quarta-feira, junho 03, 2020

O aumento da digitalização altera o modo de produção e nos remete à fase de um capitalismo financeiro e de plataformas

A digitalização da vida social segue num ritmo avassalador. Se do lado da vida social, em tempos de pandemia, representa alternativa e um certo alívio, por outro lado, representa uma nova etapa de reestruturação produtiva no Brasil e no mundo.

No Brasil, 20 milhões estão exercendo atualmente o trabalho em casa (home office). Isso é quase 1/4 da população da PEA (População Economicamente Ativa) e praticamente metade dos ocupados, se retirarmos aqueles que atuam na informalidade no país. 

Esses dados foram apurados em pesquisa desenvolvida por pesquisadores do Ipea e IBGE "Potencial de Teletrabalho na Pandemia: Um Retrato no Brasil e no Mundo” que é citado na da matéria do Valor "Home office pode alcançar 20 milhões de trabalhadores, diz IPEA".

O levantamento avaliou um universo de 434 ocupações existentes no mercado de trabalho brasileiro, concluindo que 25% dessas atividades poderiam ser realizadas remotamente, basicamente grupos de profissionais de ciências e intelectuais, diretores e gerentes e técnicos e profissionais de nível médio. Em termos regionais no Brasil, os maiores índices de home office estão no DF (32%), SP (28%) e RJ (27%).

É fato que a pandemia acelera de forma explosiva a reestruturação produtiva, que de um lado ampliará a produtividade das empresas, de outro, já começou a produzir uma absoluta e violenta diminuição dos postos de trabalho que aumentará os níveis de desemprego e a redução de direitos sociais, ajudando a produzir explosões sociais violentas, em uma nova rodada de neoliberalismo no capitalismo pós-pandemia.

É importante analisar esse fenômeno à luz da questão de classes e do capitalismo histórico. O home office facilita o processo para o grande capital movimentar os seus ativos financeiros, aumentando a captura de mais valia, sugando o sangue da renda do trabalho e fragmentando os trabalhadores em seus próprios meios de produção: os próprios lares.

Reestruturação produtiva que ampliará também a concentração das empresas (oligapolização com fusões e aquisições) e re-centralização de atividades produtivas ainda mais vinculadas e controladas pelos fundos financeiros, que possuem mais facilidades para manejar os ativos e investimentos em diferentes frações do capital.

Nesse sentido, as "lives" e as "conferências digitais" (virtuais) não se tratam de um paradoxo, onda a sociabilidade humana seria apartada desta nova etapa do modo de produção capitalista, que usa as plataformas digitais como forma de intermediação do trabalho, da produção, serviços e comércio, num processo que deve ser observado como uma nova fase do capitalismo que historicamente já foi comercial, industrial e que agora é hegemonicamente um capitalismo financeiro e de plataformas.


PS.: Atualizado às 22:28: para fazer acréscimo de um parágrafo.

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