sábado, abril 29, 2017

Como a mídia internacional viu a greve geral ontem no Brasil

Eu trago o exemplo do jornal espanhol El País, mas o inglês The Guardian, o americano Wall Street Journal foram na mesma linha.

Ao contrário do que tentou passar a grande mídia comercial brasileira, uma das mídias comerciais estrangeiras, o espanhol El País, noticiou a greve geral de uma forma distinta. 

O El País também identificou o bloqueio ("blecaute") feito pelas mídias nacionais em especial a Globo à greve geral: 

"Contra os sindicatos e grupos sociais que os apoiaram, outro tipo de bloqueio que houve, foi um blecaute de notícias por grande parte da mídia do país nos dias antes que a chamada foi levantada. Na medida em que notícias de televisão seguido em massa em todo o país, a cadeia Jornal Nacional O Globo, não deu uma única informação sobre a greve na sua edição de quinta-feira, quando ela já estava prevista, pelo menos, as alterações nos principais meios de transportes". 

Foto da agência Reuters publicada pelo El País
O El País também confirmou a força da greve geral no país. A matéria foi aberta assim:

"Pela manhã raiou no coração de São Paulo e quase que o único movimento que podia ser visto era que das centenas de desabrigados que passam os dias lá. Lojas fechadas, muito pouco tráfego e entradas de metrô desertas. A imagem foi repetida por algumas horas na sexta-feira nas principais cidades brasileiras."

A matéria do jornalista Joxé Ermida no El País seguiu assim:

"O dia amanheceu com pouco metrô e serviço de ônibus nas principais cidades brasileiras, começando com São Paulo, o mais populoso, e Brasília, a capital federal, que contribuiu decisivamente para visualizar o protesto. Cidades como Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza oferecido em grandes áreas de aparência fantasmagórica central..."

"A greve geral convocada pelos sindicatos, embora com adesões raras - como uma parte da hierarquia católica - o objetivo da greve foi a de fazer Temer rever a sua intenção de reformar o sistema de pensões (previdência) e as leis trabalhistas. Grandes indústrias, bancos e escolas públicas e privadas foram outros setores em que a greve encontrou mais eco num dia de manifestações".


O Huffington Post, edição para o Brasil, também deu ampla e ilustrada cobertura com matéria da jornalista Ana Beatriz Rosa. Afirma no título: "as imagens da greve vão entrar para a história". Clique aqui para ler.

Como se percebe uma narrativa bem diferente e até crítica com o modo como a mídia comercial brasileira tratou de forma parcial a greve geral deste 28 de abril no Brasil. Cada vez mais se repete por aqui que para saber o que acontece no Brasil passou a ser necessário ler a mídia internacional, mesmo a comercial. 

Para compreender como a disputa política usa a mídia vale ler o artigo do Rodrigo Vianna, da revista Fórum, aqui em seu blog Escrevinhador. Ele faz uma boa análise sobre o que chama de jornalismo de guerra usado para sustentar o golpe no Brasil.

Assim, vou repetir o que disse ontem: esta greve demarca nova etapa na luta contra o poder econômico que golpeou o poder político! Vivemos um processo e esta apenas foi uma etapa. Sigamos em frente!

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