segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Três sobre o Porto do Açu

Para iniciar a semana, o blog resume três informações sobre o Porto do Açu que divulgadas em diferentes fontes e formas, levam a compreensões equivocadas. A maioria das informações sobre o empreendimento saem quase sob a forma de propaganda (release), sem interligação das relações entre os fatos e muito menos sob análises e interpretações sobre os seus significados econômicos e impactos sobre a região:

1) Desde o final da semana passada se faz uma grande divulgação sobre a autorização da Secretaria Especial dos Portos (SEP) - que tem status de ministério - para a operação do terminal ou base de operações portuárias para apoio às explorações offshore a partir do Terminal 2 do Porto do Açu. Nada mais se trata do que a base do grupo americano Edison Chouest, através de uma de suas empresas, a Brasil Port, montada para atender contrato com a Petrobras, obtido a partir de licitação ocorrida em 2014 e finalizada ano passado. O terminal tem cerca de 1 km de cais e prevê a construção de outros berços além daqueles contratados pela Petrobras para movimentação de cargas para atendimento às explorações de petróleo offshore.

Terminal 2 do Porto do Açu, onde se localiza base da Brasil Port e área OSX
2) A holding Prumo Logística Global S.A., controlada pelo fundo financeiro americano EIG, continua caminhando no seu esforço de definir o preço das ações, para pagar os acionistas minoritários, detentores de puco mais de 25% das ações, para concretizar o fechamento da empresa. Seguindo o script três laudos de bancos sobre o valor real das ações foram apresentados. Eles são muito discrepantes e também distante do valor atual das ações na Ibovespa.

A intenção de fechar o controle da empresa, eximindo de prestar informações e ter mais liberdade de agir tem significados que estão sendo interpretados de diversos modos. Não é por acaso a aproximação de negócios com empresas americanas, não apenas a Edison Chouest, mas há conversas adiantadas com outras empresas americanas do setor petróleo, como a FMC Technologies que atua com equipamentos submarinos (subsea) e que possui uma importante base operacional em Macaé. Mais adiante avançaremos neste assunto.

3) A OSX que antes da crise das empresas do grupo EBX entrarem em crise projetou um estaleiro, a Unidade de Construção Naval (UCN) no Açu continua em recuperação judicial. Na semana passada comentamos aqui (10/02) sobre a assunção de parte de suas ações pelo fundo árabe de Abu Dhabi, Mubadala, através de sua empresa 9 West que ficou com 29% de suas ações. Os investidores minoritários possuem 34% e Eike Batista ainda 37%, embora não tenha mais o controle da empresa.

No final de janeiro passado, a Prumo, Santander e Votorantim (dois últimos bancos com ações obtidas a partir de troca por conta de empréstimos não bancados pela OSX) colocaram novos R$ 30,89 milhões na empresa, na expectativa de mantê-la, enquanto não se consegue outras receitas. Bom registrar que a OSX na verdade é mais que uma empresa, porque também se transformou numa holding que controla outras empresas como a OSX 1, OSX 3, OSX 3 que são empresas próprias, na verdade plataformas de petróleo, embora antes controlada pela OSX Leasing Group B.V na Holanda.

A OSX 1 funcionou e abandonou recentemente o campo de Tubarão Azul na Bacia de Campos pela OGPar (ex-OGX). Esta plataforma hoje está na Noruega para ser vendida em partes. A OSX 3 está ainda operando no campo de Tubarão Martelo, também da OGPar, mas já pediu à ANP para interromper a produção. Ela deverá ser entregue a credores, por pagamento de parte das dívidas. A OSX 2 foi construída na Ásia e nunca entrou em operação e está sob o controle do banco ING que é líder entre os credores.

Hoje, o maior interesse da OSX é ter receita alugando área junto ao Porto do Açu e do Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB). Ou seja, de todo o projeto da empresa OSX que chegou a ser uma holding, hoje, ela espera se transformar numa espécie de imobiliária para viver da renda do aluguel das terras (3,2 milhões de m²) que por sua vez obteve de aluguel da Prumo (ex-LLX) que por seu lado conseguiu a maioria das terras, pela desapropriação que o governo estadual, através da Condin, obteve dos pequenos produtores do antigo 5º Distrito de São João da Barra. Num vai-e-vem difícil de ser compreendido pela maioria das pessoas, mesmo as informadas, esta área alugada pela OSX, é hoje gerida pela Prumo, a partir de nomeação obtida pelos credores, por dentro do processo de recuperação judicial da OSX.

A OSX também é sócia da Mendes Junior no Consórcio Integra que monta módulos e de plataformas em base no Açu e outros estaleiros no Brasil. O projeto também previa integração destes módulos em FPSO no Açu, mas a crise com as empreiteiras que atendem à Petrobras alterou este projeto, embora ainda esteja acontecendo, mais lentamente, a montagem de módulos no Açu. (Parte das informações sobre a OSX foram obtidas em matéria do jornalista Francisco Goés, do Valor).

PS.: Atualizado às 13:13: para completar a terceira informação sobre o Porto do Açu.

3 comentários:

JVPC 14 disse...

Poderia o nobre blogueiro esclarecer sobre a existência de 3 laudos de avaliação da Prumo, pois, ao que se sabe, apenas o do Bofa de 2012 é do conhecimento geral. Antecipadamnete agradeço sua atenção.

Luiz de Carvalho

Alisson Boa Morte disse...

Montagem já foi totalmente paralisada. P-67 e P-70 terão seus módulos e integração feitos na China.

O estaleiro não existe mais.

A balsa para levar tudo para a China já esta agendada.

Anônimo disse...

Pois é... depois de expulsos os proprietários através da desapropriação movida pelo governo estadual, a PRUMO/OSX ficam como "proprietárias" da área, com interesse em receber pelo aluguel desta, sendo que muitos dos antigos e verdadeiros proprietários sequer foram indenizados.
Com a vagarosidade no julgamento dos processos de contestação de valores atribuídos às terras, a falência econômica e omissão do estado e da prefeitura de SJB, muito de nós, desapropriados, mesmo com toda a documentação em dia, ficamos sem nenhuma solução: sem a terra e sem a indenização.
O mínimo que deveria ser feito (ao menos para as áreas ainda não exploradas/utilizadas) deveria ser a reintegração de posse, já que com esta crise, não há qualquer possibilidade de indenização.