quinta-feira, agosto 10, 2017

13 anos de blog!

Nunca tive a pretensão de estender por tanto tempo a experiência de blogueiro.

O blog, nascido numa época em que seus similares eram raros e as redes sociais ainda engatinhavam, a ideia plantada era apenas, que pudesse ser uma forma de compartilhar ideias e arquivos de assuntos que me interessavam.

Incontáveis foram as vezes que programei a saída, mas o sigamos em frente sugerido no geral, vale também quando entoado para o blogueiro.

O blog começou mais local-regional com algumas abordagens nacionais. Mas, o interesse do blogueiro foi subindo as escalas e assim também os textos e as notas.

Não só a escala dos assuntos mais macros foram se ampliando, como as análises também foram ficando mais filtradas e esparsas no tempo.

Assim, a análise do público que acessa o blog - ferramenta disponibilizada pelo Blogger - tem hoje, a maioria de fora da região e até do país.

Neste tempo foram mais de uma dezena de milhões de acessos, numa estatística diária que hoje fica entre 3 e 5 mil visitas por dia, conforme o dia da semana.

Depois de um certo patamar de visitas que o blog adquiriu, já há algum tempo, estas estatísticas importam menos, embora a curiosidade para saber o assunto e a origem do interesse por determinados temas, seja sempre grande.

Nestes 13 anos foram quase 20 mil notas publicadas, repercutidas e comentadas. Hoje, isto acontece mais no perfil do Facebook (que se tornou mais ágil e identificável) do que no espaço próprio do blog, onde os "anônimos" sempre eram maioria.

Há muito deixei de me sentir obrigado a postar diariamente. Só o faço quando sinto que tenho algo a dizer e debater.

Continuo avaliando que aprendo muito e mais do que colaboro. Hoje conheço a maioria dos leitores, colaboradores e debatedores, pelo meio digital, e um número menor de forma presencial ou física, característica cada vez mais comum da contemporaneidade.

Com o tempo, o blog também serviu para me autoavaliar. Assim, lembro da expressão de Marx que dizia não é só o oleiro que faz o pote, mas o pote também faz o oleiro ao produzi-lo.

Assim, treze anos depois, considerando a dialética entre o sujeito e a materialidade das coisas, em que um altera o outro, eu talvez, possa dizer, que mais que fazer o blog, eu fui sendo por ele modificado nesta movimentação. Desta forma, o blog talvez tenha alterado ainda mais o sujeito que sou hoje do que o inverso. Em qualquer direção e dimensão que se queira analisar.

Neste processo, eu também fui percebendo - e já comentei com muitos mais próximos -, que para pensar, de uma forma pouco mais estruturada, eu preciso escrever para as ideias fluírem. Também para fazer as ligações, que tenta romper a fragmentação pós-moderna, juntando fatos, temas, autores e ideias. Assim as ideias vão sendo linkadas, articuladas e sintetizadas para a explanação e publicação visando o debate.

Não sei por quanto tempo ainda o blog se manterá ativo neste espaço das redes sociais. Hoje, tenho mais críticas que entusiasmo com a ferramenta. Por vezes, sinto que a fragmentação se tornou a doença pós-moderna por excelência.

A fragmentação está sempre à disposição para desinformar, desorganizar e individualizar tudo e todos. E por várias vezes, eu me sinto responsável por contribuir com esta fragmentação que pode mais desinformar que informar. Mais desorganizar que ajudar a organizar.

Enfim, esta é também a dialética da vida e da luta permanente. Assim, agradeço pelo convívio coletivo com todas e todos. E, sigamos em frente!

Atualizado às 13:58: A repercussão desta nota no Facebook vem recebendo comentários que acabaram por sugerir um complemento no texto original que publico também abaixo, através desta atualização:

Obrigado pelo apoio. Eu ainda esqueci de dizer duas coisas que talvez sejam importantes para se entender o processo que para mim é, fundamentalmente, coletivo, apesar da opção, quando da criação, do nome do autor direto no endereço. Hoje, aliás, já há um bom tempo eu faria diferente. Porém, como o blog ficou conhecido este endereço, avaliei que não cabia mais modificar. 
1) O blog também surgiu da busca de um espaço que não tivesse que oferecer à mídia comercial local, um quê de pluralidade, que ela nunca teve, ao publicar semanalmente, por quase uma década, artigos em jornais impressos. 
2) Com o retorno aos estudos e às pesquisas depois de 2010, eu também senti necessidade e tentei construir pontes entre o conhecimento que circula na academia e a população. Este é um esforço sempre de enorme risco, mas sempre julguei que era menor do que aquele do isolamento nos espaços strictos da academia. Trata-se de um esforço diuturno com diante da ameaça de ser mal visto por ambos os lados, que se pretende ligar. Mas tenho julgado que se trata de um risco que vale enfrentar, da mesma forma que a vida. Mais uma vez obrigado.

6 comentários:

Marcos Oliveira disse...

Parabéns professor!
Uma vitória pessoal traduzida em benefícios para toda comunidade.
Siga em frente aqui e no Facebook.
Abraços!

xacal disse...

13 é um número cabalístico...Vida longa

Ramon _21 disse...

parabéns, e que muitos outros ainda venham, pois todos nós precisamos de suas informações preciosas e acima de tudo confiáveis. Um abraço e fique com Deu.

Ana Luiza Lopes disse...

Parabéns pelo blog professor Roberto, tenho o prazer de ler e dar uma olhada toda semana. Continue avançando nessa esfera de ser escritor, pois escrever liberta a alma.

Samuel Barroques disse...

Roberto! Parabéns pelo belo 13 anos de informações, caracterizadas de verdades e com a preciosa preocupação de não se individualizar ou seja,manter-se em uma "neutralidade ímpar", em momentos que de posições do debate antagônicos.Finalizando, seu esforço,insistência e permanência como "blogger", não tem mais volta, já fincou com os pés e alma Campista, como diz Martin Luther king,....sua vida não passou em vão!

Roberto Moraes disse...

Obrigado Samuel a todas e todos que vieram oferecer apoio e incentivo. Digamos em frente.