sexta-feira, junho 10, 2016

Os questionáveis critérios para a venda (privatização) das partes esquartejadas da Petrobras

As vendas de empresas (chamados de ativos do setor público e da economia mista) são sempre cercadas de questionamentos e "sofisticações" a respeito dos critérios que as norteiam. Os agentes que a controlam deixam transparecer que estes negócios seria coisa de "entendidos", e por isso definidos por "auditores e analistas experientes", todos agentes financeiros e ligados aos "mercados".

São estes agentes que fazem as estimativas de valores e as avaliações. Interessante é que eles não fazem nenhuma questão de esconder as divergências, na maioria das vezes significativas.

Peguemos o caso atual da venda anunciada pela Petrobras de seus terminais de GNL (Gás Natural Liquefeito) junto com as Usinas Termelétricas (UTEs) ligadas a estes terminais, um no Rio e outro no Ceará.
Terminal de GNL na Baía da Guanabara no Rio
Foto Fernanda Ramos. (Site: www.jugularfilmes.com)

O primeiro terminal com capacidade de regaseificar 20 milhões de m³/dia e o segundo com capacidade de 7 milhões de m³/dia.

Na avaliação do analistas do Bank of America Merrill Linch a estimativa é de que estes ativos estejam valendo entre US$ 3,8 bilhões e US$ 6,3 bilhões. O que já é estranho com margens que distanciam quase o dobro, um do outro.

Se já não bastasse, outro forte banco, também ligado ao sistema financeiro global, o J.P. Morgan avaliou que a Petrobras poderá arrecadar entre US$ 1,9 bilhão a US$ 3,7 bilhões, com a venda destes mesmos ativos.

Embora esta última avaliação deixe de fora uma das térmicas, no total de 5 UTEs que seriam (u serão) vendidas, a variação entre os preços que consideram como sendo de mercado é absurdamente grande, entre os analistas. Valores que variam três vezes um de outro, em seus extremos.

Ou seja, por estes parâmetros um valor pago entre US$ 2 bi e US$ 6 bi (ou em reais entre R$ 7 bilhões e R$ 21 bilhões) seria, por estes critérios, normais. Isto, na prática é inaceitável. Um escracho!

O diabo sempre morou nos detalhes. Ou não?

Imagine, apesar das diferenças de negócios e do volume de dinheiro envolvido, mas como exemplo de proporção, talvez se passa fazer uma comparação simples, mesmo que reducionista.

Por exemplo, se você fosse a uma revenda de automóveis e lá um corretor lhe dissesse que seu carro pode valer entre R$ 20 mil e R$ 60 mil para negócio. 

Qual seria sua reação diante disto?

Pois bem, o mercado das grandes transações, localizado na superestrutura dos poderes econômicos, constroem lógicas mentais que pretendem fazer você crer que há "coisas e questões" que você não conhece, e portanto não deve querer se envolver, mesmo que de alguma forma isto esteja ligado a você.

Por muito menos, diversos negócios viraram manchetes na Operação Lava Jato. Em muitos casos, a mídia comercial, com seus interesses construíram narrativas, julgaram, e assim pressionaram as procuradorias e a justiça para que estes confirmassem os abusos das avaliações de vários negócios.

Pois bem, assim, os terminais de GNL e 5 Usinas Térmicas serão privatizadas e vendidas por diferenças de até R$ 14 bilhões.

As informações dão conta por corretores, ligados aos bancos e agentes financeiros, que cinco grupos estrangeiros têm interesse nos negócios. De outro lado, se construiu a narrativa de que é urgente a quitação das dívidas da Petrobras, embora, elas só comecem a vencer no final do ano que vem, quando a realidade pode se diversa da atual fase de colapso do ciclo do petro-econômico.

Quem vai julgar estes valores? Quem vai auditar?

Afinal quem vai autorizar esta lavagem online e diante de nós?

PS.: Fonte das informações sobre as avaliações dos bancos sobre os ativos da Petrobras é a matéria das jornalistas Cláudia Schuffner, Thais Carrança e Camila Maia do Valor, 9 de junho de 2016, P. B3.

PS.: Atualizado às 08/08/2017 para dar o crédito da foto à Fernanda Ramos.

"A maior das crises da indústria petrolífera", por Heitor Scalambrini

O blog recebeu e publica abaixo o artigo de opinião do professor da Universidade Federal de Pernambuco, Heitor Scalambrini Costa. Em resposta ao email dele em que foi enviado eu disse:

Este é um bom debate e faz parte das minhas atuais pesquisas. Por conta delas, eu concordo com a importância da discussão sobre os renováveis, mas considero que num horizonte de pelo menos três a quatro décadas, o carbono com o petróleo, ainda não terá deixado de ser uma mercadoria especial e estratégica no mundo. O que não deve inibir o planejamento dos renováveis, enquanto fonte de energia.

A maior parte do consumo de petróleo no mundo acontece no transporte e não em geração de energia elétrica, onde os renováveis têm conseguido mais avanços mundo afora e mesmo no Brasil. Queria discutir isto via o blog, mas falta tempo para isto.

Enfim, abaixo o artigo.

A maior das crises da indústria petrolífera
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco*

Grandes companhias petrolíferas tem diante de si uma enorme crise em razão de uma conjuntura que combina a queda do preço do petróleo com excesso de oferta, o arrefecimento da economia chinesa – sendo a China o maior  consumidor de petróleo – e o retorno do petróleo iraniano ao mercado. Além da pressão dos acionistas para que o setor se adapte a realidade da vulnerabilidade dos negócios em face das mudança climáticas.

É uma nova crise para entrar na lista das grandes crises da indústria do petróleo com fortes resultados negativos: falências, desemprego e prejuízos, aumentando assim fortemente a insegurança dos investidores na indústria de óleo e gás.

O que se verifica neste contexto é uma movimentação intensa para avaliar e mapear a situação em detalhes, suas consequências, sequelas e apontar soluções que tragam melhores resultados para as companhias de petróleo e gás, prestadoras de serviços e fornecedoras de equipamentos. Existem fortes razões para concluir que as perdas e danos, com a continuidade da volatilidade do preço do petróleo, serão bem maiores na cadeia de fornecedores e prestadores de serviço.

No Brasil, aliados aos problemas da conjuntura internacional, uma crise sem precedente atingiu a principal empresa nacional, a Petrobras. Responsável por uma cadeia produtiva que representa 13% do produto interno brasileiro (PIB) sofreu mais ainda com a desvalorização do real ante o dólar, o que contribuiu para aumentar o endividamento da empresa, e com as descobertas decorrentes da Operação Lava Jato.

Com as atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural no ano de 2013 foram mais de sessenta bilhões de reais de investimentos e 60 mil empregos gerados por estas atividades. No entanto, a partir de 2014, com a reversão do cenário internacional, os problemas de caixa enfrentados pela Petrobras e as mudanças ocorridas no ambiente de negócio da indústria petrolífera nacional provocaram impactos significativos sobre a economia brasileira. A redução do ritmo de investimento na indústria petrolífera, em especial no segmento de E&P, diminuiu drasticamente as variáveis macroeconômicas como o nível de emprego no setor e a geração de renda. Todavia a situação mais dramática da empresa ocorreu em 2015, quando chegou o risco da execução de suas dividas por não ter seu balanço financeiro avalizado.

Hoje a Petrobras passa, segundo seu ex presidente, “por uma recuperação financeira, redesenho organizacional e da gestão e a retomada da credibilidade da empresa”. Contudo pouco se discute no ambito da empresa sua postura com relação ao seu papel nacional e internacional de ter como principal produto de negocio o maior vilão do aquecimento global, o petróleo. Ao contrário, o que mais se discute é a abertura total do mercado de exploração para atrair grandes corporações para a exploração do pré-sal. Ou seja, o entreguismo de um recurso natural estratégico, não como combustivel, mas como insumo para vários setores da economia do futuro.

Para que o governo se alinhe com as preocupações globais com relação a politica do clima é necessário se discutir a transformação/reconversão da companhia em uma empresa de energias renováveis. Respeitando todavia as questões socioambientais em sua plenitude, e colocando sua responsabilidade corporativa, o da maior empresa nacional, como exemplo a ser seguido pela industria brasileira que ainda teima em contrapor preservação ambiental e crescimento econômico.

Neste período sombrio que o pais vive com o conservadorismo em alta, e o que há de mais retrogrado na politica brasileira no comando do governo interino, difícil acreditar que os atuais dirigentes efetivamente levem em conta as mudanças climáticas, e que sejam  consideradas nas politicas públicas. E que a atual direção da Petrobras trilhe o caminho da sustentabilidade. Mas não iremos desistir, pois a luta continua!                                                                                                
____________________________

*    Aposentado desde abril/2015

quinta-feira, junho 09, 2016

Troca de turma de flotel da Petrobras feita ontem no Porto do Açu

Uma fonte informou ao blog que foi realizada ontem, no Porto do Açu, a primeira troca de turma no navio "Aquarius Brasil", flotel que foi rebatizado com o nome de Cidade de Carapebus (embarcação de apoio para hospedagem, uma espécie de hotel flutuante) que presta serviços para a Petrobras.

Normalmente, este tipo de embarcação (flotel) serve para acomodar trabalhadores que realizam manutenção nas plataformas, o que aumenta o contingente de pessoas embarcadas e assim demanda acomodação extra, durante o período que acontece a manutenção.

O flotel Cidade de Carapebus pertence à empresa Pegasus Offshore e presta serviços à Petrobras.

O flotel Cidade de Carapebus é uma unidade que iniciou suas atividades em 2013 e se apresenta com um centro móvel e integrado de gestão e execução do de projetos de instalação e manutenção de ativos offshore. O Cidade de Carapebus oferece oficinas, espaços de armazenamento, escritórios, quartos e áreas de recreação e reuniões e alojamento para até 450 pessoas, incluindo a sua própria tripulação e pessoal de restauração. Está equipado com guindastes junto ao mar, gangway telescópica, logística flutuante e heliponto.

O flotel foi desacoplado da plataforma P-18, que atua no campo de Marlim na Bacia de Campos, às 19 horas da última terça-feira (07/06), chegando ao Porto do Açu às 04:00 da manhã. Atracou às 05:30 de ontem (quarta-feira, 08/06) no terminal da Edison Chouest no Porto do Açu.

A turma de trabalhadores, muitos da empresa Elfe Óleo & Gás Operação e Manutenção S.A, desembarcou, foram vistoriados e em seguida embarcaram em cinco ônibus que os levaram até à Rodoviária do Shopping Estrada, em Campos. 

A turma de trabalhadores que embarcou no flotel Cidade de Carapebus, fizeram a pesagem e vistoria da bagagem no Heliporto do Farol e depois seguiram nos mesmos cinco ônibus para o Porto do Açu, onde a embarcação foi abastecida de combustível, recebeu rancho (alimentação) e água. Partiu ontem (08/06) à noite com destino à P-26, que também atua no campo de Marlim na Bacia de Campos.


O Porto do Açu amplia o Circuito Espacial do Petróleo do ERJ
Este tipo de movimentação de cargas e trabalhadores tende a aumentar no Porto do Açu, mas como se trata de equipes de manutenção, ela não tem a regularidade dos embarques das equipes que atuam de forma permanente nas plataformas e que são transportadas até às mesmas por helicóptero. 

Outro flotel que presta serviços na exploração offshore da empresa GranEnergia também já usou o terminal do Açu. Este tipo de movimentação é característica das bases portuárias de apoio à exploração offshhore. 

Veja aqui postagem do blog em 28 de fevereiro de 2016 "Porto do Açu espicha o "Circuito Espacial do Petróleo" no litoral do ERJ e mira o próximo "ciclo petro-econômico" em que o blog analisa este processo econômico-espacial ligado à exploração de petróleo no litoral fluminense.

A Prumo Logística Global, dona do Porto do Açu que é controladora pelo fundo de investimentos americano EIG, hoje possui além do Terminal 2 (T2), onde está a base de apoio à exploração offshore, extensa área para arrendamento no mesmo terminal que atendem a empresas que fabricam alguns materiais usados nesta atividade (Technip, Nova). Através do Terminal 1 (T1) realiza exportação de minério de ferro, onde também realizará transbordo de óleo, terminal de óleo (T-Oil). Na entrada do T2 possui ainda o terminal Multicargas (TMult). 

Além disso, a Prumo tenta viabilizar acesso à alimentação de gás natural produzidos nas bacias offshore, ou obtê-lo, sob a forma de LNG (gás liquefeito), para reaver a ideia de geração de energia elétrica, através da instalação de uma Usina Termelétrica (UTE).

Assim, a Prumo pensa em efetivamente, colocar em funcionamento, o Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB), fornecendo área, energia e logística para movimentação das cargas, que só será efetivamente ampliada, quando o projeto da ferrovia ligando o Açu, ao litoral do ES, ao Norte e ao Porto de Itaguaí, ao sul, na área metropolitana do ERJ for construída.

A ferrovia oferecerá a multimodalidade de transportes, além da interligação a outros portos, incluindo o de Macaé e, outros centros de cargas da região Sudeste, considerando a ligação do Porto de Itaguaí com o Porto de Santos e ao interior de Minas Gerais. Seguimos conferindo.

O acidente com os ônibus de estudantes em SP: o que há para além dos tristes dramas?

O caso do lamentável acidente com mortos e feridos, com o ônibus de estudantes em SP reflete uma realidade que tem relação com muitas outras regiões do país.

Estou falando do fluxo de jovens entre municípios menores e as cidades polos de ensino superior e técnico. Esta dinâmica dos deslocamentos diários é chamada de movimento pendular.

A nossa região conhece isto de perto. Campos há muito tempo recebe estes fluxos de jovens sedentos por formação de outros municípios.

Inicialmente, este movimento vinha só das cidades vizinhas, em termos de limites geográficos: SJB, SFI, São Fidélis, os nossos santos vizinhos. Depois com a ampliação de Macaé como base da Bacia de Campos, a origem do fluxo de Macaé e região dos Lagos se intensificou.

Assim, chegamos a ter mais de 40% dos alunos de outros municípios na ETFC/Cefet e nas faculdades locais. Hoje, isso vem se alterando, tando na origem dos fluxos, agora mais do Noroeste Fluminense e sul do ES, quanto em intensidade, por conta da criação de graduações nestes outros municípios, entre outros motivos.

Fato é que este movimento pendular para estudo e/ou trabalho, como ocorre neste caso, entre Campos-Macaé, com os petroleiros, é sempre um grande risco, seja por conta das condições das vias e dos ônibus, quanto pelos horários dos deslocamentos.

A expansão das vagas nas instituições públicas e a implantação do ProUni levaram à ampliação das oportunidades de acesso e os jovens querem e têm o direito de estudarem, crescerem intelectualmente e buscarem melhor integração no mundo do trabalho. Tudo isto contribui para este crescimento do movimento pendular.

Este movimento não é ruim, em si. Não é viável ter campus e universidades em todos os municípios. Há alternativas, mas custam. Como alojamentos e alimentação, como acontece nas nações mais ricas. Os nosso jovens também merecem estes direitos.

Assim, estamos diante de desafios que as Políticas Públicas que pensam o cidadão e a Nação devem oferecer. Enquanto isto, o que se assiste é quase que unicamente, o engalfinhamento pelo poder e não para a execução destas políticas.

Refletir, agir e pressionar sobre estas questões, vale mais do que o sensacionalismo das mídias comerciais sobre a desgraça ocorrida, mostrando os lamentáveis dramas pessoais e familiares decorrentes do acidente.

quarta-feira, junho 08, 2016

Energias renováveis na matriz brasileira: realidade e desafios

Segundo a Resenha Energética Brasileira de 2016, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, o peso das energias renováveis na matriz energética brasileira cresceu no ano passado, passando de 39,4% em 2014 para 41,2% em 2015.

Entre as fontes alternativas, o etanol e o bagaço de cana participam 41,1%, hidrelétricas 27,5%; lenha e carvão vegetal 19,9%; biodiesel 2,5% e eólica 1,5%.

Assim, as emissões de CO2 recuaram 4,6% em 2015, proporcionando indicadores de emissões de CO2 bem menores do que a média mundial e dos países desenvolvidos na linha das metas da Cop-21. O fato está ligado à grande produção de energia por fonte hidráulica e ao uso da biomassa (etanol e bagaço de cana).

Estes resultados, mostram avanços na área de energia dos governos Lula e Dilma, a despeito de outros problemas. Há muito espaço ainda para as renováveis do tipo eólica e solar no país. Diversos projetos estão em implantação e poderão limitar em muito o uso da energia de carbono.

Na verdade o problema é o uso do petróleo, não para geração de energia elétrica e sim para o movimento, ou transporte de pessoas e cargas.

A geração de energia elétrica equivale a pouco mais de 6% de todo o consumo de energia do país. No mundo este percentual é um pouco mais que o dobro.

Os transportes representam o nó górdio de toda a área de energia e nada indica que a inovação tecnológica possa conseguir produzir soluções massificadas, num intervalo inferior a três décadas, pelo menos. A conferir!

Mais sobre o petróleo e a Arábia Saudita

Os impactos dos preços do petróleo continuam fazendo a Arábia Saudita, maior exportador mundial, a mexer em sua economia que tem mais de 70% das receitas atreladas a esta mercadoria especial.

Assim, agora, os sauditas também anunciaram cortes nos salários dos funcionários públicos e nos subsídios para políticas públicas.

Pela previsão de seus economistas, a dívida pública da Arábia Saudita deverá aumentar de 7,7% do PIB, para 30% do PIB em 2020. Para ajudara e enfrentar esta realidade, o governo planeja reduzir o peso dos salários dos funcionários públicos de 45% para 40% da despesa até 2020.

O plano Visão 2030 contém programas que pretendem criar 450 mil postos de trabalho no setor privado até 2020 e incentivar indústrias como as ligadas à área de saúde (como fez a Noruega) e duplicar a produção de gás natural, energia mais limpa e até importar gás ou investir na produção de gás no exterior.

Querem ainda aumentar o número de mulheres na força de trabalho total do país que é ainda baixo, saindo de 23% para 28%.

Ainda na questão de gênero, a Arábia Saudita planeja trocar homens por mulheres no serviço público, que assim, sairiam de 39,8% para 42% (aumento modesto); e em trabalhos de gestão de 1,27% para 5%, mais significativa, numa sociedade ainda muito masculinizada, como na maioria dos países do Oriente Médio.

Porém, tudo isso, ainda que com forte simbolismo parece insuficiente para tornar a Arábia Saudita uma sociedade menos estratificada e menos dependente do petróleo.

O objetivo de triplicar as receitas não relacionadas com o petróleo para 530 mil milhões de riais (cerca de 124 mil milhões de euros) é irrisório e mostra o quanto que é difícil sair da maldição mineral, fazendo a tão propalada diversificação econômica, como se comenta aqui no Brasil, entre os nossos municípios petrorrentistas.

O assunto merece ainda um outro comentário, mesmo que breve.

Se a Arábia Saudita faz previsão e e planejamento de sua dívida pública crescerá de 7,7% para 30% do PIB até 2020, é porque estimam que até lá - como também tenho estimado - o preço do barril do petróleo tende a ficar nos patamares atuais, na faixa dos US$ 50 o barril.

No meio de tudo isso a tensão histórica com o Irã segue ampliada e não apenas pelo mercado para colocarem o petróleo que produzem.

De outro lado, a China e parte da Ásia cada vez compram mais petróleo da Rússia e em suas próprias moedas, deixando o petrodólar de lado. Seguimos acompanhando!

terça-feira, junho 07, 2016

Petróleo chega a US$ 51,53: e aí?

O petróleo chegou nesta terça a US$ 51,53, o maior valor de 2016.

A baixa produção da Nigéria com os problemas dos conflitos internos e a sabotagem de oleodutos que geram problemas no escoamento da produção, operadas pela Shell e pela italiana ENI, já reduziram o volume em cerca de 500 mil barris/dia.

A produção no Canadá ainda não foi retomada ao nível anterior, após incêndio florestal de grandes proporções na área das areias betuminosas, da província de Alberta. A redução da produção no Canadá chega a cerca de 800 mil b/d.

Junto com a redução da Nigéria se chega a menos 1,3 milhão de barris por dia, quase equivalente aos 1,5 milhão de barris por dia, de excesso que havia no mercado internacional.

Além disso, colabora para que o preço se estabilize um pouco acima dos US$ 50 o barril, o fato da corporação Baker Hughes importante prestadora de serviços petrolíferos, ter informado na sexta-feira, que o número de plataformas de petróleo contratadas nos EUA ter aumentado em 9 (número muito pequeno, mas significativo). Assim, com um total de 325 plataformas contratadas, pela primeira vez, em três meses seguidos de quedas semanais, o número de contratos deste equipamento cresceu.

De outro lado, a disputa Arábia Saudita com o Irã pelo mercado de petróleo continua intensa. O Irã continua seduzindo importadores com ofertas de outros negócios.

Este foi o caso de aceno ao Brasil, antes das turbulências políticas, em troca de compra casada e grande carros montados no país e até de financiamento e/ou parceria para retomar construção de refinarias no Nordeste. O caso está se repetindo em outras regiões, objetivando retomar nível de produção de antes do bloqueio comercial recentemente suspenso.

Em resposta a Arábia Saudita está oferecendo descontos nos seus preços para alguns importadores da Europa e troca de alguma fidelidade de mercado. A tensão entre Arábia Saudita e Irã dentro da Opep e na região do Oriente Médio continua grande. 

Além disso, a Arábia Saudita informa que está tocando em frente, o seu plano de reforma e transformação nacional da economia - Visão 2030 - em que afirma que pretende reduzir sua dependência do petróleo. 

O preço do barril a US$ 51 não é uma "má ideia" para o Brasil, apesar das intenções entreguistas seguirem em curso com o governo temerário.

Óleo de peroba esconde artimanhas para obtenção do óleo de pedra (petróleo) das nossas reservas do pré-sal

As nomeações para assessoria do Pedro Parente reforçam a especulação sobre a tendência de aproximação dele com a Shell, que demonstra interesses cada vez maiores no Brasil.

O transcurso entre público e privado do Parente é bem conhecido, depois que percorreu caminhos similares depois de trabalhar para FHC.

A hipótese poderia ser uma elucubração irresponsável se não fossem tantos indicativos que cercam os esquemas de interesses do setor de petróleo e o pré-sal brasileiro.

Nesta linha, observemos apenas dois itens de uma matéria de ontem do Valor "Estilo "durão" de Parente fez sucesso na inciativa privada" dos jornalistas Ivone Santana e Fernando Lopes. Duas breves passagens chamam a atenção:

1 - "Ele gosta de ser mentor e espera que as pessoas entreguem o máximo de si". Aprecia também ganhar dinheiro, o que o levou a participar de vários conselhos de empresas e ter sido um dos CEOs mais bem pagos do Brasil, de acordo com pessoas ligadas a ele".

2 - "Ele (Parente) sempre toma atitudes que deem base para outro passo que já tenha planejado para o futuro, pessoas que o conhecem bem disseram acreditar que tenha aceitado presidir a Petrobras,embora não quisesse retornar ao serviço público, porque já tem outro plano adiante. A visibilidade inerente ao comando da Petrobras serviria de trampolim para uma multinacional ou mesmo para se candidatar à presidência do Brasil".

Evidente que a opção é pela primeira, a segunda apenas um disfarce.

A matéria tem como fontes bastidores próximos e talvez, encomenda. Mas, observe como ela se conecta a outras duas informações dos noticiários desta terça-feira.

Hoje, a agência Reuters diz que a Shell vai deixar 10 países para se concentrar no Brasil razão que a fez comprar por US$ 54 bilhões, a petroleira britânica BG, hoje a petroleira estrangeira com maior produção no Brasil.

Também hoje, se tomou conhecimento que Parente chamou para seu principal assessor (sênior) na Petrobras, o ex-presidente da BG no Brasil, Nelson Silva. Ele será encarregado da estratégia de gestão. Entenda-se aí prioridades e definição de áreas a serem vendidas e privatizadas entre outras coisas. Na estrutura abaixo do Nelson Silva, uma gerência executiva de Estratégia e Organização.

Neste caso, alguém do ramo petroleiro ajudará a mostrar os caminhos das pedras, ou do petróleo (óleo de pedra).

Esta matéria do Globo Boston "Brasil venda do século" (veja aqui) que o professor Nilson Lage nos traz se encaixa como uma luva neste xadrez entreguista que está sendo montado. É oportuno recordar que Boston é importante centro financeiro que trabalha interligado à indústria do petróleo dos EUA, no Texas.

Juntar as pontas e peças deste xadrez nos traz evidências de como o óleo de peroba está escondendo os esquemas para um desmonte do óleo de pedra brasileiro.

sábado, junho 04, 2016

A venda da “Joia da coroa” que tem custo de extração no pré-sal a U$ 8 por barril é crime de lesa-pátria!

As notícias oficiais que saem da Petrobras contradizem os discursos do presidente interino da estatal e da República. A empresa segue com resultados excelentes, apesar da sangria dos bandidos.

Num comunicado lançado quase coincidentemente junto da chegada do parente a empresa divulga dados que enchem de orgulho até quem não conhece o setor de petróleo:

1 - Em 10 anos a empresa alcançou a produção de 1 milhão de barris no pré-sal: marca que levou 45 anos para atingir na Bacia de Campos, na exploração offshore a partir da década de 70;

2 - Dos dez poços com maior produção no Brasil, nove estão localizados nessa área. O mais produtivo está localizado no campo de Lula, com uma vazão média diária de 36 mil barris de petróleo.

3 - Veja ao lado o mapa com a localização dos campos e das bacias de Santos e Campos. Abaixo a lista dos poços de maior produção em abril deste ano, segundo boletim da ANP. Dos 15 de maior produção 13 estão na Bacia de Santos. Todos da Petrobras. Uma produção entre 20 mil b/d e 35 mil b/d é extraordinária em qualquer lugar do mundo. Abaixo publicamos em ordem uma lista por produção com o número do poço, o campo, a bacia (Santos ou Campos) e a produção por dia:

1 - 7LL27RJS - Lula – Santos - 35.488 mil barris por dia;
2 - 7JUB34HESS - Jubarte Campos 32.543 mil barris por dia;
3 - 9LL12DRJS - Lula Santos 32.197 4 mil barris por dia;
4 - 7SPH5SPS - Sapinhoá Santos - 31.335 mil barris por dia:
5 - 9LL2RJS - Lula - 31.071 mil barris por dia;
6 - 7SPH7DSPS - Sapinhoá Santos 30.954 mil barris por dia;
7 - 7SPH6SPS - Sapinhoá Santos - 30.942 mil barris por dia;
8 - 9LL20DRJS - Lula - Santos - 30.789 mil barris por dia;
9 - 7SPH1SPS - Sapinhoá - Santos - 30.789 mil barris por dia;
10 - 9LL6ARJS - Lula - Santos - 29.062 mil barris por dia;
11 - 7SPH2DSPS - Sapinhoá - Santos - 27.851 mil barris por dia;
12 - 7SPH4DSPS - Sapinhoá - Santos - 27.403 mil barris por dia;
13 - 7SPH8SPS - Sapinhoá - Santos - 25.677 mil barris por dia;
14 - 7JUB57DPAESS - Jubarte - Campos - 22.984 mil barris por dia;
15 3BRSA788SPS - Sapinhoá - Santos - 21.990 mil barris por dia;

4 – A estrutura instalada no Pré-sal: Nestas reservas já operam sete sistemas de produção de grande porte, interligados a plataformas flutuantes que produzem, estocam e exportam petróleo e gás. São os FPSOs Cidade de Angra dos Reis (em operação desde 2010, no campo de Lula); Cidade de São Paulo (2013 – campo de Sapinhoá); Cidade de Paraty (2013 - campo de Lula); Cidade de Mangaratiba (2014 – campo de Lula, área de Iracema Sul); Cidade de Ilhabela (2014 – campo de Sapinhoá, área Norte)Cidade de Itaguaí (2015 – campo de Lula, área de Iracema Norte); e Cidade de Maricá (2016 – campo de Lula, área de Lula Alto).

5 – A melhor notícia
O custo médio de extração, em decorrência desses fatores, também vem sendo reduzido gradativamente ao longo dos últimos anos. Passou de US$ 9,1 por barril de óleo equivalente (óleo + gás) em 2014, para US$ 8,3 em 2015, e atingiu um valor inferior a US$ 8 por barril no primeiro trimestre deste ano. Um resultado bastante significativo, se comparado com a média da indústria, que oscila em torno dos US$ 15 por barril de óleo equivalente. 

Os custos de investimentos nessa fronteira também estão sendo reduzidos, em decorrência da alta produtividade dos reservatórios, o que tem exigido menor número de poços por sistema de produção. Além disso, a melhoria da eficiência na construção de poços permite uma expressiva redução no tempo de perfuração e completação. A combinação desses fatores tem garantindo uma redução importante nos investimentos dos projetos em implantação e aumentado a sua rentabilidade. Como exemplo, o tempo médio para construção de um poço marítimo no pré-sal da Bacia de Santos era, até 2010, de aproximadamente 310 dias. Em 2015, esse tempo baixou para 128 dias e nos primeiros cinco meses deste ano para cerca de 89 dias. A redução obtida na duração total dos poços entre 2010 e 2016 foi de 71%.

6 – O que vem pela frente
No início do terceiro trimestre deste ano entrará em operação, também, na Bacia de Santos, um novo sistema de produção, interligado ao FPSO Cidade de Saquarema, a ser instalado no campo de Lula, área de Lula Central. Essa plataforma terá capacidade para processar até 150 mil bpd de petróleo e comprimir 6 milhões de metros cúbicos de gás. Outro grande sistema, conectado ao FPSO Cidade de Caraguatatuba, será instalado no campo de Lapa, ainda no terceiro trimestre deste ano, com capacidade para produzir até 100 mil bpd de petróleo e comprimir até 5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Até 2020, estão previstos 12 novos sistemas de produção no pré-sal da Bacia de Santos.

Conclusão e lesa-pátria:
Os dados são extraordinários a despeito de todos os problemas. Especialmente aqueles sobre os custos de extração e US$ 8 por barril no item 5.

Com estes custos divulgados pela Petrobras valores são básicos, sem os valores dos royalties e PE, os gastos para escoamento e nem os custos do dinheiro do investimentos para a produção. Só para efeito do comparação, os menores custos de extração de petróleo do mundo são da Arábia Saudita, com poços em terra e a baixa profundidade que fica entre US$ 4 e US$ 5 por barril. Assim, tirar petróleo no mar a mais de 200 km do litoral e grande profundidade, de 4 mil, 5 mil ou mais metros de profundidade é um colosso.

É simplesmente isto que o Parente, o Serra e o Temer querem entregar, abrindo mão que a Petrobras seja operadora única com 30%. E ainda pretende fatiar a Transpetro, para vender os a malha de dutos, assim como parte da estrutura de gás como comentamos em nota aqui no dia 02/06. Crime de lesa-pátria!

sexta-feira, junho 03, 2016

Fusão entre Estácio e Kroton oligopoliza ainda mais o ensino superior privado no Brasil e ao mesmo tempo realça a maior contradição do sistema

Entre as várias contradições do capitalismo, a mais evidente e sempre atual, é a que defende o "livre mercado" e a "competição" e ao mesmo tempo atua de forma feroz e avassaladora em direção à oligopolização, através do processo de fusões e aquisições, entre as empresas do mesmo setor.

Na prática, as fusões e aquisições reduzem, ou eliminam a competição. Acabam com o tal "livre mercado", concentrando-o em poucos operadores. Os órgãos dito reguladores, têm sido frágeis para deter este processo que é parte intrínseca do sistema.

Com frequência, eu tenho divulgado aqui e no meu blog, o caso das milhares de aquisições, nos últimos dois anos, entre as empresas do setor petróleo e gás, em todo o mundo.

A concentração deste setor é absurda e chega a envolver negócios com fusões da ordem de US$ 1,2 trilhão. Isto reduz a quantidade de empresas levando a uma aumento dos preços que as mesmas passam a praticar num mercado com poucos e olipolizados operadores.

No meu blog, eu tenho também acompanhado com constância anual, desde 2011, os relatórios administrativos do grupo Estácio, deste que esta universidade se transformou em empresa com ações e bolsas.

Os lucros crescentes e extraordinários da Estácio, sempre vieram acompanhados das informações sobre a aquisições de faculdades menores em boa parte do Brasil. Lucros da ordem de 25%, obtidos em boa parte sobre ofertas restritas de condições para uma boa e efetiva educação.

Assim, a oligopolização (que busca mesmo que a título de objetivos) o monopólio para figurar sozinho no mercado avança em diferentes setores, mercados e nações mundo afora.

Foi desta forma, que todos recebemos a informação que os dois maiores grupos privados que atuam no ensino superior do Brasil, o Kroton (Anhanguera e Positivo) e a Estácio estão preparando um processo de fusão no Brasil.

Imaginem.

A junção representará:
1) Um universo de 1,6 milhão de alunos;
2) R$ 8 bilhões de receitas e R$ 2 bilhões de lucro (25%) e um valor de R$ 21,7 bilhões de mercado;
3) Um percentual de 23,5% do mercado total de alunos de ensino superior, sendo 47,7% de Ead (Ensino à Distância).

É uma concentração absurda e que, evidentemente, trará prejuízos aos alunos e à sociedade, com a busca de produtividade que a medida tende a promover, com dispensa de funcionários, mais alunos por turma, misto de aulas por vídeo e as presenciais, quase inexistência de programas de pesquisa e extensão, etc.

O caso desta nova e maior concentração não devera caber apenas ao Cade (órgão do Ministério da Fazenda que cuida da concorrência), mas ao MEC, por conta dos benefícios que estas empresas recebem via o financiamento de alunos pelo FIES e ProUni. Quem ganha com isto? Ontem as ações da duas subiram, num só dia mais de 10%. E os alunos?

Com este governo interino e temerário, alguém tem dúvida sobre a favor de que lado serão as decisões, entre os interesses econômicos destes poderosos grupos e do outro lado, a sociedade e os alunos?

Com a palavra os defensores do livre mercado.

quinta-feira, junho 02, 2016

Parente, o estripador prepara entrega dos ativos estratégicos da Petrobras

Não há quem não se recorde do filme Jack, o Estripador. Uma história “americana de suspense" em que um serial killer que dividia e liquidava suas vítimas em partes. Quanta coincidência!

O novo presidente da Petrobras, do governo interino e temerário, Pedro Parente, chega dos EUA, adentra à empresa e anuncia à toque de caixa, a ampliação do fatiamento da Petrobras para a venda, ou para a entrega de suas subsidiárias, num processo que o mercado a quem representa prefere denominar como "desinvestimentos através das vendas dos ativos".

A escolha do momento é a Transpetro e a Petrobras Logística de Gás S.A.

São empresa rentabilíssimas, a despeito dos atuais baixos preços do petróleo. Em 2015, a Transpetro repassou à holding Petrobras um lucro de R$ 1,2 bilhão. Ela possui e opera a área de dutos e terminais que foi responsável por 78% da receita operacional da subsidiária no valor de R$ 6,5 bilhões.

A Petrobras Logística de Gás S.A. possui hoje cerca de 14 mil km de dutos, sendo a parte de maior valor e movimento de óleo e gás (oleodutos e gasodutos) a Malha Sudeste, onde se dá a maior parte da exploração e consumo de derivados no Brasil.
Terminal de Petróleo da Transpetro em Barueri, SP


Estes pipelines (oleodutos e gasodutos) interligam refinarias e terminais aos principais centros consumidores, além de 49 terminais de armazenamento, entre os terrestres e os aquaviários, que operam a movimentação de carga e descarga de petróleo, gás e derivados. A Transpetro atua ainda na área de serviços marítimos, a companhia administra frota de 55 navios.

Na fase atual dos ciclos do petróleo, é fundamental para as estratégias das empresas petrolíferas atuarem de forma integrada, como faz até aqui a Petrobras, com atuação do poço ao posto. No meio deste processo entre exploração/produção – circulação – consumo, a atividade de logística (circulação) é efetivamente a mais estratégica para a empresa.

De forma similar ao corpo humano, a atividade de circulação desta cadeia produtiva funciona como o sistema circulatório que leva o sangue do coração (poço) a todo o corpo. Isto ajuda a demonstra o papel e valor estratégicos, além do potencial de lucros da atividade. Com ela, se pode controlar, tarifas, a movimentação e o fluxo desta mercadoria especial que é o petróleo.

Junto com esta atividade estratégica, as partes dividas da Petrobras para serem entregues, envolvem ainda outro "ativo" importante que é o ligado ao gás natural. Ele ganhou importância seja pelo seu menor poder poluente, mas também pela tecnologia relativamente recente - mesmo que ainda bastante cara - usadas em plantas industriais para a sua liquefação (transformação em líquido).

Assim, sob a forma de LNG (ou GNL, Gás Natural Liquefeito) o seu transporte passou a ser viabilizado por navios e não apenas por gasodutos, como ocorria até então. Desta forma, ao chegar próximo ao consumo, o GNL é regaseificado, muitas vezes, em plantas existentes no próprio navio responsável pelo transporte, para ser usado em geração de energia ou outros usos após distribuição. 

Como se pode ver a escolha estratégica dos dois setores para serem vendidos mostra uma coerência e uma articulação de complementação de negócios que interessa ao mercado e desintegra mortalmente, a Petrobras.

O gás natural possui um enorme potencial de produção no Brasil, a ponto do Brasil já poder dispensar o gás vindo da Bolívia, cujo contrato está prestes a se encerrar. A produção de gás natural no Pré-sal, já em curso é colossal, além do que ainda entrará em produção quando o campo de Libra estiver produzindo.

Além disso e bem melhor, o gás natural não pressiona a questão ambiental pelo seu menor poder poluente. É oportuno dizer que este foi um dos principais motivos que fez a Shell comprar a petroleira britânica BG, no ano passado por US$ 53 bilhões.

A aquisição se deu basicamente, por conta dos ativos que a BG possui nos campos no pré-sal brasileiro, além de já ser desde o ano passado a petroleira estrangeira com maior produção de petróleo equivalente no Brasil. A Shell tem como estratégia global ampliar sua atuação com gás natural.

Não por coincidência a Shell está se estruturando em Macaé, onde se diz que poderá vir a ocupar um prédio que até há poucos dias atendia à Petrobras no município.

É possível que nestes “desinvestimentos”, novo nome para a privatização e venda de empresas públicas, ou de economia mista, como a Petrobras, possa ser incluído o TUP de Imbetiba, em Macaé.

O Terminal de Uso Privado de Imbetiba atua como base portuária de apoio às explorações offshore de petróleo, em boa parte do litoral brasileiro e é parte do patrimônio da estatal e se junta a outros terminais terrestres e aquaviários que armazenam e movimentam óleo cru, gás natural e derivados de petróleo, onde estão todas reservas brasileiras.

Não é preciso ser especialista para ver a lógica que há por trás destas intenções já anunciadas no primeiro dia do Parente na Petrobras.

Não por coincidência, a americana Chevron se articula para ter uma nova base de operações portuárias na região, apensar de hoje, só operar os campos do Frade, ao lado do campo de Roncador, ao lado do campo de Roncador, na frente do porto do Açu e o campo de Papa-Terra, também na bacia de Campos, na direção de Cabo Frio.

A entrega dos ativos estratégicos ligados à etapa de circulação e logística e gás natural hoje de posse da Petrobras, sob o argumento de redução das dívidas da estatal é um crime de lesa-pátria ainda mais grave do que aquele que foi feito com a entrega pelo governo FHC com a Vale do Rio do Doce.

As dívidas da estatal, embora grandes porque cresceram com a correção cambial e os grandes projetos que vinham sendo tocados até que a fase de colapso do “ciclo petro-econômico” se iniciasse no segundo semestre de 2014, estão razoavelmente administradas até 2017.

Há bom volume de dinheiro em caixa. Por isso não há nenhum motivo para esta sanha entreguista e irresponsável de partes da maior empresa da América Latina.

Não creio que a nossa Nação assistirá este processo sem reagir. A ultraliberalização do governo interino e temerário, ultrapassou todos os limites, já não aceitáveis dos governos liberais da era FHC-1 e FHC-2. 

A venda de partes da empresa na fase de baixa do ciclo do petróleo é um absurdo. Um novo ciclo petróleo, mesmo que leve ainda mais três ou quatro anos, para atingir uma nova fase de expansão, tem que ser considerada por quem, minimamente, pensa a Nação.

PS.: Atualizado às 10:15 de 03/06: para corrigir o primeiro nome do Parente. 

quarta-feira, junho 01, 2016

Prefeitura de Campos economiza R$ 142 milhões com apoio do MCMV do governo federal na construção de habitações populares

A Prefeitura de Campos inaugurou recentemente mais uma etapa do seu projeto de moradia popular Morar Feliz, no bairro do Parque Santa Rosa, localizado em Guarus que possui um total de 600 casas.

O projeto é o mais amplo projeto de habitação popular que o município de Campos dos Goytacazes já teve com um total de 6.700 unidades. Apesar dos problemas de qualidade da construção de muitas unidades e dos custos questionáveis da maioria dos projetos, ele possui um atendimento mais amplo, do que os vinte conjuntos habitacionais construídos, nas últimas duas décadas no município.

O Morar Feliz construiu moradias nas áreas urbanas, em bairros periféricos e do interior num total de de quase trinta comunidades atendidas, desde o ano 2008. A maior parte dos custos foi bancada com recursos da própria prefeitura, através das dotações oriundas das receitas dos royalties do petróleo.

Do total dos projetos, três deles foram bancados pelo governo federal, no mandato da presidenta Dilma, dentro do programa "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV), num total de 2.066 unidades habitacionais, equivalente a cerca de um terço (32%) de todo o projeto da Prefeitura de Campos.

Inclui-se nesta conta, além das 600 unidades do Parque Santa Rosa, outras 570 unidades do bairro de Donana e outras 896 unidades do Jardim Aeroporto.

Unidades habitacionais do Parque Santa Rosa.
Foto Rodolfo Lins, portal da PMCG 
Segundo informações divulgadas pela própria PMCG, os custos das unidades habitacionais do Parque Santa Rosa saiu a R$ 75 mil reais, cada casa. Deste valor total, o governo federal bancou 92%, equivalentes R$ 69 mil, através da Caixa Econômica Federal.

Os 8% restantes, equivalentes a R$ 6 mil, pelo programa seriam pagos pelos próprios moradores, com prestações que variariam de 25 a R$ 80, conforme a renda, por um período de 12 anos.

Pelos critérios do governo federal os contemplados no Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) os contemplados seriam moradores de área consideradas como de risco, ter algum portador de necessidades especiais e possuir renda familiar de até R$ 1.600,00. O valor cobrado pela Caixa Econômica é de 5% sob a renda familiar.

Porém, a prefeitura decidiu bancar esta parte sentando os moradores de qualquer pagamento, mesmo que eles tivessem apresentado rendas na inscrição do programa. Desta forma, no caso das unidades do Morar Feliz no Parque Santa Rosa, o governo federal arcou com R$ 41,4 milhões e a PMCG com apenas R$ 3,6 milhões.

Se for computado o mesmo preço pelas unidades habitacionais do Santa Rosa, para os conjuntos de Donana com 570 unidades e do Jardim Aeroporto com 896 unidades, é possível se chegar à conta que o governo federal bancou mais R$ 101,1 milhões e a PMCG R$ 8,8 milhões.

Assim, é também possível contabilizar que com os três conjuntos habitacionais feitos com recursos do projeto do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que custaram um total de cerca de R$ 155 milhões, o governo federal, bancou R$ 142,5 milhões e a PMCG, apenas R$ 12,4 milhões.

Desta forma, pode-se deduzir que o governo federal bancou a construção de cerca de 32% dos gastos pela construção das 6.700 unidades habitacionais nos últimos anos no município de Campos, certamente, um dos maiores investimentos em cidade de porte médio com esta inciativa no Brasil.

Se não tivesse contado com o apoio do governo federal, a Prefeitura de Campos, apenas com estes três conjuntos e um total de 2.066 unidades teria que ter arcado com mais R$ 142 milhões.

Numa época em que já se vê cortes violentos nas áreas sociais, por parte do governo interino que assumiu após o impeachment (golpe) contra a presidenta Dilma, este significativo investimento, importante para a população de menor renda merece destaque.

Mesmo que tenha sido comentado, a grande maioria da população desconhece esta participação do governo federal no financiamento do projeto de moradia popular no município de Campos dos Goytacazes.

terça-feira, maio 31, 2016

Fusões e aquisições no setor petróleo deve atingir U$ 1,2 trilhão no período 2014-2016

As informações são de três diferentes consultorias e demonstram, como já comentamos aqui, por mais de uma vez, como a fase de colapso do "ciclo petro-econômico" abre espaços para esta movimentação que faz crescer a oligopolização, no setor de petróleo e gás em todo o mundo.

A previsão para 2016 é que ainda aconteçam negócios de fusão que envolva a quantia de US$ 285 bilhões entre empresas produtoras, fornecedoras, transportadoras e outras da cadeia de extração e beneficiamento de petróleo no mundo.

Uma das novas aquisições cogitadas é entre as petroleiras americanas Esso-Mobil e a Anadarko em transação estimada no valor de US$ 31 bilhões.

Somando esta previsão para negócios neste 2016, com as outras 3.229 fusões que ocorreram entre 2014 e 2015, movimentando cerca de US$ 950 bilhões, se chega á colossal quantia de US$ 1,235 trilhão em todo o mundo.

Diante desta realidade, ainda há quem insista em não querer compreender como o Brasil foi enlaçado no controle e uso de suas reservas de petróleo e também no aniquilamento de qualquer projeto de agregação de valor à nossa indústria, objetivando incluí-la na cadeia global de valor do setor de petróleo, por exemplo, com a Política de Conteúdo Local (PCL), colocada em ação pelo governo federal, através do Ministério da Minas e Energia e Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Ou seja, enquanto no mundo as empresas e o capital dos fundos financeiros forçam os oligopólios, pasmem os senhores, por aqui, as federações das indústrias, em especial, a Firjan e Fiesp, são os porta-vozes que detonam a Política de Conteúdo Local (PCL) que visa valorizar a indústria nacional e impedir uma ação deletéria destes oligopólios, numa cadeia produtiva já tradicionalmente global e hierarquizada.

Convite IX Feira de Responsabilidade Social e Empresarial da Bacia de Campos, em Macaé

Atendendo à solicitação do Martinho Santafé, o blog publica abaixo o convite para mais uma Feira de Responsabilidade Social da Bacia de Campos. Ela foi transferida e acontecerá agora, nos dias 14, 15 e 16 de junho, das 14 às 21 horas, no Clube Cidade do Sol, em Macaé.

Clique aqui e veja a programação completa do Fórum de debates que acontece junto da feira.

sexta-feira, maio 27, 2016

Quem paga o pato dos rentistas?

Se alguém ainda tinha dúvidas que as duas federações da indústria, de SP (Fiesp) e do Rio (Firjan) não mais tratam de interesses do setor produtivo e sim do rentismo, eu trago mais uma prova, para além do fato de que seus dois presidentes há muito tempo não são mais industriais, embora ainda representem o setor e nesta condição seguem apoiando o golpe.

Na quarta-feira (25/06), no caderno sobre Finanças, no jornal Valor, P, C1, matéria: "Receita quer que dinheiro já gasto fora seja declarado" está informado que horas antes da Receita colocar em seu site os esclarecimentos sobre esta regularização, a Fiesp reuniu, sob o comando do seu presidente, Paulo Skaf com um grupo de 15 tributaristas para discutir a lei 13.254 que permite que contribuintes com dinheiro no exterior não declarado regularizem sua situação até 31 de outubro.

Vejam vocês. O que uma federação ligada à indústria e à produção tem de interesses sobre esta questão financeira e tributária de quem tem dinheiro no exterior não declarado?

A reportagem diz ainda que ao final da reunião da Fiesp decidiu-se que um novo encontro ocorrerá na terça-feira com um técnico da Receita e que ao fim a Fiesp redigirá um documento com sugestões para a normatização. E pasmem, diz mais: "A liderança de Paulo Skaf na discussão do tema mobiliza o Palácio do Planalto para que a Receita encontre uma solução de consenso. Skaf foi o empresário mais ativamente envolvido no apoio ao impeachment da presidente afastada Dilma Roussef".

Assim, se vê que além dos esquemas dos velhos políticos do PMDB que querem fugir das investigações policiais, o impeachment serve a que os rentistas e a elite financeira se apropriem do poder para fazer valer seus interesses. Esta turma não pensa a Nação. Querem entregá-la e sugar com o rentismo despudorado tudo o que tiver pela frente.

Você não verá nenhum "colonista" econômico, ligado aos bancos analisando este fato e relacionando-o ao que temos assistido na política brasileira com reflexos sobre a economia.

Federações de indústria defendendo o rentismo descaradamente. O que esperar desta turma que no passado queria juros baixos para produzir e auferir os seus lucros? Quem paga o pato?

Novo FPSO na Bacia de Santos vai garantir mais 150 mil barris de petróleo de produção no pré-sal

FPSO Cidade de Saquarema (foto: divulgação)
A plataforma flutuante (tipo FPSO) Cidade de Saquarema deixou no domingo (22/05), o estaleiro Brasa, em Niterói, para ser instalada no campo de Lula, na reserva do pré-sal da Bacia de Santos.

O FPSO tem capacidade para extrair 150 mil barris de petróleo por dia e comprimir cerca de 6 milhões de m³/dia de gás natural e pertence ao consórcio liderado pela SBM (56%), em parceira com Mitsubishi (20%), NYK (19%) e Queiroz Galvão (QGOG, 5%). 

A empresa holandesa SBM Offshore possui outras seis plataformas operando no Brasil. O FPSO Cidade de Saquarema teve seus módulos integrados ao casco no estaleiro Brasa, desde dezembro de 2015.

Assim, a produção no pré-sal aumentará ainda mais, em relação à produção total offshore no Brasil.

A produção do FPSO Cidade de Saquarema terá relação com a região Norte Fluminense, porque há previsão de que sua produção de gás seja conectado ao gasoduto Rota 2, neste segundo semestre. Desta forma, vai alimentar a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB) instalada em Macaé. Sobre o gasoduto leia aqui postagem do blog em 15 de maio de 2016.

quinta-feira, maio 26, 2016

O petróleo chegou a US$ 50. O que isto quer dizer? E o Brasil neste cenário?

O petróleo hoje chegou a US$ 50 o barril. Aliás, passou e esteve a US$ 50,42. O maior preço no período dos últimos sete meses.

Porém, também oscilou para US$ 49,29. Agora às 14 horas está a US$ 49,84, no mercado internacional, onde não há feriado.

Estas grandes oscilações refletem diversas informações e também especulações. Queda maior que o previsto dos estoques de petróleo nos EUA, redução da produção na Nigéria, Líbia e também nos EUA.

Ao contrário do que muitos podem imaginar isto pode não se manter. O patamar dos US$ 50, o barril, é o ponto em que a produção de xisto (shale) nos EUA volta a ser interessante para que os produtores retomem suas produções.

O mesmo acontece com outros produtores chamados de marginais, que são aqueles que possuem altos custos de extração.

Assim, o que se passa neste momento do ciclo petro-econômico deve ser observado, porque, de certa forma, a produção de petróleo e gás do xisto americano, na prática, tende a ser no momento atual regulador da produção e dos preços no mercado mundial.

A produção de petróleo nos países da Opep está subindo, especialmente na Arábia Saudita, onde se estima que possa passar dos 11 milhões de barris por dia e no Irã, que segue aumentando sua produção, depois da suspensão do bloqueio contra o país.

A reunião da Opep prevista agora para os primeiros dias de junho, não deve ter resultado positivo, sobre acordo para limitação da produção, para estabilizar o preço nesta faixa.

Esta faixa de preço, em torno dos US$ 50, não é ruim para países como o Brasil, especialmente, por conta do potencial e da produção real, já em desenvolvimento.

De outro lado, o quadro reforça uma hipótese, que venho defendendo, que no presente e futuro imediato - de até dois ou três anos - o valor do barril de petróleo oscile entre US$ 40 e US$ 50. A não ser o espoucar de um conflito regional entre produtores, o que não é difícil de ocorrer diante das instabilidades.

Porém, o cenário após 2019 e 2020 está ficando cada vez mais claro, diante da redução das reservas e dos trabalhos de exploração/perfuração para a sua busca.

Só estudando o ciclo petro-econômico em suas várias dimensões e não apenas a econômica, mas espacial, política, geopolítica é possível intuir e melhor interpretar esta dinâmica.

É neste cenário que afirmo que o potencial brasileiro neste setor é um dos motivos dos problemas políticos que vivemos.

Quando da real descoberta do potencial das reservas do pré-sal já se falava abertamente, que para o bem e/ou para o mal, o Brasil tinha entrado na rota da geopolítica da energia e de forma irremediável.

Negar este fato é sofrer as consequências, sem se se planejar, como deveria, para simultaneamente, aproveitar os bônus e evitar os ônus desta colossal descoberta. Seguimos acompanhando.

terça-feira, maio 24, 2016

O desmonte e a entrega das rendas petrolíferas do Brasil

O setor de petróleo é um dos eixos claros de intervenção do governo temerário-golpista. Ele evidencia a dimensão geopolítica da trama midiático-jurídica-parlamentar do golpe, e clarifica as ações que a aliança tucano-pemedebista oferece, assumindo sua incondicional subordinação e dependência que tenta anular nossa antiga luta pela soberania nacional.

Assim, o governo temerário anunciou hoje pela manhã, sua disposição em acabar com o Fundo Soberano que tem recursos gerados pelas rendas petrolíferas do país.

O Fundo Soberano já acumula mais de R$ 2 bilhões e começava a crescer. Ele visava transferir para a população os recursos das nossas riquezas minerais para ser utilizado em serviços de educação e suplementarmente com saúde para o povo. 

É histórico em todo o mundo a disputa pela renda petrolífera entre o Estado e as empresas. Impostos, royalties, outorgas, fundo soberano são formas e instrumentos tributários e de regulação para dividir com a população, os dividendos gerados pela extração da riqueza inter-geracional.

Eles são tão ou mais importantes que o patrimônio sobre os ativos petrolíferos descobertos e transformados em reservas. Reduzir a regulação, abrir mão destes fundos é facilitar o lucro das petroleiras operadoras da extração, em detrimento do Estado que precisa cumprir o seu papel de viabilização dos direitos e bem-estar da sua população.

A decisão do governo temerário de meter a mão nestes recursos para pagar déficits é o início do fim das obrigações constitucionais em favor dos direitos sociais dos cidadãos. 

O próximo passo é acabar com o regime de partilha, mais adequado para áreas como a do pré-sal de grande e conhecido potencial; repassar os ativos das reservas de petróleo; reduzir ao máximo as exigências de regulação, entre elas, a Política de Conteúdo Local (PCL), etc.

O entreguismo segue sem nenhum pudor o ritmo do governo golpista. Agora, a elite econômica, volta para o seu esporte preferido: entregar as riquezas e viver de rendas ficar com um percentual do que for entregue.

Seguem o script ao acabar com o fundo soberano porque já decidiram repassar os ativos e as rendas petrolíferas para os gringos. Serra e a elite paulista, por trás do vazamento da Folha, seguem sua escaramuça para entregar à Chevron, o prometido.

segunda-feira, maio 23, 2016

"Há mais de 60 anos não se descobre tão pouco petróleo"

O título da reportagem é do portal "Sábado" de Portugal que transcrevemos abaixo e reproduz avaliação do banco Morgan Stanley que atua fortemente no setor de petróleo que usam dados da respeitada consultoria norueguesa Rystad Energy, cujos relatórios acompanho com frequência.

O texto aponta aquilo que nos aguarda para o próximo ciclo petro-econômico, considerando que estamos na fase de colapso do ciclo que está se encerrando.

Assim, este nunca seria o momento de vender os ativos de qualquer forma e a qualquer preço, como querem os entreguistas. A avaliação é do banco Morgan Stanley que conhece o setor, seus riscos e oportunidades e tem histórico de investimentos no setor:

"Dois terços da demanda atual só podem ser satisfeitos através de campos em produção ou que já se encontram em desenvolvimento", como é o caso das nossas colossais reservas dos campos da área do Pré-sal.

A matéria diz textualmente que há 63 anos não se descobre tão pouco petróleo. 

Pois bem, aí está o grande desafio, quase uma contradição. O setor precisa de mais investimentos para descobrir novos campos ou reservas, com menos investimentos, por conta da contenção de investimentos devido as baixas receitas decorrentes dos baixos preços. Haverá necessidade de capitalizações para sustentar as dívidas para investir no desenvolvimento destas áreas promissoras.

Vou mais longe, ao estudar mais fontes sobre o assunto. São raras as hipóteses de descobertas de tanto volume, neste período seguinte em que o petróleo ainda será muito importante na matriz energética mundial, apesar das decisões da Cop-21.

Daí que sair entregando tudo neste momento da fase de baixa do ciclo, é não apenas um imenso equívoco, mas um crime de lesa-pátria considerando tratar-se de um bem inter-geracional. 
Os grifos são do blog:

"Há mais de 60 anos que não se descobria tão pouco petróleo"
"Tanto nos EUA como no resto do mundo, a descoberta de novas jazidas de ouro negro ficou em mínimos de 63 anos. A prazo, a travagem na descoberta pode abrir um gap entre procura e oferta, alerta o Morgan Stanley".


Por Paulo Zacarias Gomes - Jornal de Negócios

"As descobertas de petróleo travaram a fundo no ano passado, com 2015 a ser o ano em que menos jazidas foram detectadas desde 1952.

Segundo as contas de analistas do Morgan Stanley citando a Rystad Energy, divulgadas esta segunda-feira, 23 de Maio, foram descobertos 2,8 mil milhões (bilhões) de barris de petróleo em 2015 fora dos Estados Unidos, o que equivale a um mês de consumo a nível mundial. Incluindo aquele país, as descobertas aumentam para 12,1 mil milhões (bilhões), também o valor mais baixo em 63 anos.

Esta foi mais uma das consequências das fortes quedas do preço do petróleo nos mercados internacionais no ano passado, que levaram companhias como a Shell e a Exxon Mobil a cortarem o investimento em exploração perante o excesso de produção internacional e os sinais de abrandamento das principais economias do mundo.

A prazo, adverte o banco, o recuo na descoberta de novos poços pode levar a um distanciamento entre a oferta e a procura no futuro. Segundo o Morgan Stanley, mesmo com a previsão da queda mundial do consumo em 86 milhões de barris em 2030 devido aos compromissos para limitação do aumento da temperatura média mundial, cerca de dois terços da procura atual só podem ser satisfeitos através dos campos em produção ou que se encontram já em desenvolvimento.

Por outro lado, a reentrada de players no mercado – caso do Irã, abolidas que estão as sanções comerciais – poderá criar um efeito de compensação, ao derramar mais oferta a nível internacional.

O Morgan Stanley espera que as empresas em média gastem mais do que até ao momento nos próximos 25 anos para criar nova capacidade, mesmo tendo em conta a queda de fornecimento antecipada pela aplicação dos acordos do clima em Paris. Ainda assim, a atividade de exploração continua a ser "desafiante", perante a deterioração das receitas desta atividade nos últimos anos.

O preço das unidades de referência a nível internacional reage em direções distintas, com o West Texas Intermediate a registar os primeiros ganhos em quatro sessões, avançando 0,34% para 47,91 dólares por barril em Nova Iorque, enquanto o brent do Mar do Norte perde valor pela quarta sessão (-0,9% para 48,28 dólares).

A condicionar as negociações desta segunda-feira estão também o reinício de fornecimento de petróleo no Canadá, depois dos fogos florestais que lavraram durante semanas, e a continuação do aumento das exportações do Irã".

O governo golpista mostra que seu interesse é apenas o poder e não a Nação

O governo temerário é um blefe. O diálogo do Jucá já amplamente divulgado confirma a narrativa que a mídia internacional sustentou contra a mídia comercial nacional: o impeachment é o golpe dos ladrões contra Dilma.

Em 10 dias, avançou sobre políticas sociais, acabou com a CGU, o MinC e tenta imobilizar as investigações lançando a Operação Abafa a Jato, em articulação entre Temer e Cunha.

No governo temerário golpista já se dá como certo que Jucá será defenestrado do Planejamento. O Jucá em entrevista no final da manhã misturou alhos com bugalhos e exige uma seletividade, reclamou da delimitação de quem tem culpa e quem não tem e agora rechaça vazamentos, quando comemorava antes.

Jucá reclamou da Justiça que leva dez anos para definir e punir os culpados. Teve a cara-de-pau de dizer que "não há demérito em ser investigado". "Defende o governo de salvação nacional". Salvação de quem?

Com um pouco de análise do discurso ele deixou claro que tende a ser rifado do governo temerário. Isto ficou claro ao responder a uma pergunta que tentava explicar as alterações de hoje no setor financeiro: "Se eu ficar e for confirmado as coisas se normalizam".

Outro ato falho: "Neste diálogo, nesta conversa eu não falo isto". Então em outras conversas? Os atos falhos continuam... "A Lava Jato era uma coisa antes e agora no governo Temer". Mais claro impossível.

O pior foi a tentativa de explicar o que é "boi de piranha" ao dizer que seria para pegar quem tem culpa e não para entregar alguém e salvar outro como disse no diálogo gravado.

O Jucá se enrolou ainda mais ao confirmar o diálogo e tentar construir explicações que não são sequer razoáveis. Ficou ainda mais claro que se faz uma Operação Abafa a Jato.

O governo Temerário está todo enrolado. Está clara a divisão nas hostes golpistas.

Jucá sabe quem estaria por trás do vazamento de seu diálogo. Reclamou dos deputados da base que estão defendendo sua saída do ministério e disse que há "setores que querem fomentar crises". Diz isso não falando do PT, mas de gente próximo ao governo temerário e cita que a Folha estaria por trás disto. Só faltou dizer que era o Serra.

Jucá sabe que a briga nas hostes golpistas veio de São Paulo e possivelmente do PSDB. Ele quase disse isso, mas os fracos jornalistas não indagaram nada sobre isto. Jucá atirou na FSP: "Eu não vou esquentar matéria para Folha, para não entrar em pegadinhas", alegou para explicar porque não quis se pronunciar ontem, quando foi procurado pelos jornalistas do jornal.

O Serra quer trocar de ministério, depois de ter constrangido todo o Itamarati com toda a sua violência, contrário ao que determinam as normas diplomáticas.

É golpe por dentro do golpe. É luta pelo poder, exclusivamente. Mais do que a luta pelo poder o povo quer saber quem cuida dos seus interesses.

O governo temerário é um blefe e não se sustenta. O país está ainda pior hoje que antes. E tudo indica que piorará. Não bastará a troca de Jucá.

A bomba do Cunha e agora do Jucá estão acesas e o tempo agora depende da queima do cordão detonador. A conferir! #ForaTemer!

domingo, maio 22, 2016

Ainda sobre o orçamento de 2015 do ERJ: ICMS equivale a 73% da receita tributária

No ano de 2015, as receitas tributárias do ERJ foram responsáveis por 57% das receitas totais, conforme gráfico abaixo. Os 43% restantes são referentes outras receitas correntes, contribuições patrimonial, transferências do governo federal e operações de crédito.

Não se espantem, mas o valor total da receita estadual em 2015 foi de R$ 75,6 bilhões, 3,19% superior à meta de R$ 73,2 bilhões do próprio governo estadual. Apenas em termos reais, se contabilizada a inflação, a receita foi 9,44% inferior ao exercício anterior. Mais um dado que mostra que o déficit financeiro do estado do tamanho de R$ 18 bilhões tem outras explicações.


Das receitas tributárias, como se sabe a maior delas é com a arredação do ICMS que equivale, conforme gráfico abaixo a 73,6% de todos os impostos e taxas recebidas pelo governo estadual.

Apenas para esclarecer aos que não são familiarizados com algumas siglas das receitas orçamentárias: FECP é Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (FECP) e ITCD é Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD).


Em volume de dinheiro, a receita com ICMS chegou a 31,9 bilhões em 2015, contra R$ 31,5 bilhões no ano anterior de 2014. Ou seja, maior em valores absolutos, ou como é chamado nominais e menor em valores se levada em conta a inflação pelo IGP.

Interessante ainda observar que dentre as áreas que mais contribuíram para a receita de ICMS está a de comércio com 33,17%, equivalente a R$ 10,6 bilhões. O setor de indústria de transformação é o segundo com receita de R$ 7,7 bilhões (24,2%). Em terceiro o setor de eletricidade e gás com R$ 6 bilhões com (18,71%) e com crescimento em 2015 de R$ 1 bilhão de receitas.

Dentro da indústria de transformação há o setor de derivados de petróleo que teve receita de R$ 1,2 bilhão que ao contrário do que se comenta sobre tudo do setor de óleo, teve um acréscimo real de receita de 28,9%.

Os dados são claros até para quem não mexe com análise orçamentárias. Por eles é possível perceber, mais uma vez, que as isenções e reduções tributárias de ICMS promovidas pelo ERJ, quando da fase de expansão da economia foram exageradas. Elas agora pesam, por conta da atual fase de colapso do ciclo econômico, com redução das atividades, além do enorme e histórico peso das dívidas estaduais.

Veja tabela abaixo elaborada pelo TCE-RJ sobre a evolução das renúncia fiscais declaradas pela própria Sefaz-RJ, que questiona o valor de R$ 185 bilhões de renúncias, mas admite o valor de R$ 47 bilhões, que é quase o triplo do atual déficit do ERJ da ordem de R$ 18 bilhões.

Dívidas que foram renegociadas de forma, aparentemente, irresponsáveis que levou o caixa do estado às dificuldades que se assiste, onde as receitas não conseguem sequer pagar o funcionalismo e banca uma parte ínfima do custeio da máquina, em boa parte paralisada, deixando o povo sofrer as consequências. Continuamos observando.

Se desejar leia duas outras postagens do blog sobre a execução orçamentária do ERJ em 2015. Aqui e aqui, respectivamente nos dias 21 de maio e 19 de maio de 2016.

PS.: Atualizado às 22:32: Para acrescentar os valores da renúncias apuradas pelo TCE-RJ e informadas pela Sefaz-RJ junto com a tabela abaixo:


Petrobras ratifica posição sobre sua base operacional em Macaé que o blog havia analisado

O jornal macaense, O Debate, em matéria publicada ontem (21/05, aqui), do jornalista Guilherme Magalhães ratifica dados e análise que este blog havia descrito neste espaço, em pelo menos cinco postagens (aquiaqui, aquiaqui e aqui) sobre a atuação da estatal em sua base operacional em Macaé que no ano que vem completa quarenta anos de instalação.

O fato reforça a interpretação de que o setor de petróleo e gás vive um processo de rearranjo espacial e especialização, se dividindo com outra bases operacionais, ao norte, no Açu e ao sul no Rio/Niterói, como havíamos comentado e que constituem o que passei a chamar de "Circuito Espacial do Petróleo e dos Royalties" (CEPR-RJ).

A matéria também reforça a informação sobre a presença de outras operadoras (petroleiras) para além da Petrobras e das empresas de engenharia que prestam serviços às petroleiras atuando neste circuito do petróleo. O blog tomou a liberdade de republicar abaixo a reportagem de O Debate:

"Petrobras afirma que segue em Macaé"
"Estatal garantiu ontem que manterá atividades e operações na Bacia de Campos"


Em produção há 39 anos, a Bacia de Campos é um dos maiores complexos petrolíferos offshore do mundo. Para gerir as suas operações nesta bacia, que tem uma de suas unidades de operações sediada no município de Macaé, a Petrobras mantém uma estrutura sólida, envolvendo bases administrativas, áreas de armazenamento, infraestrutura aeroportuária, portuária, de processamento de gás e estocagem e transferência de petróleo. Em 2015, a produção média mensal da Bacia de Campos fechou acima de 1,4 milhão de barris de óleo e cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia, representando cerca de 70% da produção nacional. Do volume total produzido na Bacia de Campos, 30% são provenientes do pré-sal.

O Plano de Negócio e Gestão 2015-2019 da Petrobras prioriza, para a Bacia de Campos, investimentos no pós-sal, onde, em 2017, está previsto o início da produção em dois campos: Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça. Além disso, no mesmo ano, há a previsão de realização do Teste de Longa Duração do reservatório de Forno, no pré-sal da concessão de Albacora. Ressalta-se, ainda, que a Petrobras obteve, para os campos de Marlim e Voador, a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a prorrogação da vigência dos contratos de concessão até o ano de 2052.

A Petrobras, na Bacia de Campos, conta atualmente com 53 plataformas. Algumas dessas unidades estão alocadas em concessões operadas pela companhia em parcerias com a Shell, no campo de Bijupirá/Salema; com a Chevron, nos campos de Papa-Terra e Frade; com a Repsol Sinopec Brasil, no campo de Albacora Leste; e com a British Petroleum, em dois blocos exploratórios.

É a partir de Macaé que são monitorados remotamente o escoamento, a pressão, a vazão e a temperatura do óleo e do gás produzidos diariamente em grande parte das unidades marítimas. Também é a partir deste município que são feitos o planejamento, a programação, o controle e o monitoramento das operações submarinas e das embarcações especializadas e de apoio.

Outras operadoras também realizam atividades na Bacia de Campos, a exemplo das empresas PetroRio, Statoil, Shell, Chevron, BP, Anadarko, Repsol Sinopec, Total e OGX.

Outras operações
Na cidade, também está localizada a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB), que é o maior polo processador de gás natural do Brasil, ponto de entrada no continente do gás da Bacia de Campos e também de parte do gás do pré-sal da Bacia de Santos, escoado pelo recém-inaugurado Gasoduto Rota 2. A unidade passa por ampliações, com adequações nas áreas de processamento, tratamento e logística (transferência e estocagem). A operação do Rota 2 foi iniciada em fevereiro de 2016. São sete sistemas de tratamento e processamento na nova unidade que, juntamente com as já instaladas, estão prontas para receber até 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Nos últimos anos, a companhia tem focado na ampliação e modernização dos prédios localizados em suas maiores bases (Imbetiba e Imboassica), visando realocar sua força de trabalho em prédios próprios. A partir dessa estratégia, e também com objetivo de otimizar custos, a Petrobras está reavaliando os seus contratos de locação de imóveis na cidade.
Na área de logística, no mês de abril, a companhia iniciou operações em dois dos seis berços contratados no Porto do Açu, em São João da Barra, e está avaliando o reordenamento das atividades portuárias entre os portos do Rio de Janeiro e de Imbetiba, em Macaé, e o novo terminal. Ressalta-se que essa estratégia não afeta as operações offshore na Bacia de Campos, e não significa a interrupção das atividades do Porto de Imbetiba.

Nos bairros de Imboassica e Novo Cavaleiros, em Macaé, encontra-se o maior conglomerado de armazenagem da companhia, agregando 65% de todo o estoque da Petrobras no país, com atividade ininterrupta há mais de 35 anos.

Para realizar todas as operações com segurança, garantindo a integridade física das pessoas e das instalações, e preservar o meio ambiente, a Petrobras mantém diversos programas e conta com a estrutura do Centro de Defesa Ambiental - CDA, da Bacia de Campos. Ele visa proporcionar o prontoatendimento às eventuais emergências relativas à vazamento de óleo. A estrutura acaba de receber uma área para a garagem das embarcações e depósito de equipamentos (cabos e mangotes), na orla de Imbetiba, conferindo maior agilidade aos atendimentos.

Ainda com relação às operações da Bacia de Campos, o Aeroporto de Macaé é utilizado para o transporte de pessoas, com 31 aeronaves que movimentam mais de 30 mil passageiros em aproximadamente 1,5 mil voos por mês.

Também está instalada em Macaé a Usina Termelétrica Mário Lago, capaz de abastecer com energia elétrica uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes. A unidade é a segunda maior da empresa, o que consolida a cidade como ponto de destaque dentro do cenário energético do Brasil. A Mário Lago é a maior termelétrica de ciclo aberto do país, tendo a característica de poder alcançar a sua plena carga (de 0 a 900MW) em cerca de 1h. A UTE, que tem como combustível o gás natural, ainda reúne o maior complexo de turbinas do tipo LM 6000 do mundo, com uma capacidade instalada de 928 MW de potência e consumo de 5,3 milhões de m³/dia de gás.

Com todo esse complexo industrial, a Petrobras mantém uma infraestrutura adequada e já instalada no município de Macaé, envolvendo bases administrativas, áreas de armazenamento, infraestrutura aeroportuária, portuária e de processamento da produção.

Como é de amplo conhecimento, a Petrobras vem atuando na restruturação administrativa e de seus negócios e na otimização de custos, nas diversas regiões do Brasil e no exterior, visando atender ao novo cenário internacional da indústria de óleo e gás. Esse amplo trabalho tem por objetivo a competitividade dos negócios da companhia, garantindo retorno para a sociedade e seus acionistas.

Neste cenário, a Petrobras reitera o seu vínculo com o município de Macaé e se prepara para comemorar, em 2017, os 40 anos de produção na Bacia de Campos, visando o futuro sustentável das suas atividades e contribuindo para o desenvolvimento da região e do país.

sábado, maio 21, 2016

Evolução dos gastos com pessoal no ERJ demonstra que o déficit tem outra origem

Outra informação que vem sendo deturpada pela mídia comercial, bem financiada pelo governo estadual, é de que os salários dos servidores são responsáveis pelo bilionário e estrondoso déficit financeiro de cerca de R$ 18 bilhões.

A Associação dos Analistas da Fazenda Estadual - RJ divulgou um dos dados do relatório do TCE-RJ sobre as contas do ERJ-3015, que mostra a evolução dos gastos com servidores da ativa do executivo fluminense, entre 2011 e 2015, que subiu apenas 7% em quatro anos.

Estes dados incorporam ainda os dados do pagamento dos terceirizados das OSs (Organizações Sociais) que atuam no setor de saúde. No ERJ os gastos com os inativos são contabilizados à parte desde que o Rio Previdência foi criado.

Os dados mostram que a caixa preta das finanças do ERJ só agora começa a ser melhor explicitada para explicar o rombo de R$ 18 bilhões. As dívidas do estado que vem sendo rolada e negociada sob a forma de títulos em mercados discutíveis, junto com as dezenas de isenções tributárias bilionárias são a raiz do problema. Como sempre as vantagens estão a favor dos bancos/fundos (setor financeiro) e de grandes empresas.

Fusão entre Technip e FMC, empresas do setor petróleo, pode trazer desdobramentos na região

No dia 11 de dezembro do ano passado (2015), o blog em nota comentou aqui, sobre a possível fusão entre as empresa do setor de petróleo, a francesa Technip e a americana FMC Technologies.

O blog também vem comentando neste espaço, que a fase de baixa do ciclo petro-econômico é propícia da fusões e aquisições entre empresas que tendem a formar grandes oligopólios. 

Aliás, no dia 2 de maio de 2016, o blog também comentou aqui sobre relatório da consultoria A.T. Kearney que informava que só nos dois últimos anos, um total de 3.229 fusões e aquisições aconteceram pelo mundo, no setor de petróleo e gás.

Estas fusões envolveram antes deste anúncio, a magnífica quantia de US$ 950 bilhões, ou quase US$ 1 trilhão. Fato é que a fase de baixa do ciclo está levando a enxugamento em especial do setor de serviços especializados em engenharia de petróleo.

Pois bem, assim, nesta última quinta-feira, as empresas Technip e a FMC, fornecedoras e prestadoras de serviços na área de petróleo anunciaram a fusão, formando uma companhia com valor de mercado de US$ 13 bilhões. Segundo seus gestores, a fusão levará à economia de US$ 400 milhões, em custos, a partir de 2019.

A fusão de mais duas empresas do setor de petróleo, verticaliza ainda mais o setor de fornecimento de materiais, equipamentos e serviços desta cadeia produtiva, onde as corporações globais se oligopolizam, numa velocidade absurda, impulsionada, por mais uma crise cíclica.

Base da Technip junto ao Terminal 2 do Porto do Açu
Como dissemos em dezembro passado, sob o ponto de vista nacional e regional, a fusão entre a Technip e FMC pode trazer mudanças nas bases operacionais que as duas empresas, hoje, possuem no ERJ, em especial, em Macaé e junto do Porto do Açu, município de São João da Barra.

O fato reforça a informação obtida pelo blog de que a americana FMC Technologies estaria em conversações com a também americana, Edison Chouest que monta base portuária no Terminal 2 do Porto do Açu para atender contrato obtido em licitação com a Petrobras. A conferir!