quinta-feira, novembro 22, 2007

Quando a Pessoa não liga para o humano

Mais uma vez o empresário José Pessoa, que aqui em Campos administra a Usina Santa Cruz é pego por fiscais e procuradores federais com problemas trabalhistas. Hoje, a Miriam Leitão, em sua coluna em O Globo, detalha as condições em que seus trabalhadores, também do setor canavieiro, tanto da parte industrial quanto do corte de cana, foram encontrados na usina Debrasa em Mato Grosso do Sul, uma das sete unidades produtoras da CBAA, Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool. Equipamentos de proteção precários, alimentação e hospedagens degradantes, transporte perigosos. O procurador que atuou no caso disse que “é a terceira vez que os fiscais encontram irregularidades nesta mesma usina depois de ter assinado acordos para corrigir os erros”. Há muito chão pela frente para o etanol deixar de ser visto como uma energia produzida de forma desumana por Pessoa.

2 comentários:

Renato disse...

Roberto,participei da mesa de negociações da equipe móvel de combate ao trabalho escravo na usina StªCruz a cerca de 5 anos.Da situação encontrada que envolvia péssimas condições de alojamento e trabalho(incluindo marmita azeda),pouca coisa mudou inclusive os métodos de recrutamento que iludem com falsas promessas trabalhadores de outros estados que depois tem que brigar (como no caso em que participei das negociações)para voltar para seus estados ao menos com seus direitos inclusive o direito a vida.
É terrível constatar que a super exploração é uma condição atual compondo parte importante dos lucros dessas empresas,que se submetem a este procedimento mesmo com a fiscalização tendo sido aprimorada.
Obs:Nesta ocasião os fiscais confidenciaram que Campos era conhecida no Rio e em Brasília como a "cidade sem lei" onde fiscal não entrava....

Xacal disse...

Caro Roberto,

"Por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Há tempos que nossos empresários-coronéis (salvo, raríssimas exceções) praticam a velha arte do "faça o que eu mando, mas não o que eu faço". A novidade é que como se já bastasse a nossa safra local, agora, importamos da terra de Renan nossos modelos atuais de "sinhozinhos maltas". Mas a imprensa local (leia-se a FM, viva a liberdade de imprensa) continua a incensar em suas colunas esse exemplo de empreendorismo caboclo, assim como fez quando protestou contra a "arbitrária" prisão de Chebabe. Em tempo, nossas Usinas além de moer cana, continuam a moer gente.


DJ Xacal, MCs Lamparão e Kbrunco.