empresa privada. As burocracias do Estado são convidadas a mediar a concorrência entre os grupos e instadas a escolher ad hoc as regras a serem aplicadas. Leio nos articulistas dos jornalões piedosas lamentações a respeito da "falta de concorrência". É o mercado dos tolos ou são os tolos dos mercados? Quanto aos espertos, basta passar os olhos nas estruturas de mercado em todos os setores da economia global para perceber que é feroz a concorrência "cartelizada" entre as megaempresas. As regras? Pé no peito, acordos entre rivais e grana no bolso dos funcionários espertos.

Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente às terças-­feiras. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists."

Quadro político eleitoral na Espanha

O quadro político eleitoral na Espanha segue embolado, mas esquerda (Podemos) e centro-esquerda (PSOE) seguem na frente. Essa é a mais nova pesquisa divulgada neste domingo pelo jornal El País.

Como se vê, mesmo com o Podemos na frente, o quadro se configura, incrivelmente empatado entre quatro diferentes partidos (Podemos, Psoe, PP e CiU).

Atualmente está no Poder o PP, partido de centro-direita. As eleições nacionais acontecerão em novembro próximo, portanto daqui a sete meses. O Podemos é a versão do partido grego Syriza que hoje mexe no cenário político do continente europeu.

PS.: Atualizado às 16:34.


sábado, abril 11, 2015

A liquefação também do nosso futebol?

Final de semana sempre abre espaço para o assunto mais leve, superando as agruras de uma semana apinhada de coisas para serem resolvidas. 

É nessa toada que li uma boa matéria no caderno Eu & Fim de Semana do Valor cujo título é “Ecos do 7 a 1 – Derrota histórica do Brasil permanece como pano de fundo das transformações em gestação no Brasil” elaborada pelo jornalista Patrick Cruz. A matéria aliás, mostra como ainda é possível, elaborar boas reportagens, em meio ao pastelão de negócios da mídia comercial.

A matéria na íntegra está aqui, mas, infelizmente só acessível para assinantes. Ela traz inúmeras estatísticas e comparações do negócio futebol mundo afora com o Brasil. Ouve e dá destaque à boa turma do “Bom Senso F.C.”. Entre as falas há um destaque para mostrar como “o futebol é o próprio paraíso fiscal” e a necessidade da transparência na gestão das federações e confederação.

Entre os números mostrou-se que atualmente, o país teria 684 clubes de futebol, sendo que 583 vivem sem calendário anual. Diz ainda que na média os clubes grandes jogarão 85 vezes no ano, enquanto que os pequenos, na média apenas 15 vezes, quase sempre nos quatro meses destinados aos campeonatos locais ou regionais. Enquanto, a média de salário anual de um jogador da Série A do Brasileiro é R$ 2,4 milhões, o salário máximo de 82% dos jogadores de futebol do país é de R$ 1,5 mil por mês.

A despeito dos 7 a 1, chorado até pelo bloco de carnaval do Rio esse ano, “o Barbas”, o Brasil segue sendo disparado a origem mais significativa da exportação de jogadores: 566 em 2010; 746 em 2013 e 689 em 2014.

Ainda assim, o que mais me chamou a atenção é o pouco caso com a base, apesar das exportações crescentes, mas a míngua dos pequenos (e prestes a falir e fechar completamente) clubes no futebol brasileiro. Nessa linha se estima que os “20 mil jogadores que só têm atividade nos primeiros quatro meses do ano” buscarão outras atividades profissionais no restante do ano até porque 0% estarão com salários atrasados.

Assim, dificilmente esse fluxo gerado pelos sonhos continuará a acontecer, atraindo a atenção dos jovens que hoje passam a conhecer mais que antes, essa dura realidade que expõe mazelas bem maiores que o já vexaminoso 7 a 1. Mais um caso que parece ir diluindo as nossas identidades.

Assim, usando a expressão do sociólogo polonês Bauman, será que poderíamos dizer que tudo isso parte das muitas consequências dos tempos líquidos da contemporaneidade? Gooooooolllllll!

Mais paradoxos em meio às contradições do mundo contemporâneo

A digitalização, os algoritmos e a comunicação móvel, instrumentos da tecnologia são os condutores do novo jogo global (global game).

A afirmação é do intelectual indiano Ram Charan que esteve recentemente no Brasil para falar para executivos de várias corporações.

O grande dilema (diverso de problema) é pensar para onde isso tudo pode estar levando não apenas a sociedade, mas, a nossa atual civilização.

Não há como não imaginar sobre qual direção esse processo está nos levando, ao identificar que o Charam citou tudo isso, como argumentos para dizer que "nos próximos anos três bilhões de pessoas de diferentes países serão novos cidadãos da classe média consumidora".

Bom e ruim, aliás, como é a vida entre bônus e ônus. Mais inclusão social e econômica, porém, olhado, quase que exclusivamente, sob a ótica do consumo e do aumento da demanda e do tal mercado.

Estamos mais perto e simultaneamente cada vez mais dispersos e longes. Paradoxalmente, parece que fragmentamo-nos e assim tivemos espaços para todo o tipo de banalizações (não apenas do "mal"). Daí para os estranhamentos e as barbáries parece um pulo.

Porém há que ser otimista e desejar uma sociedade pós-capitalista surgida de um não só possível, mas provável, esgotamento desse modelo civilizatório em que tudo é mercadoria e mercado.

Sigamos em frente, porém, sem deixar de observar e relatar o que estamos vendo e vivendo para que as críticas, tenham pelo menos, o poder de amortecer os monstros do mundo ou os demônios de nossas subjetividades.

sexta-feira, abril 10, 2015

Mais sobre o setor de óleo e gás no mundo

Nos EUA desde outubro do ano passado o número de sondas (equipamentos que faz prospecção, perfuração para identificar potencialidade de poços de petróleo) desceu de de 1.609 para 760. Uma queda de mais de 50%.

Assim, se saiu de um período de falta ou encarecimento absurdo pelo aluguel de sondas, para um período de sobras e redução dos valores para alocação.

Só na semana última semana (a 18ª de declínio) a redução foi de 802 para as 760 sondas atualmente em operação nos EUA.

Considerando os elogios, interesses, compras, aumento de participações em consórcios em operação em reservas e campos em nosso litoral, financiamentos externos à Petrobras, mesmo diante dos baixos preços do petróleo no mercado internacional, dos problemas criados pela corrupção, pela falta de balanço e pela entrada de uma nova diretoria, e ainda, diante das declarações das diretorias dessas petroleiras, há que se reconhecer, mesmo que isso não esteja na mídia comercial (por razões já sabidas), que nossas potencialidades no setor são muito significativas.

E explicativas, mesmo para os que não querem enxergar as evidências

Continuamos observando e registrando esse processo.

PS.: É bom relembrar que há equipamentos de sondagem para prospecção offshore e também para trabalhos em terra (onshore).

PS.: Atualização às 17:16 de 11/04/2015: A Petrobras tem hoje 60 sondas a seu serviço no Brasil. Agora, em 2105, a estatal suspendeu o contrato de sete sondas reduzindo o trabalho de perfuração. Entre elas estão sondas da Seadril, Diamond Offshore e da Pacific Drilling, que estavam operando nas áreas do pré-sal. Além disso, a Petrobras reduziu suas encomendas de fabricação no país de sondas ao Consórcio Sete Brasil. Das 28 sondas, fala-se que apenas a fabricação de 18 seriam retomadas. 

Cine na Estrada em Conceição de Macabu neste sábado

Abaixo o blog atende o pedido de divulgação sobre interessante projeto cultural nas cidades do interior, no Norte, Noroeste e Região Serrana Fluminense:

Cine na Estrada SESI Cultural chega à
Conceição de Macabu dia 11 de abril

A caravana levará cinema gratuito para 15 municípios do interior do estado do Rio
O Cine na Estrada SESI Cultural, ação que ao longo do ano exibe filmes brasileiros em praças públicas de 15 municípios do Estado do Rio de Janeiro, chega dia 11 de abril (sábado) em Conceição de Macabu, no Norte Fluminense. Em parceria com as prefeituras municipais, o Cine na Estrada tem como objetivo levar a sétima arte para cidades que não dispõem de salas de cinema ou que, por algum motivo, estão fechadas, além de difundir o cinema nacional através da mostra delongas-metragens premiados. Dos 92 municípios do Rio de Janeiro, apenas 27 possuem salas de cinema, em sua maioria localizadas na região metropolitana.

Depois da estreia em São Francisco de Itabapoana, Conceição de Macabu será a segunda cidade a receber o projeto que faz parte da Caravana SESI Cultural. O cinema montado a céu aberto conta com programação gratuita para toda a família e com direito a pipoca. Em cada cidade são exibidas duas sessões: a primeira, às 18h, para o público infantil, e a segunda, às 20h30, para os adultos. Conceição de Macabu recebe os filmes premiados “Minhocas”, animação sobre as aventuras de jovens minhocas, e “Xingu”, baseado na história real dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas numa missão desbravadora pelo Brasil Central.

A caravana já confirmou passagem por mais seis cidades: Carapebus (18/04), Porciúncula(25/04), Trajano de Moraes (16/05),Santo Antônio de Pádua (23/05), Cantagalo (30/05) e Miracema (20/06). Outros longas, como “Gonzaga - de pai para filho”,  “As aventuras do avião vermelho” e “O menino no espelho”, foram selecionados pela curadoria do projeto e podem variar de cidade para cidade.  

O projeto Cine na Estrada SESI Cultural pretende beneficiar todo o interior do estado do Rio de Janeiro, passando por novas cidades a cada ano.

A Caravana SESI Cultural foi criada em 2010 e, inicialmente, se apresentava através de um pequeno palco montado no chão, com atrações circenses e shows de banquinho e violão. Ao longo dos anos, o projeto cresceu e ganhou um caminhão palco para percorrer lugares diversos, levando música para grandes públicos.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DAS CIDADES JÁ CONFIRMADAS:

11 de abril (sábado) - Conceição de Macabu
Local: Praça Dr. José Bonifácio Tassara s/nº - Centro
Filmes: Minhocas (infantil) e Xingú (adulto)
Horários: Infantil: 18h / Adulto: 20h30

18 de abril (sábado) - CarapebusLocal: Praça Frei Balthazar (conhecida como Praça do Anfiteatro). Filmes: Minhocas (infantil) e Gonzaga - De pai pra filho (adulto)
Horários: Infantil 18h / Adulto: 20h30

25 de abril (sábado) - Porciúncula
Local: 
Praça Antônio Amado, s/nº - Centro - Filmes: As aventuras do avião vermelho (infantil) e Gonzaga - De pai pra filho (adulto)Horários: Infantil: 18h / Adulto: 20h30

16 de maio (sábado) - Trajano de Moraes
Local: CIEP 279 Professora Guiomar Gonçalves Neves. Rua Oliveira Botelho, 
​
s/nº – CentroFilmes: O menino no espelho (infantil) e Xingu (adulto).
Horários: Infantil: 18h / Adulto: 20h30

23 de maio(sábado) - Santo Antônio de Pádua
Local: Praça Monsenhor Diniz - Centro -
Filmes: As aventuras do avião vermelho (infantil) e Gonzaga - De pai pra filho (adulto). Horários: Infantil: 18h / Adulto: 20h30

30 de maio (sábado) - Cantagalo
Local: Praça da Matriz – Centro
Filmes: O menino no espelho (infantil) e Xingu (adulto). 
Horários: Infantil: 18h/Adulto: 20h30

20 de junho (sábado) - Miracema
Local: Praça Dona Ermelinda (RINK)
Filmes: As aventuras do avião vermelho (infantil) e Gonzaga - De pai pra filho (adulto)Horários: Infantil: 18h / Adulto: 20h30

Em Quissamã vice-prefeito assumiu prefeitura com pedido de licença de Octávio Carneiro

No final da manhã desta sexta-feira, (10/04) o vice-prefeito eleito de Quissamã, Nilton Pinto, do PR, também conhecido como Furinga, tomou posse na Câmara de Vereadores. Furinga assumiu o cargo após Octávio Carneiro (PP) solicitar licença para tratamento médico, pelo prazo de 60 dias. Tudo isso ocorre em meio à investigações de uma Comissão Processante (CP), instituída pelo legislativo local, para avaliar procedimentos administrativos da gestão de Octávio. Apesar da licença a Comissão seguirá seus trabalhos de investigação.

PS.: Atualizado às 16:56.

TRE-RJ iniciou hoje recadastramento de eleitores, agora com biometria

A Assessoria de Comunicação do TRE-RJ informa por email ao blog que a partir de hoje, os 354.732 eleitores de Campos dos Goytacazes já podem realizar o recadastramento biométrico na Central de Atendimento ao Eleitor (CAE) do município, localizada na Avenida Dr. Alberto Torres, 81, Centro.

Para realizar o procedimento, é preciso levar documento de identidade original e dentro da validade e comprovante de residência atual. No caso de alteração do nome, é necessária, ainda, a apresentação de documento que comprove a mudança dos dados, como certidão de casamento ou sentença judicial.

Os eleitores do sexo masculino maiores de 18 anos que forem tirar a 1ª via do título devem levar também o comprovante de quitação militar.

Como já comentei a biometria é mais instrumento tecnológico que tenta burlar os "esquemas" montado por espertos. o caso específico, quase sempre com anuência da mesa receptora de votos, dizia-se que gente esperta se aproveitava para votar no lugar de outros, que já sabidamente não comparecia aos locais de votação.

Resta saber agora o que poderá ser usado, em nova e "criativas" espertezas, como a que se soube pela mídia de confecção de dedos e digitais em silicone para fraudar pontos e registros eletrônicos feito com os dedos. A conferir!

PS.: Atualizado às 17:10: O blog resolveu indagar à Ascom do TRE-RJ sobre os prazos para o recadastramento com biometria dos eleitores. Diante do questionamento o blog recebeu a resposta que repassa aos seus leitores:

"Não há prazo final, pois, em todas essas cidades, inicialmente, o recadastramento está sendo feito de forma ordinária, ou seja, não é obrigatório. A Justiça Eleitoral recomenda que todos os eleitores que residem nos locais onde já é possível realizar o recadastramento biométrico o façam o quanto antes. O objetivo é evitar filas no futuro e possibilitar a votação com urnas biométricas em 2016. No entanto, neste momento o procedimento não é obrigatório."