Será que ainda pode haver alguém que acredite que toda a corrupção na Petrobras e nas empreiteiras começou apenas nos governos do PT?
O listão da Odebrecht divulgado na semana passada era apenas uma ponta recente de dinheiro entregue e contabilizado (e usado ou não) nas campanhas eleitorais.
Neste domingo, a TV Globo entrevistou uma funcionária antiga da Odebrecht que voltou a falar de outras listas. As listas estavam amareladas. Tinham datas até de 1988 e mais de 500 diferentes recebedores de dinheiro da empreiteira.
A entrevistada disse que em outubro do ano passado entregou a um deputado do PT e ao Ministério da Justiça que encaminharam à CPI da Petrobras e à Polícia Federal.
Lembram que havia quem dissesse que só agora a Petrobras era sangrada por corruptos, mesmo que diretores de gestões antigas, como Paulo Roberto Costa, indicado por Dorneles do PP, já informasse que o esquema era antigo?
Interessante que mesmo em meio à disputa de posições, estas listas citadas pela entrevista não tenham sido "vazadas" e que até aqui quase um semestre depois estivessem "esquecidas" pelo juiz Moro e por toda a grande equipe da Lava Jato.
Talvez não seja difícil intuir porque a Globo decidiu colocar a entrevista no ar, em uma matéria do Fantástico.
A emissora voltou a omitir todos os nomes citados, apenas dizendo se tratar de ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos, ex-senadores e ex-deputados. Sendo que todos já estão livres de qualquer arguição ou investigação por prescrição dos prazos.
É bom lembrar que na época não havia autorização (a não ser que esteja enganado) para financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Que me recorde, nem controle por parte da Justiça Eleitoral havia, muito menos prestação de contas de campanha. Ainda assim, os nomes foram todos omitidos.
Abaixo a matéria sobre o assunto que o Valor Online acaba de disponibilizar em seu site.
Repetirei aqui o que tenho dito. É preciso melhorar a política. Não está ficando pedra sob pedra.
E diante de todas estas constatações, não há porque engendrar um golpe para trocar o poder de mãos, tirando a detentora de um mandato, conferido pelo votos obtidos nas urnas - e que propiciou em seu governo as condições para que tudo isso pudesse ser investigado e apurado, e sem nada ter contra si - por outros, envolvidos nos esquemas que se apresentam como falsos moralistas. Pior num processo de impedimento sem base legal, presidido por um comprovado achacador como o deputado Eduardo Cunha.
A população mesmo que atordoada com as baterias movidas pela trama parlamentar-midiático-jurídica contra um único grupo (partido) político já tem bases para compreender mais amplamente tudo o que se passou.
Mais que nunca, eu não creio (já não acreditava antes) que se quisessem que este quadro fosse descortinado. Querem apenas o poder político para em suas várias dimensões favorecer os poucos de sempre, tanto no plano interno, quanto externo pelos interesses geopolíticos de nação líder regional, articuladora dos Brics e com as imensas reservas do pré-sal.
O Estado Democrático de Direito tem que ser preservado.#NãoVaiTerGolpe!
Enfim, confiram a matéria do Valor Online:
“Pagar propina era prática antiga na Odebrecht, diz ex-funcionária”
“Ex-funcionária do departamento financeiro da Odebrecht, Conceição Andrade afirmou em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, que o pagamento de propinas era uma prática antiga na empreiteira. Conceição, que trabalhou por 11 anos na empresa, disse ter uma lista, referente ao ano de 1988, com mais de 500 nomes, entre eles os de ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos, senadores e deputados, relacionados a obras em que supostamente houve pagamento de propina.
Não há comprovação de que se trata de propina e de que os políticos listados, cujos nomes não foram divulgados, cometeram ilegalidade. À TV Globo, a PF afirmou que, se for comprovada sua autenticidade, os documentos serão incorporados ao banco de dados da Operação Lava-Jato, que apura um esquema de corrupção bilionário na Petrobras, mas que provavelmente ninguém poderá ser processado, porque esses crimes, que teriam ocorrido na década de 1980, já estariam prescritos.
Segundo o “Fantástico”, em setembro de 2015, Conceição entregou o documento ao deputado federal Jorge Solla (PT-BA), que a repassou à CPI da Petrobras. O parlamentar entregou os papéis ao Ministério da Justiça, que posteriormente os encaminhou à Polícia Federal. Por fim, a PF enviou as supostas provas de propina à Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, no Paraná, porque seriam de interesse da Lava-Jato.
Nesta semana, a força-tarefa da Lava-Jato apreendeu outras listas de doações feitas pelo Grupo Odebrecht com pelo menos 284 políticos. As planilhas com supostos repasses estavam com Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.
Na quarta-feira, o juiz Sérgio Moro decretou sigilo sobre o processo ao qual foram juntadas os arquivos, que devem ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Não é possível afirmar se as doações foram feitas legalmente ou por meio de caixa dois.”
67 anos, professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ) e engenheiro. Pesquisador atuante nos temas: Capitalismo de Plataformas; Espaço-Economia e Financeirização no Capitalismo Contemporâneo; Circuito Econômico Petróleo-Porto; Geopolítica da Energia. Membro da Rede Latinoamericana de Investigadores em Espaço-Economia: Geografia Econômica e Economia Política (ReLAEE). Espaço para apresentar e debater questões e opiniões sobre política e economia. Blog criado em 10 agosto de 2004.
segunda-feira, março 28, 2016
domingo, março 27, 2016
Retomando as utopias em meio à diversidade
Em épocas de travessias, como a atual conjuntura política no Brasil, recorrer ao conhecimento adquirido pelas nossas civilizações é sempre uma forma de tentar aprofundar na leitura deste fenômeno, buscando uma melhor forma de intervir.
Para além das disputas de poder e representação política e do uso de interpretações abstratas e subjetivas, do arcabouço jurídico político existente, os tempos da atual modernidade líquida, para além do Brasil, tem propiciado o esgarçamento da convivência real entre os humanos. Mas não deve ser encarado como o fim.
Civilizações e culturas são questionadas em nome de supremacias e hegemonias. Os riscos da barbárie são sempre lembrados. Tentam nos fazer crer que as utopias desapareceram, diante do pragmatismo dos interesses reais e imediatos.
Outros se abraçaram às utopias não humanistas, a naturalista, ou a pós-humanista, a partir das questões postas pelo conceito de "choque de civilizações", descrito por Huntington.
Em meio a tudo isto, me parece que a ideia da utopia parece mais potente que antes. Utopia em meio à dinâmica dos movimentos e dos conflitos sociais inter e intranacionais.
Os conflitos estão (ou seguem em toda a parte) e parecem ser sinais de que a energia segue dinâmica na busca para reduzir desigualdades e assumir diversidades. Ao contrário do que se imagina, os conflitos não se anulam, eles tendem a avançar para um novo patamar.
Porém o movimento não é natural e nem decorre da inércia. Este movimento continua sendo produzido pelos homens, pelas culturas e pelas civilizações.
Não há nada que possa nos evidenciar que se caminha para a unificação das civilizações e das culturas, mesmo que a luta por hegemonias e pelo poder unilateral, siga ainda com mais força.
Aí parece estar a grande questão. A convivência entre as diversidades. A civilização é a possibilidade de uma cultura conviver com outra cultura, com a diversidade.
O filósofo francês Fausto Wolf lembra que o bárbaro considera que tudo que não é igual a ele, não é humano. E assim, a barbárie seria o outro a ser destruído.
Wolf gosta de recordar aquilo que chama como o grande momento da civilização européia, o do século X, na região ao sul da Espanha, na Andaluzia.
Na ocasião três culturas, a judaica, muçulmana e a cristã conviveram em diversidade. Ele considera que este foi um grande momento da civilização, com mestiçagem cultural, mas, ao mesmo tempo, um momento de criação literária e musical muito grande, tudo construído na possibilidade do diálogo.
Wolf faz ainda questão de separar conceitualmente as noções de cultura e de civilização. Em sua interpretação, elas não se colocam no mesmo nível. A "civilização seria, meramente, a possibilidade da existência da diversidade de culturas".
Em meio a esta reflexões, num domingo de Páscoa, originário de uma das culturas, a cristã, eu entendo que seja uma oportunidade de reforçar a retomada do ideário da utopia humanista, de luta pela igualdade, em meio às diversidades.
Mais que isto, há que se lutar contra a barbárie e contra o desejo de aniquilamento do que é diverso, seja em termos de cultura, ou mesmo da política, na busca pelo domínio do poder de representar.
O diverso não é o bárbaro, mas também não pode ser nem exclusivo e muito menos superior. Nesta linha devemos ampliar a luta contra o fascismo, doença civilizacional, não erradicada e que demanda novo mutirão de vacina, nas ruas, casas e praças.
No caso do Brasil há ainda que se lutar pelo Estado Democrático de Direito, sem o qual regrediremos. Bom domingo a todas e todos!
Para além das disputas de poder e representação política e do uso de interpretações abstratas e subjetivas, do arcabouço jurídico político existente, os tempos da atual modernidade líquida, para além do Brasil, tem propiciado o esgarçamento da convivência real entre os humanos. Mas não deve ser encarado como o fim.
Civilizações e culturas são questionadas em nome de supremacias e hegemonias. Os riscos da barbárie são sempre lembrados. Tentam nos fazer crer que as utopias desapareceram, diante do pragmatismo dos interesses reais e imediatos.
Outros se abraçaram às utopias não humanistas, a naturalista, ou a pós-humanista, a partir das questões postas pelo conceito de "choque de civilizações", descrito por Huntington.
Em meio a tudo isto, me parece que a ideia da utopia parece mais potente que antes. Utopia em meio à dinâmica dos movimentos e dos conflitos sociais inter e intranacionais.
Os conflitos estão (ou seguem em toda a parte) e parecem ser sinais de que a energia segue dinâmica na busca para reduzir desigualdades e assumir diversidades. Ao contrário do que se imagina, os conflitos não se anulam, eles tendem a avançar para um novo patamar.
Porém o movimento não é natural e nem decorre da inércia. Este movimento continua sendo produzido pelos homens, pelas culturas e pelas civilizações.
Não há nada que possa nos evidenciar que se caminha para a unificação das civilizações e das culturas, mesmo que a luta por hegemonias e pelo poder unilateral, siga ainda com mais força.
Aí parece estar a grande questão. A convivência entre as diversidades. A civilização é a possibilidade de uma cultura conviver com outra cultura, com a diversidade.
O filósofo francês Fausto Wolf lembra que o bárbaro considera que tudo que não é igual a ele, não é humano. E assim, a barbárie seria o outro a ser destruído.
Wolf gosta de recordar aquilo que chama como o grande momento da civilização européia, o do século X, na região ao sul da Espanha, na Andaluzia.
Na ocasião três culturas, a judaica, muçulmana e a cristã conviveram em diversidade. Ele considera que este foi um grande momento da civilização, com mestiçagem cultural, mas, ao mesmo tempo, um momento de criação literária e musical muito grande, tudo construído na possibilidade do diálogo.
Wolf faz ainda questão de separar conceitualmente as noções de cultura e de civilização. Em sua interpretação, elas não se colocam no mesmo nível. A "civilização seria, meramente, a possibilidade da existência da diversidade de culturas".
Em meio a esta reflexões, num domingo de Páscoa, originário de uma das culturas, a cristã, eu entendo que seja uma oportunidade de reforçar a retomada do ideário da utopia humanista, de luta pela igualdade, em meio às diversidades.
Mais que isto, há que se lutar contra a barbárie e contra o desejo de aniquilamento do que é diverso, seja em termos de cultura, ou mesmo da política, na busca pelo domínio do poder de representar.
O diverso não é o bárbaro, mas também não pode ser nem exclusivo e muito menos superior. Nesta linha devemos ampliar a luta contra o fascismo, doença civilizacional, não erradicada e que demanda novo mutirão de vacina, nas ruas, casas e praças.
No caso do Brasil há ainda que se lutar pelo Estado Democrático de Direito, sem o qual regrediremos. Bom domingo a todas e todos!
Prejuízo da Prumo (controladora do Porto do Açu) em 2015 é 4 x maior do que em 2014
A holding Prumo Logística Global S.A., que controla o Porto do Açu, anunciou, nesta última quinta-feira, um prejuízo líquido em 2015, de R$ 216,8 milhões. Trata-se de um prejuízo 4,5 vezes maior do que o de R$ 47,6 milhões contabilizado em 2014
No mesmo comunicado a Prumo informou que a receita líquida da Prumo em 2015 foi 41% maior do que em 2014 (R$ 71,9 milhões), alcançando o valor de R$ 101,5 milhões.
A Prumo também afirmou que em 2015 fez investimentos de R$ 1,3 bilhão no Porto do Açu. Segundo a empresa, somando o investimento realizado desde 2007, o valor chega um total aplicado de R$ 10 bilhões, divididos em: R$ 6,3 bilhões na Porto do Açu Operações (subsidiária da Prumo Logística), e R$ 3,7 bilhões pela Ferroport (joint venture formada pela Prumo e a Anglo American).
No mesmo comunicado a Prumo informou que a receita líquida da Prumo em 2015 foi 41% maior do que em 2014 (R$ 71,9 milhões), alcançando o valor de R$ 101,5 milhões.
A Prumo também afirmou que em 2015 fez investimentos de R$ 1,3 bilhão no Porto do Açu. Segundo a empresa, somando o investimento realizado desde 2007, o valor chega um total aplicado de R$ 10 bilhões, divididos em: R$ 6,3 bilhões na Porto do Açu Operações (subsidiária da Prumo Logística), e R$ 3,7 bilhões pela Ferroport (joint venture formada pela Prumo e a Anglo American).
A Prumo diz ainda que espera resultados melhores em 2016, especialmente, com dois novos contratos:
1) Terminal de Petróleo (TOil) a ser operado pela empresa alemã Oiltanking que fechou contrato com a BG (Shell) que prevê a realização de serviços de transbordo de petróleo no Terminal de Petróleo (T-OIL). A operação prevê a movimentação de 200 mil barris por dia. O terminal com 20,5 metros de profundidade – com expansão para até 25 metros – tem capacidade já licenciada para movimentar 1,2 milhão de barris por dia e previsão para começar a operar em maio deste ano.
1) Terminal de Petróleo (TOil) a ser operado pela empresa alemã Oiltanking que fechou contrato com a BG (Shell) que prevê a realização de serviços de transbordo de petróleo no Terminal de Petróleo (T-OIL). A operação prevê a movimentação de 200 mil barris por dia. O terminal com 20,5 metros de profundidade – com expansão para até 25 metros – tem capacidade já licenciada para movimentar 1,2 milhão de barris por dia e previsão para começar a operar em maio deste ano.
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| Terminal 2 do Porto do Açu: base da Edison Chouest, com Technip ao fundo |
2) Início no próximo mês de abril da operação da base portuária da Edison Chouest contratada pela Petrobras. A base em construção tem uma área lugada à Prumo de 597 mil m², cais com extensão de 1.030 km de cais e 16 berços para atracação.
A Prumo afirma ainda em seu relatório que o Porto do Açu em 2015 iniciou um novo negócio com o recebimento de equipamentos de exploração de petróleo offshore para manutenção. Assim, citou o caso da atracação no Terminal 2, da sonda de perfuração semissubmersível de águas profundas ODN Tay IV, que pertence a Odebrecht Óleo e Gás (OOG). Segundo as estatísticas de 2015 da Prumo, o Porto do Açu recebeu mais de 200 embarcações e realizou mais de 60 operações de minério de ferro.
A Prumo afirma ainda em seu relatório que o Porto do Açu em 2015 iniciou um novo negócio com o recebimento de equipamentos de exploração de petróleo offshore para manutenção. Assim, citou o caso da atracação no Terminal 2, da sonda de perfuração semissubmersível de águas profundas ODN Tay IV, que pertence a Odebrecht Óleo e Gás (OOG). Segundo as estatísticas de 2015 da Prumo, o Porto do Açu recebeu mais de 200 embarcações e realizou mais de 60 operações de minério de ferro.
sábado, março 26, 2016
Dia 31 em Campos: Vem para a democracia. Todos contra o golpe!
Alexis Sardinha, um dos membros da Frente Popular em Campos dos Goytacazes enviou ao blog o convite, que já corre nas redes sociais convocando para a manifestação que acontecerá em todo o Brasil, na quinta-feira, dia 31/03. A mobilização e organização cresceu enormemente nos últimos dias em todos os estados.
Em Campos, o ato está marcado para as 17 horas na Praça São Salvador. O evento foi definido na reunião de formação da Frente Popular em Campos que ocorreu na última quarta-feira. O blog reforça seu apoio ao movimento em defesa do Estado Democrático e de Direito.
# Não vai ter golpe!
Em Campos, o ato está marcado para as 17 horas na Praça São Salvador. O evento foi definido na reunião de formação da Frente Popular em Campos que ocorreu na última quarta-feira. O blog reforça seu apoio ao movimento em defesa do Estado Democrático e de Direito.
# Não vai ter golpe!
sexta-feira, março 25, 2016
AIE prevê novo choque de petróleo por conta do atual corte de investimentos: o que isto tem a ver com o Brasil?
A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou, nesta última terça-feira, através do seu diretor da divisão de indústria do petróleo e mercados, Neil Atkinson, em um evento sobre o setor de petróleo, na Cingapura, que "os cortes históricos nos investimentos em petróleo produzem chances de surpresas em segurança em petróleo, para um futuro não muito distante".
Atkinson afirmou ainda, em matéria na Bloomberg que seriam necessários aproximadamente US$ 300 bilhões para sustentar o atual nível de produção. Para ele, países como os EUA, Canadá, Brasil e México estão enfrentando dificuldades para manter os investimentos.

A AIE também disse que se em 2017 e 2018 os investimentos continuarem reprimidos teremos um "novo choque do petróleo para breve".
Neill Atkinson disse ainda que as petroleiras entre elas, a Shell, BP, Conocco Philips, já cancelaram mais de US$ 100 bilhões em investimentos. Ontem foi o caso da PetroChina, a maior petrolífera da China em produção que informou cortes nos gastos de capital em 5% neste ano, caindo para US$ 30 bilhões.
Menos investimentos, em exploração, significam menos reservas provadas e menos campos e poços preparados para produzir. Assim, o atual excesso de produção, que atende com sobras a demanda crescente de petróleo (mesmo que em ritmo menor, por conta da economia mundial), quando desfeita poderá gerar, em nova fase do boom, outro ciclo do petróleo levando a um novo choque.
Entender um pouco deste processo é se aproximar da análise da dimensão geopolítica de diversos embates intranacionais e interregionais, mundo afora.
O Brasil como detentor, desde 2008, de seis das dez maiores reservas descobertas no mundo neste período (Franco, Libra, Iara, Sapinhoá, Carcará e Júpiter) evidentemente sofre pressões e interesses geopolíticos que aparecem refletidos e escamoteadas em questões menos substantivas.
Negar esta evidente realidade é trabalhar de forma deliberada e nada ingênua, com estes interesses, que em nada refletem os interesses da Nação e do povo brasileiro. Por isto, eles têm pressa. O novo ciclo do petróleo já é possível ser visto no horizonte.
Atkinson afirmou ainda, em matéria na Bloomberg que seriam necessários aproximadamente US$ 300 bilhões para sustentar o atual nível de produção. Para ele, países como os EUA, Canadá, Brasil e México estão enfrentando dificuldades para manter os investimentos.

A AIE também disse que se em 2017 e 2018 os investimentos continuarem reprimidos teremos um "novo choque do petróleo para breve".
Neill Atkinson disse ainda que as petroleiras entre elas, a Shell, BP, Conocco Philips, já cancelaram mais de US$ 100 bilhões em investimentos. Ontem foi o caso da PetroChina, a maior petrolífera da China em produção que informou cortes nos gastos de capital em 5% neste ano, caindo para US$ 30 bilhões.
Menos investimentos, em exploração, significam menos reservas provadas e menos campos e poços preparados para produzir. Assim, o atual excesso de produção, que atende com sobras a demanda crescente de petróleo (mesmo que em ritmo menor, por conta da economia mundial), quando desfeita poderá gerar, em nova fase do boom, outro ciclo do petróleo levando a um novo choque.
Entender um pouco deste processo é se aproximar da análise da dimensão geopolítica de diversos embates intranacionais e interregionais, mundo afora.
O Brasil como detentor, desde 2008, de seis das dez maiores reservas descobertas no mundo neste período (Franco, Libra, Iara, Sapinhoá, Carcará e Júpiter) evidentemente sofre pressões e interesses geopolíticos que aparecem refletidos e escamoteadas em questões menos substantivas.
Negar esta evidente realidade é trabalhar de forma deliberada e nada ingênua, com estes interesses, que em nada refletem os interesses da Nação e do povo brasileiro. Por isto, eles têm pressa. O novo ciclo do petróleo já é possível ser visto no horizonte.
De onde ressurge e amplia o fascismo na atual conjuntura política do Brasil?
Eu tenho me feito esta pergunta com alguma frequência. Alguns reportam a uma sintonia com movimentos similares em outros países.
Entendo, mas me parece que há algo para além disso e com cara brasileira. Assim, eu percebo que em conjunturas anteriores, estas ações, nesta linha de ódio, junto com a ideia de "higienização" e assepsia, sempre foram sendo enfrentadas em seu próprio nascedouro e, nunca tiveram muito espaços para evoluir, como se vê agora.
Acho bobagem atribuir isto e "lideranças" que por décadas tentaram bater bumbo nesta linha, como o tal Bolsonaro. Ele apenas é receptáculo deste processo e não sua causa.
O nazi-fascismo alemão não chegou onde chegou sem um imenso poder de comunicação. Esta comunicação foi engendrada a partir de uma construção mental simbólica, na linha da assepsia de tudo que era ruim e que deveria ser extirpado.
Sem este imenso poder de comunicação, a perigosa ideia de assepsia seria natimorta.
A fervura que ajudou na sua evolução possuía bases iniciais de uma disputa de poder local, nacional, como outras, mas derivou em meio às idiossincrasias do embate da luta política real (e no espaço local, como todas) para o campo das intenções simbólicas, inicialmente, não verbalizadas, mas presentes.
Ninguém nasce fascista, mas as pessoas se tornam fascistas por decorrência dos conflitos sociais e da disputa de poder na sociedade.
Liquidar os contra para limpar a sociedade de tudo e todos era ideia simples, que elimina as explicações complexas de como funciona a se estrutura a sociedade. Assim, ela era facilmente enfrentada e ampliada através da comunicação de massa.
É neste contexto que eu arrisco interpretar que o monopólio da comunicação existente no Brasil foi se enredando, em meio à disputa pelo poder político nacional.
A repetição à exaustão como se fosse diariamente um programa eleitoral gratuito de um único lado, que mostra os pontos altos de sua versão, ouvindo seus melhores ideólogos e, para ainda mostrar uma neutralidade, coloca no ar pequenos trechos das falas contrárias, só que em seus piores e desfocados argumentos, dentro da narrativa editorial milimetricamente estudada.
A agressão ao bispo Dom Odilo Scherer e ao ministro do STF Teori são apenas a parte visível do ódio latente articulado no poder simbólico (Bourdieu) do processo. Não. A Globo não propõe a violência explicitamente. Ao inverso ela fala o contrário, daquilo que induz freudianamente.
Como eu disse ontem, em meu perfil no Facebook, ao sugerir e comentar uma análise do Paulo Nogueira (no seu blog Diário do Centro do Mundo) sobre como a Globo foi se enredando neste processo que inicialmente era apenas para tirar o PT e colocar um dos seus, para salvar o império oligopólico de comunicações.
Porém, paulatinamente, como ocorreu com o nazi-fascismo, o jogo foi se transformando numa disputa de vida ou morte.
Assim, o ódio melhor expresso pela "waakanização" do personagem pego nos esquemas denunciados pelo wikileaks de repasse de informações, avançou na linha do carreirismo bem pago, para o processo de "kamelização", misturado a oportunismo, que está ajudando a engendrar uma estrutura mental que traz a ideia de "higienização" e de "assepsia" similar ao esquema do fascismo.
Não se trata mais de uma polarização de disputa pelo pode, que já seria estranho quando travado por uma empresa contra um governo ou partido e não por duas propostas políticas apresentadas por partidos políticos.
A disputa nas ruas e nas redes sociais na última semana mostram de formam evidente que o duelo (sim duelo) se dá entre a Globo contra o governo, um partido e os movimentos sociais que o apoiam.
Este embate nos demonstra de forma evidente os furos, hiatos e os vícios de nosso arcabouço jurídico-político que ainda permite estas excrecências.
Em momentos como este, reclamar da polarização (alguns simplificam chamando de Fla x Flu) não ajuda a lutar por saídas, porque tende a responsabilizar a todos, como se as causas, fossem iguais em extensão e em conteúdo. Não. Os excessos precisam ser controlados sim, mas também a direção dos movimentos.
Hoje, mais do que defender os partidos e seus líderes, agora a causa remete à Defesa da Democracia e do Estado de Direito, contra o Estado de Exceção.
Necessitamos de Mais Democracia, menos intolerância, mais inclusão, menos desigualdades. Só essa luta barra o fascismo e o Estado de Exceção.
Sigamos em frente!
Entendo, mas me parece que há algo para além disso e com cara brasileira. Assim, eu percebo que em conjunturas anteriores, estas ações, nesta linha de ódio, junto com a ideia de "higienização" e assepsia, sempre foram sendo enfrentadas em seu próprio nascedouro e, nunca tiveram muito espaços para evoluir, como se vê agora.
Acho bobagem atribuir isto e "lideranças" que por décadas tentaram bater bumbo nesta linha, como o tal Bolsonaro. Ele apenas é receptáculo deste processo e não sua causa.
O nazi-fascismo alemão não chegou onde chegou sem um imenso poder de comunicação. Esta comunicação foi engendrada a partir de uma construção mental simbólica, na linha da assepsia de tudo que era ruim e que deveria ser extirpado.
Sem este imenso poder de comunicação, a perigosa ideia de assepsia seria natimorta.
A fervura que ajudou na sua evolução possuía bases iniciais de uma disputa de poder local, nacional, como outras, mas derivou em meio às idiossincrasias do embate da luta política real (e no espaço local, como todas) para o campo das intenções simbólicas, inicialmente, não verbalizadas, mas presentes.
Ninguém nasce fascista, mas as pessoas se tornam fascistas por decorrência dos conflitos sociais e da disputa de poder na sociedade.
Liquidar os contra para limpar a sociedade de tudo e todos era ideia simples, que elimina as explicações complexas de como funciona a se estrutura a sociedade. Assim, ela era facilmente enfrentada e ampliada através da comunicação de massa.
É neste contexto que eu arrisco interpretar que o monopólio da comunicação existente no Brasil foi se enredando, em meio à disputa pelo poder político nacional.
A repetição à exaustão como se fosse diariamente um programa eleitoral gratuito de um único lado, que mostra os pontos altos de sua versão, ouvindo seus melhores ideólogos e, para ainda mostrar uma neutralidade, coloca no ar pequenos trechos das falas contrárias, só que em seus piores e desfocados argumentos, dentro da narrativa editorial milimetricamente estudada.
A agressão ao bispo Dom Odilo Scherer e ao ministro do STF Teori são apenas a parte visível do ódio latente articulado no poder simbólico (Bourdieu) do processo. Não. A Globo não propõe a violência explicitamente. Ao inverso ela fala o contrário, daquilo que induz freudianamente.
Como eu disse ontem, em meu perfil no Facebook, ao sugerir e comentar uma análise do Paulo Nogueira (no seu blog Diário do Centro do Mundo) sobre como a Globo foi se enredando neste processo que inicialmente era apenas para tirar o PT e colocar um dos seus, para salvar o império oligopólico de comunicações.
Porém, paulatinamente, como ocorreu com o nazi-fascismo, o jogo foi se transformando numa disputa de vida ou morte.
Assim, o ódio melhor expresso pela "waakanização" do personagem pego nos esquemas denunciados pelo wikileaks de repasse de informações, avançou na linha do carreirismo bem pago, para o processo de "kamelização", misturado a oportunismo, que está ajudando a engendrar uma estrutura mental que traz a ideia de "higienização" e de "assepsia" similar ao esquema do fascismo.
Não se trata mais de uma polarização de disputa pelo pode, que já seria estranho quando travado por uma empresa contra um governo ou partido e não por duas propostas políticas apresentadas por partidos políticos.
A disputa nas ruas e nas redes sociais na última semana mostram de formam evidente que o duelo (sim duelo) se dá entre a Globo contra o governo, um partido e os movimentos sociais que o apoiam.
Este embate nos demonstra de forma evidente os furos, hiatos e os vícios de nosso arcabouço jurídico-político que ainda permite estas excrecências.
Em momentos como este, reclamar da polarização (alguns simplificam chamando de Fla x Flu) não ajuda a lutar por saídas, porque tende a responsabilizar a todos, como se as causas, fossem iguais em extensão e em conteúdo. Não. Os excessos precisam ser controlados sim, mas também a direção dos movimentos.
Hoje, mais do que defender os partidos e seus líderes, agora a causa remete à Defesa da Democracia e do Estado de Direito, contra o Estado de Exceção.
Necessitamos de Mais Democracia, menos intolerância, mais inclusão, menos desigualdades. Só essa luta barra o fascismo e o Estado de Exceção.
Sigamos em frente!
quinta-feira, março 24, 2016
Parcela dos royalties para os municípios caem ainda mais em março: percentuais de queda entre fevereiro e março ficam entre 16,8% e 29,9%
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou o valor das quota mensais de royalties a serem pagas aos municípios, referentes ao mês de março, pela produção do mês de janeiro. Os valores são os menores desde o ano de 2002, apenas quatro anos depois da nova Lei do Petróleo.
O blog publica abaixo a tabela elaborada pela Superintendência de Petróleo da Prefeitura de São João da Barra e encaminhada ao blog. O blog dividiu a tabela em duas. Na primeira (acima - clique sobre ela para ver em tamanho maior) ela faz um levantamento dos valores pagos da quotas mensais nos últimos doze meses a 18 municípios fluminenses.
Percentualmente, a maior perda de 29,9% foi para o município de Quissamã que desceu da receita de R$ 3,9 milhões em fevereiro de 2016, para R$ 2,7 milhões mensais, agora. em março de 2016.
Em termos de valores absolutos a maior perda é do município de Campos dos Goytacazes que perde R$ 6,4 milhões por mês, saindo de R$ 25,7 milhões em fevereiro, para R$ 19,3 milhões em março. A seguir vem Macaé que sai da quota mensal em fevereiro de R$ 24,4 milhões para R$ 18,5 milhões, com uma perda, entre fevereiro e março de 2016, de R$ 5,9 milhões.
Em termos percentuais a menor perda é do município de São João da Barra com 16,8%, recebendo agora em março o valor de R$ 5 milhões, contra R$ 6 milhões em fevereiro.
Esta redução é resultado no geral da redução da produção em alguns poços/campos da Bacia de Campos ( o aumento no geral é no pré-sal da Bacia de Santos) e também, e especialmente, aos baixos preços do petróleo, que teve o seus menores patamares, entre janeiro e fevereiro deste ano.
Para o superintendente de Petróleo da PMSJB, Wellington Abreu que enviou a tabulação ao blog "a queda menos acentuada para São João da Barra foi decorrente da retomada de produção do Campo Frade, operado pela Chevron e também a constante produção em alta do Campo de Roncador".
O blog publica abaixo a tabela elaborada pela Superintendência de Petróleo da Prefeitura de São João da Barra e encaminhada ao blog. O blog dividiu a tabela em duas. Na primeira (acima - clique sobre ela para ver em tamanho maior) ela faz um levantamento dos valores pagos da quotas mensais nos últimos doze meses a 18 municípios fluminenses.
Na tabela a seguir (ao lado) são mostrados apenas os valores da quotas de fevereiro e março de 2016, para estes mesmos 18 municípios, assim como a variação percentual entre os valores destas duas últimas quotas pagas.
Percentualmente, a maior perda de 29,9% foi para o município de Quissamã que desceu da receita de R$ 3,9 milhões em fevereiro de 2016, para R$ 2,7 milhões mensais, agora. em março de 2016.
Em termos de valores absolutos a maior perda é do município de Campos dos Goytacazes que perde R$ 6,4 milhões por mês, saindo de R$ 25,7 milhões em fevereiro, para R$ 19,3 milhões em março. A seguir vem Macaé que sai da quota mensal em fevereiro de R$ 24,4 milhões para R$ 18,5 milhões, com uma perda, entre fevereiro e março de 2016, de R$ 5,9 milhões.
Em termos percentuais a menor perda é do município de São João da Barra com 16,8%, recebendo agora em março o valor de R$ 5 milhões, contra R$ 6 milhões em fevereiro.
Esta redução é resultado no geral da redução da produção em alguns poços/campos da Bacia de Campos ( o aumento no geral é no pré-sal da Bacia de Santos) e também, e especialmente, aos baixos preços do petróleo, que teve o seus menores patamares, entre janeiro e fevereiro deste ano.
Para o superintendente de Petróleo da PMSJB, Wellington Abreu que enviou a tabulação ao blog "a queda menos acentuada para São João da Barra foi decorrente da retomada de produção do Campo Frade, operado pela Chevron e também a constante produção em alta do Campo de Roncador".
Como era esperado, o cinto continua se apertando para os municípios fluminenses que possuem maior dependência dos recursos dos royalties do petróleo, nesta fase de baixa do ciclo petro-econômico.
Pelo cenário, um novo ciclo não deverá elevar antes de 2020, o preço do barril aos patamares que tivemos entre os anos de 2010 e 2014, sempre acima de US$ 100, o barril, que foi o maior período de tempo da história com tão elevados preços.
Hoje, já se começa a avaliar que o novo normal do petróleo deverá ficar até o final deste ano, em torno de US$ 40, o barril. Agora às 16:50 horas, o preço do barril de petróleo, tipo brent está cotado a exatos: US$ 40,45. A conferir!
PS.: Atualizado às 21:34: Corrigido a redação truncada do primeiro parágrafo: "A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou o valor das quotas mensais de royalties a serem pagas aos municípios referentes ao mês de março, pela produção do mês de janeiro. Os valores são os menores desde o ano de 2002, apenas quatro anos depois da nova Lei do Petróleo."
PS.: Atualizado às 21:34: Corrigido a redação truncada do primeiro parágrafo: "A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou o valor das quotas mensais de royalties a serem pagas aos municípios referentes ao mês de março, pela produção do mês de janeiro. Os valores são os menores desde o ano de 2002, apenas quatro anos depois da nova Lei do Petróleo."
Estácio S.A. 2015: lucro líquido de R$ 484 milhões; Grupo Kroton: R$ 1 bilhão
Apesar da "crise" e da redução do Fies (o financiamento estudantil de nível superior), os grandes grupos que controlam inúmeros campi de universidades privadas, aumentaram o número de alunos e também seus lucros líquidos.
Mais uma vez o blog volta a acompanhar a ampliação das universidades S.A.
Já fizemos isto nos anos anteriores. Relatório de 2014 publicado em 2015 ver aqui. Relatório de 2013, publicado em 2014 ver aqui. Relatório de 2010, publicado em 2011 ver aqui.
No Relatório de Administração da Estácio S.A. publicado no último dia 13 de março de 2016, sobre o exercício de 2015 no Valor, P. C9 - C16 foi possível registrar:
1) Apesar da crise em 2015, o número de alunos e matrículas cresceu 15,4% e atingiu a 502,8 mil alunos. Sendo que o número de matrículas no ensino presencial de 358,2 mil estudantes. Em EaD (Educação à Distância) cresceu 12,4% e atingiu a 133,2 mil matrículas, mais 11,4 de alunos vindo de novas aquisições de faculdades feitas pela Estácio nos últimos meses.
Em 2014, o número de alunos total da Estácio S.A. era de 437 mil matrículas.
2) A Receita operacional líquida foi de R$ 2,939 bilhões. O lucro líquido cresceu 13,9% para o volume de R$ 484,7 milhões (meio bilhão), já que em 2014 tinha sido de R$ 425 milhões. Ou seja, um lucro líquido anual de R$ 964 por aluno.
3) O total de trabalhadores fechou 2015 com 15.475 trabalhadores, sendo 9.903 docentes e 5.572 em áreas administrativa.
Em 2014, o número total de trabalhadores era de 14.192. Em número absolutos, 1.283 trabalhadores a mais em 2015. O número de docentes subiu de 9,025 em 2014 para 9.903 professores. Um aumento de 878 docentes para dar conta de mais 65, 8 mil matrículas. Ou seja, a elação número de alunos por professor subiu de 48,4 para 51 estudantes por professor. Uma média absurdamente alta.
Resultados e lucros da Kroton
Outro grande grupo que controla instituições de ensino superior no Brasil é Kroton Educacional que nasceu a partir do Curso Pitágoras em Minas Gerais. Em julho de 2014, a Kroton se tornou a maior empresa brasileira no segmento de ensino superior para o número de alunos e de receita, a partir da fusão com a paulista Anhanguera Educacional. Assim como a Estácio de Sá, A kroton tornou-se uma empresa de capital aberto com ações comercializadas na Bolsa de Valores.
Em seu relatório de 2015, a Kroton informou que aumentou em 39,5% sua receita e que foi para R$ 5,2 bilhões e no mesmo percentual o seu lucro líquido que chegou a R$ 1,4 bilhão. Segundo a Kroton ela fechou o ano com pouco mais de 1 milhão de alunos, o que representa um aumento de 3,7% em relação a 2014. Em EaD a Kroton disse que vai aumentar seu número de polos de 678 para 910 até o final do ano.
Mais uma vez o blog volta a acompanhar a ampliação das universidades S.A.
Já fizemos isto nos anos anteriores. Relatório de 2014 publicado em 2015 ver aqui. Relatório de 2013, publicado em 2014 ver aqui. Relatório de 2010, publicado em 2011 ver aqui.
No Relatório de Administração da Estácio S.A. publicado no último dia 13 de março de 2016, sobre o exercício de 2015 no Valor, P. C9 - C16 foi possível registrar:
1) Apesar da crise em 2015, o número de alunos e matrículas cresceu 15,4% e atingiu a 502,8 mil alunos. Sendo que o número de matrículas no ensino presencial de 358,2 mil estudantes. Em EaD (Educação à Distância) cresceu 12,4% e atingiu a 133,2 mil matrículas, mais 11,4 de alunos vindo de novas aquisições de faculdades feitas pela Estácio nos últimos meses.
Em 2014, o número de alunos total da Estácio S.A. era de 437 mil matrículas.
2) A Receita operacional líquida foi de R$ 2,939 bilhões. O lucro líquido cresceu 13,9% para o volume de R$ 484,7 milhões (meio bilhão), já que em 2014 tinha sido de R$ 425 milhões. Ou seja, um lucro líquido anual de R$ 964 por aluno.
3) O total de trabalhadores fechou 2015 com 15.475 trabalhadores, sendo 9.903 docentes e 5.572 em áreas administrativa.
Em 2014, o número total de trabalhadores era de 14.192. Em número absolutos, 1.283 trabalhadores a mais em 2015. O número de docentes subiu de 9,025 em 2014 para 9.903 professores. Um aumento de 878 docentes para dar conta de mais 65, 8 mil matrículas. Ou seja, a elação número de alunos por professor subiu de 48,4 para 51 estudantes por professor. Uma média absurdamente alta.
Resultados e lucros da Kroton
Outro grande grupo que controla instituições de ensino superior no Brasil é Kroton Educacional que nasceu a partir do Curso Pitágoras em Minas Gerais. Em julho de 2014, a Kroton se tornou a maior empresa brasileira no segmento de ensino superior para o número de alunos e de receita, a partir da fusão com a paulista Anhanguera Educacional. Assim como a Estácio de Sá, A kroton tornou-se uma empresa de capital aberto com ações comercializadas na Bolsa de Valores.
Em seu relatório de 2015, a Kroton informou que aumentou em 39,5% sua receita e que foi para R$ 5,2 bilhões e no mesmo percentual o seu lucro líquido que chegou a R$ 1,4 bilhão. Segundo a Kroton ela fechou o ano com pouco mais de 1 milhão de alunos, o que representa um aumento de 3,7% em relação a 2014. Em EaD a Kroton disse que vai aumentar seu número de polos de 678 para 910 até o final do ano.
O blog já comentou nos anos anteriores, que o número crescente de matrículas em aulas presenciais ou em EaD não é acompanhado do desenvolvimento de pesquisas e extensão, o que permite aos acionistas e donos o aumento de lucros líquidos, que se torna a intenção básica da empresa. Hoje, os dois grupos chegam a terceirizar a outras prestadoras de serviços a captação de alunos que gera um faturamento extraordinário.
quarta-feira, março 23, 2016
Novos ares!
Há sinais evidentes de que novos ares já começam a ser respirados. A coragem pela defesa da Democracia está mexendo com muita gente, comunidades, associações e instituições.
As ruas ganharam um novo significado. Mesmo que fosse antes impensável a necessidade de novamente retomar a defesa da Legalidade, isto está agora posto para todo o povo.
Nas redes sociais vejo que com trabalhadores entendem os apelos dos sindicatos e se mobilizam. Hoje, na Ford, no ABC paulista, uma assembleia com 4 mil operários decidiu lutar pela Democracia e por mais direitos. Movimentos de bairros, a Central de Favelas, etc. se multiplicam, assim como manifestos e atos nas universidades e organizações classistas.
Alguns bem-intencionados que estavam incomodados com as notícias editadas e pautadas por um único viés, começam a mudar de posição. Perceberam que estavam sendo usados e manipulados.
A posição da Cepal, mais a da OEA, assim como as análises das mídias estrangeiras (Reino Unido, Espanha, Alemanha, EUA) mesmo que vinculadas ainda a interesses comerciais, trouxeram à tona uma interpretação diversa daquela patrocinada pela mídia comercial brasileira.
A ânsia por participar e defender tudo o que foi conquistado avança e parece superar o movimento golpista dos falsos moralistas. Eles não querem corrigir os desvios do sistema político.
As ruas ganharam um novo significado. Mesmo que fosse antes impensável a necessidade de novamente retomar a defesa da Legalidade, isto está agora posto para todo o povo.
Nas redes sociais vejo que com trabalhadores entendem os apelos dos sindicatos e se mobilizam. Hoje, na Ford, no ABC paulista, uma assembleia com 4 mil operários decidiu lutar pela Democracia e por mais direitos. Movimentos de bairros, a Central de Favelas, etc. se multiplicam, assim como manifestos e atos nas universidades e organizações classistas.
Alguns bem-intencionados que estavam incomodados com as notícias editadas e pautadas por um único viés, começam a mudar de posição. Perceberam que estavam sendo usados e manipulados.
A posição da Cepal, mais a da OEA, assim como as análises das mídias estrangeiras (Reino Unido, Espanha, Alemanha, EUA) mesmo que vinculadas ainda a interesses comerciais, trouxeram à tona uma interpretação diversa daquela patrocinada pela mídia comercial brasileira.
A ânsia por participar e defender tudo o que foi conquistado avança e parece superar o movimento golpista dos falsos moralistas. Eles não querem corrigir os desvios do sistema político.
A lista de financiamento eleitoral hoje vazada (depois de um mês segurada por Moro) mostra o falso moralismo dos que não têm moral. Querem o poder e mais que isto, querem impedir que as investigações peguem e punam quem merece ser punido.
Abandonaram o debate sobre o financiamento eleitoral, porque queriam com ajuda da mídia e de uma parte do judiciário, criminalizar um único partido, se aproveitando da conjuntura econômica adversa. Não aceitam o resultados das urnas.
Alguém disse e eu concordo que o movimento de resistência já supera a capacidade de organização. Ele é maior e mais amplo. Isto mostra uma força e uma politização que temíamos que tivesse se fragmentado em meio à fase de boom do ciclo econômico.
A batalha não está ganha e nem muito menos a guerra. Porém, em meio ao enfrentamento ainda em urso, é preciso reconhecer o tamanho da resistência e o significado político desta nova conjuntura que ainda necessita de mais debates, mais articulação em favor da construção de Mais Democracia, Mais Inclusão e Direitos Sociais. A Frente Popular tem papel relevante e suprapartidário nesta avanço.
Sigamos em frente!
Alguém disse e eu concordo que o movimento de resistência já supera a capacidade de organização. Ele é maior e mais amplo. Isto mostra uma força e uma politização que temíamos que tivesse se fragmentado em meio à fase de boom do ciclo econômico.
A batalha não está ganha e nem muito menos a guerra. Porém, em meio ao enfrentamento ainda em urso, é preciso reconhecer o tamanho da resistência e o significado político desta nova conjuntura que ainda necessita de mais debates, mais articulação em favor da construção de Mais Democracia, Mais Inclusão e Direitos Sociais. A Frente Popular tem papel relevante e suprapartidário nesta avanço.
Sigamos em frente!
terça-feira, março 22, 2016
Outro lado sobre os resultados da Petrobrás em 2015
A notícia do resultado da Petrobras sobre o exercício 2015 é ruim, mas não pode ser interpretada isoladamente, como fazem os "colonistas" econômicos ligados aos setores de investimentos dos bancos.
A baixa dos ativos e investimentos (impairment) de R$ 44,6 bilhões, maior que o valor do prejuízo anunciado de R$ 34,8 bilhões, mostra que a parte operacional segue bem, apesar do mercado do setor de petróleo ter sido o mais tumultuado de todos os ciclos de petróleo até aqui. As demais petroleiras mundo afora, também anunciam resultados ruins, como já era de se esperar.
Porém, há notícias boas no meio da tentativas de desvalorização da empresa, para além do que a fase de baixos preços produz, junto com as consequências da Operação Lava Jato.
O endividamento hoje em 2015, era menor do que em 2014. A empresa fechou 2015 com R$ 100,8 bilhões em caixa. E por último, mais uma informação que ratifica o enorme potencias das reservas do pré-sal: foi encontrada a maior coluna de óleo descoberta pelo consórcio que opera o campo de Libra, que tem 301 metros de espessura com óleo do poço conhecido como NW5 que é de "elevada qualidade".
Nesta fase do "ciclo petro-econômico" que já dura quase dois anos, não há nada fora do contexto. Há sim, interesses econômicos agindo em direção às potencialidades das reservas petrolíferas que o Brasil possui. Assim, fragilizar a Petrobras é parte da estratégia para ampliar o acesso às áreas que hoje a estatal comanda.
O acesso às nossas reservas, a absorção de setores da Petrobras e o rompimento do Brasil com os BRICS, para um alinhamento completo, exclusivo e dependente dos EUA, são as questões na dimensão geopolítica, que explicam o movimento golpista hoje, no país.
PS.: Atualizado às 15:10 de 25/03/2016:
Ainda sobre o assunto é oportuno conhecer a opinião sobre o assessor legislativo e ex-funcionário da Petrobrás Paulo César Ribeiro Lima sobre os resultados da Petrobras de 201. Ele considerou "exagerada a baixa contábil (impairment) de R$ 49,748 bilhões, sendo que R$ 36,184 bilhões referem-se a campos de produção. Para Ribeiro Lima, o valor contábil referente aos campos de produção da Petrobras é subestimado, uma vez que as reservas, bens da União, não podem ser contabilizadas no ativo da empresa, ao contrário do que sugere o Relatório divulgado nesta segunda-feira (21)".
“Campos como Sapinhoá, Lula e Búzios, localizados na província do Pré-Sal, são ativos cujo valor real não está nem pode ser registrado no ativo contábil. Assim sendo, essa baixa contábil de R$ 36,184 bilhões não faz o menor sentido, pois poderia ser mais que compensada pela “valorização contábil” de outros campos. Conclui-se, então, que a Petrobrás poderia ter apresentado lucro, em vez de prejuízo, no ano de 2015”.
A baixa dos ativos e investimentos (impairment) de R$ 44,6 bilhões, maior que o valor do prejuízo anunciado de R$ 34,8 bilhões, mostra que a parte operacional segue bem, apesar do mercado do setor de petróleo ter sido o mais tumultuado de todos os ciclos de petróleo até aqui. As demais petroleiras mundo afora, também anunciam resultados ruins, como já era de se esperar.
Porém, há notícias boas no meio da tentativas de desvalorização da empresa, para além do que a fase de baixos preços produz, junto com as consequências da Operação Lava Jato.
O endividamento hoje em 2015, era menor do que em 2014. A empresa fechou 2015 com R$ 100,8 bilhões em caixa. E por último, mais uma informação que ratifica o enorme potencias das reservas do pré-sal: foi encontrada a maior coluna de óleo descoberta pelo consórcio que opera o campo de Libra, que tem 301 metros de espessura com óleo do poço conhecido como NW5 que é de "elevada qualidade".
Nesta fase do "ciclo petro-econômico" que já dura quase dois anos, não há nada fora do contexto. Há sim, interesses econômicos agindo em direção às potencialidades das reservas petrolíferas que o Brasil possui. Assim, fragilizar a Petrobras é parte da estratégia para ampliar o acesso às áreas que hoje a estatal comanda.
O acesso às nossas reservas, a absorção de setores da Petrobras e o rompimento do Brasil com os BRICS, para um alinhamento completo, exclusivo e dependente dos EUA, são as questões na dimensão geopolítica, que explicam o movimento golpista hoje, no país.
PS.: Atualizado às 15:10 de 25/03/2016:
Ainda sobre o assunto é oportuno conhecer a opinião sobre o assessor legislativo e ex-funcionário da Petrobrás Paulo César Ribeiro Lima sobre os resultados da Petrobras de 201. Ele considerou "exagerada a baixa contábil (impairment) de R$ 49,748 bilhões, sendo que R$ 36,184 bilhões referem-se a campos de produção. Para Ribeiro Lima, o valor contábil referente aos campos de produção da Petrobras é subestimado, uma vez que as reservas, bens da União, não podem ser contabilizadas no ativo da empresa, ao contrário do que sugere o Relatório divulgado nesta segunda-feira (21)".
“Campos como Sapinhoá, Lula e Búzios, localizados na província do Pré-Sal, são ativos cujo valor real não está nem pode ser registrado no ativo contábil. Assim sendo, essa baixa contábil de R$ 36,184 bilhões não faz o menor sentido, pois poderia ser mais que compensada pela “valorização contábil” de outros campos. Conclui-se, então, que a Petrobrás poderia ter apresentado lucro, em vez de prejuízo, no ano de 2015”.
segunda-feira, março 21, 2016
"Simulacro e poder: uma análise da mídia", por Marilena Chauí em “A ideologia da competência”
O artigo “Mídia empresarial e a corrosão dos valoresdemocráticos” de autoria do professor Gaudêncio Frigotto que publicamos aqui neste
espaço, avança na direção da compreensão de como a mídia comercial vai se
transformando em partido político, escamoteando seus interesses.
O tema merece ser aprofundado para além das merecidas
denúncias da falsa neutralidade e moralismo que lançam reações crescentes na
sociedade brasileira.
Na manifestação da última sexta-feira (18/03) no Rio de
Janeiro, ficou evidente que esta percepção ganhou nitidez e clareza entre as
pessoas que foram à Praça XV para defender o estado democrático e de direito.
Entre 80% e 90% das faixas e cartazes individuais e/ou de
instituições e associações eram contra o monopólio da mídia comercial e sua
sanha golpista.
No mesmo ato, eu ouvi de uma importante liderança sindical
brasileira, que ele não tem dúvidas que a mídia alternativa e independente
foram a força fundamental para impedir até aqui o golpe midiático-jurídico
armado pelas elites. Ele deu destaque especial aos blogs. Eu detalho e enfatizo
que os blogs dos jornalistas que optaram sair, ou dividir suas atuações
profissionais com a militância digital, fazendo jornalismo sério e, em contraponto
à dos donos da mídia comercial que noticiam a versão que interessa aos seus
negócios.
É nesta linha que julgo que o tema mereça ser aprofundado.
Assim, me recordei de um dos capítulos do livro “A ideologia da competência” da
professora e filósofa Marilena Chauí.
O livro reúne textos que questionam a origem e o sentido da ideologia
da competência e no conjunto faz uma interessantíssima crítica a esta que
remete a um surrado discurso da meritocracia que renasce nestes tempos
estranhos.
O capítulo mais longo do livro editado em 2014, pela
Autêntica Editora, é o que trata do “simulacro e poder: uma análise da mídia”.
Chauí, abre o capítulo recordando que “simulacrum, palavra de origem latina deriva de similis que significa “o semelhante”. De símilis vem o verbo simulare,
que significa “representar exatamente”, “copiar, ou “tomar aparência de”; este
último sentido leva o verbo a significar também “fingir”, “simular”. Ou seja, simulacrum pode significar uma
representação ou cópia exata de alguma coisa percebida ou o oposto disso, isto
é um fingimento, uma simulação”... (P.121)
Chauí adiante diz que “simulacrum
é a imagem por representação (pintura, escultura, imagem no espelho, música).
Em outras palavras, o simulacro é um duplo, porque é a imagem de uma coisa
percebida. Por meio dele, passamos da percepção de uma coisa à representação ou
à sua reprodução”. (P.121). A professora da USP traz ainda os filósofos, o grego Epicuro
e o latino Lucrécio que afirmam que todo conhecimento é sensação e composição de
sensações. (P.122)
Estas breves passagens servem para sugerir a leitura deste
texto da Marilena Chauí. Ele nos oferece pistas para melhor
compreender, e talvez desocultar o real, entre imagens e representações que nos
são oferecidas pela mídia-partido diuturnamente.
Porém, antes de fechar vou transcrever três parágrafos seguidos (P.187 e 188) deste mesmo capítulo, por considera-los importantes para a
compreensão da trama que envolve ainda parte do judiciário, que se considera portadora
de uma meritocracia resumida na ideologia da competência:
“A ideologia da competência pode ser resumida da seguinte
maneira: não é qualquer um que pode em qualquer lugar e em qualquer ocasião
dizer qualquer coisa a qualquer outro. O discurso competente determina de
antemão quem tem o direito de falar e quem deve ouvir, assim como predetermina os
lugares e as circunstâncias em que é permitido falar e ouvir, e, finalmente,
define previamente a forma e o conteúdo do que deve ser dito e precisa ser
ouvido. Essas distinções têm como fundamento uma distinção principal, aquela
que divide socialmente os detentores de um saber ou de um conhecimento
(científico, técnico, religioso, político, artístico), que podem falar e têm o
direito de mandar e comandar, e os desprovidos de saber, que devem ouvir e
obedecer. Em uma palavra, a ideologia da competência institui a divisão social
entre os competentes, que sabem, e os incompetentes, que obedecem”.
“Enquanto discurso do conhecimento, essa ideologia opera com
a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa
figura, mas também não cessam de instituí-la como sujeito da comunicação. O
especialista competente é aquele que, no rádio, na TV, na revista, no jornal ou
na multimídia, divulga saberes, falando das últimas descobertas da ciência ou
nos ensinando, por exemplo, à maneira do resenhista, como escrever um livro ou
artigo. O especialista competente nos ensina a bem fazer sexo, jardinagem,
culinária, educação das crianças, decoração da casa, a ter boas maneiras, a
usar roupas apropriadas em horas e locais apropriados, como amar Jesus e ganhar
o céu, meditação espiritual, como ter um corpo juvenil e saudável, como ganhar
dinheiro e subir na vida. O principal especialista, porém, não se confunde com nenhum
dos anteriores, mas é uma espécie de síntese, construída a partir das figuras
precedentes: é aquele que explica e interpreta as notícias e os acontecimentos econômicos,
sociais, políticos, culturais, religiosos e esportivos, aquele que devassa,
eleva e rebaixa entrevistados, zomba, premia e pune calouros – em suma, o “formador
de opinião” e o “comunicador”.
Ideologicamente, portanto, o poder da comunicação de massa não é igual
ou semelhante ao da antiga ideologia burguesa, que realizava uma inculcação de valores
e ideias. Dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, afirma que
nada sabemos, e seu poder se realiza como intimidação social e cultural”.
“Todavia, é preciso compreender o que torna possível essa
intimidação e a eficácia da operação dos especialistas, é de um lado a presença
cotidiana (explícita ou difusa), em todas as esferas de nossa existência, da
competência como forma que confere sentido racional às divisões, assimetrias,
desigualdades e hierarquias sociais – em suma, a interiorização da ideologia
pela sociedade; e de outro, sua manifestação reiterada e perfeita na estrutura
dos meios de comunicação, que, por meio do aparato tecnológico, da atopia e da anacronia,
e dos procedimentos de encenação e de persuasão, aparecem com a capacidade
mágica de fazer acontecer o mundo. Ora, essa capacidade é a competência
suprema, a forma máxima do poder: o de criar a realidade. E esse poder é ainda
maior (igualando-se ao divino) quando, graças a instrumentos técnico-científicos,
essa realidade é virtual ou a virtualidade é real. O poder ideológico-político
se realiza como produção de simulacros”.
Penso que a clareza da exposição de Chauí posta à prova
diante da realidade que vivemos, nos traz luz para melhor compreender o
fenômeno que a que estamos submetidos, com a anomalia do protagonismo da mídia
comercial, atuando como partido político, escondendo seus interesses e dissimulando,
ou falseando uma neutralidade.
Uma melhor interpretação deste fenômeno nos oferecem alternativas
para compreender e dar direção às estratégias de resistência e potência às
nossas ações e lutas, de forma complementar e dialética, como são a vida e a
política.
domingo, março 20, 2016
Itaperuna como pólo tem mais matrículas per capita no Ensino Superior na região
O município de Itaperuna vem se consolidando como polo de ensino superior entre as regiões Norte, Noroeste e Baixada Litorânea no interior fluminense. Itaperuna com 99.021 habitantes (2015) possui um total de 6.797 matrículas. Isto dá uma relação por habitante (per capita) de 3,7%.
Enquanto isto, o município de Campos dos Goytacazes com 18.062 matrículas e uma população de 483.970 habitantes, tem uma relação per capita de 3,6%. Outros polos como Macaé a relação per capita é de 3,7% e de Cabo Frio 4,4%.
É certo que esta alta relação per capita em Itaperuna está relacionada ao fato de estar numa área de abrangência e influência, sem cobertura de ensino superior, nas demais cidades do Noroeste Fluminense e no Oeste Mineiro.
A evolução do número de matrículas em Itaperuna é permanente, com uma estabilidade entre 2013 e 2014, identificadas por estes censos do Inep/MEC, lembrando que o Censo de 2014 é o último divulgado no final do ano passado.
Um total de sete instituições oferecem matrículas no ensino superior em Itaperuna, sendo quatro públicas (UFF; IFF; ISE e Faetec) e três particulares (Faculdade Redentor; Unig e Centro Universitário São José).
Evolução das matrículas no ensino superior em Itaperuna:
2010 - 5.809 matrículas;
2011 - 5.963 matrículas;
2012 - 5.866 matrículas;
2013 - 6.866 matrículas;
2014 - 6.793 matrículas.
Apesar das instituições públicas ofertantes serem maioria no total elas oferecem um universo de 435 matrículas, equivalentes ao percentual de apenas 6%. Enquanto isto, as três instituições privadas oferecem 6.362 matrículas (cerca de 94%) do total de 6.797 matrículas.
Nestes municípios-polo de ensino superior nas regiões Norte, Noroeste e Baixada Litorânea, majoritariamente as matrículas são em instituições de ensino particulares. Dos quatro polos citados, Campos, Cabo Frio, Macaé e Itaperuna, o que tem o maior percentual de matrículas em instituições públicas é em Campos dos Goytacazes com 37,5% das matrículas do município (Uenf, UFF, IFF e Isepam-Faetec).
A instituição com a maior oferta de vagas no município de Itaperuna é a Faculdade Redentor que desde o ano de 2013 ultrapassou a Unig em matrículas. Em 2014 possuía um total de 3.026 alunos.
O curso com a maior quantidade de alunos em Itaperuna, assim como em Campos e em todo o Brasil é Direito com 893 matrículas (556 na Unig e 317 na Redentor).
Individualmente, o curso por instituição, com maior quantidade de matrículas é Medicina na Unig com 688 alunos, cerca de 10% do total. A seguir vem Engenharia Civil na Redentor com 660 alunos.
Desde o 2015, a Faculdade Redentor recebeu autorização do MEC e também instituiu o curso de Medicina que assim quando estiver completo com todas as turmas, dará um total aproximado de 1,2 mil matrículas, com receitas totais que podem ser estimadas em R$ 9 milhões mensais, ou R$ 108 milhões anuais, considerando o valor da mensalidade e Medicina e 7,5 mil.
Mesmo que boa parte destes estudantes de medicina sejam de fora do município, um volume de 1,2 mil estudantes na área de Medicina, mais outros em Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia e Fonoaudiologia, conferem ao município, um potencial que reforça a área de serviços de saúde que Itaperuna vem consolidando.
Há que se lamentar que as atividades de pesquisa e extensão que dão qualidade e solidez à formação no ensino superior seja muito pequena, relativamente, embora, não seja um problema exclusivo de Itaperuna.
Outras análises (postagens) sobre o assunto do Ensino Superior no interior fluminense, neste último Censo 2014 do Inep/MEC podem ser visualizados nestes links (aqui e aqui) do blog. Seguimos avaliando.
Enquanto isto, o município de Campos dos Goytacazes com 18.062 matrículas e uma população de 483.970 habitantes, tem uma relação per capita de 3,6%. Outros polos como Macaé a relação per capita é de 3,7% e de Cabo Frio 4,4%.
É certo que esta alta relação per capita em Itaperuna está relacionada ao fato de estar numa área de abrangência e influência, sem cobertura de ensino superior, nas demais cidades do Noroeste Fluminense e no Oeste Mineiro.
A evolução do número de matrículas em Itaperuna é permanente, com uma estabilidade entre 2013 e 2014, identificadas por estes censos do Inep/MEC, lembrando que o Censo de 2014 é o último divulgado no final do ano passado.
Um total de sete instituições oferecem matrículas no ensino superior em Itaperuna, sendo quatro públicas (UFF; IFF; ISE e Faetec) e três particulares (Faculdade Redentor; Unig e Centro Universitário São José).
Evolução das matrículas no ensino superior em Itaperuna:
2010 - 5.809 matrículas;
2011 - 5.963 matrículas;
2012 - 5.866 matrículas;
2013 - 6.866 matrículas;
2014 - 6.793 matrículas.
Apesar das instituições públicas ofertantes serem maioria no total elas oferecem um universo de 435 matrículas, equivalentes ao percentual de apenas 6%. Enquanto isto, as três instituições privadas oferecem 6.362 matrículas (cerca de 94%) do total de 6.797 matrículas.
Nestes municípios-polo de ensino superior nas regiões Norte, Noroeste e Baixada Litorânea, majoritariamente as matrículas são em instituições de ensino particulares. Dos quatro polos citados, Campos, Cabo Frio, Macaé e Itaperuna, o que tem o maior percentual de matrículas em instituições públicas é em Campos dos Goytacazes com 37,5% das matrículas do município (Uenf, UFF, IFF e Isepam-Faetec).
A instituição com a maior oferta de vagas no município de Itaperuna é a Faculdade Redentor que desde o ano de 2013 ultrapassou a Unig em matrículas. Em 2014 possuía um total de 3.026 alunos.
O curso com a maior quantidade de alunos em Itaperuna, assim como em Campos e em todo o Brasil é Direito com 893 matrículas (556 na Unig e 317 na Redentor).
Individualmente, o curso por instituição, com maior quantidade de matrículas é Medicina na Unig com 688 alunos, cerca de 10% do total. A seguir vem Engenharia Civil na Redentor com 660 alunos.
Desde o 2015, a Faculdade Redentor recebeu autorização do MEC e também instituiu o curso de Medicina que assim quando estiver completo com todas as turmas, dará um total aproximado de 1,2 mil matrículas, com receitas totais que podem ser estimadas em R$ 9 milhões mensais, ou R$ 108 milhões anuais, considerando o valor da mensalidade e Medicina e 7,5 mil.
Mesmo que boa parte destes estudantes de medicina sejam de fora do município, um volume de 1,2 mil estudantes na área de Medicina, mais outros em Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia e Fonoaudiologia, conferem ao município, um potencial que reforça a área de serviços de saúde que Itaperuna vem consolidando.
Há que se lamentar que as atividades de pesquisa e extensão que dão qualidade e solidez à formação no ensino superior seja muito pequena, relativamente, embora, não seja um problema exclusivo de Itaperuna.
Outras análises (postagens) sobre o assunto do Ensino Superior no interior fluminense, neste último Censo 2014 do Inep/MEC podem ser visualizados nestes links (aqui e aqui) do blog. Seguimos avaliando.
sexta-feira, março 18, 2016
“Mídia empresarial e a corrosão dos valores democráticos”, por Gaudêncio Frigotto
Abaixo o blog reproduz o texto do professor do
PPFH-UERJ, Gaudêncio Frigotto. Ele reproduz com propriedades aquilo que aqui no
blog temos denunciado sobre os interesses corporativos da mídia comercial
brasileira. Vale conferir!
Mídia empresarial e a corrosão dos valores democráticos
Gaudêncio Frigotto*
Um dos
temas mais cruciais hoje para a vida democrática no Brasil é a necessidade inadiável de assumir o debate
sobre as corporações empresariais que detém o monopólio da informação. Não por acaso, um tema que, de imediato,
essas próprias corporações esgrimam em suas redes de TV, rádio e seus jornais,
no esforço de convencermentes e corações que a censura voltou e se está
cometendo o maior atentado contra a democracia. Democracia por elas entendida
como defesa do mundo privado.
O
filme documentário de Camilo Galli Tavares – O dia que durou 21 anos, mostra o quanto foi decisiva a grande
mídia no golpe civil e militar de 1964. O que se revela no documentário é que
esta mídia agiu nos bastidores com políticos brasileiros e dos Estados Unidos e,
diretamente, com as pautas diárias induzindo a opinião da classe média e das
grandes massas, a respeito da suposta ameaça
comunista, que estaria às nossas portas.
Mas valeria, também, analisar os
tempos que precederam a morte de Getúlio Vargas. Esse retrospecto pode nos
ajudar a ver com meridiana clareza que esta mesma mídia está implicada
diuturnamente em fomentar as massas para manter privilégios de grupos e, no
momento, legitimar o golpe institucional que está em processo e que
representará um retrocesso pior, porque mais profundo, do que o golpe de 1964.
As consequências sociais e políticas
podem ser dramáticas, pois as três décadas de frágil ordem democrática
permitiram formar sindicatos, organizações científicas, culturais e movimentos
sociais e populares que não existiam em 1964 e que certamente não se calarão.
Os efeitos podem não ser no dia seguinte ao golpe se consumado, mas logo quando
as grandes massas se perceberem da manipulação a que foram submetidas por uma
minoria rica, cínica e prepotente representada em todas as esferas institucionais
do país.
Pela Constituição brasileira, os
meios de comunicação são concessão do Estado e deveriam atender aos interesses
universais e não privados. Portanto, interesses democráticos. Mas a imprensa
empresarial privada e monopolizada é, por definição, anti democrática. Vale
dizer, atende aos interesses de grupos e não aos interesses da sociedade no seu
conjunto. O argumento de que o controle
social da mídia é censura dissimula o caráter de censura da grande mídia
empresarial ao pensamento divergente, fermento da ordem democrática.
Os estudos acadêmicos sobre o caráter parcial,
direcionado, seletivo da grande mídia monopolizada são abundantes. No plano
internacional, as análises de um dos maiores sociólogos do Século XX, o francês
Pierre Bourdieu, e do linguista e cientista político Noam Chomsky, mostram o quão
parcial e demolidora dos direitos à informação livre é a mídia monopolizada
mundialmente.
No Brasil poucas vozes de juristas, políticos e intelectuais
têm se manifestado sobre o risco da manipulação midiática para a manutenção e
aprofundamento da ordem democrática e, conseqüentemente, para avanços nas
reformas estruturais historicamente postergadas e que nos constituem como uma sociedade
das mais desiguais do mundo. Desigualdade que está na origem de todas as formas
de violênciatão banalizadas pela mídia empresarial.
O que se está presenciando pela pauta
dominante da grande mídia empresarial, sem dúvida o maior partido ideológico
atual no Brasil, torna mais queatuais as afirmações feitas pelo jornalista
húngaro Joseph Pulitzer. “Com o tempo,
uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma (grifos meus).”
Na mesma direção, de candente
atualidade, éo destaque que o Eric Hobsbawm dá em seu livro Tempos Fraturados (Companhia das
Letras,2013) ao que o escritor alemão Karl Kraus observou sobre o papel da
mídia no contexto da primeira Guerra
Mundial. Hobsbawm destaca que “a imprensa não só expressava a corrupção da
época, mas era, ela própria, a grande corruptora, simplesmente pelo “confisco dos valores através da palavra”.
Eapoiado em Confúcio sublinha que quando não “se diz tudo o que deve ser dito e se quer dizer, o que precisa ser feito não será feito; se isso não é
feito, a moral e a arte se deterioram; se a justiça se extravia, o povo
esperará em impotente confusão”( p.162)
Por fim, em meados do século XX, na coletânea de
textos de Pier Paolo Pasolini, publicada em 1990 pela editora Brasiliense com o
título “Jovens Infelizes”, este
autor de vasta obra, observando o papel
da imprensa no pós Segunda Guerra Mundial assinalava que o fascismo arranhou a
Itália, mas o monopólio da mídia arruinou. O magnata da mídia Berlusconi é a
expressão políticamais candente da ruína a que foi submetida a Itália.
Há sim que denunciar e combater a corrupção, mas não seletivamente e sim
sob todas as formas e todos os envolvidos. Corrupção por propinas a políticos, corrupção
por evasão fiscal, corrupção da dívida pública, etc. Para aqueles que lutam
pela efetiva democracia e o esforço de construir uma nação não é termos uma
imprensa monopólio estatal ou empresarial, mas uma imprensa com controle social
de forma institucionalizada para que, sobre todos os temas de interesse
universal, não se diga apenas meias verdades, pois isto é pior que a mentira.
__________________
* Gaudêncio
Frigotto é filósofo e doutor em Educação, História e Sociedade pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Atualmente
professor na Faculdade de Educação e no Programa
de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro.
O ciclo do petróleo e sua relação com a crise política
O preço do barril de petróleo brent chegou nesta manhã a US$ 42,45 e segue negociado acima de US$ 42. Trata-se, aparentemente, de mais que uma nova flutuação e pode estar apontando para o início de um novo "ciclo petro-econômico", como tenho insistido em analisar.
A decisão de alguns países produtores em reduzir suas produções e assim também os estoques tenderão a manter o patamar de preço adiante entre US$ 40 e US$ 50, o barril.
A antecipação da reunião da Opep com outros grandes produtores para o mês de abril reforça esta hipótese. Porém, analisando os ciclos petro-econômicos anteriores, não há nenhum indicativo de que os preços possam, no prazo até 2018 (talvez até 2020), voltar a ficar acima dos US$ 100, o barril como ficou entre 2010 e 2014, único período da história seguido em que permaneceu acima dos US$ 100, o barril.
Observando este cenário e as consequências desta cadeia produtiva sobre a economia brasileira (12% do PIB no Brasil e 33% do PIB no ERJ), é possível intuir porque tanta pressa e tanta pressão por alterações no comando da política país no curto prazo, no Brasil.
A decisão de alguns países produtores em reduzir suas produções e assim também os estoques tenderão a manter o patamar de preço adiante entre US$ 40 e US$ 50, o barril.
A antecipação da reunião da Opep com outros grandes produtores para o mês de abril reforça esta hipótese. Porém, analisando os ciclos petro-econômicos anteriores, não há nenhum indicativo de que os preços possam, no prazo até 2018 (talvez até 2020), voltar a ficar acima dos US$ 100, o barril como ficou entre 2010 e 2014, único período da história seguido em que permaneceu acima dos US$ 100, o barril.
Observando este cenário e as consequências desta cadeia produtiva sobre a economia brasileira (12% do PIB no Brasil e 33% do PIB no ERJ), é possível intuir porque tanta pressa e tanta pressão por alterações no comando da política país no curto prazo, no Brasil.
quinta-feira, março 17, 2016
"A imprensa e o judiciário não podem atuar como partido político"
O blog reproduz abaixo vídeo que denuncia a tentativa de golpe e faz uma defesa da democracia:
"A imprensa e o judiciário não podem atuar como partido político. O que está em jogo é algo muito mais importante do que quem ocupará a Presidência da República. O que está em jogo é a própria democracia, a estabilidade do país e todas as instituições do Estado. #GolpeNuncaMais#TodosPelaDemocracia #JuntosPeloBrasil #MaisAmorMenosGolpe
Dia 18 vamos para rua pela democracia. Confirme sua presença no evento:"
Publicado por TV Poeira em Quarta, 16 de março de 2016
"A imprensa e o judiciário não podem atuar como partido político. O que está em jogo é algo muito mais importante do que quem ocupará a Presidência da República. O que está em jogo é a própria democracia, a estabilidade do país e todas as instituições do Estado. #GolpeNuncaMais#TodosPelaDemocracia #JuntosPeloBrasil #MaisAmorMenosGolpe
Dia 18 vamos para rua pela democracia. Confirme sua presença no evento:"
Publicado por TV Poeira em Quarta, 16 de março de 2016
terça-feira, março 15, 2016
Ainda sobre o setor de petróleo: previsões da AIE sobre investimentos, produção e o novo ciclo
A Agência Internacional de Energia (AIE) instalada nos EUA fez na semana passada algumas previsões em seu relatório mensal sobre a produção e sobre o mercado de petróleo no mundo:
a) A produção de petróleo dos EUA terá um declínio de 530.000 barris por dia neste ano porque a queda dos preços causará impactos nos investimentos e nas perfurações;
b) A produção da Opep está caindo mais que o esperado, mesmo com o aumento da produção do Irã. A previsão é que a produção total dos países da Opep caia 750 mil barris este ano.
Diante destas estimativas não é difícil traçar o cenário de um novo ciclo adiante. Hoje há excesso de produção da ordem de 1,5 milhão de barris por dia. A queda de produção dos EUA + Opep já produz uma redução de 1,2 milhão de barris por dia (mb/d).
A diferença de 300 mil barris por dia tende a ser consumida pelo aumento do consumo mundial, mesmo que abaixo da média dos últimos anos. Assim, não é difícil reafirmar que o novo ciclo já é visível no horizonte, mesmo muito distante dos patamares de preço entre 2009/2014, quue ficou acima dos US$ 100, o barril.
Redução de investimento da americana Chevron para 2017 e 2018
A queda do preço do barril brendt abaixo do U$ 40, desde ontem, já eram esperado, mesmo com a leitura acima que aponta para mudanças adiante. O fato se dá porque a queda da produção citada acima será gradual, chegando àqueles valores, lá pelo final do ano.
Para explicar este quadro e ampliando a informação aqui já publicada, sobre cortes de investimentos das petroleiras para enfrentar esta fase de colapso do ciclo, a americana Chevron anunciou na semana passada, novo corte de gastos de capital para US$ 17 bilhões em 2017 e US$ 22 bilhões para 2018.
Este é o segundo corte seguido que a petroleira Chevron fez desde outubro do ano passado, para o biênio 2017 e 2018. Na ocasião a previsão de investimentos para 2017 era de US$ 20 bilhões e US$ 24 bilhões para 2018.
Este ano, a Chevron já havia cortado em 25% seus investimentos para este ano que é de US$ 26 bilhões. Assim, se vê que a queda entre 2016 e 2017 será de US$ 26 bilhões para US$ 17 bilhões, ou US$ 9 bilhões a menos, ou seja corte de 35% deste ano, para o ano que vem. Isto mostra que a fase de baixa aos olhos da Chevron pode ser ainda mais longa.
Exploração no gelado Mar Ártico apontam o novo "ciclo petro-econômico":
a) A produção de petróleo dos EUA terá um declínio de 530.000 barris por dia neste ano porque a queda dos preços causará impactos nos investimentos e nas perfurações;
b) A produção da Opep está caindo mais que o esperado, mesmo com o aumento da produção do Irã. A previsão é que a produção total dos países da Opep caia 750 mil barris este ano.
Diante destas estimativas não é difícil traçar o cenário de um novo ciclo adiante. Hoje há excesso de produção da ordem de 1,5 milhão de barris por dia. A queda de produção dos EUA + Opep já produz uma redução de 1,2 milhão de barris por dia (mb/d).
A diferença de 300 mil barris por dia tende a ser consumida pelo aumento do consumo mundial, mesmo que abaixo da média dos últimos anos. Assim, não é difícil reafirmar que o novo ciclo já é visível no horizonte, mesmo muito distante dos patamares de preço entre 2009/2014, quue ficou acima dos US$ 100, o barril.
Redução de investimento da americana Chevron para 2017 e 2018
A queda do preço do barril brendt abaixo do U$ 40, desde ontem, já eram esperado, mesmo com a leitura acima que aponta para mudanças adiante. O fato se dá porque a queda da produção citada acima será gradual, chegando àqueles valores, lá pelo final do ano.
Para explicar este quadro e ampliando a informação aqui já publicada, sobre cortes de investimentos das petroleiras para enfrentar esta fase de colapso do ciclo, a americana Chevron anunciou na semana passada, novo corte de gastos de capital para US$ 17 bilhões em 2017 e US$ 22 bilhões para 2018.
Este é o segundo corte seguido que a petroleira Chevron fez desde outubro do ano passado, para o biênio 2017 e 2018. Na ocasião a previsão de investimentos para 2017 era de US$ 20 bilhões e US$ 24 bilhões para 2018.
Este ano, a Chevron já havia cortado em 25% seus investimentos para este ano que é de US$ 26 bilhões. Assim, se vê que a queda entre 2016 e 2017 será de US$ 26 bilhões para US$ 17 bilhões, ou US$ 9 bilhões a menos, ou seja corte de 35% deste ano, para o ano que vem. Isto mostra que a fase de baixa aos olhos da Chevron pode ser ainda mais longa.
Exploração no gelado Mar Ártico apontam o novo "ciclo petro-econômico":
Enquanto isso, novas fronteiras exploratórias seguem, mesmo com o quadro acima de significativa redução de investimentos. A petrolífera italiana Eni anunciou no domingo que começou sábado (12/03) a produzir petróleo em sua plataforma Goliat, no Mar Ártico. O fato só aconteceu dois anos depois da previsão do cronograma inicial.
A plataforma fica localizada no ponto mais ao norte do mundo, em uma destas áreas com custos mais altos de produção, das novas fronteiras exploratórias. Este projeto de produção no Ártico é desenvolvido de forma consorciada com a petroleira estatal norueguesa Statoil, nas proporções: 65% para a Eni e 35% para a Statoil e tem como dificuldade as baixíssimas temperaturas daquela região.
As notícias acima do setor global de petróleo mostram que os problemas vão bem para além da Petrobras e o baixo preço atinge a todos. De outro lado, as informações também trazem evidências, que mesmo com a redução de investimentos, as petroleiras olham o novo ciclo e se movimentam, mesmo que mais lentamente no presente.
![]() |
| Plataforma Goliat da petrolífera italiana ENI no Mar Ártico |
A plataforma fica localizada no ponto mais ao norte do mundo, em uma destas áreas com custos mais altos de produção, das novas fronteiras exploratórias. Este projeto de produção no Ártico é desenvolvido de forma consorciada com a petroleira estatal norueguesa Statoil, nas proporções: 65% para a Eni e 35% para a Statoil e tem como dificuldade as baixíssimas temperaturas daquela região.
As notícias acima do setor global de petróleo mostram que os problemas vão bem para além da Petrobras e o baixo preço atinge a todos. De outro lado, as informações também trazem evidências, que mesmo com a redução de investimentos, as petroleiras olham o novo ciclo e se movimentam, mesmo que mais lentamente no presente.
O caso se assemelha com a exploração do pré-sal brasileiro, tão cobiçado e com custos e potencial muito para além das reservas do gelado Mar Ártico. Enquanto isso as pressões da geopolítica atingem os países produtores das mais variadas formas. Continuamos acompanhando!
PS.: Atualizado às 17:02: O projeto da plataforma Goliat foi executado no estaleiro em Ulsan, na Coréia do Sul. De lá saiu em abril do ano passado e levou 63 dias de navegação até chegar a Hammerfest, no norte da Noruega. A plataforma tem a forma de um cilindro que na parte superior mais alargada tem diâmetro de 90 metros, peso de 64 mil toneladas, é de 320 metros de comprimento e se eleva acima do nível do mar até 50 metros de altura. A plataforma foi concebida para enfrentar as tempestades árticas e tem uma capacidade de produção de 100 mil barris por dia, segundo a petroleira Eni. Tem potencial para extrair 175 milhões de barris em 15 anos de atividade e até 8 bilhões de metros cúbicos de gás.
PS.: Atualizado às 17:02: O projeto da plataforma Goliat foi executado no estaleiro em Ulsan, na Coréia do Sul. De lá saiu em abril do ano passado e levou 63 dias de navegação até chegar a Hammerfest, no norte da Noruega. A plataforma tem a forma de um cilindro que na parte superior mais alargada tem diâmetro de 90 metros, peso de 64 mil toneladas, é de 320 metros de comprimento e se eleva acima do nível do mar até 50 metros de altura. A plataforma foi concebida para enfrentar as tempestades árticas e tem uma capacidade de produção de 100 mil barris por dia, segundo a petroleira Eni. Tem potencial para extrair 175 milhões de barris em 15 anos de atividade e até 8 bilhões de metros cúbicos de gás.
segunda-feira, março 14, 2016
Consórcio Integra (OSX + Mendes Jr.) se prepara para encerrar atividades no Porto do Açu
O Consórcio Integra, compostos pelas empresas OSX e Mendes Júnior que montaria os módulos (e também faria a integração dos mesmos) nas plataformas P-67 e P-70, está prestes a encerrar as suas atividades no Porto do Açu.
O Consórcio Integra, assim como outros estaleiros e empreiteiras pelo país, foram atingidos em cheio, por conta da crise gerada, simultaneamente pelo baixo preço do barril de petróleo e pela Operação Lava Jato na Petrobras.
Segundo informações obtidas pelo blog, na semana passada foi embarcado no Porto do Açu, o módulo montado pelo consórcio para uma das plataformas previstas no contrato inicial. O módulo saiu numa balsa para ser levado para outro terminal portuário, de onde será levado, para ser integrado em um estaleiro da China.
O outro módulo que se ainda encontra no Açu teve apenas a base montada. Não está concluído. Ele também será embarcado, após algumas soldas. Ainda segundo as fontes do blog, um navio já está ancorado no Porto do Açu, para embarcar os equipamentos que sobraram e estão inativos no pátio cimentado, junto à entrada do Terminal 2 do Porto do Açu, que foi usado por cerca de dois anos pelo consórcio.
Hoje o Consórcio Integra possui junto ao Terminal 2 do Porto do Açu, mantém apenas 15 trabalhadores na área operacional e 150 na área administrativa. No auge chegou a possui mais de 700 trabalhadores. As duas empresas que compõem o consórcio se encontram em recuperação judicial. Assim, a única base de construção naval existente na região está sendo desfeita.
Caso semelhantes estão ocorrendo em outros estaleiros no Brasil. Em Niterói, Rio, Angra dos Reis, Rio Grande do Sul e em Pernambuco, junto ao Porto Suape e outros. , Em Suape, PE, hoje a empresa japonesa IHI confirmou sua saída na sociedade com o Estaleiro Atlântico Sul, lá montado. Assim, o setor naval brasileiro está sendo desmontado.
Os responsáveis pelos desvios e pela corrupção precisam ser punidos, porém, o desmonte desta importante base da indústria naval no Brasil é trágica. Ela é base da política de "Conteúdo Nacional" exigida pela ANP para as petroleiras atuarem no Brasil e assim agregar valor, à exploração do petróleo das reservas do Pré-sal. Este encaminhamento é nocivo aos interesses nacionais.
É desnecessário dizer quem ganhará com isto. Assim como antes, as sondas, plataformas e as embarcações de apoio que atuarão na exploração do pré-sal, quando da retomada dos preços e do novo ciclo do petróleo serão todas vindas e montadas fora do Brasil. Gerarão empregos no exterior como acontecia na época de FHC.
O Consórcio Integra, assim como outros estaleiros e empreiteiras pelo país, foram atingidos em cheio, por conta da crise gerada, simultaneamente pelo baixo preço do barril de petróleo e pela Operação Lava Jato na Petrobras.
Segundo informações obtidas pelo blog, na semana passada foi embarcado no Porto do Açu, o módulo montado pelo consórcio para uma das plataformas previstas no contrato inicial. O módulo saiu numa balsa para ser levado para outro terminal portuário, de onde será levado, para ser integrado em um estaleiro da China.
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| Módulo em início de montagem pelo Consórcio Integra no Porto do Açu |
O outro módulo que se ainda encontra no Açu teve apenas a base montada. Não está concluído. Ele também será embarcado, após algumas soldas. Ainda segundo as fontes do blog, um navio já está ancorado no Porto do Açu, para embarcar os equipamentos que sobraram e estão inativos no pátio cimentado, junto à entrada do Terminal 2 do Porto do Açu, que foi usado por cerca de dois anos pelo consórcio.
Hoje o Consórcio Integra possui junto ao Terminal 2 do Porto do Açu, mantém apenas 15 trabalhadores na área operacional e 150 na área administrativa. No auge chegou a possui mais de 700 trabalhadores. As duas empresas que compõem o consórcio se encontram em recuperação judicial. Assim, a única base de construção naval existente na região está sendo desfeita.
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| Módulo montado pelo Consórcio Integra no Açu e embarcado na semana passada para a China |
Os responsáveis pelos desvios e pela corrupção precisam ser punidos, porém, o desmonte desta importante base da indústria naval no Brasil é trágica. Ela é base da política de "Conteúdo Nacional" exigida pela ANP para as petroleiras atuarem no Brasil e assim agregar valor, à exploração do petróleo das reservas do Pré-sal. Este encaminhamento é nocivo aos interesses nacionais.
É desnecessário dizer quem ganhará com isto. Assim como antes, as sondas, plataformas e as embarcações de apoio que atuarão na exploração do pré-sal, quando da retomada dos preços e do novo ciclo do petróleo serão todas vindas e montadas fora do Brasil. Gerarão empregos no exterior como acontecia na época de FHC.
Prumo informou à Bovespa desistência em fechar capital da holding que controla o Porto do Açu
Em comunicado (Fato Relevante) hoje pela manhã ao mercado, antes de sua abertura, a Prumo Logística S.A., controlada pelo fundo de investidores americano EIG, informou que desistiu da OPA (Oferta Pública de Ações - operação na qual um acionista ou uma sociedade informa sua pretensão de comprar uma participação, ou a totalidade das ações de uma empresa cotada em Bolsa).
O fato confirma desistência da Prumo em fechar o capital da holding que suspenderia a negociação de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, o fundo de investimentos americano EIG detém 74,3% das ações. Acima de 75% ele teria que exercer a compra das ações dos demais e suspender a negociação das ações na Bolsa de Valores.
Alguns investidores atribuem a mudança de posição ao que seria uma avaliação acima do esperado para o valor real da empresa, em laudo que o acionista controlador encomendou à consultoria Ernest Young e que agora, diante da desistência, a Prumo fica desobrigada de divulgar. Há outras interpretações para o fato.
Veja abaixo o texto (mal redigido) do fato relevante publicado pela Prumo:
FATO RELEVANTE
"Prumo Logística S.A. (“Companhia”) (Bovespa: PRML3), de acordo com o artigo 157, §4 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei n. 6404/76”), e nos termos da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) n. 358, de 3 de janeiro de 2002, conforme alterada, informa aos seus acionistas e ao mercado em geral, em relação à oferta pública de aquisição da totalidade de ações em circulação da Companhia para cancelar o seu registro de companhia aberta com a CVM e de saída do segmento especial de listagem no Novo Mercado (“OPA”), que:
Em complemento ao Fato Relevante publicado pela Companhia em 29 de fevereiro de 2016, a Companhia e seus acionistas controladores (“Acionistas Controladores”) gostariam de esclarecer que, após entendimentos adicionais com a CVM e uma análise mais aprofundada do conteúdo da carta enviada pela CVM à Companhia e aos Acionistas Controladores em 26 de fevereiro de 2016 (“Carta CVM”), a CVM esclareceu à Companhia e aos Acionistas Controladores que a Carta CVM não tinha a intenção de interromper a OPA, mas de reforçar a importância de manter os acionistas da Companhia e o mercado informados da evolução da OPA e de fornecer uma orientação precisa à respeito da expectativa do prazo de conclusão da OPA.
Nesse sentido, conforme divulgado previamente no Fato Relevante de 29 de fevereiro de 2016, a aprovação de determinados bancos credores da Companhia (“Bancos”) é necessária para a implementação da OPA.
Nesse momento, considerando a impossibilidade de prever, e as incertezas relacionadas ao prazo da negociação com os Bancos para a obtenção da aprovação necessária para a OPA, nem a Companhia ou seus Acionistas Controladores conseguem dar uma previsão concreta quanto ao prazo solicitado pela CVM.
Considerando o acima exposto e considerando a contínua deterioração das condições de mercado, os Acionistas Controladores informaram à Companhia que decidiram cancelar a OPA.
Os Acionistas Controladores também informaram à Companhia que irão reembolsa-la por todos os custos e despesas por ela incorridos relacionados com a tentativa de OPA, nos termos da regulamentação existente.
A administração da Companhia esclarece que esse fato relevante é estritamente informacional e não constitui uma oferta de valores mobiliários.
Rio de Janeiro, 14 de março de 2016
Prumo Logística S.A."
O fato confirma desistência da Prumo em fechar o capital da holding que suspenderia a negociação de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, o fundo de investimentos americano EIG detém 74,3% das ações. Acima de 75% ele teria que exercer a compra das ações dos demais e suspender a negociação das ações na Bolsa de Valores.
Alguns investidores atribuem a mudança de posição ao que seria uma avaliação acima do esperado para o valor real da empresa, em laudo que o acionista controlador encomendou à consultoria Ernest Young e que agora, diante da desistência, a Prumo fica desobrigada de divulgar. Há outras interpretações para o fato.
Veja abaixo o texto (mal redigido) do fato relevante publicado pela Prumo:
FATO RELEVANTE
"Prumo Logística S.A. (“Companhia”) (Bovespa: PRML3), de acordo com o artigo 157, §4 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei n. 6404/76”), e nos termos da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) n. 358, de 3 de janeiro de 2002, conforme alterada, informa aos seus acionistas e ao mercado em geral, em relação à oferta pública de aquisição da totalidade de ações em circulação da Companhia para cancelar o seu registro de companhia aberta com a CVM e de saída do segmento especial de listagem no Novo Mercado (“OPA”), que:
Em complemento ao Fato Relevante publicado pela Companhia em 29 de fevereiro de 2016, a Companhia e seus acionistas controladores (“Acionistas Controladores”) gostariam de esclarecer que, após entendimentos adicionais com a CVM e uma análise mais aprofundada do conteúdo da carta enviada pela CVM à Companhia e aos Acionistas Controladores em 26 de fevereiro de 2016 (“Carta CVM”), a CVM esclareceu à Companhia e aos Acionistas Controladores que a Carta CVM não tinha a intenção de interromper a OPA, mas de reforçar a importância de manter os acionistas da Companhia e o mercado informados da evolução da OPA e de fornecer uma orientação precisa à respeito da expectativa do prazo de conclusão da OPA.
Nesse sentido, conforme divulgado previamente no Fato Relevante de 29 de fevereiro de 2016, a aprovação de determinados bancos credores da Companhia (“Bancos”) é necessária para a implementação da OPA.
Nesse momento, considerando a impossibilidade de prever, e as incertezas relacionadas ao prazo da negociação com os Bancos para a obtenção da aprovação necessária para a OPA, nem a Companhia ou seus Acionistas Controladores conseguem dar uma previsão concreta quanto ao prazo solicitado pela CVM.
Considerando o acima exposto e considerando a contínua deterioração das condições de mercado, os Acionistas Controladores informaram à Companhia que decidiram cancelar a OPA.
Os Acionistas Controladores também informaram à Companhia que irão reembolsa-la por todos os custos e despesas por ela incorridos relacionados com a tentativa de OPA, nos termos da regulamentação existente.
A administração da Companhia esclarece que esse fato relevante é estritamente informacional e não constitui uma oferta de valores mobiliários.
Rio de Janeiro, 14 de março de 2016
Prumo Logística S.A."
sexta-feira, março 11, 2016
O que vale para Chico, não vale para Francisco: caso dos subsídios à indústria do petróleo na Argentina
O governo gastou (R$ cerca de R$ 40 bilhões) no ano passado para sustentar os preços do petróleo e do gás e evitar que as empresas de petróleo reduzam ainda mais as suas atividades demitindo milhares de trabalhadores.
A indústria petrolífera "opera dentro de uma bolha de subsídios estatais".
A informação acima é sobre a Argentina e foi publicada hoje no jornal americano The Wall Street Journal e diz ainda que o barril de petróleo lá na Argentina é vendido a quase o dobro do preço nos EUA. O objetivo seria o de isolar os produtores de petróleo local das oscilações do mercado.
A medida usada para desconectar o preço dos combustíveis da Argentina desconectado dos mercados globais foi tomada pelo governo da Cristina Kirchner,mas mantido e ampliado pelo atual presidente Maurício Macri.
Agora você imagine se esta medida tivesse sendo feita neste volume no Brasil? O que não estaria interpretando a mídia comercial? Veja que é uma medida que o atual governo argentino, considerado ideal pelos mercados brasileiros está fazendo.
A indústria petrolífera "opera dentro de uma bolha de subsídios estatais".
A informação acima é sobre a Argentina e foi publicada hoje no jornal americano The Wall Street Journal e diz ainda que o barril de petróleo lá na Argentina é vendido a quase o dobro do preço nos EUA. O objetivo seria o de isolar os produtores de petróleo local das oscilações do mercado.
A medida usada para desconectar o preço dos combustíveis da Argentina desconectado dos mercados globais foi tomada pelo governo da Cristina Kirchner,mas mantido e ampliado pelo atual presidente Maurício Macri.
O presidente da estatal petrolífera argentina, Miguel Galuccio, que foi nomeado por Kirchner, mantido por Macri e que nesta semana anunciou que sairá em abril disse que isso é muito importante estrategicamente". Na Argentina o preço do barril está vale US$ 67 e do gás natural a US$ 7,50 por milhão de BTU. Enquanto isto nos EUA, o preço do barril está em torno de US$ 40 e do gás a menos de US$ 2.
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| Trabalho num poço de gás de xisto na Patagônia, Argentina que já elevou artificialmente o preço do barril em US$ 10. PHOTO: TAOS TURNER/THE WALL STREET JOURNAL |
Agora você imagine se esta medida tivesse sendo feita neste volume no Brasil? O que não estaria interpretando a mídia comercial? Veja que é uma medida que o atual governo argentino, considerado ideal pelos mercados brasileiros está fazendo.
Uma intervenção estatal para proteger empregos e a sua indústria de óleo e gás. Este valor do petróleo acima do mercado internacional é pago pelos consumidores de gasolina e diesel que assim, junto com os governos protege o setor e os empregos que ele gera.
Pois bem, em volume bem menor, até porque nossa indústria do petróleo nacional é hoje, bem mais competitiva para enfrentar o dumpig mundial que levou os preços do barril a menos de US$ 30, a regra do preço flutuante dos combustíveis, praticados pela Petrobras faz exatamente o mesmo. Assim, a medida compensa o período em que o petróleo esteve na faixa acima dos US$ 100, o barril e o preço da gasolina e diesel nas bombas não acompanhou esta evolução.
As mídias comerciais têm se cansado de fazer matérias reclamando que a gasolina deveria estar mais barata não vai se interessar por divulgar este movimento na Argentina, mantido mesmo pelo governo neoliberal do Macri na vizinha Argentina.
A expectativa da Argentina, que aqui não se deseja levar em conta, defendendo entregar vários ativos da Petrobras, neste momento crítico da fase de baixa dos preços do barril de petróleo, é que novo ciclo do petróleo será estabelecido adiante com preços mais altos, levando o governo a abandonar os subsídios e assim "seremos grandes vencedores", disse o presidente da YPF SA, a petrolífera estatal argentina.
Escondendo fatos reais como este, os "colonistas políticos e econômicos" da mídia comercial vai construindo em você interpretações que lhes interessam pelos motivos que já sabemos. Assim, a verba compra a pauta e os verbos.
Abaixo o link para a matéria do Wall Street Journal na íntegra:
http://br.wsj.com/articles/SB12508889533645284896604581591540434478826?tesla=y
Pois bem, em volume bem menor, até porque nossa indústria do petróleo nacional é hoje, bem mais competitiva para enfrentar o dumpig mundial que levou os preços do barril a menos de US$ 30, a regra do preço flutuante dos combustíveis, praticados pela Petrobras faz exatamente o mesmo. Assim, a medida compensa o período em que o petróleo esteve na faixa acima dos US$ 100, o barril e o preço da gasolina e diesel nas bombas não acompanhou esta evolução.
As mídias comerciais têm se cansado de fazer matérias reclamando que a gasolina deveria estar mais barata não vai se interessar por divulgar este movimento na Argentina, mantido mesmo pelo governo neoliberal do Macri na vizinha Argentina.
A expectativa da Argentina, que aqui não se deseja levar em conta, defendendo entregar vários ativos da Petrobras, neste momento crítico da fase de baixa dos preços do barril de petróleo, é que novo ciclo do petróleo será estabelecido adiante com preços mais altos, levando o governo a abandonar os subsídios e assim "seremos grandes vencedores", disse o presidente da YPF SA, a petrolífera estatal argentina.
Escondendo fatos reais como este, os "colonistas políticos e econômicos" da mídia comercial vai construindo em você interpretações que lhes interessam pelos motivos que já sabemos. Assim, a verba compra a pauta e os verbos.
Abaixo o link para a matéria do Wall Street Journal na íntegra:
http://br.wsj.com/articles/SB12508889533645284896604581591540434478826?tesla=y
Parlamentarismo de araque e de ocasião também é golpe
Vou publicar abaixo no blog dois textos que publiquei ontem em meu perfil no facebook sobre a conjuntura nacional. O debate por lá é mais interativo e as pessoas que comentam possuem perfil e identificação, ao contrário de alguns que pretendem aqui discutir se referindo ao blogueiro e a outros comentaristas, sem querer fazer o mesmo.
O blog tem posição e sempre afirmou que a neutralidade é um mito e todos que a defendem, por antecipação, já merecem desconfiança. Vivemos um ambiente tenso e de golpismo. Sobre ele se deve conversar, e mais do que isto, resistir. Vamos aos dois textos:
"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa"
A frase nunca foi tão verdadeira quanto no quadro atual da política no Brasil. Assim como em 1962, o parlamentarismo voltou ao debate como proposta dos golpistas. Querem chegar ao poder sem voto.
O jornal Valor, na edição de hoje, traz detalhes das tramas para aprovar no Congresso Nacional o "parlamentarismo". As tramas envolvem Serra, Temer e tentam fechar com Renan Calheiros que já teria resolvido instalar comissão especial para tratar da adoção do parlamentarismo.
Vejam, os detalhes da trama: o relator da proposta deve ser o Serra do PSDB. Discutiram inclusive as fórmulas, se um parlamentarismo mitigado, ou semipresidencialismo, que dizem ter a "simpatia" do vice-presidente da República Michel Temer.
No modelo que fecham nos gabinetes do golpe a ideia é retirar e dividir com o Congresso, os poderes que hoje é da Presidência da República, através do primeiro-ministro.
Eles dizem que esta "saída de emergência" evitaria o trauma de tirar a presidenta Dilma do cargo, seja, pelo processo de impeachment, ou do julgamento do TSE. Falam que a "solução seria mais rápida e cirúrgica" e poderia ser adotada por uma proposta de emenda constitucional (PEC). Dizem ainda que "o sempipresidencialismo teria como vantagem não expulsar o PT do governo".
O fato foi discutido pelo senador Renan Calheiros no jantar ontem com tucanos, onde a trama, além de discutir o novo uniforme, também já começou a ajustá-lo, para ser vestido pelo Serra, que assim, depois de perder duas eleições presidenciais chegaria ao poder, com o cargo de primeiro ministro.
Assim, além de farsa, se vê uma tragédia. Não é aceitável que um povo faça questão de apagar e negar o passado, para repetir a trama, repetidamente gestada pelos mesmos, ainda que com outras figuras, igualmente golpistas.
Haverá resistências.
Pela legalidade.
Mais democracia e menos golpismo!
PS.: Complemento ao texto anterior feito no espaço do facebook:
Vale ainda observar que em 1964 havia entre os golpistas, alguns nacionalistas que se deixaram levar entregando nossa soberania. Hoje, os participantes do consórcio golpista midiático-jurista querem entregar e mudar a orientação do estado. Como disse o Roberto Amaral querem "alterar a natureza do Estado, separando-o dos interesses nacionais e populares".
O blog tem posição e sempre afirmou que a neutralidade é um mito e todos que a defendem, por antecipação, já merecem desconfiança. Vivemos um ambiente tenso e de golpismo. Sobre ele se deve conversar, e mais do que isto, resistir. Vamos aos dois textos:
"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa"
A frase nunca foi tão verdadeira quanto no quadro atual da política no Brasil. Assim como em 1962, o parlamentarismo voltou ao debate como proposta dos golpistas. Querem chegar ao poder sem voto.
O jornal Valor, na edição de hoje, traz detalhes das tramas para aprovar no Congresso Nacional o "parlamentarismo". As tramas envolvem Serra, Temer e tentam fechar com Renan Calheiros que já teria resolvido instalar comissão especial para tratar da adoção do parlamentarismo.
Vejam, os detalhes da trama: o relator da proposta deve ser o Serra do PSDB. Discutiram inclusive as fórmulas, se um parlamentarismo mitigado, ou semipresidencialismo, que dizem ter a "simpatia" do vice-presidente da República Michel Temer.
No modelo que fecham nos gabinetes do golpe a ideia é retirar e dividir com o Congresso, os poderes que hoje é da Presidência da República, através do primeiro-ministro.
Eles dizem que esta "saída de emergência" evitaria o trauma de tirar a presidenta Dilma do cargo, seja, pelo processo de impeachment, ou do julgamento do TSE. Falam que a "solução seria mais rápida e cirúrgica" e poderia ser adotada por uma proposta de emenda constitucional (PEC). Dizem ainda que "o sempipresidencialismo teria como vantagem não expulsar o PT do governo".
O fato foi discutido pelo senador Renan Calheiros no jantar ontem com tucanos, onde a trama, além de discutir o novo uniforme, também já começou a ajustá-lo, para ser vestido pelo Serra, que assim, depois de perder duas eleições presidenciais chegaria ao poder, com o cargo de primeiro ministro.
Assim, além de farsa, se vê uma tragédia. Não é aceitável que um povo faça questão de apagar e negar o passado, para repetir a trama, repetidamente gestada pelos mesmos, ainda que com outras figuras, igualmente golpistas.
Haverá resistências.
Pela legalidade.
Mais democracia e menos golpismo!
PS.: Complemento ao texto anterior feito no espaço do facebook:
Vale ainda observar que em 1964 havia entre os golpistas, alguns nacionalistas que se deixaram levar entregando nossa soberania. Hoje, os participantes do consórcio golpista midiático-jurista querem entregar e mudar a orientação do estado. Como disse o Roberto Amaral querem "alterar a natureza do Estado, separando-o dos interesses nacionais e populares".
O Brasil é esteio da América do Sul. Os golpistas se dispõem a abrir mão de um projeto soberano de desenvolvimento autônomo. Como diz o professor Theotonio dos Santos, eles já negociaram nossa dependência, em troca da ajuda para colocá-los no poder sem voto. Não apenas entregaram a dependência, mas garantiram o alinhamento automático aos interesses dos EUA, afastando da liderança e do esforço de integração regional com o Mercosul.
Os EUA não aceitam isso. Assim, também acordaram em trocar os Brics pela Alca. Assumiram a dependência por completo, num momento em que o cenário, mesmo em meio a problemas, nos trazia oportunidades para caminhar em direção a um mundo sem hegemonia e mais multipolar.
Não é por acaso que comecem tentando tirar o pré-sal, mesmo sem ser governo, Querem dar ainda mais liberdade ao ajuste fiscal que ampliará o fosso entre ricos e pobres. Direitos serão tirados, programas sociais podados, para encher ainda mais a banca que vive de juros. Como se vê tragédia e farsa se aninham como consequência do golpe. É não apenas necessário resistir. É dever, este de lutar por mais democracia e menos golpismo.
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"Parlamentarismo de araque e de ocasião também é golpe"
Comentei ontem aqui, sobre o novo golpe que se tenta dar no Brasil, com o parlamentarismo de araque e de ocasião, ou com impeachment. O golpe é muito grave e paralisará, ou freará, o país por anos, talvez décadas.
Mesmo que queiram torrar as reservas de mais de 300 bilhões e ainda pegar novos empréstimos à banca lá fora - que está ávida por cobrar bons juros ao Brasil, numa época em que trabalha com juros negativos na Europa - o quadro de desconfiança será cada vez maior e os pequenos mimos não calarão as vozes da resistência.
A polarização não cessará. Ao inverso. Num mundo em que o golpe não se dá mais pela via militar e da força e sim, dos esquemas midiático-jurídicos, não vão conseguir calar quem resiste, como fizeram os torturadores que espancaram, prenderão e mataram nas décadas de 60/70.
Quem golpeia será diariamente bombardeado pelos golpeados. Efeito bumerangue que só se acalma com diálogo e sem ameaça de golpe e com repeito à Legalidade, como defendeu ontem a CNBB, em posição bem distinta da "Marcha da Família" na década de 60, a igreja Católica.
Perderá quem sempre perdeu e ganhará os que sempre ganham com estes golpes. É isto que se tenta todo o dia com o discursos dos gastos públicos, de redução dos impostos, que esconde a sonegação da elite econômica. Sonegação, subsídio e renúncias fiscais que poderiam viabilizar recursos para o país seguir seu caminho em direção ao desejado bem-estar-social.
A discussão do "parlamentarismo já" cresce entre os nossos congressistas animados pela ânsia do poder sem voto.
A elite econômica não pensa a Nação. A mídia comercial faz negócios e vende pautas, neste momento que vive pressionada pelas mudanças informacionais. Precisa de dinheiro, para o qual faz "qualquer negócio" oferecendo em troca o "verbo".
A instituição do Ministério Público criada no bojo de apoiar e estar junto da sociedade, parece, encantada com os seus poderes e pensa que pode salvar o mundo e a política, feita por iguais que estão nas ruas e na política. A Justiça e os juízes em suas abstrações e arbitragens, querem mais poder e enxerga espaços a serem ocupados nos hiatos deixados pelo poder político.
Em meio a um quadro como este, sem deixar de lado a parte mais importante, que tanto descrevo aqui, da geopolítica, do petróleo e pré-sal e dos interesses em nossas novas e surpreendentes reservas, nem "papai do céu" teria unanimidade, quanto mais a mediação política. Esta é feita pelos partidos que tentam na sua parte representar o todo.
A mediação política vive dos conflitos, que como nos ensinava Durkeim, é de onde se pode avançar, mas também se pode retroceder. Na democracia, mesmo que ocidental e capitalista, qualquer solução "Fora da Legalidade" e dos instrumentos jurídicos em vigor, é, e será sempre, um atraso.
Comungar com este viés é apostar no atraso. Eu permaneço apostando no avanço, em meio aos conflitos. Espero e torço que seja sem violência, mas não estou certo que assim será.
Pela legalidade.
Menos golpismo.
Mais democracia!
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"Parlamentarismo de araque e de ocasião também é golpe"
Comentei ontem aqui, sobre o novo golpe que se tenta dar no Brasil, com o parlamentarismo de araque e de ocasião, ou com impeachment. O golpe é muito grave e paralisará, ou freará, o país por anos, talvez décadas.
Mesmo que queiram torrar as reservas de mais de 300 bilhões e ainda pegar novos empréstimos à banca lá fora - que está ávida por cobrar bons juros ao Brasil, numa época em que trabalha com juros negativos na Europa - o quadro de desconfiança será cada vez maior e os pequenos mimos não calarão as vozes da resistência.
A polarização não cessará. Ao inverso. Num mundo em que o golpe não se dá mais pela via militar e da força e sim, dos esquemas midiático-jurídicos, não vão conseguir calar quem resiste, como fizeram os torturadores que espancaram, prenderão e mataram nas décadas de 60/70.
Quem golpeia será diariamente bombardeado pelos golpeados. Efeito bumerangue que só se acalma com diálogo e sem ameaça de golpe e com repeito à Legalidade, como defendeu ontem a CNBB, em posição bem distinta da "Marcha da Família" na década de 60, a igreja Católica.
Perderá quem sempre perdeu e ganhará os que sempre ganham com estes golpes. É isto que se tenta todo o dia com o discursos dos gastos públicos, de redução dos impostos, que esconde a sonegação da elite econômica. Sonegação, subsídio e renúncias fiscais que poderiam viabilizar recursos para o país seguir seu caminho em direção ao desejado bem-estar-social.
A discussão do "parlamentarismo já" cresce entre os nossos congressistas animados pela ânsia do poder sem voto.
A elite econômica não pensa a Nação. A mídia comercial faz negócios e vende pautas, neste momento que vive pressionada pelas mudanças informacionais. Precisa de dinheiro, para o qual faz "qualquer negócio" oferecendo em troca o "verbo".
A instituição do Ministério Público criada no bojo de apoiar e estar junto da sociedade, parece, encantada com os seus poderes e pensa que pode salvar o mundo e a política, feita por iguais que estão nas ruas e na política. A Justiça e os juízes em suas abstrações e arbitragens, querem mais poder e enxerga espaços a serem ocupados nos hiatos deixados pelo poder político.
Em meio a um quadro como este, sem deixar de lado a parte mais importante, que tanto descrevo aqui, da geopolítica, do petróleo e pré-sal e dos interesses em nossas novas e surpreendentes reservas, nem "papai do céu" teria unanimidade, quanto mais a mediação política. Esta é feita pelos partidos que tentam na sua parte representar o todo.
A mediação política vive dos conflitos, que como nos ensinava Durkeim, é de onde se pode avançar, mas também se pode retroceder. Na democracia, mesmo que ocidental e capitalista, qualquer solução "Fora da Legalidade" e dos instrumentos jurídicos em vigor, é, e será sempre, um atraso.
Comungar com este viés é apostar no atraso. Eu permaneço apostando no avanço, em meio aos conflitos. Espero e torço que seja sem violência, mas não estou certo que assim será.
Pela legalidade.
Menos golpismo.
Mais democracia!
quinta-feira, março 10, 2016
Quem com petróleo fere, com petróleo será ferido
A Arábia Saudita, uma nação que está ao mesmo tempo, entre as maiores reservas e produtoras petróleo do mundo, também está abrindo o bico, com seus problemas fiscais, decorrentes do baixo preço do petróleo no mercado mundial.
Nesta semana, segundo a Dow Jones, a Arábia Saudita estava buscando entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões em empréstimos com bancos internacionais. A informação foi dada por dois profissionais de bancos contactados pelos árabes.
Os recursos seriam para cobrir o crescente déficit fiscal da Arábia, aberto com a redução das receitas, oriundas da menor remuneração gerada, com a venda dos cerca de 10 milhões de barris diários de petróleo, produzidos pelo país.
Segundo a Dow Jones, seria a primeira vez em mais de uma década que a Arábia Saudita estaria recorrendo a este tipo de financiamento. Como se vê, mesmo que alguns queiram negar, os impactos desta fase de colapso do baixo preço do petróleo, está, no curto prazo atingindo a todos.
Evidente que a Arábia aposta no curto prazo em continuar a empurrar para fora do mercado, os chamados "produtores marginais", aqueles que possuem altos custos de extração/produção, para ganhar adiante, em novo "ciclo petro-econômico".
Assim, parece que a Arábia Saudita vive uma espécie de efeito bumerangue, com o mercado de petróleo. Aliás, o seu parceiro principal no início desta empreitada, os EUA, que aproveitou a geopolítica para atingir a Rússia e a Venezuela e outros, também pegou uma sobra, com o fechamento das explorações de xisto (shale).
Desta forma, o caso da Arábia Saudita, mesmo que também se endividando, tem posição distinta, daquilo que estamos vendo no Brasil, onde estados e municípios, que vivem do petróleo, mas especialmente das suas rendas, como pretrorrentistas, onde estão criando e assumindo passivos, que dificilmente terão condições de serem ressarcidas, sem que haja grandes sofrimentos. Especialmente para a parte da população que mais necessita dos governos.
De qualquer forma, a notícia é instigante para se compreender o estágio atual da geopolítica da energia e como ela se abate sobre nossa Nação, estados e municípios. Continuamos acompanhando.
Nesta semana, segundo a Dow Jones, a Arábia Saudita estava buscando entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões em empréstimos com bancos internacionais. A informação foi dada por dois profissionais de bancos contactados pelos árabes.
Os recursos seriam para cobrir o crescente déficit fiscal da Arábia, aberto com a redução das receitas, oriundas da menor remuneração gerada, com a venda dos cerca de 10 milhões de barris diários de petróleo, produzidos pelo país.
Segundo a Dow Jones, seria a primeira vez em mais de uma década que a Arábia Saudita estaria recorrendo a este tipo de financiamento. Como se vê, mesmo que alguns queiram negar, os impactos desta fase de colapso do baixo preço do petróleo, está, no curto prazo atingindo a todos.
Evidente que a Arábia aposta no curto prazo em continuar a empurrar para fora do mercado, os chamados "produtores marginais", aqueles que possuem altos custos de extração/produção, para ganhar adiante, em novo "ciclo petro-econômico".
Assim, parece que a Arábia Saudita vive uma espécie de efeito bumerangue, com o mercado de petróleo. Aliás, o seu parceiro principal no início desta empreitada, os EUA, que aproveitou a geopolítica para atingir a Rússia e a Venezuela e outros, também pegou uma sobra, com o fechamento das explorações de xisto (shale).
Desta forma, o caso da Arábia Saudita, mesmo que também se endividando, tem posição distinta, daquilo que estamos vendo no Brasil, onde estados e municípios, que vivem do petróleo, mas especialmente das suas rendas, como pretrorrentistas, onde estão criando e assumindo passivos, que dificilmente terão condições de serem ressarcidas, sem que haja grandes sofrimentos. Especialmente para a parte da população que mais necessita dos governos.
De qualquer forma, a notícia é instigante para se compreender o estágio atual da geopolítica da energia e como ela se abate sobre nossa Nação, estados e municípios. Continuamos acompanhando.
quarta-feira, março 09, 2016
Shell tem a segunda maior produção de petróleo do Brasil: 240 mil boe/dia
Com a aquisição (fusão) da BG, a Shell passou a ser a segunda maior produtora de petróleo no Brasil com o volume de 195 mil barris/dia. Se forem contabilizados a soma da produção de óleo e de gás, chamado de "barris de óleo equivalente por dia", ou "boe/d", este número, segundo informe da produção de janeiro da ANP, chega a 240 mil barris por dia.
Ontem, no evento da UK Energy Brazil 2016 realizado no Rio, o presidente da Shell no Brasil, André Araújo anunciou que dentro em breve a empresa acrescentará a este volume mais 25 a 27 mil barris por dia com a elevação da produção na fase 3 do Parque das Conchas. Com esta estimativa a Shell passará para 265 mil boe/dia de produção, tornando-se um dos maiores ativos da petroleira no mundo.
A área do Parque das Conchas (BC-10) na Bacia de Campos fica no limite entre o ERJ e o ES e pertencem à Bacia de Campos. Ele é operado pela Shell (50%), em sociedade com a indicana ONGC (27%) e pela Qatar Petroleum (23%).
O campo das Conchas (mapa ao lado) é composto pelos campos de Ostra, Abalone e Argonauta. Segundo a Shell foram investidos mais US$ 1 bilhão que incluem a perfuração de 8 novos poços que acrescerá este novo volume de produção.
A Shell tendo absorvido a inglesa BG possui contrato para uso do Porto do Açu, para movimentação de sua produção. É possível que a Shell possa também utilizar bases de apoio instaladas no Porto do Açu e ainda desenvolver projetos relacionados a gás. Desta forma, o Porto do Açu, a partir do funcionamento da base de apoio portuária da PortBrasil (grupo americano Edison Chouest) passará a atender às duas maiores operadoras de petróleo do Brasil.
Assim, a anglo-holandesa Shell, passa a ser com grande distância, a segunda maior petroleira do Brasil, atrás somente da Petrobras. A Shell agora tem também participação de 30% no campo de Sapinhorá e 25% do campo de Lula, os dois principais da reserva do pré-sal, além da participação com 20%, no campo gigante de Libra, em consórcio com a Petrobras, com a francesa Total e as petroleiras chinesas CNPC e CNOOC.
Segundo boletim mensal de produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP), hoje, os cinco maiores produtores de petróleo no Brasil, em barris de óleo equivalentes (gás + óleo) são:
1) Petrobras - 2,407 milhões de boe/d;
2) Shell (anglo-holandesa) - 240 mil boe/d;
3) Repsol - Sinopec (consórcio da espanhola Repsol com a chinesa Sinopec) - 69,8 mil boe/d;
4) Petrogal (Portugal) - 53,2 mil boe/d;
5) Statoil (Noruega) - 44,2 mil boe/d.
Ontem, no evento da UK Energy Brazil 2016 realizado no Rio, o presidente da Shell no Brasil, André Araújo anunciou que dentro em breve a empresa acrescentará a este volume mais 25 a 27 mil barris por dia com a elevação da produção na fase 3 do Parque das Conchas. Com esta estimativa a Shell passará para 265 mil boe/dia de produção, tornando-se um dos maiores ativos da petroleira no mundo.
A área do Parque das Conchas (BC-10) na Bacia de Campos fica no limite entre o ERJ e o ES e pertencem à Bacia de Campos. Ele é operado pela Shell (50%), em sociedade com a indicana ONGC (27%) e pela Qatar Petroleum (23%).
O campo das Conchas (mapa ao lado) é composto pelos campos de Ostra, Abalone e Argonauta. Segundo a Shell foram investidos mais US$ 1 bilhão que incluem a perfuração de 8 novos poços que acrescerá este novo volume de produção.
A Shell tendo absorvido a inglesa BG possui contrato para uso do Porto do Açu, para movimentação de sua produção. É possível que a Shell possa também utilizar bases de apoio instaladas no Porto do Açu e ainda desenvolver projetos relacionados a gás. Desta forma, o Porto do Açu, a partir do funcionamento da base de apoio portuária da PortBrasil (grupo americano Edison Chouest) passará a atender às duas maiores operadoras de petróleo do Brasil.
Assim, a anglo-holandesa Shell, passa a ser com grande distância, a segunda maior petroleira do Brasil, atrás somente da Petrobras. A Shell agora tem também participação de 30% no campo de Sapinhorá e 25% do campo de Lula, os dois principais da reserva do pré-sal, além da participação com 20%, no campo gigante de Libra, em consórcio com a Petrobras, com a francesa Total e as petroleiras chinesas CNPC e CNOOC.
Segundo boletim mensal de produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP), hoje, os cinco maiores produtores de petróleo no Brasil, em barris de óleo equivalentes (gás + óleo) são:
1) Petrobras - 2,407 milhões de boe/d;
2) Shell (anglo-holandesa) - 240 mil boe/d;
3) Repsol - Sinopec (consórcio da espanhola Repsol com a chinesa Sinopec) - 69,8 mil boe/d;
4) Petrogal (Portugal) - 53,2 mil boe/d;
5) Statoil (Noruega) - 44,2 mil boe/d.
O preço do petróleo entre os movimentos do mercado, a geopolítica e a eterna luta pelo controle e pela hegemonia
A movimentação para cima no preço do barril de petróleo, mesmo que esteja hoje, na faixa US$ 40 (agora ao meio dia a US$ 40,44), em nada aponta para o surgimento de um novo ciclo.
A tendência segue sendo que a fase de baixa dos preços prossiga por mais tempo. Os departamentos de estudos dos bancos nacionais e estrangeiros que estudam o setor petróleo/energia para seus investidores indicam, quase unanimemente.
Os meus estudos sobre as características do "ciclo petro-econômico" mostram que é preciso saber diferenciar o que são as volatilidades e oscilações dentro de um período, daquilo que seria uma efetiva mudança de fase, entre o fim do colapso de preços baixos, para a retomada e limiar de um novo "boom", em novo ciclo.
A observação da geopolítica da energia oferece indícios de que a quantidade de variáveis que hoje cerca o mercado desta commodity - a mais negociada do mundo e sempre negociado em todo o mundo em dólar- é tão grande, que mesmo os quatro grandes bancos americanos, que operam com o petróleo (junto com o Tesouro e os interesses do governo americano) não conseguem ter o controle para se buscar o chamado "reequilíbrio" deste mercado.
A busca para reobtenção deste controle está vinculada a uma decisão geopolítica que pode já ter sido tomada e que está trazendo grandes desdobramentos no interior das nações produtoras.
Entre perdedores e ganhadores deste processo, é ingenuidade julgar que todos estes acontecimentos seriam frutos do "humor deste mercado" e não da eterna luta pela hegemonia.
Os resultados não são conhecidos porque as resistências serão sempre surpreendentes.
A tendência segue sendo que a fase de baixa dos preços prossiga por mais tempo. Os departamentos de estudos dos bancos nacionais e estrangeiros que estudam o setor petróleo/energia para seus investidores indicam, quase unanimemente.
Os meus estudos sobre as características do "ciclo petro-econômico" mostram que é preciso saber diferenciar o que são as volatilidades e oscilações dentro de um período, daquilo que seria uma efetiva mudança de fase, entre o fim do colapso de preços baixos, para a retomada e limiar de um novo "boom", em novo ciclo.
A observação da geopolítica da energia oferece indícios de que a quantidade de variáveis que hoje cerca o mercado desta commodity - a mais negociada do mundo e sempre negociado em todo o mundo em dólar- é tão grande, que mesmo os quatro grandes bancos americanos, que operam com o petróleo (junto com o Tesouro e os interesses do governo americano) não conseguem ter o controle para se buscar o chamado "reequilíbrio" deste mercado.
A busca para reobtenção deste controle está vinculada a uma decisão geopolítica que pode já ter sido tomada e que está trazendo grandes desdobramentos no interior das nações produtoras.
Entre perdedores e ganhadores deste processo, é ingenuidade julgar que todos estes acontecimentos seriam frutos do "humor deste mercado" e não da eterna luta pela hegemonia.
Os resultados não são conhecidos porque as resistências serão sempre surpreendentes.
Os interesses sobre o nosso petróleo temperado com o nosso pré-sal
Aconteceu nesta terça-feira no Rio de Janeiro, Hotel Windsor Atlântica, instalado no Leme, o evento "UK Energy Brasil 2016". É a quarta edição do encontro que reúne em sessões plenárias, workshops e reuniões bilaterais, empresas do setor de óleo e gás do Reino Unido e do Brasil.
Os workshops foram divididos em três áreas dentro do setor de óleo e gás: construção naval e offshore, subsea (engenharia submarina) e maximização da produção de petróleo.
Mesmo nesta fase de baixa de preço do ciclo de petróleo o interesse dos britânicos com o Brasil é até de espantar. O evento tece a participação do embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis e do cônsul no Rio de Janeiro.

O embaixador que fez a abertura e presidiu a sessão plenária disse que "apesar da queda do preço internacional do petróleo, há muitas oportunidades de negócios em conjunto no mercado petrolífero".
Os workshops foram divididos em três áreas dentro do setor de óleo e gás: construção naval e offshore, subsea (engenharia submarina) e maximização da produção de petróleo.
Mesmo nesta fase de baixa de preço do ciclo de petróleo o interesse dos britânicos com o Brasil é até de espantar. O evento tece a participação do embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis e do cônsul no Rio de Janeiro.

O embaixador que fez a abertura e presidiu a sessão plenária disse que "apesar da queda do preço internacional do petróleo, há muitas oportunidades de negócios em conjunto no mercado petrolífero".
Ellis afirmou ainda que "existem mais de 200 empresas britânicas atuando no setor de óleo e gás no Brasil, com destaque para a fabricação de robôs submarinos controlado remotamente (ROV), utilizados em águas profundas, nas bacias de Campos e Santos. O Reino Unido continuará sendo um parceiro fiel do Brasil, especialmente nesse setor de petróleo e gás natural".
No evento foi também afirmado que os maiores investidores britânicos no Brasil são do setor de óleo e gás. Na oportunidade se falou de dois fundos de investimentos para parcerias com o Brasil: "Newton Fund" e o "Prosperity Fund" reunindo 1,345 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões).
Nos últimos dois anos foram gerados 2 bilhões de libras (cerca de R$12 bilhões) em negócios com empresas britânicas no Brasil na área de petróleo e gás. Nesta linha, o embaixador britânico relatou encontro com o diretor Financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, que eles consideram âncora do setor, para discutir oportunidades conjuntas.
A empolgação com o Brasil chamou a atenção e o embaixador disse mais: "As anglicanas BG e Shell antes de se fundirem já eram empresas muito grandes no Brasil. Agora ainda mais. O Brasil em termos de exploração, é o país mais importante do mundo para a Shell nos próximos anos. Não foi por acaso que o presidente global (CEO) da Shell veio ao Brasil no dia da fusão".
Em nosso país há quem não acredite em todo este potencial.
No evento foi também afirmado que os maiores investidores britânicos no Brasil são do setor de óleo e gás. Na oportunidade se falou de dois fundos de investimentos para parcerias com o Brasil: "Newton Fund" e o "Prosperity Fund" reunindo 1,345 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões).
Nos últimos dois anos foram gerados 2 bilhões de libras (cerca de R$12 bilhões) em negócios com empresas britânicas no Brasil na área de petróleo e gás. Nesta linha, o embaixador britânico relatou encontro com o diretor Financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, que eles consideram âncora do setor, para discutir oportunidades conjuntas.
A empolgação com o Brasil chamou a atenção e o embaixador disse mais: "As anglicanas BG e Shell antes de se fundirem já eram empresas muito grandes no Brasil. Agora ainda mais. O Brasil em termos de exploração, é o país mais importante do mundo para a Shell nos próximos anos. Não foi por acaso que o presidente global (CEO) da Shell veio ao Brasil no dia da fusão".
Em nosso país há quem não acredite em todo este potencial.
De outro lado eu tenho a mania de seguir algumas coincidências. Sim, elas existem. Mas, nesta quarta, no dia seguinte ao evento no Rio de Janeiro, o cônsul e embaixador do Reino Unido participarão de um "jantar debate" com o candidato tucano à prefeitura de São Paulo, João Doria, com a presença do juiz Moro, com o tema "Empresas e corrupção".
Sim, as coincidências se repetem, assim como os interesses. O mais interessante é que os participantes, já nem fazem questão de dissimular suas tramas. Sim, tudo isso bem temperado com o nosso pré-sal. Seguimos acompanhando.
Sim, as coincidências se repetem, assim como os interesses. O mais interessante é que os participantes, já nem fazem questão de dissimular suas tramas. Sim, tudo isso bem temperado com o nosso pré-sal. Seguimos acompanhando.
terça-feira, março 08, 2016
Manifesto contra a censura da mídia comercial aos blogs e à mídia alternativa
O nosso blog oferece apoio ao movimento-manifesto contra a posição da mídia comercial nacional para pressionar os blogueiros independentes.
Somos também vítimas do mesmo tipo de pressão econômica e jurídica no plano regional, por aqueles que vendem suas pautas e querem sufocar com processos judiciais os blogs. (Veja aqui, aqui e aqui os processos e repercussão que gerou inclusive a logo abaixo estampada na blogosfera Goitacá).
No plano nacional o movimento do jornal O Globo tem a mesma gênese e merece também ser enfrentado com todo vigor. Eles passarão!
Abaixo o manifesto organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé:
"Globo censura. Em defesa da liberdade de expressão"
"Nós, abaixo-assinados, vimos a público repudiar o autoritarismo das Organizações Globo, responsáveis por mais um ataque frontal à liberdade de expressão ao lançar mão da judicialização da censura para intimidar blogueiros e jornalistas que investigam o caso do triplex em Paraty que, segundo uma fiscal do ICMBio, pertenceria à família Marinho, uma das mais ricas do Brasil. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg, em 2012, e replicada pelo site UOL e pela revista CartaCapital.
Veículos como O Cafezinho, Tijolaço, Diário do Centro do Mundo e Rede Brasil Atual aprofundaram as investigações nas últimas semanas e, estranhamente, receberam notificações extrajudiciais por publicarem reportagens e artigos sobre o suntuoso imóvel , construído em área de proteção ambiental. Os blogueiros também apontaram as suspostas ligações dos Marinho com a Mossack Fonseca, empresa multinacional investigada por ser especialista em abrir off-shores. A repercussão desagradou a empresa monopolista, que ordenou a retirada dos conteúdos do ar.
O expediente adotado pela Globo, no entanto, revela uma estratégia comumente aplicada a quem ousa desafiar seus interesses: a ação judicial, com o fim de intimidar e sufocar, financeiramente, os que ameaçam – ou expõem – seu império.
Além de ferir o direito fundamental da liberdade de expressão, as Organizações Globo também evidenciam sua ojeriza e intolerância para com as mídias alternativas. A ideia de que haja diversidade e pluralidade de vozes na mídia brasileira - inscritas em nossa Constituição -, ao que parece, desperta a ira dos proprietários da emissora. Também, pudera: com denúncia de sonegação fiscal na casa do bilhão, a empresa certamente tem muito mais que um triplex a esconder.
Como em dezenas de casos de perseguição judicial a blogueiros e ativistas digitais, repudiamos a atitude censora da Rede Globo, talvez um resquício do período de sua ascensão econômica enquanto tentáculo midiático da ditadura militar. Afinal, ao tentar estrangular as mídias alternativas, a Rede Globo estrangula, também, a democracia."
Clique aqui leia sobre as entidades e pessoas que já assinaram o manifesto e também preencha o formulário para subscrever e se manifestar contra a censura aos blogs.
PS.: Atualizado às 10:50: Para corrigir a redação do primeiro parágrafo, que como nos alertou o comentário da nota, dizia o contrário da intenção da nota. Agradeço pelo comentário que permitiu a correção.
Somos também vítimas do mesmo tipo de pressão econômica e jurídica no plano regional, por aqueles que vendem suas pautas e querem sufocar com processos judiciais os blogs. (Veja aqui, aqui e aqui os processos e repercussão que gerou inclusive a logo abaixo estampada na blogosfera Goitacá).
No plano nacional o movimento do jornal O Globo tem a mesma gênese e merece também ser enfrentado com todo vigor. Eles passarão!
Abaixo o manifesto organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé:
"Globo censura. Em defesa da liberdade de expressão"
"Nós, abaixo-assinados, vimos a público repudiar o autoritarismo das Organizações Globo, responsáveis por mais um ataque frontal à liberdade de expressão ao lançar mão da judicialização da censura para intimidar blogueiros e jornalistas que investigam o caso do triplex em Paraty que, segundo uma fiscal do ICMBio, pertenceria à família Marinho, uma das mais ricas do Brasil. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg, em 2012, e replicada pelo site UOL e pela revista CartaCapital.
Veículos como O Cafezinho, Tijolaço, Diário do Centro do Mundo e Rede Brasil Atual aprofundaram as investigações nas últimas semanas e, estranhamente, receberam notificações extrajudiciais por publicarem reportagens e artigos sobre o suntuoso imóvel , construído em área de proteção ambiental. Os blogueiros também apontaram as suspostas ligações dos Marinho com a Mossack Fonseca, empresa multinacional investigada por ser especialista em abrir off-shores. A repercussão desagradou a empresa monopolista, que ordenou a retirada dos conteúdos do ar.
O expediente adotado pela Globo, no entanto, revela uma estratégia comumente aplicada a quem ousa desafiar seus interesses: a ação judicial, com o fim de intimidar e sufocar, financeiramente, os que ameaçam – ou expõem – seu império.
Além de ferir o direito fundamental da liberdade de expressão, as Organizações Globo também evidenciam sua ojeriza e intolerância para com as mídias alternativas. A ideia de que haja diversidade e pluralidade de vozes na mídia brasileira - inscritas em nossa Constituição -, ao que parece, desperta a ira dos proprietários da emissora. Também, pudera: com denúncia de sonegação fiscal na casa do bilhão, a empresa certamente tem muito mais que um triplex a esconder.
Como em dezenas de casos de perseguição judicial a blogueiros e ativistas digitais, repudiamos a atitude censora da Rede Globo, talvez um resquício do período de sua ascensão econômica enquanto tentáculo midiático da ditadura militar. Afinal, ao tentar estrangular as mídias alternativas, a Rede Globo estrangula, também, a democracia."
Clique aqui leia sobre as entidades e pessoas que já assinaram o manifesto e também preencha o formulário para subscrever e se manifestar contra a censura aos blogs.
PS.: Atualizado às 10:50: Para corrigir a redação do primeiro parágrafo, que como nos alertou o comentário da nota, dizia o contrário da intenção da nota. Agradeço pelo comentário que permitiu a correção.
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