terça-feira, maio 02, 2017

Se não houver freio o rumo é a volta para a senzala e escravidão

Se já não bastassem os primeiros passos para isto feito com a reforma trabalhista aprovada na Câmara e que pode ser rejeitada no Senado, os parlamentares da base do governo golpista estão indo além e ultrapassando qualquer limite.

Agora é mais um deputado tucano, Nilson Leitão (PSDB, MT) que deseja a todo custo avançar sobre o trabalhadores rurais. Em projeto complementar ao que foi aprovado, o representante do centro-oeste quer que as empresas possam voltar a pagar seus funcionários com moradia e alimentação, chamado de remuneração de qualquer espécie.

Ou seja, a volta daqueles armazéns e das casas das usinas que prendiam os empregados aos seus cadernos de notas sempre impagáveis.

Porém, o Leitão vai adiante na tentativa de levar o trabalhador rural de volta para a senzala.

Ele deseja que se permita que o trabalhador possa trabalhar até 12 horas, “por “motivo de força maior”. E ele não para aí. 

Senzala, por RUGENDAS, Moritz Malerische Reise in Brasilien
Paris: Engelmann, 1835
No projeto do deputado tucano Leitão, ele defende ainda o direito do patrão de substituir o repouso semanal dos funcionários por trabalho contínuo de até 18 dias de trabalhos seguidos e ainda autoriza a venda integral das férias do que antes era um direito do trabalhador e por este projeto de lei volta a ser escravo do senhozinho.

Difícil de acreditar que em tempos da chamada modernidade em meio aos brinquedinhos da comunicação online (que faz lembrar os espelhinhos que os colonizadores portugueses davam aos índios) possa sequer existir pensamentos tão retrógrados que retomam às lutas básicas do trabalho contra o capital, como direitos humanos.

A matéria que explicita o projeto do deputado tucano está aqui na p.A8 da edição do Valor deste terça-feira, 2 de maio de 2017.

PS.: Atualizado às 20:04 de 03/05/2017 para ajustar texto a partir do comentário do Evandro Monteiro.

Um comentário:

Evandro Gomes Monteiro disse...

Obrigado pela análise sempre esclarecedora.
uma contribuição para se desejado corrigir o texto: "...e ainda autoriza a venda integral das férias do que antes era um //direito do// trabalhador e por este projeto de lei volta a ser escravo...",