67 anos, professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ) e engenheiro. Pesquisador atuante nos temas: Capitalismo de Plataformas; Espaço-Economia e Financeirização no Capitalismo Contemporâneo; Circuito Econômico Petróleo-Porto; Geopolítica da Energia. Membro da Rede Latinoamericana de Investigadores em Espaço-Economia: Geografia Econômica e Economia Política (ReLAEE). Espaço para apresentar e debater questões e opiniões sobre política e economia. Blog criado em 10 agosto de 2004.
quarta-feira, maio 23, 2007
O Mercado de Belém
"Maldição da mineração"
Uma apresentação hoje no XII Encontro da Anpur “Energia e mineração: impactos e compensações” a professora Maria Amélia Enríquez da UnB/UFPa apresentou o trabalho “Maldição ou Dádiva - os dilemas do desenvolvimento de regiões de base mineral no Brasil quanto ao uso das rendas provenientes da mineração”.
A autora falou também dos royalties do petróleo, assunto que compartilhou com o professor Rodrigo Serra, mas deu ênfase na sua análise sobre a arrecadação que os municípios que têm lavras de mineração recebem e também nos problemas ambientais e sociais conseqüentes deste processo, nos diversos estados brasileiros, especialmente os quinze maiores municípios mineradores do Brasil localizados em: Minas Gerais, Pará, Goiás, Bahia, Sergipe, Santa Catarina, Mato Grosso
O mais interessante foi ouvir suas análises e conclusões que segundo ela “revelam que os recursos provenientes da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) são mal distribuídos e inadequadamente utilizados, o que aponta para a necessidade de uma urgente reforma na legislação com o propósito de vincular sua partilha e uso a uma estratégia de desenvolvimento local sustentável”. Qualquer semelhança não terá sido mera coincidência.
O que mais me espantou foi a informação de que há estudos e análises de especialistas que chamam a realidade destes municípios que ficam dependentes da mineração como a “Maldição da Mineração”. Esta maldição estaria ligado ao fato, de que em todos os municípios ou regiões, onde há extração de minerais, ocorre um atrofiamento de outras atividades, que decorre da pujança destes empreendimentos. Antes de bater: tam, tam, tam na madeira três vezes, talvez seja visível a compreensão de nossa realidade em mais uma coincindência, apesar do petróleo ser para nós abstrato quase como a plataforma continental.
Geolcina descasca a legítima castanha do Pará
Geolcina, não estudou, mas sabe e reclama, que depois que os supermercados passaram a vender frutas e legumes, o movimento do mercado só fez diminuir. “Também pudera, lá eles pagam no cartão, enquanto aqui eles têm que pagar no dinheiro”. Geolcina hoje em dia só pensa no futuro dos filhos. O mais velho chama-se Ronildo tem 18 anos e segundo ela é muito bom em artes. “Ele agora está até fazendo um cursos de computação no Liceu”. Geolcina na sua humildade ficou orgulhosa quando soube que iria aparecer na internet: “vou contar para meu filho”.
terça-feira, maio 22, 2007
XII° Encontro da Anpur
Aqui em Belém foi aberto ontem às 19 horas, o encontro da Associação Nacional de Planejamento Urbano e Regional, com uma bela conferência do Reitor da UFPA, Alex Fiúza de Mello. O tema “Amazônia e o desafio no contexto da integração sul-americana e da globalização” pode ser considerado como parte do tema central do encontro.
O professor que é cientista social tem vários livros publicados deu um enfoque interessantíssimo, sobre as oportunidades e os riscos da Amazônia dentro de um projeto de nação. O reitor com uma excelente verve, deixou claro, que em sua opinião a Amazônia é uma questão nacional ainda não considerada nos projetos de políticas públicas. Sobre a região disse que mais do que assistência e infra-estrutura logística, o melhor investimento a ser feito deve se dar em ciência, tecnologia e inovação. Neste ponto reclamou, sem fazer um discurso bairrista, da profunda concentração que se faz do setor na região sul e sudeste e especialmente em São Paulo.
Primeira Mesa Redonda
Hoje pela manhã aconteceram três mesas redondas. A que assisti tratou do tema: “O PAC e seus impactos na política de desenvolvimento urbano e regional”. Não se pode dizer que se chegou a alguma conclusão, até porque, o que se percebeu é que o objetivo dela teria sido mais propriamente, o de levantar questões. A composição heterogênea dos debatedores ajudou a traçar um excelente panorama sobre o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC.
Presidida pela própria presidente da Anpur, Ana Fernandes da UFBA, a mesa-redonda teve como participantes, a Ermínia Maricato da USP e ex-secretária-executiva do Ministério das Cidades na gestão de Olívio Dutra; Carlos Vainer do IPPUR/UFRJ; Edgard Porto da SEI, Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, Cláudio Puty da UFPA e Secretaria de Governo do Estado do Pará e Miguel Lobato, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia.
“O PAC é na prática, uma carteira de projetos construídos setorialmente” – Carlos Wainer
Embora, não houvesse o objetivo de conclusões ficou evidente que a Anpur deverá constituir grupo de estudo para monitorar o desenvolvimento do PAC e suas ações. O professor Wainer, com a sua alta capacidade de análise e de crítica considera, que o PAC é na prática, uma carteira de projetos construídos setorialmente, o que é reforçado, até pela exposição clara de que um de seus maiores objetivos é o de criar ambientes que favoreçam o investimento privado.
“O PAC trará enormes influências para as cidades e redes de cidades” – Edgar Porto
O Edgar Porto de certa forma reforçou a visão do Wainer, embora com viés diferenciado, ao dizer quem em sua opinião, o PAC é um projeto estruturante com soluções de gargalos com forte impactos na infra-estrutura da produção com tendências e estímulos, a fluxos competitivos internacionais, que embora não desejando deverá levar a uma concentração ainda maior de capitais e população. Porto fecha dizendo que é inegável que o PAC trará enormes influências para as cidades e redes de cidades nas diversas regiões do país.
“O PAC é uma tímida virada na política econômica da era “Palocciana”
O economista Cláudio Puty depois de contextualizar o PAC como uma tímida virada na política econômica da era “Palocciana”, numa perspectiva, mesmo que de carteira de projetos setoriais que estimulam o crescimento. Puty crê que a maior dificuldade deverá ser a capacidade de execução dos projetos aprovados por parte dos estados e municípios e lembrou para finalizar, que o PAC se divide em investimentos em três grandes áreas: logística, energia e infra-estrura social. Neste ponto, Cláudio Puty questionou, com alguns dados que as duas primeiras áreas estão muito mais contempladas em quantidade de recursos, que a infra-estrutura social, o que tenderá a reforçar a concentração de renda.
“O PAC impactará cidades de menos de 150 mil habitantes que estão fora do programa” - Miguel Lobato
Nesta linha, também entrou o Miguel Lobato que ainda reforçou, a contradição do PAC atender apenas às cidades com mais de 150 mil habitantes sendo que os projetos desenvolvidos nas demais cidades, certamente impactará outras, que não estas também chamadas de pólo, que ficarão, assim, ainda com maiores dificuldades de enfrentamento das suas mazelas. Para exemplificar Miguel citou, o caso do asfaltamento da rodovia BR-163 que ligará, o norte de Mato Grosso ao mar, na região de Belém formando um corredor de exportação de soja. Lobato ainda reclamou, no que foi apoiado pela Ermínia Maricato, sobre a inexistência de projetos de transportes públicos para além de apoios à conclusão de algumas linhas de metrô em alguns estados.
Por último, a Ermínia Maricato, com a sua experiência de pesquisadora e uma das iniciadoras do movimento de reforma urbana no país, aliada à sua experiência recente de coordenadora do grupo que organizou o Ministério das Cidades e que ocupou por três anos, o cargo de ex-secretária-executiva deste minsitério, no primeiro mandato do governo Lula, fez questão de lembrar que o governo Lula não é um governo de esquerda e sim de coalizão com profundas disputas internas.
Neste contexto, com as suas tiradas, sempre muito pertinentes e provocadoras disse que em Brasília comenta-se que “Lula coloca nos cargos, devido à coalizão, corruptos e libera de outro lado, a Polícia Federal para agir nos esquemas desta gente.”
“O PAC é pouco e é muito ao mesmo tempo”
Depois, dos risos gerais ela concorda que o PAC é ainda uma tímida mudança e que sendo assim ele era pouco, mas que se for considerado a incapacidade que encontrou em ver a máquina pública tocando os projetos ele pode ser considerado muito. Ou seja, o PAC é pouco e muito, ao mesmo tempo.
Ermínia lembrou diversos exemplos das dificuldades que vivenciou no ministério para que os recursos de saneamento, negociados com o FMI (na época que o Brasil ainda era deste Fundo), como sendo de investimentos e não de custeio, pudessem ser efetivamente executados. Garantiu que os técnicos dizem, que independente dos problemas de licenciamento ambiental, nenhum projeto consegue deslanchar com menos de dois anos, daí não se poder contestar a ministra Dilma Roussef, quando esta diz que se 60% do PAC for executado já será de bom tamanho.
Por último, Ermínia Maricatto, foi a fundo na questão dos licenciamentos ambientais e disse que ela tinha autoridade para falar do assunto, pois se considera preocupada e exigente nestas questões, mas que haveria até um preconceito social, por parte de ecologistas e até autoridades do setor, quando exigem até o cumprimento de legislações de florestas em áreas urbanas e que dão licenças ambientais a condomínios horizontais enquanto rechaçam, com exposição de leis, mudanças e reformas urbanas em áreas de ocupação irregular nas periferias das cidades de médio e grande porte. Outra afirmação, que recebeu, o apoio unânime da mesa foi, a de identificar, de que com o PAC haverá um recrudescimento da especulação imobiliária, já verificada nas cidades com maior dinamismo econômico.
Esta mesa de abertura no Anpur dá sempre, a convicção ao participante, de que valeu a pena vir, a mais um encontro da Anpur. A qualidade das exposições, o respeito aos pontos de vistas diferentes e a capacidade de aperfeiçoar a análise do quadro atual aliado à compreensão, de que a academia, mesmo com o tempo que lhe é peculiar, em relação a quem tem o papel de gestão, tem mito a contribuir no desempenho do seu papel institucional.
PS.: Vale destacar a significativa presença (se não errei na conta, quinze pessoas) de pesquisadores, professores e estudantes de graduação e pós graduação de quatro instituições de ensino e pesquisa de Campos: Cefet, Ucam-Campos, Uenf e Uff.
Ainda sobre os orçamentos Belém x Campos
Mais um pouco de comparação:
Belém reservou dos seus 1,158 bilhão de orçamento em 2007, a quantia de R$ 374, 8 milhões para a saúde, R$ 144,9 para a educação e R$ 117,3 para o saneamento e R$ 42,7 milhões para a habitação.
Em Campos, está previsto do seu orçamento total de R$ 1,165 bilhão, que deverá ser superado e chegar próximo dos R$ 1,3 bilhão, a quantia de R$ 367,7 milhões para a saúde, R$ 125 milhões para a educação e R$ 39 milhões para a Emhab.
Pelos números acima, é possível exigir que Campos com quase 3 vezes menos habitantes que Belém tem a obrigação de ofertar, condições de saúde e educação, quase três vezes melhor que Belém. Difícil não?
Este blog já havia comentado sobre a desistência da FCA
No dia 20 de abril, este blog em nota intitulada: "Da linha férrea para a BR-101" já havia levantado a bola da possibilidade da Ferrovia Centro Atlântica desativar o transporte de cargas em Campos. Clique aqui e leia a nota na íntegra, que um mês depois, a mídia local descobre. Estranho esta cidade, o orçamento cresce e os meios de transporte vão rareando, por avião, pela via férrea, uma única empresa de ônibus... e uma única estrada (BR-101) que tomba pelas beiradas...
segunda-feira, maio 21, 2007
Curiosidades de Belém
Belém – a cidade das mangueiras!
PS.: Repare na segunda foto onde parece que o PM dá proteção ao ponto.
Melhor ou pior que o caça-níquel?
Seguindo a tradição
PS.: Antes que algum controlador social cobre aviso que acabei de fazer o credenciamento e dentro de instantes estarei saindo para a abertura do evento.
Orçamento 2007: Campos R$ 1,165 x R$ 1,158 bilhão de Belém
Aqui passarei os próximos dias participando do XII Encontro Nacional da Anpur (Associação Nacional de Pós Graduação em Planejamento Urbano e Regional). É o terceiro encontro da Anpur que se realiza bienalmente que participo. Em 2003 estive em Belo Horizonte, 2005 em Salvador e agora, convidado para participar de uma mesa-redonda sobre royalties enfocando o tema "Riqueza Mineral e Desenvolvimento Regional". Na mesa estará ainda o professor Rodrigo Serra, Nádia nascimento e Aluysio Leal da UFPA, Davi Passos, prefeito de Xinguara, e um representante do governo do estado do Pará. É mais uma oportunidade deste blogueiro aprender, um pouco mais sobre a origem, gestão, planejamento e inovações que estão sendo implementadas nas cidades brasileiras. O tema central do encontro deste ano é "Integração Sul-americana, Fronteiras e Desenvolvimento Urbano e Regional".
Pretendo aproveitar a oportunidade para oferecer aos leitores deste blog, detalhes sobre a cidade, assim como algumas notas sobre as apresentações e debates que julgar interessante. Vamos ver o acesso à internet permitirá este intento. Por enquanto o meu notebook conseguiu acesso por uma rede sem fio que não sei se é do hotel ou... deixa para lá... o que interessa é que estamos no ar.
domingo, maio 20, 2007
Análise sobre a Bacia de Campos
O portal Click Macaé trouxe uma interessante análise de cenários das diversas bacias petrolíferas off-shore do país considerando, tanto suas potencialidades de produção, quanto a demanda de suprimentos e mão-de-obra nos mercados onde estão instalados. Se desejar ter uma visão de todas as bacias clique aqui.
Sobre a Bacia de Campos está escrito:
“Apesar de dividir a administração dos campos com as Unidades de Negócios do Rio e do Espírito Santo, ainda é a UN-BC, com base em Macaé, que responde pelo maior volume de operações na Bacia. “Macaé ainda é o centro gravitacional do grupo. Não só pela posição geográfica entre Espírito Santo e Santos, mas também por ser a maior área de negociação. Nosso único erro, foi não ter construído um grande porto na cidade quando instalamos a base de operações. Isso reduziria muito o tempo e o gasto com o trânsito das embarcações vindas de Vitória e Niterói”, avalia o professor da Coppe-UFRJ, Giuseppe Bacoccoli, que participou da escolha do terreno para a sede da Petrobras no município.”
“Segundo o professor, o mercado desta região ainda é um dos mais desenvolvidos quando o assunto é petróleo e gás offshore e, mesmo com a sobrecarga da indústria nacional e, até mesmo internacional, gerada pelo crescimento das demandas do setor que veio em conseqüência do aumento do preço do petróleo do mercado mundial, as empresas do estado estão conseguindo atender bem. “O boom agora é no grupo de construção e montagem, por conta das grandes encomendas de navios e plataformas. Mas em cadeia, todos os setores serão beneficiados depois”, garante Bacoccoli.”
Vou repetir o trecho que acho mais importante, até para dirimir dúvidas de quem ainda interpreta equivocadamente a meu ver, de que a decisão de instalar a base da Petrobras em Macaé enão em Barra do Furado, ou outra parte do nosso litoral, quando da descoberta do petróleo em nosso litoral na década de 70 se deu apenas, por pressão dos usineiros locais, interessados em não perder, ma visão deles “a mão-de-obra” que possuía.
Veja: “Nosso único erro, foi não ter construído um grande porto na cidade quando instalamos a base de operações. Isso reduziria muito o tempo e o gasto com o trânsito das embarcações vindas de Vitória e Niterói”. A fala é do professor Giuseppe Bacoccoli, da Coppe-UFRJ, participante do grupo de trabalho da Petrobras que na época escolheu o terreno para a sede da Petrobras em Macaé.”
sábado, maio 19, 2007
Educação - o melhor investimento a ser feito com o dinheiro dos royalties
A motivação para este artigo não são índices ou estatísticas, mas a identificação da perda de oportunidades. A priori, concordo com a posição da secretária municipal, professora Elizabeth Landim, quando ela diz, que o diagnóstico dos problemas da educação de Campos, evidenciado em pesquisa recentemente divulgada, tem origem anterior à sua gestão, embora, eu tenha visto em todas as campanhas eleitorais recentes, o argumento da continuidade, como força motriz.
O paragráfo acima é o que iniciou o artigo publicado ontem na Folha da Manhã. O assunto e a maior parte deste artigo já é do conhecimento dos leitores frequentes deste blog, por conta de uma nora aqui postada. Acabei de postá-lo na seção ao lado "Meus últimos artigos". Aqueles que desejarem ver o artigo na íntegra, comentar, criticar poderá fazê-lo clicando aqui.
sexta-feira, maio 18, 2007
BR-101 - que redução, heim?
A lenga-lenga da melhoria da BR-101 está de volta. Quer dizer que suspenderam o leilão anterior, mexeram, remexeram e a estimativa para o pedágio caiu para um valor máximo, ainda de R$ 3,72? Pensei que na reformulação fossem ser alteradas também as quantidades de pedágios de cinco (1 em direção à divisa para o ES e 4 em direção ao Rio de Janeiro), mas, pelo que vejo nos jornais de hoje, isto não foi alterado.
Pergunto ainda e a ponte e o contorno de Campos, afinal, ficou para execução da concessionária, a ser escolhida em outubro ou o governo federal vai cumprir o acordado, aqui em janeiro quando da queda da ponte General Dutra? Por isso, este blog já disse aqui que o início apressado da construção da ponte da Estilac Leal, não era um bom indicativo que a prefeitura fazia para o governo federal, da necessidade imediata da construção do contorno com uma ponte na BR-101. Enfim, está aí de aproximadamente R$ 4,00 para R$ 3,72 você tem uma bala de troco.
Uma viagem de ida e volta em carro de passeio de Campos ao Rio de Janeiro sairá pela bagatela de R$ 29,76. Um caminhão trucado de tijolos, R$ 89,28, a serem pagos imediatamente após a entrega da concessão, provavelmente no início de 2008, enquanto a duplicação, que será apenas de Rio Bonito só até a entrada de Rio das Ostras terá um prazo de quase vinte anos para a conclusão. A você um conselho: não chupe os dedos e nem roa as unhas. Aproveite o troco e sorva a balinha do troco, para aplacar a sua raiva enquanto aguarda a convocação para uma nova manifestação, agora, provavelmente, para questionar os pedágios.
Corrupção sem espiga
Reforçando a nota abaixo e sabendo, que o valor da corrupção não altera o ato, embora, reforce a tentação, não há como não registrar o espanto, de que o ex-governador maranhense detido teria sido subornado com um carro de R$ 110 mil e o atual, indiciado por valores de suborno de R$ 240 mil. A gente às vezes se esquece, mas é que eles vivem num mundo sem royalties, onde milhão, há muito já deixou de ser uma grande espiga.
quinta-feira, maio 17, 2007
Barbas de molho
Gestores públicos que administram grandes somas de recursos deveriam ver a Operação Navalha, desencadeada hoje pela Polícia Federal, como sinal de advertência, como uma luz amarela. A PF tem sido cada vez mais eficiente no acompanhamento de ações administrativas, licitações, contratos, etc. Não há dúvidas que as administrações que movimentam maior quantidade de recursos são vitrines naturais. Imaginem a região dos royalties. Depois do avanço da tecnologia, as quebras dos sigilos bancários e telefônicos permitem ver os detalhes do intestinos das negociatas.
Duas observações sobre o acidente na usina de Barcelos
A primeira já foi comentada aqui, quando de outros acidentes fatais, tanto na construção da ponte estadual, no Centro de Convenções da Uenf, na construção do gasoduto Macaé-Viória e outros locais: a identificação da presença, de um número significativo de trabalhadores vindos de outras cidades, regiões e até estados, que estão ocupando as novas vagas de trabalho surgidas em nossa cidade.
Naturalmente surge a pergunta: qual o motivo disto? Desqualificação da nossa mão-de-obra local? Quando da identificação desta presença maciça de trabalhadores “estrangeiros” no corte da cana-de-açúcar atribuiu-se ao fato, o cansaço do trabalhador local em realizar este tipo de tarefa e em paralelo, o recebimento dos auxílios governamentais do tipo bolsa e cheques que permitem a sobrevivência sem maiores esforços. A observação da extensão desta situação mostra, a amplitude e a complexidade da questão. O trabalhador em questão, vítima do acidente na usina do grupo Othon em Barcelos, era oriundo do estado de São Paulo.
A segunda observação é mais técnica. Ela versa sobre a investigação do acidente de trabalho. Ao ler nos jornais de hoje, o relato de que aparentemente, o motivo do acidente e da conseqüente morte, teria sido causado pelo susto pelo barulho da descarga de vapor que teria feito o trabalhador, se soltar do cinto de segurança e caminhar pelo telhado da indústria, quando uma telha de menor resistência não teria suportado seu peso e levado até a queda.
O caso, confirmando-se o relato da imprensa, demonstra como a falta de informação e provavelmente o escasso, ou, a falta de treinamento da mão-de-obra quando do ingresso do trabalhador pode ser fatal para a ocorrência de acidentes como este. O fato do trabalhador não ser da região também é fator contributivo. Quem conhece as usinas sabe, que este barulho da descarga de vapor da caldeira são comuns. Observem a relação entre os fatos: a escassez ou falta de treinamento, o desconhecimento do processo geral de produção e o aumento dos riscos de acidentes. Interpretação semelhante pode ser feita quando da análise de acidentes anteriores ocorridos em nossa região.
quarta-feira, maio 16, 2007
Incubadora Tec Campos (Cefet e Uenf) divulga projetos selecionados
A Incubadora de empresas de base tecnológica TecCampos, uma parceria do Cefet com a Uenf, com o apoio da PMCG, Sebrae, BB e diversos outros parceiros, divulgou ontem o resultado dos projetos aprovados para Pré-incubação, segundo o Edital nº001/2006:
Empresa: ABRASDI; Representante: Guerold S. Bobrovnitchii
Empresa: ARTEFATOS DE COCO VERDE ME; Representante: Edson Corrêa Cândido
Empresa: BRASRES GEOFISICA DE RESERVATÓRIO; Representante: Igor Lopes Santana Braga
Empresa: CATAVENTO 06; Representante: Julia dos Santos
Empresa: DESIGN PROGETTO; Representante: Alan René Lopes Neves
Empresa: G & C CONSULTORIA AGROPECUÁRIA; Representante: Carlos Otávio Ribeiro Constantino
Empresa: LABORATÓRIO DE ANÁLISE DE DADOS GEOGRAFICOS; Representante: Alex Pury Mazurec
Empresa: PECGEN EMBRIÕES; Representante: Luiz Fonseca Matos
Empresa: SEMENTES E MUDAS FLUMINENSE; Representante: Ana Paula Cândido Gabriel
Empresa: VÉRTICE; Representante: Natália Guimarães Mothé
A coordenação da incubadora TecCampos informou que os representantes dos projetos selecionados devem comparecer à sua sede na Rua Saldanha Marinho, 416, Vip’s Center Shopping, sobreloja n. 219, Centro, Campos dos Goytacazes, RJ, até o dia 31 de maio de 2007, no horário de 09:00 às 18:00 horas para análise e assinatura do Contrato de Participação do Sistema de Incubação e Termo de Confiabilidade. Para a coordenação, os candidatos selecionados, que não entregarem a documentação assinada serão considerados desistentes e sua vaga re-alocada para os projetos selecionados na lista de espera.
Espera-se que os empreendimentos propostos possam deslanchar junto com o projeto da Incubadora. Imagina-se que a TecCampos antes do lançamento do seu segundo edital promova eventos que estimulem o empreendedorismo, além de orientações sobre gestão de micro e pequenas empresas, marketing, inovações, contabilidade e tributação de pequenos negócios, etc.
Outra medida desejável seria, a de uma articulação entre a incubadora e o Fundecam, de modo a garantir que o melhor projeto, aquele que tivesse o melhor desenvolvimento no primeiro ano de incubação, pudesse ser contemplado com financiamento de recursos do Fundo de Desenvolvimento de Campos, o Fundecam.
Educação em Campos
O professor Romeu e Silva Neto disse-me ontem, que a secretária municipal de Educação, professora, Elizabeth Landim, é leitora do blog e que, vez por outra sugere, assuntos a serem aqui abordados. A professora daria imensa alegria a este blog, se resolvesse fazer isso diretamente.
Concordo com a posição da professora Beth, quando ela diz, que o diagnóstico dos problemas da educação de Campos, evidenciados em pesquisa recentemente divulgada são de origem antiga e anterior à sua gestão.
Para isso, sou obrigado a lembrar que em 2001, mais de vinte entidades da sociedade civil de Campos, na primeira Audiência Pública que discutiu o orçamento de Campos, após pressão feita pela Ong Cidade 21, ao Ministério Público Estadual, incluíram diversas emendas ao orçamento municipal de 2002 e também dos anos seguintes, que após negociação, aprovaram recursos para o setor de Educação que acabaram sendo abandonadas e não executadas. Na época, este blogueiro foi saudado pela iniciativa até pela secretária que ocupava o cargo.
Só a título de curiosidade lembro algumas destas propostas:
- Implantação de Laboratórios de Ciências em 50 escolas – Valor proposto da emenda: R$ 3,59 milhões; Valor aprovado: R$ 1,5 milhão;
- Aquisição de Livros e montagem de bibliotecas para todas as escolas com mais de 300 alunos com dotação de pelo menos 1.000 livros; custo unitário biblioteca de R$ 45.000,00 - Proposta de Implantação de 70 Bibliotecas; Valor da Emenda: R$ 3,15 milhão; Valor aprovado de R$ 1,15 milhão;
– Implantação de 4 bibliotecas volantes com acervo de 2.000 livros para as pequenas escolas; Valor da Emenda: R$ 1 milhão; Valor Aprovado R$ 500 mil;
- Aquisição de Materiais de Informática e Implantação de Laboratórios de Informática – Meta 120 Laboratórios com 12 computadores, 2 impressoras, scanner e máquina digital e ainda computadores e equipamentos de rede para secretaria; Valor da Ação R$ 5 milhões; Valor da Emenda: R$ 2 milhões; Valor Aprovado R$ 2 milhões;
- Capacitação de Professores em Ciências, Informática e Outros; Valor da Emenda: R$ 1,5 milhão; Valor aprovado R$ 1 milhão;
- Construção de 10 creches ao invés de 3 -Valor da Emenda: R$ 1,05 milhão; Valor Aprovado R$ 1,05 milhão;
- Implantação de Internet nas Escolas. Valor da Emenda R$ 1 milhão; Aprovado R$ 1 milhão;
- Incremento de 300 para 1000 núcleos de Educação de Jovens e Adultos, transferindo a Ação apara a Secretaria de Educação. Valor da Emenda: R$ 1 milhão; Valor Negado.
- Criação do Programa de Educação Ambiental para desenvolvimento em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente. Valor da Emenda: R$ 800 mil. Valor Negado.
- Construção de 18 Escolas ao invés de 12. O acréscimo da meta deverá contemplar o atendimento da zona rural e os assentamentos da Reforma Agrária dentro do modelo de Escola-Agrícola. Dobrar a dotação de R$ 2,08 para R$ 5,16 milhões. Valor da Emenda: R$ 2,08 milhões. Valor Aprovado R$ 2,08 milhões.
O total das emendas apresentadas na área de educação em 26 de novembro de 2001 pelas 23 entidades da sociedade civil, na Audiência Pública da Câmara Municipal foi de R$ 40,1 milhões. Após negociações com vereadores, líder do governo e representantes do prefeito acabou sendo foi aprovado um total de R$ 9,5 milhões. Daí, o blog pergunta: o que deste valor foi efetivamente, investido em Educação? Todos nós sabemos que nos anos seguintes, mais de 3.500 shows foram contratados, alguns a peso de ouro com retorno zero. Se naquela oportunidade, as ações propostas, negociadas e aprovadas fossem implementadas o quadro hoje poderia ser, muito melhor do que o apresentado pela pesquisa.
Particularmente, identifico ações interessantes, que atualmente estão sendo desenvolvidas na secretaria. Entre elas, cito a implementação e ampliação das bibliotecas e seus acervos e os laboratórios de ciências nas escolas municipais pretendidos nas emendas citadas acima.
Vejo que a capacitação dos profissionais da educação, docentes e técnico-administrativos, também pensada e planejada orçamentariamente em 2001, começa a ter avanços, embora ainda necessite de aperfeiçoamento e maiores recursos. A avaliação das escolas, dos docentes e dos alunos, enfim do sistema precisa de um projeto. Se já existe atualmente, não conheço e não posso comentar.
Uma sugestão, aliás, como é comum neste blog: por que não adotar ações e metas a serem sugeridas, em um plano estratégico para a educação municipal a ser elaborado de forma conjunta e participativa com diretores e representantes dos profissionais da educação? Entre estas, por exemplo, a do aumento da escolaridade média da nossa população, em pelo menos um ano, nos próximos cindo anos e de dois anos, na próxima década. A divulgação destas metas possibilitaria, um esforço conjunto da sociedade para ajudar no seu cumprimento junto da secretaria.
Não tenho dúvidas, que o melhor investimento que se pode fazer com o dinheiro dos royalties é na área de educação, especialmente na educação básica, dever do município. A expansão do ensino médio público, embora dever do governo estadual é um outro desafio que poderia ser adotado e assumido pela secretaria municipal.
Imagine, daqui a vinte anos, o município, sem os royalties, mas com uma das maiores escolaridades médias entre as cidades brasileiras. Tenho certeza, que o retorno econômico que esta conseqüência teria seria muito maior, até do que o atualmente previsto com os empréstimos do Fundecam, para abertura de empresas e campos de trabalho. Façamos o debate.
Estelionato & eleições
Há algum tempo se comenta nos bastidores, a existência entre as diversas formas de fraudes eleitorais, um esquema de troca de votos, por favorecimento com concessões de aposentadorias e benefícios previdenciários que teriam, a Baixada Campista como base de operações. A Operação Carimbo, desencadeada ontem, após investigação da Polícia Federal mostrou, até agora, apenas uma pequena ponta, do que pode ser, um enorme iceberg, com envolvimento de gente conhecida na cidade.
Sem novidades no cenário da disputa de 2008
O repórter Marcio Fernandes do jornal Monitor Campista me procurou ontem, para falar sobre o cenário das eleições municipais em Campos no próximo ano. Eu rechaço a condição de especialista atribuída pelo repórter, ela cabe na referência à outra entrevistada, a coordenadora de pesquisas da Ucam-Campos, Denise Terra, mas não a este blogueiro. Veja a matéria, onde infelizmente, não vejo chances para novidades no pleito do ano que vem.
“Eleição deve ser polarizada - Especialistas acham que se Arnaldo se aliar a Mocaiber a tendência é sucessão ser disputada apenas por dois candidatos”
“Se confirmada a união entre o prefeito Alexandre Mocaiber (PSB) e o deputado federal Arnaldo Vianna (PDT), as eleições de 2008 em Campos pode ter apenas dois candidatos, o outro, um nome ligado ao ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB). O menor número de opções já é motivo de críticas. Porém, o quadro deverá ser igual em Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio, cidades que assim como Campos, grupos políticos que estão no poder administram uma fortuna proveniente dos royalties.”
“Não vejo muita novidade. A campanha ficou muito rica e poderosa, difícil para novos grupos. A hegemonia política em cidades com dinheiro farto, no caso na região devido os royalties, é isso mesmo. Não sobra espaço para se fazer política contra o grupo que está no poder”, observa o engenheiro e professor do Cefet, Roberto Moraes. Em Campos, as direções dos diretórios municipais dos governistas PSDB e DEM se anteciparam dizendo que não terão candidato próprio a prefeito, mesmo caminho do PT.”
“Cientista política da Universidade Candido Mendes, a professora Denise Terra teme que os episódios ocorridos nas eleições municipais de 2004 em Campos se repitam na disputa do próximo ano. Ou seja, um acirramento entre dois ou três grupos políticos que no passado era um. “A diferença é que agora o Garotinho não está no poder. Com isso Mocaiber e Arnaldo terão um maior peso. Caso realmente o grupo que detém o poder se una, fica muito forte. Vai ser bem mais difícil de conseguir derrubar”, analisa.”
“A 17 meses das eleições municipais, em Campos, o único grupo que parece ter força para bater de frente com a dupla Arnaldo/Mocaiber é o ligado à família Garotinho. Na avaliação de Moraes, o PMDB lançar um candidato é normal, pois Garotinho tem o lastro de ter sido governador do estado por oito anos, a esposa, Rosinha Matheus, o sucedeu nos quatro últimos. Já Denise lamentou a possibilidade de apenas dois candidatos disputarem a Prefeitura de Campos. “Irá faltar alternativa”, comentou ela.”
terça-feira, maio 15, 2007
Parente e política
Voto de agradecimento pelo emprego do trisavô
Antigamente a herança de votos era algo que só os grotões dos coronéis produziam. De uma década para cá, a moda se alastrou e até os estados da região sudeste e sul vêm produzindo, cada vez mais a profissão hereditária dos políticos.
Acho que o eleitor deveria ser mais seleto na sua escolha. E neste caso, na possibilidade do eleitor pensar em entregar o seu voto a alguém que pretende um cargo pela via da hereditariedade, questionar: será que este candidato, marido, esposa, filho, irmão, pai, cunhado, etc. é o melhor do que todos os candidatos. E mesmo, assim, no caso de uma eleição proporcional, onde se elege mais de um candidato, tentar evitar este voto.
Os jornais de hoje trazem um levantamento de que apenas, 65 membros do Congresso, nunca tiveram mandatos e que 20% dos eleitos têm relação direta de parentesco com políticos sendo que 44 deputados são filhos de políticos. A origem da informação é de um perfil detalhado da atual legislatura feito pelo bem conceituado Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
Não seria o caso de proibir o acesso, dos parentes aos cargos eletivos, para além do que já existe na lei e sim, o de estimular a mudança por parte do eleitor. Na prática a gente vê eleitores que já estão numa terceira ou quarta geração da família pagando por um emprego, um dia dado ao seu trisavô. O estado é de todos e não de algumas famílias. Faça uma análise e veja aqui e em municípios vizinhos, ou mesmo, no estado a realidade desta farra.
Violência em Macaé
O crescimento econômico acompanhado da desigualdade social tem contribuído para o aumento da violência tanto em Macaé, quanto em Campos. Cada vez ela torna-se mais perceptível cotidiano destas nossas cidades. Veja o texto deste e-mail que me foi re-encaminhado pelo Eduardo Inácio:
“Por volta de oito horas da noite do dia 11 de maio, uma conhecida de apenas 10 anos de idade estava utilizando o elevador da galeria Carapebus, quando um sujeito a abordou com uma arma de fogo e pediu que a mesma praticasse atos sexuais (foi estuprada). Neste mesmo local um outro conhecido também foi assaltado.”
”Hoje uma outra pessoa da família foi perseguida por dois sujeitos no centro da cidade. Há três semanas minha noiva foi assaltada na avenida Agenor Caldas. Estamos em guerra e ninguém nos contou... Dizem que é o preço do “crescimento”. Bom, não quero comentar sobre o assunto. Peço apenas que fiquem atentos e que Deus os guarde.”
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