sexta-feira, novembro 21, 2008

Homenagem da Eloísa Crespo ao nosso Poeta Antônio Roberto

O jornalista Maurício Xexeo que nos proveu de informações sobre a luta pela vida do poeta Antonio Roberto informa que o velório está acontecendo no Palácio da Cultura e que o sepultamento será às 16h no Campos da Paz. Ele disse ainda que: “A família agradece a todos que compartilharam conosco dessa jornada”. A escritora Eloísa Crespo mandou para o blog um texto emocionado sobre o nosso grande poeta que estamos publicando abaixo: “Meus amigos, esta notícia não é a que eu gostaria de dar, nem receber, mas assim é a vida... O nosso poeta está calado para nós, aparentemente, porque, na verdade, ele não deixará de escrever os seus versos, só que agora,"voltados para Deus, como disse Vinicius de Moraes no poema psicografado: "Eis-me aqui". As orações continuam, pois tenho a certeza que elas serviram e servem na sua passagem cheia de perdão e paz, para um outro espaço que sabemos que existe, no entanto não sabemos como é, nem onde. Qualquer dia desses, não sei quando, nem por quem, receberemos um poema feito por ele na sua nova morada. Caprichoso e exigente como é na construção dos seus versos, certamente, será um primor! O tempo de lá não é o mesmo daqui. Ficaremos aguardando... Enquanto isso, faremos a leitura do que nos deixou escrito como 'Emoção', 'Nem sempre', 'Manacá', 'Encontro' e tantos outros. 'Mas...' -um dos meus preferidos-, foi declamado por ele, a meu pedido, no dia vinte e seis de julho de dois mil e oito, na Sociedade Musical Operários Campistas. Um presente recebido. Uma lembrança que ficou. Obrigada, Poeta! Mas... E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha, mas brilha. E achei que nenhum pássaro cantasse se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta, mas canta. Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o cego inseto pega ou o espinho oculto na macega, mas rega. Pensei também que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja no silêncio da noite sertaneja sobre a ruína de esquecida igreja, mas beija. Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue se deprava quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava, mas lava. Apostei que nenhuma borboleta -por ser um vivo exemplo de esperança- dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo em flor de uma criança, mas dança. Por isso achei que eu não mais fizesse poema algum após tanto embaraço, tanta decepção, tanto cansaço e tanta espera, em vão, por teu abraço, mas faço. Agora a nossa oração: Meu Deus, eu Vos louvo e agradeço por Antônio Roberto Fernandes e Vos peço que o ilumineis, que o orienteis dizendo tudo o que é para ele fazer, nessa viagem, indo ao Vosso encontro e ele fará. Maria Santíssima, mãe e amiga de Antônio Roberto, fique com ele, Maria, tomando conta, protegendo-o hoje e sempre. Santo Anjo do Senhor, tão zeloso e guardador, se a ti vos confiou a Piedade Divina, sempre rege, guarde, governe e ilumine Antônio Roberto Fernandes. Pai Nosso que estás no céu... Ave-Maria, cheia de graça... Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo... Amém. Campos dos Goytacazes, quinta-feira, 20 de novembro de 2008. Heloisa Crespo"

6 comentários:

Anônimo disse...

Bela homenagem!
Se fosse uma notícia política, estava cheia de comentários, assim caminha a humanidade...
Parabéns Heloisa! Como sabe fazer um ramalhete de palavras.
Essa quando vai ao jardim, é para apreciar as flores, e não as folhas secas caídas.
Deus guarde em boa morada Antonio Roberto, Que a Luz Divina lhe dê o conforto eterno!

Flávio Mussa Tavares disse...

Bela homenagem de Heloisa Crespo ao nosso querido Antônio Roberto.

Lembrei no meu blog da primeira poesia que li do nosso amigo poeta, quando fui estudar medicina no Rio de Janeiro.

Que Deus o guarde!

Anônimo disse...

Ainda guardo comigo,
a emoção que me causou
o poeta, ao declamar
que até mesmo um "fio de cabelo"
servia para uma poesia....
...
PAO.

Anônimo disse...

Parabéns a Heloisa Crespo, sempre tão sensível. Do Antonio Roberto gosto muito de um poema em que ele diz como seria o mundo se Adão e Eva tivessem namorado na pracinha do Liceu. Esse poema, do qual não me recordo o nome, foi musicado pela Profª Jocinéia Ferreira, regente do Coral do Liceu de Humanidades de Campos e, por este, é cantado de forma emocionante e bela.

Quasepoesia disse...

A morte do poeta
Ao poeta Antonio Roberto Fernandes, falecido nas primeiras horas de hoje...

Não diga "morte" quando o poeta parte,
Posto que quando parte não se acaba
Mas dignifica a vida com sua arte,
Fazendo brotar vida da palavra...

Posto que a morte é apenas uma parte
Por meio da qual toda a vida se alinhava,
Resume tudo, como um estandarte
Bem logo quando ninguém imaginava...

Não diga "morte", portanto... Diga um verso...
O poeta não morreu... Está disperso
Inundando todos nós com os versos seus...

Não diga "morte"... Mas "Até um dia
Quando conversaremos em poesia"...
Diga ao poeta: "Fica com Deus"...

Anônimo disse...

Amigos do Blog:

Fui testemunha e tive a alegria de participar do momento mais feliz de minha escola neste ano de 2008: um chocolate literário organizado pela direção da Escola Municipal Francisco Faria Barbosa juntamente com seus funcionários que teve a presença da Heloísa Crespo e outros e que foi conduzido pelo eterno poeta Antônio Roberto.

Foi um momento mágico onde nossos alunos tiveram contato direto com obras literárias e afins e teve o apogeu coroado pela irreverência, paciência e amor do poeta Antônio Roberto com nossos alunos.

Antônio Roberto, faço votos de que você brilhe, brilhe, brilhe muito na eternidade do tempo.

Abraços a todos.