sexta-feira, agosto 12, 2016

A Petrobras segue com lucro no 2º T 2016 (mesmo com queda), mas seus resultados estão acima de outras grandes petroleiras

O blog tem insistido que é necessário olhar os números e resultados da Petrobras não apenas em termos absolutos e comparados com seus próprios números, em relação a períodos passados, nos termos que chamamos de série histórica.

Porém, não seria correto deixar observar de forma comparada estes resultados com os das demais petroleiras do mundo, num momento em que todas elas, estão pressionadas pela fase de colapso dos baixos preços do ciclo do petróleo.

Isoladamente, os resultados da Petrobras no 3º trimestre de 2016, divulgados ontem, indicou entre outras coisas, um lucro de R$ 370 milhões (US$ 118 milhões) com um redução (repito, do lucro) de 30%.

Porém, retração dos lucros e até prejuízos aconteceram com os resultados de quase todas as principais petroleiras do mundo. Alguns destes dados podem ser visualizados numa tabela publicada em matéria do Valor, no dia 3 de agosto de 2016, P. B2, cujo título da reportagem foi: "Petróleo cai e afeta lucro das petroleiras". Abaixo republicamos a tabela para ajudar o leitor a analisar outras comparações que o blog faz abaixo com relação aos resultados da Petrobras divulgados ontem:

Assim, em relação ao lucro das seis petroleiras citadas (a inglesa BP, norueguesa Statoil, francesa Total, anglo-holandesa Shell e americanas Chevron e Exxon Mobil), na média eles caíram mais que o dobro da Petrobras em termos percentuais de 73,8%. Repetindo o lucro da Petrobras no 2º Trimestre 2016, em relação a 2015, caiu apenas 30%.

Voltando aos resultados da Petrobras estes indicam que neles estão embutidos duas importantes baixas contábeis: de R$ 1,124 bilhão referente ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e R$ 1,212 bilhão em despesas com o programa de demissão voluntária da estatal.

Ainda em valores absolutos o lucro da Petrobras de R$ 370 milhões (US$ 118 milhões) supera os prejuízos da petroleira Chevron (-1,47 bilhões), da BP (-US$ 1,4 bilhões) e da Statoil com US$ 307 milhões. E o lucro da Petrobras fica atrás do lucro de outras três petroleiras: Total com US$ 2 bilhões, Esso, US$ 1,7 bilhão e Shell US$ 1,1 bilhão.

Assim, vamos à comparação da receita total no trimestre. A receita total da Petrobras foi de R$ 71,2 bilhões (US$ 22,6 bilhões) numa queda de queda de 10,8% perante o mesmo período de 2015, que havia sido de R$ 79,943 bilhões. 

Mais uma vez em termos percentuais, a redução da receita da Petrobras com 10,8% é menor do que a de qualquer uma das seis outras petroleiras cuja redução de receita variou de 16,77% da Total a 32,59% da Statoil.

Em termos de produção de óleo equivalente (petróleo + gás) a produção da Petrobras foi no 2º Trimestre de 2016, foi de 2,133 milhões de barris por dia (+ 1,04% em relação a 2015).

Assim, o crescimento da produção de petróleo, em termos percentuais da Petrobras no 2º trimestre de 2016 comparado a 2015, foi de +1,04, sendo este percentual maior do que os da petroleiras: Chevron (-2,6%), BP (-1%) e Esso (0%); e menor que a da Statoil (4,6%); Total (5,4%) e Shell (28%).

Também ontem com dados da produção média de julho último, a Petrobras informou que atingiu 2,70 milhões barris de óleo equivalente (petróleo + gás) por dia no Brasil, na média do mês de julho, neste caso 28% a mais que no ano anterior. Neste caso, em termos absolutos de volume de produção a Petrobras em termos de produção ficaria atrás somente da Shell e Esso. E em termos percentuais com 28% empatado em 1º (segundo a comparação com estas seis grandes petroleiras) com a Shell.

O endividamento líquido da Petrobras é grande e chegou a R$ 332,39 bilhões no fim do 2º trimestre, mas caiu cerca de 15% (US$ 37 bilhões) diante ante o endividamento do fim do 1º Trimestre de 2016, quando era de R$ 369,4 bilhões, como o blog já havia previsto aqui em nota no dia 5 de julho.

A matéria do Valor não informa sobre as dívidas das demais petroleiras. Porém, segundo a agência de notícias Bloomberg, as dívidas líquidas de ExxonMobil, Shell, BP, Pemex, Chevron e Total somavam US$ 290,6 bilhões ao fim do 1º Trimestre. Ainda segundo a agência neste mesmo período, as dívidas de 15 grandes petroleiras da América do Norte e da Europa cresceram 30%, chegando a US$ 383 bilhões no final do mês de março deste ano.

Por tudo isso, se vê que em meio ao tiroteio que se faz contra a empresa estatal (com objetivos claros), os seus resultados operacionais da Petrobras, em termos de produção e também financeiros estão acima de muitas de outras grandes petroleiras pelo mundo.

Além disso, estes resultados não podem ser analisados de forma descontextualizada sem considerar, especialmente, o porte das reservas que a Petrobras possui, especialmente com o Pré-sal. Estas ajudarão e muito a empresa, numa nova fase de expansão, em outro ciclo petro-econômico.

Resta saber avaliar o que terá restado da estatal até lá diante do fatiamento e do entreguismo, atualmente em curso, na direção da estatal e do governo golpista do país.

3 comentários:

José Antonio Meira da Rocha disse...

É muito importante a atuação deste blog na defesa do patrimônio público brasileiro, principalmente quando traz informações, números e dados para o leitor formar opinião.

Anônimo disse...

No terceiro parágrafo o correto seria lucro do 2°semestre.

Rogério Barreto de Souza disse...

Um rápido levantamento na internet. :
De 1995 a 2013 a Petrobras lucrou 315,2 Bilhões de R$.
Considerando prejuízos de 22 Bi em 2014 e 33 Bi em 2015 temos Um lucro de 260 Bi no período. Isso sem corrigir a inflação. Se corrigir acho que passa de trilhão.