quinta-feira, julho 10, 2014

"Questão de tempo"

O blog recebeu do estudante Rafael Terra uma análise sobre a questão do futebol brasileiro. O blog publica abaixo o artigo precedido do texto em seu email em que apresentando o mesmo:

"Sou estudante do IFF Campos-RJ e li sobre seu post "O futebol não é tudo!". Sei que o futebol não é tudo, mas representa uma instituição capaz de nos fornecer os mais variados sentimentos, do amor ao ódio, da certeza à perplexidade. E concordo quando disse: "O futebol tem muito que ser ainda observado".
Compartilho com o senhor um desabafo em forma de pesquisa para que possamos entender essa questão e que, talvez, sirva de instrumento de obtenção de dados para divulgações futuras de informações.

Grato,
Rafael Terra."


Questão de tempo

O dia após uma derrota histórica nos permite refletir, deixando a emoção de lado, e analisar friamente o futebol que nós torcemos hoje. Futebol vivido e amado, porém arcaico e equivocado.

Observando o futebol brasileiro, vemos que há uma “parada” no tempo, o esporte evoluiu e a liga com seus comandantes não acompanharam. O que aconteceu contra a Alemanha nessa Copa do Mundo de 2014 foi um fato atípico, mas que descreve perfeitamente a falha na concepção brasileira de como se joga em alto nível. Como dizia Nelson Rodrigues, “não se faz futebol com bons sentimentos”. Uma derrota dessa magnitude suplica por uma mudança, um recomeço. Caso contrário, o Brasil perderá o posto de maior campeão. É questão de tempo.

Em 2000, foi elaborado um plano na Alemanha quando a seleção se viu em decadência ao ser eliminada na primeira fase da Eurocopa. A Federação Alemã de Futebol (DFB) e a Bundesliga (liga alemã) se organizaram para tomar medidas para mudar o futebol nacional. A partir de então, todos os clubes eram obrigados a ter um centro de treinamento para formação de novos jogadores, pois só assim teriam mais opções para o campeonato nacional e para seleção. Hoje, são 366 centros de treinamento (CT) instalados pelo país, em associações com escolas, que atendem mais de 14 mil jovens. Foram gastos cerca de 1,4 bilhão de reais com as divisões de base.

Ser técnico das divisões de base da Alemanha não é sinal de desprestígio, eles têm uma federação nacional de técnicos de futebol que conta com 9 mil licenciados. O comandante atual, Joaquim Löw era auxiliar de Jürgen Klinssman no Mundial de 2006.

Por falar de Mundial, em 2006, foram construídos sete novos estádios e cinco arenas passaram por reformas, com um investimento de 4,2 bilhões de reais. Antes da Copa, em 2004/05, a média de público no campeonato nacional era de 35 mil torcedores por jogo. O número foi crescendo e em 2011/12, registraram uma marca de 45 mil pessoas/jogo. Até mesmo a segunda divisão alemã obteve desenvolvimento e alcançou uma média de 17 mil espectadores por jogo.

O Borussia Dortmund, terceiro maior campeão da Alemanha, que quase fechou as portas em 2004 devido a uma dívida de 29 milhões de euros, se reergueu e possui hoje, o maior estádio e maior média de público do país: o Signal Iduna Pak tem a capacidade para 80.720 torcedores e registrou uma média de incríveis 80.488 por jogo em 2012. Lembrando que Dortmund, com aproximadamente 581 mil habitantes, é uma cidade que pode ser comparada a Campos dos Goytacazes – RJ (em população, claro). Todo esse trabalho rendeu frutos como o oitavo título da Bundesliga em 2011/12, Copa da Alemanha em 2012 e o segundo lugar na Champions League na temporada 2012/13.

A administração da Bundesliga se baseia no rigor financeiro dos clubes. Há uma norma que obriga as equipes a gastarem somente o que arrecadam, elas precisam abrir suas contas a cada ano e provar que na próxima temporada terão liquidez suficiente para terminar com o saldo positivo. Todos os clubes são de propriedade dos torcedores, que mantêm 51% das ações do time. Outro diferencial é a divisão da cota paga pela TV para transmissão dos jogos. A emissora paga o campeonato todo, diretamente a Bundesliga, que repassa a cada clube no final da temporada de acordo com sua classificação (incentivo aos times pequenos).

Tamanho é o sucesso do futebol alemão que em 2011/12, a liga nacional atingiu um lucro recorde de 2 bilhões de euros (aproximadamente 6 bilhões de reais). A origem dessa receita está dividida entre publicidade, mídia, matchday (renda arrecadada em dias de jogos), transferências de atletas e etc. Vale lembrar que a Alemanha fez tudo isso enquanto a economia da Europa enfrentava um período de recessão. E depois de tanto planejamento fora dos gramados, mesmo sendo tricampeã, a seleção alemã vem demonstrando resultados dentro de campo. Foi vice-campeã na Coreia/Japão em 2002, terceira colocada em 2006 e 2010 e agora finalista da Copa de 2014. Frutos de uma liga nacional forte. É um time cicatrizado pelas campanhas e, como diria PVC, jornalista da ESPN, cicatriz também forma time campeão.

No Brasil, como sabemos, o campeonato nacional está longe de ser exemplar. Os times passam por uma enorme dificuldade e os dirigentes são corruptos. Isso impacta diretamente na formação dos jogadores, ou seja, a seleção está condenada, pois a liga nacional está acabada. O sistema é falho.

Nada que eu falei é novo para os adoradores do futebol, mas os números explicam muita coisa e servem de comparação para entendermos o motivo da decadência do nosso esporte favorito.

O Brasil entende a filosofia de se manter uma divisão de base eficaz. De 2009 a 2012, os times da serie A tiveram um gasto de aproximadamente 638,5 milhões de reais com essa categoria. No entanto, foi um processo iniciado de forma tardia, pois em 2009 o gasto era referente a 14% desse montante. Talvez, seja um fato que explica a campanha de nossa seleção em Olimpíadas. A grande questão também se encontra na política de negociações. Nesse mesmo período citado acima, os clubes tiveram custos de 1,43 bilhão de reais com contratações. Só em 2012 foram 516,8 milhões de reais.

Um fator que contribui para as contratações é o desejo de muitos jogadores sul-americanos de vir jogar no Brasil. Aqui, o salário pago é três ou quatro vezes maior que no mercado argentino, por exemplo. O salário de um jogador top em nível de seleção da Argentina é cerca de 125 mil reais por mês. Aqui, já vimos Carlos Eduardo ganhando 500 mil mensais no Flamengo. Clube este que teve uma receita de 272,9 milhões de reais em 2013 (sem transferências de atletas). Falta o que então para melhorar?

Para se realizar a Copa do Mundo no Brasil foram gastos cerca de 8 bilhões de reais só com estádios, entre construções e reformas, fora as obras com infraestrutura. Alguns desses estádios tomam conta de uma área onde não há times nem na segunda divisão nacional. São os famosos “elefantes brancos”. O Mané Garrincha, em Brasília, com custo de construção quase três vezes superior ao valor previsto, chegou a R$ 1,9 bilhão e não há um time expressivo da capital brasileira na elite do futebol nacional.

A média de público do Brasileirão 2013, antes da Copa, foi de 14.951 pagantes, repare que é um número menor que na segunda divisão alemã. Ah, mas tem que comparar com a Europa? Ok. A liga dos Estados Unidos encheu seus campos com 18 mil espectadores por jogo. O campeão brasileiro (Cruzeiro) teve média de 28.911 torcedores por jogo. Na Alemanha, o Bayern de Munique, campeão na temporada 2012/13, registrou uma média de 68,5 mil pagantes na Allianz Arena, com capacidade para 71 mil pessoas.

Mais prova da falta de credibilidade do futebol brasileiro está também nos jogadores que compõem a seleção. Quem não torceu pro Neymar ir para o Barcelona antes da Copa para ganhar experiência? Temos a convicção de que suportamos um campeonato pobre e acabado, que não nos fornecerá jogadores capazes de disputar uma Copa do Mundo e por isso devem ir para fora ganhar experiência. Nem o campeonato continental exige a qualidade em questão. E quando digo campeonato pobre é por falta de administração, pois gera uma renda relativamente grande. Em 2013, o Campeonato Brasileiro foi o mais forte economicamente fora da Europa, com 2,6 bilhões de reais.

O que adianta ser rentável e ser mal administrado? Na primeira divisão temos as diferenças entre os clubes no que diz respeito à estrutura, plantel e até na divisão injusta dos direitos de TV e imagem. Compare o Corinthians com a Ponte Preta, recém-rebaixada. Como um clube de menor expressão e sem incentivo pode disputar um campeonato de alto nível?

Na Alemanha, o Hoffenheim subiu da 5ª divisão nacional em 1999/2000 para a primeira divisão na temporada 2008/09, onde permanece até hoje. Aqui no Brasil, alguém se lembra do Santa Cruz, Remo ou Paysandu na serie A? Ao mesmo tempo já viram como fica o estádio no clássico Re-Pa lá no Pará? Lotado. Já viram o Maracanã, vermelho e preto, cantar “Conte comigo Mengão, acima de tudo Rubro-Negro”?

A paixão pelo futebol propicia momentos inexplicáveis, mas é um sentimento comprometido pela incompetência dos líderes do esporte. Não preciso ir muito longe. Aqui na minha cidade, conheço um time que, segundo a Revista Placar, possui a 5ª maior torcida do Rio de Janeiro, clube que não disputa a série A do campeonato carioca desde 1992, teve participação na primeira divisão nacional em 1978 e foi vice-campeão da segunda divisão nacional em 1985. Lembra do Amarildo que substituiu Pelé após sua lesão na Copa de 62? Foi revelado aqui no time da Rua do Gás, em Campos. Eu, por exemplo, tenho 22 anos e só vi derrota desse clube, mas mesmo com esse retrospecto, todo ano na série B do estadual é casa cheia, é bandeira, é fumaça azul, até aniversário de namoro comemorado em jogo. Só que toda vez, pagamos pela incompetência dos “competentes”.

O sistema ideal de competição está aí. Manutenção saudável da receita dos clubes, equilíbrio esportivo no campo, manutenção e ampliação do público presente nos estádios, desenvolvimento de novos jogadores e, o mais importante, pessoal competente para compor essa instituição que é o futebol. Como dizia o Armando Nogueira: “copiar o bom é melhor que inventar o ruim”.

Esse é apenas mais um desabafo de torcedor depois de um fatídico 7 a 1. Se nada for feito para mudar, se esses cartolas continuarem no comando, será questão de tempo para o Brasil se tornar apenas mais um campeão mundial. Já aconteceu com o futebol brasileiro. É Flamengo sendo eliminado da Libertadores com Maraca lotado, Atlético-MG perdendo para um time marroquino no Mundial de Clubes, o Santos, de Neymar na época, tomando um “sacode” de 4x0 para o Barcelona. E agora está se refletindo na seleção. Lógico que os jogadores e comissão técnica têm parcela de culpa, só que o desleixo tomou proporções enormes. A política tomou o futebol, 7 minutos de apagão e 7 gols acabaram com 7 anos de preparação.

Rafael Terra.

PS.: Atualizado às 12:50 de 11/07/2014: Trago para este espaço o comentário do Douglas da Mata com o objetivo de estimular o debate sobre a questão em discussão sobre as mazelas do futebol brasileiro e sua relação com o sistema e vida em nossa sociedade:

"Um texto bem arrumado, mas permita-me discordar de alguns pontos:

01- Não há uma competência alemã (ou italiana, ou espanhola, estadunidense, enfim) e incompetência latino-americana ou brasileira em especial. Há um sistema capitalista de eventos que como em todos os outros ramos carreira recursos humanos e materiais das periferias para o centro.
Assim, de modo grosseiro, não é exagero que se existe a Bundesliga é porque existe o Brasileirão.
É uma relação de causa e efeito e vice-versa (dialética) e não uma questão (apenas) de vocação para o "mal" ou para o "bem", ou determinismo geográfico.

02- Nosso futebol e nossos dirigentes são, assim como todas as nossas instituições, espelho acabado de nossas contradições, ou seja, na Alemanha e na Europa, pessoas que gostam de futebol participam da gestão de seus clubes, mesmo sabendo que os processos de mudança são lentos e sujeitos a percalços e decepções.
Por aqui ainda encontramos quem defenda que recursos públicos sustentem (direta ou indiretamente) os eventos, nossos torcedores resistem a simples ideia de sentar no lugar numerado, e ainda tratamos os tumultos dos estádios como crimes de menor potencial ofensivo, ou seja...reclamamos do caráter...dos outros.
Alguns acham normal xingar a presidenta na abertura, por exemplo...

03- Por último, a frase do comentarista:

"(...) A política tomou o futebol, 7 minutos de apagão e 7 gols acabaram com 7 anos de preparação."

Se tudo que ele tivesse dito fosse 100% aproveitável, esta "pérola" anti-política jogaria tudo para "escanteio".


Enfim, é preciso entender que a diferença entre os campeonatos daqui e de lá não é uma questão "moral" ou de "caráter", mas sim fruto das decisões dos eixos de poder que controlam as diversas formas de acumulação de dinheiro ao redor do mundo, como também é o esporte de alta performance, a chamada indústria do entretenimento.

Há sociedades que são mais rígidas e exigem mais controle dos esquemas de mídia-empresas-orçamentos, e há outras frouxas como a nossa.

Vejam que até hoje a globo sumiu com um processo fiscal de sonegação na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002, e muita gente sequer sabe(ou quer saber) disto...

E quando ouve diz que é coisa de petistas ressentidos...pois é..."

6 comentários:

Anônimo disse...

Rafael, parabéns pelo excelente comentário.

Tá aí, o modelo para o sucesso. Administrar com seriedade, sem corrupção. Mas principalmente com foco no longo prazo.

Tudo muito imediatista, geralmente causa sérios problemas. É como construir uma casa sobre a areia, sem bases de sustentação.

douglas da mata disse...

Um texto bem arrumado, mas permita-me discordar de alguns pontos:

01- Não há uma competência alemã (ou italiana, ou espanhola, estadunidense, enfim) e incompetência latino-americana ou brasileira em especial. Há um sistema capitalista de eventos que como em todos os outros ramos carreira recursos humanos e materiais das periferias para o centro.
Assim, de modo grosseiro, não é exagero que se existe a Bundesliga é porque existe o Brasileirão.
É uma relação de causa e efeito e vice-versa (dialética) e não uma questão (apenas) de vocação para o "mal" ou para o "bem", ou determinismo geográfico.

02- Nosso futebol e nossos dirigentes são, assim como todas as nossas instituições, espelho acabado de nossas contradições, ou seja, na Alemanha e na Europa, pessoas que gostam de futebol participam da gestão de seus clubes, mesmo sabendo que os processos de mudança são lentos e sujeitos a percalços e decepções.
Por aqui ainda encontramos quem defenda que recursos públicos sustentem (direta ou indiretamente) os eventos, nossos torcedores resistem a simples ideia de sentar no lugar numerado, e ainda tratamos os tumultos dos estádios como crimes de menor potencial ofensivo, ou seja...reclamamos do caráter...dos outros.
Alguns acham normal xingar a presidenta na abertura, por exemplo...

03- Por último, a frase do comentarista:

"(...) A política tomou o futebol, 7 minutos de apagão e 7 gols acabaram com 7 anos de preparação."

Se tudo que ele tivesse dito fosse 100% aproveitável, esta "pérola" anti-política jogaria tudo para "escanteio".


Enfim, é preciso entender que a diferença entre os campeonatos daqui e de lá não é uma questão "moral" ou de "caráter", mas sim fruto das decisões dos eixos de poder que controlam as diversas formas de acumulação de dinheiro ao redor do mundo, como também é o esporte de alta performance, a chamada indústria do entretenimento.

Há sociedades que são mais rígidas e exigem mais controle dos esquemas de mídia-empresas-orçamentos, e há outras frouxas como a nossa.

Vejam que até hoje a globo sumiu com um processo fiscal de sonegação na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002, e muita gente sequer sabe(ou quer saber) disto...

E quando ouve diz que é coisa de petistas ressentidos...pois é...

Rafael disse...

Caro Douglas, criar um debate sobre o tema seria expor suas ideias e, mesmo que fossem contrárias, você deve e tem o total direito de apresentá-las (importantíssimo). Erroneamente, você partiu para o lado político tomando como base a última frase do texto e generalizou. Fez pior, tratou com ironia a “frase do comentarista” que é a frase de um mero adorador de futebol, que fez uma pesquisa tomando como foco o esporte, como melhorar esse esporte.
Não quero discutir política, pois seria cada hora um rebatendo os comentários do outro, mas apenas deixei registrado que precisamos mudar a concepção de futebol. Futebol, futebol e futebol. E há política envolvida, mesmo quase não sendo citada. Fato.
Os números explicam muita coisa: reformas no Maracanã, no valor de 1,3 bilhão de reais, autorizadas por um membro do governo estadual, quando na verdade existe uma lei que diz que essa decisão é ilegal e deve ser somente da Presidência da República. Liberação da venda de cervejas pela FIFA, apenas das marcas patrocinadoras do evento, passando por cima do MP que “proíbe” tal atividade se baseando na Lei Estadual 404, de 1980. Entre outros...

Manoel Ribeiro disse...

O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes...

Leandro Peixoto Pepe disse...

Parabéns Rafael pelo seu texto. Realmente a decadência do futebol brasileiro é algo que vai muito além da escolha de um técnico para a seleção. Direcionam o foco para este "personagem", talvez para esconder a verdadeira atividade dos comandantes da CBF. É lá que começa o problema do futebol, afinal tudo que eles querem é o dinheiro gerado, não se importando se os times estão bem, a seleção está boa, etc. Nós, brasileiros, vamos para os estádios, sustentamos de alguma forma esta industria, essa máfia, pagamos R$ 100,00 para ver um jogo da série A, entre times falidos, dirigentes bilionários, partidas com interesses excusos. As pessoas pagam para ver um Ronaldinho Gaucho no fim de carreira, já sem pretensões e os clubes sabendo disso contratam um ou dois jogadores deste para a torcida comparecer, pagar o que não tem para assistir um jogo pobre, sem qualidade. Não seria melhor pagarmos para ver jogos com times capazes de disputar com superioridade qualquer partida, com clubes de qualquer lugar?! Basta ver os últimos resultados do mundial de clubes onde os clubes brasileiros não chegam sequer na final, perdendo para times sem expressão, mas que conseguem ser mais organizados que os brasileiros e, quando conseguem passar para uma final... tomam uma verdadeira surra de times europeus, como o Santos contra o Barcelona. Assim tem sido com a seleção Brasileira!
A CBF, dirigentes e a Globo manipulam muito, inclusive a nós mesmos!

Ass.: Leandro Pepe

Sônia Márcia disse...

De Sônia Márcia, avó de RAFAEL TERRA
Primeiramente, agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de estar entre os leitores dessa fabulosa matéria que você, com certeza, desejava escrever para desabafar seus sentimentos.
Depois, fico muito grata a você por me fornecer dados que mostram o porquê daquele 7X1.
Sei que uma vitória dessa não se consegue em dias, meses ou, até, anos e sim na persistência, em longo prazo, para se alcançar o alvo pretendido.
Quem sabe, daqui a longos anos, talvez na COPA de 30, eu com meus quase 80 anos, o Brasil poderá proporcionar a todos nós brasileiros, o gosto de ser hexa campeão? Não estou sendo pessimista em pensar nesta possibilidade daqui a 16 anos, pois, o trabalho que nos espera, assim como acontece com outras Seleções, será árduo!
Sou professora aposentada e sempre disse que o aluno é quem faz a escola e não a escola, o aluno. Pois o aluno, sendo ajudado, encaminhado e educado sempre pelos seus Mestres, possui um papel fundamental no alcance de seu sucesso profissional e ético/moral.
Do mesmo modo, acho que um jogador não depende apenas de seus líderes, mas, de seu desempenho, de sua garra, dos treinamentos constantes que exigem dedicação e criatividade fora e dentro dos gramados.
Agora, hoje, amanhã não é hora de pensar que temos muito tempo para a próxima COPA, que será em 18, considerando que assistimos, desta vez, o Brasil engatinhando atrás dos campeões.
Lendo seu texto, pude avaliar que nesses meus 63 anos de vivência aprendo e tenho muito a aprender com jovens/netos talentosos assim como você.
Sempre o chamei de “Campeão” não só como o filho, o irmão (que parece ser a outra metade de seu irmão Rodolfo), o amigo... Aqui abro um parênteses para ilustrar o quanto sua presença é marcante na sua convivência familiar e nas suas relações de amizade. Certa vez, procurando por você, na saída da escola, perguntei a uma jovem colega sua se ela conhecia Rafael Terra; “Quem não conhece Rafael Terra?!” Essa resposta me mostrou que você era, também, Campeão nas amizades. Como aluno, você deixou e deve ainda deixar muitas saudades por onde passa. Como neto, carrego no meu coração a certeza de que você nasceu para brilhar! E, olha, que não sou uma “avó coruja”, somos sim, uma “família de corujas”, pois, você é admirado por todos nós, não apenas pela sua beleza física externa, mas por você ser esse belo jovem exemplar que, além de escritor e poeta – porque fala com o coração – é muito sensível às emoções, além de lidar com as circunstâncias da vida, com muita humildade.
Você, Rafael Terra, é meu neto mais velho. Através de seu nascimento, pude viver minha primeira grande alegria de ser avó. Poderia falar mais de seu sucesso acadêmico, de seus escritos poéticos desde bem pequeno, de suas medalhas... E, para falar mais de você, precisaria de muito mais tempo e muito mais papel (ainda gosto de escrever com caneta e papel).
Rafael Terra, tenho certeza que muitas outras medalhas de Campeão serão concedidas a você em sua caminhada. Campeão, não só como profissional, mas, como tio, marido, pai, avô, bisavô.... Você é e sempre será o meu Eterno campeão!!!
Sônia Márcia Ribeiro Morais, Avó de Rafael Terra