sexta-feira, março 09, 2007

Entrevista com os candidatos a reitor da Uenf

A Uenf, nossa mais importante universidade está mobilizada em seus três segmentos, para a escolha do seu novo reitor, nas eleições que acontecerão no próximo dia 14 de março, em primeiro turno. Este blog resolveu ouvir as chapas encabeçadas respectivamente pelos professores Sérgio Luís Cardoso, Almy Junior Cordeiro de Carvalho e Paulo Roberto Nagipe da Silva.

Com este objetivo, o blog encaminhou às três chapas, seis perguntas e solicitou que os candidatos respondessem em até seis linhas usando, letra tipo “times new roman” de tamanho 12. A ordem das respostas obedece ao tempo de chegada das mesmas. O blog teve que reduzir, editando, parte de algumas respostas do professor Nagipe, porque elas estavam em tamanho bem acima do proposto. Mesmo com a edição, para não prejudicar a exposição de idéias, com um corte maior, elas ficaram com espaço maior que as respostas do professor Almy, o que permitirá, desde já, que o professor Almy possa usar esta diferença, em texto complementar, se desejar. Até o horário explicitado no envio das perguntas (12 horas desta sexta-feira), este blog não havia recebido nenhuma resposta aos e-mails do candidato, professor Sérgio Luís Cardoso. Eis as perguntas e suas respectivas respostas:

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Atualizado às 12:26 com a chegada das respostas do professor Sérgio Cardoso.
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Blog: Apesar de Campos ter se tornado um pólo universitário, com mais de 25 mil alunos na graduação e na pós-graduação, o número de instituições públicas atuando na região é pequeno, se restringindo a Uenf, Cefet e um único curso da Uff. O que poderia ser feito por estas instituições para ampliar e aperfeiçoar a oferta de formação na graduação e na pós-graduação?
Almy: Precisamos envidar esforços para que os governos estaduais e federais percebam, efetivamente, a necessidade de ampliar investimentos em Educação. Sabemos das dificuldades que encontraremos para atingir tal propósito. Uma entrevista do Presidente da Academia Brasileira de Filosofia na Folha Dirigida de 13/02 mostra o que alguns pensam sobre investimentos na Nossa Região. Só será possível avançarmos com a participação da Sociedade Organizada e dos Representantes Públicos eleitos para defender os interesses regionais.


Nagipe: Um dos fatores limitantes para a instalação de novos cursos muitas vezes é a falta de recursos e infraestrutura. As prefeituras locais deveriam se conscientizar de que a parceria no financiamento de iniciativas em educação é um investimento que traz um retorno altamente positivo ao Município em médio e longo prazo. A prefeitura de Macaé é um bom exemplo disso. Recentemente assistimos ao Fórum de Ciência e Tecnologia naquela cidade, que versou sobre fontes alternativas de energia, inclusive tendo sido apresentado um plano de desenvolvimento econômico baseado na agro-energia para a região. Além disso, foi anunciado pelo prefeito Ríverton Mussi não só o avanço das obras do Complexo Universitário do Município de Macaé, com financiamento da Prefeitura e Participação de várias universidades públicas, como tasmbém a criação de uma nova escola técnica rural daquela cidade. Se analisarmos essa conjuntura num contexto mais amplo, nos parece clara a intenção de fornecer alternativas, a partir da criação de novos centros de pesquisa e qualificação de mão de obra, a intenção de se criar fontes alternativas de renda para o município independentes dos royalties do petróleo. Muitas prefeituras, por outro lado, parecem buscar uma alternativa mais cômoda, mas ao nosso ver pouco eficiente, de fornecerem transporte e bolsas de estudo para alunos fazerem cursos em Universidades particulares. Embora possa haver casos justificados, o que nos parece acontecer, via de regra, é que essas pessoas passam em vestibulares com um grau de dificuldade menor e que forma profissionais que muitas vezes não tem a mesma capacitação prática do que aqueles que se formam em instituições com tradição e atividades de pesquisa fortes, como as Universidades Públicas. Além disso, não há o incentivo de desenvolvimento de atividades de pesquisa que venham a auxiliar na solução de problemas locais, e sim apenas a formação de profissionais para o mercado de trabalho. Acreditamos que seria mais interessante o investimento no ensino básico, em cursos de pré-vestibular social e na parceria com Instituições que venham a criar novos Campi e desenvolver pesquisas voltadas para o desenvolvimento regional, formando também profissionais capacitados para atuar em áreas estratégicas e com vivência na busca de soluções através da pesquisa.

Sérgio Cardoso: O Estado do Rio de Janeiro é hoje, na federação o que conta com o maior número de Universidades públicas federais e estaduais porém, estas instituições foram implantadas na Capital e só recentemente houve uma conscientizarão da necessidade da interiorização da Educação Superior no Estado. A parceria das instituições para a captação de recursos de âmbito municipal, estadual e federal é um dos aspectos relevantes para que estas instituições possam ampliar suas ações.
Blog: As tentativas de ampliar a relação entre as instituições de nível superior e pesquisa de Campos foram até aqui de poucas realizações. O FIDESC (Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos) tornou-se um espaço sem muito sentido. Ainda assim, você considera esta tentativa válida? Se a resposta for sim, o que julga possível ser feito para esta integração?
Almy: O FIDESC poderia sim funcionar como uma alternativa de peso. Entretanto, isso só seria real se definíssemos prioridades comuns e atuássemos de forma a atingir tais objetivos. Um Fórum com Instituições tão distintas, e as vezes de interesses diferentes, pode não funcionar se não agir assim.

Nagipe: Sim, acho extremamente oportuna a revitalização do FIDESC, pois a filosofia que pretendemos implementar na UENF, deve contar com um fator fundamental que é a transformação não só da UENF, mas de toda região Norte Fluminense em um grande pólo energético. Atualmente já contamos com a energia advinda do petróleo e seria extremamente sábia para atender uma demanda mundial a introdução do quadro das energias alternativas, como o biodiesel, o biogás, a biomassa de modo geral e também o etanol e o hidrogênio. Entretanto, isto só será viável se houver uma cooperação de todas as instituições superiores da Região e uma conscientização da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Com isso, certamente não faltará investimento na região, disponibilidade de trabalho, assim como a possibilidade de criação de novos cursos de graduação e pós-graduação. Assim o FIDESC pode ser o elo entre essas instituições para um futuro mais promissor de nossa região. O que tem faltado, a nosso ver, é por um lado o diálogo, e por outro a vontade política.

Sérgio Cardoso: Sim, acreditamos que qualquer ação voltada para a criação de parcerias e o estabelecimento de diálogos que visem à melhoria do ensino devem ser estimuladas. Deve haver o compromisso das instituições envolvidas na criação de uma agenda que viabilize o debate de idéias e a proposição de medidas concretas para que uma integração de fato aconteça e que tenha reflexos positivos na sociedade. O sucesso dessas ações será alcançado colocando os interesses da sociedade como prioritários.
Blog: Como avalia a relação da Uenf com a comunidade e o que pretende implementar para ampliar esta relação?
Almy: Certamente precisamos ampliar esta relação. A Comunidade precisa perceber que a UENF é muito importante para o desenvolvimento regional, e vem contribuindo neste sentido, e perceber, principalmente, que os filhos desta terra que ingressam na UENF estão tendo as melhores oportunidades e que estão transformando a realidades de muitas famílias carentes que não tinham perspectivas de qualificação. Ressalta-se que a entrevista citada anteriormente fala que esta região não precisa de Instituição pública de ensino e que os filhos desta região deveriam ir estudar na cidade do Rio de Janeiro.

Nagipe: Achamos que a extensão Universitária é um fator preponderante na integração com a comunidade. Ampliar a política de extensão com a sociedade, buscar a parceria com prefeituras e outras instituições visando a melhoria de vida, a qualificação e a solução de problemas locais é o caminho a ser seguido. Recentemente, inclusive, propusemos um pacote de ações junto à secretaria de saúde da prefeitura de Campos dos Goytacazes, a serem desenvolvidos numa parceria entre a Secretaria de Saúde e O Programa Parasitoses do Norte Fluminense, que coordenamos na UENF e que tem colaboradores da FIOCRUZ e da UERJ, incluindo um pesquisador que é consultor da OMS (Organização Mundial de Saúde).
Sérgio Cardoso: A relação entre a UENF e a comunidade pode e deve ser melhorada. Ações de curto, médio e longo prazo devem ser adotadas tais como: estímulo as atividades artísticas e culturais integrando a Comunidade Universitária com a cidade; maior divulgação dos cursos e oportunidades oferecidos pela UENF; maior participação da UENF junto com a sociedade civil organizada visando a avaliação, revisão e ampliação das ações voltadas para a melhoria do ensino público da Região.
Blog: Apesar de avanços, setores importantes da sociedade ainda consideram a Uenf distante do cotidiano da região. Alguns chegam a afirmar que instituição parece alheia à sociedade e voltada ao academicismo e aos seus próprios interesses. Comente a questão.
Almy: A Universidade existe para atuar, efetivamente, nas transformações necessárias para a melhoria da vida humana. Neste sentido, a UENF vem atuando, e as vezes é pouco compreendida. Ressalta-se que quando a UENF afirma que algo, onde temos o conhecimento científico, está errado ou não vai dar certo, parte da Sociedade nos critica, as vezes “partidariza” nossas ações, por “estarmos atrapalhando”. Foi assim, por exemplo, no Programa Frutificar, tem sido assim quando abordamos questões ambientais, de produção agrícola, de desenvolvimento urbano, entre outras.

Nagipe: Realmente tenho que concordar e lamentar muito, embora considere que já houve um pouco de avanço em relação ao passado. Assim consideramos que uma de nossas principais ações será a de buscar uma maior integração com a comunidade campista. Para começar temos um fato real que é o de colocar a visitação das escolas da região, já a partir de Abril, o PARQUE DE ENERGIAS ALTERNATIVAS da UENF, onde os estudantes serão orientados sobre o papel das energias alternativas, sua transformação em energia elétrica, além das causas e efeitos dos gases poluidores sobre o nosso planeta.

Sérgio Cardoso: A UENF vem enfrentando desde a sua criação problemas estruturais de ordem financeira e política que fazem com que a Comunidade Universitária tenha que se voltar prioritariamente para a solução destes problemas internos. Com a conquista da autonomia administrativa ocorrida em 2002 já notamos um avanço nas relações com a Sociedade Local. Acreditamos que estamos no caminho de uma maior participação e integração da UENF na discussão dos problemas e da realidade da região.
Blog: O funcionamento da Uenf vem se tornando paulatinamente, mais autônomo, em relação ao governo do estado seu mantenedor, porém aparentemente ainda há muitas etapas a serem vencidas. Como qualifica este problema, o quê e como pretende fazer para melhorar este quadro?
Almy: Este é o principal problema da Universidade. Realmente estamos enfrentando dificuldades enormes para nos manter e para ampliar nossas ações. Sem financiamento público para isso fica impossível expandir. Temos como proposta a buscar de mais parcerias, principalmente com Petrobras, Banco do Brasil e Prefeituras Municipais, entre outras, no sentido de ampliarmos nossas ações. Mas isso somente não resolve o problema, o Estado precisa atender nossas reivindicações, principalmente quanto ao custeio, a ampliação do quadro de servidores e a implantação de novos Campi.

Nagipe: Achamos que além do governo devemos buscar outras fontes de financiamento para o desenvolvimento de nossa universidade. Nossa meta principal visa tornar a UENF, autofinanciável. Para isso, estamos com o propósito de dar uma identidade para nossa universidade que seja reconhecida internacionalmente e que seja capaz de trazer para a UENF recursos necessários para a sua consolidação. Atualmente nossa universidade precisa urgentemente de um pavilhão de aulas, um ambulatório, um restaurante universitário com comida a baixo custo para atender principalmente os estudantes. Acreditamos que isso só será possível através de recursos oriundos de empresas privadas e para isso acreditamos que com um projeto de peso e com a colaboração de todos os segmentos de nossa universidade, como é o caso de criar na UENF um pólo de competências energéticas. Convém ressaltar que a participação da Petrobrás em outras universidades, como a UFES, tem sido fator fundamental para seu desenvolvimento.

Sérgio Cardoso: Ampliar os procedimentos e ações necessários para coibir toda e qualquer medida que resulte no indeferimento ao direito pleno e imediatamente fruível da Autonomia Universitária, invocando-se a inconstitucionalidade de tais atos. Consolidar e Ampliar os dispositivos internos e externos de autodeterminação e autonormação que caracterizam a Autonomia Universitária (dentro dos limites da razoabilidade legal de modo a não frustrar outras garantias constitucionais).
Blog: Na área do ensino e da pesquisa liste três prioridades que a sua gestão pretende implementar.
Almy: Na verdade teremos que definir o Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade. Neste sentido, vamos trabalhar junto a Comunidade Universitária e, também, a Comunidade Regional, no sentido de envidarmos esforços para ampliar a oferta de Cursos de Graduação e Pós-Graduação e buscar financiamento para ampliarmos as nossas possibilidades de desenvolvimento científico e tecnológico. Ressalta-se a necessidade de ampliar as ações de Extensão, principal instrumento de interlocução entre o desenvolvimento científico e tecnológico e os benefícios que isso traz a comunidade regional.

Nagipe: Construção de pavilhão de aulas, Criação do núcleo de informática, Pós Graduação em biomassa.
Sérgio Cardoso: Criar novos cursos integrados à realidade do nosso contexto social e consolidar os cursos de graduação presenciais e o ensino à distância. Incentivar a colaboração científica agregando competências na resolução de problemas de interesse para o País. Melhorar a comunicação entre a UENF e a sociedade no sentido de dar maior visibilidade aos resultados de pesquisa e tecnologia gerados na UENF e assim prestar contas à sociedade, que sustenta a Universidade.

Um comentário:

Fábio Siqueira disse...

Olá Liderança,
Apesar do empenho dos três candidatos em suas campanhas e dos programas de gestão expostos para a comunidade acadêmica e campista - inclusive através destas entrevistas neste prestigiado blog - fontes da universidade informam que a campanha que está mesmo bombando na galera da UENF é a de um quarto - e forte - candidato: o "Nulo Bittencourt"! Há, há, há!