domingo, outubro 29, 2017

As manchetes sobre a pesquisa do IBOPE criando a falsa polarização entre Lula e Bolsonaro tem objetivos e metas racionais que buscam afastar ainda mais o poder do povo

Há exatamente uma semana, eu escrevi aqui no FB que a mídia comercial estava, nitidamente, há algum tempo, forçando uma polarização Lula x Bolsonaro, muito para além do que dizem as pesquisas. Nestas, Lula está cada vez mais à frente de Bolsonaro e agora, já em situação de empate técnico com a hipótese de uma vitória ainda no 1º turno.

Hoje, uma pesquisa "misteriosa" (como chamou Fernando Brito, aqui, em seu Tijolaço) apareceu no site da RedeTV e no blog do jornalista Lauro jardim, hospedado em O Globo, como feita pelo Ibope, sem contrante claro, sobre as eleições que ocorrerão no Brasil, daqui a cerca de onze meses.

Os resultados desta pesquisa do Ibope, de certa forma repetem outras pesquisas, inclusive do Datafolha, com a liderança cada vez mais folgada e segura de Lula. Nesta pesquisa do Ibope, a "novidade" é o Luciano Hulck da Globo, com 5% em empate com Alckmin e do Dória (4%), embora atrás de Bolsonaro com 13% e Marina com 8%.

Lula com 35% do universo todo da pesquisa, onde há 77% dos votos válidos (a soma de todos os candidatos) ficaria com 45,5% dos votos válidos, que é a forma como a eleição é contabilizada, excluindo os votos brancos e nulos. Portanto, Lula estria a apenas 4,5% da maioria absoluta, número que é inferior à margem de erro de 3% que somados os limites abaixo e acima de 6% é maior que a diferença dos votos válidos.

Veja abaixo o gráfico dos resultados desta pesquisa do Ibope, divulgado pelo blog do Lauro Jardim:



Porém, vale ressaltar que mais uma vez O Globo e o UOL dizem em manchete que Lula e Bolsonaro estão na frente. A manchete não é mentirosa, mas a induz a pensar que eles estariam próximos, quando os números indicam que enquanto Lula tem 35%, Bolsonaro tem 13% quando seus nomes são apresentados juntos numa lista de candidatos.

Como eu disse na semana passada, por mais que se identifique posições divergentes entre Lula e Bolsonaro é uma forçação de barra entender que eles polarizam as indicações de votos.

Isto não é verdade, não apenas pela distância matemática de 35% x 13% (quase o triplo), quanto porque, eles mesmo que em direções absolutamente contrárias, eles possuem trajetórias e experiências muito distintas, não cabendo portanto a falsa polarização que se quer estabelecer com motivações claras.

Há na verdade um esforço de narrativa que tenta se desvencilhar do fato de que o político de direita é fruto dela mesma e do discurso higienizador da política que esta mesma mídia vem incentivando e que se enamora do nazi-fascismo. O início deste processo é conhecido e se deu com a pressão a favor do golpe que colocou Temer, o PDSB e o DEM no poder no ano passado.

Há aí uma racionalidade nesta narrativa que estabelece polos que seriam antagônicos neste discurso como o que chama de populismo de esquerda, Lula e de direita Bolsonaro.

A meu juízo, assim eles querem "afrancesar" a eleição brasileira buscando um candidato ao centro, nos moldes do processo que elegeu Macron.

Pelo que se depreende, uma candidatura neste campo da direita neoliberal, até aqui foi difícil encontrar. Hoje, se vê que ela parece que um nome da antipolítica estaria se encaminhando possivelmente para o Luciano Hulck, como candidato da Globo que se assumiria como partido político. 

Esta candidatura busca se afastar dos nomes tradicionais da politica no campo da direita e assim rivalizaria com Alckmin e se esforça para aproveitar que eles consideram uma onda transnacional. 

Porém, se existirem dois polos, um à esquerda e outro à direita (que defende um regime militar), tudo ficaria mais fácil para ser explicado. Assim, a narrativa e o discurso para a grande maioria (aí incluída a classe média que dá o tom que depois se espalha) seria a de que a nação precisa de um equilíbrio, de centro e fora o populismo de esquerda e de direita. mais racional e pragmático impossível, a não ser pelo fato pela marca da elite econômica e falta de cheiro e interação com o povo.

Sem um polo à direita e à esquerda esta narrativa ficaria capenga. Lembrem que na França havia o terror da candidata de direita Le Pen (a Trump de saias) e o candidato socialista.

Esta polarização vendida diariamente pela mídia, especialmente, pelas TVs levou o Marcon ao 2º turno com Le Pen, facilitando a vitória do primeiro e este movimento que no Ocidente começa a ser chamado de "macromania" com as marcas da racionalidade, do pragmatismo e do centrismo.

Ou seja, a ideia é inflar o polo da direita para lhe substituir por um que, embora de direita, viria embalado num discurso da racionalidade do equilíbrio e do centro.

Porém, o que fugiria ao script é o distanciamento do Lula. As pesquisas indicando chances de nem se ter o 2º turno, pode, não só impedir a sua retirada da disputa pelas questões jurídicas, sob pena, de envolver o país em incertezas - que o próprio mercado pode não só temer, mas se desesperar - como tornar sem efeito esta falsa e frágil polarização que hoje querem estabelecer entre Lula e Bolsonaro.

Além disso, o jogo a ser jogado é mais embrulhado e Alckmin está aí para criar problemas, porque se considera na vez e sentado à janela.

Isto pode mostrar que nem todas as variáveis estão sendo observadas por quem pretende enxergar a política com tanta racionalidade em sem a participação humana e popular com todas as suas virtudes, mesmo com os problemas, como é de sua natureza.

Esta racionalidade está sempre a serviço do "homus-economicus" e do "mercadismo" que hoje dá as cartas no governo golpista do Temer, onde se observa de forma clara, não apenas a captura que o setor econômico faz do poder político.

É ainda bem mais que uma captura. É o que os autores DARDOT & LAVAL (também franceses) do livro "A nova razão do mundo" chamam de um "Estado forte, guardião do direito privado". Por isto tão cobiçado, apesar do discurso neoliberal do estado mínimo.

Todo este tipo de trama que tem o povo como detalhe e sua vida como um joguete pouco importante e torna ainda mais evidente, que o período atual de esgarçamento do liberalismo, está nos levando à uma "era pós-democrática", segundo hipótese defendida pelos mesmos autores DARDOT&LAVAL. 

Neste processo, o Brasil parecendo um novo "case" para esta nova era da ideologia do "Chicago-boys" durante a ditadura chilena do Pinochet, estaria ameaçada por esta era "pós-democrática" que se vive no Ocidente.
Enfim, por tudo isso, também fica claro a necessidade de resistência, de constituição de frente e de retomada de um projeto de Nação, que só a maioria, com Mais Democracia, pode devolver o poder soberano pelas urnas. A conferir!

PS.: Atualizado às 17:11 para breve acréscimo no texto.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sei não mas, vendo de longe, Luciano Huck é o melhor que pode acontecer com Lula ou com quem ele apoiar. Será um plebiscito: quer ser governado pela Globo? e a resposta, hoje, já está dada. "Não".
Nem nós pensaríamos em algo melhor.
É evidente que Lula será condenado pelo TRF-4. Sem provas, é certo, mas dizer o quê destes tempos cujas decisões das côrtes se dão pelo alarido das ruas e das redes sociais?
A direita no Brasil é muito burra. Ou, se preferir, os liberais do Brasil se contam na mão que tem menos dedos do Lula. São poucos e não atrapalham... Esta "direitalha" militarista, facista e golpista é burra demais! Desconhece tudo, ignoram a história, lêm pouco etc.Não se preocupe com eles.
Mas nós não! Na esquerda, somos fiéis (com os nossos, evidentemente). Somos virtuosos porque Trotsky nos garantiu um devir que justifica todos os nossos meios. Avante então. Temer o quê? (não há duplo sentido na palavra "temer")

A direita, além de burra, é moralista. E o moralismo, já disseram e o senhor sabe muito bem, é o túmulo da moral. Relaxa, blogueiro, ganharemos de novo. Será o terceiro império, das Dritte Reich. Um Reich de 1000 anos!

Braulison disse...

Faltou acrescentar a análise do fator BRICS, o PT foi destituído porque apresentava uma ameaça aos interesses de wall street, a intervenção de defender outra moeda de alternativa ao dólar, não seria tolerado de forma passiva, e não fora. A primavera árabe nos deu uma amostra de como os líderes, contrário os interesses hegemônicos do acidente,foram removidos por terem tido a ousadia de querer vender petróleo do Oriente Médio e Norte da África lastreado em ouro, em alternativa ao dólar. Olhando para América do Sul, o caso da Venezuela não é diferente, mas Maduro até agora resiste e reduz as exportações de petróleo para os EUA, em contrapartida aumenta as exportações para China e projeta à venda de petróleo em Yuan, como resultado o campeão da democracia ameaça que a opção de uma ação militar na Venezuela não seria descartada, suas fronteiras, em nome da Democracia. O que foi assim exposto serve para apresentar algumas evidências que estamos entre inseridos num jogo do pesado pelo poder Global entre Estados Unidos X Rússia & China, sendo o Brasil um importante mercado com 200 milhões de habitantes, matérias-primas em abundância não seria alvo de disputa entre potenciais hegemônicas. Como nas eleições Americanas houveram vazamentos de e-mails que afundaram a campanha da Hillary, imagine o que não irá acontecer aqui? Os vazamentos certamente irão influir no resultado das eleições.