quarta-feira, agosto 27, 2014

Elite econômica e midiática estão em dúvida sobre o melhor caminho para seus interesses

Está sendo decidido hoje e manhã o sentido que estes grupos que se integram (e atuam de forma coordenada) agirão de agora até o primeiro turno.

Não é difícil de entender a lógica. Eles preferem Aécio. Comemoraram e trabalharam pela entrada de Marina, sem nenhum pudor com o período de velório, pela confirmação de sua entrada.

Entenderam que assim o segundo turno estava garantido, mesmo que com risco de Marina disputar com Aécio. Voltaram a confirmar interesse na vitória do Aécio.

Consideraram que a "espuma" pró-Marina poderia ser "decantada". Ajudariam com questionamentos sobre as contradições de sua candidatura. A cada dia, ou hora, se descobre mais uma.

Porém, diante da avalanche de fatos, só agora estão se dando conta que com a hipótese do segundo turno quase que garantida, a lógica dos dois turnos é um pouco mais complexa.

Quem vai para o segundo turno começa a ganhá-lo ou perder já no primeiro turno.

Assim, a desconstrução que já tinham começado a fazer das contradições de Marina, podem tirar a chance que a simulação do 2º turno, feita pelo Ibope, hoje lhe dá sobre Dilma.

Oh, dúvida cruel!

Desta forma, já há diversos deles dizendo que contra Dilma e o PT vale tudo e é melhor embarcar desde já na "onda" Marina, do que correr o risco que precisa ser combinado com o povo.

A avaliação do governo melhora a cada semana com os programas eleitorais. Hoje só 27% consideram o governo ruim ou péssimo. Assim, se sabe que a disputa no segundo turno não será simples, mesmo que eles fiquem desde já com Marina.

Da parte de Marina, ela faz de todas as formas possíveis cooptações a quadros do PSDB e desta elite, próxima de sua amiga banqueira, dona do Itaú e da Globo, as sinalizações e ofertas de que agora é a vez dela e que sua "Carta aos Brasileiros" já é conhecida.

Falta combinar com Aécio e outros tucanos. A decisão de deixar o caminho aberto para Marina liquida o PSDB como partido com projeto nacional. Depois de doze anos fora do poder e de um eventual segundo turno seria definitivo, em que pese a conquistas de alguns governos estaduais.

O contraponto a isto é a oferta de Marina que uma reconstrução partidária é mesmo necessária e que ela seria este "novo" caminho.

Conhecendo os movimentos da mídia e sua participação no jogo, mostrando definitivamente sua "falsa imparcialidade" não se pode ter dúvida do que virá. O medo da regulação e das cobranças dos impostos é definitiva.

Resta saber a parte da elite econômica que não os banqueiros, mas os industriais, os construtores os grandes da área de serviços como enxergam os riscos de todo este processo considerando o avanço (não sem problemas) que o país vem vivenciando a despeito da crise internacional.

Vale ainda observar que o povão e parte da juventude (dividia praticamente meio a meio entre Dilma e Marina) enxergarão e refletirão sobre o futuro. Aí estará decidida a eleição, mesmo que as elites caminhem em outra direção.

Enxergar com clareza este momento é tomar um banho de Brasil, para além dos livros e daquilo que a mídia e seus colunistas pensam que é o nosso Brasil.

5 comentários:

Marcos Oliveira disse...

Excelente análise do momento.

Andre Rangel disse...

Pois é, a mídia insiste que com a entrada de Marina quem mais saiu perdendo foi a Dilma. Isso é uma inverdade pois poderá ser configurar a maior derrota do PSDB de todos os tempos.

Anônimo disse...

Enfim, parte do eleitorado,está percebendo que anular ou votar em branco, não altera em nada o quadro eleitoral.
Notaram que, esse fato, só favorece, quem já está no poder,Presidente da República, Governadores e Prefeitos, e, os partidos com grande representatividade nos Estados.

Continuo reafirmando que a renovação a alternança de partidos, e dos políticos, é algo bastante salutar, para democracia. Tudo porque os políticos, mesmo que digam não, mas, tem o hábito, de priorizar, de governar para um grupo só. E isso agrada a uns e desagrada a outros.

Félix Manhães disse...

Roberto, afastado por desânimo e decepção da lide partidária e muito silente, continuo a ler as suas análises conjunturais precisas e cirúrgicas. Não me contive e resolvi contribuir. A mídia astuta e a cobiça pelo poder sempre irão existir. Mas gostaria de ler de você sobre esse processo lento, porém natural e sensitivo das ruas, que muitas vezes escapam das garras e das análise desses dois predadores de mentes e votos. Se a pesquisa é um instrumento sério, parece que a realidade que o eleitor enxerga é outra. As evidências ficam claras quando ele precisa da saúde pública ou dos planos alternativos, ou quando ele vai comprar o que comer. Gastou se uma fortuna para se perder de 7 a 1 ao invés de melhorar a estrutura das estradas que lhe garantissem produtos mais baratos ou a quantidade de leitos e equipamentos nos hospitais. Talvez esse número reflita uma realidade que não garante ao cidadão sair e voltar vivo pra casa. Quem sabe talvez a tabela do IR que ficou sem correção por vários anos, aumentando a quantidade de contribuintes para alimentar os ralos do desperdício e da corrupção. E por aí vai. Enquanto isso os partidos que teriam o dever de dar a devida sustentação e de se contrapor não cumprem o seu papel. Principalmente o PT perdeu a credibilidade, o tato e o trato com os movimentos sociais, se isolando nos tratados burocráticos dos diretórios/escritórios, mantendo bem afastada até da sua militância tão eficiente. Parece que se fez a opção autofagista da permanência pura e simples no poder. Quem sabe a democracia não está apontando através dos números a eficiência da alternância do poder, que ensina a quem está por sair antes do tempo projetado, mas também mostra a receita diferente para quem está por entrar. É certo que só o tempo vai confirmar, no entan to a falta de humor político dos que contavam como certa a reeleição está muito evidente e quem sabe, mesmo com um escore não tão vexatório esse grupo político possa ser rebaixado pela História

Roberto Moraes disse...

Caro Félix,

Compreendo sua posição, mas, não acompanho. Nossas indignações são grandes e acredito que com razão, mas, não vou operar por aí.

Não posso aceitar que a renovação seja sempre interessante, quando os trabalhadores e a população para quem os governos são mais importantes têm tanto a perder.

Fico com o saldo e não com os detalhes, mesmo que identifique oportunistas em meios aos erros e equívocos.

Não vou querer cobrar isto colocando na conta dos trabalhadores e do povo.

No debate eleitoral crivado de esquemas deste democracia liberal e do dinheiro se ganha e se perde. É da disputa política isto.

O que não se deve é agir com o fígado ficando com qualquer um só para desforrar entregando a nação a quem sabemos que interesses atuam.

Respeito sua opção, lamento, mas divirjo frontalmente.

Há nesta eleição muito mais coisa em jogo do que a disputa interna. Isto para mim bastaria para buscar entender as razões de quem quer mudar para retornar ao passado, refletido nestas duas opções oposicionistas que restaram.

Abs.