segunda-feira, janeiro 25, 2016

Nova rodovia do Açu pode ser acrescida à BR-101 que tem indefinições sobre duplicação e contorno de Campos

Uma audiência realizada no último dia 13 de janeiro, por convocação da Firjan- Macaé, nas dependências do Senai daquele município, discutiu diversas questões relativas aos gargalos das obras de duplicação da BR-101.

Este trecho de 320,1 quilômetros de extensão da BR-101, entre a Ponte Rio-Niterói e a divisa com o estado do Espírito Santo é operado pela concessionária Autopista Fluminense S.A, empresa do grupo espanhol Arteris.

Na audiência a Autopista Fluminense informou que as indefinições seriam sobre a duplicação dos 46 quilômetros da rodovia que passam por Macaé. Também se comentou sobre a rota que removerá o traçado da estrada de dentro do trecho urbano de Campos, quando a empresa alegou dificuldades por conta da "complexidade e volume de recursos que serão necessários".

A Autopista alegou que as dificuldades no trecho que corta Macaé, e o construir duas novas pistas no trecho conhecido como "Brejo da Severina" e também parte que corta a Reserva Biológica da União (ReBio).

Em Campos, o desafio está na realização das obras de duplicação dentro da localidade de Ibitioca, situada no Km 80 da rodovia. No caso do trecho do "Brejo da Severiana" a concessionária deixou a entender que poderá não duplicá-lo, apesar da obrigação contratual. Resta saber a posição da ANTT que é o poder concedente.

Ainda segundo a Autopista Fluminense, dois trechos têm previsão de liberação da duplicação até o final do primeiro semestre deste ano: na região de Campos dos Goytacazes, entre o km 84 e o km 101 e na região entre Rio das Ostras e Rio Bonito, entre o km 197 e o km 248. Eles somam 68 quilômetros.

O trecho urbano de Casimiro de Abreu (km 206) ficará para mais adiante porque pelo projeto será construído um elevado. Segundo a concessionária até agora foram entregues 43 quilômetros de pistas duplicadas de um total de 176 quilômetros previstos.

O presidente da Câmara de Vereadores de São João da Barra, Aluizio Siqueira, presente à audiência questionou sobre a rodovia que faria obre a ligação do Porto do Açu até à BR-101. Na ocasião, a LLX que desenhou o projeto passou a chamá-lo de Corredor Logístico, com previsão de pista rodoviária, linha ferroviária e dutos de serviços para gás, água e comunicações.

Sobre o assunto a concessionária informou que a informação que dispõe é que se trata agora de uma outra rodovia com novo traçado. Ela sairia do Porto Açu passaria próximo à Tocos seguiria próximo à Lagoa Feia e ligaria ao novo traçado da BR-101, na altura de Ibitioca, em trajetória próxima, mas distinta do traçado da ferrovia que ligará os portos de Vitória ao Rio, passando pelo Açu.

A informação é de que este seria uma noval rodovia estadual, apesar do estado não ter dinheiro para obras novas e nem perspectivas. A não ser que pretendam trocar a obra por uma concessão em troca de pedágios.

Esta hipótese não é improvável, porque na mesma audiência foi comentado por pelo responsável pela Autopista Fluminense que há uma expectativa, que depois que a estrada for construída, ela possa ser federalizada, para em seguida ser acrescida à concessão federal da BR-101.

Sobre o assunto, também foi ventilado na ocasião, que existiria até um paradigma, de uma estrada no município de Aracruz, no ES, que teria sido acrescida à concessão federal. A conferir!

8 comentários:

Márcio disse...

Entre Rio e Vitória, Campos é a principal cidade, é polo de serviço regional, e geograficamente próxima ao Porto do Açu. Tem seu desenvolvimento equivocado, apoiado no finito e agora incerto royalty petrolífero.
Independentemente de outras rotas é vital para o desenvolvimento de Campos que haja uma conexão expressa com o Porto.

Anônimo disse...

A dificuldade apresentada para a duplicação do trecho de Macaé, considerando as reservas ambientais existentes, me parece se basear em interpretações equivocadas. Ora, que danos tão graves seriam esses, decorrentes da duplicação de um trecho de rodovia já existente? Basicamente, a obra a ser realizada seria alargar o trecho que já existe.

Em troca de duvidosas proteções ao meio ambiente, o trecho não será duplicado, e muitas vidas continuarão sendo perdidas em acidentes. Em troca de que, da preservação de alguns insetos e formigas? Ora, a prioridade deveria ser sempre as vidas humanas, a preservação da segurança dos usuários da rodovia.

Os órgãos ambientais do Brasil estão muito equivocados na interpretação da legislação ambiental existente.

E para a concessionária Auto Pista ficará muito bom, pois na verdade não terá que gastar com a duplicação do referido trecho, o que está previsto no contrato de concessão. Passará o prazo da concessão e o trecho não será totalmente duplicado.

Anônimo disse...

Se o trecho concedido não for totalmente duplicado, estará caracterizado um enriquecimento sem causa da concessionária. Nos valores cobrados nos pedágios estão embutidos também os custos para a duplicação de todo o trecho. Se não vai duplicar o trecho de Macaé, que se reduza o valor do pedágio.

Anônimo disse...

A critica feita pelo anonimo aos órgãos ambientais está totalmente equivocada. Sim! Avançar é preciso. Obras de infra estrutura trazem benefícios para toda a população. Só que rigidez nas conceções de licenciamento ambiental é preciso. Porque infelizmente causa danos a toda diversidade biológica ali existente. Para muitos leitores do blog. Creio que não seje muito importante as vidas e espécies de plantas e animais nativos que vivem naquelas regiões. Tendo em alguns casos, que migrarem para longe de seu habitar natural. Isso quando não se perde por total toda a cadeia produtiva existente no local. Então respeitar a vida do ser humano, fazendo obras nas rodovias é preciso. Para que venha a reduzir o número de acidentes nas estradas devido a sua má conservação. O meio ambiente é de suma importância para todos nós e respeitá-lo deveria ser nosso dever.

Anônimo disse...

O mais importante são as vidas humanas. Ao menos deveria ser. Várias, centenas de vidas são perdidas na BR 101.

A concessão da BR foi feita em 2008. E até hoje não concluíram a duplicação.

Os efeitos no meio ambiente que o anônimo cita no seu comentário das 4;23 não procedem. Dificilmente seriam tão graves. Trata-se apenas de alargamento de uma pista já existente. Os piores danos já ocorreram, quando fizeram a rodovia.

E qual é a razão da demora em aprovar o projeto? O que há de tão difícil nesse estudo? No mínimo é muita incompetência. Já se passaram sete anos da concessão!

E mesmo que ocorressem os danos citados, a prioridade são as vidas humanas. É muito fácil falar quando não se perde algum parente ou amigo na BR. Quando não se passa por ela frequentemente e se presencia as mortes. Já presenciei vários acidentes! Acidentes que não ocorreriam se a pista fosse duplicada.

Na verdade, a situação está muito boa, cômoda mesmo, para a concessionária. O prazo da concessão vai transcorrer e a duplicação total não vai ser feita.

E os usuários pagando o pedágio integral!

Giancarlo Silva Dias disse...

Anônimo 4:53 PM, Parabéns por sua colocação. Eu sempre procurei me fazer de cego quanto as questões ambientais. De um tempo pra tenho tenho percebido o quanto as empresas só pensam no enriquecimento e que se dane o meio ambiente e as pessoas a sua volta. "VALE" lembrar a Samarco em MG. Sua opinião reforça minha nova linha de pensamento quanto ao meio ambiente, obrigado!!!

Anônimo disse...

Vai Giancarlo, vai, vai viajando, mas vai pela BR 101! A concessionária está adorando esse tipo de pensamento. seu lucro será cada vez maior.
Não adianta querer confundir as coisas. Uma coisa foi os danos da exploração do minério de ferro. Outra, muito, mais muito diferente mesmo é a duplicação de uma estrada. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. O caso específico da BR 101 é a demora sem justificativa plausível para se liberar a duplicação da estrada. Afinal, o que tem de tão difícil nisso? estão contando a quantidade de formigas e cupins que vão desaparecer à beira da estrada? Faça-me o favor!!!

douglas da mata disse...

Roberto,

Algumas breves considerações:

Nenhum plano estratégico aplicado a logística de grandes empreendimentos poderia concentrar suas apostas em um modal único, nesse caso, o rodoviário.

As duplicações são paliativos, que diante do caos atual surgem como cura para todos os males.

O problema é um só:

Colocam nas costas do usuário particular, aquele que também não dispõe de alternativa honesta de transporte público, o ônus de sustentar a atividade econômica empresarial de transportes.

São os caminhões os maiores responsáveis pela letalidade dos incidentes.

São os caminhões e seus excessos de carga não fiscalizados que destroçam o capeamento asfáltico e/ou reduzindo sua vida útil.

Quando instados a apresentar suas planilhas de custo para o cálculo das tarifas que deveriam pagar, berram e ameaçam com repasses ao frete, e por conseguinte, ao consumidor final, ou com locautes.

Na questão ambiental, o negócio é o seguinte:

Claro que todo cuidado tem que ser considerado, mas não há atividade humana que não seja degradante ao ambiente, aliás, não há atividade de nenhum ser vivo que não consuma os recursos e destrua seu habitat.

Se quer estrada, tem que considerar um estrago, por menor que seja (e isso tem que ser perseguido).

Mas eu acho que a desculpa ambiental é só um engodo para justificar a lentíssima execução das obras.