sábado, janeiro 07, 2017

China monta estratégia para ampliar produção offshore de petróleo – mais sobre geopolítica da energia

Em 2015, a China produzia 4,3 milhões de barris por dia, sendo a 5º maior produção mundial. Em termos de consumo, a China neste mesmo ano era a segunda maior do mundo com 11,9 milhões de barris por dia em 2015. Assim, em 2015, os chineses importavam este déficit de petróleo, em torno de 7,6 milhões de barris por dia, um volume que é quase o dobro de sua produção.

Por conta disso, a China fechou 2016 com uma importação média 18% acima da verificada em 2015, atingindo um volume de 7,87 milhões de barris por dia, 270 mil barris a mais que em 2015.

Este volume de importação equivale a aproximadamente 2,5 vezes maior que toda a produção brasileira. Hoje, a maior fatia de importação de óleo feita pela China vem do Oriente Médio com 1,15 milhão de barris por dia. Entre 2015 e 2016, o Brasil exportou 79% a mais de petróleo para a China.

Neste contexto, nesta última semana, a China, que possui três grande petroleiras - entre outras menores -, tomou a decisão de facilitar a entrada de equipamentos essenciais para a perfuração e produção de petróleo e gás offshore, com isenções fiscais para a importação desses produtos, considerando que o mar ao sul da China possui reservas já identificadas e potencial para investir em novas e amplas explorações.

Segundo o Ministério das Finanças da China, os fabricantes locais ainda não possuem expertise para produzir equipamentos como: sondas (perfuração) semi-submersíveis e robôs usados em águas profundas (mais de 500 metros). As isenções para as tarifas de importação e para o imposto sobre o valor acrescentado vão se estender até o final de 2020. 

Como se vê, os chineses definem um limite até adquirir o know-how, enquanto aqui no Brasil, as corporações globais de engenharia de petróleo querem as mesmas isenções de forma indefinida e lutam com o apoio dos liberais contra as exigências de conteúdo local.

Observando a movimentação da China no setor é possível identificar que há um avanço na estratégia de aumentar a produção de petróleo internamente. 

De forma simultânea, os chineses investem pesado no controle de geração e transmissão de energia e outros projetos de infraestrutura do setor de energia mundo afora. Há aí uma evidente estratégia em se garantir energeticamente, em meio a este mundo confuso. Seguimos acompanhando.

Um comentário:

Braulison disse...

O projeto de potência chinês apoia-se na necessidade em garantir suprimentos de energia "petróleo". Daí uma carteira com múltiplos fornecedores garante uma vantagem incomum, quer seja na negociação por preço, quer seja em segurança energética. A nova Rota da Seda com seus projetos de infraestrutura (ferrovia, gasoduto, oleoduto, sistemas de geração/telecomunicações e portos) tem como propósito integrar economicamente a Eurasia e neutralizar falhas no suprimentos em função de choque no Oriente Médio ou estreito de Malaca. Bom , ainda quanto as reservas de petróleo no Mar do Sul da China assossiar-se aos investimentos brasileiros no PRÉ-SAL dão know how as NOC's chinesas para exploração daquelas reservas, porém as disputas territoriais daqueles arquipélogo de ilhas rico em hidrocarbonetos e por onde escoam trilhões de dólares em comércio internacional converte-se em outro ponto frágil para segurança energética. Fato este que poderia ser atenuado pelo fornecimento de petróleo através das ferrovia transpacifico ( porto de Illo X porto Açu) associado a investimentos em expansão do poder naval do Dragão de Seda. Haja vista que estão projectando um submarino para trabalhar em profundidade de 11 metros.