sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Jornal Nacional expõe triste realidade no Caps em Campos

A matéria exposta no Jornal Nacional de hoje:


"RJ: Pacientes são amontoados em corredores de centro psiquiátrico"


As poucas camas de solteiro e colchonetes são divididos pelos pacientes.


"Pacientes que deveriam receber tratamento psiquiátrico no norte do estado do Rio estão amontoados nos corredores da unidade de saúde. A denúncia está na reportagem de Rildo Herrera.
As imagens feitas com uma câmera escondida no vídeo ao lado mostram os problemas mais graves no Centro de Atenção Psicossocial de Campos, no norte fluminense, o CAPS.
Para chegar a um dos quartos, o funcionário precisa passar por cima dos internos deitados no corredor. As poucas camas de solteiro e colchonetes são divididos pelos pacientes.
Na hora do almoço, todos comem com os pratos sobre as pernas. O produtor do Jornal Nacional foi até a cozinha e pediu um copo d’água.
Homem: Nós não temos água filtrada, mas...
Mulher: Nós aqui temos muita "farta".
Produtor: Farta?
Mulher: Farta tudo, bastante coisa.
Foi o irmão de uma paciente quem denunciou as péssimas condições do centro. "Eu me sinto numa situação muito humilhante vendo a minha irmã e outros doentes mentais sendo tratados como animais em uma instituição que se diz que é para recuperar pessoas. Pelo contrário, eles tratam as pessoas como bicho. Dormem no chão, comem no chão e não tem dignidade humana nenhuma".
Os CAPS foram criados há pouco mais de dez anos para humanizar o atendimento às pessoas com transtornos mentais, evitando as internações em hospitais psiquiátricos. A verba para a manutenção dos centros é enviada pelo Governo Federal a estados e municípios, que são os responsáveis pela administração das unidades.
O psiquiatra Francisco Carlos Rodrigues ficou chocado com as imagens, que considerou absurdas:  "O atendimento diário é para que o paciente recupere a capacidade dele viver socialmente sem tratamento fica meio difícil. Uma situação, o cara fica deitado no chão. Como que ele está melhorando? Se esta instituição atende desta forma, ela está nos padrões de 1970, 1980".
A Secretaria de Saúde de Campos administra quatro unidades, mas o secretário, Geraldo Venâncio, diz que desconhecia a situação: “Na segunda-feira, nós vamos intervir com um colega clínico, especialmente o sub-secretário vai permanecer lá até que esses reparos sejam feitos a partir de segunda-feira de manhã”.
Ministério da Saúde informou que vai avaliar as condições do centro e, em parceria com o município, adotar medidas pra melhorar o atendimento."

7 comentários:

Flávio Mussa Tavares disse...

Roberto,
Vamos lá.
Eu trabalho no CAPS III. Os Caps foram instituidos pela Lei da Reforma Psiquiátrica que exinguiu os manicômios. A função dos Caps é ressocializar esses pacientes. Vivemos uma realidade de alta demanda num espaço não adequado.
Os nossos pacientes vem de muitas regiões do município e todos tem alimentação, terapia ocupacional, música, atendimento médico e psicológico. Nossa clientela é composta por ex-internos de hospitais psiquiátricos. São pessoas institucionalizadas, isto é acostumaram-se a viver em instituições e não sabem viver plenamente "fora da gaiola".
O que foi filmado foi o momento que , após as refeições de mais de 50 pacientes, alguns deles se deitam nos colchonetes para tirar uma soneca. Eles não estão internados, entende?
O Caps nível 3 comporta internação por no máximo 7 dias de pacientes que fazem tratamento e tem algum agravamento do seu quadro.
Gostaria de te convidar para nos visitar na próxima segunda feira as 9 horas ou na quarta as 11 horas. Terei o máximo de interesse em que você entreviste a nossa clientela. Eu também estou disposto a te responder.
Abraço
Flávio

Roberto Moraes disse...

Caro Flávio,

Eu tenho interesse em conhecer a realidade do Caps em Campos.

Não deverei estar na segunda pela manhã em Campos.

Porém, podemos marcar dia e horário para este acompanhamento.

Não tenho juízo de valor ainda sobre a questão, mas, pelo que você fala a reportagem foi, na sua opinião, um engôdo, um oportunismo.

Ou não?

Flávio, se não puder ser nesta segunda ou quarta, ainda assim, independente dos holofotes que mascarão o quadro atual, gostaria de conhecer esta realidade, dos que necessitam de um apoio como é o esperado e bancado pelo orçamento da sociedade.

Flávio Mussa Tavares disse...

Roberto, eu gostaria mesmo é que essa reportagem malfeita, sem um questionamento aos funcionários técnicos, fosse o gancho para que as autoridades que não conhecem o problema em suas minúcias e rotinas, fossem despertadas.
A verba é federal. O município tem gestão plena. Tenho boas expectativas sobre esse fato.
Abraço.

Anônimo disse...

Caro senhor Flávio Mussa Tavares, acaso a denúncia não vem a ser explicitamente da falta de espaço adequado para os pacientes?

Vejamos o que diz o começo da matéria escrita: "Pacientes que deveriam receber tratamento psiquiátrico no norte do estado do Rio estão amontoados nos corredores da unidade de saúde."

Quanto aos juízos de valores a respeito de estarem recebendo tratamento adequado ou não, o reporter não é especialista para comentar, mas também não se pode censurar a mídia (não estou a dizer que você o tenha feito isso, apenas que não temos como banir a sensibilidade do reporter).

Estou escrevendo isto, e colocando meu nome publicamente no comentário, pois não consiguo compreender qual é sua tese a respeito da matéria, pois ao afirmar isso ("O que foi filmado foi o momento que , após as refeições de mais de 50 pacientes, alguns deles se deitam nos colchonetes para tirar uma soneca. Eles não estão internados, entende?") fica uma aparente contradição com o que você havia exposto antes, em que parece concordar com a crítica as autoridades constituídas (como se isso não fosse um direito democrático) ao afirmar que "Vivemos uma realidade de alta demanda num espaço não adequado.".

Sem cair em sentimentalismo, você poderia também comentar aqui - por maior que tenha sido sua infelicidade em falar em termos pouco adequados a alguém de sua posição social e que ocupa um cargo público (não sabem viver plenamente "fora da gaiola") - se acha ou não que a questão do tamanho da gaiola importa no tratamento psiquiátrico.

Desde já, grato pela atenção.
Vinícius Coelho.

Anônimo disse...

Caro professor Roberto Moraes, primeiramente gostaria de agradecer a publicação da minha mensagem anterior, já que não havia lido o segundo post do médico Flávio Mussa Tavares, pois ao questioná-lo sobre a suposta contradição dele em defender ou não a atual administração, era eu que estava sendo contraditório, pois se eu tivesse lido o segundo comentário dele ("eu gostaria mesmo é que essa reportagem malfeita (...) fosse o gancho para que as autoridades que não conhecem o problema em suas minúcias e rotinas, fossem despertadas") ficaria constatado a opinião dele sobre o assunto: não é um problema de questionar as autoridades constituídas (ou seja, não é um problema de tirania), mas de questionar a sensibilidade das autoridades (já que se fala em "despertar" das autoridades, e ninguém pode ser sensibilizado quando se está dormindo).

De qualquer forma, em nome da credibilidade que o professor goza na rede, e pelo qual aprecio suas considerações a respeito da economia e da cidadania em nossa cidade (e que espero poder mantê-la, pois o isolamento é uma merda, e a internet me ajuda a quebrar esse isolamento social), gostaria humildemente de pedir sua opinião a respeito do tamanho da gaiola, que é uma das partes mais importantes na formação de um juízo de valor sobre os direitos que esses conjunto de seres humanos "bancado pelo orçamento da sociedade" merecem ou não, algo que o psiquiatra Flávio Mussa Tavares, apesar do uso infeliz da palavra, parece ter ciência ao expressar que "Vivemos uma realidade de alta demanda num espaço não adequado."

Vinícius Coelho.

Flávio Mussa Tavares disse...

Oi Vinicius,a verdadeira questão é que o pct do CAPS não é acamado. Ele vai lá para terapia ocupacional e como usa medicação sedativa, tem sono e se deita de dia. Mas o CAPS não tem e nem foi feito para que essa demanda fique ali "deitada", mas sim em terapia ocupacional que é base do tratamento diferenciado dos CAPS.
Acho que a reportagem foi maliciosa por que atendendo em outras unidades, sinto que os pcts do CAPS mudam as suas vidas. Eles deixam de se internar e passam a ter uma vida independente. Melhora a vida da familia. Voce sabia que há reunião de familia toda semana? Sinceramente, convidei Roberto para visitar-nos e entrevistar os pcts lá.
O que eu sinto falta nessa hora é de os beneficiados se manifestarem. E são muitos.
Abraço

Anônimo disse...

...
Porém, após se colocar como vítima de uma perseguição, Garotinho reconheceu que a situação é precária e garantiu que a prefeita Rosinha Garotinho (PR) vai tomar providências. “Conheço a prefeita Rosinha muito bem e sei que ela irá demitir todos os responsáveis por aqueles desmandos. O orçamento de Campos deste ano para a saúde é de mais de R$ 500 milhões e não se justifica, a não ser por desleixo do responsável por aquela unidade , o tratamento dispensado aos doentes mentais”, disse.