quarta-feira, agosto 01, 2012

MPF consegue no TRF a suspensão das atividades da Chevron e TransOcean na Bacia de Campos

Da Ascom do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro:

"A pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinou que, em até 30 dias, as empresas Chevron e Transocean suspendam suas atividades de extração e transporte de petróleo no Brasil. A ordem judicial resulta de uma ação movida pelo MPF após um vazamento de óleo na Bacia de Campos em novembro passado (outro acidente em março gerou uma segunda ação). Se as rés não atenderem à Justiça, receberão uma multa diária de R$ 500 milhões, valor que acompanhou o requerido pelo MPF.


A 5ª Turma do TRF2 acolheu, nesta 3ª feira (31), o recurso da Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2) contra a decisão de um desembargador que, em abril, negara o seguimento do pedido de liminar do MPF. No recurso, o procurador regional da República Celso de Albuquerque Silva discordara do desembargador, que atribuíra à Agência Nacional do Petróleo (ANP), e não ao Judiciário, o papel de punir a Chevron e a Transocean.


“O Tribunal entendeu, como sustentou o Ministério Público Federal, que era preciso suspender as atividades das empresas, que não colaboraram o quanto deveriam nem aplicaram sua tecnologia para evitar ou reduzir os graves danos do acidente”, diz o procurador regional da República Celso de Albuquerque Silva. “O perigo da demora fica claro nas autuações da ANP e no laudo técnico que atestou como foi duradouro o vazamento de óleo cru.”


Disputa judicial – A decisão tomada pelo TRF2 refere-se ao pedido de liminar (ordem válida até o julgamento da sentença) da ação do MPF, cujo pedido principal é uma indenização de R$ 20 bilhões pelos danos sociais e ambientais provocados pelo acidente. Essa ação foi proposta em dezembro à Justiça Federal em Campos pelo procurador da República Eduardo Santos de Oliveira. Em Campos, o juiz decidiu remeter o processo a uma Vara na capital fluminense, num entendimento contestado pelo MPF. Em fevereiro, a 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, onde o processo foi acompanhado pela procuradora da República Gisele Porto, negou o pedido de liminar, levando o MPF a entrar com recurso junto ao TRF2 (processo nº 2012.02.01.004075-2).

5 comentários:

Manoel Ribeiro disse...

Pelo que entendi a decisão refere-se à produção e transporte de petróleo. Porém, a Transocean é uma empresa de perfuração. Ou seja, ela pode continuar operando normalmente, certo?

Roberto Moraes disse...

Caro Manoel,

Eu tive este mesmo entendimento, mas, não conheço o teor completo da decisão.

Sds.

xacal disse...

Roberto,

Há muito mais por trás desta disputa, aparentemente, demarcada pelos contornos do incidente na Bacia.

Os caríssimos advogados das petroleiras, com o beneplácito da nossa jurisprudência que sempre tenta se "adequar" aos interesses do grande capital, tentam emplacar duas "teses", que não atacam apenas esta lide, mas vão no âmago da disputa pelo controle das reservas do pré-sal.

As duas teses são complementares:

01- Tentou-se construir a teses de que não é possível determinar o "local exato" do dano ambiental, como forma de "desaforar" estas batalhas judiciais para cortes superiores, geralmente mais "compreensíveis" e distantes do controle local dos cidadãos das comarcas.

02- Esta primeira "tese" dá azo a outra: discutir os limites territoriais da reserva pré-sal, incluído aí a rediscussão dos limites soberanos da nossa plataforma continental, e das "águas internacionais".


O laudo dos peritos da PF, negando a existência do dano ambiental revela que o jogo é muito mais "pesado" que se imagina.

Roberto Moraes disse...

Tem razão Xacal,

o furo é mais embaixo, considerando que haverias sinais de que a jazida a grande profundidade se conecataria também oom o oeste da África.

Abs.

xacal disse...

Está aí a re-criação da 4ª Frota, cominado com o apoio imediato ao golpe paraguaio, que escancara a possibilidade de uma base estadunidense naquele país, com localização estratégica para apoio aero-naval a esquadra do Tio Sam.