sábado, maio 14, 2016

O bote sobre a "joia da coroa": a Petrobras!

A Petrobras. Não. Ela não foi esquecida. "Temerariamente" ela é alvo de cobiça e interesses, mas os famintos a olham como mingau quente pensando avançar a partir das beiradas.

O avanço esganiçado, tal como a expressão, chamará a atenção sobre os urubus que estão indiciados por negócios por ela, apesar de ministros temerários, como o aval do agora leniente STF.

Já está garantido que o "impoluto" Moreira Franco dirigirá o avanço sobre a carniça do pré-sal, com as garantias de que o outro "impoluto" Serra possa entregá-la ao estilo Jack, o estripador: em partes, separando como Bacamarte, a melhor delas para a Chevron, e assim cumprir o prometido.

O Valor Online através de matéria da jornalista Cláudia Schuffner que costumeiramente acompanha o setor de petróleo disse ontem que o mercado está impaciente, exigindo "sinalizações", considerando que Bendine é "indicação de Dilma e por isso inconcebível de permanecer".

Schuffner traz ainda o dilema de sofia do governo temerário entre as opções do mercado, agora que este virou governo.

Um caminho é entregar tudo liberalmente ao mercado, como quer os tucanos, depois de usar $ do governo para capitalizar a empresa. E a outra, que o PMDB tanto gosta e estimula há décadas, através dos seus indicados para as várias diretorias: entregar parte em trocas de rendas. Como fizeram sempre.

Seriam duas as opções, o tucano Adriano Pires que fez o programa de energia de Aécio e o Jorge Camargo. O segundo é pessoa ligada ao PMDB, a partir de onde foi diretor da estatal. Camargo depois saiu para presidir a estatal norueguesa Statoil no Brasil e agora presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), de onde vem defendendo a desregulação do setor, o fim da Política de Conteúdo Local e do regime de partilha, para facilitar a entrega do Pré-sal.

Como diz Schuffner, "os dois não têm objeções do mercado". Ma, a jornalista traz ainda outro recado do mercado: "a Petrobras precisará de alguém que faça malvadezas e que não tenha amigos na empresa".

Mais claro impossível. Basta ler. Não cabe interpretações diversas do que está claramente dito.

A matéria diz ainda que Adriano Pires, além de defender capitalização do governo na empresa (como defende o mega especulador George Soros e seu empregado no Brasil, Armínio Fraga), propõe uma "reestruturação com brutal enxugamento da companhia e ainda programa considerável de venda de ativos e também uma nova regulamentação setorial" que envolveria ação sobre a ANP.

A jornalista Schuffner reproduz novamente o que acha o mercado sobre isto ao afirmar que "soa como música nos ouvidos dos analistas, mas há quem avalie que essas virtudes podem gerar objeções dentro do PMDB".

Por fim, sem ser final, a matéria sugere que estes movimentos em direção à "joia da coroa" estariam - como sempre soubemos - ligados à disputa pela presidência em 2018.

Depois de conhecer bastidores do mercado, em aliança com o poder político que lhe é próximo, hoje temerariamente através do golpe, com a presidência da República, em seu movimento em direção à "joia da coroa" ainda pode ter a coragem de falar, ou sequer imaginar, que o problema era a mesmo a corrupção e os percentuais sobre os contratos?

Diante do cenário que está posto, eu não tenho dificuldade de publicamente de dizer, que isto eram migalhas, diante do ouro negro que será lavado, por cima de toda e qualquer operação temerariamente elucubrada para o bote do mercado.

Continuaremos acompanhando os próximos passos dos caniceiros sobre o pré-sal.

9 comentários:

claudio coimbra disse...

Roberto: Game over! Depois da palhaçada do ïmpitimam"só nos resta chorar.

Roberto Moraes disse...

Chorar nada. A vida é luta e golpistas não merecem respeito.

Os liberais do mercado não têm nada a oferecer para além das vantagens aos do andar de cima.

Sigo em frente!

Anônimo disse...

Porque o amigo, não fez as mesmas advertências quando a Empresa estava sendo roubada escandalosamente desde antigamente pelos "progressistas" que o amigo parece representar...Cinismo e Hipocrisia. E muito sectarismo.......
Ghaspar

Antonio Roberto Barreto Parente disse...

Não devemos, e não vamos, nos submeter temos que ao.contrário reagir, e o povo esta mais politizado, a luta continua, a guerra é feita de várias batalhas,

Roberto Moraes disse...

Ao contrário do anônimo, o blog sempre criticou os problemas da gestão e os desvios defendendo punição aos culpados. Se já fazia isto antes, imagina contra estes que querem ir mais longe e entregar a empresa de bandeja em crime de lesa-pátria.

Aliás, boa parte dos que faziam os esquemas na Petrobras estão junto com Temer e na Petrobras desde FHC. Pergunte ao Dorneles, ao Paulo Roberto Costa e à turma do PMDB.

Sim, negar isto é puro cinismo e hipocrisia, bem para além do sectarismo. A empresa tem porte, estrutura e história por conta de seus funcionários. Assim, é reconhecida internacionalmente. Por isso, a Shell quer ser parceira. Quem é contra Petrobras e entregá-la é a Globo e o Serra. O blog acompanha diariamente o setor de petróleo e tem aí milhares de dados que atestam o que está sendo falado aqui e escondido pela mídia comercial, sempre interessada em seus negócios. O verbo pela verba.

Não sei porque ainda perco tempo com estes gasparzinhos.

Roberto Moraes disse...

No primeiro trimestre agora, o custo de extração do pré-sal caiu para menos de US$ 8 o barril de óleo equivalente.

Quem diria, em meio a todos os problemas. A joia da coroa que estão preparando para entregar é realmente muito cinismo e hipocrisia.

Evandro Gomes Monteiro disse...

Toda opinião é válida dentro do princípio democrático...Se considera seu argumento importante e corajoso porquê não se identificar?
A corrupção endêmica que assola o país vem de longa data e deve ser combatida com atitudes honestas e seriedade na gestão. Nenhum governo implantou ainda os meios de prevenção e combate à corrupção. Esta tarefa pertence a todos os que sonham com as empresas públicas fortes e lucrativas sem perder sua visão social.

Anônimo disse...

Acabei de ler na CNN que o custo de extração na Arábia Saudita fica abaixo dos US$ 10.

A Petrobrás é mesmo um prodígio em gastar apenas US$ 8 a mais de 7.000 MTS de profundidade.

Mas não é o que mostra o relatório da McKinsey.

Roberto Moraes disse...

Sim, Evandro.

Quando se fala em custos de produção há que se uniformizar do que se está tratando. Por isso comentei nesta nota no perfil do FB que há os custos de extração seco, sem outras contas que é este de pouco menos de US$ 5 na Arábia e perto de US$ 8 do nosso pré-sal.

Porém, há outras contas que podem ou não serem inseridas para efeito comparativos para a produção, em diferentes pontos do planeta. Por exemplo acrescentando os valores pagos para efeito de royalties e em alguns casos como o nosso, também das Participações Especiais (PE).

Aí os tais custos já variam em diferentes partes do planeta. Por isso, as petroleiras e as consultorias apresentam contas e números tão dispersos.

Outro dado que pode ser acrescentado e que tem a ver com a produção é o custo do dinheiro investido para viabilizar a produção. Inserindo-o nas contas os valores se alteram em proporções diferentes por nação.

Por último ainda pode ser considerado nesta conta, embora seja discutível se seria mesmo referente à produção, são os custos para escoamento da produção. Se saem direto para circulação por navios, se por oleodutos, terrestres ou marítimos, por portos, etc. A conta fica ainda mais complexa se a utilizamos para calcular também para a produção de gás, se tivermos considerando boe, ou barril de óleo equivalente.

O que não se pode é comparar os custos de produção entre petroleiras ou entre bacias ou nações com dados diversos entre eles. Por isso há tanta confusão com estes números, seja na mídia, mesmo a especializada, tanto no Brasil, quanto no exterior.