quinta-feira, março 27, 2014

Transferência da UO-Rio na Petrobras de Macaé para o Rio confirma o processo de reconcentração econômica na metrópole

O blog tem manifestado sua opinião, inclusive aqui em entrevista à revista Ururau, no final de fevereiro, sobre o processo de reconcentração econômica que o estado vive em direção à região metropolitana.

As informações veiculadas em Macaé e que pode ser lida aqui no site do jornal O Debate do último dia 22 de março, é apenas mais um indicador da reconcentração econômica, que o setor de petróleo está ajudando a produzir na economia fluminense.

A reportagem fala sobre a desativação de um setor inteiro chamado de UO-Rio (Unidade de Operacional Rio) que tem a função de dar apoio logístico e administrativo às atividades da Unidade de Negócios Rio.

É oportuno recordar que as Unidades de Negócio (UN) foram criadas em 2000, na gestão de FHC, com o objetivo de fatiar a empresa e prepará-la para a privatização, logo depois que a quebra do monopólio já havia sido aprovada no Congresso Nacional.

Na ocasião foram criadas as unidades de negócio do Rio e do Espírito Santo, além da Bacia de Campos. A decisão tinha também como objetivo reduzir o peso da gestão da Bacia de Campos dentro da estrutura da estatal, por diversos motivos, inclusive para a quebra da resistência sindical.

Os efeitos deste processo caminha na lógica contrária que o estado do Rio de Janeiro vinha vivendo, desde a segunda metade da década de 90 com uma certa inflexão da economia da metrópole em direção a regiões do interior, reduzindo a macrocefalia da capital fluminense, ex-capital federal.

Uma década depois, parece que o processo volta a inverter sua mão. A decisão pela localização do Comperj em Itaboraí é um outro forte indicativo também na cadeia produtiva do setor petróleo & gás. Outro importante fator que se soma a esta cadeia são os dois grandes eventos mundiais, da Copa do Mundo este ano e das Olimpíadas, em 2016.

Mesmo que muitos neguem o processo de centralização dos negócios do petróleo é uma característica do setor e não apenas da Petrobras. A expansão da exploração, produção e refino com a descoberta do pré-sal no litoral da metrópole em direção à São Paulo reforça esta situação ainda em dois outros aspectos, o uso dos terminais portuários e a retomada e ampliação do setor de construção naval para dar conta das encomendas para esta atividade, seja em plataformas ou outras embarcações de apoio.

Enfim, há que se avaliar outros dados e indicadores que podem confirmar a hipótese da reconcentração econômica fluminense. Ela não parece uma consequência boa para o estado como um todo, onde se vê um enorme e crescente adensamento populacional e econômico na região metropolitana.

Tirando o velho e discurso bairrista e interiorano, o desenvolvimento econômico menos concentrado e feito a partir de um Planejamento Territorial urge ser feito em nosso estado.

Vocações e os chamados arranjos produtivos locais, aliado a outros projetos podem trazer dinâmica econômica a regiões afastadas e ao estado como um todo, de forma integrada e vinculada a um projeto de transportes inteligente e articulado.

Qualquer caminho fora daí, que merece ser esmiuçado e debatido nas regiões é chover no molhado com gastos crescentes em políticas de segurança, saneamento e habitação na metrópole, sem observar o estado como um todo. O debate sobre o assunto é urgente, mas, infelizmente, tem sido apenas pontual, fluido e sem, ou com poucos resultados.

13 comentários:

Anônimo disse...

O blogueiro viajou na maionese.
As UN foram criadas para viabilizar a privatização da Petrobras? Só mesmo um petista para falar tamanha besteirada.
O PT está conseguindo quebrar a Petrobras porque vem "privatzando-a" entre eles mesmos e seus comparsas do PMDB

Anônimo disse...

As UNs Foram criadas, sim, para serem privatizadas. Quem viajou na maionese foi o comentarista de 7:19 PM. Na época queriam até mudar o nome para petrobrax, o comentarista devia informa-se melhor antes de vomitar a sua ira contra o PT. Qualquer um tem todo o direito, e vários motivos para malhar o PT, agora distorcer os fatos ocorridos é sacanagem.

Anônimo disse...

É mentira que as UN foram criadas com o objetivo de privatização!!

Prove isso!! Mostre documentos.

Aliás, o que vem surgindo de documentos com relação a administração do PT são os que envolvem a refinaria de Passadena. maracutaia pura!

Hoje mesmo, estão divulgando que a avaliação foi feita em 20 dias. 20 dias!!
O PT está destruindo a Petrobras, em benéfico de seus interesses e em detrimento do povo brasileiro.

evandro gomes disse...

"Folha - Que elemento concreto o sr. tem para afirmar que o governo FHC tentou desmontar e vender a Petrobras? Isso não é uma politização e partidarização da empresa? José Sergio Gabrielli - Não acredito que seja partidarização. Respondi a uma acusação feita pelo [David] Zylbersztajn sobre a Petrobras e sobre o regime futuro [da exploração de petróleo]. Tentei mostrar que o modelo de gestão da Petrobras no período do governo FHC levaria ao desmembramento, ao risco de inanição e à possível privatização da Petrobras.
A área exploratória da Petrobras era declinante. Se você continua declinando área exploratória, morre por inanição. Na segunda atividade mais importante, o refino, o que estava sendo feito era uma gestão de desmembramento, que permitiria a venda parcial das refinarias. Na geração elétrica, os contratos firmados claramente levavam a uma repartição. Todo o custo ficava com a Petrobras, e todo o lucro, com o setor privado.
A estrutura organizacional, fazendo com que se reproduzisse todo o sistema corporativo dentro de unidades de negócio estanques, exacerbadamente, era preparação clara para uma eventual privatização."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1810201031.htm

Anônimo disse...

Quem mora em Campos e Macaé está ferrado, se é verdade mesmo, os funcionários do ADM vão ter que se mudar para as favelas do Rio, pois o salário básico dos funcionários da Petrobras é muito baixo. Vai beneficiar quem é natural da capital.

Anônimo disse...

Quem mora em Campos e Macaé poderá negociar para continuar em Macaé, pois tem muito mais gente querendo ir para o Rio, além do mais, a Petrobras paga diária e hotel, depois paga adicional de transferência. O grande problema mesmo é para os tercerizados que não puderem ir para o Rio. Quanto ao idiota antipetista, não adianta responder, o ódio o tornou cego e surdo. Bem que poderia ser mudo também.

Anônimo disse...

Petista é isso!! Não aceita ouvir verdades!!

A verdade dói, dói muito, não é mesmo?

Veja o que um deles citou: um entrevista do Gabriele. Que estava a serviço do PT, na Petrobrás, ajudando os ratos a tomarem conta dela. Ele é que deve ser cego, surdo e mudo ... conforme suas conveniências, é claro.

Também no Conselho de Administração, junto com a Dilma, que agora brigam e dizem que não perceberam a maracutaia na compra da Passadena.

Anônimo disse...

Anti-petista é isto.

Assiste o jornal nacional, lê a veja e arrota arrogância.

Assim como o professor mostrou hoje deve ser igual ao Aécio só conversa com banqueiros, empresários e se acha melhor que os outros.

Só não lembra dos esquemas dos trens em são paulo e do marcos valério criando com o psdb o mensalão mineiro.

vá te catar rapaz kkk

Anônimo disse...

O programa que se chama Integra UO-RIO, diz que está integrando essa unidade operacional, que já nasceu desmembrada.
Agora que as equipes formadas em Macaé já estão integradas e ambientadas a cidade, a empresa toma medidas como essa, informando que os funcionários não serão prejudicados..
Como não? Mais de 600 pessoas, que em suma maioria não tem anseios de ir para o Rio, serão espalhados por outros setores da companhia. ISSO É INTEGRAÇÃO??
Lembrando que isso vale para 1/3 da mão de obra, o restante, que são terceirizados ou assumem o custo e o caos de ir morar no Rio ou voltam para o mercado de trabalho, entenda-se ESTÃO DESEMPREGADOS!
Sem contar, o caos que a capital do Rio vive, onde moradores se encontram totalmente insatisfeitos.
O transporte público no Rio não funciona e está fadado a piorar com a prolongação de seu sistema linear.
A companhia desconsidera os altos preços de moradia no Rio e não vê impactos negativos para os envolvidos.

Essa empresa é a responsável pelo lançamento da ISO 26000 no Brasil. Piada...
Será que ela sabe do que se trata?
Essa isso trata da “Responsabilidade de uma organização sobre os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente através de comportamento transparente e ético que contribua para o desenvolvimento sustentável, incluindo saúde e o bem estar da sociedade, leve em conta a expectativa das partes interessadas, esteja de acordo com as leis aplicáveis e consistente com as normas internacionais de comportamento, e esteja integrada através da organização e praticada nos relacionamentos desta”.

Deixando de lado o impacto social, pelo lado empresarial da coisa, vale lembrar que essas gerências que estão em Macaé são o suporte mais imediato as plataformas. Perder a maior parte desse efetivo não terá impacto negativo na atividade da empresa? A empresa diz que não, porém desconsidera a possibilidade de 90% dessas equipes não terem interesse de ir para o Rio.

Anônimo disse...

"90% dessas equipes não tem o interesse de ir para o Rio". Baseado em quê esse comentário se sustenta? Estamos falando de uma cidade que em 40 anos perdeu uma ótima oportunidade de se desenvolver e oferecer a infraestrutura necessária para aqueles que aqui se instalariam; uma cidade que os custos de moradia estão altíssimos, já comparáveis aos do Rio (afinal os Cavaleiros são quase uma Barra da Tijuca, né); uma cidade cujo metrô está paradinho lá no lugar dele, não vai nem pra frente nem pra trás; uma cidade que já é conhecida como umas das mais violentas da região, onde pessoas são assaltadas próximo aos seus locais de trabalho e que o tráfico de drogas já se intalou em suas favelas; uma cidade que para com alguns milímetros de chuva a mais que o habitual; uma cidade que não tem uma via decente para escoar a produção que chega ao Porto; uma cidade que está entre as dez mais caras do país pra se almoçar (e mal); uma cidade onde a saúde é um caos; uma cidade conhecida pelo mal atendimento onde quer que se vá; uma cidade que vergonhosamente possui um centro universitário há pouquíssimo tempo; uma cidade que para andar pouco mais de 5Km de ônibus dura uma eternidade (e algumas baldeações), enfim... Que desenvolvimento fajuto é este que tentam nos descer goela a baixo? E os governos que passaram pela cidade realmente pensassem no desenvolvimento da cidade, hoje a BR não estaria pensando em deixar a cidade. A empresa tem o direito de se instalar onde ela quiser. Agora, se a cidade não conseguiu aproveirar as benesses de ser a capital nacional do petróleo nesses 40 anos, azar o dela e dos resmungadores de plantão.

Anônimo disse...

Concordo com o comentário enviado às 2:07 PM, principalmente no que se refere à Macaé ter perdido a oportunidade de ser uma cidade ao menos razoável. Gostaria de deixar bem claro que Macaé não é capital de nada. É péssima em transporte de pessoal, logística de material, infraestrutura, qualificação profissional, assim como toda cidade do interior. A praia dos Cavaleiros, orgulho macaense, por eles não é frequentada pelos valores cobrados, ou seja, não foi feita pra macaense e que agora, ao invés de ficar sonhando em ser homem de área em uma plataforma ou ficar fazendo meia água para viver de renda, os macaenses encarem os estudos de verdade. Se qualifiquem, sejam profissionais e encarem o mercado de trabalho. Desde quando funcionário terceirizado tem direito à estabilidade? Garanto que os contratos vigentes não serão encerrados, agora, achar que a Petrobras deve manter o prejuízo operacional de macaé pq poucos querem morar aqui??? Isso aqui é uma empresa. Não entidade filantrópica. 90% da UO-RIO não quer ir embora???? quem disse???? a maior parte dos concursados (maior mesmo) não é de macaé. Só espera uma oportunidade de ir embora. ACORDA MACAENSE!!!!

Silvio Teixeira disse...

saiu uma pesquisa feita pelo sindicato e 87 % dos tercerizados não querem ir, eu falo porque sei da situação, imagina quem trabalha em campos e vai para macae e volta.

Juliana Andrade disse...

Agora é fato. A mudança já começou. Mas muita gente está sofrendo as consequencias. O processo não tem sido transparente, os gerentes estão impondo condições para liberação de quem não quer ir para o Rio, e muitos contratados terão que aceitar posições com salários menores para não serem demitidos. E a ajuda de custo para os funcionários próprios só banca integralmente a mudança nos dois primeiros anos. Depois das Olimpíadas vai ter muita gente arrependida de ter aceitado ir para o Rio, com um custo de vida mais alto.