quarta-feira, agosto 12, 2026

22 anos do blog. Obrigado e sigamos em frente!

No dia 10 de agosto de 2026, esse blog atingiu 22 anos ininterruptos de funcionamento. Mesmo um pouco cansado e descrente do papel das redes sociais e dos blogs, diante do gigantismo das Big Techs e sua atração desmesurada para a extração de dados e monetização, o blog segue remando criticamente contra a corrente.

Como já falei noutros 10 de agosto, penso que o blog ainda cumpre um papel mais serve mais para esse autor pensar alto do que aos seus mais variados e qualificados interlocutores. Assim, agradeço aos que ainda seguem o blog interagindo aqui nesse espaço ou no perfil do mesmo nas outras redes como o FB, Instagram e Twitter (X).

A maior parte das minhas opiniões já são conhecidas, embora elas estejam - como cada um de nós - sempre em movimento. Mas, confesso que ando um pouco cansado com as repetições, sic. 

As postagens estão cada vez mais esparsas (na média de 2 a 4 por mês), não apenas porque busco uma maior densidade nas análises fugindo das questões factuais, mas também porque passei a me questionar sobre estar contribuindo para fragmentar ainda mais as ideias que são jogadas nas "nuvens", big datas ou datacenters.

No fundo e na realidade, elas podem estar servindo mais para a esse armazenamento nos datacenters com uso no chamado treinamento profundo de máquinas (deep learning) para desenvolvimento das IAs, do que para uma reflexão consciente para produzir transformações. Vivemos em sociedades que parecem cada vez mais confusas e, por vezes caótica e distópica em diversos ambientes e em variadas escalas.

É fácil perceber o uso e a extração desses conteúdos nas estatísticas de acesso ao blog. Até dois ou três anos atrás, a média de acessos mensais girava em torno de 60 mil a 80 mil visitas mensais. Nos últimos 24 meses esses números se multiplicaram por dez ou mais e tem ultrapssado a 600 mil visitas mensais que equivalem a cerca de 20 mil acessos diários. 

A grande maioria destes acesso ao blog vêm do exterior (vide gráfico ao lado da estatística dos últimos meses). Provavelmente desses datacenters hyperescalers usados para treinamento dos modelos de linguagem de máquinas (LLMs) das Inteligências Artificiais (IA) para a busca de padrões probabilísticos que parecem depois nas respostas dos chatGPTs e outros aos usuários desses agentes.

Ou seja, quase todo o trabalho aqui no blog acaba resultando numa traefa voluntária, vampirizada, num processo bastante diferente daqueles objetivos pensados por mim como autor deste blog. Na essência se torna um trabalho que acaba apropriado, principalmente, pelas Big Techs. Elas se utilizam, gratuitamente, destes zilhões de dados dos usuários da internet e das redes sociais para ampliar ainda mais seus valores de mercado como ocorre com todas estas gigantes coporações de tecnologia que controlam os colossais fluxos digitais em todo o Ocidente.

Hoje, oito das dez maiores corporações em valor de mercado do mundo são do setor de tecnologia. As dez maiores corporações de tecnologia do mundo, com ações em bolsa de valores, somam um valor de mercado que hoje já se aproxima dos inimagináveis US$ 30 trilhões. 

A liderança no valor de mercado entre as Big Techs está com a NVidia que hoje está cotada em US$ 5,4 trilhões que mistura especulação com a produção de microprocessadores usados em vários dispositivos digitais e em equipamentos destes megadatacenters bancados pelo capital finaceiro. Em maio de 2020, em plena pandemia, a Apple foi a primeira Big Tech a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado. Hoje a Apple está em segundo, atrás da N Vidia, com US$ 4,4 trilhões em valor de mercado.

Ontem, a mídia estrangeira, em especial o jornal inglês do setor de economia, o Financial Times, divulgou que os grandes gestoras de fundos financeiros de Wall Street fecharam um gigantesco negócio de US$ 500 bilhões com a NVidia para o desenvolvimento da IA. 

Big Money & Big Techs imbricadas, explicam a origem da dominância tecnológica que vem de Wall Street para o Sillicon Valley. Elas nascem da mesma costela, possuem um DNA em comum, crescem juntas, num processo que também explica a atual hegemonia do capitalismo financeiro contemporâneo.

Ainda assim (ou talvez por isso mesmo) seguimos remando - de forma ainda mais crítica - contra a onda financista, capitalista e fascita. Viver é lutar. Assim agradeço e sigamos em frente!