terça-feira, fevereiro 23, 2016

AIE prevê uma demanda global de petróleo de 100 milhões de barris por dia para o final da década e reequilíbrio do mercado entre 2017-2021

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou nesta segunda-feira um relatório com estimativas de médio prazo para o setor de petróleo (Medium-Term Oil Market Report - MTOMR), prevendo reequilíbrio do mercado iniciando em 2017 indo até 2021, mas já levantando riscos de abastecimento pela frente pela ausência de investimentos no presente.

O relatório observa ainda que os preços do petróleo devem começar a subir gradualmente uma vez que o mercado tende a se reequilibrar após grande disponibilidade de petróleo. No entanto, o relatório aponta para o risco de um aumento do preço na parte final do período próximo a 2021.

Durante o lançamento do relatório dentro da IHS CERAWeek em Davos, Suíça, o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, disse que os atuais cortes históricos de investimento no setor aumentaram as "chances de surpresas desagradáveis com a segurança de petróleo num futuro não muito distante".

O relatório prevê 4,1 milhões de barris por dia (mb /d) sendo adicionados a oferta global de petróleo entre 2015 e 2021, bem abaixo do crescimento total de 11 mb/d do período 2009-2015.

A queda no crescimento da oferta vem resposta ao excesso de petróleo no mercado que está pressionando os preços para baixo. A exploração de petróleo global e as despesas de capital de produção (capex) devem cair 17% em 2016, na sequência de um corte de 24% em 2015. Seria a primeira vez, desde 1986, que o investimentos na indústria do petróleo caiu por dois anos consecutivos.

Se prevê ainda que a produção dos EUA possa atingir seu ponto mais elevado em 14,2 mb/d até o final do período de previsão, mas apenas depois de cair no curto prazo, com queda da produção em 0,6 mb/d (ou 600 mil b/d), este ano, e por mais um 0,2 mb/d (ou 200 mil b/d) em 2017 antes de uma recuperação gradual dos preços do petróleo, combinada com outras melhorias na eficiência operacional e de redução de custos, permite a retomada da produção em escalada ascendente.

Pela previsão da AIE, os EUA continuam sendo o maior contribuinte para abastecer o crescimento durante o período de previsão, representando mais de dois terços do aumento líquido não-OPEP. Libertado das sanções, o Irã liderará ganhos da OPEP: produção de petróleo iraniano subirá de 1 mb/d para 3,9 mb/d em 2021.

O relatório vê a demanda global de petróleo crescendo a uma taxa média de 1,2 mb/d até 2021, cruzando o simbólico 100 mb/d marca no final da década, antes de chegar a 101,6 mb / d em 2021.

A AIE prevê um crescimento de consumo indiano, enquanto o crescimento da demanda chinesa esfriaria, em conjunto com a economia. Assim, o comércio global de petróleo continuaria tendo seu pivô na Ásia.

A leitura de cenário da AIE reforça o que venho insistindo sobre a proximidade de um ciclo para o início de um outro.

Além disso, a AIE prevê a continuação de um protagonismo dos EUA na produção e comércio global de petróleo. O que não é nenhuma surpresa. Além disso, a AIE prevê par ao final da década que a demanda global supere a marca histórica dos 100 milhões de barris por dia, conforme tabela abaixo.


segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Mais um semana de debates sobre o ciclo do petróleo em Davos: quem controla a baixa?

Quem iniciou as baixas, como e por quê fez o que fez a gente já conhece. Mas porque ainda há quem permaneça interessado no quadro de colapso de preços ainda não está muito claro.

Talvez, seja a primeira vez que preços baixos de petróleo jogam o mercado bolsista para baixo, simultaneamente, à condição de uma economia real já reprimida e ainda influenciada pela crise de 2008/2009.

É neste cenário que esta semana acontecerá a conferência IHS Energy CERAWeek, com o tema "Transição Energética: Estratégias para um Mundo Novo", que é apontada por alguns, como a Davos do setor de energia.

Nos debates, já se fala no “novo normal” de petróleo barato. Para alguns, ele poderia ter um período mais longo de duração, com baixa no ciclo petróleo com a commodity em abundância, e relativamente barato, talvez, com duração mais dilatada até o final da década.

Uma pausa para explicar que "novo normal" é uma expressão que passou a ser usada por alguns analistas para tentar exprimir uma nova realidade da economia chinesa com percentual de crescimento menor do que a que viveu por mais de uma década.

Outros apostam numa fase de baixa mais curta até o ano que vem. Este assunto deve dominar as discussões em Davos, Suíça, nesta semana.

Seria real a interpretação de que mesmo que os quatro grandes bancos americanos que controlam as mesas de operações das commodities, as grandes tradings que comercializam petróleo, mais as gigantes petroleiras, junto com os interesses geopolíticos das nações produtoras, não conseguem mais, como no passado, controlar todas as variáveis que direcionariam o mercado. Há quem acredite nesta hipótese. Outros não.

Este ano é ano de eleições nos EUA. Isto pode ser apenas coincidência. Ou não. Pode ser outra coincidência, ou não, o fato de que foi neste último mandato presidencial, que os EUA chegou ao topo de maior produtor mundial de petróleo, tendo alcançado o ponto de prescindir do óleo externo e até começar a exportar, o que antes era impedido por lei.

Historicamente, os republicanos sempre foram ligados ao setor. Apenas para lembrar.

Os bancos emprestaram muito dinheiro para os produtores de xisto e se apavoram com o presente. Por lá, os “produtores independentes” de xisto chegaram a gastar US$ 32 bilhões a mais do que ganharam no primeiro semestre de 2015, no esforço para ampliar a produção, quando o colapso de preços se manteve para além do período de tempo esperado.

No meio desta confusão, o acordo da Arábia Saudita com a Rússia feito na semana passada, com apoio da Venezuela, Catar e outros produtores menores, não produziu os resultados que o “mercado” chegou a imaginar. Eles não controlariam mais todo o processo. Assim, repito que há quem acredite nisto. Ou não.

Assim, as pressões sobre as petroleiras, as nações, as tradings e os bancos crescem. A mídia comercial vende versões a quem, mesmo com dinheiro mais curto, olha o horizonte de um novo ciclo, enquanto outros pensam que seria mesmo realidade este “novo normal” do petróleo com preços baixos por ainda mais tempo. 

De outro lado, há quem avalie que os cortes de investimentos históricos que estão sendo feitos no setor de petróleo podem trazer surpresas sobre segurança energética gerando anormalidades em novo ciclo.

Como no jogo de pôquer é sempre perto do momento do blefe que saem as maiores apostas. As manipulações e especulações no mercado seguem atropelando incautos, sejam executivos, investidores ou nações. A conferir!

domingo, fevereiro 21, 2016

E a caravana passa: Petrobras coloca em operação + um FPSO e seu maior gasoduto submarino - Rota 2

Enquanto os problemas são enfrentados, a caravana segue seu curso. Entre todas as grandes petroleiras do mundo, a Petrobras, certamente é que enfrenta, na conjuntura atual, os maiores desafios que juntou a fase de colapso de preços no ciclo do petróleo e, ao mesmo tempo, as sérias consequências de gestão da Operação Lava Jato.

Os problemas são gigantescos. Troca de diretoria e de todo o Conselho de Administração. Investigação e punição de seus maiores fornecedores de equipamentos, obras e serviços. Suspensão e redução de contratos para dar conta do cenário e ainda a administração de uma grande dívida, contraída para um ousado projeto de investimentos, planejado na fase de boom, do ciclo da commodity petróleo.

Pois bem, em meio a tudo isto e às reformulações de projetos de todas as grandes petroleiras do mundo, a Petrobras vai seguindo seu curso na condição de uma corporação global, mesmo diante das pressões de todas as pressões do “mercado” reverberada e com forte apoio a mídia comercial, e em parte do judiciário.

Mesmo assim, nos últimos dias, dois grandes projetos estão entrando em operação, com notícias discretas na mídia comercial, mais interessada em bombardear e fragilizar a empresa, e assim facilitar seus "apoiadores" na luta para obter e adquirir os ativos da estatal, assim como mexer na condição da Petrobras, de operadora única das reservas da camada do pré-sal.

Como venho estudando o assunto como alguma profundidade resolvi trazer aos leitores e colaboradores mais detalhes sobre estes dois projetos que estão entrando em operação no meio deste tufão de pressões:

FPSO Cidade de Maricá
O FPSO Cidade de Maricá já foi alocado na área de Lula Alto, no campo de Lula, foi interligado aos poços e deverá estar em produção nestes dias. Ele é sétimo grande sistema definitivo de produção do pré-sal da Bacia de Santos. A capacidade de produção diária do navio-plataforma (FPSO) Cidade de Maricá é de até 150 mil barris de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás.

A unidade vai produzir, armazenar e transferir petróleo ancorada a uma profundidade de 2.120 metros e a cerca de 270 quilômetros da costa. Com mais este sistema de produção, a camada pré-sal contida nas Bacias de Santos e de Campos já responde por 35% da produção brasileira de petróleo.

Segundo a Petrobras, a consolidação da Bacia de Santos, que responde por 70% da produção da camada pré-sal, vem se dando há pouco mais de cinco anos, com uma média de lançamento de uma grande plataforma a cada nove meses.

A performance da produção tem se mostrado dentre as melhores em termos mundiais, sendo que os quatro primeiros sistemas de produção, instalados entre 2010 e 2014, permanecem produzindo praticamente a plena capacidade (475 mil barris diários de petróleo, com apenas 19 poços produtores) e os três mais recentes, que estão em fase de crescimento da produção, também apresentam o mesmo alto desempenho com relação aos poços já em operação (205 mil barris diários de petróleo com apenas sete poços produtores).

A Petrobras informa que o primeiro desses grandes sistemas a entrar em produção foi o Piloto de Lula, em outubro de 2010 (FPSO Cidade de Angra dos Reis). Na sequência foram implantados o Piloto de Sapinhoá em janeiro de 2013 (FPSO Cidade de São Paulo), o Piloto de Lula Nordeste em junho de 2013 (FPSO Cidade de Paraty), Lula/Iracema Sul em outubro de 2014 (FPSO Cidade de Mangaratiba), Sapinhoá Norte em novembro de 2014 (FPSO Cidade de Ilhabela), Lula/Iracema Norte em julho de 2015 (FPSO Cidade de Itaguaí) e Lula Alto em fevereiro de 2016 (FPSO Cidade de Maricá).

Ainda em 2016, entrarão em operação mais dois grandes sistemas definitivos de produção, o projeto Lula Central (FPSO Cidade de Saquarema) e o projeto Lapa (FPSO Cidade de Caraguatatuba).

Rota 2 pode levar à redução de importação de gás pelo Brasil
A segunda importante instalação que entrou em funcionamento no dia 12 de fevereiro é o maior gasoduto submarino (401 km) já construído no Brasil, o Rota 2 que interliga a Bacia de Santos, no campo de Iracema Sul, onde está o FPSO Cidade de Mangaratiba, ao Parque (terminal) de gás de Cabiúnas (TECAB), em Macaé, Bacia de Campos.

O gasoduto Rota 2 interliga instalações das duas maiores bacias petrolíferas do Brasil e tem capacidade para escoar 13 milhões de m³/dia. Para isso o TEcab teve a sua capacidade de processamento ampliada para 28,4 milhões de metros cúbicos por dia, de forma a receber o gás proveniente do pré-sal da Bacia de Santos e, também, da Bacia de Campos.

Mapa dos gasodutos Rota 1,2 e 3 da Petrobras interligando as plataformas a terminais em terra



























O Rota 2 está também conectado ao FPSO Cidade de Paraty, no campo de Lula Nordeste) e adiante será ligado ao FPSO Cidade de Itaguaí, instalado no campo de Iracema Norte. Estas três plataformas produziram juntas, em dezembro passado, um total de 16 milhões de m³/dia. O resultado disto é mais produção e assim, o Brasil poderá reduzir importação de gás da Bolívia e, mais adiante, também o gás natural liquefeito (GNL), hoje importado para ser regaseificado em terminais no Ceará e no Rio de Janeiro.

O que isto significa?
Este dois fatos poderiam ser considerados um processo natural do planejamento anterior. Mas, como já foi comentado, diante da conjuntura atual, eles não podem ser considerados como fatos corriqueiros ou naturais. Não, não é pouca coisa diante também, da redução dos ritmos das obras e instalações que a conjuntura obrigou. Observar com mais acuidade estas informações e ligá-las a outros fatos, observando a importância em organizar a empresa para um novo ciclo, tem importância econômica e geopolítica para o Brasil. 

A nível interno é interessante observar que mesmo que a produção do pré-sal que tem 35% de toda a produção de óleo e gás do país, 70% dela está instalada na Bacia de Santos. Sendo assim, começa-se a ter agora, um movimento em que a produção no litoral paulista cresce para ser enviado ao ERJ, num movimento inverso ao que se teve há cerca de quinze anos, quando existiam reclamações do óleo sair do RJ para ser processado em refinarias paulistas. 

É certo que o debate tributário, em meio às discussões dos royalties e participações especiais (PE), arrecadação de ISS e ICMS se tornarão mais frequentes. O avanço da conclusão do Comperj em Itaboraí para processar o óleo também se intensificará.

Além disso, observemos que que o gás da Bacia de Santos já está sendo encaminhado para o Terminal de Cabiúnas em Macaé, RJ.

Assim, eu sigo comprovando como se está construindo um "Circuito Espacial de Produção do Petróleo" no litoral fluminense, vinculado ao paulista, para além do Norte Fluminense, um dos subtemas de minha pesquisa.

Este espaço que envolve boa parte do litoral Sudeste está sendo cada vez mais interligado, não apenas pelos modais de transportes mais conhecidos (rodoviário e ferroviário), mas também pela via marítima e pelas dutovias, por malhas de oleodutos e gasodutos. Continuamos acompanhando e conferindo!  

sábado, fevereiro 20, 2016

Entrevista sobre os significados do Porto do Açu para a comunidade de São João da Barra

Aí está uma entrevista que dei ao site SJBOnline.

Apreciei a forma como fui abordado para a entrevista. Me disseram que gostariam de uma entrevista que ajudasse a comunidade de São João da Barra a compreender melhor as vantagens e desvantagens da instalação do Porto do Açu. Estavam dispostos a publicar na íntegra a opinião que vem sendo construída há cerca de uma década de estudos e pesquisas.

Assim, eu tinha pela frente um desafio de buscar sair da superficialidade dos comentários soltos, para uma análise mais abrangente e ao mesmo tempo compreensível para a maioria das pessoas. E que pudesse explicar desde a origem, o processo de instalação, mais os seus significados para a população local e regional.

Entendo que esta é uma obrigação pública de todo pesquisador/professor diante da população. Não sei se o esforço e a tentativa de desocultar algumas questões ao público em geral foi bem sucedida. Fui extenso demais nas respostas, mesmo com a preocupação em ser conciso e sintético.

Enfim, aí está o seu conteúdo. Ela expressa opinião e uma interpretação da realidade que vem sendo pesquisada, mas não é isenta de críticas.

Ao inverso, eu penso que é do debate que podemos avançar tanto na compreensão da realidade, quanto no desenvolvimento de ações e projetos que possam tornar o empreendimento particular, como algo importante também para a comunidade.

Link: http://www.sjbonline.com.br/noticias/porto-do-acu-discurso-de-sustentabilidade-e-hipocrisia



Jornal online de São João da Barra
SJBONLINE.COM.BR

PS.: Atualizado às 14:30: Para trazer para este espaço um início de diálogo que aprofunda alguns pontos citados na entrevista. Primeiro o comentário de Douglas da Mata que é seguido de minha observação sobre a questão levantada levando a discussão para uma visão ampliada sobre a questão portuária no ERJ:

"douglas da mata disse...
Sem retoques.

A desnecessidade de estocagem com a fluidez permanente e o enfraquecimento dos "laços comunitários" dos portos em relação aos territórios ocupados é a essência da busca do Capital pelo máximo de transformação acumulatória alienando os contingentes humanos.

Se antes havia uma noção "nacional" e estratégico dos portos em relação as demandas públicas, o que para o bem e para o mal deformava e mudava a cidade, que também reagia e mudava os seus portos, hoje a relação é unilateral, muito mais autoritária, chegando ao absurdo da entrega de enormes faixas de território a empresas privadas com suas regras que atacam o interesse público e a soberania nacional.

Como exemplo irônico e trágico desse processo é a "revitalização portuária no centro do Rio". Uma artificialidade tocada a bilhões de reais para encobrir a acumulação imobiliária quando a atividade portuária, per si, definha, haja vista a natureza "antiga" daquele ramal urbano de carga.
12:19 PM
Roberto Moraes disse...
Sim Douglas. Essa fluidez resultante de um processo onde a etapa de circulação (que as corporações chamam de logística) seguem num movimento que tente a zero (não apenas pela velocidade, mas pelos custos reduzidos de fretes) ajuda explicar esta distância e os "enclaves" que são as corporações que rejeitam se misturar com as pessoas e com o território. Este debate avança com os estudos e investigações sobre o tema "porto-cidade".

Este movimento ocorre no mundo inteiro. Assim, as áreas de armazenagem foram (ou estão sendo ainda) muito reduzidas e ocupadas pelo capital imobiliário que se vale dos investimentos públicos que valorizam a terra já adquirida por eles nestes locais, que agora passam a ser reutilizados.

Vale observar que assim se tem portos antigos que geraram a criação de cidades ao seu redor que têm a área do seu entorno "revitalizada" e especialmente "revalorizada" (formação de valor), com outros portos em áreas, relativamente virgens de baixo custo que vão servir aos complexos logísticos industriais. Ou os MIDAs (Maritime Industrial Development Areas), no caso do Brasil chamada da 5ª geração de portos. Na Europa esta concepção nasce na década de 80, há quase três décadas e possuem como referências o MIDAs do porto de Roterdã na Holnada, Havre na França e depois Antuérpia, na Bélgica e Hamburgo na Alemanha. Assim, os portos-indústrias oferecem a ideia da economia na ligação entre fornecedores e produtores e o porto para iniciar o movimento de transporte da produção até o consumidor final.

O caso do Porto do Rio, se insere no primeiro caso. Além disso, apesar de ser um porto público (organizado) ele possui diversos terminais concedidos a grupos ligados à logística. Eles ganharam prorrogação da concessão para ampliar os pieres e para modernizar a movimentação de cargas com novos e gigantes guindastes (gruas) automatizados, assim como os portêineres, enquanto o setor público se encarregou de fazer para eles a dragagem para aprofundamento dos canais de atracação para receber navios maiores, dentro do movimento de gigantismo naval que puxa o gigantismo portuário.

Desta forma, o porto do Rio se moderniza. Avançam os píeres para dentro da Baía de Guanabara, enquanto, as áreas antigas dos armazéns são cedidos para o projeto imobiliário que justifica o "Porto Maravilha". Ampliam-se o esquema de porto seco, onde o alfandegamento é feito junto à produção e seguem por corredores de rodovia ou ferrovia até o porto onde chega e é embarcado com alta fluidez. Além disso, no caso do Porto do Rio e junto ao porto de Niterói foram montados bases de apoio à movimentação de cargas para atender a exploração offshore de petróleo. Hoje estas bases já movimentam mais cargas que o TUP de Imbetiba em Macaé para apoio offshore, por conta do atendimento duplo da Bacia de Santos e a parte sul da Bacia de Campos.

Atendendo às pressões destas concessionárias de terminais na Baía da Guanabara (portos Rio e Niterói) novas alças de ligações modais (rodoviária e ferroviária) foram e continuam sendo construídas para dar fluidez a uma base portuária no centro de uma metrópole. Parte que não é atendida ali vai para Itaguaí e uma outra parte tenderá se dirigir para o norte no Porto do Açu.

Assim cresceu a arrecadação da prefeitura com ISS e do estado com ICMS, apesar de diversas isenções ou reduções de alíquotas.

Douglas, a sua observação me permitiu aprofundar um pouco mais a questão a partir da questão que levantou sobre a fluidez que tem a ver com tempo, dinheiro e também com o espaço no sistema em que vivemos.
2:08 PM."

PS.: Atualizado às 22:08: Ainda sobre o tema do uso do solo, da relação entre a cidade e o porto, mais a reforma urbana é interessante ler aqui a entrevista da professora Ermínia Maricato, na revista online "Região e redes",  cujo título é: "As cidades, o mosquito e as reformas" que pode ser lida íntegra aqui. Abaixo separei um trecho de sua penúltima resposta. O grifo é nosso:

"Para a reforma urbana precisamos também combater o analfabetismo urbanístico ou geográfico, que atinge também muitos economistas, advogados etc. A terra é um componente que se renovou na globalização financeirizada. Cada pedaço de cidade é único. A aplicação da função social da cidade, da função social da propriedade e do IPTU progressivo são fundamentais. A especulação imobiliária empobrece as cidades. Mas, muitos a veem como progresso e desenvolvimento. A universidade teria uma tarefa importante aí".

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Macaé passa Campos em orçamento total em 2015: o que isto significa?

Em 2015, pela primeira vez, o município de Macaé ultrapassou o de Campos dos Goytacazes em receitas dentro do orçamento anual. Utilizando dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) até outubro de 2015, o percentual a mais, a partir do último relatório de execução orçamentária divulgado é de cerca de 17%: R$ 1,756 bilhão em Macaé x R$ 1,502 bilhão em Campos.

Campos. Fonte: PMCG
Os números oficiais dos dois últimos meses do ano ainda não foram informados à Secretaria do Tesouro Nacional e ao Tribunal de Contas do RJ. Porém, se, por estimativa se usar e repetir a receita do bimestre anterior, os orçamentos executados dos dois municípios devem ter se aproximado para: Macaé com R$ 2,086 bilhões x Campos com R$ 1,750 bilhão, uma diferença de 19,2% nos orçamentos.

Campos tem uma receita de royalties e participações especiais (PE) maior que Macaé desde 1998/1999. Em 2015, Campos ficou com um receita total de royalties + PE de R$ 618,4 milhões, enquanto Macaé ficou com R$ 343,4 milhões. Assim Campos teve receita cerca de 80% maior que Macaé. Em 2014, estes valores foram de R$ 1,208 bilhão para Campos e R$ 542 milhões para Macaé.


População e orçamento per capita e sua relação com as transferências

Além disso, Campos dos Goytacazes possui maior população com 483.970 habitantes em 2015, segundo projeções do IBGE. Já Macaé tinha, no ano passado uma população de 234.628 habitantes, portanto, um pouco menos que a metade de Campos. Assim, o orçamento per capita de Macaé passou para R$ 8.890, enquanto em Campos é de R$ 3.615, ou seja, menos da metade.

Uma maior população significa o recebimento de uma transferência maior de recursos, no setor da educação (FNDE e Fundeb) e saúde (SUS).


O peso da receita de ISS e do repasse do ICMS
Porém, a grande diferença na economia dos municípios é a receita de ISS (Imposto sobre serviços) e o repasse de ICMS. No Imposto sobre serviços (ISS) Macaé chega ter uma receita seis vezes maior que Campos.

Em 2014, Macaé arrecadou com ISS a quantia de R$ 611 milhões, enquanto Campos recebeu R$ 105,8 milhões. Em 2015, até outubro (último relatório) Macaé tinha arrecadado R$ 593,4 milhões contra R$ 73,9 milhões.

Outra importante receita em que Macaé ultra ultrapassa Campos e assim, supera a diferença a menor com os royalties + PE é com o repasse do ICMS que de forma indireta significa a presença de empresas no município e das informações anuais via Declan ao governo estadual. Em 2014, Macaé recebeu de repasse da quota de ICMS a quantia de R$ 517,8 milhões, Enquanto campos dos Goytacazes ficou com R$ 365 milhões, uma diferença de R$ 152 milhões.


É preciso compreender a diferença entre Economia do Petróleo e Economia dos Royalties e o seu rebatimento espacial
Como se vê, a grande diferença se atribui ao conceito que passei a usar, não apenas em notas no blog, mas em artigos científicos que é a diferença entre o que passei a chamar Economia do Petróleo & Economia dos Royalties.

Neste quesito, Macaé vive das duas economias, mas a sua vida econômica depende mais da cadeia do petróleo e das empresas, com os tributos que geram, do que com as receitas dos royalties, como os municípios dependentes, a que se passou a chamar de petrorrentista. A Economia do Petróleo tem imensa capacidade de arrasto sobre outras atividades, enquanto a Economia dos Royalties é rentista.

Terminal de Imbetiba Petrobras. Fonte: Blog Roberto Moraes
Interessante observar que mesmo com a redução das atividades econômica em Macaé em 2015, por conta da crise do preço do barril de petróleo - e mesmo com os desdobramentos da operação Lava Jato na Petrobras e as consequências para toda a cadeia do petróleo - a receita com ISS de Macaé, em 2015, foi maior que a de 2014. Enquanto isso, a redução dos royalties atingiu igualmente os dois municípios e fortemente Campos dos Goytacazes.

Observando o movimento espacial deste processo é possível prognosticar que adiante, o município de São João da Barra, com o Porto do Açu, tenderá a absorver parte destas empresa ligadas à cadeia de petróleo offshore.

Desta forma, SJB ampliará paulatinamente a sua receita, tanto de ISS, quanto de transferência de ICMS, pela presença destas empresas do segmento de petróleo em seu território. Como a maior parte delas é de serviços, elas geram um imposto municipal. Como o valor deste serviços geralmente é alto, os impostos tendem a crescer na mesma proporção. 

Esta é a mudança espacial que chamei no artigo que publiquei na revista “Espaço e Economia” como o movimento do "Circuito Espacial do Petróleo e dos Royalties". (Se desejar leia aqui)


O estudo comparativo serve apenas como referência, porque todo município precisa se planejar para enfrentar as dificuldades e ser melhor no futuro que o presente e o passado
A comparação entre os municípios serve apenas como referência para melhor se compreender a dinâmica econômica, produtiva e social, mas não se deve ir além disso. 

A melhor comparação a ser feita, em termos de análises de políticas públicas é de um município com ele mesmo, ao longo do tempo e de uma série histórica. Ainda assim, há muito mais a ser observado e estudado.

É importante ressaltar que este fato se deu no ano de 2015 e, certamente, se repetirá em 2016. Em 2014, Campos teve o último orçamento maior que Macaé com receita de R$ 2,723 bilhões contra R$ 2,211 bilhões de Macaé.

Como se pode identificar, desta forma, a queda da receita total de Campos foi bem maior do que a de Macaé (Campos perdeu cerca de R$ 950 milhões – sendo R$ 590 a menos de royalties + PE - e Macaé perdeu R$ 125 milhões – sendo R$ 200 milhões a menos de royalties + PE, tendo assim, R$ 75 milhões compensado em outras receitas). Isto se explica pela maior dependência que o orçamento de Campos tem dos royalties do petróleo.

Interessante ainda observar que mesmo Campos tendo bem menos domicílios que Macaé, a receita de IPTU desta última foi maior do que a de Campos.


A mudança de paradigma e as conclusões para pensar o futuro
Essa mudança de paradigma, com Macaé passando a Campos no orçamento total em 2015, de certa forma, repete o que em 2000/2001 pelo NEED/IFF (Núcleo de Estudos em Estratégia e Desenvolvimento) identificamos, quando Macaé também ultrapassou Campos, no número absoluto de empregos, decorrente da ampliação da base operacional da cadeia produtiva do petróleo e do gás.  

Desta forma, agora, no ERJ, depois da capital o maior orçamento é o de Duque de Caxias, que em 2015 alcançou R$ 2,439 bilhões. A seguir vem Macaé que teve orçamento projetado em 2015, de R$ 2,228 bilhões e pela projeção deve ter arrecadado R$ 2,086 bilhões. Campos, agora passa a ficar na quinta posição. Pela ordem: Rio, Duque de Caxias, Niterói, Macaé e Campos dos Goytacazes.

Assim, o debate mais importante continua sendo sobre a qualidade do uso dos recursos públicos, assim como, a necessidade de uma política regional que possa planejar políticas colaborativas entre os municípios, assim como ampliar o debate para a participação da população na escolha desta prioridades. 

O desejo de diversificação da economia já é hoje, um consenso, porém da intenção à prática e à realidade há um caminho complexo e difícil que é além de necessário, urgente. A postagem como as demais tem o intuito de contribuir com a qualificação do debate sobre as políticas públicas nos municípios da região. 

Adiante pretendemos ampliar a análise para outros municípios da região, a exemplo do que fizemos em 2004, quando foi editado o livro Economia e Desenvolvimento no Norte Fluminense: da cana de açúcar aos royalties do petróleo, que possui um capítulo sobre a radiografia do orçamento do Norte Fluminense.

Suítes hoteleiras em Campos

Segundo informação de uma fonte do setor imobiliário de Campos, nos últimos anos foram lançados no município projetos para cerca de 2.000 suítes hoteleiras.

Uma parte delas foi entregue. Outras estão em construção. Segundo a mesma fonte, projetos lançados e não iniciados, possuem grande chances de não serem concretizados.

Este processo de construção de prédios com suítes hoteleiras ocorreu no país inteiro, em cidades de médio porte, acompanhando um movimento que já existia nas capitais.

Todos os projetos tinham como intenção a captura de recursos que circulavam, ou estavam parados em poupança nestas cidades. Algumas com potencial turístico, outras nem tanto.

Um dos prédios com suíte hoteleira em Campos
Assim, bandeiras conhecidas ofereciam seu nomes e suas marcas para este processo de atração, em troca de rendimentos no aluguel e hospedagem nas referidas suítes.

O boom da economia facilitou este processo, assim como um primeiro projeto concluído que chegaram, no momento de boom da economia, a oferecer boa rentabilidades aos investidores.

Não é preciso ser especialista para perceber que a ampliação da oferta das suítes trariam problemas. Assim, hoje há questionamentos judiciais entre as partes e uma rentibilidade baixíssima em relação ao que foi investido.

Mesmo nas cidades turísticas com potencial enorme de hospedagem, os investidores começaram a perceber que outros investimentos, mesmo imobiliários, seriam mais interessantes, porque ficariam menos sujeito às variações destas hospedagens temporárias que caem fortemente, com a retração da economia, em relação a apartamentos e escritórios. Neste campo, também parece ter havido um excesso de oferta na cidade, mas deixaremos para comentar em outra nota adiante.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Destino da Anglo American no Açu

A Anglo American que ontem anunciou prejuízo de US$ 5,6 bilhões em 2015, informou que pretende reduzir de 45 para 16 o número de operações em minas, mas não confirmou e nem descartou a venda do Sistema Minas-Rio no Brasil que exporta minério de ferro pelo Porto do Açu.

Unidade de filtragem, secagem da FerroPort (Anglo American + Prumo) no Porto do Açu

"A confiança no mercado financeiro volta com o crescimento e não com a austeridade".

A frase não foi por militante progressista e sim pelo chefe de Macroeconomia e Políticas de Desenvolvimento da Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), vinculada à ONU, Alfredo Calcagno, na Suíca.

Calcagno disse ainda que a economia mundial está passando pela terceira etapa da grande crise financeira inciada em 2008. Para ele, "na primeira etapa todo mundo foi golpeado simultaneamente pelo choque financeiro, com súbita interrupção do crédito bancário e colapso do comércio. Aí todo mundo fez política expansionista com bons resultados. A partir daí vários governos, principalmente na Europa, combinaram política fiscal restritiva com política monetária expansionista levando à segunda etapa da crise".

Calcagno discorda desta receita porque ela teria dado grande liquidez, mas não gerou demandas. Por isto diz que o capital rumou para investimentos em países emergentes, ou de novo, para o setor imobiliário. Assim, julga que agora os emergentes estão sendo golpeados com a desaceleração econômica e a "degringolada" dos preços das matérias-primas (commodities).

Para a Unctad, os problemas de fundo da crise de 2008 não foram atacados, como a concentração de renda que cresce desde os anos 80, uso inadequado de políticas macroeconômicas e uma regulação financeira ainda muito deficiente. Tudo isto debilitou o crescimento da demanda e fragilizou as economias. Para Calcagno o investimento público é o que precisa ser feito mais rapidamente, para impulsionar o investimento privado.

A situação das economias nacionais variam, mas é exatamente este o debate que se está travando no Brasil. Ampliar a inclusão social é solução e não problema, como tentam insistir alguns. Aliás, o Calcagno fala dos investimentos públicos em infraestrutura como estratégicos, porque eles aumentam a arrecadação de impostos, reduzindo déficit e criando novas áreas para ampliação das atividades econômicas. Este é o caso do Brasil com o PIL (Plano de Investimento em Logística), que mesmo com muitos problemas, tende a render adiante. Aliás, parte disto, já está acontecendo.

Esta abordagem que consta de uma matéria do Assis Moreira de Genebra, Suíça, para o Valor, confirma que a saída da crise financeira focada exclusivamente na questão fiscal é um equívoco. Lembro que a abordagem e análise feitas para a economia global servem para compreender a forma com que o Brasil está nela incluída e de onde se pode observar as saídas. Algumas já implantadas, outras em curso e mais sendo necessária. A saída pela recessão é uma aberração!

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Os significados da fala do presidente mundial da Shell sobre o potencial de petróleo no Brasil

Foi ontem muito reverberada a fala do CEO global da Shell, Van Beurden, sobre seus interesses no pré-sal e que mesmo aliada à Petrobras - defendendo seu peixe - ele justifica que ela pode (ou deve) deixar de ser operadora única, fazendo coro com o pessoal do mercado interessado em abocanhar os ativos de petróleo no Brasil, neste momento de desvalorização cambial, aliada aos preços baixos do barril.

Porém, mais significativa é outra parte de sua fala que reafirma o que temos seguidamente afirmado aqui:

"O Brasil será um país-chave na nossa estratégia", afirmou. "Está seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a produção em águas profundas, é o maior."

Van Beurden disse acreditar na competitividade do pré-sal, mesmo em um cenário de petróleo barato. "O break even (preço de equilíbrio dos projetos) é muito favorável, mesmo nessa faixa de preços. E, se os preços caem, os custos também caem".

O presidente (CEO) global da Shell está no Brasil desde ontem para dirigir a fusão completa da Shell com a BG. É simbólico que ele tenha vindo ao Brasil fazer isto, depois de investir US$ 70 bi e a reafirmar outra fala dele, no ano passado, ao garantir que a compra da petroleira britânica BG, tinha como principal justificativa, os ativos desta no Brasil.

A BG tem a maior expertise mundial em GNL que agora passa para a Shell. A BG, agora Shell tem contrato com a Prumo no Porto do Açu.

No meio deste cenário há quem continue querendo entregar nossas reservas, depois de termos amargado o período mais difícil, deixando os louros de um novo ciclo para outros, os mais espertos. Estes que hoje bem remuneram a mídia comercial como parte de suas estratégias de negócio.

Quem se ajustar, trabalhar e esperar o novo ciclo - sabendo que ele vai ser conflituoso e cheio de flutuações - ganhará mais.

Os negociantes podem esperar outros negócios, mas a nação ainda necessita deste eixo de crescimento econômico, que pode e deve ser, sob as diversas dimensões - especialmente a ambiental - bem cuidada, assim como os frutos do fundo soberano para a inclusão social.

Fora daí será apenas mais ouro negro para os de sempre.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Seguem as flutuações no preço do barril de petróleo que chegou a US$ 34,39

As flutuações de preço do barril de petróleo seguem sugerindo manipulações sobre o mercado, aparentemente, mais que notícias e fatos.

Na última sexta-feira o valor subiu o percentual de 12%, um dos maiores, para um único dia. Os argumentos eram o de sempre: redução de estoques e um possível acordo entre a Opep e a Rússia para conter a produção e assim, reduzir ou zerar, o excesso diário de produção que hoje atinge a cerca de 1,75 milhões de barris por dia.

Por trás disso estão as tradings e os bancos que controlam o comércio do petróleo, que até aqui, vinha sendo feito feito exclusivamente em dólar e agora Rússia e China estão mudando esta realidade.


Neste campo é difícil separar o que é fato do que é notícia "plantada". As notícias veiculadas geram lucros e por isto sua divulgação é sempre muito bem remunerada.

Como há quem ganhe, há também os que perdem. Invariavelmente, grandes corporações, oligopólios e bancos de um lado e pequenos, médios investidores e menores petroleiras de outro.

É neste cenário que hoje, até aqui, o barril de petróleo brent, abriu valendo US$ 32,81 e chegou a US$ 34,39.

Para quem não conhece o assunto em detalhes, saiba que a maior trading do setor de petróleo, negocia diariamente, a bagatela de mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia, quase o dobro de toda a produção brasileira de petróleo.

Com este volume é possível entender como se pode interferir nos preços e fluxo da commodity petróleo. Continuamos acompanhando o ciclo.

Três sobre o Porto do Açu

Para iniciar a semana, o blog resume três informações sobre o Porto do Açu que divulgadas em diferentes fontes e formas, levam a compreensões equivocadas. A maioria das informações sobre o empreendimento saem quase sob a forma de propaganda (release), sem interligação das relações entre os fatos e muito menos sob análises e interpretações sobre os seus significados econômicos e impactos sobre a região:

1) Desde o final da semana passada se faz uma grande divulgação sobre a autorização da Secretaria Especial dos Portos (SEP) - que tem status de ministério - para a operação do terminal ou base de operações portuárias para apoio às explorações offshore a partir do Terminal 2 do Porto do Açu. Nada mais se trata do que a base do grupo americano Edison Chouest, através de uma de suas empresas, a Brasil Port, montada para atender contrato com a Petrobras, obtido a partir de licitação ocorrida em 2014 e finalizada ano passado. O terminal tem cerca de 1 km de cais e prevê a construção de outros berços além daqueles contratados pela Petrobras para movimentação de cargas para atendimento às explorações de petróleo offshore.

Terminal 2 do Porto do Açu, onde se localiza base da Brasil Port e área OSX
2) A holding Prumo Logística Global S.A., controlada pelo fundo financeiro americano EIG, continua caminhando no seu esforço de definir o preço das ações, para pagar os acionistas minoritários, detentores de puco mais de 25% das ações, para concretizar o fechamento da empresa. Seguindo o script três laudos de bancos sobre o valor real das ações foram apresentados. Eles são muito discrepantes e também distante do valor atual das ações na Ibovespa.

A intenção de fechar o controle da empresa, eximindo de prestar informações e ter mais liberdade de agir tem significados que estão sendo interpretados de diversos modos. Não é por acaso a aproximação de negócios com empresas americanas, não apenas a Edison Chouest, mas há conversas adiantadas com outras empresas americanas do setor petróleo, como a FMC Technologies que atua com equipamentos submarinos (subsea) e que possui uma importante base operacional em Macaé. Mais adiante avançaremos neste assunto.

3) A OSX que antes da crise das empresas do grupo EBX entrarem em crise projetou um estaleiro, a Unidade de Construção Naval (UCN) no Açu continua em recuperação judicial. Na semana passada comentamos aqui (10/02) sobre a assunção de parte de suas ações pelo fundo árabe de Abu Dhabi, Mubadala, através de sua empresa 9 West que ficou com 29% de suas ações. Os investidores minoritários possuem 34% e Eike Batista ainda 37%, embora não tenha mais o controle da empresa.

No final de janeiro passado, a Prumo, Santander e Votorantim (dois últimos bancos com ações obtidas a partir de troca por conta de empréstimos não bancados pela OSX) colocaram novos R$ 30,89 milhões na empresa, na expectativa de mantê-la, enquanto não se consegue outras receitas. Bom registrar que a OSX na verdade é mais que uma empresa, porque também se transformou numa holding que controla outras empresas como a OSX 1, OSX 3, OSX 3 que são empresas próprias, na verdade plataformas de petróleo, embora antes controlada pela OSX Leasing Group B.V na Holanda.

A OSX 1 funcionou e abandonou recentemente o campo de Tubarão Azul na Bacia de Campos pela OGPar (ex-OGX). Esta plataforma hoje está na Noruega para ser vendida em partes. A OSX 3 está ainda operando no campo de Tubarão Martelo, também da OGPar, mas já pediu à ANP para interromper a produção. Ela deverá ser entregue a credores, por pagamento de parte das dívidas. A OSX 2 foi construída na Ásia e nunca entrou em operação e está sob o controle do banco ING que é líder entre os credores.

Hoje, o maior interesse da OSX é ter receita alugando área junto ao Porto do Açu e do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB). Ou seja, de todo o projeto da empresa OSX que chegou a ser uma holding, hoje, ela espera se transformar numa espécie de imobiliária para viver da renda do aluguel das terras (3,2 milhões de m²) que por sua vez obteve de aluguel da Prumo (ex-LLX) que por seu lado conseguiu a maioria das terras, pela desapropriação que o governo estadual, através da Condin, obteve dos pequenos produtores do antigo 5º Distrito de São João da Barra. Num vai-e-vem difícil de ser compreendido pela maioria das pessoas, mesmo as informadas, esta área alugada pela OSX, é hoje gerida pela Prumo, a partir de nomeação obtida pelos credores, por dentro do processo de recuperação judicial da OSX.

A OSX também é sócia da Mendes Junior no Consórcio Integra que monta módulos e de plataformas em base no Açu e outros estaleiros no Brasil. O projeto também previa integração destes módulos em FPSO no Açu, mas a crise com as empreiteiras que atendem à Petrobras alterou este projeto, embora ainda esteja acontecendo, mais lentamente, a montagem de módulos no Açu. (Parte das informações sobre a OSX foram obtidas em matéria do jornalista Francisco Goés, do Valor).

PS.: Atualizado às 13:13: para completar a terceira informação sobre o Porto do Açu.

domingo, fevereiro 14, 2016

A vida na urbe adensada: o caso da Pelinca em Campos é pequeno diante do descaso nos demais bairros e ditritos

Mais dois endereços, no caso, uma residência, já em início de demolição, na Rua Manoel Teodoro, na Pelinca, em Campos.

Em apenas um pequeno quarteirão, a rua, que possui as maiores calçadas na área urbana, dos dois lados, tem entre terrenos vazios e casas vazias sendo comercializadas, um total de quatorze.

Era um processo previsível. Levantei em 2001 a questão da verticalização e do adensamento da Pelinca em pesquisa e artigos. Era previsível o processo que não cessa nem com a redução das atividades econômicas da região, neste período de royalties escassos.

Os problemas de administração da urbe vai certamente muito para além da Pelinca e de sua verticalização. Os problemas de saneamento, urbanização e mobilidade nos demais bairros são cada vez mais intensos.

A gestão urbana agora com muito menos recursos será um desafio que precisará ser enfrentado com coragem e determinação.

Para isso é necessário entender os problemas e os interesses em jogo e saber para quem, prioritariamente, se governa.

Infelizmente, outras exigências que estavam nas propostas originais do Plano Diretor foram suprimidas no legislativo, em favor de menos obrigações, que deveriam constar para novas edificações em local já adensado. O mesmo ocorre, em bem maior garu, com relação a exigências e contrapartidas dos incorporadores em outros bairros mais distantes do centro.

Há que se lamentar a tendência geral da sociedade em compreender apenas o interesse do proprietário ou construtor, deixando de lado a preocupação com os impactos de vizinhança e a vida em comunidade. 

Insisto, novamente, no "bem viver" na pólis. A cidade é o local do encontro, da vida, do compartilhamento que deve estar acima dos outros interesses, como os puramente econômicos e direitos de propriedade. Isto não é exigir demais. É direito.

PS.: Sobre o caso da rua Manoel Teodoro, pelo menos agora, os vizinhos poderão se ver livres da água da piscina (veja foto) que há meses o colocam em risco. Como na vida não há bônus sem ônus, esperem as obras do novo prédio.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

China concedeu empréstimos de US$ 10,7 bilhões a empresas brasileiras em 2015. US$ 8,2 bi só à Petrobras

Os empréstimos foram via dois bancos chineses: Eximbank e Banco de Desenvolvimento. O valor de US$ 10,7 bi é o maior da América Latina e equivalente a um terço do total emprestado a empresas e governos do continente.

O valor do empréstimo é maior do que os empréstimos concedidos ao Brasil pelo Banco Mundial e BID somados. O fato mostra a mudança já em curso, nas relações desenvolvidas pelo Brasil com o exterior, não apenas no destino das exportações, mas no financiamento concedido a empresas brasileiras.

Esta realidade é ainda mais simbólica se for observado as tratativas em curso, para investimentos em diversos projetos de infraestrutura, especialmente ferrovias e também portos. O fato pode também ajudar a explicar pressões em curso, de diversas naturezas.

O empréstimo concedido à Petrobras de US$ 8,2 bilhões teria como acordo o pagamento em barris de petróleo. Não há informações se acordo de empréstimo teria como referência um valor do barril de petróleo, ou apenas o produto.

Diante da hipótese de não ter referência no valor do barril, o acordo seria bastante interessante para a Petrobras, considerando a redução do valor do barril e o peso do endividamento da empresa.

Fonte da informação que gerou os comentários do blog: estudos divulgados em Washington e publicados em matéria do Valor Online aqui.

PS.: Atualizado às 01:42: Diante deste quadro de empréstimo de US$ 8,2 bilhões à Petrobras, caberia perguntar para aqueles que diariamente fazem pouco caso da estatal: será que os chineses seriam bobos?

Considerando que o presidente (CEO) mundial da Shell afirmou taxativamente que um dos principais motivos da compra por US$ 70 bilhões da petroleira britânica oficializada no final do ano, seriam os ativos que esta possui no Brasil, poderíamos voltar a perguntar: seria a Shell ignorante em termos de investimentos na área de petróleo?

Ou a China e a Shell estariam erradas e os colunistas econômicos da mídia comercial brasileira corretos em suas "isentas" análises? O blog deixa a resposta para o leitor/colaborador do blog.

Irã manifesta ao governo brasileiro interesse em construir as duas refinarias de petróleo no Nordeste (CE e MA)

Segundo notícia da agência Reuters, o governo iraniano teria interesse na construção das refinarias Premium I, no Maranhão, e Premium II, no Ceará.

O projeto destas duas refinarias no Nordeste foram suspensos em 2015, em função dos custos, necessidade de investimentos, endividamento da empresa, além dos baixos preços e rentabilidade da empresa.

Ontem, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Eduardo Braga, afirmou a jornalistas, segundo a Reuters que ao longo dos últimos meses o governo "está tratando com iranianos a questão de refinarias no Brasil". Mas ele não deu mais detalhes. Braga esteve reunido nesta quinta com a presidente Dilma Rousseff e um grupo de ministros, incluindo o da Fazenda, Nelson Barbosa, para discutir sobre possíveis parcerias comerciais com o Irã. "A fonte no governo salientou, no entanto, que as discussões sobre parcerias na área de refino estão numa fase muito inicial."

A matéria da Reuters diz outros pontos. O blog destaca a parte em negrito:

"Para esse assunto ser tratado como embrionário, ainda tem de evoluir muito", disse a fonte, na condição de anonimato.

A ideia dos iranianos seria trazer o óleo até o Brasil, refiná-lo no Nordeste e vender os derivados no mercado brasileiro, segundo a fonte, que não detalhou se os atuais preços controlados dos combustíveis poderiam ser um problema.

Não havia clareza imediatamente se o investimento poderia envolver a Petrobras, que retirou os projetos das duas refinarias premium de seu plano de negócios, em meio a dificuldades financeiras e a um escândalo bilionários de corrupção que afetou a empresa.

A Petrobras não comentou imediatamente a informação".

Trading de recursos minerais negocia Sistema Minas-Rio da Anglo American no Brasil

As tradings que controlam o comércio de recursos minerais no mundo estão de olho nos ativos que a britânica Anglo American está vendendo no Brasil, incluindo a mina de minério de ferro, em Conceição de Mato Dentro e o Sistema Minas-Rio, com mineroduto até a unidade de filtragem e exportação no Porto do Açu.

Hoje, as tradings que lideram o setor é a Glencore, Xstrada, Trafigura. Esta última, com sede na suíça, hoje controla o Porto Sudeste, projeto do Eike Batista, construído na Baía de Sepetiba em Itaguaí.

Executivos destas empresa têm montado outras tradings com o mesmo objetivo. É possível perceber que aos poucos, as tradings ligadas aos bancos e fundos financeiros, hoje, lucram bem mais que as próprias mineradoras.
Unidade de filtragem e exportação do Sistema Minas-Rio no Porto do Açu

Aos poucos estes fundos passaram a controlar os sistemas portuários e assim o fluxo mundial e a logística de circulação destas commodities minerais pelo mundo.

Assim, algumas tradings estão surgindo a partir da divisão de outras a partir do poder econômicos ampliado destas empresas especializadas no comércio mundial de commodities.

Este é o caso da X2 que nasceu de um ex-presidente da Xstrada e está negociando o Sistema Minas-Rio via, dois grandes bancos americanos, Goldman Sachs e Morgan Stanley que acompanham os movimentos bolsistas das empresas de produção e comercialização de commodities.

Mesmo que os ativos de nióbio e manganês da Anglo American estejam previstas de serem vendidas para a mineradora anglo australiana, BHP- Billiton, que é sócio da Vale na Samarco, a possibilidade de uma trading, ligada a fundos financeiros assuma o projeto Minas-Rio, reforça a interpretação de que cada vez mais, os projetos que se originaram com o empresário Batista, vão passando para as mãos destas tradings controladas por fundos financeiros.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Comércio exterior da América Latina vive momento de baixa (em valores)

Estudo da Cepal aponta que o triênio 2013-2015 foi o pior em três décadas, e termos de desempenho em comércio exterior (exportações e importações). O infográfico abaixo dá detalhes sobre o desempenho por nações e também sobre a origem dos produtos.

O quadro parece refletir a baixa de toda a economia mundial, que na AL foi amplificada pela queda do valor das commodities, que tem o maior peso no comércio exterior da região.

É bom recordar que os dados se referem a valores, e não a volumes de comércio exterior, que acredito será liberado em breve pela Cepal. Em volume de exportações é provável que se tenha uma estagnação, ou menor redução do que nos valores do comércio exterior.

Para ver a imagem em tamanho maior clique sobre ela.


quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Cade aprova que fundo Mubadala fique com ações que restam das empresas do grupo EBX

Na época do auge das empresa do grupo X, controladas pela holding EBX, do empresário Eike Batista, foi informado - muita gente embarcou - que o fundo árabe de Abu Dhabi, Mubadala teria adquirido o equivalente a 6,32% das ações do grupo.

Isto serviu para inflar ainda mais o valor das ações das empresas X. Porém, esta sociedade nunca existiu. O que o Mubadala acordou foi efetivamente um empréstimo de US$ 2 bilhões. Agora, o que o fundo está fazendo é executando esta dívida, como já fez o Bradesco, em outro empréstimo do BNDES, em que o banco foi avalista e tinha ficado com cerca de 6% da Prumo (Porto do Açu).

Abaixo a matéria do Valor de hoje, sobre a aprovação do Cade sobre a absorção das ações da OSX, CCX, REX, etc. Todo este processo mostra como o projeto de infraestrutura foi capturado por capitais estrangeiros. Os pequenos acionistas brasileiros, estão ficando, literalmente, a ver navios.

"Cade aprova aquisições do grupo Mubadala em empresas "X"
"A superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição de participações societárias do Grupo Mudabala na OSX, CCX CIGH, REX SUL e REX IV, integrantes do Grupo EBX, controlado por Eike Batista. 


A decisão foi publicada nesta quarta-feira no “Diário Oficial da União”. Parecer disponível no site do Cade não detalha o valor pago pelo grupo que pertence ao governo do Emirado de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ou quais as participações compradas. 

As negociações foram anunciadas na metade de janeiro. A OSX, em recuperação Judicial, atua no setor de equipamentos e serviços integrados direcionados à indústria naval e offshore, a CCX Carvão da Colômbia foi criada em maio de 2012 para desenvolver um projeto de mineração de carvão na Colômbia, bem como um sistema logístico integrado voltado às suas operações com carvão.

Já a Companhia Industrial de Grandes Hotéis (CIGH) atua apenas no mercado de investimentos em propriedades hoteleiras, embora não seja operacional atualmente, assim como a Rex Sul Empreendimentos. A Rex Empreendimentos Imobiliários IV (Rex IV) atua no setor de desenvolvimento imobiliário e não é operacional."


PS.: Atualizado às 12:55: para corrigir título.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

As cinzas das bolsas!

Enquanto o carnaval segue aqui abaixo do Equador, nos trópicos, com zika e tudo, os mercados sofrem, como se fossem gente, lá em diferentes pontos do Norte.

Ontem, Wall Street nos EUA. Hoje as bolsas do Japão fecharam em queda de 5,4%. A gripe de 2008/2009 tem suas tardias microcefalias também.

Diante deste movimento não há como não lembrar do Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia que sempre lembra a necessidade de se fazer a distinção entre "mercado bolsista" e "economia real".

Para tudo se acabar na quarta-feira!

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Pergunta do leitor sobre captação de água de chuva no Itaóca

O blog recebeu a pergunta abaixo do Tadeu Teixeira. Eu não tenho a resposta, mas repasso à rede (network) dos colaboradores do blog, indagando quem poderia ter a resposta:

"Prezado. Li seu breve comentário sobre o Morro do Itaoca em Campos dos Goytacazes-RJ, bem como uma série de outros comentários.

Segundo uma pesquisadora famosa no meio acadêmico, a primeira captação de água de chuva no Brasil teria se dado no arquipélago de Fernando de Noronha em 1943 por indivíduos dos Estados Unidos da América. Você como professor, pesquisador e blogueiro talvez pudesse dissipar minha dúvida por eu acreditar que isto tenha acontecido no morro do Itaoca em Campos dos Goytacazes, em face de que as antenas para captação de ondas de rádio talvez tenham sido instaladas antes de 1943 e com elas o sistema de captação de água de chuva existente na casa mais antiga do morro, que é usada por um funcionário que fiscaliza as antenas e dá algum suporte lá. No morro do Itaoca não existe água disponível, a não ser da chuva, que é usada para limpeza em geral. Você teria a informação sobre as antenas e a data da instalação do sistema de captação de água de chuva lá? Alguma sugestão de pesquisa sobre o assunto? Abç. Tadeu."


PS.: Atualizado às 16:08: Para inserir uma primeira resposta do professor Luiz Pinedo que foi coorientador do Tadeu Teixeira:

"Caro Roberto,
 
A captação de água de chuva sempre existiu nas áreas litorâneas e de baixadas costeiras, por conta de que a água existente no sub-solo é salobra.
 
As florestas que existiam antes dos períodos geológicos glaciais, a última glaciação ocorreu aproximadamente 10 mil anos, o mar estava a vinte km da linha de costa atual. No caso de Campos tem de captar água em poços profundos, os poços rasos não possuem água de boa qualidade. 

No caso das datas e pesquisas, me lembro que a Instalação de sistemas modernos de captação de água nas nossas grandes cidades; São Paulo e Rio de Janeiro. ocorreram a partir de 1900,1910 quando as Cidades apresentaram crescimento Populacional acima de 1 milhão de Habitantes, e os antigos sistemas de chafarizes e bicas de água, passaram a ser insuficientes.

Existe um documentário da TV Educativa da Bahia mostrando onde se localizam estes antigos chafarizes. Meu avô Giacomo Moretto fazia Captação da água da chuva, desde os anos 30. 

Assim, existiam formas alternativas de captação de água desde o final do séc. XIX. Me lembro na minha infância na Praia Grande-SP, que não existia água por sistema de abastecimento de água, e que a água dos poços freáticos eram de péssima qualidade. Abastecíamos com água potável via um afloramento no Morro do Chichova. Meu avô construiu uma caixa de 10.000 l de captação de água de chuva. 
 
Recomendo que ele pesquise na Biblioteca da SABESP e do Curso de Eng. Hidráulica da USP, COPPE, etc.
 
Abraços e bom carnaval."

sábado, fevereiro 06, 2016

Anglo American confirma demissão de 220 trabalhadores em Minas Gerais

O blog em contato com pessoas da comunidade de Conceição de Mato Dentro, MG, onde localiza a mina de minério de ferro e o início do mineroduto que chega ao Açu, sobre a crise e a venda dos ativos na Anglo American no Brasil, recebeu informação de que a própria empresa, já admitiu a demissão de 220 trabalhadores. Abaixo a matéria do jornal De Fato Online:

"Anglo American se manifesta sobre demissões"
"Após publicação de matéria nessa quarta-feira, 3 de fevereiro, sobre a possibilidade de demissão de 300 funcionários da Anglo American em Conceição do Mato Dentro, a assessoria de comunicação da empresa entrou em contato com a redação de DeFato Onlinepara se posicionar sobre
a situação.


De acordo com a empresa, as demissões realmente ocorreram, mas não chegam a 300, como disse o presidente do Sindicato Metabase, Paulo Soares de Souza. Segundo a mineradora, foram dispensados, no dia 1º de fevereiro, 220 pessoas. Contudo, as rescisões não são só em Conceição do Mato Dentro, mas no projeto Minas-Rio em geral.

Leia, na íntegra, o posicionamento da Anglo American:

A Anglo American informa que efetuou, no dia 1º de fevereiro, o desligamento de cerca de 220 empregados da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da empresa devido ao atual cenário do setor de mineração, com baixas constantes nos preços dos produtos e alta instabilidade do mercado global. Por causa desse contexto, a companhia está conduzindo uma ampla reestruturação com foco em redução de custos, o que tem culminado na realização de revisões orçamentárias e redução no quadro de funcionários.

A empresa lamenta a perda desses profissionais, no entanto ressalta que a execução da medida foi necessária para a continuidade do negócio de minério de ferro. Todos os desligamentos foram planejados e conduzidos com extremo cuidado e respeito às pessoas.

Os empregados desligados atuavam no Sistema Minas-Rio, operação de minério de ferro localizada nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro e atualmente em fase de ramp-up."

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Redução de 98% no lucro das grandes petroleiras deixa claro a fase de colapso do ciclo

Ainda há quem queira entender a crise do setor de petróleo no Brasil, apenas sob a lógica dos desvios de recursos da Petrobras. Eles precisam ser combatidos e enfrentados.

Porém, o problema maior desta cadeia global é o fim de um ciclo que atinge todas as grandes corporações do setor, desde as petroleiras, até as corporações de engenharia e tecnologia que dão apoio ao setor.

A matéria de hoje do Renato Rostás, do Valor "Lucro líquido das gigantes recuou 98% no ano passado" dá uma dimensão do tamanho do colapso de mais um ciclo no setor. O infográfico exposto inicialmente é muito representativo daquilo que a matéria mostra. Ela traz dados de seis grandes petroleiras, em termo de receita, produção e investimentos. A seguir o blog transcreve parte da matéria. A íntegra do texto pode ser lido aqui.


































"Lucro líquido das gigantes recuou 98% no ano passado"
Com a forte queda dos preços do petróleo e os custos ainda altos de exploração e produção, o lucro das principais petrolíferas do mundo foi praticamente a zero no ano passado. O Valor levantou os balanços de Royal Dutch Shell, Exxon Mobil, Chevron, BP, Statoil e Pemex e constatou que o resultado líquido das seis empresas ficou em US$ 1,6 bilhão durante 2015, recuo significativo de 98% perante 2014. 

BP, Pemex e Statoil registraram perdas na última linha do balanço anual de 2015. Já para Exxon, Shell e Chevron, o ano foi de queda no lucro líquido.

As seis petrolíferas são as maiores do mundo em produção que já apresentaram as demonstrações financeiras de 2015 até agora. A Petrobras ainda não revelou seus dados, mas tem potencial para reduzir ainda mais os números. De janeiro a setembro, a estatal obteve lucro líquido de US$ 971 milhões, 58,8% a menos do que no mesmo período de 2014, e a maioria dos bancos espera prejuízo para a companhia no acumulado de 2015. A Petrobras ainda não marcou data para divulgar seus resultados.

As companhias informaram que vão economizar ainda mais recursos, onde for possível. Os investimentos, por exemplo, que servem para manutenção dos campos já em atividade e para novas extrações que permitem a reposição dos barris em reserva, já caíram 20% em 2015, para US$ 148,6 bilhões. São US$ 38 bilhões que deixaram de ser aplicados.

Mas, no próximo ano, esse corte deve aumentar. As previsões anteriores das empresas - neste caso, a Pemex não está inclusa - apontavam para investimentos de US$ 122 bilhões em 2016. Com a divulgação dos resultados do quarto trimestre, as estimativas diminuíram para US$ 112,8 bilhões, ou 7,5% a menos. Os números levam em conta também o BG Group, adquirido pela Shell, mas mesmo assim a redução no orçamento pode ser da ordem de 17% em 2016.
...

"A conclusão é que vemos a produção americana de petróleo já começando a cair, liderada pelos declínios no xisto", afirma o analista Thomas Pugh. "A redução é uma das principais razões pelas quais acreditamos que os preços vai subir nos próximos anos. A projeção para o fim de 2016 é de US$ 45 por barril."

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Ciclo econômico segue afetado pelo petróleo

E o ciclo do petróleo segue arrastando a economia global que patina, inclusive nos EUA. Veja notícia do final desta manhã: "Reuters: Wall Street cai 2% por desempenho da Exxon Mobil e pressão do petróleo".

O lucro da Esso caiu 58% de US$ 6,5 bi para US$ 2,7 bi no 4º trimestre. A petroleira BP também anunciou uma perda anual de 6,5 bilhões de dólares, a maior de sua história. A americana Chevron (Texaco) também reportou prejuízo na sexta-feira.

Assim, a Opep espera que a Rússia aceite mudar a estratégia para reduzir a produção de petróleo, assim reduzir os excedentes no mercado para voltar a puxar o preço para cima. 

Sozinha, a Opep (hoje com 30% da produção mundial) não consegue decidir nada. A grande Rússia tinha 50% de todas as suas receitas fiscais do país, dependente do óleo e do gás em 2014. Com a redução do preço este percentual caiu em 2015 para 43%. 

Aí se vê o peso do óleo na economia russa, um país com o dobro da extensão do Brasil, com uma população um pouco menor que a nossa e significativo desenvolvimento tecnológico. No Brasil, o peso da economia do petróleo é estimado em 12% do PIB, sendo estudos do Ministério da Fazenda.  

Voltando ao plano global, estudos de macroeconomia já identificam a estranheza de que pela primeira vez, os excedentes que sobravam com os gastos menores com a compra do petróleo nos países importadores, não estão ajudando a economia como antes, quando iam para o consumo aquecendo o "mercado".

Se esta sobra não está indo para o consumo, este dinheiro só pode estar indo para a poupança nos bancos e fundos, na espera de investimentos para um novo ciclo que é parte do sistema. A conferir!

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Anglo American tenta vender seus negócios no Brasil, incluindo Sistema Minas-Rio

Na semana passada quando o blog informou aqui sobre a suspensão temporária das atividades da empresa finlandesa Wärtsilä, junto ao Porto do Açu, fontes ligadas à empresa FerroPort, joint-venture entre as empresas Prumo e Anglo American, no "Sistema Minas - Rio" para exportação de minério de ferro pelo porto, repassaram informações sobre as preocupações com a manutenção dos negócios, diante da relação entre o preço no mercado internacional x custos de extração e logística, com a entrega de minério de ferro pela empresa, em outros continentes.

As informações falavam da hipótese de demissões de trabalhadores e de negociação da empresa, ou mesmo suspensão temporária das atividades. No mercado de minério se sabe que a paralisação das atividades tem um custo enorme que pode interferir na retomada do negócio adiante.

Fato é que ontem, o blog do Ancelmo Gois hospedado no Globo deu a nota abaixo:

"Bye, bye, Brasil"
"A mamute e centenária mineradora Anglo American receberá propostas, dia 15, para vender todos os ativos no Brasil, e não só os de fosfato e nióbio.
Estão à venda: Minas Rio, de minério de ferro; Barro Alto, de níquel; e Coperbras, de fosfato e nióbio.
Negócio de US$ 3 bilhões.

"Tombo bilionário...
Só a Minas Rio, que a Anglo comprou de Eike Batista, em 2007, deve ter enterrado uns US$ 15 bi.
"

Hoje, outra fonte do blog nos enviou publicação do site internacional, especializado em mineração "Mining", que aprofunda a informação sobre a venda dos ativos da Anglo American no Brasil, inclusive com a informação sobre o interesse especial da BHP Billiton (sócia da Samarco junto da Vale) nos negócios de Nióbio da Anglo American no Brasil.

Em resumo o Mining dise que:
1) Na semana passada, a Anglo já havia afirmado que estava revendo sua estratégia de produção para o Minas-Rio visando garantir custos operacionais mais baixos, sem dar mais detalhes, ou mencionar quaisquer potenciais planos para vender o ativo. Sobre o assunto disse ainda que a mina tinha sido afetada por atrasos e custos suplementares desde Anglo comprou por US$ 5,5 bilhões em duas etapas em 2007-2008 da MMX, do empresário Eike Batista.

Mina em Conceição do Mato Dentro, MG. Foto Mining.com
2) O porta-voz da empresa disse Mining.com que a Anglo iria definir os seus planos detalhados de carteira em meados de fevereiro e que neste intervalo, seria errado especular sobre o assunto, acrescentando ainda que a empresa não faria mais comentários sobre o assunto.

3) A BHP estaria entre os licitantes nas minas de nióbio e fosfato da Anglo que estaria mais propenso segundo relatos locais em fazer venda completa destes ativos, em vez de dividi-los. A Anglo American é o segundo maior produtor mundial de nióbio, material usado em ligas de alta temperatura para motores a jato e aço leve para carros. A mina onde a Anglo faz a extração de nióbio Usina Boa Vista está localizada em Goiás valeria US$ 325 milhões e produziu 2.934 toneladas de nióbio no primeiro semestre de 2015.

4) A Anglo American já se desfez de outros negócios em diversas partes do mundo, entre estes: minas de cobre no Chile, ativos de carvão na Austrália e platina na África do Sul. Além disso, no mês passado, a empresa também concluiu a sua saída do Oriente Médio ao realizar a venda de seu negócio de Tarmac para Colas Moyen Orient, uma subsidiária da empresa de engenharia e construção francesa Bouygues Grupo.

5) A Anglo American planeja consolidar seus negócios em três das seis unidades que possui atualmente. O presidente-executivo Mark Cutifani prometeu em dezembro que a Anglo seria "uma empresa muito diferente" depois avançar com o seu plano de reestruturação, chamado "de portfólio radical de reestruturação. Tal reorganização incluiria a redução da sua força de trabalho total de 135.000 para apenas 50.000 em 2017".

Base operacional da FerroPort (Anglo + Prumo) no Porto do Açu:
Unidade de filtragem, secagem e correia para exportação no Terminal 1
Enfim, resta saber até onde a Anglo encontrará interessados na venda dos "ativos" em minério de ferro do Sistema Minas-Rio que além da mina, no município de Conceição de Mato Dentro, MG, possui um mineroduto e uma unidade de filtragem, secagem e embarque junto ao Terminal 1 do Porto do Açu. 

Pelos relatórios da Prumo, os investimentos da Anglo American, só no Porto do Açu, somaram R$ 3,3 bilhões. Segundo a Anglo American o potencial de exploração da mina é de 5,8 bilhões de toneladas de minério de ferro

Desde o primeiro embarque no final de 2014, mais de 40 embarques de navios graneleiros com minério de ferro teriam sido feitos no Terminal 1 do Porto do Açu. Só em 2015, a Prumo diz que foram exportados mais de 6 milhões de toneladas, de um universo anual previsto para 26,5 milhões de toneladas. A conferir!

PS.: Atualizado às 12:10: Com alguns outros dados sobre a Anglo American e com o comentário abaixo.

Este tipo de movimento faz parte do que chamamos de "Geografia das Corporações" previsto dentro dos grandes ciclos econômicos e vinculados aos ciclos das commodities. Estes agem sobre o espaço, constituindo circuitos espaciais de produção que, como este, possui bases em MG e Rio, que se constituem nos investimentos em capital fixo sobre o território.

Este movimento é manejado pelas corporações que manipulam o capital, cada vez mais controlado pelos grandes fundos financeiros (bancos de investimentos). Momentos como este de colapso dos ciclos é quando se faz o recolhimento do excedentes, que assim voltam a ser centralizados, em oligopólios e monopólios.

As comunidades e regiões, são quando muito, detalhes ou apêndices, pouco interferindo no processo, embora muitíssimo impactado por todos estes movimentos, que geram desde os conhecidos problemas sócio-ambientais à especulação econômica que tudo encarece. Os poucos empregos que atendem aos trabalhadores das comunidades locais são os mais facilmente retirados, quando da ocorrência desta fase de colapso dos ciclos. 

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Temor com a construção da ponte SJB-SFI

Há um temor velado por parte da população de toda a nossa região com a crise financeira do governo estadual e com as possíveis repercussões sobre os investimentos em obras.

Teme-se, que da mesma forma que já acontece com o custeio de importantes atividades no dia a dia da população, como se está vendo na saúde e na educação, a situação interfira na construção da ponte entre São João da Barra e São Francisco do Itabapoana.

Assim, é natural o temor, mesmo sabendo que o empenho já foi feito pelo estado, toda a obra é sempre paga em partes, conforme a medição do avanço da execução da construção.

A preocupação é maior porque seria repetiria a infelicidade da interrupção da construção de uma segunda ponte, sobre o Rio Paraíba do Sul, entre os dois municípios, antigamente, uma mesma cidade, com a região do litoral e outra chamada então de Sertão. A hipótese seria terrível, em todos os sentidos.

Não apenas da frustração com a nova interrupção, cerca de 40 anos depois da outra ponte, com a indesejável hipótese de existência de um novo paliteiros de estruturas dentro do Rio, ligando nada a lugar nenhum.

Ao passar pela rodovia BR-356, vendo o guindaste e o canteiro de obras próximo a Barcelos, eu desci para observar as obras. Assim, eu percebi que uma parte sobre terreno estava seguindo adiante, mas aparentemente, a parte sobre o leito do rio, nada ainda teria sido feito. Veja foto abaixo.

Além disso, não sei confirmar se procede a informação de que as obras nas duas cabeceiras de interligação das vias de um lado e outro (em SJB ligação com a BR-356 e RJ-196 em SFI) não teria feito parte do pacote da obra da ponte.

Se confirmada a informação, a preocupação deverá ser ainda maior, num momento em que o governo estadual sequer consegue pagar o funcionalismo estadual e informa que o déficit de 2016, é ainda mais complicado e se situa em torno de R$ 16 bilhões.

Dentro deste número o valor da obra de R$ 105 milhões, parece pouco, mas considerando a escassez financeira do estado, ele se torna vultuoso. O projeto da ponte SJB-SFI prevê uma extensão de 1.344 metros, com 16,0 metros de largura.

Todos nós torcemos para que a ponte seja concluída e evitemos mais um espigão de obra, como já conhecemos muitas na região, em Barra do Furado, da Marinha em Atafona, além da estrutura da ponte da época da antiga Cobráulica. A conferir!

PS.: Atualizado às 16:16: Fotos enviada ao blog pelo professor Romeu e Silva Neto. Elas foram feitas no dia 4 de novembro de 2015, por Heitor Barcelos, aluno de engenharia civil da Uenf, em visita técnica à obras do lado de SJB.