terça-feira, agosto 02, 2016

Produção de petróleo e gás bate novo recorde no Brasil, segundo a ANP: pré-sal já atinge 38%

Em seu boletim mensal de produção de junho, sempre liberado dois meses depois de tabulado junto às empresas, A ANP indicou um novo recorde do Brasil. A produção total de óleo e gás natural no Brasil atingiu o volume de 3,210 milhões de barris de óleo equivalente por dia (BOE/dia) - alta de 3% ante maio e de 7,1% na comparação anual.

Este valor corresponde à produção recorde mensal de 2,558 milhões de barris diários de óleo (2,9% maior que maio de 2016 e 6,8% maior que junho de 2015). Já a produção de gás natural alcançou o volume de 103,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) que representa crescimento de 3,7% em relação a maio de 2016 e 8,4% na comparação com junho do ano passado. O volume de junho superou o recorde de dezembro de 2015, de 100,4 milhões de m³/dia.

A produção nas reservas do pré-sal alcançou o volume total (óleo + gás) de 1,240 milhão de BOE/dia, com aumento de 8,2% em relação a maio. Assim, na produção total, o pré-sal já responde por 38% da produção nacional de óleo e gás no período. Destes, se teve um volume de petróleo de 1 milhão de barris de petróleo por dia e 38,1 milhões de m3/dia de gás natural. 

Na proporção por bacia, a produção da Bacia de Campos juntando petróleo e gás, em junho chegou a 54,5% com 1,705 milhão de boe por dia. Enquanto isto a Bacia de Santos com 1,089 milhão de boed alcançou o percentual de 34%. É bom lembrar que nem todas as reservas do pré-sal são na Bacia de Santos. Em termos de produção só de gás, a Bacia de Santos lidera com 40%, enquanto a Bacia de Campos alcança 27%.

Na distribuição da produção de óleo e gás por concessionário a Petrobras alcançou 2,621 milhões de boepd (81,7%), enquanto as demais petroleiras somadas chegaram a 18,3% liderada. 

Assim, em segundo lugar está a britânica BG, ainda computada pela ANP em separado da Shell que a comprou chegou a 245,4 mil boepd (7,6%). Em terceiro o consórcio Repsol/Sinopec com 73,6 mil boepd (2,3%). 

Se somarmos a produção da Shell com a BG elas já chegam a um produção de 271,4 mil boepd, com 8,5% já avançando para o percentual de 10% da produção de petróleo e gás no Brasil. Confiram abaixo a tabela completa da Distribuição de Petróleo e Gás por concessionário no país. Para ver a tabela em tamanho maior clique sobre ela.

Em meio a estes resultados da Petrobras e das perspectivas de produção de petróleo e gás no Brasil, os entreguistas seguem dispostos a repassar a preços de banana as nossas reservas e todo este potencial, uma verdadeira joia da coroa num crime de "lesa pátria". 




































PS.: Atualizado às 19:28 e 19:33: O blog publica abaixo o comentário e a pergunta do professor José Luiz Viana a respeito do conteúdo da postagem. Por conta da resposta ajudar a aprofundar o assunto e também exigir a postagem de uma imagem, com um gráfico, o que não é possível de ser feito no espaço dos comentários, o blog decidiu trazer estas informações para a capa da postagem:

Comentário do José Luiz Viana às 19:06:
"Roberto, um cálculo importante a fazer seria: embora caindo na participação do total da produção de petróleo no país, a produção de petróleo na Bacia de Campos está caindo, mesmo com a entrada do óleo do pré-sal? Explico: se o peso da produção da Bacia de Campos no total da produção nacional cair, por causa do avanço do óleo da Bacia de Santos, mas a produção permanecer estável e/ou subindo, é possível ter patamares razoáveis de ingresso das rendas, enquanto a lei de redistribuição não for sancionada pelo STF e na medida em que os preços internacionais voltem a rondar patamares em torno de 50 dólares o barril?"

A resposta do blog:
Sim. O aumento geral da produção pode se dar com o aumento da produção na Bacia de Santos e sem que a produção na Bacia de Campos caia. Apenas se mantenha. Basicamente é este o caso. Há um declínio da produção de Campos (em torno de 5%), mas ela é ainda pequena.

Porém, poderá ser ampliada por decisão de contenção de custos e de se privilegiar a produção em campos com maior produtividade, especialmente neste momento da fase de colapso de preço do ciclo petro-econômico.

Eu vou inserir na postagem original, como atualização o seu comentário e esta resposta. Nela vou incluir a imagem de um slide que a Petrobras usou, numa reunião com investidores, no último dia 11 de julho de 2016.

Ela mostra as condições de produção na Bacia de Campos, já apontando para um declínio, embora ainda relativamente pequeno, mas que pode se acentuar. Observe que ela vinha oscilando entre 1,4 milhão de bpd e 1,6 milhões de bpd. Porém, a perfuração dos poços na Bacia de Campos já vinha se acentuando.

Como está relatado nas observações ao lado do gráfico abaixo, as reduções mais acentuadas no 1º Trimestre de 2016 aconteceram por decorrência de paradas pontuais de manutenção, que é bom que seja feito neste momento de baixa do preço do petróleo e também da demanda por derivados no país.

Por último, é ainda importante se lembrar, porque muitas pessoas sabem mais confundem as reservas do pré-sal com a Bacia de Santos. Há produção no pré-sal não apenas nesta bacia, mas em poços da bacias do ES e de Campos. Este é também um dos motivos da confusão.


2 comentários:

Jose Luis Vianna disse...

Roberto, um cálculo importante a fazer seria: embora caindo na participação do total da produção de petróleo no país, a produção de petróleo na Bacia de Campos está caindo, mesmo com a entrada do óleo do pré-sal? Explico: se o peso da produção da Bacia de Campos no total da produção nacional cair, por causa do avanço do óleo da Bacia de Santos, mas a produção permanecer estável e/ou subindo, é possível ter patamares razoáveis de ingresso das rendas, enquanto a lei de redistribuição não for sancionada pelo STF e na medida em que os preços internacionais voltem a rondar patamares em torno de 50 dólares o barril?

Roberto Moraes disse...

Sim. O aumento geral da produção pode se dar com o aumento da produção na Bacia de Santos e sem que a produção na Bacia de Campos caia. Apenas se mantenha. Basicamente é este o caso. Há um declínio da produção de Campos, mas ela é ainda pequena.

Porém, poderá ser ampliada por decisão de contenção de custos e de se privilegiar a produção em campos com maior produtividade, especialmente neste momento da fase de colapso de preço do ciclo petro-econômico.

Eu vou inserir na postagem original, como atualização o seu comentário e esta resposta. Nela vou incluir a imagem de um slide que a Petrobras usou numa reunião com investidores, no último dia 11 de julho de 2016 que mostra as condições de produção na Bacia de Campos.

Por último, é ainda importante se lembrar, porque muitas pessoas sabem mais confundem as reservas do pré-sal com a Bacia de Santos. Há produção no pré-sal não apenas nesta bacia, mas em poços da bacias do ES e de Campos. Este é também um dos motivos da confusão.