terça-feira, agosto 11, 2015

Líder Aviação reduz frota à disposição da Petrobras, mas aumenta faturamento em 10%

Em matéria publicada hoje, no Valor, constam informações sobre revisão de planos da Líder Aviação, a maior prestadora de serviços de voos de helicópteros de transporte de passageiros, para o trabalho de exploração offshore, no litoral brasileiro.

A reportagem fala do impacto com o corte de custos da Petrobras sobre a empresa. Porém, o blog tem informações que também estaria em curso um programa da estatal que gera mais eficiência no transporte de passageiros. Além disso, as novas plataformas estariam trabalhando com menores contingentes de trabalhadores por turno e tudo isto estaria levando à redução da demanda por voos de helicóptero para o trabalho offshore.

A Líder informa que possui uma frota de 65 helicópteros e 35 aviões. Segundo o presidente da Líder, Eduardo Vaz: “há dois anos, a Petrobras contratava 45 helicópteros. Hoje, a estatal contrata perto de 35”.

Por conta da nova realidade a empresa “se prepara para reduzir sua frota de mais de 100 aeronaves, em cerca de 20, na sua maioria helicópteros”. Além disso, está com 2 helicópteros de grande porte da marca americana Sikorsky, contratados em 2014 e recém entregues, por US$ 30 milhões cada um, sem operar.

Helicóptero da Líder no Aeroporto
Bartolomeu Lysandro, em Campos
A Líder também deixou de lado a opção de compra de outros 6 helicópteros, no valor de US$ 180 milhões, além da intenção de comprar entre 4 e 6 aparelhos menores, num investimento entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões.

 Já o faturamento previsto para este ano, segundo a companhia ficaria entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, num aumento de 10% em relação ao ano de 2014. Enquanto isto, nos últimos 12 meses, o contingente de pessoal foi reduzido de 2 mil para 1,7 mil funcionários. A expectativa da empresa é que até o final do ano que vem “o cenário esteja novamente favorável”.

A Líder, desde 2009 deixou de ser uma empresa exclusivamente de capital nacional com sede em Belo Horizonte de propriedade do comandante José Afonso Assunção, que hoje possui 55% das ações. Outros 40% da companhia passou a ser sa americana Bristow, tendo ficado os 5% restante com o presidente Vaz junto com o grupo britânico BBA.


No ramo offshore, a Líder opera helicópteros para a Petrobras e também para a Shell, Chevron e Statoil e usa no ERJ, bases operacionais nos aeroportos do Rio (Jacarepaguá, Santos Dumont e Galeão), Macaé e Campos.

9 comentários:

Rock Jr. disse...

Bom dia. Pois é Roberto, infelizmente o setor de asa rotativa (helicóptero) está passando por uma crise de proporção inimaginável no que se refere a empregabilidade. Sou piloto, possuo todas as chamadas "marcas" mínimas para entrar no offshore, porém não consigo uma oportunidade. Conheço vários na mesma situação, além de outros, mais experientes que perderam seus empregos graças à falência de empresas ou a crise do barril, aliada a uma péssima gestão.
Infelizmente quem mais sofre com isso é o profissional que faz investimentos em busca de um sonho e não consegue se firmar no mercado. A expectativa para o pré-sal era excelente, mas o mercado, ao menos até agora, não conseguiu atende-la. Realmente a mudança da característica da frota de aeronaves agrava mais ainda o problema, aeronaves como o S 92, por exemplo, levam mais passageiros em uma só viagem e forçam a redução do números de pilotos em decorrência da necessidade de menos aeronaves para atenderem ao mesmo número de pessoas.
Gostaria de saber sua opinião sobre as expectativas no curto e médio prazo que possam impactar esse setor.
Abs

Roberto Moraes disse...

Caro Rock,

É difícil traçar cenários em área tão específica. As minhas observações e minhas pesquisas versam sobre todo o setor e sua repercussão para a dinâmica econômica-territorial da atividades relacionadas ao setor de petróleo e sistemas portuários e toda a logística entre a exploração e a região.

Como comentei, a meu juízo, não se trata apenas dos problemas da Petrobras. Neste aspecto, ela apenas retardaria no tempo a ampliação das demandas e nunca a redução do que está sendo feito hoje.

Aparentemente há aí dois fatores que devem ser considerados e que me parecem importantes:

1) Uma maior eficiência com o novo software de gerenciamento dos voos por parte da estatal. Nisto se insere um maior rigor das gerências em aprovar vos extras.

2) Novas tecnologias de engenharia submarina (subsea) que estaria reduzindo bastante a necessidade de mais trabalhadores na operação das plataformas.

Estes dois pontos parecem cruciais para se entender a redução atual das demandas de voo.

Me parece evidente que num prazo que pode ser de ano e meio, ou um pouco mais, haverá maior demanda de voos, com a entrada em operação de novas plataformas e também com a retomada dos trabalhos em maior volume nas sondas de perfuração que, estas sim, foram reduzidas nestes momento desta baixa no valor do barril de petróleo.

Agora, se esta novas demandas poderá ser suprida pela base instalada pelas empresas que atendem a estes serviços para as petroleiras que atuam na região (para além da Petrobras) é uma outra coisa.

O caso dos helicópteros de maior porte e maior capacidade de transporte e também de autonomia para atender aos campos mais distantes do litoral é m outro fato a ser considerado, como impactante para os pilotos, que representa um dos segmentos profissionais que atuam no setor, hoje atendida não apenas pela Líder, mas, por pelo menos mais quatro empresas.

As perspectivas do Pré-sal continuam bastante significativas. Sobre o assunto leia esta outra nota que o blog publicou ontem:

http://www.robertomoraes.com.br/2015/08/estudo-de-pesquisadores-do-inog-da-uerj.html

Sds.

Rock Jr. disse...

Muito interessante o estudo Roberto!
Só que, a partir daí, vamos cair diretamente na problemática política.
Não tenho todo o conhecimento e aprofundamento que você apresenta, porém algumas questões me deixam inquieto.

Mesmo que essa capacidade produtiva dos campos seja confirmada, não acredito que o Brasil terá poder de investimento, até pela questão do preço do barril, que afeta diretamente o plano de extração, ainda mais quando falamos de pré-sal. O Brasil não aceita um modelo que deixe de privilegiar diretamente a Petrobras na concessão.

O problema está aí. Teremos capacidade de extrair milhares de barris, mas apresentaremos capacidade financeira para tal?
Já li que o país tem mais de 1 TRILHÃO em reservas cambiais ociosas no Banco Central e, além disso, bancos estrangeiros fazem fila interessados em emprestar dinheiro para a estatal.
Então este recuo no investimento é apenas questão política e estratégica para aguardar resposta do mercado com relação à oscilação de preços?
Acho que o governo deveria levar em conta também, com grande peso, a questão social que envolve a extração. Quantas famílias sofrem hoje por problemas de falta de emprego, após serem demitidas? Macaé teve queda brusca no número de trabalhadores!
Sei que é um mercado "espinhoso", porém acredito que a discussão deveria ser mais ampla, menos centralizada.

Roberto Moraes disse...

Caro Rock,

Você coloca várias questões que realmente são imbricadas. Não é simples, uma empresa estatal, portanto com o control do governo federal e, ao mesmo tempo com acionistas e o mercado com outros interesses, mesmo que compreensíveis. Navegar nestas águas não é algo simples.

As limitações da empresa no curto prazo são grandes, mas também não seria aceitável a entrega e facilitação para a exploração de terceiros sem compromissos com a nação.

As demandas de toda a cadeia são imensas, bem para além da exploração, mas na área de dowstream. O parque de refino é limitado para um aumento de demanda de consumo mais adiante. Assim, atender a estas demandas com as pressões atuais não é simples.

Olhar o lado social seria papel de toda a empresa e não apenas as estatais com controle governamental, porém, isto na prática não é simples. Veja a questão do conteúdo nacional de 65% exigida pela ANP para a exploração dos campos no Brasil. Ela garante empregos aqui, especialmente no setor naval de pesquisas, mas as pressões contra são grandes para voltar a montar plataformas e sondas nos estaleiros do exterior.

A Noruega usou esta política e hoje é um dos maiores fornecedores e prestadores de serviços em diversas áreas relativas à exploração offshore, estando na frente da Alemanha e só atrás das empresas americanas, entre as players do setor de petróleo que atuam no Brasil.

A questão econômica brasileira foi ficando bastante complexa, porque ao mexer a peça em uma
direção você acaba alterando outra e assim sucessivamente.

A questão dos pilotos acaba se inserindo naquela lógica que as empresas gostam de um considerável exército de reservas que limita os patamares de salário e isto fica mais fácil de ser visto, nestes momentos de freio do sistema.

De qualquer forma é bom acompanhar de perto os fatos tentando fazer a relação entre eles que nos permita ler estes fenômenos, como a menor probabilidade de erros.

Sds

douglas da mata disse...

Roberto, é preciso introduzir outras variáveis na lógica (curta) do piloto:

- Questão estratégicas e de cunho geopolítico, que implicam em um fato: Não se pode, apesar da Petrobrás ter capital aberto, e agir em mercado não monopolizado ou estatal, divulgar todas as informações sobre reservas e planos de exploração.

Boa parte das decisões sobre petróleo e energia (lato sensu) estão impregnadas de questões que estão muito além do mercado, ou de percalços e escãndalos ampliados pela midia para dar palanque a este ou aquele grupo político.

Quem decide por um investimento (altíssimo) para galgar cargos de melhor remuneração deveria estudar mais e de forma mais ampla as perspectivas do setor onde pretende procurar colocação, e abandonar a leitura mercadista e os mantras que dali emanam.

Ou seja: em todo setor de atividade econômica de (grande) escala, a busca é pela redução de custos com mão-de-obra pelo viés da inovação e pesquisa tecnológicas.

Outra coisa: atividades de natureza extrativista são sujeitas a ciclos, expansão e retração, e isso não tem nada a ver com Petrobras, ou "erros políticos ou de gestão", como tentou contrabandear o "piloto", tentando introduzir o lenga-lenga coxinha no debate.

Leia a parte que ele diz que o Brasil não terá condições de investir, ainda mais pelo preço (dumping) baixo, que afetará o plano de extração.

E daí?

Que idiota pode imaginar que alguém tenha pressa em extrair reservas, se inclusive já detém e já gastou bastante nas tecnologias necessárias.

Este discurso (dsa incapacidade do Brasil) está prontinho, e nem os bocós que, supostamente, estão em cargos e condições financeiras melhores (como pilotos) são capazes de enxergar o quadro todo, santo deus!

Alguém avisa a ele que o nome são reservas por isso mesmo: RESERVADO para usar em tempo apropriado! E quem decide este tempo é o governo e a sociedade, e não um bando de empresas petrolíferas, ou categorias, por mais que seja justo o pleito por condições salariais e emprego de cada um!

Quanto ao emprego, eu sinto muito:

Uai, não está bom aqui, vai para SP, a segunda maior frota do mundo.

Afinal, isso é o mercado, não? E os coxinhas não vivem a tecer loas à "liberdade" de mercado e iniciativa, pois bem...mãos à obra...faça como sugerido no caso da Petrobrás: gerencie melhor seus ativos e melhore suas oportunidades você mesmo!

Mas eu tenho a ligeira impressão que ele nos dirá que a culpa não é dele, que ele fez a parte dele, blá, blá, blá...

Afinal, conselho no c* dos outros é refresco...

Anônimo disse...

Uma empresa que paga participação nos lucros quando houve prejuízo, não é uma empresa bem administrada.

Rock Jr. disse...

Douglas da Mata, meu caro... nem dirigi a palavra a sua pessoa, meu discurso e comentário foi direcionado ao Roberto. Quanto às suas considerações, ignoro-as e jogo no lixo, sua opinião com relação aos meus passos profissionais importam tanto quanto a estreia do programa da Xuxa.

Vai encher o saco de outro rapaz, e mesmo que não mereça resposta quanto a isso, não faz ideia de quem sou e das minhas lutas para me chamar de coxinha. Se quiser te passo meu endereço para debatermos de maneira agradável, será um enorme prazer, afinal sua leitura de mercado será de grande valia. E outra coisa, escolhi a aviação não por causa do mercado e sim por vocação.

douglas da mata disse...

E parece que escolheste mal...vocação não enche barriga...

Não confunda minhas digressões circunstanciais sobre vc como agressão pessoal, o meu ataque é a sua visão (porca) e torta de mundo, limitada mesmo.

Muito me preocupa que pilote aeronaves com essa visão, e pelo visto, quando provocado, entra em pânico e perde a linha, péssimo temperamento para quem escolheu pilotar.

Saiba, ó beócio, que comentários em blogs se tornam de todos que quiserem comentá-lo e só o editor (Roberto) filtra o que deve ou não ser publicado, logo, se o que falei está aqui é porque ele julgou que vc merecia lê-lo.

Sobre seus passos profissionais, é verdade, porque deveria me preocupar, porque seu próximo passo parece rumo ao abismo...

Quanto as minhas visões de mercado, só discuto com quem imagino ter um mínimo de condições, que como já sabemos, não é o caso...guarde seu endereço e suas lamúrias para vc quando estiver na fila do seguro-desemprego.

Conselho: troque o brevê por uma CNH categoria C ou D (ou tente) ou ramo rodoviário, ou em último caso, restam as carroças, mas veja bem, não é para ficar na frente, puxandoo, olha lá hein?

Rock Jr. disse...

Parei de ler na parte "vocação não enche barriga".

O termo vocação vem do latim, vocare, que quer dizer “chamado”. Assim, a vocação é um chamado íntimo de amor. Amor e prazer por um fazer que dá alegria e satisfação. Profissionalmente, quem atende ao chamado íntimo certamente desempenhará suas atividades vocacionais com bom ânimo e disposição, não apenas pela sua remuneração, mas pelo prazer de fazer o que gosta.

Ouvir esse chamamento seria o ideal para qualquer ser humano que desejasse ser útil à sociedade na qual vive.

Finalizando, são maneiras totalmente opostas de enxergar o mundo, mas parabéns, na primeira frase já deixa claro qual o seu interesse... siga em frente, deve estar muito bem ( FINANCEIRAMENTE) prestando sua consultoria.
Porém, como disse acima, já joguei sua opinião quanto a minha pessoa ( muito elogiosa e respeitosa por sinal) no lixo, ó beócio! (gostei disso)
Acho que já está bom dessa discussão que não nos levará a nada. Siga em paz, você é brilhante!