sábado, julho 11, 2015

Mais sobre o traçado da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118) em SFI, SJB e Campos

O blog tem recebido muitas perguntas sobre o traçado que o projeto desenvolvido pela empresa Sysfer Consultoria e Sistemas, a pedido dos governos dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo e bancados pela empresa controladora do Porto do Açu (Prumo), e pelos empreendedores do projeto do Porto Central, previsto para o município de Presidente Kennedy, sul do ES. (Leia as postagens anteriores. Em especial: aqui e aqui).

Antes vale ser lembrado que este é ainda um projeto que carece de muitas etapas até o início de sua efetiva viabilização. Quando do encerramento das audiências, a ANTT terá que elaborar um amai detalhado estudo econômico-financeiro - e profundamento da avaliação da demandas de cargas - para servir de base par ao modelo de concessão. Este terá que prever um compensação ou articulação com o atual concessionário (FCA do grupo Vale).

Mapa do percurso total de 577,8 km da EF-118
A terceira etapa será lançamento do edital licitação para que s empresas interessadas em realizar o projeto se apresente, de acordo com o modelo definido no edital. A seguir escolha da empresa e assinatura do contrato, o processo de licenciamento ambiental terá que ser realizado com todas as etapas previstas em lei específica. Só aí a construção/reforma poderá ser efetivamente iniciada. Considerando o porte do projeto (com pontes, viadutos, leitos das linhas, etc. além do volume estimado de recursos, no total de R$ 7,8 bilhões, é difícil estimar um intervalo  de tempo inferior a sete anos.

Mais sobre o projeto e traçado no ERJ
O projeto atende com a modal ferroviária, um total de sete terminais portuários, mas de forma especial passa nos "portões destes dois portos" (Central, PK, ES) e Açu, SJB, RJ). Com 577,8 quilômetros de extensão a ferrovia vindo do ES, pelo litoral entra também pelo litoral no ERJ, pelo município de São Francisco do Itabapoana.

Segundo o estudo o detalhamento da passagem pelos municípios de SFI, SJB e Campos forma assim descritos:

1) SFI entre o KM 169 e KM 225:

"A partir do km 169, chega-se ao norte do estado do RJ no município de São Francisco de Itabapoana desenvolvendo-se o traçado em um planalto levemente ondulado contornando entre os km 183 e 197 a zona de amortecimento da reserva de Guaxindiba no município de São Francisco de Itabapoana seguindo até o km 225 para a travessia do rio Paraíba do Sul e entrada no município de São João da Barra por ponte ferroviária de 1.640,3 m de extensão.

Por apresentar relevo ondulado, neste trecho foram previstos pontes e pontilhões devido aos braços de rios e canais existentes.

Dentre as principais vias que interceptam a ferrovia nesse trecho, estão: a SB‐77 e a RJ-224, entre outras municipais de menor porte."

Veja abaixo o mapa com o traçado da ferrovia que corta o município de SJB e Campos


2) SJB entre o KM 225 e KM 250:

"Após o rio Paraíba do Sul, o traçado se desenvolve no município de SJB onde encontrará o terminal de conexão com o CLIPA.

Esse trecho se caracteriza por pequenos núcleos populacionais distribuídos ao longo da rodovia estadual RJ‐196. O traçado acompanha a rodovia mantendo distância desses povoamentos.

Destacam‐se também pontos de interseção como o da BR‐356 e algumas estradas municipais em São João da Barra que justificam o uso de viadutos rodoviários neste trecho".

3) Campos entre KM 250 e KM 288:

"O traçado entra em Campos dos Goytacazes no km 250 se desenvolvendo entre a Lagoa Feia e a localidade de Tocos continuando pela Baixada Campista até encontrar o traçado da antiga ferrovia no km 288.

Esse trecho na região de Campos dos Goytacazes principalmente próximo à área de influência da Lagoa Feia encontra áreas susceptíveis de inundações sazonais justificando a quantidade de pontes e pontilhões previstas.

Viadutos rodoviários dispostos nesse trecho são necessários em conexões viárias próximas as comunidades de Mussurepe, Tocos e outros distritos com zonas habitadas do município de Campos dos Goytacazes."

Abaixo veja o mapa com previsão dos viadutos rodoviários previsto no trecho da ferrovia no município de Campos dos Goytacazes.










Prumo propõe ferrovia com cruzamento de vias para conter custos
Vale destacar que na audiência pública realizada ontem na ACRJ, no Rio de Janeiro, o presidente da Prumo Logística Global S.A., controladora do Porto do Açu, questionou a necessidade de tantos viadutos para supressão dos cruzamentos de linhas. Alegou que isto encarecia demais o projeto.

O responsável técnico pelo estudo discordou, sustentando que um projeto deste porte não poderia ser iniciado já com problemas e limitações em sua relação com as comunidades.

Relação entre ferrovia  "Corredor Logístico"
Outro ponto que vale ser comentado é que com este projeto aquele anterior denominado de "Corredor Logístico" fica suspenso. Agora a ferrovia foi desmembrada do projeto anterior e passou a ter novo traçado, do Açu, em direção a Campos passando por Tocos beirando a Lagoa Feia e seguindo em direção ao Rio já próximo à localidade de Ponto da Lama* na direção de Dores de Macabu, como se pode ver no mapa acima.

Diante disto, duas outras questões ficam em aberto:
1) A rodovia que a LLX (atual Prumo) pretendia fazer para acessar à BR-101, assim como as áreas contíguas para linha de serviços (LT - energia elétrica, água e comunicações);

2) A desapropriações feitas por decreto estadual por conta da implantação do Corredor Logístico. Neste caso, aparentemente, outro(s) decreto(s) deverão existir para dar conta do traçado deste projeto da ferrovia, assim como do eventual e diverso traçado para a rodovia Açu-Campos (BR-101).

Outras questões sobre o projeto da ferrovia
O blog adiante voltará a trazer mais dados sobre o assunto de forma a colaborar para que a participação e o debate na audiência pública prevista para Campos, no dia 17 de julho, entre 9h e 13h, no auditório da UCam-Campos possa ser mais qualificado em termos de esclarecimento, debates e sugestões. Comentarei sobre o transporte de passageiros pela ferrovia tema que levei publicamente à audiência pública da ANTT no Rio de Janeiro.

PS.: Atualizado às 21:32: Para pequenos acréscimo * sobre provável saída do traçado da ferrovia depois de vir do Açu, por Tocos em direção ao Rio de Janeiro.

Traçado e alguns detalhes do projeto da Ferrovia Vitória-Rio

O blog comentou ontem (aqui) sobre o assunto que foi motivo da audiência pública organizada pela ANTT, nesta sexta-feira (10-/07/2015), na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) no Rio de Janeiro, para auscultar propostas da sociedade, sobre a concessão da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118). São muitos os detalhes registrados pela apresentação, debates e bastidores.

Ao lado o blog registra o momento da abertura do evento com a coordenação do diretor geral da ANTT Jorge Bastos, os governadores do Rio de Janeiro, Pezão e do ES, Paulo Hartung, senadores, deputados federais e secretários estaduais entre outras autoridades e interessados.

Abaixo publicamos o traçado proposto para a ferrovia contemplando o atendimento aos projetos portuário do Porto Central (em fase de licenciamento em Cachoeiro do Itapemirim, ES) e Porto do Açu, em São João da Barra:

























O projeto prevê um traçado de 577,8 km, sendo 170 km no ES e 407 no ERJ (aproximadamente 1/3 no ES e 2/3 no ERJ), bitola larga na maior parte e outra mista, um total de 6 túneis, 43 viadutos ferroviários, 130 pontes, 128 viadutos rodoviários, 117 passagens inferiores e 60 passarelas.

Adiante o blog voltará dando mais detalhes sobre o assunto, inclusive sobre a questão da viabilidade do transporte de passageiros na linha projetada.

sexta-feira, julho 10, 2015

Mais sobre a Audiência pública da ANTT sobre a Ferrovia Vitória-Rio (EF-118)

Acontece nesta sexta-feira (10/07), entre 9 e 13 horas na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) a segunda audiência realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a concessão da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118). A primeira foi realizada no dia 3 de julho, em Vitória, ES. 

Trata-se segundo os organizadores de uma audiência pública que tem o objetivo de colher subsídios, com vistas ao aprimoramento dos Estudos Técnicos que se prestarão a disciplinar as condições em que se dará a concessão, à iniciativa privada, do trecho ferroviário compreendido entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, projeto integrante da segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística do Governo Federal. O investimento previsto para execução do projeto é de R$ 7,8 bilhões.
Segundo a ANTT, a ferrovia que interliga os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo é integrante da segunda etapa do PIL Ferrovias. Os estudos técnicos ora apresentados foram desenvolvidos pelos Governos dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo e ofertados ao Governo Federal, propondo traçado referencial. 

O traçado referencial atravessa 25 municípios e visa proporcionar o acesso ferroviário aos portos localizados nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A ferrovia proposta se conecta com a malha concedida à MRS Logísitica S.A, no município de Nova Iguaçu/RJ e à Estada de Ferro Vitória MInas, concedida à Vale S.A, no município de Cariacica/ES.

O traçado proposto tem extensão de aproximadamente 580 km e foi concebido em bitola larga e mista. É um traçado moderno, com rampa máxima de 1% em ambos os sentidos que teve como diretriz evitar conflitos ambientais com as Unidades de Conservação Rebio União e Poço das Antas e minimizar conflitos socioeconômicos. 

Prumo e Porto Central bancaram estudo
Segundo informações obtidas pelo blog, os controladores do Porto do Açu (Primo Logística Global S.A.) e os empreendedores do Porto Central, ES, no município de Presidente Kennedy bancaram a elaboração do projeto, coordenado por equipes das secretarias estaduais de Transporte dos dois estados. 

A intenção foi a de garantir que os ramais entre o trecho principal da ferrovia e ligação com os dois terminais portuários fossem incluídos no projeto, garantindo acesso à modal ferroviária sem dispêndio de recursos próprios. No caso da ligação entre o município de Campos e o Porto do Açu, este trecho fazia parte do projeto do conhecido "Corredor Logístico". 

Há ainda dúvidas sobre os traçados da rodovia e das linhas de água e gás que acompanharia a ferrovia neste corredor inicialmente projetado pela LLX. Agora os projetos foram desmembrados e os financiadores alterados.

O estudo de engenharia para implantação da Ferrovia EF 118 (Rio de Janeiro – Vitória) foi desenvolvido pela empresa de consultoria Sysfer, que atua em projetos para o setor de logística de transportes e incluiu análise de viabilidade técnica e econômica, estudo de demanda, custos de transportes, etc.

O estudo foi inciado no segundo semestre de 2014 e concluído em março deste ano. Ele teve como diretriz a maximização do uso da malha da FCA existente entre o Rio e Campos. Segundo a Sysfe, foram aproveitados aproximadamente 100 Km desta faixa de domínio, além do Projeto Básico desenvolvido pela Vale e cedido aos dois Estados para o trecho no território do Espirito Santo (Ferrovia Litorânea Sul). Nos trechos Green Field, foram realizados estudos geológicos/geotécnicos de campo detalhados, visando garantir a produção de um CAPEX/OPEX (inclusive operacional) o mais consistente possível.

Audiência em Campos
Uma outra audiência está prevista sobre o tema para o dia 17 de julho de 2015 Horário, também 9h às 13h, na Universidade Candido Mendes, Rua Anita Peçanha nº 100, Parque São Caetano –  Campos dos Goytacazes – RJ.

Comentário e sugestão do blog
Transporte de passageiros por trem

Seria interessante cobrar a inclusão do transporte de pessoas, considerando o enorme de fluxos de pessoas que o IBGE confirmou em estudo divulgado no início deste ano, que diariamente se deslocam para trabalho e/ou estudo entre diversos municípios cortados pela ferrovia. 

Todo têm o conhecimento que o interesse é com o transporte de cargas e com a interligação modal entre portos capixabas e fluminenses, mas a inclusão da opção nos horário de maior fluxo para o transporte de passageiros poderia ser avaliada. 

É sabido ainda que haverá resistências desde a empresa de transporte rodoviário que tem o monopólio há décadas, como da concessionária da rodovia que fatura com o deslocamento diário de quase 10 mil pessoas entre Campos e Macaé e Macaé e Rio de Janeiro. Porém, espera-se que os representantes do povo não ajam apenas como despachantes dos interesses dos empresários.

quinta-feira, julho 09, 2015

Retrato regional do Noroeste Fluminense: bem em Educação

A Firjan elaborou um interessante estudo sobre a região Noroeste Fluminense. Com estes "retratos regionais" parece que a Firjan pretende retomar um trabalho que já foi muito bem realizado no passado pela antiga Fundação Cide.

Esta, depois que reunida com a Fesp e transformada na Fundação Ceperj, parece que abandonou diversos bons projetos. Ruim que o Estado deixe de ser provedor de bons indicadores e estudos sobre a realidade de suas regiões.

A Região Noroeste Fluminense, por uma série de razões é uma das mais abandonadas pelo estado ao longo do tempo. Até a sua criação é consequência da reclamação de que o Norte Fluminense, com a polarização exercida pelo município de Campos, acabava puxando para si as demandas que eram de toda a região.

Pois bem, quase meio século depois, o Norte Fluminense passou a ser aquinhoado pelas generosas receitas dos royalties do petróleo, com diversos municípios, chamados de produtores, passando a viver com a renda dos royalties.

A ameaça já bateu à porta destes município petrorrentistas que cada vez mais se vincularam aos problemas da economia global, além de viver agora a ameaça da significativa redução destas receitas, com a suspensão da liminar que atualmente sustenta o atual critério de divisão dos royalties.

Fonte: Estudos Regionais da Firjan - Noroeste Fluminense - P.2
Enquanto isso, o Noroeste continuou sua vida, com os municípios em dificuldades, mas buscando saída e articulações entre si, maior até do que as políticas isoladas dos municípios ricos do Norte Fluminense. Entre outros motivos, conhecer a realidade do Noroeste e seus indicadores, que proporcionalmente, melhoram mais do que muitos municípios do NF, tornou-se um exercício interessante.

Até por isso essa análise comparada traz uma série de leituras.

Uma das observações que o estudo da Firjan com dados socioeconômicos do Noroeste Fluminense destaca é que 60% do PIB do Noroeste Fluminense está concentrado em apenas três municípios, Itaperuna, Santo Antônio de Pádua e Bom Jesus do Itabapoana.

O dado mais interessante é que os municípios do Noroeste Fluminense se destacam em Educação
Oito dos dez municípios que mais evoluíram em Educação no estado do Rio de Janeiro estão no Noroeste Fluminense, conforme apontou a última edição do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com dados de 2011. Entre os critérios utilizados para avaliação da vertente estão os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), formação de professores, evasão escolar e atendimentos em creches e pré-escolas.

Apesar dos bons resultados neste quesito, nenhum município da região foi classificado como de alto desenvolvimento no resultado geral do estudo, que também avalia Saúde e Emprego e Renda. Considerando as três vertentes analisadas, Santo Antônio de Pádua obteve o melhor desempenho na região e foi a 12ª colocada no ranking das cidades fluminenses.

Economia do Noroeste Fluminense
O estudo trabalha com dados de 2012, os últimos disponíveis e revela ainda que o PIB da região Noroeste Fluminense era de R$ 4,7 bilhões naquele ano, o que representa 0,9% do total produzido no estado. De acordo com o estudo, Itaperuna garantiu a maior parcela do PIB da região: um total de R$ 1,7 bilhão. Já Santo Antônio de Pádua e Bom Jesus do Itabapoana contribuíram com R$ 655 milhões e R$ 472 milhões, respectivamente. Entre 2007 e 2012, a taxa de crescimento da produção regional foi de 20%, enquanto no estado do Rio de Janeiro foi de 22%.

Juntas, as três cidades concentram mais de 50% da população regional, que era de 323 mil em 2014, segundo estimativa do IBGE. Esse total representa 2% da população do estado. Nos últimos quatro anos, o número de habitantes no Noroeste Fluminense cresceu 1,8%, ficando abaixo da média estadual, cujo aumento foi de 2,9%. Dos 13 municípios da região, nove tiveram crescimento, com destaque para Aperibé (+6,6%) e Varre-Sai (+5,2%). Por outro lado, quatro cidades apresentaram redução da população no período, sendo em Laje do Muriaé (-2%) a queda mais significativa.
O setor que teve maior participação na economia do Noroeste Fluminense foi o de Serviços e Comércio, respondendo por 43,5% do PIB regional. Já a produção da Indústria contribuiu em 12,3% no PIB da região e em 0,4% no PIB industrial do estado. Porém, entre 2007 e 2012, foi o setor que apresentou a maior taxa de crescimento (+26,8%). A Agropecuária da região, embora ocupe apenas 4,8% do PIB do Noroeste Fluminense, representa 12% do valor produzido pelo segmento no estado.

Pelo estudo, o número de empregos na região teve crescimento
superior ao do estado entre 2008 e 2013. As cerca de 7,4 mil empresas da região Noroeste Fluminense empregam 58 mil trabalhadores com carteira assinada, o que corresponde a 1,3% dos empregos formais no estado, segundo dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego. Os setores de Serviços, Comércio e Administração Pública respondem, cada um, por um quarto dos empregados na região, enquanto a indústria ocupa um quinto das vagas. Já a Agropecuária utiliza menos de 5% da mão de obra formal do Noroeste Fluminense.

Na Indústria, o subsetor que garante o maior número de trabalhadores é a Indústria de Transformação (16,9% do total de empregos formais na região), à frente da Construção (2,5%) e dos Serviços industriais de utilidade pública e da Extração mineral, que, juntos, ocupam menos de 1% dos postos de trabalho. Os segmentos da Indústria de Transformação com mais empregados são os de Produtos alimentícios (4,9%), Vestuário e acessórios (2,6%) e Produtos de minerais não metálicos (2,6%).

Entre 2008 e 2013, o número de empregos na região Noroeste Fluminense teve aumento de 33,4%, enquanto no estado o crescimento foi de 23,6%. A Indústria foi o setor que mais evoluiu regionalmente, alavancando em 48,4% o número de postos de trabalho. Em seguida, aparecem os setores de Serviços (+38,3%), Administração Pública (+29,4%) e Comércio (+30,9%), que também tiveram aumento acima do estado. A Agropecuária foi o único setor que reduziu o total de empregados no período (-6,8%).

O subsetor que ofertou mais postos de trabalho entre 2008 e 2013 foi o de Serviços industriais de utilidade pública (+147,8%). No mesmo período, a Indústria de Transformação também apresentou crescimento expressivo na geração de novos empregos (+50,7%). O número de empregos na Construção cresceu 36,9%, enquanto a Extração mineral (-2,6%) foi o único subsetor que mostrou redução de postos durante o período.

Contudo, a qualificação dos trabalhadores industriais no Noroeste Fluminense é mais baixa que a média do estado, sobretudo pela menor proporção de empregados com ensino médio e superior: 46,6% na região contra 60,6% no estado. Nos graus de instrução mais baixos, a situação regional também é pior que a do estado, pois apresenta maiores percentuais de trabalhadores em todas as faixas de menor escolaridade.

PS.: Fonte Firjan - Assessoria de Imprensa da Firjan Itaperuna.
PS.2: Uma cópia do estudo Retratos Regionais do Noroeste Fluminense pode ser baixado (download) clicando aqui.

quarta-feira, julho 08, 2015

Audiência Pública sobre concessão da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118)

Acabo de receber por email o convite:

Prezado(a)

A Secretaria de Estado de Transportes tem a honra de convidar para participar no dia 10.07, sexta-feira, das 09h às 13h, a sessão presencial da Audiência Pública 005/2015, que irá colher sugestões para o aprimoramento dos estudos técnicos com vistas à concessão ferroviária  do trecho entre os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, projeto integrante da segunda  etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL) do Governo Federal – convite abaixo.

Gostaria de contar com sua especial presença. A confirmação de presença poderá ser encaminhada para o email cerimonialtransportes@gmail.com.

Abraço cordial,
Delmo Pinho
Subsecretário

























PS.: Atualizado às 18:06: Sobre o assunto que interessa direto ao Porto do Açu leia mais detalhes aqui no blog e veja abaixo um infográfico que já divulgamos aqui neste espaço:




Disputa em SJB sai da Câmara e vai para as ruas

A Câmara de Vereadores de SJB devolveu no último dia 30 de junho, o projeto do Executivo municipal que propunha autorização para empréstimo de R$ 100 milhões, oferecendo em troca as futuras receitas dos royalties do petróleo.

O prefeito Neco pretendia segundo afirmava, recompor o orçamento municipal deste ano, com a antecipação substituindo a arrecadação das participações governamentais referentes à produção de petróleo.

O prefeito Neco como decorrência disse que com a arrecadação atual e sem os R$ 100 milhões de adiantamento dos royalties, não teria como manter os programas sociais tendo que cortá-los no todo ou em parte.

Só com o "cartão cidadão", num total de 4.905 atendimentos com bolsa mensal de R$ 230, hoje se gastaria cerca de R$ 1,1 milhão. Entre as bolsas de estudo e passes de faculdade seriam em torno de R$ 800 mil mensais que também teriam os repasses suspensos.

Hoje, um morador informou que a prefeitura de SJB colocou carros de som nas ruas falando dos cortes e chamando a população. Além disso, a Secretaria de Promoção Social estaria ligando para as pessoas contempladas por estes programas para reuniões hoje à noite, em diferentes locais. 

As reuniões estão ocorrendo ao longo do dia. Hoje, já ocorreu uma às 13 horas em Barcelos e outra está nestes momento ocorrendo em Sabonete.

O confronto político em SJB segue fervendo, em meio à arrecadação atual, em que SJB é o município da região com as menores perdas de receitas com os royalties e aos questionamentos crescente sobre o uso dos recursos.

No primeiro semestre deste ano SJB perdeu R$ 16,6 milhões (-27%) de receita dos royalties. Os demais municípios da região perderam entre 31% (Macaé) a 46% (Casimiro de Abreu).

Ao blog parece estranho a conta. A perda no primeiro semestre foi de R$ 16 milhões, o que daria no ano, um total de R$ 32 milhões, enquanto o pedido à Câmara foi de R$ 100 milhões. Além disso, juntando os dois projetos citados, cartão cidadão e bolsas e passes de estudo, pelo números divulgados, elas não chegam a R$ 2 milhões.

Discussões e questionamentos similares sobre os projetos dos Executivos dos municípios petrorrentistas estão surgindo a cada dia. A população e alguns vereadores passaram a questionar gastos que, apesar de aprovados, estariam escondidos nos detalhamentos das rubricas só acessíveis aos especialistas da área.

O caso de SJB assim, vem a se juntar aos demais, com a característica de ter sido o único até aqui rejeitado pelo legislativo. O blog, como sempre faz abre espaço para que a gestão pública possa dar a sua versão aos fatos.

PS.: Atualizado às 22:32: O blog recebeu um contato da Secretaria de Fazenda da PMSJB informando que além das receitas das quotas mensais, o município recebeu duas parcelas trimestrais referentes às Participações Especiais (PE) dos royalties do petróleo e que assim, o déficit de receita em relação ao que consta do orçamento se aproxima dos R$ 50 milhões. Isto permitiria estimar a quebra de receita em cerca de R$ 50 milhões no semestre, além da perda anual em R$ 100 milhões, valor citado no projeto de lei enviado ao Legislativo, em que pedia autorização para contratação de empréstimo, com aval das receitas futuras dos royalties do petróleo. O secretário de Fazenda, Edson Claudio Machado ficou de enviar ao blog, o detalhamento desta informações, os motivos dos cortes atuais nos programas sociais, assim como as justificativas para o projeto de lei de empréstimo. O blog como sempre faz se dispôs a publicar a posição dos gestores. O blog entende que ainda assim, a discussão sobre o empréstimo com aval de antecipação das receitas dos royalties feitas por diversas cidades petrorrentistas continua em aberto.

Lançamento de livro sobre estratégias e políticas par ao ERJ

O professor Mauro Osório, da UFRJ, tem sido um dos estudiosos da questão da economia e do desenvolvimento fluminense. Em minhas postagens, estudos e pesquisas, o tema é recorrente, com abordagens distintas e muitas vezes complementares, que também buscam repartir um pouco mais a compreensão desta realidade.

Assim, estendo aos leitores e colaboradores do blog, o convite que ele fez sobre o lançamento do livro "Uma agenda para o Rio de Janeiro: estratégias e políticas para o desenvolvimento socioeconômico", editado pela FGV/Blooks Livraria, marcado para o próximo dia 14 de julho, às 19 horas, na Praia de Botafogo, 316 (Espaço Itaú Cinema):




O jogo da política em Campos: cúpulas, sem povo!

A política municipal em Campos está mostrando mais uma vez, para quem está interessado em observar, os riscos que representam os atalhos para uma real mudança na forma de fazer política no município.

O caso envolve igualmente, com poucas diferenças, as lideranças políticas. Tanto as que controlam hoje o poder, quanto as que pretendem controlar o poder político, como representantes do povo.

Sem trabalho de base teremos mais do mesmo. A esperteza e a sagacidade como marcas deste modelo carcomido, ao invés do diálogo direto e da busca de uma relação direta de confiança com o povo.

A cada eleição um estratagema diferente, mas do mesmo estilo. As lideranças traçando "estratégias" em dois polos, ambos ancorados em um poder (municipal e estadual).

A origem do poder que é a população que confere o cargo pela representação popular, só é ouvida na urna, quando os nomes, mesmo sem propostas, já estão escolhidos pelas lideranças e cúpulas partidárias.

Mais do mesmo. Cada lado reclama uma traição. Os atuais controladores municipais reclamam uma traição de 30 anos. Porém, do outro lado, se reclama a traição do governador e ainda alegando que a traição adversária é falsa.

Na verdade, o que parece falsa é a forma, o modelo. Este já ruiu. Sem diálogo com as bases, sem a confiança a ser conquistada com a conversa direta, o ouvir e dialogar, nada de se terá.

Há quem goste deste "ti-ti-ti" das cúpulas partidárias onde tudo muda, para nada se transformar e as coisas ficarem, mais ou menos, do jeito que já se encontram.

O jogo da política em Campos: cúpulas, sem povo!

Não basta o ocaso do poder dos representantes políticos atuais ser visível no horizonte. Sem que o novo se coloque como alternativa, com confiança de quem outorga o cargo e o mandato de representação política, para exercício do poder, se terá a sua extensão, mesmo que exaurido de propostas e expectativas.

O tempo é escasso, mas nunca será tão tarde para ser iniciado. Fora daí, mais do mesmo.

terça-feira, julho 07, 2015

Presidente mundial da Technip anuncia cortes de EU$ 830 milhões até 2017

A empresa francesa Technip, que tem uma fábrica junto ao terminal 2 do Porto do Açu e também atua em diversas outras atividades de serviços e apoio às explorações offshore de petróleo no Brasil (incluindo afretamento de embarcações especiais) e no mundo, informou aos trabalhadores (colaboradores) de sua empresa que pretende reduzir seus custos em EU$ 830 milhões, o que deverá levar à redução do efetivo global de 6 mil trabalhadores.

Segundo o presidente (CEO) Thierry Pilenko da Technip, que assina o documento publicado abaixo, esta decisão decorre da retração do mercado de óleo e gás em todo o mundo, com a queda nas cotações do petróleo.
Fábrica da Technip no Porto do Açu

A Technip possui atualmente 24 contratos ativos com a Petrobras que somam mais de R$ 5,7 bilhões e têm vencimento até 2021. Metade dos contratos se refere à afretamento de embarcações e serviços de operação dos navios de apoio à produção. Ela atua no País desde 1974, com fornecimento de dutos e equipamentos, manutenção e operação de embarcações, além de outros segmentos submarinos. 

O presidente da Technip não informa nada diretamente sobre o caso da fábrica no Açu. Sabe-se que ela se deu por conta de uma demanda específica e grande da Petrobras.

Comunicado do presidente da Tecnhip aos seus funcionários:

“Prezados Colaboradores,
Ao longo dos últimos 12 meses, a significativa queda do preço do petróleo provocou a desaceleração do nosso mercado. Desde 2014, começamos a reagir rapidamente implementando medidas de redução de custo, mas o contexto difícil persiste e se agrava. Todos nossos clientes estão reduzindo seus investimentos e postergando ou anulando muitos de seus novos projetos de desenvolvimento de óleo e gás. Tomamos, também, a decisão de acelerar nossas medidas para adaptar nosso Grupo a este ambiente industrial deteriorado.

Technip almejar reduzir seus custos de 830 milhões de euros entre hoje e 2017. Isto levará a uma baixa progressiva de nosso efetivo global de cerca de 6.000 e uma otimização de nossas atividades. A implementação e distribuição destas ações serão efetuadas por região, país e centro operacional, e de acordo com calendários específicos. Esta é uma decisão difícil e estou consciente do seu impacto humano. Entretanto, graças a estes esforços, estou confiante na nossa capacidade de permanecermos no rumo certo, pois, construímos uma posição única na nossa indústria, e também porque somos e continuaremos uma empresa unida, orgulhosa de nossos valores e competências.

Agora, devemos permanecer concentrados nos nossos eixos estratégicos: realizar perfeitamente nossos projetos; responder ao pedido de nossos clientes por propostas ainda mais integradas, nos envolvendo desde as primeiras fases de seus projetos, reforçando nossa carteira de soluções e desenvolvendo novas tecnologias e competências diferenciadoras. Mas, sobretudo, devemos oferecer estas soluções ao menor custo possível para que os projetos de nossos clientes voltem a se tornar rentáveis, sem contar com aumentos futuros do preço do petróleo a médio prazo.

Numerosos desafios nos esperam e nós os enfrentaremos juntos. Antecipando, seguindo em frente e graça a seu trabalho duro e dedicação, nós continuaremos a construir o futuro.
Obrigado a todos,
Thierry Pilenko
Presidente do Grupo”

O caso da Grécia reforça que não saída fora da Política!

Observando ainda o caso da crise da Grécia, vale realçar como só a Política pode ser capaz fazer as mediações na sociedade, para evitar a barbárie e o uso da força.

Há grandes expectativas para um acordo. Difícil para uns e impossível para outros, porém, a mediação que se busca há meses e que teve seu auge na referendo de domingo, com a participação direta do cidadãos e não apenas dos seus representados ela segue exaustivamente.

Em momentos como o atual, em que se fala e se argui tanto os políticos, é importante que se lembre que não há saída fora da Política.

Só a Política coloca frente a frente, os interesses contrários, em busca da necessária e desejada mediação.

Interessante ainda observar, a despeito de toda as tecnologias com as quais convivemos hoje, é com a palavra e com os nexos das narrativas argumentativas construídas, que se busca o acordo, a ser ou não firmado.

Mais que atender os interesses daquelas partes, sabemos que este tipo de acordo, no tempo e no espaço tem repercussões amplas, porque ele deverá atender a outros interesses, relativos a outros povos e nações, diante da relações cada vez mais intensa, fruto da Economia Global, no mundo contemporâneo.

Portanto, o caso da Grécia, serve também para que rememos contra a maré daqueles sujeitos e instituições, que a todo tempo falam mal da política e não dos argumentos e das práticas de alguns dos interlocutores e representantes que buscam as mediações, nas diversas instâncias.

Aí está a única saída em prol da sociabilidade que afaste a solução da barbárie, ou da guerra.

Variação na desigualdade de renda por nação

A informação abaixo consta de um estudo do FMI que pode ser lido aqui. O assunto foi trazido à tona pelo blog "Cidadania e Cultura", do professor Fernando Nogueira da Costa.

"O estudo destaca que a distância entre ricos e pobres nos países desenvolvidos está no seu nível mais alto em décadas, enquanto as tendências são mais díspares nos países emergentes e em desenvolvimento. Há queda da disparidade em países da América Latina e África Subsaariana, mas continuam a existir grandes diferenças no acesso a educação, saúde e finanças."






Segundo os economistas, o mais importante do novo estudo é a conclusão de que aumentar a renda dos mais pobres e da classe média é positivo para o crescimento. 

No blog do FMI, os autores Era Dabla-Norris, Kalpana Kochhar e Evridiki Tsounta dizem que uma possível explicação é que essas fatias da população tendem a consumir uma parcela maior da renda do que os mais ricos, elevando a demanda e impulsionando o crescimento no curto prazo. 

No longo prazo, desigualdade persistente implica que esses segmentos terão menos oportunidades para se educar, melhorar sua qualificação e concretizar seus projetos empreendedores. “Como resultado, a produtividade do trabalho e o crescimento vão sofrer.”

O estudo dá sugestões de como atacar o problema, ressaltando que não há solução única.

Nos países avançados, as políticas devem focar em reformas para ampliar o capital humano e melhorar a qualificação, e tornar os sistemas tributários mais progressivos.

Nos países emergentes, é importante garantir maior inclusão financeira e criar incentivos para a redução da informalidade. Melhor acesso a educação e saúde, com transferências de renda bem focadas, elevam também a renda dos mais pobres.

Comentário do blog
Os programas de renda mínima se colocam cada vez mais como uma das propostas do Banco Mundial e FMI para ampliar a circulação do dinheiro e expandir o capitalismo, dando maior dinâmica às economias com a inclusão social e monetária das pessoas de menor renda. 

É mais barato que apoiar grandes e caros investimentos que não chegam na ponta do sistema. Melhor ainda, e por isto consta da proposta do FMI, que é a inclusão financeira. Assim, com os recursos distribuídos via cartão bancário, ele garante ao sistema financeiro, a possibilidade de controlar e se aproveitar desta movimentação, para o qual é também remunerado pelos governos. 

Neste caso, a resistência às medidas (do tipo renda mínima, bolsa família, etc.) seria um caso de desinformação, ou mesmo de preconceito, diante da possibilidade de ampliação dos ganhos daqueles do andar de cima.

PS.: Não esquecer ao visualizar o mapa que os números junto aos países significam as variações de renda, pelo índice de Gini, entre os anos 1990 e 2012 (período de 22 anos).

segunda-feira, julho 06, 2015

Preço do petróleo tem maior queda para um único dia: 7,7%

As causas estariam ligadas a três fatores: os problemas da Grécia, da China (mercado acionário) e, ao acordo nuclear dos EUA com Irã.

Engraçado, a paz levando à guerra de preços. Assim, o preço do barril brent caiu hoje para US$ 56,54. O Irã pode dobrar sua produção com o acordo e o excesso de oferta permanece. Por dois meses o barril esteve em torno de US$ 60. A previsão é que o preço possa cair a menos de US$ 50.

Conclusão para a região que hoje, mais que nunca, depende dos solavancos do mundo: menos royalties do petróleo e menos orçamento nos municípios petrorrentistas da região.

 Enquanto isto, a luta pelo poder segue e meio aos acordos, sem que haja discussões sobre o futuro, com muito menos royalties e mais dificuldades.

domingo, julho 05, 2015

China: estratégia comercial e modal ferroviário, como bases para novos alinhamentos geopolíticos

A China estuda diversos projetos de investimentos em infraestrutura no Brasil. Entre eles, a ligada ao modal ferroviário, bem comentado que é o da ligação bi-oceânica, já bastante discutido por aqui (aqui e aqui).

Este projeto ainda está em fase de estudos de viabilidade técnica-econômica-ambiental. Se os interesses forem confirmados é um projeto de maturação e construção longa. Pode ser ainda que apenas, uma das pernas saia primeiro, para depois as mesma serem integradas, tanto a leste, quanto na direção norte-sul, num trecho que tenho chamado de "rota da soja" (em similaridade à rota da seda de origem chinesa na ligação com a Europa).

Porém, hoje o objetivo aqui é trazer outras informações sobre a capacidade chinesa em "material circulante e em construção de linhas férreas, em comparação às empresas concorrentes do mesmo ramo, na Europa e América.

O jornal suíço-franco "Le Temps" trouxe na última sexta-feira, uma ampla de detalhada matéria cujo título é: "China império ferroviário global" de autoria da jornalista Etienne Dubuis.

A reportagem é bem feita, porque articula diversas informações e intui análises sobre a estratégia chinesa, em sua relação com outros blocos de nações do mundo, em especial a Europa, numa perspectiva da Eurásia, assim como da América Latina e África.

A estratégia chinesa começou com a aquisição de tecnologias, através de parcerias cm grandes empresas estrangeiras do setor. Assim, acumulou experiências na construção da mais extensa linha de trem de alta velocidade do mundo com quase 15 mil km. Além disso, desenvolveu projetos em linhas complexas, como a da ligação entre as suas províncias de Qinghai Tibet a Tangula Shankou a 5.068 metros de altitude, um recorde mundial.
Le Temps - Reuters

Hoje, seus preços de construção são baixos e seus projetos altamente competitivos no mundo. Além disso, promoveu a fusão das duas principais empresas o setor de locomotivas e vagões, instituindo em fusão, o grupo CRRC, com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões, na frente das gigantes mundiais do setor ferroviário, a Siemens da Alemanha, a Alstom da França e a Bombardier, do Canadá. (conhecidas do governo paulista)

O objetivo do gripo CRRC que controla mais de 90% do mercado chinês é se estabelecer como maior fornecedor de material circulante do mundo e servir como instrumento essencial, para a estratégia ferroviária que é parte dos objetivos econômicos e políticos da China, no exterior.

Os projetos no exterior já são ousados. Ente eles, uma nova rota da seda (silk road), um corredor logístico, com linhas férreas, rodovias e oleodutos ligando a China à Europa e outro, ao Leste Oriental através da Ásia Central.

Além de nova rota da seda, o acesso à Rússia é considerado um objetivo central com um projeto de uma linha de alta velocidade entre Pequim e Moscou, uma estratégia que iria colocar as duas capitais a dois dias de trem, contra os atuais seis dias.

Hoje, comboios já circulam entre a China e Alemanha num circuito de cerca de 13 mil km feito em 21 dias, o mais longo já realizado por linha férrea. É neste contexto que são citados projetos na África, já executados, como o de Angola, Luanda a Lobito, que pode se interligar a outras ferrovias da Zâmbia e Tanzânia, juntando os oceanos Atlântico e Índico.

Assim, também se deve enxergar o projeto entre o Porto do Açu, no Brasil e no Atlântico, ao Puerto Ilo, Peru, no Oceano Atlântico. Abaixo o infográfico (Le Temps/LAIF) dos projetos ferroviários chineses na Ásia e em outros continentes.

Projetos ferroviários chineses  pelo mundo


Assim, a China focaliza diversos objetivos, desde o econômico com a ampliação de suas exportações, quanto a importação de matérias-prima e ainda da dimensão das relações geopolíticas. Além disso, se tem a venda de know-how no exterior e participação em projetos que reduzam custos na circulação de materiais do seu interesse.

Os chineses fazem a seguinte afirmação: "a instalação do trilho é mais caro, porém mais rápido do que os navios e desta forma, as linhas ferroviárias longas provam ser mais uma vez, mais vantajosa, em muitas ocasiões, do que as rotas marítimas".

A afirmação acima que consta da matéria do jornal suíço citada, coloca em xeque outra conhecida do setor de logística que diz que até 1 mil km, o transporte rodoviário tende a ser mais econômico. Entre 1 mil km e 2 mil km, o ferroviário seria a melhor opção, ficando a distância acima de 2 mil km como alternativa mais econômica, em regra, fora as exceções para estas maiores distâncias.

No território chinês há ainda diversas demandas como as ligações no lado oeste, menos desenvolvido (e no caminho em direção à Europa e à Índia), que o litoral do leste, onde se comunica com o Japão, Coreia, Taiwan, Cingapura, etc. Observe os continentes e as nações no mapa-mundo do IBGE abaixo. (se desejar clique sobre ele para ver em tamanho maior)


Nesta linha (sem trocadilho, sic) é que a China também planeja que as linhas ferroviárias na direção oeste e para o sul da Ásia, poderiam reduzir a sua dependência do Oceano Pacífico, estratégia, cujo objetivo não é difícil de se interpretar.

Enquanto os EUA decide ampliar seu movimento par ao leste, a partir do Atlântico par ao Pacífico, Pequim decide seguir o caminho inverso de leste para oeste, aproximando-se do Oriente Médio e da Europa.

Por tudo isso, e observando ainda o que está acontecendo na Europa, não é difícil perceber que vivemos tempos de profundas mutações nas relações entre os blocos de nações e a geopolítica mundial. Conhecer um pouco mais deste processo ajuda a pensar aquilo que nos envolve e influencia, em meio às interligações de economia cada vez mais global.

PS.: Atualizado às 23:08: Para acertar o título e incluir a avaliação de que ao observar estas estratégias e os objetivos chineses ligados ao modal ferroviário e aos interesses comerciais que há grandes chances da China participar e vir a ocupar um dos terminais do Porto do Açu, ligado às cargas gerais, bem antes e até independente da ferrovia bi-oceânica até o Peru com saída par ao Pacífico.

E, junto disto, dos chineses participarem da licitação para reformar, ampliar e operar a ferrovia Vitória-Rio (EF 118 que passa por Campos e Açu) que será licitada pela ANTF, ainda este ano. A conferir!

PS.: Atualizado às 18:52: Para ajustar e reduzir título.

A reposta grega em sua ágora: Troika Não!

Com 61% das urnas apuradas, o povo grego, puxado pelos jovens e pelas periferias das cidades deram o tom do "NÃO", contra o arrocho da Troika: NÃO com 61,2% x 38,8% SIM.

Esta é também mais uma derrota fragorosa da mídia partidária comercial. A esmagadora maioria dos jornais e tv’s privadas da Grécia, controlados por grupos ligados ao poder econômico e que domina a finança do país fez abertamente campanha pelo ‘Sim’.
Ágora grega em foto do El País

Durante o fim de semana, as televisões criaram o clima da “corrida aos bancos”, com diretos intermináveis junto às caixas multibancos até que de facto as filas se começassem a formar por gente preocupada com o que via na TV. Assim, a derrota do SIM e poderá ter mais um simbolismo, a de que as pessoas identificam de forma mais clara os interesses em curso.

Interessante observar, como em meio à questionada democracia ocidental nestes tempos mais próximos da plutocracia, a sociedade grega, em uma semana, é chamada a opinar. O fato se dá, não na ágora grega, mas nas urnas entre o SIM para aceitar a imposição dos credores e se submeter e ao NÃO para construir saídas, ainda não claras, mas diversa daquela que o setor financeiro desejaria, com o forte apoio, chamado de terrorismo, pela mídia comercial da Grécia e quase de todo o mundo. Fatos e tempos a serem observados.

PS.: Atualizado às 15:58 e 17:10: Declarações agora há pouco do ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira sobre o referendo na Grécia:

"As pesquisas após o fechamento das urnas estão indicando vitória do Não no referendo grego. Cerca de 60% dos eleitores teriam votado Não contra 40% de Sim. Os eleitores mostraram coragem e não se deixaram chantagear. Vão enfrentar imediatamente uma crise mais aguda, porque provavelmente terão que sair do euro, mas poderão fazer uma reestruturação unilateral de sua dívida externa e dirigir sua economia de acordo com seu interesse nacional."
Ágora grega em foto do El País

sábado, julho 04, 2015

Quais são as ideias e planos para além dos "ti-ti-tis" na política nos municípios da região?

Podem ser compreensivos os "ti-ti-tis" pré-eleitorais sobre candidaturas, troca de partidos, disputa entre "criadores e criaturas", debates entre lideranças, etc.

Porém, no caso específico dos municípios de nossa região, causa espécie, não identificar nenhum debate mais sério sobre intenções para o futuro, sobre ideias e planos, num momento em que falar do mau uso dos recursos do orçamento, é muito pouco.

Sabe-se que as finanças dos municípios terão que conviver com orçamentos bem menores, seja pelo preço do barril do petróleo que tende a se manter próximo dos patamares atuais (fato mais real ao se observar a curva dos preços nas últimas quatro décadas) por mais dois ou três anos.


Sabe-se que a situação tende ainda a ser agravada, com a possível decisão do STF, sobre a liminar que sustenta o critério de rateio atual entre os municípios brasileiros.

Porém, é preciso ir adiante das denúncias do mau uso, de condenar o endividamento baseado em receitas discutíveis para o futuro. Ficar nestes pontos parece muito pouco, diante do desafio.

Para além dos "ti-ti-tis" que interessam às lideranças políticas, a população quer saber o que as lideranças, os partidos pretendem fazer.

A população quer ouvir posições destas lideranças sobre a forma de gerir e de como fará a transição de um modelo (que perpassou as administrações de criadores e criaturas) de "gestão da abundância", para a realidade de uma necessária gestão participativa, com foco na eficiência, na prioridade a quem mais precisa dos governos e na administração em que se tem menos recursos e muito mais demandas.

Neste caso, o cidadão (eleitor) quer saber quais serão as prioridades. Quais garantias e confiança as lideranças estarão oferecendo. Isto não tem como ser feito em dois ou três meses de campanha.

Chega de acordo entre as elites. Seja ela econômica, política ou de ambos. O acordo agora, mais que nunca, tem que ser com o povo, que além de não querer só comida, também não quer só votar.

Mas, a esperança é sempre maior que o lamento com a direção dos acontecimentos. Quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

"A resposta de Obama"

Abaixo artigo do jornalista Mauro Santayanna no JB Online. Um sintético e forte texto sobre a questão da resposta de Obama, à pergunta feita pela jornalista da Globo News à presidenta Dilma. Vale conferir:

"A RESPOSTA DE OBAMA"
Mauro Santayanna

"Se há uma cena emblemática, que passará à história, marcando a visita da Presidente Dilma Roussef aos Estados Unidos, neste ano, esta será a resposta dada pelo Presidente Barrack Obama, na coletiva de imprensa dos dois líderes, na Casa Branca, à pergunta de uma jornalista “brasileira”, dirigida à Presidente da República.

A entrevistadora tinha acabado de voltar a se sentar e olhava para seu alvo, depois de fazer a pergunta (quem quiser saber porque Dilma às vezes tem dificuldades de falar de improviso, que se habilite a ser interrogado, espancado e torturado ao longo de alguns meses, “travando” desesperadamente a fala e a mente para evitar passar informações das quais depende sua vida e a de terceiros), sem conseguir ocultar das câmeras a incontida e malévola expressão de quem estava pre-libando a situação em que achava que ia colocar a Presidente da República.

Quando Obama, que também foi indagado - em outro explícito exercício de viralatice - sobre assuntos internos brasileiros, dizendo - o que deveria ser óbvio para qualquer um que respeite a presunção de inocência, o apreço à verdade e a responsabilidade da imprensa - que não se deve fazer manifestações sobre casos que ainda estão em julgamento, respondeu que o Brasil é, hoje, uma potência mundial, e não de ordem regional, como pretendia sugerir, antecipando descaradamente a posição dos EUA, a entrevistadora.

Ao contrário do que muitos pensam, o Presidente Barrack Obama não interveio apenas para ser gentil, embora ele tenha problemas com a sua própria oposição de direita, e até mesmo de extrema-direita, que vai dos representantes dos W.A.S.P. - os conservadores brancos na Câmara e no Senado, aos latinos anticastristas e aos malucos religiosos, anacrônicos e fundamentalistas do Tea Party, sem falar nos “falcões” republicanos no Congresso, que acham que é preciso lutar contra países como o Brasil, para tentar manter-nos “sob controle”. Contra ele, assim como ocorre com Dilma, também há charges anticomunistas de inspiração fascista na internet, embora o Presidente dos EUA possa ser, eventualmente, graficamente, até mesmo associado ao nazismo, por grupos externos que combatem a política exterior norte-americana.

Ele o fez porque se relacionava, a pergunta, a uma nação que é a quinta maior do mundo em tamanho e população, com um território maior do que a extensão continental dos EUA sem o Alaska.

Com um PIB que cresceu, segundo o Banco Mundial, de 508 bilhões de dólares em 2002 - (WB1 link) para 2.346 trilhões de dólares em 2014 (WB2 link).

Cujos nacionais dirigem organizações como a FAO ou a Organização Mundial do Comércio.

Que comanda as tropas da ONU no Haiti e no Líbano.

Que tem a mais avançada tecnologia de exploração de petróleo em alto-mar, é o segundo maior vendedor de alimentos do planeta, depois dos Estados Unidos, e o terceiro maior exportador de aviões.

Que pertence ao G-20 e ao BRICS - a única aliança capaz de fazer frente à aliança “ocidental” e anglo-saxônica estabelecida nos últimos 200 anos, que é encabeçada, justamente, pelos Estados Unidos.

Que organiza a integração continental ao sul do Rio Grande, como principal nação da CELAC, da UNASUL, do Conselho de Defesa da América do Sul.

Que é a sétima maior economia do mundo, o oitavo país em reservas internacionais, a pouco menos de quinze bilhões de dólares da sexta posição (monetary reserves link) e, segundo informações oficiais do tesouro norte-americano, o terceiro maior credor individual externo dos EUA, (US TREASURY link).

E, finalmente, porque se ficasse calado, diante da enorme obviedade da resposta, teria sido ele, Obama, a passar ridículo - como um anfitrião que permite, entre horrorizado e constrangido, que ocorra uma monstruosa “gaffe” em sua sala - e não a autora da pergunta."

sexta-feira, julho 03, 2015

Atividades marítimas e apoio portuário para exploração offshore de petróleo no ERJ e suas consequências

A Petrobras possui, atualmente, cerca de 200 embarcações contratadas para apoio às suas operações, sendo maioria de rebocadores (imagem ao lado) só na Bacia de Campos. Cerca de 400 mil toneladas de cargas são movimentadas por mês, apenas nas bacias de Campos e Santos por estas embarcações.

A Petrobras passou a usar recentemente um programa PB Log através do qual tem aperfeiçoado a gestão de uso das embarcações nos diversos terminais portuários que servem de base de apoio.

Dentre as empresas contratadas para este serviço está empresa americana Edson Chouest Offshore (Eco). A Eco possui um total de 230 embarcações que atua em atividades offshore, sendo que 70 delas atuam no Brasil.

Embarcação da empresa Farstad
Além de fornecimento de serviços de apoio marítimo, a Eco constrói a base de apoio portuário junto ao Porto do Açu para atender contrato ganho em licitação com a Petrobras - com 597 mil² (1.030 metros de frente - píer junto ao terminal 2 do Porto do Açu).

A Edson Chouest Offshore diz que faz no Açu investimentos de quase R$ 1 bilhão para ter esta base operacional de 15 berços de atracação, além de estaleiro de manutenção e reparos que visa atender à sua frota e também a outros clientes.

A Edson Chouest hoje atende com embarcações através de sua empresa BramOffshore, não apenas a Petrobras, mas também às petroleiras: Shell, Total, Repsol-Sinopec, Statoil e Queiroz Galvão.

Até hoje, o atendimento principal da Petrobras se dá no terminal portuário (TUP) de Imbetiba em Macaé e do terminal operado pela Triunfo Offshore junto ao Porto do Rio de Janeiro.

As demais petroleiras são atendidas a partir da base portuária da Brasco (grupo Wilson, Sons) sediado na Ilha da Conceição, em Niterói e em outro da Brasco, no Caju, Porto do Rio de Janeiro.

A escala de expansão da nova fronteira de exploração petrolífera no Brasil, nas reservas do Pré-sal, demandam mais embarcações (e estaleiros para sua construção) e estas, por sua vez, exigem mais bases portuárias.

A previsão é de que a partir de novembro este apoio portuário seja expandido com o uso da base da Edison Chouest junto ao Porto do Porto do Açu. O ES se esforça para ter uma base regional para atender a exploração da Bacia do ES. Assim, como algo já se faz em Santos. Porém, é indiscutível que o centro desta logística está no ERJ, até pela sua posição equidistante, em relação ao ES e SP.

Enfim, todo este processo explica uma parte da dinâmica econômica do ERJ com forte impacto sobre a população no território, especialmente no litoral fluminense. Estamos falando de uma atividade produtiva que possui 12% do PIB nacional e 33% do PIB do ERJ.

Entender esta transformação do espaço, as novas territorialidades, através da atuação de uma cadeia articulada mundialmente é o desafio a que tenho me proposto fazer, nos estudos e pesquisas de campo e documental, de forma mais especial, nos últimos três anos.

Uma movimentação que acontece no território com a instalação de capital fixo em instalações, a partir das demandas da exploração offshore com forte participação do capital financeiro e de traders. 

Elas enxergam todo este processo, quase que exclusivamente, como forma de ampliação dos seus patrimônios e lucros. Às comunidades cabem o papel de defenderem os seus interesses.

Espera-se dos gestores públicos, nas três escalas, um papel, não de uma atuação como uma espécie de gerentes destes negócios, ou de despachantes exclusivos dos interesses dos empreendedores, mas, de regulação e de articulação entre os interesses econômicos e lucros dos negócios, mas de preocupação com a vida dos moradores e trabalhadores desta regiões.

PS.: Atualizado às 15:23 e 17:55: Para corrigir pequenas informações e excluir repetições. Para acrescer a informação sobre a fonte da imagem usada como ilustração.

Para que servem as crises?

O ERJ tem hoje contabilizado uma dívida a ativa a receber no total de R$ 66 bilhões.

Na última terça-feira (30/06) a Assembleia Legislativa do ERJ (Alerj) aprovou lei autorizando o governo estadual emitir debêntures, cuja garantia será o fluxo de quitação da dívida ativa do Estado, visando com isto reduzir o déficit que o governador diz ser de R$ 13,5 bilhões, apesar da perda de receita com os royalties ser de no máximo R$ 4,5 bilhões.

Eu tenho acompanhado os detalhes desta movimentação da equipe da Secretaria de Fazenda atrás de cobrar o que não vinha sendo pago, oferecendo descontos. Sei que o acompanhamento destas questões é complexa para a ampla maioria da população, porque é repleta de tecnicalidades jurídicas e econômicas.

Porém, eu posso garantir os valores são altíssimo e envolvem interesses poderosos. Além disso, não é difícil intuir que a sonegação e as famosas isenções tributárias são enormes.

Ao observar estes detalhes que vira e mexe veem à tona durante a crise, é possível ainda identificar duas principais questões:

1) Onde estão e os volumes dos débitos, das sonegações e das isenções. Garanto que não são nas pequenas e médias empresas. Estas não financiam campanhas eleitorais.

2) Confirmar que a crise é parte do ciclo na economia capitalista, mesmo que estejamos falando do fundo público. São durantes as crises que as grandes compram as pequenas, formam os oligopólios/monopólios e controlam o mercado e ampliam seus lucros.

Mas, também é quando os devedores e sonegadores conseguem negociar com o setor de finanças, os perdões e descontos de juros, multas e até do principal, além de parcelamentos. Tudo isso jurando transparência e isonomia de tratamento.

Daí chega o Natal e eu preciso acreditar em papai noel.

quinta-feira, julho 02, 2015

E segue a produção de petróleo, a despeito dos abutres: 3 milhões de barris em maio!

Este é o número aproximado incluindo o equivalente da produção de gás.

Para ser mais exato a produção total incluindo e de gás natural, contabilizada como óleo equivalente totalizou um volume de aproximadamente 2,998 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia.

A produção só de de petróleo no mês de maio alcançou 2,412 milhões de barris diários de petróleo, um aumento de de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

O pré-sal foi em grande parte responsável pelo aumento na produção mensal, tendo ele próprio incrementado seus números em 1,2% com relação ao último mês, totalizando 726,4 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 26,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, somando 895,5 mil barris de óleo equivalente por dia.

E tem gente que insiste em não entender o que segue acontecendo e quer entregar os poços e campos de petróleo, fazendo com que a Petrobras deixe de ser operadora única.

Muitos não sabem, mas hoje as petroleiras estrangeiras já produzem aproximadamente 400 mil barris de petróleo por dia. (Ver tabela abaixo: BG Brasil; Repsol/Sinopec; Shell; Pegrogal; Statoil; Sinochen; Chevron; Maersk, etc.)

O presidente mundial da Shell, disse alegremente que quer continuar a ser parceira da Petrobras, e que por isto, adquiriu o grupo petrolífero inglês BG, que até hoje era o segundo maior produtor de petróleo e gás no Brasil, só atrás da Petrobras.

Mais, a Shell com esta aquisição refez suas projeções e espera, só ela já junto da BG, chegar à produção em 2020, portanto, apenas, daqui a cinco anos, alcançar o volume de produção de 500 mil barris de óleo/gás por dia.

Por tudo isto, não há porque entregar mais nada. Diante disto, ninguém pode, em sã consciência dizer que o Brasil está fechado às empresas estrangeiras. Porém, para tudo há limite. Nenhuma nação negocia com o mundo de portas escancaradas, como querem os entreguistas de sempre.

Conhecer a realidade é obrigação de todos antes de sair por aí reproduzindo as manchetes da mídia comercial que ganha para vender uma versão e esconder a "notícia".

Outros dados sobre a produção:

1) Só da reserva do pré-sal, se tem produção em 49 poços, com 726,4 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 26,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, totalizando 895,5 mil barris de óleo equivalente por dia. Repito, só do pré-sal 895,5 mil barris de 49 poços, o que dá uma média excelente 18,2 mil barris por dia por poço. Este número médio permite conformar a informação de que no pré-sal há únicos poços produzindo mais de 40 mil barris por dia. Nem os geólogos mais otimistas previam tanta produtividade. Nem os engenheiros mais otimistas previam conseguir fazer esta extração em tão curto espaço de tempo. Por isto, não é só as petroleiras chinesas e a Shell que querem ficar juntas da Petrobras. Já o senador Serra quer entregar tudo para a Chevron;

2) Só o campo de Roncador na frente do litoral de SJB produziu em maio 322 mil barris por dia. Se juntar com o gás, a produção de óleo equivalente de Roncador chega a 361 mil barris por dia. Porém, não é mais o de maior produção no litoral brasileiro. Roncador foi superado pelo campo de Lula, na reserva do pré-sal que produziu em maio último (última estatística oficial, sempre de dois meses atrás) 383 mil barris por dia.

3) Abaixo a tabela da produção total de óleo equivalente (Óleo + gás). Fonte: Boletim de Produção de Óleo e Gás da ANP (Maio de 2015). As estatísticas são divulgadas sempre relativos a depois meses para trás:




Variação dos preços do petróleo e minério no 1º semestre de 2015

Abaixo os gráficos da variação dos preços das commodities petróleo, cobre e minério de ferro no mercado internacional no período do 1º semestre de 2015.
Fonte: Valor P.B3, 01/07/2015:

   



Prumo (ex-LLX) entra na Justiça contra a MPX (atual Eneva)

A Prumo Logística Global S.A. (ex-LLX) controlada acionariamente pelo fundo americano de investimento EIG Partner Global acionou na Justiça a MPX (atual Eneva) que agora é controlada pelo banco BTG Pactual e pelo grupo alemão de energia elétrica E.On.

Ambas as empresas são originárias do grupo EBX, do empresário Eike Batista e que foram repassadas ao controle de investidores estrangeiros. Hoje, Eike possui menos 1% das ações da Eneva (ex-MPX), que se encontra atualmente, em fase de recuperação judicial.

O motivo da arguição judicial com o pedido de indenização da bagatela de R$ 150 milhões é o descumprimento de acordos relativos à construção da linha de transmissão (LT) de 345 KV entre o Açu e a subestação de Furnas em Campos, num trecho de 50 km.

A ação foi ajuizada segunda-feira (29/06) na 49ª Vara Cível do TJ-RJ. O projeto da LT de 345 KV fazia parte da interligação da Usina Termelétrica à carvão da MPX, projeto que teve seu licenciamento ambiental suspenso junto com decisão de seus atuais controladores de não levá-lo adiante.

Assim, a LT levaria a energia elétrica do Açu para o sistema elétrico interligado por Furnas. A LT teve as 145 torres instaladas, o que exigiu desapropriações de terras, mas os cabos não forma ligados e nem a subestação concluída no Porto do Açu. Hoje o porto está sendo atendido por uma LT de 138 KV e por geradores da empresa Agrecco.

Instalações da SE de 345 KV do Porto do Açu.
Fonte: Slide da apresentação na CI do Senado em 01-07-15.
Veja na imagem ao lado as instalações inconclusas da subestação no Porto do Açu, mostrada ontem, pelo presidente da Prumo Eduardo Parente na audiência pública realizada na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal.

Segundo a Prumo, o investimento total no projeto seria de R$ 250 milhões, sendo que pelo acordo entre LLX e MPX (atuais Prumo e Eneva) cada uma bancaria metade deste custos, sendo que a Eneva nada teria investido nas instalações. A Prumo tamém cobra indenizações de R$ 110 milhões em danos morais pelo não cumprimento dos acordos.

Hoje, a Eneva é controlada pelo banco BTG Pactual, por conta dos aportes que fez ainda na MPX e também por assumir as dívidas da E.ON que possui 26% das ações; Banco Itaú cerca de 10%; Citibank 6%, Eike aproximadamente 1% e BNDES 0,5%.

Interessante observar como as relações entre os negócios de Eike deixaram problemas de diversas ordens que estão ais visíveis através dos processos de recuperação judicial destas empresas. Além disso, merece destaque, como já comentamos aqui por diversas vezes, o fato de que os negócios passaram a ser todos controlados pelo setor financeiro.

Este fato explica uma série de outras questões, inclusive a forma como se dá a relação com as comunidades locais/regionais, onde o capital (fixo) está se instalando. Esta é uma realidade cada vez mais presente no atual estágio do capitalismo, ou caso queira, do sistema econômico global.

Fundos financeiros onde estão os dinheiros, sem cara e muitos interesses. Compreender este processo para agir dentro dele é urgente. Diante desta realidade os poderes locais, econômico e político, são apenas gerentes das migalhas. Ter a visão mais geral e totalizante desta realidade é hoje  uma obrigação, se o objetivo não for apenas disputar estas migalhas.

O nascer do sol na Planíce por Admardo Augusto

O Admardo Augusto de Azevedo Silva enviou ao blog este belo flagrante do nascer do sol, hoje pela manhã, na Planície Goitacá. O blog agradece e expande o brinde a todos os colaboradores e leitores do blog:



Estrutura societária da Prumo mostra a formação de nova holding

A atual estrutura societária da Prumo Logística Global S.A., controladora do Porto do Açu e sob o comando do fundo financeiro americano EIG, mostra como no lugar da LLX, antiga empresa do grupo EBX, a Prumo vai montando uma nova holding.

Esta estrutura consta da apresentação corporativa da empresa do mês de junho.


Por ela é possível ver o surgimento agora da empresa de petróleo, a AçuPetróleo, que assim se junta às duas joint-ventures. Uma com a Ferroport, com a Anglo American, para operação da chegada do mineroduto, filtragem e exportação de minério de ferro, pelo terminal 1 do Porto do Açu. A outra joint-venture a BP Prumo, é para empresa que está sendo instalada na entrada do terminal 2, como previsão de início de funcionamento para dezembro deste ano.

Outra observação que vale ser comentada é que o fundo EIG seguro o seu percentual em 74,3%, porque se chegasse a 75% os controladores majoritários teriam que fechar a empresa que deixaria de ter ações em bolsa e teria que remunerar seus acionistas por critérios definidos pela Ibovespa.

Sobre as áreas alugadas, ou com termos de compromisso de cessão, as últimas apresentações da Prumo deixaram de constar a hipótese de instalação da americana GE junto ao Porto do Açu. A GE montou junto à Baía de Guanabara, pelo Porto de Niterói uma grande base de apoio para fornecimento de equipamentos para as atividades offshore no litoral, e por isto deve ter desistido de instalar no Açu nova base.

PS.: Atualizado às 00:26: Abaixo a informação divulgada nesta quarta-feira pelo presidente da Prumo na audiência pública realizada na Comissão de Infraestrutura do Senado, sobre o volume total de investimentos, feitos até agora, junto aos empreendimentos do Porto do Açu, no valor de R$ 10,4 bilhões:

quarta-feira, julho 01, 2015

Porto do Açu foi tema de audiência pública no Senado, hoje pela manhã

Aconteceu hoje pela manhã uma audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) para discutir os investimentos em infraestrutura de logística destinados ao Complexo Industrial do Porto do Açu. A Prumo Logística Global S.A. controladora do Porto do AÇu foi representada pelo seu diretor-presidente Eduardo Parente que falou sobre o empreendimento e andamento da obra.

A audiência foi requerida pelo senador capixaba, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). No requerimento da audiência o senador Ferraço disse: "o Porto do Açu também está no eixo de influência da ferrovia Rio de Janeiro-Vitória, que prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões em mais de 572 quilômetros de extensão. Esses investimentos foram recentemente incluídos no Programa de Investimento em Logística 2015-2018, anunciado pelo governo federal. Investimentos em infraestrutura são determinantes para o aumento da competitividade da economia. No caso brasileiro, tornam-se ainda mais importantes dados os altos custos atuais para movimentação de cargas, o que pressiona a capacidade exportadora brasileira. Somente com pesados investimentos em infraestrutura será possível reverter esta situação".

A audiência da Comissão de Infraestrutura aconteceu na sala 13 da Ala Senador Alexandre Costa no Senado. O estado do Espírito Santo tem se mobilizado por conta da disputa com o estado do Rio de Janeiro, como base e Centro de Logística Portuária da região Sudeste.

Até então os portos de Vitória e Ubu da Samarco (Vale) em Anchieta dominavam as exportações de minério de ferro oriundos do vizinho estado de Minas Gerais. Agora os portos do Açu e em breve o Sudeste em Itaguaí farão o mesmo. 
Disputa ERJ x ES por projetos portuários:
nova "guerra de lugares"

Além disso, a maior disputa hoje é sobre a demanda de bases portuárias e seus entornos para a instalação de empresas de apoio às atividades de exploração offshore de petróleo. O estado do ES reclama que tem sido preterido em favor do ERJ no apoio à implantação de seus projetos portuários para atendimento a esta finalidade. 

Os empreendedores, agentes e fundos financeiros, traders e grandes corporações agradecem por esta outra disputa, ou "gerra de lugares" que já vimos aqui na região na contenda entre Macaé e SJB. A conferir!

Há quem não entenda, ou não queira entender, o papel do Brasil no mundo

É fato que a inserção global do Brasil é complexa e cheia de contradições e problemas. Os riscos da primarização e desindustrialização é uma dentre tantas. Porém, há que se observar os fatos de uma forma menos particular. A visão totalizante (universal) sempre nos traz elementos mais claros deste processo.

Há cerca de um mês, em meio à crise econômica e política interna, o primeiro ministro chinês esteve no Brasil e firmou vários acordos. Alguns podem ser intenções, porém, outros já começam a ser executados.

Nesta semana, nos EUA, novamente desconsiderando todo o contexto dos problemas econômico-políticos nacionais, o Brasil é considerado peça importante não apenas na questão comercial, mas estratégica em diversas áreas.

Se de um lado tem o acordo americano, de outro o Brasil que é um dos poucos países do mundo com relações fáceis e amplas com todas as nações dos cinco continentes, a relação com a China se amplia. Investimentos na exploração de petróleo e infraestrutura no Brasil já têm suas contrapartidas acertadas:

"De janeiro a maio deste ano a China ultrapassou de longe os Estados Unidos como principal destino do óleo bruto. O Brasil exportou para os chineses US$ 1,76 bilhão no período, quase o dobro dos US$ 980,9 milhões embarcados em igual período de 2014. O valor só não foi maior em razão da queda de preços. No acumulado até maio, em quantidade, o Brasil exportou à China 5,37 milhões de toneladas de petróleo, mais que o triplo dos 1,48 milhões de toneladas embarcados em iguais meses do ano passado. O volume vendido em cinco meses este ano ao país asiático equivale a 96% da quantidade de petróleo embarcado aos chineses no ano todo de 2014.

A China na verdade ocupa o lugar dos Estados Unidos. No ano passado o Brasil exportou aos americanos, de janeiro a maio, US$ 1,32 bilhão do óleo bruto. Nos cinco primeiros meses deste ano o embarque de petróleo aos americanos caiu para US$ 793, 28 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Com a elevação de venda, o petróleo chegou a 12,83% do valor das exportações totais do Brasil à China no acumulado até maio. No mesmo período de 2014, a fatia era de 5,14%. Com elevação de praticamente 80% na exportação aos chineses, o petróleo compensou parte da queda de embarque de soja e de minério de ferro, que caíram 31,22% e 60,15%, respectivamente."


Enfim, seguimos acompanhando, sem complexo de vira-latas que expõe a real compreensão que parte da elite econômica e da mídia comercial possuem de um Brasil que na visão desta gente segue colonizado, dependente e submisso. Até Obama se insurgiu com tamanha mediocridade e nenhuma concepção de Nação.

Zé Maria Rangel, presidente da FUP, discursa no Senado contra o PL do Serra que prejudica a Petrobras

Na semana passada em Macaé, durante a Feira Brasil Offshore, a organização do evento, incluindo a Prefeitura de Macaé, trouxe o senador José Serra para defender o Projeto de Lei (PLS 131/2015) que tira da Petrobras a participação obrigatória no percentual de 30% em todos os campos a serem explorados na reserva do Pré-sal.

A organização do evento com apoio da mídia comercial e dos interessados de sempre em entregar nossas riquezas, preferiram compor uma mesa, exclusivamente com queles que tinham o mesmo pensamento. Rechaçaram a hipótese de ouvir os trabalhadores parte deste processo de descoberta e de trabalho a favor da Petrobras e do Brasil.

Os petroleiros, o Sindipetro-NF e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) tiveram que se manifestar no plenário do fórum da Brasil Offshore para ter o direito de sentar à mesa do evento. Foram violentamente agredidos. Fui testemunha e divulguei aqui no blog esta lamentável e não democrática posição.

Pois bem, hoje em Brasília, no Senado Federal, uma Sessão Pública para discutir a participação da Petrobras na exploração do Pré-sal, o José Maria Rangel pode manifestar sua opinião/posição que os organizadores da Feira Brasil Offshore impediu autoritariamente, inclusive com o senador José Serra tacando os petroleiros e acusando-os de fascista e saindo do plenário, logo após a sua fala.

É lamentável que a polarização da política caminhe para posições em que sequer haja condições de ouvir as posições contrárias. A fala do presidente da FUP, José Maria Rangel não sairá na mídia comercial, mas foi disponibilizada pela TV Senado e o blog disponibiliza abaixo: