sábado, dezembro 26, 2015

Duas sobre o comércio

O comércio é uma atividade importante na lógica do município. Eu tenho identificado que este setor na realidade local tem importante papel para explicar a relação com o poder político, desde a economia da agroindústria canavieira, aos atuais royalties do petróleo que geram os orçamentos das cidades petrorrentistas.

Este é assunto que merece um texto específico que vou deixar para adiante.

Esta postagem vai tratar apenas de duas informações sobre o setor que de alguma maneira se relaciona ao município.

A primeira é para citar o exemplo de como os investimentos estrangeiros no país segue crescendo, especialmente agora que com o câmbio e real desvalorizado, os ativos dos negócios brasileiros ficaram mais baratos e interessantes para investidores.

Assim, o fundo suíço Partners Group fechou, na última semana, a compra de 40% de participação na rede Hortifruti que possui em Campos, uma de suas atuais 40 lojas, espalhadas nos estados do Rio, Espírito Santo e São Paulo.

O investimento segundo o Valor foi de R$ 300 milhões para ficar com os 40% da rede que teve faturamento de R$ 1 bilhão em 20014. A rede Hortifruti nasceu em 1989, em Colatina, ES.

A segunda é sobre o esquema e corrupção que o grupo Casino (dono das Casas Bahia, Ponto Frio e Extra) identificou em sua central de distribuição, no setor de eletrônicos e eletroportáteis que por estimativa pode atingir R$ 60 milhões, ao longo de período de três a cinco anos.

Porém, o que escolhi para trazer aqui não é sobre esta razão da matéria do Valor. A reportagem traz um dado do qual eu já tinha ouvido falar, mas não tinha certeza e nem fontes.

A matéria informa que associações do setor  contabilizam que furtos no setor de supermercados representam quase 9% do valor total de suas perdas. Isto englobaria furtos e produtos com validade vencida. A mesma fonte diz que pesquisa feita há dois anos do Ibevar/Provar diz que estas perdas correspondiam a 21% e com o advento de maiores controles teria reduzido o tamanho das perdas.

No caso específico das Casas Bahia e Magazine Luíza sobre furtos de clientes e empregados na área de produtos eletrônicos, a fonte diz representar cerca de 1% da receita líquida, enquanto nos hipermercados e redes de atacado esta parcela seria de quase 3%.

Observando estes números é possível intuir que a questão da corrupção vai bem para além daquilo que nos querem fazer crer. É fato que muitos podem alegar que neste caso, por ser em áreas de atuação do setor privado, a sociedade não seria atingida, mas isto não é verdade.

Se 3% ou 21% são acrescidos aos preços para bancar estas perdas, toda a sociedade paga estes valores, de alguma forma, tal qual os esquemas que envolvem os contratos com os agentes públicos, referentes a construção e aos serviços que atendem à população. Só que ao contrário destes, que são diariamente divulgados, estes dados são escamoteados da sociedade e só por detalhes chegam ao nosso conhecimento.

4 comentários:

douglas da mata disse...

Roberto, esses cretinos continuam a vomitar mantras falsos...Trabalhei como representante comercial, e justamente nos maiores clientes, a "senha" para fechar negócios era "azeitar" a mão do comprador, razão pela qual minha carteira de clientes era composta por pequenos comércios de bairro...

Rogerio Barreto De Souza disse...

Teste

Rogerio Barreto De Souza disse...

Professor há algum tempo venho acompanhando seu blog. Gosto muito das matérias.
Gostaria que você postasse algo sobre a agricultura na nossa região. Em outros locais do país temos uma agricultura que utiliza tecnologia de ponta e é extremamente rentável. Por que ainda não saímos do século XIX em temos do agro negócio?

Roberto Moraes disse...

Obrigado Rogério pela sugestão.

Nestes 11 anos e meio do blog já andei postando alguns textos e artigos sobre o tema. Mas é fato que ultimamente tenho me concentrado nas questões econômicas regionais mais ligadas à questão de infraestruturas (especialmente portos) e sua relação com a cadeia do petróleo.

Abs.